Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

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domingo, 6 de setembro de 2026

A beleza na pregação do evangelho - 2ª Co 2.1-17

Pr. Plinio Fernandes

Mensagem pregada em 6 de setembro de 2026, na 3ª Igreja Presbiteriana Conservadora de Guarulhos

2 Ora, quando cheguei a Trôade para pregar o evangelho de Cristo, e uma porta se me abriu no Senhor, 13 não tive, contudo, tranquilidade no meu espírito, porque não encontrei o meu irmão Tito; por isso, despedindo-me deles, parti para a Macedônia. 14 Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo e, por meio de nós, manifesta em todo lugar a fragrância do seu conhecimento. 15 Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto nos que são salvos como nos que se perdem. 16 Para com estes, cheiro de morte para morte; para com aqueles, aroma de vida para vida. Quem, porém, é suficiente para estas coisas? 17 Porque nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a palavra de Deus; antes, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus.

  Intr.

  Para nós, crentes em Jesus, o momento clímax de nossa semana é este: o de nos reunirmos, na presença de Deus, para adorá-lo.

  Esse é um momento essencial para a nossa razão de ser como povo de Deus na terra.

  Seguindo a Bíblia, no Antigo e no Novo Testamentos, tanto nos mandamentos como nos exemplos da igreja, entendemos que o Domingo, Dia do Senhor, é um dia santificado, e temos o santo dever de nos reunir em comunhão espiritual para buscar a Deus em oração, cantar-lhe louvores, participar dos sacramentos instituídos por Jesus, anunciar as suas maravilhas, e principalmente para ouvir Deus falando conosco na exposição fiel das Escrituras.

  O propósito desses atos de culto também nos é dado na Bíblia: cultuamos para dar honra e glória que são devidos ao nosso Senhor, a Trindade santíssima; também cultuamos para nos edificar uns aos outros, e para anunciar o evangelho ao mundo.

 Mas orar, cantar louvores, ofertar, participar da santa ceia, nada disto teria eficácia, se não fosse realizado sob a orientação e autoridade das Sagradas Escrituras.

  As Escrituras são inspiradas por Deus, e úteis para a nossa salvação mediante a fé em Jesus, para nosso ensino, para a nossa correção, para a nossa educação na justiça.

 Nelas, o Senhor nos fala como um Pai que ama os seus filhos, a quem quer conduzir à maturidade, à pureza e aperfeiçoamento na santidade, a quem quer capacitar para a prática de toda a boa obra.

 Nas Escrituras, o Senhor nos conforta, enxuga nossas lágrimas, nos encoraja, admoesta, e nos transforma espiritualmente.

  Por isso dizemos que em nossos cultos, a exposição das Escrituras tem a primazia. Não que as outras partes do culto não tenham importância, mas que só podem ser fruto da Palavra de Deus.

 Prop.

 Tendo essas coisas em mente, em continuidade da nossa exposição desta carta, eu desejo hoje dirigir nossos pensamentos ao que podemos com toda a justiça chamar de a beleza da pregação.

  Nós vemos beleza na pregação...

  Divs.

  1. Porque a pregação é demonstração do poder de Deus

  Com isso, eu quero observar algo que nos deixa maravilhados: que a Palavra de Deus é trazida à igreja mediante seres humanos.

  A maravilha é que nós, seres humanos, embora criados à imagem de Deus, somos tão limitados; não somos oniscientes, não somos onipresentes, não somos todo-poderosos.

  Somos sujeitos a fraquezas, temores, nosso corpo físico e nossas faculdades mentais, mesmo que não houvesse pecado no mundo, estão sujeitos ao cansaço, à finitude das forças.

  Nós podemos ver isso exemplificado no próprio Paulo aqui.

vs. 12, 13 – Ora, quando cheguei a Trôade para pregar o evangelho de Cristo, e uma porta se me abriu no Senhor, 13 não tive, contudo, tranquilidade no meu espírito, porque não encontrei o meu irmão Tito; por isso, despedindo-me deles, parti para a Macedônia.

  Os irmãos sabem, Tito havia sido enviado por Paulo a Corinto, levando a uma carta, depois se encontrariam em Trôade, ali Tito lhe daria notícias sobre Corinto, e juntos pregariam o evangelho.

  Mas o desencontro deixou Paulo tão intranquilo que ele perdeu o ânimo de continuar ali.

  Deus, em sua sabedoria, em seu amor, em sua soberania, escolheu homens assim, frágeis, para anunciar sua Palavra.

  Lembrem-se dos profetas; Abraão, Moisés, Samuel, Davi, Elias, Jeremias e todos os outros. Cada um teve os seus fardos. Moisés, o pesado de língua, Elias, o melancólico; Jeremias, o sentimental apaixonado pela igreja, Samuel, sentindo-se rejeitado, Abraão, com seus altos e baixos.

  Lembre-se dos doze apóstolos.

 Mas Deus decidiu enviar a sua poderosa palavra ao mundo através de homens assim: comuns, em quem não havia aparência de grandeza, assim como não houve aparência de grandeza nem mesmo em Jesus.

  Ora Paulo era um homem plenamente consciente de suas fraquezas.

  No entanto, tinha também uma visão muito clara da graça de Deus que o conduzia. E isso lhe dava ousadia, ânimo, perseverança, seriedade, temor e tremor.

2.16 – Para com estes, cheiro de morte para morte; para com aqueles, aroma de vida para vida. Quem, porém, é suficiente para estas coisas?

  A resposta final ele dará no cap. 3

3.5-6 – Não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus, 6 o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica.

4.7 – Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós.

  Mais tarde, lá no cap. 11, Paulo dirá que as coisas do evangelho de Cristo são simples.

 Nada é complicado; nada é sumidade filosófica; nada é pompa e circunstância; nada é espetacular. Tudo é simplicidade.

 Mas nessa simplicidade toda, Deus está presente.

 2. A beleza da pregação também é evidenciada pela sua origem: ela é Palavra de Deus

 Embora seja transmitida através de homens, a pregação é Palavra de Deus, na medida em que é pregada com fidelidade e submissão daquele que foi habilitado e aprovado para o ministério

v. 17 – Porque nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a palavra de Deus; antes, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus.

 Ele fala em nome de Deus, na presença de Deus, da parte de Deus.

 Quando o pregador fala conforme essa descrição aqui, o próprio Deus está falando, tão presente como se estivesse encarnado e palpável.

 As analogias que Paulo faz aqui nas cartas aos Coríntios nos ensinam a atitude do pregador e o conteúdo da pregação

2ª Co 5.18-20 – Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, 19 a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. 20 De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus.

  O pregador fala da parte de Deus, por isso é chamado embaixador: ele anuncia como Deus, por meio de Jesus Cristo, estava nos reconciliando consigo mesmo.

  Então faz um apelo para a conversão, a paz com Deus por meio de Jesus.

1ª Co 4.1-2 – Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus. 2 Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel.

  O pregador é também um despenseiro, um administrador da casa de Deus, e o que se requer dele é que seja encontrado fiel.

  Ele não pode desperdiçar as coisas de Deus, não pode roubá-las para si mesmo; não pode usufruí-las de modo ilegítimo, e não pode vender as coisas de Deus.

  Antes, o que ele precisa fazer é anunciar com clareza, a fim de que os ouvintes saibam o que Deus requer, e se posicionem diante de Deus.

  É muito útil lembrança feita pelo Rev. Paulo Anglada sobre esse assunto.

  A Bíblia é a Palavra de Deus escrita. Jesus é a Palavra de Deus encarnada. O batismo e a santa ceia são a Palavra de Deus simbolizada, representada. E a pregação é a palavra de Deus proclamada.1

  3. A beleza da pregação também é manifestada na sua autoridade

  A pregação fiel, feita por homens falíveis, é exposição de uma Palavra infalível

  Você se lembra da eficácia, do poder da Palavra de Deus, conforme ele disse através do profeta Isaías?

Is 55.11 - Assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei.

  Da mesma forma Jeremias recebeu do Senhor a segurança da sua pregação: – “Eu velo sobre a minha palavra, para cumpri-la”.2

  Essa é a autoridade da qual Paulo fala aqui.

  Antes de voltar propriamente ao cap. 2, eu quero ler com os irmãos, no cap. 10, o v. 8.

2ª Co 10.8 - Porque, se eu me gloriar um pouco mais a respeito da nossa autoridade, a qual o Senhor nos conferiu para edificação e não para destruição vossa, não me envergonharei.

  A autoridade que o Senhor conferiu a Paulo como embaixador de Deus tem como propósito a edificação da igreja; a chamada aos homens para que se reconciliem com Deus tendo Jesus como seu mediador, como seu único e suficiente salvador.

  Por isso ele explica tantas vezes quantas forem necessárias; busca clareza, fala com sinceridade, procurando persuadir; descreve a profundidade do pecado e a condenação que ele traz; e proclama a graça de Deus conclamando a que se arrependam e creiam.

  Ensina com toda a longanimidade e doutrina, moldando as almas a fim de que sejam semelhantes a Jesus.

  Mas, e se os homens não se convertem? E se continuam na dureza do seu coração e seus caminhos carnais?

vs. 15, 16 – Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto nos que são salvos como nos que se perdem. 16 Para com estes, cheiro de morte para morte; para com aqueles, aroma de vida para vida.

  Eu quero usar a palavra perfume em nosso contexto atual.

  Imagine uma pessoa, deliciosamente perfumada, que entra numa sala onde há várias outras. Quando entra, as demais logo percebem aquela boa fragrância, e se deleitam, gostam.

  Mas imagine que nessa mesma sala haja uma ou mais pessoas alérgicas a perfume.

  Elas se sentirão mal, a ponto de até precisarem sair do ambiente (ou colocar o perfumado pra fora).

  Mas indiferente ao perfume, ninguém ficará.

  A Palavra exposta, a Palavra que sai da boca do Senhor, é como um perfume de Cristo: ela se faz notar; provoca reações; para os que recebem, é perfume de vida; para os alérgicos, é perfume mortal. Mas não voltará vazia.

  É uma mensagem que salva os que creem, mas que julga os que permanecem no mal.

  Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer, será condenado.3

  Conclusão

  Irmãos, vocês percebem a beleza e a grandeza desse simples hora semanal aqui?

  Percebem sua importância?

  Cada culto é um encontro com Deus.

  Nós oramos a ele, cantamos a ele, ouvimos a sua Palavra, participamos dos sacramentos.

  Ainda que eu seja tão limitado em mim mesmo, tão incapaz, eu tenho a felicidade de ter sido chamado para pregar a palavra do meu Senhor e Salvador.

  E vocês têm recebido a bem-aventurança de ser trazidos para ouvir a Santa Palavra.

  Palavra de vida, de conversão diária, de santificação, de crescimento, de consolação, de repreensão.

  Conforme a necessidade da sua alma, assim o Senhor te pastoreia.

  Mas também Palavra que exige uma resposta.

  Aplicações

  A primeira resposta que menciono: Deus requer que você tenha consciência da realidade celestial dessa hora

  Você precisa entender que as Escrituras não são um livro antigo, mas que elas são Deus falando hoje, agora.

  E você não pode escolher se vai crer ou não. Você deve crer.

  Deus requer que a sua Palavra exposta diante dos seus olhos e ouvidos seja ouvida e crida com temor e tremor, com humildade, contrição e obediência.

  Em segundo lugar, como fruto do primeiro, que você se alegre na Palavra.

 Não uma alegria passageira, apenas dominical, como aconteceu naqueles corações pedregosos da parábola, em que depois de se alegrar algum tempo, se apegaram novamente ao mundo.

  Mas uma alegria, uma satisfação, um prazer, um amor permanente pela Palavra de Deus, que te leve a ler, a meditar, e a ouvi-la junto aos irmãos.

  Não deixe Satanás te enganar com a mentira de que você pode ser um cristão desigrejado; ou com a mentira de que você é igreja; igreja significa ajuntamento, congregação; igreja individual não existe.

  Terceiro: a reconciliação com Deus

  Aos que estão desviados em seus corações; aos que ainda não se renderam a Cristo, eu rogo em nome de Cristo:

  – Reconciliai-vos já com Deus; deixe o perverso os seus caminhos, e se converta ao Senhor, que é rico em perdoar.

  – Se é um ladrão, deixe de furtar.

  – Se é um beberrão, se é um imoral, se é um mentiroso, se é um desonesto, essas pessoas não herdarão o reino de Deus.

 – Os feiticeiros, os adoradores de imagens, e todo aquele que ama e pratica a mentira, a parte deles será o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos.

  Não rejeite o evangelho. Crê no Senhor Jesus, e serás salvo.

  Quarto: o ministério da Palavra.

  Eu tenho dado ênfase, nessa mensagem, ao nosso momento de culto solene, isto é, o culto oficial da nossa denominação, da nossa igreja.

  E conforme nós interpretamos e confessamos em nossos símbolos de fé, a Bíblia diz que a pregação, assim como os sacramentos, deve ser realizada por aqueles a quem o Senhor concedeu dons, aprovou e chamou para o ministério.

  Mas eu quero fazer duas aplicações aqui.

 Irmãos, ser um pastor não é um meio de enriquecer financeiramente, ou materialmente. A grande maioria dos pastores não é gente endinheirada. Porque eu estou falando de pastores, e não de mercenários, de comerciantes da fé.

  Mas ser um pastor, além de ser uma grande responsabilidade, é uma grande honra. É uma vocação importante, que produz efeitos eternos.

  Então que quero me dirigir aos homens: jovens ou não. O mundo precisa pastores. Não mercenários, não comerciantes, mas embaixadores de Deus.

  Não pense que você, por si mesmo teria capacidade para isso; mas ore a Deus, como Isaías: – Senhor, envia-me a mim.

  Disponha-se. E se o Espírito Santo te chamar, obedeça.

  Segunda aplicação nesse contexto.

  Embora nem todos sejam chamados para ser pastores, há muitos outros contextos da igreja em que os irmãos podem ministrar a Palavra de Deus: cultos nos lares, escola dominical, evangelismo e discipulado pessoal.

  Uma das práticas mais antigas, muito útil, mas que infelizmente tem sido abandonada há tempos, é a de convidar pessoas aos cultos, e às outras atividades da igreja.

  Se você puder, traga visitantes. Se você puder, use aqueles folhetos evangelísticos. Se puder, traga crianças para a Escola Dominical, para os cultos.

  Ao fazer essas coisas, você está cooperando com Deus, para que sua Palavra seja anunciada.


____________________________________________________

1 Anglada, Paulo, Vox Dei: A Teologia Reformada da Pregação; publicado em

https://www.monergismo.com/textos/pregacao/voxdei.htm; acessado em 3 de setembro de 2026 às 11:55H.

2 Jr 1.12

3 Mc 16.16

domingo, 17 de dezembro de 2017

A luz prevalece sobre as trevas - Lc 23.44-49

      IPC de Vila Continental
Domingo, 22 de outubro de 2017
Pr. Plínio Fernandes
 44 Já era quase a hora sexta, e, escurecendo-se o sol, houve trevas sobre toda a terra até à hora nona. 45 E rasgou-se pelo meio o véu do santuário. 46 Então, Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E, dito isto, expirou. 47 Vendo o centurião o que tinha acontecido, deu glória a Deus, dizendo: Verdadeiramente, este homem era justo. 48 E todas as multidões reunidas para este espetáculo, vendo o que havia acontecido, retiraram-se a lamentar, batendo nos peitos. 49 Entretanto, todos os conhecidos de Jesus e as mulheres que o tinham seguido desde a Galiléia permaneceram a contemplar de longe estas coisas.
Em Lucas 22:3, está escrito que Jesus disse aos que, conduzidos por Judas, foram prendê-lo:
– “Esta é a vossa hora e o poder das trevas”.
Talvez nada mostrasse isto tão intensamente como o que aconteceu quando o Senhor foi cruelmente colocado sobre a cruz.
Desde a hora sexta (meio-dia) até à hora nona (três da tarde), quando ele morreu, houve uma imensa escuridão sobre a terra.
Escuridão não somente no sentido visível, como se o dia se tornasse em noite, mas também escuridão das almas que ali estavam.
As autoridades judaicas, os soldados romanos, a multidão, e até mesmo os criminosos zombavam do Senhor.[1]
E os discípulos, bem como outras pessoas que o haviam acompanhado, agora ficaram de longe, angustiados com tudo o que estava acontecendo.[2]
Parecia que o mal havia triunfado.
Mas Jesus é “a luz do mundo”,[3] e quando você acende uma luz num lugar escuro, as trevas não prevalecem contra ela.[4]
No princípio de todas as coisas, quando a terra era sem forma e vazia, e havia trevas, o Senhor disse: –“Haja luz!”, e houve luz.[5]
Da mesma forma, a promessa do profeta Isaías que dizia:
... Galiléia dos gentios! O povo que estava em trevas, viu grande luz,E aos que viviam na região e sombra da morte resplandeceu-lhes a luz, [6]
... se cumpriu quando o Senhor, depois de ser batizado, foi morar em Cafarnaum, e dali saiu para salvar pecadores, para curar enfermos, expulsar demônios e anunciar a vida eterna no reino de Deus.
A mesma luz que, diz o apóstolo João, ilumina todo homem que vem ao mundo.[7]
E agora, mesmo quando havia haviam chegado a hora e o poder das trevas, mais uma vez a luz do Senhor prevaleceu.
Eu desejo meditar com vocês sobre a maneira como a luz de Cristo prevaleceu sobre a escuridão daquela hora.
1. Prevaleceu porque não foram os homens, nem foram as forças espirituais que mataram a Jesus
v. 46 – Então, Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E, dito isto, expirou.
Veja, se você olhar do ponto de vista humano, a crucificação de Jesus aconteceu através de uma série de atos de fúria raivosa e irracional da parte das autoridades judaicas.
Os chefes judeus haviam desenvolvido um ódio imenso contra o Senhor.
Herodes, rei da Galiléia, e Pôncio Pilatos, governador da Judeia, não viram em Jesus crime algum. Ele nunca fez nada de errado.
Mas o ódio dos judeus era tão grande que não quiseram que Jesus fosse “apenas açoitado”. Eles o queriam morto, conspirando com Judas, o traidor, conseguiram que Jesus fosse crucificado.[8]
Mas por trás de toda a crueldade humana estava o plano de Deus, vale dizer, o plano do próprio Senhor Jesus.
Vamos ler João 10.17, 18.
17 Por isso, o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. 18 Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai.
Se o Senhor Jesus quisesse, ele bem poderia pedir 12 legiões de anjos, e imediatamente eles viriam em seu socorro. [9] Mas se ele fizesse assim, como então os planos e as promessas de Deus se cumpririam?
Durante os últimos três anos de sua vida na terra, quando Jesus ia por toda a parte, fazendo o bem e pregando o evangelho da nossa salvação, houve várias ocasiões em que os homens maus quiseram matá-lo, mas Jesus simplesmente se afastava, porque ainda não havia chegado a hora. [10]
Mas agora a hora havia chegado. E então, por volta da hora nona, aquele que tinha o poder sobre a sua própria vida, morreu momento em que quis, clamando em alta voz:
– Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito.
E dizendo isto, expirou.
Não foram os homens, e não foi Satanás que tirou a vida de Jesus. Foi ele que a entregou.
2. A luz prevaleceu sobre as trevas porque, em sua morte, o Senhor Jesus cumpriu a grande missão de conduzir-nos ao céu
v. 45 – E rasgou-se pelo meio o véu do santuário.
O véu do santuário era uma espessa cortina que havia no templo em Jerusalém, e que separava o lugar santíssimo (o “santo dos santos”) dos demais recintos.
O santo dos santos, no qual ficava a arca a aliança, era uma representação do céu, o lugar da presença de Deus, e não era qualquer pessoa que podia entrar nele, mas somente o sumo sacerdote de Israel, e uma única vez por ano, a fim de oferecer a Deus um sacrifício para expiar os pecados do povo.
Para que o sumo sacerdote entrasse através do véu, ele deveria estar santificado, e comparecer perante Deus com a oferta do sangue de um cordeiro, sem defeito, que deveria ser aspergido sobre a tampa da arca da aliança.
Este era o caminho pelo qual os homens deveriam chagar-se a Deus. Sem o sangue do cordeiro nem mesmo o sumo sacerdote poderia passar pelo véu.[11]
Mas quando Jesus foi crucificado, o véu do templo foi rasgado, de alto abaixo.
Porque Jesus é o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. [12]
Por meio do corpo de Jesus na cruz, por meio do seu sangue derramado, por meio da sua morte, um “novo e vivo caminho” para Deus foi aberto para todos os homens que nele crerem.
Vamos ler Hebreus 10.19-22.
19 Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, 20 pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, 21 e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, 22 aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura.
Por meio da sua morte, Jesus é o nosso caminho para Deus, a nossa porta de entrada no céu, é a nossa vida pela eternidade.
Um dos exemplos mais vívidos que temos na Escritura aconteceu na hora mesma da crucificação do Senhor.
Mateus nos diz que os dois ladrões que também foram crucificados estavam zombando de Jesus. Mas Lucas acrescenta que no coração de um deles resplandeceu a luz da salvação.
Leiamos Lucas 23.39-43.
39 Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também.  40 Respondendo-lhe, porém, o outro, repreendeu-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença?  41 Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez.  42 E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino.  43 Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.
Embora não saibamos como foi a vida pregressa deste homem a história de sua conversão é tão clara.
Mateus nos diz que ele era um ladrão (literalmente, “bandido”), e uma vez que condenado à morte, era provavelmente um assassino. Mas em meio à sua vida errada, percebemos aqui, ele começou a ouvir de Jesus.
Quem sabe o tenha ouvido pessoalmente, nalguma de suas pregações.
Veja como ele sabe tanta coisa sobre Jesus: sabe que Jesus não tem pecado; sabe que Jesus é o rei, e que nos conduz ao reino de Deus.
E também se reconhece como um pecador, e que está ali na cruz por causa dos seus próprios pecados.
Então ele faz uma verdadeira profissão de sua fé, e pede que Jesus se lembre dele.
E a resposta de Jesus é maravilhosa:
– Hoje mesmo estarás comigo no paraíso.
O paraíso, de acordo com o que o apóstolo Paulo ensina, é o lugar da habitação de Deus, onde vamos viver com Cristo após esta vida, um lugar de consolo para todas as nossas lutas, tristezas e tribulações, e das recompensas de uma vida de fé, amor e esperança em Jesus.[13]
Hoje: não daqui a centenas de anos, depois de um prolongado “sono da alma”.
No paraíso: nem Jesus, nem o ladrão arrependido precisaram passar um tempo no inferno ou no purgatório. Mas naquele mesmo dia estariam no paraíso com Deus. [14]
Veja: como eram grandes as trevas em que este homem vivia.
Mas a luz do Senhor resplandeceu em sua vida, ele enxergou. E sua alma foi salva.
3. A luz que resplandeceu naquelas trevas permanece brilhando eternamente.
Não sabemos o que aconteceu posteriormente com as demais pessoas que estavam ali. Mas os soldados, especialmente o chefe deles, ficou profundamente tocados com tudo o que aconteceu. E as multidões, que a princípio se aglomeraram por “diversão”, saíram dali lamentando a morte de um justo.
Talvez muitos deles tenham uns quarenta dias depois se convertido, quando no dia do pentecostes ouviram Pedro dizer:
– A este Jesus, a quem vós o crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.[15]
Mas o fato é que Pedro, e todos os demais discípulos e mulheres que haviam ficado contemplando de longe depois se aproximaram, ou melhor, foram aproximados.
E a partir deles muito mais gente, que um dia jazia nas trevas do pecado, no vale da sombra da morte, foi iluminada.
Veja, meu irmão, o que o Espírito Santo fez na sua vida:
2ª Co 4:3-6
3 Mas, se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, 4 nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.  5 Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus. 6 Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo.
Amado, a tua própria conversão é o poder da luz do Senhor que continua a brilhar para sempre.
Houve um tempo em que você mesmo em trevas. Você não conhecia a doutrina do Senhor, não conhecia o Senhor, e por natureza estava condenado a uma vida de trevas eternas, naquele terrível lugar de choro e aflição,[16] pois era escravo do pecado, do mundo e de Satanás.[17]
Mas a luz do Evangelho disse ao seu coração: – Haja luz!; e a tua alma resplandeceu.
Hoje você vive na luz. Você sabe o seu caminho. O seu caminho é Jesus. Você sabe para pode vai, porque o teu destino é a casa do Pai.
Eu sou a luz do mundo, disse o Senhor. Quem em segue não andará em trevas; pelo contrário, terá a luz da vida.[18]
Conclusão
O dia da crucificação de Jesus foi o momento mais terrível da história do mundo.
Deus encarnado estava sendo crucificado.
Os dominadores deste mundo tenebroso, as forças espirituais do mal, estavam despejando sobre ele todo o ódio que têm para com Deus desde o começo da história humana.
Pecadores ignorantes, pecadores religiosos e pecadores bandidos zombavam e procuravam infligir dores físicas e morais sobre um homem inocente, que não havia feito por merecer nada daquilo.
Mas também foi a hora em que a luz resplandeceu mais intensa do quem em qualquer outra.
A luz resplandeceu porque ninguém tirou a vida de Jesus. Ele é quem a entregou, e entregou para o seu Pai. Ele deu a sua vida em lugar da nossa vida.
A luz resplandeceu nas trevas também porque na cruz ele rasgou o véu do templo, a abriu para nós um caminho ao santo dos santos, à presença de Deus nos mais altos céus.
A luz resplandeceu nas trevas porque desde lá continua a brilhar para sempre, no coração de todo aquele a quem ouve o Evangelho e nele crê.
Aplicações
Eu quero fazer três aplicações para a vida daqueles que amam a Deus:
1. Confie em Deus, mesmo que o mundo pareça estar em trevas
Is 50:10
Quem há entre vós que tema ao SENHOR e que ouça a voz do seu Servo? Aquele que andou em trevas, sem nenhuma luz, confie em o nome do SENHOR e se firme sobre o seu Deus
Amados, o mundo em que vivemos, decaído com está, e especialmente os dias em que vivemos, está caminhando nas trevas.
Estamos em dias que o mal é chamado bem, e o bem é chamado mal. Em dias que a Palavra de Deus, que é doce como o mel, é considerada amarga, e o pecado é considerado doce. Em que se faz da luz escuridade, e a escuridade é chamada esclarecimento.[19]
Dizem que homens não são homens e mulheres não são mulheres.
Dizem que a verdade não é absoluta, mas que tudo é relativo.
Dizem que os mandamentos de Deus são opressores , e que a liberdade exige que façamos tudo o que desejarmos.
E o resultado é que a delinquência, a irreverência, as blasfêmias contra Deus, os crimes estão correndo soltos em nossas ruas e nos palácios.
Mas isto não deve nos desanimar. Pois a luz do Senhor é mais forte que todas as trevas que podem existir no universo inteiro.
Mesmo que as coisas estejam difíceis, confie que no fim de todas as coisas o bem triunfará.
Ore pela nossa nação. Ore pela igreja do Senhor. Ore pela sua casa. Muitas vezes, quando a imoralidade corre solta, as falsas doutrinas são propagadas, a igreja torna-se fraca em seu testemunho, Deus tem levantado o seu povo para se aproximar dele, para orar, para confessar e abandonar seus pecados, e a história das nações tem mudado. Foi assim na reforma do século XVI, e em muitos outros momentos da história.
2. No desanime quando as luzes do mal quiserem prevalecer em teu próprio coração.
Muitas vezes a escuridão do pecado tenazmente nos assedia. Muitas vezes as tentações das trevas querem nos envolver.
Mas a cada dia, aproxime-se de Deus. Jesus, pelo seu corpo na cruz, abriu para nós um novo e vivo caminho. Pelo sangue de Jesus nós temos acesso ao trono de Deus, e neste trono, que é um trono de graça, e não de condenação para os crentes, temos também o mesmo Jesus como nosso sumo sacerdote, intercedendo diante de um Pai amoroso.
Se tentados, ele nos ajuda em nossas tentações.
E mesmo assim, se cairmos, ele nos ajuda para que não desfaleçamos em nossa fé, e tenhamos um coração ousado, limpo, em plena certeza de fé.
Ande na luz do Senhor, confessando seus pecados a Deus, não permitindo que as obras das trevas prevaleçam em seu coração.
3. Não seja cúmplice das obras das trevas, antes, reprove-as.
Amados, até as indústrias, os meios de comunicação em massa, as chamadas classes de elite, as pessoas que se entendem por esclarecidas (estas que a Palavra de Deus chama de loucas) estão se empenhando ferozmente para divulgar, forçar, impor a imoralidade em nome da democracia, da liberdade individual.
Não defenda estas coisas, não seja cúmplice destas coisas, não participe.
Veja o Salmo 101.3
– Não porei coisa injusta diante dos meus olhos.
Às vezes eu vejo alguém defendendo que nós, os crentes, podemos, por exemplo, que podemos ouvir novelas de televisão, que podemos ouvir músicas, que podemos participar de festas, sem nos importar com o conteúdo, porque “o conteúdo não nos afeta”.
Fala-se mais ou menos assim:
– Se eu vir alguém fazendo uma coisa errada, não significa que eu vá fazer também. Eu estou apenas assistindo.
Está bem, suponhamos que não te afete (o que eu duvido muito). Como você, dizendo-se filho da luz, fica a apreciar, a se recrear, contemplando as obras das trevas.
E como não te afeta? Deveria afetar! Você deveria sentir nojo destas coisas abomináveis a Deus. Desperta, tu que dormes; levanta-te de entre os mortos, e Cristo te esclarecerá.[20]
Por último, quero fazer uma aplicação a alguém que ainda não recebeu esta luz, que é Jesus, em seu coração.
Você está andando nas trevas do pecado, fazendo a vontade de Satanás, o inimigo da tua alma, perdido e sem rumo.
E quando alguém anda na escuridão, o resultado é a morte.
Mas Jesus pode iluminar a tua vida. Ele pode te livrar das trevas e te conduzir seguro pelo caminho do céu.
Nós temos um hino que diz:
Deixa a luz do céu entrar,
Deixa o sol em ti nascer
Abre o coração, que Cristo vai entrar
E o sol em ti nascer [21]
Venha ao Senhor Jesus, confiando que na cruz ele morreu pelos seus pecados. Venha a Jesus por piores que sejas os seus pecados. Como aquele malfeitor que pediu: – Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino, peça isto ao Senhor, arrependido. Deixa a luz do céu entrar, e Jesus será a luz da tua vida.








[1] Vs. 34-36
[2] Mc 14:50
[3] Jo 8:12
[4] Jo 1:5
[5] Gn 1:3
[6] Cf. Mt 4:13-16; Is 9:1,2
[7] Jo 1:9
[8] Lc 23:8-25
[9] Mt 26.53
[10] Jo 7.30; 8.20
[11] Cf Hb 9:1-6
[12] Jo 1.29
[13] 2ª Co 12.1-4
[14] Ap 2.7
[15] At 2.36
[16] Mt 22.13
[17] Ef 2.1-3
[18] Jo 8.12
[19] Vj. Is 5.20
[20] Ef 5.11-14
[21] Hinário Novo Cântico, 209

domingo, 3 de abril de 2016

Apelos à razão - 1º Rs 18:21

IPC de Pda. de Taipas
Domingo, 3 de abril de 2016
Pr. Plínio Fernandes
Meus amados, vamos ler 1º Reis 18:1-39.
Muito tempo depois, veio a palavra do SENHOR a Elias, no terceiro ano, dizendo: Vai, apresenta-te a Acabe, porque darei chuva sobre a terra.  2 Partiu, pois, Elias a apresentar-se a Acabe; e a fome era extrema em Samaria.  3 Acabe chamou a Obadias, o mordomo. (Obadias temia muito ao SENHOR, 4 porque, quando Jezabel exterminava os profetas do SENHOR, Obadias tomou cem profetas, e de cinquenta em cinquenta os escondeu numa cova, e os sustentou com pão e água.) 5 Disse Acabe a Obadias: Vai pela terra a todas as fontes de água e a todos os vales; pode ser que achemos erva, para que salvemos a vida aos cavalos e mulos e não percamos todos os animais.  6 Repartiram entre si a terra, para a percorrerem; Acabe foi à parte por um caminho, e Obadias foi sozinho por outro.  7 Estando Obadias já de caminho, eis que Elias se encontrou com ele. Obadias, reconhecendo-o, prostrou-se com o rosto em terra e disse: És tu meu senhor Elias?  8 Respondeu-lhe ele: Sou eu; vai e dize a teu senhor: Eis que aí está Elias.  9 Porém ele disse: Em que pequei, para que entregues teu servo na mão de Acabe, e ele me mate?  10 Tão certo como vive o SENHOR, teu Deus, não houve nação nem reino aonde o meu senhor não mandasse homens à tua procura; e, dizendo eles: Aqui não está; fazia jurar aquele reino e aquela nação que te não haviam achado.  11 Agora, tu dizes: Vai, dize a teu senhor: Eis que aí está Elias.  12 Poderá ser que, apartando-me eu de ti, o Espírito do SENHOR te leve não sei para onde, e, vindo eu a dar as novas a Acabe, e não te achando ele, me matará; eu, contudo, teu servo, temo ao SENHOR desde a minha mocidade.  13 Acaso, não disseram a meu senhor o que fiz, quando Jezabel matava os profetas do SENHOR, como escondi cem homens dos profetas do SENHOR, de cinquenta em cinquenta, numas covas, e os sustentei com pão e água?  14 E, agora, tu dizes: Vai, dize a teu senhor: Eis que aí está Elias. Ele me matará.  15 Disse Elias: Tão certo como vive o SENHOR dos Exércitos, perante cuja face estou, deveras, hoje, me apresentarei a ele.  16 Então, foi Obadias encontrar-se com Acabe e lho anunciou; e foi Acabe ter com Elias.  17 Vendo-o, disse-lhe: És tu, ó perturbador de Israel?  18 Respondeu Elias: Eu não tenho perturbado a Israel, mas tu e a casa de teu pai, porque deixastes os mandamentos do SENHOR e seguistes os baalins.  19 Agora, pois, manda ajuntar a mim todo o Israel no monte Carmelo, como também os quatrocentos e cinquenta profetas de Baal e os quatrocentos profetas do poste-ídolo que comem da mesa de Jezabel.  20 Então, enviou Acabe mensageiros a todos os filhos de Israel e ajuntou os profetas no monte Carmelo.  21 Então, Elias se chegou a todo o povo e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o SENHOR é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o. Porém o povo nada lhe respondeu.  22 Então, disse Elias ao povo: Só eu fiquei dos profetas do SENHOR, e os profetas de Baal são quatrocentos e cinquenta homens.  23 Dêem-se-nos, pois, dois novilhos; escolham eles para si um dos novilhos e, dividindo-o em pedaços, o ponham sobre a lenha, porém não lhe metam fogo; eu prepararei o outro novilho, e o porei sobre a lenha, e não lhe meterei fogo.  24 Então, invocai o nome de vosso deus, e eu invocarei o nome do SENHOR; e há de ser que o deus que responder por fogo esse é que é Deus. E todo o povo respondeu e disse: É boa esta palavra.  25 Disse Elias aos profetas de Baal: Escolhei para vós outros um dos novilhos, e preparai-o primeiro, porque sois muitos, e invocai o nome de vosso deus; e não lhe metais fogo.  26 Tomaram o novilho que lhes fora dado, prepararam-no e invocaram o nome de Baal, desde a manhã até ao meio-dia, dizendo: Ah! Baal, responde-nos! Porém não havia uma voz que respondesse; e, manquejando, se movimentavam ao redor do altar que tinham feito.  27 Ao meio-dia, Elias zombava deles, dizendo: Clamai em altas vozes, porque ele é deus; pode ser que esteja meditando, ou atendendo a necessidades, ou de viagem, ou a dormir e despertará.  28 E eles clamavam em altas vozes e se retalhavam com facas e com lancetas, segundo o seu costume, até derramarem sangue.  29 Passado o meio-dia, profetizaram eles, até que a oferta de manjares se oferecesse; porém não houve voz, nem resposta, nem atenção alguma.  30 Então, Elias disse a todo o povo: Chegai-vos a mim. E todo o povo se chegou a ele; Elias restaurou o altar do SENHOR, que estava em ruínas.  31 Tomou doze pedras, segundo o número das tribos dos filhos de Jacó, ao qual viera a palavra do SENHOR, dizendo: Israel será o teu nome.  32 Com aquelas pedras edificou o altar em nome do SENHOR; depois, fez um rego em redor do altar tão grande como para semear duas medidas de sementes.  33 Então, armou a lenha, dividiu o novilho em pedaços, pô-lo sobre a lenha 34 e disse: Enchei de água quatro cântaros e derramai-a sobre o holocausto e sobre a lenha. Disse ainda: Fazei-o segunda vez; e o fizeram. Disse mais: Fazei-o terceira vez; e o fizeram terceira vez.  35 De maneira que a água corria ao redor do altar; ele encheu também de água o rego.  36 No devido tempo, para se apresentar a oferta de manjares, aproximou-se o profeta Elias e disse: Ó SENHOR, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, fique, hoje, sabido que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo e que, segundo a tua palavra, fiz todas estas coisas.  37 Responde-me, SENHOR, responde-me, para que este povo saiba que tu, SENHOR, és Deus e que a ti fizeste retroceder o coração deles.  38 Então, caiu fogo do SENHOR, e consumiu o holocausto, e a lenha, e as pedras, e a terra, e ainda lambeu a água que estava no rego.  39 O que vendo todo o povo, caiu de rosto em terra e disse: O SENHOR é Deus! O SENHOR é Deus!
Por volta de 850 AC, a situação política, social, e principalmente espiritual de Israel era das piores. Anos antes, as tribos do norte haviam se separado das tribos do sul. As tribos do sul, a partir de então passaram a ser chamadas Judá, e as do norte, Israel.
Como a capital do reino, Jerusalém, na qual ficava o templo do Senhor, estava no reino de Judá, os de Israel instalaram uma nova capital, Samaria e nela um novo templo, que desde o início foi contaminado pela mistura de adoração a JAVÉ, o Deus verdadeiro, que mais tarde se revelou em Jesus Cristo, e outros deuses.
Tudo se tornou ainda mais difícil quando Acabe, rei de Israel, casou-se com Jezabel, filha de um sacerdote idólatra, que adorava ao falso deus Baal, o deus da fertilidade dos cananeus, e a deusa Astarote. A adoração a estes deuses envolvia a prática da imoralidade, e muitas vezes o sacrifício de crianças.
Acontece que a rainha Jezabel era uma adoradora devota destes deuses, por isto passou a matar os profetas de JAVÉ. Os profetas de Baal, que eram cerca de 450, passaram a ser sustentados pelo governo, e a adoração a JAVÉ foi proibida. A nação israelita, portanto, caiu na idolatria, na imoralidade e em toda sorte de pecados.
Poucos foram os israelitas que não dobraram os joelhos diante de Baal. Dos profetas do Senhor, um dos poucos que escapou foi Elias, que durante muito tempo ficou fora do alcance do rei, até que Deus lhe ordenou o confronto a respeito do qual lemos neste capítulo
De acordo com a ordem de Deus, Elias mandou chamar o rei, os profetas de Baal e aos israelitas; que todos estivessem presentes, em certo dia, no Monte Carmelo; um lugar alto, grande e espaçoso.
Quando todos estavam lá, o profeta do Senhor perguntou, conforme o v. 21:
“Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o SENHOR é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o.”
Como ninguém lhe respondeu palavra alguma, Elias submeteu a verdade de sua mensagem a uma prova: o Deus que enviasse fogo do céu seria o Deus verdadeiro.
Não foi uma prova leviana. No v. 36, Elias diz que fez isto de acordo com o mandamento que recebera do Senhor.
Quando o Senhor enviou fogo do céu em resposta à oração de Elias, os israelitas se prostraram, reconhecendo que o Senhor é Deus.
Vamos meditar nas palavras de Elias, o mensageiro do Senhor, dirigidas a Israel, conforme registras do v. 21.
Aqui o Espírito Santo que nele estava apela à razão do povo israelita no sentido de que eles parem, pensem e façam a coisa certa.
Estes mesmos apelos que ele faz a Israel são válidos para todos os homens.
Quais são estes apelos?
1º apelo: que em nossa vida espiritual, em nosso relacionamento com o Senhor, tenhamos o pensamento, firme, somente nele.
–“Até quando coxeareis entre dois pensamentos?”
Coxear significa “claudicar, andar mancando”.
Eu me entristeço quando vejo uma pessoa coxa andando.
Talvez por um problema de nascença, talvez uma enfermidade, ou um acidente, uma pessoa coxa anda de modo desajeitado, sem uma linha reta, não tem firmeza, vai um pouco para um lado, um pouco para o outro, anda com dificuldade, e se levar um esbarrão, pode cair facilmente.
Assim estavam os israelitas com relação a Deus: sabiam que o Senhor é o único e verdadeiro Deus, que ele é o criador, o sustentador do universo, o salvador; mas diante das pressões do mundo estavam se deixando levar pelos ídolos.
E isto não era novidade a história bíblica.
Lembram-se da esposa de Ló? Ele e sua família foram ordenados que saíssem rapidamente de Sodoma, pois aquela cidade depravada seria destruída, e que não olhassem para trás.
Mas a esposa de Ló não resistiu, e quando voltou-se para “um último adeus” foi transformada num montão de sal; não teve firmeza para olhar somente adiante e ficou prostrada no caminho.[1]
Na vida com Deus não se pode ser assim.
Quando Tiago nos ensinou a orar de modo agradável ao Senhor, a fim de que nossas orações sejam atendidas, ele disse que se o nosso coração estiver dividido, se o nosso pensamento não for firme para com Deus, as nossas orações não serão atendidas.
Tg 1:7, 8
Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa; homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos.
Mas existem muitos cristãos que se comportam exatamente desta maneira.
Têm a mente dividida, são pessoas de alma inconstante, de coração inconstante. Até certo ponto, querem servir a Deus, mas ao mesmo tempo sentem-se atraídos pelas coisas deste mundo.
Muitas vezes até oram, leem a Bíblia, comparecem às reuniões da igreja, se emocionam com as coisas de Deus, tomam decisões, mas logo esquecem.
Pois o mundo exerce uma forte atração sobre eles. Sentem-se atraídos pela sensualidade, pelos pecados da carne. Desejam ser populares diante dos amigos. Sentem-se atraídos pelo desejo dos bens materiais, de posição. Sentem-se inclinados a fazer a vontade dos homens. Sentem-se atraídos pelo pecado. Estão pecando.
Veja o que diz Jesus em Mt 6:24:
Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.
A palavra aborrecer, ou odiar, significa literalmente “virar as costas”, ou desprezar, dar menos valor.
Aquele que quer servir a Deus e a si mesmo está dividido, está em conflito interior, tem a mente dividida, e deste modo não tem alegria de servir a Deus com fidelidade; não tem verdadeira fé.
Mas o Senhor faz uma promessa àqueles cuja mente esta firmada nele.
Is 26:3
Tu, SENHOR, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme; porque ele confia em ti.
2º apelo: Que nas coisas de Deus, tenhamos um pensamento lógico; que usemos a razão
– “Se o Senhor é Deus, segui-o; se Baal, segui-o.”
– “Pensem um pouco: quem é o Deus verdadeiro? É o Senhor ou é Baal?”
É o Senhor, cujo nome é JAVÉ, o eterno, aquele que permanece, aquele que é fiel, o todo poderoso.
Quem é o criador? Quem é que nos criou? É o Senhor, ou são os ídolos?
Quem é que nos dá saúde? O trabalho, o pão de cada dia: é Jesus, ou são os homens?
Quem é que entregou sua vida na cruz, por nós, por causa dos nossos pecados? É Jesus, ou são os conhecidos da escola?
É Jesus, ou são os pecadores que nos arrastam para o mal?
Quem é que nos dá vida eterna?
Quem é que nos dá verdadeiras riquezas, onde a traça e a ferrugem não corroem, onde os ladrões não roubam?
Quem é que nos dá verdadeira felicidade, satisfação para a alma, paz no coração? É Jesus, ou algum rosto bonito? É Jesus, ou são os desejos do corpo?
É Jesus ou são os políticos?
Quem é digno de nosso amor, de nossa consagração, de nosso serviço: é Jesus, ou são as coisas passageiras deste mundo?
Quem é que pode nos dar alegria verdadeira e paz na consciência? É Jesus, ou são os prazeres transitórios do pecado?
Ora, se usarmos a razão, se apenas pensarmos um pouco, chegamos à conclusão de que o Senhor (o Pai, o Filho, o Espírito Santo), o Senhor somente é Deus.
Os homens não podem nos dar salvação, bem estar, vida, felicidade - pois como escreve Jeremias, “maldito o homem que confia no homem”.[2]
Os ídolos não podem nos dar salvação – mesmo que nas religiões idólatras ocorram fenômenos sobrenaturais, tais como curas e coisas parecidas, a Bíblia nos diz que isto é obra de demônios, e não do Senhor.[3]
Os prazeres do pecado, o dinheiro, os bens materiais, estas coisas não podem nos trazer salvação.
Então, de que adianta o homem fazer tudo o que desejar, ter tudo o que deseja, ganhar o mundo inteiro e perder a própria alma? [4]
Mas o Senhor é quem pode dar salvação e muito mais: alegria, paz, amor, tranquilidade, suprir cada necessidade.
3º Apelo: que tenhamos um pensamento responsável
– “Se o Senhor é Deus, segui-o; se Baal, segui-o”.
Isto porque diante destas duas realidades que se confrontam, uma decisão devemos tomar.
Não podemos ser indiferentes. De um lado, o Senhor se revela a nós, reclamando
Ele deseja todo o nosso amor
Ele ordena toda a nossa obediência,
Ele requer toda a nossa fidelidade
De outro lado, Baal: o mundo, os desejos do corpo, a fascinação do mal.
Não podemos ficar neutros.
Ou seguimos ao Senhor, ou desprezamos ao Senhor.
Ou amamos ao Senhor, ou o odiamos.
A multidão não respondeu nada.
Não queria seguir ao Senhor.
Muitos religiosos fazem assim: escolhem o mundo, o pecado, a vaidade.
Não são dignas do Senhor.
Estão espiritualmente cegos, inimigos de Deus no entendimento.
Mas o que tem os olhos da alma abertos, este escolhe ao Senhor.
Conclusão e aplicação
Talvez alguém possa perguntar: e hoje, que sinal havemos de ter, para para que também creiamos que o Senhor é realmente Deus?
O sinal ele já nos deu.
Vamos ler Mateus 12:38-40
Então, alguns escribas e fariseus replicaram: Mestre, queremos ver de tua parte algum sinal.  39 Ele, porém, respondeu: Uma geração má e adúltera pede um sinal; mas nenhum sinal lhe será dado, senão o do profeta Jonas.  40 Porque assim como esteve Jonas três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra.
Como podemos saber que ele é Deus?
Ele disse que iria morrer, mas depois de três dias iria ressuscitar, para a salvação de todo aquele que crê.
Ele morreu e ressuscitou.
Tenha um pensamento firme: sirva somente a Jesus.
Tenha um pensamento lógico: só Jesus é o Senhor.
Tenha um pensamento responsável: sirva somente a Jesus.




[1] Gn 19:26
[2] Jr 17:5
[3] 1ª Co 10:20
[4] Mc 8:36
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