Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

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domingo, 20 de julho de 2014

Isaías viu o Senhor - você quer vê-lo também? - Is 6

IPC em Pda. de Taipas
Domingo, 20 de julho de 2014
Pr. Plínio Fernandes

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Meus queridos irmãos, vamos ler Isaías capítulo 6
No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo.  2 Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava.  3 E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.  4 As bases do limiar se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça.  5 Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos!  6 Então, um dos serafins voou para mim, trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz; 7 com a brasa tocou a minha boca e disse: Eis que ela tocou os teus lábios; a tua iniquidade foi tirada, e perdoado, o teu pecado.  8 Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim.  9 Então, disse ele: Vai e dize a este povo: Ouvi, ouvi e não entendais; vede, vede, mas não percebais.  10 Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos e fecha-lhe os olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos e a entender com o coração, e se converta, e seja salvo.  11 Então, disse eu: até quando, Senhor? Ele respondeu: Até que sejam desoladas as cidades e fiquem sem habitantes, as casas fiquem sem moradores, e a terra seja de todo assolada, 12 e o SENHOR afaste dela os homens, e no meio da terra seja grande o desamparo.  13 Mas, se ainda ficar a décima parte dela, tornará a ser destruída. Como terebinto e como carvalho, dos quais, depois de derribados, ainda fica o toco, assim a santa semente é o seu toco.
No cap.1, a introdução deste livro nos diz que o ministério de Isaías teve início nos dias do Rei Uzias, rei de Judá (que também é chamado Azarias [1]).
Isaías é um dos profetas mais citados no Novo Testamento.
Foi ele que mais de setecentos anos antes de Jesus nascer escreveu que a virgem conceberia e daria à luz um filho que seria chamado Deus conosco [2].
Foi ele que escreveu sobre Jesus, dizendo que o castigo que nos trás a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados [3].
Foi o profeta Isaías que Jesus citou em seu primeiro ensino na sinagoga da cidade em que cresceu, dizendo que ele era o Cristo prometido pelo profeta [4].
Os dias de Isaías foram tempos difíceis, em que poças pessoas temiam e tremiam diante da Palavra do Senhor, mas também foram tempos de homens de grande estatura espiritual, como os profetas Miquéias, Oséias e Amós.
Segundo a interpretação de alguns, esta visão que Isaías registra aqui no cap. 6 não aconteceu depois que o Rei Uzias morreu. Apenas foi no mesmo ano de sua morte
Então, Isaías possivelmente está aqui descrevendo o que aconteceu logo no início de seu ministério, quando ele foi chamado por Deus para ser um profeta em seu nome.
Mas outras pessoas entendem de um modo diferente: entendem que esta visão aconteceu depois da morte do Rei Uzias.
De acordo com a tradição dos rabinos judeus, Isaías seria sobrinho de Uzias, um rei piedoso e temente a Deus.
Às vezes, para que nós possamos ver a Deus, é necessário que outras pessoas, ou outras coisas, sejam tiradas de diante dos nossos olhos.
Assim, um tanto entristecido com a morte do rei, abatido de espírito, Isaías estaria no templo em Jerusalém, buscando a face de Deus.
E ali ele viu o Senhor.
Embora ele fosse profeta já há algum tempo, esta visão do Senhor foi um momento de renovação em sua vida, quando, tocado pela glória, pela majestade, pela santidade de Deus, ele se viu purificado de seus próprios pecados, restaurado espiritualmente e com novo ânimo se pôs a proclamar a Palavra de Deus
De qualquer modo, o ponto mais alto é este: Isaías viu o Senhor.
Ele contemplou seu poder, seu domínio.
E como um profeta, um mensageiro de Deus, ele registrou o que viu nas Escrituras Sagradas, para que, por intermédio delas nós aprendamos a conhecer a Deus.
Pois o Senhor, o Deus de Isaías, o único Deus verdadeiro, é o Deus a quem nós adoramos também, e a quem precisamos conhecer cada dia mais.
Tendo em mente este fato, que aqui Isaías nos descreve quem é Deus, vamos meditar nas Palavras deste homem ensinado pelo Espírito Santo. O que o Espírito nos ensina sobre Deus?
1. O Espírito nos diz que o Senhor Deus é o Rei do Universo
1.1 – Ele é o Senhor dos céus
v.1 – “Eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono”
Trono é o assento do Rei, de onde ele governa os seus súditos
Por isto no v. 5 Isaías diz: “Os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos”
1.1.1 – O Senhor é o rei dos Exércitos que se assenta sobre um alto e sublime trono
Quando Isaías, no v. 5, e os serafins (esta palavra denota seres espirituais que se assemelham a chamas de fogo), no v. 3, descrevem o Senhor como o rei dos Exércitos, estão nos dizendo que ele é o rei dos céus.
Is 40:25, 26
“A quem, pois, me comparareis para que eu lhe seja igual? – diz o Santo. 26 Levantai ao alto os olhos e vede. Quem criou estas coisas? Aquele que faz sair o seu exército de estrelas, todas bem contadas, as quais ele chama pelo nome; por ser ele grande em força e forte em poder, nem uma só vem a faltar.”
Olhe para o céu, diz, o Senhor. Quem criou estas coisas todas que estão diante dos teus olhos? Aquele que faz sair o seu exército de milhões, bilhões, trilhões de estrelas.
Aquele que conhece e chama a cada uma delas pelos seus nomes.
Ele é tão grande, tão forte, tão poderoso, que nenhuma delas vem a faltar.
Assim, pois, é uma referência ao céu em seu aspecto físico, material. Ele é o Senhor das estrelas.
Mas também esta expressão é usada para descrever os seres angelicais que adoram a Deus.
Ne 9:5,6
Os levitas Jesua, Cadmiel, Bani, Hasabnéias, Serebias, Hodias, Sebanias e Petaías disseram: Levantai-vos, bendizei ao SENHOR, vosso Deus, de eternidade em eternidade. Então, se disse: Bendito seja o nome da tua glória, que ultrapassa todo bendizer e louvor. 6 Só tu és SENHOR, tu fizeste o céu, o céu dos céus e todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela há, os mares e tudo quanto há neles; e tu os preservas a todos com vida, e o exército dos céus te adora.
Assim, quando dizemos que o Senhor é o Senhor dos Exércitos, estamos afirmando nosso conhecimento de que ele domina sobre todo o céu, as coisas visíveis e as invisíveis. Ele é o Rei do Universo.
Por isto ele está assentado num alto e sublime trono.
Por isto os serafins o cercam, voam por sobre ele e clamam uns aos outros: “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos”
1.1.2 – É importante dizer que aqui estamos diante de JAVÉ, aquele que em teologia nós carinhosa e reverentemente denominamos “o Deus Triuno”
Ainda que para nossa pequena capacidade de entender isto seja um mistério, a revelação bíblica nos ensina que Deus é somente UM, mas que neste único ser coexistem três pessoas: o Pai, o Filho, que se encarnou e viveu entre nós, e o Espírito Santo, que vem habitar no coração dos que creem.
Digo que estamos diante do Deus Triuno, primeiramente porque Isaías está vendo a Cristo, naquela glória que ele tinha com o Pai antes de vir à terra e habitar entre nós como um ser humano.
Que nos ensina isto de modo inequívoco é o apóstolo João.
Jo 12:37-41
E, embora tivesse feito tantos sinais na sua presença, não creram nele, 38 para se cumprir a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor? 39 Por isso, não podiam crer, porque Isaías disse ainda: 40 Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração, para que não vejam com os olhos, nem entendam com o coração, e se convertam, e sejam por mim curados. 41 Isto disse Isaías porque viu a glória dele e falou a seu respeito.
Aqui o apóstolo está descrevendo a incredulidade dos judeus diante de Jesus.
Embora ele tivesse feito tantos milagres, as pessoas, em sua maioria, não acreditaram nele.
O v. 40 é uma referência ao que está registrado no cap. 6 de Isaías.
Era uma palavra que estava se cumprindo.
E no v. 41 João completa o seu ensino dizendo que, o que Isaías viu no cap. 6 de seu livro, foi a glória de Jesus Cristo.
Então é Cristo a quem Isaías está vendo.
E Jesus acrescenta, de modo muito claro, que para habitar entre nós como um ser humano ele, durante aquele tempo, deixou a sua glória no céu.
Veja a oração que Jesus fez ao seu Pai, na véspera de sua morte, antes de voltar para o céu:
Jo 17:4, 5
Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer; 5 e, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo.
E veja também o que aconteceu a partir do dia seguinte, quando o Senhor morreu na cruz, em nosso lugar e ressuscitou ao terceiro dia
Hb 1:1-4
Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, 2 nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. 3 Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas, 4 tendo-se tornado tão superior aos anjos quanto herdou mais excelente nome do que eles.
Em segundo lugar, digo que estamos diante do Deus Triuno porque Jesus é a revelação do Pai.
Jo 14:8, 9
Replicou-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta. 9 Disse-lhe Jesus: Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai?
E por ultimo, digo que estamos diante do Deus Triuno porque aqui estamos diante das Palavras dadas a Isaías pelo Espírito Santo.
Assim como Cristo falou a Isaías, o Espírito Santo fala a nós em nome de Cristo através de Isaías
At 28:25-27
E, havendo discordância entre eles, despediram-se, dizendo Paulo estas palavras: Bem falou o Espírito Santo a vossos pais, por intermédio do profeta Isaías, quando disse: 26 Vai a este povo e dize-lhe: De ouvido, ouvireis e não entendereis; vendo, vereis e não percebereis. 27 Porquanto o coração deste povo se tornou endurecido; com os ouvidos ouviram tardiamente e fecharam os olhos, para que jamais vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos, para que não entendam com o coração, e se convertam, e por mim sejam curados.
No v. 26, Paulo cita Isaías 6, e no v. 25, ele atribui aquelas palavras ao Espírito Santo.
Sim. O Deus Triuno, assentado sobre o alto e sublime trono.
O Rei do Universo, o Senhor do Exército dos Céus.
2. Ele também nos diz que o Senhor, o Rei dos Exércitos, alto e sublime, é Santo, Santo, Santo – v. 3
Nele não existe, nem pode existir, qualquer forma de mal; nenhuma espécie de pecado.
Ao contrário, o caráter dele é puro, é honesto, e todas as suas obras são justas.
Em sua santidade ele é pleno de bondade, graça, misericórdia.
Em sua santidade ele odeia toda a forma de mal.
A santidade do Senhor se manifesta entre os homens de duas formas: trazendo juízo contra os pecadores hostis e trazendo salvação para os que humildemente se quebrantam diante dele
2.1 – Vejamos o juízo de Deus contra a perversidade dos homens
No profeta Isaías a palavra “ai”, denotando juízo, castigo, maldição, ocorre cerca de vinte e três vezes. Eu desejo citar algumas:
1:4
Ai desta nação pecaminosa, povo carregado de iniquidade, raça de malignos, filhos corruptores; abandonaram o SENHOR, blasfemaram do Santo de Israel, voltaram para trás.
3:11
Ai do perverso! Mal lhe irá; porque a sua paga será o que as suas próprias mãos fizeram.
5:20-23
Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo! 21 Ai dos que são sábios a seus próprios olhos e prudentes em seu próprio conceito! 22 Ai dos que são heróis para beber vinho e valentes para misturar bebida forte, 23 os quais por suborno justificam o perverso e ao justo negam justiça!
10:1, 2
Ai os que decretam leis injustas, dos que escrevem leis de opressão, 2 para negarem justiça aos pobres, para arrebatarem o direito aos aflitos do meu povo, a fim de despojarem as viúvas e roubarem os órfãos!
29:15
Ai dos que escondem profundamente o seu propósito do SENHOR, e as suas próprias obras fazem às escuras, e dizem: Quem nos vê? Quem nos conhece?
30:1
Ai dos filhos rebeldes, diz o SENHOR, que executam planos que não procedem de mim e fazem aliança sem a minha aprovação, para acrescentarem pecado sobre pecado!
33:1
Ai de ti, destruidor que não foste destruído, que procedes perfidamente e não foste tratado com perfídia! Acabando tu de destruir, serás destruído, acabando de tratar perfidamente, serás tratado com perfídia.
45:9,10
Ai daquele que contende com o seu Criador! E não passa de um caco de barro entre outros cacos. Acaso, dirá o barro ao que lhe dá forma: Que fazes? Ou: A tua obra não tem alça. 10 Ai daquele que diz ao pai: Por que geras? E à mulher: Por que dás à luz?
Sim, de todos estes modos, e muitos outros, o Senhor manifesta o seu desprazer com o pecado dos homens.
Ele abomina a perfídia, isto é a falsidade. Ele abomina o desrespeito aos pais; a rebeldia; o suborno; a injustiça; a inversão dos valores, o apoio ao que é errado.
Ele é Santo, Santo, Santo.
Por isto quando Isaías, aquele homem que tantas vezes pronunciara “ais” contra os pecados de seu tempo, contemplou a santidade do Senhor, ele precisou dizer de si mesmo:
“Ai de mim; estou perdido. Pois sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios, e meus olhos viram o rei, o Senhor dos exércitos”.
Pois não há homem que não peque.
E Isaías percebeu que não somente o povo no meio do qual vivia era pecador, mas ele também; percebeu que seus lábios falavam coisas impuras
E sabemos, conforme Jesus nos ensinou, que nossos lábios apenas expressam o que vai no coração.
Se Isaías tinha “a boca suja”, é porque o coração estava assim.
Mas então um dos seres celestiais que serviam ao Deus de toda santidade foi até o altar, dali tirou uma brasa, e com ela tocou nos lábios do profeta.
“Veja”, disse ele, “a tua iniquidade foi tirada, o teu pecado foi perdoado”
2.2 – Pois o mesmo Deus que julga a iniquidade dos perversos também purifica e santifica os contritos de coração
Assim o Senhor faz uma promessa aos que lamentam seus pecados, aos que o buscam de todo o coração
Is 57:15-21
Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos. 16 Pois não contenderei para sempre, nem me indignarei continuamente; porque, do contrário, o espírito definharia diante de mim, e o fôlego da vida, que eu criei. 17 Por causa da indignidade da sua cobiça, eu me indignei e feri o povo; escondi a face e indignei-me, mas, rebelde, seguiu ele o caminho da sua escolha. 18 Tenho visto os seus caminhos e o sararei; também o guiarei e lhe tornarei a dar consolação, a saber, aos que dele choram. 19 Como fruto dos seus lábios criei a paz, paz para os que estão longe e para os que estão perto, diz o SENHOR, e eu o sararei. 20 Mas os perversos são como o mar agitado, que não se pode aquietar, cujas águas lançam de si lama e lodo. 21 Para os perversos, diz o meu Deus, não há paz.
Sim, para os quebrantados a santidade de Deus trás salvação. Aos quebrantados ele trata com misericórdia. Aos abatidos ele restabelece. Aos feridos ele restaura.
Pois...
3. O Deus Triuno, Rei dos Exércitos dos céus, Santo, Santo, Santo, é glorioso não somente nos céus, mas também é grande sobre a terra
v. 3
“Toda a terra está cheia de sua glória”
Ele é rei no céu e na terra.
Majestoso no céu e na terra.
Pois toda a terra está cheia de sua glória.
A palavra glória significa “peso, valor”, resplendor, grandeza .
O domínio do Senhor se estende por todos os lugares do universo, sobre toda a criação.
Ele governa sobre tudo e sobre todos.
Sobre o curso das coisas criadas: os rios, os ventos, os animais, os vales, os montes, tudo está sob o governo de Deus
Mas eu desejo destacar particularmente a vida humana
Toda ela está sob o governo do Senhor
Por exemplo:
3.1 – O homem em seu trabalho: ele está sob a condução de Deus
Is 28:24-29
Porventura, lavra todo dia o lavrador, para semear? Ou todo dia sulca a sua terra e a esterroa? 25 Porventura, quando já tem nivelado a superfície, não lhe espalha o endro, não semeia o cominho, não lança nela o trigo em leiras, ou cevada, no devido lugar, ou a espelta, na margem? 26 Pois o seu Deus assim o instrui devidamente e o ensina. 27 Porque o endro não se trilha com instrumento de trilhar, nem sobre o cominho se passa roda de carro; mas com vara se sacode o endro, e o cominho, com pau. 28 Acaso, é esmiuçado o cereal? Não; o lavrador nem sempre o está debulhando, nem sempre está fazendo passar por cima dele a roda do seu carro e os seus cavalos. 29 Também isso procede do SENHOR dos Exércitos; ele é maravilhoso em conselho e grande em sabedoria.
3.2 – O destino de cada ser humano e das nações
Is 45:12, 13
Eu fiz a terra e criei nela o homem; as minhas mãos estenderam os céus, e a todos os seus exércitos dei as minhas ordens. 13 Eu, na minha justiça, suscitei a Ciro e todos os seus caminhos endireitarei; ele edificará a minha cidade e libertará os meus exilados, não por preço nem por presentes, diz o SENHOR dos Exércitos.
Isto disse Isaías pelo menos 150 anos antes que este homem, Ciro, rei dos persas, libertasse os israelitas do cativeiro babilônico.
3.3 – Ele é o Deus que determina o que há de acontecer
Is 46:9-13
Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; 10 que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade; 11 que chamo a ave de rapina desde o Oriente e de uma terra longínqua, o homem do meu conselho. Eu o disse, eu também o cumprirei; tomei este propósito, também o executarei.  12 Ouvi-me vós, os que sois de obstinado coração, que estais longe da justiça.  13 Faço chegar a minha justiça, e não está longe; a minha salvação não tardará; mas estabelecerei em Sião o livramento e em Israel, a minha glória.
Você que conhece a Bíblia sabe que a promessa se cumpriu.
Israel foi levado de volta para casa.
No devido templo a glória do Senhor se manifestou.
O Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, glória como do Unigênito do Pai.
Conclusão
Num certo sentido, aquele foi um dia comum em Israel.
No mundo do lado de fora do templo, as pessoas seguiam, cada uma a sua vida, cuidando dos afazeres do dia a dia.
As mulheres cuidando da casa, as crianças brincavam, os homens trabalhando nos campos.
Mas no templo do Senhor algo extraordinário estava acontecendo.
Isaías estava vendo aquele que é invisível.
Ele viu ao Senhor.
E se ele estava triste com a morte do Rei Uzias, certamente o coração dele foi consolado.
Pois Uzias pode estar morto, mas o SENHOR reina.
Por trás de todos os acontecimentos do mundo o Senhor reina.
Ele reina nos céus e na terra.
Ele reina em santidade, poder, glória, majestade.
Ele julga o mundo com justiça.
Ele dá a paga ao perverso e salva os quebrantados de coração.
Isaías saiu dali um novo homem.
Ele teria uma tarefa muito árdua.
Iria proclamar a Palavra de Deus a uma nação rebelde, e poucos o ouviriam.
Mas ele estava a serviço de seu rei, e nunca voltou atrás.
Ele viu o Senhor.
O Senhor que mais tarde se fez homem, deu sua vida na cruz, ressuscitou e subiu ao céu para preparar-nos um lugar.
O Senhor que disse aos seus discípulos: “E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.” [5]
Ele viu o Senhor que está aqui.
E saiu dali um novo homem, um homem cheio, não de palavras feias na boca, mas cheio da Palavra do Senhor
Aplicação
Nós estamos num lugar dedicado ao Senhor, num momento consagrado ao Senhor
Você pode fechar seus olhos e abrir seu coração?
Com os olhos da alma, você pode ver o Senhor?
Você pode ver quem é o Senhor?
E se você pode...
Então você pode saber em seu coração que todas as coisas que acontecem estão sob controle.
Talvez você tenha entrado aqui com tristeza de coração, pelas perdas que acontecem nesta vida:
A perda de um ente querido, de uma pessoa amada.
A perda de bens materiais.
A perda de uma posição.
Mas nossas perdas podem nos levar a ganhar, pois nos levam à comunhão com aquele que governa sobre tudo e sobre todos.
Você não precisa estar preocupado com o que ele faz, na sua vida ou na vida de outros.
Pois desde a Antiguidade não se viu, nem jamais se ouviu, um Deus semelhante a ele, que trabalha para aquele que nele espera .[6]
Também você pode se aproximar dele para ser santificado.
Pois na presença dele o pecador contrito é perdoado, os lábios são purificados, o coração é mudado.
Ainda que os seus pecados sejam vermelhos como a escarlata, se tornarão alvos como a neve.[7]
Como está escrito: “E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando como num espelho a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua imagem, pelo Senhor, o Espírito” [8].
E assim você pode se aproximar dele também para adorá-lo, para amá-lo, para dizer, como os serafins: “Santo, Santo, Santo é o Senhor, toda a terra está cheia de sua glória”.
E você pode se aproximar dele para servi-lo, como Isaías: “Eis-me aqui, Senhor, envia-me a mim.”



[1] Cf. 2º Rs 15:1-7 e 2º Cr 26
[2] Is 7:14; Mt 1:22, 23
[3] Is 53:5, 6; 1ª Pe 2:24, 25
[4] Lc 4:16-21, cf. Is 61:1-3
[5] Mt 28:18-20
[6] Is 64:4
[7] Is 1:18
[8] 2ª Co 3:18

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Não entristeçais o Espírito - Ef 4:30

Igreja Evangélica Presbiteriana
Domingo, 25 de agosto de 2013
Pr. Plínio Fernandes
Meus amados, vamos ler Efésios 4:30-32
30 E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção. 31 Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia.32 Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou.
É a segunda vez aqui na carta aos Efésios que o apóstolo Paulo nos diz que fomos selados pelo Espírito de Deus.
A primeira delas está no cap. 1:12-14, onde ele diz que quando nós ouvimos a Palavra da Verdade, o Evangelho da nossa salvação, e nele cremos, recebemos o selo do Espírito Santo, como sinal de que estamos em Cristo e garantia da nossa redenção na eternidade.
Depois, em 2:18, ele nos ensina que pelo fato de o Espírito de Deus habitar em nós, todos temos acesso à presença do Pai, e estamos sendo edificados como família de Deus, edificados para ser casa de Deus no Espírito.
Em seguida, no cap. 3:14 e segs. Ele ora e assim nos ensina a orar para que sejamos fortalecidos com o poder de Deus em nosso homem interior, e assim Cristo habite, pela fé, em nossos corações; que como igreja de Deus conheçamos mais e mais da grandeza do amor que Deus tem por nós, e conhecendo isto sejamos tomados pela plenitude do poder de Deus.
Deus nos ama, e por isto nos deu seu Espírito. Por ele nós somos selados; ele é a garantia da nossa redenção. Por meio dele podemos conhecer que somos filhos de Deus, irmãos nesta grande família. Por ele temos acesso à presença do Pai. Pelo seu poder que habita em nós conhecemos a grandeza do amor de Deus.
Na segunda parte da carta (caps. 4-6), ele passa a nos ensinar sobre as atitudes que devemos ter em relação ao Espírito:
Cap. 4:1-6 – Que andemos com humildade, mansidão, paciência, perseverança, suportando uns aos outros, e desta maneira nos esforçando para preservar a unidade que temos no Espírito.
Cap. 5:18 – Ele ordena: “Enchei-vos do Espírito”.
Cap. 6:17 – Que a Palavra de Deus, espada do Espírito, esteja sempre "nas mãos de nossas almas", isto é, em nosso coração e em nossos lábios. Que ela seja uma arma contra as forças espirituais do mal.
Cap. 6:18 - Que pelo poder do Espírito estejamos sempre em oração.
A esta altura eu acho que vale a pena citar a definição que Wayne Grudem faz a respeito da obra do Espírito Santo em sua Teologia Sistemática:
A obra do Espírito Santo consiste em manifestar a presença ativa de Deus no mundo, e em especial na igreja[1].
O Espírito Santo é esta pessoa da Santíssima Trindade que manifesta em nós, crentes individuais, e na igreja, a obra da graça de Deus.
Assim, à luz da Escritura[2], dizemos que o Pai elegeu aqueles por quem o Filho morreria, o Filho morreu pelos eleitos de Deus, e o Espírito Santo, enviado pelo Pai e pelo Filho, opera em nós a obra da salvação realizada pelo Filho.
O Espírito Santo é quem nos faz “nascer de novo”.
Ele é quem, falando por meio da Escritura, nos concede arrependimento e fé.
Ele é quem nos santifica, e nos transforma dia a dia, para que cresçamos no conhecimento de Deus em Jesus Cristo.
Ele é quem nos ensina a orar e a chamar a Deus de Pai.
Ele é quem nos concede poder para testemunhar, e também poder para enfrentar os sofrimentos sem medo, mas com amor e moderação.
Ele é quem nos concede dons espirituais e nos capacita a servir uns aos outros, para a glória de Deus e edificação da igreja.
Quer dizer, a vida do crente e da igreja é uma vida protegida, fortalecida, unificada, edificada, conduzida, do início ao fim, pelo Espírito Santo de Deus.
E aqui em 4:30 temos mais um ensino e mandamento em relação ao Espírito Santo:
“E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção”.
Em seguida são mencionadas várias atitudes impuras que o entristecem, e por isto não devemos nutrir: amargura, cólera, ira, gritaria, blasfêmias, e toda espécie de malícia.
Até o cap. 5:12 ele menciona várias outras:
Impudicícias (sensualidades), impurezas, cobiças, avareza, conversações torpes, palavras vãs, brincadeiras maliciosas.
Que não participemos destas coisas, por que por estas más obras é que vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.
Mas que ao contrário, sejamos em tudo imitadores de Cristo: na pureza, no amor, na mansidão, na paciência, no perdão, nas palavras que abençoam, que edificam, na bondade, na verdade, na justiça.
Que andemos como filhos da luz.
Se buscarmos o que é santo, justo e bom, estaremos desta forma agradando ao Espírito Santo.
Se vivermos na prática do que é impuro, injusto e mau, estaremos entristecendo ao Espírito Santo.
Não entristeçais o Espírito de Deus...
Eu gostaria de meditar com os irmãos sobre os ensinamentos que temos nesta oração.
1. O Espírito de Deus é uma pessoa
Quando a Escritura diz: “Não entristeçais o Espírito”, entre outras coisas está nos dizendo que o Espírito Santo é alguém, e não algo.
O Espírito Santo não é apenas uma “força de Deus em ação”, como afirmam os Testemunhas de Jeová, mas uma pessoa, e por ser uma pessoa divina, é onisciente, e onipresente: está em todo o lugar, em todo o tempo, e vê tudo quanto acontece.
Vê o que estamos fazendo.
Vê os caminhos pelos quais andamos, vê as nossas obras.
Ouve as coisas que falamos, as músicas que escutamos.
Vê o nosso comportamento no trabalho, na escola, em casa, na igreja.
Vê o nosso comportamento em relação às pessoas de ambos os sexos.
Vê como usamos o nosso tempo, os nossos bens, as nossas habilidades.
Vê as coisas com as quais nos divertimos, e as coisas com as quais nos alegramos.
Vê as coisas com as quais nos entristecemos, ou nos iramos.
Vê quando ajudamos o nosso próximo, e quando deixamos de ajudar.
Vê quando nos desviamos de maus caminhos, ou quando andamos por eles.
Mas não vê apenas o nosso comportamento externo – ele sonda os corações, e conhece todas as nossas disposições interiores.
Conhece os nossos propósitos, as nossas motivações.
Conhece as nossas alegrias, e as coisas que nos entristecem.
Conhece as nossas dores, as frustrações, e os nossos sentimentos de realização.
Conhece as coisas que nos tentam, e as áreas em que nos sentimos menos tentados.
Ainda a palavra não chegou aos lábios, e ele já sabe o que vamos dizer, e o que pensamos em dizer, mas nos calamos.
Ele conhece tudo, pois habita em todo o universo, e de modo muito especial, habita em nós.
Nós, os que, por meio da fé, recebemos a Jesus em nosso coração, somos o templo do Espírito, lugar santo, de sua habitação.
Esta uma coisa gloriosa, irmãos: Deus morando em nós.
Ele é a nossa força, a nossa herança, o nosso Consolador, o nosso guia, o nosso Mestre, a garantia de que pertencemos a Jesus, o penhor da nossa ressurreição.
2. O Espírito de Deus é uma pessoa “dotada de sensibilidade”
“Não entristeçais o Espírito”, diz a Escritura.
Por ser Deus, ele possui discernimento quanto à qualidade moral de nossas ações, de nossas atitudes, e de nosso coração, o nosso homem interior.
Com isto eu quero dizer que ele avalia o que fazemos ou pensamos, e aprova ou desaprova.
Existem coisas que alegram o Espírito Santo, nas quais ele tem prazer.
E existem coisas nas quais ele se entristece.
Assim como acontece com todos nós, que nos alegramos ou nos entristecemos, de acordo com o comportamento dos outros, se eles forem mais, ou menos, conforme o nosso caráter.
Uma pessoa que ama a justiça, que se deleita no bem estar dos outros, que tem prazer em ajudar, também se deleitará quando vir alguém sendo abençoado ou abençoando.
Como Barnabé, que era homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé, terá alegria em ver a graça de Deus agindo na vida de uma igreja ou de qualquer pessoa.
Mas uma pessoa má se deleitará em ver alguém sofrendo, passando necessidades, ou caindo em pecado, e pensará: “Bem feito”!
Da mesma forma como cada ser humano reage com prazer ou tristeza, conforme for o seu caráter, assim o Espírito Santo.
E o caráter dele, o nome já diz: “Santo”.
Aliás, há várias frases na Bíblia que descrevem o caráter dele:
Por exemplo, ele é Espírito da verdade (Jo 14:17), por isto a Escritura diz: “Não mintais uns aos outros, mas cada um fale a verdade com o seu próximo”.
E se formos pessoas que mentem, ele se entristece.
Ele é Espírito de fé (que nos concede fé - 2ª Co 4:13), por isto a incredulidade, a desconfiança em Deus, a ansiedade, a preocupação, o entristecem.
Ele é Espírito de poder, amor e moderação (2ª Tm 1:6-8), por isto a covardia, o medo, a vergonha do Evangelho, o desânimo, o entristecem.
Ele é o Espírito da graça (Hb 10.29), e todo o que é inflexível, amargo, desagradável, ingrato, malicioso e indisposto a perdoar,o entristece.
Existe alguém que você não perdoa ou com quem você não quer nem falar? Há alguém com quem tenha brigado? Existe no seu coração amargura para com Deus? Você passa seus dias murmurando contra suas circunstâncias?
Ele é o Espírito de santidade, pureza (Rm 1.4) – pensamentos impuros, piadas sujas, conversas indecentes, palavras torpes, são coisas que o entristecem.
Ele é o Espírito de sabedoria (Ef 1.17) – está sempre disposto a nos ensinar, a nos guiar na Palavra de Deus, a iluminar o nosso entendimento, a nos fazer mansos, humildes, tratáveis. Então, uma atitude arrogante, orgulhosa, de quem não quer aprender, mas que se acha muito sábio, o entristece.
Ele é o Espírito da vida (Rm 8.2) – E qualquer pessoa, que com suas atitudes, em vez de promover vida, promove a morte, o entristece.
Palavras podem destruir vidas. Vingança, falta de perdão, retaliações, são coisas que podem destruir vidas, e entristecem ao Espírito Santo.
Ele habita em nós a fim de capacitar-nos a “crescer em Cristo em todas as coisas” e para nos levar diariamente “a conformar-nos à sua imagem”. Assim, qualquer coisa em nós que o impede de atingir esse objetivo o entristece. Permitir propositalmente que permaneça em sua vida qualquer coisa que seja contrária à natureza do Espírito Santo significa que você ama mais ao pecado do que a ele. Tal infidelidade o entristece[3].
3. O Espírito de Deus espera certas atitudes de nós
E não entristeçais o Espírito...
Também significa que ele espera certas atitudes e comportamentos de nós.
Não somos objetos impassíveis, mas seres dotados de personalidade, e ele espera que não sejamos indiferentes, mas que reajamos à sua revelação graciosa em nossa vida.
Ele espera que ao seu amor, correspondamos com amor, do contrário, o entristecemos.
Mas amados, não pensemos que entristecer ao Espírito Santo seja algo sem consequências.
Vejam: se alguém nos entristece com seu comportamento, uma vez que somos pecadores também, na maior parte das vezes ficamos apenas tristes. Não temos o direito de reagir com vingança: isto seria injusto.
E mesmo quando esta tristeza precisa se desdobrar em indignação e atos de justiça, é necessário cautela e oração, para que não pequemos.
Mas o Espírito Santo não precisa tomar estas preocupações, pois ele é infinitamente sábio, justo e bom.
Mas agora veja que a reação dele não é a mesma que a nossa.
Ele é uma pessoa, que discerne quanto à qualidade moral do que somos interiormente, e também o nosso comportamento externo.
Por isto também, ele se deixa, ou se faz conhecer, mais, ou menos, e se manifesta, mais ou menos, de acordo com a nossa receptividade para com ele.
Mas ele reage com veemência diante de nossa indiferença para com seus sentimentos
Is 63:9, 10
9 Em toda a angústia deles, foi ele angustiado, e o Anjo da sua presença os salvou; pelo seu amor e pela sua compaixão, ele os remiu, os tomou e os conduziu todos os dias da antiguidade. 10 Mas eles foram rebeldes e contristaram o seu Espírito Santo, pelo que se lhes tornou em inimigo e ele mesmo pelejou contra eles.
Meus irmãos, prestem atenção ao que diz o profeta. Que palavras fortes para descrever a magnitude do amor de Deus para com Israel: “Em toda a angústia deles, foi ele angustiado”.
Então os salvou por meio do seu anjo (que entendo ser Jesus), pelo seu amor e sua compaixão os remiu, os tomou e os conduziu. Como é intenso ao amor de Deus!
Mas eles foram rebeldes, desobedientes, ingratos. E com isto entristeceram o Santo Espírito do Senhor, e prestem atenção na gravidade de seu pecado: pelo que o Espírito Santo se tornou em inimigo; voltou-se contra eles.
Ah! Se Deus é por nós, quem será contra nós? Mas não queira ter Deus contra você; não considere de pouco valor o sofrimento de Cristo pelos seus pecados; não considere sem importância o desprazer de Deus com o pecado, pois horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo.
Veja o que diz Tiago:
Tg 4:4, 5
4 Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.5 Ou supondes que em vão afirma a Escritura: É com ciúme que por nós anseia o Espírito, que ele fez habitar em nós?
No v. 5 ele descreve o zelo que o Espírito Santo tem por nós: anseia por nós com ciúmes. Ele nos quer para si.
Mas você já viu a indignação de uma esposa com ciúmes? Já viu um marido com ciúmes?
Se você quiser ser amigo do mundo e seus prazeres, se quiser ser amigo do pecado, cuidado! Aquele que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.
Veja: o caráter de Deus não muda. Ele é sempre amoroso, justo, santo, reto, fiel, e tudo o mais, mas sua atitude diante do nosso comportamento, muda.
Se andarmos com ele, nós o alegramos e temos o seu favor. Mas se o nosso coração amar o mundo, então nos posicionamos como inimigos de Deus.
Não queira isto. Não queira entristecer o Espírito Santo.
E sabe no que consiste em Deus se tornar inimigo de alguém? Eu não sei de infelicidade maior do que esta: a de Deus deixar alguém entregue aos seus próprios caminhos, para fazer as suas próprias vontades.
Como quando, no deserto, eles não aguardaram os desígnios de Deus, e murmuraram, e entregaram-se à cobiça, o Senhor “deu-lhes o que queriam, isto é, a satisfação de seus apetites carnais, mas fez definhar-lhes a alma” (Sl 106:15). Eles se tornaram infelizes em seus prazeres.
Então, o Senhor espera de nós uma atitude diferente: que não o entristeçamos, mas que respondamos amorosa, fiel, obedientemente.
Isto dará satisfação ao coração do nosso Deus, que nos quer para si, que deseja nos abençoar sempre, que deseja fazer-nos mais plenamente conscientes de sua presença, dar-nos mais de si mesmo, e assim, mais de sua graça, poder, frutos, e toda a sorte de coisas boas.
Ou lembrando o que diz nosso catecismo maior, a respeito das regras que devemos observar para compreender melhor os mandamentos da lei do Senhor:
“...onde um dever é prescrito, o pecado contrário é proibido; e onde um pecado é proibido, o dever contrário é prescrito” [4].
Onde lemos: “Não entristeçais o Espírito”, também devemos entender: “Alegrai, dai satisfação ao Espírito”.
Conclusão
O Espírito Santo, é pessoa da Santíssima Trindade através de quem Deus opera em nós todas as graças que nos são dadas por meio da salvação em Jesus Cristo: ele nos regenera, nos concede a fé, o arrependimento, nos sela como filhos de Deus para o dia da redenção; ele nos santifica, nos dá o testemunho interno pelo qual sabemos que somos filhos de Deus; ele nos ensina a orar, nos batiza no corpo de Cristo que é a sua Igreja, nos concede dons espirituais, nos dá poder para testemunhar.
A nossa vida é totalmente dependente do gracioso agir do Espírito Santo em nossas almas.
Mas não é uma dependência passiva, na qual nada fazemos. Ele quer “santas reações” de nossa parte: que não o entristeçamos com atitudes e comportamentos que sejam contrários ao seu caráter; ao contrário, que o alegremos, esforçando-nos, pelo seu poder e auxílio, a ser imitadores de Cristo.
Quanto mais fidelidade de nossa parte, mais experimentamos a presença abençoadora do Espírito Santo em nossas vidas: mais de sua alegria, de sua direção, de seus rios de água viva fruindo em nosso interior.
Aplicação
Examine o seu coração:
Existe alguma coisa em seus sentimentos, alguma coisa em seus pensamentos, que desagrada ao doce Espírito de Deus? Alguma obra da carne?
Examine seu comportamento, suas palavras, suas atitudes. Alguma coisa que ofende ao Espírito Santo?
Existe uma “boca suja”, impura, ou mentirosa, ou caluniadora, fruto de coração impuro?
Amargura? Inveja? Iras?
Palavras “duras”, condenatórias, julgadoras?
Alguém a quem você não perdoa?
Alguém a quem você “quer que morra”?
Alguma imoralidade sexual como adultério, fornicação (relações sexuais antes do casamento)?
Algum vício pernicioso? Cigarro, bebidas alcoólicas, ou outra coisa qualquer?
Algum ídolo no coração, como avareza?
Existe em você algum “espírito de medo”, ou de incredulidade? Algum espírito de murmuração?
Existe alguma coisa que você saber ser pecado, e não quer abandonar?
Se houver, confesse a Deus, peça perdão, busque o Espírito Santo, para que você tenha forças a fim de vencer o mal, mas não somente vencer o mal; também, e acima de tudo, ter mais de Deus em sua vida. Sem a manifestação de Deus a vida não tem graça.
E ainda: talvez o seu caso seja que você ainda não se arrependeu e recebeu a Jesus como seu salvador.
Veja: o Espírito Santo fala por meio da exposição das Escrituras.
Ele está falando agora, e dizendo que você precisa crer em Jesus para ser salvo.
Hoje, se ouvir a sua voz, não endureça o seu coração. Creia em Jesus, receba-o como seu Salvador. E então você também receberá o dom do Espírito Santo.


[1] Wayne Grudem, Teologia Sistemática (São Paulo, Vida Nova, 1999), pág. 530.
[2] Por exemplo, 1ª Pe 1:2
[3] Ruth Paxton,   http://www.celebrandodeus.com.br/Data_Site/002TextoSite.asp?ID=4621, acessado em quarta-feira, 22 de maio de 2013, às 21:07H.
[4] Catecismo Maior de Westminster, resposta à pergunta 99, 4ª regra.
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