Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

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terça-feira, 14 de março de 2017

Persevere! - Lc 1:5-25

IPC de Pda. de Taipas
Domingo, 12 de março de 2017
Pr. Plínio Fernandes
1 Nos dias de Herodes, rei da Judéia, houve um sacerdote chamado Zacarias, do turno de Abias. Sua mulher era das filhas de Arão e se chamava Isabel.  6 Ambos eram justos diante de Deus, vivendo irrepreensivelmente em todos os preceitos e mandamentos do Senhor.  7 E não tinham filhos, porque Isabel era estéril, sendo eles avançados em dias.  8 Ora, aconteceu que, exercendo ele diante de Deus o sacerdócio na ordem do seu turno, coube-lhe por sorte, 9 segundo o costume sacerdotal, entrar no santuário do Senhor para queimar o incenso; 10 e, durante esse tempo, toda a multidão do povo permanecia da parte de fora, orando.  11 E eis que lhe apareceu um anjo do Senhor, em pé, à direita do altar do incenso.  12 Vendo-o, Zacarias turbou-se, e apoderou-se dele o temor.  13 Disse-lhe, porém, o anjo: Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida; e Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho, a quem darás o nome de João.  14 Em ti haverá prazer e alegria, e muitos se regozijarão com o seu nascimento.  15 Pois ele será grande diante do Senhor, não beberá vinho nem bebida forte e será cheio do Espírito Santo, já do ventre materno.  16 E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus.  17 E irá adiante do Senhor no espírito e poder de Elias, para converter o coração dos pais aos filhos, converter os desobedientes à prudência dos justos e habilitar para o Senhor um povo preparado.  18 Então, perguntou Zacarias ao anjo: Como saberei isto? Pois eu sou velho, e minha mulher, avançada em dias.  19 Respondeu-lhe o anjo: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado para falar-te e trazer-te estas boas-novas.  20 Todavia, ficarás mudo e não poderás falar até ao dia em que estas coisas venham a realizar-se; porquanto não acreditaste nas minhas palavras, as quais, a seu tempo, se cumprirão.  21 O povo estava esperando a Zacarias e admirava-se de que tanto se demorasse no santuário.  22 Mas, saindo ele, não lhes podia falar; então, entenderam que tivera uma visão no santuário. E expressava-se por acenos e permanecia mudo.  23 Sucedeu que, terminados os dias de seu ministério, voltou para casa.  24 Passados esses dias, Isabel, sua mulher, concebeu e ocultou-se por cinco meses, dizendo: 25 Assim me fez o Senhor, contemplando-me, para anular o meu opróbrio perante os homens.
De acordo com o Senhor Jesus, entre todos os nascidos de mulher, nenhum homem foi maior que João Batista, o profeta que o precedeu, pregando a chegada do reino de Deus [1].
De muitas maneiras João foi um homem muito especial. O texto que lemos nos diz que ele foi “cheio do Espírito Santo” desde o vente materno; que estava destinado a ser um instrumento nas mãos de Deus para levar muitos ao arrependimento e à fé em Jesus; que seria um reconciliador de famílias.
Agora, eu desejo dedicar nossa atenção nas pessoas a quem Deus escolheu para serem os pais de João Batista – Zacarias e Izabel – as pessoas através das quais esta criança nasceria e educada nos caminhos do Senhor. Pois os pais de João Batista não foram pessoas quaisquer.
Zacarias e Izabel, viveram numa nação conhecida por sua alta elaboração das questões religiosas, mas que estavam em dias de grande declínio espiritual.  Os judeus, podemos dizer, eram naqueles dias a representação visível da igreja de Deus; mas estavam em dias de muita frieza.
Havia várias seitas conhecidas nos evangelhos: os fariseus, que eram os mais ortodoxos, zelosos da doutrina e dos bons costumes, os saduceus, que eram mais liberais e concentrados nos rituais, pois a maioria deles era de sacerdotes, os zelotes, que pensavam no reino de Deus mais em sentido político e queriam implantá-lo pela violência, e outros grupos menores que não são mencionados na Bíblia, como os essênios. E a nação, de muitas maneiras em seu dia a dia “negava a sua fé”, pois a lei do Senhor não era praticada. Basta pensarmos que não era incomum a imoralidade, a prostituição, a corrupção; que não era incomum o se ver pessoas endemoniadas, sinais evidentes da ausência do Espírito Santo.
Mas em meio a tudo isto, mesmo no seio da classe sacerdotal e outros lugares, havia gente piedosa, como vemos no caso de Zacarias e Izabel.
Eles eram de família sacerdotal, e moravam não muito longe de Jerusalém, na região montanhosa da tribo de Efraim. Havia milhares de sacerdotes em Israel, e eles eram divididos para, periodicamente irem a Jerusalém a fim de cumprir seu ministério conforme a lei do Antigo Testamento.
O texto nos diz que ambos, Zacarias e Izabel, já eram idosos, e viviam de modo irrepreensível em todos os preceitos e mandamentos do Senhor (v.6).
Veja: Eles não eram pessoas sem pecado; pois no texto mesmo nós vemos que, quando o anjo veio a Zacarias e lhe fez uma promessa da parte de Deus, Zacarias duvidou, e isto foi pecado (vs. 18,19).
Mas, quando Deus diz que eram irrepreensíveis, está descrevendo o modo de vida geral deste devoto casal: eram pessoas das quais você não poderia dizer alguma coisa má; eram pessoas que guardavam os mandamentos de Deus.
Isto quer dizer, entre outras coisas, que amavam a Deus e ao seu semelhante, que trabalhavam honestamente e tratavam o próximo com amor, respeito e justiça; eram pessoas que guardavam o dia do Senhor, e não faziam conforme bem desejavam; eram pessoas que não furtavam de ninguém; isto quer dizer que entre outras coisas não deixavam de entregar seus dízimos, tomando para si o que pertencia a Deus; eram pessoas que honravam pai e mãe, e que também honravam o casamento; eram pessoas que não tomavam o nome do Senhor seu Deus em vão, que não faziam de sua religião uma área banal de suas vidas.
Mas, apesar de toda esta devoção, havia uma sombra, uma tristeza em seus corações: é que eles desejavam muito ter um filho; um sonho que a cada dia se tornava mais improvável de se realizar.
E se para muitas mulheres em nossos dias, numa cultura tão diferente, o não ter filhos é uma tristeza muito grande, imagine para um casal de judeus nos dias antigos.
Pois no começo de todas as coisas, quando o Senhor criou o homem e a mulher, colocou sobre eles a sua bênção, dizendo: – “Sede fecundos... multiplicai-vos” [2]. Mais tarde, quando deu Sua lei ao povo escolhido, também prometeu que se eles guardassem os seus mandamentos não haveria nem homem nem mulher estéril entre eles, nem que abortasse [3]. E o Salmo 113 diz que o Senhor faz com que a mulher estéril seja alegre mãe de filhos [4].
Assim, na mentalidade judaica daqueles dias, o não ter filhos era sintoma de que alguma coisa não ia bem diante de Deus. No versículo 25, Izabel diz que, com o fato de ficar grávida, o Senhor havia tirado a vergonha que ela sentia antes diante das pessoas, pelo fato de não conseguir conceber.
Mas então, o texto segue dizendo que certo dia, coube a Zacarias, estando em Jerusalém, a função de entrar no santuário e queimar o incenso diante de Deus – símbolo das orações dos fiéis, que deveriam ficar orando nos átrios do templo.
Enquanto fazia isto, um anjo do Senhor, um mensageiro do céu lhe apareceu, e disse:
– Zacarias, não temas. A tua oração foi ouvida. Izabel, tua mulher te dará à luz um filho, a quem darás o nome de João.
– Em ti haverá prazer e alegria, e muitos se regozijarão com o seu nascimento...
E seguiu dizendo qual era o destino daquele filho: seria grande diante de Deus, cheio do Espírito já desde o ventre materno (pois desde o ventre materno os seres humanos já são seres dotados de almas eternas, que podem ter comunhão com Deus); e quando crescesse, seria instrumento para a salvação de muitas pessoas, restaurando famílias e convertendo muita gente ao Senhor.
Eu vejo na promessa do anjo, irmãos, um exemplo daquilo que mais tarde Paulo escreveria a respeito de Deus, que ele “é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós” [5].
Pois Zacarias e Izabel pediam um filho ao Senhor, e ele o deu; mas não deu “um filho qualquer”; deu um “homem de Deus, grande aos olhos de Deus, instrumento nas mãos de Deus”.
Seis meses mais tarde o mesmo anjo Gabriel foi enviado a Maria, e disse que Izabel estava grávida, pois para Deus não há impossíveis em todas as suas promessas[6].
Eu desejo, com o exemplo de Zacarias e Izabel trazer três implicações práticas para cada um de vocês:
1. Haja o que houver, passe o tempo que passar, persevere em viver em todos os preceitos e mandamentos do Senhor
Como eu disse anteriormente, Zacarias e Izabel faziam parte de um grupo diminuto de gente verdadeiramente crente, em tempos que Israel estava em grande declínio espiritual.
Eles também já estavam idosos, e parecia que o grande desejo de suas vidas não se concretizaria.
Mas ainda assim, vivia irrepreensivelmente, nos preceitos e mandamentos do Senhor.
Tenho conhecido pessoas que não tiveram a mesma perseverança que eles.
Certa ocasião eu estava visitando um irmão hospitalizado. E uma das enfermeiras que o atendia me perguntou: – “Você é pastor?”.
E diante de minha afirmativa ela me respondeu: – “Sou desviada”.
Então eu respondi: – “Você deve ter um motivo para isto”.
Com isto eu quis mostrar compreensão e dar a ela oportunidade para me contar de suas dificuldades.
Então ela falou:
– “É que na igreja que eu frequentava os irmãos estavam sempre contando das maravilhas de Deus em suas vidas, das respostas às orações, dos milagres que aconteciam. E na minha vida eu não via estas coisas. Então eu pensei: ‘Deus não me ama, porque ele abençoa aos outros, e não abençoa a mim.’ E desisti”.

Amados, sei que a tentação daquela mulher foi da mesma pela qual muitos passam e desistem.
Há muitos que desistem por invejarem outros que parecem ser mais abençoados.
Há muitos que desistem por causa de uma enfermidade incurável.
Há muitos que desistem, por causa de uma crise financeira que parece não ter fim.
Sei também que a tentação daquela mulher foi da mesma os crentes verdadeiros todos passam, e vocês sabem disto por experiência própria. 
Eu me enterneci diante daquele “grito por socorro”, e procurei encorajar aquela querida mulher que abriu seu coração carente.
Eu a fiz lembrar de que muitos servos de Deus, na Bíblia, precisaram esperar muito tempo para alcançar as promessas. Gente como Abraão, Sara, José, Davi, Daniel, Zacarias e Izabel. E que houve também gente que não alcançou a concretização das promessas nesta vida, pois Deus havia preparado para eles coisas muito superiores; e que ainda assim permaneceram na fé até o fim[7].
Pois amados, a Palavra fiel diz que nada pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus. Nem anjos, nem principados, nem fome, ou nudez, ou perigos, ou mesmo a morte, nada pode nos separar do amor de Deus [8].
E disse a ela: – “Confie no amor de Deus, pois a maior prova de amor que ele tem por nós não é se temos dinheiro, ou vemos milagres, o se tudo vai bem. A maior prova de que Deus nos ama é que ele deu seu Filho a fim de que ele morresse por nós”.
E o mesmo eu digo para você, filho de Deus: não desista de crer no amor de Deus. Não desista de andar nos caminhos do amor de Deus.
O Senhor nos disse que nos últimos dias, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará, mas aquele que perseverar até o fim, esse será salvo[9]. Mas ele não disse que o amor de todos esfriará. Ele não disse que o teu amor esfriará.
Então persevere. Não abandone a tua fé.
Guarde os mandamentos do Senhor: honre seu pai e sua mãe. Guarde o dia do Senhor. Entregue os seus dízimos. Ame a Deus e em amar ao seu próximo. Dê pão ao necessitado. Não lance mão de meios escusos para prosperar. Seja fiel à sua família. Seja fiel no seu trabalho.
2. Haja o que houver, passe o tempo que passar, persevere em servir ao Senhor
O ministério de Zacarias não seria, por muitos nos dias de hoje, considerado um “ministério relevante”. Ele não foi pastor de uma grande-mega-super igreja. Ele não foi um homem altamente reconhecido. Era “apenas um”, entre milhares de sacerdotes; não era notado; não era um “líder entre os sacerdotes”.
Seu ministério era muito simples: ensinar a lei do Senhor, e vez por outra, queimar o incenso no altar. Mas era visível aos olhos de Deus.
No Senhor, o trabalho de Zacarias não era vão[10]. Era ao Senhor que ele servia.
O mesmo eu posso dizer da imensa multidão que compõem a maioria dos eleitos do Senhor. Pois cada crente tem pelo menos um dom do Espírito Santo, e em decorrência pelo menos um serviço diante de Deus[11]. Ministérios simples, humildes, invisíveis à maioria dos homens. Mas estamos diante daquele cujos olhos percorrem toda a terra[12], que sonda os corações[13], e que dá a cada um segundo o seu procedimento.
Um dia cada um de nós comparecerá diante do tribunal de Cristo, para receber segundo o bem ou o mal que tivermos feito por meio do corpo[14].
Os servos que não serviram, isto é, que não foram servos, serão lançados nas trevas.
E os que tiverem sido fiéis, ouvirão as doces palavras:
– Bem está, servo bom e fiel. Foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei. Entra no gozo do teu Senhor [15].
3. Haja o que houver, passe o tempo que passar, persevere em orar ao Senhor
Zacarias e Izabel eram idosos. Há quanto tempo seriam casados? Há quanto tempo estariam orando?
Mas fizeram aquilo que fizeram também Moisés, Abraão, Samuel, Daniel, Nemias e tantos outros. Fizeram o que o Senhor Jesus mais tarde ensinaria na parábola da viúva que insistiu com o juiz iníquo até que ele a atendesse[16]. Fizeram também aquilo que mais tarde fariam Paulo, Pedro, Tiago, a igreja de Jerusalém. Oraram sem esmorecer. Oraram até alcançar a promessa, mesmo que às vezes, à semelhança de Abraão, esperavam “contra a esperança” [17].
Irmãos, é necessário que perseveremos em tudo na vida.
É necessário que perseveremos na fé, no serviço, na oração. Pois veja o que diz a carta aos Hebreus:
Hb 10:35-39
Não abandoneis, portanto, a vossa confiança; ela tem grande galardão.  36 Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa.  37 Porque, ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá e não tardará; 38 todavia, o meu justo viverá pela fé; e: Se retroceder, nele não se compraz a minha alma.  39 Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma.
Conclusão e aplicação
Você quer agradar a Deus? Tenha fé, sem voltar atrás.
Você quer alcançar as promessas? Persevere nesta fé.
Você quer conservar a sua alma? Persevere, pois aquele que perseverar até o fim será salvo.
Persevere nos mandamentos do Senhor.
Persevere em servir ao Senhor.
Persevere em orar ao Senhor.
Então você verá que no Senhor, nada do que fazemos é em vão.


[1] Cf. Lc 7:28
[2] Gn 1:27, 28
[3] Êx 23:26
[4] Sl 113:9.
[5] Ef 3:20
[6] Cf. vs. 36, 37
[7] Veja Hb 11:13-16; 11:24-26; 39, 40
[8] Rm 8:18-39
[9] Mt 24:13
[10] 1ª Cr 15:58
[11] 1ª Co 11:7, 11; 12:18
[12] 2º Cr 16:9
[13] Jr 17:10
[14] 2ª Co 5:10
[15] Mt 25:21-30
[16] Lc 18:1-8
[17] Rm 4:18

terça-feira, 25 de março de 2014

Sua herança na eternidade - Ap 21:1-8

IPC em Pda. de Taipas
Domingo, 23 de março de 2014
Pr. Plínio Fernandes
Amados irmãos, vamos ler Apocalipse 21:1-8
1 Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe.  2 Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo.  3 Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles.  4 E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.  5 E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras.  6 Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida.  7 O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho.  8 Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte.
Tudo o que já aconteceu, através da História, está de acordo com as profecias da Palavra de Deus. Tudo está previsto, pré-ordenado, pré-determinado.
E em nossa mensagem de hoje, queremos olhar para o futuro, para uma profecia que contém uma promessa maravilhosa, que ainda não se cumpriu, mas que pelos sinais dos tempos, está prestes a se cumprir
O seu cumprimento é certo, pois quem fez a promessa, conforme nos dizem os versículos 5 e 6...
É aquele que está assentado no trono, o Rei do Universo. É aquele que faz novas todas as coisas. Que fez de você, uma pessoa que estava morta espiritualmente, escravizada ao pecado...
Fez de você, através de Jesus Cristo, uma nova criatura, livre, limpa, perdoada; que a cada dia renova seu coração, sua mente, sua alma.
É aquele cujas palavras são fiéis e verdadeiras. Ele é o alfa e o ômega, quer dizer, o primeiro e o último, o princípio e o fim. É o que dá de graça a água da vida, o dom do Espírito Santo. Quem fez esta promessa é Deus...
E veja a quem ele faz esta promessa (v. 7)
O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho.
Ao vencedor: no contexto do livro do Apocalipse, aquele que persevera em fazer a vontade de Deus.
Aquele que pela fé em Jesus Cristo lava a sua alma; purifica seu espírito de todos os seus pecados; que mantém acesa em seu coração a chama da presença do Espírito Santo; que não se dobra diante dos fascínios deste mundo; que não se curva diante da vontade da carne e do diabo.
Aquele que, a despeito de toda a tentação e de toda a oposição, continua orando, continua louvando, continua buscando, continua obedecendo, continua se santificando, continua testemunhando, continua se comportando como filho de Deus...
Se você crê, ama e obedece a Jesus, você é um vencedor, e essa promessa diz respeito a você.
O vencedor herdará estas coisas. Com base no fato de que, se você é crente em Jesus, você é um vencedor, com base nas promessas da Palavra de Deus, desejo falar sobre “sua herança na eternidade”; o que você herdará de Deus.
1. Você herdará de Deus um novo céu e uma nova terra
v.1
Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe.
Note que ele não diz “outro” céu e outra “terra”. A palavra usada aqui tem o sentido, não de algo novo vindo à existência, mas de algo renovado.
Essa mesma palavra é empregada em 2ª Co 5:17
E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.
O Espírito Santo, aqui, descreve o que acontece quando uma pessoa conhece a Jesus Cristo: “o passado fica para trás” – as paixões carnais, o brilho deste mundo, a glória desta era, o amor do dinheiro, os pecados, os vícios, as mágoas, as invejas, os ressentimentos...
O Senhor Jesus Cristo passa a ser a grande alegria, o grande tesouro, o grande amor da alma convertida. Há um novo começo de vida, uma transformação moral. Novos ideais, novos propósitos, novo coração, nova mente, nova orientação, novas aspirações. O desejo de servir a Deus, segui-lo de perto, viver para ele em santidade, amor, justiça, retidão.
Continua sendo o mesmo indivíduo, mas, num sentido muito real, se torna uma nova personalidade, uma nova criação, e aquela imagem de Deus, que foi desfigurada na vida humana por causa do pecado, passa a ser moldada novamente, para o homem cresça à imagem de Cristo.
A Bíblia ensina que o pecado humano, em suas consequências, atingiu também a criação.
Rm 8:20-22
20 Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, 21 na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.  22 Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora.
O v. 20 trás à nossa memória as palavras de Gênesis capítulo, três, quando em decorrência do pecado de nossos primeiros pais, Deus disse: “maldita é a terra por vossa causa... desde agora produzirá cardos e abrolhos...”.
A criação, por causa do pecado, agora geme e suporta angústias: todos os desarranjos da natureza, os terremotos, as tempestades, a extinção de animais, as florestas destruídas, os rios poluídos...
Todo o mal que existe na criação, tanto as angústias que são fruto direto como indireto dos pecados humanos.
A criação, diz o versículo 21, aguarda a nossa redenção. O nosso corpo mortal será revestido de imortalidade, e a criação será redimida.
No v. 1 aqui de Ap. 21, se diz que já não haverá mar.
Algumas pessoas entendem que a palavra “mar”, aqui, é uma referência a um grande móvel, parecido com uma bacia, que havia no templo em Jerusalém no qual se deitava água e era usado nas purificações rituais. Se no novo céu e nova terra já não existe esse mar, isto significa que já não haverá mais necessidade de purificações.
Outros entendem que é uma referência aos mares. Não vamos especular sobre a geologia da nova terra; apenas fazer uma ou duas observações sobre o emprego figurado da palavra “mar” nos profetas:
Is 57:20,21
20 Mas os perversos são como o mar agitado, que não se pode aquietar, cujas águas lançam de si lama e lodo.  21 Para os perversos, diz o meu Deus, não há paz.
“Os perversos são como o mar agitado”
Jd 13
... ondas bravias do mar, que espumam as suas próprias sujidades; estrelas errantes, para as quais tem sido guardada a negridão das trevas, para sempre.
É uma referência a certos homens que se passam por mestres na igreja de Deus, mas que na realidade são rebeldes contra o Espírito Santo. Tais homens são como ondas bravias do mar, espumando sujidades...
Tanto no texto de Isaías como em Judas, a palavra mar é usada para descrever conflito, falta de paz, agitação, revolta.
Agora leiamos Miquéias 7:19
(O Senhor) Tornará a ter compaixão de nós; pisará aos pés as nossas iniquidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar.
Deus lança os nossos pecados no mais profundo mar.
De qualquer forma a ideia é clara: se no novo céu e na nova terra, seja aquele instrumento de culto, seja o mar de águas, o simbolismo é que lá não haverá agitação, conflito, pecado, nem lembrança do pecado.
A natureza será redimida - não mais rios poluídos, florestas destruídas, os movimentos ecológicos não são para comparar com o que Deus há de fazer.
2. Neste novos céus e nova terra, Deus e o seu povo estarão juntos, face a face
vs. 2,3
Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo.  3 Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles.  
Aqui nós vemos três imagens para descrever a igreja. A primeira é a Nova Jerusalém, celestial, a cidade santa, o lugar onde Deus habita.
A segunda é a esposa, a noiva de Cristo. A Bíblia diz que a noiva de Cristo é pura e santa. Vamos ler Efésios 5:23-27
23 porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo.  24 Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido.  25 Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, 26 para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, 27 para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito.
Sim, a noiva de Jesus estará linda, perfeita, sem mácula alguma de pecado, no dia do seu encontro com ele.
Mas para que ela esteja assim, o seu noivo, que a ama tanto, entregou-se a si mesmo no lugar dela. Levou sobre si os pecados dela, assumiu em seu próprio corpo o castigo que deveria receber aqueles a quem ele ama, e assim a purificou.
A igreja de Jesus, no dia do juízo final, estará linda e pura, porque ele mesmo a purificou e preparou para este dia.
A terceira imagem é a de um tabernáculo. O tabernáculo era uma tenda, usada nos dias de Moisés como um lugar de encontro com Deus; era o lugar da habitação de Deus. Por isto aqui a cidade santa, a igreja também é chamada tabernáculo.
Deus habitará com o seu povo. No presente, você ama a Jesus Cristo, tem prazer nele, mas nunca o viu; e ali você o verá.
Agora leiamos 1ª Jo 3:2
Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é.
Santificação completa. Traumas, inconstâncias, fraquezas; as divisões da vontade, serão superados de uma vez por todas. Será um mundo de justiça, de filhos de Deus.
Ap 21:7,8
7 O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho.  8 Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte.
Novo céu e nova terra, habitados por novas criaturas.
3. Terão cessado todas as fontes de tristeza, choro e dor
v. 4
E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.  
Em outro lugar, Jesus nos diz que haverá pessoas que irão chorar e ranger os dentes. Raiva, frustração, impotência e ódio.
Mas não é aqui, neste novo céu e nova terra. Aqui já não haverá jamais qualquer motivo para choro. As pessoas terão saúde plena e permanente. Já não violência, criminalidade; não haverá agressões verbais nem qualquer conflito de relacionamentos; não haverá injustiça de qualquer forma. Vida em abundância, plena, eterna. Viver junto a Deus, gozar de sua presença para sempre. Gozar de pela comunhão nos relacionamentos humanos.
Já não existirão famílias, como as conhecemos agora, mas haverá uma só e grande família, que supera em muito as alegrias dos relacionamentos familiares de agora: a família de todos os filhos de Deus, tendo a Jesus como o primogênito entre muitos irmãos. Uma família muito mais alegre, feliz, além do que qualquer coisa que possamos imaginar.
Leiamos também Ap 22:1-5
Então, me mostrou o rio da água da vida, brilhante como cristal, que sai do trono de Deus e do Cordeiro.  2 No meio da sua praça, de uma e outra margem do rio, está a árvore da vida, que produz doze frutos, dando o seu fruto de mês em mês, e as folhas da árvore são para a cura dos povos.  3 Nunca mais haverá qualquer maldição. Nela, estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os seus servos o servirão, 4 contemplarão a sua face, e na sua fronte está o nome dele.  5 Então, já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos.
Você consegue imaginar o que significam estas coisas maravilhosas?
Pois aqui nós temos apenas um sussurro, um vislumbre. Até as palavras ditas no céu, diz o apóstolo Paulo, são inefáveis, inebriantes, impossíveis de ser traduzidas para a linguagem humana.
1ª Co 2:9
Mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.
Conclusão e aplicação
Novos céus e nova terra. Novas criaturas. Nova qualidade de vida.
Não é sonho. É a nossa mais profunda aspiração, pois fomos criados prá viver na presença de Deus. E é a vontade e a promessa de Deus: aquele cujo propósito é firme, cuja palavra é fiel.
Leiamos o v. 6
Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida.
Tudo está feito, determinado, tudo está preparado. Você pode confiar. Esta é a herança dos vencedores.
Vamos pensar nalgumas implicações para nossa vida hoje:
1. Se você é crente em Jesus
Esta é uma palavra que trás consolação. Quais são as coisas que te fazem chorar?
Os teus pecados te fazem chorar? As tuas enfermidades te fazem chorar? Os pecados da igreja? Os pecados do mundo?
Querido irmão, este mundo injusto não é para sempre; esta sua condição de fraqueza, de tentação, estas tuas enfermidades, não são para sempre. Lembra-se de Lázaro? Ele foi para o seio de Abraão, e ali encontrou lugar de consolo. Quão maior não será o consolo, naquele dia em que até mesmo os céus que agora existem serão renovados?
Esta também é uma palavra de encorajamento: encorajamento a que você viva o presente, aprendendo a olhar da perspectiva de Deus. E a perspectiva de Deus é a eternidade. Viva à luz da eternidade.
Lute para vencer o mal; ame a Deus, ame a volta de Jesus, ame a igreja, ame o mundo perdido. Testemunhe de Jesus com sua vida e com suas palavras, sirva a Deus. Persevere em fazer a vontade de Deus.
Ap 22:10-12
10 Disse-me ainda: Não seles as palavras da profecia deste livro, porque o tempo está próximo.  11 Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se.  12 E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras.
2. Mas, e se você ainda não segue o evangelho?
Então, antes que Jesus volte, hoje é tempo de crer.
Hoje, como Deus está te falando, não feche os seus ouvidos, não endureça o seu coração, não se faça de cego para com as realidades eternas. Hoje é dia de abandonar todo pecado: de abandonar a mentira, de abandonar o orgulho, os adultérios, as idolatrias, as inimizades e ódios. Hoje é tempo de converter-se ao Senhor, de voltar-se para Deus. Ali só entram os que forem novas criaturas.
Se você quiser, venha a Jesus, e veja o preço a ser pago:
Ap 21:6

Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida.

domingo, 22 de setembro de 2013

Olhando para Jesus - Hb 12:1-3

Igreja Evangélica Presbiteriana
Domingo, 22 de setembro de 2013
Pr. Plínio Fernandes
Meus queridos irmãos, vamos ler Hebreus 12:1-3
1 Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta,  2 olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus.  3 Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma.
No texto que acabamos de ler, o escritor sagrado começa assim: “Portanto, também nós...”, e desta maneira une o que vai nos dizer ao que acabara de falar no capítulo 11, onde temos aquela célebre descrição do que significa ter uma vida de fé em Deus.
No capítulo 11 ele nos faz lembrar, e desta maneira honra, aquela imensa série de homens e mulheres dos quais Deus se agradou, pois a despeito de todas as dificuldades que experimentaram, confiaram em Deus, enfrentaram perigos, alcançaram promessas, sofreram, mas permaneceram firmes, como quem vê aquele que é invisível.
Mas, que coisa maravilhosa a nosso respeito: ele diz que sem nós, os antigos heróis da fé ainda não estavam completados.
E começa o capítulo 12 dizendo: “Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos a tão grande nuvem de testemunho dos antigos...”, e desta forma nos ensina que nós, os que somos da fé no tempo presente, somos herdeiros, e continuadores daquela antiga e honrosa linhagem de gente das quais o mundo não era digno.
Gente de Deus que vive neste mundo, mas não é deste mundo, mas aqui está apenas de passagem, peregrinando, que está destinada a morar na Jerusalém celestial.
Nós, os que cremos em Jesus, entendemos a grandeza do amor de Deus para conosco, a grandeza de sua misericórdia demonstrada no fato de que ele, Deus, entregou seu próprio Filho, o Senhor Jesus, para ser o sacrifício em favor de nossos pecados, de tal modo que agora já não somos mais considerados culpados diante de Deus, mas pelo sangue de Jesus, nossa consciência, coração e vida foram completamente lavados, purificados, e já não há mais, diante de Deus, nenhuma condenação pesando contra nós[1].
Temos certeza de nossa salvação, temos consciência de que, neste mundo, estamos apenas de passagem, que a nossa pátria está nos céus, que lá é o nosso destino, lá está o nosso tesouro e o nosso coração.
Mas irmãos, enquanto estamos aqui, em nossa peregrinação, caminhando para o céu, estamos como que em “território inimigo”:
A cada dia de nossa vida, somos cercados de todos os lados, por toda a sorte de forças espirituais do mal que tentam cercear a nossa caminhada rumo ao céu[2].
O pecado tenazmente nos assedia, se insinua.
Tentações surgem do lado de fora, através de circunstâncias difíceis, de relacionamentos conflituosos, de injustiças que sofremos, de propostas indecentes.
Tentações surgem do lado de dentro, pois embora o espírito esteja pronto, a carne é fraca, e o querer fazer o bem, ainda que esteja dentro de nós, muitas vezes está caminhando lado a lado com o não querer fazer o bem[3].
Muitas vezes pensamos, entendemos o que é certo, compreendemos qual é a vontade de Deus, determinamos dentro de nossa mente que na próxima vez, na próxima ocasião, o pecado não terá domínio sobre nós, pois não estamos debaixo da lei, e sim debaixo da graça.
Determinamos que na próxima oportunidade, custe o que custar, faremos o que é certo, que vamos nos negar a nós mesmos, colocar o velho homem na cruz, mas só para depois perceber tristes que ele ainda está lá, não muito profundo, que basta alguma contrariedade para ele vir à superfície na forma de ira, inveja, ciúme.
De todos os lados, de dentro, de fora, o pecado nos assedia, querendo impedir o nosso avanço para o céu, o nosso crescimento em santificação, de modo que muitas vezes bate o desânimo, a vontade de parar, desistir, de largar mão.
Pois uma coisa é clara em nossa mente: vida de quem vai morar no céu, vida de quem conhece a Deus, vida santa, e pecado, não combinam.
E nestas horas esta palavra dada pelo Espírito precisa ser relembrada, precisa ser meditada, porque o Espírito, que nos conhece, e nos assiste em nossas fraquezas, no-la deu justamente para isto, para nos consolar, para nos animar; através dela ele como que nos toma pela mão, vai à nossa frente e nos conduz, de modo que se já não continuaríamos mais caminhando, agora o fazemos porque ele nos toma pela mão e caminha à frente.
E o que nos diz aqui o Espírito?
Ele diz: “Quando você estiver desanimado, se sentir cercado pelo mal, quando você estiver com vontade de desistir, persevere”.
“Olhe para Jesus, aquele que é a fonte de sua fé”.
“Pense nele, pois ele, em troca da alegria que lhe estava proposta, em troca da alegria de fazer a vontade do Pai, de alcançar a salvação dos homens, de ser recebido de novo na glória do céu, ele não fez caso das humilhações, da oposição dos homens, das tentações; ele suportou tudo até o fim”.
“Olhe para Jesus”.
Precisamos olhar para Jesus porque nele temos perdão para os nossos pecados, e porque nele temos o socorro para vencer o pecado que tenazmente nos assedia.
Precisamos olhar para Jesus a cada instante de nossa carreira em direção ao céu.
Jesus é a nossa luz, e então olhar para Jesus é fonte de iluminação para a nossa alma.
Jesus é a nossa força, a nossa justiça, a nossa santificação, a nossa redenção, o nosso tudo.
Então olhemos para Jesus.
1. Olhar para Jesus é fonte de consolação para os que sofrem tentações
Existem muitas coisas que podem fazer com que soframos, e quando olhamos para a palavra de Deus, vemos que nosso Senhor, por amor a nós, tornou-se homem como nós, e sentiu em sua própria carne, e em seu próprio coração, as mesmas dores, as mesmas aflições, as mesmas lutas
Como disse Isaías a respeito de Jesus, ele é homem de dores e que sabe o que é padecer.
Jesus se fez homem, mas não um homem rico:
Um homem pobre que viveu no meio de gente pobre...
Que dormia, como os de sua classe social, numa cama que era apenas um pouco de pano espalhado no chão, e enrolado assim que amanhecia para ter mais espaço na casa...
Que se colocasse a “mão no bolso”, não teria dinheiro para pagar o imposto...
Que não tinha sequer uma montaria própria para seus deslocamentos de um lugar para outro.
Um homem com todas as limitações que temos, que sentiu fome, cansaço, sede.
Um homem que amou profundamente as pessoas à sua volta (amou profundamente? Ele é a própria encarnação do amor!), mas que, voltando a Isaías, era o mais desprezado, o mais rejeitado de entre os homens.
Um homem que sentiu em si mesmo quão difícil é a nossa luta contra o pecado, pois ele mesmo, à nossa semelhança, foi tentado em tudo, de todos os modos.
Mas eu quero, com os irmãos, olhar para Jesus naquele momento que é a maior de todas as suas tentações, quando o grande desejo dele, como ser humano perfeito, era o de se desviar daquela horrível morte na cruz.
Mas ele sabia que se não fosse por sua morte você e eu não teríamos vida, e então ao mesmo tempo ele queria morrer na cruz, cumprindo assim a sua própria justiça divina e nos trazendo salvação.
Então, nesta hora terrível, de desejos contraditórios, de muita luta dentro de si, ele se apega ao Pai, com todo o seu ser, e busca forças para não desistir.
Mc 14:33-36
33 E, levando consigo a Pedro, Tiago e João, começou a sentir-se tomado de pavor e de angústia.  34 E lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai.  35 E, adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para que, se possível, lhe fosse poupada aquela hora.  36 E dizia: Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres.
Quando eu olho para Jesus aqui, eu sou não apenas consolado ao ver seu conflito interior, a sua luta, mas sou ensinado, fortalecido e encorajado a fazer como ele.
Ele se apega a Deus com todo o seu ser, e de uma forma inteiramente inusitada para o judeu piedoso do Antigo Testamento, pois ele não usa uma expressão comum (“Pater”, de onde vem a nossa palavra “pai”), para se dirigir a Deus.
Ele usa uma palavra aramaica própria das crianças, “Aba”, “papai, paizinho”.
Mais tarde, Paulo escrevendo sobre o Espírito de Deus habitando em nós, diz que não recebemos o espírito de escravidão, para vivermos atemorizados, mas recebemos o espírito de adoção, o espírito que faz com que nos sintamos filhos de Deus, e pelo qual clamamos: “Aba, Pai”[4], “Papai”.
Sim, meu irmãozinho querido, minha irmãzinha querida, nas suas lutas diárias, você pode olhar para Jesus, que entende a sua milícia, e com ele aprender que Deus, o Altíssimo, habita num alto e sublime trono, mas também habita com o abatido e contrito de espírito, e assim como você respeita o seu pai da terra, mas ao mesmo tempo gosta de sentar no colo dele e dizer papai querido, assim com o Pai do céu que, como diz Isaías, carrega você nos braços desde que você nasceu, e que vai carregar até você morrer[5].
Então, nos seus sofrimentos, nas suas lidas, nas suas tentações, olhe para Jesus: veja como ele também sofreu, por você, e veja também como ele lidou com o sofrimento, apegando-se ao Pai celestial.
2. Ao olharmos para Jesus também somos consolados com o grande amor que ele tem por nós
A Bíblia nos ensina que Jesus se encarnou, sofreu, foi humilhado, rejeitado, morreu na cruz.
Ensina também o porquê - Jesus fez tudo isto, e suportou tudo isto, por amor a nós.
Jesus nos diz que “Deus amou ao mundo com tanta intensidade que deu seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna” [6].
Você, de todo o seu coração, crê em Jesus? Então você pode ler assim: “Deus me amou de tal maneira que deu seu filho unigênito para que eu não pereça, mas tenha a salvação eterna”.
É por isto que o apóstolo Paulo escreveu: “o Filho de Deus me amou, e a si mesmo se entregou por mim” [7].
Eu gostaria, dentro deste contexto, de olhar para Jesus, quando colocado na cruz, e ali contemplar a intensidade do seu amor por nós.
Is 53:3,7
3 Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso.
7 Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca.
Jesus foi torturado fisicamente, foi morto, mas acho que o que mais doeu foi o ser rejeitado, o ser desprezado, o ser humilhado.
Pelo mundo que ele criou, e que tanto amou, ele foi odiado.
Mas existe uma coisa pior do que sentir-se abandonado pelos homens.
Mt 27:45,46
45 Desde a hora sexta até à hora nona, houve trevas sobre toda a terra.  46 Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?
Logo que amanheceu naquele dia Jesus foi entregue para ser açoitado e crucificado.
Ao meio dia ele já havia sido chicoteado, carregara a cruz pelas cidades de Jerusalém, debaixo da zombaria de muitos, seus pés e mãos estava dilacerados de dor e ele pendia pregado naquelas duas estacas de madeira.
Então vieram as trevas.
Uma imensa escuridão, um silêncio tenebroso que durou cerca de três horas.
E ali, naquelas três longas horas todo o castigo que era nosso, estava sendo descarregado sobre ele: as nossas idolatrias, as nossas infidelidades, as nossas mentiras, as nossas hipocrisias, as nossas inimizades.
Então ele clama, citando o Salmo 22: “Meu Deus, meu Deus, porque me desamparaste”?
Mas ele não fez esta citação apenas de modo retórico. Foi o intenso clamor de sua alma, a expressão daquilo que ele estava experimentando de verdade.
Isto é que é pior que ser rejeitado pelos homens. É ser desamparado por Deus. A coisa mais dolorosa do mundo é você ser rejeitado por quem você mais ama, era assim que ele estava se sentindo.
Meu irmão, minha irmã, não é possível olhar para Jesus na cruz, sem compreender quão grande é o seu amor por nós.
Se grande é o seu amor, grande é o seu perdão. Se você crê no amor de Jesus, então saiba também disto: você é um homem perdoado, uma mulher perdoada; nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.
Agora, ao olhar para Jesus em sua humilhação na cruz, eu quero também lembrar de como ele agiu, mesmo quando se sentiu desamparado por Deus.
Lc 23:44-46
44 Já era quase a hora sexta, e, escurecendo-se o sol, houve trevas sobre toda a terra até à hora nona.  45 E rasgou-se pelo meio o véu do santuário.  46 Então, Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E, dito isto, expirou.
Ele não deixou de esperar em Deus, de entregar-se a Deus.
E nisto aprendemos com ele: mesmo quando a escuridão for total, mesmo quando não houver nenhuma luz[8], mesmo quando me sentir sozinho, ainda que ele me mate, em Deus esperarei[9].
3. Eu também quero, com meus irmãos, olhar para Jesus na sua ressurreição
Sim, porque segundo a própria Palavra de Deus, de nada adiantaria Jesus ter morrido por nós, se ele não triunfasse sobre a morte[10]. De nada nos adiantaria um Salvador morto, um “deus morto”.
Mas ele por nós não somente morreu: ele também ressuscitou, subiu aos céus, e está assentado à mão direita do Pai.
Hb 1:3
Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas
Agora, quando olhamos para Jesus em sua ressurreição, o Espírito Santo nos ensina três verdades às quais devemos nos apegar com toda a firmeza
Primeira: no seu estado ressurreto, o Senhor Jesus está à direita do trono de Deus, para ali, diante do Pai, interceder incessantemente por nós[11].
Segunda: no seu estado ressurreto, o Senhor Jesus está espiritualmente entre nós, nos fortalecendo, nos encorajando, nos livrando, nos abençoando de todas as formas.
Ele prometeu estar conosco todos os dias até a consumação dos séculos.
O Apóstolo Paulo também escreveu que ele habita em nossos corações, quando diz: “agora já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”[12].
E aqui na carta aos Hebreus está escrito que ele se faz presente no meio da igreja reunida[13].
Também podemos citar sua promessa de que onde estão dois ou três reunidos em seu nome, ele está no meio deles[14].
A terceira verdade relacionada à ressurreição de Jesus diz respeito à sua vinda:
No dia em que Jesus subiu para o céu, os discípulos ficaram olhando para ele enquanto subia entre as nuvens.
De repente apareceram dois anjos no meio deles, perguntando: “Porque vocês estão assim tão admirados? Este mesmo Jesus que vocês viram subir, da mesma maneira voltará dos céus”[15].
E esta se tornou então a grande esperança de todo o crente: no seu estado ressurreto, Jesus voltará do céu, e o veremos pessoalmente, face a face.
Quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele. Se agora com ele sofremos, então, com ele seremos glorificados[16].
Nunca mais seremos entristecidos. Nunca mais seremos tentados. Nunca mais seremos tenazmente assediados pelo pecado.
Conclusão e aplicação
Tal como Abraão e Sara, tal como Moisés, e Ana, e Raabe, e Samuel, e Rute, e Noemi, e José, e toda aquela imensa galeria de santos do Antigo Testamento, nós somos peregrinos na terra.
A nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Senhor Jesus.
Satanás, o mundo e a carne tentam impedir a nossa carreira. O pecado tenazmente nos assedia. Mas não estamos correndo sem rumo. Temos alguém para nos fortalecer, a nos ajudar, a nos socorrer,em todo o tempo: o Senhor Jesus Cristo, nosso Deus e Salvador.
Você está sendo tentado? Olhe para ele.
Olhe como ele enfrentou as tentações, e agarre-se ao Pai, como ele fez.
Olhe também como ele sofreu o castigo pelos teus pecados: e tenha fé que o sofrimento dele não foi em vão. Se acontecer de você pecar, não esmoreça. Confesse a Deus, confie no seu perdão, e busque novas forças, para lutar e não pecar mais.
Quantas vezes for preciso, confesse, mas não desista. Confie naquele que está à direita de Deus intercedendo por você, para que tua fé não desvaneça.
E “olhe pro céu”. Pois assim como Jesus subiu ao céu e está à direita de Deus, assim também ele voltará, e então estaremos para sempre com ele.




[1] Rm 5:1
[2] Ef 6:12
[3] Mt 26:41;  Rm 7:18, 19
[4] Rm 8:15
[5] Is 46:3, 4
[6] Jo 3:16
[7] Gl 2:20
[8] Is 50:10
[9] Jó 13:15, ARC
[10] 1ª Co 15:14-17
[11] Hb 2:17,18; 4:14,15; 7:25
[12] Gl 2:19, 20
[13] Hb 2:11-13
[14] Mt 18:20
[15] At 1:11
[16] 1ª Jo 1:1-3
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