Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

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domingo, 26 de janeiro de 2014

Amor sem fim - Oséias 3

IPC em Pda.de Taipas
Domingo, 26 de janeiro de 2014
Pr. Plínio Fernandes
Amados, vamos ler o cap. 3 do profeta Oséias
Disse-me o SENHOR: Vai outra vez, ama uma mulher, amada de seu amigo e adúltera, como o SENHOR ama os filhos de Israel, embora eles olhem para outros deuses e amem bolos de passas.  2 Comprei-a, pois, para mim por quinze peças de prata e um ômer e meio de cevada; 3 e lhe disse: tu esperarás por mim muitos dias; não te prostituirás, nem serás de outro homem; assim também eu esperarei por ti.  4 Porque os filhos de Israel ficarão por muitos dias sem rei, sem príncipe, sem sacrifício, sem coluna, sem estola sacerdotal ou ídolos do lar.  5 Depois, tornarão os filhos de Israel, e buscarão ao SENHOR, seu Deus, e a Davi, seu rei; e, nos últimos dias, tremendo, se aproximarão do SENHOR e da sua bondade.
Estes versículos contêm a narrativa da história de um amor muito forte. Do amor de um homem por uma mulher. Do amor de Oséias, um profeta do Senhor que viveu em Israel por volta de 750 AC, por sua esposa Gômer, que embora tão amada foi tão infiel ao seu marido, abandonando-o e trocando-o por outro homem.
E o Senhor, tomando o casamento de Oséias como uma ilustração, mostra que assim também estava acontecendo entre ele, Deus, e seu povo Israel.
Há duas expressões no v.1 que nos ajudam a entender que se tratava da esposa de Oséias:
A primeira é a palavra “adúltera”: mulher casada, que estava sendo infiel ao marido. Oséias deveria tomá-la para si. Deus não lhe ordenaria a tomar a esposa de outro homem, do contrário, seria adultério também.
A segunda expressão é “Vai outra vez”: Por quê? Porque esta seria a segunda vez que Oséias deveria ir em busca desta mulher.
A primeira vez que Oséias foi em busca de Gômer está descrita no cap. 1:2, 3, onde se narra o que aconteceu quando ele sentiu-se chamado para ser profeta.
2 Quando, pela primeira vez, falou o SENHOR por intermédio de Oséias, então, o SENHOR lhe disse: Vai, toma uma mulher de prostituições e terás filhos de prostituição, porque a terra se prostituiu, desviando-se do SENHOR.  3 Foi-se, pois, e tomou a Gômer, filha de Diblaim, e ela concebeu e lhe deu um filho.
“Toma uma mulher de prostituições... Que lhe dará filhos de prostituição...”
E assim aconteceu: ela lhe deu um filho de prostituição.
O casamento de Oséias foi muito difícil.
Quando lhe nasceu o primeiro filho, foi chamado Jezreel, por causa dos crimes de Israel naquele vale.
O v.6 diz que depois nasceu uma menina. E o Senhor ordenou que ela fosse chamada “Lo-Rua-Ma”, que quer dizer “Desfavorecida”.
Depois, v.9, outro menino, a quem Deus chamou “Lo-ami”: “Não meu povo”.
Assim, de filho em filho, de pecado em pecado, a crise familiar foi se agravando. Porque Gômer não amava seu esposo. Um dia ela não suportou mais ficar em casa e foi-se embora com um amigo. E acabou como uma verdadeira escrava, um objeto nas mãos de alguém que por sua vez também não a amava.
Por isso Deus lhe disse:
“Vai outra vez, ama esta mulher, amada de seu amigo, e adúltera, da mesma maneira como o Senhor ama os filhos de Israel, embora eles olhem para outros deuses, e amem bolos de passas”.
Aqui, o Senhor compara as relações de Oséias com Gômer, com as suas relações com Israel: os dois estavam sendo traídos.
Deus ama Israel, mas seu povo estava olhando para outros deuses.
Israel gostava das coisas de Deus.
O v.4 cita três bênçãos muito apreciadas por Israel:
A primeira era o rei, o ungido de Deus para apascentar o seu povo.
A segunda, “o sacrifício”: eram importantes ordenanças estipuladas por Deus que tinham a ver com sua provisão para o perdão dos pecados.
E a terceira bênção era o éfode (estola sacerdotal): as roupas especiais com as quais o sacerdote representava Israel diante de Deus.
Na estola o sacerdote trazia sobre o peito com doze pedras preciosas, que representavam as doze tribos de Israel (Êx 28:12).
E também o “urim” e o “tumim”, que eram usadas para consultar ao Senhor (Nm 26:55; 1º Sm 14:42; Js 7:14; 14:2).
Mas, ao mesmo tempo, havia também a estátua (ou coluna) e os terafim (ídolos do lar).
A estátua aqui mencionada era uma coluna erigida a Baal, um falso deus cananita.
Os terafim eram pequenas estátuas usadas no culto doméstico.
E os bolos de passas eram feitos em honra à deusa da fertilidade.
Os israelitas cultuavam a Deus e a Baal.
Ao Senhor e às imagens.
Para eles, Pai celestial não estava sendo suficiente, por isso serviam a Deus e ao diabo, a Deus e o mundo
Oséias, pois, que amava profundamente a Deus, e não tinha o seu próprio ego por precioso, de acordo com a palavra de Deus foi até o “amigo” - e que “amigo”.
Gostava tão pouco daquela mulher que a vendeu.
Por 15 moedas de prata e 200 litros de cevada Oséias a levou.
E Oséias, segundo a vontade de Deus, amou-a, perdoando-lhe e recebendo-a de volta.
Então lhe disse:
“Você vai esperar por mim muitos dias; não vai se prostituir, não vai mais me trair; durante esse tempo não teremos relações conjugais, e eu também estarei esperando por você, pelo seu amor” (paráfrase do v. 3).
“Por que desta maneira”, disse o Senhor, “será também comigo e Israel”.
Eles ficarão muitos dias sem rei, sem príncipe, sem estátua, sem ídolos do lar, sem sacrifício,
Até que, enfim, arrepender-se-ão, voltar-se-ão para mim, e se aproximarão de mim e da minha bondade.
E foi assim que aconteceu:
Nos dias de Senaqueribe, rei da Assíria, começou o fim de Israel, o reino do norte.
Até que neste tempo que o Novo Testamento chama de “últimos dias”, os verdadeiros israelitas tem se convertido ao Senhor Jesus (Ex.: At 2:17; Gl 3:7-9).
Para nós, neste tempo que se chama hoje, o que podemos aprender da Palavra do Senhor, aqui registrada?
1. Aprendemos quão imenso, como é rico, como é infinito amor que Deus tem para com seu povo
1.1 - Deus nunca desiste de nos amar
No v. 1 ele diz: “Vai outra vez”, de novo: mesmo que ela tenha sido infiel, mesmo que ela não tenha correspondido; continua amando, da mesma maneira que o Senhor ama aos filhos de Israel.
O amor de Deus é algo que não acaba nunca.
A Bíblia conta como é que Deus se empenhou para vir nos buscar:
Por exemplo, em Lucas cap. 15 Jesus nos conta três parábolas que descrevem o amor de Deus:
A primeira é a parábola da ovelha perdida: onde um pastor, tendo 100 ovelhas, certo fim de tarde percebe que uma de suas ovelhas se perdeu no deserto. Então ele deixa as outras noventa e nove em segurança e sai em busca daquela que se perdeu. Ele só tem sossego no coração quando encontra a ovelha perdida.
A segunda é a parábola da moeda perdida: uma dona de casa tinha dez moedas, disse Jesus, e um dia deu pela falta de uma delas: então ela abriu as janelas, acendeu as lâmpadas, arrastou os móveis, varreu a casa, e só se satisfez quando encontrou a moeda perdia.
E a terceira parábola, a do filho perdido: a história de um pai que um dia viu seu filho sair de casa, para viver uma verdadeira vida morta, dissipando seus bens numa vida dissoluta, com mulheres e amigos errados, bebedeiras. O pai só voltou a ter alegria quando aquele filho se arrependeu e voltou para casa. E o pai o recebeu com uma alegria imensa, de braços abertos.
O que nosso Salvador quis dizer é que assim é o amor de Deus por nós: um amor que persevera, que deseja, que busca.
Jr 31:3
De longe se me deixou ver o SENHOR, dizendo: Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí.
Amor eterno, benigno.
Sabe porque você está aqui hoje? Porque Deus ama você: o fato de você estar aqui, e não lá fora fazendo o que o diabo gosta, o fato de você estará aqui participando dos cânticos, das orações, gozando este tempo de fraternidade espiritual, ouvindo a pregação da palavra de Deus, são evidências de que hoje é tempo em que Deus está chamando você para crer em seu amor.
1.2 – Veja a intensidade do amor do Senhor: Deus ama Israel, embora...
Deus não nos amou por causa de nossa justiça, ou amor, ou fidelidade.
Israel é como uma mulher adúltera: não uma mulher que havia sido, mas uma mulher que estava em adultério, e que de acordo com a lei deveria ser apedrejada até à morte.
Mas em vez de apedrejamento, a esposa de Oséias deveria ser amada, perdoada, e restaurada.
E é assim que Deus nos ama.
Rm 6:23
Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.
O salário do pecado é a morte
Rm 5:8
Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.
É assim que Deus nos ama
Deus ama os pecadores
2. Mas esta história também nos fala da dureza, da insensibilidade, da infidelidade dos homens para com Deus e seu amor
Gômer tem um esposo que a ama, que a tirou da prostituição - e olha para outros homens...
Israel tem as coisas de Deus - foi liberto do Egito; tem a lei, os profetas, os sacerdotes, habita uma terra fértil, tem proteção, trabalho, felicidade - mas olha para outros deuses; gosta de bolos de passas (v.1)
Talvez fiquemos sem entender a atitude de Gômer.
Talvez fiquemos sem entender a atitude dos israelitas.
Mas será que é diferente conosco?
Temos sido plenamente fiéis a Deus? À sua palavra? À sua vontade, aos seus mandamentos?
Assim como aquele falso amigo levou a esposa de Oséias, há um falso amigo que busca afastar-nos de Deus.
Fico imaginando aquele falso amigo tentando a esposa de Oséias, fazendo juras de amor, prometendo felicidade fora do lar:
- “Você, uma mulher tão bonita, presa aqui, lavando louça, lavando a roupa deste homem, você não foi feita pra isso; vem comigo que eu posso te dar coisas melhores, vem gozar a vida...”
Assim também Satanás. Ele começou lá no Jardim do Éden. Enganou, seduziu Eva - dizia que o pecado era bom, e que Deus, ao proibir certa coisa, na realidade estava tentando impedir que eles fossem livres (Gn 3:4-6).
Da mesma forma ele nos tenta dizendo que as coisas proibidas não são realmente proibidas. Mas cuidado!
Ef 2:1-3
Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, 2 nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; 3 entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais.
Aqui Espírito Santo nos diz que quando fazemos a vontade de nossa própria carne, que quando estamos seguindo o curso de pecados deste mundo, estamos satisfazendo os desejos de Satanás.
Tg 4:4
Infiéis (adúlteros e adúlteras), não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.
Jo 10:10
O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.
O fruto que Israel colheu foi o exílio. O fruto que Gômer colheu foi a escravidão. O fruto de pecado é isto: destruição da paz, da alegria e de tudo o que é bom.
3. Oséias também nos lembra do preço pago por Deus, para nos libertar do inimigo
Oséias pagou “barato”.
Mas o preço que Deus por nós foi grande demais.
At 20:28
Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue.
Deus pagou com seu próprio sangue, isto é, com a sua própria vida dada na cruz, morrendo em nosso lugar.
Porque Deus amou ao mundo pecador com tanta intensidade que deu seu filho unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3:16).
Ef 1:7
(Em Cristo) temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça...
Ele nos libertou do poder do pecado, do mundo e do diabo.
Isto envolveu sofrimento imenso.
Todo o castigo que era nosso caiu sobre ele
Porque ele nos amou; quis nos dar vida, nos libertar.
4. Aprendemos qual é a atitude que devemos ter diante do amor de Deus
v. 5
Depois, tornarão os filhos de Israel, e buscarão ao SENHOR, seu Deus, e a Davi, seu rei; e, nos últimos dias, tremendo, se aproximarão do SENHOR e da sua bondade.
No v. 4 nós vemos o que acontece quando um filho de Deus tem um coração divido: nada o satisfaz; ele quer servir a Deus, mas também olha para outros deuses; ele busca a vontade de Deus, mas também quer fazer a sua própria vontade; ele quer fazer parte da igreja, mas também quer uma vida mundana.
E o v. 5 diz que a vida deles só será verdadeiramente livre quando fizerem o que Deus deseja, isto é, que se arrependam, voltem para o Senhor, aproximem-se de sua bondade.
Que últimos dias são estes dos quais nos fala o profeta? São os dias em que os escolhidos do Senhor finalmente entendem quão grande é o seu amor para com eles.
Quando entendem este amor e voltam-se para o Senhor, experimentam o quanto ele é bom, pois o Espírito Santo diz: Provai e vede que o Senhor é bom (Sl 34:8, 9).
Bem nenhum falta aos que o temem:
Não falta a alegria da salvação
Não falta a alegria do perdão dos pecados
Não falta a alegria de uma vida cheia do Espírito
Não falta a alegria de um viver na presença de Deus
Não falta a  alegria da vida eterna
Aplicação
Se o amor de Deus por nós é assim, eu gostaria de fazer algumas aplicações destas verdades para nossa vida:
1. Para aqueles que já são crentes em Jesus, isto é, para aqueles que já receberam o Filho de Deus como seu salvador, que entregaram sua vida a ele e agora o seguem.
Existe alguma outra pessoa, ou alguma coisa em sua vida que assume a forma de um ídolo em seu coração?
Quero dizer, existe alguma infidelidade a Deus, algum pecado que você deve abandonar? Algum amor às coisas mundanas que desagradam ao Pai? Existe alguma área em sua vida, na qual você está contrariando à vontade de Deus?
Se houver, confesse, abandone, volte-se para o amor do Pai; amor eterno, inesgotável, insuperável. Deleite-se numa vida de plena comunhão com Deus.
2. Para aqueles que ainda não seguem a Jesus
Deus ama pecadores.
Jesus veio para buscar as ovelhas desgarradas, de dar vida aos espiritualmente mortos, buscar o filho perdido, de libertar os cativos do diabo.
Se você não tem Jesus então sabe o que o pecado tem feito em sua vida: escravidão a vícios, adultérios, inimizades, mentiras, medo, violência, coisas semelhantes a estas e por fim a morte eterna são o fruto de uma alma escrava de sua própria vontade e separada de Deus.
Mas em Jesus, na morte de Jesus pelos nossos pecados, em nosso lugar, há perdão, há redenção, há cura e libertação.
Confie em Jesus, entregue sua vida a ele, e ele te salvará.
3. Para todos os que aqui estamos
Adoremos a Deus por seu amor e justiça. Adoremos a Deus por tão grande salvação.
Prestemos atenção em Oséias.
Este homem de Deus foi traído, e mais de uma vez, por sua esposa.
Mas, atendendo à palavra de Deus, ele negou-se a si mesmo; ele a perdoou, ele a buscou, ele a restaurou. O nome disto é amor.
Assim como Cristo amou à sua igreja e a si mesmo se entregou por ela.
Porque quando um homem conhece o amor e o perdão de Deus, o seu coração é transformado.
Ele tem no coração o poder do Espírito Santo, que lhe dá esta mesma capacidade de amar, perdoar e restaurar.
Há alguém, em alguma área de sua vida, que precisa do seu perdão, ou a quem você precisa perdoar no seu coração?
Se houver, perdoe, agora, em nome do Senhor. E com isto você estará sendo um imitador do seu Pai celestial.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Jesus fala sobre o casamento - Mt 19:1-12

Igreja Evangélica Presbiteriana
Domingo, 22 de maio de 2011
Pr. Plínio Fernandes
Meus irmãos, vamos ler Mateus 19:1-12
1 E aconteceu que, concluindo Jesus estas palavras, deixou a Galiléia e foi para o território da Judéia, além do Jordão. 2 Seguiram-no muitas multidões, e curou-as ali. 3 Vieram a ele alguns fariseus e o experimentavam, perguntando: É lícito ao marido repudiar a sua mulher por qualquer motivo? 4 Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher  5 e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? 6 De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem. 7 Replicaram-lhe: Por que mandou, então, Moisés dar carta de divórcio e repudiar? 8 Respondeu-lhes Jesus: Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio. 9 Eu, porém, vos digo: quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério e o que casar com a repudiada comete adultério. 10 Disseram-lhe os discípulos: Se essa é a condição do homem relativamente à sua mulher, não convém casar. 11 Jesus, porém, lhes respondeu: Nem todos são aptos para receber este conceito, mas apenas aqueles a quem é dado. 12 Porque há eunucos de nascença; há outros a quem os homens fizeram tais; e há outros que a si mesmos se fizeram eunucos, por causa do reino dos céus. Quem é apto para o admitir admita.
Leiamos novamente a segunda parte do v. 6 -   “Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.”
Estas palavras foram pronunciadas por Jesus quando ele estava respondendo a uma pergunta dos fariseus em relação ao divórcio
A pergunta dos fariseus está no v. 3 – “É lícito ao marido repudiar a sua mulher por qualquer motivo?”
Ela refletia os ensinamentos de dois rabinos, que disputavam entre si:
Segundo o rabino Hílel, o homem poderia divorciar-se por qualquer razão – ele não era um leviano; era sinceramente dedicado ao estudo da Torá, mas tinha esta maneira de entender.
De acordo com o rabino Shamai, o divórcio poderia acontecer somente no caso de adultério.
Diante das duas escolas, a impressão que temos é que foi indagado a Jesus, qual era o seu posicionamento em relação a este assunto.
A resposta de Jesus está nos vs. 4-6:
4 Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher 5 e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? 6 De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.
Jesus volta ao princípio da Bíblia, e se baseia no que Deus disse a respeito do casamento, antes mesmo que houvesse pecado no mundo, e com base nisto ele ensina qual é o pensamento de Deus
Como quem diz: “Olha, se você quer saber o que Deus pensa sobre este assunto, leia Gênesis cap. 2; está escrito ali”.
A resposta do Senhor não estava de acordo com a perspectiva dos rabinos, mas de acordo com a perspectiva de Deus.
Mas os fariseus insistem na pergunta.
Então, na sequência, Jesus passa a ensinar em que condição o divórcio se torna tolerável.
E ensina também sobre aqueles que, por amor ao reino de Deus, optam por uma vida celibatária.
Assim que há pelo menos três assuntos, inter-relacionados, abordados por Jesus aqui: o casamento, o divórcio e o celibato.
Mas em nosso estudo de hoje nós vamos nos concentrar no ensino de Jesus que é registrado aqui, a respeito do casamento – Esta passagem não diz tudo o que Jesus falou sobre isto, mas nela temos princípios muito importantes.
Mais precisamente, queremos nesta hora falar sobre a necessidade de trabalharmos pela preservação do casamento segundo os princípios da Bíblia.
Isto porque estamos vivendo numa época muito trabalhosa.
Algumas pessoas eleitas para funções importantíssimas em nosso país estão lutando para o reconhecimento de uniões homossexuais, e para a criminalização de opiniões contrárias a isto.
Nalgumas igrejas reformadas estas uniões estão não somente sendo aceitas, mas até mesmo abençoadas.
Esta semana recebi a entristecedora notícia de que a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (assim com já fazem a luterana, a episcopal e a Igreja Unida) decidiu por permitir a ordenação de homossexuais.
Então precisamos sempre recordar os ensinos de Jesus.
1. Jesus nos ensina que o casamento é uma instituição divina
Como já temos afirmado, o ensino de Jesus é baseado no que a Bíblia diz em Gênesis cap. 2.
E há pelo menos três fatos importantíssimos aqui:
1.1 – Que a instituição do casamento foi “uma iniciativa de Deus”
Com efeito, se voltarmos ao texto de Gênesis, leremos que no início, quando criou o homem e o colocou no Jardim para cultivá-lo e para governar a terra, a Trindade Santíssima disse consigo mesmo: “Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que esteja à altura dele...”.
Isto é, o Senhor Deus estava interessado em promover o bem do homem.
Assim como todo o restante da criação eram coisas boas, assim também a mulher foi considerada boa.
E assim, o Senhor Deus criou a mulher e a trouxe ao homem.
Uma pessoa idônea, isto é, que estava à altura, e não inferior ao homem.
Uma pessoa para estar ao lado dele, ajudá-lo em sua missão de governar o mundo.
Uma pessoa que fosse como que um complemento do homem.
Este complementar do ser humano se realiza não só, mas também através da relação sexual expressa na frase: “Os dois se tornam uma só carne”.
Assim como “a chave e a fechadura” que só são completos se um tiver o outro.
E o homem ficou imensamente feliz com esta manifestação da bondade de Deus.
Por isto também que mais tarde o escritor de Provérbios acrescentou: “O que acha uma esposa acha um bem, e alcançou a benevolência do Senhor” (Pv 18:22)
Outra maneira de apresentarmos o que Jesus ensina aqui é dizendo: Deus é o criador do casamento.
Ele criou o casamento para o bem da humanidade.
Para que a humanidade experimente todo o bem que Deus planejou para o casamento, os seres humanos devem seguir as leis que o criador do casamento estabeleceu; os seres humanos não tem o direito natural de determinar, por si mesmos, quais são as regras desta instituição.
O que os seres humanos precisam fazer é conhecer os princípios estabelecidos por Deus para o seu bem, e viver por eles.
E estes princípios estão na Bíblia.
1.2 – Que o casamento é entre homem e mulher
Um querido amigo meu sempre acha graça quando, falando sobre este assunto, digo que o casamento é entre homem e mulher – pois isto é uma coisa óbvia, não é?
Mas infelizmente esta é uma afirmação que se tornou necessária depois da entrada do pecado no mundo, isto é, depois que os homens resolveram abandonar os princípios de Deus e viverem de acordo com seus próprios desejos.
De maneira que, desde o livro de Gênesis, nós lemos também, depois de entrar o pecado, sobre homens se relacionando sexualmente com outros homens.
Mas isto, diz a Bíblia, é uma perversão daquilo que Deus criou.
Esta semana eu li a opinião de uma pessoa que é a favor do casamento homossexual.
Ela escreveu o seguinte: “Você é a favor ou contra o casamento gay e a adoção de crianças em famílias homoafetivas? E por quê? (Por favor, motivos decentes, não me venha com "é pecado" ou coisa assim, vamos deixar a religião fora dessa.)
Segundo esta pessoa, ser contra o homossexualismo porque é pecado é um motivo indecente.
Ora nós somos cristãos. Sabemos que podemos usar argumentos de ordem natural contra o homossexualismo: sociológicos, psicológicos, antropológicos, históricos, etc.
Mas para nós, o pensamento de Jesus, a quem seguimos é o argumento que tem valor acima de todos os demais.
Deus criou homem e mulher e os uniu.
Deus não criou dois homens e os uniu.
Nem duas mulheres.
Homem e mulher os criou.
1.3 – Que o casamento é entre um homem e uma mulher
Deus também não criou um homem e duas mulheres ou uma mulher e dois homens.
Ele criou um homem e uma mulher.
Mesmo quando lemos que no passado homens do povo de Deus tiveram mais de uma esposa, percebemos também que não foi por mandamento de Deus, mas por tolerância de Deus por causa da dureza do coração humano.
Então Jesus conclui: o casamento é uma união criada por Deus, entre um homem e uma mulher. O que Deus uniu o homem não deve separar
2. Jesus nos ensina que devemos prezar e trabalhar pela preservação do casamento
Neste assunto, há pelo menos três áreas, ou três círculos sociais que precisamos ter em mente.
Devemos prezar e trabalhar pela preservação da nossa própria família.
Devemos prezar e trabalhar pela preservação das famílias do povo de Deus.
Devemos prezar e trabalhar pela preservação da família como instituição social.
Agora, porque usamos as palavras prezar e preservar?
Por que a família, assim como a igreja, é uma instituição de origem divina.
E assim como a igreja, a família está constantemente sujeita aos ataques de Satanás.
Quando voltamos a Gênesis cap. 3, que nos conta sobre a queda do homem, lemos que a primeira coisa que Adão fez, quando confrontado por Deus por causa do seu pecado, foi colocar a culpa em Eva.
Isto porque o pecado provocou a desunião espiritual e emocional entre os dois.
E esta desunião se tornou ema das características dos relacionamentos familiares desde então.
Mesmo nas famílias mais santas que temos na Bíblia vemos as manifestações desta desunião:
Abraão e Sara (por causa de Agar e Ismael).
Isaque e Rebeca – por causa de Esaú e Jacó.
Jacó e suas esposas, e os conflitos que vinham disto.
A família de Eli, de Samuel, de Davi, e tantos outros.
Além dos conflitos de relacionamentos, os problemas estruturais.
Por causa do pecado que habita em nós, surgiram pecados sociais que afetam a vidas das famílias.
Vivemos num mundo em que a separação de famílias acontece sem dificuldade alguma, basta que as pessoas envolvidas o queiram.
Além disto, estamos num mundo que oferece todo o tipo de tentação moral, que produz o afastamento espiritual entre marido e mulher, entre pais e filhos, e muitas vezes, mesmo que as pessoas não se divorciem de fato, na realidade vivem emocionalmente separadas.
Da mesma forma que o divórcio civil não é a vontade de Deus, também não é a vontade de Deus o “divórcio emocional”.
Pois se ele acontece, duas pessoas vivem dentro da mesma casa, mas infelizes e promovendo a infelicidade uma da outra e da família como um todo.
Ora, contra todos estes males que ameaçam a família nós somos exortados por Deus a trabalhar diligentemente.
Porque digo trabalhar diligentemente?
Por que o casamento é constituído de duas pessoas, e nem sempre uma delas escolhe fazer a vontade de Deus.
O Senhor Jesus nos ensina que há casos em que o divórcio acontece.
Paulo também nos diz a mesma coisa.
Então, se um filho de Deus se empenha em fazer a vontade de Deus, mas apesar de seus esforços a outra parte não deseja, o filho de Deus, ainda que entristecido com isto, não deve se sentir culpado, ou acreditar que Satanás venceu.
O diabo só será vencedor no dia em que Deus for derrotado – e isto não acontecerá jamais.
Mas o quanto estiver ao nosso alcance, devemos nos empenhar para a preservação e bem estar do casamento.
3. Jesus nos ensina que recursos devemos empregar para a preservação do casamento
De que forma Jesus nos ensina isto?
Me parece que aqui em Mateus temos duas formas pelas quais Jesus nos ensina sobre este assunto:
Primeiro, de maneira indireta; depois de maneira direta
3.1 – Ele nos ensina de forma indireta no cap. 18
Qual é o assunto destes versículos? A maneira como devemos perdoar aos que nos ofendem
De acordo com Jesus, se uma pessoa pecar contra nós, setenta vezes sete no mesmo dia, e pedir perdão, setenta vezes sete e sou exortado a perdoar.
Ora, a prática do perdão é essencial em todos os relacionamentos, inclusive no relacionamento matrimonial.
Há um livro muito edificante que recomendo a todos vocês. Ele se chama “Quando pecadores dizem sim”, e trata do fato de que, antes de qualquer coisa, para que um casamento seja bem sucedido, cada um de nós deve se comportar de modo amoroso e humilde para com seu cônjuge, reconhecendo que só a graça de Deus pode sustentá-los.  
Quando cada cônjuge se entende, ao seu cônjuge, como pessoas dependentes de Deus, então podem se auxiliar, se perdoar, se fortalecer, e construir um lar onde Deus seja glorificado.
Cl 3:19 – “Maridos, amai vossa esposa e não a trateis com amargura.”.
A palavra amargura aqui significa irritação, indignação, mágoa.
Da mesma forma que não devemos tratar com amargura, somos também exortados a não provocar amargura.
Cl 3:21(aqui falando sobre pais e filhos) – “Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados.”
É claro que estas instruções são válidas não somente aos maridos e aos pais.
São importantes também para as esposas e os filhos.
Eu gosto muito de uma mensagem pregada pelo pr. Jaime Kemp, onde ele fala sobre três frases muito importantes em todo o relacionamento familiar:
Eu errei – cada vez que você tiver, com um comportamento errado, ofendido alguém de sua família
Me perdoe – como expressão de seu desejo de reconciliação
Amados, quantos males poderiam ser sanados, quantas feridas poderiam ser curadas com um pedido de perdão, mas muitas vezes este pedido não acontece.
Eu amo você
A outra maneira como Jesus nos ensina é direta:
3.2 - No cap. 19, falando sobre o casamento Jesus volta-se para a Palavra de Deus e faz com que seus ouvintes se lembrem do que ela diz
Primeiro ele recorda o que Gênesis diz, e depois faz uma aplicação prática: se Deus uniu, não deve ser separado.
Amados, nós somos pessoas privilegiadas:
Temos a Bíblia em nossas mãos, para ler, meditar e praticar seus ensinamentos.
Mas além disto, somos privilegiados pois vivemos numa época em que muitos servos de Deus, homens com dons de ensinar, têm se dedicado a estudar especificamente estes princípios para o benefício do povo de Deus.
Existem incontáveis livros que nos ajudam em muito a conhecer o que a Bíblia ensina  (alguns destes livros estão sendo recomendados em nosso boletim de hoje)
Além disto temos o privilégio de, como igreja, interceder uns pelos outros e nos aconselharmos uns aos outros
Leiamos Cl 3:16 – “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.”.
Então vejam: se os ensinos de Cristo ocuparem nossa mente e nosso coração, quando nos deparamos com alguém que está com problemas, podemos, em amor, ensiná-lo e encorajá-lo a viver por estes princípios
E da mesma forma como Jesus, podemos proclamar estes princípios no meio da sociedade em que vivemos.
Podemos dizer ao mundo o que Deus diz sobre casamento.
Como igreja, devemos envidar todos os esforços que estiverem ao nosso alcance para cultivar os valores de Deus para a família.
Cuidando: devemos cuidar de nossa própria família.
Cuidar uns dos outros.
E também ensinar ao mundo o que Deus nos ensina.
Como Jesus, ensinar em amor.
Ensinar o que é casamento.
Ensinar o que é pecado.
Quando necessário, chamar ao arrependimento, sempre esperando que haja restauração de vidas

Orando, pedindo o auxílio de Deus, pois “se o Senhor não edificar a casa em vão trabalham os que a edificam”.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Não adulterarás - Mt 5:27-30


Igreja Evangélica Presbiteriana
Domingo, 27 de maio de 2012
Pr. Plínio Fernandes
Amados irmãos, vamos ler Mateus 5:27-30
27 Ouvistes que foi dito: Não adulterarás.28 Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela. 29 Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno. 30 E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo para o inferno.
Eu ouvi uma canção muito bonita, baseada em Lucas 7[1]. O autor desta canção comenta que Simão, o fariseu, não se agradou da santidade de Jesus, e por isto o desprezou em seu coração.
A santidade de Jesus! De todas as expressões que empregamos para descrever a beleza que há em nosso Senhor, a mais abrangente, a que mais plenamente nos diz como é Jesus, é a palavra “santidade”.
A santidade de Jesus é o conjunto de todas as perfeições que nele existem. Jesus é amor perfeito, mansidão perfeita, humildade perfeita. Ele é perfeita obediência, perfeita alegria, perfeita graça. Jesus, nosso Deus, nosso salvador, é perfeito em todas as suas qualidades – a isto chamamos santidade.
Ele é santo e ama a santidade.  Por isto, da forma mais perfeita ele constantemente nos ensina: a nós, seus irmãos amados, chamados, como ele, para a santidade, ele nos ensina o sentimento que ele mesmo tem, ele nos ensina o pensamento que ele mesmo tem, para que aprendamos com ele, a sermos como ele é.
Estamos diante de um pequeno trecho do sermão da montanha; este inesquecível conjunto de ensinos que nosso Senhor ministrou logo em seus primeiros dias de ministério como pregador da Palavra de Deus. E temos ouvido, a cada domingo, Jesus nos ensinar e dizer que a santidade, a justiça do cristão não é uma questão de aparência exterior, como no caso dos antigos fariseus, mas do coração.
Depois de, nos versículos anteriores, haver nos explicado o que significa o mandamento “não matarás”, Jesus reforça o seu ensino, mostrando agora o que significa “não adulterarás”.
Eu quero destacar três pensamentos de Jesus sobre isto.
1º. Pureza sexual é coisa do coração
A pureza se manifesta em nosso comportamento. A pureza se manifesta em nossos relacionamentos.Mas ela tem sua raiz, a sua sede, no coração.
Jesus nos ensina isto de forma muito clara. É possível que uma pessoa cometa pecados com seu corpo. É possível que uma pessoa cometa pecados contra o seu corpo.
Mas o pecado, antes de tudo, e acima de tudo, é algo que acontece no coração, na mente. De tal forma que uma pessoa pode, aparentemente, até viver de modo santo, sem que isto constitua uma realidade aos olhos de Deus.
Jesus explica isto através deste exemplo:
vs. 27, 28
27 Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. 28 Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela.
Pecado não é somente agir de forma de forma errada, mas também alimentar pensamentos e sentimentos errados.
Voltemos ao exemplo que nosso Senhor havia dado momentos antes:
vs. 21, 22
21Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento. 22 Eu, porém, vos digo que todo aquele que sem motivo se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo.
Tirar a vida de alguém não consiste apenas em fazê-lo literalmente, mas também alimentar sentimentos de ira. Ira que pode ser fruto de outros males: orgulho, inveja, ciúmes. A ira leva o irado a extravasar seus sentimentos, a usar palavras destrutivas. Por isto o homem de Deus vê beleza não na santidade que é apenas aparente: ele vê beleza naquela santidade que é interior. E o que ele procura cultivar é isto: um coração que seja puro.
Eu quero citar dois momentos na vida de Jesus em que esta pureza se manifesta (num certo sentido, não tem cabimento, pois não há um momento na vida do Senhor que não seja caracterizado pela santidade, mas quero destacar estes dois momentos para nossa edificação). O primeiro é  na casa de Simão, o fariseu.
Lc 7:39-50
39 Ao ver isto, o fariseu que o convidara disse consigo mesmo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, porque é pecadora. 40 Dirigiu-se Jesus ao fariseu e lhe disse: Simão, uma coisa tenho a dizer-te. Ele respondeu: Dize-a, Mestre. 41 Certo credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários, e o outro, cinquenta. 42 Não tendo nenhum dos dois com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Qual deles, portanto, o amará mais? 43 Respondeu-lhe Simão: Suponho que aquele a quem mais perdoou. Replicou-lhe: Julgaste bem. 44 E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; esta, porém, regou os meus pés com lágrimas e os enxugou com os seus cabelos. 45 Não me deste ósculo; ela, entretanto, desde que entrei não cessa de me beijar os pés. 46 Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta, com bálsamo, ungiu os meus pés. 47 Por isso, te digo: perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama. 48 Então, disse à mulher: Perdoados são os teus pecados. 49 Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este que até perdoa pecados? 50 Mas Jesus disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em paz.
Esta mulher não levou Jesus ao pecado – você consegue imaginar nosso Senhor olhando para ela e alimentando desejos impuros em relação a ela? Jesus levou esta mulher à santidade, ao quebrantamento interior em relação aos seus pecados, à pureza de coração e conduta. Porque ele era puro de coração.
O segundo momento é Jesus conversando com a mulher samaritana.
Jo 4:27
Neste ponto, chegaram os seus discípulos e se admiraram de que estivesse falando com uma mulher; todavia, nenhum lhe disse: Que perguntas? Ou: Por que falas com ela?
Os discípulos ficaram admirados porque entre os orientais este não é considerado um bom comportamento. Muitos pensam a mulher é o “diabo”, é a fonte de toda a tentação. E esta mulher samaritana, assim como aquela mencionada em Lc 7, também não era de boa fama. Mas Jesus a santifica. Porque ele era puro de coração.
2º. A santidade é o caminho do homem de Deus, dos filhos de Deus
Na carta aos Hebreus (12:14) está escrito que sem santificação ninguém, verá o Senhor. Em 2ª Coríntios (7:1) Paulo escreve que devemos aperfeiçoar a cada dia, a nossa santidade, tanto no corpo quanto em nosso espírito. E aqui no “Sermão do Monte”, em Mateus 5:8, o Senhor já havia dito: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus”.
O céu é o lugar da habitação de Deus. É lugar de santidade. Por isto as palavras do Senhor:
vs. 29,30
29 Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno. 30 E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo para o inferno.
Jesus está nos dizendo que a pessoa salva é caracterizada, em seu modo de viver pela santidade.
Mas há algo que eu desejo destacar, que é ensinado enfaticamente por Jesus: o homem santo não tem estas coisas como um fardo, como uma série de prescrições difíceis a serem cumpridas em antecipação ao céu; o homem santo busca estas disposições interiores por que elas são o seu prazer. O homem santo vê em Jesus a pessoa mais bonita que existe, e ele deseja imitá-lo; ele deseja ser perfeito de coração.
Mt 5:43-48
43 Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. 44 Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; 45 para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos. 46 Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo? 47 E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo? 48 Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.
Veja como, novamente, a ênfase está no coração: ame os seus inimigos. E veja o porquê: seu Pai celeste é deste jeito; e a sua motivação é esta; a de ser parecido com seu Pai. Então, ter um coração puro não é um dever terrível; é um deleite, é uma alegria, é um prazer, é uma satisfação.
Por isto o Espírito Santo nos ensina a dizer:
Ó, quanto eu amo a tua lei...
Pois a tua lei, que é perfeita, restaura a minha alma.
O teu testemunho, que é fiel, me dá sabedoria.
Os teus preceitos, ó Senhor, que são retos, me alegram o coração.
Os mandamentos, que são puros, iluminam os meus olhos.
Eu desejo tua Palavra, mais do que ouro, mais do que muito ouro.
Tua Palavra é mais doce do que o mel.
Ter a tua Palavra no meu coração é o meu deleite, é a minha grande recompensa.
Santidade é o caminho do cidadão do céu, pois o caminho de Deus é caminho de santidade.
3º. O cultivo da pureza é o compromisso maior de quem vai morar no céu
Se o teu olho te faz tropeçar, corta-o...
Este princípio é tão importante, tão essencial aos olhos de Jesus, que ele ou enuncia mais uma vez, e o expande, e o direciona a outros contextos, e não apenas na pureza sexual, em 18:8, 9:
8 Portanto, se a tua mão ou o teu pé te faz tropeçar, corta-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida manco ou aleijado do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno. 9 Se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida com um só dos teus olhos do que, tendo dois, seres lançado no inferno de fogo.
Se a tua mão te faz tropeçar (se a tua mão te faz roubar), corte-a...Se a tua língua te faz tropeçar (mentir, vangloriar-se, enganar), corte-a...
É claro que nosso Senhor não está nos dizendo que devemos fazer isto literalmente. Infelizmente, durante pelo menos dois séculos, muitos cristãos entenderam estas palavras de Jesus de maneira literal. O mais famoso deles foi um pregador chamado Orígenes - ele se faz eunuco literalmente para não pecar. Mas graças a Deus o Concilio de Nicéia, em 325, proibiu a prática da mutilação do corpo. A mutilação de nosso próprio corpo é um pecado contra o nosso próprio corpo, que nos foi dado por Deus para praticarmos o bem, e não o mal.
Mas Jesus está enfatizando que o nosso compromisso com a santidade dele deve ser radical, que não poupamos medidas necessárias para romper com aquilo que é mau.
Se o teu olho te faz tropeçar, não olhe. Se as páginas exibidas na internet te fazem tropeçar, faça como se você não tivesse olhos. Se a tua mão te faz tropeçar, não estenda a mão, não tecle naquele link. Se na locadora uma imagem te faz tropeçar, desvie os teus pés daquela seção. Se na televisão tem um canal pornográfico, nem instale aquele canal. Se uma novela está recheada de sensualidade, de erotismo, não alimente a sua mente (e por amor aos seus filhos, nem a deles). Se na sua casa uma janela te convida ao pecado, não olhe por ela.
O que Jesus está dizendo é: não permita que acontecimento, circunstância, pessoa, desejo, tentação, não permita que nada que o leve a pecar, tenha domínio sobre você. Evite coisas assim.
Veja este texto de Provérbios 4:23-27.
23 Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida.24 Desvia de ti a falsidade da boca e afasta de ti a perversidade dos lábios. 25 Os teus olhos olhem direito, e as tuas pálpebras, diretamente diante de ti. 26 Pondera a vereda de teus pés, e todos os teus caminhos sejam retos. 27 Não declines nem para a direita nem para a esquerda; retira o teu pé do mal.
O que ele está dizendo nos vs. 24 a 27 é que o jeito de você proteger o seu coração é evitando usar o seu corpo de modo que coisas ruins sejam colocadas no coração. E que, por outro lado, se você proteger o seu coração ele não desejará que você o leve por caminhos ruins. O corpo e a alma devem se cuidar mutuamente.
Conclusão
Santidade é coisa do coração. A santidade é o caminho natural do homem salvo. O cultivo da santidade é o compromisso maior de quem vai morar no céu.
Aplicação
Em Pv 23:26 nós lemos um desejo de Deus em relação a nós.
Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos se agradem dos meus caminhos.
Existe alguma coisa que faz você tropeçar? Teu olho te faz tropeçar? Tua mão te faz tropeçar? Tua língua te faz tropeçar? Teus pés?
Confesse a Deus, e rompa com todo pecado conhecido, rompa com qualquer coisa que te faça pecar. Olhe para a santidade de Jesus. Guarde a Palavra de Jesus no coração. Tenha seu maior prazer, a sua maior satisfação no ser santo, como Jesus é santo.



[1] “Quero beijar teus pés”, de David Silva
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