Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

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domingo, 18 de junho de 2017

Os familiares de Jesus - Mt 1:24, 25

Pr. Plínio Fernandes
Mt 1:24, 25

24 Despertado José do sono, fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu sua mulher.  25 Contudo, não a conheceu, enquanto ela não deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Jesus.
Mateus 1:18 nos diz que Maria estava desposada com José, quer dizer, era sua noiva prometida em casamento.
Mas conforme o cap. 1 do Evangelho de Lucas nos informa, Maria foi passar uns tempos na casa de sua prima Isabel, que ficava nas montanhas, e quando voltou estava grávida, de pelo menos três meses.
Diante disto, José resolveu romper o contrato de noivado, mas secretamente, para que Maria não fosse difamada.
Mas um anjo do Senhor apareceu a José em sonho, e o tranquilizou, dizendo que ele não fizesse isto, mas que recebesse Maria como sua esposa, pois o bebezinho que ela estava esperando havia sido gerado pelo Espírito Santo de Deus, e este menino seria Deus entre os homens, trazendo salvação, o perdão dos pecados do seu povo.
Os vs. 24 e 25 nos contam que, em obediência à palavra de Deus que lhe foi dada através do anjo, José recebeu Maria como sua mulher.
No entanto, mesmo sendo já sua esposa, aos olhos da lei, eles não consumaram a relação conjugal enquanto Maria não deu luz o seu filho.
Entre outras coisas, o texto está nos dizendo que, depois disto, o relacionamento conjugal entre José e Maria passou a ser o comum entre os casais.
E mais tarde a Bíblia também nos mostra que deste relacionamento houve os frutos da bênção que Deus colocou sobre a humanidade desde o Jardim do Éden, isto é, eles tiveram filhos.
Nós não temos um texto na Bíblia que tenha como alvo principal o falar sobre a família terrena de Jesus, especialmente seus irmãos.
Temos textos em que eles aparecem incidentalmente, pois faziam parte da cena como um todo.
Mas mesmo assim, creio que há lições importantes que podemos aprender com os poucos registros sobre eles.
Então desejo ler com os irmãos os textos que citam a família do Senhor, e depois destacar algumas breves lições para nós.
Os textos que nos falam dos irmãos de Jesus
Os filhos de José e Maria são chamados especificamente pelos nomes em dois textos: Marcos 6:3 e Mateus 13:55, 56. Os dois textos são paralelos. Eles nos dizem que Jesus estava na cidade de Nazaré, onde crescera.
Era um sábado. Ele entrou na sinagoga, e como era já conhecido como um pregador da Palavra de Deus, foi-lhe dada oportunidade.
Então ele leu o profeta Isaías, e começou a dizer que era o Cristo prometido nas profecias (Cf. Lucas 4:16 e segs.)
A reação das pessoas está descrita aqui Mc 6:3
Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão? E não vivem aqui entre nós suas irmãs? E escandalizavam-se nele.
O sentido óbvio deste texto é no sentido de que estas pessoas aqui mencionadas são irmãos de Jesus, filhos de Maria. O texto paralelo em Mateus nos diz que o Senhor Jesus era filho do carpinteiro.
Agora, em João 7:5, nós lemos que, durante certo tempo, não somente os concidadãos, mas também os próprios irmãos de Jesus nutriam este sentimento de incredulidade em relação a ele.
Jo 7:1-5
Passadas estas coisas, Jesus andava pela Galiléia, porque não desejava percorrer a Judéia, visto que os judeus procuravam matá-lo.  2 Ora, a festa dos judeus, chamada de Festa dos Tabernáculos, estava próxima.  3 Dirigiram-se, pois, a ele os seus irmãos e lhe disseram: Deixa este lugar e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes.  4 Porque ninguém há que procure ser conhecido em público e, contudo, realize os seus feitos em oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo.  5 Pois nem mesmo os seus irmãos criam nele.
Os irmãos percebem o tom de provocação nas palavras dos irmãos de Jesus.
Acho que isto em grande parte era por causa da familiaridade: imagine que você crescesse ao lado de um irmão que, embora fosse sempre uma pessoa de boa índole, você sempre tivesse conhecido como seu irmão, de carne e osso, filho de seus pais.
E de repente, por volta dos trinta anos de idade, este irmão começa a dizer que ele é o Cristo, enviado por Deus para a salvação do mundo.
Penso que não é sem motivo que a certa altura os parentes de Jesus chegaram a pensar que ele estava fora de si (Mc 3:21).
Mas depois, tudo aconteceu como Jesus realmente dissera:
Ele foi a Jerusalém, foi crucificado e ressuscitou ao terceiro dia, e subiu ao céu, diante de dezenas de pessoas, ordenando que ficassem em Jerusalém até que a promessa do Pai, o Espírito Santo, viesse sobre eles.
E os discípulos ficaram na cidade, como Jesus ordenou.
E Maria, e os irmãos de Jesus, estavam entre os que ficaram em Jerusalém, aguardando a promessa do Pai.
At 1:14
Todos estes perseveravam unânimes em oração, com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele.
Exatamente quando se deu esta mudança a Bíblia não diz.
Mas em 1ª Co 15:7 Paulo escreve que depois de sua ressurreição, além dos doze, Jesus apareceu a muitos outros discípulos, e também para Tiago.
Dificilmente Jesus deixaria de se manifestar a Maria, a sua mãe a quem ele tanto amava, e aos seus irmãos.
Pode ser que Tiago tenha vindo a crer depois que Jesus ressuscitou; pode ser que tenha sido antes.
Mas o fato é que os irmãos de Jesus, assim como Maria, estavam lá, no dia do Pentecostes, quando o Espírito Santo foi enviado do céu.
E em 1ª Co 9:5 nós lemos que, assim como os apóstolos, eles se tornaram pregadores do Evangelho
1ª Co 9:3-5
3 A minha defesa perante os que me interpelam é esta: 4 não temos nós o direito de comer e beber?  5 E também o de fazer-nos acompanhar de uma mulher irmã, como fazem os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas?
E dos quatro irmãos do Senhor, Tiago, que pela ordem em que os nomes aparecem na Bíblia, deve ser o mais velho, tornou-se uma das pessoas mais proeminentes.
Vamos ler Gl 1:18, 19
 18 Decorridos três anos, então, subi a Jerusalém para avistar-me com Cefas e permaneci com ele quinze dias; 19 e não vi outro dos apóstolos, senão Tiago, o irmão do Senhor.
Paulo está escrevendo sobre os primeiros contatos que teve com os crentes de Jerusalém, depois de sua conversão.
Foi nesta ocasião que se encontrou com Tiago, que estava entre os apóstolos.
Gl 2:9
E, quando conheceram a graça que me foi dada, Tiago, Cefas e João, que eram reputados colunas, me estenderam, a mim e a Barnabé, a destra de comunhão, a fim de que nós fôssemos para os gentios, e eles, para a circuncisão
Tiago reputado, junto a Cefas (Pedro) e João, coluna da igreja em Jerusalém.
E este reconhecimento era algo que já vinha desde os primeiros dias:
Voltemos a Atos 12:16, 17
Entretanto, Pedro continuava batendo; então, eles abriram, viram-no e ficaram atônitos.  17 Ele, porém, fazendo-lhes sinal com a mão para que se calassem, contou-lhes como o Senhor o tirara da prisão e acrescentou: Anunciai isto a Tiago e aos irmãos. E, saindo, retirou-se para outro lugar
No contexto anterior nós lemos que o rei Herodes havia mandado matar o apóstolo Tiago, irmão de João, e isto agradou o povo.
Então Herodes também mandou prender a Pedro, com o mesmo propósito.
Mas a igreja se dedicou a orar em favor de Pedro, e ele foi liberto, de modo miraculoso.
E quando se viu livre, uma das primeiras preocupações de Pedro era que Tiago fosse avisado. Isto já nos dá um pequeno vislumbre a importância de Tiago para Pedro.
A próxima referência é Atos 15, que relata a reunião de apóstolos em presbíteros em Jerusalém, para resolver uma controvérsia doutrinária: sobre como deveriam se comportar os gentios convertidos a Jesus.
 E a pessoa chave na solução da controvérsia foi Tiago.
At 15:13 (e segs.)
Depois que eles terminaram, falou Tiago, dizendo: Irmãos, atentai nas minhas palavras:...
Depois o texto segue dizendo que ele expos os fatos à luz das escrituras, fez uma proposta no sentido de que fossem enviadas cartas às igrejas dos gentios esclarecendo a questão, a sua proposta foi aceita e seguida.
A última referência que temos de Tiago em Atos está no cap. 21
At 21:17-19
17 Tendo nós chegado a Jerusalém, os irmãos nos receberam com alegria.  18 No dia seguinte, Paulo foi conosco encontrar-se com Tiago, e todos os presbíteros se reuniram.  19 E, tendo-os saudado, contou minuciosamente o que Deus fizera entre os gentios por seu ministério.
E depois que Paulo conta sobre o desenvolvimento de seu ministério, os irmãos, sob a liderança de Tiago, dão instruções sobre como ele deveria se conduzir em Jerusalém, para dirimir algumas dúvidas e cessar rumores contra ele que circulavam por ali.
De fato, Tiago era uma das colunas da igreja, como disse Paulo.
Eu quero ler apenas mais duas referências com os irmãos:
Tg 1:1
Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos que se encontram na Dispersão, saudações
No tempo em que esta carta foi escrita, muitas pessoas estavam distorcendo a doutrina da salvação pela fé, e dizendo que independente do nosso comportamento, basta que tenhamos fé em Jesus, e estamos salvos.
Então esta carta foi escrita para dizer que a verdadeira fé em Jesus nos leva a uma vida de boas obras.
Bem, a esta altura da história, só havia um Tiago na igreja que bastava dizer o seu nome para as pessoas saberem de quem se tratava, e era Tiago, o irmão do Senhor.
Esta é uma das várias razões pelas quais desde os tempos mais antigos a igreja entende que foi ele que escreveu esta carta.
Mas veja como ele se apresenta: Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo.
A outra referência que eu quero citar é Jd 1:1, 2
Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, aos chamados, amados em Deus Pai e guardados em Jesus Cristo, 2 a misericórdia, a paz e o amor vos sejam multiplicado.
Da mesma forma que Tiago, Judas escreveu para combater a falsa doutrina que destrói a graça, colocando em seu lugar uma vida sem lei para com Deus.
E Judas se apresenta como irmão de Tiago: da mesma forma, só havia um Tiago que poderia ser conhecido apenas pelo citar do seu nome.
E só há um lugar na Bíblia em que temos dois irmãos com estes nomes: é aquele em que são citados os nomes dos irmãos de Jesus.
Depois disto, a Bíblia não nos fala mais sobre os irmãos do Senhor. Eles são citados pelos historiadores como homens santos, dedicados à pregação e à oração.
E no decurso da história posterior, seus nomes desaparecem.
Não sabemos quem foram seus descendentes.
2. As lições que desejo destacar
1. A santidade do trabalho, mesmo os mais simples.
Jesus era carpinteiro. José, o pai de Jesus, era carpinteiro. Era um costume na antiguidade, o de os pais ensinarem sua profissão aos filhos, e assim se passava de geração em geração.
Há professor de Novo Testamento muito conceituado, o Prof. Joachim Jeremias, que diz que os carpinteiros estavam entre as profissões desprezadas entre a elite religiosa de Israel, assim como os pastores e outras profissões humildes.
Quando o Senhor Deus criou nossos pais no Jardim do Éden, criou-os para trabalhar. Pois criou-os à sua imagem e semelhança, e ele é um Deus que trabalha.
Quando trabalhamos, quer o nosso trabalho seja mais manual, ou mais intelectual (de qualquer forma usamos nosso corpo), estamos honrando a Deus, ao refletir a sua imagem em nosso modo de viver.
Então tenha prazer no seu trabalho, santifique o seu trabalho, honre o seu trabalho, por mais humilde que seja.
2. A santidade do relacionamento conjugal
José e Maria tiveram, além de Jesus, quatro filhos homens e pelo menos duas filhas.
Quando Deus criou nossos pais no jardim do Éden, ele os abençoou para que fossem fecundos, se multiplicassem, enchessem a terra e a governassem, cuidando das plantas e dos animais.
Assim como o trabalho, vida conjugal é uma coisas santa e abençoada por Deus. Fomos criados para as duas coisas, e nisto refletimos a imagem de Deus.
Então valorize a sua vida conjugal. Desfrute a vida conjugal. Alegre-se com o seu cônjuge, seu amigo e companheiro da tua aliança.
Se você é solteiro, não se envergonhe de desejos e de desejar a vida conjugal. Você foi criado por Deus desta maneira. Busque um casamento santo, como o de José e Maria.
Se você é filho, valorize a vida conjugal dos seus pais. Não queira a atenção deles toda voltada para você. Ajude-os a cultivar o seu santo relacionamento, permitindo-lhes tempo um para o outro.
3. A importância dos laços familiares
No começo, nem Judas, nem Tiago, nem qualquer de seus irmãos e irmãs, criam no Senhor Jesus; até o provocavam.
Mas nós vemos que mudaram.
No pentecostes, todos estavam lá, convertidos.
Todos se tornaram pregadores.
Tiago tornou-se uma das pessoas mais proeminentes na igreja, homem de oração.
E dois escreveram duas importantes epístolas. Eu acho muito interessante o estilo de Tiago falar em sua carta. Ela é muito parecida com o “Sermão do Monte” (Mateus capítulos 5 a 7). Parece que Tiago aprendeu com o modo de Jesus falar. Talvez ambos tenham aprendido de José, ou Maria.
Nas duas epístolas, de Tiago e Judas, nós vemos a unção do Espírito Santo, o conhecimento de Jesus, da Bíblia, e a humildade, tanto diante do Senhor Jesus, como da igreja. Pois ambos se apresentam servos de Jesus, e não revindicam algum grau de parentesco, a fim de reforçar sua autoridade. A autoridade deles vem do fato de serem servos de Jesus, e nada mais.
Ora, amado, não despreze os laços familiares. Talvez as pessoas de sua casa, ou de sua família, agora, não sejam ainda servos do Senhor. Mas podem vir a ser. Como aconteceu com os irmãos do Senhor Jesus.
Mas de qualquer forma, não se canse de fazer o bem aos seus familiares, de amá-los, de testemunhar da graça de Deus.

domingo, 27 de novembro de 2016

Como uma criancinha satisfeita - Sl 131

IPC de Pda. de Taipas
Manhã de Domingo, 27 de novembro de 2016
Pr. Plínio Fernandes
SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim.  2 Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo.  3 Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.
De acordo com o título em nossas Bíblias este salmo foi escrito por Davi, um dos homens mais notáveis, um dos nomes mais memoráveis de toda a história da humanidade.[1]
Davi é um dos homens mais importantes na história de Israel em particular – ele foi um grande rei, que livrou a nação da opressão constante de muitas nações inimigas, e deu descanso, preparando o caminho para a prosperidade nos dias de seu filho Salomão.
E Davi também é importante na história da redenção do mundo. Ele foi um profeta, que escreveu grande parte da Bíblia, inclusive profecias que se referiam a Jesus, e citadas várias vezes no Novo Testamento. Suas experiências espirituais foram registradas na Bíblia a fim de inspirar o povo de Deus em suas próprias experiências.
E além disto,  a Bíblia sempre nos lembra de que Jesus, o nosso Salvador, é o descendente prometido de Davi, que traria um reino de paz e justiça eternas. Este reino, muitas vezes na Bíblia é chamado “trono de Davi”. Assim, Davi figura entre os “instrumentos” escolhidos e usados de Deus na história da redenção.
Ser um grande rei de Israel não era uma coisa com a qual Davi havia sonhado, nem uma coisa que buscou.
Um dia, ainda jovenzinho, enquanto estava cuidando das ovelhas de seu pai, foi chamado em casa. E quando chegou, Samuel, um profeta do Senhor o aguardava. Então Samuel tomando um chifre de azeite, derramou-o sobre a cabeça do jovem, e desta forma o ungiu como rei.
Mas este reinado não foi assumido imediatamente. Somente alguns anos mais tarde, depois de muitas idas e vindas e reviravoltas da vida, ele foi primeiramente reconhecido como rei de Judá, e anos mais tarde, de todo o Israel.
Enquanto isto, no dia seguinte, Davi voltou para o campo a cuidar das ovelhas do seu pai. Com fé em Deus e dedicação.
E Davi também jamais pensou em ter um reino eterno. Mas um dia enquanto pensava em edificar uma casa para a arca de Deus, o Senhor Deus veio a ele, através de outro profeta, o profeta Natã, e lhe disse: – Eu é que edificarei tua casa, através da tua descendência. O teu trono permanecerá para sempre.
Então Davi se prostrou diante do Senhor, e adorou, e perguntou: – Quem sou eu para que o Senhor me abençoasse tanto?
E humilde e alegremente aceitou as promessas de Deus. Depois disto, continuou a governar Israel com a mesma fé e humildade.
O salmo que ele escreve aqui, meus irmãos, reflete esta atitude de vida, que Davi tinha perante o Senhor.
v. 1 – SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim.
– Senhor, meu coração não é orgulhoso. Não tenho sonhos de grandeza aos olhos humanos.
– Ao contrário, ele diz no v. 2, eu fiz a minha alma se aquietar, como uma como uma criança desmamada que está quieta nos braços de sua mãe.
Das várias versões que temos em português, eu acho que a NVI é a que melhor traduz o texto aqui no v. 2:
De fato, acalmei e tranquilizei a minha alma. Sou como uma criança recém-amamentada por sua mãe; a minha alma é como essa criança.
E termina dizendo ao povo de Deus que da mesma forma espere no Senhor.
v. 3 – Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.
A atitude de uma criança.
Muito tempo mais tarde, nosso Senhor e Deus também nos disse que para entrar no reino dos céus nós devemos ser como criancinhas, em sua atitude de fé e humildade.[2]
E o apóstolo Paulo, falando em nome do Senhor, também disse que devemos ser como crianças que não têm os olhos do entendimento maliciosos. [3]
Como uma criancinha desmamada, ou melhor, recém-amamentada, diz o salmo, quieta nos braços de sua mãe, assim deve ser a nossa alma diante de Deus.
Eu desejo meditar com os irmãos sobre esta atitude de alma que o Espírito Santo nos ensina aqui. Como é uma criancinha recém-amamentada?
1. É uma criancinha satisfeita
Ela está “de barriguinha cheia”, confortável, sem fome.
– A minha alma é como essa criança, ele diz.
Como uma criancinha satisfeita com as coisas que tem recebido de Deus. E o que recebemos de Deus, meus irmãos, não são poucas coisas.
Ele é quem perdoa as nossas iniquidades e sara as nossas enfermidades.[4]
Ele é quem nos cerca por trás e por diante, quem sobre nós coloca as suas mãos e nos protege e abençoa, e quem nos sustenta por baixo.[5]
Ele é quem nos guia pelas veredas da justiça, por amor do seu nome.[6]
Ele é quem dia a dia leva os nossos fardos, e nos cumula de benefícios. [7]
Quem nos dá alimentação, vestuário, o ar que respiramos, a família.[8]
Ele nos concede a bênção de ser parte seu povo, membros de sua igreja.[9]
Ele nos dá vida eterna, nos dá sua Palavra e seu Espírito.[10]
Ele nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual, e supre todas as nossas necessidades.[11]
E todas estas coisas, e muitas outras mais, ele nos concede porque, acima de tudo, ele nos deu Jesus.
Em Jesus Cristo somos amados, justificados, aceitos, santificados.[12]
Então, podemos ver como o Senhor nos tem abençoados, e dizer:
– Minha alma é como uma criancinha bem alimentada, que está descansando nos braços da sua mãe, satisfeita.
E obedecer o mandamento do Espírito Santo, onde ele diz assim:
Seja a vossa vida sem avareza, contentando-vos com o que tendes, pois ele tem dito: Nunca te deixarei, jamais te abandonarei.[13]
2. É uma criancinha que se sente segura
Você já viu muitas vezes o comportamento instintivo de uma criança quando se sente triste, ou mesmo com medo de alguma coisa.
Ela se volta pro lado da mãe e abraça. Abraça e chora, como quem diz: – Me proteje. Me consola.
E depois de chorar, e sentindo-se segura, chega até a dormir no aconchego dos braços.
Agora, quando a criancinha está alimentada, satisfeita, sem tristezas ou ameaças, ela simplesmente se aquieta e descansa.
De qualquer forma os braços da mãe são braços de segurança e consolo.
Neste sentido, uma das passagens mais bonitas e confortadoras da Bíblia está no profeta Isaías.
Is 46:3,4
Ouvi-me, ó casa de Jacó e todo o restante da casa de Israel; vós, a quem desde o nascimento carrego e levo nos braços desde o ventre materno.  4 Até à vossa velhice, eu serei o mesmo e, ainda até às cãs, eu vos carregarei; já o tenho feito; levar-vos-ei, pois, carregar-vos-ei e vos salvarei.
Amados, se temos uma declaração de amor como esta, poderosa e fiel, então podemos nos aconchegar nos braços daquele que é forte e terno como uma mãe amorosa.
Ele nos disse que este mundo no qual vivemos é um lugar onde passaremos por aflições. Mas que não fiquemos desanimados, por que ele é vencedor sobre o mundo. Ora, se nós estamos nos braços dele, a vitória dele é também a nossa vitória.[14]

3. Uma criancinha recém-amamentada não tem preocupações quanto ao futuro

O nosso Pastor sabe, meus irmãos, que por causa da pequenez de nossa fé, muitas vezes nos sentimos apreensivos quanto ao que haveremos de comer, de beber, de nos vestir.
Ele sabe que muitas vezes a tristeza e o choro acabam acontecendo, por causa do sentimento de impotência diante das aflições.
Mas o nosso Pastor, que é fiel e verdadeiro, quer que confiemos nele.
Não andeis ansiosos quanto ao que haveis de comer ou beber, não andeis ansiosos quanto ao que haveis de vestir, não andeis ansiosos quanto à vossa vida, porque o Pai celestial sabe de tudo quanto necessitais. Se ele cuida dos passarinhos, se ele veste as flores do campo, não cuidará muito mais de vocês, homens de pequena fé? [15]
E se ele é pai, irmãos, podemos contar pra ele quando estamos com medo; quando a nossa fé vacila.
Em tudo, façamos conhecidas diante dele as nossas suplicas, as nossas petições, com ações de graça, e a paz que vem de Deus guardará nossas mentes e corações em Cristo Jesus.
Confiemos no Senhor em todas as coisas para o futuro, não só nesta vida, mas na vida depois desta.
Esta semana eu li o testemunho de um irmão a quem admiro e amo, o Pr. Russel Shedd. Amo este pastor desde os meus primeiros dias na fé. Uma das primeiras Bíblias que eu tive foi a famosa Bíblia Vida Nova, que ele fez editar através de sua editora. Seus breves comentários em Efésios, em Filipenses, e outros livros, me edificaram muito.
O Pr. Shedd estava agora com 86 anos, e seu estado de saúde era muito débil, pois além da idade avançada, também estava com câncer. Eu recebi a noticia de seu falecimento, que aconteceu na madrugada deste sábado, dia 26, enquanto escrevia esta meditação.
Pois bem, falando sobre sua grave enfermidade, o Pr. Shedd disse assim:
Eu nunca tinha sofrido este sofrimento até estes últimos meses. É uma experiência muito boa. Sinto-me desmamando do mundo. O sofrimento daqui é muito pouco em comparação cm aquela alegria que nós sentiremos na presença de Deus. É normal para o crente sofrer. Estou muito feliz com esta experiência.
Seus familiares e amigos próximos testemunharam a serenidade e alegria, o bom testemunho de um homem que soube descansar no Senhor.
Aplicação
Como ser assim, como uma criança satisfeita, segura e tranquila?
Não tenha mania de grandeza – v. 1
Aquele que se exalta será humilhado, mas aquele que se humilha será exaltado.
Deus pode conceder muitas coisas, e fazer muitas coisas grandiosas, e faz. Mas ele o faz na vida dos pequeninos e humildes.
Não pense de si mesmo além do que convém, mas com moderação, de acordo com a medida da fé que Deus lhe tem concedido. E deixe o resto com Deus.
Ponha sua esperança em Deus – v. 3
E não nos homens, nem nas circunstâncias, nem no dinheiro, nem em si mesmo.
E você dirá, como também disse Davi:
Esperei confiantemente pelo SENHOR; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro.  2 Tirou-me de um poço de perdição, de um tremedal de lama; colocou-me os pés sobre uma rocha e me firmou os passos.  3 E me pôs nos lábios um novo cântico, um hino de louvor ao nosso Deus; muitos verão essas coisas, temerão e confiarão no SENHOR.[16]





[1] A história do Rei Davi é narrada em 1º Samuel 16 a 2º Samuel 22, 1º Reis 1 e 2, e 1º Crônicas 11 a 29.
[2] Mt 18:3, 4
[3] 1ª Co 14:20
[4] Sl 103;1-3
[5] Sl 139:1-5
[6] Sl 23:1-3
[7] Sl 68:19
[8] Fp 4:19
[9] 1ª Co 12:13
[10] Ef 1:13, 14
[11] Ef 1:3
[12] 1ª Co 1:30, 31
[13] Hb 13:5
[14] Jo 16:33
[15] Mt 6:25-34
[16] Sl 40:1-3

domingo, 6 de novembro de 2016

Graça que restaura - Jr 17:12-18; Jr 31:16-20

IPC de Pda. de Taipas
Domingo, 6 de novembro de 2016
Pr. Plínio Fernandes
Amados, eu quero iniciar lendo com vocês dois textos do profeta Jeremias.
Jr 17:12-18
Trono de glória enaltecido desde o princípio é o lugar do nosso santuário.  13 Ó SENHOR, Esperança de Israel! Todos aqueles que te deixam serão envergonhados; o nome dos que se apartam de mim será escrito no chão; porque abandonam o SENHOR, a fonte das águas vivas.  14 Cura-me, SENHOR, e serei curado, salva-me, e serei salvo; porque tu és o meu louvor.  15 Eis que eles me dizem: Onde está a palavra do SENHOR? Que se cumpra!  16 Mas eu não me recusei a ser pastor, seguindo-te; nem tampouco desejei o dia da aflição, tu o sabes; o que saiu dos meus lábios está no teu conhecimento.  17 Não me sejas motivo de terror; meu refúgio és tu no dia do mal. 18 Sejam envergonhados os que me perseguem, e não seja eu envergonhado; assombrem-se eles, e não me assombre eu; traze sobre eles o dia do mal e destrói-os com dobrada destruição.
Jr 31:16-20
Assim diz o SENHOR: Reprime a tua voz de choro e as lágrimas de teus olhos; porque há recompensa para as tuas obras, diz o SENHOR, pois os teus filhos voltarão da terra do inimigo.  17 Há esperança para o teu futuro, diz o SENHOR, porque teus filhos voltarão para os seus territórios.  18 Bem ouvi que Efraim se queixava, dizendo: Castigaste-me, e fui castigado como novilho ainda não domado; converte-me, e serei convertido, porque tu és o SENHOR, meu Deus.  19 Na verdade, depois que me converti, arrependi-me; depois que fui instruído, bati no peito; fiquei envergonhado, confuso, porque levei o opróbrio da minha mocidade.  20 Não é Efraim meu precioso filho, filho das minhas delícias? Pois tantas vezes quantas falo contra ele, tantas vezes ternamente me lembro dele; comove-se por ele o meu coração, deveras me compadecerei dele, diz o SENHOR.
O primeiro texto que lemos é uma oração de Jeremias, profeta do Senhor.
Uma oração escrita num contexto de muito sofrimento pelo qual ele estava passando.
Aliás, o ministério de Jeremias sempre foi muito sofrido, porque desde jovem ele foi enviado a pregar à “Igreja Antiga” em tempos de grande esfriamento espiritual.
Eram tempos em que a disciplina de Deus estava para chegar, e o povo judeu seria levado para o exílio na Babilônia.
E eles não queriam ouvir, não queriam obedecer à Palavra do Senhor.
Então, por exemplo, se você ler Jeremias 42 e 43, verá que ali eles pedem que o profeta busque a vontade de Deus para aconselhá-los. E depois que Jeremias ora, e trás a resposta do Senhor, eles dizem:
– Não foi Deus quem falou estas coisas. Você está mentindo...[1]
E não obedecem à Palavra de Deus.
Se você voltar os seus olhos para o capítulo 15, a partir do v. 10, verá que ali há outra oração do profeta. O título deste trecho em nossas Bíblias é “O Senhor conforta ao seu profeta”.[2]
Ali Jeremias está apresentando uma lamentação diante de Deus, pelo fato de ser odiado pelos israelitas; por ter uma mensagem de juízo e castigo, exortando ao arrependimento, mas vendo que o povo não se arrependia, ao contrário, o amaldiçoava.
Por todas estas coisas, ele conta o que sentia no seu coração:
Jr 15:16-18
Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos.  17 Nunca me assentei na roda dos que se alegram, nem me regozijei; oprimido por tua mão, eu me assentei solitário, pois já estou de posse das tuas ameaças.  18 Por que dura a minha dor continuamente, e a minha ferida me dói e não admite cura? Serias tu para mim como ilusório ribeiro, como águas que enganam?
Veja o amor que ele tinha para com a Palavra de Deus (v. 16).
Mas veja o resultado disto: dor no coração, por causa da impenitência do povo a quem ele amava, e dor por causa do castigo de Deus.
Agora, veja o título do cap. 16 de nossas Bíblias, que os editores colocaram: “A vida solitária do profeta, figura do povo”.
Poderíamos multiplicar os exemplos no livro.
Então, por estas coisas, em nosso primeiro texto, Jeremias 17, ele faz um pedido a Deus, no v. 14:
Cura-me e serei curado; salva-me, e serei salvo, porque tu és o meu louvor.
No segundo texto que lemos (Jr 31:16-20), há uma oração semelhante; agora, da igreja do Senhor, representada pela tribo de Efraim.
Neste capítulo o Senhor está dizendo que o seu povo seria disciplinado, mas que o castigo não duraria para sempre, pois eles se arrependeriam, se voltariam para o Senhor, e o Senhor lhes restauraria, e lhes daria descanso espiritual.
No v. 18, o Senhor diz que ouviu Efraim se queixando perante ele:
Bem ouvi que Efraim se queixava, dizendo: Castigaste-me, e fui castigado como novilho ainda não domado; converte-me, e serei convertido, porque tu és o SENHOR, meu Deus.
E o Senhor ouviria sua queixa, pois Efraim era um filho precioso. Quantas vezes Deus ficava irado, tantas eram as vezes que ele corrigia, amava, e perdoava.

No cap. 17, a oração do profeta:
Cura-me e serei curado; salva-me, e serei salvo, porque tu és o meu louvor.
No cap. 31, a oração da igreja:
Converte-me, e serei convertido, porque tu és o SENHOR, meu Deus.

Eu desejo tomar estas duas orações como indicadores de que todos nós, povo de Deus, somos pessoas profundamente carentes da graça restauradora de Deus em nossos corações, e em nossa vida como um todo.
Elas não somente mostram como somos carentes da graça de Deus, mas também indicam o que devemos fazer para conhecer esta graça em nossas experiências diárias.
Há três aspectos de nossa vida que desejo destacar.
1. Precisamos da graça de Deus curando nossas feridas interiores
– Cura-me, e serei curado.
Como eu disse, aqui ele está rogando ao Senhor que o cure de suas dores da alma, as feridas causadas em seu coração pela hostilidade do seu povo contra o Senhor e contra ele.
Assim como Jeremias, cada um de nós está sujeito a ter o coração ferido de muitas maneiras.
E há muitas coisas que podem trazer tristezas ao nosso coração, dores para nossa alma.
Estas feridas, essas dores da alma podem ser descritas de muitos modos.
Acontecem coisas que podem nos traumatizar emocional e psicologicamente.
Existem coisas que podem nos deixar complexados: complexos de culpa, complexos de inferioridade, e coisas parecidas.
Tem gente que se sente inferior, que “não faz nada direito”, que “não presta pra nada”.
Tem gente que se sente amaldiçoada. Tem gente que se sente um peso na vida dos outros.
Tem gente que se sente “mal-amada”, como era o caso de Jeremias.
E como consequência destas dores interiores, são pessoas magoadas.
Muitas vezes até se tornam pessoas iradas, cheias de raiva, às vezes reprimida, às vezes não; mas são gente que a cada dia morre por dentro. Morre de raiva, morre de amargura, morre cheia de mágoas.
Estas feridas do coração geralmente são causadas por males que vêm de fora, isto é, os pecados que outras pessoas cometem contra nós.
O marido que trai a esposa machuca o coração dela, e machuca muito.
A esposa que não cuida do marido, que reclama dele, que não cuida de suas roupas, que não da valor ao seu esposo.
Pais que não se amam podem enganar muita gente, mas não conseguem enganar os filhos. E cônjuges que não se amam machucam os filhos.
Eu conheço um homem que estava passando por uma série de problemas no seu trabalho, e isto estava deixando ele tenso, nervoso.
Ele começou a brigar com a esposa em casa. Começou a se tornar uma rotina ele brigar com a esposa, magoá-la, machucá-la com palavras ofensivas e amarguradas.
Até que um dia seu filho adolescente desabafou com ele: – Pai, eu não gosto de ver o senhor brigando com a mãe. Me faz um mal muito grande.
Sabem qual é a melhor maneira de um marido amar seus filhos? Amando a mãe deles. Quando os filhos veem a mãe sendo bem cuidada, eles são felizes. Quando não, tornam-se revoltados, rebeldes, magoados. Não se sentem amados também.
Existem muitas outras coisas que podem ferir nosso coração: quando não somos reconhecidos pelas coisas boas que fazemos; quando somos injustiçados; quando somos denegridos, tratados com desdém.
Em resumo, somos machucados quando não nos sentimos amados.
Como Jeremias.
Então, precisamos buscar cura para nosso coração, e existe alguém que pode curar.
2. Precisamos da graça de Deus curando nossos relacionamentos
Assim como nós nos sentimos feridos quando não nos sentimos amados, também é possível que machuquemos outras pessoas.
Assim como é possível que outros pequem contra nós, é possível que pequemos contra outras pessoas.
Mesmo sem querer. Eu quero mais uma vez recorrer a Jeremias.
Ele era sem dúvida alguma um homem de Deus, escolhido do Senhor, ungido pelo Espírito; tinha a Palavra do Senhor nos lábios e no coração.
Amava o povo do Senhor. Mas cometia pecados.
Vamos voltar ao capítulo 15.
Jr 15:15 – Aqui há uma queixa contra os seus adversários
Tu, ó SENHOR, o sabes; lembra-te de mim, ampara-me e vinga-me dos meus perseguidores; não me deixes ser arrebatado, por causa da tua longanimidade; sabe que por amor de ti tenho sofrido afrontas
Jr 15:18 – Aqui há uma queixa contra o Senhor
Por que dura a minha dor continuamente, e a minha ferida me dói e não admite cura? Serias tu para mim como ilusório ribeiro, como águas que enganam?
Eu acho que nestes dois versículos, Jeremias fez muito bem em dizer ao Senhor o que ele estava pensando.
Não há nada que possamos esconder de Deus. E quando tentamos fazer isto, estamos apenas querendo esconder a verdade de nós mesmos.
Jeremias, embora amasse o povo, estava se sentindo magoado, e não era sem razão. Então, a sua santa boca que devia abençoar, ora pedindo vingança. Ora pedindo destruição.
E no v. 18 ele diz ao Senhor que estava se sentindo como alguém que está com sede, e vai a uma fonte de água para beber, mas descobre que a água é amarga, ou suja, e não dá pra beber.
Então ele diz:
– Senhor, será que o Senhor seria assim para mim? Quando eu achei as tuas palavras, elas foram gozo e alegria prá mim, mas agora que eu falo a tua palavra, é só dor que eu experimento!
Por isto, veja a resposta do Senhor no v. 19.
Jr 15:19
Portanto, assim diz o SENHOR: Se tu te arrependeres, eu te farei voltar e estarás diante de mim; se apartares o precioso do vil, serás a minha boca; e eles se tornarão a ti, mas tu não passarás para o lado deles.
– Jeremias, eu posso usar você como um instrumento da minha Palavra.
– Você pode ser a minha boca.
– Estas pessoas podem passar para o teu lado, e você não passará para o lado deles, isto é, da desobediência.
– Mas para isto você precisa se arrepender, e voltara a ser como antes.
Pois no início Jeremias não era um homem amargurado, magoado, vingativo. Era um intercessor.
Assim como ele, irmãos, muitas vezes nossos lábios dizem coisas que não devem. Coisas que ofendem a Deus, e coisas que exalam amargura contra o nosso semelhante.
Amargura contra a esposa. Há maridos que dizem da esposa:
– Essa mulher é um atraso na minha vida!
Há maridos que não ajudam a esposa em casa, que não são capazes de lavar uma louça.
Há maridos que não compram um par de sapatos para a esposa.
Há maridos que não namoram as esposas, que não são carinhosos, que não conversam com a esposa, a não ser as coisas administrativas da casa.
Falta de amor machuca. Magoa.
Da mesma forma, há esposas que não respeitam seus maridos.
Há pais que desprezam seus filhos. Que os humilham na frente dos outros. Que não disciplinam. E quando um filho faz tudo o que quer, quando não tem limites, não se sente amado.
Nas igrejas muitas vezes os irmãos ferem uns aos outros. Nas palavras do apóstolo Paulo, muitas vezes se mordem e devoram uns aos outros.
Palavras ferinas, críticas cheias de justiça própria, sem amor, palavras vaidosas de orgulho. Palavras de superioridade. E muitas vezes então, o lugar que deveria ser um lugar de cura para o coração, torna-se justamente um lugar de doença emocional.
Há muitos relacionamentos doentes: nas famílias, nas igrejas, nos locais de trabalho.
– Filho, diz o pai, não viva desta maneira, não faça isto; você está me deixando triste.
– Eu não pedi prá nascer!, responde o filho amargurado.
– Filha, faz isso prá mim, pede a mãe.
– Eu não sou sua empregada.
Tantos relacionamentos que deveriam ser caracterizados pela alegria, pelo deleite uns nos outros, pelo amoroso serviço, aconchego, caminhar juntos, carinho, são caracterizados pelo distanciamento emocional, pela mágoa, pela tristeza.
Estou pensando numa irmã que eu conheço. Uma noite ela me ligou (eram duas horas da manhã), e disse:
– Pastor, meu marido está com as malas feitas. Ele está indo embora de casa.
Eu perguntei: – Posso ira até aí?
– Venha, por favor.
E então os dois me contaram sobre anos de mágoas acumuladas.
Depois que eles contaram tudo nós oramos, pedindo que o Senhor curasse as feridas, perdoasse os pecados, que abrisse os olhos de ambos para que enxergassem a bênção que um era na vida do outro, que enxergassem a graça de Deus na vida um do outro, as bênçãos da vida em família, e tantas coisas boas que cada um tinha em seu caráter; que restaurasse os corações. E o Senhor restaurou a vida deles, pela sua graça.
Isto nos leva ao nosso último ponto aqui.
3. Precisamos da graça de Deus para que nos covertamos a ele
Na oração de Efraim, em 31:18, o povo do Senhor suplica:
– Converte-me, e serei convertido, porque tu és o Senhor, meu Deus.
E aqui, meus irmãos, o Espírito Santo nos faz lembrar que, mesmo como filhos de Deus, há um remanescente o pecado em nosso coração. Daí que tantas vezes os relacionamentos são tão machucados, mesmo entre pessoas que se amam. Daí que tantas vezes somos machucados também.
E daí que tantas vezes até o relacionamento com o nosso Deus se trona doído. Por causa do pecado que ainda se manifesta em nosso coração enganoso.
Muitas vezes temos conhecimento deste pecado, mas é difícil nos convertermos.
No dizer de Paulo, a carne é inimiga da lei de Deus, e nunca será amiga.
Ou Jeremias, que diz: – Enganoso é o coração, e desesperadamente corrupto.
– Então eu sei que preciso me converter, mas não consigo.
– Eu sei que preciso perdoar, mas não perdoo.
– Eu sei que deveria procurar o irmão ofendido, o pai ofendido, me reconciliar, mas não me reconcilio. Não peço perdão aos meus pais. Não peço perdão aos meus filhos, não abraço, não demonstro amor.
– Eu sei que devo dar graças em tudo, mas reclamo.  Reclamo da família. Reclamo do trabalho. Reclamo dos irmãos na igreja.
– Eu sei que devo orar sem cessar, mas fico entorpecendo a mente diante da televisão por horas, e não busco ao Senhor.
– Eu sei que devo dar um bom testemunho, mas não dou.
– Descubro que miserável homem eu sou, porque na minha carne não habita bem algum.
Irmãos, o nosso coração, por si só, é duro mesmo. Mas até mesmo para o coração mais teimoso há esperança de cura no Senhor.
Por natureza, o ser humano não busca a Deus. É necessário que a graça de Deus quebrante o coração.
Mas para o coração quebrantado há esperança.
Is 57:15-21
Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos.  16 Pois não contenderei para sempre, nem me indignarei continuamente; porque, do contrário, o espírito definharia diante de mim, e o fôlego da vida, que eu criei.  17 Por causa da indignidade da sua cobiça, eu me indignei e feri o povo; escondi a face e indignei-me, mas, rebelde, seguiu ele o caminho da sua escolha.  18 Tenho visto os seus caminhos e o sararei; também o guiarei e lhe tornarei a dar consolação, a saber, aos que dele choram.  19 Como fruto dos seus lábios criei a paz, paz para os que estão longe e para os que estão perto, diz o SENHOR, e eu o sararei.  20 Mas os perversos são como o mar agitado, que não se pode aquietar, cujas águas lançam de si lama e lodo.  21 Para os perversos, diz o meu Deus, não há paz.
Deus promete cura para os que choram seus pecados, que choram a dureza do seu coração. Que choram por não conseguir fazer a vontade de Deus. E que então pedem: – Senhor, converte-me, e serei convertido. Salva-me, e serei salvo.
Se você é alguém em cujo coração Deus trabalha, então sabe como isto é verdadeiro: você não consegue, por suas próprias forças, afastar-se do pecado, ser uma pessoa santa, dedicada, amorosa e consagrada. Você sabe que Deus é quem precisa operar dentro do seu coração o querer e o realizar de sua vontade.
Conclusão e aplicação.
Sabe qual a tragédia muitas vezes? É que o povo do Senhor não busca a cura naquele que pode sarar.
Leiamos no cap. 8, os vs. 20-22
Passou a sega, findou o verão, e nós não estamos salvos.  21 Estou quebrantado pela ferida da filha do meu povo; estou de luto; o espanto se apoderou de mim.  22 Acaso, não há bálsamo em Gileade? Ou não há lá médico? Por que, pois, não se realizou a cura da filha do meu povo?
Havia médico entre o povo do Senhor, mas ele não o buscava.
Antes, dizem os vs. anteriores, buscava cura nas muitas idolatrias; buscava cura nos deuses deste mundo, nos prazeres da carne, não buscavam os juízos do Senhor.
Mas para aqueles que, deixando a vaidade, buscavam o Senhor, a graça que restaura se manifesta, para vivificar o espírito do abatido, para curar o quebrantado de coração, para restaurar o caminho do que chora.
Amado, existem coisas na sua alma que precisam ser curadas?
Relacionamentos que precisam ser curados?
Pecados dos quais você precisa ser convertido.
O Senhor é o Deus que te sara.
Busque o Senhor. Busque de todo o coração. Peça. Bata.
Pois quem busca encontra. Quem pede recebe. A quem bate, a porta será aberta.
Há graça abundante no coração do nosso Deus. Graça abundante para todos.
Pois veja o que diz o nosso Senhor, o Deus que se fez carne e habitou entre nós:
Mt 11:28-30
Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.  29 Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.  30 Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.
– Eu curo, diz o Senhor, e você será curado.
– Eu salvo, e você será salvo.
– Eu converto,e você será convertido.

 


[1] Jr 43:2
[2] Almeida Revista e Atualizada.
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