Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Daniel: o custo de ser um imitador de Jesus

Igreja Evangélica Presbiteriana
Sexta feira, 20 de janeiro de 2012 – Noite de vigília
Pr. Plínio Fernandes
Queridos irmãos, vamos ler alguns versículos em Daniel
Dn 7:28
Aqui, terminou o assunto. Quanto a mim, Daniel, os meus pensamentos muito me perturbaram, e o meu rosto se empalideceu; mas guardei estas coisas no coração.
Dn 8:27
Eu, Daniel, enfraqueci e estive enfermo alguns dias; então, me levantei e tratei dos negócios do rei. Espantava-me com a visão, e não havia quem a entendesse. 
Dn 9:3, 4
3 Voltei o rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com jejum, pano de saco e cinza. 
4 Orei ao SENHOR, meu Deus, confessei e disse: ah! Senhor! Deus grande e temível, que guardas a aliança e a misericórdia para com os que te amam e guardam os teus mandamentos
Dn 10:2, 3
2 Naqueles dias, eu, Daniel, pranteei durante três semanas. 
3 Manjar desejável não comi, nem carne, nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com óleo algum, até que passaram as três semanas inteiras.
Dn 10:8, 9
8 Fiquei, pois, eu só e contemplei esta grande visão, e não restou força em mim; o meu rosto mudou de cor e se desfigurou, e não retive força alguma.
 9 Contudo, ouvi a voz das suas palavras; e, ouvindo-a, caí sem sentidos, rosto em terra.
Nos últimos quatro meses, desde o primeiro domingo de setembro, o Senhor nos tem abençoado com sua Palavra dada através do livro de Daniel.
Este homem tem sido usado por Deus para nos falar de Jesus, através das visões proféticas que recebeu e registrou.
Também nos tem demonstrado de forma viva, irrefutável mesmo, que a Bíblia é a Palavra de Deus, pois ela se cumpriu nos dias do profeta, cumpriu-se nos tempos posteriores, até à primeira vinda de Jesus, e por isto sabemos que se cumprirá, até à sua volta.
Este livro tem nos demonstrado, de forma clara, a respeito de Deus: de seu poder, sua grandeza, sua majestade, sua santidade e justiça, seu amor e sua graça.
Tem nos ensinado que o Deus a quem servimos é o Rei do universo, Senhor Soberano sobre tudo e sobre todos.
Javé é quem governa a História, quem controla todos os acontecimentos das nações e os eventos da vida particular de cada ser humano. Ele forma até mesmo os pensamentos do coração de cada um de nós.
De forma livre, mas não injusta; de forma poderosa, sábia e bondosa, ele exalta a quem quer, e humilha a quem quer.
Em suas mãos estão a vida e a morte, a saúde e a enfermidade, a riqueza e a pobreza, e conforme seus inescrutáveis propósitos ele as distribui a cada um.
Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir? Quem foi o seu conselheiro? E quem pode lhe perguntar: “Que fazes?”. Porque dele, por meio dele e para ele são todas as coisas.[i]
Mas, ao mesmo tempo, e “sem nos pedir desculpas” por nossa incapacidade de entender certos paradoxos, este livro também nos ensina que somos seres livres para agir de acordo com a nossa natureza.
Somos seres morais, responsáveis diante de nosso Criador.
Não somos robôs, e em nosso dia a dia fazemos escolhas de acordo com nossa vontade. Escolhas que podem ser boas ou más, certas ou erradas, que agradam ou não ao Soberano Senhor do universo.
E há um dia especial, preparado por Deus, em que todos nós compareceremos perante ele, a fim de prestarmos contas de toda a nossa vida.
Este livro também nos ensina que nós, responsáveis diante de Deus, não podemos fazer bem algum, se não for pela assistência da graça divina.
Pois somos fracos, limitados, pecadores, inclinados ao mal, violadores de sua aliança, desobedientes às suas leis, desde o mais íntimo do nosso coração, e por isto merecedores da ira, do justo juízo de Deus.
Mas que o Senhor, por sua graça, na morte do seu Ungido, propiciou a expiação dos nossos pecados e a justiça e eterna.
Ele nos ensina que se buscarmos a Deus, de toda a nossa alma, não somente somos perdoados, mas recebemos dele o poder espiritual necessário para uma vida que lhe seja agradável, santa, justa, vitoriosa sobre o mal que existe em nós e no mundo.
Pois aquele que conhece o seu Deus se torna forte e ativo. Como Daniel.
Não entendemos, irmãos, que devamos desejar ser como Daniel no sentido de ter o mesmo temperamento, os mesmos dons miraculosos, as mesmas experiências místicas, mas no sentido de, assim como ele, conhecer a Deus, andar com Deus, viver com Deus, e assim ser um imitador de Cristo.
O apóstolo Paulo escreveu: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” [ii]. 
Devemos ser imitadores dos santos do passado, no sentido de que eram imitadores de Cristo.
Dizemos que Daniel era um imitador de Cristo porque, ainda que tenha vivido vários séculos antes, era um homem que conhecia e amava profundamente a Deus e sua Palavra (a Bíblia que ele tinha, isto é, a lei e os profetas – porque Deus e sua Palavra são duas coisas inseparáveis).
Ele confiava, ele obedecia, ele era fiel. E por causa disto, e da mesma forma, Daniel também era inseparável da igreja, como Cristo e sua igreja são inseparáveis.
Daniel amava profundamente a Igreja Antiga. Orava por ela, chorava por ela, identificava-se com ela, confessava seus pecados perante o Senhor, jejuava por ela, buscava a graça de Deus em seu favor, gastava-se, dava a ela seu coração, sua vida.
É sobre isto que desejo meditar com os irmãos nesta noite: o preço de ser parecido com Jesus.
Pois se você procura ser um imitador de Jesus, há um preço que se paga.
1. Daniel, para viver a vida que desejava, pagava um preço emocional, psicológico – por ser um homem ligado ao céu
Eu sei que nalguns círculos, fazer a afirmação de que devemos “pagar o preço” é uma “verdadeira heresia”.
Pois nos dizem que Jesus já pagou o preço, e nós não precisamos fazer nada para pagar. Que no tempo da lei, sim, havia necessidade de obras, mas que agora é diferente, porque estamos no tempo da graça.
Então não é mais tempo de jejuar. Não é mais tempo de fazer sacrifícios. Nem mesmo é mais tempo de sofrer.
Há um sentido, irmãos, em que estar no reino de Deus não custa nada. Pois nada além do sangue de Jesus é necessário. E o sangue de Jesus é o pagamento suficiente, ao qual nada pode ser acrescentado.
Mas há um sentido em que fazer parte do reino de Deus custa tudo. É como o tesouro achado no campo, a pérola de grande valor, os quais, para se conseguir, é necessário que se entregue tudo.[iii]
Ora, o ensino bíblico é que nem Daniel, nem qualquer outro homem, em toda a História da Redenção, em qualquer época, conheceu a Deus, teve comunhão com ele, andou nos seus caminhos, a não ser pela graça de Deus.
Nunca foi através de uma vida sem pecado, mas somente através da graça mediante a fé.
Daniel foi salvo, andava com Deus e vivia em santidade, pela graça mediante a fé. E Davi, e Moisés, e Abraão, e todos os outros.
Mas cada um destes homens se esforçava nas coisas de Deus, lutava pelas coisas de Deus, muitas vezes até à exaustão.
Por isto que vemos Daniel dizendo que diante das palavras das Escrituras, e diante das revelações angélicas, por vezes ele ficava perturbado por semanas, ficava amedrontado e atônito, a ponto de desfalecer.
Eu quero citar para você o exemplo de Asafe. De muitas maneiras este servo de Deus nos abençoa através dos seus salmos.
Vamos ler o Salmo 77
1 Elevo a Deus a minha voz e clamo, elevo a Deus a minha voz, para que me atenda.
2 No dia da minha angústia, procuro o Senhor; erguem-se as minhas mãos durante a noite e não se cansam; a minha alma recusa consolar-se.
 3 Lembro-me de Deus e passo a gemer; medito, e me desfalece o espírito.
4 Não me deixas pregar os olhos; tão perturbado estou, que nem posso falar.
5 Penso nos dias de outrora, trago à lembrança os anos de passados tempos.
6 De noite indago o meu íntimo, e o meu espírito perscruta.
7 Rejeita o Senhor para sempre? Acaso, não torna a ser propício?
8 Cessou perpetuamente a sua graça? Caducou a sua promessa para todas as gerações?
9 Esqueceu-se Deus de ser benigno? Ou, na sua ira, terá ele reprimido as suas misericórdias?
10 Então, disse eu: isto é a minha aflição; mudou-se a destra do Altíssimo.
11 Recordo os feitos do SENHOR, pois me lembro das tuas maravilhas da antiguidade.
12 Considero também nas tuas obras todas e cogito dos teus prodígios.
13 O teu caminho, ó Deus, é de santidade. Que deus é tão grande como o nosso Deus?
14 Tu és o Deus que operas maravilhas e, entre os povos, tens feito notório o teu poder.
15 Com o teu braço remiste o teu povo, os filhos de Jacó e de José.
16 Viram-te as águas, ó Deus; as águas te viram e temeram, até os abismos se abalaram.
17 Grossas nuvens se desfizeram em água; houve trovões nos espaços; também as suas setas cruzaram de uma parte para outra.
18 O ribombar do teu trovão ecoou na redondeza; os relâmpagos alumiaram o mundo; a terra se abalou e tremeu.
19 Pelo mar foi o teu caminho; as tuas veredas, pelas grandes águas; e não se descobrem os teus vestígios.
20 O teu povo, tu o conduziste, como rebanho, pelas mãos de Moisés e de Arão.
Observe a luta emocional deste homem.
Asafe está nos dizendo que ele anelava por ver a obra de Deus se realizando em seus dias.
Nos primeiros quatro ou cinco versículos nos diz que de dia e de noite não se cansava de orar. Levantava suas mãos e sua voz, e clamava para que o Senhor o atendesse.
Pensava nas coisas de Deus e ficava gemendo. Meditava, e o seu coração desfalecia.
Sua alma recusava-se a ser consolada com as coisas do mundo.
Às vezes, para nos livra-nos das nossas aflições, recorremos a expedientes ordinários, com algo que nos distraia – isto às vezes pode ser bom, mas se nos distraem de buscar a Deus, se tornam saídas demoníacas.
Nos vs. 6-9 ele diz que seu coração ficava tão perturbado, pois parecia que Deus havia mudado.
Ele não queria sossegar enquanto Deus não atendesse. Ficava perturbado.
De noite indago o meu íntimo, e o meu espírito perscruta.
Rejeita o Senhor para sempre? Acaso, não torna a ser propício?
Cessou perpetuamente a sua graça? Caducou a sua promessa para todas as gerações?
Esqueceu-se Deus de ser benigno? Ou, na sua ira, terá ele reprimido as suas misericórdias?
Mas será que Deus muda?
A partir do v. 10 ele diz que se estava pensando assim, sua mente estava doente.
E passa a se lembrar de quem Deus é:
v. 13 – O teu caminho, ó Deus, e de santidade...
Deus não muda. Ele não nos rejeita (Veja Is 41:9). Ele não deixa de ser propício (não deixa de expiar nossos pecados). Ele não afasta a sua graça. A sua ira dura só um instante (Sl 30:5)
Mas veja: até chegar a isto ele sofreu, ficou perturbado, lutou com Deus.
Pense em Lutero, em Spurgeon, em “todos” os que foram e são usados por Deus.
Então havia o desgaste psicológico, o sofrimento emocional.
2. Além disto, havia o preço de “uma vida de luta”.
Apartava-se das coisas cotidianas, simples e gostosas da vida, jejuava por semanas inteiras, meditava nas Escrituras, orava três vezes ao dia, separava-se de coisas que até mesmo inocentemente, poderiam atrapalhar a sua busca de Deus.
Vamos ler sobre alguns outros:
Jacó – Gn 32:22-31
22 Levantou-se naquela mesma noite, tomou suas duas mulheres, suas duas servas e seus onze filhos e transpôs o vau de Jaboque.
23 Tomou-os e fê-los passar o ribeiro; fez passar tudo o que lhe pertencia,
24 ficando ele só; e lutava com ele um homem, até ao romper do dia.
25 Vendo este que não podia com ele, tocou-lhe na articulação da coxa; deslocou-se a junta da coxa de Jacó, na luta com o homem.
26 Disse este: Deixa-me ir, pois já rompeu o dia. Respondeu Jacó: Não te deixarei ir se me não abençoares.
27 Perguntou-lhe, pois: Como te chamas? Ele respondeu: Jacó.
28 Então, disse: Já não te chamarás Jacó, e sim Israel, pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste.
29 Tornou Jacó: Dize, rogo-te, como te chamas? Respondeu ele: Por que perguntas pelo meu nome? E o abençoou ali.
30 Àquele lugar chamou Jacó Peniel, pois disse: Vi a Deus face a face, e a minha vida foi salva.
31 Nasceu-lhe o sol, quando ele atravessava Peniel; e manquejava de uma coxa.
Segundo o apóstolo Paulo, em Romanos 9[iv], Jacó é um dos mais claros exemplos da soberana graça de Deus em nossa salvação. Pois Jacó nem havia nascido ainda, e Deus disse que já o escolhera.
Com efeito, irmãos, se Jacó dependesse de sua bondade para ser salvo, estaria perdido, assim como cada ser humano.
Pois Jacó bem merecia o nome que tinha: Jacó – enganador, usurpador. Mas o texto nos conta como um homem chamado Jacó foi transformado num homem chamado Israel – Campeão com Deus, Príncipe com Deus (se Deus é rei, Israel é príncipe).
Veja novamente os versículos 26-28:
26 Disse este: Deixa-me ir, pois já rompeu o dia. Respondeu Jacó: Não te deixarei ir se me não abençoares.
27 Perguntou-lhe, pois: Como te chamas? Ele respondeu: Jacó.
28 Então, disse: Já não te chamarás Jacó, e sim Israel, pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste.
Eu acho linda a maneira como a Bíblia nos apresenta esta pessoa de quem Jacó busca a bênção.
No v. 24 diz que um homem lutava com ele, até o romper do dia. No vs. 28 e 30, diz que este homem era Deus. Ora, “ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou”.[v]
Jacó estava “lutando” com o Cristo pré-encarnado.
Lutou a noite inteira. Lutou até conseguir a bênção.
Agora vejamos Moisés – em Êxodo e Deuteronômio
Êx 32:11-14
11 Porém Moisés suplicou ao SENHOR, seu Deus, e disse: Por que se acende, SENHOR, a tua ira contra o teu povo, que tiraste da terra do Egito com grande fortaleza e poderosa mão? 
12 Por que hão de dizer os egípcios: Com maus intentos os tirou, para matá-los nos montes e para consumi-los da face da terra? Torna-te do furor da tua ira e arrepende-te deste mal contra o teu povo. 
13 Lembra-te de Abraão, de Isaque e de Israel, teus servos, aos quais por ti mesmo tens jurado e lhes disseste: Multiplicarei a vossa descendência como as estrelas do céu, e toda esta terra de que tenho falado, dá-la-ei à vossa descendência, para que a possuam por herança eternamente. 
14 Então, se arrependeu o SENHOR do mal que dissera havia de fazer ao povo.
Dt 9:18, 19, 24-26
18 Prostrado estive perante o SENHOR, como dantes, quarenta dias e quarenta noites; não comi pão e não bebi água, por causa de todo o vosso pecado que havíeis cometido, fazendo mal aos olhos do SENHOR, para o provocar à ira. 
19 Pois temia por causa da ira e do furor com que o SENHOR tanto estava irado contra vós outros para vos destruir; porém ainda esta vez o SENHOR me ouviu... 
24 Rebeldes fostes contra o SENHOR, desde o dia em que vos conheci. 
25 Prostrei-me, pois, perante o SENHOR e, quarenta dias e quarenta noites, estive prostrado; porquanto o SENHOR dissera que vos queria destruir. 
26 Orei ao SENHOR, dizendo: Ó SENHOR Deus! Não destruas o teu povo e a tua herança, que resgataste com a tua grandeza, que tiraste do Egito com poderosa mão.
No texto de Êxodo nós lemos que Moisés intercedeu e o Senhor atendeu. Mas no texto de Deuteronômio somos esclarecidos sobre esta intercessão.
Quarenta dias e quarenta noites prostrado. Sem comer ou beber. Entregue à obra da oração.
Neemias
Ne 1:1-4
1 As palavras de Neemias, filho de Hacalias. No mês de quisleu, no ano vigésimo, estando eu na cidadela de Susã, 
2 veio Hanani, um de meus irmãos, com alguns de Judá; então, lhes perguntei pelos judeus que escaparam e que não foram levados para o exílio e acerca de Jerusalém. 
3 Disseram-me: Os restantes, que não foram levados para o exílio e se acham lá na província, estão em grande miséria e desprezo; os muros de Jerusalém estão derribados, e as suas portas, queimadas. 
4 Tendo eu ouvido estas palavras, assentei-me, e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus.
Ne 2:1-6
1 No mês de nisã, no ano vigésimo do rei Artaxerxes, uma vez posto o vinho diante dele, eu o tomei para oferecer e lho dei; ora, eu nunca antes estivera triste diante dele. 
2 O rei me disse: Por que está triste o teu rosto, se não estás doente? Tem de ser tristeza do coração. Então, temi sobremaneira 
3 e lhe respondi: viva o rei para sempre! Como não me estaria triste o rosto se a cidade, onde estão os sepulcros de meus pais, está assolada e tem as portas consumidas pelo fogo? 
4 Disse-me o rei: Que me pedes agora? Então, orei ao Deus dos céus 
5 e disse ao rei: se é do agrado do rei, e se o teu servo acha mercê em tua presença, peço-te que me envies a Judá, à cidade dos sepulcros de meus pais, para que eu a reedifique. 
6 Então, o rei, estando a rainha assentada junto dele, me disse: Quanto durará a tua ausência? Quando voltarás? Aprouve ao rei enviar-me, e marquei certo prazo.
Você deve se lembrar do quanto Daniel orou pela restauração de Jerusalém e do santuário. Você também deve se lembrar de que o Senhor atendeu às orações de Daniel, e cumpriu as suas promessas.
Assim, nos dias do rei Dario o decreto para a reconstrução foi emitido, e os primeiros grupos de exilados retornaram para a reconstrução.
Mas não foi sem oposição, conforme o livro de Esdras testemunha.
Foram dias de despertamento espiritual, mas de muito conflito, de sorte que o livro de Neemias nos conta de acontecimentos que se iniciaram pelo menos doze (12) anos depois.
Então Neemias também se põe a orar. Isto se dá no mês de quisleu (parte de novembro e parte de dezembro), do ano 445 A.C.
Ele ora, confessa, jejua, até que a resposta de Deus chega no mês de nisã (março-abril), isto é, quatro meses depois.
A obra da reconstrução não foi sem luta.
Agora, Jesus
Mt 14:23 
E, despedidas as multidões, subiu ao monte, a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde, lá estava ele, só.
Mt 26:36  
Em seguida, foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar
Mt 26:44 
Deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras.
Mc 1:35
Tendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto e ali orava.
Mc 6:46 
E, tendo-os despedido, subiu ao monte para orar.
Mc 14:32 
Então, foram a um lugar chamado Getsêmani; ali chegados, disse Jesus a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou orar.
Lc 6:12  
Naqueles dias, retirou-se para o monte, a fim de orar, e passou a noite orando a Deus.
Lc 9:28  
Cerca de oito dias depois de proferidas estas palavras, tomando consigo a Pedro, João e Tiago, subiu ao monte com o propósito de orar.
Lc 11:1 
De uma feita, estava Jesus orando em certo lugar; quando terminou, um dos seus discípulos lhe pediu: Senhor, ensina-nos a orar como também João ensinou aos seus discípulos.
Nós poderíamos multiplicar as referências sobre a vida de oração de nosso Senhor.
Mas agora eu gostaria de citar um comentário de Pedro sobre Jesus, feito em Atos dos Apóstolos.
At 10:38
Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele...
Irmãos, ele era Deus feito carne. O todo poderoso Filho de Deus. Mas não fez nada sem a unção, sem o poder do Espírito Santo em sua vida. Por isto ele precisava buscar o poder de Deus. Ele precisava orar.
E ele nos diz que o Espírito Santo é dado a nós da mesma forma.
Lc 11:13
Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?
Nós temos o Espírito Santo na medida em que pedirmos. Agora, pedir como? Com que intensidade? Com que insistência? Com que labor?
Como Jesus buscava? Noites inteiras. Lugares desertos. E quanto maior a luta, mais oração. Com agonia até.
Mateus nos diz que esta promessa é também para todas as coisas boas.
Mt 7:11
Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?
Qual é a coisa boa que você precisa? Qual é a coisa boa que você sabe ser a vontade de Deus para tua vida?
O que você precisa fazer? Orar
Como você precisa fazer? Com fé, insistência, luta.
Paulo
2 Co 6:4,5  
4 Pelo contrário, em tudo recomendando-nos a nós mesmos como ministros de Deus: na muita paciência, nas aflições, nas privações, nas angústias,
5 nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns,
Paulo e Epafras
Cl 1:24  
Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja
Cl 2:1-2 
1 Gostaria, pois, que soubésseis quão grande luta venho mantendo por vós, pelos laodicenses e por quantos não me viram face a face;
2 para que o coração deles seja confortado e vinculado juntamente em amor, e eles tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento, para compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo,
A palavra luta, no v. 1, é “agona”, de onde vem a nossa palavra “agonia” (aflição, angústia, sofrimento)
Cl 4:12 
Saúda-vos Epafras, que é dentre vós, servo de Cristo Jesus, o qual se esforça sobremaneira, continuamente, por vós nas orações, para que vos conserveis perfeitos e plenamente convictos em toda a vontade de Deus.
Amar a igreja, lutar pela igreja, agonizar pela igreja.
A exortação da carta aos Hebreus emprega esta mesma palavra:
Hb 12:4
Ora, na vossa luta (antagonizomenoi) contra o pecado, ainda não tendes resistido até ao sangue.
Depois de ter falado sobre Jesus como nosso exemplo na luta contra o pecado, o autor nos lembra que ainda não fizemos como ele. “Até hoje vocês não lutaram contra o pecado até suar gotas de sangue”.
Se você quer vencer o pecado, no poder do Espírito Santo, deve lutar em oração.
Conclusão
Daniel foi um imitador de Jesus Cristo.
Mas como isto lhe foi custoso. Houve um preço a ser pago.
Um preço de vida: sofrimento, angústia, auto-doação.
Houve uma luta a ser travada. A luta de uma vida inteira.
De oração, de jejum, de busca intensa, sem incredulidade, sem corpo mole, sem auto-condescendência.
Aplicação
Você consegue ouvir a voz o Espírito Santo, nos chamando para isto?
Consegue entender o que ele deseja?
Você quer ser um imitador de Daniel?
Você quer ser um imitador de Jesus Cristo?
Pense em seu Deus. Você o ama? Quer conhecê-lo mais? Quer estar perto dele?
Você quer ser cheio do Espírito Santo?
Mas isto significa abandonar pecados, significa desistir dos prazeres deste mundo, significa buscar santidade, buscar a Palavra, esforçar-se pelo reino de Deus. Você quer isto?
Pense em sua igreja. Você ama sua igreja? Está disposto a sofrer, a negar-se a si mesmo, a lutar pela igreja em oração?
Isto implica em santidade; implica esforço; implica e negar muitos prazeres, em abandonar o comodismo.
Implica estar sempre perdoando, sempre intercedendo, sempre chorando. Implica em sentir-se só, às vezes, lutando sozinho (lembra-se de Elias? “Eu fiquei só”).
E sua família? Sua família é bênção. Você tem que lutar por ela, pela sua vida espiritual. De seu cônjuge, de seus filhos.
Então levante-se e lute. Ou melhor, ajoelhe-se e lute.
Vamos ter um tempo em oração.




[i] Citação livre, de Rm 11:34-36
[ii] 1ª Co 11:1
[iii] Cf. Mt 13:44-46
[iv] Rm 9:10-13
[v] Jo 1:18

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Conforto para os discípulos do Senhor - Mt 8:18-27

Igreja Evangélica Presbiteriana
Domingo, 04 de novembro de 2012
Pr. Plínio Fernandes
Amados, vamos ler Mateus 8:18-27
18 Vendo Jesus muita gente ao seu redor, ordenou que passassem para a outra margem. 19 Então, aproximando-se dele um escriba, disse-lhe: Mestre, seguir-te-ei para onde quer que fores.  20 Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.  21 E outro dos discípulos lhe disse: Senhor, permite-me ir primeiro sepultar meu pai. 22 Replicou-lhe, porém, Jesus: Segue-me, e deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos.  23 Então, entrando ele no barco, seus discípulos o seguiram.  24 E eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. Entretanto, Jesus dormia. 25 Mas os discípulos vieram acordá-lo, clamando: Senhor, salva-nos! Perecemos! 26 Perguntou-lhes, então, Jesus: Por que sois tímidos, homens de pequena fé? E, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar; e fez-se grande bonança. 27 E maravilharam-se os homens, dizendo: Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem?  
Jesus, o Salvador do mundo, estava morando na pequena cidade de Cafarnaum, litoral noroeste do Mar da Galiléia, e desejou ir ao território ao sudeste do mar, região de Decápolis, onde ficava a cidade de Gadara. O texto não nos diz de imediato, mas a leitura posterior nos faz entender que o propósito de Jesus em Gadara era o de levar libertação e salvação a dois homens endemoniados que viviam ali; mas uma vez salvos e transformados, um deles se tornaria um evangelista, testemunhando da graça de Deus por todo aquele território.
Entre Cafarnaum e Gadara, o Mar da Galiléia, uma grande extensão de água, com cerca de 21 quilômetros de norte a sul e 13 de leste a oeste, em sua maior extensão.
Então Jesus ordenou aos seus discípulos: “Vamos passar para o outro lado”. E os discípulos, acompanhando Jesus, começaram a se preparar para a pequena viagem missionária a Gadara.
O texto de Marcos nos diz que foram em vários pequenos barcos, o que dá a entender que além dos doze que mais tarde seriam apóstolos, outros discípulos (Lucas 10 nos mostra que Jesus tinha pelo menos setenta), outros discípulos também seguiram juntos.
Mas estes que estavam seguindo foram aqueles que haviam dito “sim” diante das exigências do Senhor. Eram pessoas que haviam renunciado ao conforto dos bens materiais, que haviam renunciado o mundo, que, no dizer do Evangelho de Lucas, haviam lançado a mão do arado sem olhar prá trás. Como disse Pedro em outra ocasião, eram aqueles que haviam deixado tudo para seguir a Jesus (Mt 19:27).
Subiram no barco e começaram a travessia. Tinham pela frente uma viagem de várias horas. Então Jesus subiu, arranjou um travesseiro e adormeceu na popa do barquinho.
Eu me lembro de que em Manaus, num barquinho a motor, costumava levar pelo menos uma hora para atravessar os rios Solimões e Negro, entre Manaus e Iranduba, uma largura de três quilômetros e meio. Não sei quanto tempo Jesus e os discípulos levariam normalmente, em seus pequenos barcos a vela, para percorrer aquele trajeto que seria umas seis vezes maior.
E sei que uma hora de viagem é tempo suficiente para que as condições climáticas mudem completamente. Em Manaus as tempestades sobre o rio são frequentes; são muito fortes e não poucas vezes acontecem naufrágios. Há poucos anos a Terezinha perdeu uma de seus tias, num naufrágio que aconteceu durante uma tempestade.
E a tempestade veio! As águas do mar foram agitadas por ventos fortíssimos, e formavam ondas altas, levando os barquinhos para cima e para baixo.
Fico pensando como eu me sentiria dentro de uma pequena embarcação, vendo as águas subindo altas à minha frente, enquanto eu mesmo estaria sendo projetado para baixo, agarrando-me ao mastro ou às bordas do barco, para em seguida ser lançado pra cima enquanto as ondas desciam. E naturamente me molhando, e “zique-zaqueando”, e vendo o barquinho se inclinar para um lado e para o outro.
Vários discípulos eram “homens do mar” experientes, mas até eles ficaram muito assustados, com medo de perecer naquela tempestade.
Então eles foram acordar a Jesus, dizendo: “Senhor, salva-nos! Perecemos!”
E Jesus lhes perguntou: “Porque estão com medo, homens de pequena fé?”
Depois se levantou, repreendeu a tempestade, e ela cessou de imediato.
Os discípulos, mais uma vez ficaram maravilhados com Jesus: “Não somente as enfermidades e os espíritos imundos, mas até o mar e os ventos lhe obedecem!”
E com isto Mateus está, mais uma vez, nos ensinando que aquele homem, Jesus, que tinha um corpo de carne e osso, que ficava cansado e dormia, não era apenas um simples homem. Não era nem mesmo um grande Mestre, ou um grande Profeta. É muito mais: é o Senhor da natureza, o Senhor de tudo e de todos, é Emanuel, Deus conosco, o nosso Salvador.
Alguns anos mais tarde, pensando nas experiências que os israelitas tiveram com Deus no Antigo Testamento, o apóstolo Paulo disse que elas foram registradas nas Escrituras para que servissem de exemplo para nós, a fim de que pela paciência e consolação das Escrituras nossa fé seja fortalecida e tenhamos esperança. Eu gostaria de tomar este texto que estamos considerando, que nos trás revelação sobre Jesus, e aplicá-lo da mesma maneira, não de forma alegórica, mas como um exemplo para nós, discípulos de Jesus, tirando algumas aplicações para o nosso consolo, para fortalecimento na fé, na esperança e no amor, diante das tempestades que muitas vezes enfrentamos na vida.
1. Não pense que, se você está passando por problemas, isto quer dizer que você está fora da vontade de Deus
Um dos expedientes favoritos de Satanás, a fim de abalar a nossa fé, é dizer aos crentes em Jesus que, quando eles passam por aflições, é porque eles não têm sido bons filhos de Deus, ou que Deus não os está ajudando.
Às vezes os crentes realmente passam por angústias por terem desobedecido a Deus, e como um Pai amoroso ele os disciplina, a fim de que voltem a andar nos seus caminhos. Como aconteceu com Jonas, por exemplo.
Mas nem sempre o sofrimento é por causa de desobediência. Ao contrário, às vezes, passamos por dificuldades justamente por estarmos seguindo a Jesus num mundo que ainda não se tornou perfeito novamente.
Olhe para estes discípulos, em meio a ondas gigantescas, sendo atirados de um lado para o outro, a ponto de terem medo de perecer. Eram homens que, antes de embarcar, já haviam decididamente se tornado seguidores do Senhor.
E quando Jesus disse: “Vamos partir”, eles obedeceram.
Então estavam no meio desta tempestade porque obedeceram à voz de Jesus.
E não foi a única vez que isto aconteceu: Mateus 14 nos conta daquela outra ocasião em que ele ordenou aos discípulos atravessar o mar, e ele os encontraria mais tarde. Enquanto Jesus subiu ao monte a fim de orar os discípulos tiveram que enfrentar novos e terríveis ventos contrários. Foi quando Jesus dirigiu-se ao encontro deles, andando sobre as águas.
E se você se lembrar das tempestades pelas quais o apóstolo Paulo passou! Em Atos dos apóstolos somos informados de uma delas, na qual ele e as pessoas que com ele estavam passaram catorze dias numa terrível tormenta, sem ver a luz do sol nem estrelas, jogando ao mar os destroços do navio para que não afundassem. Em 2ª aos Coríntios ele nos diz que três vezes esteve em naufrágio.
Mas além das tempestades no sentido literal, quantas aflições vemos os servos de Deus passando na Bíblia, justamente por servirem a Deus: aquele que sempre nos vem primeiro à mente é Jó, sofrendo com enfermidades, pobreza, aflições familiares, mau juízo dos que o conheciam, e pior de tudo, a sensação de que Deus estava bravo com ele. Porque era um servo de Deus e estava sendo provado para crescer espiritualmente. Passando pelo Antigo Testamento podemos ver tantos homens e mulheres de Deus sendo provados: José, Moisés, Davi, Abraão, Ana, Rute e Noemi, a lista é imensa, e também no Novo Testamento: os apóstolos todos.
Não é em vão que em Isaías o Senhor diz ao seu povo que muitas vezes eles passariam por muitas águas (não águas literais, mas águas de aflição – como diz o antigo hino: “ondas do mar da vida”). E não é em vão que o Senhor disse aos doze: “No mundo tereis aflições”.
No Novo Testamento, a pessoa a respeito de quem mais temos detalhes, além do próprio Jesus, é o apóstolo Paulo. E o vemos passando por toda sorte de aflições: preocupação com as igrejas e preocupações particulares. Enfermidades, necessidades, privações, contratempos, decepções, tentações. Problemas de toda sorte.
Portanto, se você está seguindo a Jesus, buscando o seu querer, se você renunciou ao mundo e se consagrou ao Senhor, quando você estiver passando por tempestades, não pense que está fora da vontade de Deus.
Também não pense que Deus não se importa. Você verá que o passar por tempestades não é em vão. Nelas você aprenderá a andar com Deus mais ainda. A sua fé será aumentada. E mesmo se você, como Jonas, estiver passando por tempestades, por desobediência, não perca o ânimo. Pois o mesmo Deus que tirou Jonas do ventre o grande peixe, também irá tirar você.
2. Nas tempestades da vida, busque ter a “mente de Cristo”
Veja a atitude de Jesus diante daquela tempestade: ele estava dormindo. Ele simplesmente confiava que tudo estava nas mãos de Deus; que tudo estava sob controle.
É certo, meus irmãos, que o corpo de Jesus era mortal, e se o barco naufragasse, ele e seus discípulos bem poderiam morrer. Mas ele nem pensava nisto. Eu quero sugerir uma das razões – seriam muitas – pelas quais Jesus não precisava ficar aflito: a sua missão não estava cumprida. Ele ainda precisava pregar muito, curar muitas pessoas, libertar oprimidos, ressuscitar mortos. Ele precisava ir a Jerusalém, ser julgado, crucificado e morto por causa dos nossos pecados, ressuscitar para a nossa salvação, e então ele sabia que ainda não era chegada a sua hora.
Em várias ocasiões ele deixou bem claro que só morreria quando chegasse a hora. Com isto, meus irmãos, eu não estou sugerindo que devamos ficar prevendo o futuro, mas que podemos saber de uma coisa: ninguém morre antes da hora. Nós podemos ter certeza de que só iremos partir desta vida quando tivermos completado a nossa missão, ou antes, quando Deus tiver completado seus planos para nós, e os seus planos por nosso intermédio. Planos que não podem ser frustrados.
Estou pensando numa querida irmãzinha, que anos atrás me procurou, e à Terezinha, porque ela estava sentindo muito medo. No dia seguinte ela faria uma cirurgia muito extensa, para a retirada de um tumor (não me lembro exatamente o quê). Então ela abriu seu coração, falou de seu medo, de seu filhinho pequeno (mãe solteira) que não teria com quem deixar se morresse. Então senti muito nítida em minha mente a impressão de que deveria partilhar um texto com ela:
Fp 1:21-25 
21 Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro. 22 Entretanto, se o viver na carne traz fruto para o meu trabalho, já não sei o que hei de escolher.  23 Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor. 24 Mas, por vossa causa, é mais necessário permanecer na carne.  25 E, convencido disto, estou certo de que ficarei e permanecerei com todos vós, para o vosso progresso e gozo da fé
Então eu disse: “Querida, eu sei que se você partir você estará com Jesus, mas creio que ele ainda tem um plano para você aqui. Você ainda tem que cuidar do seu filhinho, ainda tem muito que fazer para Deus neste mundo. Você vai ficar boa.”
Ela confiou na Palavra de Deus, ficou tranquila em seu coração. Foi operada. E ficou boa mesmo.
Quando estiver passando por aflições, não se esqueça de que Deus começou uma boa obra em sua vida, que aquele que começou boa obra há de completá-la, até o fim.
Veja a confiança que o Espírito Santo nos incita a ter:
Sl 138:7-8 
7 Se ando em meio à tribulação, tu me refazes a vida; estendes a mão contra a ira dos meus inimigos; a tua destra me salva.  8 O que a mim me concerne o SENHOR levará a bom termo; a tua misericórdia, ó SENHOR, dura para sempre; não desampares as obras das tuas mãos.
Não morrerei, antes viverei e contarei as obras do Senhor (Sl 118:17).
Se você segue a Jesus, você é de Deus. É vaso de Deus, instrumento de Deus, vaso de honra. Se você anda em tribulação, Deus refaz tua vida.
3. Nas tempestades da vida, mesmo que a tua fé for pequena, busque o socorro de Cristo
Foi o que os discípulos fizeram.
- “Senhor, salva-nos! Perecemos!”
E o Senhor, amorosamente os repreendeu: eram homens de pequena fé. Mas ainda assim, por causa do medo que estavam sentindo, medo por não terem o mesmo entendimento de Cristo, clamaram a Jesus. E o Senhor Jesus honrou aquela pequena fé. Ele se levantou e repreendeu o mar e os ventos.
Como eles teriam reagido se fossem pessoas de grande fé? Não creio que eles teriam procurado repreender a tempestade, mas que teriam tido uma atitude mais parecida com a de Jesus.
Aliás, meus irmãos, não creio que o homem de fé, cada vez que lê sobre um milagre na Bíblia tenha este raciocínio: “Bem, se Jesus curou o cego eu vou curar também. Se Jesus acalmou a tempestade eu vou acalmar também”.
Já pensou se Deus ficasse fazendo o milagre que cada pessoa quisesse? O mundo iria virar um caos.
E o que seria uma atitude parecida com Jesus? Tranquilidade, paz em meio à tormenta. Nos últimos dias de 1735, e primeiros de 1736, um recém ordenado pastor anglicano, chamado John Wesley estava viajando da Inglaterra para os Estados Unidos, para servir a Deus ali. E nesta viagem também estavam muitas famílias moravianas, que também viajavam para morar na América e evangelizar os índios.
Os irmãos moravianos eram um grupo protestante de grande índole missionária. Eles eram originários da Moravia, parte da atual republica Checa (na Europa central). Durante a viagem, uma grande tempestade veio sobre eles. Uma tempestade que durou muitos dias, e deixou o próprio capitão do navio muito preocupado. O pânico tomou conta da tripulação e dos passageiros. O reverendo John Wesley estava com muito medo.
Mas os moravianos não tinham medo algum. Ao contrário, aquele imenso grupo de homens, mulheres e crianças dava glória a Deus porque aquela tempestade manifestava o seu poder e sua glória. Conseguiram acalmar a todos. E cantavam hinos de louvor.
Depois que a tempestade passou John Wesley se aproximou do líder moraviano e perguntou qual era o segredo deles. E aquele líder explicou que eles tinham certeza da salvação de suas almas. O jovem pastor ficou admirado, porque desde menino ele havia sido ensinado a crer em Jesus, dedicou sua vida a ele, tanto que tornou-se um pregador do Evangelho, mas até então ele não tinha uma fé daquele jeito. Somente depois que voltou à Inglaterra é que Wesley alcançou uma fé assim, e foi transformado num dos maiores pregadores de toda a história da igreja cristã.
Assim, pois, os discípulos, se fossem mais maduros naquela ocasião, se conhecessem melhor a Jesus, poderiam ter ficado a dar glórias a Deus pela tempestade. Mas eu agradeço porque não o fizeram. Agradeço porque não fizeram como os moravianos. E agradeço por John Wesley.
Agradeço por que isto me ensina que nas tribulações da vida eu não preciso me preocupar; eu posso seguir cantando, dando glória a Deus como Paulo e Silas na prisão,  posso continuar adorando como Jó, posso aprender a ter a mente de Cristo. Mas também me ensina que se eu tiver medo, mesmo sendo de tão pequena fé, mesmo se eu falhar, mesmo se em vez de adorar eu fracassar, ainda assim serei ouvido por Jesus em minhas muitas preocupações.
Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.Porque todo aquele que clamar será socorrido. O Senhor Jesus não me desprezará. Aquele que começou boa obra em mim há de aperfeiçoá-la até o dia de Cristo Jesus. E pode usar um vaso fraco como eu.
Talvez, em vez de adorar, em meio às tempestades você esteja é ficando desanimado. Talvez esteja se sentindo fracassado como filho de Deus. Talvez a sua fé seja pequena, como um paviosinho curto prestes a se queimar.
Mas, mesmo que pequenina seja, você, seguidor de Jesus, tem fé? E a fé que você tem, por pequenina que seja, quem te deu? Não foi o Senhor? Então isto é sinal de que você é servo dele, filho dele, e ele é teu Deus.
Simplesmente faça como os discípulos: “Senhor, salva-me! Estou perecendo!”
“Senhor, salva-me. Não quero afundar.”
“Não quero afundar no pecado.”
“Não quero me afogar nas tentações do mundo.”
“Não quero perecer num poço de lama e perdição”
“Salva-me!”
Eu me lembro de certa ocasião, certo tempo atrás, estava muito atribulado, por causa de um pecado em particular que eu não conseguia abandonar. Aquilo me fazia sofrer muito. Então eu fui a uma igrejinha do tamanho desta. A “igreja do pastor Jorge”, que alguns irmãos aqui conhecem. Uma “igrejinha pentecostal”.
E quando eu cheguei lá, pela primeira vez na minha vida eu ouvi o cântico daquele hino, “Solta o cabo da nau”. Naquele tempo as pessoas cantavam direito, com sentimento, solenidade, não como fazem nos dias de hoje, com esse tipo de “remix” que descaracteriza o hino.
Mas o hino dizia:
Ó, porque duvidar, sobre as ondas do mar,
Quando Cristo caminho abriu?
Quando forçado és, contra as ondas lutar,
Seu amor a ti quer revelar...
E outra estrofe dizia:
Quando pedes mais fé
Ele ouve, ó crê, mesmo sendo em tribulação
Quando a mão de poder, o teu ego tirar, sobre as ondas poderás andar
Solta o cabo da nau, toma os remos na  mão,
e navega com fé em Jesus
E então tu verás que bonança se faz
Pois com ele seguro serás
Deus falou comigo através daquela irmãzinha cantando com ternura. Então eu não desisti, me senti renovado, e continuei a orar, a buscar, e venci meu pecado.
Entendeu? Ele atenderá a tua oração. Pois Jesus é poderoso para socorrer a todos os que por ele se chegam a Deus.
Conclusão e aplicação
Eu gostaria de fazer três aplicações às vidas dos que estamos aqui nesta noite
1ª – Aos que estão seguindo a Jesus com fidelidade
Eu desejo perguntar:
Será que Jesus, ao chamar aqueles homens, subir naquele barco, colocar um travesseiro sobre a popa e adormecer, será que ele não sabia que a tempestade viria?
Certamente sabia, pois Jesus conhece todas as coisas. Ele é Deus, Senhor de todas as coisas. E também sabia que os discípulos ficariam com medo; sabia que sua fé era pequenina.
Mas Jesus queria que eles o conhecessem ainda mais. Queria aperfeiçoá-los. Por isto o texto termina dizendo da admiração que eles sentiram, diante do poder do Senhor.
Eles cresceram no conhecimento de Deus. Mas antes de concluir este pensamento, deixe-me citar mais uma referência
Jo 14:6-11 
6 Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. 7 Se vós me tivésseis conhecido, conheceríeis também a meu Pai. Desde agora o conheceis e o tendes visto. 8 Replicou-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta.  9 Disse-lhe Jesus: Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai?  10 Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras.  11 Crede-me que estou no Pai, e o Pai, em mim; crede ao menos por causa das mesmas obras.
Filipe, um dos doze apóstolos, que puseram o fundamento da Igreja de Jesus, era um daqueles que estavam com o Senhor desde os primeiros meses, que estava com ele no barco nas duas tempestades. Que conhecia a Jesus, que conhecia a Deus, porque “a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, como único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”. Mas ainda assim precisava conhecer mais.
O que desejo dizer é que se diante das tempestades da vida você sente que conhece tão pouco a Deus, não deve ficar desanimado. Deus é infinito, e nós somos tão limitados. O aprendizado é um caminho longo. Mas Deus nos conhece, conhece nossas fraquezas, limitações, dureza de coração, e ainda assim nos escolheu. Em cada tempestade, não pense que Deus não se importa, ou não tem poder, ou que você está fora da vontade de Deus. Tenha fé.
Se você for como os moravianos, cante. Se você estiver atribulado, ore. Mas tenha fé. Confie. Não desanime. Solta o cabo da nau e navega com fé em Jesus.
2ª aplicação - Aos que estão se comportando como Jonas, o filho desobediente de Deus.
Deus ordenou que Jonas se levantasse e fosse pregar o Evangelho na grande cidade de Nínive. Jonas se levantou, comprou uma passagem de navio, e procurou fugir para bem longe, para não obedecer a Deus. O resultado é que veio uma terrível tempestade, ele foi jogado ao mar e um grande peixe o engoliu.
Mas ali no ventre do grande peixe Jonas se arrependeu, se converteu e orou. O Senhor ouviu a oração de Jonas e o tirou dali. Então Jonas se levantou novamente, e foi pregar o Evangelho, como Deus lhe havia ordenado.
Se você, como Jonas, está no ventre do peixe porque foi teimoso, desobedeceu, não perca a esperança. Ore, busque ao Senhor, confesse seu pecado, e o Senhor te perdoará, te atenderá. Levante-se e atenda ao chamado de Deus para tua vida. Levante-se para andar em santidade, para fazer a obra, para ser parecido com Jesus.
Agora, se você está desobedecendo, mas ainda não foi disciplinado, não espere a tempestade vir, não espere o peixe te engolir. Arrependa-se agora. Converta-se agora.
3ª aplicação - Aos que ainda não são salvos em Jesus
Mesmo quando nós estamos com Cristo no barco, nós passamos por tempestades. Nesta vida passamos por muitas delas. Mas com Cristo no barco não somos destruídos. O problema é quando não temos Jesus.
Mas a grande travessia que temos pela frente é a última delas, a travessia para o outro lado da vida. Os antigos gregos imaginavam essa travessia num barco. O barco que conduzia ao inferno, o reino dos mortos. Então quando alguém morria o barqueiro vinha para levar a sua alma.
Mas os que têm Jesus não precisam ter medo de serem levados para o reino das trevas. Porque com Cristo no barco, a tempestade é acalmada, a bonança se faz e se chega ao porto seguro. E este porto seguro é o céu, a casa do Pai.
Jo 14:1-3
1 Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.  2 Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. 3 E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também.

Quando você morrer, quer que “o barqueiro Jesus” venha te buscar? Se você ainda não é salvo, quero dizer, se você ainda não está a caminho do céu, o que você precisa fazer é crer em Jesus, mesmo que sua fé seja ainda pequena, e clamar a ele: “Senhor, salva-me! Se não perecerei!” Ele atenderá à tua oração, e você o seguirá.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Encorajamentos - Mt 10:24-33


Igreja Evangélica Presbiteriana
Domingo, 17 de fevereiro de 2013
Pr. Plínio Fernandes
Amados irmãos, vamos ler Mateus 10:24-33
24 O discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo, acima do seu senhor. 25 Basta ao discípulo ser como o seu mestre, e ao servo, como o seu senhor. Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos? 26 Portanto, não os temais; pois nada há encoberto, que não venha a ser revelado; nem oculto, que não venha a ser conhecido. 27 O que vos digo às escuras, dizei-o a plena luz; e o que se vos diz ao ouvido, proclamai-o dos eirados. 28 Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo. 29 Não se vendem dois pardais por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai. 30 E, quanto a vós outros, até os cabelos todos da cabeça estão contados. 31 Não temais, pois! Bem mais valeis vós do que muitos pardais. 32 Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus 33 mas aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus.
Nós somos pessoas imensamente abençoadas, pois temos conhecido o grande amor que Jesus Cristo tem por nós. Aos nossos olhos, por meio das Escrituras, o Espírito Santo tem apresentado ao Senhor Jesus em toda a sua graça, amor e poder, para que o conheçamos, para que o adoremos, para que confiemos nele e sejamos salvos. Temos conhecido que Jesus, o nosso Deus e Salvador se fez homem, habitou entre nós e nos revelou a santidade e a bondade de Deus nosso Pai. Temos conhecido o poder do sangue de Jesus, pois entendemos que em sua morte ali na cruz, ele levou sobre si o castigo que era nosso. Pelos seus sofrimentos a nossa dívida foi paga, nossas almas foram redimidas e o nosso coração encontrou paz. Temos certeza da vida eterna. Temos a certeza de que Jesus voltará para nos levar consigo.
Todas estas verdades da Bíblia, e muitas outras, não nos enchem o coração com uma deliciosa calma e ternura para com Deus? E também não nos motivam a falar de Jesus aos nossos amigos, no desejo de que eles também conheçam esta tão doce salvação?
Por isto nós oramos pela conversão dos nossos amigos, pois Jesus tem grande prazer em conceder salvação. E falamos de Jesus, com uma vida de amor para com os de fora, e também com palavras, testemunhando nossa fé, anunciando a Jesus como Deus e Salvador. E colocamo-nos à disposição de nosso Senhor, buscando a conversão de almas.
Mas o Senhor Jesus disse que esta tarefa de testemunhar o Evangelho não seria fácil. Muitas vezes, seus amados discípulos seriam como ovelhas entre lobos (v. 16). Muitas vezes incompreendidos, difamados, perseguidos, odiados até. Mas que estas coisas não deveriam tirar o brilho da graça em seus corações. Ao contrário, que devemos continuar amando, continuar falando com discernimento e mansidão, com perseverança, e confiando que o Espírito Santo colocará em nosso coração o que devemos falar (vs. 17-23).
Mas ele conhece tão bem a nossa fragilidade, e sabe como somos inclinados ao desânimo diante da oposição, quando ela se torna obstinada.  Sabe como suas ovelhinhas são propensas a ter medo diante dos perigos. Então, neste texto que acabamos de ler, ele carinhosamente nos admoesta, insta conosco no sentido de que não tenhamos medo.
Veja no v. 26: “Portanto, não os temais...”. No v. 28: “Não temais os que matam o corpo...” E também no v. 31: “Não temais, pois”...
Assim nesta noite vamos meditar no que o Senhor Deus nos diz aqui, a fim de nos incutir coragem. Porque não devemos ter medo?
Vejamos os vs. 24 e 25
24 O discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo, acima do seu senhor. 25 Basta ao discípulo ser como o seu mestre, e ao servo, como o seu senhor. Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos?
Em vários lugares, os Evangelhos testemunham que o próprio Senhor Jesus foi chamado de maneira ofensiva; tão ofensiva que até mesmo o identificaram com o próprio Satanás. Por exemplo, em Mateus 12:24 nós lemos que os fariseus diziam que Jesus expulsava demônios pelo poder de Belzebu, o maioral dos demônios. O mesmo nos dizem Marcos e Lucas. Em Mateus 27:63 lemos que ele também foi chamado de “embusteiro” (impostor, enganador, trapaceiro, vigarista). E em Marcos 3:21 lemos que em certa ocasião até mesmo os parentes dele diziam que Jesus estava sem juízo. Em João 7 as multidões, e em João 8, os fariseus dizem a Jesus que ele estava endemoniado.
Da mesma forma, através da história, homens tidos como sábios pelo mundo, homens como Marco Aurélio, o imperador filósofo, Voltaire, Nietzsche e tantos outros, e nos dias de hoje (muitos dos nossos estudantes não precisam ir além de suas salas de aula, e também em livros, e na internet), o que se diz sobre nosso Salvador não é diferente.
Ora, se o que se diz sobre Jesus é isto, o que se dirá sobre os que acreditam nele? O que se dirá daqueles que entregam suas vidas a ele, que se dedicam a adorá-lo e a fazer a vontade dele? Que são tão loucos quanto ele. Ou tão impostores. Ou tão endemoniados.
E meus irmãos, não estranhem: mas quando dizemos “o mundo”, não estamos falando apenas de grupos fora da religião cristã. Lembrem-se de que os fariseus, os escribas, os saduceus, eram todos grupos religiosos de Israel, aquele abençoada nação que pelo menos se entendia como o povo escolhido, que pelo menos dizia seguir as Escrituras.
Não é de admirar que muitas vezes os verdadeiros discípulos de Jesus são rejeitados, não só pelos de fora, mas também pelos de dentro. João Wesley simplesmente foi proibido de pregar nas igrejas da Inglaterra. Pela mesma razão, John Bunyan ficou preso por muitos anos. E Martinho Lutero foi excomungado. Só estou citando os exemplos mais conhecidos.
Mas quando, em qualquer círculo, se uma pessoa é chamada “tola” por seguir a Jesus, saiba que não está sozinha. Ela faz parte de uma grande galeria de gente boa, que desde a antiguidade bíblica, e passando por estes dois mil anos da história da Igreja, tem levado sobre si o desprezo por sua fé; gente que é tida em alta conta no céu. Por exemplo, leiamos o que o Espírito Santo nos diz sobre Moisés:
Hb 11:24-26
24 Pela fé, Moisés, quando já homem feito, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, 25 preferindo ser maltratado junto com o povo de Deus a usufruir prazeres transitórios do pecado; 26 porquanto considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, porque contemplava o galardão.
 Note especialmente o v. 26. A NVI traduz assim: “Por amor de Cristo, considerou sua desonra uma riqueza maior do que os tesouros do Egito, porque contemplava a sua recompensa”. Moisés preferiu antes ser desprezado por amor a Cristo[1], do que desfrutar dos prazeres do pecado, que passam rapidamente e levam pro inferno. Então ele se recusou a ser chamado filho da filha do Faraó egípcio. Para ele o “status” não era algo tão importante quanto estar fazendo a vontade de Deus.
Meu irmãozinho querido, não seja um impostor, não seja um fanático, não creia em tolices, não dê lugar ao pecado, não seja um crente amante de riquezas e posição, não seja um crente amante do poder, para que o mundo não te acuse justamente. (Pois infelizmente há muitos que, dizendo-se cristãos, são mais amantes dos prazeres do que muitos que não são cristãos)[2].
Mas se você for difamado por amor ao Senhor, por fidelidade a ele, por testemunhar de Jesus, saiba que isto é um privilégio. O privilégio de ser discriminado, assim como é discriminado nosso Deus e Senhor. E não devemos ter medo de ser tão mal considerados como Jesus.
2º. Também não devemos ter medo, porque somente Deus é o Senhor da nossa vida
Satanás não é o dono da nossa vida. E os que rejeitam a Jesus também não são. E por mais que Satanás ou os homens queiram que deixemos de crer ou de falar, não podem realizar seu desejo. Jesus nos diz isto através de três exemplos:
2.1 – O primeiro está nos vs. 26 e 27. Nem os homens, nem Satanás, podem determinar aquilo que havemos de falar
26 Portanto, não os temais; pois nada há encoberto, que não venha a ser revelado; nem oculto, que não venha a ser conhecido. 27 O que vos digo às escuras, dizei-o a plena luz; e o que se vos diz ao ouvido, proclamai-o dos eirados.
Um dia toda a verdade virá à luz.
É como escreveu Malaquias: chegará o dia em que se verá a diferença entre o justo e o perverso, entre o que serve a Deus e o que não serve[3]. Em que o que tiver feito o bem receberá do Senhor o seu louvor[4].
Lembra-se daquela parábola do homem rico, que acumulou mais e mais tesouros na terra, e nada no céu? Deus o chamou “louco”.  Haverá um dia em que serão manifestos os realmente insensatos e os realmente sábios. Então fale de Jesus. O que Jesus te fala na intimidade, proclame dos lugares altos. Testemunhe. “Não temas, pelo contrário, fala e não te cales” [5].
A história nos conta de um homem chamado John Huss.  Ele viveu na Boêmia. E foi condenado à fogueira por pregar o Evangelho, em 1415. Mas enquanto estava preso aguardando a morte, João Huss disse: “Podem matar o ganso (em alemão “huss” quer dizer ganso), mas daqui a cem anos, Deus suscitará um cisne que não poderão queimar”[6]. E cento e dois anos depois, em 1517, Martinho Lutero colocou suas 95 teses na porta da universidade em Wittenberg, que deram inicio à grande Reforma. Pois a Palavra de Deus não pode ser silenciada.
Isto nos conduz ao segundo exemplo que o Senhor nos dá...
2.2 – Nem os homens, nem Satanás, podem determinar o nosso destino eterno.
v. 28
Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.
Não preciso dizer que ninguém gosta de morrer. Ainda mais de forma violenta. Mas preciso lembrar que o nosso Senhor é realista e não ilude ninguém. Ele não diz que na hora em que o cristão é atirado aos leões por amor ao seu nome ele enviará o seu anjo e certamente escapará. A Pedro, ele disse particularmente que no final de sua vida o querido apóstolo seria levado para onde não queria ir, e fariam o que ele não desejava. E João acrescenta que com isto Jesus estava se referindo ao gênero de morte com o qual Pedro glorificaria a Deus[7].
Eu quero mencionar as notícias que atualmente chegam a nós através da missão Portas Abertas, sobre o que sucede na Colômbia, país vizinho ao nosso:
“O crescimento da Igreja é significativo. As guerrilhas, os cartéis do narcotráfico, o corporativismo corrupto do governo e as religiões tradicionais continuam a testar a fé dos novos convertidos. Aqueles que se convertem são considerados traidores e alguns são assassinados. Missionários são ameaçados, sequestrados e às vezes mortos. Muitos cristãos são martirizados por assumir posições contrárias ao crime... Estatísticas do Conselho Evangélico de Igrejas da Colômbia indicam que mais de 400 igrejas já foram fechadas e cerca de 150 pastores foram assassinados pelos subversivos desde 1998... Após o fracasso dos acordos de paz entre governo e guerrilhas, os rebeldes se recusaram a sair da região. As igrejas continuaram fechadas e a pregação do evangelho, restrita. Diversas pessoas passaram a cooperar com os grupos subversivos” [8].
Em todo o mundo, muitos haveriam, e muitos haverão de sofrer afrontas, desprezo e muitas vezes até morrer por amor ao nome do Senhor. Não existe na Bíblia uma promessa de escape quanto a isto, e muitas vezes os santos de Deus têm que selar o testemunho de sua fé com o seu próprio sangue.
Mas o Senhor Jesus diz que o homem não é somente corpo. É corpo e alma. E a alma é aquela “parte” do nosso ser que não pode ser destruída pelos intentos humanos ou de Satanás.
Então não tenham medo daqueles que podem matar o corpo mas não a alma. Temam, isto é, respeitem a Deus, porque sobre a alma somente ele tem poder.
2.3 – Nem os homens, nem Satanás, nos dão o valor que realmente temos aos olhos do Senhor
vs. 29-31
29 Não se vendem dois pardais por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai.30 E, quanto a vós outros, até os cabelos todos da cabeça estão contados.31 Não temais, pois! Bem mais valeis vós do que muitos pardais.
Um asse, ou ceitil, era uma pequena moeda romana, que equivalia a 1/16 de um denário[9]. Era uma moedinha de pouquíssimo valor. E se Mateus nos diz que dois pardaizinhos, que eram alimento de pessoas bem pobres, eram vendidos por um asse, Lucas nos diz que eram cinco pardaizinhos valiam dois asses[10].
Mas até estes pardaizinhos, que aos olhos humanos tinham tão pouco valor, não passam despercebidos aos olhos do Pai. Barclay diz que a palavra aramaica que Jesus usou, e depois vertida por “cair” no texto grego, quer dizer literalmente “pousar”: nenhum pardalzinho pousa no chão sem que esteja sob os olhos de Deus[11]. Seja cair, seja pousar, o Pai está atento, vigilante sobre tudo. Ele dá valor a toda a sua criação.
Mas vocês, diz o Senhor, até os cabelos de suas cabeças estão contados. Vocês valem muitos mais do que pardais. Então não se preocupem. Se os homens não lhes derem valor, saibam que o Pai celestial não é assim.
Será, pequenino rebanho, que isto não é consolo para nós? Será, pequenina ovelha, que isto não é consolo para você? Nunca tenha medo de testemunhar daquele para quem você é tão preciosa que ele do céu enviou seu Filho Unigênito, para que você não pereça, mas tenha a vida eterna. Constrangido pelo amor, que somente ele tenha autoridade sobre o que você diz e o que não diz. Que ele, e mais ninguém, seja o capitão da tua alma.
vs. 32, 33
32 Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus; 33 mas aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus.
Nós temos consciência, irmãos, que para muitas pessoas, uma fé que prega a vida eterna no céu é uma religião escapista e alienadora. Que faz as pessoas fugirem dos problemas diários e ficar distante das necessidades deste mundo sofrido, enclausurada no mundinho da religião. E precisamos reconhecer que muitas vezes somos culpados de agir assim.
Mas ao mesmo tempo, não podemos negar que a fé bíblica, especialmente conforme Jesus nos ensina tão claramente, é uma fé que nos faz confiar na vida eterna no céu, seja no céu após a morte, seja nos “novos céus e nova terra” prometidos para a volta de Jesus, dos quais nos falam Pedro, o Apocalipse, Isaías, enfim, a Bíblia como um todo.
E também que se nós entendermos a promessa da vida futura tal com o Senhor nos ensina, muito longe de nos fazer escapistas e alienados, a fé bíblica nos ensina a viver no presente à luz da promessa quanto ao futuro. E isto envolve todas as áreas da nossa existência presente: o trabalho, a família, a igreja, as amizades, o conhecimento, as artes, tudo, e muito especialmente o nosso testemunho de Cristo diante dos homens. O testemunho que envolve a nossa maneira de viver e de falar, pois aquele que crê no Senhor também vive em amor e na busca de promover o reino de Deus e a sua justiça. E Jesus promete que há uma recompensa para este testemunho:
“Aquele que me confessar diante dos homens, aquele que não negar a fé em mim, aquele que não se envergonhar de mim, mesmo quando for zombado, mesmo quando for perseguido por causa do meu nome, eu também o confessarei diante de meu Pai que está nos céus”.
Porque irmãos, todos nós, os crentes, também compareceremos perante o tribunal de Deus, a fim de dar contas de nós mesmos perante o Senhor[12]. Perante aquele eu é tão puro que os seus olhos não podem contemplar o mal[13]. Então não podemos nos achegar sozinhos, mesmo diante do Pai.
Mas se de coração cremos no Senhor Jesus, se com nossa língua o confessamos, então não estamos sozinhos. Primeiro, temos a certeza de que agora mesmo, Jesus nos confessa diante do Pai quando somos tentados, intercedendo por nós, nos socorrendo em nossas fraquezas[14]. Segundo, temos a certeza de que Jesus nos confessa diante do Pai quando caímos, intercedendo como nosso advogado[15]. E por último, temos a certeza de que ele será o nosso advogado também naquele dia em que ele mesmo será o juiz de todos os homens, agindo em nome do Pai. Seremos recebidos por ele mesmo, para a posse da vida eterna[16]. Então temos esta promessa fiel – Rm 8:16-18
16 O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. 17 Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados.18 Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós.
Não tenha medo de confessar a Jesus, não tenha medo de testemunhar com sua vida, não tenha medo de falar de Jesus, pois, se com ele você sofrer, naquele dia em que todas as coisas vierem à luz, com ele você será honrado na presença do Pai.
Assim, o Senhor Jesus nos ensina que, mesmo sendo crentes num mundo de descrença, não precisamos ter medo de testemunhar nossa fé.
Porque, quando somos maltratados por causa do nome de Jesus, estamos sendo identificados com ele, o que é uma honra e um privilégio para nós.
Além disto, porque mesmo que os homens ou Satanás nos aflijam, eles não têm poder sobre nossas vidas: Eles não podem determinar o que dizemos ou deixamos de dizer. Eles podem matar nossos corpos, mas não podem matar nossas almas. Se eles não nos valorizam, o Senhor dos céus e da terra nos dá um valor eterno. Somos tão preciosos aos seus olhos que ele enviou o seu Filho ao mundo, a fim de nos salvar na cruz.
E se confessarmos a Jesus diante dos homens, manifestando assim a fé que temos no coração, ele também nos confessará diante do Pai que está nos céus.
Eu quero fazer quatro aplicações gerais para nossas vidas:
1. Para aqueles que têm ouvido sobre Jesus, que têm sido motivados a crer, a se converter, mas que ainda não se decidiram a obedecer ao Evangelho.
Eu sei que muitas vezes as pressões da família, dos conhecidos, dos companheiros de trabalho ou de estudo podem nos fazer recalcitrar.
“Se eu me converter a Jesus, podem rir de mim... Se eu me converter a Jesus, meus familiares irão achar ruim...”
Certa vez eu conheci uma senhora que temia pelo emprego do marido, se ela e ele se convertessem. Mas eu quero perguntar: Será que qualquer pessoa deste mundo é mais importante que Jesus? Será que qualquer pessoa ou posição neste mundo vale a salvação eterna da sua alma? Então supere o medo, supere a vergonha, ou, neste caso, supere o orgulho, e converta-se ao Senhor. Ele é digno disto. E você precisa desesperadamente ser salvo.
2. Para aqueles que têm sofrido afrontas por amor a Jesus
Regozije-se no Senhor. Você pertence a ele. A sua recompensa está guardada. Jesus virá, e trará consigo o seu galardão. Seja fiel até à morte, e você receberá a coroa da vida[17]. Fale de Jesus. Fale por amor e com amor. Pregue o Evangelho. Busque a salvação dos homens. Há muitos que ainda chegarão ao arrependimento antes que ele volte. Eu estou pensando em certa ocasião, na minha adolescência, em que uma professora no colégio estava contando a história de Adão e Eva, e eu estava rindo dela, porque achava isto uma coisa tão boba! Ela me repreendeu por estar zombando. Mas hoje eu sei que a história da qual ela falava é verdadeira. Com isto quero dizer que as pessoas mudam de opinião, pela graça de Deus. Então não desanime, pois de um modo ou de outro o testemunho do crente produz frutos eternos.
3. Para aqueles que não têm assumido sua fé em Jesus
Você leu no v. 33 que negar ao Senhor Jesus é um pecado muito grande. Tanto que se você permanecer nele, também será negado pelo Senhor diante do Pai. Mas este não é um pecado imperdoável. Lembra-se do comportamento de Pedro, o apóstolo, na noite em que Jesus foi preso? Por três vezes ele negou que conhecia o Senhor. Ele ficou com medo, foi seguindo de longe, depois se misturou com as pessoas, e disse que não era um seguidor de Jesus. Mas como Pedro se arrependeu disto! E chorou amargamente[18]. E foi perdoado, restaurado, e tornou-se um homem muito usado por Deus[19]. Então, se você tem pecado, dado mau testemunho, seja em palavras, seja em comportamento, eu tenho uma boa notícia: Jesus te perdoa. Tão somente arrependa-se. Tão somente confesse.
4. E por último, irmãos, não nos esqueçamos de que no mundo inteiro há irmãos que sofrem por amor a Jesus.
E muitos deles, a ponto de serem presos e mortos; não apenas com zombaria. Muitos perdem seus empregos e ficam em situação dificílima. Oremos pela igreja perseguida. Procuremos saber a respeito deles, e ajudar às missões que se dedicam especialmente a servir à igreja sofredora.
Lembra-se de o que aconteceu com Neemias, quando na cidadela de Susã, perguntou sobre como estava o povo de Deus em Jerusalém? A resposta que ele teve foi de que as portas da cidade estavam queimadas, os muros derribados, o povo do Senhor em grande miséria e humilhação. Então Neemias não conseguia fazer outra coisa a não ser orar, chorar, confessar pecados, jejuar ao Senhor em favor de sua igreja sofrida. Até o momento em que o Senhor o enviou a Jerusalém[20]. Pergunte pela igreja sofredora. Certamente você será motivado a orar mais por eles. E a evangelizar mais.




[1] Se você crê que o Deus que se revelava a Moisés era o próprio Cristo, antes de sua encarnação não terá dificuldade para entender isto.
[2] Fp 3:18, 19
[3] Ml 3:18
[4] 1ª Co 4:5
[5] At 18:9
[6] Orlando Boyer, Heróis da Fé (Rio de Janeiro, CPAD, 31ª edição, 2005), pág. 13.
[7] Jo 21:19. Segundo Eusébio de Cesaréia, em sua História Eclesiástica, II:XXV, Pedro e Paulo sofreram martírio nos dias de Nero. 
[8] http://www.portasabertas.org.br/cristaosperseguidos/perfil/colombia/, acessado em 16 de fevereiro de 2013, às 11:20h.
[9] O denário era uma moeda romana, de prata, que correspondia ao pagamento de um dia de trabalho.
[10] Lc 12:6
[11] Cf. Barclay, O Novo Testamento Comentado, Mateus, pág. 419. Mas embora seja uma observação interessante, o texto original que temos, e portanto, o que consideramos inspirado, está em grego, e não aramaico, e anotamos a observação de Barclay com bastante reserva.
[12] Rm 14:10
[13] Hc 1:13
[14] Hb 4:14-16
[15] 1ª Jo 2:1, 2
[16] Mt 25:34
[17] Ap 2:10
[18] Mt 26:34-75
[19] Jo 21:15-22
[20] Ne 1, 2

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