Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

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domingo, 8 de março de 2015

A criação da mulher - Gn 2:18-25

IPC em Pda. de Taipas
Domingo, 8 de março de 2015
Pr. Plínio Fernandes              Baixe em EPUB     Baixe em PDF     Baixe para MOBI
Amados irmãos, vamos ler Gênesis 2:18-25            
18 Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.  19 Havendo, pois, o SENHOR Deus formado da terra todos os animais do campo e todas as aves dos céus, trouxe-os ao homem, para ver como este lhes chamaria; e o nome que o homem desse a todos os seres viventes, esse seria o nome deles. 20 Deu nome o homem a todos os animais domésticos, às aves dos céus e a todos os animais selváticos; para o homem, todavia, não se achava uma auxiliadora que lhe fosse idônea.  21 Então, o SENHOR Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne.  22 E a costela que o SENHOR Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe. 23 E disse o homem: Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada.  24 Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne. 25 Ora, um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus e não se envergonhavam.
Eu quero contar para os irmãos, de um modo bem resumido, como foi que Deus me concedeu uma das maiores bênçãos da minha vida, que foi a de me casar com a Terezinha.
Em 1981 eu fui enviado para Manaus como missionário da Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo.
Fui enviado com duas metas específicas: ministrar um curso de evangelização que duraria um semestre e, ao mesmo tempo em que ministraria o curso, trabalharia também na formação de novos professores que continuassem o trabalho depois que eu voltasse para São Paulo.
E foi um tempo maravilhoso. Mas aconteceu uma coisa que eu não tinha planejado:
É que, além de haver treinado 13 novos professores, duas semanas antes de eu voltar para São Paulo, eu e a Terezinha percebemos que estávamos gostando um do outro, e queríamos namorar.
O irmão que dirigia o escritório da missão em Manaus me perguntou: “Tem certeza de que você quer voltar para São Paulo”?
E eu respondi: “Olha, eu na verdade gostaria muito de ficar, mas se eu ficasse agora seria só por causa da Terezinha; já não seria mais por causa da obra, pois o meu trabalho já está feito. Se eu ficasse agora acho que não seria honesto com a Missão”.
Então eu voltei para São Paulo deixando aquela que viria a ser mulher da minha vida em Manaus.
Os meses seguintes foram muito difíceis, deste ponto de vista emocional.
Ministrei cursos em várias igrejas, mas o tempo todo sofrendo muito por causa da imensa saudade que eu tinha da Tequinha, e sem expectativa alguma de voltar para Manaus, ou de que ela viesse para cá.
Mas no começo do ano seguinte o diretor do escritório manauara veio novamente a São Paulo, conversou com o diretor nacional e me apresentaram um novo projeto. E me perguntaram: quer voltar para Manaus? E depois de orar buscando a vontade de Deus eu aceitei.
Terezinha e eu nos casamos no final de 1982. Como eu disse, contei aos irmãos de uma forma bem resumida.
Eu gosto de recordar estes acontecimentos, e tenho comigo que desde o princípio do mundo Deus age deste modo: ele vem ao nosso encontro, em seu amor, em sua sabedoria, em seu poder, e se deleita em nos conceder os desejos santos do nosso coração
A história da criação da mulher é um exemplo maravilhoso disto.
A Bíblia nos conta que, antes de formar Adão, o pai de todos nós, o Senhor Deus criou um lugar maravilhoso, que veio a ser chamado “Jardim do Éden”, isto é, lugar “de delícias”.
Ali o Senhor colocou toda a espécie de plantas que seriam para o alimento e deleite do homem. Criou os animais e todas as outras coisas da terra.
Então, depois de preparar tudo, criou o homem, à sua imagem e semelhança, para cuidar da criação: lavrar o jardim, dar nome aos animais. E todos os dias viver em comunhão com Deus.
E foi isto o que homem se dedicou a fazer: ele cuidava da terra, ele cuidava dos animais, ele tinha comunhão com Deus.
Mas aconteceu uma coisa: à medida que Adão cuidava dos animais, percebia que cada um dos animais tinha o seu par correspondente. E ele, Adão, não tinha alguém que fosse lhe semelhante. E sentia falta. Percebemos isto quando, diante da mulher, ele diz: “Afinal... Até que enfim alguém como eu...”.
Vale notar que isto foi ainda antes que houvesse pecado e o homem se tornasse egocêntrico. O que estou dizendo é que desejar ter uma esposa, ou um marido, faz parte da natureza humana tal como Deus a criou.
Então estava ali o homem, glorificando a Deus através de sua vida de serviço a ele, e Deus diz consigo mesmo: “Não é bom que o homem esteja só...”.
Faz cair pesado sono sobre Adão, e enquanto ele dorme, o Senhor cria a mulher e a traz ao homem.
Quando ele abre os olhos e vê a mulher, é só alegria: “Até que enfim alguém como eu, a minha cara metade”.
E na Bíblia inteira, de uma forma ou de outra, Deus age em relação aos seres humanos com esta mesma atitude.
Seus olhos estão sobre a sua criação; ele vê as necessidades humanas; e ele vem ao encontro dos seres humanos e cuida deles.
Eu desejo meditar sobre este texto com os irmãos, tendo nele um esboço, um exemplo da maneira como Deus revela constantemente o seu cuidado para conosco.
A história da criação da mulher é uma ilustração muito bonita...
1. Do conhecimento que Deus tem das nossas necessidades
Veja que antes mesmo de nos fazer vislumbrar o fato de que o homem sentia falta de alguém, o Senhor Deus é quem afirma isto: “Não é bom que o homem esteja só”.
E porque não é bom que o homem esteja só?
Penso que isto se deve ao fato de que o ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus.
E Deus é, em sua própria natureza, um ser social: a Trindade Santíssima vive eternamente numa maravilhosa comunhão.
Assim o ser humano foi criado para ter comunhão com seu semelhante.
E deste modo Deus criou a primeira mulher, o primeiro de muitos seres semelhantes ao primeiro homem: criada para ser uma auxiliadora idônea, semelhante a ele, e viverem juntos para Deus.
O que desejo enfatizar é este ponto: Deus conhece cada uma de nossas necessidades.
E quando digo necessidades, estou me referindo àquelas coisas que são da própria essência da natureza humana.
Por exemplo: Deus nos criou a fim de refletirmos a sua glória em tudo o que somos e fazemos. Então nós só podemos ser realmente felizes se vivermos em comunhão com Deus e glorificando seu nome.
Deus criou o homem para trabalhar, e o ser humano só se sente bem se estiver de alguma forma sendo útil.
Deus também nos criou para termos relacionamentos saudáveis: eu acho muito interessante a maneira como C. S. Lewis “pinta o inferno” num dos seus livros, imaginando-o como um lugar escuro, no qual à medida que o tempo passa as pessoas vão brigando umas com as outras, e se isolando, morando a quilômetros de distância umas das outras, e sempre remoendo coisas, chafurdando na lama da autocomiseração. O inferno, segundo esta figura, é um lugar de solidão.[1]
Deus não nos criou para brigarmos e nos isolarmos uns dos outros; não nos criou “para o inferno”[2]; criou o ser humano para se relacionar com outros: nós precisamos outros seres humanos, seja o cônjuge, sejam amigos.
Acima de tudo, precisamos nos relacionar e ter comunhão com Deus.
E também temos outras necessidades, de natureza “mais física”, tais como comer, beber, nos vestirmos, a necessidade de moradia.
E Deus conhece tudo quanto necessitamos.
Veja o ensino de Jesus aos que o seguem:
Mt 6:31-32
Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos?  32 Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas. 33 buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
Note a maneira como Jesus fala de Deus: “vosso Pai celeste”.
Vosso Pai sabe de todas as vossas necessidades materiais.
E o Pai celeste também sabe de todas as necessidades espirituais de cada ser humano.
Rm 3:23
“pois todos pecaram e carecem da glória de Deus”
Entendo que a palavra “glória”, aqui, assim como em João 12:43, significa “a aprovação” de Deus. Por causa de seus pecados, todos os homens foram reprovados, e assim privados da comunhão com Deus.
Sem Deus o ser humano não tem paz, e o ser humano necessita de paz.
O ser humano necessita se sentir amado.
Necessita liberdade espiritual.
Precisa perdão, precisa salvação de sua alma.
Precisa comunhão com Deus.
Deus sabe de cada uma das nossas necessidades.
E porque ele sabe? Entre outras coisas, porque ele nos criou, sabe a maneira como nos criou, sabe como é a nossa natureza.
Mas também porque em todo o tempo os olhos de Deus estão sobre nós. Seus olhos percorrem toda a terra, a contemplar cada ser humano. Acompanhando com interesse a vida de cada um.[3]
E isto, por um segundo motivo que também vemos ilustrado  na história da criação da mulher...
2. A bondade de Deus para conosco
- “Não é bom que o homem esteja só... é bom que esteja acompanhado... então eu farei o que é bom para ele...”.
Deus sabe o que é bom para nós, e deseja o que é bom para nós.
Ele sabe que o ser humano precisa paz, e deseja que o ser humano tenha paz.
Ele sabe que o homem precisa salvação, e deseja que os homens sejam salvos.
O que estou enfatizando agora é isto: ele não somente sabe o que é bom, mas também tem no coração a boa disposição de nos dar o que é bom.
Para explicar isto eu quero fazer um contraste:
Nós, seres humanos, somos pecadores, e por causa disto, mesmo que às vezes saibamos o que é melhor para o próximo, nem sempre temos a boa disposição de fazer o que é melhor.
Você se lembra da história de Jonas? Ele havia sido mandado por Deus para pregar a Palavra na cidade de Nínive.
Jonas sabia que se ele pregasse, Deus, em sua bondade levaria os ninivitas a se arrependerem de seus pecados, e os ninivitas seriam salvos.
Mas Jonas odiava os ninivitas, pois eles eram um povo muito mau e perverso, que dezenas de vezes fazia o mal contra os israelitas; então não queria pregar a Palavra a eles.
Ele só obedeceu quando Deus o castigou, como um pai que disciplina ao filho a quem ama.
E de fato o que ele não queria aconteceu: os ninivitas se arrependeram, foram perdoados e suas almas foram salvas.
E Deus se deleitou em salvar os ninivitas.
Então veja: se entre os seres humanos existe a possibilidade de desejar o mal para o seu próximo, Deus não é assim: ele deseja o que é bom.
Ez 33:11
Dize-lhes: Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que haveis de morrer, ó casa de Israel?
Deus não tem prazer na morte do perverso.
Isto é, Deus não tem prazer na morte do criminoso.
Deus não tem prazer na morte do mentiroso.
Deus não tem prazer na morte do soberbo.
Deus não tem prazer na morte do ladrão, do sequestrador.
Deus não tem prazer na morte do alcoólatra.
Não tem prazer na morte do adúltero, do efeminado, ou do fornicário.
Deus não tem prazer na morte de qualquer pecador.
Deus não tem prazer em que o homem ande em seus pecados.
Mas o prazer de Deus é que o homem se converta do seu caminho errado e viva.
Por isto a exortação da graça de Deus: “Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos. Morrer por quê”?
Da mesma forma, o Senhor tem prazer em que a vida dos seus santos filhos, aqueles que por meio da fé em Jesus se achegam a ele, seja abençoada neste mundo.
Sl 35:27
Cantem de júbilo e se alegrem os que têm prazer na minha retidão; e digam sempre: Glorificado seja o SENHOR, que se compraz na prosperidade do seu servo!
E por prosperidade Deus quer dizer, não que cada filho dele deve ser rico, mas ter uma vida feliz, abençoada.
Uma família abençoada.
Um trabalho abençoado.
Um ministério abençoado.
Amizades abençoadas.
O prazer de Deus é que tenhamos o que é bom.
Vamos ao terceiro ponto. A história da criação da mulher é também uma maravilhosa ilustração...
3. Da providência de Deus para conosco
Deus nos conhece, sabe o que necessitamos, deseja nos dar o que necessitamos, e concede o que necessitamos.
No Jardim do Éden, o Senhor faz algo maravilhoso: faz Adão adormecer profundamente.
E enquanto Adão dorme, tira uma de suas costelas, dela forma a mulher e a traz ao homem.
Vale a pena lembrar aquele comentário antigo, que os explica que o Senhor...
Não formou a mulher de uma parte da cabeça do homem, para que ela dominasse sobre ele.
Nem de uma parte dos pés, para ser pisada por ele.
Nem de uma das mãos, para que fosse manipulada por ele.
Mas do peito, perto do coração, para que seja amada, protegida, cuidada.
Ora, assim como antes da criação do homem o Senhor lhe preparou o Éden, para que ele ali vivesse, trabalhasse, fosse feliz em sua comunhão com Deus.
Assim como depois da criação o Senhor lhe formou a mulher, para que fosse sua auxiliadora.
Assim como depois da entrada do pecado e da malícia no mundo o Senhor também preparou vestimentas para os nossos primeiros pais.
O Senhor continua a cada dia, providenciando para os seus amados tudo quanto necessitam.
Toda a terra está cheia da bondade do Senhor.
Ele nos dá o sol, a chuva e as estações do ano.
Nos dá alimentação, vestuário, moradia.
Você é casado? O homem que acha uma esposa achou um bem, e alcançou a benevolência do Senhor...[4]
Você tem filhos? Herança do Senhor são os filhos...[5]
Você trabalha? Bem aventurado o homem que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos, pois comerás do trabalho das tuas mãos, feliz serás, e tudo te irá bem...[6]
Você é crente em Jesus? Pela graça sois salvos, mediante a fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus[7].
Você é membro da igreja? Pois todos somos batizados num só corpo, pelo mesmo Espírito de Deus[8].
Rm 8:31-32
Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?  32 Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?
Aqui temos uma das maiores, mais claras afirmações do Espírito Santo a respeito do cuidado providencial e redentor de Deus para conosco.
Deus nos deu aquele de maior, mais importante, mais precioso que qualquer pai pode ter aos seus olhos: o seu próprio Filho, para que por ele fossemos salvos, para que ele morresse na cruz em nosso lugar, levando sobre si os nossos pecados.
Se Deus nos amou tanto, se não poupou seu próprio Filho, não será capaz de nos dar com Jesus todas as outras coisas? É claro que sim.
Quem tem Jesus tem tudo.
Conclusão e aplicação
Veja como é grande a bondade, a sabedoria, o amor de Deus:
Ele nos criou, nos acompanha diariamente, e conhece todas as nossas necessidades.
Ele não somente sabe o que necessitamos, mas também deseja nos suprir em tudo.
Mas não é apenas um desejo ansioso no coração de Deus: ele também providencia tudo quanto é necessário para a nossa vida, tanto agora como na eternidade.
Ao homem perdido e morto em seus pecados ele mandou Jesus.
E com Jesus toda a sorte de bênçãos.
Vejamos algumas aplicações desta doutrina para todos nós:
Se Deus nos dá Jesus, e todas as outras coisas da nossa vida.
1. Nós podemos ter para com Deus e para com tudo um profundo espírito de gratidão.
Podemos ser gratos pelo cônjuge, pelos filhos, pelos pais.
Podemos ser gratos pelo trabalho.
Podemos ser gratos pelos amigos.
Podemos ser gratos pela igreja, pelos irmãos.
Pela criação: as plantas, os animais, e todas as dádivas deste mundo farto de riquezas.
Pela Bíblia, pelo dom do Espírito Santo.
Por todas estas bênçãos que o Senhor nos proporciona para o nosso prazer, para a nossa alegria.
2. Podemos  nos deleitar em todas as coisas, e cuidar bem de tudo quanto Deus nos dá
Homem, deleite-se em sua esposa, e cuide bem dela.
Pais, deleitem-se em seus filhos, e cuidem bem deles.
Famílias, seja felizes e cuidem uns dos outros.
Irmãos, deleitem-se na igreja, deleitem-se na Bíblia, na pregação, na oração, nos cânticos, na comunhão – façam da igreja um lugar de prazer.
Amigos, alegrem-se nos amigos que Deus lhes deu, e cuidem bem de suas amizades.
Como Adão, antes de pecar, e agora, como redimidos em Cristo, vivam para fazer a vontade de Deus em todas as áreas de sua vida.
Que o Senhor seja o centro de todas as áreas de sua vida, a fonte de todas as coisas, a razão der todas as coisas.
3. E se alguma coisa você não tem?
Adão sentia falta da mulher, mas mesmo assim continuou a servir a Deus.
E o Senhor mesmo cuidou de Adão.
Veja a promessa de Jesus com relação às nossas necessidades: “Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e todas as outras coisa vos serão acrescentadas”.
Dedique sua vida a fazer a vontade do Senhor.
Ele conhece as suas necessidades.
Viva para o Senhor, busque o reino dele antes de tudo, trabalhe para o Senhor, leve ao Senhor cada uma das suas necessidades, cada uma das suas ansiedades, descanse no Senhor, e ele cuidará de tudo para você.
Pois se o Senhor é o meu pastor, então eu tenho tudo o que eu preciso.
4. Você já recebeu a Jesus Cristo como seu Salvador?
Pois esta é, de todas as dádivas de Deus, a mais preciosa, a mais importante.
De fato, se uma pessoa tiver todas as outras coisas, todos os bens deste mundo, toda a posição, todo o dinheiro, e não tiver Jesus, nada das outras coisas têm real valor. Que adianta um homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Quem não tem Jesus não tem nada!
Então, a primeira e mais importante pergunta que você precisa responder para si mesmo é esta: você tem Jesus? Pois quem tem a Jesus, o Filho de Deus, tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida[9].
E se você, até agora, não tem Jesus, você pode ter.
Pois Jesus nos faz estas promessas na Palavra:
Onde quer que o evangelho esteja sendo pregado, ali ele está...[10]
Aquele que habita no céu, num alto e sublime trono, também habita na terra, com aquele que está abatido de espírito, que está contrito e quebrantado, arrependido de seus pecados e necessitando salvação[11].
E está disposto a perdoar, está disposto a habitar no coração de todo aquele que o buscar em verdade[12].
Pois todo aquele que invocar, todo aquele que chamar pelo Senhor Jesus será salvo[13].
Então se você não tem Jesus, a hora de crer nele, a hora de recebê-lo em seu coração é agora[14].
Creia, ore a Deus, peça a Jesus para salvá-lo, mudar sua vida, fazer de você uma pessoa salva. Se você busca-lo, ele virá habitar em seu coração[15].






[1] Em “O grande abismo”.
[2] O inferno foi “preparado para o diabo e seus anjos” (Mt 25:41), e não para os seres humanos.
[3] Sl 33:13-15
[4] Pv 18:22
[5] Sl 127:3
[6] Sl 128:1-3
[7] Ef 2:8, 9
[8] 1ª Co 12:12
[9] 1ª Jo 5:12
[10] Mt 28:18-20
[11] Is 57:17
[12] Is 55:6, 7
[13] Rm 10:8-13
[14] Sl 95:7-11
[15] Jr 29:11, 12

domingo, 23 de junho de 2013

O reino dos céus é um tesouro - Mt 13:44-46

O reino dos céus é um tesouro
Igreja Evangélica Presbiteriana
Domingo, 23 de junho de 2013
Pr. Plínio Fernandes
Meus irmãos, vamos ler Mateus 13:44-46
44 O reino dos céus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo homem, tendo-o achado, escondeu. E, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo 45 O reino dos céus é também semelhante a um que negocia e procura boas pérolas 46 e, tendo achado uma pérola de grande valor, vende tudo o que possui e a compra.
Certa ocasião, um homem estava arando seu campo em Suffolk, Inglaterra, quando encontrou um cofre, do tempo dos romanos, que continha vasos de prata.[1] Aquilo era um pequeno e valioso tesouro, não só por causa do metal precioso, mas especialmente por sua importância histórica.
Na antiguidade, devido às inconstâncias políticas, e especialmente em tempos de guerra, muitas pessoas preferiam esconder seus tesouros em lugares assim, de difícil acesso a quem não soubesse deles. E se acontecesse de o dono morrer, sem quem alguém soubesse da existência do tesouro, ele ficaria perdido. Segundo os rabinos judeus, se alguém encontrasse um tesouro em circunstâncias assim, poderia ficar com ele.[2]
Esta parábola de Jesus foi contada tendo um contexto parecido: um homem estava andando no campo. Quem sabe algo brilhando no chão tenha chamado sua atenção. Quem sabe tropeçou nalguma coisa.
Mas sem que esperasse, descobriu que ali havia um tesouro enterrado; um tesouro que, por si só, valia muito mais do que o campo em que estava escondido. Então, o que ele fez? Voltou prá casa, vendeu todas as coisas que tinha, ficou sem nada, e investiu tudo na compra do campo. E tendo comprado, ficou com aquele imenso tesouro.
Logo em seguida a esta, Jesus nos conta mais uma história parecida. Mas nesta é um grande negociante, que não está apenas andando por certo lugar. É alguém que está procurando boas pérolas. E de repente, em sua procura, ele encontra uma pérola inigualável. É a coisa mais preciosa que ele já encontrou na vida.
Então ele também, junta tudo quanto tem, inclusive todas as suas outras pérolas, vende, e radiante de alegria compra a pérola de grande valor. Ele não consegue se conter de contentamento, porque este é o melhor negócio que já fez na vida.
Com estas duas parábolas, nosso Senhor está descrevendo como é o reino de Deus para aqueles que o encontram: é um tesouro que vale a pena você dar tudo o que tem em troca dele; é a pérola de grande valor, que excede todas as demais, que faz transbordar de alegria o coração daquele que a possui.
1. O reino dos céus é um dom da graça de Deus
Vocês percebem, meus amados, que o propósito de Jesus, nas duas histórias, é descrever o valor do reino pra aquele que o encontra. E também que existem certas semelhanças e certas diferenças entre estas duas histórias.
1. Na primeira história, o tesouro é encontrado casualmente: o homem não está procurando.
Quem sabe passando por ali... Quem sabe arando a terra, para plantar em seguida... Quem sabe procurando uma ovelha perdida... Mas o fato é que, de repente, sem esperar por aquilo, deparou-se com o imenso tesouro.
Sabem, meus irmãos, que muitas vezes é assim que Deus se deixa revelar?
Esta é uma das maravilhas da graça divina, o fato de que muitas vezes o homem anda distraído em seu caminho, apenas cuidando da vida (ou não), e de repente, sem que ele espere, “Deus aparece”, quero dizer, Deus se revela, e se faz conhecer ao coração daquele homem.
Vamos ler Romanos 10:20
E Isaías a mais se atreve e diz: Fui achado pelos que não me procuravam, revelei-me aos que não perguntavam por mim.
Nos vs. 20 e 21, Paulo está citando o profeta Isaías, onde o Senhor descreve a rebeldia espiritual de Israel, pois mesmo dizendo que buscava a Deus, eram gente dura de coração. Por isto Deus, por sua própria determinação, “se esconderia” de Israel e se revelaria aos gentios; povos que na verdade não buscavam ao Senhor, pois tinham outros deuses. Então, o verdadeiro Deus se revelaria e seria encontrado, por pessoas que não o estavam procurando.
Assim na parábola do tesouro escondido. Foi encontrado “por acaso”; foi encontrado por alguém que não estava procurando.
Um exemplo bem conhecido por muitos:
David Brainerd foi um jovem missionário que motivado pelo amor de Cristo se propôs a pregar o Evangelho numa região norte americana habitada por índios muito hostis. Eles odiavam os “brancos” porque estes os embriagavam, roubavam, violentavam, tomavam suas terras.
Mas David Brainerd, assim como todo aquele que conhece a Deus, não era desta estirpe. Ao contrário, o que ele desejava era a salvação eterna dos índios, e foi para lá, mesmo sabendo que estava penetrando numa terra hostil.
Certa noite, o missionário estava sozinho na mata, e os índios se aproximaram furtivamente para matá-lo. Mas quando chegaram perto viram que ele estava prostrado em terra, chorando e clamando ao “Grande Espírito” pela eterna salvação deles. Então, da mesma maneira como haviam se aproximado, se afastaram, sem que Brainerd percebesse o que havia acontecido.
No dia seguinte ele corajosamente entrou na aldeia, e foi recebido como um anjo de Deus, com lágrimas de gratidão dos índios, porque o que buscava era a salvação de suas almas.[3]
Eu que desejo destacar é que estes índios que foram alcançados ali encontraram algo que não estavam procurando.
Como tem acontecido com muitas pessoas que são alcançadas pelo Evangelho. É Deus que, por sua graça, desperta pregadores, missionários, e todos os crentes, seja em lugares distantes, sejam próximos, sejam grandes cidades, sejam pequenas vilas, para que busquem os perdidos, para que falem em amor, para que anunciem a notícia valiosa, salvadora. E quando estas pessoas assim alcançadas encontram este tesouro, é a maior alegria da vida, é o bem mais precioso.
2. Mas na segunda parábola é diferente: a pérola de grande valor é encontrada por alguém que está procurando preciosidades.
E nesta procura, encontra uma que é de valor inestimável. Mais do que todas. Tal como se dá com muitas pessoas em sua busca de Deus.
Existem muitas coisas boas nesta vida, pela bondade de Deus. E em todas elas existe uma certa gratificação, uma certa satisfação dos sentidos: no trabalho, na família, nas amizades, nas artes, nas filosofias, nas religiões.
Mas certas pessoas, mais do que outras, sentem que nada disto pode preencher o vazio de seus corações. Elas sentem sede de Deus. E o procuram.
A minha experiência, como a de muitos, foi esta, quando de minha adolescência: eu desejava conhecer a Deus; sentia falta dele. Então comecei a procurar: no “Gita”, no “Vedas”, no Evangelho de Kardec, no Budismo, no Rosacrucianismo, e muitas outras espécies de religião. E ainda que em todos estes livros, misturadas a toda sorte de erro, haja algumas coisas interessantes, pela graça de Deus, comecei a ler a Bíblia, e foi na Bíblia que eu encontrei a resposta para todo o meu anseio sobre Deus.
Vamos ler Colossenses 2:3 (1-3)
1 Gostaria, pois, que soubésseis quão grande luta venho mantendo por vós, pelos laodicenses e por quantos não me viram face a face; 2 para que o coração deles seja confortado e vinculado juntamente em amor, e eles tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento, para compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo, 3 em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos.
Como o tesouro escondido no campo, em Cristo estão ocultos todos os tesouros da sabedoria do conhecimento de Deus.
Pois Cristo, nos diz a Bíblia, é a encarnação de Deus.[4] Ele é a imagem do Deus invisível, o ser supremo de toda a criação. Nele, por ele, e para ele, foram criadas todas as coisas, as visíveis e as invisíveis.[5] Ele é o resplendor da glória, a expressão exata do ser Deus. Ele é o que sustenta todo o Universo pelo poder da sua Palavra. E todos os anjos do céu o adoram. [6] Ele é totalmente santo, digno da nossa vida. Ele odeia tudo o que é mal. Ele odeia tanto o pecado, e nos ama tanto, que se fez carne, habitou entre nós, e morreu na cruz levando o castigo que era nosso, e assim é que fez a purificação de todos os nossos pecados.
Agora leiamos também Colossenses 1:26, 27
26 o mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos; 27 aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória.
Preste atenção a estas palavras da Palavra: “Cristo em vós, a esperança da glória”. Nós somos apenas como que frágeis vasos de barro. Mas desde que cremos em Cristo, desde que, usando a linguagem de João, nós recebemos a Cristo, ele veio habitar dentro de nós.[7] O Senhor do Universo, o criador de todas as coisas, o nosso Deus e Salvador, habita no coração de todo aquele que o recebe.
Se você tem a Jesus você tem tudo. E ele diz: Nunca te deixarei; jamais te abandonarei.[8]
Se você estiver num lugar deserto, Jesus está ali com você. Se estiver em meio a uma multidão, Jesus está com você. Se estiver passando momentos alegres, Jesus está com você. Se em tristeza, não está sozinho. Ele te ajuda em todas as situações. Segura sua mão. Te orienta. Quando você erra, ele perdoa. Ele ouve suas orações. Ele dá sabedoria, te conduz por este mundo, e depois de todas as coisas te leva para o céu. Encontrar Jesus foi o maior tesouro da minha vida. É o maior tesouro que qualquer pessoa pode receber.
Veja a promessa de Deus para os que o buscam
Jeremias 29:13
Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração.
O que vemos então, amados, nestas duas histórias, é que o reino vem a nós pela graça de Deus: há daqueles que não o estão procurando; e há daqueles que, embora estejam procurando, nem o sabem ao certo.
Mas de repente Deus se revela ao coração; ilumina os olhos da alma, fala com o nosso ser interior. E quando alguém o encontra, percebe que tem diante de si o maior de todos os tesouros, a pérola mais preciosa.
“Jesus é melhor que ouro e bens”.
É “melhor que riquezas e posições”.
Jesus é o grande tesouro da alma.
2. O reino dos céus é um tesouro que não pode ser comprado
Na primeira parábola, o valor do tesouro escondido é muito maior do que o valor do campo. Mesmo que o homem trabalhasse a vida inteira, não poderia conseguir o suficiente que se equiparasse ao tesouro.
O reino do céus é mais valioso, mais caro do que todos os nossos recursos. Aliás, ele é um tesouro muito mais valioso do que todas as riquezas do Universo reunidas. Não é algo que se conquista com trabalho, pelas boas obras, pela capacidade humana. O seu valor excede a tudo quanto poderíamos fazer para adquiri-lo.
1. Algumas pessoas pensam que podem conquistar o reino dos céus com boas obras.
Mas veja o que a Bíblia diz sobre nossas “obras de justiça”.
Isaías 64:6
Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades, como um vento, nos arrebatam.
2. Outras pessoas pensam que podem alcançar o reino dos céus fazendo obras religiosas – fazendo caridade, servindo como missionários, trabalhando na igreja, e coisas semelhantes.
Mas nisto também a Bíblia fala diferente.
João 6:28-29
28 Dirigiram-se, pois, a ele, perguntando: Que faremos para realizar as obras de Deus? 29 Respondeu-lhes Jesus: A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado.
A obra que “devemos fazer para Deus” (e que não é nossa, mas de Deus), é que creiamos em Jesus.
3. Outros, ainda, pensam que podemos alcançar o reino através de uma “vida impecável” – “não fumando, não se embriagando”, não cometendo qualquer tipo de pecado.
Mais uma vez, a Bíblia diz que o caminho não pode ser este.
Romanos 3:23
Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus
Pecado não é somente “fumar, beber, mentir, adulterar”, e coisas semelhantes. Pecado é todo o comportamento, e também as coisas do coração, que são contrárias à lei de Deus. Ódio no coração é pecado. Inveja é pecado. Sensualidade, lascívia, vaidade, orgulho.
Por isto, vez após vez, o Espírito Santo nos diz, na Bíblia, que homem nenhum pode conseguir a sua salvação através de suas obras. Todos somos pecadores, e mesmo quando fazemos o melhor de nós, diante da santidade de Deus, nossas justiças são como um pano sujo. Não temos como pagar pela nossa salvação.
Qual é então, o caminho de acesso ao reino de Deus? Como alcançar a vida eterna? O que a Bíblia ensina?
Romanos 6:23
Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.
O salário, o pagamento pelo pecado, é a morte. Se Deus houvesse de nos pagar por alguma coisa, seria pelos nossos pecados. E o salário é a morte.
A vida eterna não é um pagamento de Deus a nós, por aquilo que possamos fazer de bom. É um dom. Um dom gratuito. Um dom gratuito que Deus nos concede em Jesus Cristo.
Vejamos também Romanos 11:6
E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça.
Eu acho que uma das ilustrações mais fortes desta verdade, que temos na Bíblia, está registrada em Lucas 23:39-43
39 Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também.40 Respondendo-lhe, porém, o outro, repreendeu-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença? 41 Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez. 42 E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino.43 Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.
Eu sei, amados, que para o coração orgulhoso esta doutrina bíblica é injusta. O coração orgulhoso quer chegar ao céu por seus próprios merecimentos. Por suas próprias obras. Por sua própria justiça. E não admite que alguém possa ser salvo sem merecer. E se insurge contra a justiça anunciada por Deus no Evangelho.
Mas o coração humilde, o coração do homem que reconhece os seus pecados, que conhece o mal que habita dentro dele mesmo, que não se considera melhor do que ninguém, nem mesmo melhor do que um ladrão, ah!, esse coração abraça esta doutrina com gratidão.
E diz: “Como Deus é maravilhoso. Pois em sua justiça, em seu amor, ele decidiu sofrer em meu lugar, sofrer pelos meus pecados, para me dar uma salvação que eu preciso, mas não mereço, e não tenho como conquistar por mim mesmo”.
E humildemente recebe esta salvação, pela fé em Jesus. Pois o reino dos céus, o valor dele é muito maior do que tudo o que podemos pagar. É algo que só podemos receber, gratuitamente.
3. O reino dos céus é um tesouro dado ao que entrega tudo o que tem
Pode parecer uma contradição, mas preste atenção: este homem que encontra o tesouro não tem como comprá-lo. Então ele vende tudo o que tem e compra o campo. E o tesouro vale muito mais que o campo.
O valor do tesouro é maior do que tudo, e ele não tem como pagar; mas se entregar tudo, ele ganha o tesouro. E mesmo tendo entregado tudo, está muito feliz, porque agora tem um tesouro infinitamente superior.
Com isto Jesus está dizendo o quanto o reino dos céus é valioso para o crente. O crente alegremente abre mão de todas as coisas que poderiam prendê-lo a este mundo, abre mão de todas as coisas que poderiam cativar seu coração, atrapalhar seu caminhar com Deus, sua vida espiritual.
Paulo testemunhou sua experiência espiritual quando conheceu Jesus.
Filipenses 3:4-9
4 Bem que eu poderia confiar também na carne. Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais: 5 circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu, 6 quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível. 7 Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. 8 Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo 9 e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé
Nos vs. 4 a 7 ele faz uma série de citações quanto à posição que tinha em Israel antes de se tornar cristão. Coisas das quais qualquer judeu se orgulharia muito, pois dentro da cultura deles eram imensamente importantes.
Era um homem socialmente reconhecido, respeitado. Mas veio a conversão a Jesus, e com esta conversão a rejeição por parte de Israel.
No entanto, tudo o que ele perdeu, para ele já não significava mais nada, porque agora conhecia ao Senhor. E tudo o que importava agora, era conhecer a Cristo cada vez mais, confiar cada vez mais, pois o conhecimento de Jesus é o maior de todos os bens.
Agora vejamos uma pessoa que não entendeu a grandeza deste tesouro.
Marcos 10:17, 21-24
17 E, pondo-se Jesus a caminho, correu um homem ao seu encontro e, ajoelhando-se, perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
21 E Jesus, fitando-o, o amou e disse: Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me. 22 Ele, porém, contrariado com esta palavra, retirou-se triste, porque era dono de muitas propriedades. 23 Então, Jesus, olhando ao redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! 24 Os discípulos estranharam estas palavras; mas Jesus insistiu em dizer-lhes: Filhos, quão difícil é para os que confiam nas riquezas entrar no reino de Deus!
Veja: não significa que todas as pessoas devem vender tudo o que têm, dar aos pobres e assim conquistar a salvação: Lídia, a abastada comerciante de Filipos, não foi constrangida a fazer isto. Nem José de Arimatéia, o rico que cedeu seu túmulo para o sepultamento de Jesus. Também não foi o caso de Salomão, ou Abraão, e não há nenhuma instrução na Bíblia neste sentido.
Mas é que neste caso aqui, o v. 24 diz especificamente que o coração deste homem estava em suas riquezas. Era nelas que este homem confiava.
Por isto Jesus diz que ele devia abrir mão de tudo quanto possuía. Assim como Paulo que, ao conhecer Jesus, abriu mão de tudo: seus títulos, sua posição, seu reconhecimento, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo.
Do que o crente abre mão? De tudo, pois ele dá a Cristo o seu coração. E com o seu coração, tudo o que ele ama; tudo em que ele confia.
Apocalipse 5:11, 12
11 Vi e ouvi uma voz de muitos anjos ao redor do trono, dos seres viventes e dos anciãos, cujo número era de milhões de milhões e milhares de milhares, 12 proclamando em grande voz: Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor.
João está descrevendo uma cena do céu: trilhões de seres celestiais adorando ao Senhor Jesus. Ele é chamado “o Cordeiro que foi morto”. É uma referência à sua morte em nosso lugar. Pelos nossos pecados; por amor a nós; por amor à justiça; para nos dar vida eterna. Então este número incontável de anjos o adora e diz que Jesus é digno de receber o poder, e riqueza, e força, e honra, e glória e louvor.
Ora, quando um homem encontra a Jesus, o seu coração se une ao céu, e ele entrega tudo a Cristo: entrega seu coração, entrega sua mente (sua sabedoria), entrega os seus bens (a sua riqueza), a sua força, todo o seu ser. E ele diz: Senhor, já não sou meu. Eu pertenço a ti. Meus bens são teus, para o teu reino em primeiro lugar. Minhas forças físicas são tuas. Meu tempo é teu. Tudo o que sou e tudo o que tenho pertencem ao Senhor.
O coração do crente confia em Cristo. Ele ama a Cristo. Ele espera em Cristo. Ele honra e adora a Cristo.
Então, embora ele continue trabalhando normalmente, e se case, e tenha filhos, e goste da vida, e “curta” a vida e tudo o mais, todas as coisas agora pertencem a Cristo, e se for necessário, abre mão de qualquer coisa, por amor ao Redentor. Como os apóstolos abriram mão de tudo, para seguir a Cristo e pregar o Evangelho no mundo.
Mas não é somente “um abrir mão” de algo que seja um empecilho; é também um consagrar positivo, de tudo o que ele é e tem, para a glória de Cristo. E não é uma entrega infeliz, tristonha. Ao contrário, é uma entrega libertadora, que trás felicidade, que torna o homem transbordante de alegria. Alegria da salvação, da vida eterna, do conhecer a Deus.
Conclusão
Quando o reino dos céus se manifesta na vida de uma pessoa, ela imediatamente percebe que foi a graça de Deus que veio ao seu encontro. Mesmo que estivesse procurando, sabe que nunca encontraria de si mesmo, mas que a bondade de Deus se revelou a ele.
Em Cristo ele encontra o maior tesouro do Universo: ele trás em si todas as inesgotáveis riquezas da vida eterna. E então se torna a sua suprema fonte de alegria, prazer e motivação de viver.
Quem tem Jesus tem tudo. E quem tem Jesus entrega tudo a ele, confiante e alegre, honrando a Jesus com alguém digno de toda a sua existência.
Aplicações
Eu gostaria de convidá-los a um momento de adoração a Cristo. Uma oração de entrega.
1. Aos que já são crentes em Jesus, que o estão seguindo como seus discípulos
Jesus é o seu grande tesouro? Maior que todas as riquezas? Maior que o seu próprio eu? Diga isto a ele em oração. Adore ao Senhor entregando a ele todo o teu ser.
Entregue seu corpo, a fim de que seja um instrumento do Senhor: seus lábios, seus talentos, sua aparência, até a sua maneira de se vestir, que seja para a honra do Senhor. Que o teu corpo seja um instrumento de justiça, e não de pecado. Entregue ao Senhor os teus olhos, os teus ouvidos, as tuas mãos, os teus pés.
Entregue ao Senhor os teus dons. Você tem usado os dons que recebeu de Deus para a glória de Jesus?
Entregue ao Senhor o teu dinheiro, os teus bens materiais, o teu tempo, a tua sabedoria, a tua força, a tua influência, todo o teu ser. Entregue ao Senhor a tua vida profissional, as tuas amizades, os teus relacionamentos.
Se houver em sua vida alguma coisa que não honra ao Senhor, abra mão, renuncie. Jesus é digno disto? E seja feliz em sua consagração ao Senhor.
2. Aos que ainda não são discípulos de Jesus
Você entendeu quão grande tesouro tem aquele que conhece a Cristo? Você percebe quão maravilhoso é Jesus? Percebe como ele é digno de confiança e amor? Quer entregar sua vida a Jesus, agora?
Então ore, invoque o nome de Jesus, entregue-se a ele, e comece a segui-lo já.
Leia a Bíblia a fim de conhecer mais a Jesus. Participe da igreja, para adorar a Deus, ter amizade com os que o adoram também, a participar da expansão do reino dos céus.
Você verá que “não existe nada melhor do que ser amigo de Deus”.


[1] Cf. Simom Kistemaker, As parábolas de Jesus (São Paulo, Casa Editora Presbiteriana, 1992), pág. 74
[2] Cf. William Barclay, O Novo Testamento Comentado, Mateus, pág. 515
[3][3] Orlando Boyer, Heróis da Fé (Rio de Janeiro, Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2005, 31ª edição), págs. 71, 72)
[4] Jo 1:1-3, 14
[5] Cl 1:15, 16
[6] Hb 1:1-3; 6
[7] Jo 1:11, 12
[8] Hb 13:5

domingo, 2 de junho de 2013

Semelhante a um grão de mostarda - Mt 13:31, 32

Igreja Evangélica Presbiteriana
Domingo, 2 de junho de 2013
Pr. Plínio Fernandes
Amados, vamos ver Mateus 13:31, 32
31 Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e plantou no seu campo;32 o qual é, na verdade, a menor de todas as sementes, e, crescida, é maior do que as hortaliças, e se faz árvore, de modo que as aves do céu vêm aninhar-se nos seus ramos.
Nós, os que moramos em grandes cidades, às vezes temos alguma dificuldade para “ver em nossa mente” a imagens usadas por Jesus em seus ensinos. Mas para as pessoas a quem ele se dirigiu primeiramente isto não era difícil.
Por exemplo, quando ele falou sobre o reino de Deus através desta parábola. Os “pés de mostarda”, ou mostardeiras, eram plantas muito comuns naquelas terras. Havia plantações, mas também aqui e ali, no campo e na cidade, podiam ser vistas mostardeiras solitárias. Muitos tinham uma delas plantada no quintal de sua casa.
Então ele conta de um homem que toma um pequenino grão de mostarda. É uma sementezinha bem pequenina, de mais ou menos um milímetro. Este homem planta a semente pequenina. E ela cresce. Quando cresce, torna-se a maior de todas as hortaliças, a ponto de muitos dizerem que é uma árvore.
Eu não conheço a mostardeira, mas certo comentarista diz que ela chega a ter três metros de altura.[1] Então, torna-se um abrigo para as aves do céu, que vêm fazer ninhos em seus ramos.
Assim é o reino de Deus.
Se o reino do céu é assim, então...
1º. É um reino que pode parecer insignificante, mas muito poderoso
É como a menor de todas as sementes, que colocada na palma da sua mão, mesmo na mão de uma criancinha, parece não poder muita coisa, mas que se torna uma grande árvore. E de uma só, se multiplica em muitas.
Quando nosso Senhor disse isto, seus discípulos eram um número muito pequeno de pessoas. Mas algum tempo depois ele voltou para o céu e ordenou que o Evangelho do Reino fosse pregado em todas as nações, até à sua volta. Durante certo tempo os primeiros discípulos ficaram pregando apenas em Jerusalém.
Mas vejamos o que está escrito em Atos 8:4
Mas os que andavam dispersos iam por toda parte anunciando a palavra (ARC).
Veja: este texto não está falando a respeito do trabalho dos apóstolos, mas do testemunho dos crentes que precisaram fugir da perseguição generalizada contra eles em Jerusalém. Fugiram e andavam dispersos entre as cidades de Israel e muitos outros lugares. E onde quer que iam, literalmente “anunciavam a boa notícia” da palavra de Jesus. Não era pregação; era o simples contar a boa notícia da salvação. E a mensagem de Jesus foi se espalhando cada vez mais, alcançando cada vez mais gente, em toda parte; de sorte que, quando Paulo escreveu a Carta aos Colossenses, ele disse que o Evangelho já estava produzindo fruto em todo o mundo.[2]
Agora, eu quero fazer duas aplicações disto para você, crente em Jesus:
1.1. Esta semente foi plantada dentro de você. O reino de Deus está dentro do teu coração
Desde o dia em que você creu em Jesus, converteu-se a ele, seus pecados foram cancelados, o Espírito Santo selou você como filho de Deus, fez de você uma nova criação, está a cada dia te santificando, te levando a crescer na graça de Deus, a ter comunhão com ele. [3]
Por meio da fé em Jesus Cristo você foi tirado do império das trevas e transportado para o reino do Filho do amor de Deus. [4] O reino de Deus, que não é comida nem bebida, mas paz, justiça, alegria no Espírito Santo, está instalado na tua alma. [5]
O reino de Deus se tornou um abrigo no qual você aninha o seu coração. Quando você é tentado, quando é provado, quando se entristece, quando se sente fraco e desorientado, o Espírito Santo, como um pastor que cuida de suas ovelhas, protege e consola você. Quando precisa orientação, motivação, renovação de forças, encorajamento, “inspiração”, você alegremente experimenta o fato de que o Senhor é o teu pastor, e nada te faltará. [6]
Parece uma “coisinha simples”, mas é o poder do Todo Poderoso agindo em sua alma; é o mesmo poder que ressuscitou Jesus de entre os mortos, que ressuscitou tua alma, que fez de você um portador da vida eterna.[7] O seu destino é o céu.
1.2. O Evangelho do reino de Deus “está na tua boca”
Rm 10:8, 9
8 Porém que se diz? A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração; isto é, a palavra da fé que pregamos. 9 Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.
Neste texto somos ensinados que o que está no coração se manifesta através da nossa boca. Se cremos em Jesus, nós o confessamos como nosso Senhor. Isto é uma coisa natural.
Agora, se esta palavra da fé, esta semente do reino está dentro do nosso coração, não é difícil anunciá-la.
2ª Co 4:13
Tendo, porém, o mesmo espírito da fé, como está escrito: Eu cri; por isso, é que falei. Também nós cremos; por isso, também falamos.
Muitas vezes Satanás nos diz que anunciar é difícil, que nossas palavras são fracas, que não temos “jeito para a coisa”. Mas Satanás é mentiroso. Creia no que diz o Espírito Santo. E fale de Jesus, mesmo que você se sinta fraco em si mesmo. Pois a nossa suficiência vem de Deus.[8] O reino de Deus é uma semente que pode transformar vidas, que pode salvar, que pode crescer e se multiplicar.
Esta semana eu ouvi de um homem que eu conheço; a sua experiência recente numa festa de aniversário. Alguém pediu que ele “desse uma palavra devocional”, estas meditações breves e simples que muitos costumamos fazer em ocasiões como estas. Então ele falou sobre a misericórdia de Deus (um conceito que para nós é muito simples, pois estamos acostumados a viver com esta consciência deliciosa, da misericórdia de Deus por nós).
A misericórdia é aquele doce atributo pelo qual o Senhor perdoa nossas iniquidades, sara nossas enfermidades, livra-nos da perdição eterna, trata-nos com a compaixão de um Pai para com seus filhos.[9] E enquanto ele falava sobre a misericórdia, um homem ficou a chorar. Depois este homem o procurou e disse: “Olha, o que você falou salvou a minha vida”. E abriu seu coração, compartilhou seus problemas, e então este meu conhecido explicou para ele o Evangelho da nossa salvação.
O que eu desejo dizer é que uma mensagem do reino de Deus, por mais simples e pequenina que seja, tem o poder de penetrar fundo num coração humano. Como diz a Carta aos Hebreus, a Palavra de Deus é viva e eficaz, mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. Ela trás à tona o nosso ser interior, revela nossa alma e transforma o que somos por dentro.[10]
Ela é poderosa mesmo quando não estamos nos sentindo fortes para anunciá-la. Ela é não depende dos nossos sentimentos. Não depende de nossa disposição física. Nem de nossa habilidade de persuasão. Não depende da sofisticação de nossas palavras. Ela é poderosa em si mesma.
Certa ocasião (foi na Igreja de Vila Continental) eu estava pregando, num domingo de manhã. Estava me sentindo fisicamente esgotado, pois tivera uma semana difícil. Enquanto eu pregava, uma jovem senhora, visitante pela primeira vez, acompanhava atentamente. No domingo seguinte ela voltou, e no outro.
Quando fui visitá-la ela me disse que, desde a primeira vez que ouvira a mensagem, palavras dela: “Eu abri meu coração e cri em Jesus. Quero ser batizada.” No fim daquele ano ela fez sua profissão de fé. Hoje já está com o Senhor, no céu.
Não preciso ficar multiplicando os exemplos, irmãos: o que desejo destacar é que o reino de Deus é uma coisinha que parece tão fraca, tão pequena, mas que quando penetra no coração humano através da Palavra, transforma, salva, muda o coração, faz do homem nova criação.
Plante a pequenina semente. Plante quantas sementes puder. A Palavra de Deus não voltará vazia.
2º. O reino de Deus é um reino para todos os povos
A imagem de um reino como uma grande árvore era familiar aos judeus, pois eles conheciam os profetas do Antigo Testamento.
Por exemplo, em Daniel capítulo 4 nós lemos que Nabucodonosor, e seu grande reino babilônico, foi descrito por Deus desta maneira, por haver se tornado um vasto império, que dominava imensa parte do mundo então conhecido, desde o norte da África, passando pelo Oriente Médio e parte da Ásia.
Daniel explicou que Nabucodonosor era uma árvore que cresceu e se tornou forte, cuja altura chegou até ao céu, e que foi vista dominando por toda a terra, cuja folhagem era formosa, e o seu fruto, abundante, e em que para todos havia sustento, debaixo da qual os animais do campo achavam sombra, e em cujos ramos as aves do céu faziam morada. [11]
Ezequiel também falou assim, referindo-se aos assírios: a Assíria era um cedro no Líbano, de lindos ramos, de sombrosa folhagem, de grande estatura, cujo topo estava entre os ramos espessos. As águas o fizeram crescer, elevou-se a sua altura, e todas as aves do céu se aninhavam em seus ramos.[12]
Mas Ezequiel profetizou que no monte alto de Israel seria plantada uma árvore maior, mais excelente, na qual se abrigariam aves e animais.[13] E Daniel, que viria um reino eterno, suplantando todos os outros.[14] É o reino que chegou em Jesus.
Interessante que muitos rabinos judeus “costumavam chamar os gentios de ‘aves do céu’”.[15] E isto é o que faz o reino de Deus: alcança a todos os povos, mais do que os antigos reino babilônico e assírio, porque alcança todos os povos do mundo.
A ordem de Jesus é esta: “Fazei discípulos de todas as nações”.[16] Porque com o seu sangue, ele comprou para Deus os que procedem de todo povo, tribo, língua e nação.[17]
Apenas para ilustrar: eu sempre pensei nos haitianos (pelo estereótipo que vemos nos filmes americanos) como praticantes de vodu. “Todo haitiano de filme é praticante de vodu”.
Mas ainda que o vodu seja realmente praticado por grande parte da população, no Haiti existe entre um milhão e um milhão e meio de pessoas que são evangélicas, especialmente pentecostais. [18] Recentemente eu soube que imigrantes haitianos estão se reunindo em pelo menos um templo evangélico em Manaus.
Mesmo nos países em que há grande perseguição religiosa, mesmo nos países em que o ateísmo tem avançado, mesmo nos países avessos ao Cristianismo, existem multidões dos que foram comprados com o sangue de Jesus. E mesmo entre os milhões que hoje são contrários ao Evangelho, muitos poderão ser convertidos ao Senhor. Não vemos isto no exemplo do apóstolo Paulo? Também não vemos na história de Jonas e a conversão da cidade de Nínive? E de muitas nações na História de Igreja?
Aqui, vamos também pensar numa aplicação prática: além de anunciar o Evangelho do reino, orar por nossa nação. Orar por conversões. Juntarmo-nos a milhares de irmãos em contínua intercessão, como Paulo orava em favor da conversão dos seus compatriotas. Como John Knox orava em favor de sua querida Escócia.[19] Como as centenas de testemunhos que lemos na História de nossos antepassados da fé, e em muitos lugares nos dias de hoje. Acho que a Coréia do Sul é o exemplo mais conhecido.
Veja 2º Cr 7:14
Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.
3º. É um reino que abriga, um reino que abençoa
“As aves do céu vêm se abrigar em seus ramos”. Faz lembrar o Salmo 84, onde o escritor diz se sentir como um passarinho, que faz seu ninho na casa do Senhor.[20]
É um reino que abriga os cansados e aflitos, os que choram, os humildes de coração, que redime os pecadores de toda sorte. É um reino no qual somos livres do fardo de nossas culpas, nos qual nos sentimos protegidos no amor e no poder de Deus. No qual nos sentimos aceitos, no qual somos amados, no qual recebemos provisão para o descanso de nossas almas.
Desde agora, e na eternidade. No reino dos céus você encontrará Maria Madalena, da qual Jesus expulsou sete demônios; encontrará Zaqueu, o corrupto arrependido; encontrará Jacó, o “enganador” que se tornou Israel, o “príncipe de Deus”, encontrará a mulher de vida imoral, que foi lavada de seus pecados; encontrará muitos ex-alcoolatras, muitos ex-adúlteros, muitos ex-ladrões, e até muitos ex-fariseus. Pessoas que, de si mesmas, não poderiam se transformar, não poderiam se regenerar, mas que vieram a Jesus, confessaram ser pecadoras, necessitadas de salvação, e foram perdoadas, foram purificadas, foram justificas no nome de Jesus pelo Espírito do nosso Deus.[21]
No céu você encontrará gente de toda espécie, de todas as nações, de todas as classes sociais; porque não há restrição. Não há acepção de pessoas. É abrigo para todo aquele que desejar. Quando Jesus vier, ele dirá aos que nele creem: “Vinde, benditos de meu Pai, e tomais posse do reino que vos está preparado desde a criação do mundo...” [22]
Vejamos também Jo 14:1-3
1 Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. 2 Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar.3 E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também.
Sabem, meus irmãos?... Às vezes eu ouço um ou outro pregador moderno fazendo uma caricatura desta mensagem dizendo que “nós precisamos rever o nosso conceito de salvação; que a salvação não é apenas um livramento do caldeirão do inferno e um passaporte para o céu, mas vida em abundância, e que onde quer que haja vida, ali há salvação”.
É claro que a salvação não se resume em nos livrar do inferno e conduzir ao céu. A Bíblia ensina mais que isto, e os crentes em Jesus acreditam na Bíblia.
Então sabem que a salvação toca a totalidade na nossa existência; que significa conhecer a Deus por meio de Jesus, viver pela fé na graça de Deus, em amor para com o Senhor e para com o seu próximo, crescer espiritualmente, praticar boas obras como fruto do amor de Deus derramado no coração, trabalhar com alegria e dedicação, participar da igreja, cuidar deste mundo criado por Deus, buscar o reino de Deus em todas as áreas da vida.
Os crentes sabem de tudo isto, creem em tudo isto, e ainda que muito imperfeitamente, seja individualmente, seja em família, seja como igreja ou cidadãos do mundo, buscam viver à altura desta gloriosa vocação.
Mas suponhamos, por um momento, que tudo o que a Bíblia ensinasse sobre a salvação fosse o livramento da ira vindoura; o livramento do sofrimento eterno e a vida com Jesus no céu. Suponhamos que toda a mensagem da salvação fosse que, por seu sangue, Jesus nos purificou dos nossos pecados e nos leva para o reino de seu Pai. Suponhamos que a única promessa de Jesus fosse: “Na casa de meu Pai há muitas moradas... vou preparar-vos lugar...” [23]
Você acha que isto seria pouco? Você acha que ter um lugar seguro no céu é uma mensagem pobre? Acha que é uma salvação pequena? Uma pessoa que acha esta mensagem “irrelevante pra o homem contemporâneo” está errada. Pois o homem contemporâneo, sem Jesus está tão condenado quanto os homens dos séculos passados. Porque ter um abrigo eterno no reino dos céus é uma bem-aventurança sem igual, que nada neste mundo pode substituir. É a mensagem que Jesus pregou, e nos ordenou a pregar. “O céu é um lugar maravilhoso, cheio de glória e gozo”. É a casa do Pai, a morada de Deus. E é para nos conduzir ao céu que Jesus morreu na cruz. E é para este abrigo eterno que o Evangelho chama a todos; para esta segurança e proteção. Porque o reino do céu é uma árvore grande, na qual podem vir se abrigar todas as aves.
Conclusão
Antes de pensar na última aplicação, vamos fazer um resumo:
O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem plantou em seu campo; a qual, na verdade, é a menor de todas as sementes, e, crescida, é maior do que todas as hortaliças, e se faz árvore, de sorte que as aves do céu vêm aninhar-se nos seus ramos.
É uma semente pequenina, mas poderosa para trazer a presença de Deus, sua paz, sua justiça, a alegria no Espírito Santo. Quando esta sementinha vem ao coração pela Palavra de Deus, ela produz vida em abundância, que cresce e se multiplica, aqui e na eternidade. É uma sementinha que frutifica nos lábios de todo aquele que a tem.É uma árvore que abriga a todo aquele que vem se aninhar em seus ramos.
Você tem esta sementinha plantada em seu coração? Se tem, alegre-se, aninhe-se, descanse em seus ramos. E como os passarinhos fazem, leve esta semente adiante. Leve confiantemente. Ela é poderosa.
Se ainda não tem esta sementinha, querido, não perca tempo. Não endureça o seu coração. O tempo de ouvir à voz de Deus é hoje. O tempo de crer é hoje. O tempo de receber a Jesus é hoje. O tempo de ser salvo é hoje.

[1] Simon J. Kistemaker, As Parábolas de Jesus (São Paulo, CEP, 1992), pág. 68, n.8.
[2] Cl 1:6
[3] At 2:38; Ef 1:13; 2ª Co 5:17; 1ª Ts 5:23; 2ª Co 13:13
[4] Cl 1:13
[5] Rm 14:17
[6] Sl 23
[7] 1ª Jo 5:11-13
[8] 2ª Co 2:16; 3:5
[9] Sl 103
[10] Hb 4:12
[11] Dn 4:20-22
[12] Ez 31:3-6
[13] Ez 17:23, 24
[14] Dn 2:44, 45
[15] Kistemaker, ibid, n. 9.
[16] Mt 28:18-20
[17] Ap 5:9, 10
[19] Alderi Souza de Matos, http://www.mackenzie.br/7014.html, acessado em sábado, 1 de junho de 2013, 11:52
[20] Sl 84:1-3
[21] 1ª Co 6:9-11
[22] Mt 25:34
[23] Jo 14:1, 2
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