Mensagem de Domingo, 4 de outubro de 2026, na 3ª Igreja Presbiteriana Conservadora de Guarulhos
Pr. Plinio Fernandes
Amados irmãos, vamos ler 2ª aos Coríntios 3.1-11
Começamos, porventura, outra vez a recomendar-nos a nós mesmos? Ou temos necessidade, como alguns, de cartas de recomendação para vós outros ou de vós? 2 Vós sois a nossa carta, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos os homens, 3 estando já manifestos como carta de Cristo, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações. 4 E é por intermédio de Cristo que temos tal confiança em Deus; 5 não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus, 6 o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica. 7 E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de glória, a ponto de os filhos de Israel não poderem fitar a face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, ainda que desvanecente, 8 como não será de maior glória o ministério do Espírito!
Como os irmãos sabem, uma das grandes controvérsias com as quais os apóstolos tiveram que lidar nos primeiros dias de sua pregação, foi sobre a relação entre os escritos do Antigo Testamento e a doutrina de Jesus.
Não que sejam coisas opostas, pois o ensino de Jesus, contido nesta segunda parte da Bíblia, que hoje chamamos Novo Testamento, é completamente alicerçado na primeira parte, o Antigo Testamento.
Há uma continuidade na história e na doutrina, de modo que o Antigo Testamento é como que o alicerce, e o Novo, a casa construída sobre o alicerce.
As profecias, as cerimônias religiosas do Antigo, e muito especialmente os sacrifícios de expiação, apontavam para Jesus, o Filho de Deus, falavam da sua vinda, para nos revelar Deus, trazer o seu reino, perdoar nossos pecados, salvar, do mundo inteiro, aqueles que nele creem.
Então, Jesus foi, e é, o cumprimento de todo o ensino do Antigo Testamento.
Mas, ao mesmo tempo, em que há essa continuidade, há uma descontinuidade.
Por exemplo: o Antigo Testamento tem como base a aliança que Deus fez com Adão, passando por Noé, Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, Davi, até que viesse Jesus.
Cada vez que o Senhor renovava essa aliança com os homens, o sangue de algum animal era derramado, e assim a aliança era selada.
Essa aliança, podemos chamar de antiga, pois ela mesma diz que chegariam dias em que o Senhor faria uma nova aliança com o seu povo.
Essa nova aliança foi feita e selada com o sangue de Jesus, derramado na cruz.
E então, todas as antigas cerimônias, embora dadas por Deus, deixaram de existir, pois o que elas representavam tinha acontecido.
Não temos mais a arca da aliança, que representava a presença de Deus, pois agora temos Jesus, que habita em nós mediante o Espírito Santo.
Não temos mais circuncisão, pois o batismo em Jesus é a nossa circuncisão.
Não temos mais a celebração da Páscoa, pois Cristo é a nossa Páscoa, e na santa ceia temos a representação do seu sacrifício de amor por nós, pelo qual ele nos tirou do cativeiro das trevas.
O problema é que, quando os apóstolos saíram ensinando essas coisas, muitas pessoas começaram a pensar que Jesus e os seus discípulos estavam negando a importância de Moisés, dos profetas, e da antiga aliança.
E atacavam os ensinos e o caráter dos apóstolos, como nós vemos aqui na carta que estamos lendo.
Por isso Paulo vem se defendendo, e o fará ainda nessa carta, pois não era somente ele, mas a realidade do Evangelho é que estava sendo atacada.
E aqui nós chegamos ao ponto doutrinário principal de 2ª aos Coríntios.
O ministério do Espírito de Cristo nesta nova aliança.
No v. 1, alicerçando sua autoridade como apóstolo, Paulo diz que ele não tinha necessidade, como alguns, de cartas de recomendação aos coríntios.
Pois eles mesmos, os crentes, eram a sua carta de recomendação.
Na carta aos Romanos, cap. 15, Paulo diz que não costumava edificar sobre fundamento alheio, mas que preferia ele mesmo anunciar o Evangelho em lugares em que ainda não havia sido pregado.
E foi assim em Corinto. Alguns anos antes ele havia chegado na cidade, pregado o Evangelho, e eles foram convertidos pelo Espírito de Deus.
Então, que carta de recomendação eles precisavam? Eles eram a sua carta de recomendação, que todos os homens podiam ler.
v. 2 – “Vocês são a minha carta, escrita e conhecida por todos os homens”
v. 3 – “Vocês são a carta de Cristo, escrita através do meu ministério, escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, escrita, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações humanos...”
v. 6 – “Deus nos habilitou para sermos ministros da nova aliança, não da letra, mas do Espírito...”
E nos vs. 8 a 11, contrastando com o ministério de Moisés, ele diz: “a glória do ministério do Espírito”, do qual ele, Paulo e seus companheiros, são ministros, “é muito maior”.
Então, o que ele está fazendo é apelar para a experiência que eles tinham em comum, como se dissesse:
– “Irmãos, vocês me conhecem; sabem que resultados teve o meu ministério entre vocês, sabem que tenho trabalhado em nome de Jesus, no poder do Espírito Santo; o meu ministério é de Jesus Cristo, é do Espírito”.
– Trabalhamos juntos, inseparavelmente. Vejam o que aconteceu na vida de vocês! Vocês são a nossa carta de recomendação!”
O ministério do Espírito!
Isto diz respeito a uma série de operações realizadas pelo Espírito Santo na alma humana, promovendo a salvação dos homens e a glória de Deus
Em nossa meditação de hoje, iremos considerar as realizações do Espírito mencionadas neste texto.
1. O Espírito Santo é aquele que promove, que aplica a nova aliança entre Deus e os homens
v. 6 – o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica.
v. 3 – estando já manifestos como carta de Cristo, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações.
Uma vez que Paulo é ministro da nova aliança, e uma vez que o seu ministério é o ministério do Espírito, segue-se que o ministério da nova aliança é ministério, é realização do Espírito Santo.
A Bíblia inteira, desde o livro de Gênesis, até o Apocalipse, nos ensina que Deus, quando se revela aos seus escolhidos, entra com eles num relacionamento chamado de “aliança, ou pacto, ou acordo, ou ainda testamento” (são palavras usadas de modo intercambiável)
Como eu já disse anteriormente, desde o primeiro homem, Adão, depois Noé, Abraão, Moisés, o povo israelita, Davi, Salomão, o povo israelita quando voltou do cativeiro babilônico.
E nestes “encontros de aliança” , existe uma ideia básica. Existem alguns detalhes secundários, adaptações de acordo com a época, mas existe o que é essencial, e imutável. Eu quero citar apenas duas referências como exemplo
Gn 17:1-7 – “Eu serei o teu Deus, dos teus descendentes”
Êx 19:5,6 – “Vós sereis minha propriedade peculiar...”
A ideia básica é a de “pertencer um ao outro” – “Eu sou o vosso Deus... Vós sois o meu povo...”
No Antigo Testamento, o clímax dessa aliança foi registrado no Monte Sinai, na forma dos dez mandamentos, em duas tábuas de pedra, e elas foram colocadas dentro de uma arca de madeira, chamada “arca da aliança”.
Mas como diz a própria Bíblia, embora os termos daquela aliança revelada no Antigo Testamento, fossem, por si mesmos, gloriosos, o melhor ainda estava por vir.
Pois o Senhor declarou que aquela antiga aliança era apenas um vislumbre, um tanto ofuscado, diante da glória da nova aliança que ele faria no futuro.
Este melhor que estava ainda adiante, esta nova aliança se realizaria através de Jesus Cristo, de sua morte na cruz por nossos pecados.
Lc 22:20 – Semelhantemente, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós.
Os termos da nova aliança:
Jr 31:31-34 – Eis aí vêm dias, diz o SENHOR, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá. 32 Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles anularam a minha aliança, não obstante eu os haver desposado, diz o SENHOR. 33 Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. 34 Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao SENHOR, porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o SENHOR. Pois perdoarei as suas iniquidades e dos seus pecados jamais me lembrarei.
– Na mente e no coração escreverei as minhas leis
– Cada um deles irá me conhecer pessoalmente
– Todos os seus pecados serão perdoados
1.1. A primeira grande diferença entre a antiga e a nova aliança é esta: que na antiga, a lei de Deus estava escrita em tábuas de pedra, mas agora está escrita nas mentes e corações
Veja: a lei de Deus continua, em sua forma de mandamentos e promessas, escrita exteriormente – normalmente nos dias de hoje está impressa em folhas de papel.
Mas agora, na nova aliança, cada um anda nos mandamentos de Deus de forma nova – não apenas porque está escrito num papel ou numa tábua de pedra, mas porque o Espírito de Deus “inscreve” a vontade de Deus no coração humano, isto é, transforma, molda no coração humano uma nova disposição, para andar com Deus, guardar seus mandamentos, por amor a Deus, à sua Palavra.
Aquele em cujo coração o Espírito de Deus opera é alguém cuja vontade é transformada.
O homem que não é dirigido pelo Espírito da nova aliança não consegue obedecer a lei de Deus.
Mas o homem dirigido pelo Espírito Santo não consegue deixar de obedecer a Deus
Dois breves exemplos:
Rm 5:5 – “O amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi outorgado...”
Aquele que não tem o Espírito Santo não consegue amar com o amor descrito nas Escrituras – não consegue perdoar, não consegue se entregar, guarda ressentimentos, vive amargurado... Aquele que é dirigido pelo Espírito não consegue deixar de amar.
Fp 4:13 – “Posso todas as coisas naquele que me fortalece...”
Aquele que não é dirigido pelo Espírito vive derrotado; vencido pelo pecado, pela vida, pelos problemas; aquele que é dirigido pelo Espírito vence as tentações, faz de cada luta um motivo de crescimento , vitória e louvor.
1.2. A segunda característica da nova aliança é que cada um, pessoalmente conhece ao Senhor...
Ninguém jamais ensinará ao seu irmão dizendo: “conhece ao Senhor, porque todos me conhecerão...”
Esta verdade é repetida na Primeira Carta de João...
1ª Jo 2.26-27 – Isto que vos acabo de escrever é acerca dos que vos procuram enganar. 27 Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nele, como também ela vos ensinou.
Quando o Senhor declara que já não há necessidade de um irmão ensinar a outro, não está dizendo que não precisamos uns dos outros para nossa edificação. Tanto Jeremias quanto João eram pregadores da Palavra.
O Novo Testamento está repleto de referências ao fato de que o Senhor dá a alguns dons de ensinar, pregar, aconselhar, para a edificação, para o crescimento espiritual da igreja.
Mas o que ele está dizendo é que o conhecimento de Deus é mais do que um conjunto de verdades a respeito de Deus, é mais do que verdades a respeito das quais se escreve numa lousa, como seria com matemática, língua portuguesa, hermenêutica, homilética, etc.
Conhecer a Deus é relacionar-se com Deus pessoalmente. Jesus disse: “As minhas ovelhas me conhecem, elas ouvem a minha voz e me seguem...”
É andar com Deus – conhecer seus caminhos, sua vontade, saber o que ele ama, e o que ele não ama.
Também é falar com ele: abrir o coração com ele, confessando pecados, ansiedades, partilhando as aflições, as alegrias, os desejos, como quem fala a um amigo...
Intimidade com Deus. É trabalhar para Deus, e mais que isso: trabalhar com Deus, de acordo com a vontade dele.
1.3. A terceira característica é a expiação completa dos pecados
Na antiga aliança o sacerdote precisava constantemente oferecer a Deus sacrifícios pelos pecados cometidos, por ele mesmo e pelos demais homens.
Na nova aliança já não há necessidade de sacrifícios repetidos, porque, de uma vez para sempre, um único sacrifício, perfeito, feito por Jesus na cruz, aquele que nunca cometeu pecado algum, de uma vez para sempre os nossos pecados foram purificados
Hb 10:14-18 – Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados. 15 E disto nos dá testemunho também o Espírito Santo; porquanto, após ter dito: 16 Esta é a aliança que farei com eles, depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei no seu coração as minhas leis e sobre a sua mente as inscreverei, 17 acrescenta: Também de nenhum modo me lembrarei dos seus pecados e das suas iniquidades, para sempre. 18 Ora, onde há remissão destes, já não há oferta pelo pecado.
Isto não quer dizer que, cada vez que pecamos, não tenhamos que confessar os nossos pecados, mas quer dizer que não nos compete ficar fazendo sacrifícios compensatórios, pois de uma vez por todas foram pagos, cancelados, e neste sentido não devemos mais nada para Deus.
2. O Espírito Santo é aquele que promove a vida de Deus no coração do homem
v.6 – o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica.
Embora nossas versões traduzam a palavra “espírito” com “e minúsculo”, indicando assim que se entende uma referência ao espírito humano, ou mesmo à espiritualidade da lei, é evidente nas palavras de Paulo que ele continua falando do ministério do Espírito Santo, pois ele é que é o Espírito promotor da nova aliança
O Espírito Santo é o Espírito que efetua a nova aliança porque ele é também o Espírito que promove vida.
Paulo diz que a letra mata, mas o Espírito vivifica.
Aqui vemos nova alusão à forma externa dos mandamentos como sendo apenas um conjunto de mandamentos que de si mesmo não produz nada.
Os mandamentos têm que ser instalados dentro do coração, mas também não adianta serem inscritos num coração de um morto.
Ora, é precisamente assim, morto, que se encontra espiritualmente alguém que não tem o Espírito, isto é, que não teve esse encontro com Deus.
Ef 2:1-6 – Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, 2 nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; 3 entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. 4 Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, 5 e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, –- pela graça sois salvos, 6 e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus.
Em que consiste esta morte espiritual?
Consiste em se estar separado de Deus, e em espiritualmente manifestar aquelas características da morte física – o homem morto não ouve, não pensa, não se move, não fala; aquele que está separado de Deus não ouve a Deus, não o entende, não anda com ele
Quando Paulo afirma que a letra mata, mas o Espírito dá vida, está dizendo que uma pessoa pode até ter a forma externa da religião, andando de acordo com certas regras, mas não ter vida espiritual, então não há transformação, vitória, é uma pessoa derrotada espiritualmente
Mas precisamos afirmar que esta vida não vem a nós aparte das Escrituras Sagradas; ele age através da Palavra de Deus
Jo 6:63 – O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida.
3. O Espírito Santo faz desses homens e mulheres vivificados, participantes da nova aliança, a carta, a mensagem de Cristo ao mundo
vs. 2,3 – Vós sois a nossa carta, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos os homens, 3 estando já manifestos como carta de Cristo, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações.
Há aqui uma breve alusão ao coração pastoral de Paulo: “Vocês são a nossa carta, escrita em nosso coração. Vocês moram no nosso coração.”
Eu acho que apesar de tudo o que os coríntios faziam e que magoava o coração de Paulo, se alguém tivesse que tirá-los do peito do apóstolo, teria que tirar o coração dele junto, porque os coríntios moravam ali
Mas em seguida ele acrescenta: “nossa carta, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos os homens, estando já manifestos como carta de Cristo..., escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente”.
As pessoas do mundo precisam ser alcançadas com as Palavras de Cristo, precisam ser vivificadas através da Palavra de Deus, pois a Palavra de Deus é o meio pelo qual o Espírito Santo promove a vida da nova aliança
E qual o instrumento que ele emprega para que o mundo leia a mensagem de Cristo?
– Vós sois a carta de Cristo...
A mensagem evangélica não se resume no trabalho realizado pelos ministros especialmente separados para isto.
Ela também se espalha através da vida de cada participante desta aliança com Deus.
Através do simples modo de viver do crente, o Evangelho está sendo lido pelo mundo.
As palavras usadas pelo apóstolo, literalmente significam “ conhecida e reconhecida”.
Ele é notado como crente. Sua vida diferente é observada. Seu padrão superior é percebido.
A própria palavra “cristão”, que foi usada pela primeira vez por pessoas não cristãs para se referir aos crentes, quer dizer “pequeno Cristo”, por serem parecidos com Jesus.
E isto faz dele uma mensagem de Cristo ao mundo.
O crente também é uma carta de Cristo através do que ele fala.
Veja: Jesus veio ao mundo, e sua vida se tornou um exemplo positivo para todos os homens.
Mas ele não se limitou apenas a viver uma vida justa e santa. Ele também falou, explicando o sentido de tudo quanto fazia.
Uma vida reta, de certo modo, pode ser vista até em quem não conhece a Deus.
Por isto precisamos não só “dar bom exemplo”, mas aproveitando as oportunidades, falando de Jesus onde estivermos.
Como dizem os Salmos: “Creio, por isto falo”
Ou como diz o apóstolo Paulo: “Não me envergonho do evangelho, pois ele é o poder de Deus para a salvação...”
Concluindo, irmãos:
Neste texto, o Senhor nos fala sobre o ministério do Espírito, a obra que ele realiza nos corações humanos, promovendo neles a obra do reino de Deus
Ele é o Espírito que realiza a nova aliança
Aquela aliança na qual Deus dá aos homens uma disposição interior de obedecer, amar, testemunhar, andar na sua vontade
Na qual Deus dá aos homens uma vida nova, de conhecimento pessoal dele, andar com ele, ouvir sua voz, intimidade
Na qual Deus perdoa todos os pecados através do sacrifício de Jesus feito na cruz
Ele faz de cada homem, cada mulher desta aliança uma carta viva, pessoal, uma testemunha de Jesus Cristo diante do mundo.
Não é tudo que Paulo nos ensina neste capítulo, sobre o ministério do Espírito em nossa vida.
Nós pretendemos, se a Deus prover, continuar no próximo estudo.
Mas, por ora: como alguém pode experimentar o ministério do Espírito em sua vida?
Essa resposta nos é dada, direta ou indiretamente, em vários lugares da Escritura.
Por exemplo, em Atos cap. 2, Pedro diz:
Arrependei-vos, cada um de vós seja batizado em nome de Jesus, para o perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.
Em Gálatas cap. 3, Paulo pergunta retoricamente:
– Por acaso, o Espírito que recebestes, foi pelas obras da lei, ou pela pregação da fé?
Em João cap. 7, Jesus referindo-se ao Espírito Santo, que receberiam todos os que nele crescem, o Senhor Jesus diz:
Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva.
Quando alguém ouve e crê de todo o coração, o Espírito é dado, e começa a realizar seu ministério no coração do novo crente.
Mas eu quero citar a maneira como devemos proceder a cada dia, a fim de que nos asseguremos dessa obra do Espírito, conforme Paulo escreve em 2ª Co 13.5.
Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados.
Talvez você tenha percebido, à medida em que meditamos, que haja áreas em sua vida que negam a obra do Espírito de vida, o Espírito da nova aliança.
Talvez o seu testemunho como crente esteja deixando muito a desejar.
Talvez haja pecados diante dos quais você se sente derrotado
Talvez desafetos e desamores em seu coração
Talvez frieza espiritual
Impurezas, coisas de quem não conhece a Deus
Talvez vergonha do evangelho, vergonha de dizer que é crente
Talvez, ao confrontar-se com a obra de Deus, comparando-a com sua vida, você tenha se sentido perturbado, ficado sem paz
Então por favor, não “amorteça sua consciência”, não dê sossego a si mesmo, pois quem está te convencendo disto é o Espírito Santo
Não dê paz para si mesmo, mas peça, ore muito, não se conforme, e não deixe de orar enquanto o Espírito não transformar cada área de sua vida
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