Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

Mostrando postagens com marcador Abatimento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Abatimento. Mostrar todas as postagens

domingo, 12 de julho de 2020

Quando a tristeza é grande demais - 2ª Co 2:1-11

3ª IPC de Guarulhos

Domingo, 12 de julho de 2020

Pr. Plínio Fernandes

Hoje, meus irmãos, eu quero meditar com vocês a respeito da vitória sobre a tristeza. Mas antes de prosseguir, quero fazer duas observações:

A primeira, é que não tenho como, aqui, fazer um extenso estudo sobre este assunto. Ele seria muito vasto. Mas depois do nosso estudo, eu quero sugerir alguns livros, que podem lhe ser muito úteis.[1]

A segunda observação é que eu particularmente tenho sido muito ajudado com a leitura de um deles, um livro chamado Superando a tristeza e a depressão com a fé, escrito por um pastor puritano chamado Richard Baxter. Eu devo muito a ele, para a minha vida particular, e quase tudo a ele nesta mensagem. Recomendo a sua leitura.

Vamos ao nosso texto, que se encontra em 2ª Co 2:1-11.

Isto deliberei por mim mesmo: não voltar a encontrar-me convosco em tristeza.  2 Porque, se eu vos entristeço, quem me alegrará, senão aquele que está entristecido por mim mesmo?  3 E isto escrevi para que, quando for, não tenha tristeza da parte daqueles que deveriam alegrar-me, confiando em todos vós de que a minha alegria é também a vossa.  4 Porque, no meio de muitos sofrimentos e angústias de coração, vos escrevi, com muitas lágrimas, não para que ficásseis entristecidos, mas para que conhecêsseis o amor que vos consagro em grande medida.  5 Ora, se alguém causou tristeza, não o fez apenas a mim, mas, para que eu não seja demasiadamente áspero, digo que em parte a todos vós;  6 basta-lhe a punição pela maioria.  7 De modo que deveis, pelo contrário, perdoar-lhe e confortá-lo, para que não seja o mesmo consumido por excessiva tristeza.  8 Pelo que vos rogo que confirmeis para com ele o vosso amor.  9 E foi por isso também que vos escrevi, para ter prova de que, em tudo, sois obedientes.  10 A quem perdoais alguma coisa, também eu perdoo; porque, de fato, o que tenho perdoado (se alguma coisa tenho perdoado), por causa de vós o fiz na presença de Cristo; 11 para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios.

Quando eu era menino, de vez em quando ouvia uma música no rádio que dizia:

Tá todo mundo triste,

Cantando músicas tristes

E cada dia fica mais fácil cantar assim. [2]

Esta música fez considerável sucesso, pois falava de um tema recorrente na vida de todos os seres humanos, inclusive na experiência daqueles que conhecem a Jesus.

A tristeza é mais uma destas emoções inevitáveis neste mundo decaído.

Ela pode ser fruto, muitas vezes, das situações adversas, que acontecem na vida de todos os seres humanos.

– Algum contratempo financeiro, o sentir-se impotente diante dos problemas...

– Os desejos não realizados, as ansiedades...

– A perda de uma amizade, alguma calúnia, alguma traição de alguém em quem se confiava...

– Alguma enfermidade física, ou psicológica, ou uma mistura das duas, ou de todas as coisas...

Muitas vezes, tem-se dito que a carta de Paulo aos Filipenses pode ser chamada de “A Epístola da Alegria.”.

E com razão, pois nela, através de muitas alusões a esta abençoada atitude, o Apóstolo procura ali, incutir uma santa alegria nos corações de seus leitores.

E seguindo uma espécie de paralelismo, eu gostaria de sugerir que a 2ª Carta aos Coríntios poderia ser chamada de “A Epístola da Vitória sobre a Tristeza.”.

Isto porque nela, diversas vezes o assunto tristeza é mencionado pelo apóstolo.

Mas não uma tristeza que vence. E sim, uma tristeza sobre a qual o crente em Jesus tem vitória.

Paulo não está falando aqui primeiramente sobre qualquer motivo de tristeza, mas especialmente pelas tristezas que nos sobrevêm pelo fato de sermos amados filhos de Deus, e que estamos vivendo num mundo em que as misérias do pecado e suas consequências ainda existem.

Mas as coisas que eu desejo destacar podem ser aplicadas num sentido mais amplo também.

É por isto, meus irmãos, que eu gostaria de meditar hoje com vocês, sobre este texto que acabamos de ler.

Depois de, nos vs. 1-5 das suas próprias tristezas, no seu relacionamento com os crentes de Corinto, tristezas que provinham de seu amor para com aquela igreja muitas vezes rebelde, mas ao mesmo tempo em que se deixava corrigir, nos vs. 7-11 Paulo orienta aqueles crentes em Jesus sobre como deveriam proceder para com um irmão que havia pecado grosseiramente a ponto de ser disciplinado pela igreja, mas que agora estava humildemente quebrantado.

Não sabemos se este irmão é o mesmo mencionado em 1ª aos Coríntios 5, e que havia cometido o pecado de imoralidade sexual. Quem exatamente ele era é de somenos importância, do contrário o Espírito Santo teria levado o apóstolo a ser mais específico.

O fato é que este irmão agora deveria ser restaurado.

Então, nos vs. 7 e 8 Paulo orienta:

De modo que deveis, pelo contrário, perdoar-lhe e confortá-lo, para que não seja o mesmo consumido por excessiva tristeza.  8 Pelo que vos rogo que confirmeis para com ele o vosso amor.

Leiamos também os vs. 10 e 11:

A quem perdoais alguma coisa, também eu perdoo; porque, de fato, o que tenho perdoado (se alguma coisa tenho perdoado), por causa de vós o fiz na presença de Cristo; 11 para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios.

Note a orientação: aquele irmão agora precisava ser perdoado e receber os afetos dos seus irmãos em Cristo. Se isto não acontecesse, ele poderia ser consumido pela tristeza.

Seguindo, não muito fielmente, o esboço de Richard Baxter, vamos destacar três inferências da orientação de Paulo:

1.      A tristeza, mesmo por razões espirituais, pode ser excessiva.

Eu digo razões espirituais, pois como nos ensina a Bíblia, em se tratando de coisas espirituais, existem basicamente dois tipos de tristeza que podem entrar em nossos corações.

Vamos ler 2ª Co 7:10

Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte.

Veja: há aquele que Paulo chama tristeza segundo Deus, e aquele que ele chama tristeza segundo o mundo.

A tristeza segundo o mundo, podemos dizer, é aquele que pode vir sobre nós por razões carnais, por não podemos satisfazer os nossos maus desejos, as nossas ambições pecaminosas.

Este tipo de tristeza é nocivo para nossas almas desde o começo, e precisamos lidar com ela o mais cedo possível, assim que a tivermos percebido.

As existe uma espécie de tristeza, ou tristezas, que são segundo Deus, espiritualmente saudáveis.

Como, por exemplo, as tristezas de Paulo ao escrever para os coríntios, em momentos em que eles estavam desobedecendo a Palavra de Deus, ou aquela tristeza descrita em Romanos cap. 7, em decorrência de seus sentimentos em relação ao pecado que nele habitava.

E existe, como mencionada aqui, a tristeza que nos sobrevêm como resultado do agir do Espírito de Deus em nossos corações, convencendo-nos dos nossos pecados, provocando arrependimento, conversão e vida.

Ou disciplinando-nos por sua Palavra, ou pela igreja ou irmãos chegados, ou pelas circunstâncias da vida.

Foi o caso do Rei Davi, conforme ele escreveu nos Salmos 32, 38, e em outros lugares.

Foi o caso de Pedro, que depois de haver negado ao Senhor, caindo em si, arrependeu-se sob o olhar de Jesus, e chorou amargamente. [3]

Foi o caso do irmão a respeito de quem Paulo está escrevendo aqui em 2ª Co 2.

São tristezas espirituais, provocadas pelo Espírito de Deus: ora pelos pecados e aflições da igreja, ora pelos nossos próprios pecados.

Mas note: falando pelo Espírito, Paulo diz que agora este irmão deveria ser perdoado, para que não fosse consumido pela tristeza excessiva.

Isto nos leva à segunda consideração...

2.  Mesmo por razões espirituais, a tristeza excessiva não é saudável: ela se torna destrutiva

Vamos ler novamente o v. 7?

De modo que deveis, pelo contrário, perdoar-lhe e confortá-lo, para que não seja o mesmo consumido por excessiva tristeza.

Se este irmão não fosse agora perdoado e confortado, a tristeza excessiva o consumiria.

A palavra “consumir” tem o sentido de “engolir, tragar, destruir”.

Imagine alguém sendo engolido e levado por uma onda gigantesca, ou por um grande peixe.

Quando a tristeza é grande demais, prolongada, descomunal, ela se torna terrivelmente destrutiva, paralisante.

Nesta sexta-feira eu soube de um homem que foi caluniado, e a tristeza foi tão grande que ele jogou-se nos trilhos de um trem, buscando a própria morte.

Mas mesmo que uma pessoa não chegue a este ponto, a tristeza, mesmo por arrependimento, pode ser tão grande que o crente esmorece em sua fé.

Perde o vigor para orar, para louvar, para testemunhar, para servir ao Deus a quem ama e por quem foi salvo.

Perde as alegrias da vida em família ou em meio ao povo de Deus, a alegria do trabalho secular.

E meus irmãos, não é esta a intenção de Deus quando ele contende conosco por causa dos nossos pecados; ao contrário, é produzir vida.

Vamos ler Is 57:15-19

Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos.  16 Pois não contenderei para sempre, nem me indignarei continuamente; porque, do contrário, o espírito definharia diante de mim, e o fôlego da vida, que eu criei.  17 Por causa da indignidade da sua cobiça, eu me indignei e feri o povo; escondi a face e indignei-me, mas, rebelde, seguiu ele o caminho da sua escolha.  18 Tenho visto os seus caminhos e o sararei; também o guiarei e lhe tornarei a dar consolação, a saber, aos que dele choram.  19 Como fruto dos seus lábios criei a paz, paz para os que estão longe e para os que estão perto, diz o SENHOR, e eu o sararei.

Note o v. 16:

Em seu amor e santidade, o Senhor, alto, santo, sublime, contende indignado conosco.

Mas a sua indignação não é contínua.

Se assim fosse, ele diz, o nosso espírito não resistiria, o fôlego de vida que ele criou em nós.

E ele não quer destruir o fôlego de vida que ele criou.

Mas têm alguém que quer nos destruir.

Vamos ler Jo 10:10 e 11

O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.  11 Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas.

O Senhor Jesus, o Filho de Deus, o autor da vida, veio para nos dar vida abundante. E para isto deu sua vida por nós, na cruz.

Mas também existe o ladrão de nossas almas, que deseja somente roubar, matar e destruir. Este alguém é Satanás.

Irmão, entenda: se você está sendo consumido pela tristeza, seja por desejos mundanos, seja pela consciência dos seus pecados, se você está vivendo dominado pela angústia, se você está se sentindo desmotivado e derrotado, isto não vem de Deus.

Deus não quer isto para você. Quem quer é o Diabo.

Vamos de novo ao v. 11:

Que ele seja perdoado, e consolado, e amado (vs. 7 e 8) e eu também perdoo (v. 10)...

...para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios.

Se aquele irmão não fosse restaurado, quem teria vantagem seria o inimigo, por duas razões:

Primeira, aquele irmão definharia, seria consumido.

Segunda, a igreja, que deve ser um instrumento de Deus para a transmissão de vida, se tornaria num instrumento de Satanás, fazendo perecer alguém por quem Cristo morreu.[4]

E isto nos conduz à terceira consideração...

3. A tristeza espiritual, quando excessiva, precisa ser combatida e vencida

Pois o Espírito Santo diz que “o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”. [5]

E também ordena:

Não vos entristeçais... pois a alegria do Senhor é vossa força. [6]

O mesmo Pai bondoso, que nos fere por amor de nossas almas, também nos restaura.[7]

Eu tenho destacado aqui no texto, a instrução de Paulo no sentido de que a igreja deveria restaurar o crente quebrantado, a fim de que sua tristeza excessiva não o consumisse.

Isto mostra a importância do “papel terapêutico da igreja na cura das almas”, e por inferência dos crentes, nas vidas uns dos outros.

Eu quero, quanto a isto, fazer três considerações finais:

Primeiramente, que nós precisamos combater a tristeza excessiva na nossa própria vida, ouvindo o que Deus nosso Pai e Consolador nos diz.

Lembre-se do mandamento dado ao profeta, a fim de que proclame aos que choram:

Is 40:1, 2 – Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus.  2 Falai ao coração de Jerusalém, bradai-lhe que já é findo o tempo da sua milícia, que a sua iniquidade está perdoada e que já recebeu em dobro das mãos do SENHOR por todos os seus pecados.

Palavras que se cumpriram na vinda de Jesus, como ensinam os Evangelhos.

Lembre-se de Isaías 12:1

Orarás naquele dia: Graças te dou, ó SENHOR, porque, ainda que te iraste contra mim, a tua ira se retirou, e tu me consolas.

Lembra-se das palavras de Jesus:

Mt 5:4 – Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.

Leve ao Senhor, que te consola, todas as tuas tristezas.

Fale tudo para ele: confesse seus pecados dos quais você se arrepende. E confesse os pecados que você ama. Confesse as suas lutas, os seus medos, as suas tentações. Confesse suas iras, suas covardias. Confesse tudo. E espere nele.

Hoje eu estava me lembrando do profeta Elias, conforme aquela passagem em que Tiago está nos encorajando a orar, e toma Elias como nosso exemplo, dizendo assim:

Tg 5:17 e 18 – Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos, e orou, com instância, para que não chovesse sobre a terra, e, por três anos e seis meses, não choveu.  18 E orou, de novo, e o céu deu chuva, e a terra fez germinar seus frutos.

Quando Tiago diz que Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos, está se referindo ao fato de que Elias também ficava deprimido, também se acovardava, às vezes até queria morrer, também ficava irado.

E Tiago diz que Deus o ouviu. Então esta frase me veio à mente:

– Deus ouve também os deprimidos.

Irmão, frequentemente, quando estamos tristes, pensamos que Deus não está nos ouvindo. Mas isto não é verdade. Ele ouve.

Vejamos 2ª Co 1:3 e 4:

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação!  4 É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus.

Segundo: também combatamos a tristeza excessiva em nossa vida, considerando os nossos irmãos como fonte de consolo.

Como temos destacado, a igreja de Corinto foi orientada pelo apóstolo Paulo a perdoar, consolar e demonstrar afeto pelo irmão abatido.

Da mesma forma, cada um de nós deve se deixar confortar pelos queridos amigos que o Senhor nos dá, entendendo que são instrumentos de Deus.

2ª Co 7:6 e 7 – Porém Deus, que conforta os abatidos, nos consolou com a chegada de Tito; 7 e não somente com a sua chegada, mas também pelo conforto que recebeu de vós, referindo-nos a vossa saudade, o vosso pranto, o vosso zelo por mim, aumentando, assim, meu regozijo.

O grande apóstolo Paulo não tinha dificuldade alguma em admitir o quanto era carente, e abençoado pela companhia, pela amizade e pela afeição dos seus irmãos em Cristo.

Na carta aos Colossenses ele diz que certos irmãos, que cooperavam com ele, eram seu lenitivo. [8]

Através dos meus anos como crente tenho tido a mesma alegria, a de ter irmãos fiéis, amorosos, que ficaram comigo nas minhas tristezas.

Se você tem alguém assim, mesmo que seja apenas um, aproveite. Se não tem, preste atenção à sua volta, peça ao Senhor.

E por último, consideremos agora que Deus nos consola, a fim de que nós, por nossa vez, possamos consolar a outros.

Como já lemos no cap. 1:3 e 4, que uma vez consolados por Deus, podemos consolar a outros.

E como temos visto que a igreja deveria fazer, no cap. 2: perdoar, consolar, e assim confirmar o seu amor.

Você já viu pessoas que dizem mais ou menos assim:

– Olha, eu perdoo, mas por favor, fique longe...!?

Não é o tipo de perdão que restaura, não é mesmo?

E a igreja, e nós, não devemos agir assim para que Satanás não leve vantagem sobre nós, nem sobre os aflitos de coração.

Então, cada um de nós, seja perdoador, compassivo, restaurador, gentil, ministrando palavras de vida, dando aos quebrantados a chance de renascer na nossa vida. Sejamos instrumentos de cura.

Conclusão e aplicação

Vamos recordar?

A tristeza poder ser excessiva, mesmo por boas razões espirituais.

A tristeza, quando excessiva, torna-se destrutiva.

A tristeza excessiva deve ser combatida e vencida, em nossas próprias vidas e nas vidas dos nossos irmãos; na comunhão com Deus e com uns com os outros.

 

 

 



[1] Livros sugeridos:

D. Martin Lloyd-Jones – Depressão Espiritual. São Paulo, Editora PES, 3ª edição, 2017.

John Pipper – Quando a Escuridão não Passa: vivendo com esperança em Deus em meio à depressão. São Paulo, Editora Vida Nova, 2019.

Richard Baxter – Superando a tristeza e a depressão com a fé.  São Paulo, Editora Vida Nova, 2015.

Wilson Porte Jr. – Depressão e Graça. São José dos Campos, Editora FIEL, 2016.

Zack Eswine – A depressão de Spurgeon: esperança realista em meio à angústia. São José dos Campos, Editora FIEL, 2015.

[2] Zé Rodrix e a Agência de Mágicos, Muito Triste (Rio de Janeiro, Odeon, 1974).

[3] Lc 22:61, 62

[4] Usando a linguagem de Paulo em Rm 14:15

[5] Sl 30:5

[6] Ne 8:10

[7] Os 6:1-3

[8] Cl 4:11


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Por que estás abatida, ó minha alma? - Sl 42:5

IPC em Pda. de Taipas
Domingo, 28 de setembro de 2014
Pr. Plínio Fernandes                  Baixe em PDF     Baixe me EPUB     Baixe em MOBI
Queridos irmãos, vamos ler o salmo 42.
Salmo didático dos filhos de Coré
Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma.  2 A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei e me verei perante a face de Deus?  3 As minhas lágrimas têm sido o meu alimento dia e noite, enquanto me dizem continuamente: O teu Deus, onde está?  4 Lembro-me destas coisas -- e dentro de mim se me derrama a alma --, de como passava eu com a multidão de povo e os guiava em procissão à Casa de Deus, entre gritos de alegria e louvor, multidão em festa.  5 Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu.  6 Sinto abatida dentro de mim a minha alma; lembro-me, portanto, de ti, nas terras do Jordão, e no monte Hermom, e no outeiro de Mizar.  7 Um abismo chama outro abismo, ao fragor das tuas catadupas; todas as tuas ondas e vagas passaram sobre mim.  8 Contudo, o SENHOR, durante o dia, me concede a sua misericórdia, e à noite comigo está o seu cântico, uma oração ao Deus da minha vida.  9 Digo a Deus, minha rocha: por que te olvidaste de mim? Por que hei de andar eu lamentando sob a opressão dos meus inimigos?  10 Esmigalham-se-me os ossos, quando os meus adversários me insultam, dizendo e dizendo: O teu Deus, onde está?  11 Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu.
Depois que o rei Salomão faleceu, o reino de Israel se dividiu em dois: ao norte, dez de suas tribos seguiram um homem chamado Jeroboão. Ao sul as duas outras tribos continuaram a ser regidas pela casa de Davi. As tribos do norte continuaram a ser chamadas “Israel”, e as do sul, passaram a ser o reino de “Judá”.
Acontece que de vez em quando alguns nortistas invadiam o reino de Judá e faziam alguns cativos, e os levavam para Israel.[1]
Nós não sabemos se foi isto o que aconteceu com o escritor deste salmo, mas o título nos diz que ele era da família dos coreítas, isto é, de uma tradicional família de músicos do templo em Jerusalém.
Mas no v. 6 ele nos diz que estava longe de casa, perto das nascentes do rio Jordão, nas encostas do monte Hermom, ao norte de Israel.
No v. 4, ele se lembra de como era antigamente: como ele subia com a grande multidão, em procissão à casa de Deus, para adorar ao Senhor, e era uma grande festa.
Mas agora, exilado, suas lágrimas estavam sendo o seu alimento dia e noite (v. 3). Às vezes, embora não deixasse de orar e cantar os seus louvores a Deus, ele sentia (v.9) como se Deus, o Deus que era a sua rocha e o seu amor, havia se esquecido dele.
E os seus inimigos desdenhavam dizendo: "O teu Deus, onde está?” (v. 10).
Então ele se sentia terrivelmente abatido emocionalmente, a ponto de sentir como se os seus ossos estivessem esmagados (v. 10).
Mas em meio a tudo isto, ele não perde a esperança. Ele conversa consigo mesmo, e “se encoraja” dizendo:
Porque estás abatida, ó minha alma? Porque te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu.
Um filho de Deus, cheio do Espírito Santo, mas abatido e triste.
E este, meus irmãos, não é um caso isolado nas Escrituras, e muito menos na história toda do povo de Deus.
Assim como ele, nós lemos sobre Jó, Moisés, Davi, Paulo, e Jeremias, e Isaías, e Pedro, e muitos homens de Deus que passaram, não por poucos momentos, mas por tempos difíceis, de grande abatimento e tristeza.
Irmãos, a tristeza, o abatimento, a depressão, não são “monopólio daqueles que não conhecem a Deus”.
Aliás, todos os filhos de Deus passam por tempos de profunda tristeza. Às vezes, isto acontece por causa de algum pecado que ainda não confessaram a Deus, mas nem sempre é assim.
Muitas vezes sofrem grande tristeza justamente por amarem as coisas de Deus, e quanto mais sensíveis, maior a tristeza.
E ficam se perguntando: “Por que”?
1. Uma das razões pelas quais um crente em Jesus pode ficar abatido é a “esperança adiada”
Pv 13:12
A esperança que se adia faz adoecer o coração, mas o desejo cumprido é árvore de vida.
Todos nós temos em nosso coração a esperança da realização de muitos desejos. E os nossos desejos, na maioria das vezes, são bons.
São desejos alinhados com as promessas da Palavra de Deus para nós. São coisas que glorificam a Deus, que trazem bênçãos para nossas famílias, para a igreja e para o mundo.
Desejamos trabalhar, constituir família, ter saúde, ganhar almas para Jesus, desejamos ver a igreja do Senhor ser edificada, crescer, o reino de Deus se expandir e alcançar muitas vidas mais, e tantas outras coisas boas.
Mas nem tudo acontece de acordo com o nosso tempo. Deus tem um tempo e um modo de fazer as coisas que são diferentes do que desejamos muitas vezes.
E é claro, eu não preciso dizer que os pensamentos, os planos, o jeito de Deus fazer as coisas é muito melhor que o nosso.
Mas quando as nossas esperanças são adiadas por muito tempo, à semelhança do nosso salmista aqui, o nosso coração pode se sentir profundamente abatido.
2. Também podemos ficar abatidos se nos sentirmos cercados de oposição
Vamos ler alguns versículos do Salmo 56
Sl 56:1
 Tem misericórdia de mim, ó Deus, porque o homem procura ferir-me; e me oprime pelejando todo o dia.
vs.5, 6
Todo o dia torcem as minhas palavras; os seus pensamentos são todos contra mim para o mal. 6 Ajuntam-se, escondem-se, espionam os meus passos, como aguardando a hora de me darem cabo da vida.
v. 8
Contaste os meus passos quando sofri perseguições; recolheste as minhas lágrimas no teu odre; não estão elas inscritas no teu livro?
É um hino de Davi, quando os filisteus o prenderam em Gate. Esta história está registrada em 1º Samuel 21:13 e segs.
Ele estava fugindo de Saul, o maligno rei de Israel que desejava matá-lo, e em sua fuga foi parar entre inimigos de Israel.
Então se via cercado de inimigos.
Você já se encontrou numa situação parecida, em que as pessoas não têm uma boa disposição para com você, e como diz o v. 5, torcem as coisas que você diz, conspiram contra você, espionam a sua vida, procuram te destruir?
Então veja como no v. 8, à semelhança do Salmo 42, Davi também fala de suas lágrimas. E são muitas, o suficiente para “encher o odre de Deus”.
3. O crente também pode ficar abatido quando se sente sozinho na luta contra o mal
1º Rs 19:14
Elias respondeu: Tenho sido em extremo zeloso pelo SENHOR, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida.
Elias, o profeta do Senhor, estava “escondido numa caverna” na região de Horebe, que ficava a mais de quarenta dias de viagem de sua terra.
Isto aconteceu depois de um dia memorável na história de Israel, quando o profeta havia confrontado e derrotado quatrocentos profetas do falso deus Baal, que eram mantidos pela perversa rainha Jezabel.
Depois disto Jezabel se enfureceu e jurou matar Elias. Então ele saiu para bem longe, temendo cair nas mãos daquela perversa.
O v. 2 nos diz que ele já havia orado pedindo a morte. Mas o Senhor naturalmente não lhe deu o que ele queria. Ainda havia muito que fazer.
Então Deus falou com ele: “Elias, o que vocês está fazendo aqui, tão longe de sua terra, escondido neste lugar”?
Elias respondeu: Tenho sido em extremo zeloso pelo SENHOR, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida.
Na verdade, Elias não estava só. O Senhor lhe disse que havia outros milhares de Israelitas cujos joelhos não haviam se dobrado diante de Baal.
Mas irmãos, muitas vezes, mesmo em meio a muitas pessoas, nos sentimos sós, não é mesmo? E isto também pode fazer com que fiquemos abatidos, com vontade até de partir e estar com Cristo, como Elias pediu que o Senhor lhe fizesse.
4. O crente também pode ficar abatido por causa dos seus próprios pecados
Sl 32:3-5
Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia.  4 Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio.  5 Confessei-te o meu pecado e a minha iniqüidade não mais ocultei. Disse: confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniqüidade do meu pecado.
Davi está descrevendo a tristeza que experimentou nos dias em que estava guardando o seu pecado dentro do próprio coração.
Sentiu seus ossos envelhecerem. O vigor daquele homem que deveria estar com seu interior cheio do Espírito Santo, fluindo como rios de água viva, se tornou como que uma terra seca, rachada pela falta de chuvas.
Assim se torna qualquer crente que peca e não confessa seu pecado a Deus. Ele perde sua alegria, perde suas forças espirituais. Sente a mão do Pai celestial pesando sobre ele, até que confesse ao Senhor as suas transgressões.
Então, e só então, ele pode ter novamente a alegria da sua salvação.
Como ele diz aqui no v.11
Alegrai-vos no SENHOR e regozijai-vos, ó justos; exultai, vós todos que sois retos de coração.
Existem muitas outras coisas que podem fazer com que um filho de Deus se entristeça, sem que esta tristeza signifique carnalidade: a morte de uma pessoa querida (Fp 2:27), os pecados de outras pessoas (Sl 119:36), as aflições de pessoas que amamos, e pode até acontecer a traição de pessoas que amamos (Sl 55:12-14); também as nossas enfermidades (Ne 2:2,3).
E às vezes, podemos ficar tristes sem que haja uma causa aparente. Será que isto não pode acontecer simplesmente pelo fato de sermos humanos, limitados, fracos, e vivemos num mundo em que o reino de Deus ainda não se manifestou em toda a sua plenitude?
2. O que pensar das tristezas que nos cercam e invadem nosso coração?
2.1. Elas são um incentivo a termos intimidade com Deus
Já lemos no Salmo 56, v. 8, que quando choramos, nossas lágrimas estão sendo “contadas no odre de Deus”.
Ele vê as nossas lágrimas[2], a atende nossas orações. Quando estamos chorando, é uma ótima oportunidade de experimentar mais plenamente a doce comunhão com aquele que tão apropriadamente é chamado o nosso Consolador[3].
2.2. Elas nos conduzem pelo caminho da santificação
Sl 119:67
Antes de ser afligido, andava errado, mas agora guardo a tua palavra.
Sl 119:71
Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos.
É abundante o ensino bíblico no sentido de que nenhum sofrimento em nossa vida é uma coisa vã.
O grande propósito de Deus para nós e a nossa santificação, o nosso crescimento espiritual, o nosso caminhar com ele.
E os sofrimentos, longe de ser obstáculos à nossa suprema felicidade, devem ser vistos como oportunidades que Deus nos concede para este crescimento em nosso conhecimento dele.
Como também disse Jó, depois de passar por suas aflições:
Antes eu te conhecia só de ouvir, mas agora “os meus olhos te veem”.[4]
2.3. As aflições também têm o poder de nos tornar pessoas melhores no sentido de, tendo comunhão com Deus, e sendo consolados por ele, podermos ser pessoas mais sensíveis e auxiliadoras para aqueles que estiverem sofrendo.
2ª Co 1:3, 4
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação!  4 É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus.
2.4. Por último, quero dizer que as tripulações fazem com que o nosso “homem interior” se desenvolva voltado para as coisas eternas
Rm 5:3, 4
E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; 4 e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança.
Rm 8:18
Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós.
Conclusão e aplicação
Quando o Espírito Santo inspirou este homem aflito, para que suas palavras se tornassem Escritura dada a nós, o seu propósito era nos consolar e orientar.
Querido irmão, seja qual for a razão de sua aflição, há duas coisas que ele quer que você não se esqueça:
Deus conhece as suas aflições, as suas lágrimas, as suas dores, o seu sofrimento.
Se tão somente esperar, o Senhor transformará cada aflição numa benção. Na realidade, em bênçãos que começam agora mas que frutificarão por toda a eternidade.
Assim como o salmista, fale consigo mesmo, e se pergunte por que você está triste, ou deprimido.
Mas mesmo que não consiga identificar uma razão precisa, decida-se a esperar naquele que é o seu auxílio e seu refúgio.
Ele é o Deus que nunca se separa de nós, e que transforma uma terra seca num manancial de benção.
Espera, pois no Senhor.




[1] 2º Rs 14:14
[2] Is 38:5
[3] Jo 14:26.
[4] Jó 42:5
▲Topo