Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

Mostrando postagens com marcador Inferno. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Inferno. Mostrar todas as postagens

domingo, 24 de maio de 2015

Na eternidade - 2ª Co 5:1-10

IPC em Pda. de Taipas
Domingo, 24 de maio de 2015
Pr. Plínio Fernandes
Meus irmãos, vamos ler 2ª aos Coríntios 5:1-10
“Sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus. 2 E, por isso, neste tabernáculo, gememos, aspirando por sermos revestidos da nossa habitação celestial; 3 se, todavia, formos encontrados vestidos e não nus. 4 Pois, na verdade, os que estamos neste tabernáculo gememos angustiados, não por querermos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida. 5 Ora, foi o próprio Deus quem nos preparou para isto, outorgando-nos o penhor do Espírito. 6 Temos, portanto, sempre bom ânimo, sabendo que, enquanto no corpo, estamos ausentes do Senhor; 7 visto que andamos por fé e não pelo que vemos. 8 Entretanto, estamos em plena confiança, preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor. 9 É por isso que também nos esforçamos, quer presentes, quer ausentes, para lhe sermos agradáveis. 10 Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo.”
Uma cristã norte-americana, Evelyn Christenson, escreveu, entre outros, um livro muito edificante, chamado “Ganhando através da perda” [1].
Neste livro ela apresenta o ensino bíblico de que nós, filhos de Deus, em todas as coisas que acontecem conosco, estamos sendo abençoados pelo pai celestial, que é quem dirige cada evento de nossas vidas.
Então, até mesmo quando perdemos coisas neste mundo, na realidade estamos de alguma forma lucrando, estamos ganhando, pois Deus faz com todas as coisas cooperem para o bem daqueles que o amam.
Cada vez que perdemos algo ou alguém, é porque Deus está providenciando para nós um bem maior.
E de fato, este é o padrão que vemos se repetir constantemente na vida dos crentes descrita na Palavra de Deus: José perdeu tudo para ganhar muito mais; e Jó; e Davi; e Daniel; e Abraão; e Noé – enfim, nossa lista é praticamente interminável.
E Jesus acrescenta, em Lucas 18:29 e 30, que isto diz respeito a cada pessoa que o ama, quando afirma:
Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou mulher, ou irmãos, ou pais, ou filhos, por causa do reino de Deus, que não receba, no presente, muitas vezes mais e, no mundo por vir, a vida eterna.
Noutro lugar ele nos ensina que não adianta nada ganharmos o mundo inteiro, se perdermos a nossa alma.
Mas, que, se por amor a ele perdermos a nossa própria vida neste mundo, estaremos de fato ganhando a nossa vida na eternidade[2].
E aqui neste texto que lemos, o apóstolo Paulo vem nos lembrar deste que é o maior de todos os lucros que o homem pode ter: a eternidade.
Assim como Jesus, ele nos mostra que quando perdemos este mundo por amor a ele, ganhamos a eternidade.
Depois de discorrer de modo muito vívido, no capítulo anterior, a respeito da fragilidade, da brevidade e dos dissabores desta vida presente em contraste com a vida futura, neste capítulo ele prossegue nos encorajando a olhar para a eternidade, onde está o nosso destino.
Eu desejo meditar sobre as verdades da vida eterna conforme apresentadas nestas palavras do apóstolo Paulo.
1. Em primeiro lugar, o Espírito Santo nos ensina que na eternidade nós seremos revestidos de nossa habitação celestial
vs. 1 e 2
Sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus.  2 E, por isso, neste tabernáculo, gememos, aspirando por sermos revestidos da nossa habitação celestial...
Nestes dois versículos, Paulo usa duas expressões para se referir à nossa “morada neste mundo”: casa terrestre e tabernáculo.
Se compararmos com o contexto, especialmente v. 6, podemos perceber que é uma referência ao nosso corpo, habitação de nosso “eu”, do nosso espírito, do nosso homem interior.
Ele chama este nosso corpo de “tabernáculo”, isto é, uma “cabana”, uma casa feita de algum tecido, rústica mesmo.
Mas no v.1 ele diz que se esta nossa casa se desfizer, isto é, se este nosso corpo for destruído, no céu nós temos, não um mero tabernáculo, temos um edifício, uma casa mais ampla, melhor, mais confortável.
Esta casa que temos no presente é mortal, é sujeita a fraquezas, à decadência. A habitação celestial é imortal, incorruptível.
Em 1ª Co 15, ele escreve que, quando o Senhor Jesus voltar, estes nossos corpos mortais serão revestidos por aquele que é imortal, estes corpos carnais serão revestidos por aquele que é espiritual.
Embora seja algo difícil de descrever, difícil de imaginar, o que podemos dizer com certeza é que seremos incomparavelmente melhores do que somos agora.
João nos diz que seremos semelhantes ao Senhor Jesus, e creio que isto em grande parte também se refere, além de sermos semelhantes a ele em seu caráter santo, ao seu corpo ressurreto.
Mas não posso dizer nada além disto.
Vale a pena lermos 1ª Co 15:40-49
Também há corpos celestiais e corpos terrestres; e, sem dúvida, uma é a glória dos celestiais, e outra, a dos terrestres.  41 Uma é a glória do sol, outra, a glória da lua, e outra, a das estrelas; porque até entre estrela e estrela há diferenças de esplendor.  42 Pois assim também é a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo na corrupção, ressuscita na incorrupção. Semeia-se em desonra, ressuscita em glória.  43 Semeia-se em fraqueza, ressuscita em poder.  44 Semeia-se corpo natural, ressuscita corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual.  45 Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante.  46 Mas não é primeiro o espiritual, e sim o natural; depois, o espiritual.  47 O primeiro homem, formado da terra, é terreno; o segundo homem é do céu.  48 Como foi o primeiro homem, o terreno, tais são também os demais homens terrenos; e, como é o homem celestial, tais também os celestiais.  49 E, assim como trouxemos a imagem do que é terreno, devemos trazer também a imagem do celestial.
Note o maravilhoso contraste: semeia-se na corrupção, ressuscita na incorrupção .
Semeia-se em desonra, ressuscita em glória.
Semeia-se em fraqueza, ressuscita em poder.
E mais: você não terá este corpo espiritual, altamente capacitado, dotado de poder e santidade para ficar tocando “harpinha sentado numa nuvem”; não!
Em Mateus 25, Jesus nos ensina que quem for fiel no pouco, será colocado sobre o muito – a eternidade não é lugar de ócio, mas de trabalho, serviço pleno, desenvolvimento ainda maior das capacidades dadas por Deus e para a glória de Deus.
Se você tem prazer em servir ao Senhor agora, imagine o que será no mundo futuro.
2. Em segundo lugar, o Espírito Santo nos ensina que a eternidade é quando estaremos para sempre com o Senhor
vs. 6-8
Temos, portanto, sempre bom ânimo, sabendo que, enquanto no corpo, estamos ausentes do Senhor; 7 visto que andamos por fé e não pelo que vemos.  8 Entretanto, estamos em plena confiança, preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor.”
Não somente seremos semelhantes a ele, mas estaremos com ele.
Eu não sei explicar completamente este maravilhoso modo de ser, ou estado de alma, chamado amor; pois o amor com que amamos agora é tão imperfeito.
Mas sei que quando amamos alguém, o que mais desejamos é estar com este alguém.
E sei também que quando se é crente, a pessoa mais amada, a mais desejada, aquela de quem mais temos saudade, embora nunca o tenhamos visto, é o Senhor Jesus.
Isto porque ele é a pessoa mais linda, a mais espiritual, a mais santa, consagrada que existe.
Ele é perfeitamente honesto em tudo o que fala; ele é bom, justo, meigo.
Ele é melhor que tudo e todos.
Como está escrito no Salmo 73, a respeito do nosso Deus:
Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra [3].
Tantas vezes em nossa vida diária, não sentimos um “ataque de alegria” ao sentir a presença de Deus naquilo que estamos fazendo, não é?
Tantas vezes, em nossos momentos devocionais a sós, ou quando cantamos, adoramos, oramos juntos, o seu coração se enche de alegria, por você sentir a presença de Jesus, não é?
Pois bem, meu irmão, este sentimento da presença de Jesus não é nada, se comparado com o que será no céu.
Nós o veremos face a face. Nós o ouviremos não apenas em nosso coração. Ele estará diante dos nossos olhos. Sua voz deve ser o som mais lindo do universo.
3. Na eternidade, iremos receber a recompensa de nossas ações
vs. 9,10
É por isso que também nos esforçamos, quer presentes, quer ausentes, para lhe sermos agradáveis.  10 Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo.
Paulo tinha como certo o fato de que, mesmo sendo crentes, salvos por meio da graça de Deus, cada um de nós deverá prestar contas a Deus por tudo quanto tiver feito por meio do corpo
Há dois aspectos deste “comparecer” diante do tribunal de Cristo que podemos observar na palavra de Deus:
3.1. As nossas ações não são o meio através dos quais obtemos a nossa salvação. Somos salvos pela graça, pela misericórdia, pela bondade de Deus
Mas ao mesmo tempo elas demonstram que realmente houve uma transformação espiritual, uma regeneração em nossa alma. E então, neste aspecto, as boas obras, as obras de obediência são uma evidência de que temos verdadeira fé.
Vamos ler Tg 2:19-23
Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios creem e tremem.  20 Queres, pois, ficar certo, ó homem insensato, de que a fé sem as obras é inoperante?  21 Não foi por obras que Abraão, o nosso pai, foi justificado, quando ofereceu sobre o altar o próprio filho, Isaque?  22 Vês como a fé operava juntamente com as suas obras; com efeito, foi pelas obras que a fé se consumou, 23 e se cumpriu a Escritura, a qual diz: Ora, Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça; e: Foi chamado amigo de Deus.
3.2. As nossas obras demonstram a qualidade de nossa vida espiritual, de nosso amor para com Deus, e serão a base sobre qual seremos recompensados na eternidade
1ª Co 2:10-15
Segundo a graça de Deus que me foi dada, lancei o fundamento como prudente construtor; e outro edifica sobre ele. Porém cada um veja como edifica.  11 Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo.  12 Contudo, se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha,  13 manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará.  14 Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão; 15 se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo.
Aqui, o Espírito Santo nos admoesta no sentido de trabalhemos de coração, com zelo e amor, pois estamos construindo para a eternidade.
Então Paulo via nisto um duplo incentivo:
Por um lado, o incentivo a temer a Deus e consequentemente evitar o mal, evitar a prática do pecado.
Por outro, um incentivo à pratica do bem.
Ele não queria chegar diante de Deus para ouvir que sua vida foi relaxada, que seu caráter era frívolo.
Conclusão e aplicação
Assim vimos que neste texto, queridos irmãos, o Espírito Santo nos ensina que na eternidade nós seremos revestidos de nossa habitação celestial: teremos um corpo imortal, sadio e vigoroso.
O Espírito Santo também nos ensina que a eternidade é quando estaremos para sempre com o Senhor: nós o veremos face a face, e desfrutaremos plenamente de sua presença.
Por último, somos ensinados que, na eternidade, iremos receber a recompensa de nossas ações.
1. Se você nasceu de novo, pela fé em Jesus, no poder do Espírito Santo, então você não somente crê, mas deseja a eternidade.
E isto trás algumas implicações para sua vida diária; eu desejo citar algumas:
1. Ânimo
Quando “tudo estiver errado”, lembre-se de que tudo o que há de errado é passageiro: as tentações, os pecados, as fraquezas, as limitações, as enfermidades, as separações, as injustiças, tanto as coisas tristes que acontecem em sua vida como na de outros filhos de Deus.
Todas as nossas tribulações irão acabar, e os sofrimentos do tempo presente não são para se comparar com as alegrias da glória do céu[4].
Então não desfaleça.
2. Amor pelo céu – lá está sua pátria
Nosso destino final não é este mundo presente, com suas riquezas e prazeres ilusórios, que sempre são incapazes de atender aos nossos anseios mais profundos, de amor e comunhão com Deus.
Nosso destino é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.
Então, como um homem que pensa sempre na mulher a quem ama, pense sempre nas coisas do céu, não nas que são aqui da Terra.
Apaixone-se pelas coisas do céu.
Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então o conheceremos na plenitude da sua glória, e seremos glorificados com ele.
3. Seja fiel a Jesus: desenvolva santidade
Faça morrer tudo o que é de sua natureza terrena: impureza, paixões lascivas, desejos malignos, malícias no pensar, maldades no falar, mentiras, pois, por estas coisas é que vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência[5].
4. Pratique o bem – como quem está ajuntando tesouros para a eternidade
“Quem dá aos pobres empresta a Deus”; isto não é apenas um ditado popular; é ensino bíblico [6]. Se você vê uma pessoa necessitada, reparta com ela das coisas que Deus tem dado a você. Dê a quem te pede; não volte as costas ao órfão e à viúva.
Não deixe de perdoar aos que te ofendem. Não deixe de ajudar ao que estiver caído. Não deixe de ser misericordioso.
Não deixe de usar seus dons espirituais; não deixe de amar a igreja e cooperar com ela; não deixe de ser parte do povo de Deus.
Não abandone a sua congregação como fazem alguns, porque o dia da eternidade está agora mais perto ainda.
Não deixe de testemunhar, de falar de Jesus. Não deixe de amar o seu próximo. Não deixe de amar sua esposa, seu marido, seu pai, sua mãe.
Não deixe de orar, de ler a Palavra, não deixe de fazer todo o bem que você conhece.
2. Mas, talvez algum de vocês ainda não seja uma pessoa convertida a Jesus.
Neste caso, eu preciso dizer a você que as delícias da vida eterna não são para todos os homens: são destinadas apenas para aqueles que amam a Deus.
E é claro que isto está totalmente certo: você gostaria de morar eternamente com alguém a quem não ama?
Isto de acordo com o desejo daquele que não crê em Deus: aquele que não crê em Deus não quer viver eternamente com ele, e neste caso, não desfrutará da bem-aventurança eterna.
Mas neste caso, eu preciso também dizer: uma vida eterna sem Deus é um inferno. É tristeza, depressão, solidão, infelicidade, ódio e inveja.
Para que uma pessoa não viva este inferno eterno ela precisa se voltar para Deus, e com isto estou sendo claro: se voltar para Jesus, pois ele é Deus que se fez carne, que veio morar entre nós, para que nós possamos ir morar com ele.
Assim, se você ainda não segue a Jesus, veja que oportunidade abençoada você tem agora: pode crer agora, pode receber a Jesus agora, em seu interior, e pode começar com ele agora, uma jornada que será pela eternidade.

                          Baixe em EPUB     Baixe em PDF     Baixe em MOBI



[1] São Paulo, Mundo Cristão, 2007
[2] Mt 16:24-26
[3] Sl 73:25
[4] Rm 8:18
[5] Cl 3:1-11
[6] Pv 19:17

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Tesouros no céu - Mt 6:19-21


Igreja Evangélica Presbiteriana
Domingo, 24 de junho de 2012
Pr. Plínio Fernandes
Amados irmãos, vamos ler Mateus 6:19-21
19 Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; 20 mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; 21 porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.
As joias feitas com brilhantes e outras pedras preciosas são, por si só, objetos muito bonitos. Mas os joalheiros, a fim de realçar a beleza deles aos nossos olhos costumam colocá-los sobre um fundo escuro de veludo, seja verde, azul marinho ou preto. Assim a beleza deles se torna mais evidente para nós. Da mesma maneira, a Palavra de Deus costuma nos apresentar as suas riquezas, que por si só são lindas, mas que se colocadas em contraste com a escuridade deste mundo ficam ainda melhor realçadas.
No Sermão do Monte, este conjunto de ensinamentos que nosso Senhor e Deus nos dá sobre a maneira como devemos segui-lo, ele frequentemente contrasta o modo errado como muitas pessoas vivem sua religião, com a maneira como ele deseja que vivamos. E assim temos visto Jesus repetidamente nos dizer que não devemos ser como os antigos escribas e fariseus, cuja religiosidade era uma coisa só de aparência, e não de coração. Jesus enfatiza, vez após vez, que é em nosso ser interior, em nosso caráter, que Deus está interessado, e não apenas nas aparências.
Neste texto que temos hoje diante de nós, o Salvador continua a enfatizar o coração. Mas agora ele muda de comparação, e passa a dizer que, assim como não devemos ser como os fariseus, também não devemos ser como os gentios que não conhecem a Deus (6:7, 32). E nos diz que os gentios que não conhecem a Deus é que vivem com o coração nas coisas deste mundo. Mas que a nossa ambição deve ser mais elevada do que simplesmente buscar as coisas que o mundo nos oferece, que devemos erguer os olhos da alma para o céu, acima das vaidades deste mundo, e aspirar às coisas da eternidade.
Vamos considerar o ensino de Jesus nos vs. 19-21, onde ele nos diz para ajuntarmos tesouros no céu.
1. Jesus nos diz que somos “cidadãos de dois mundos”, mas que só um permanecerá
Não acumuleis tesouros sobre a terra onde a traça e a ferrugem corroem, mas ajuntai para vós outros tesouros no céu...
Em outros momentos, ele acrescenta um terceiro lugar, mas não é o caso aqui. E em sua mensagem como um todo, ensina a entender que tanto a terra como o céu são dois lugares muito bons.
1.1. Primeiramente consideremos a terra
A terra, em si mesma, não é de natureza má. No pensamento de Jesus (assim como de toda a Bíblia), a terra, tal como a temos agora, é um lugar muito bom e abençoado.
Mt 5:45
para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos.
6:26-29
26 Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves? 27 Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? 28 E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. 29 Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.
Os pensamentos de Jesus que nos são revelados aqui mostram que a terra é um lugar muito bom porque a cada dia, a cada instante, ela recebe a mais completa atenção de nosso Deus. A terra é governada por ele, é sustentada e mantida por ele, e está cheia da presença dele. Como já estudamos anteriormente, onde quer que nós estejamos, nosso Pai celestial, que vê em secreto, está conosco.
Se estivermos sozinhos em nosso quarto, nosso Pai que vê em secreto está ali. Mas se estivermos no interior de uma caverna, no meio de uma floresta, ou no mais profundo abismo, o Senhor está lá também. Não há lugar algum neste mundo onde estejamos longe da santa e doce presença de nosso Pai.
Ele sabe e nos dá o que necessitamos, atende as nossas orações, perdoa os nossos pecados, abençoa a nossa união como povo de Deus. O fato de nos instruir sobre os relacionamentos familiares, com os irmãos na fé e com os de fora indica que ele está interessado em todas as áreas de nossa vida na terra.
Mas o nosso Pai não cuida, não se preocupa e não ama somente os que são crentes em Jesus. Ele cuida de todos: ele faz vir a luz do sol sobre os justos e sobre os injustos. A todos ele abençoa com o seu calor. Envia a chuva sobre as lavouras dos crentes e dos incrédulos. Dá de comer aos bons e aos maus.
Ama a cada ser humano e da mesma forma nos instrui a que nos amemos também. Da mesma maneira como cuida dos seres humanos, o Pai celestial também cuida dos animaizinhos e das plantas. Cuida até mesmo dos pequenos passarinhos, dando a eles o alimento de que necessitam. Cuida das frágeis flores do campo, às quais concede uma beleza indescritível, pois nem mesmo o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como qualquer delas.
Toda a terra está cheia da glória do Senhor, de seu poder, de sua bondade. Toda a terra, através das obras da providência divina se torna nossa mestra, ensinando-nos que há um Deus poderoso, sábio, benevolente, que cuida de todos. Por todas estas coisas a terra é um lugar maravilhoso.
Mas existem pelo menos duas coisas que tornam a terra um lugar menos desejável
Mt 6:10
venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu...
Se precisamos orar assim, isto quer dizer que nem sempre a vontade Deus é feita na terra. O mesmo nós podemos inferir um pouco mais adiante quando ele nos ensina a pedir o perdão para os nossos pecados e a perdoar aqueles que pecam contra nós. Com estas coisas Jesus vem nos lembrar de que aqui é um lugar onde existe pecado, e com o pecado as suas consequências:
A terra é um lugar onde acontecem injustiças. É um lugar onde os ladrões roubam, e muitas vezes matam. É um lugar onde muitas vezes Satanás faz a sua obra, tentando-nos ao mal, espalhando o joio no meio do trigo, pervertendo o que é direito, disseminando a tristeza, promovendo a discórdia. A terra é um lugar onde acontecem conflitos de relacionamento que nos obrigam a buscar reconciliação, a exercitar humildade e perdão, pois nós mesmos pecamos.
E o que é pecado? É a transgressão da lei que Deus nos dá em seu amor. Veja: Deus nos dá a sua lei porque para o bem da nossa alma, porque ele nos ama. Mas por causa do pecado que ainda reside em nós, mesmo sendo filhos e não desejemos fazê-lo, ainda desobedecemos à lei do amor de Deus. Por isto precisamos orar diariamente: “Pai nosso que estás nos céus,... perdoa as nossas dívidas”...
Agora voltemos a 6:19, 20
19 Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; 20 mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem rouba...
Nosso Senhor e Deus nos lembra que as coisas desta terra, mesmo aquelas às quais nós podemos dar muito valor, são passageiras. Mesmo as coisas mais valorosas da terra, diz o Senhor, não duram para sempre.
Ele usa a palavra “tesouros”. Quando usamos esta palavra, o que vem à nossa mente, em primeiro lugar são coisas de alto valor monetário, como ouro e outros metais preciosos, pedras preciosas. Podemos pensar em dinheiro também; em imóveis. E Jesus nos diz que todos os tesouros deste mundo são efêmeros, destrutíveis, não permanecem para sempre. A traça e a ferrugem corroem. Os ladrões podem roubar.
Então o que nosso Salvador está a nos dizer é o seguinte:
– Olhem, a terra, tal como atemos agora, é um lugar muito bom e abençoado, pois é um lugar onde Deus está presente, amando, cuidando, provendo, sustentando.
– A terra é um lugar onde vocês podem ter comunhão com o Pai celeste a cada dia, a cada momento; é um lugar onde vocês podem servir a Deus, amar aos seus irmãos, amar os que são de fora.
– Mas a terra não é um lugar onde só acontece o que agrada a Deus; também é um lugar onde existe pecado, e como consequência, roubos, traça e ferrugem. A terra, tal como é agora, não vai permanecer.
1.2. E com isto ele nos convida a pensar no céu.
E o que ele fala, aqui e ali, nos traz um vislumbre de quão maravilhoso é o céu: nos caps. 5:16, e 6:9, ele nos diz que devemos nos dirigir a Deus como o nosso Pai que está no céu. O céu é, por excelência, o lugar da habitação de Deus. Em 5:34 nos diz que o céu é o trono de Deus, o lugar onde Deus está assentado. Voltando a 6:10, céu é o lugar onde a vontade de Deus é feita com perfeição. Em 24:36 Jesus nos fala sobre os anjos dos céus.
Como é o céu, então? É um lugar de perfeição. No céu a presença de Deus é percebida com clareza. No céu a vontade de Deus é sempre feita.
Isto significa que no céu não existe pecado, e não existe culpa, nem choro, nem tristeza. Não existem roubos, criminalidade de forma alguma, não existem conflitos pessoais ou entre nações. Não existem enfermidades, necessidades, mentiras, não existe loucura.
O que existe é amor, alegria, paz, perfeição no serviço a Deus, perfeição nas boas obras, perfeição nos relacionamentos. O céu é o lugar de consolo completo, onde descansamos de todas as nossas obras e de todas as nossas aflições. Onde os santos, homens e anjos têm plena comunhão uns com os outros.
Já pensou, que gostoso, contemplar os anjos, como Isaías contemplou os querubins, como Eliseu contemplou os carros de Israel e seus cavaleiros? Como Ezequiel e Daniel? E encontrar Noé, Raquel, Daniel, Débora, Pedro, Maria, José, os nossos antepassados e todos os outros santos a quem amamos e admiramos? Melhor que tudo: ver a Jesus, face a face?
Os escritores do Novo Testamento não conseguem encontrar palavras para descrever a beleza do céu, a grandeza da alegria que se experimenta ali. Paulo diz que o que é falado no céu não dá para ser expresso com palavras da terra; as palavras são inenarráveis. Que ali é o paraíso. E aqui em nosso texto básico, o Senhor diz que, em contraste com a terra, as coisas do céu não são destruídas pela traça e pela ferrugem, não são roubadas pelo ladrão. É alegria eterna. É vida eterna. É saúde eterna. É um tesouro eterno.
Diante disto não fica difícil seguir o pensamento de Jesus...
2. Jesus nos diz que é no céu que nós devemos colocar o nosso coração
– Não acumuleis para vós outros tesouros na terra, mas no céu... porque onde está o vosso tesouro, ai é que está o vosso coração...
– Ainda que as coisas da terra, dadas por Deus sejam boas e prazerosas, o céu é melhor. Que o vosso coração esteja no céu!
Os irmãos se lembram que em todo o Sermão do Monte Jesus está ensinando, repetindo, enfatizando que toda a nossa vida como discípulos dele, ao contrário da religião dos antigos escribas e fariseus, é uma religião do coração.
Uma religião que chega às nossas almas através do ouvir a Jesus, prestar atenção ao que ele diz, entender sua vontade e praticá-la de coração, e não de aparência. Para ver a Deus, ele diz, precisamos ser limpos de coração. É no coração que devemos ser puros, é no coração que devemos amar, é de coração que devemos perdoar, é de coração que devemos falar a verdade. Não podemos ser religiosos de aparência.
E mais uma vez Jesus aponta para o coração: “ajuntai tesouros no céu, porque onde está o vosso tesouro, ai está o vosso coração”, isto é: se o teu tesouro estiver no céu, então é no céu que estará o teu coração.
Agora, o que quer dizer “ter o coração no céu”?
2.1. Significa colocar o nosso amor nas coisas do céu. Significa amar o trono de Deus, amar a vontade de Deus, amar o reino de Deus.
Aliás, mais tarde o apóstolo João iria escrever que o amor pelas coisas do céu é a grande evidência de que o amor de Deus está realmente em nosso coração. Ou, colocando as coisas mais exatamente como João apresenta: se o nosso coração estiver nas coisas deste mundo, enquanto mundo de pecado, o amor do Pai não está em nós.
1ª Jo 2:15-17 - Aqui João nos dá três razões para não amarmos o mundo:
A primeira está no v. 15
Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele
Se alguém amar o mundo, é porque o amor do Pai não está nele; quer dizer: ainda não conhece o amor de Deus.  O amor do Espírito Santo ainda não foi derramado em seu coração; ainda não tem o Espírito Santo. Ainda precisa se converter, aceitar Jesus, nascer do Espírito.
A segunda razão está no v. 16
porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo.
Estas coisas que existem no mundo não vêm de Deus, mas do próprio mundo. E cita quais são elas: a concupiscência da carne (NVI – “cobiça da carne”; NTLH – “os maus desejos da natureza humana”).
A Bíblia Viva interpreta: “loucura pelo sexo”. Mas ainda que os desejos sexuais desenfreados sejam um aspecto dos desejos da carne, eles não se resumem a isto. O desejo de domínio, de poder, seja político, seja religioso, a avareza, a glutonaria, a embriaguês e coisas semelhantes a estas, as coisas que em Gálatas 5:19-21 Paulo chama de obras da carne, são as contempladas aqui, os maus desejos da natureza humana.
A concupiscência dos olhos (NVI – “cobiça dos olhos”; BV – “A ambição de comprar tudo o que atrai vocês”; NTLH – “a vontade de ter tudo o que agrada aos olhos”). A soberba da vida (NVI – “ostentação dos bens”; BV – “orgulho que resulta da riqueza e do prestígio”; NTLH – “orgulho pelas coisas da vida”).
Então veja que João está dizendo: “Se você ama as coisas que há no mundo, se você é controlado pelos desejos da carne; se você não pode ver uma coisa material que já fica querendo; se você é uma pessoa que gosta de ostentar sua posição, seus bens, estas coisas não são de Deus. Não é o amor de Deus que está guiando a tua existência”.
E por último, ele diz que o mundo vai passar, e todos os seus desejos; mas que só vai permanecer para sempre aquele que faz a vontade do Pai.
Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente.
A lógica de Jesus é esta: Se você não colocar o teu amor nas coisas do céu, mas na terra, inevitavelmente estará comprando todo o pacote; estará colocando as coisas más deste mundo também. Ou como ele diz alguns versículos depois: estará querendo servir a dois senhores, e isto não é possível.
2.2. Colocar o coração no céu, além de amar as coisas do céu, também é acreditar, confiar nas coisas do céu.
Aliás, se não acreditarmos nas coisas do céu não temos como colocar nelas o nosso amor. Nem mesmo faz sentido. Então, se você não acreditar que existe o céu, que existe vida eterna, não tem como confiar, isto é, não tem como colocar o seu coração nisto. Você será daquelas pessoas que diz: “Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos; vamos aproveitar e gozar os prazeres deste mundo o mais que nós pudermos, porque depois tudo se acabará”.
Mas se você não acredita no céu, deixe-me apelar para a sua inteligência: quem é reconhecidamente a pessoa mais inteligente, mais sábia, mais amorosa, de melhor caráter e mais influente que já viveu neste mundo? E se você conhece um pouco de história você responderá: “Jesus Cristo”.
Um passo adiante: Jesus acreditava no céu? Acreditava na existência de Deus? Acreditava na existência das nossas almas, e na nossa necessidade de salvação? Acreditava na vida eterna? Ele acreditava tanto que deu a sua vida na cruz, para levar sobre si o castigo dos nossos pecados, para nos dar salvação eterna, para nos levar para o céu.
E ele não somente acreditava, mas provou completamente que estava certo, ao ressuscitar de entre os mortos. Não era um lunático. Era de fato o Filho de Deus. Então, se você usar a sua mente, verá que crer em Cristo, e crer no céu e em tudo o que Jesus diz é uma atitude sensata, razoável e racional. Colocar o coração no céu significa confiar nas coisas de lá.
2.3. Também, colocar o coração no céu significa colocar lá a nossa esperança, os nossos pensamentos, e não nas coisas desta vida. Do contrário, como disse Paulo, seremos os mais miseráveis dos homens.
Significa entender que lá é a nossa Pátria, que neste mundo somos apenas peregrinos e forasteiros, que estamos apenas de passagem. Significa nos unirmos aos nossos antepassados na fé e entender que aqui não temos cidade permanente.
Este entendimento nos fortalece a esperança, de tal modo que enquanto estamos neste mundo, longe de nos tornarmos pessoas desanimadas, nos animamos para fazer o nosso melhor em tudo, mas para honrar a Deus, e não por amor aos tesouros deste mundo que passa. Trabalhamos e estudamos para acumular tesouros no céu. Cuidamos da família pensando no céu: em nossas almas, dos nossos cônjuges, nas almas de nossos filhos, na vida eterna.
E quando as coisas desta vida aqui nos desiludem, quando nos desiludimos até mesmo conosco, com a nossa falta de espiritualidade, nós reerguemos a cabeça, olhamos para o céu e seguimos em frente, sabendo que é na perseverança que ganharemos as nossas almas.
3. Jesus nos diz como colocar o nosso coração no céu
Ajuntai para vós outros tesouros no céu, pois onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração...
Ajunte lá o teu tesouro, e então lá estará o teu coração. Invista os teus recursos nas coisas do céu, invista o teu tempo, invista os teus dons e talentos nas coisas eternas. De certa maneira, significa usar toda a nossa vida nas coisas eternas. Mas eu quero citar algumas mais específicas:
3.1. Investir em nosso crescimento espiritual
Gl 6:7, 8
7 Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará.8 Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna.
No momento eu não vou me estender ao contexto maior em que Paulo está dizendo estas coisas (o capítulo todo). Quero apenas destacar este fato inevitável: nós colhemos aquilo que plantamos. Se plantarmos sementes de maçãs, colheremos maçãs, e assim por diante. Se plantarmos sementes de coisas carnais em nossa vida, da carne colheremos coisas carnais. Plante pensamentos carnais, desejos carnais, propósitos carnais, e é isto que você colherá, mas não pequenas sementes plantadas; colherá árvores inteiras, cheias de maus frutos.
Se plantarmos coisas espirituais, do Espírito colheremos vida eterna. Então plante pequenas sementes através de suas orações diárias. Plante colocando Bíblia em sua mente. Plante vindo à igreja. Você está semeando para a vida eterna.
3.2. Investindo na salvação de almas
1ª Ts 2:19, 20
19 Pois quem é a nossa esperança, ou alegria, ou coroa em que exultamos, na presença de nosso Senhor Jesus em sua vinda? Não sois vós? 20 Sim, vós sois realmente a nossa glória e a nossa alegria!
Paulo está escrevendo a pessoas a quem teve o privilégio de pregar o Evangelho e ganhar para a fé em Jesus. E com o coração cheio de amor ele diz que estas pessoas, entre outras coisas, serão a sua coroa, isto é, o seu prêmio no dia em que Jesus voltar para buscar sua igreja.
Não é realmente uma alegria indizível, uma riqueza incomparável, ali na eternidade você olhar para alguém e pensar: aquela pessoa está aqui porque eu falei de Jesus para ela, ou porque eu entreguei meus dízimos na igreja e a igreja pode prosseguir em sua obra anunciando a Cristo, ou porque eu orei por ela?
3.3. Investindo na edificação da igreja
1ª Co 3:10-15
10 Segundo a graça de Deus que me foi dada, lancei o fundamento como prudente construtor; e outro edifica sobre ele. Porém cada um veja como edifica. 11 Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo. 12 Contudo, se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, 13 manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará. 14 Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão; 15 se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo.
Se você ler desde o v. 1 deste capítulo, verá que o apóstolo Paulo está dizendo que a igreja, entre outras coisas, é um edifício de Deus, que Jesus é o fundamento, o alicerce, e que cada um de nós, através dos nossos dons, somos os construtores.
Agora, cada um de nós precisa atentar para o tipo de material que usa em sua obra. Se você construir a sua obra com palha, no dia do juízo ela será destruída. Mas se construir com materiais nobres, no dia do juízo ela permanecerá.
O que Paulo está dizendo é que você deve trabalhar para a edificação da igreja fazendo o melhor que você puder, fazendo com fidelidade, promovendo a unidade da igreja, procurando o bem dos irmãos. Se fizer assim, receberá o seu galardão. Está ajuntando tesouros no céu.
3.4. Investindo no ministério pastoral
Mt 10:40-42
40 Quem vos recebe a mim me recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou. 41 Quem recebe um profeta, no caráter de profeta, receberá o galardão de profeta; quem recebe um justo, no caráter de justo, receberá o galardão de justo. 42 E quem der a beber, ainda que seja um copo de água fria, a um destes pequeninos, por ser este meu discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão.
Veja: você pode não ser um pregador da Palavra, mas ter um galardão tão grande quanto. Para isto, Jesus ensina, trate-o com honra, como um homem de Deus. Então você será recompensado. Até um copo de água fria, isto é até as pequenas coisinhas que você faz por alguém pertencer a Jesus não passa despercebido aos olhos de Deus, e ele as recompensa. Quando Jesus vier, o seu galardão estará com ele, para dar a cada um segundo as suas obras.
3.5. Investindo no cuidado com os necessitados
Mt 19:21
Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me.
Sempre que tocamos neste assunto, temos que tomar o cuidado de enfatizar que não é porque praticamos boas obras que conquistamos a nossa salvação. Não há preço algum que possamos pagar pelo perdão dos nossos pecados. Não há boa obra alguma que possamos fazer, para que nos tornemos merecedores do céu.
Só vamos para o céu pela graça de Deus, porque Jesus deu o seu sangue na cruz, sofrendo em si mesmo o castigo dos nossos pecados. Mas as nossas obras evidenciam a nossa fé, mostram onde está o nosso coração, falam tão alto quanto os nossos lábios qual é a nossa esperança. As nossas obras demonstram se somos pessoas regeneradas ou não.
Então Jesus diz a este homem rico: vende o que tens (desapegue-se), dá aos pobres, e terás um tesouro no céu.  Nós sabemos que não é um mandamento específico a todos os homens, mas Jesus queria mostrar a ele onde estava verdadeiramente o seu coração. Aquele homem que com a boca professava sua fé, seu amor e obediência à Palavra, com o seu gesto mostrou a verdade: afastou-se triste, pois amava aos seus bens.
E há mais uma verdade aqui: o coração regenerado ajuda aos outros em suas necessidades. Por isto naquele dia Jesus dirá que toda a vez que damos comida ao faminto, roupas aos necessitados, água aos sedentos, é a ele que estamos fazendo estas coisas. Estamos ajuntando um tesouro no céu.
Conclusão e aplicação
Sonde o seu coração:
1. Você quer ir morar no céu?
As coisas as terra não são para sempre. A nossa vida na terra não é para sempre. Mas como eu já disse anteriormente, o céu e a terra não são as únicas possibilidades.  Embora aqui o Senhor esteja falando especificamente sobre o céu, neste mesmo sermão ele diz que muitos não irão para lá.
Mt 7:21
Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.
Para onde irão? Para aquele lugar onde Jesus já havia mencionado algumas vezes antes.
Voltemos a 5:30
E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo para o inferno.
Você crê em Jesus? Jesus nos diz que o inferno é uma realidade. Então volto a perguntar: Você quer ir para o céu?
2. Onde você tem colocado o seu coração?
Nas coisas do céu ou nas coisas deste mundo? O que você deseja? O que você ama? As coisas do céu ou as obras da carne?  Em que você confia? Nas coisas do céu ou nas coisas desta vida? O que você anseia? Onde estão os teus tesouros?
3. Você está ajuntando tesouros no céu?
Está trabalhando para isto?  Está investindo na sua vida espiritual? Está investindo no reino de Deus, na igreja? Está ministrando amor e compaixão aos necessitados? No que você está gastando o seu tempo, o seu dinheiro, os seus bens?
Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.

domingo, 14 de abril de 2013

Vida após a vida - Lc 16:19-21

Itapetininga, 14 de abril de 2013
Pr. Plínio Fernandes
Queridos, eu quero ler com vocês Lucas 16:19-31
19 Ora, havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo e que, todos os dias, se regalava esplendidamente.20 Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele;21 e desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as úlceras.22 Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado.23 No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio.24 Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.25 Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos.26 E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós.27 Então, replicou: Pai, eu te imploro que o mandes à minha casa paterna,28 porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de não virem também para este lugar de tormento.29 Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos.30 Mas ele insistiu: Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão.31 Abraão, porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.
Nosso Senhor veio ao mundo para glorificar a Deus através da salvação de pecadores, de homens perdidos. Tudo o que Jesus fez e falou foi com este propósito em mente.
E aqui neste texto ele conta uma estória, através da qual nos ensina o caminho da salvação. É uma estória sobre dois homens, cujas vidas foram completamente diferentes, e cujas almas tiveram destinos completamente diferentes também: o rico e Lázaro.
O rico desfrutava de tudo o que há de bom que este mundo pode oferecer: morava numa ótima casa. Vestia-se da melhor maneira. Alimentava-se bem. A cada dia deleitava-se em tudo quanto possuía. Em todas estas coisas não há pecado algum.
Mas na porta de sua casa havia um mendigo, que era completamente desprezado pelo homem rico; o homem rico não sentia a menor piedade, não era movido pelo menor gesto de compaixão - não amava o seu próximo, nem a Deus.
O mendigo, por sua vez, era completamente desprezado, rejeitado.
Um dia, ambos morreram, e a situação deles foi invertida: o rico foi levado para um lugar de tormentos, e Lázaro, o mendigo, para um lugar de consolo.
Ali, naquele lugar de sofrimento, o homem rico não conseguia nem um pouco de alívio, de refrigério, e sofria ainda mais sabendo que seus cinco irmãos, que ainda estavam vivos, poderiam ir para onde ele estava, mas embora desejasse, não havia nada que pudesse fazer para livrá-los.
O propósito de Jesus é nos ensinar o caminho da vida eterna, da salvação. O que esta estória nos ensina?
1. Que a morte física é inevitável
O homem não é eterno sobre a terra. Morrem ricos e pobres. Homens e mulheres. De todas as raças. Pode ser por idade avançada, pode ser por enfermidade, pode ser por um evento trágico..
Na maioria das vezes, a morte é súbita, repentina, inesperada. Uma pessoa pode morrer aos 90, aos 45, aos 32, aos 16 anos. O pó volta à terra, como era.
No entanto, a morte biológica não significa o fim da existência consciente; ao contrário...
2. A morte biológica torna-se uma passagem, o despertar para a eternidade
As almas humanas são imortais. O espírito continua a existir, consciente, capaz de sentir alegria ou tristeza, felicidade ou sofrimento. Após a morte, o homem colhe tudo o que semeou durante sua existência neste mundo.
Você é uma alma imortal. E diante de cada alma imortal, existem duas possibilidades dois destinos possíveis:
2.1- O céu, o paraíso - o “seio de Abraão”
O mendigo morreu e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão.
“Ficar recostado no seio” era uma posição de intimidade e afeição entre amigos nos banquetes antigos. Os amigos íntimos ficavam aconchegados, como João, o discípulo amado, diz que recostou-se sobre o peito de Jesus, no dia da última Páscoa que eles estavam celebrando antes da crucificação.[1]
A Bíblia testemunha de Abraão, homem cheio de fé, amigo de Deus, pai espiritual de todos os que creem em Jesus Cristo - quando ele morreu, sua alma foi para a presença de Deus. E quando Lázaro morreu, foi levado para o mesmo lugar que Abarão - o paraíso. Ali os seus sofrimentos cessaram, tornaram-se coisas do passado: a fome, as enfermidades, as necessidades, o desprezo, a rejeição.
Antes, jogado entre os cães; agora, digno e honrado. Ali estava consolado. O céu é o lugar de nossa plena realização como seres humanos. É o lugar da presença de Deus. Como Paulo disse: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano, o que Deus tem preparado para aqueles que o amam”.[2]
O céu é o lugar onde o homem, criado por Deus, para glorificá-lo e gozá-lo para sempre, experimenta isto em toda a sua intensidade.
2.2 - Mas o paraíso não é a única possibilidade aberta diante do espírito dos homens
Jesus nos conta que o homem rico também morreu e não foi levado pelos anjos para o seio de Abraão. Não foi para o céu, não encontrou a paz eterna. Foi lançado num lugar de tormentos. Viu-se “subitamente aniquilado de terror”.[3]
Como tantos já disseram, “Se eu pudesse, anunciaria esta novidade: ‘o inferno é uma invenção dos padres para manter o povo sujeito a eles. O inferno não existe.’ Mas não posso, pois seria mentira”.
Mais do que qualquer pessoa, Jesus ensinou sobre a realidade do inferno, aquele lugar horrível, de sofrimento, dor e frustração, para o qual foi o homem rico.
2.2.1 - Jesus disse que é um lugar de fogo inextinguível
Mc 9:43
E, se tua mão te faz tropeçar, corta-a; pois é melhor entrares maneta na vida do que, tendo as duas mãos, ires para o inferno, para o fogo inextinguível
É fogo que não se apaga; é pior que o fogo físico, pois faz queimar a alma. É aquilo que pode causar maior dor e destruição. Exprime a situação desoladora do homem banido da presença de Deus, condenado à convivência com espíritos imundos, endurecido no ódio, no mal, no pecado.
2.2.2 - Onde o verme não morre
Mc 9:48
Onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga.
Como um verme que come cadáveres, e que jamais se sacia. Corrói a paz, a alegria, o amor. É o verme da má consciência, atormentada, que transforma o interior humano num poço de infelicidade.
2.2.3 - É um lugar de choro e ranger de dentes
Lc 13:28
Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes, no reino de Deus, Abraão, Isaque, Jacó e todos os profetas, mas vós, lançados fora.
O homem chora quando é acometido por uma dor violenta, física ou emocional, no corpo ou no coração. Range os dentes de raiva, quando diante de algo que não pode mudar. No inferno não há esperança, saída, refrigério.
2.2.4 - É um lugar de trevas
Mt 22:13
Então, ordenou o rei aos serventes: Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes.
O que o homem deseja é luz, aconchego, abrigo contra a noite escura; no inferno não há proteção. É morte. Morte consciente.
2.2.5 - A razão de ser do inferno
Mt 25:41
Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos.
Foi preparado para o diabo e seus anjos. Deus não tem prazer em lançar os homens no inferno, mas fará isto. Como pode fazer isto? Como pode Jesus falar assim? Não é Deus amor? Não é Jesus a maior expressão do amor de Deus? Como pode Jesus falar de maneira tão severa, a respeito de algo tão aterrorizador?
Justamente porque Deus é amor. Não tem prazer em que os homens se percam ali, e então nos diz a verdade, adverte do perigo, repreende, ameaça, chama os homens à responsabilidade, antes que seja tarde.
3. Jesus então nos ensina o caminho do céu
3.1 - Não é por mensagens enviadas ou ensinadas por espíritos dos que já morreram
O rico não pode voltar. E Deus não enviou ninguém dentre os mortos. Consultar os mortos é uma prática que Deus proíbe. [4] A Bíblia adverte que os que praticam estas coisas não verão o reino de Deus.[5] Uma pessoa só pratica estas coisas se não acredita em Jesus Cristo.
3.2 - Não é algo que se consegue após a morte
Ali não há segunda chance. Há um grande abismo, intransponível. Não há como diminuir o tormento. Não resolvem orações, intercessões do mundo dos vivos - não existe purgatório, não existe reencarnação.
Hb 9:27
E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo
3.3 - Qual o caminho?
v. 29
Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos.
Aquele indicado pela lei e os profetas. Ouçam creiam nas Sagradas Escrituras.
O que elas ensinam:
Lc 24:44-47
44 A seguir, Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. 45 Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras; 46 e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia 47 e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém.
As Escrituras nos ensinam da morte de Cristo por nossos pecados. Da sua ressurreição. A necessidade de arrependimento para o perdão dos pecados.
Aplicação
Vejamos alguma implicações deste ensino de Jesus:
1. Se você pertence ao número daqueles que têm ouvido as Escrituras, têm se arrependido, têm fé no Senhor Jesus Cristo, está vivendo em amor a Deus e ao próximo
Este ensino é uma palavra de encorajamento. Continue a ouvir, a crer, a amar, a obedecer, a orar. Viva para Deus, para a sua glória - Há uma recompensa aguardando no céu.
É também uma palavra de consolação. Um dia você será levado pelos anjos à presença de Deus. E ele dirá: “Bem está, servo bom e fiel, entra no gozo do teu Senhor”.[6]
Uma palavra de exortação à oração e à evangelização de seus amigos e parentes que não crêem. Eles correm grande perigo. Ficar quietos? Não falar nada? Dormir? Como poderíamos dormir se a casa ao lado estivesse sendo destruída pelo fogo, e pessoas morrendo queimadas? Como poderíamos permanecer ociosos, vendo nossos queridos caminhando para o inferno? Devemos clamar a Deus e aos homens, incomodar, se for preciso.
2. Mas se você é daqueles que não obedecem à Palavra de Deus, não creem em Jesus, submetendo-se a ele, não vivem para Deus, mas ao contrário, busca seus próprios interesses e desejos...
Este ensino é uma palavra de advertência quanto ao seu destino. Você está caminhando para um lugar de choro, frustração, ódio, desespero e dor - o inferno.
É também uma palavra de amor. Deus está lhe oferecendo perdão, salvação. Deus não tem prazer na morte do pecador. Enviou Jesus para salvar os que nele creem.
É uma chamada ao arrependimento, à fé. Abandone seus pecados, deixe os seus caminhos errados. Para que fazer tudo o que você quer, ganhar o mundo inteiro, e perder a sua alma? Converta-se ao Senhor Jesus. Ele o acolherá com amor e alegria.




[1] Jo 13:25
[2] 1ª Co 2:9
[3] Sl 73:18,19
[4] Dt 18:10-13; Is 8:19
[5] Gl 5:19-21
[6] Mt 25:21

▲Topo