Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

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terça-feira, 11 de setembro de 2018

Sonde o seu coração - Mc 2:1-12

3ª IPC de Guarulhos
Domingo, 2 de setembro de 2018
Pr. Plínio Fernandes

Amados irmãos, vamos ler no Evangelho de Marcos, o cap. 2:1-12.
Dias depois, entrou Jesus de novo em Cafarnaum, e logo correu que ele estava em casa.  2 Muitos afluíram para ali, tantos que nem mesmo junto à porta eles achavam lugar; e anunciava-lhes a palavra.  3 Alguns foram ter com ele, conduzindo um paralítico, levado por quatro homens.  4 E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o eirado no ponto correspondente ao em que ele estava e, fazendo uma abertura, baixaram o leito em que jazia o doente.  5 Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão perdoados.  6 Mas alguns dos escribas estavam assentados ali e arrazoavam em seu coração: 7 Por que fala ele deste modo? Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, senão um, que é Deus?  8 E Jesus, percebendo logo por seu espírito que eles assim arrazoavam, disse-lhes: Por que arrazoais sobre estas coisas em vosso coração?  9 Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda?  10 Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados -- disse ao paralítico: 11 Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa.  12 Então, ele se levantou e, no mesmo instante, tomando o leito, retirou-se à vista de todos, a ponto de se admirarem todos e darem glória a Deus, dizendo: Jamais vimos coisa assim!
Neste texto precioso nós temos, mais uma vez, a revelação do propósito de Deus ao enviar seu Filho ao mundo: a redenção do homem pecador.
Não é sem motivo que Marcos começa o seu livro (cap. 1:1) dizendo que tudo quanto irá escrever é evangelho, boa notícia.
Jesus estava de volta à sua residência, na cidade de Cafarnaum, depois de alguns dias fora, curando enfermos, libertando pessoas endemoniadas, pregando a mensagem do reino de Deus que havia chegado.
E quando souberam que ele agora estava em casa, muitas pessoas foram para lá, a fim de ouvir seus ensinamentos.
Mas a Bíblia nos conta aqui que, entre as pessoas que foram até à casa de Jesus, havia quatro homens, transportando um enfermo; um paralítico em sua pequena cama. Eles desejavam apresentá-lo a Jesus, a fim de que o Senhor o curasse.
Então imagine – a pequena residência estava cheia de gente. Também havia gente nas janelas, na porta, e gente do lado de fora; de maneira que para eles ficou muito difícil aproximar-se do Senhor.
Mas alguém teve uma ideia, e a colocaram em prática. Subiram em cima da casa, e fizeram uma abertura no teto, no lugar onde Jesus estava em baixo.
E por ali desceram o seu amigo enfermo.
Jesus não deu importância ao fato de que haviam entrado da maneira mais “anticonvencional” possível.
Mas ele viu a coisa mais importante, sem a qual é impossível alguém agradar a Deus.
O v. 5 diz:
Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão perdoados.
É evidente, meus irmãos, que eles se aproximaram de Jesus por causa da enfermidade deste homem.
E o texto não diz por que ele estava paralítico. Mas eu tenho duas razões para crer que esta enfermidade tinha uma razão espiritual.
Uma delas é que em João cap. 5 nós lemos sobre outro homem a quem Jesus cura de paralisia, e depois de curá-lo, Jesus ordena:
– Não peques mais, a fim de que não te aconteça uma coisa pior. [1]
Outra razão é que, antes de qualquer outra coisa, Jesus dá a este homem uma Palavra de perdão. Esta era a grande necessidade do enfermo.
Há alguns anos eu conheci uma senhora na cidade de Santa Bárbara, a quem aconteceu uma coisa muito perecida.
Ela me contou que tinha um problema de saúde que a obrigava a usar um colete havia muitos anos. O seu tórax e pescoço precisavam do colete para que pudesse ficar ereta. Eu já não me lembro do nome desta enfermidade.
Mas um dia ela ouviu a Palavra da Verdade, o Evangelho da nossa salvação. Ela creu e rendeu sua vida a Cristo. E conforme contou, sentiu-se imediatamente curada. Retirou o colete, e estava sã.
Os escribas, homens que conheciam muito as Escrituras do Antigo Testamento, começaram a murmurar em seus corações, dizendo pra si mesmos que Jesus estava blasfemando. Que somente Deus pode perdoar pecados.
Mas o Senhor, que leu os corações deles, respondeu então:
– Que é mais fácil? Dizer para este homem que seus pecados estão perdoados, ou dizer: levante-se, tome o seu leito e ande?
– Sendo assim para que vocês saibam que eu tenho autoridade para perdoar os pecados (enquanto se voltava ao paralítico), eu te mando: levante-se, tome o seu leito e ande.
E imediatamente o paralítico se viu curado. As pessoas que viram estas coisas acontecerem ficaram muito admiradas, e glorificaram a Deus, e diziam: – Nunca vimos nada assim!
Amados, aqui nós temos muita revelação a respeito do nosso Salvador, o Senhor Jesus.
Há uma coisa na qual os escribas estavam certos: somente Deus pode perdoar pecados.
Mas o que eles não conseguiam perceber é que Deus estava ali, encarnado em Cristo.
Quando Jesus refere-se a si mesmo como “Filho do homem”, está usando uma expressão várias vezes usada no Antigo Testamento em relação ao profeta Ezequiel, mas cuja principal referência aparece no profeta Daniel, designando um ser celestial que vindo a este mundo traria o reino de Deus à terra.
Um ser celestial a quem seria dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; um seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído.[2]
O que aqueles olhos dos escribas, embaçados pelo orgulho, não conseguiam enxergar é que naquela pessoa humilde, porém cheia de autoridade que estava diante deles, a promessa do reino de Deus estava começando a se cumprir.
E por isto, porque Deus estava em Cristo, ele tinha, e tem poder para perdoar pecados.
Mas nós também aprendemos sobre a divindade de Cristo no fato de que ele sonda os corações, pesa o espírito de cada ser humano. Como disse Pedro a Jesus, noutra ocasião: – Senhor, tu sabes todas as coisas; tu sabes que eu te amo,[3] referindo-se ao fato de que Jesus conhece cada coração.
Ele sabia o que se passava nos corações dos escribas. Assim como conhece o que se passa na mente, no coração de cada um de vocês aqui, agora, no momento mesmo em que ouvem a pregação de sua Palavra.
E também vemos a divindade de Jesus se manifestando no fato de que ele ordena, e o paralítico é imediatamente curado, apenas pelo poder de sua Palavra. Pois aquele que fez os céus e a terra apenas pela Palavra do seu poder, é poderoso também para submeter todas as coisas que criou à sua própria vontade.
Diante disto, só podemos admirar a Jesus, crer nele, confiar nele, esperar nele, amá-lo, adorá-lo como nosso rei, nosso Deus e Salvador.
Pois nele há poder e perdão. Nele há redenção.
Mas o que desejo destacar nesta noite, amados, é a reação, ou melhor, as diferentes reações de três tipos de pessoas que vivenciaram este momento com Jesus.
Há uma cena em Forrest Gump que eu acho muito engraçada. Ele é um menininho pouco inteligente, e está conversando com uma menina que é a coisa mais linda que ele já viu na vida.
Então a certa altura, por causa das coisas meio sem sentido que ele diz, ela pergunta:
– Você é estúpido ou o quê?
E ele responde:
– Minha mãe diz que estúpido é quem faz estupidez.
Sim. Aquilo que nós dizemos, e aquilo que nós fazemos, revelam aquilo que somos por dento.
Por exemplo, se uma pessoa está sempre reclamando de tudo, murmurando. Isto revela que seu coração é ingrato, infeliz.
Se uma pessoa está sempre louvando a Deus, isto revela gratidão e felicidade, revela contentamento.
Pois, como diz a Escritura, cada ser humano, até mesmo uma criança, se dá a conhecer pelas suas ações, se o que faz é puro e reto.[4]
Assim também aqui nós vemos pelo menos três tipos de corações diferentes, pelo comportamento deles em relação a Jesus, e em relação uns aos outros.
1. Primeiramente, desejo destacar os corações insensíveis, que vemos nos escribas
Eles não dizem uma palavra, mas para aquele que sonda os corações, cada pensamento é como uma voz soando alto, a claro e bom som.
Eu também poderia descrevê-los como corações endurecidos, ou desamorosos, ou descrentes, ou resistentes ao Espírito da graça de Deus.
Pois veja: enquanto Jesus enxerga a fé no homem paralítico e seus amigos, os escribas enxergam blasfêmia em Jesus.
Enquanto Jesus salva um homem de seus pecados, eles murmuram em seus corações.
Enquanto Jesus realiza a vontade do Pai, eles se opõem à vontade de Deus.
Irmãos, ser um escriba era uma coisa muito importante entre os judeus.
Eles eram pessoas altamente respeitadas.
Um dos primeiros, senão o primeiro escriba, foi um homem de Deus, muito piedoso, chamado Esdras.
Ele tomou uma decisão solene em seu coração: iria estudar a lei do Senhor, obedecer a lei do Senhor, e ensinar em Israel a lei do Senhor. Um propósito nobre, que ele cumpriu, que agradou ao Senhor, e por isto foi muito abençoado.[5]
E por isto também “fez escola”; muitos desejaram e se propuseram a seguir o seu exemplo. Aliás, um exemplo que nós devemos também seguir.
Mas com o passar do tempo, os escribas começaram a perder o rumo. E começaram a estudar a lei de Deus, a conhecer o que ela diz, e no desejo de colocar obstáculos ao pecado, começaram a acrescentar coisas à lei de Deus; coisas que Deus não ordenara.
O resultado foi que o seu grande conhecimento, em vez de torná-los pessoas humildes, conscientes dos seus pecados, necessitados da graça de Deus, tornaram-se justos aos seus próprios olhos, orgulhosos de sua “alta espiritualidade”.
E foram tornando a vida religiosa difícil, pesada, cheia de tradições humanas, seca, sem vida, sem amor.
Eles sabiam quantos mandamentos havia no Antigo Testamento, quantos eram mandamentos sobre o que devemos fazer, e quantos eram os mandamentos sobre o que não devemos fazer. E para guardar estes mandamentos acrescentaram muitos outros, que garantiriam a obediência.
Desta forma, a religião do Antigo Testamento, que Deus deu como revelação de sua graça e verdade[6], tornou-se para eles uma religião de boas obras humanas, mais preocupada com "externalidades", rituais, fórmulas teológicas milimetricamente calculadas e precisas, e sem amor.
Irmãos, o pecado é terrível, e engana o coração humano. Por isto você e eu, cada um de nós precisa prestar atenção, precisa vigiar a si mesmo.
Se a sua doutrina, em vez de te levar ao coração da religião dada por Deus, isto é, se a sua doutrina não está produzindo em você amor aos homens a quem você vê, se a sua doutrina não está produzindo em você esperança e fé em Jesus, então a sua doutrina não está te conduzindo a Deus.
E então Deus está ali, diante de você, fazendo coisas grandiosas no seu dia a dia, e em vez de você louvar você está reclamando.
Você pode ser “convicto” da sã doutrina, falar de boca cheia que Deus é soberano, que ele bondosa e sabiamente governa todas as coisas pelo poder da sua Palavra, e ainda assim reclamar da chuva e do sol, reclamar dos problemas, reclamar da igreja, reclamar da família; quer dizer, seu conhecimento doutrinário não está fazendo de você uma pessoa piedosa.
Você pode até conhecer a Bíblia de Deus, mas não conhece o Deus da Bíblia.
Essa é a nossa tendência humana, se não buscarmos a Deus com humildade, se começarmos a achar que pelo nosso conhecimento intelectual da Bíblia e suas santas doutrinas, somos pessoas de alguma forma superiores às demais.
2. Em segundo lugar, vou destacar o coração necessitado, o coração do paralítico
Este homem, nós vemos, até cria em Jesus. Mas não tinha como achegar-se sozinho, pois estava paralítico.
E tinha pecados. Não sei se sua paralisia era consequência disto.
Mas o meu ponto agora é que o pecado não tratado, não perdoado, faz em nossas almas a mesma coisa que a paralisia faz no corpo.
O pecado paralisa espiritualmente.
Existem muitas pessoas cujas almas estão paralisadas pelas consequências de pecados.
Existem pessoas cujas vidas estão paralisadas pelo medo de serem descobertas em seus erros.
Existem pessoas cujas vidas estão paralisadas pelo medo de falhar novamente.
Existem pessoas cujas vidas estão paradas, inertes, sem conseguir avançar, sem conseguir gozas as alegrias do reino de Deus, da comunhão com Deus, por causa dos seus erros do passado.
Pessoas que não conseguem nem ao menos ir a Jesus para serem curadas. E pessoas que muitas vezes são até conhecidas como crentes.
Estou pensando numa querida família que conheci anos atrás. Hoje, pela graça de Deus, aquela irmã já é avó. Ela, seus filhos e netos são todos crentes.
Mas eu a conheci quando alguém me solicitou que a visitasse. Então aquela jovem senhora me contou de sua vida sem conhecer a Jesus, embora tivesse sido membro de igreja muitos anos. Contou-me como se afastara dos caminhos de Deus havia muito tempo, e agora não tinha esperança de perdão. Vários “maridos”, vários filhos, caminhos tortuosos. E não sabia o que fazer.
Mas não era difícil, pois a maravilha do Evangelho é que Deus ama pecadores, veio ao mundo por nossa causa, veio perdoar, restaurar, curar as feridas. Mais do que isto, veio dar vida em abundância.
Então eu apenas a lembrei do amor de Deus, de sua graça e perdão, e com uma fé simples, humilde, desejosa, ela entregou seu coração ferido a Cristo, e foi curada.
Recentemente nos encontramos de novo depois de uns trinta anos. Ela e sua família são crentes fervorosos e alegres.
Pois veja: na verdade não era somente ela querida senhora que não conseguia ir a Cristo por si mesma. A verdade é que ninguém pode vir a Cristo por si mesmo.
Veja as palavras de Jesus em Jo 6:44.
Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.
Todos os seres humanos, por causa dos seus pecados, estão incapacitados de vir a Cristo. Mas quando o Pai realiza a sua obra, aquele que está morto ressuscita; aquele que está cego enxerga; aquele que está surdo passa a ouvir. Até o louco volta a ter entendimento. Não é assim a nossa experiência? Não éramos todos mortos?
Mas Deus, sendo rico em misericórdia, e pelo grande amor que nos amou, nos deu vida juntamente com Cristo – pela sua graça fomos salvos.
Não éramos todos cegos? Pois o deus deste século cegava o nosso entendimento. Mas o Deus que disse: – Haja luz!, ele mesmo fez brilhar a luz da glória de Cristo em nossos corações.
Não éramos loucos, obscurecidos em nossos raciocínios vaidosos? Mas ele nos iluminou o entendimento.
Éramos duros de coração, mas ele tirou o coração de pedra a nos deu um coração de carne.
Jesus perdoa os pecados, cura os males que nos paralisam.
Talvez você aqui me ouvindo, esteja percebendo a necessidade do seu coração; dizendo consigo mesmo:
– Sou um coração necessitado. Tenho este e aquele pecado. Isto está corroendo minha alma e minha vida. Preciso perdão e salvação. Preciso Jesus.
Amado, se este é o seu caso, você não veio aqui sozinho. Você foi trazido por Deus. Foi trazido para ser livre. Para ser salvo. Para ser curado.
Talvez você seja até mesmo um crente no Senhor. Mas pode ser que haja pecados em sua vida. Coisas antigas. Venha a Jesus. Ele perdoa e cura.
3. E por último, desejo destacar os corações amorosos e crentes, dos amigos do paralítico
Amados, como disse Jesus, ninguém pode ir até ele se não for conduzido pelo Pai.
E o Pai se utiliza de muitas maneiras para levar alguém até seu Filho Jesus.  Pode usar circunstâncias, livros, acontecimentos, problemas.
Mas no mais das vezes, Deus se utiliza de gente. Deus usa a vida de pessoas crentes e amorosas, que não medem esforços para ajudar o seu próximo.
Como é o caso destes quatro homens, amigos do paralítico.
Eles creem em Jesus. Creem que o Senhor pode curar seu amigo.
Eles amam o paralítico. E não medem esforços para ajudá-lo.
Quando chegam a casa em que Jesus está, percebem ser muito difícil chegar até ele. Então alguém tem uma ideia, nada convencional.
Imagine você numa casa, uma reunião religiosa, a casa cheia, e de repente alguém começa a tirar as telhas pra descer até a sala. Ou fazendo isto numa igreja lotada.
Acho que a reação de uma pessoa comum seria a de se opor ao que estava acontecendo. Mas Jesus é extraordinário. E para os amigos deste homem valia a pena correr o risco.
Então, eles que não podem curar o homem, levam-no a quem pode.
Porque estes quatro são corações sensíveis, crentes, amorosos, que se compadecem da necessidade do seu amigo, e não medem esforços para levá-lo a Cristo, na esperança de que ele seja curado.
Este tipo de coração é o que Deus espera de nós, os que cremos em Jesus.
Se você continuar lendo sua Bíblia aqui em Marcos, a partir do v. 13, verá que ele nos conta sobre a conversão de Levi, também chamado Mateus.
E no seu Evangelho, Mateus também nos diz o que aconteceu logo em seguida à sua conversão.
Eu gostaria de ir ali com vocês.
Mt 9:9-13
Partindo Jesus dali, viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu.  10 E sucedeu que, estando ele em casa, à mesa, muitos publicanos e pecadores vieram e tomaram lugares com Jesus e seus discípulos.  11 Ora, vendo isto, os fariseus perguntavam aos discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?  12 Mas Jesus, ouvindo, disse: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes.  13 Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos; pois não vim chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento.
Mais uma vez nós vemos os estudiosos da Bíblia se opondo a Jesus. Mas o Senhor disse que eles não conheciam a vontade de Deus, e cita o profeta Oséias, dizendo:
– Vão e aprendam o que significa “misericórdia quero, e não holocaustos”.

Pois isto é o que Deus quer de nós. E é o que havia no coração daqueles quatro homens.
Queridos, existem muitas pessoas que estão doentes, paralisadas em seus pecados, mas corações misericordiosos podem ser instrumentos de Deus para serem levadas a Jesus e serem curados.
Conclusão e aplicação.
Nos escribas, vemos corações insensíveis, legalistas, duros, sem afeição, sem misericórdia, infelizes, sem conhecimento de Deus.
No paralítico, um coração necessitado, mas humilde, esperançoso e crente.
Nos quatro amigos, corações amorosos, misericordiosos e esforçados.
Cada um de nós pode se identificar com cada um destes tipos de coração. Pois todos nós carecemos de Jesus.
Examine o seu coração. Pois ele está relacionado a algum destes tipos. Talvez mais de um.
1. Se o seu coração está insensível, duro, se você é uma pessoa apenas preocupada consigo mesma, se você acha que religião é apenas feita de aparências externas, regras, se falta misericórdia dentro de você, então faça duas coisas: olhe para o espelho, e veja o rosto de uma pessoa muito carente da graça de Deus, cega em seu entendimento, pelo orgulho, pelo pecado, pela adoração de si mesmo. E olhe para Jesus, santo, justo, e misericordioso. Aprenda dele. Arrependa-se. Não seja como um escriba e fariseu. Então a alegria brotará em tua alma. A tua religião será glória para Deus e felicidade para o teu coração.
2. Talvez, nesta noite, você perceba o seu coração carente. Alma enferma, por causa dos seus pecados.
Venha a Jesus. Creia em Jesus. Confesse seus pecados a Jesus. Creia no seu amor revelado na cruz, quando ele se entregou pelos nossos pecados. Receba a salvação. E seja livre.
3. E por último, amados, que ao sair daqui esta noite, todos sejamos como estes quatro amigos. Levemos os necessitados a Jesus. Levemos em oração. Levemos em nossos corações. Levemos com o Evangelho. Levemos com nosso amor, com nossos esforços.
Que o Senhor use você na empresa em que você trabalha, na escola em que você estuda, entre os vizinhos, entre os colegas e conhecidos. Que o Senhor use a sua vida.


[1] Jo 5:14
[2] Dn 7:13, 14
[3] Jo 21;17
[4] Pv. 20:11
[5] Ed 7:8-10
[6] Sl 86:10

domingo, 2 de abril de 2017

Soberano Senhor - At 4:23-31

IPC de V. Continental
Domingo, 2 de abril de março de 2017
Pr. Plínio Fernandes
23 Uma vez soltos, procuraram os irmãos e lhes contaram quantas coisas lhes haviam dito os principais sacerdotes e os anciãos.  24 Ouvindo isto, unânimes, levantaram a voz a Deus e disseram: Tu, Soberano Senhor, que fizeste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há; 25 que disseste por intermédio do Espírito Santo, por boca de Davi, nosso pai, teu servo: Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas vãs?  26 Levantaram-se os reis da terra, e as autoridades ajuntaram-se à uma contra o Senhor e contra o seu Ungido; 27 porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel, 28 para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram; 29 agora, Senhor, olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra, 30 enquanto estendes a mão para fazer curas, sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus.  31 Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus.
Desde o cap. 2, o Livro de Atos está nos contando sobre como, pelo poder do Espírito Santo, a igreja de Jerusalém estava dando um maravilhoso testemunho de sua fé em Jesus.
Eles estavam sempre juntos, orando, aprendendo a doutrina dos apóstolos, desfrutando de uma grande comunhão uns com os outros, e causando muita admiração diante das pessoas de fora.
Mas é claro que Satanás, o inimigo da igreja, não estava aceitando estas coisas pacificamente (vocês sabem que a nossa luta espiritual não é contra carne e sangue, não é contra seres humanos).
E então, por meio de gente que odiava a mensagem de Jesus, a perseguição começou.
Os vs. 1-22 aqui do cap. 4 nos dizem que os apóstolos Pedro e João foram presos por seu testemunho do evangelho, e levados ao Sinédrio, que era constituído pelas as autoridades religiosas da cidade. Ali foram ameaçados, para que não falassem mais a respeito de Jesus.
Mas Pedro e João responderam que não poderiam fazer isto; não poderiam deixar de falar das coisas que tinham visto e ouvido nosso Salvador realizar.
E uma vez soltos, reuniram-se com a igreja, contando sobre a prisão e as ameaças que haviam sofrido.
Então os filhos de Deus precisavam renovação de suas forças, e também coragem para continuar a testemunhar diante de um mundo hostil.
E eles fizeram aquilo que Jesus havia feito em suas horas de necessidade, e também havia ensinado e ordenado muitas vezes: buscaram ao Pai em oração.
Uma oração cheia de fé, de sabedoria, que revelou o conhecimento que eles tinham de Deus.
O Senhor atendeu a oração deles: todos ficaram cheios do Espírito Santo, e com intrepidez anunciavam a palavra de Deus.
Eu desejo destacar a maneira como eles se dirigem ao Pai em sua oração, conforme lemos no v. 24.
Eles dizem a Deus: – Tu, Soberano Senhor...
Uma frase que demonstra o conhecimento que aqueles crentes tinham de Deus. Um conhecimento que os fortaleceu na fé, que os levou a orar com sabedoria, que os levou a continuar seu bom testemunho diante do mundo.
Eles aqui apontaram para o governo de Deus, o seu reinado, o fato de que ele é o supremo governador do universo. Discerniram o direito e o poder que Ele tem de fazer e ordenar todas as coisas.
Vamos considerar esta revelação que temos aqui, pois esta também é a nossa fé. Quando o invocamos como Soberano Senhor, o que estamos dizendo sobre Deus?
1. Que Deus é a razão de tudo o que existe e acontece
Que ele é a origem, a fonte de todas as coisas.
Nos v. 24 e seguintes, depois de invocá-lo como Senhor Soberano, a igreja passa a descrever com mais detalhes as implicações deste senhorio.
Ele é o Senhor Soberano, criador dos céus, da terra, do mar e tudo o que neles há.
Criador das coisas visíveis e invisíveis. Dos homens e dos anjos.
Dos animais e das plantas. Das incontáveis galáxias, das estrelas, dos planetas, das luas, dos meteoros, e todos os corpos celestes dos quais a ciência tem conhecimento e ainda não tem.
É a razão de tudo o que há. Isto inclui cada um de nós. Ele é a razão de cada um de nós existir. A nossa origem está em Deus. Por isto ele é Senhor.
Esta oração de fé da igreja também descreve a Deus como aquele que dirige, que controla todas as coisas.
Nos vs. 25 e 26 eles citam a profecia do Salmo 2, que Davi escreveu conduzido pelo Espírito Santo.
Uma profecia segundo a qual os gentios, isto é, os povos não israelitas, se levantariam contra o Ungido de Deus, quer dizer, se levantariam contra Jesus Cristo.
Depois, nos vs. 27 e 28 eles reconhecem que isto foi exatamente o que aconteceu: porque em Jerusalém se levantaram Herodes (um rei idumeu) e Pôncio Pilatos (o procurador romano), com gentios (os soldados romanos) e gente de Israel e colocaram Jesus na cruz.
E assim, sabendo que esta perseguição a Jesus já havia sido anunciada nas Escrituras, eles terminam no v 28 dizendo: fizeram o que a tua mão e o teu propósito determinaram.
Sim, amados, o Deus a quem adoramos e servimos, o Deus da nossa salvação, tem em suas mãos o controle de tudo o que acontece. Ele não somente controla o que acontece, mas também como as coisas acontecem.
Ele tem em suas mãos o controle de cada evento histórico, pois foi ele quem, para a nossa salvação, determinou a perseguição que Jesus sofreria, a sua morte na cruz.
No v. 30 a igreja pede que, enquanto prega o evangelho, o Senhor estenda a sua mão, para fazer curas, milagres que demonstrem a presença de Deus e o poder do nome de Jesus.
Pois eles creem que não somente os eventos históricos “naturais” estão sob o controle do Senhor; mas que o Senhor também pode intervir de maneira sobrenatural, realizando milagres de salvação.
E a igreja aqui também reconhece que Deus tem nas mãos o controle até mesmo de cada coração humano.
Pois no v. 29 eles pedem que Deus lhes dê a disposição certa do coração, quando oram: concede aos teus servos intrepidez (coragem, ousadia) para anunciarem a tua Palavra.
Assim como no Salmo 86, onde Davi pede: – Senhor, dispõe o meu coração para só temer o teu nome...[1].
E também em 1º Cr 29, onde ele ora para que, tanto seu filho Salomão, como o povo de Israel, tivessem sempre um coração reconhecido e disposto a contribuir com a obra da casa de Deus, inclinado para com o Senhor, um coração íntegro, para andar nos mandamentos do Senhor.[2]
Esta doutrina, amados, deve-nos fazer confiantes em Deus, e obedientes.
Eu conheci uma jovem, anos atrás, crente, que amava profundamente o Senhor, e confiava no amor de Deus também, em seu poder e sabedoria.
Esta jovem amava de um moço, era amada por ele, e desejavam se casar. Então ela disse ao pai, que não era crente, que o moço gostaria de falar com ele, para pedir autorização para namorarem.
Mas o pai, que além de incrédulo, tinha um coração preconceituoso, respondeu: – De jeito nenhum. Eu não quero minha filha namorando um negro.
Então ela foi orar. E disse a Deus:
– Senhor, tu sabes que eu amo este rapaz, mas o meu pai não quer permitir o nosso namoro. Eu sei que o motivo dado pelo meu pai está errado, mas tua Palavra me diz que eu devo obedecer ao meu pai, que eu devo honrá-lo.
– Eu sei que o Senhor tem nas mãos o coração de cada ser humano, inclusive o do meu pai. Então eu quero fazer o que tu ordenas.
– E se o Senhor deseja que eu namore este rapaz, por favor, mude o coração do meu pai, para que ele permita.
– Se não, mude o meu coração, e do meu amado, para que nós não fiquemos a desejar uma coisa que o Senhor não quer. E vamos descansar em ti.
Alguns dias depois, o pai desta moça a chamou, e disse:
– Filha, eu andei pensando melhor. E eu estava errado. Não é a cor da pele que determina o caráter de uma pessoa. Ele é um bom rapaz. Eu permito que vocês namorem, e abençoo o namoro de vocês. 
Pois irmãos, assim como Deus dirigiu os eventos da criação, ele dirige os eventos da História; e dirige o coração de cada ser humano.
Você, que é crente em Jesus, sabe disto pela sua própria experiência: se o Senhor Deus simplesmente tivesse deixado você entregue aos desejos do seu próprio coração pecaminoso, você não teria se convertido a Jesus.
Se você tem fé no seu coração, se você se arrependeu dos seus pecados, se no seu coração existe amor para com Deus, sua Palavra, obediência, todas estas coisas são dons que o Senhor Deus bondosamente colocou em seu coração.
Pois se Deus te deixar entregue aos seus próprios caminhos, então a sua tendência natural é a desobediência, a frieza, a desobediência, e você estará perdido.
2. Deus controla todas as coisas, até mesmo os corações humanos, de acordo com o propósito de sua vontade
v. 28 – Tudo o que a mão de Deus e o seu propósito determinaram.
Nada, no universo inteiro, acontece sem que esteja no controle de Deus.
Nada acontece aleatoriamente, ao acaso.
E tudo o que acontece, é realizado conforme “o propósito daquele que faz tudo de acordo com o conselho da sua vontade” [3].
Considere, o relato bíblico da criação. A cada momento, antes de Deus trazer alguma coisa à existência, primeiramente o Senhor diz qual é sua intenção; aliás, nós podemos dizer que quando Deus expressa a sua intenção, ela acontece: – Haja luz, ele diz, e a luz acontece. – Haja firmamento... apareça uma porção seca... produza a terra relva..., e tudo o que Deus ordena se realiza.
Da mesma forma em cada detalhe da história do mundo, em cada pequeno detalhe da vida diária, todas as coisas ocorrem de acordo com a determinação daquele tem até os fios de nossos cabelos contados.
Desde as pequeninas coisas do universo microscópico aos nossos pés, até à imensidão de UY Scuti, a maior estrela conhecida, 1.708 vezes maior que o sol; desde o mover dos planetas e estrelas, até às estações do ano, as chuvas e os ventos, o mover de um peixe dentro d’água, a queda de uma flor, não acontece nada, dentro da imensa cadeia de eventos no universo inteiro, que não esteja na determinação de Deus.
Eu acho interessante como a Bíblia usa a palavra “acaso”, ao se referir a certos acontecimentos fortuitos.
Por exemplo, em 1º Reis 22 há uma história muito interessante, onde aparece a palavra “acaso”. É a história da morte de Acabe, um perverso rei de Israel.
Acabe estava se preparando para uma batalha contra os sírios, que haviam invadido uma cidade de Israel.
Então, ainda que não fosse um homem obediente a Deus, fez vir à sua presença o profeta Micaías, por insistência do rei Josafá, de Judá.
E o profeta Micaías, disse que Acabe morreria na batalha daquele dia. O rei malvado ficou furioso e ordenou que o profeta fosse preso e não lhe dessem alimento, enquanto não voltasse vitorioso da batalha.
E para burlar a profecia, Acabe se disfarçou de soldado raso, para que ninguém lutasse contra ele, e ordenou que um soldado vestisse as roupas reais.
Na hora da batalha o rei da Síria ordenou: - Não lutem contra os grandes nem contra os pequenos, mas somente contra o rei de Israel.
Mas, diz o texto bíblico, um soldado inimigo disparou uma flecha “ao acaso”, a flecha entrou nas juntas da armadura de Acabe, e ele morreu, tal como o profeta dissera[4]. Pois Deus tem o controle até das coisas que acontecem "por acaso".
Deus tem um plano em cada criatura, até para os maus[5]. Ele até mesmo prepara o homem mau, para ser um instrumento seu no dia da calamidade; para através das calamidades, abençoar seus escolhidos e honra seu nome.
Pense, por exemplo, no faraó egípcio dos dias de Moisés. A Bíblia diz que Deus mesmo endureceu o coração dele, para que através desta dureza de coração o Senhor julgasse o Egito por seus detestáveis pecados.
Veja Pilatos, Herodes, os fariseus e o povo que colocou a Jesus na cruz: eles fizeram isto com muita raiva e ódio contra Jesus, mas Deus se utilizou destas coisas para que o seu plano eterno, de que Jesus morresse na cruz pelos nossos pecados, fosse realizado.
Até mesmo Judas, ainda que tenha traído Jesus por causa da dureza do seu coração, ele o fez porque assim estava determinado por Deus[6].
Agora, amados, vejam com que propósito Deus preordenou todas as coisas para os seus escolhidos:
1ª Co 2:6, 7
Entretanto, expomos sabedoria entre os experimentados; não, porém, a sabedoria deste século, nem a dos poderosos desta época, que se reduzem a nada; 7 mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória.
No cap. 1:23 e 24 aqui de 1ª aos Coríntios, lemos que a sabedoria de Deus se revela na cruz de Jesus Cristo, pois o plano eterno dele foi no sentido de que Cristo, morrendo na cruz, ao mesmo tempo morreria a nossa morte, e assim satisfaria a justiça de Deus, para que nós pudéssemos ter vida eterna.
Esta vida com Deus, em semelhança com Cristo, em felicidade eterna, Paulo aqui denomina nossa glória, glória que o Senhor preordenou desde a eternidade. Se você é crente em Jesus, este é o seu destino: a glória eterna com seu Pai celestial.
3. O Deus que é a razão de tudo o que existe, que tem um plano em cada criatura, também se revela aos seus escolhidos – v. 25
Desde a criação, Deus se revela por meio de sua Palavra.
Ele falou, e tudo se fez. A cada momento, ele sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder.
A cada dia, ele falava aos nossos primeiros pais, no Éden.
Mesmo depois que o pecado entrou em nossa história, ele continuou a falar conosco, através dos profetas, depois de forma suprema em seu Filho Jesus, e depois os apóstolos, e ordenou que estas suas palavras fossem perpetuadas através das Escrituras, de geração em geração.
É certo, conforme disse Moisés, que há muitas coisas que o Senhor não nos revelou [7], assim como nós também não precisamos dizer todas as coisas para os nossos filhos.
Mas ele nos revelou tudo quanto necessitamos saber para conhecer e confiar em Deus.
Ele nos revelou tudo o que precisamos saber de seus planos eternos para a nossa salvação, de sua santidade, de seu amor, de sua justiça e graça, de sua bondade para com todos.
Revelou-nos tudo sobre a maneira como devemos viver para honrá-lo e encontrar nele a nossa realização e felicidade, seja na família, no trabalho, na igreja, enfim, em todas as esferas da sociedade, em todas as áreas de nossa vida particular.
Tudo o que precisamos saber a respeito de seu governo, sobre a vinda de seu Filho, todas estas coisas estão reveladas na Escritura inspirada por Deus que é “útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” [8].
Por isto, é que nesta hora de perseguição que a igreja estava enfrentando por parte do Sinédrio em Jerusalém, antes de orar eles se recordam do que dizem as Escrituras, mais particularmente os Salmos, para as palavras dadas pelo Espírito Santo através do rei Davi, profeta do Senhor.
E por causa das Escrituras, esta perseguição não os surpreende. Esta revolta contra o nome de Jesus já era de se esperar, pois assim as Escrituras diziam que seria. Deus não foi pego de surpresa.
E então o que eles pedem é: - Senhor, dá-nos graça para enfrentar esta hora. Dá-nos ousadia para continuar fazendo a tua vontade, anunciando a tua Palavra, anunciando o nome de Jesus. E enquanto fazemos isto, estende a tua mão e age. Opera maravilhas. Pois tu és soberano Senhor.
Conclusão
O Senhor lhes atendeu a oração. Tremeu o lugar onde estavam reunidos. “Todos ficaram cheios do Espírito Santo, e com intrepidez anunciavam a Palavra de Deus”.
Pois Deus é o Senhor, e não os homens com suas ameaças.
Deus é Soberano, e não Satanás com suas artimanhas.
Deus é Senhor Soberano, e não as nossas fraquezas, as nossas limitações e pecados.
Em todas as obras da criação. Em todas as obras de sua Providência na História. Sobre o coração de cada ser humano. Sobre o nosso destino eterno.
Aplicação
O conhecimento desta realidade deve despertar certas atitudes em nós. Quero mencionar algumas delas.
1. Adoração a Deus, com temor e tremor, isto é, reverência, humildade.
Ele é Santo, Ele é grande, Ele é majestoso, Ele é digno de respeito.
Ele é digno de adoração, de amor. Ele é a razão da nossa existência, da nossa vida.
Então adore a Deus, como reverência e amor.
2. Sede de conhecer a Deus e sua vontade.
Ele se revela a nós nas Escrituras. Elas nos testificam de Cristo, para que conheçamos a Deus em Cristo, a fim de que vivamos pela fé nele.
Para amá-lo, para honrá-lo, para obedecê-lo. Para ter mais comunhão com ele, orar mais e melhor, para andar em santidade.
Então leia a Bíblia, estude a Bíblia, medite na Bíblia. Creia na Bíblia. Obedeça à Bíblia.
3. Arrependimento e fé
Pois estas duas atitudes de coração, “arrependimento e fé”, são um breve resumo de tudo o que estamos dizendo até aqui: arrependimento, neste contexto, significa voltar as costas para tudo o que é mal, tudo o que é pecaminoso e ofende a Deus, e fé significa voltar o rosto para Deus, que se fez um ser humano na pessoa do seu santo servo Jesus.
Então, volte as costas para os seus pecados, volte as costas para Satanás e suas artimanhas. Volte o rosto para Jesus. Contemple a Jesus. Confie em Jesus.
4. Deleite nos planos de Deus
Pois Deus tem um plano para cada criatura. E o plano de Deus para os que o amam, são deliciosos, são pensamentos de paz, para lhes dar um final feliz, de bem-aventurança eterna. Mesmo quando Satanás se utilizar das tribulações e perseguições, lembre-se de que Deus é Soberano, e não o diabo, e então renove suas forças no Senhor, sabendo que ele concede graça a vida inteira.


[1] Sl 86:11b
[2] 1º Cr 29:18 e 19
[3] Ef 1:11
[4] 1Rs 22:34
[5] Pv 16:4.
[6] Jo 17:12
[7] Dt 29:29
[8] 2ª Tm 3:15-17

domingo, 26 de março de 2017

O homem que não queria servir a Deus - Êx 4:14

Domingo, 19 de outubro de 1997
3ª Igreja Presbiteriana Conservadora de São Paulo
Pr. Plínio Fernandes
Então, se acendeu a ira do SENHOR contra Moisés, e disse: Não é Arão, o levita, teu irmão? Eu sei que ele fala fluentemente; e eis que ele sai ao teu encontro e, vendo-te, se alegrará em seu coração.
Existe uma grande razão pela qual tem sentido o estarmos aqui nesta manhã cultuando a Deus: é que o Senhor, depois de haver criado o universo, não o entregou ao acaso, não o abandonou à sua própria sorte.
Ao contrário, em tudo o que acontece, Deus está presente, exercendo seu domínio, dirigindo o curso da história.
E dentro de sua direção do curso dos acontecimentos, Deus decidiu algo maravilhoso aos nossos olhos: deliberou chamar os homens para servi-lo, trabalhar para ele, para agir de acordo com sua vontade no curso da história.
Como disse o apóstolo Paulo, “nós somos cooperadores de Deus”, trabalhamos com ele e para ele. Ele age em nós e através de nós.
Por isso estamos aqui: porque sentimos o chamado de Deus em nosso coração: para servir, trabalhar para ele, fazer sua vontade.
Deus sempre realiza sua obra com homens e através de homens: quando queria preparar o caminho para a vinda de Jesus, começou chamando Abraão; quando quis manifestar seu reino sobre Israel, escolheu e chamou Davi, quando quis falar a Nabucodonosor, rei de Babilônia, usou seu servo Daniel, quando quis que o evangelho fosse pregado no mundo inteiro, enviou os apóstolos, quando quis libertar seu povo israelita da escravidão no Egito, escolheu e chamou a Moisés.
E no decorrer da história bíblica, muitos homens, ao se sentirem chamados por Deus para servi-lo, responderam alegremente e com disposição de coração.
Isaías disse: – Eis-me aqui, Senhor, envia-me a mim.
Jeremias obedeceu prontamente. E Abraão. E Pedro, e Mateus, e Paulo, e Tiago e João.
Mas também houve quem desobedecesse, como Saul, como Demas, e quem tentasse desobedecer, como Jonas.
O texto que lemos, vimos que a ira de Deus se acendeu contra Moisés, e isto aconteceu porque Moisés estava tentando desobedecer a Deus.
A história do chamado de Deus a Moisés registrada aqui em Êxodo, do cap. 3:1 até 4:17.
O povo hebreu estava no Egito, escravizado ao faraó, o governante do Egito. Então aquele povo oprimido clamou a Deus, e Deus, em resposta às orações, escolheu a Moisés para agir em seu nome. Moisés seria o instrumento de Deus para a libertação de Israel.
Mas Moisés não queria ir. Não queria se envolver. Queria que Deus mandasse outra pessoa, e começou a levantar uma série de objeções, a colocar uma série de empecilhos, para não obedecer. Então o Senhor Deus ficou irado com ele.
Tal como Moisés, muitas pessoas, ao serem chamadas por Deus para servi-lo, começam a colocar uma série de objeções, uma série de desculpas para não realizar a vontade de Deus.
Nós vamos considerar as objeções que Moisés levantou. Que desculpas Moisés estava usando para não ir?
1. Primeira objeção: – Senhor, eu não sou ninguém.
Êx 3:11 – Então, disse Moisés a Deus: Quem sou eu para ir a Faraó e tirar do Egito os filhos de Israel?
Não foi sem motivo que Moisés sentia-se assim.
No passado, ele já tentara ser um instrumento de Deus na libertação de Israel.
No cap. 2:11-15 aqui de Êxodo, podemos ler o que acontecera cerca de quarenta anos antes. E ficamos sabendo que Moisés já era “um homem” feito, um adulto.
Graças à providência de Deus, morava num dos palácios do Egito, sendo chamado “filho da filha de faraó”. Havia sido treinado em toda a cultura egípcia. Mas tinha consciência de que, antes de tudo, era um hebreu, um israelita.
Então um dia, saindo do palácio, foi visitar seus irmãos, e viu quanto o trabalho escravo deles era penoso. E uma coisa o deixou terrivelmente revoltado: um egípcio estava espancando um hebreu. E cheio de ira, ele matou ao egípcio.
Por quê? Em Atos 7:25, Estevão nos conta que “Moisés cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus os queria salvar por intermédio dele; eles, porém, não compreenderam”. 
Moisés desejava, e cria firmemente estar fazendo a obra de Deus.
Mas o texto de Êxodo prossegue dizendo que Moisés, depois de matar o egípcio, saiu no dia seguinte, e eis que dois hebreus estavam brigando.
Então ele disse ao culpado: – Por que espancas o teu próximo?
E este respondeu: – Quem te pôs por príncipe e juiz sobre nós? Pensas matar-me, como mataste o egípcio?
Moisés ficou com medo, e pensou: – Com certeza o descobriram.
Quando o faraó foi informado desse caso, procurou faraó matar a Moisés; porém Moisés fugiu da presença de faraó, para uma terra chamada Midiã.
 Moisés fracassara completamente. Não soubera agir. Não soubera buscar a orientação de Deus. Não soubera esperar, e embora quisesse ser um instrumento de Deus, agira segundo sua própria sabedoria, e não a de Deus, e fracassara.
Então fugiu para longe, arranjou um emprego, uma esposa, e caiu no esquecimento.
Agora, quarenta anos depois, Deus o chama. Mas Moisés pergunta: – Quem sou eu, para ir a faraó e tirar do Egito os filhos de Israel?
Irmãos, muitas vezes nos sentimos como Moisés naquele dia.
Temos a certeza de que Deus está nos dirigindo sua palavra, que está nos chamando para servi-lo, para sermos instrumentos úteis de sua vontade, para realizar sua obra, mas por uma razão ou outra não temos a certeza de que Deus irá de fato nos usar, e sentimo-nos impedidos de dizer “sim” à palavra do Senhor.
Talvez alguém já tenha, no passado, tentado realizar a obra do Senhor, mas por alguma razão fracassou, não foi bem sucedido em realizar aquilo que, no coração cria ser a vontade de Deus.
Talvez, no passado já tenha tentado, mas sentiu-se rejeitado – isto já aconteceu comigo – e é terrível, nos dá vontade de desistir, de nunca mais tentar, de nunca mais fazer nada.
Sem amarguras, sem ressentimentos, mas também sem vontade de trabalhar.
Mas vejam qual a resposta de Deus.
Êx 3:12 – Deus lhe respondeu: eu serei contigo; e este será o sinal de que eu te enviei: depois de haveres tirado o povo do Egito, servireis a Deus neste monte.
O que Deus fez foi dizer a Moisés que não pensasse em si mesmo, mas que voltasse os seus olhos para o Senhor. Não pensar em seus fracassos, não pensar que estaria sozinho.
É claro que se Moisés fosse novamente por suas próprias forças, sabedoria, capacidade, fracassaria. Mas Deus iria com ele.
Irmãos, esta é a bendita certeza que podemos ter em nosso coração: por mais que sejamos nada em nós mesmos, por mais que tenhamos fracassado no passado, seja ele recente ou distante, por mais que tenhamos sido rejeitados, Deus estando conosco, pode nos reerguer, usar, fazer de nós instrumentos úteis em suas mãos.
Então Moisés pergunta: – Mas quem é o Senhor? Se eles me perguntarem qual é o seu nome, o que vou dizer a eles?
E o Senhor lhe mostra quem ele é revelando seu nome
Êx 3:14 – Disse Deus a Moisés: eu sou o que sou. Disse mais: assim dirás aos filhos de Israel: eu sou me enviou a vós outros.
EU SOU (que às vezes é “transliterado” Yaweh, às vezes Javé, às vezes Jeová).
Significa “Aquele que era, que é, e que será para sempre” – A Bíblia na Linguagem de Hoje traduz: o Deus eterno
O Novo Testamento nos trás uma revelação ainda mais clara de Deus:
Jo 8:58, 59 - Respondeu-lhes Jesus: em verdade, em verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU. Então, pegaram em pedras para atirarem nele; mas Jesus se ocultou e saiu do templo.
Jo 10:30-33 - Eu e o pai somos um. Novamente, pegaram os judeus em pedras para lhe atirar. Disse-lhes Jesus: tenho-vos mostrado muitas obras boas da parte do pai; por qual delas me apedrejais?  Responderam-lhe os judeus: não é por obra boa que te apedrejamos, e sim por causa da blasfêmia, pois, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo.
Hb 13:8 - Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre.
O Deus que se revelou a Moisés é o mesmo que se revela no Novo Testamento: é nosso Senhor Jesus Cristo. Todos os atos de salvação através do tempo são realizados por ele.
Assim, quando aqui para Moisés ele se apresenta como o Eterno, Deus se revela como sendo:
O Deus do passado (v.15): o Deus de vossos pais, Abrão, Isa que, Jacó (os patriarcas de quatrocentos anos antes).
O Deus do presente (v. 16): – Tenho vos visitado (estou aqui, vejo o que está acontecendo).
E o Deus do futuro (vs. 17-22): – Já planejei tudo o que vai acontecer: você irá, faraó irá resistir, mas eu os libertarei, eu lhes darei salvação. Está tudo sob o meu controle.
Irmão, se o seu Deus é o eterno, então ele conhece o seu passado, e também conhece o seu futuro (sabe com quem está lidando: suas fraquezas, seus temores), e é um Deus que hoje está presente: e chama você para servi-lo.
– Segunda objeção: Senhor, não acreditarão em mim.
Êx 4:1 - respondeu Moisés: mas eis que não crerão, nem acudirão à minha voz, pois dirão: o Senhor não te apareceu.
– Vão achar que estou mentindo, que estou trabalhando por mim mesmo.
Foi outra maneira de se referir ao passado; Moisés tinha receio de que algo semelhante viesse a se repetir.
Então, vs. 2-9, o Senhor passa a fazer certos sinais, certas demonstrações de poder, a dar a Moisés certas capacidades, que seriam, tanto para os hebreus como para os egípcios, provas de que realmente Deus o enviara.
No primeiro sinal, a vara de Moisés seria transformada numa serpente. No segundo sinal, a mão de Moisés se tornaria leprosa. No terceiro, Deus disse que a água do Nilo, jogada no chão, se transformaria em sangue.
Uma obra singular, grandiosa, miraculosa, estava para acontecer. Todos precisavam saber que Deus mesmo a estava realizando através de Moisés. Por isto Deus lhe Deus aquelas capacidades sobrenaturais.
Amados, embora Moisés neste caso seja uma particularidade, isto é, a Bíblia não ensina que devamos, para servir a Deus, antes de tudo, ficar buscando milagres, ou capacidades extraordinárias, é ensino bíblico que Jesus concede a cada um, de nós, pelo menos um dom espiritual, alguma capacidade espiritual que nos possibilite servir a Deus em sua igreja: alguns são capacitados com o dom do ensino, da pregação, do aconselhamento; outros, com capacidades de serviço, de administração, de socorros, de cuidado. Algumas pessoas têm mais de um dom.
E também é ensino bíblico que a igreja, isto é, o povo de Deus percebe as capacidades que Deus aos indivíduos, reconhece os dons que uma pessoa tem.
É por isto, por exemplo, que a Bíblia ensina que devem ser eleitos presbíteros, pastores, diáconos.
O que é uma eleição na igreja? Não é uma eleição no mesmo sentido do mundo lá fora. Na igreja, é apenas a manifestação de que a igreja reconhece que certas pessoas foram capacitadas e chamadas por Deus para o desempenho de certos ofícios.
Deus disse a Moisés: -- Eles ouvirão; verão que eu estou com você.
3. Terceira objeção: -- Senhor, não tenho capacidade.
Êx 4:10 - Então, disse Moisés ao Senhor: ah! Senhor! Eu nunca fui eloqüente, nem outrora, nem depois que falaste a teu servo; pois sou pesado de boca e pesado de língua.
Não sou eloqüente: não sou capaz de me exprimir com facilidade, não sou capaz de persuadir, de comover as pessoas com minhas palavras.
Sou pesado de língua: não sei falar direito.
A Bíblia na Linguagem de Hoje diz: – Quando começo a falar, sempre me atrapalho.
A Bíblia Viva: – Sou lerdo para falar.
– Eu não tenho jeito prá a coisa.
E a resposta de Deus está em 4:11
Respondeu-lhe o Senhor: quem fez a boca do homem? Ou quem faz o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, o Senhor? 
– Moisés, que fez você assim?
Uma coisa linda que podemos ver, tanto na história bíblica, quanto fora dela, é que mesmo uma pessoa cheia de limitações, como Moisés, pode ser usada por Deus, pode servir a Deus. Mesmo que estas limitações sejam sérias.
Talvez você conheça, por exemplo, a história de Joni Eareckson, uma cristã que se tornou tetraplégica em sua juventude, devido a um acidente; mas ela também se tornou conferencista, escritora, pintora – pois compreendeu que sua razão de existir é a gloria de Deus com todo o seu ser. Então suas dificuldades não se tornaram limitações, antes, tornaram-se motivação para honrar a Deus em todas as coisas[1].
Mas há tanta gente que tem o corpo inteiro sadio, braços, pernas, olhos, voz, e que diz: – Não posso, não sou capaz.
Acontece que, diz o Senhor, seja você eloqüente ou não, tenha saúde ou não, eu criei você, para mim, para a minha glória, para me servir, realizar a minha obra, e estou lhe chamando para isto.
Êx 4:12 - Vai, pois, agora, e eu serei com a tua boca e te ensinarei o que hás de falar.
4. A verdadeira objeção: – Senhor, não quero ir.
Êx 4:13 - Ele, porém, respondeu: ah! Senhor! Envia aquele que hás de enviar, menos a mim.
Aqui então, Moisés estava finalmente confessando o que ia no seu íntimo.
Na Bíblia Viva: – Mande outro em meu lugar.
– Mande outra pessoa.
Resumindo, este era o grande problema com Moisés: ele não queria ir!  
Se ele realmente quisesse servir a Deus, sua fraquezas (e é claro que ele as tinha), não seriam problema; a opinião das outras pessoas não seria problema; sua incapacidade não seria problema.
Mas Moisés não estava disposto; estava satisfeito com sua vidinha, por isso, depois que o Senhor lhe mostrou que estaria com ele, que o capacitaria, que lhe ensinaria, ele respondeu: – Senhor, mande outra pessoa.
Se ele fosse um crente neotestamentário ate poderia ser politicamente correto, fazendo de Jesus do mandamento de Jesus as suas palavras:
– Senhor, a seara é grande, os trabalhadores são poucos, mande obreiros para a sua seara (contanto que não seja eu).
E então, irmãos, Deus ficou muito irado.
v. 14: se acendeu (como um fogo), a ira do Senhor contra Moisés.
A Bíblia não diz que Deus fez alguma coisa para castigar Moisés. Moisés, então, deve ter percebido a ira de Deus pelo tom das palavras, pela entonação da voz.
É como às vezes, um filho está desobedecendo ao pai, dizendo que não fará certa coisa que o pai ordenou, e então o pai diz: – Não, você vai fazer o que eu estou mandando! - e ai o filho obedece.
E foi isto o que Deus fez:
Êx 4:14-16 - Então, se acendeu a ira do Senhor contra Moisés, e disse: não é Arão, o levita, teu irmão? Eu sei que ele fala fluentemente; e eis que ele sai ao teu encontro e, vendo-te, se alegrará em seu coração. Tu, pois, lhe falarás e lhe porás na boca as palavras; eu serei com a tua boca e com a dele e vos ensinarei o que deveis fazer. Ele falará por ti ao povo; ele te será por boca, e tu lhe serás por Deus.
E até nesta ira nós vemos a graça de Deus: ele fala a Moisés de modo amoroso, mas firme, decidido, e Moisés então, sem mais argumentos, passa a obedecer a Deus.
Ele foi, e percebeu que todas as suas desculpas não tinham fundamento.
Êx 4:29-31 - então, se foram Moisés e Arão e ajuntaram todos os anciãos dos filhos de Israel. Arão falou todas as palavras que o Senhor tinha dito a Moisés, e este fez os sinais à vista do povo. E o povo creu; e, tendo ouvido que o Senhor havia visitado os filhos de Israel e lhes vira a aflição, inclinaram-se e o adoraram.          
Foi difícil: lutas vieram, o faraó se opôs, estas mesmas pessoas que agora diziam a Moisés: – Foi Deus que te enviou, mais tarde diriam: – Não foi Deus que te enviou.
Mas Moisés, não desistiu mais, realizou a obra e a vontade de Deus.
Conclusão e aplicação
Todos somos chamados para servir a Deus: numa função ou outra, de acordo com nossos dons, mas acima de acordo com o amor de Deus derramado em nossos corações. Evangelizar, orar, cantar, testemunhar, usar nossos dons; uns são especialmente chamados para a obra de liderança: presbíteros, diáconos, presidentes de sociedade, outros não, mas todos somos servos de Deus.
Nossa tendência natural, carnal, é encontrar argumentos pelos quais Deus deve estar enganado:
– Não sou capaz.
– As pessoas não me aceitariam.
– Não sei fazer
Mas Deus não aceita desculpas. Ele chama os seus escolhidos. E aos escolhidos de Deus, só resta obedecer ao chamado. Obedecer com fé, amor e esperança, pois Deus sempre sabe o que faz.


[1] Eareckson, Joni e Musser, Joe, Joni (Miami, Vida, 1976).
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