Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Destinados da dar frutos - Jo 15:1-17

IPC em Pda. de Taipas[1]
Domingo, 14 de dezembro de 2014
Pr. Plínio Fernandes                  Baixe em EPUB     Baixe em PDF     Baixe em MOBI
Queridos irmãos, vamos ler no Evangelho de João, cap. 15, os vs. 1-17
Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor.  2 Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda. 3 Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado; 4 permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim. 5 Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. 6 Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam. 7 Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito. 8 Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto; e assim vos tornareis meus discípulos. 9 Como o Pai me amou, também eu vos amei; permanecei no meu amor. 10 Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço. 11 Tenho-vos dito estas coisas para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo. 12 O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. 13 Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos. 14 Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando. 15 Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer.  16 Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda. 17 Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros.
Nos caps. 13 a 17 deste Evangelho, o apóstolo João está nos contando sobre a última noite em que nosso Senhor, Jesus Cristo, passou com seus discípulos antes de sua crucificação.
No cap. 13, o apóstolo diz que o Senhor dos céus e da terra levantou-se, despiu-se de sua túnica, colocou uma toalha em volta da cintura, tomou uma bacia com água e ajoelhou-se para lavar os pés dos discípulos, dando assim um exemplo de amor, humildade e serviço que eles deveriam seguir.
Em seguida ele instituiu a “santa ceia”, ensinando que ela simbolizava a sua morte, em nosso lugar, pelos nossos pecados.
E depois disto Judas, o traidor, se retirou, e o Senhor ficou só com os fiéis.
Foi um momento de grande intimidade, no qual o Filho de Deus os confortou, prometendo que suas orações sempre seriam ouvidas, e que depois que ele voltasse ao Pai, enviaria outro Consolador, o Espírito Santo, que viria para estar sempre com eles.
E foi também um momento em que Jesus abriu seu próprio coração diante deles.
Aqui, no v. 15 do nosso texto, ele diz que agora estava se dirigindo não apenas a servos, mas aos seus amigos.
Eles eram seus amigos, para quem ele contava tudo quanto tinha ouvido do Pai eterno – são palavras que descrevem intimidade, comunhão.
E no v. 13 ele declara quão grande é o seu amor por seus amigos.
Ele diz: “Eu tenho amado vocês, a ponto de, por vocês, dar minha própria vida.”.
No v. 14 ele diz como é que esta amizade se concretiza - “Vocês são meus amigos, se fazem o que eu lhes mando”.
Com efeito, irmãos, estes homens haviam crido em Jesus; e crendo, haviam deixado tudo para segui-lo, para serem seus discípulos.
Certa vez, quando todos estavam abandonando Jesus, ele se voltou para os doze e perguntou: “E quanto a vocês? Também querem ir embora?”.
E a resposta que ouviu foi: “Senhor, se nós formos embora, para quem poderíamos ir? O Senhor é quem tem as palavras da vida eterna; e nós temos crido e conhecido que o Senhor é o Santo de Deus”.[2]
De modo que havia entre eles um relacionamento muito forte e duradouro, aliás, um relacionamento que em João 10 Jesus declarou ser eterno[3].
Havia uma ligação tão forte, que Jesus faz uma comparação: ele diz que é como uma videira cheia de ramos.
A videira está ligada aos ramos, e os ramos estão ligados à videira – se os ramos forem separados da videira eles morrem.
E no 16, o Senhor nos diz que é o seu propósito para com os seus amigos, a quem ele agora chama de seus escolhidos.
Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça...
Eu desejo meditar com vocês sobre o propósito de Jesus para os seus escolhidos, e como ele é realizado.
1. O propósito de Jesus
1.1 Eu vos escolhi para que deis fruto
Assim como, ligados à videira, os ramos estão destinados a produzir uvas, assim também nós, ligados a Jesus, estamos destinados a produzir os frutos deste relacionamento.
Podemos dizer que estes frutos são todas as coisas que resultam em nossa vida como resultado de nossa união com Jesus através da fé.
Em outros lugares, a Bíblia usa esta palavra, "fruto", para definir alguns destes resultados da união com Jesus.
Por exemplo, a palavra fruto é usada, para descrever a transformação na maneira de pensar, de falar e de agir, que acontece quando uma pessoa se reconhece pecadora, crê em Jesus Cristo e abandona seus pecados, passando a viver de acordo com a vontade de Deus.
Quando uma pessoa passa por este processo de conversão, a Bíblia chama isto de o “fruto digno de arrependimento” [4].
Outro fruto mencionado na Bíblia, além do arrependimento, é aquele que Paulo chama de “fruto do Espírito”, a saber, o amor[5].
É resultado de o Espírito Santo operar no coração do crente um crescimento, um desenvolvimento de caráter, um amadurecimento espiritual, através do qual a pessoa, a cada dia, vai se tornando, em sua maneira de ser, mais e mais semelhante a Jesus Cristo – a cada dia ela vai aprendendo a andar em amor – aprendendo a amar profundamente a Deus, e consequentemente passa a amar também aos homens, criação e objeto do amor de Deus.
O crente ama especialmente aos seus irmãos, discípulos de Jesus. E este amor se transforma em relacionamentos plenos de alegria, paz, fidelidade, paciência, amizade, humildade, controle de si.
O crente, por amar a Deus, e assim à igreja (que é a comunidade do povo de Deus, o povo por quem Jesus morreu), dedica-se de todo o coração a trabalhar para a edificação da igreja.
Ele participa da adoração, ele usa suas capacidades. Ele dá de seu tempo. Ele contribui financeiramente.
Ele procura, de todos os modos, ver o bem da igreja, o progresso do evangelho, pois sua vida foi transformada para o bem, e ele conhece por experiência própria, o poder transformador do evangelho.
Ele sabe que o evangelho é o poder de Deus para a salvação, para a transformação pessoal e consequentemente social – então ele se esforça para que o conhecimento do evangelho seja propagado.
Os pecados, isto é, aqueles pensamentos, palavras e comportamento que desagradam a Deus, tais como ódio, amargura, inimizade, idolatria, maledicências, estas coisas se tornam cada vez mais coisas do passado, por que a cada dia o discípulo se torna mais e mais parecido com seu Mestre, Jesus – isto também é fruto.
E outro fruto mencionado na Bíblia é o ganhar outras vidas para Cristo. Quando Paulo escreveu aos Coríntios, ele disse: “vocês são fruto do meu trabalho no Senhor”[6].
Assim como a videira produz uvas, e a figueira produz figos, o fruto de um discípulo de Jesus também é outros discípulos.
1.2 - Agora, no v. 8, o Senhor nos diz que, quando estes frutos vão se manifestando não vida de uma pessoa, duas coisas acontecem:
Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto; e assim vos tornareis meus discípulos.
Deus, o Pai celestial, é glorificado: pois num mundo tão degenerado pelo pecado, pelo desamor, pelo egoísmo, pela imoralidade, pelas falsas religiões, a vida de um discípulo de Jesus é o testemunho de um modo de ser diferente, o testemunho de um mundo diferente, melhor, de paz, justiça, alegria. E nisto o nome de Deus é honrado.
A segunda coisa mencionada no v.8 é que, além de o nome de Deus ser honrado, o fruto espiritual é evidência de que uma pessoa é realmente um discípulo, isto é, está realmente seguindo ao mestre Jesus, pois a grande característica de um discípulo é que ele aprende a ser igual ao seu Mestre.
1.3 - O contrário também é verdadeiro - se alguém não produz fruto, é evidência de que não está ligado ao Senhor.
Veja a parte “a” do v. 2
“Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta...”
Veja também o v. 6
Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam.
À semelhança de Judas, cujo coração não pertencia ao Senhor. Por isto, embora no começo ele fizesse parte do grupo dos doze, mais tarde ele revelou sua verdadeira identidade espiritual, traindo ao seu Mestre e aos seus irmãos. Por isto ele é chamado o “filho da perdição”.
Mas aqui Jesus não estava se dirigindo a traidores. Estava se dirigindo a homens que, embora cheios de falhas, imperfeições, amavam-no verdadeiramente, eram seus amigos, e, assim, o propósito de Jesus não era repreendê-los, nem desanimá-los; ao contrário, encorajá-los.
Veja o v.11
Tenho-vos dito estas coisas para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo.
Por isto, Jesus também está aqui mostrando aos seus discípulos como é que uma pessoa se torna espiritualmente frutífera.
2. Como produzir frutos
vs. 4 e 5
Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim. 5 Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.
Produzimos fruto permanecendo em Jesus, pois sem ele nada podemos fazer.
No cap. 14:1, ele já havia ensinado aquilo que é mais básico, a condição mais essencial em nossa vida: é estar unido a ele num relacionamento de fé, isto é, confiança e amizade.
Ali temos um mandamento que é ao mesmo tempo um encorajamento:
“Não fiquem perturbados. Vocês confiam em Deus; então coloquem em mim a mesma confiança que vocês têm no Pai.”
Permanecer em Cristo significa continuar nesta mesma confiança. Isto tem algumas implicações mencionadas aqui no cap. 15:
2.1 – Permanecer em Jesus significa, em primeiro lugar, permitir que Deus purifique nossa vida
vs. 1, 2
Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor.  2 Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda
Certa vez eu perguntei a um rapaz que lida com plantações, que tipo de ramos ou galhos que são tirados das plantas por ocasião da poda.
E ele respondeu:
- “Nalgumas plantas, surgem certos brotos que nós chamamos ‘brotos ladrões’. Eles sugam seiva da planta, sugam energia, mas não produzem nada, e então roubam energia daqueles ramos que produzem, enfraquecendo também os frutos. A qualidade dos frutos se torna mais pobre. Então, para evitar que isto aconteça, nós podamos os brotos ladrões”.
Assim também em nossa vida, irmãos, podem surgir muitas coisas, muitas atividades, muitos comportamentos, muitos relacionamentos, que se tornam como que ‘brotos ladrões’. Eles podem roubar nossas energias espirituais.
Estas coisas precisam ser tiradas.
Se uma determinada amizade está prejudicando minha vida espiritual, precisa ser abandonada.
Se um namoro está prejudicando a vida espiritual, precisa ser terminado.
Se uma atividade profissional está me levando ao esfriamento espiritual, se um algum aparelho eletrônico ou alguma atividade está me levando a dormir tarde, ficar cansado para não participar da igreja, se determinadas músicas me tornam leviano para com as coisas de Deus...
Enfim, como disse Jesus, “se o teu (próprio) olho te faz tropeçar, arranca-o, porque é melhor você entrar cego de um olho na vida eterna, do que tendo dois olhos, ser lançado com eles no fogo eterno”.
Tirar, podar de nossa vida tudo o que sugue nossas forças espirituais.
2.1 – Permanecer em Cristo também significa deixar que ele nos purifique pelo poder de sua Palavra
v. 3
Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado
Veja o v. 15b
Tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer...
As palavras ditas por Jesus não eram palavras quaisquer, mas palavras ouvidas de Deus, Palavras de Deus.
Veja também o cap. 17:8, onde Jesus está orando em favor dos seus discípulos:
...porque eu lhes tenho transmitido as palavras que me deste...
Cap. 17:17
Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.
Duas observações: 1) A Palavra de Deus é a verdade. 2) A verdade da Palavra de Deus é o meio por excelência para nossa santificação (isto inclui a purificação, a separação das coisas que são prejudiciais à nossa vida espiritual.
Agora leiamos Jo 10:34, 35
Replicou-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: sois deuses?  35 Se ele chamou deuses àqueles a quem foi dirigida a palavra de Deus, e a Escritura não pode falhar...
São palavras de Jesus em relação à Bíblia. Mais especificamente ele está citando aqui o Salmo 82:6, ao qual ele chama de “lei”, “Escrituras” e “Palavra de Deus”.
Segundo Jesus, a Bíblia é a Palavra de Deus que temos à nossa disposição. Então você precisa investir o melhor de seu tempo para ler, estudar, ouvir e meditar na Bíblia.
E também, ao ler a Bíblia em casa, ao ler algum bom livro que explique os princípios da Palavra de Deus, ao ouvir as pregações, os ensinos na igreja, a sua expectativa deve ser esta – “Senhor, purifica-me, santifica-me, transforma-me por tua Palavra; que eu não saia daqui da mesma maneira que entrei; dá-me crescimento”.
“Que não aconteça comigo como aconteceu com Judas, que te viu face a face, que comeu pão mesma mesa, da tua mão, que ouviu tuas palavras, mas que isto tudo foi para a condenação dele.”
2.3 – Permanecer em Cristo também significa obedecer à sua Palavra
vs. 9, 10
Como o Pai me amou, também eu vos amei; permanecei no meu amor. 10 Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço.
O maior de todos os mandamentos é afirmado nos vs. 12 e 17.
12 O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei... 17 Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros.
Como disse João, se você ama verdadeiramente aos seus irmãos, então também ama verdadeiramente a Deus[7].
E Paulo: se você guardar o mandamento de amar ao próximo, está cumprindo a Palavra de Deus, pois quem ama ao próximo não irá matar, adulterar, mentir, roubar. Quem ama irá promover o bem do seu próximo[8].
E se você amar, você pode pedir - v.7
Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito
- "Se você crer em mim... Se você permitir que minha Palavra purifique sua vida... Se você obedecer minha Palavra... Se você amar aos seus irmãos, estas pessoas a quem eu amo e pelas quais eu dei minha vida..."
- "Nós estaremos de tal forma unidos, que você poderá me pedir qualquer coisa, e o que você pedir será feito".
- "Não haverá limitações".
Conclusão
Jo 15:16
“Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda.”
Aplicação
Você crê em Jesus? Ele morreu por você?
Você é amigo de Deus? Você é um escolhido de Deus?
Então isto deve provocar, em primeiro lugar, um profundo e duradouro sentimento de alegria, de gratidão e adoração a Deus. Que o conhecimento desta verdade encha o seu coração de gozo, felicidade, amor e devoção ao Senhor.
Além disto, deve despertar em cada um de nós este senso de destino: você foi escolhido para uma vida com propósitos. O propósito de ser semelhante a Jesus, em seu caráter, em seu amor, em sua pureza, em sua graça para com o próximo.
E depois, um modo de falar, e de viver, como quem existe para dar fruto. Um viver de acordo com isto.
Então o propósito de Jesus para você é este: que você dê fruto - fruto de arrependimento dos seus pecados, de mudança de mente; fruto de amor para com Deus, para com sua Palavra, para com sua igreja; fruto de almas ganhas para o reino de Deus.
Então vá: permaneça em Jesus, confie nele; permita que ele tire de sua vida os “brotos ladrões”, obedeça sua Palavra, ore, frutifique.
Para a glória de Deus.




[1] Mensagem pregada primeiramente no dia 7 de dezembro, no culto de encerramento de reunião do Presbitério Piratininga da IPC do Brasil, na IPC de São Bernardo do Campo
[2] Jo 6:66 e segs.
[3] Jo 10:27-30
[4] Mt 3:8
[5] Gl 5:22, 23
[6] 1ª Co 9:1
[7] 1ª Jo 4:18-21
[8] Rm 13:8-10

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Três propósitos para o próximo ano - 2ª Tm 3-4:5

IPC em Pda. de Taipas
Domingo, 28 de dezembro de 2014
Pr. Plínio Fernandes                     Baixe em EPUB     Baixe em Mobi      Baixe em PDF
Eu tenho duas razões em mente para tomar este texto como base para nossa meditação neste último domingo:
A primeira é que recentemente, em nossa reunião do Presbitério, quando estávamos avaliando o crescimento de nossas igrejas, entendemos que deveríamos tomar certas medidas a fim de que cumpramos melhor a vontade de Deus para nosso ministério e nossas igrejas.
E uma delas é trabalhar com um propósito mais claro, no sentido de ter como objetivo o crescimento de nossas igrejas.
Para que cresçamos em todos os sentidos, cumprindo assim a vontade de Deus revelada nas Escrituras, devemos “saber onde queremos chegar”, e trabalhar por isto conscientemente.
A segunda razão é que normamente, a iniciar um novo ano, muitos de nós temos o hábito de definir alvos para nossa vida pessoal, em todas as suas áreas.
E quando Paulo escreveu esta carta a Timóteo, aliás, esta foi sua última carta, ele recomendou ao seu amado filho na fé certas coisas que deveriam ser metas por toda a sua vida.
Leiamos então o texto
 Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, 2 pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes,3 desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, 4 traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, 5 tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes. 6 Pois entre estes se encontram os que penetram sorrateiramente nas casas e conseguem cativar mulherinhas sobrecarregadas de pecados, conduzidas de várias paixões, 7 que aprendem sempre e jamais podem chegar ao conhecimento da verdade. 8 E, do modo por que Janes e Jambres resistiram a Moisés, também estes resistem à verdade. São homens de todo corrompidos na mente, réprobos quanto à fé; 9 eles, todavia, não irão avante; porque a sua insensatez será a todos evidente, como também aconteceu com a daqueles. 10 Tu, porém, tens seguido, de perto, o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança, 11 as minhas perseguições e os meus sofrimentos, quais me aconteceram em Antioquia, Icônio e Listra, -- que variadas perseguições tenho suportado! De todas, entretanto, me livrou o Senhor. 12 Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. 13 Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados. 14 Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste 15 e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. 16 Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, 17 a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra. 4:1 Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: 2 prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. 3 Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; 4 e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. 5 Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério.
As palavras do apóstolo Paulo aqui fazem um contraste enorme com muitos livros e artigos escritos atualmente e que nos descrevem o que é uma igreja, ou um pastor bem sucedido.
A Palavra de Deus nos diz aqui que os últimos dias – e isto, no Novo Testamento é uma referência aos dias que se iniciaram com a primeira vinda de Jesus até à sua volta para o dia do juízo final – estes dias que estamos vivendo são tempos difíceis, trabalhosos.
Tempos caracterizados pelo egoísmo, pela arrogância, pelo desrespeito, pela falta de temor a Deus; pela hipocrisia; pela falsa devoção a Deus, pela falsa religiosidade – crentes nominais, que, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, resistem à Palavra de Deus.
Tempo de ventos contrários à verdadeira fé. São os dias em que estamos vivendo
Agora, em meio a todos estes ventos contrários, tempos difíceis, o apóstolo Paulo diz que Timóteo deve ser diferente – veja o versículo: 14.
“Tu, porém”, “mas você...” – a ideia é contraste, diferença – “Você não deve ser como os outros, não deve seguir os que se opõem, não deve se amoldar a estes tempos, seja diferente, e faça diferença”.
E esta diferença tem um fundamento: a Palavra de Deus, o compromisso que você tem com ela.
Esta mesma atitude comprometida, amados, nós também devemos ter, e é sobre como este compromisso com a Palavra de Deus que desejo meditar com vocês.
Dentro de nosso compromisso com a Palavra de Deus, desejo motivá-los a terem três propósitos específicos para o próximo ano.
1. Neste próximo ano, vou conhecer mais as Escrituras – v. 14
Paulo aqui se refere ao fato de que Timóteo era um homem privilegiado, pois desde sua infância havia aprendido, tanto de sua mãe como de sua avó, judias tementes a Deus[1], as sagradas letras.
O costume dos israelitas era o de fazer com que até os doze anos as crianças conhecessem muito bem a lei de Deus, um conhecimento que cresceria muito mais ao longo de toda a vida, de modo que se cumprissem neles as palavras de Provérbios 22 – eles nunca se desviariam dos caminhos de Deus.
Timóteo era um destes privilegiados filhos da nação escolhida que conhecia profundamente as Escrituras.
E mesmo tendo aprendido desde pequeno nesta carta Paulo o encoraja a conhecê-las cada vez mais.
Veja 2:15:
Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.
Assim como era importante, para Paulo e Timóteo, o conhecimento das Escrituras, também para nós.
Existem pelo menos quatro razões para conhecermos as Escrituras, mencionadas aqui em nosso texto.
1. Elas são inspiradas por Deus – 3:16
São Palavra de Deus para nós; ao abrirmos as Escrituras, elas são Deus falando conosco.
Quero relacionar esta verdade com a maneira que Jesus diz, o Espírito Santo atua em nossa vida, conforme João 14:26.
Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.
São as coisas que aprendemos através da Palavra de Deus que o Espírito Santo nos vem recordar. Uma vida cheia do Espírito é uma vida segundo aquilo que aprendemos de Deus.
2. Elas nos mostram o caminho da salvação pela fé em Jesus – v. 15
3. Elas nos são úteis para o crescimento na santificação: o desenvolvimento do caráter – v. 16
4. Elas nos capacitam a viver de acordo com a vontade de Deus em cada área de nossa vida – toda boa obra – v. 17
Tudo quanto necessitamos para viver está aqui na Palavra de Deus.
Dentro deste contexto, vale também a pena citar as palavras de Moisés ao de Israel a respeito da lei do Senhor em sua última mensagem a eles.
Dt 32:46, 47
Disse-lhes: Aplicai o coração a todas as palavras que, hoje, testifico entre vós, para que ordeneis a vossos filhos que cuidem de cumprir todas as palavras desta lei. 47 Porque esta palavra não é para vós outros coisa vã; antes, é a vossa vida; e, por esta mesma palavra, prolongareis os dias na terra à qual, passando o Jordão, ides para a possuir.
Note a força das palavras de Moisés. “Esta Palavra”, disse ele, “é a sua vida. Então aplique o seu coração a ela. Ensine-a aos seus filhos. Obedeça, viva por ela”.
Neste próximo ano, tenha este propósito: faça tudo o que você puder para conhecer mais profundamente a Palavra de Deus.
Por exemplo:
Você pode separar um tempo diariamente, para ler mais a Bíblia.
Você pode se utilizar de livros escritos para ajudá-lo a compreender mais a Palavra de Deus (ex. os “Meditações nos Evangelhos” de J. C. Ryle).
Você pode também se utilizar das revistas da Escola Dominical: são tantas e excelentes as lições que estaremos estudando neste próximo ano, com o propósito de conhecermos mais ao Senhor e sua vontade para nós.
Você pode usar os textos diários das revistas da Escola Dominical para suas práticas devocionais, isto é, o seu culto pessoal ao Senhor.
Você pode também ser um aluno assíduo e participativo da Escola Dominical
Você pode também participar dos cultos dominicais, tanto pela manhã quanto à noite – a sua frequência depende, em noventa e nove por cento dos casos, do tamanho de seu desejo de servir e conhecer a Deus.
Você também pode participar dos acampamentos que a igreja promove, das atividades das sociedades internas, por exemplo, os cultos semanais nos lares.
Todas estas atividades da igreja tem uma finalidade: fazer com que você conheça mais a Palavra de Deus, pois ela é a coisa mais importante de sua vida: ela é a sua vida.
2. Neste próximo ano, vou viver mais as Escrituras – v. 14
Não se esqueça do que está escrito. Não se desvie do que está escrito. Não se afaste do que está escrito. Viva de acordo com o que está escrito.
Paulo reconhece que isto é “nadar contra a maré”. Mas ao mesmo tempo relembra que viver de acordo com as Escrituras é viver de acordo com Deus.
Isto significa salvação para a alma. Significa vida santificada. Significa vida reta e abençoada.
Eu quero trazer à nossa memória duas promessas do Senhor aos que são comprometidos com sua Palavra:
Mt 5:10-12
Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.  11 Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. 12 Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.
Você estará em boa companhia, você será parecido com Jesus, você está destinado ao reino dos céus.
Jo 15:7
Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito.
Você terá suas orações sempre respondidas
Neste próximo ano, tenha este compromisso:
“Vou crer mais na Bíblia Sagrada”. Vou obedecer mais. Orar mais
Dentro daquilo que for o seu caso, diga consigo mesmo na presença de Deus:
Amarei mais. Serei mais puro. Serei mais paciente. Serei mais misericordioso. Mais fiel nos dízimos. Mais assíduo à casa de Deus. Falarei mais coisas que edifiquem e abençoem.
Ao iniciar este novo ano, examine...
Seu coração: você não precisa ser mais santo em seus sentimentos? Mais santo em seus relacionamentos? Você não precisa ser menos egoísta, menos interesseiro, menos mundano, menos materialista?  Você não precisa ser mais honesto, mais verdadeiro?
Examine seus pensamentos, seus propósitos, seus alvos.
Passe sua vida a limpo, e limpe, abandone pecados. Reavive a chama do dom de Deus que há em você.
3. Neste próximo ano, vou falar mais das Escrituras – 4:1-5
Fale, a tempo e fora de tempo, quer seja oportuno, quer não – quer dizer, não perca tempo, não perca oportunidade.
Neste falar, faça o que a Palavra diz: ensine, corrija, repreenda, exorte – com paciência e ensino.
Mas fale.
Nós temos aqui duas razões para falar:
1. Deus há de julgar todas as pessoas, e este julgamento será baseado na vontade de Deus revelada ao homem.  – v. 1
2. A atitude do homem para com a Palavra de Deus será sua salvação ou sua perdição
Muitos se recusarão – eles seguirão seus caminhos: vs. 3:9, 13.
Mas há os que ouvirão – há os Timóteos, as Loides, as Eunices, os Paulos – há os crentes, os “sete mil que não se dobraram diante de Baal”.
Então fale. Fale no trabalho Fale em casa. Fale pelo telefone. Fale na igreja. Fale a Palavra de Deus. Fale o que edifica, que promove a vontade de Deus.
Conclusão e aplicação
Amados, enquanto estamos em nossa caminhada para o céu, existem muitas tentações diárias que nos cercam e procuram nos desviar de nosso alvo. Mas eu quero sugerir que a grande tentação, a maior de todas é esta: a de nos envolvermos tanto não só com as dificuldades de nossos tempos, mas também com coisas boas e legítimas, que nos desviamos de nossos propósitos.
Vamos permanecer em nossos propósitos. Três compromissos:
Neste próximo ano, vou conhecer mais as Escrituras.
Neste próximo ano, vou viver mais as Escrituras.
Neste próximo ano, vou falar mais as Escrituras.



[1] Cap. 1:5
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