Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

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domingo, 30 de agosto de 2026

Pai de misericórdias - 2ª Co 1.3,4

Pr. Plinio Fernandes

Mensagem pregada na 3ª Igreja Presbiteriana Conservadora de Guarulhos, em domingo, 26 de julho de 2026

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação! 4 É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus.

Intr.

Há uma canção composta por Guilherme Kerr chamada “Mateus dos impostos”.

Ele como que se coloca no lugar de Mateus, no dia da sua conversão a Jesus.

Então conta que, quem o conhecia por dentro, sabia o momento difícil que ele estava passando.

Saia diariamente para o trabalho de cobrar impostos; um homem rico por fora, e pobre por dentro.

Um vazio enorme; apenas ia, indo por ir.

As pessoas reclamavam dele, chamavam-no de traidor; sujo, falso irmão.

Mas naquele dia Jesus, que o conhecia por dentro, passou pela coletoria e disse: – "Segue-me". Mateus imediatamente largou tudo e seguiu Jesus.

Acontece que teve gente, "gente boa", que não gostou.

– “Esse aí, que se diz profeta, come e bebe com pecadores”.

Então o Senhor respondeu com as palavras de Deus no livro do profeta Oséias:

– Ide e aprendei o que significa “Misericórdia quero”.

Misericórdia, que às vezes também é traduzida por compaixão, significa condoer-se de alguém que sofre as misérias desse mundo, e agir em favor do sofredor.

Em alguns contextos ela é usada de modo complementar com a palavra graça. Por exemplo, no salmo 103.4, onde Deus nos redime da morte, e nos coroa de graça e misericórdia.

Os profetas bíblicos nos ensinam que Deus tem prazer em exercer misericórdia; que, assim como é Deus Consolador, é Pai de misericórdias.

E ensinam que os filhos de Deus devem ser assim também.

Prop.

Então, depois de, em nosso estudo anterior, termos meditado sobre Deus como nosso Consolador, agora vamos destacar essa outra descrição que a Escritura faz do nosso Pai celeste.

E penso que uma boa maneira de meditar nesse assunto é destacando algumas maneiras como Paulo descreve as misericórdias de Deus se manifestando em nós.

Divs.

1ª A misericórdia na salvação

De todos os escritores bíblicos, Paulo é o que mais toca no assunto.

Não somente porque era familiarizado com o linguajar religioso dos judeus; mas porque ele conhecia muito de perto, pessoalmente, as misericórdias de Deus.

Paulo nunca se esqueceu do homem mau que tinha sido antes de conhecer Jesus.

Super religioso. De acordo com a lei de Moisés, irrepreensível. Zeloso das tradições. Mestre capaz.

Mas duro de coração; incrédulo, implacável; blasfemava contra Jesus; perseguia os crentes.

Até o dia em que o Senhor Jesus quebrantou aquele coração de pedra, e em amor o subjugou.

O Senhor ressurreto apareceu a Paulo, então chamado Saulo, no caminho para a cidade de Damasco.

Paulo estava naquela viagem com propósito de prender os crentes que moravam lá.

Mas em determinado ponto o Senhor Jesus se manifestou, numa luz gloriosa.

– “Saulo, Saulo, porque me persegues”?

– “Quem é tu, Senhor”?

– “Eu sou Jesus, a quem persegues...” (pois cada pequenino crente é como a menina dos olhos do Senhor; e todo aquele que maltrata a um pequenino crente em Jesus, é a Jesus que está maltratando).

– Senhor, que devo fazer?

– Levante-se, entre na cidade, e lá você será orientado.

A partir dali, Paulo tornou-se um novo homem. E foi algo tão grandioso que nos dias, meses e anos que se seguiram, Paulo nunca se esqueceu daquele momento; e sempre se lembrava de quem havia sido, e do que tinha sido.

E nunca lhe abandonava também a consciência de quem agora havia se tornado.

Agora vamos ver uma das explicações que ele apresenta para essa tão grande salvação.

1ª Tm 1.15-16 – Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal. 16 Mas, por esta mesma razão, me foi concedida misericórdia, para que, em mim, o principal, evidenciasse Jesus Cristo a sua completa longanimidade, e servisse eu de modelo a quantos hão de crer nele para a vida eterna.

Aqui ele descreve a sua salvação como expressão da misericórdia do Senhor.

– Eu, o principal, o pior dos pecadores.

Eu penso que Paulo se considerava o pior, o principal, pelo menos por duas razões:

A primeira, é que todos os convertidos, ao pensar no pecado em seu coração, sabem que praga horrorosa, daninha, é o pecado.

Sabem que o seu coração natural é corrupto, enganoso, mentiroso, vaidoso, e odeia e lamenta essa vaidade que nele existe.

A segunda razão, eu penso, é que não existe pior espécie de pecador do que aquele que se acha um santo.

Esse tipo de pessoa pensa não haver motivos para se converter, ser quebrantada; ela se coloca num pedestal de santidade.

E era assim que Paulo pensava sobre si mesmo: irrepreensível na obediência à lei do Senhor.

Mas agora, quando Paulo olha para si mesmo no passado, ele diz: – “De todos os pecadores, eu sou o principal”.

– “E se eu fui alcançado, significa que qualquer pecador pode ser”.

E na carta aos Efésios, falando sobre todos os crentes, escreve:

Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, nos deu vida juntamente com Cristo; pela graça sois salvos, mediante a fé.

Não é sem razão que então, aos Coríntios, ele diz:

– Deus é nosso Pai de misericórdias.

2ª. A misericórdia nas virtudes de caráter

1ª Co 7.25 -  Com respeito às virgens, não tenho mandamento do Senhor; porém dou minha opinião, como tendo recebido do Senhor a misericórdia de ser fiel.

Nesse contexto, o apóstolo está respondendo a algumas perguntas que os coríntios haviam feito sobre casamento.

Se o crente deve se casar, ou não; sobre relações conjugais.

E Paulo responde de acordo com as instruções dadas diretamente pelo próprio Jesus.

Mas aqui no v. 25, ele diz que no assunto de casar-se ou não, não há um mandamento direto do Senhor; ele vai apenas dar a sua própria opinião.

E o faz como alguém que recebeu do Senhor a misericórdia de ser fiel.

Isto é, ele responde aos coríntios com fidelidade a Jesus.

Mas o que eu desejo “pinçar” aqui é que Paulo reconhece: – “Se eu sou fiel, é porque a mim foi concedida essa misericórdia”.

Sim, como crentes em Jesus, nosso caráter deve ser assim: fiel. A fidelidade adorna a vida dos eleitos de Deus, e glorifica o Evangelho.

Como todas as outras virtudes: honestidade, lealdade, amor, prudência, domínio próprio, humildade, pureza, verdade, temperança, justiça, fortaleza, benevolência.

Mas só existe uma fonte da qual essas virtudes brotam em nossa alma: as misericórdias de Deus.

Pois aparte da misericórdia de Deus, as virtudes humanas só o tornam soberbo, um arremedo da verdadeira humanidade, e a soberba é diabólica.

Por isso, noutro contexto, Paulo repreende alguns coríntios que julgavam ser alguma coisa por suas próprias virtudes.

1ª Co 4.6-8 - Estas coisas, irmãos, apliquei-as figuradamente a mim mesmo e a Apolo, por vossa causa, para que por nosso exemplo aprendais isto: não ultrapasseis o que está escrito; a fim de que ninguém se ensoberbeça a favor de um em detrimento de outro. 7 Pois quem é que te faz sobressair? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias, como se o não tiveras recebido? 8 Já estais fartos, já estais ricos; chegastes a reinar sem nós; sim, tomara reinásseis para que também nós viéssemos a reinar convosco.

Aqui, o apóstolo está sendo claramente sarcástico; zombando da presunção espiritual ridícula demonstrada por alguns, que se julgavam melhores que outros.

– Quem é que te faz sobressair?

– O que é que você tem, que não foi recebido?

– E se foi recebido, porque você “se acha”?

Pois até aqueles dons mais essências, como a fé e o arrependimento, são isso mesmo: dons de Deus, para que ninguém se glorie.

3ª. A misericórdia do ministério

2ª Co 5.18-20 - Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, 19 a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. 20 De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus.

Eu penso que não existe serviço mais honroso para um homem em nação estrangeira, do que o de ser um representante do seu país.

Um embaixador é o representante máximo de um país no exterior, responsável por defender interesses nacionais, negociar acordos, informar o governo e proteger cidadãos.

É o homem ou mulher designados para conduzir a política externa no dia a dia.

O que um embaixador fala, é em nome da sua nação. O que ele faz, é o seu país que está fazendo.

Nós, que antes éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus por meio de Cristo; e agora somos embaixadores do Reino de Cristo, como se Deus falasse por nosso intermédio, enviados para promover a reconciliação entre Deus e os homens.

2ª Co 4.1 - Pelo que, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos.

O homem redimido pondera sobre o favor imere­cido, o perdão e misericórdia de um Deus que nos salvou a despeito de fraquezas e maldades.

Um mi­nistro idoso estava no leito de morte quando seu fiel diácono disse:

– Ah, pastor, o senhor está para receber sua re­compensa.

– Ah, não. Recompensa, não! Misericórdia!

 

Todo aquele que de alguma forma está envolvido no ministério da palavra do Evangelho deve enxergar essa honra como uma das misericórdias de Deus.

E a consciência disso, diz o apóstolo, fazia com que ele e seus colegas de ministério não desfalecessem, mas perseverassem.

Irmãos, eu sou chamado pastor. Quanta honra carrega essa palavra! Pois Jesus é o nosso Pastor.

Mas ele ordenou: – Fale a minha Palavra.

Irmãos, vocês são de muitas profissões diferentes; de situações sociais diferentes, temperamentos

Aqui na igreja, uns são líderes, outros são auxiliadores. Alguns de vocês são presbíteros, outros, diáconos. Outros são músicos; e todos nós, independente de nossos ofícios e serviços, somos embaixadores de Cristo.

Quanta honra para todos nós! Quanta honra quando lá no trabalho, lá na escola, lá na vizinhança, as pessoas olham para nós, e pensam:

– Aquele homem, aquela mulher, é crente.

E digo isso, como aquele pastor, sem levar em conta o galardão que o Senhor nos dará no céu, pois mesmo se cumpríssemos toda a nossa obrigação, ainda sim, nada seria mais que o nosso dever.

Agora, quando nós próprios, voltamos os olhos para nós, perguntamos:

Mas porque Deus me concede esta honra, designando-me seu embaixador?

Ele é o Pai de misericórdias.

 Conclusão

Alguns anos atrás li a estória de um homem que viajando num trem, percebeu ao seu lado de um jovem clara­mente perturbado e ansioso.

Ele perguntou, e o moço contou que era um presidiário de volta da prisão.

Seu crime tinha envergonhado sua família, pobre e digna, e ninguém jamais o visitou ou lhe escreveu durante os anos na prisão.

Ele esperava que eles não tivessem escrito por falta de cultura. No entanto, não estava certo de ter sido perdoado.

O moço prosseguiu, explicando que queria facili­tar a situação para eles.

Por isso, escrevera pe­dindo que pusessem um sinal quando o trem pas­sasse pelo sítio nas imediações da cidade.

Se eles lhe tivessem perdoado e desejassem sua volta ao lar, dariam um sinal, amarrando uma fita branca na grande ma­cieira perto da estrada.

Se não o quisessem de volta, não fariam nada; ele ficaria no trem, e continuaria a viagem.

Quando se aproximavam da sua cidade, a tensão e desconforto do jovem aumentaram que ele não conseguia olhar; e fechou os olhos.

Alguns minutos mais tarde o homem ao lado colocou a mão no ombro do jovem presidiário e murmurou, com a voz embargada:

– Tudo bem... A árvore toda está cheia de fitas brancas.

Há sempre algo milagroso acerca do amor profundo e permanente que transcende obstáculos e anula tendências naturais de orgulho e dor.

A misericórdia do Senhor é assim; como aquela árvore cheia de fitas, mas de várias cores.

Na árvore da vida, a Palavra de Deus, nós as vemos penduradas.

As fitas vermelhas com o sangue de Jesus, que nos purifica de todo o pecado.

As fitas brancas do fruto do Espírito Santo: paz, alegria, bondade, mansidão, domínio próprio.

As fitas verde esperança, as promessas do Pai, que nos concedem graça para orar, esperar com paciência, que nos consolam nas tribulações.

Aplicações

Um coração em paz com Deus

Volta, alma, ao teu sossego, e descansa no Senhor.

Lança fora todo o medo, e confia no seu amor.

Nada, e ninguém, pode te separar do amor de Deus

Nem o diabo, nem as circunstâncias do passado, do presente ou do futuro.

Nem o pecado, pois Jesus já o levou na cruz.

Um coração grato, satisfeito

Um coração humildade, dócil, gentil, misericordioso.

Oração

Pai de misericórdias

Tua majestade é incomparável, tua bondade é é sem igual; tua graça é maior que vida.

Não temos como enumerar as tuas misericórdias para conosco. Em parte nos conhecemos.

Mas mesmo essa pequena parte, não te agradecemos o suficiente; não te louvamos o suficiente.

Agradecemos pelo nosso estado de saúde. Pela preservação das nossas vida, pela preservação das nossas capacidades mentais, pelos cuidados com a nossa vida emocional.

Agradecemos pelos confortos de uma casa, de um lar: o alimento diário, as vestimentas.

Agradecemos pelas nossas famílias, pela ajuda e apoio que recebemos em casa.

Agradecemos pelas alegrias da harmonia e paz domésticas; agradecemos pelos nossos familiares.

Agradecemos pela tua Palavra, pela igreja, pelos irmãos; pelo trabalho; pela nossa nação.

O Senhor é tão generoso, e nos abençoa tanto!!!

Mas Senhor, quando percebemos apenas um pouco das tuas misericórdias, como lamentamos nossos pecados, nossa ingratidão, e quantos dias e vezes pecamos contra ti.

Os céus e a terra, os principados e potestades, os homens, os nossos corações e nossas consciências, testemunham contra nós, que nós quebramos a tua lei.

Não as negamos, Senhor, nem apresentamos desculpas; pois só nos resta admitir que pecamos.

E as tuas misericórdia são a causa de não sermos consumidos.

Quando arrependidos te buscamos, o Senhor não nos lança fora da tua presença; não nos condenas, não medes a altura, nem o número das nossas transgressões.

Pois Jesus levou sobre si os nossos pecados; pois na cruz, toda a nossa dívida foi cancelada.

Bendito seja o Senhor, que dia a dia leva o nosso fardo.

Bendito seja o Pai, o Filho, e o Espírito Santo. Amém.

 

domingo, 16 de agosto de 2026

Deus de promessas - 2 Co 1.15-24

Pr. Plinio Fernandes

Mensagem pregada em Domingo, 16 de agosto de 2026, na 3ª Igreja Presbiteriana Conservadora de Guarulhos

Com esta confiança, resolvi ir, primeiro, encontrar-me convosco, para que tivésseis um segundo benefício; 16 e, por vosso intermédio, passar à Macedônia, e da Macedônia voltar a encontrar-me convosco, e ser encaminhado por vós para a Judéia. 17 Ora, determinando isto, terei, porventura, agido com leviandade? Ou, ao deliberar, acaso delibero segundo a carne, de sorte que haja em mim, simultaneamente, o sim e o não? 18 Antes, como Deus é fiel, a nossa palavra para convosco não é sim e não. 19 Porque o Filho de Deus, Cristo Jesus, que foi, por nosso intermédio, anunciado entre vós, isto é, por mim, e Silvano, e Timóteo, não foi sim e não; mas sempre nele houve o sim. 20 Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para glória de Deus, por nosso intermédio. 21 Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo e nos ungiu é Deus, 22 que também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração. 23 Eu, porém, por minha vida, tomo a Deus por testemunha de que, para vos poupar, não tornei ainda a Corinto; 24 não que tenhamos domínio sobre a vossa fé, mas porque somos cooperadores de vossa alegria; porquanto, pela fé, já estais firmados 2:1 Isto deliberei por mim mesmo: não voltar a encontrar-me convosco em tristeza. 2 Porque, se eu vos entristeço, quem me alegrará, senão aquele que está entristecido por mim mesmo? 3 E isto escrevi para que, quando for, não tenha tristeza da parte daqueles que deveriam alegrar-me, confiando em todos vós de que a minha alegria é também a vossa. 4 Porque, no meio de muitos sofrimentos e angústias de coração, vos escrevi, com muitas lágrimas, não para que ficásseis entristecidos, mas para que conhecêsseis o amor que vos consagro em grande medida.

    Intr.

O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios, vem do Senhor (Pv 16.1)

    O texto que lemos é mais um exemplo, na Bíblia, de que, embora possamos ter boas intenções, e fazer planos santos, nem sempre conseguimos realizar o que pretendemos.

    E que muitas vezes, temos que refazer nossos pensamentos, mudar de ideia, não por inconstância, mas por amadurecimento, ou pelo desenrolar das circunstâncias, e por entender mais plenamente o que é melhor.

    Nos versículos que antecedem ao nosso texto de hoje, o apóstolo Paulo falou sobre a confiança que tinha, diante de Deus, de que entre ele e a igreja de Corinto, no seu geral, havia um relacionamento de mútua confiança e edificação no evangelho de Jesus.

    Mas também começou a dar a entender – para nós, pois os coríntios entendiam claramente o que Paulo estava dizendo – que isso, essa confiança mútua, não era da parte de todos.

    Havia naquela igreja alguns que, chegando de fora, e se intitulando apóstolos, na verdade se opunham a Paulo, procurando diminuir a influência dele sobre os coríntios.

    E havia quem estivesse sendo influenciado por eles.

    Como mais tarde Paulo dirá aqui nessa carta, diziam que quando Paulo escrevia, suas palavras eram enérgicas, mas que a presença pessoal dele não impressionava, e que suas palavras eram desprezíveis.

    Aqui no texto de hoje, Paulo alude ao fato de que, tendo primeiramente planejado e falado que iria visitar a igreja de Corinto, depois achou melhor não ir naquele momento.

    Isso deu ocasião a que os adversários dissessem que ele não cumpria o que falava; que não era sincero, ou que era inconstante.

    Então, para dirimir as dúvidas, ele explica o que realmente havia acontecido.

    Ele havia deliberado, de fato, visitar a igreja de Corinto, pois soubera dos problemas que alguns estavam causando.

    Então escreveu-lhes uma carta em que havia alguma repreensão, e a enviou por meio de Tito, dizendo que depois iria pessoalmente.

    Nos vs. 2 a 4 aqui do capítulo 2, Paulo diz que foi uma carta escrita entre lágrimas, com muitas angústias de coração; que o propósito dele não tinha sido entristecê-los, mas que eles percebessem quanto os amava.

    Depois de entregue e lida a carta, Tito voltaria para se encontrar com ele Trôade, traria notícias, e juntos iriam para Corinto.

    Encaminhados pelos coríntios, iriam à Macedônia, e finalmente voltariam a Corinto.

    Mas quando chegou a Trôade, não encontrou Tito.

    E tão preocupado ficou que, mesmo tendo ali uma porta aberta para pregar o evangelho, despediu-se deles e foi para a Macedônia.

    Achou melhor não se encontrar com os coríntios num momento de conflito. Na verdade, ele dirá no capítulo 12, tinha receio de que indo outra vez, fosse humilhado no meio deles, chorando por causa de alguns que não se arrependiam de suas impurezas.

    Só ficou tranquilo quando finalmente Tito chegou trazendo boas notícias de Corinto; que eles haviam ficado muito tristes e arrependidos quando leram a carta, que haviam disciplinado à pessoa que entristecera Paulo.

    Mas vocês sabem que rebeldia é uma coisa contagiosa.

    Na revolta de Corá, Datã e Abirão contra Moisés (Nm 16), mesmo tendo sido castigados por Deus, depois disso a congregação inteira se levantou contra Moisés e contra Arão, dizendo:

    – Vós matastes o povo do Senhor!

    E aqui também; não todos, mas alguns ainda procuravam caluniar Paulo.

    Por isso, além de se defender explicando paciente e amorosamente, Paulo invoca a Santíssima Trindade, explicando:

    No v. 18, que Deus é o seu padrão de conduta.

    No v. 21, que Deus é quem o ungiu; e quem o confirmou, Jesus Cristo.

    No 22, que Deus o selou com o penhor do Espírito.

    E no v. 23, que Deus era sua testemunha em tudo o que fazia.

    O que ele quer enfatizar é que sua Apostolicidade, e consequentemente, o seu evangelho, tinham como base a iniciativa do próprio Deus.

    Prop.

    Há muito que podemos aprender aqui, sobre as motivações e conduta pastoral, sobre a conduta dos crentes em geral, sobre a autoridade do evangelho em nós.

    Eu desejo destacar, para a nossa meditação, a doutrina exposta nos vs. 18-20, nas quais ele nos ensina que Jesus Cristo é o cumprimento da Palavra de Deus; do Deus que é fiel.

18 Antes, como Deus é fiel, a nossa palavra para convosco não é sim e não. 19 Porque o Filho de Deus, Cristo Jesus, que foi, por nosso intermédio, anunciado entre vós, isto é, por mim, e Silvano, e Timóteo, não foi sim e não; mas sempre nele houve o sim. 20 Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para glória de Deus, por nosso intermédio.

    Divs.

    1. Deus de promessas!

    Essa é uma frase muito usada nos dias de hoje, que em alguns lugares se torna quase que um clichê: “Deus de alianças, Deus de promessas”.

    No entanto, e ainda que essas frases não estejam literalmente na Bíblia, e que em muitos lugares tenha se tornado chavões, elas expressam, de fato, a maneira de o Senhor se relacionar com toda a sua criação, e mais especialmente com o povo escolhido.

    Deus fez aliança com Adão, Deus fez aliança com os céus e a terra.

    Depois da queda de Adão, Deus começa a revelar uma aliança da graça que passa por Noé, Abraão e sua descendência, o povo de Israel, Judá, Davi, e finalmente culmina em Jesus e todos os escolhidos de Deus, de toda a tribo, língua e nação.

    Nessa aliança de graça, que é totalmente iniciativa de Deus, ele promete ser o nosso Deus, e que nós somos o seu povo, não somente aqui, mas na eternidade.

    De todas as imagens bíblicas para descrever essa aliança, a mais enfatizada é a de um casamento, onde Jeová é o marido, e Israel é a esposa; ou em termos neotestamentários, Jesus é o esposo, e nós, sua igreja, seu povo, somos a noiva.

    É uma aliança de amor, voluntária, e não por coação ou imposição.

    Ora, qualquer aliança envolve promessas: fidelidade, sustento, proteção, auxílio; coisas que se traduzem no dia a dia de muitas maneiras.

    Os nossos antepassados puritanos classificaram as promessas de Deus para nós de muitas maneiras.

    Eu não tenho como expor tudo o que disseram aqui, mas se você quiser conhecer, eu recomendo um livro excelente, chamado “Teologia Puritana – Doutrina para a vida” (Joel R. Beeke); outro excelente livro, que faz uma abordagem devocional, solidamente alicerçada na Teologia Reformada, e que eu recomendo, é “O Deus de Palavra”, de Roger Ellsworth.

    Há promessas relacionadas à lei, e promessas relacionadas ao evangelho.

    Há promessas condicionais, e promessas incondicionais.

    Há promessas gerais, e promessas pessoais.

    Há promessas para a vida presente, e há promessas para a vida futura.

    Quando Deus não permite que vejamos, nesta vida, o cumprimento em nós, de alguma promessa geral, é que ele tem em vista o cumprimento de promessas maiores.

    Em cada “promessa”, Deus está como que colocando uma ponte entre aquilo de bom, abençoador, que ele tenciona fazer, e o momento em que ele faz o que tenciona.

    Deus deseja fazer, Deus promete que fará, e no tempo determinado, ele o faz.

    Portanto, as promessas fazem a ponte, ao nos dar conhecimento, ainda que não completo, e fé e esperança, a fim de que aguardemos o que Deus irá fazer.

    2. Todas as promessas de Deus aos seus escolhidos, são nossas em Cristo Jesus

vs. 19, 20 – Porque o Filho de Deus, Cristo Jesus, que foi, por nosso intermédio, anunciado entre vós, isto é, por mim, e Silvano, e Timóteo, não foi sim e não; mas sempre nele houve o sim. 20 Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para glória de Deus, por nosso intermédio

    Com isto a Escritura quer dizer, entre outras coisas, que todas as promessas são dadas graças a Cristo como nosso representante. Quando estamos unidos a Cristo pela fé, as promessas são nossas.

    Além disso, quer dizer que todas as promessas se cumprem graças aos méritos de Jesus Cristo, e não aos nossos.

    Ele é quem fez tudo o que nós deveríamos fazer para nos tornarmos merecedores.

    Jesus é a fonte, o meio, e o cumprimento, o herdeiro de todas as promessas, e dele, por ele, e com ele, somos herdeiros de Deus.

    Por exemplo, Deus fez promessas a Abraão e sua descendência.

Gl 3:13-16 – Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro), 14 para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido. 15 Irmãos, falo como homem. Ainda que uma aliança seja meramente humana, uma vez ratificada, ninguém a revoga ou lhe acrescenta alguma coisa. 16 Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é Cristo.

    Aqui Paulo direta e indiretamente menciona duas promessas básicas, que englobam todas as demais que recebemos e temos em Cristo.

    Indiretamente, ele nos lembra da promessa de vida, por meio da lei, ao mencionar a ameaça de maldição para todos os que não cumprem a lei (lei, aqui, a lei do Antigo Testamento).

    A lei dizia que todos os que não a obedecessem eram malditos, condenados. O que era o caso de todos nós, pois todos pecamos.

    Mas então, o que Jesus Cristo fez? Ele nos resgatou da maldição da lei, levando sobre a cruz os nossos pecados, fazendo-se maldição em nosso lugar.

    Vale a pena ler aqui também os vs. 1, 2, para entender a maneira como recebemos essa redenção em Cristo.

Gl 3:1-2 – Ó gálatas insensatos! Quem vos fascinou a vós outros, ante cujos olhos foi Jesus Cristo exposto como crucificado? 2 Quero apenas saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé?

    Paulo aqui repreende os gálatas, pois alguns falsos mestres estavam como que enfeitiçando os gálatas, no sentido de que deveriam, se quisessem ser salvos, cumprir obras da lei, como circuncisão e sábados.

    – Recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé?

    A resposta que a pergunta exige, e que todo o crente conhece, é óbvia.

    – Não; não recebemos o Espírito pelas obras da lei. Foi pela fé em Jesus, que morreu por nós.

    Voltado ao v. 14, a Escritura aqui diz que a bênção de Abraão chegou a nós, em Cristo Jesus, a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito Santo, que Deus prometeu à descendência de Abraão.

    E no v. 16, Paulo frisa que a promessa foi feita a Cristo; uma vez que estamos unidos a Cristo, as bênçãos são nossas.

    Assim, aqui temos o cumprimento de duas grandes promessas básicas, da qual derivam todas as outras: o resgate da maldição da lei, e o dom do Espírito Santo em nossos corações.

    Isto nos conduz ao meu terceiro ponto...

    3. Nós compreendemos o nosso viver, à luz das promessas de Deus em Cristo

    Voltemos a 2ª Co 1, para ver como Paulo aplica isto a si mesmo, aos seus cooperadores, e à igreja.

v. 18. – Antes, como Deus é fiel, a nossa palavra para convosco não é sim e não.

    Assim como Deus é, assim nós somos também. Por que tanta ousadia no falar?

vs. 21, 22 – Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo e nos ungiu é Deus, 22 que também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração.

    – Ungidos por Deus – assim como os reis, sacerdotes e profetas foram consagrados ao Senhor, para servi-lo, nós somos também.

    – O mesmo Deus que nos deu esta unção também nos confirmou em Cristo.

    – Colocou em nós o selo do Espírito, e pela sua presença em nosso coração, nos garante que somos dele e unidos a ele.

    Isso não quer dizer que Paulo entendia todas essas coisas como uma autoridade para dominar sobre os irmãos.

    Ao contrário, a ideia de ser uma pessoa dominadora lhe causava aversão. Mas quer dizer, em segundo lugar, que ele entendia o poder e responsabilidade do seu ministério.

    Digo, em segundo lugar, porque em primeiro, a grandeza, o poder, a responsabilidade, e a liberdade de sua vida, no Senhor.

    Há dois pontos aqui.

    3.1. O primeiro, é que essa unção do Espírito em nós não deve ser entendida como uma descrição de alguns poucos privilegiados entre os crentes, mas de todos os crentes.

    Essas promessas são dádivas a todos os crentes, pois todos os crentes estão unidos a Cristo, pela fé.

    Apenas como exemplo, para não me estender demais.

1ª Jo 2.19-20 – Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos. 20 E vós possuís unção que vem do Santo e todos tendes conhecimento.

1ª Jo 2:26-27 – Isto que vos acabo de escrever é acerca dos que vos procuram enganar. 27 Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nele, como também ela vos ensinou.

    Aqui, a unção que vem de Deus e que está sobre todos os verdadeiros crentes tem o sentido de que ela não nos permite ser enganados por falsos mestres, porque temos recebido e o ensino que vem de Deus.

    – As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas me seguem...

    3.2. O segundo ponto, é que essas verdades não são como que doutrinas para a mente; antes, são o alimento da fé, a realidade da vida que vivemos, tanto agora, como na eternidade

2ª Co 4.13-14 – Tendo, porém, o mesmo espírito da fé, como está escrito: Eu cri; por isso, é que falei. Também nós cremos; por isso, também falamos, 14 sabendo que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos ressuscitará com Jesus e nos apresentará convosco.

    Com outra forma de se expressar, mas com a mesma doutrina, o apóstolo Pedro também escreveu.

2ª Pe 1.3 – Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude, 4 pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis coparticipantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo...

    A pontuação da NVT, em parágrafos menores, nos ajuda a ouvir mais claramente o que Pedro diz.

Deus, com seu poder divino, nos concede tudo de que necessitamos para uma vida de devoção, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para si por meio de sua glória e excelência. ⁴ E, por causa de sua glória e excelência, ele nos deu grandes e preciosas promessas. São elas que permitem a vocês participar da natureza divina e escapar da corrupção do mundo causada pelos desejos humanos. ⁵ Diante de tudo isso, esforcem-se ao máximo para corresponder a essas promessas. Acrescentem à fé a excelência moral; à excelência moral o conhecimento...

    E Pedro segue dizendo, até o v. 11, o que o poder dessa comunhão com a natureza divina nos capacita a viver: a virtude, o amor fiel, a fraternidade, a bondade, o domínio próprio, a perseverança, coisas que Paulo descreve como o fruto do Espírito em nós.

    Conclusão

    A Bíblia, Palavra de Deus, explica dois diferentes modos de Deus se relacionar conosco.

    Um modo, é através da justiça da lei.

    A lei contém os seus mandamentos – o que ele requer de nós.

    As ameaças – os castigos do Senhor, se não cumprimos os seus mandamentos.

    As promessas do Senhor, de nos fazer o bem e nos livrarmos do mal, se obedecermos.

    Acontece que, através desse modo, todos nós estaríamos perdidos, amaldiçoados e condenados.

    Por isso, Deus nos deu também outro modo, que é o Evangelho.

    O Evangelho diz que Jesus cumpriu a lei em nosso lugar, vivendo em completa obediência ao Pai, e morrendo em nosso lugar. O justo pelos injustos.

    Assim, Jesus é o herdeiro de todas as promessas de Deus aos que lhe obedecem.

    Quando nos unimos a Jesus, pela fé, tudo o que Jesus conquistou passa a ser nosso também.

    Aplicação

    Eu quero fazer algumas aplicações a todos nós.

    Primeiramente, desejo me dirigir a todos, exortando a que sejam unidos a Jesus por meio da fé.

    Todos os que não têm Jesus Cristo como seu Senhor, como seu único e suficiente salvador, estão vivendo sob a maldição da lei, condenados em seus pecados.

    Se esse é o seu caso, arrependa-se dos seus pecados, creia em Jesus, converta-se a ele, pela fé receba a Jesus em sua vida.

    Em Cristo, todos os pecados são perdoados, todas as maldições são quebradas, toda a obra maligna é destruída.

    Em segundo lugar, desejo exortar a todos também a que conheçam as promessas de Deus para todos os que são crentes em Jesus; o povo da sua aliança.

    Leiam a Palavra de Deus; ouçam; meditem.

    Terceiro, orem com base nas promessas do Senhor com fé, tranquilidade, confiança, sigam as orientações do Senhor, e aguardem.

    Um exemplo ternamente belo nós podemos ver na aliança do Senhor com Davi e o seu descendente (2º Samuel 7 e 1º Crônicas 17).

1º Cr 17.25-27 – 25 Pois tu, Deus meu, fizeste ao teu servo a revelação de que lhe edificarias casa. Por isso, o teu servo se animou para fazer-te esta oração. 26 Agora, pois, ó SENHOR, tu mesmo és Deus e prometeste a teu servo este bem. 27 Sê, pois, agora, servido de abençoar a casa de teu servo, a fim de permanecer para sempre diante de ti, pois tu, ó SENHOR, a abençoaste, e abençoada será para sempre.

    As promessas da aliança sempre foram motivo de oração para a igreja do Senhor. Ore de acordo com elas.

    Fale de acordo com elas

    – Eu cri, por isso falei. Nós cremos, por isso também falamos.

    – Posso todas as coisas naquele que me fortalece.

    – O meu Deus suprirá cada uma das minhas necessidades...

    – O Senhor é a fortaleza da minha vida.

    – O Senhor é o meu pastor...

    Viva pela fé nessas promessas.

Porque tantas quantas são as promessas de Deus, todas tem em Jesus o sim, para que por ele digamos o amém, para a glória de Deus.

domingo, 2 de agosto de 2015

Sobre oração - Is 38:1-8

IPC em Pda. de Taipas
Domingo, 2 de agosto de 2015
Pr. Plínio Fernandes
Meus irmãos, vamos ler Isaías 38:1-8
Naqueles dias, Ezequias adoeceu de uma enfermidade mortal; veio ter com ele o profeta Isaías, filho de Amoz, e lhe disse: Assim diz o SENHOR: Põe em ordem a tua casa, porque morrerás e não viverás.  2 Então, virou Ezequias o rosto para a parede e orou ao SENHOR.  3 E disse: Lembra-te, SENHOR, peço-te, de que andei diante de ti com fidelidade, com inteireza de coração e fiz o que era reto aos teus olhos; e chorou muitíssimo.  4 Então, veio a palavra do SENHOR a Isaías, dizendo: 5 Vai e dize a Ezequias: Assim diz o SENHOR, o Deus de Davi, teu pai: Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas; acrescentarei, pois, aos teus dias quinze anos.  6 Livrar-te-ei das mãos do rei da Assíria, a ti e a esta cidade, e defenderei esta cidade.  7 Ser-te-á isto da parte do SENHOR como sinal de que o SENHOR cumprirá esta palavra que falou: 8 eis que farei retroceder dez graus a sombra lançada pelo sol declinante no relógio de Acaz. Assim, retrocedeu o sol os dez graus que já havia declinado.
Nós podemos dizer que, num certo sentido, o destino de Ezequias, rei de Israel, já estava selado.
Pois ele adoecera, e sua enfermidade (o v. 21 da ARA traduz como úlcera) era gravíssima.
O profeta Isaías foi visitá-lo, mas desta vez ele não tinha, como em muitas outras ocasiões anteriores, uma palavra de consolo e encorajamento ao seu amigo Ezequias.
Ao contrário, ele trouxe uma palavra no sentido de que Ezequias deveria se preparar para o pior:
- Ezequias, assim diz o Senhor, coloque a sua casa em ordem, porque você não vai se recuperar, você não vai sarar.
Ezequias então se sentiu muito angustiado.
Ele pensou nas pessoas que nunca mais veria.
Ele pensou nos trabalhos que nunca mais realizaria.
Pensou na vida abençoada que tinha, e não queria morrer; ele queria sarar.
E na sua angústia ele percebeu que, embora sempre houvesse procurado servir a Deus com integridade de coração, havia, de fato, pecados em sua vida.
Podemos observar isto no v. 17[1], e também no v.1, quando o Senhor lhe ordena: “Põe a tua casa em ordem”.
Mas o que vemos aqui não é apenas um homem angustiado por causa de uma grave enfermidade.
Não é apenas um homem atribulado quando se dá conta de que terá que olhar nos olhos do anjo da morte.
Tampouco é a descrição de um homem que simplesmente se conforma diante de um destino aparentemente inevitável.
O que vemos é, isto sim, a descrição da reação de um homem de fé.
Depois que Isaías se retira, Ezequias encosta a cabeça na parede, volta-se para Deus, e do fundo do coração clama ao Senhor.
Ele abre seu coração, expõe seus pensamentos, seus medos, confessa sua fraqueza... E alcança a resposta do Senhor
Como Jesus diria mais tarde, tudo é possível ao que crê. Ezequias creu e obteve o favor de Deus.
Pelo exemplo de Ezequias, a Palavra de Deus no ensina que a oração muda as coisas. Desejo mencionar três possibilidades da oração
1. Através da oração, o homem pode tocar o coração de Deus
Veja que coisa espantosa:
No v. 1, o Senhor diz assim a Ezequias:
Põe em ordem a tua casa, porque morrerás e não viverás.
Mas no v. 5, depois que este homem ora, a Palavra de Deus vem a ele novamente:
Assim diz o SENHOR, o Deus de Davi, teu pai: Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas; acrescentarei, pois, aos teus dias quinze anos
Eu não sei explicar isto com todas as letras; eu sei apenas o que o Espírito Santo está nos dizendo no texto:
Deus disse: “Ponha sua casa em ordem, pois você irá morrer.”
E o homem, angustiado, ora, chora e suplica: “Ah, Senhor, tenha misericórdia...”
E então o Senhor do Universo responde: “Está bem, eu ouvi a sua oração; eu vou curar você e lhe acrescentar mais quinze anos.”
E vocês sabem, meus irmãos, que este não é um caso isolado na Bíblia.
Lembrem-se de Moisés intercedendo por Israel. O Senhor, irado com o pecado de Israel, disse a Moisés que iria destruir aquela nação, apagar o seu nome de debaixo do céu, e de Moisés, seu servo fiel, faria uma nova nação, mais forte e numerosa.
Mas Moisés, homem de Deus, pastor de Israel, se prostrou perante o Senhor, quarenta dias e quarenta noites, como já o fizera anteriormente, e clamou intercedendo até que a ira de Deus fosse detida, e o Senhor perdoasse a nação escolhida[2].
O mesmo aconteceu com a grande cidade de Nínive nos dias do profeta Jonas.
A Palavra do Senhor, por meio do profeta, dizia: “Mais quarenta dias e esta cidade será destruída”.
E ouvindo o rei de Nínive esta Palavra, e todo o povo, creram no Senhor, arrependeram-se, jejuaram, clamaram a Deus e se converteram, e o Senhor não mais destruiu a cidade[3].
E vocês também se lembram de Jacó, aquele homem de mau caráter, trapaceiro, que precisava mudar de vida.
Gn 32:26-28
Disse este: Deixa-me ir, pois já rompeu o dia. Respondeu Jacó: Não te deixarei ir se me não abençoares.  27 Perguntou-lhe, pois: Como te chamas? Ele respondeu: Jacó.  28 Então, disse: Já não te chamarás Jacó, e sim Israel, pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste.
Você vê? Jacó de fato era um home cheio de defeitos, fraquezas e pecados; mas um pecado ele não tinha: preguiça; e justamente por isto apegou-se a Deus, lutou com Deus até que este mudou-lhe a sorte.
E você se lembra daquela pobre mulher estrangeira que foi pedir a Jesus que libertasse sua filha endemoniada?
Mc 7:24 e segs.
Levantando-se, partiu dali para as terras de Tiro e Sidom. Tendo entrado numa casa, queria que ninguém o soubesse; no entanto, não pôde ocultar-se, 25 porque uma mulher, cuja filhinha estava possessa de espírito imundo, tendo ouvido a respeito dele, veio e prostrou-se-lhe aos pés.  26 Esta mulher era grega, de origem siro-fenícia, e rogava-lhe que expelisse de sua filha o demônio.  27 Mas Jesus lhe disse: Deixa primeiro que se fartem os filhos, porque não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.  28 Ela, porém, lhe respondeu: Sim, Senhor; mas os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem das migalhas das crianças.  29 Então, lhe disse: Por causa desta palavra, podes ir; o demônio já saiu de tua filha.  30 Voltando ela para casa, achou a menina sobre a cama, pois o demônio a deixara.
Em cada um destes casos, que poderiam ser multiplicados, nós vemos situações que já parecem determinadas: Ezequias morrerá. Israel será destruído. Nínive perecerá. Jacó está incomodando a Deus e a mulher siro-fenícia não faz parte do “povo eleito".
Mas cada um deles se apega a Deus, e crê, e ora, confessa, insiste, e espera, e Deus atende.
Então veja o que faz Ezequias – Is 38:14
Como a andorinha ou o grou, assim eu chilreava e gemia como a pomba; os meus olhos se cansavam de olhar para cima. Ó Senhor, ando oprimido, responde tu por mim.
E a resposta do Senhor: “Ouvi tua oração... vi tua aflição...”
Se você fizer como Ezequias, o Senhor pode ouvi-lo falar, o Senhor pode ver suas lágrimas.
2. Através da oração, podemos obter as promessas da graça de Deus – vs. 4, 5
Então, veio a palavra do SENHOR a Isaías, dizendo: 5 Vai e dize a Ezequias: Assim diz o SENHOR, o Deus de Davi, teu pai: Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas; acrescentarei, pois, aos teus dias quinze anos.  
O que desejo ressaltar agora é que a Palavra do Senhor, melhor, a Palavra da Graça do Senhor foi dada a ele.
Pois antes a Palavra que lhe fora dirigida havia sido uma Palavra de julgamento.
Mas agora, uma Palavra de conforto, de cura, de restauração, de livramento.
Algo semelhante ao que o Senhor já fizera antes, quando Senaqueribe, o maldoso rei da Assíria lhe havia desafiado através de uma carta zombeteira e ameaçadora.
No cap. 37, aqui de Isaías, lemos que aquele ímpio, a quem Deus dera vitória na guerra contra muitas nações, agora estava ameaçando conquistar o reino de Judá e destruir Jerusalém.
Seu numeroso e vitorioso exército estava mesmo às portas da cidade. E Senaqueribe disse que não havia deus capaz de detê-lo.
Então Ezequias tomou a carta ameaçadora nas mãos, entrou no templo, prostrou-se perante o Senhor e orou: “Ó Senhor, livra-nos de suas mãos...”
E Deus o ouviu.
Vamos ler 37:20-29
Agora, pois, ó SENHOR, nosso Deus, livra-nos das suas mãos, para que todos os reinos da terra saibam que só tu és o SENHOR.  21 Então, Isaías, filho de Amoz, mandou dizer a Ezequias: Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: Visto que me pediste acerca de Senaqueribe, rei da Assíria, 22 esta é a palavra que o SENHOR falou a respeito dele: A virgem, filha de Sião, te despreza e zomba de ti; a filha de Jerusalém meneia a cabeça por detrás de ti.  23 A quem afrontaste e de quem blasfemaste? E contra quem alçaste a voz e arrogantemente ergueste os olhos? Contra o Santo de Israel. 24 Por meio dos teus servos, afrontaste o Senhor e disseste: Com a multidão dos meus carros, subi ao cimo dos montes, ao mais interior do Líbano; deitarei abaixo os seus altos cedros e os ciprestes escolhidos, chegarei ao seu mais alto cimo, ao seu denso e fértil pomar.  25 Cavei e bebi as águas e com a planta de meus pés sequei todos os rios do Egito.  26 Acaso, não ouviste que já há muito dispus eu estas coisas, já desde os dias remotos o tinha planejado? Agora, porém, as faço executar e eu quis que tu reduzisses a montões de ruínas as cidades fortificadas.  27 Por isso, os seus moradores, debilitados, andaram cheios de temor e envergonhados; tornaram-se como a erva do campo, e a erva verde, e o capim dos telhados, e o cereal queimado antes de amadurecer.  28 Mas eu conheço o teu assentar, e o teu sair, e o teu entrar, e o teu furor contra mim.  29 Por causa do teu furor contra mim, e porque a tua arrogância subiu até aos meus ouvidos, eis que porei o meu anzol no teu nariz, e o meu freio, na tua boca, e te farei voltar pelo caminho por onde vieste. Ordenou ao profeta Isaías fosse ter com ele e dissesse que em breve o Senhor mesmo colocaria um anzol no nariz de Senaqueribe, um freio em sua boca, e o faria voltar pelo mesmo caminho que havia ido.
Senaqueribe não conseguiria fazer nada contra Jerusalém. Então uma enfermidade, uma praga proliferou entre o exército, e o acampamento assírio ficou cheio de cadáveres. Senaqueribe voltou para casa, e foi assassinado pelos próprios filhos.
Este é um maravilhoso modo do operar de Deus: antes de realizar sua obra salvadora, ele nos dá suas graciosas promessas.
Elas são de imenso valor para nós:
Primeiro, porque são promessas que reanimam o nosso coração, que renovam nossa fé.
E depois porque, quando elas se cumprem, temos confirmada a certeza de que de fato foi o Senhor quem falou.
Como isto acontece?
Você fica na presença de Deus, você vai a ele e ora, humilde, confiante, esperançoso, e aguarda. Como Habacuque.
Hc 2:1
Pôr-me-ei na minha torre de vigia, colocar-me-ei sobre a fortaleza e vigiarei para ver o que Deus me dirá e que resposta eu terei à minha queixa.
E então o Senhor trás a sua resposta a você. Deus fala através de sua Palavra escrita, a Bíblia. E também nos fala através da vida, quando o Espírito Santo trás à nossa mente, ao nosso coração, as coisas de sua Palavra escrita, e que temos guardado em nosso interior.
Ele pode encaminhá-lo em sua leitura bíblica. Certa ocasião eu estava orando a Deus em favor de uma pessoa a quem eu amava, que estava muito enferma. Estava mesmo desenganada pelos médicos.
Então assentei-me na sala de estar, em oração, e “abri minha Bíblia ao acaso”.
Meus olhos pousaram sobre estas palavras:
A ti, ó Deus, confiança e louvor em Sião! E a ti se pagará o voto.  2 Ó tu que escutas a oração, a ti virão todos os homens, 3 por causa de suas iniquidades. Se prevalecem as nossas transgressões, tu no-las perdoas. (Sl 65:1-3)
Então o meu coração se encheu de paz, na terna certeza de que minha oração tinha sido atendida. E de fato aquele homem por quem eu orava foi curado.
Ele pode fazer com que você se lembre de uma promessa específica.
O Senhor pode usar a pregação de sua Palavra, a leitura bíblica, a vida de outro irmão, sensível à voz do Espírito; pode usar até mesmo um cântico, um hino, qualquer instrumento de sua Palavra que se torne, dentro de certas ocasiões específicas, uma palavra que se destina especialmente ao nosso coração.
Ore, busque; se for preciso, jejue.
3. Através da oração, podemos experimentar o gracioso poder de Deus agindo por nós
O Senhor faz três coisas: ele cura Ezequias, ele lhe dá vitória contra Senaqueribe; ele concede um sinal.
Nós não cremos que esta história registrada aqui seja uma lenda; cremos que o Senhor a quem adoramos é um Deus que age, não somente através das coisas corriqueiras da vida, mas que ele também age através de milagres.
Olhemos para a História Bíblica: está repleta de grandes respostas miraculosas de Deus às orações.
De fato, ele faz o mar se acalmar, e acalma inclusive as tempestades de nosso coração e de nossa mente.
Como nos recorda a música[4]:
E a tempestade de fato obedece a sua voz.
Ele é o Deus que anda sobre as águas.
Ele é o Deus que pode ver todas as coisas, e o pode sondar coração dos homens.
Ele é o Deus que cura as doenças e o corpo e alma pode restaurar.
Quando começamos a esperar a Sarinha, nossa segunda filha, passamos por momentos difíceis; porque antes dela já havíamos perdido dois bebês, e não havíamos conseguido descobrir a razão. Somente mais tarde, quando viemos a esperar a Ana Paula, é que pudemos fazer um tratamento médico adequado.
Mas não demorou muito, e os mesmos sintomas anteriores começaram a surgir, no terceiro mês de gestação.
Então nos pusemos a orar, a orar muito, e simplesmente não houve tratamento médico. Mas no momento certo a nossa filhinha nasceu. E linda
Conclusão e Aplicação
Na oração, amado, você pode “tocar o coração de Deus”, ou antes, você pode unir o seu coração ao coração de Deus, obter promessas graciosas, alcançar verdadeiros milagres, coisas nas quais vemos claramente o poderoso agir do Senhor.
Então confie no Senhor, e ore. Ore, ore, e ore.





[1] Is 38:17 – Ezequias diz: “Eis que foi para minha paz que tive eu grande amargura; tu, porém, amaste a minha alma e a livraste da cova da corrupção, porque lançaste para trás de ti todos os meus pecados”.
[2] Dt 9:13-29
[3] Jn 3:4-10
[4] Diante do Trono, Deus de milagres
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