Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

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sábado, 20 de junho de 2020

O temor do Senhor - Dt 17:14-20

Terceira Igreja Presbiteriana Conservadora de Guarulhos

Domingo, 01 de março de 2020

Pr. Plínio Fernandes

Quando entrares na terra que te dá o SENHOR, teu Deus, e a possuíres, e nela habitares, e disseres: Estabelecerei sobre mim um rei, como todas as nações que se acham em redor de mim, 15 estabelecerás, com efeito, sobre ti como rei aquele que o SENHOR, teu Deus, escolher; homem estranho, que não seja dentre os teus irmãos, não estabelecerás sobre ti, e sim um dentre eles.16 Porém este não multiplicará para si cavalos, nem fará voltar o povo ao Egito, para multiplicar cavalos; pois o SENHOR vos disse: Nunca mais voltareis por este caminho.17 Tampouco para si multiplicará mulheres, para que o seu coração se não desvie; nem multiplicará muito para si prata ou ouro. 18 Também, quando se assentar no trono do seu reino, escreverá para si um traslado desta lei num livro, do que está diante dos levitas sacerdotes.19 E o terá consigo e nele lerá todos os dias da sua vida, para que aprenda a temer o SENHOR, seu Deus, a fim de guardar todas as palavras desta lei e estes estatutos, para os cumprir. 20 Isto fará para que o seu coração não se eleve sobre os seus irmãos e não se aparte do mandamento, nem para a direita nem para a esquerda; de sorte que prolongue os dias no seu reino, ele e seus filhos no meio de Israel.

O texto que acabamos de ler foi primeiramente dirigido a homens que, em certo sentido, eram os mais importantes de Israel.

Foram palavras de orientação para os reis, que, na Igreja do Antigo Testamento, eram homens ungidos pelo Espírito Santo, para governar de acordo com a vontade de Deus.

Deviam administrar a justiça, praticar o bem, e serem exemplos de vida santa, conduzindo o povo na vontade do Senhor.

Então, nestas orientações, o Senhor diz que havia certas coisas que os reis de Israel não deveriam fazer, e havia uma coisa principal que eles deveriam fazer todos os dias.

Primeiramente, o Senhor diz, no v. 16, os reis não deveriam multiplicar para si o seu número de cavalos. Os cavalos, meus irmãos, eram a representação do poderio bélico, o poder de guerra de uma nação. Quanto mais os reis possuíssem cavalos, mais capacitados para a guerra eles eram considerados.

Como por exemplo o Egito, de onde eles haviam acabado de sair daquela terrível escravidão. Mas como vocês sabem, diante do poder do Senhor, de nada adiantou o poderio egípcio. No mar pereceram os cavalos e os seus cavaleiros. Assim o Senhor ordena que os reis de Israel não multiplicassem o seu número de cavalos, inclusive não fizessem, neste sentido, nenhuma aliança com aquela nação que os escravizara. O Senhor era o poder de guerra do povo escolhido.

Em segundo lugar, os reis de Israel não deveriam multiplicar o número de esposas, o que era um costume muito comum nas cortes orientais. Os casamentos não eram vistos apenas do ponto de  vista do relacionamento conjugal, como o é na maioria dos casos hoje em dia. Eram vistos como alianças entre famílias, tribos e nações. Nós temos mais familiaridade com isto quando, por exemplo, estudamos a história da Europa medieval.

Assim, o multiplicar esposas, fazendo alianças com outras nações, era uma coisa proibida para os reis de Israel. E também, naturalmente, o multiplicar esposas por qualquer outro motivo, pois Deus, quando criou o primeiro casal, o fez com apenas um homem e uma mulher. Este foi o grande pecado de Salomão, que o levou a desviar-se do Senhor.

E em terceiro, eles também não deveriam multiplicar para si o ouro e a prata, isto é, não deveriam enriquecer.

Sexo, dinheiro e poder, coisas tão cobiçadas pelos homens, não deveriam ser cobiçados pelos reis de Israel.

Mas havia algo que eles deveriam fazer, todos os dias: ler o livro da lei do Senhor.

Eles deveriam fazer uma cópia do livro para si mesmos, e ter esta cópia junto de si. E neste livro deveriam ler todos os dias.

Se eles fizessem assim, então aprenderiam três atitudes espirituais que deveriam manter, a fim de fossem homens de Deus.

Leiamos novamente os vs. 18-20

Também, quando se assentar no trono do seu reino, escreverá para si um traslado desta lei num livro, do que está diante dos levitas sacerdotes.19 E o terá consigo e nele lerá todos os dias da sua vida, para que aprenda a temer o SENHOR, seu Deus, a fim de guardar todas as palavras desta lei e estes estatutos, para os cumprir.20 Isto fará para que o seu coração não se eleve sobre os seus irmãos e não se aparte do mandamento, nem para a direita nem para a esquerda; de sorte que prolongue os dias no seu reino, ele e seus filhos no meio de Israel.

Veja o que ele aprenderia no livro da lei do Senhor:

Primeiramente, ele aprenderia a temer ao Senhor, seu Deus.

Em segundo, aprenderia a ser um homem obediente a Deus, isto é, faria o que Deus diz em sua lei.

Terceiro, seria um homem cujo coração não se elevaria sobre os demais, não seria soberbo, ou orgulhoso. Seria um homem humilde.

Temor do Senhor, obediência e humildade, são três características que nós vemos em Jesus, o nosso rei.

Pois como disse o profeta Isaías: “Sobre ele repousará o Espírito de temor do Senhor”...[1]

E são três características que devem existir em cada ser humano, por causa da própria natureza das coisas. São três necessidades de nossas almas. Se nós possuímos estas coisas, elas são evidências de que nossas almas estão sadias. E se não as possuímos, elas são evidências de que nossas almas estão enfermas.

Mas falando claramente, depois que o pecado entrou na história humana, nenhum ser humano nasce com a alma sadia.

Já nascemos deformados espiritualmente. Já nascemos orgulhosos, desobedientes de sem temor a Deus.

Como escreveu o apóstolo Paulo, “todos se extraviaram... não há temor de Deus diante dos seus olhos...”[2].

E aqui está a maravilha da revelação que Deus nos trás nas Escrituras: é que o Senhor restaura as nossas almas, pelo poder da sua Palavra.

“A lei do Senhor é perfeita, e restaura a alma” [3].

A lei do Senhor nos ensina a temê-lo, nos ensina a obedecê-lo, e nos ensina a ser humildes. Mas ela não ensina apenas o intelecto.

Ela é poderosa, viva e eficaz, e realiza em nós a vontade do Senhor. Ela penetra até o mais profundo do nosso ser, e ensina o nosso coração, isto é, ela nos transforma.

Eu quero meditar com vocês sobre estas três atitudes que precisamos ter, e que são características de almas sadias, que estão aprendendo com a Palavra de Deus.

Mas não o faremos no todo agora. Hoje nós vamos considerar a primeira delas: o temor do Senhor.

Quando as Escrituras nos dizem que nós devemos temer ao Senhor, meus irmãos, elas não estão falando de um temor servil, fruto do pecado, como aconteceu no Jardim do Éden, quando Adão e Eva temeram e fugiram da presença de Deus, pois tinham consciência de que haviam pecado[4].

Tiago também escreveu que os demônios tremem de medo diante de Deus[5], pois são rebeldes, e sabem que o dia do juízo está chegando para eles também.

Assim, o temor do Senhor, no sentido bíblico, evangélico, espiritual, é aquela atitude de devoção, filial, que devemos ter para com o nosso Pai celestial, porque reconhecemos quem é o nosso Pai, e o amamos; porque respeitamos e honramos a sua autoridade, e porque também sabemos que, se desobedecermos esta autoridade, iremos desonrar e entristecer o coração do nosso Pai, além de provocar a sua ira.

Vocês se lembram, meus irmãos, do famoso pecado de Davi. Davi adulterou com a esposa de Urias, um dos seus fiéis soldados.

E depois armou uma cilada para que Urias morresse na guerra, e casou-se com a esposa dele.

Mais tarde, Davi arrependeu-se sinceramente, e Deus o perdoou.

O salário do pecado é a morte, e o Senhor lhe disse: – “O Senhor perdoou o teu pecado. Não morrerás...”[6]

Mas irmãos, Davi havia desprezado gravemente a Palavra do Senhor. Dera ensejo para que os incrédulos blasfemassem contra o nome de Deus. E destruíra a família de Urias.

Então, embora o seu pecado tenha sido perdoado, o Senhor acrescentou que haveria consequências sobre a casa de Davi.

Assim como ele havia ferido a Urias, pela espada, a espada também jamais se apartaria de sua casa.

Logo em seguida, a criancinha que nasceu daquela relação adulterina morreu, para a tristeza de Davi.[7]

Depois, um dos filhos de Davi apaixonou por uma de suas irmãs, e a humilhou. Em seguida foi assassinado por um dos seus irmãos.

O assassino em seguida fugiu, e anos mais tarde também queria matar ao próprio pai e ocupar o seu lugar.

Irmãos, que consequências terríveis. Quem deseja que os seus filhos, ou a sua família, sofram as consequências de seus pecados?

Eu quero citar algumas razões pelas quais devemos temer a Deus

1 – Porque o Senhor, nosso Deus, é grande e temível

Dt 10:16,17 – Circuncidai, pois, o vosso coração e não mais endureçais a vossa cerviz. 17 Pois o SENHOR, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e temível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita suborno.

A circuncisão era uma prática que Deus ordenou ao povo israelita, como sinal de que entre eles e o Senhor havia uma aliança, como num casamento, pela qual eles eram o povo do Senhor, e o Senhor, o Deus deles.

Mas você sabe que às vezes uma pessoa pode estar com um anel de aliança no dedo, e ainda assim não ser fiel ao seu cônjuge.

A aliança tem que ser também “de coração”.

Então o Senhor ordena aqui: – “Circuncidem os seus corações, e não endureçam os pescoços, isto é, não sejam orgulhosos”.

E a razão para isto: o Deus a quem vocês pertencem é grande e temível.

Você se lembra de quando Jacó, na estrada de Padã-Arã dormiu e sonhou com uma escada que ia até o céu. Os anjos de Deus subiam e desciam por ela. Perto dele estava o SENHOR e lhe disse: – “Eu sou o SENHOR, Deus de Abraão, teu pai, e Deus de Isaque...”

E fez promessas de uma vida muito abençoada Jacó.

– A terra em que agora estás deitado, eu ta darei, a ti e à tua descendência. A tua descendência será como o pó da terra; estender-te-ás para o Ocidente e para o Oriente, para o Norte e para o Sul. Em ti e na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra. Eis que eu estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei voltar a esta terra, porque te não desampararei, até cumprir eu aquilo que te hei referido.

Quando Jacó despertou do seu sono, o temor se apossou de seu coração, e ele disse:

– “Na verdade, o SENHOR está neste lugar, e eu não o sabia. Quão temível é este lugar! É a Casa de Deus, a porta dos céus”[8].

Este temor também foi o que se apoderou de João, conforme ele nos conta no Apocalipse, quando teve uma visão de Jesus, no resplendor de sua glória.

João sentiu-se caindo aos pés de Jesus, como morto.

O mesmo temor que sentiu o profeta Daniel[9]. E o profeta Isaías[10]. E o profeta Ezequiel[11].

Era um sentimento que governava todo o modo de vida do apóstolo Paulo[12], e que ele queria ver em todos os crentes, porque, falando pelo Espírito Santo, nos ordenou: “Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor...”[13].

E Moisés, pois muitas vezes o vemos orando ao Senhor, e chamando-o Deus grande e temível.

Irmãos, aquele que realmente conhece a Deus, aquele que pela fé tem andado com ele, visto o seu poder de salvar, de curar, de governar tudo o que acontece, sabe que o glorioso Senhor é Deus grande e temível, em sua santidade, em sua majestade, em sua amorosa justiça. Conhece a bondade e a severidade de Deus.

Por isto eu acho muito próprio dizer que se uma pessoa não tem temor de Deus no seu coração, ela ainda não conhece a Deus verdadeiramente.

Isto nos conduz à segunda razão pela qual devemos temer a Deus...

2 – É que, com o mesmo temor que tiveram nossos antepassados na fé, que nós devemos nos aproximar de Deus

Hb 12:28, 29 –  Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo consumidor.

Nós reconhecemos que somos pecadores salvos pela graça de Deus que nos foi dada em Jesus Cristo, quando ele, movido pelo amor, deu a sua vida na cruz, em nosso lugar.

Sabemos que o Senhor Deus não nos aceita com base na perfeição de nossas obras, pois nossas melhores boas obras são contaminadas pelos nossos pecados[14].

Então confiamos somente em Jesus, e por esta fé nós temos a certeza da vida eterna.

Mas irmãos, esta graça de Deus que nos concede perdão, que nos concede certeza da salvação, como diz em outro lugar também nos educa nos caminhos de Deus[15].

Ela nos ensina a servir a Deus de modo agradável a ele, isto é, com reverência e santo temor, sem nos esquecermos de que o nosso Deus é um fogo consumidor.

Que, conforme nos ensina o Apocalipse, os olhos de Jesus são como chamas de fogo de ódio contra o pecado.[16]

Veja, nós devemos servir a Deus em todas as áreas da nossa vida, com todo o nosso ser.

E devemos ter muita consciência de que, quando nos reunimos como igreja, para cultuar, estamos servindo a Deus.

Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele servirás[17].

E o serviço ao Senhor não pode ser displicente, feito de modo leviano, como quem está, se me permitem a expressão de gíria, “na casa da sogra”.

Pois em outro lugar também diz a Escritura:

Maldito aquele que fizer a obra do Senhor relaxadamente[18].

A Bíblia nos conta sobre vários momentos em que Deus manifestou a sua ira contra pessoas que tentaram servi-lo com um coração errado.

Eu quero citar um caso muito famoso: Nababe e Abiú, sacerdotes, filhos de Arão, irmão de Moisés.

A história trágica de Nadabe e Abiú está narrada em Lv 10:1-3

Nadabe e Abiú, filhos de Arão, tomaram cada um o seu incensário, e puseram neles fogo, e sobre este, incenso, e trouxeram fogo estranho perante a face do SENHOR, o que lhes não ordenara.  2 Então, saiu fogo de diante do SENHOR e os consumiu; e morreram perante o SENHOR.  3 E falou Moisés a Arão: Isto é o que o SENHOR disse: Mostrarei a minha santidade naqueles que se cheguem a mim e serei glorificado diante de todo o povo. Porém Arão se calou.

Talvez eles estivessem cheios de boas intenções, mas o Senhor não se agradou, pois eles estavam querendo cultuar com base num princípio de desobediência.

Amados, nós devemos servir a Deus com reverência e santo temor.

Como fruto de corações que o amam, que desejam honrá-lo com os nossos lábios e com nossa vida, com o nosso comportamento aqui e no mundo lá fora.

Só assim podemos de fato cultuar a Deus de modo agradável.

3 - E também somente assim podemos receber a Palavra de Deus de modo abençoador para nossas almas.

Is 66:12 – Porque a minha mão fez todas estas coisas, e todas vieram a existir, diz o SENHOR, mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra.

Tremer diante da Palavra do Senhor significa receber a Palavra de Deus, seja através da leitura, seja através da pregação, com seriedade de coração, como que está de fato ouvindo o que o Senhor do Universo está dizendo.

Significa receber com fé, com mansidão, com humildade de coração, quebrantamento, solicitude, disposição de obedecer, e não com especulações, promoção de debates que para nada mais servem do que promover a soberba e a desobediência, ou especulações que nada mais são do que justificativas, racionalizações e escapatórias humanas para não fazer o que o Senhor ordena.

O homem para quem eu olharei, diz o Senhor, o homem a quem abençoarei, o homem a cujas orações ouvirei, a quem santificarei, a quem usarei, é este: o que treme diante da minha Palavra.

4 – É o temor do Senhor nos leva a evitar o pecado

Pv 8:13 - O temor do SENHOR consiste em aborrecer o mal; a soberba, a arrogância, o mau caminho e a boca perversa, eu os aborreço.

Jó era homem íntegro e reto, temente a Deus, e que se desviava do mal[19].

Porque Deus é santo, aquele que o teme também aprende a ser.

Ele ama as coisas que Deus ama: ele tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.

Ele ama a paz, e empenha-se por alcançá-la. Ama andar na verdade, o falar a verdade e o ser honesto nos seus relacionamentos.

Ama a oração; ama entoar louvores ao Senhor; ama a casa do Senhor, o culto a Deus; ama a igreja do Senhor, por quem Jesus morreu, e busca o seu bem.

Também ama o seu próximo. E ao trabalho, e a todas as coisas em que Deus tem prazer.

Porque Deus odeia o pecado, aquele que teme a Deus também odeia o pecado: ele odeia o orgulho, a boca suja, a boca mexeriqueira, a boca mentirosa, a boca vaidosa.

Odeia o tomar o nome do Senhor em vão, com falsas profissões de fé; com piadinhas e palavras chulas a respeito de Jesus. Odeia o que fizeram com o santo nome de Jesus no Carnaval, e outras coisas animais, terrenas e diabólicas como estas. Ele não pensa que estes pecados são apenas expressões culturais dos não crentes.

Por isto, nosso último ponto aqui:

5 – O temor do Senhor nos prepara para o dia do juízo

2ª Co 5:10,11 –  Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo. E assim, conhecendo o temor do Senhor, persuadimos os homens e somos cabalmente conhecidos por Deus; e espero que também a vossa consciência nos reconheça.

2ª Co 5:14, 15 –  Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.

Notem, irmãos, que nestes dois trechos o apóstolo Paulo está falando sobre duas motivações para o seu serviço dedicado a Deus.

No último texto (vs. 14 e 15), ele diz que tudo fazia motivado, por um lado, pelo amor de Cristo por ele, e por outro, pelo amor que sentia por Cristo.

Já não vivo mais para mim mesmo, ele diz, mas para aquele que me amou e se entregou por mim.

Mas nos vs. 10 e 11 ele fala de outra motivação para um viver santo e dedicado a Jesus.

– “É necessário que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo”; aqui ele está falando de si mesmo e de todos os crentes, e não somente dos incrédulos.

Quando, e aqui ele não diz, se é no dia da nossa morte, ou no dia da volta de Jesus (esta não é a questão mais importante), a questão mais importante é que diante deste tribunal as nossas obras serão julgadas. Nós seremos julgados, não para a salvação, mas para recebermos a recompensa, seja pelo bem, seja pelo mal que tivermos feito por meio do corpo.

E isto, diz o apóstolo Paulo, faz com que o nosso coração se encha do temor do Senhor.

Foi por isto também que no Evangelho de Mateus, insistindo sobre a importância de se temer a Deus, o Senhor Jesus nos exorta:

Mt 10:28 – Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.

Aqui o Senhor está falando sobre dois tipos de temor que são mutuamente excludentes: o temor dos homens e o temor do Senhor.

Se você temer os homens, então estará preocupado com o que eles pensam a teu respeito, o que eles podem fazer com você, ou contra você, ou a favor de você. E não temerá a Deus.

Mas se você temer a Deus, então estará livre do temor dos homens.

Então não tema aquele que pode no máximo matar o seu corpo, mas não pode tocar na sua alma. Não tema os homens.

Tema aquele que pode não somente matar o corpo, mas também pode fazer perecer a tua alma no inferno. Tema a Deus, que trás o juízo sobre todo aquele que permanece em seus pecados.

Conclusão e aplicação

Irmãos, uma alma verdadeiramente sadia, que conhece a Deus, é aquela que foi restaurada pela doutrina da Palavra de Deus.

Uma alma assim é uma alma que teme ao Senhor, que se desvia do mal, que o serve com devoção, amor e reverência.

É então uma alma obediente e humilde.

A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma.

Por isto, para que aprendessem estas coisas, os reis de Israel deveriam fazer para si uma cópia do livro da lei do Senhor, tê-la consigo, e ler neste livro todos os dias de suas vidas, para que, ensinados pela Palavra de Deus, fossem espiritualmente sadios.

Você quer ser uma pessoa espiritualmente sadia, restaurada?

A resposta para a sua necessidade está em tuas mãos.

Tenha esta cópia da Bíblia sempre ao teu alcance.

Leia todos os dias.

Leia na expectativa de que as Escrituras irão te ensinar.

Leia com o desejo de aprender o temor do Senhor. De aprender a obedecer. De aprender a ser humilde.

Sim, o Espírito de Deus irá te humilhar, irá te convencer dos seus pecados, da santidade de Deus, irá te humilhar e quebrantar o teu coração. Você será levado a clamar:

– “Senhor, tem misericórdia de mim”.

Então, você verá que o temor do Senhor está governando o teu coração.

 



[1] Is 11:2

[2] Rm 3:12, 18

[3] Sl 19:7

[4] Gn 3:10

[5] Tg 2:19

[6] 2º Sm 12:13

[7] 2 Sm 12:14

[8] Gn 28:12-17

[9] Dn 7:15

[10] Is 6:5

[11] Ez 1:28

[12] 1ª Co 2:13

[13] Fp 2:12

[14] Tt 3:5

[15] Tt 2:12

[16] Ap 2:18, 3:18

[17] Mt 4:10

[18] Jr 48:10

[19] Jó 1:1


domingo, 2 de abril de 2017

Soberano Senhor - At 4:23-31

IPC de V. Continental
Domingo, 2 de abril de março de 2017
Pr. Plínio Fernandes
23 Uma vez soltos, procuraram os irmãos e lhes contaram quantas coisas lhes haviam dito os principais sacerdotes e os anciãos.  24 Ouvindo isto, unânimes, levantaram a voz a Deus e disseram: Tu, Soberano Senhor, que fizeste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há; 25 que disseste por intermédio do Espírito Santo, por boca de Davi, nosso pai, teu servo: Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas vãs?  26 Levantaram-se os reis da terra, e as autoridades ajuntaram-se à uma contra o Senhor e contra o seu Ungido; 27 porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel, 28 para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram; 29 agora, Senhor, olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra, 30 enquanto estendes a mão para fazer curas, sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus.  31 Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus.
Desde o cap. 2, o Livro de Atos está nos contando sobre como, pelo poder do Espírito Santo, a igreja de Jerusalém estava dando um maravilhoso testemunho de sua fé em Jesus.
Eles estavam sempre juntos, orando, aprendendo a doutrina dos apóstolos, desfrutando de uma grande comunhão uns com os outros, e causando muita admiração diante das pessoas de fora.
Mas é claro que Satanás, o inimigo da igreja, não estava aceitando estas coisas pacificamente (vocês sabem que a nossa luta espiritual não é contra carne e sangue, não é contra seres humanos).
E então, por meio de gente que odiava a mensagem de Jesus, a perseguição começou.
Os vs. 1-22 aqui do cap. 4 nos dizem que os apóstolos Pedro e João foram presos por seu testemunho do evangelho, e levados ao Sinédrio, que era constituído pelas as autoridades religiosas da cidade. Ali foram ameaçados, para que não falassem mais a respeito de Jesus.
Mas Pedro e João responderam que não poderiam fazer isto; não poderiam deixar de falar das coisas que tinham visto e ouvido nosso Salvador realizar.
E uma vez soltos, reuniram-se com a igreja, contando sobre a prisão e as ameaças que haviam sofrido.
Então os filhos de Deus precisavam renovação de suas forças, e também coragem para continuar a testemunhar diante de um mundo hostil.
E eles fizeram aquilo que Jesus havia feito em suas horas de necessidade, e também havia ensinado e ordenado muitas vezes: buscaram ao Pai em oração.
Uma oração cheia de fé, de sabedoria, que revelou o conhecimento que eles tinham de Deus.
O Senhor atendeu a oração deles: todos ficaram cheios do Espírito Santo, e com intrepidez anunciavam a palavra de Deus.
Eu desejo destacar a maneira como eles se dirigem ao Pai em sua oração, conforme lemos no v. 24.
Eles dizem a Deus: – Tu, Soberano Senhor...
Uma frase que demonstra o conhecimento que aqueles crentes tinham de Deus. Um conhecimento que os fortaleceu na fé, que os levou a orar com sabedoria, que os levou a continuar seu bom testemunho diante do mundo.
Eles aqui apontaram para o governo de Deus, o seu reinado, o fato de que ele é o supremo governador do universo. Discerniram o direito e o poder que Ele tem de fazer e ordenar todas as coisas.
Vamos considerar esta revelação que temos aqui, pois esta também é a nossa fé. Quando o invocamos como Soberano Senhor, o que estamos dizendo sobre Deus?
1. Que Deus é a razão de tudo o que existe e acontece
Que ele é a origem, a fonte de todas as coisas.
Nos v. 24 e seguintes, depois de invocá-lo como Senhor Soberano, a igreja passa a descrever com mais detalhes as implicações deste senhorio.
Ele é o Senhor Soberano, criador dos céus, da terra, do mar e tudo o que neles há.
Criador das coisas visíveis e invisíveis. Dos homens e dos anjos.
Dos animais e das plantas. Das incontáveis galáxias, das estrelas, dos planetas, das luas, dos meteoros, e todos os corpos celestes dos quais a ciência tem conhecimento e ainda não tem.
É a razão de tudo o que há. Isto inclui cada um de nós. Ele é a razão de cada um de nós existir. A nossa origem está em Deus. Por isto ele é Senhor.
Esta oração de fé da igreja também descreve a Deus como aquele que dirige, que controla todas as coisas.
Nos vs. 25 e 26 eles citam a profecia do Salmo 2, que Davi escreveu conduzido pelo Espírito Santo.
Uma profecia segundo a qual os gentios, isto é, os povos não israelitas, se levantariam contra o Ungido de Deus, quer dizer, se levantariam contra Jesus Cristo.
Depois, nos vs. 27 e 28 eles reconhecem que isto foi exatamente o que aconteceu: porque em Jerusalém se levantaram Herodes (um rei idumeu) e Pôncio Pilatos (o procurador romano), com gentios (os soldados romanos) e gente de Israel e colocaram Jesus na cruz.
E assim, sabendo que esta perseguição a Jesus já havia sido anunciada nas Escrituras, eles terminam no v 28 dizendo: fizeram o que a tua mão e o teu propósito determinaram.
Sim, amados, o Deus a quem adoramos e servimos, o Deus da nossa salvação, tem em suas mãos o controle de tudo o que acontece. Ele não somente controla o que acontece, mas também como as coisas acontecem.
Ele tem em suas mãos o controle de cada evento histórico, pois foi ele quem, para a nossa salvação, determinou a perseguição que Jesus sofreria, a sua morte na cruz.
No v. 30 a igreja pede que, enquanto prega o evangelho, o Senhor estenda a sua mão, para fazer curas, milagres que demonstrem a presença de Deus e o poder do nome de Jesus.
Pois eles creem que não somente os eventos históricos “naturais” estão sob o controle do Senhor; mas que o Senhor também pode intervir de maneira sobrenatural, realizando milagres de salvação.
E a igreja aqui também reconhece que Deus tem nas mãos o controle até mesmo de cada coração humano.
Pois no v. 29 eles pedem que Deus lhes dê a disposição certa do coração, quando oram: concede aos teus servos intrepidez (coragem, ousadia) para anunciarem a tua Palavra.
Assim como no Salmo 86, onde Davi pede: – Senhor, dispõe o meu coração para só temer o teu nome...[1].
E também em 1º Cr 29, onde ele ora para que, tanto seu filho Salomão, como o povo de Israel, tivessem sempre um coração reconhecido e disposto a contribuir com a obra da casa de Deus, inclinado para com o Senhor, um coração íntegro, para andar nos mandamentos do Senhor.[2]
Esta doutrina, amados, deve-nos fazer confiantes em Deus, e obedientes.
Eu conheci uma jovem, anos atrás, crente, que amava profundamente o Senhor, e confiava no amor de Deus também, em seu poder e sabedoria.
Esta jovem amava de um moço, era amada por ele, e desejavam se casar. Então ela disse ao pai, que não era crente, que o moço gostaria de falar com ele, para pedir autorização para namorarem.
Mas o pai, que além de incrédulo, tinha um coração preconceituoso, respondeu: – De jeito nenhum. Eu não quero minha filha namorando um negro.
Então ela foi orar. E disse a Deus:
– Senhor, tu sabes que eu amo este rapaz, mas o meu pai não quer permitir o nosso namoro. Eu sei que o motivo dado pelo meu pai está errado, mas tua Palavra me diz que eu devo obedecer ao meu pai, que eu devo honrá-lo.
– Eu sei que o Senhor tem nas mãos o coração de cada ser humano, inclusive o do meu pai. Então eu quero fazer o que tu ordenas.
– E se o Senhor deseja que eu namore este rapaz, por favor, mude o coração do meu pai, para que ele permita.
– Se não, mude o meu coração, e do meu amado, para que nós não fiquemos a desejar uma coisa que o Senhor não quer. E vamos descansar em ti.
Alguns dias depois, o pai desta moça a chamou, e disse:
– Filha, eu andei pensando melhor. E eu estava errado. Não é a cor da pele que determina o caráter de uma pessoa. Ele é um bom rapaz. Eu permito que vocês namorem, e abençoo o namoro de vocês. 
Pois irmãos, assim como Deus dirigiu os eventos da criação, ele dirige os eventos da História; e dirige o coração de cada ser humano.
Você, que é crente em Jesus, sabe disto pela sua própria experiência: se o Senhor Deus simplesmente tivesse deixado você entregue aos desejos do seu próprio coração pecaminoso, você não teria se convertido a Jesus.
Se você tem fé no seu coração, se você se arrependeu dos seus pecados, se no seu coração existe amor para com Deus, sua Palavra, obediência, todas estas coisas são dons que o Senhor Deus bondosamente colocou em seu coração.
Pois se Deus te deixar entregue aos seus próprios caminhos, então a sua tendência natural é a desobediência, a frieza, a desobediência, e você estará perdido.
2. Deus controla todas as coisas, até mesmo os corações humanos, de acordo com o propósito de sua vontade
v. 28 – Tudo o que a mão de Deus e o seu propósito determinaram.
Nada, no universo inteiro, acontece sem que esteja no controle de Deus.
Nada acontece aleatoriamente, ao acaso.
E tudo o que acontece, é realizado conforme “o propósito daquele que faz tudo de acordo com o conselho da sua vontade” [3].
Considere, o relato bíblico da criação. A cada momento, antes de Deus trazer alguma coisa à existência, primeiramente o Senhor diz qual é sua intenção; aliás, nós podemos dizer que quando Deus expressa a sua intenção, ela acontece: – Haja luz, ele diz, e a luz acontece. – Haja firmamento... apareça uma porção seca... produza a terra relva..., e tudo o que Deus ordena se realiza.
Da mesma forma em cada detalhe da história do mundo, em cada pequeno detalhe da vida diária, todas as coisas ocorrem de acordo com a determinação daquele tem até os fios de nossos cabelos contados.
Desde as pequeninas coisas do universo microscópico aos nossos pés, até à imensidão de UY Scuti, a maior estrela conhecida, 1.708 vezes maior que o sol; desde o mover dos planetas e estrelas, até às estações do ano, as chuvas e os ventos, o mover de um peixe dentro d’água, a queda de uma flor, não acontece nada, dentro da imensa cadeia de eventos no universo inteiro, que não esteja na determinação de Deus.
Eu acho interessante como a Bíblia usa a palavra “acaso”, ao se referir a certos acontecimentos fortuitos.
Por exemplo, em 1º Reis 22 há uma história muito interessante, onde aparece a palavra “acaso”. É a história da morte de Acabe, um perverso rei de Israel.
Acabe estava se preparando para uma batalha contra os sírios, que haviam invadido uma cidade de Israel.
Então, ainda que não fosse um homem obediente a Deus, fez vir à sua presença o profeta Micaías, por insistência do rei Josafá, de Judá.
E o profeta Micaías, disse que Acabe morreria na batalha daquele dia. O rei malvado ficou furioso e ordenou que o profeta fosse preso e não lhe dessem alimento, enquanto não voltasse vitorioso da batalha.
E para burlar a profecia, Acabe se disfarçou de soldado raso, para que ninguém lutasse contra ele, e ordenou que um soldado vestisse as roupas reais.
Na hora da batalha o rei da Síria ordenou: - Não lutem contra os grandes nem contra os pequenos, mas somente contra o rei de Israel.
Mas, diz o texto bíblico, um soldado inimigo disparou uma flecha “ao acaso”, a flecha entrou nas juntas da armadura de Acabe, e ele morreu, tal como o profeta dissera[4]. Pois Deus tem o controle até das coisas que acontecem "por acaso".
Deus tem um plano em cada criatura, até para os maus[5]. Ele até mesmo prepara o homem mau, para ser um instrumento seu no dia da calamidade; para através das calamidades, abençoar seus escolhidos e honra seu nome.
Pense, por exemplo, no faraó egípcio dos dias de Moisés. A Bíblia diz que Deus mesmo endureceu o coração dele, para que através desta dureza de coração o Senhor julgasse o Egito por seus detestáveis pecados.
Veja Pilatos, Herodes, os fariseus e o povo que colocou a Jesus na cruz: eles fizeram isto com muita raiva e ódio contra Jesus, mas Deus se utilizou destas coisas para que o seu plano eterno, de que Jesus morresse na cruz pelos nossos pecados, fosse realizado.
Até mesmo Judas, ainda que tenha traído Jesus por causa da dureza do seu coração, ele o fez porque assim estava determinado por Deus[6].
Agora, amados, vejam com que propósito Deus preordenou todas as coisas para os seus escolhidos:
1ª Co 2:6, 7
Entretanto, expomos sabedoria entre os experimentados; não, porém, a sabedoria deste século, nem a dos poderosos desta época, que se reduzem a nada; 7 mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória.
No cap. 1:23 e 24 aqui de 1ª aos Coríntios, lemos que a sabedoria de Deus se revela na cruz de Jesus Cristo, pois o plano eterno dele foi no sentido de que Cristo, morrendo na cruz, ao mesmo tempo morreria a nossa morte, e assim satisfaria a justiça de Deus, para que nós pudéssemos ter vida eterna.
Esta vida com Deus, em semelhança com Cristo, em felicidade eterna, Paulo aqui denomina nossa glória, glória que o Senhor preordenou desde a eternidade. Se você é crente em Jesus, este é o seu destino: a glória eterna com seu Pai celestial.
3. O Deus que é a razão de tudo o que existe, que tem um plano em cada criatura, também se revela aos seus escolhidos – v. 25
Desde a criação, Deus se revela por meio de sua Palavra.
Ele falou, e tudo se fez. A cada momento, ele sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder.
A cada dia, ele falava aos nossos primeiros pais, no Éden.
Mesmo depois que o pecado entrou em nossa história, ele continuou a falar conosco, através dos profetas, depois de forma suprema em seu Filho Jesus, e depois os apóstolos, e ordenou que estas suas palavras fossem perpetuadas através das Escrituras, de geração em geração.
É certo, conforme disse Moisés, que há muitas coisas que o Senhor não nos revelou [7], assim como nós também não precisamos dizer todas as coisas para os nossos filhos.
Mas ele nos revelou tudo quanto necessitamos saber para conhecer e confiar em Deus.
Ele nos revelou tudo o que precisamos saber de seus planos eternos para a nossa salvação, de sua santidade, de seu amor, de sua justiça e graça, de sua bondade para com todos.
Revelou-nos tudo sobre a maneira como devemos viver para honrá-lo e encontrar nele a nossa realização e felicidade, seja na família, no trabalho, na igreja, enfim, em todas as esferas da sociedade, em todas as áreas de nossa vida particular.
Tudo o que precisamos saber a respeito de seu governo, sobre a vinda de seu Filho, todas estas coisas estão reveladas na Escritura inspirada por Deus que é “útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” [8].
Por isto, é que nesta hora de perseguição que a igreja estava enfrentando por parte do Sinédrio em Jerusalém, antes de orar eles se recordam do que dizem as Escrituras, mais particularmente os Salmos, para as palavras dadas pelo Espírito Santo através do rei Davi, profeta do Senhor.
E por causa das Escrituras, esta perseguição não os surpreende. Esta revolta contra o nome de Jesus já era de se esperar, pois assim as Escrituras diziam que seria. Deus não foi pego de surpresa.
E então o que eles pedem é: - Senhor, dá-nos graça para enfrentar esta hora. Dá-nos ousadia para continuar fazendo a tua vontade, anunciando a tua Palavra, anunciando o nome de Jesus. E enquanto fazemos isto, estende a tua mão e age. Opera maravilhas. Pois tu és soberano Senhor.
Conclusão
O Senhor lhes atendeu a oração. Tremeu o lugar onde estavam reunidos. “Todos ficaram cheios do Espírito Santo, e com intrepidez anunciavam a Palavra de Deus”.
Pois Deus é o Senhor, e não os homens com suas ameaças.
Deus é Soberano, e não Satanás com suas artimanhas.
Deus é Senhor Soberano, e não as nossas fraquezas, as nossas limitações e pecados.
Em todas as obras da criação. Em todas as obras de sua Providência na História. Sobre o coração de cada ser humano. Sobre o nosso destino eterno.
Aplicação
O conhecimento desta realidade deve despertar certas atitudes em nós. Quero mencionar algumas delas.
1. Adoração a Deus, com temor e tremor, isto é, reverência, humildade.
Ele é Santo, Ele é grande, Ele é majestoso, Ele é digno de respeito.
Ele é digno de adoração, de amor. Ele é a razão da nossa existência, da nossa vida.
Então adore a Deus, como reverência e amor.
2. Sede de conhecer a Deus e sua vontade.
Ele se revela a nós nas Escrituras. Elas nos testificam de Cristo, para que conheçamos a Deus em Cristo, a fim de que vivamos pela fé nele.
Para amá-lo, para honrá-lo, para obedecê-lo. Para ter mais comunhão com ele, orar mais e melhor, para andar em santidade.
Então leia a Bíblia, estude a Bíblia, medite na Bíblia. Creia na Bíblia. Obedeça à Bíblia.
3. Arrependimento e fé
Pois estas duas atitudes de coração, “arrependimento e fé”, são um breve resumo de tudo o que estamos dizendo até aqui: arrependimento, neste contexto, significa voltar as costas para tudo o que é mal, tudo o que é pecaminoso e ofende a Deus, e fé significa voltar o rosto para Deus, que se fez um ser humano na pessoa do seu santo servo Jesus.
Então, volte as costas para os seus pecados, volte as costas para Satanás e suas artimanhas. Volte o rosto para Jesus. Contemple a Jesus. Confie em Jesus.
4. Deleite nos planos de Deus
Pois Deus tem um plano para cada criatura. E o plano de Deus para os que o amam, são deliciosos, são pensamentos de paz, para lhes dar um final feliz, de bem-aventurança eterna. Mesmo quando Satanás se utilizar das tribulações e perseguições, lembre-se de que Deus é Soberano, e não o diabo, e então renove suas forças no Senhor, sabendo que ele concede graça a vida inteira.


[1] Sl 86:11b
[2] 1º Cr 29:18 e 19
[3] Ef 1:11
[4] 1Rs 22:34
[5] Pv 16:4.
[6] Jo 17:12
[7] Dt 29:29
[8] 2ª Tm 3:15-17
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