Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

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domingo, 10 de dezembro de 2017

Aos trabalhadores da seara - Lc 10:1-20

Lc 10:1-20
Seminário Presbiteriano Conservador
Sexta-feira, 01 de dezembro de 2017
Pr. Plínio Fernandes
Depois disto, o Senhor designou outros setenta; e os enviou de dois em dois, para que o precedessem em cada cidade e lugar aonde ele estava para ir.  2 E lhes fez a seguinte advertência: A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.  3 Ide! Eis que eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4 Não leveis bolsa, nem alforje, nem sandálias; e a ninguém saudeis pelo caminho. 5 Ao entrardes numa casa, dizei antes de tudo: Paz seja nesta casa! 6 Se houver ali um filho da paz, repousará sobre ele a vossa paz; se não houver, ela voltará sobre vós. 7 Permanecei na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem; porque digno é o trabalhador do seu salário. Não andeis a mudar de casa em casa. 8 Quando entrardes numa cidade e ali vos receberem, comei do que vos for oferecido. 9 Curai os enfermos que nela houver e anunciai-lhes: A vós outros está próximo o reino de Deus. 10 Quando, porém, entrardes numa cidade e não vos receberem, saí pelas ruas e clamai: 11 Até o pó da vossa cidade, que se nos pegou aos pés, sacudimos contra vós outros. Não obstante, sabei que está próximo o reino de Deus. 12 Digo-vos que, naquele dia, haverá menos rigor para Sodoma do que para aquela cidade. 13 Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom, se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido, assentadas em pano de saco e cinza. 14 Contudo, no Juízo, haverá menos rigor para Tiro e Sidom do que para vós outras. 15 Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno. 16 Quem vos der ouvidos ouve-me a mim; e quem vos rejeitar a mim me rejeita; quem, porém, me rejeitar rejeita aquele que me enviou. 17 Então, regressaram os setenta, possuídos de alegria, dizendo: Senhor, os próprios demônios se nos submetem pelo teu nome! 18 Mas ele lhes disse: Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago. 19 Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, e nada, absolutamente, vos causará dano. 20 Não obstante, alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus.
No cap. 9, v. 51 aqui deste Evangelho, Lucas nos diz que os dias de Jesus subir ao céu estavam se aproximando.
Então ele manifestou em seu rosto a firme e corajosa resolução de ir para Jerusalém, onde seria entregue à morte para a nossa salvação.
Mas nosso Senhor decidiu também que, a caminho de Jerusalém, passaria por várias cidades, inclusive samaritanas, anunciando mais uma vez a chegada do reino de Deus.
Então, mais uma vez, como já fizera antes, ele enviou seus discípulos, de dois em dois, desta vez um grupo de setenta, de cidade em cidade, para que o precedessem.
Eles deveriam curar os enfermos, libertar os oprimidos de espíritos malignos, e chamar as pessoas ao arrependimento, anunciando que o reino de Deus está próximo.
O tempo era curto, e precioso demais para ser desperdiçado. Havia muita gente a ser alcançada com a mensagem.
Então deveriam orar, pedindo a Deus que enviasse mais trabalhadores para sua seara, mais pregadores do Evangelho.
E não deveriam se embaraçar com nada.
Quando ele diz: – “A ninguém saudeis pelo caminho”, não está ensinado que devem ser descorteses, mas que agora não é hora para se perder tempo.
Que eles fossem pregando de cidade em cidade. Se fossem bem recebidos, que ali ficassem o tempo necessário, se não, que sacudissem o pó de seus pés e fossem adiante.
– “Não leveis bolsa (onde colocavam o dinheiro) nem alforje (onde colocavam alimento e roupas para viagem), nem mais um par de sandálias”, isto é, não se preocupem com o que comer, ou beber, não se preocupem com dinheiro ou outras necessidades, não se embaracem com estas coisas, pois tudo o que vocês precisarem lhes será dado. –“Digno é o trabalhador do seu salário”.
Jesus também deixou claro que não seria uma tarefa sem dificuldades. Haveria quem os recebesse, hospedasse e suprisse. Mas outros os rejeitariam. Por isto também estavam sendo enviados como se fossem ovelhas para o meio de lobos, que enfrentariam perigos.
Não obstante, deveriam avançar intrepidamente, abençoando, curando, libertando os oprimidos, chamando ao arrependimento e anunciando a salvação eterna, bem como o dia do juízo de Deus.
Com estas coisas todas, meus irmãos, o Senhor está dando aos discípulos a consciência de quem eles são, do que devem fazer, e do que devem esperar pela frente.
Então eles partem, e algum tempo depois voltam de sua missão; e como estão felizes, pois tal como o Senhor disse, assim aconteceu. Até os demônios submetiam-se a eles, por causa do nome de Jesus. O que também fez o Senhor exultar de alegria no Espírito Santo, e dar graças a Deus.
Meus irmãos, no v. 2, o Senhor diz a eles que deveriam orar. Deveriam pedir a Deus que enviasse mais trabalhadores para sua seara, isto é, que Deus enviasse mais pregadores assim como agora estava enviando a eles.
Uma instrução que segundo Mateus, Jesus já havia dado também anteriormente, antes de enviar os doze numa missão semelhante.[1]
E na Primeira Carta a Timóteo, cap. 5, vs. 17 e 18, Paulo deixa claro que esta é uma oração que Deus tem respondido.
Ali, ele ensina que os presbíteros docentes, os pastores que se dedicam ao ensino da Palavra, devem ser remunerados pelo seu trabalho, e cita as palavras de Jesus aqui do v.7: – “Digno é o trabalhador do seu salário”.
Quero dizer: os ministros da Palavra estão entre os trabalhadores da seara a quem Jesus se refere aqui.
Assim, eu desejo destacar algumas verdades que o Evangelho aqui nos fala sobre os pregadores do Evangelho.
Verdades que formam em nós a consciência, as convicções de quem somos.
1. Os pregadores têm a santa e humilde convicção de que são homens de Deus
No v. 1 está escrito que estes homens foram “designados” por Jesus, isto é anunciados publicamente como escolhidos para aquela missão.
No v. 3, o Senhor diz: – Eis que eu vos envio...
E no v. 16 ele diz:
– Quem vos der ouvidos ouve-me a mim, e quem vos rejeitar a mim me rejeita; quem, porém, me rejeitar, rejeita aquele que me enviou.
Portanto, os pregadores são homens que, antes tudo, pertencem a Deus, e por isto escolhidos, e enviados. Ou como também dizem o profeta Jeremias e o apóstolo Paulo, homens dados por Deus à igreja.[2]
Mais tarde, na mesma carta em que Paulo cita as palavras do Senhor Jesus aqui em Lucas 10, ele também ensina quais são os critérios que a igreja deve usar para reconhecer e designar um homem como ministro do Evangelho:
Primeiramente este homem deve aspirar, ter um intenso e profundo desejo de superintender, de cuidar do rebanho do Senhor.
Mas também deve ser apto para ensinar, isto é, possuir os dons necessários para ministrar a Palavra.
E também dever ser um homem reconhecido por sua vida santa e ordeira, pelo seu bom testemunho, tanto dentro de casa, no ambiente familiar, como fora dele.
Se ele tiver estas qualificações deve ser primeiramente experimentado, e depois designado como presbítero sobre o rebanho de Deus.[3]
Agora, embora a igreja empregue estes critérios todos para eleger seus ministros, não podemos esquecer que nestas coisas todas estão se manifestando os propósitos de Deus, pois em Atos 20 o apóstolo, falando aos presbíteros de Éfeso, também diz que “o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, que ele comprou com seu sangue”.[4]
Por isto também “importa que os homens nos considerem ministros de Cristo, despenseiros dos mistérios de Deus”.[5]
Assim, irmãos, embora não sejamos dados a experiências místicas, a sonhos e visões; através da comunhão com Deus que usufruímos pela meditação na sua Palavra, pela oração, pela comunhão da igreja, pelos dons que se evidenciam, pelo amor que temos à mensagem do Evangelho, no amor pela igreja, entendemos que, se somos ministros da Palavra, é porque o Senhor da seara nos tem designado para isto, e tem realizado todas estas coisas, todos estes movimentos em nossa alma e na vida da igreja.
Cremos que temos sido chamados por ele, que nos escolheu para isto desde o ventre materno,[6] ou ainda mais: antes mesmo da criação do mundo,[7] e a seu tempo manifestou seu propósito para nós.
2. Os pregadores também têm a firme convicção de que são homens sustentados por Deus
O Senhor lhes disse que haveria lugares em que seriam bem recebidos, hospedados; mas também haveria lugares em que seriam rejeitados.
Mas qualquer que fosse a reação das pessoas em relação a eles, que não perdessem a convicção que falavam em nome de Deus.
“Quem vos der ouvidos, ouve-me a mim; quem vos rejeitar, a mim me rejeita; quem porém, me rejeitar, rejeita aquele que me enviou”.
O Senhor lhes disse que, se bem recebidos, ali permanecessem o necessário, anunciando o reino de Deus; mas, se rejeitados, que não perdessem seu precioso tempo, e seguissem adiante.
Pois de qualquer modo, ou trazendo salvação, ou trazendo juízo, a palavra por eles pregada era a Palavra de Deus.
O apóstolo Paulo escreveu aos coríntios sobre a maravilha de alguém ser um pregador do Evangelho.
Ele diz:
– Haja o que houver, por meio de Cristo nós sempre seremos conduzidos em triunfo, a nossa mensagem sempre surtirá efeito, tanto nos que se salvam como nos que se perdem. Para alguns, seremos como cheiro de morte, mas para outros, aroma de vida.
– Pois nós somos ministros de uma nova aliança, não da letra, que mata; mas do Espírito que dá vida.
E diante desta tarefa tão grandiosa a certa altura ele pergunta:
– Quem, porém, é suficiente para estas coisas?
E também responde:
– Não que nós sejamos, capazes, por nós mesmos, de fazer alguma coisa; mas a nossa suficiência vem de Deus.[8]
Da mesma maneira nós vemos neste texto diante de nós: a nossa suficiência vem de Deus.
Quero destacar dois sentidos:
2.1. Primeiro, digamos assim, no sentido mais “prosaico”: ele concede tudo o que à manutenção das coisas essenciais para a vida neste mundo.
v. 4 – Não leveis bolsa, nem alforje, nem sandálias...
Não se preocupem em levar dinheiro, nem alimento para a viagem, nem mesmo um par extra de sandálias, isto é, não se preocupem nem com as coisas mais essenciais.
v. 7 – Permanecei na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem, porque digno é o trabalhador do seu salário.
Agora, meus irmãos, eu gostaria de comparar com o texto que se encontra no cap. 22, v. 35.
Faz parte de um diálogo do Senhor com os discípulos, momentos antes dele ser preso em Jerusalém, e entregue à morte pelos nossos pecados.
A seguir, Jesus lhes perguntou: Quando vos mandei sem bolsa, sem alforje e sem sandálias, faltou-vos, porventura, alguma coisa? Nada, disseram eles.
Irmão, não está escrito em lugar algum do Evangelho que os pregadores precisam ser homens “endinheirados”.
Para que você tenha autoridade espiritual não é necessário que os homens vejam que você está “bem de vida”, ou que você tenha um belo carro ou casa. E você não é chamado para amar ou buscar estas coisas.
Claro que não estou dizendo que possuir bens materiais ou dinheiro seja pecado. O que desejo enfatizar é que o reino de Deus não é comida ou bebida.
Você se lembra da história do profeta Eliseu?
Tudo o que ele tinha quando passava pela cidadezinha de Suném, era um pequeno quarto com uma cama, uma mesa, uma cadeira e um candeeiro, que uma família temente a Deus e carinhosa lhe oferecia.
Mas quando passava pelo lugar, as pessoas diziam: – Vejo que este que passa por nós é santo homem de Deus.[9]
Por outro lado, embora o Senhor não diga que você deve se envolver no ministério por dinheiro (porque ele mesmo não promete que você terá muito dinheiro), ele promete que não lhe faltará o necessário.
Simplesmente busque em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, e todas as coisas necessárias lhe serão acrescentadas.
2.2. O segundo sentido que desejo destacar, é que ele nos concede toda a capacidade, toda a autoridade, todos os dons necessários para o ministério
v. 16 – Quem vos der ouvidos, ouve-me a mim; quem vos rejeitar, a mim me rejeita
v. 17 – Senhor, até os demônios se nos submetem pelo teu nome...
v. 19 – Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões...
Nós reconhecemos que nem todos os pregadores se defrontam, no dia a dia, com pessoas “endemoniadas”.
Mas irmãos, pregar o Evangelho é dia a dia se esforçar para implantar o reino de Deus no coração dos homens.
Em relação aos que já fazem parte da igreja do Senhor, esforçar-se para que Cristo seja dia a dia formado em seus corações.[10]
Em relação aos incrédulos, falar em nome de Cristo para que se reconciliem com Deus.[11]
É como que penetrar no império das trevas, a fim de tirar os que lá estão cativos, e transportá-los, em nome de Deus, para o reino do Filho do seu amor.[12]
E quanto a isto Jesus faz esta promessa: as portas do inferno não prevalecerão, não resistirão ao avanço de sua igreja.[13]
O Senhor nos dá autoridade; concede-nos capacidade, concede-nos todos os dons necessários a fim de que, por nosso intermédio, as pessoas sejam colocadas diante da eternidade.
Não que sejamos capazes, por nós mesmos, mas a nossa suficiência vem de Deus
3. Os pregadores são homens amados por Deus
v. 20 – Não obstante, alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus.
Sem dúvida o fato de “expulsar demônios”, ser um instrumento de Deus para a libertação dos oprimidos do diabo é uma grande alegria.
Mas existe uma alegria maior ainda que se abriga no coração de um verdadeiro discípulo de Jesus, e aqui, no caso de um homem verdadeiramente chamado por Deus para o ministério da Palavra: é a alegria de saber que o seu nome está arrolado no céu, escrito no livro da vida.
Conforme o livro do Apocalipse, existem aqueles cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro, e assim existem aqueles cujos nomes estão escritos, e isto desde a fundação do mundo.[14]
É um modo de se referir à nossa eterna salvação.
Ora, esta salvação eterna é um dom de Deus aos seus escolhidos, àqueles a quem ele em amor elegeu para uma vida de santidade por meio da fé, a quem, antes da criação do universo, o Senhor predestinou para a adoção de filhos, os salvou e chamou com santa vocação, não segundo as obras humanas, mas pela sua determinação e graça.[15]
Aqueles que tendo nele crido, foram selados com o Santo Espírito da promessa, que é a garantia de pertencem a Deus.[16]
Na carta aos filipenses, Paulo menciona um homem chamado Clemente, e outros companheiros de ministério, cujos nomes, diz ele, estão escritos no livro da vida.[17]
E meus irmãos, esta é uma das nossas grandes motivações: eu prego o evangelho da salvação, do arrependimento e fé para com Deus mediante Jesus Cristo, porque o meu próprio coração está pleno de alegria pela minha própria salvação.
Eu sei que há um mandamento, e também por isto eu prego, pois conheço o temor do Senhor, e “ai de mim se não pregar o evangelho”.[18]
Eu sei que os homens são almas necessitadas, também prego com o desejo de ganhar as pessoas para Deus, e apresentar suas vidas diante do Senhor.[19]
Mas também prego porque a boca fala do que o coração está cheio, e o meu coração está pleno da alegria da minha própria salvação, que o faz transbordar de amor pela Palavra.
Como quando Davi orou pedindo a restauração de sua própria alma, dizendo:
[Senhor,] Restitui-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário. 13 Então, ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os pecadores se converterão a ti.[20]
Se eu estou salvo, sei que não é por minhas obras; sei que sou amado, escolhido por Deus, desde antes da criação do mundo. [21]
Sei que o Filho de Deus me amou, e a si mesmo se entregou por mim.[22]
Sei que o amor de Deus foi derramado em minha vida, pelo Espírito Santo que me foi outorgado.[23]
Conclusão e aplicações
De acordo com o ensino de nosso Senhor, os pregadores do Evangelho são homens de Deus: escolhidos e enviados por Deus, para falar em nome de Deus.
Os pregadores também são homens sustentados por Deus. Tanto nas coisas mais simples, como o comer e beber e o vestir-se, como nas coisas maiores: a consagração, a autoridade, a capacidade e os dons para o serviço do reino.
Os pregadores são amados de Deus, homens cujos nomes estão escritos no Livro da Vida do Cordeiro, desde antes da fundação do mundo.
Eu quero fazer algumas aplicações gerais:
1. Primeiramente à igreja
Primeiramente, a igreja deve sempre estar cônscia da importância primordial do ministério da Palavra.
E deve pedir que o Senhor da seara lhes dê mais trabalhadores. 
Além disto, como eu disse, a igreja é instrumento ordinário através do qual o Espírito Santo age a fim de designar um homem como pregador do Evangelho.
Mas o Espírito Santo também estabelece critérios sobre os quais a igreja deve se basear para reconhecer e fazer a vontade de Deus.
Então precisa escolher seus ministros com seriedade, dirigida pelo temor do Senhor, instruída pela Palavra de Deus.
Além disto, a igreja, assim como os pregadores, deve ser se alegrar por tomar parte nos propósitos de Deus para divulgar a Palavra.
E deve se alegrar pelos homens a quem o Senhor tem escolhido, e reconhecê-los, e acolhê-los sempre, e receber com mansidão a mensagem, pois é de Deus.
A igreja deve se entender como instrumento através de quem o Espírito Santo, que a usou para designar os pregadores; mas também como o instrumento do qual o mesmo Espírito Santo se utiliza para sustentar estes mesmos pregadores.
Sustentar com suas orações,[24] e sustentar também financeiramente. Como o apóstolo Paulo pergunta: se os ministros da Palavra, repartem com a igreja bens espirituais, eternos, será muito receber bens materiais como retribuição?[25]
2. Aos trabalhadores da seara, os chamados para o ministério da Palavra:
Se fomos chamados pela graça de Deus que nos alcançou antes da criação do mundo, antes de tudo, humildade.
Por nós mesmos não somos capazes de nada, e nada fizemos para merecer este privilégio.
Estes dias eu li uma frase muito interessante que dizia: –“Deus é incrível. Você não precisa ser incrível. Precisa somente ser obediente”.
Então trabalhemos com humildade, sem vanglória, com amor, dedicação.
Trabalhemos com responsabilidade, com fidelidade à Palavra, pois ela é de Deus, e não nossa, e esta Palavra coloca a vida de cada ser humano diante de Deus e da eternidade.
Trabalhemos com modéstia, simplicidade, sem amor às glórias deste mundo, sem amor aos bens deste mundo, sabendo o que necessitarmos, o nosso pastor suprirá.[26]
Trabalhemos com oração, pois dependemos do Senhor da seara. Ele é quem nos envia, e quem nos sustenta, e quem nos torna úteis. Peçamos ao Senhor da seara que envie mais trabalhadores, pois ainda somos poucos diante da necessidade.
Trabalhemos com destemor e alegria, sabendo que no final de tudo receberemos a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.



[1] Mt 9:37, 38.
[2] Jr 3:15; Ef 4:11
[3] 1ª
Tm 3:1-13
[4] At 20:28
[5] 1ª Co 4:1
[6] Jr 1:4, 5; Gl 1:15, 16
[7] Ef 1:11
[8] 2ª Co 2:14-3:11
[9] 2º Rs 4:8 e segs.
[10] Gl 4:19
[11] 2ª Co 5:20
[12] Cl 1:13
[13] Mt 16:18
[14] Ap 13:8; 7:8; 20:15
[15] 2ª Tm 1:9
[16] Ef 1:13, 14
[17] Fp 4:3
[18] 1ª Co 9:16
[19] 1ª Co 9:22
[20] Sl 51:12, 13
[21] Ef 1:4,5
[22] Gl 2:20
[23] Rm 5:5
[24] Ef 5:18, 19
[25] 1ª Co 9:11
[26] Sl 23:1

domingo, 9 de fevereiro de 2014

O exemplo de Jesus - Jo 13:1-20

IPC em Pda. de Taipas
Domingo, 9 de fevereiro de 2014
Pr. Plínio Fernandes
Meus amados, nós iremos iniciar lendo dois textos
Lucas 22:24-27
24 Suscitaram também entre si uma discussão sobre qual deles parecia ser o maior.  25 Mas Jesus lhes disse: Os reis dos povos dominam sobre eles, e os que exercem autoridade são chamados benfeitores.  26 Mas vós não sois assim; pelo contrário, o maior entre vós seja como o menor; e aquele que dirige seja como o que serve.  27 Pois qual é maior: quem está à mesa ou quem serve? Porventura, não é quem está à mesa? Pois, no meio de vós, eu sou como quem serve.
João 13:1-20
1 Ora, antes da Festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim.  2 Durante a ceia, tendo já o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que traísse a Jesus, 3 sabendo este que o Pai tudo confiara às suas mãos, e que ele viera de Deus, e voltava para Deus, 4 levantou-se da ceia, tirou a vestimenta de cima e, tomando uma toalha, cingiu-se com ela.  5 Depois, deitou água na bacia e passou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido.  6 Aproximou-se, pois, de Simão Pedro, e este lhe disse: Senhor, tu me lavas os pés a mim?  7 Respondeu-lhe Jesus: O que eu faço não o sabes agora; compreendê-lo-ás depois.  8 Disse-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: Se eu não te lavar, não tens parte comigo.  9 Então, Pedro lhe pediu: Senhor, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça.  10 Declarou-lhe Jesus: Quem já se banhou não necessita de lavar senão os pés; quanto ao mais, está todo limpo. Ora, vós estais limpos, mas não todos.  11 Pois ele sabia quem era o traidor. Foi por isso que disse: Nem todos estais limpos.  12 Depois de lhes ter lavado os pés, tomou as vestes e, voltando à mesa, perguntou-lhes: Compreendeis o que vos fiz?  13 Vós me chamais o Mestre e o Senhor e dizeis bem; porque eu o sou.  14 Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros.  15 Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também.  16 Em verdade, em verdade vos digo que o servo não é maior do que seu senhor, nem o enviado, maior do que aquele que o enviou.  17 Ora, se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes.  18 Não falo a respeito de todos vós, pois eu conheço aqueles que escolhi; é, antes, para que se cumpra a Escritura: Aquele que come do meu pão levantou contra mim seu calcanhar.  19 Desde já vos digo, antes que aconteça, para que, quando acontecer, creiais que EU SOU.  20 Em verdade, em verdade vos digo: quem recebe aquele que eu enviar, a mim me recebe; e quem me recebe recebe aquele que me enviou.
Foi na noite anterior ao dia em que Jesus seria crucificado.
Ele sabia que era a sua última noite com os discípulos. Sabia que seria traído, preso; que seria acusado e julgado injustamente; que seria escarnecido, pregado numa cruz, açoitado; que seus próprios discípulos o abandonariam naquela hora.
Então Lucas nos conta que ele disse estas coisas aos seus discípulos. E naquele contexto, não sabemos exatamente o porquê, surgiu uma discussão entre eles, sobre quem deles parecia ser o maior, isto é, o que tinha mais autoridade sobre os demais. Será que eles estariam pensando na possibilidade de um substituto quando Jesus se ausentasse?
Mas então Jesus lhes explicou que no reino de Deus não devemos ter esta atitude; antes que em vez de buscar ser líderes, os seus discípulos devem buscar ser servos. Ele próprio era o exemplo supremo que deve ser seguido.
E João nos conta que naquela hora Jesus levantou-se, enrolou uma toalha em volta da cintura, colocou água numa bacia, e passou a lavar os pés de cada um dos discípulos, e a enxugá-los com a toalha.
Este era o trabalho normal do servo mais humilde de uma casa. Depois, Jesus explicou a razão pela qual fizera isto.
v. 15
Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também.
Vamos considerar o exemplo de Jesus, a quem buscamos seguir.
1. Um exemplo de amor
v. 1
Ora, antes da Festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim.
Amou-os até o fim. Amou-os até à morte.
Em momento algum deixou de amar.
1.1. Independentemente das circunstâncias
No cap. 12:27 Jesus nos conta como ele estava se sentindo naquela noite
Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora.
Era uma noite de extrema angústia e sofrimento. Em situações assim, em que estamos aflitos, fica difícil mantermos uma atitude de amor, especialmente quando as pessoas estão demonstrando tanto egoísmo.
Como foi que Jesus conseguiu continuar amando mesmo naquela hora? Voltemos um pouco mais:
Jo 12:24
Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto.
Neste versículo, Jesus compara-se a si mesmo com um grão de trigo.
Um grão de trigo colocado na terra, para que possa dar fruto precisa morrer. Precisa ser quebrado para que dele brote uma nova plantinha que por sua vez venha a produzir muitos frutos.
Assim também com ele. Para que pudesse produzir o fruto da vida eterna, a salvação das almas de muitas pessoas, ele precisava morrer. Precisava ser colocado na cruz e sofrer em nosso lugar.
Assim, Jesus conseguiu continuar amando até o fim porque ele não estava pensando em si mesmo, mas sim na salvação de todos aqueles a quem alcançaria por meio da sua morte.
Jesus simplesmente negou-se a si mesmo e tomou a sua cruz.
E logo em seguida ele diz que devemos fazer o mesmo
Jo 12:25, 26
25 Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna.  26 Se alguém me serve, siga-me, e, onde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, o Pai o honrará.
“Siga-me”, isto é, “faça como eu”.
Amados, todos somos trigo de Deus, e para produzir o fruto de vida do Espírito, é necessário que morramos para toda forma de egoísmo, de orgulho, que morramos para nós mesmos, a fim de vivermos para Deus.
Além de amar independentemente das circunstâncias difíceis daquela hora...
1.2. Jesus também amou independentemente do comportamento deles
Já dissemos que eles estavam a discutir entre si quem parecia ser o maior.
Mas além disto, Jesus sabia que não somente Judas o trairia. Também sabia que Pedro o negaria naquela mesma noite, e em três ocasiões diferentes (Jo 13:37, 38). E também sabia que todos os outros o abandonariam (Mt 26:31, 32). Mas continuou amando mesmo assim.
Queridos, esta mesma atitude de amor é o que ele espera de nós, e diz que é característica de todo aquele que o segue; que é assim que sabemos se somos verdadeiros crentes ou não:
Jo 13:34, 35
34 Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros.  35 Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.
2. Jesus nos dá um exemplo de humildade
No v. 3 nós lemos que Jesus viera do céu e que agora voltaria para lá. Que todas as coisas do universo inteiro, o Pai celestial confiara em suas mãos.
No v. 13 nós lemos que Jesus é o nosso Mestre, e no 16, que somos servos diante dele.
Ele é o Senhor e Mestre, ele é o que estava com o Pai desde antes da criação. É o rei da glória.
Mas o v. 4 nos diz que o rei da glória se vestiu como um escravo.
E Paulo descreve isto de modo impressionante
Fp 2:5-8
5 Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, 6 pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; 7 antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, 8 a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.
Você notou que ele fez exatamente ao contrário do que fez o diabo?
O diabo era um anjo de luz, mas um dia em vez de adorar a Deus começo a olhar demais para si mesmo, e se orgulhar, e quis assumir o lugar de Deus (Ez 28:11 e segs.).
Mas Jesus, subsistindo em forma de Deus, não apegou-se aos seus direitos como Deus, ao contrário, abriu mão deles, e assumiu a forma de servo, e não apenas de aparência. Jesus realmente serviu.
Amor e humildade são inseparáveis.
Glória a Deus, pois já imaginou se o todo-poderoso não fosse amoroso nem humilde? Estaríamos eternamente perdidos.
3. Um exemplo de serviço
Jesus lavou e enxugou os pés dos discípulos.
Há uma passagem muito interessante no Antigo Testamento, que lança ainda mais luz sobre o comportamento de Jesus aqui em João 13.
1º Sm 25:41
Então, ela se levantou, e se inclinou com o rosto em terra, e disse: Eis que a tua serva é criada para lavar os pés aos criados de meu senhor.
Aqui lemos sobre Abigail, uma mulher, como se diz, “bonita por dentro e por fora”. E uma das características de sua beleza interior era sua humildade, humildade que ela expressou diante de Davi quando ele nem era rei ainda, mas em quem ela reconhecia um homem de Deus.
Abigail se inclina e se apresenta como humilde serva.
Se em Lucas 5 lemos sobre Pedro prostrando-se aos pés de Jesus sentindo-se um imenso pecador diante da santidade do Senhor, estamos lendo sobre uma atitude bem apropriada a todos os seres humanos.
Se em Lucas 7 lemos sobre uma mulher derramando perfume aos pés do Senhor, enxugando-os com seus cabelos e beijando-lhes os pés, adorando ao Senhor por ter sido salva dos seus pecados, estamos lendo sobre aquele tipo de atitude que é bem apropriado a cada um de nós.
Se em Mateus 8 lemos sobre um enfermo prostrando-se diante do Senhor e suplicando que lhe cure a enfermidade, mais uma vez, estamos lendo sobre uma atitude muito apropriada a todos nós, diante daquele que sara as nossas enfermidades e perdoa as nossas iniquidades.
Mas aqui o Senhor dos céus e da terra, o rei do universo, se ajoelha e lava os pés dos discípulos.
E até parece estranho, mas aventuro-me a dizer que isto também é muito apropriado ao caráter de nosso querido Senhor.
Neste sentido, “servir é da natureza de Deus”.
Is 64:4
Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera.
Mas o grande propósito de nosso Senhor em João 13 está afirmado no v. 14
 14 Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros.  15 Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também.
Assim como eu amo vocês, assim como eu assumi a forma de um humilde servo diante de vocês, assim como eu me ajoelhei e servi a vocês, façam uns com os outros.
É claro que Jesus não estava com isto estabelecendo um ritual litúrgico, mas estabelecendo um modelo de atitude que devemos ter em nosso dia a dia.
Conclusão e aplicação
Em meio àquelas circunstâncias de aflição e dor que estava passando, em meio às fraquezas egoístas dos seus discípulos, Jesus os amou, se humilhou e serviu.
Assim ele espera de nós.
Eu desejo fazer duas ou três aplicações desta mensagem para a vida dos que creem na palavra de Jesus:
1. Deixe Jesus “lavar os teus pés”.
Os vs. 8 a 10 nos dizem que quando Jesus se ajoelhou para lavar os pés de Pedro, Pedro quis recusar:
“Nunca me lavarás os pés”!
Então Jesus respondeu: “Se eu não te lavar, não tens parte comigo”.
Então Pedro pediu: “Senhor, não lave somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça”.
E Jesus declarou: “Quem já se banhou não necessita de lavar senão somente os pés; quanto ao mais está todo limpo. Ora, vós estais limpos, mas não todos”.
Esta ideia de limpeza que Pedro e os demais discípulos já haviam experimentado é referida novamente no cap. 15:3, ainda que com outra figura:
Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado[1].
Se Jesus quer limpar a tua vida, deixe.
Se ele está mostrando que você precisa se purificar de seus pecados, deixe-o mostrar.
Se ele estiver mostrando falta de amor, falta de humildade, se ele estiver mostrando falta de compromisso, falta de serviço, deixe ele te lavar, pois se ele não te lavar, você não pode ter parte com ele.
2. Não somente isto, mas também “deixe Deus trabalhar para você”, pois Deus trabalha para aquele que nele espera
Há muitas coisas na sua vida que você sabe, são a vontade de Deus, mas que você não tem capacidade em si mesmo para realizá-las; estão além do seu alcance.
Entregue tudo nas mãos do Senhor.
Entregue os teus cuidados, as tuas preocupações, os teus santos desejos, as tuas imperfeições, entregue tudo.
3. Aprenda a viver como um filho do céu
Em sua opinião, quem foi a pessoa mais linda em seu caráter que já existiu neste mundo?
Quem foi a pessoa mais abençoada, e que foi a maior bênção de toda a história da humanidade?
Não foi Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador?
Pois, por outro lado, não existe nada pior do que um ser humano egoísta, orgulhoso e egocêntrico. Nada torna um ser humano mais parecido com o diabo do que quando ele quer agradar a si mesmo.
Você ama a Jesus? Quer ser como ele? Quer imitá-lo?
Então assuma esta atitude no seu dia a dia: seja em casa, com sua família, seja no seu trabalho, seja na igreja, seja na escola, seja entre os amigos, assuma esta atitude de amor, humildade e serviço.
Pense em maneiras de manifestar esta atitude:
Em todos os lugares, ame: ame aos seus pais, aos seus irmãos, seja humilde quando repreendido, seja servo nas tarefas diárias; tarefas que nem precisam ser “oficialmente” suas: lave louça para sua esposa, escove os sapatos dos seus pais (ou melhor, da família toda), coloque o lixo lá fora, sirva.
Ame as pessoas com que trabalha, mesmo que elas vivam disputando entre si sobre “quem parece ser o maior”.
Ame os irmãos em Cristo: não seja orgulhoso, não fale mal dos irmãos, não os deprecie, mas sirva-os com seus dons.
Fazendo assim você estará agindo de acordo com as leis do céu. Estará sendo um embaixador do céu na terra.



[1] Mais tarde, em Efésios Paulo também diz que Jesus deu a vida pela igreja a fim de purificá-la pela “pela lavagem de água pela palavra”.

domingo, 13 de outubro de 2013

Minha graça te basta - 2ª Co 12:7-10

3ª IPC de São Paulo
Domingo, 28 de outubro de 2001
Pr. Plínio Fernandes
Meus irmãos, vamos ler 2ª aos Coríntios 12:7-10
“E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte.  8 Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim.  9 Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo.  10 Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte.”
O apóstolo Paulo foi um dos maiores personagens da história da Igreja de Cristo.
Foi uma das pessoas que teve as mais profundas compreensões da grandeza do evangelho, do amor e da justiça divinos, da salvação eterna.
Ele teve grandes revelações do Senhor, sendo que o próprio Jesus se manifestou pessoalmente a ele, em pelo menos quatro ocasiões de grande crise na vida do apóstolo.
Pelo menos metade das Escrituras Sagradas no Novo Testamento foi escrita por ele.
Todas estas coisas maravilhosas, bem poderiam ter levado este homem a, na realidade, se afastar da presença de Deus, se fosse deixado entregue si mesmo.
Ele poderia se tornar orgulhoso dos altos privilégios que lhe foram concedidos por Deus.
Poderia ter se tornado presunçoso, de que Deus o abençoava mais do que a outras pessoas, de que Deus usava sua vida mais do que a de outras pessoas.
Poderia ter se tornado vaidoso.
Poderia ter se tornado autoritário, arbitrário, arrogante, dominador.
Como aconteceu com Satanás, que se tornou inimigo de Deus justamente porque se convenceu de que ele o melhor em tudo.
Mas não foi assim com este apóstolo.
Ao contrário, embora fosse um homem tão ricamente abençoado e útil nas mãos de Deus, Paulo se manteve humilde e fiel até o fim de sua vida.
E neste texto ele nos conta o porquê.
Ele nos conta que, por causa da grandeza das revelações de Deus em sua vida, foi-lhe posto “um espinho na carne”, um verdadeiro “mensageiro de Satanás, para esbofeteá-lo”, a fim de que ele “não se ensoberbecesse”, a fim de que ele não se tornasse uma pessoa orgulhosa.
Nós não sabemos exatamente qual era a natureza deste “espinho”.
A palavra traduzida por “espinho” em nossas Bíblias na realidade deixa muito a desejar; “estaca” seria uma tradução mais exata - um pedaço pontiagudo de madeira, que fincado no corpo de uma pessoa, causa-lhe profunda dor.
Esta palavra, “mensageiro”, é a tradução literal da palavra “anjo”, que às vezes é um homem, às vezes um ser espiritual.
No v. 10 ele menciona uma série de coisas que podem ser consideradas espinhos na carne: fraquezas, injúrias (desrespeito, insultos), necessidades, perseguições da parte de outras pessoas, angústias, coisas estas que liga ao seu relacionamento com Jesus Cristo, isto é: por causa de seu amor a Jesus Cristo é que ele passa por estas situações.
De qualquer forma, a idéia é a de que seja o que for que Paulo enfrentava, era algo que o fazia sentir-se enfraquecido e humilhado.
Então ele orou ao Senhor, pedindo que o Senhor tirasse aquela “estaca”, aquele anjo do inimigo que o fazia sentir-se humilhado.
Mas cada vez que orou, a força do verbo grego é esta, cada vez que ele orou a resposta do Senhor foi esta: “Paulo, a minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza; quanto mais fraco você for, mais meu poder se manifestará em tua vida”.
Então Paulo conclui: “De boa vontade, pois, mais me gloriarei em minhas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo, e estas coisas que deveriam me entristecer, me desanimar, me enfraquecer, ao invés disto me alegram, me animam, me fortalecem”.
Nestas palavras do Senhor Jesus ao apóstolo é que vamos meditar nesta noite.
“A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza”.
Se a graça de Jesus não for suficiente, nada mais o será.
Por outro lado, se a graça de Jesus for suficiente para nós, não precisamos mais nada.
1. O que significa ter a graça de Jesus Cristo
Se queremos dar uma definição da palavra “graça”, o que vem de imediato à nossa mente é aquela velha e conhecida frase: “graça é favor imerecido”.
É uma definição bíblica, correta, precisa, mas a minha dificuldade é que, quando empregamos esta frase, pelo fato de estarmos tão acostumados a ela, já não sentimos o “calor” que deveríamos sentir no coração diante desta verdade; já não percebemos a grandeza desta verdade maravilhosa que estamos afirmando.
Por isto eu gostaria de me deter um pouco com irmãos, no conceito bíblico da palavra “graça”.
Vejamos as denotações principais desta palavra na Bíblia.
A primeira delas é que graça significa favor (como na frase: “graça é favor imerecido”).
Neste sentido, Paulo faz um contraste entre graça e pagamento.
Rm 4:4
“Ora, ao que trabalha, o salário não lhe é considerado como favor, mas como dívida”
Neste contexto o apóstolo está ensinando que a salvação da nossa alma não é algo que Deus nos concede como se fosse uma dívida dele para conosco, pelo fato de termos trabalhado pela nossa salvação.
Não, ele diz, a nossa justificação diante de Deus só se baseia no favor dele para conosco; no fato de que ele agiu em nosso favor; no fato de que ele está em nosso favor, ou como ele diz no cap. 8:31: Deus é por nós.
Então, quando Deus nos diz: “A minha graça te basta”, entre outras coisas eles está afirmando: “Eu estou com você. Nas suas angústias, nas suas fraquezas, nas suas dificuldades, quando o Satanás e seus anjos estão contra você, nas suas necessidades, eu estou do seu lado”.
Há uma outra nuança da palavra graça: “Graça significa amor”.
Esta denotação tem suas raízes no Antigo Testamento, onde o Senhor ensina que o relacionamento dele com seus eleitos é baseado somente em sua disposição amorosa para com eles.
Dt 7:6-8
“Porque tu és povo santo ao SENHOR, teu Deus; o SENHOR, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra.  7 Não vos teve o SENHOR afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos,  8 mas porque o SENHOR vos amava e, para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o SENHOR vos tirou com mão poderosa e vos resgatou da casa da servidão, do poder de Faraó, rei do Egito.”
De novo aparece o conceito de que Deus está do lado de seu povo, não porque este povo tenha demonstrado alguma coisa que o fizesse digno disto: “Vocês eram o menor de todos os povos, diz o Senhor, não havia em você algo fizesse você melhor que os demais; eu os escolhi apenas porque os amei, e porque determinei cumprir minha palavra dada aos seus pais...”
Agora, dentro deste conceito de amor eletivo, há mais uma palavra que descreve a graça de Deus, que em nossas Bíblias às vezes é traduzida por misericórdia, às vezes por bondade, às vezes por compaixão, mas que melhor seria traduzida por “amor constante”.
Is 54:7,8
“Por breve momento te deixei, mas com grandes misericórdias torno a acolher-te;  8 num ímpeto de indignação, escondi de ti a minha face por um momento; mas com misericórdia eterna me compadeço de ti, diz o SENHOR, o teu Redentor.”
Veja, quando o Senhor diz: “A minha graça”, ele está dizendo: “Você pode contar com o meu favor, pode contar com o fato de que eu amo você, e que este amor é constante, eterno, imutável, pode contar com o fato de que eu estou do seu lado”.
Eu acho que uma das melhores ilustrações da graça de Jesus pode ser vista na história daquela mulher que foi pega em flagrante adultério, conforme registrada em Jo 8:1-11.
Esta mulher foi levada à presença de Jesus por um grupo enorme de pessoas que, além de odiarem e desejarem ter algo para incriminar ao Senhor, também estavam cheias de desejo de vingança contra ela, pois ela havia traído o marido, o que naquela época era algo considerado digno de execração pública e pena de morte.
Em nossos dias o adultério continua sendo um pecado tão grande quanto naqueles, pois na maioria das vezes é uma traição a um ser humano que em nós coloca a sua confiança e devoção.
Pois bem: os homens trazem esta mulher à presença do Senhor, exigindo que ele pronuncie seu veredicto.
A princípio, ele se mantém calado, mas diante da hipócrita insistência deles, e embora ele próprio odeie o pecado muito mais do qualquer outro ser humano, ele diz: “Aquele que não tiver cometido pecado algum, que seja o primeiro a atirar alguma pedra”.
E os homens, acusados pela sua própria consciência, foram se retirando um por um.
Depois disto ele se volta para a mulher e pergunta: “Onde estão os teus acusadores? Ninguém te condenou”?
“Ninguém Senhor”.
“Nem eu tampouco te condeno. Vai-te, e não peques mais”.
Veja: quando todos estavam contra ela, todos acusando-a, querendo-a ver julgada, condenada, castigada, a palavra o Senhor foi: “Eu estou do lado dela”; não do lado do pecado dela, é claro, mas do lado dela.
E se Deus está por ela, quem será contra ela? Não é?
Se Deus é por nós, quem será contra nós?
2. A graça de Jesus é maior que tudo quanto acontece em nossa vida
Como diz o Sl 63:1
“A tua graça é maior que a vida!”
E Jesus diz a Paulo: “A minha graça te basta”!
Jesus respondeu isto ao apóstolo Paulo a cada vez que ele orou pedindo-lhe que afastasse o seu “espinho na carne”.
Como já dissemos anteriormente, não sabemos exatamente no que consistia este espinho.
O Pr. John MacArthur, com base na palavra “mensageiro”, ou “anjo de Satanás”, crê que se tratava de um dos opositores do Apóstolo Paulo em Corinto, pois naquela cidade especialmente, havia pessoas que eram contra o Apóstolo, que procuravam de alguma forma denegrir a sua imagem e o seu ministério.
Eu pessoalmente creio que este mensageiro não é tanto um ser pessoal, mas algo que foi enviado por Satanás, é claro, sob a permissão de Deus, e que prejudicava o Apóstolo.
Na realidade, penso que se tratava de uma enfermidade física, pois no v. 9 ele se refere a este espinho como sendo uma fraqueza, e na carta aos Gálatas ele emprega esta mesma palavra para se referir a uma enfermidade que ele tinha, ao que tudo indica, nos olhos.
Mas, seja o que for, era algo que incomodara o Apóstolo, que o humilhara, que o deixara aflito.
E ele orou: “Senhor, tira de mim esta aflição, destrói esta obra de Satanás”.
Engraçado, irmãos, ele não fez uma declaração de pensamento positivo, ele não fez uma oração para amarrar Satanás, não deu ordem alguma ao Diabo, não foi procurar um terapeuta, também não fez uma “quebra de maldições”; ele simplesmente orou, e o Senhor não lhe atendeu ao pedido.
O Senhor somente lhe respondeu: “A minha graça te basta!”, isto é, “a minha graça é suficiente para você; então mesmo que você seja perseguido, injuriado, maltratado, injustiçado, mesmo que você tenha fraquezas, limitações, necessidades, você não está sozinho; eu estou com você”.
Veja: a verdadeira bênção não é você não enfrentar adversidades, não ter problemas, não sofrer.
A verdadeira bênção é você saber que em todas estas coisas que você enfrenta, você não está sozinho.
Estou pensando em certa irmãzinha a quem tive o privilégio de pastorear alguns anos atrás. Certo dia ela iria dirigir um estudo na igreja; mais precisamente era um sermão de prova no instituto bíblico. Ela trabalhava como caixa, num banco. E naquele mesmo dia ela fora enganada em seu trabalho, o que resultou em que ela precisou pagar ao banco o valor que um falso cliente lhe roubou.
Ela ficou tão triste com aquela situação, e até contou para nós o que havia acontecido. Mas fez daquele episódio um motivo a mais para dizer as palavras do texto que iria pregar: “O Senhor é  minha luz e a minha salvação; o Senhor é a força da minha vida”.
É claro que este coração de pastor louvou muito a Deus ao ver a graça de Deus na vida daquela querida irmã. E entre outras coisas, eu fiquei pensando no que aconteceria na vida de uma outra pessoa, que não conhecesse a Jesus Cristo: qual seria a reação? Já pensou ter que enfrentar situações assim sem a força que Jesus nos dá?
Eu acho que as expressões mais fortes desta presença de Deus conosco estão no profeta Isaías:
Is 46:3,4
“Ouvi-me, ó casa de Jacó e todo o restante da casa de Israel; vós, a quem desde o nascimento carrego e levo nos braços desde o ventre materno. 4 Até à vossa velhice, eu serei o mesmo e, ainda até às cãs, eu vos carregarei; já o tenho feito; levar-vos-ei, pois, carregar-vos-ei e vos salvarei”.
Ele leva o seu povo nos braços, carrega no colo, desde o nascimento, e vai continuar levando até à velhice.
Às vezes nos encontramos em situações tão críticas, humanamente falando, sem saída, que não nos resta nada a não ser não fazer nada, mas podemos ter a bendita certeza de que não estamos sozinhos, de que nada nos separará do amor, da graça, da presença de Cristo.
3. A graça de Jesus Cristo faz com tudo coopere para o nosso bem
Jesus disse: “A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza”. E Paulo acrescenta aqui que se trata do poder de Cristo.
“Eu não vou afastar este espinho de você, pois ele faz parte do meu plano, é um meio de eu aperfeiçoar meu poder em sua vida”.
Veja irmão, do nosso ponto de vista, nossos problemas, fraquezas, necessidades, são um verdadeiro entrave à vida espiritual, um entrave ao ministério.
Mas do ponto de vista de Deus, as adversidades são na realidade oportunidades de crescimento espiritual e consequentemente maior utilidade nas mãos do Senhor.
Há uma afirmação muito bonita em Hebreus 11, acerca dos nossos irmãos do Antigo Testamento, que viveram uma vida vitoriosa, de fé.
Hb 11:32-34
“E que mais direi? Certamente, me faltará o tempo necessário para referir o que há a respeito de Gideão, de Baraque, de Sansão, de Jefté, de Davi, de Samuel e dos profetas, 33 os quais, por meio da fé, subjugaram reinos, praticaram a justiça, obtiveram promessas, fecharam a boca de leões, 34 extinguiram a violência do fogo, escaparam ao fio da espada, da fraqueza tiraram força, fizeram-se poderosos em guerra, puseram em fuga exércitos de estrangeiros.”
Da fraqueza tiraram força.
É precisamente isto o que diz o Apóstolo: “Quando sou fraco, então é que sou forte”.
Que tipo de benefícios estas adversidades podem trazer para nossa alma?
3.1. Humildade - v. 7
“Para que eu não me ensoberbecesse... para me esbofetear, a fim de que eu não me exalte”...
A pior armadilha, o pior pecado que um ser humano pode cair é o pecado do orgulho espiritual.
Foi este pecado que levou o “Querubim Ungido” a se transformar em Satanás.
É este o pecado que torna o ser humano separado de Deus, pois, como disse Tiago, Deus resiste aos orgulhosos, mas aos que são humildes ele concede a sua graça.
E Paulo estava numa situação tão privilegiada que se não houvesse algum impedimento, alguma espécie de freio, ele poderia se envaidecer.
Então o Senhor permitiu esta adversidade, que fazia Paulo sentir-se pequeno, humilhado, humilde, vazio de si mesmo.
3.2. Contentamento
v. 9
“De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas minhas fraquezas”.
v. 10
“Pelo que sinto prazer nas fraquezas...”
Uma vez que você sabe que até as fraquezas são para o seu bem estar espiritual, você pode então se alegrar até mesmo nelas.
Não no sentido de que você estará rindo, em toda e qualquer situação, mas que em toda e qualquer situação o seu coração estará em paz, de que haverá a certeza de que o Senhor reina, que ele está no controle de tudo.
E você poderá até mesmo dizer como Jó: “O Senhor o deu, o Senhor o tomou. Louvado seja o nome do Senhor”.
E você poderá até mesmo agradecer a Deus por seu problemas, pois eles fazem bem à sua alma.
3.3. Dependência do Senhor
v. 9 - “Vou ter prazer nas fraquezas, para que sobre mim repouse  o poder de Cristo...”
v. 10
“Quando sou fraco, então é que sou forte...”
“Quanto mais eu perceber que não sou nada de mim mesmo, quanto mais eu perceber que sou limitado, mais a força de Jesus se manifestará”.
Eu quero citar de novo o meu predileto: o Profeta Isaías
Is 50:10
“Quem há entre vós que tema ao SENHOR e que ouça a voz do seu Servo? Aquele que andou em trevas, sem nenhuma luz, confie em o nome do SENHOR e se firme sobre o seu Deus.”
O Servo do Senhor às vezes anda nas trevas, na escuridão, sem ver o caminho que deve seguir, mas mesmo na escuridão ele confia, pois ele diz: “Senhor é a minha luz e a minha salvação, o Senhor é a força da minha vida...”
Ele confia no nome do seu Deus, ele se firma sobre o seu Deus.
A graça do seu Deus é o que lhe basta...
Você tem fraquezas que te humilham? Que fazem com que você se sinta um nada, um fraco espiritualmente? Você passa por situações que são verdadeiras bofetadas, verdadeiras obras de Satanás que fazem você se sentir pequeno?
Irmão, você sabe que a sua vida está nas mãos do Senhor, sabe que, por exemplo, na história de Jó, quando o Senhor permitiu tanto sofrimento, na realidade tudo o que estava acontecendo eram bênçãos disfarçadas
Conclusão
Eu gostaria de concluir lendo mais um texto que nos retrata o tamanho da graça de Deus.
Ef 2:1-9
“Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados,2 nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; 3 entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais.  4 Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou,  5 e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, -- pela graça sois salvos,  6 e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; 7 para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. 8 Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; 9 não de obras, para que ninguém se glorie.”
Se você é crente em Jesus Cristo, este texto está dizendo exatamente quem você era e quem você é agora.
Você era uma pessoa espiritualmente morta, em delitos e pecados.
Escrava do pecado.
Desobediente a Deus.
Afastada de Deus.
Fazendo a vontade de sua própria carne, de seus próprios pensamentos
Era por natureza filha da ira, estava sob a condenação de Deus.
Sua vida era um inferno e você estava indo para o inferno.
Assim como vivem todas as demais pessoas, que não conhecem a Jesus.
Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que ele te amou
Te deu vida juntamente com Cristo, ressuscitou você dentre os mortos
Salvou a tua alma, transformou teu coração, salvou você por sua maravilhosa graça. Será que o Deus que por seu poder livrou a sua alma da morte eterna, que tirou você do poder de Satanás, do pecado e das trevas, este a Deus não pode sustentar você em meio a todas as tempestades?
Não pode preservar tua alma, renovar tuas forças?
Será que o fato de ele estar com você não é tudo o que você precisa?
Eu quero que você se imagine à beira de um rio, um rio grande, largo, límpido, de águas puras, frescas, cristalinas, que corre à sombra de árvores imensas, no meio de uma floresta.
E você agora já não está mais à beira deste rio: você é um peixinho pequenino, mergulhado nas águas desse rio.
Será que as águas deste rio são suficientes para você?  Será que bastam para matar sua sede?

Assim é o rio da graça de Deus, do Deus infinito: beba deste rio, beba desta graça, mate a sua sede, peixinho pequenino.
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