Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

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sexta-feira, 19 de julho de 2013

Adoração em secreto (1) - Dn 6:10

Igreja Evangélica Presbiteriana
Domingo, 05 de fevereiro de 2012
Pr. Plínio Fernandes
Queridos irmãos, vamos ler Daniel 6:10
“Daniel, pois, quando soube que a escritura estava assinada, entrou em sua casa e, em cima, no seu quarto, onde havia janelas abertas do lado de Jerusalém, três vezes por dia, se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu Deus, como costumava fazer”.
Como crentes em Jesus Cristo, somos admiradores daquelas pessoas, tanto no presente, como na História Universal, e mais especialmente na História Bíblica, demonstraram uma qualidade de vida espiritual superior.
Tanto na atualidade quanto em tempos passados, temos pessoas que se tornaram exemplos para nós: exemplo de caráter, de força interior, de fé, de amor, de obediência.
E a Bíblia nos exorta no sentido de que tomemos estas pessoas como modelos dignos de nossa imitação. O escritor da carta aos Hebreus nos ensina que devemos pensar em nossos pastores do passado, considerar atentamente o fim de suas vidas, e imitar a fé que eles tiveram[i]. Ensinando às mulheres da igreja, o apóstolo Pedro escreve que elas devem ser “filhas de Sara”, a esposa de Abraão, na maneira como devem se comportar diante de seus maridos[ii]. Da mesma forma Jesus nos diz que aqueles que são “filhos de Abraão” devem também ser imitadores de suas obras[iii]. E Tiago, irmão de Jesus, nos diz que devemos tomar por modelo o sofrimento e a paciência dos profetas, os quais falaram em nome do Senhor. Que devemos nos lembrar de Jó, e tê-lo como referência para nossa vida em meio às dificuldades que enfrentamos[iv].
Desta maneira, a Palavra nos instrui no sentido de que devemos estudar a vida de homens como Daniel, a pensar nele, a tê-lo como exemplo de fé, de caráter espiritual, e a imitar o seu proceder.
O texto que lemos nos diz que ele tinha um costume diário, particular, muito importante na formação de seu caráter e de seus hábitos: três vezes ao dia, Daniel entrava em seu quarto, fechava a porta, e adorava a Deus em oração. Ele dava graças, e orava, isto é, fazia súplicas diante de Deus. Depois voltava para as exigências de sua vida profissional.
A Bíblia não diz, em qualquer lugar, que devamos fazer exatamente o mesmo – três vezes ao dia – mas Jesus pressupõe que os seus discípulos sempre serão pessoas que dedicam tempo à oração. Porque ele diz: “Tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a tua porta, orarás ao teu Pai, que está em secreto, e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará...” [v].
Tendo em mente que, como seguidores de Jesus, somos exortados a imitar os profetas, eu gostaria de fazer algumas considerações sobre “a prática da adoração em secreto”.
Eu uso esta expressão, “adoração em secreto”, levando em conta as palavras usadas na Confissão de Fé que adotamos, sobre onde e quando devemos adorar a Deus[vi] (ela é tão rica em ensinamentos que vamos ler um parágrafo inteiro):
Agora, sob o Evangelho, nem a oração, nem qualquer outro ato do culto religioso é restrito a um certo lugar, nem se torna mais aceito por causa do lugar em que se ofereça ou para o qual se dirija, mas, Deus deve ser adorado em todo o lugar, em espírito e verdade - tanto em famílias diariamente e em secreto, estando cada um sozinho, como também mais solenemente em assembleias públicas, que não devem ser descuidosas, nem voluntariamente desprezadas nem abandonadas, sempre que Deus, pela sua providência, proporciona ocasião.[vii]
Porque a adoração em secreto é importante? Qual é o seu valor?
Já temos visto que Jesus espera que nós dediquemos tempo a estar a sós com Deus, com o propósito de adorá-lo, de dirigir a ele nossas súplicas, de confessar nossos pecados, buscar o reino de Deus e sua justiça. Já vimos que Daniel fazia isto diariamente. E sabemos que esta prática é reafirmada muitas vezes na Bíblia, especialmente no livro dos salmos, onde os escritores fazem alusão constante a ela.
Por exemplo:
Sl 5:3 – “De manhã, Senhor, ouves a minha voz; de manhã te apresento a minha oração e fico esperando”.
Sl 42:8 – “... o SENHOR, durante o dia, me concede a sua misericórdia, e à noite comigo está o seu cântico, uma oração ao Deus da minha vida”.
Sl 63:1-6 – “Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja... os meus lábios te louvam... com júbilo nos lábios, a minha boca te louva, no meu leito, quando de ti me recordo e em ti medito, durante a vigília da noite...”.
E muitas outras referências...
1. Porque esta adoração secreta, ou particular, é importante?
1.1 - Primeiramente, porque ela agrada ao coração de Deus
Jo 4:23-24 – “Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores.  24 Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”.
Há muitas coisas envolvidas neste ensino de Jesus, mas por hora eu quero enfatizar esta verdade: “o Pai procura adoradores...”. Isto é, ele deseja ser adorado.
Pois adoração significa o reconhecimento de que ele é Deus, de que ele é digno de honra, de que ele é digno do nosso amor, da nossa obediência, da nossa vida. Significa reconhecer a sua grandeza, a sua majestade, a sua bondade, a sua justiça, a sua misericórdia. Adorar significa entregar a ele nossa confiança, a nossa alma, os nossos afetos. Adoração é um ato de amor e fé, de gratidão para com aquele que nos criou, que nos sustenta, que salvou nossas almas, que perdoou nossos pecados, que nos deu vida eterna.
E você quer maior motivação do que esta? Deus, que é santo, nos ama a nós, pecadores, e nos salvou dos nossos pecados. Nós vamos morar no céu. Deus deseja ser adorado, pois ele é digno disto. E é simplesmente justo, e prazeroso ao nosso coração, que o façamos.
Então, quando você deixa de lado todos os outros afazeres, todas as outras pessoas, e sozinho, no teu quarto, só você e Deus, você adora, você cumpre um desejo do coração de Deus.
1.2 - Em segundo lugar, porque é uma necessidade de nossa alma
Eu quero citar apenas um exemplo:
Sl 73:16-17 – “Em só refletir para compreender isso, achei mui pesada tarefa para mim;  17 até que entrei no santuário de Deus e atinei com o fim deles”.
Preste atenção nestas palavras: “Estava difícil de entender, até que entrei no santuário de Deus...”.
Eu amo este homem, Asafe, o autor deste e de outros salmos. Ele era um dos cantores levitas, designados pelo rei Davi para ministrar através dos cânticos no tabernáculo, e tempos depois, o templo em Jerusalém.  Um homem de grande piedade, caracterizado por intensa devoção a Deus.
Neste salmo Asafe abre o coração contando sobre uma crise espiritual muito grande pela qual passou, quando começou a olhar com inveja para a vida de pessoas que não serviam a Deus, mas pareciam ser bem sucedidas.
Veja os vs. 2 e 3 – “Quanto a mim, porém, quase me resvalaram os pés; pouco faltou para que se desviassem os meus passos.  3 Pois eu invejava os arrogantes, ao ver a prosperidade dos perversos”.
E depois, do v. 4 até o 12 ele explica a maneira como estava vendo estes homens prósperos e orgulhosos, que andam como se Deus não existisse: “eles não têm preocupações financeiras”, pensava, “eles se alimentam bem, têm saúde, são populares”. Nos vs. 13-16 ele disse que não conseguia entender. Pois aqueles homens não buscavam a Deus, e tinham tudo. E ele, que buscava, não tinha.
Então ele pensou: “É inútil ser crente. É inútil viver uma vida pura, ter as mãos limpas. Pois a cada manhã sou afligido, a cada manhã tenho novas dificuldades”.
Você já sentiu alguma coisa parecida? O diabo já falou alguma vez no seu ouvido que não vale a pena ser crente? Que não vale a pena servir a Deus? Que não vale a pena vir à igreja? Se for assim, saiba que você não é o primeiro. Muitos homens de Deus, inclusive Asafe, passaram por isto. Ele diz que quase se desviou dos caminhos de Deus.
Então, a inveja e o desânimo estavam corroendo a alma deste homem, até que ele entrou no santuário de Deus; até que ele buscou a presença do Senhor. E na luz da presença de Deus ele começou a enxergar melhor as coisas. Como diz o Salmo 34:5, “olhai para Deus, e sereis iluminados”, assim aconteceu com Asafe.
Ele percebeu que o ter ou não bens deste mundo não fará diferença alguma na eternidade, e que é a eternidade que conta.
Ele percebeu que os que se afastam de Deus, na eternidade serão afastados para sempre. E percebeu que os que buscam a Deus aqui, o terão aqui e para todo o sempre.
Veja os vs. 21 a 26, a maneira como os pensamentos dele foram transformados:
21 Quando o coração se me amargou e as entranhas se me comoveram, 22 eu estava embrutecido e ignorante; era como um irracional à tua presença. 23 Todavia, estou sempre contigo, tu me seguras pela minha mão direita. 24 Tu me guias com o teu conselho e depois me recebes na glória.  25 Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra.  26 Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre.
Asafe venceu o pecado da inveja e do desânimo buscando a presença de Deus. Pois buscar a presença de Deus é uma experiência transformadora para nossas almas.
Na presença de Deus nossos pensamentos são transformados, nossa mente é iluminada. Nossos pecados são trazidos À luz, expostos pelo Espírito Santo, e somos fortalecidos para lidar com eles, vencê-los, mudar interiormente.
Estes são dois grandes motivos para adorar a Deus em secreto: agradar ao nosso Salvador, e crescer espiritualmente.
2. Que práticas devocionais podemos exercitar em nossa adoração secreta?
Tanto nos ensinos de Jesus quanto no exemplo de Daniel, e dos apóstolos, nós vemos uma ênfase na oração. Mas ao mesmo tempo nós percebemos que na prática deles, a oração revela e pressupõe um grande conhecimento das Escrituras Sagradas, na confiança de que cada porção da Bíblia é a Palavra de Deus dirigida a nós. E também vemos, especialmente nos salmos, que uma forma de orar é através do cântico ao Senhor. Aliás, todos os salmos são orações escritas para serem cantadas. Não vamos nos deter muito em como exercitar cada um destes aspectos – pretendo fazer isto no próximo domingo –, mas agora vamos apenas mencionar que estas práticas cumprem a dupla função da adoração: agradar a Deus e abençoar nossas almas.
2.1 - Você pode adorar orando com suas palavras                     
A oração agrada a Deus:
Pv 15:8 – “O sacrifício dos perversos é abominável ao SENHOR, mas a oração dos retos é o seu contentamento”.
A oração faz bem à nossa alma:
Fp 4:6, 7 – “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.  7 E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus”.
2.2 - E você também pode adorar cantando ao Senhor
O cântico agrada a Deus:
Sl 22:3 – “Contudo, tu és santo, entronizado entre os louvores de Israel”.
O cântico faz bem para nossas almas:
Ef 5:18-20 – “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito,  19 falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais,  20 dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo”.
2.3 - E você pode adorar meditando na Palavra de Deus
A meditação nas Escrituras agrada a Deus:
Is 66:2b – “Porque a minha mão fez todas estas coisas, e todas vieram a existir, diz o SENHOR, mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra”.
A meditação nas Escrituras faz bem para nossa alma:
Jr 15:16 – “Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos”.
Desta maneira, você pode se utilizar destas três práticas no seu culto em secreto.
3. Quais as dificuldades que podemos esperar, que poderiam atrapalhar nossa adoração particular? O que podemos fazer para superá-las?
Nós temos enfatizado o valor da adoração ao nosso Deus em particular, só entre nós e ele, a cada dia de nossa vida, como um meio de graça, através do qual honramos a Deus e nos alegramos nele.
É uma prática relativamente simples.
3.1 - Mas reconhecemos que existem muitas dificuldades para que possamos exercitá-la.Vamos mencionar algumas:
Somos filhos de uma época agitada, apressada e cansativa. Temos muitas coisas prá fazer o tempo todo: o trabalho, os estudos, os relacionamentos (inclusive os relacionamentos virtuais – as pessoas gastam diariamente “horas” na internet, conversando, jogando, assistindo vídeos). Época do fast-food, comida rápida, pronta e que faz mal à saúde. Época de exercício físico em academias (muitas vezes um ambiente moralmente fétido e prejudicial à mente). Muitos passam horas no congestionamento do trânsito, e chegam em casa cansados. Estas coisas podem ser fatores que nos impedem de nos aquietar e passar tempo na presença de Deus.
Nosso próprio temperamento, seja ele qual for, pode atrapalhar. Se você é uma pessoa agitada, ativa, você pode ser tentado a fazer tudo “rapidinho” e impacientemente. Se você é uma pessoa calma, pode se sentir sonolenta. Se você se considera uma pessoa prática, pode achar que é perda de tempo. Não deixe que o seu temperamento decida por você. Lembre-se do que a Bíblia ensina sobre esta prática.
Além disto, estar a sós com Deus é parte de uma verdadeira guerra espiritual. Satanás fará de tudo, usará os males de nossa época, usará nossas fraquezas, com tudo o que puder, para que nos desviemos disto.
3.2 - O que podemos fazer para superar as dificuldades que surgirem?
1. Entenda a grandeza desta atividade espiritual – honra a Deus e trás crescimento espiritual
2. Separe tempo para isto:
Mt 26:40-41 – “E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo?  41 Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”.
Não quero dizer que você deva separar uma hora literalmente – talvez você só tenha como separar meia hora – o tempo determinado você deve escolher diante de Deus, mas separe um tempo, de preferência na mesma hora todos os dias, mas sem uma rigidez que acabe atrapalhando tudo.  Mas separe tempo.
3. Separe um lugar para isto
“Entra no teu quarto, e fechada a tua porta, orarás ao teu Pai que está em secreto”.
“E Jesus, tendo se levantado alta madrugada, foi para um lugar deserto, e ali orava” (Mc 1:35).
O seu lugar secreto pode ser o quarto, “pode ser o deserto”, pode ser o quintal, a varanda, a poltrona da sala; mas tenha um lugar especial para você e Deus.
4. Prepare-se para isto
O ensino de Paulo sobre o culto na igreja pode ser muito bem aplicado aqui: “Tudo seja feito com decência e ordem...” (1ª Co 14:40)
- Desligue o celular, o computador, tire o telefone da tomada, avise as familiares que você vai orar...
- Você pode fazer uma “ordem de culto”, escolher previamente o (s) cântico (s), o texto (s), os motivos de oração.
- Aquiete-se alguns momentos, e depois realize o seu culto.
5. Persevere
1ª Tm 4:7-9 – “Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas caducas. Exercita-te, pessoalmente, na piedade.  8 Pois o exercício físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa, porque tem a promessa da vida que agora é e da que há de ser.  9 Fiel é esta palavra e digna de inteira aceitação”.
Conclusão
Pense numa pessoa que deseja participar da corrida de São Silvestre aqui em São Paulo, no dia 31 de dezembro.
Assim ela diz: “Este ano, se Deus quiser, eu vou participar”. E quando chega a época, ela faz a sua inscrição, compra uma roupa e calçados apropriados, pega o seu kit de participação, e está animado.
Então você lhe pergunta: “Onde é que você tem treinado para a corrida”? E ele responde: “Ah! Eu não treinei. Não preciso chegar em primeiro lugar. Eu quero apenas chegar ao final da corrida”.
Neste caso, apenas chegar ao final da corrida é um bom objetivo; mas você acha que uma pessoa consegue correr 15 quilômetros sem treinamento? O que vai participar de uma corrida precisa se exercitar fisicamente, precisa treinar, precisa condicionar seu corpo físico.
Da mesma forma, a Bíblia diz que espiritualmente falando, estamos numa corrida. E precisamos trinar nossas almas, condicionar nossos pensamentos, as nossas faculdades espirituais, através de exercício espiritual. Vale a pena nos exercitarmos na oração, na meditação da Palavra, nos louvores a Deus. Estas coisas honram a Deus, mudam nosso coração, e nos tornam praticantes do reino de Deus.



[i] Hb 13:7
[ii] 1ª Pe 3:1-7
[iii] Jo 8:39
[iv] Tg 5:10,11
[v] Mt 6:6
[vi] Confissão de Fé de Westminster, XXI:VI – Do culto religioso e do domingo (São Paulo, Ed. Cultura Cristã, 2003, 2ª impressão da 17ª edição).
[vii] Refs. Jo 5:21; Ml 1:11; 1ª Tm. 2:8; Jo 4:23-24; Jr 10: 25; Jó 1:5; 2º Sm 6:18-20; Dt 6:6-7; Mt 6: 11, e 6:6; Is 56:7; Hb 10:25; Pv 5:34; At. 2:42. 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

A primeira visão - Dn 7


Igreja Evangélica Presbiteriana

Domingo, 20 de novembro de 2011

Pr. Plínio Fernandes

1 No primeiro ano de Belsazar, rei da Babilônia, teve Daniel um sonho e visões ante seus olhos, quando estava no seu leito; escreveu logo o sonho e relatou a suma de todas as coisas.

Em nosso estudo anterior, consideramos os caps. 7 a 12 de Daniel como um todo, apresentando-os como uma série de quatro profecias apocalípticas, e nos dedicamos a explicar o significado geral delas.

Vimos que elas nos ensinam sobre o crescimento e triunfo do reino de Deus sobre as forças espirituais do mal no cenário da salvação individual, da história mundial e por toda a eternidade.

Seu propósito é que conheçamos mais de Deus e de seus planos, a fim de que sejamos espiritualmente fortes e atuantes.

Em nosso estudo de hoje, vamos, então, meditar sobre a primeira visão de Daniel.

Para facilitar nossa compreensão, observemos que a visão é dividida em duas partes principais:

Primeira parte, do v. 2 ao 15 – os quatro animais.

A segunda parte, do v. 16 ao 28 – A interpretação da visão.

A primeira parte, por sua vez, pode ser dividida em quatro assuntos:

1.      A visão os quatro animais (vs. 2-8). A segunda parte da visão nos diz que são quatro reis, ou reinos (vs. 17 e 23).

2.      O trono de Deus e o seu juízo sobre os quatro reinos (vs. 9-12).

3.      O reino entregue ao Filho do Homem (vs. 13 e 14).

4.      E o quarto animal.

As duas partes terminam contando como Daniel se sentiu (v. 15 e 28).

v. 15 – Quanto a mim, Daniel, o meu espírito foi alarmado dentro de mim, e as visões da minha cabeça me perturbaram.

v. 28 – Aqui, terminou o assunto. Quanto a mim, Daniel, os meus pensamentos muito me perturbaram, e o meu rosto se empalideceu; mas guardei estas coisas no coração.

Me parece, irmãos, que estes dois versículos, ao nos dizerem qual foi o grande impacto que a visão causou no espírito de Daniel, estão também apontando para o assunto principal, o que mais chamou a atenção do profeta.

Este assunto principal é destacado pelo próprio Daniel, a partir do v. 19:

Então, tive desejo de conhecer a verdade a respeito do quarto animal, que era diferente de todos os outros, muito terrível, cujos dentes eram de ferro, cujas unhas eram de bronze, que devorava, fazia em pedaços e pisava aos pés o que sobejava

Segundo esta linha de raciocínio, o assunto principal, o que tomou a mente de Daniel e o deixou alarmado, foi a revelação sobre o quarto animal.

Para facilitar a compreensão, eu gostaria de apresentar este resumo através de uma tabela:


Então, vejamos rapidamente o que o texto nos diz sobre a visão como um todo, e depois vamos destacar o quarto reino.

1. Os quatro animais são quatro reinos

Leiamos os versículos 2 a 8:

2 Falou Daniel e disse: Eu estava olhando, durante a minha visão da noite, e eis que os quatro ventos do céu agitavam o mar Grande. 3 Quatro animais, grandes, diferentes uns dos outros, subiam do mar. 4 O primeiro era como leão e tinha asas de águia; enquanto eu olhava, foram-lhe arrancadas as asas, foi levantado da terra e posto em dois pés, como homem; e lhe foi dada mente de homem. 5 Continuei olhando, e eis aqui o segundo animal, semelhante a um urso, o qual se levantou sobre um dos seus lados; na boca, entre os dentes, trazia três costelas; e lhe diziam: Levanta-te, devora muita carne. 6 Depois disto, continuei olhando, e eis aqui outro, semelhante a um leopardo, e tinha nas costas quatro asas de ave; tinha também este animal quatro cabeças, e foi-lhe dado domínio. 7 Depois disto, eu continuava olhando nas visões da noite, e eis aqui o quarto animal, terrível, espantoso e sobremodo forte, o qual tinha grandes dentes de ferro; ele devorava, e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes dele e tinha dez chifres. 8 Estando eu a observar os chifres, eis que entre eles subiu outro pequeno, diante do qual três dos primeiros chifres foram arrancados; e eis que neste chifre havia olhos, como os de homem, e uma boca que falava com insolência.

Assim como Daniel, você deve ter ficado impressionado com esta visão.

Daniel estava diante de um mar sem limites, agitado por ventos que vinham dos quatro pontos cardeais.

Enquanto ele olhava, daquele mar agitado emergiram quatro criaturas terríveis, que ele só podia descrever como animais.

Mas não eram animais no sentido comum da palavra.

Daniel diz que as quatro criaturas eram “como”, ou “semelhantes” a animais, isto é, lembravam a aparência deles.

Assim, o primeiro deles era como um leão; um leão que tinha asas como águia. Mas enquanto Daniel observava, este animal ficou sobre dois pés, como um homem, e foi lhe dada a mente de homem.

O segundo animal era parecido com um urso, que tinha três costelas na boca. Da mesma forma ele foi colocado sobre duas patas, erguendo-se de lado, e lhe foi dada esta ordem: levanta-te, devora muita carne.

O terceiro animal era semelhante a um leopardo, e ele não tinha duas, mas quatro asas, e quatro cabeças, e foi-lhe dado domínio.

E o quarto animal era praticamente indescritível. Ele não se parecia com nenhum outro.

Era muito forte. Espantoso. Tinha dentes de ferro, e com estes dentes devorava tudo o que estava na frente, e o que não devorava fazia em pedaços, e pisava em cima.

Este grande, forte e terrível animal tinha dez chifres.

Enquanto Daniel olhava, viu surgir entre eles mais um chifre, menor, mas que rompeu com tanta força de arrancou três chifres do lugar.

Este chifre tinha olhos e boca, e falava como um homem, falava com insolência, falava com atrevimento.

Há outras coisas em comum, além do fato de serem animais estranhos:

É que são dominadores, predadores, destruidores e fortes.

Para que nós saibamos o que eles significavam nós precisamos ler o v. 17, onde um ser celestial explica para Daniel:

 - Estes grandes animais, que são quatro, são quatro reis que se levantarão da terra.

Que reinos específicos esta visão está retratando?

A maior parte, senão todos os intérpretes, entendem que se tratam, em primeiro lugar, dos mesmos quatro reinos descritos no sonho de Nabucodonosor, no cap. 2, quando ele sonhou com aquela grande estátua cuja cabeça era feita de ouro.

No sonho de Nabucodonosor, os quatro materiais que compunham a estátua representavam quatro reinos sucessivos: o babilônico, o medo-persa, o grego e o romano.

Da mesma forma, embora não entendamos o significado de cada detalhe, há indicações no texto que nos fazem entender que aqui se trata dos mesmos reinos.

O v. 4 nos diz que o primeiro animal era como um leão que tinha asas como de águia. Ele foi colocado sobre dois pés, e foi-lhe dada mente de homem.

Porque entendemos ser uma representação da Babilônia?

O leão e a águia são animais caçadores, predadores: assim era a Babilônia nos primeiros temos do grande reino, como vemos nos livros históricos e proféticos da Bíblia.

Em Jr 49:19-22, quando o castigo de Edom é profetizado, o Senhor diz que o seu mensageiro contra eles, isto é, a Babilônia, subiria contra eles como um leãozinho que sai da floresta para atacar, que seria como águia estendendo as suas asas.

O leão com asas de águia é um símbolo bem conhecido entre os arqueólogos, que escavam as ruínas da antiga Babilônia.


Se aqui, como no caso do cap. 2, o primeiro reino é o Babilônico, então segue-se que os demais devem ser também os mesmos daquele capitulo, e conforme veremos posteriormente, as próximas visões de Daniel retornarão a este tema.

O segundo e o terceiro reinos serão o tema da visão no cap. 8.

E o quarto reino trás muitas desenvolturas, que culminarão nas grandes perseguições sob os imperadores romanos.

Mas ao mesmo tempo aponta para o final dos dias presentes.

Pois, ao mesmo tempo em que representam estes quatro reinos específicos, nós podemos ver aqui vislumbres de coisas que também se referem a tempos mais distantes, para frente.

Então vamos continuar a leitura.

Vs. 9 e 10:

9 Continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e o Ancião de Dias se assentou; sua veste era branca como a neve, e os cabelos da cabeça, como a pura lã; o seu trono eram chamas de fogo, e suas rodas eram fogo ardente. 10 Um rio de fogo manava e saía de diante dele; milhares de milhares o serviam, e miríades de miríades estavam diante dele; assentou-se o tribunal, e se abriram os livros.

Você deve ter percebido a semelhança entre este texto e as visões de João em Apocalipse cap. 1 – ali ele descreve Jesus com esta aparência.

Mas conforme veremos no v. 13, aqui Daniel está diante do trono de Deus, chamado o Ancião de Dias.

Me parece ser uma referência ao fato de que Deus é “o ser mais velho que existe” (é claro que este meu jeito é um modo muito desajeitado de falar, que só revela minha enorme limitação em compreender a glória daquele que está sendo descrito por Daniel).

O Ancião de Dias estava assentado em seu trono glorioso, feito de chamas de fogo.

Era um trono de julgamento; e então se abriram livros.

Mais uma vez nós somos deparados com a semelhança do Apocalipse de João.

Ap 20:12-15  

12 Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros.  13 Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras.  14 Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo.  15 E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo.

Segundo entendo, João está claramente revelando para nós o que se refere ao dia do juízo final, na volta de Jesus.

Será o dia em que cada ser humano comparecerá diante de Deus para receber o veredito final sobre a sua situação pela eternidade. Cada ser humano sendo julgado diante de Deus, de acordo com as suas obras conforme registradas nos livros de Deus.

É um jeito antigo de dizer que cada uma das nossas ações está perante os olhos de Deus, e que para cada uma delas existe um valor moral; bom ou mau, santo ou profano, justo ou ímpio.

Deus nos julgará a cada um de nós, segundo as nossas obras, pois elas mostram a qualidade de vida que existe em nossa alma.

Se nosso coração é um lugar onde Jesus habita e governa, nossas obras tendem a ser conforme a vontade de Deus. E com isto o nosso nome é escrito no livro da vida.

Mas se o nosso coração é governado pelo pecado, nossas obras testemunham isto. Por isto Apocalipse também diz que quando morremos as nossas obras nos seguem pela eternidade.

Ora, o texto nos diz que se alguém não teve o seu nome escrito no livro da vida, este alguém foi lançado no lago de fogo.

Isto nos faz voltar ao texto de Daniel.

2. Ele está nos falando de um juízo também, o juízo de Deus sobre os reinos do mundo.

Os vs. 11 e 12 nos dizem o que aconteceu quando os livros foram abertos

 11 Então, estive olhando, por causa da voz das insolentes palavras que o chifre proferia; estive olhando e vi que o animal foi morto, e o seu corpo desfeito e entregue para ser queimado. 12 Quanto aos outros animais, foi-lhes tirado o domínio; todavia, foi-lhes dada prolongação de vida por um prazo e um tempo.

Depois do juízo, os quatro reinos perderam o seu domínio.

Embora houvesse ainda algum resquício dos reinos da terra, foi tirado deles o domínio, e o juízo contra o quarto reino, do qual saiu o rei que falava atrevidamente, foi julgado de modo especialmente rigoroso.

Ele foi entregue para ser queimado

E o que aconteceu quando o domínio foi tirado dos reinos?

3. O reino foi entregue ao Filho do Homem

vs. 13 e 14:

13 Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. 14 Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído.

Daniel viu alguém, não parecido com um animal medonho, destruidor, predador. Viu alguém parecido com um ser humano.

Este Filho do Homem aproximou-se do Ancião de Dias, e a ele foi dado o domínio sobre todos os povos, línguas, nações. E se tornou um rei eterno, cujo império jamais findará.

Acho que você já relacionou isto com outro lugar da Escritura.

Vamos ler Mateus 24:29, 30

29 Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados.  30 Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória.

Você sabe que esta expressão, Filho do homem, é uma das preferidas de Jesus, para se referir a si mesmo na sua qualidade de Messias, o nosso Salvador.

Só nos evangelhos ela aparece cento e quarenta vezes, em oitenta versículos.

E aqui Jesus está falando sobre o dia em que voltará para julgar o mundo.

Então vemos, meus irmãos: ao mesmo tempo em que a visão dos reinos começa com os antigos reinos da terra, que foram julgados por Deus, aponta para os tempos do fim, e mostra os tempos da vinda de Jesus para o juízo final.

Na vinda de Jesus, não somente ele, mas também os escolhidos de Deus se tornarão, com o seu Senhor e Salvador, os herdeiros do reino eterno.

Vejamos Mt 25:34, o que Jesus rei dirá aos seus amados:

Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.

Os vs. 15 a 18 de Daniel 7 resumem o significado da visão:

15 Quanto a mim, Daniel, o meu espírito foi alarmado dentro de mim, e as visões da minha cabeça me perturbaram. 16 Cheguei-me a um dos que estavam perto e lhe pedi a verdade acerca de tudo isto. Assim, ele me disse e me fez saber a interpretação das coisas: 17 Estes grandes animais, que são quatro, são quatro reis que se levantarão da terra. 18 Mas os santos do Altíssimo receberão o reino e o possuirão para todo o sempre, de eternidade em eternidade.

Como eu já disse, em grande medida estas coisas já tinham sido profetizadas no sonho de Nabucodonosor.

Mas agora havia um elemento novo:

Os desdobramentos todos que aconteceriam no quarto reino, do qual surgiria um rei que falaria muitas blasfêmias. Este chifre pequeno estava incomodando em extremo a Daniel.

Ele sabia que ele implicava conflito, sofrimento para o povo santo.

E é à explicação do seu significado que se dedica a maior parte da interpretação, e nos fala do inimigo do povo de Deus.

4. O inimigo de Deus e do seu povo

Vs. 19 a 28

19 Então, tive desejo de conhecer a verdade a respeito do quarto animal, que era diferente de todos os outros, muito terrível, cujos dentes eram de ferro, cujas unhas eram de bronze, que devorava, fazia em pedaços e pisava aos pés o que sobejava; 20 e também a respeito dos dez chifres que tinha na cabeça e do outro que subiu, diante do qual caíram três, daquele chifre que tinha olhos e uma boca que falava com insolência e parecia mais robusto do que os seus companheiros. 21 Eu olhava e eis que este chifre fazia guerra contra os santos e prevalecia contra eles, 22 até que veio o Ancião de Dias e fez justiça aos santos do Altíssimo; e veio o tempo em que os santos possuíram o reino. 23 Então, ele disse: O quarto animal será um quarto reino na terra, o qual será diferente de todos os reinos; e devorará toda a terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços. 24 Os dez chifres correspondem a dez reis que se levantarão daquele mesmo reino; e, depois deles, se levantará outro, o qual será diferente dos primeiros, e abaterá a três reis. 25 Proferirá palavras contra o Altíssimo, magoará os santos do Altíssimo e cuidará em mudar os tempos e a lei; e os santos lhe serão entregues nas mãos, por um tempo, dois tempos e metade de um tempo. 26 Mas, depois, se assentará o tribunal para lhe tirar o domínio, para o destruir e o consumir até ao fim. 27 O reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será reino eterno, e todos os domínios o servirão e lhe obedecerão. 28 Aqui, terminou o assunto. Quanto a mim, Daniel, os meus pensamentos muito me perturbaram, e o meu rosto se empalideceu; mas guardei estas coisas no coração.

Tenho comigo que estamos aqui diante de uma das primeiras descrições do sofrimento que o povo de Deus irá experimentar especialmente nos dias antecedentes à volta de Jesus.

Durante todas as épocas do presente século, muitos reis se levantaram contra o povo de Deus, especialmente nos dias do império romano, este quarto reino do qual britaram muitos outros, e sempre em antagonismo ao povo santo.

Nos dias de hoje, em muitas nações, a igreja é perseguida.

A lista de sofrimentos na atualidade não teria fim.

Mas nos últimos dias a perseguição será extremamente difícil.

Leiamos 2ª Ts 2:1-12

1 Irmãos, no que diz respeito à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele, nós vos exortamos  2 a que não vos demovais da vossa mente, com facilidade, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como se procedesse de nós, supondo tenha chegado o Dia do Senhor.  3 Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição,  4 o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus.  5 Não vos recordais de que, ainda convosco, eu costumava dizer-vos estas coisas?  6 E, agora, sabeis o que o detém, para que ele seja revelado somente em ocasião própria.  7 Com efeito, o mistério da iniquidade já opera e aguarda somente que seja afastado aquele que agora o detém;  8 então, será, de fato, revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e o destruirá pela manifestação de sua vinda.  9 Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira,  10 e com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos.  11 É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira, 12 a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça.

Não temos tempo aqui para explicar cada detalhe deste texto. Queremos apenas destacar algumas características deste chefe supremo da iniquidade, o filho da perdição, que se manifestará pouco tempo antes da vinda de Jesus.

Ele vai se colocar, aos olhos dos homens, no lugar de Deus.

E sua influência sobre a humanidade de modo geral vai ser muito eficaz, porque ele estará agindo pelo poder de Satanás, fazendo coisas grandiosas, milagres, prodígios da mentira.

Não é difícil imaginar isto, pois, ao mesmo tempo em que estão surgindo pregadores do ateísmo nos dias de hoje, está também se exaltando as capacidades psíquicas do ser humano.

Pelo poder de sua mente, pelo poder de sua vontade e de suas palavras, o homem pode realizar milagres.

Estamos nos dias da operação do erro, em que os homens lutam pelo direito de usar drogas, se sodomizarem, praticarem o aborto.

Agora, meus irmãos, prestem atenção nos vs. 11 a 13 – tudo isto é julgamento de Deus.

10 e com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos.  11 É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira,  12 a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça.

Então, como parte deste julgamento de Deus sobre um mundo incrédulo, vai aparecer um homem se colocando no lugar de Deus, que eleva o homem à posição de Deus, seguindo os moldes de Satanás, e vão acreditar nele, e os crentes padecerão muita perseguição.

Como está escrito em Daniel, ele proferirá palavras insolentes contra o Altíssimo, magoará os santos do Altíssimo, mudará os tempos, a lei, e os santos lhes serão entregues nas mãos.

Enquanto Jesus não voltar, os tempos presentes para o povo de Deus são tempos difíceis, na igreja e fora da igreja.

Mas, especialmente quando Jesus estiver para voltar, será uma grande tribulação.

Por isto Daniel ficou alarmado em seu coração.

Conclusão e aplicação

Assim, a visão do cap. 7, seguindo o propósito da literatura apocalíptica, aponta para o tempo do fim, apresentando como dias difíceis, de sofrimento, nos quais o mal parece estar prevalecendo, mas que ainda assim, estão sob o controle de Deus.

Mostra que tudo quanto acontece, em última análise, está sob o governo de Deus, e que resultará em bênção e vitória para o povo santo.

Seu propósito é que em meio a todas as adversidades, sejamos um povo espiritualmente forte, que conhece a Deus e nele confia.

Eu tenho nas mãos um exemplar da revista Cristianismo Hoje. É o número 25, de outubro novembro de 2011.

Na pág. 8, há uma notícia sobre a oposição de alguns pais a que as crianças orem numa escola em Brasília.

Na pág. 10, uma notícia sobre a luta de uma missionária, Márcia Suzuki, que está enfrentando uma batalha judicial movida contra ela pela Associação Brasileira de Antropologia, pois ela é contra a prática de algumas tribos indígenas, de sacrificar crianças consideradas malditas, por terem nascido com algum defeito. Em 2005, com a ajuda dos pais destas crianças, a ONG que ela dirige resgatou algumas crianças condenadas à morte, e os antropólogos a acusam de destruir a cultura indígena.

Na pág. 23, leio sobre o pastor Youcef Nadarkhani, condenado à morte no Irã.

Nas págs. 29-31, temos notícias de um movimento que começou na Europa, tem crescido muito na América do Norte, e que também chegou ao Brasil e está crescendo: o movimento ateísta.

Em nosso país existe uma sociedade chamada ATEA (Associação Brasileira dos Ateus e Agnósticos).

Eles se utilizam de outdoors, panfletos e outros meios de propaganda.

Um deles estampa duas fotografias; uma de Hitler e outra de Charles Chaplin.

Sob a figura de Chaplin, está escrito: não acredita em Deus.

Sob a de Hitler, eles dizem: acredita em Deus.

Estas coisas são apenas alguns destaques de uma revista cristã, para dizer a vocês que vivemos num mundo hostil ao evangelho.

Os exemplos seriam infinitos.

Mas que está sob o controle de Deus.

Algumas implicações disto:

1.      Para o crente, como dizia Tozer, o mundo é um campo de batalha; não é um parque de diversões. Então se você quiser ir para o céu, não brinque de ser crente.

2.      Seja santo, seja forte, não seja um crente frouxo. Não faça pacto com o mundo. Não faça aliança com o diabo.

3.      Pois o dia do julgamento deste mundo está chegando, e o diabo sabe disto. Ele tem pouco tempo, e está preparando o cenário para atacar o povo de Deus como nunca aconteceu antes.

4.      E quanto mais você vê que os sinais se aproximam, creia na Bíblia, ore, persevere, seja fiel, pois haverá recompensa para os fiéis



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