Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

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domingo, 7 de junho de 2015

Unidade, diversidade, caridade - Rm cap. 14-15:13

IPC em Pda. de Taipas
Domingo, 7 de junho de 2015
Pr. Plínio Fernandes
Amados irmãos, vamos ler Romanos cap. 14 e 15:1-13
14:1-23 – Acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões.  2 Um crê que de tudo pode comer, mas o débil come legumes; 3 quem come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come, porque Deus o acolheu. 
4 Quem és tu que julgas o servo alheio? Para o seu próprio senhor está em pé ou cai; mas estará em pé, porque o Senhor é poderoso para o suster.  5 Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente.  6 Quem distingue entre dia e dia para o Senhor o faz; e quem come para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come para o Senhor não come e dá graças a Deus.  7 Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si.  8 Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor.  9 Foi precisamente para esse fim que Cristo morreu e ressurgiu: para ser Senhor tanto de mortos como de vivos.  10 Tu, porém, por que julgas teu irmão? E tu, por que desprezas o teu? Pois todos compareceremos perante o tribunal de Deus.  11 Como está escrito: Por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua dará louvores a Deus.  12 Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus.
13 Não nos julguemos mais uns aos outros; pelo contrário, tomai o propósito de não pordes tropeço ou escândalo ao vosso irmão.  14 Eu sei e estou persuadido, no Senhor Jesus, de que nenhuma coisa é de si mesma impura, salvo para aquele que assim a considera; para esse é impura.  15 Se, por causa de comida, o teu irmão se entristece, já não andas segundo o amor fraternal. Por causa da tua comida, não faças perecer aquele a favor de quem Cristo morreu.  16 Não seja, pois, vituperado o vosso bem.  17 Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. 18 Aquele que deste modo serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens. 
19 Assim, pois, seguimos as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os outros.  20 Não destruas a obra de Deus por causa da comida. Todas as coisas, na verdade, são limpas, mas é mau para o homem o comer com escândalo.  21 É bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa com que teu irmão venha a tropeçar ou se ofender ou se enfraquecer.  22 A fé que tens, tem-na para ti mesmo perante Deus. Bem-aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova.  23 Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque o que faz não provém de fé; e tudo o que não provém de fé é pecado.
15:1-13 – Ora, nós que somos fortes devemos suportar as debilidades dos fracos e não agradar-nos a nós mesmos. 
2 Portanto, cada um de nós agrade ao próximo no que é bom para edificação.  3 Porque também Cristo não se agradou a si mesmo; antes, como está escrito: As injúrias dos que te ultrajavam caíram sobre mim.  4 Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança.  5 Ora, o Deus da paciência e da consolação vos conceda o mesmo sentir de uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, 6 para que concordemente e a uma voz glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.  7 Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus.  8 Digo, pois, que Cristo foi constituído ministro da circuncisão, em prol da verdade de Deus, para confirmar as promessas feitas aos nossos pais; 9 e para que os gentios glorifiquem a Deus por causa da sua misericórdia, como está escrito: Por isso, eu te glorificarei entre os gentios e cantarei louvores ao teu nome.  10 E também diz: Alegrai-vos, ó gentios, com o seu povo.  11 E ainda: Louvai ao Senhor, vós todos os gentios, e todos os povos o louvem.  12 Também Isaías diz: Haverá a raiz de Jessé, aquele que se levanta para governar os gentios; nele os gentios esperarão.  13 E o Deus da esperança vos encha de todo o gozo e paz no vosso crer, para que sejais ricos de esperança no poder do Espírito Santo.
No século XVI, um movimento do Espírito de Deus mudou o curso da História da Igreja e do mundo: a Reforma Protestante.
A Reforma aconteceu em vários lugares da Europa ao mesmo tempo, através de diferentes homens.
Por isto, ao mesmo tempo em que entre as diversas pessoas, ou grupos de pessoas que experimentaram esta atuação do Espírito Santo, havia muitas coisas em comum, havia também muitos pontos secundários nos quais existiam diferenças de pensamento e prática; por exemplo: a santa ceia, a forma do batismo, a forma de governo da igreja.
Mas diferenças de pensamento entre os crentes, sobre certos assuntos, sempre existiram na história da igreja: nos primeiros dias do Cristianismo, havia discussão entre os crentes em Jesus a respeito do que se pode comer ou não, entre o que se pode beber ou não, se há dias especiais que devem ser observados ou não – diferenças estas que podem ser percebidas no texto que estamos a considerar.
Por conta deste tipo de controvérsias, Richard Baxter, um pastor puritano, expressou suas convicções da seguinte maneira:
Existem algumas verdades essenciais, sem as quais alguém, ou uma comunidade eclesiástica não podem ser verdadeiramente chamados cristãos – nestas verdades essenciais precisa haver unidade de pensamento e prática [1].
Existem certos assuntos nos quais os cristãos podem divergir entre si, sem que isto afete a essência de sua fé. Nestas coisas não essenciais, pode haver diversidade.
Mas em todas as coisas, precisa haver caridade [2].
Unidade, diversidade, caridade. Embora seja uma frase moderna, estou convicto de que é alicerçada sobre a Palavra de Deus. Este é o assunto de nosso estudo de hoje.
Veremos como estas verdades são ilustradas no ensino de Paulo neste texto que lemos.
1. Paulo ensina que algumas verdades do evangelho de Cristo são essenciais, e nelas, todos os crentes devem estar de acordo em seu entendimento – aqui deve haver unidade
Vejamos algumas
1.1 - O reconhecimento de Jesus Cristo como Senhor (somente Cristo)
Cristão verdadeiro é aquele que reconhece a Jesus como Senhor de sua vida e de todas as coisas.
Rm 14: 9,11
9 Foi precisamente para esse fim que Cristo morreu e ressurgiu: para ser Senhor tanto de mortos como de vivos. 
11 Como está escrito: Por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua dará louvores a Deus. 
O que faz de você um cristão não é o que você come ou o que você bebe, mas sim o ter entregado sua vida a Cristo reconhecendo-o como seu Senhor.
Cristo é o Senhor do seu coração, de sua mente, de sua vida? Isto é, você reconhece a Cristo como Deus e Senhor do universo, e consequentemente, como o teu Senhor?
Cristianismo verdadeiro é isto:
Rm 14: 7, 8
7 Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. 8 Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor.
1.2 - O reconhecimento de que a fé é o meio de viver de modo agradável a Deus (somente a fé) 
Rm 14:23
Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque o que faz não provém de fé; e tudo o que não provém de fé é pecado.
Aqui Paulo está citando uma doutrina fundamental, sem a qual não podemos ser chamados de cristãos: a doutrina de que a fé é o meio de chegar-se a Deus em Jesus Cristo.
Justificados, pois mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo...[3]
Pelo qual temos ousadia, e acesso (ao Pai) com confiança, mediante a fé nele...[4]
Pois como está escrito: o justo viverá pela fé [5].
Para Deus, a atividade exterior de alguém que se diz cristão só é importante à luz da atitude interior.
Qualquer ação nossa que não seja fruto da fé é pecado.
Por exemplo, este culto que prestamos: se não for motivado pela fé em Jesus Cristo, se não for pela fé em sua Palavra, mas pelo tradicionalismo, ou pela formalidade, ou como uma obra para se obter o favor divino, se não for fruto da fé no fato de que em Cristo podemos nos achegar a Deus, de modo agradável a ele, se não for “em espírito e em verdade”, apenas estaremos oferecendo a Deus sacrifício que ele não pediu.
Ef 2:8, 9
Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; 9 não de obras, para que ninguém se glorie.
Hb 11:6
De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam.
A salvação é pela graça mediante a fé, pois Cristo é o Senhor.
1.3 - O reconhecimento de que a Palavra escrita de Deus, a Bíblia, é o fundamento de nossa fé
Rm 15:4
Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança.
Mais uma vez, Paulo está fazendo eco a uma doutrina repetidas vezes ensinada na Bíblia: o cristão verdadeiro entende que tudo quanto está escrito é para seu ensino, consolação e esperança.
Ele crê que a Bíblia é a Palavra de Deus, não apenas a contém.
Por quê? Porque Cristo é o seu Senhor, e este é o pensamento de Cristo sobre as Escrituras; por tanto, ter as Escrituras como alicerce de sua esperança em Deus é indiscutivelmente fundamental.
Jo 10:34, 35
Replicou-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: sois deuses?  35 Se ele chamou deuses àqueles a quem foi dirigida a palavra de Deus, e a Escritura não pode falhar...
Para mim estas são as palavras mais incisivas e claras a respeito da perspectiva cristã sobre a Bíblia.
Nelas, o Senhor Jesus diz o que ele pensa sobre ela. Citando o Salmo 82[6], ele o designa de lei, Escritura, Palavra de Deus infalível.
É claro que Jesus não pensava isto apenas desta passagem, mas conforme Lucas cap. 24, ele considerava Escrituras todo o Antigo Testamento judaico, isto é, o Pentateuco, os Escritos e os Profetas [7].
Ora, se cremos em Jesus, então cremos também nas Escrituras, tal como ele ensinou.
1.4 - O reconhecimento de que o Reino de Deus é constituído de realidades espirituais, interiores.
Rm 14:17, 18
Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. 18 Aquele que deste modo serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens.
Paz, alegria, justiça, como resultados de uma vida que é fruto, e conduzida pelo Espírito Santo.
Estas coisas, portanto, são essenciais. São características de todo verdadeiro cristianismo.
2. Coisas não essenciais – diversidade
2.1 - Comida e bebida
14:1-3
Acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões. 2 Um crê que de tudo pode comer, mas o débil come legumes; 3 quem come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come, porque Deus o acolheu. 
14:21
É bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa com que teu irmão venha a tropeçar ou se ofender ou se enfraquecer
14:17
Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo
Existiam, entre os primeiros cristãos, certos problemas acerca de coisas que Jesus falou, mais provavelmente por falta de conhecimento, uma vez que o Novo Testamento não foi escrito e publicado em poucos meses, mas ao longo de muitos anos até fins do primeiro século.
Devido à sua herança religiosa, muitos dos primeiros cristãos judeus não comiam carne de certos animais, ou de qualquer animal sufocado. Mas Jesus havia considerado puros todos os alimentos:
Mc 7:18, 19 [8]
Então, lhes disse: Assim vós também não entendeis? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar, 19 porque não lhe entra no coração, mas no ventre, e sai para lugar escuso? E, assim, considerou ele puros todos os alimentos.
Então não havia qualquer alimento que fosse proibido a um crente em Jesus. Mas ainda assim, por questões de fraqueza na fé, alguns cristãos judeus não comiam certos tipos de carne.
Por outro lado, entre os cristãos gentios não havia o pensamento de que algum tipo de alimento pudesse ser proibido. Mas alguns tinham dúvidas sobre o comer alguma carne vendida no açougue, e que talvez tivesse sido dedicada a algum ídolo.
O mesmo podemos dizer em relação à bebida: nosso Senhor bebia vinho com a mesma naturalidade que qualquer outro judeu bebia, e entendia que o vinho era uma dádiva de Deus como outro alimento qualquer.
Naturalmente que Jesus nunca se embriagou, pois isto sim, é pecado. Mas mesmo assim porque ele desfrutava com simplicidade, sem afetação, das coisas comuns, chegou a ser criticado pelos “santarrões de plantão” entre os judeus.
Lc 7:33, 34
Pois veio João Batista, não comendo pão, nem bebendo vinho, e dizeis: Tem demônio!  34 Veio o Filho do Homem, comendo e bebendo, e dizeis: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores!
Agora, embora entre os cristãos judeus não houvesse dificuldade em se usar o vinho como uma bebida do dia a dia, entre os gentios que vinham do paganismo, um ambiente em que muitas orgias eram realizadas a Baco, ou Dionísio, “deus do vinho”, este tipo de bebida suscitava questões de consciência.
Também havia questões sobre os dias
Rm 14:5 [9]
 Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente
O centro de nossa fé é Jesus Cristo.
Então não devemos ser julgados, nem julgar qualquer pessoa, por causa de dias, comidas, bebidas.
Mas não fazemos assim, e além das coisas especificamente mencionadas na Bíblia como secundárias, no nível dos costumes ficamos discutindo acerca de cinema, TV, roupas, corte de cabelos, maquiagem, palmas, cortinas, e tantas outras coisas, que o Reino de Deus, que não é comida, nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo, é deixado de lado.
Em nível teológico ficamos discutindo e menosprezando irmãos de outras convicções acerca de modos e de batismos, de santa ceia, de calvinismo ou arminianismo[10], de presbíteros ou congregações no governo da igreja, e em nossos corações, “ficamos jogando estes irmãos no inferno”, tropeçando e fazendo tropeçar pessoas amadas de Deus, por quem Jesus Cristo morreu.
Começamos a nos preocupar em quantos estão contra e quantos a favor. Aquela visão bonita do Reino de Deus se desfaz, e ficamos discutindo sobre coisas que não salvam nem santificam ninguém, ao contrário, que embora tenham aparência de humildade e santidade não tem valor algum contra a carnalidade [11].
Estas coisas nos separam uns dos outros, e de Deus.
Por quê? Porque, muitas vezes, está faltando o terceiro elemento. Paulo diz que se somos crentes em Jesus, nosso grande propósito é seguir a Jesus em todas as coisas, e aqui, especificamente, em sua maneira de lidar conosco.
Assim, temos considerado que: nas coisas essenciais, unidade. Nas coisas não essenciais, diversidade. Agora...
3. Em todas as coisas, caridade (amor)
Porque o amor é tão importante?
Para exemplificar sua importância eu desejo citar apenas duas referências
Gl 5:6
Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor.
Em Cristo, o que tem valor não é o pedigree, seja racial, cultural, filosófico ou teológico, mas a fé; não se esqueça de que o justo viverá pela fé; mas o veículo, o meio através do qual a fé se manifesta, é o amor.
Quem ama cumpre o maior de todos os mandamentos, mas que não ama está demonstrando que não tem verdadeira fé, aquele dom de Deus citado em Efésios, e que nos transforma o coração.
Se eu tiver fé a ponto de transportar montes, mas não tiver amor, nada serei [12].
1ª Co 8:1
No que se refere às coisas sacrificadas a ídolos, reconhecemos que todos somos senhores do saber. O saber ensoberbece, mas o amor edifica.
“O amor edifica”. E a preocupação de Paulo aqui, vale dizer, a intenção do Espírito Santo, é que pelo amor nos edifiquemos uns aos outros.
Se eu tiver fé a ponto de transportar montes, mas não tiver amor, nada serei. Se eu for um “grande erudito”, ou se eu puder provar minha “árvore de genealógica de sucessão apostólica até os doze”, e não tiver amor, nada disto terá valor diante de Deus.
3.1 - Pelo amor, nos acolhemos uns aos outros, apesar de nossas fraquezas e diferenças quanto às coisas secundárias
Rm 14:1
Acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões.
Quando agimos assim, estamos sendo imitadores de Cristo, fazendo com nossos irmãos o mesmo que Jesus tem feito conosco, apesar de nossas fraquezas e debilidades.
15:6,7
Para que concordemente e a uma voz glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.  7 Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus.
3.2 - Pelo amor, não nos desprezamos uns aos outros. Não nos achamos superiores; não nos achamos mais esclarecidos, não pensamos que somos os únicos crentes fiéis.
14:3
Quem come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come, porque Deus o acolheu
3.3 - Pelo amor, não nos julgamos uns aos outros
14:3-7
Quem come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come, porque Deus o acolheu.  4 Quem és tu que julgas o servo alheio? Para o seu próprio senhor está em pé ou cai; mas estará em pé, porque o Senhor é poderoso para o suster.  5 Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente.  6 Quem distingue entre dia e dia para o Senhor o faz; e quem come para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come para o Senhor não come e dá graças a Deus.  7 Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. 
14: 13 , 14
Não nos julguemos mais uns aos outros; pelo contrário, tomai o propósito de não pordes tropeço ou escândalo ao vosso irmão.  14 Eu sei e estou persuadido, no Senhor Jesus, de que nenhuma coisa é de si mesma impura, salvo para aquele que assim a considera; para esse é impura. 
Mas cuidado com o espírito farisaico de alguns! Pois há daqueles que, dizendo-se irmãos, não agem de boa fé, e a pretexto de amor, querem que nos submetamos aos seus legalismos. Há daqueles que têm prazer em dominar sobre a consciência dos outros, e se dizem escandalizados com qualquer coisa, a fim de que vivemos de acordo com seus desejos. Mas Jesus nunca se submeteu a fariseus.
Por outro lado, cuidado também para não se utilizar de seus próprios gostos, temperamento e preferências para impor fardos sobre os irmãos.
Mt 23:4, 13
Atam fardos pesados e difíceis de carregar e os põem sobre os ombros dos homens; entretanto, eles mesmos nem com o dedo querem movê-los... Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois vós não entrais, nem deixais entrar os que estão entrando!
Tt 1:15
Todas as coisas são puras para os puros; todavia, para os impuros e descrentes, nada é puro. Porque tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas.
3.4 - Pelo amor, negamo-nos a nós mesmos, para a edificação uns dos outros
15:1-3
Ora, nós que somos fortes devemos suportar as debilidades dos fracos e não agradar-nos a nós mesmos. 2 Portanto, cada um de nós agrade ao próximo no que é bom para edificação. 3 Porque também Cristo não se agradou a si mesmo; antes, como está escrito: As injúrias dos que te ultrajavam caíram sobre mim. 
14:15
Se, por causa de comida, o teu irmão se entristece, já não andas segundo o amor fraternal. Por causa da tua comida, não faças perecer aquele a favor de quem Cristo morreu.
O resultado de uma vida de amor
15:13
E o Deus da esperança vos encha de todo o gozo e paz no vosso crer, para que sejais ricos de esperança no poder do Espírito Santo.
A vida cristã se torna um “fardo leve e suave”, alegre, cheio de paz e justiça na direção do Espírito Santo.
Conclusão
Unidade, diversidade caridade.
Existem certas coisas que são essenciais na vida do verdadeiro Cristianismo, como:
O reconhecimento de Jesus Cristo como Deus e Senhor do universo, e consequentemente, nosso Senhor e Deus.
A vida eterna mediante a fé em Jesus Cristo.
A Palavra escrita de Deus (a Bíblia) como revelação de Jesus Cristo, a Bíblia como alicerce histórico da nossa fé.
A vida regenerada, dirigida pelo Espírito de Jesus Cristo.
Se uma pessoa crê nestas coisas, de todo o coração, se vive à luz disto, então é um verdadeiro cristão.
Mas existem coisas que não fazem parte da essência da vida cristã, como: comida e bebida, dias, modo de batismo, dons espirituais, modo de santa ceia, vestimentas, etc. Não somente costumes, mas também certas interpretações teológicas: no dia em que cada um de nós comparecer perante o tribunal de Cristo, ele não levará em consideração se fomos calvinistas ou arminianos, mas se vivemos pela fé através do amor.
Por isto, em todas as coisas, caridade. Caridade que nos leve a ser imitadores de Cristo, que não colocou-se a si mesmo em primeiro lugar, mas que tomou a sua cruz, a fim de fazer a vontade do Pai e nos ganhar para si.
Caridade que nos leve a acolher uns aos outros, a não nos julgarmos uns aos outros, a seguir a paz uns com os outros, a procurar a edificação uns dos outros.
Caridade que nos conduza a uma vida governada pelo Espírito Santo, falando nas Escrituras, governando nossos pensamentos e corações.
Caridade que nos leve a faze tudo para que em todas as coisas o Deus da paz seja glorificado.





[1] Veja também Gl 1:8,9; 2:3; At 16:3
[2] Citando Rupert Meldenius, apud John Stott, Cristianismo Equilibrado (Rio de Janeiro, CPAD, 3ª Ed., 1995), pág. 15
[3] Rm 5:1
[4] Ef 3:12
[5] Rm 1:17
[6] Sl 82:6
[7] Lc 24:25-27, 44, 45
[8] a) Se você não sabe a procedência, coma sem perguntar (1ª Co 10:25, 26).  b) Se você for informado, não coma, não por sua causa, mas por causa da consciência de quem lhe informou (1ª Co 10:28,29). c) Não participe de idolatria (1ª Co 10:20, 21)
[9] Atenção: existe diferença entre o débil, fraco, e o árbitro (juiz, que quer se colocar no lugar de Deus)
[10]Aprecio o artigo do Pr. Renato Vargens, O que penso sobre a “discussão” nas redes sociais entre calvinistas e arminianos, onde ele diz: “A história  nos traz inúmeros relatos de arminianos piedosos. Gente como Dwight Moody, John Wesley, Tozer, C. S. Lewis, Leonard Ranvenhill, David Wilkerson e Billy Graham são claros exemplos disso”. http://renatovargens.blogspot.com.br/search?q=arminianos; acessado em 3 de junho de 2015 às 16H.
[11] Veja Cl 2:16-23
[12] 1ª Co 13:2

domingo, 27 de outubro de 2013

Perguntai pelas veredas antigas - Jr 6:16

Igreja Evangélica Presbiteriana
Domingo, 27 de outubro de 2013
Pr. Plínio Fernandes
Meus amados irmãos, vamos ler Jeremias 6:1-17
1 Fugi, filhos de Benjamim, do meio de Jerusalém; tocai a trombeta em Tecoa e levantai o facho sobre Bete-Haquerém, porque do lado do Norte surge um grande mal, uma grande calamidade.  2 A formosa e delicada, a filha de Sião, eu deixarei em ruínas.  3 Contra ela virão pastores com os seus rebanhos; levantarão suas tendas em redor, e cada um apascentará no seu devido lugar.  4 Preparai a guerra contra ela, disponde-vos, e subamos ao meio-dia. Ai de nós, que já declina o dia, já se vão estendendo as sombras da tarde!  5 Disponde-vos, e subamos de noite e destruamos os seus castelos.  6 Porque assim diz o SENHOR dos Exércitos: Cortai árvores e levantai tranqueiras contra Jerusalém. Esta é a cidade que há de ser punida; só opressão há no meio dela.  7 Como o poço conserva frescas as suas águas, assim ela, a sua malícia; violência e estrago se ouvem nela; enfermidade e feridas há diante de mim continuamente.  8 Aceita a disciplina, ó Jerusalém, para que eu não me aparte de ti; para que eu não te torne em assolação e terra não habitada.  9 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Diligentemente se rebuscarão os resíduos de Israel como uma vinha; vai metendo a mão, como o vindimador, por entre os sarmentos. 10 A quem falarei e testemunharei, para que ouçam? Eis que os seus ouvidos estão incircuncisos e não podem ouvir; eis que a palavra do SENHOR é para eles coisa vergonhosa; não gostam dela.  11 Pelo que estou cheio da ira do SENHOR; estou cansado de a conter. Derramá-la-ei sobre as crianças pelas ruas e nas reuniões de todos os jovens; porque até o marido com a mulher serão presos, e o velho, com o decrépito.  12 As suas casas passarão a outrem, os campos e também as mulheres, porque estenderei a mão contra os habitantes desta terra, diz o SENHOR, 13 porque desde o menor deles até ao maior, cada um se dá à ganância, e tanto o profeta como o sacerdote usam de falsidade.  14 Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz.  15 Serão envergonhados, porque cometem abominação sem sentir por isso vergonha; nem sabem que coisa é envergonhar-se. Portanto, cairão com os que caem; quando eu os castigar, tropeçarão, diz o SENHOR.  16 Assim diz o SENHOR: Ponde-vos à margem no caminho e vede, perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para a vossa alma; mas eles dizem: Não andaremos.  17 Também pus atalaias sobre vós, dizendo: Estai atentos ao som da trombeta; mas eles dizem: Não escutaremos.
O dia 31 de outubro é a data escolhida para se comemorar o aniversário da Reforma Protestante, aquele movimento ocorrido na Igreja Católica do séc. XVI, quando alguns sacerdotes em vários países europeus, estudando a Bíblia, perceberam que através dos tempos a igreja fora se afastando de seus primeiros ensinamentos, e assim, de seus primeiros caminhos.
No séc. XVI, a igreja já não pregava, havia muito tempo, a comunhão com Deus mediante a intercessão única e suficiente de Jesus Cristo, mas à semelhança das religiões pagãs com seus muitos deuses, praticamente “um deus para cada área da vida”, a igreja também havia colocado, no lugar de Jesus, um santo intercessor diante de Deus para cada situação, tal como ainda existe hoje: um santo dos motoristas, um santo protetor dos animais, um santo das causas perdidas, e assim por diante.
Também a igreja já não ensinava que a salvação da nossa alma é um dom da graça de Deus que recebemos mediante a fé em Jesus Cristo, mas que a salvação era um dom confiado à igreja, que ele dispensava a cada pessoa que se achegasse a ela, mediante o sacerdócio dos padres e várias obras estipuladas pela igreja, e entre elas se destacavam as missas e as indulgências, que era a venda do perdão, por parte da igreja (será que não existe hoje situações parecidas entre os chamados evangélicos, que se dizem protestantes, mas que estão colocando em homens a mesma autoridade de Jesus, homens que vendem a fé e a vida abundante por dinheiro?)
Além, disto, a igreja também não ensinava mais que a Bíblia é a Palavra de Deus, infalível, verdadeira, inerrante, e suficiente para o cristão. Ao contrário, segundo a igreja, quem tinha autoridade final era a própria igreja, através de seus mestres, e não era necessário que cada pessoa tivesse uma Bíblia na mão, para aprender o que ela diz.
Mas então estes ministros da igreja católica, entre os quais o mais conhecido se tornou Martinho Lutero, um padre alemão, ao ler a Bíblia, e vendo que a igreja se afastara tanto dos ensinamentos de Jesus, começaram a trabalhar por uma reforma no ensino que naturalmente resultaria numa reforma em todas as áreas.
Mas eles não foram aceitos, e expulsos da igreja, surgindo assim as igrejas protestantes. O ramo a que pertencemos surgiu do ensino de João Calvino, um reformador francês que fixou residência em Genebra, e veio a ser conhecido historicamente como Igreja Reformada.
Dezenas de anos mais tarde, na Holanda alguns teólogos fizeram notar que a nossa tendência como seres humanos é repetir, de um modo ou outro, os mesmos erros que a igreja católica da Idade Média já havia cometido, e aos poucos, irmos nos afastando dos ensinos e práticas ensinados por Jesus, e então um deles usou uma frase que se tornou um lema protestante: “Igreja Reformada, sempre reformanda”, isto é, sempre se submetendo a ser reformada.
Muitos não têm entendido o significado desta frase, e pensam que a igreja, para ser reformada, precisa estar criando novidades, ou sempre mudando.
Mas o sentido é que a igreja, por causa da tendência humana, se afastar daquilo que é certo, deve sempre estar, voltando ao caminho, sempre voltando aos ensinamentos dados na Palavra de Deus.
Nós vemos esta verdade ilustrada no texto que temos diante de nós:
O povo de Israel, a igreja do Antigo Testamento, havia se afastado da Palavra de Deus.
Como lemos no v. 10, a palavra do Senhor era para eles coisas vergonhosa; não gostavam dela.
Preferiam uma vida de pecado: opressão, malícia, violência e destruição eram as notícias diárias em Jerusalém (vs. 6, 7).
O povo, os profetas e os sacerdotes eram falsos e gananciosos, só queriam saber de ganhar dinheiro e bens materiais (v. 13).
Por causa deste amor ao dinheiro, curavam superficialmente as feridas espirituais, pregando “Paz, paz”, quando não havia paz, e deixando cada um a seguir nos seus caminhos de pecado (v. 14).
Então o Senhor diz que os disciplinaria: o mal viria do norte. Os exércitos da Babilônia cercariam e destruiriam Jerusalém, e era bom que eles se humilhassem perante o Senhor.
E neste contexto os chama para voltarem aos antigos caminhos, que perguntassem pelas veredas antigas, isto é, quando no começo ouviram a palavra de Deus e a seguiram, e que voltassem aos bons e antigos caminhos.
Busquem as veredas antigas, andem nos primeiros caminhos, e vocês encontrarão descanso para suas almas.
Mas eles disseram: “Não andaremos”.
E a destruição veio.
Vamos ler novamente o v. 16
Assim diz o SENHOR: Ponde-vos à margem no caminho e vede, perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para a vossa alma...
Aqui temos uma orientação que devemos ouvir sempre, da parte do Espírito Santo, para que nossas almas sejam abençoadas.
Mas, nos dias de hoje, o que significa “perguntar pelas veredas antigas”?
Eu gostaria de responder citando três aspectos que se complementam.
1. Significa perguntar por Jesus Cristo, o Filho de Deus
Porque digo que perguntar pelas veredas antigas significa perguntar por Jesus?
Por duas razões
Primeiramente, atentemos novamente para a promessa de Deus aqui:
Perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para a vossa alma...
De acordo com Deus, se você pergunta em anda pelo antigo e bom caminho, a sua alma irá encontrar descanso.
Agora vejamos a promessa que Jesus nos faz em Mateus 11:29
Leiamos os vs. 28-30
28 Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.  29 Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.  30 Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.
Veja: a promessa de Deus em Jeremias, e a promessa de Deus em Mateus, é a mesma: o resultado de se buscar os caminhos antigos e o resultado de se buscar a Jesus é o mesmo: encontramos o descanso que nossas almas precisam neste mundo de opressão, injustiça e pecado.
Em segundo lugar, perguntar pelas veredas antigas também é perguntar por Jesus porque ele se apresenta a nós como o caminho para o Pai celestial.
Jo 14:6
Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.
Então, tomando a Bíblia como um todo, aprendemos que Jesus é o caminho pelo qual devemos perguntar.
Porque ele é a palavra eterna que estava no princípio com Deus.
Ele é o criador de todas as coisas.
Ele é quem sustenta todo o universo, cada criatura, cada ser vivo, as coisas visíveis e as invisíveis; quem sustenta todas as coisas inanimadas, pelo poder de sua palavra.
E ele é também o redentor, que por meio do seu sangue derramado na cruz, purifica os pecados daquele que pela fé achega-se a Deus.
Hb 10:19, 20
19 Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, 20 pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne...
Por sua morte em nosso lugar Jesus é o nosso caminho ao lugar santíssimo da presença de Deus.
É o caminho antigo, pois conhecido desde a fundação do mundo, mas é um caminho novo porque nunca envelhece, mas se renova a cada instante.
Perguntar pelas veredas antigas é perguntar por Jesus, é buscar a Jesus, é encontrar descanso em Jesus.
Em segundo lugar, como um complemento inseparável do primeiro ponto...
2. Significa perguntar pelos caminhos ensinados por Jesus
E isto quer dizer perguntar pelos ensinos da Bíblia sagrada.
Porque Jesus e os ensinamentos da Bíblia são inseparáveis.
Você pode observar isto na maneira de Jesus viver, na maneira de Jesus pensar, na maneira de Jesus falar e na maneira de ele nos ensinar a viver.
Quase que a cada página dos evangelhos, seja em sua pregação, em seu ensino, em seus confrontos com opositores, em suas tentações, nós lemos a frase que sai dos lábios de Jesus: “Está escrito”, seguida de uma citação das Escrituras.
Jesus apelava para as Escrituras em casa situação de busca da vontade de Deus, e ele vivia para fazer e ensinar a vontade do Pai.
Apenas um exemplo: em Mateus cap. 19 algumas pessoas se aproximam de Jesus e perguntam a ele sobre o divórcio. Vamos ler o texto:
Mt 19:3-6
3 Vieram a ele alguns fariseus e o experimentavam, perguntando: É lícito ao marido repudiar a sua mulher por qualquer motivo?  4 Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher 5 e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne?  6 De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.
Note como Jesus, ao responder sobre a vontade de Deus quanto ao casamento, volta-se para “as veredas antigas”.
Ele volta ao princípio, citando os primeiros capítulos de Gênesis, onde está ensinado o propósito de Deus acerca do matrimônio, e diz que é assim que devemos viver.
Diz que o casamento é uma criação de Deus.
Diz que é ente um homem e uma mulher.
E diz que deve ser indissolúvel.
Da mesma forma que a Bíblia ensina sobre o propósito e a vontade de Deus para a família, também ensina sobre o trabalho, sobre a igreja, sobre a vida social.
A Escritura é inspirada por Deus e útil para nos ensinar a ter fé em Jesus, a conhecê-lo como nosso Deus e Salvador, e também para nos ensinar os caminhos dele em todas as áreas de nossa vida.
Por isto a exortação que diz: “Examinai as Escrituras, pois julgais ter nelas vida eterna; e são elas que testificam de mim...” (Jo 5:39).
Então, perguntar pelas veredas antigas, diante de nossas decisões, diante dos nossos problemas, dos nossos desejos, perguntar pelo bom caminho, é perguntar pelos ensinamentos da Bíblia. O que diz a Bíblia sobre a família? O que diz a Bíblia sobre o trabalho? O que diz a Bíblia sobre este ou aquele assunto?
Entre outras coisas, isto também significa...
3. Perguntar pelo antigo Evangelho de Jesus
Eu gostaria de citar um exemplo antigo do que significa desviar-se dos ensinamentos de Deus quanto a isto.
Gl 1:6-8
6 Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, 7 o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo.  8 Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema.
O apóstolo Paulo tinha grande amor pelas igrejas da Galácia.
Ele havia pregado o Evangelho da graça de Deus em Jesus, que se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos livrar deste mundo mau.
Diante de sua pregação, muitos se converteram a Jesus.
Mas depois que Paulo partiu para outras terras, outras pessoas começaram a pregar aos gálatas, um “outro evangelho”, que na verdade não era evangelho algum, pois quando alguém se desvia do caminho estreito que Jesus falou, já está no caminho da perdição.
E tal como aconteceu lá, meus irmãos, outros evangelhos estão sendo pregados no dia de hoje, que não são evangelhos de verdade.
Quero recordar as palavras de Jesus em Mateus 7
Mt 7:13-15
13 Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela), 14 porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela.  15 Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores.
Preste atenção nas palavras de Jesus, nosso Deus e Salvador. Ele não mente, ele não engana. Seu ensino é verdadeiro.
Ele diz que o caminho para a vida eterna é estreito, e poucas pessoas conseguem passar por ele.
E que o caminho da perdição é espaçoso, largo, e muitos andam por ele.
Quero relacionar estas palavras de Jesus com o ensino de seu discípulo Pedro, um homem que, disse Jesus, abriria as portas do reino dos céus para muita gente.
Em Atos cap. 2 nós vemos Pedro pregando a Palavra de Deus. Então quando ele prega, o coração das pessoas se aquece, se torna contrito, e eles se tornam convictos de seu pecado, e perguntam o que deveriam fazer.
At 2:36-38
36 Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.  37 Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?  38 Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.
“Que faremos”, eles perguntam. “Arrependei-vos”, Pedro responde, “e sejam batizados em nome de Jesus, isto é, identifiquem-se como seguidores de Jesus. Então vocês serão perdoados e receberão o dom do Espírito Santo”.
Irmãos, o antigo evangelho é este: o que diz que o descanso para a alma vem pela fé em Jesus e o consequente arrependimento pelos pecados.
Mais uma referência:
At 3:19, 20
19 Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados, 20 a fim de que, da presença do Senhor, venham tempos de refrigério, e que envie ele o Cristo, que já vos foi designado, Jesus.
Irmãos, sem arrependimento e conversão não há refrigério para a alma. Não há salvação.
E veja: outro dia uma pessoa se referiu a certa igreja da atualidade, em cujo caminho muitas pessoas estão andando, como “a igreja do caminho largo”. Eu concordo, e diria que hoje em dia há muitos caminhos largos com o nome de evangelho, mas que não são evangelho coisa nenhuma.
Irmãos, onde as pessoas são ensinadas a amar o dinheiro, ali não está sendo pregado o evangelho de Jesus.
Onde as pessoas não são chamadas ao arrependimento e à fé, à conversão a Deus, o evangelho não está sendo pregado.
Onde as pessoas são chamadas a crer em Jesus, mas não são chamadas a deixar seus pecados, onde o caminho é largo, espaçoso, onde cada um, em vez de tomar dia a dia a sua cruz, negar-se a si mesmo, pode fazer o que quiser, irmãos, este é o caminho da destruição.
Por isto, tanto os que querem ser salvos, e os que querem levar outros à salvação, precisam perguntar pelo bom e antigo caminho do evangelho da Bíblia.
Somente o que a Bíblia ensina, como um todo, e não apenas em textos isolados e distorcidos “a gosto do freguês”.
Conclusão e aplicação
Assim diz o SENHOR: Ponde-vos à margem no caminho e vede, perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para a vossa alma.
Igreja Reformada, sempre reformanda.
Mas o que é isto?
Novas doutrinas? Não.
Para nós, que temos a Palavra de Deus registrada na Bíblia como um todo, o que significa procurar as veredas antigas?
Significa buscar Jesus, o nosso único, e suficiente Deus e Redentor: aquele que nos ama, que por amor a nós se entregou a si mesmo na cruz, a fim de nos libertar deste mundo mal, a fim de vivermos em novidade de vida.
Significa buscar os ensinamentos da Bíblia, pois desde os tempos antigos ela nos ensina o bom e reto caminho pelo qual devemos andar neste mundo.

Significa buscar e viver pelo antigo Evangelho pregado pelos apóstolos do Senhor, que nos ensinam o caminho da vida eterna no céu.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Herdeiros da Reforma (4): Somente a fé - At 16:16-34

Igreja Evangélica Presbiteriana
Domingo, 24 de outubro de 2010
Pr. Plínio Fernandes

        Meus irmãos, vamos ler Atos 16:16-34

16 Aconteceu que, indo nós para o lugar de oração, nos saiu ao encontro uma jovem possessa de espírito adivinhador, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores. 17 Seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens são servos do Deus Altíssimo e vos anunciam o caminho da salvação. 18 Isto se repetia por muitos dias. Então, Paulo, já indignado, voltando-se, disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, eu te mando: retira-te dela. E ele, na mesma hora, saiu. 19 Vendo os seus senhores que se lhes desfizera a esperança do lucro, agarrando em Paulo e Silas, os arrastaram para a praça, à presença das autoridades; 20 e, levando-os aos pretores, disseram: Estes homens, sendo judeus, perturbam a nossa cidade, 21 propagando costumes que não podemos receber, nem praticar, porque somos romanos. 22 levantou-se a multidão, unida contra eles, e os pretores, rasgando-lhes as vestes, mandaram açoitá-los com varas. 23 E, depois de lhes darem muitos açoites, os lançaram no cárcere, ordenando ao carcereiro que os guardasse com toda a segurança. 24 Este, recebendo tal ordem, levou-os para o cárcere interior e lhes prendeu os pés no tronco. 25 Por volta da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam louvores a Deus, e os demais companheiros de prisão escutavam. 26 De repente, sobreveio tamanho terremoto, que sacudiu os alicerces da prisão; abriram-se todas as portas, e soltaram-se as cadeias de todos. 27 O carcereiro despertou do sono e, vendo abertas as portas do cárcere, puxando da espada, ia suicidar-se, supondo que os presos tivessem fugido. 28 Mas Paulo bradou em alta voz: Não te faças nenhum mal, que todos aqui estamos! 29 Então, o carcereiro, tendo pedido uma luz, entrou precipitadamente e, trêmulo, prostrou-se diante de Paulo e Silas. 30 Depois, trazendo-os para fora, disse: Senhores, que devo fazer para que seja salvo? 31 Responderam-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa. 32 E lhe pregaram a palavra de Deus e a todos os de sua casa. 33 Naquela mesma hora da noite, cuidando deles, lavou-lhes os vergões dos açoites. A seguir, foi ele batizado, e todos os seus. 34 Então, levando-os para a sua própria casa, lhes pôs a mesa; e, com todos os seus, manifestava grande alegria, por terem crido em Deus.
A cada domingo deste mês, em comemoração à Reforma Protestante, nós estamos estudando cinco doutrinas básicas de nossa Fé Reformada. Já estudamos aquele princípio que chamamos “Somente as Escrituras”, que descreve, nesta frase, o fato de que entendemos que somente a Bíblia é a Palavra de Deus, inspirada, e que contém o ensino necessário para a nossa salvação. Em seguida, estudamos o ensino bíblico de que a nossa salvação nos é concedida “Somente em Cristo”, e que fora dele não existe nenhum outro nome dado entre nós pelo qual importa que sejamos salvos, pois não existe nenhum outro mediador entre Deus e os homens, a não ser Jesus Cristo. E depois estudamos também o ensino bíblico de que a salvação nos é dada em Cristo pela graça de Deus; isto é, a salvação não é algo que obtemos através dos nossos esforços em sentido algum: não é por nossas boas obras, não é por nossas conquistas, não é por nossos merecimentos, mas somente por causa do imenso amor que Deus tem por nós. As Escrituras nos ensinam que a salvação está em Cristo, e Cristo nos revela a graça de Deus, que nos salva.
Agora, queremos fazer uma pergunta: como é que nós, pecadores, recebemos esta salvação que Deus nos concede em Cristo? E a resposta que a Bíblia nos dá é esta: a salvação, nós a recebemos pela fé. Este é a quarta doutrina que iremos estudar.
Assim como aconteceu em relação aos princípios que estudamos anteriormente, a Igreja Católica havia distorcido o ensino da Bíblia em relação a este também. Segundo o catolicismo romano, viver pela fé significava crer e depender dos méritos da igreja, e implicava viver de acordo com as regras da igreja para alcançar a salvação. Até hoje é assim. Por exemplo, se você acessar a Bíblia Boa Nova, na internet, lerá em seus estudos sobre a salvação que a fé salvadora implica obedecer aos mandamentos de Jesus, e isto, entre outras coisas, significa confessar seus pecados aos padres da igreja.
Lutero não concordou com isto: enquanto estudava a carta de Paulo aos Romanos entendeu que o homem é justificado diante de Deus mediante a fé, independente de obras determinadas pela igreja. Então aqui temos mais um dos “somente” da nossa doutrina: “Salvação somente pela fé”
Ora, como este é um princípio sem o qual não há salvação, ele é ensinado desde o início, em cada livro das Escrituras. Mas para nossa breve apreciação nesta noite, vamos ter como base o texto que acabamos de ler. O apóstolo Paulo e seus companheiros de ministério, Lucas, Silas e Timóteo, estavam numa cidade chamada Filipos, pregando o evangelho. Vidas estavam sendo transformadas, por exemplo, a moça com espírito de adivinhação.
Alguns homens ficaram revoltados com o prejuízo econômico que tiveram com isto – houve perseguição e prisão dos pregadores. Mas ao contrário do que os adversários esperavam, esta prisão resultou em bom testemunho, pregação da Palavra e na conversão do carcereiro e sua família.
No v.30, o carcereiro faz a pergunta com a qual todo ser humano deveria se preocupar: “Depois, trazendo-os para fora, disse: Senhores, que devo fazer para que seja salvo?” E na resposta dos evangelistas, um exemplo da resposta bíblica: “Responderam-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa.”
Crê no Senhor Jesus. E nada mais acrescentaram nada. Somente através do crer você será salvo. Você e sua casa.
Esta palavra, “crer”, é a forma verbal do substantivo grego para a palavra “fé”. Significa “ter fé”. Fé, por sua vez, pode ser traduzida, desde o Antigo Testamento, como acreditar, confiar, esperar. E também pode ser traduzida por fidelidade. Para nosso propósito aqui, desejo destacar duas maneiras desta palavra ser empregada[1]:
1.1 – Existe um tipo de fé que poderíamos descrever como um “dom para coisas extraordinárias”
Por exemplo, em 1ª Co 12:9, ao falar sobre os dons espirituais, Paulo fala do dom da “fé”, e no contexto ali não está se falando de uma fé que é dada a todos, mas apenas para alguns, que recebem capacidade de realizações incomuns à maior parte dos crentes.
Estranhamente, este tipo de fé nem sempre é fruto de uma fé salvadora, isto é, nem sempre é algo que se manifesta somente nos verdadeiros crentes. Assim, vemos Judas Iscariotes, nos Evangelhos, junto aos demais apóstolos, sendo enviado por Jesus a fim de curar enfermos e expulsar demônios. E temos também a advertência de Jesus, no sentido de que muitas pessoas que realizaram milagres em seu nome, que profetizaram e expulsaram demônios, mas não tiveram uma fé salvadora, não verão o reino dos céus [2].
1.2 – Pelo que eu disse até agora, os irmãos já perceberam que não é sobre este tipo de fé que Paulo fala aqui, quando diz: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo”
De modo que existe também aquela que nós chamamos de “fé salvadora”. Vamos ler Ef 2:8-9
8 Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; 9 não de obras, para que ninguém se glorie.
Aqui somos ensinados que a fé é o instrumento que a graça de Deus usa para nos levar à salvação – pela graça sois salvos, “mediante”, isto é, “por meio, ou através da fé”. E isto, quer dizer, a fé, não vem de vós, é dom de Deus. E também não vem de obras, de algo que nós possamos fazer. Não vem de obras para que ninguém se glorie – para que ninguém diga: eu sou o autor da minha salvação
Naturalmente que é sobre este tipo de fé que Paulo e seus companheiros falam ao carcereiro de Filipos e à sua família. Tenha fé no Senhor Jesus, e será salvo... Ora, quando ele fala da fé salvadora, explica também em quem esta fé precisa ser colocada para que realmente salve:
2. O objeto de nossa fé
Crê no Senhor Jesus. Isto trás uma implicação teológica muito grande, pois confiar nele como nosso Salvador significa acreditar nele como alguém maior que todos os outros seres do universo. Muitas pessoas dizem: “O que importa é ter fé”. É verdade. É importante ter fé. Mas não podemos ter fé em qualquer pessoa, em qualquer deus.
Como ilustração: As pessoas confiavam na estrutura do Titanic. O que aconteceu com aquele navio? Se você tiver fé num barco furado, o que irá acontecer se você tentar atravessar o oceano com ele? Da mesma forma, não podemos confiar a nossa alma a quem não pode nos salvar. Somente Deus pode salvar.
Is 45:21-22
21 Declarai e apresentai as vossas razões. Que tomem conselho uns com os outros. Quem fez ouvir isto desde a antiguidade? Quem desde aquele tempo o anunciou? Porventura, não o fiz eu, o SENHOR? Pois não há outro Deus, senão eu, Deus justo e Salvador não há além de mim. 22 Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os limites da terra; porque eu sou Deus, e não há outro.
Em outras palavras, ter fé em Jesus para a nossa salvação, significa reconhecer a Jesus com nosso Senhor e Deus.
Crer no Senhor Jesus significa confiar nele, somente nele, e em mais ninguém para a nossa salvação. E Jesus, digamos, ousadamente, assume sobre si a autoridade divina.
Jo 8:24
Por isso, eu vos disse que morrereis nos vossos pecados; porque, se não crerdes que EU SOU, morrereis nos vossos pecados.
Como os irmãos devem estar lembrados, estas palavras, EU SOU, que Jesus usa para se referir a si mesmo, são as mesmas que Javé responde a Moisés quando ele pergunta: “Qual é o teu nome?” (Êx 3:14). Então vejam: a fé salvadora é aquela que leva o homem a olhar para Jesus como seu Deus, como seu Senhor, e como seu Deus, aquele que concede a salvação. Mas, se, por um lado, uma pessoa que não crê que Jesus é o EU SOU, morre em seus pecados, por outro lado, aquele que crê, tem a salvação de sua alma.
Jo 5:24
Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.
A vida eterna é dada ao que crê, ou antes, quem crê, tem a vida eterna. E isto nos conduz ao coração do que significa fé salvadora: é crer em Cristo, conforme revelado na Palavra de Deus. Não é crer no nome de Jesus como se fosse uma palavra mágica, poderosa, um “abracadabra espiritual”. Mas é crer em Cristo conforme ele nos é revelado nas Escrituras.
Por isto, veja o que acontece logo em seguida em nosso texto básico:
At 16:32
E lhe pregaram a palavra de Deus e a todos os de sua casa.
Rm 10:17
E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.
Percebemos assim que há um duplo papel da Palavra de Deus em nossa salvação: Ela nos revela a Jesus Cristo, como nosso Deus e Salvador; descreve-nos sua pessoa, seu ser e sua obra para a nossa salvação. E depois, esta mesma Palavra é o meio através do qual a graça de Deus nos concede o dom da fé. A fé vem pela pregação, e a pregação, pela Palavra de Cristo.
A esta altura creio ser proveitoso citar o que diz a Confissão de Fé de Westminster, que adotamos, sobre a fé salvadora:[3]
I – A graça da fé, pela qual os eleitos são habilitados a crer para a salvação das suas almas, é a obra que o Espírito de Cristo faz nos corações deles, e é ordinariamente operada pelo ministério da palavra; por esse ministério, bem como pela administração dos sacramentos e pela oração, ela é aumentada e fortalecida.
II – Por essa fé o cristão, segundo a autoridade do mesmo Deus que fala em sua palavra, crê ser verdade tudo quanto nela é revelado, e age de conformidade com aquilo que cada passagem contém em particular, prestando obediência aos mandamentos, tremendo às ameaças e abraçando as promessas de Deus para esta vida e para a futura; porém os principais atos de fé salvadora são - aceitar e receber a Cristo e firmar-se só nele para a justificação, santificação e vida eterna, isto em virtude do pacto da graça.
Estas afirmações nos conduzem ao terceiro ensino de nosso texto básico: Crê no Senhor Jesus e serás salvo
3. O fruto de nossa fé: a salvação de nossas almas
“Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa...”
Não por procuração. A responsabilidade é individual.
vs. 32-34
32 E lhe pregaram a palavra de Deus e a todos os de sua casa. 33 Naquela mesma hora da noite, cuidando deles, lavou-lhes os vergões dos açoites. A seguir, foi ele batizado, e todos os seus. 34 Então, levando-os para a sua própria casa, lhes pôs a mesa; e, com todos os seus, manifestava grande alegria, por terem crido em Deus.
Toda a casa do carcereiro ouviu a pregação e creu na Palavra, por isto foram salvos, e não apenas o chefe da família. Mas o fruto da fé é a salvação. Salvação do que?
Mt 1:21
Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles.
Jesus salva o seu povo dos pecados deles.
3.1 – Jesus nos salva da condenação do pecado (justificação)
A palavra que Paulo mais usa para falar deste aspecto de nossa salvação é “justificação”. É uma palavra jurídica, de declara que uma pessoa é considerada absolvida diante de um tribunal. Paulo emprega esta palavra para dizer que, por causa da nossa fé em Cristo, nós somos declarados absolvidos diante do tribunal de Deus.
Gl 2:16
Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado.
3.2 – Jesus nos salva do poder do pecado (santificação)
É um aspecto daquela outra boa doutrina bíblica, a doutrina da santificação: a doutrina segundo a qual nós somos, pela graça de Deus, libertados do poder do diabo, da carne, e mundo, e assim podemos viver para Deus
Rm 6:13-14
13 nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado, como instrumentos de iniqüidade; mas oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça. 14 Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça.
Rm 6:22
Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna.
Enquanto estivermos neste mundo, ainda somos pecadores e sujeitos a cair. Mas Cristo nos livra do poder do pecado, de maneira que ele não se torna mais o nosso senhor. Como está escrito em Provérbios, mesmo que o justo caia sete vezes, sete vezes ele se levantará (Pv 24:16). Isto, porque o Senhor é poderoso para sustê-lo.
3.3 – Jesus nos salvará da presença do pecado
Além de nos salvar da condenação e do poder do pecado. Além da nossa justificação e santificação, a Bíblia também promete que Jesus nos salvará da presença do pecado. Quando chegarmos ao nosso destino eterno, na presença de Deus, então o pecado deixará, definitivamente, de fazer parte da nossa existência. A Bíblia nos ensina que veremos Jesus face a face, e então seremos como ele também é. A este estado de perfeição espiritual a Bíblia chama de glorificação, e ela é tão certa como a nossa justificação e santificação. Tão certa que o apóstolo Paulo a descreve como uma obra já consumada.
Rm 8:29, 30
29 Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. 30 E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.
Então concluímos que a fé salvadora, que é operada pela graça de Deus em nossa vida, é uma fé transformadora. Pois a salvação envolve perdão, santificação e glorificação. A fé é o instrumento da salvação. Por ela somos livres da condenação do pecado. Estamos sendo livres do poder do pecado. E seremos livres da presença do pecado.
Quando dizemos “Somente pela fé”, o que estamos falando? Que para a nossa salvação tudo o que precisamos fazer é crer em Jesus. Não confiamos em nossas obras. Não confiamos em outras pessoas. Mas confiamos somente em nosso Deus, o Senhor Jesus, que se fez homem e viveu e morreu entre nós para nos salvar.
Significa que acreditamos em Jesus Cristo, conforme os ensinos das Escrituras, porque é através das Escrituras que conhecemos Jesus e é através do ouvir das Escrituras que o Espírito Santo nos concede fé. Significa que esta fé que temos em Cristo, dom da graça de Deus, de tal forma toca nossa alma, que nos transforma em pessoas de Deus, que não vivem mais segundo o pecado, mas que vivem para Deus.
1. Aos crentes
1.1. Vivamos pela fé.
Fé m Jesus. Fé em tudo quanto dizem as Escrituras Fé para o perdão dos pecados, fé para a comunhão com Deus, fé para a santificação, fé para a vitória sobre o maligno, fé para a vida eterna.
1.2. Falemos da nossa fé.
Alguns dizem que fé somente não leva a nada. Se você é crente sabe que não é assim. A fé transforma, liberta, leva para o céu
2. Aos que ainda não creram em Jesus: hoje é dia em que você é ordenado a crer
Hoje diz a Palavra de Deus: “Crê no Senhor Jesus, e serás salvo...” Talvez, como a moça adivinhadora, você esteja oprimido, escravo do diabo; ao pecado, ao vício - creia no Senhor Jesus. Talvez, como os negociantes, você seja escravo do dinheiro - creia no Senhor Jesus. Talvez, como o carcereiro que queria se suicidar, você não esteja vendo saída - creia no Senhor Jesus . Talvez você esteja indo para o inferno - creia no Senhor Jesus. Você entendeu? O Senhor abriu teu coração? Se isto aconteceu, alegre-se. O Senhor está despertando tua alma. Se não, busque, peça esta fé, pois a promessa é que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.




[1] Para outros tipos de fé, Louis Berckof, Teologia Sistemática (Campinas, LPC) págs. 504-506)
[2] Lc 10:17; Mt 7:21-23
[3] C.F.W. XIV:1, 2 
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