Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

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domingo, 22 de março de 2015

Como o nosso Mestre - Lc 6:40

Sábado, 21 de março de 2015
3ª IPC de São Paulo, reencontro do Acampa-SP 2015
Pr. Plínio Fernandes
Amados, vamos ler as palavras de nosso Deus e Salvador registradas em Lucas 6:40
O discípulo não está acima do seu mestre; todo aquele, porém, que for bem instruído será como o seu mestre.
Eu gostaria de iniciar com uma pergunta: querido irmão, crente em Jesus, quem é o seu Mestre? Ele é um bom professor? Ele ensina direito? E se o seu Mestre é Jesus, o que você é em relação a ele?
Aquele que for bem instruído será como seu mestre.
De fato, ser discípulo é ser mais que um simples aluno; é ser uma pessoa que, motivada pela admiração por um mestre, e em concordância com o seu pensamento, passa a segui-lo como seu mentor de vida, passa a seguir seu modo de pensar e imitar seu modo de viver.
Ser um discípulo de Jesus é ser um seguidor de seu modo de pensar, seu modo de ser e seu modo de viver.
Na verdade, a Bíblia, ao mesmo tempo em que nos ensina que ser um discípulo de Jesus é uma decisão que cada ser humano é convidado a tomar, ensina também que isto é um dom de Deus, uma graça à qual os escolhidos de Deus são destinados.
Conforme Paulo escreveu que:
Aos que Deus amou antes da criação do universo, ele também os predestinou para que sejam conformes à imagem de seu Filho, a fim de que Jesus seja o primogênito entre muitos irmãos[1].
E depois disto, no tempo determinado por Deus, o Senhor Jesus veio ao mundo para através de sua morte na cruz redimir estes escolhidos de Deus.
Em sua obra para nossa salvação ele nos purificou dos nossos pecados, nos libertou do poder do mundo, da carne e do diabo, deu-nos o seu Espírito Santo, e assim nos capacitou a viver de acordo com o nosso destino: o destino de sermos semelhantes ao nosso irmão primogênito, o nosso Mestre, Jesus Cristo, homem.
Todo aquele que é nascido de Deus tem o desejo de ser como Jesus, porque este é um desejo plantado pelo Espírito, que faz parte da nova criação. E assim o nosso alvo, bem como o alvo de Deus para nós é este: “todo aquele que for bem instruído será como seu Mestre”.
Na Bíblia Sagrada nós aprendemos sobre algumas das atitudes de Jesus como ser humano, como filho de Deus, que, como discípulos dele somos instruídos a imitar:
Por exemplo, aprendemos que Jesus tinha um grande propósito, um grande projeto de vida: o de viver para a glória de Deus.
Ele não vivia para si mesmo, mas vivia para o seu Pai. Ele não buscava a sua própria glória, mas a glória do Pai. Ele não pensava, em primeiro lugar, em sua própria vontade, mas na vontade do Pai. Ele buscava o reino dos céus.
Por isto, em relação às coisas deste mundo, Jesus não era dono de nada, não reivindicava direito algum. As aves do céu têm seus ninhos, mas o filho do homem não tem onde reclinar a cabeça[2]. Sendo rico se fez pobre por amor de nós[3]. Mesmo sendo em forma de Deus, não teve como usurpação o ser igual a Deus, antes, a si mesmo se esvaziou e se humilhou[4]. Quando acusado, não se defendia; quando ultrajado, não revidava com ultraje, quando humilhado, simplesmente entregava-se ao Pai, não falava mal de ninguém[5], mesmo quando o chamavam de endemoniado[6], ou comilão e beberrão[7].
Jesus não se importava quando julgado pelos outros, por que só havia uma pessoa cuja opinião ele queria agradar: o Pai celestial[8]. Ele aceitava o sofrimento, as vicissitudes como vindas da mão de Deus para o seu aperfeiçoamento como nosso Salvador[9].
E nestas coisas todas, a Bíblia diz que Jesus é nosso exemplo, ao qual devemos imitar: ter o mesmo sentimento que há em Cristo Jesus[10].
Hoje eu desejo meditar sobre Jesus como nosso exemplo, mas agora não nos concentrando em sua atitude para com as coisas deste mundo.
Vamos meditar sobre sua atitude para com as pessoas; e mais especialmente com as pessoas que precisavam dele.
Não temos como descrevê-lo em todos os aspectos; vamos mencionar apenas alguns.
Diante das pessoas que precisavam dele, como era o homem Jesus?
1. Jesus era um abrigo para as pessoas que se sentiam cansadas
Uma passagem essencial dentro deste conceito é Mt 11:28-30
Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. 29 Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. 30 Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.
É claro que Jesus está se revelando aqui, acima de tudo, como nosso Deus e Salvador.
Mas esta atitude de coração que ele tem está em perfeita harmonia com aquilo que devemos imitar nele enquanto nosso Mestre.
- “Vocês que estão cansados”, ele diz, “vocês que se sentem oprimidos, venham a mim”.
Existem muitas coisas neste mundo que podem nos fazer cansados.
Não importa a idade, pois os jovens se cansam e se fatigam, e os moços, de exaustos caem[11]. Nos cansamos diante de longas jornadas. Nos cansamos dos muitos trabalhos, dos muitos estudos. Nos cansamos da agitação do dia a dia.
E para corpo cansado, uns dias na praia, ou num sítio, ou em último caso, na falta destes recursos, alguns dias de sono reparador.
Mas existe o cansaço da alma, do coração, das emoções, dos pensamentos. Ficamos cansados em nossas lutas espirituais contra Satanás. Ficamos cansados com as “picuinhas da vida”, com as futilidades deste mundo. Ficamos cansados dos pecados da igreja, com a dureza de coração dos homens, com os legalismos, com as frivolidades. Ficamos cansados de nós mesmos, de nossos fracassos, de nossos temperamentos, de nossos pecados[12].
E para este cansaço da alma, Jesus. Ele é um abrigo, um refúgio, um lugar de descanso. Você pode como que colocar a sua cabeça no ombro dele, encostar-se ao peito dele e descansar.
Como diz o profeta Isaías, ele te carrega no colo, ele cuida de sua alma cansada[13]. Como ele fez com aquela mulher que, cansada de sua vida imoral foi chorar aos pés dele, e ouviu aquelas doces palavras: “Filha, tenha paz; a tua fé de salvou”[14].
Há uma profecia em Isaías que descreve nosso Senhor de um modo muito belo. Se você quer saber como é Jesus, se você quer aprender a ser parecido com ele, preste atenção em cada palavra:
Is 50:4-10
O SENHOR Deus me deu língua de eruditos, para que eu saiba dizer boa palavra ao cansado. Ele me desperta todas as manhãs, desperta-me o ouvido para que eu ouça como os eruditos. 5 O SENHOR Deus me abriu os ouvidos, e eu não fui rebelde, não me retraí. 6 Ofereci as costas aos que me feriam e as faces, aos que me arrancavam os cabelos; não escondi o rosto aos que me afrontavam e me cuspiam. 7 Porque o SENHOR Deus me ajudou, pelo que não me senti envergonhado; por isso, fiz o meu rosto como um seixo e sei que não serei envergonhado. 8 Perto está o que me justifica; quem contenderá comigo? Apresentemo-nos juntamente; quem é o meu adversário? Chegue-se para mim. 9 Eis que o SENHOR Deus me ajuda; quem há que me condene? Eis que todos eles, como um vestido, serão consumidos; a traça os comerá. 10 Quem há entre vós que tema ao SENHOR e que ouça a voz do seu Servo? Aquele que andou em trevas, sem nenhuma luz, confie em o nome do SENHOR e se firme sobre o seu Deus.
Interessante, meus irmãos, é que do v. 6 em diante, o Senhor fala dos sofrimentos que experimentou, das afrontas que sofreu, da violência que lhe fizeram.
Mas nada destas coisas o tornaram um homem amargurado e triste. Ao contrário, ele se sentiu ajudado por Deus, pois a cada manhã ele se levantava para ouvir a voz de Deus e andava com seu Pai.
Então, como o seu Pai, era uma pessoa que sempre tinha uma palavra que fortalecia o cansado.
Ser parecido com Jesus é ser assim para com as pessoas que sofrem: um abrigo, um coração compassivo, um coração compreensivo; é ter a capacidade de não esmagar os que estão quebrantados[15]. É ter a capacidade de dizer boa palavra ao que está cansado: palavra de compreensão, palavra de perdão, palavra de consolo, de encorajamento[16]. Mas não somente falar: também ouvir. Ouvir as confissões, ouvir os desabafos, os sofrimentos; e assim poder ministrar a Palavra que tiver ouvido de Deus.
Estou pensando numa ocasião, quando a Tequinha e eu estávamos esperando nossa segunda filhinha, a Sara. Estávamos passando por dias de muito sofrimento por causa de certas circunstâncias no ministério; e além disto, corríamos o risco de perder a Sarinha, por causa de algumas complicações hormonais.
Um dia a Tequinha estava num ponto de ônibus, e percebeu que um homem passou por ela, parou voltou, passou novamente, finalmente criou coragem e falou: - “Você é crente?”
E a Tequinha disse que sim. Então o homem respondeu:
- “Olha, eu estava com receio de falar, você nem me conhece, mas quando eu passei por você eu senti muito forte Deus me movendo a te falar: ele sabe as coisas que você está passando. Mas você não está passando por isto sozinha...”
E continuou a falar com a Tequinha, citando várias promessas da Bíblia, no sentido de encorajá-la, reanimá-la. Quando ela chegou em casa estava feliz e fortalecida, apesar de todo o sofrimento.
Eu sei que para alguns aquelas palavras poderiam soar como um chavão evangélico, mas aquele homem teve sensibilidade, e se deixou usar por Deus; foi como Jesus na vida dela.
2. Jesus era um homem terno e gentil; era um homem carinhoso.
Ele se apresenta como um homem manso e humilde de coração.
Há muitos momentos na Bíblia em que podemos vislumbrar esta ternura de Jesus, por exemplo
Mc 10:21-24
E Jesus, fitando-o, o amou e disse: Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me. 22 Ele, porém, contrariado com esta palavra, retirou-se triste, porque era dono de muitas propriedades. 23 Então, Jesus, olhando ao redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! 24 Os discípulos estranharam estas palavras; mas Jesus insistiu em dizer-lhes: Filhos, quão difícil é para os que confiam nas riquezas entrar no reino de Deus!
Como foi que os discípulos perceberam que Jesus amou aquele homem? Certamente foi pela sua maneira de olhar. E podemos dizer também que foi pela sua maneira de falar. Certamente ele não olhou com dureza, ou falou com dureza, mas com gentileza, com ternura.
Lc 10:40-42
Marta agitava-se de um lado para outro, ocupada em muitos serviços. Então, se aproximou de Jesus e disse: Senhor, não te importas de que minha irmã tenha deixado que eu fique a servir sozinha? Ordena-lhe, pois, que venha ajudar-me. 41 Respondeu-lhe o Senhor: Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas. 42 Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa; Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada.
Você consegue imaginar Jesus, dirigindo-se a Marta, falando com grosseria? Com rudeza? Você consegue imaginá-lo gritando, ou discutindo com alguém?[17] Você consegue imaginá-lo alfinetando alguém que, mesmo errado, estivesse buscando a Deus? Ele corrigia com firmeza, mas também com brandura, pois aquele que é a encarnação do amor não se exaltava com os pequeninos.
Jo 11:35-36
Jesus chorou. 36 Então, disseram os judeus: Vede quanto o amava.
Um homem que chora diante do sofrimento humano revela gentileza. Certamente não foi um choro para fazer bonito diante dos outros; seu caráter honesto não lhe permitiria isto. Era um choro genuíno, movido pelo amor. Pois aquele que ama se comove diante do sofrimento dos seus amados.
3. Jesus era um homem puro
Jo 8:46
Quem dentre vós me convence de pecado? Se vos digo a verdade, por que razão não me credes?
Jo 11:5-6
Ora, amava Jesus a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro.
Um fato notório nos evangelhos é que Jesus tinha para com algumas pessoas um amor muito especial. Eram aquelas pessoas que mais se aproximavam dele, como Lázaro, Marta e Maria. Também como João, o discípulo amado, que na noite da primeira ceia estava reclinado sobre o peito de Jesus, enquanto estavam à mesa[18].
Então está Maria, numa ocasião, perfumando os pés de nosso Senhor[19]; noutra ocasião ele está conversando com a samaritana cheia de amantes[20], e noutra a mesma Maria sentada aos seus pés, aprendendo com ele[21], e ainda aquela outra, que tinha sido uma prostituta, chorando e lhe beijando os pés[22].
Quanto a isto, há um contraste muito grande entre o comportamento de Jesus e o dos fariseus: o fariseu, quando via uma mulher imoral vindo pela rua no mesmo caminho, atravessava a rua para evitar o pecado. Jesus, ao contrário, recebia aquelas mulheres com toda a pureza de coração.
É verdade que certas pessoas predispostas a certos tipos de pecado fazem questão de ver algum comportamento sexual implícito no relacionamento de Jesus com Maria Madalena, ou mesmo com João.
Mas nem os fariseus viam isto. Ainda que os escribas, os fariseus, os saduceus e todos os demais hipócritas de plantão chamassem ao Senhor de pecador[23], de violador da lei[24], de beberrão e outras coisas semelhantes, Jesus nunca foi acusado de comportamento licencioso, ou imoral, ou sensualidade.
Nem em seu relacionamento com as mulheres, nem em seu relacionamento com outros homens. Jesus era um homem puro de coração.
4. Jesus era um homem que servia humildemente (mesmo quando não precisava).
Lc 22:27-28
Pois qual é maior: quem está à mesa ou quem serve? Porventura, não quem está à mesa? Pois, no meio de vós, eu sou como quem serve. 28 Vós sois os que tendes permanecido comigo nas minhas tentações.
Jo 13:1-5
Ora, antes da Festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim. 2 Durante a ceia, tendo já o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que traísse a Jesus, 3 sabendo este que o Pai tudo confiara às suas mãos, e que ele viera de Deus, e voltava para Deus, 4 levantou-se da ceia, tirou a vestimenta de cima e, tomando uma toalha, cingiu-se com ela. 5 Depois, deitou água na bacia e passou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido.
Jo 13:12-17
Depois de lhes ter lavado os pés, tomou as vestes e, voltando à mesa, perguntou-lhes: Compreendeis o que vos fiz? 13 Vós me chamais o Mestre e o Senhor e dizeis bem; porque eu o sou. 14 Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. 15 Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. 16 Em verdade, em verdade vos digo que o servo não é maior do que seu senhor, nem o enviado, maior do que aquele que o enviou. 17 Ora, se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes.
Jesus é o Mestre e Senhor. Estritamente falando, um servo, um escravo deveria ter feito aquele serviço. Não era o trabalho do dono da casa, muito menos do Mestre.
Mas Lucas nos conta que surgiu uma discussão entre os discípulos sobre quem entre eles parecia ser o maior. Então nosso Mestre e Senhor se levanta ensina como é que seus discípulos devem pensar. Ele toma uma bacia d’água, uma toalha, ajoelha-se e passa a lavar os pés de cada um deles. Levanta-se, ajoelha-se, e serve.
Digo que ele faz aquilo que é próprio do reino de Deus, aquilo que ele aprendeu com seu Pai, pois como escreveu Isaías, o Senhor é o “Deus que trabalha para aqueles que nele esperam” [25]. E nos convida a seguir seu exemplo.
Como aquele moço que ouvi orando: “Senhor, quero servir aos meus irmãos, mesmo que seja lavando o banheiro da igreja; quero fazer a tua vontade.”
Conclusão e aplicação
Como era Jesus, o homem Jesus, para com as pessoas que dele necessitavam?
Jesus era um coração no qual podiam se abrigar os cansados, os tristes, os sobrecarregados.
Jesus era um homem terno, gentil carinhoso, dócil.
Jesus era puro de coração, puro de olhar, puro na maneira de falar.
Jesus simplesmente servia, não se limitando a cumprir suas obrigações, servia àqueles que deveriam servi-lo.
Agora, você percebeu que nada destas coisas fez de Jesus um homem fraco, amedrontado, sem convicções? Ao contrário, estas qualidades das quais falamos faziam dele um homem verdadeiramente forte. Isto é que é ser homem.
E todas estas coisas são próprias daqueles que são destinados a serem parecidos com ele.
Conheço gente assim. Gente que é um bálsamo para minha vida. Gente que, quando olho, vejo Jesus Cristo. Jesus Cristo é o meu “super-herói”.
Para os que andam na verdade, para os nascidos de Deus, o maior desejo, o maior anelo, é ser parecido com Jesus. E nós podemos.
Qual é o segredo? Nas Escrituras, o Espírito Santo nos fala sobre isto de muitas maneiras; mas eu quero citar apenas uma passagem:
Gl 2:20
Estou crucificado com Cristo; 20 logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.
Por meio da fé, deixe que Jesus ocupe o trono da sua vida, que ele forme os seus pensamentos, que ele conduza os seus sentimentos, que ele controle o seu temperamento, que ele transforme suas atitudes.
Que a sua oração seja assim:
“Senhor Jesus, vive a tua vida ressurreta em mim e através de mim. Fale com os meus lábios, ande neste mundo através dos meus pés, toque, sirva através das minhas mãos, usa-me como instrumento do teu corpo para que a tua graça e a tua verdade se manifestem em mim”.

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[1] Ef 1:4,5; Rm 8:29
[2] Lc 9:59
[3] 2ª Co 8:9
[4] Fp 2:5-8
[5] 1ª Pe 2:21-23
[6] Jo 8:48
[7] Lc 7:34
[8] Jo 8:29
[9] Hb 5:8, 9
[10] Fp 2:5
[11] Is 40:30, 31
[12] Pv 30:1-3
[13] Is 40:11; Is 46:3, 4
[14] Lc 8:48
[15] Is 42:3; Mt 12:20
[16] Is 40
[17] Mt 12:19
[18] Jo 13:23; 21:20
[19] Jo 12:1-8
[20] Jo 4:24
[21] Lc 10:39
[22] Lc 7:36-50
[23] Jo 9:24
[24] Jo 19:7
[25] Is 64:4

domingo, 5 de janeiro de 2014

Tu me amas? - Jo 21:15-23

IPC em Pda. de Taipas
Domingo, 5 de janeiro de 2014
Pr. Plínio Fernandes
Amados irmãos, vamos ler dois textos dos evangelhos.
Primeiramente, Lucas 22:54-62
Então, prendendo-o, o levaram e o introduziram na casa do sumo sacerdote. Pedro seguia de longe.  55 E, quando acenderam fogo no meio do pátio e juntos se assentaram, Pedro tomou lugar entre eles.  56 Entrementes, uma criada, vendo-o assentado perto do fogo, fitando-o, disse: Este também estava com ele.  57 Mas Pedro negava, dizendo: Mulher, não o conheço.  58 Pouco depois, vendo-o outro, disse: Também tu és dos tais. Pedro, porém, protestava: Homem, não sou.  59 E, tendo passado cerca de uma hora, outro afirmava, dizendo: Também este, verdadeiramente, estava com ele, porque também é galileu.  60 Mas Pedro insistia: Homem, não compreendo o que dizes. E logo, estando ele ainda a falar, cantou o galo.  61 Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes me negarás, antes de cantar o galo.  62 Então, Pedro, saindo dali, chorou amargamente (Lc 22:54-62).
E agora João 21:15-23
Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros? Ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Ele lhe disse: Apascenta os meus cordeiros.  16 Tornou a perguntar-lhe pela segunda vez: Simão, filho de João, tu me amas? Ele lhe respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Pastoreia as minhas ovelhas.  17 Pela terceira vez Jesus lhe perguntou: Simão, filho de João, tu me amas? Pedro entristeceu-se por ele lhe ter dito, pela terceira vez: Tu me amas? E respondeu-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo. Jesus lhe disse: Apascenta as minhas ovelhas.  18 Em verdade, em verdade te digo que, quando eras mais moço, tu te cingias a ti mesmo e andavas por onde querias; quando, porém, fores velho, estenderás as mãos, e outro te cingirá e te levará para onde não queres.  19 Disse isto para significar com que gênero de morte Pedro havia de glorificar a Deus. Depois de assim falar, acrescentou-lhe: Segue-me.  20 Então, Pedro, voltando-se, viu que também o ia seguindo o discípulo a quem Jesus amava, o qual na ceia se reclinara sobre o peito de Jesus e perguntara: Senhor, quem é o traidor?  21 Vendo-o, pois, Pedro perguntou a Jesus: E quanto a este?  22 Respondeu-lhe Jesus: Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa? Quanto a ti, segue-me.  23 Então, se tornou corrente entre os irmãos o dito de que aquele discípulo não morreria. Ora, Jesus não dissera que tal discípulo não morreria, mas: Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa?  (Jo 21:15-23).
Esta era já a terceira vez que Jesus se manifestava aos discípulos, depois de haver ressuscitado dentre os mortos (v.14).
Os discípulos de Jesus haviam trabalhado no mar durante a noite inteira, mas sem conseguir nada.
Então, quando o dia estava raiando, Jesus apareceu na praia, mas os discípulos não o reconheceram.
- “Vocês têm algo para comer?”, ele perguntou
- “Não!”
- “Então lancem a rede à direita do barco”
E pescaram 153 grandes peixes. E quando isto aconteceu, o primeiro a perceber que era Jesus foi João, que por sua vez contou a Pedro.
E Pedro lançou-se ao mar para ir ao encontro de Jesus. Logo os demais também chegaram.
E cearam com Jesus (já pensou, você numa praia com Jesus, comendo com ele um peixe que ele mesmo assou?).
Depois disto, Jesus e Pedro saíram andando pela praia, e João foi seguindo um pouco mais atrás (v.20).
E enquanto caminhavam, Jesus fez a Pedro a maior pergunta, a mais importante pergunta que Deus faz a todo homem:
- “Você me ama?”
E Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”.
Isto é o mais importante. Jesus não estava aqui, antes de tudo, querendo saber como estava a cabeça de Pedro, quero dizer, não fez nenhuma pergunta sobre suas convicções teológicas.
Jesus perguntou a Pedro sobre aquilo que é mais essencial, sobre aquele que, de todos os ensinos, de todos os mandamentos, é o mais importante, e que diz: “amarás o senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento”.
Por que, se alguém cumpre este mandamento, então cumpre toda a vontade de Deus.
Você ama a Jesus?
Eu gostaria de meditar com vocês sobre três razões pelas quais o amor a Jesus é a coisa mais importante da nossa vida.
1. O amor é a condição básica, sem a qual ninguém pode ser discípulo de Jesus
v. 19
“Disse isto para significar com que gênero de morte Pedro havia de glorificar a Deus. Depois de assim falar, acrescentou-lhe: Segue-me”.
Somente depois de perguntar três vezes, e depois de receber três respostas afirmativas, Jesus disse a Pedro: “segue-me”.
Jesus perguntou três vezes, também para restaurar a consciência e o coração de Pedro.
Pedro estava se sentindo um grande fracasso, tanto que, na noite anterior, resolvera desistir de ser pescador de homens, e voltou a ser pescador de peixes - mas Jesus foi ao seu encontro.
Meu irmão, talvez como Pedro, você não esteja se sentindo, ultimamente, um grande sucesso como cristão.
Mas a pergunta mais importante não é se você é um grande sucesso.
A pergunta mais importante é: “Você ama a Jesus?”.
Talvez, como Pedro, você o tenha negado abertamente:
Ou dado mau testemunho.
Ou tenha sido vencido por alguma tentação.
Mas você ama a Jesus?
Se você o ama, então esqueça as coisas que ficam para trás, e siga-o.
Fp 3:13,14
“Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”.
Por outro lado, ai daquele que tenta seguir a Jesus e não o ama.
Pois simplesmente não conseguirá. Por que, para segui-lo, é necessário amor.
É necessário amar sua santidade
Mt 5:27-30
“Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. 28 Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela. 29 Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno. 30 E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo para o inferno”.
É necessário amar seu reino
Mt 6:33
“Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”.
É necessário amá-lo acima de qualquer pessoa
Mt 10:37
“Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim”.
Sem amor a Jesus é impossível guardar seus mandamentos
Jo 14:15,21
“Se me amais, guardareis os meus mandamentos... 21 Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele”.
2. O amor a Jesus é a condição básica sem a qual ninguém pode viver uma vida de serviço a ele
Nas três vezes que ouviu de Pedro uma resposta afirmativa, Jesus lhe disse: “Cuida das minhas ovelhas. Cuida do meu rebanho”.
Já antes de sua morte, ele havia dito a Pedro: “Quanto te converteres, cuida dos teus irmãos” (Lc 22:32).
Esta ordem marcou profundamente a vida e o ministério de Pedro
1o Pe 5:1-4
“Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda coparticipante da glória que há de ser revelada: 2 pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; 3 nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho. 4 Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória”.
Sim, muito tempo mais tarde, Pedro pensava em si mesmo acima de tudo como um pastor.
O amor é imprescindível para o ministério pastoral, e para o exercício de todos os ministérios.
Você sabe que em 1ª Co 12 e 14, o apóstolo Paulo trata dos dons espirituais: quais são eles, para que servem, como devemos usá-los na igreja.
Mas entre 1ª Co 12 e 14, há 1ª Co 13, não é? E do que Paulo trata em 1ª Co 13? Sobre o amor com o qual, seja qual for o nosso dom, devemos exercitá-lo.
E o que é amar?! Quando Deus nos fala de seu amor, está falando de seus perdão e cuidado para conosco. E que assim também devemos ser uns com os outros.
1o Pe 4:8-11
“Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados. 9 Sede, mutuamente, hospitaleiros, sem murmuração. 10 Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. 11 Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus; se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que, em todas as coisas, seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!”
Cada um de nós tem pelo menos um dom espiritual, isto é, uma capacidade especial, dada por Deus, para que com ela sirvamos a Deus e ajudemos no crescimento espiritual de nossos irmãos.
O apóstolo Paulo diz que a igreja é como um corpo, e cada um de nós, os que cremos em Jesus Cristo somos como que membros deste corpo.
E assim como num corpo humano existem muitos membros que se ajudam uns aos outros, assim é também entre nós.
No corpo humano, existe por exemplo:
A boca: a boca fala - na igreja existem os que tem dons de falar: professores, pastores, conselheiros.
Os ouvidos: eles são para ouvir - na igreja também. São necessárias pessoas que tem a capacidade de ouvir - bons ouvintes são ótimos conselheiros.
Mãos: ajudar
Joelhos: orar
Se você já conhece seu dom espiritual, use-o para ajudar os irmãos, para abençoar a igreja.
Se você ainda não sabe qual é o seu dom, procure descobrir, em oração, consagrando-se ao Senhor, aconselhando-se com outros, e trabalhe. Trabalhe para o bem dos irmãos em Cristo.
3. O amor é a condição básica, sem a qual ninguém pode tomar a sua cruz
vs. 18,19
“Em verdade, em verdade te digo que, quando eras mais moço, tu te cingias a ti mesmo e andavas por onde querias; quando, porém, fores velho, estenderás as mãos, e outro te cingirá e te levará para onde não queres. 19 Disse isto para significar com que gênero de morte Pedro havia de glorificar a Deus. Depois de assim falar, acrescentou-lhe: Segue-me”.
O gênero de morte com o qual Pedro haveria de glorificar a Deus era através do martírio. Segundo a tradição ele foi crucificado com a cabeça para baixo, nos dias da perseguição sob Nero.
Há dois outros textos que eu gostaria de relacionar com este:
Mt 16:24
“Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me”.
Rm 8:36
“Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro”.
As palavras de Jesus nos dizem que o morrer para si mesmo diz respeito a todos os seus discípulos; e também que significa uma escolha voluntária.
O tomar a cruz, o morrer para si mesmo, para os desejos pecaminosos, o morrer para os seus próprios planos, e seguir a Jesus é inevitável para todos os crentes.
Não consegue tomar a sua cruz aquele que ama o mundo. Por isto também o amor a Jesus é a coisa mais importante da nossa vida.
Conclusão e Aplicação
Você ama a Jesus?
Siga-o.

Sirva-o, trabalhe para ele.

domingo, 30 de junho de 2013

Os escribas de Jesus - Mt 13:47-52

Igreja Evangélica Presbiteriana
Domingo, 30 de junho de 2013
Pr. Plínio Fernandes
Amados irmãos, vamos ler Mateus 13:47-52
47 O reino dos céus é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, recolhe peixes de toda espécie. 48 E, quando já está cheia, os pescadores arrastam-na para a praia e, assentados, escolhem os bons para os cestos e os ruins deitam fora. 49 Assim será na consumação do século: sairão os anjos, e separarão os maus dentre os justos, 50 e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes. 51 Entendestes todas estas coisas? Responderam-lhe: Sim! 52 Então, lhes disse: Por isso, todo escriba versado no reino dos céus é semelhante a um pai de família que tira do seu depósito coisas novas e coisas velhas.
Nos vs. 47-50, nós temos a última desta série de sete parábolas de Jesus, a respeito do reino dos céus.
Ele se utiliza de mais um evento da vida diária dos seus discípulos: eles sabiam bem o que era uma pescaria de arrastão. Vários homens posicionavam uma grande rede, erguida como uma parede submersa no mar,e depois viam trazendo até à praia, e arrastando nela uma quantia enorme de peixes.
Mas para os judeus haviam peixes considerados impuros, isto é, impróprios para comer, e outros, considerados puros.[1] Por exemplo, se eles pescassem um “peixe-gato”, ou um bagre, não poderiam ser comidos; se pescassem tilápias, ou sardinhas, poderiam.
Então, depois que arrastavam uma quantia enorme de peixes, assentavam-se na praia e ficavam separando os peixes bons dos maus. Os bons seriam recolhidos em cestas, e os outros seriam jogados fora.
“Assim será no final desta era”, disse Jesus: “os anjos de Deus virão e irão separar os homens uns dos outros. Irão separar os maus dos justos, e os maus serão lançados na fornalha acesa. Então haverá choro e ranger de dentes”.
Então Jesus pergunta: “Vocês entenderam isto?” (v. 51)
E eles responderam: “Sim” (v. 51).
Vejam que houve progresso no entendimento deles, assim como em qualquer assunto uma pessoa pode progredir: no v. 10 nós lemos que discípulos não sabiam nem porque Jesus ensinava por parábolas. Depois, do v. 18 em diante, Jesus passa a explicar para eles o significado da parábola do semeador. No v. 36, eles pedem que Jesus explique a do joio e do trigo. Mas agora, no v. 51, depois destas últimas parábolas, eles dizem ao Senhor que já as entendem com maior clareza.
Queridos, há várias semanas que em nossos cultos, temos meditado nestas parábolas de nosso Senhor. Ainda que de modo retórico, pois penso conhecer a resposta, eu quero perguntar a vocês: “Vocês entendem esta última parábola de Jesus”? E se você entende, então veja o que Jesus respondeu a eles, diante de sua resposta afirmativa (v. 52):
Então, lhes disse: Por isso, todo escriba versado no reino dos céus é semelhante a um pai de família que tira do seu depósito coisas novas e coisas velhas.
Aqui Jesus está usando uma palavra antiga, mas que era nova em relação aos discípulos: “escriba”. Os discípulos estavam se tornando versados, isto é, pessoas entendidas nas coisas do reino dos céus, e seriam os seus novos escribas.
Porque digo que está falando deles? Porque eles é que seriam os mestres, os intérpretes do reino dos céus. Tempos mais tarde, Jesus iria dizer isto ainda mais explicitamente:
Mt 23:34
Por isso, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas. A uns matareis e crucificareis; a outros açoitareis nas vossas sinagogas e perseguireis de cidade em cidade.
E para dizer como eles deveriam pensar sobre si mesmos, Jesus conta mais uma parábola: um escriba versado no reino dos céus é como um pai que tem um solene dever: providenciar o que é necessário para a família; então ele tem uma despensa onde guarda as provisões, e na hora certa ele tira o que for necessário para dar aos seus.
Meu querido irmão, você, que tem recebido a Palavra de Jesus; você entende as coisas que o Senhor tem lhe ensinado? Então você também tem este mesmo dever. Eu gostaria de destacar três características de um escriba de Jesus
1 . É uma pessoa que entesoura coisas do reino de Deus
Jesus diz que é como um pai de família que tira coisas do seu depósito. As versões ARC e NVI trazem “tesouro”, transliterando a palavra usada no texto grego. Tesouro significa aquilo que é depositado, aquilo que é guardado, e também o lugar onde é guardado.
Toda casa, por mais humilde que seja, tem um lugar onde as provisões para a família: algumas têm um cômodo em separado, algumas um lugar na cozinha, outras, algum lugar no armário da cozinha, mas sempre há um lugar onde os alimentos são colocados para serem retirados dali na hora certa para cada coisa.
Eu tenho uma lembrança muito forte de quando era menino, na casa do meu avô: “de vez em quando” toda a família ia fazer compras no mercado, e eram feitas de modo diferente das que fazemos agora. Ele comprava sacas de arroz, com sessenta quilos cada uma. Sacas de feijão, de açúcar, galões de óleo, banha de porco, carne salgada, carne para conservar dentro da banha, latas de manteiga e muitas outras coisas. Então, depois de devidamente tratado e acondicionado, tudo aquilo era estocado na despensa, e na medida em que se fazia necessário, aquelas coisas iam sendo retiradas dali.
Assim também aquele que entende as coisas de Deus. Ele tem o dever de armazenar estas coisas.  E onde as armazena?
Lc 6:45
O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração.
O homem bom, aquele que se prepara para o dia em que “o grande arrastão do céu” virá sobre a terra, é aquele que no seu coração entesoura o que é bom, as coisas de Deus. Ele ajunta as coisas do céu dentro de si, para que depois tenha o que repartir.
Amados, vocês têm entendido as coisas do reino? Tem aprendido o que Jesus está ensinando? Então vocês têm um dever diante de Deus – aumentar cada vez mais aquilo que o Senhor lhes tem transmitido.
Eu quero citar a vocês 2ª Pe 3:18. Mas para entender o contexto, vamos ler desde o v. 15.
15 e tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor, como igualmente o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, 16 ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles. 17 Vós, pois, amados, prevenidos como estais de antemão, acautelai-vos; não suceda que, arrastados pelo erro desses insubordinados, descaiais da vossa própria firmeza; 18 antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, tanto agora como no dia eterno.
Pedro nos diz que devemos crescer na graça e no conhecimento de Deus. Mas antes nos ensina que para isto nós não podemos distorcer, nem seguir a certas pessoas que, não concordando com as Escrituras, distorcem o que elas estão dizendo. Se distorcermos o que as Escrituras nos ensinam, se procurarmos torná-las mais “degustáveis ao nosso paladar carnal”, ou de quem quer que seja, isto arruína nossa vida espiritual.
De outro modo: o acúmulo do bom tesouro em nosso coração, o crescimento nas coisas do reino dos céus, nós o promovemos guardando as Escrituras dentro de nós, tal como elas são.
A tua Palavra escondi, guardada no meu coração, para eu não pecar contra ti (Sl 119:11).
Deus nos ensina muitas coisas em sua Palavra, a fim de que o conheçamos, que conheçamos sua vontade, que andemos em seus caminhos:
2ª Tm 3:15-17
15 e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. 16 Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, 17 a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.
Ser e fazer: a Palavra de Deus nos capacita a ser, interiormente, o que ele deseja, e nos ensina a fazer o que ele deseja. Ela nos ensina, e mais do que isso, ela realiza em nós a santificação, sem a qual ninguém verá a Jesus[2].
2. O escriba de Jesus é também uma pessoa que dispensa, isto é, distribui as coisas do reino de Deus
É como um pai de família que entesoura, e dali tira coisas novas e velhas, conforme a necessidade. Naturalmente que o pai de família não estoca os alimentos e depois os deixar apodrecer na despensa. Ele também não os distribui de uma vez por todas, porque não podem ser comidos assim, e também porque precisa fazer provisão para o futuro. Os alimentos são guardados para serem distribuídos na hora certa.
Assim também os escribas de Jesus tem este duplo dever em relação ao dispensar as coisas do reino.
2.1 – Dispensar coisas novas e velhas
O que isto significa? Penso que os discípulos entenderam, e nos deram bons exemplos. Quero citar João
1ª Jo 2:7, 8
7 Amados, não vos escrevo mandamento novo, senão mandamento antigo, o qual, desde o princípio, tivestes. Esse mandamento antigo é a palavra que ouvistes.8 Todavia, vos escrevo novo mandamento, aquilo que é verdadeiro nele e em vós, porque as trevas se vão dissipando, e a verdadeira luz já brilha.
Se você observar o contexto, verá que o mandamento ao qual ele se refere é o de nos amarmos uns aos outros, assim como Jesus nos amou. Não é um mandamento novo, pois Jesus já havia dado este mandamento.
Mas em certo sentido é um mandamento novo, porque ele se renova a cada dia em nossa vida: a cada dia, em nossa vida como igreja, como famílias, como cidadãos do mundo, recebemos novamente este mandamento da parte de Deus – é uma coisa dinâmica. A cada dia temos novas circunstâncias, novas situações, conhecemos novas pessoas, e devemos descobrir novos caminhos e novas maneiras de cumprir o velho mandamento de amar assim como Deus nos ama.
E quando João dá este “novo mandamento”, ele nada mais está fazendo do que renovar o mandamento de Jesus
Jo 13:34
Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros.
Mas quando Jesus diz que devemos nos amar uns aos outros desta maneira, nada mais está fazendo do que repetir o mandamento do Senhor a Israel, que deveria amar ao estrangeiro porque ele mesmo, Israel, era amado por Deus; Deus que também amava o estrangeiro, o órfão e a viúva (Dt 10:12-19). Assim, tudo o que é de Deus, há um certo sentido em que não é novo: os princípios de Deus não são novos.
Mas noutro sentido, tudo o que é Deus se renova a cada dia. Os princípios de Deus são aplicados em novos contextos, novas situações, novas culturas, em corações que sempre são renovados.
E também de novas maneiras: quem diria, mil anos atrás, que chegaria o tempo em que cada pessoa poderia ter uma Bíblia na mão? Mas alguém inventou a imprensa e o mundo mudou. Bíblias impressas, livros, folhetos – mesmo as pessoas mais humildes podem distribuir.
Quem diria, cem anos atrás, que chegaria um tempo em que cada casa teria um computador? E internet? Mas hoje temos tantas coisas novas, tantos jeitos novos de anunciar o reino de Deus. Você pode fazer tantos seguidores de Jesus no “Twitter”, no “Facebook”, e muitas outras coisas.
2.2 – Dispensar com fidelidade
1ª Co 4:1, 2 (v. 3)
1Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus. 2 Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel.3 Todavia, a mim mui pouco se me dá de ser julgado por vós ou por tribunal humano; nem eu tampouco julgo a mim mesmo. 4 Porque de nada me argui a consciência; contudo, nem por isso me dou por justificado, pois quem me julga é o Senhor.
Havia pessoas em Corinto que julgavam Paulo como um falso apóstolo, pois ele não tinha a eloquência e a aparência de alguns “super-apóstolos”. Paulo diz duas ou três coisas muito importantes: uma delas é que era muito importante que os homens entendessem que ele era um ministro de Deus (e não de si mesmo). Isto era necessário por ser a verdade. Importante para a vida espiritual dos coríntios, para que o ministério de Paulo fosse eficaz em suas vidas. Outra, é que quando ele se examinava a si mesmo, sua consciência estava limpa, pois ele não fazia da Palavra de Deus um meio de autopromoção. Outra, é que o que Deus requer é que o despenseiro seja fiel, e não que seja bem visto por seus dotes. O que desejo dizer é que o alvo do pregador do Evangelho não é ser admirado, mas de apresentar a Jesus com fidelidade, para que as pessoas conheçam e admirem a Jesus.
A salvação das almas é uma coisa séria demais, e é com isto que o evangelista precisa se preocupar. Escriba de Jesus, se você tiver sempre estas coisas em mente, será um servo fiel do Senhor.
3. É uma pessoa que tem um solene senso de dever
O dever de um pai de família é distribuir a provisão para o sustento dos seus. O escriba de Jesus tem o dever de dispensar o reino dos céus.
Muitos cientistas, muitos ateus, muitos intelectuais de plantão dizem que não haverá um fim do mundo conforme a Bíblia diz. Dizem que Jesus estava errado.
Mas nós cremos diferente: A fé é a certeza das coisas que se espera, convicção de fatos não se veem[3].
Jesus disse que ele voltará com seus anjos, e todos os homens serão julgados. Como os peixes impuros eram separados dos puros, os maus serão separados dos bons, os justos dos injustos.
Eu sei que a imagem é desconfortável (é horrível a ideia de se sentir como um peixe na rede), mas o dia do “grande arrastão celestial” está chegando, e todos os homens serão levados à presença de Cristo: os grandes e pequenos; os ricos e os pobres; jovens e velhos. Sem distinção de sexo.
Diante disto, nosso dever é duplamente solene:
3.1 – Cuidar de nós mesmos
1ª Co 9:24-27
24 Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. 25 Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível. 26 Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar. 27 Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado.
Não nos enganemos, meus irmãos: sem santificação ninguém verá o Senhor. Fora ficarão os mentirosos, os ladrões, os adúlteros, os impuros, os feiticeiros. Fora ficará todo aquele que não tiver sido lavado com o sangue de Jesus
3.2 – Preocuparmo-nos com os que não conhecem a Deus
Pois se, sem santificação ninguém verá o Senhor, sem receber a Jesus no coração não há como ser santificado. A santificação tem início quando uma pessoa crê em Jesus, quando sua alma é regenerada, quando, usando as palavras dele, essa pessoa “nasce de novo”, espiritualmente, por meio da fé. Mas a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Cristo[4].
Conclusão e aplicação
Amado, você entende estas coisas? Você crê nestas coisas?
2ª Tm 2:2
1 Tu, pois, filho meu, fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus. 2 E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros.
Você sabe que estas palavras de Paulo a Timóteo são mais do que dirigidas a ele: são palavras que o Espírito Santo diz a todos os seus filhos.
Fortifique-se pois o teu coração, e dispense os tesouros de Deus.



[1] Lv 11:9-12
[2] Jo 17:17;  Hb 12:14
[3] Hb 11:1
[4] Rm 10:17
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