Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

Mostrando postagens com marcador Amor a Deus. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amor a Deus. Mostrar todas as postagens

sábado, 20 de junho de 2020

O temor do Senhor - Dt 17:14-20

Terceira Igreja Presbiteriana Conservadora de Guarulhos

Domingo, 01 de março de 2020

Pr. Plínio Fernandes

Quando entrares na terra que te dá o SENHOR, teu Deus, e a possuíres, e nela habitares, e disseres: Estabelecerei sobre mim um rei, como todas as nações que se acham em redor de mim, 15 estabelecerás, com efeito, sobre ti como rei aquele que o SENHOR, teu Deus, escolher; homem estranho, que não seja dentre os teus irmãos, não estabelecerás sobre ti, e sim um dentre eles.16 Porém este não multiplicará para si cavalos, nem fará voltar o povo ao Egito, para multiplicar cavalos; pois o SENHOR vos disse: Nunca mais voltareis por este caminho.17 Tampouco para si multiplicará mulheres, para que o seu coração se não desvie; nem multiplicará muito para si prata ou ouro. 18 Também, quando se assentar no trono do seu reino, escreverá para si um traslado desta lei num livro, do que está diante dos levitas sacerdotes.19 E o terá consigo e nele lerá todos os dias da sua vida, para que aprenda a temer o SENHOR, seu Deus, a fim de guardar todas as palavras desta lei e estes estatutos, para os cumprir. 20 Isto fará para que o seu coração não se eleve sobre os seus irmãos e não se aparte do mandamento, nem para a direita nem para a esquerda; de sorte que prolongue os dias no seu reino, ele e seus filhos no meio de Israel.

O texto que acabamos de ler foi primeiramente dirigido a homens que, em certo sentido, eram os mais importantes de Israel.

Foram palavras de orientação para os reis, que, na Igreja do Antigo Testamento, eram homens ungidos pelo Espírito Santo, para governar de acordo com a vontade de Deus.

Deviam administrar a justiça, praticar o bem, e serem exemplos de vida santa, conduzindo o povo na vontade do Senhor.

Então, nestas orientações, o Senhor diz que havia certas coisas que os reis de Israel não deveriam fazer, e havia uma coisa principal que eles deveriam fazer todos os dias.

Primeiramente, o Senhor diz, no v. 16, os reis não deveriam multiplicar para si o seu número de cavalos. Os cavalos, meus irmãos, eram a representação do poderio bélico, o poder de guerra de uma nação. Quanto mais os reis possuíssem cavalos, mais capacitados para a guerra eles eram considerados.

Como por exemplo o Egito, de onde eles haviam acabado de sair daquela terrível escravidão. Mas como vocês sabem, diante do poder do Senhor, de nada adiantou o poderio egípcio. No mar pereceram os cavalos e os seus cavaleiros. Assim o Senhor ordena que os reis de Israel não multiplicassem o seu número de cavalos, inclusive não fizessem, neste sentido, nenhuma aliança com aquela nação que os escravizara. O Senhor era o poder de guerra do povo escolhido.

Em segundo lugar, os reis de Israel não deveriam multiplicar o número de esposas, o que era um costume muito comum nas cortes orientais. Os casamentos não eram vistos apenas do ponto de  vista do relacionamento conjugal, como o é na maioria dos casos hoje em dia. Eram vistos como alianças entre famílias, tribos e nações. Nós temos mais familiaridade com isto quando, por exemplo, estudamos a história da Europa medieval.

Assim, o multiplicar esposas, fazendo alianças com outras nações, era uma coisa proibida para os reis de Israel. E também, naturalmente, o multiplicar esposas por qualquer outro motivo, pois Deus, quando criou o primeiro casal, o fez com apenas um homem e uma mulher. Este foi o grande pecado de Salomão, que o levou a desviar-se do Senhor.

E em terceiro, eles também não deveriam multiplicar para si o ouro e a prata, isto é, não deveriam enriquecer.

Sexo, dinheiro e poder, coisas tão cobiçadas pelos homens, não deveriam ser cobiçados pelos reis de Israel.

Mas havia algo que eles deveriam fazer, todos os dias: ler o livro da lei do Senhor.

Eles deveriam fazer uma cópia do livro para si mesmos, e ter esta cópia junto de si. E neste livro deveriam ler todos os dias.

Se eles fizessem assim, então aprenderiam três atitudes espirituais que deveriam manter, a fim de fossem homens de Deus.

Leiamos novamente os vs. 18-20

Também, quando se assentar no trono do seu reino, escreverá para si um traslado desta lei num livro, do que está diante dos levitas sacerdotes.19 E o terá consigo e nele lerá todos os dias da sua vida, para que aprenda a temer o SENHOR, seu Deus, a fim de guardar todas as palavras desta lei e estes estatutos, para os cumprir.20 Isto fará para que o seu coração não se eleve sobre os seus irmãos e não se aparte do mandamento, nem para a direita nem para a esquerda; de sorte que prolongue os dias no seu reino, ele e seus filhos no meio de Israel.

Veja o que ele aprenderia no livro da lei do Senhor:

Primeiramente, ele aprenderia a temer ao Senhor, seu Deus.

Em segundo, aprenderia a ser um homem obediente a Deus, isto é, faria o que Deus diz em sua lei.

Terceiro, seria um homem cujo coração não se elevaria sobre os demais, não seria soberbo, ou orgulhoso. Seria um homem humilde.

Temor do Senhor, obediência e humildade, são três características que nós vemos em Jesus, o nosso rei.

Pois como disse o profeta Isaías: “Sobre ele repousará o Espírito de temor do Senhor”...[1]

E são três características que devem existir em cada ser humano, por causa da própria natureza das coisas. São três necessidades de nossas almas. Se nós possuímos estas coisas, elas são evidências de que nossas almas estão sadias. E se não as possuímos, elas são evidências de que nossas almas estão enfermas.

Mas falando claramente, depois que o pecado entrou na história humana, nenhum ser humano nasce com a alma sadia.

Já nascemos deformados espiritualmente. Já nascemos orgulhosos, desobedientes de sem temor a Deus.

Como escreveu o apóstolo Paulo, “todos se extraviaram... não há temor de Deus diante dos seus olhos...”[2].

E aqui está a maravilha da revelação que Deus nos trás nas Escrituras: é que o Senhor restaura as nossas almas, pelo poder da sua Palavra.

“A lei do Senhor é perfeita, e restaura a alma” [3].

A lei do Senhor nos ensina a temê-lo, nos ensina a obedecê-lo, e nos ensina a ser humildes. Mas ela não ensina apenas o intelecto.

Ela é poderosa, viva e eficaz, e realiza em nós a vontade do Senhor. Ela penetra até o mais profundo do nosso ser, e ensina o nosso coração, isto é, ela nos transforma.

Eu quero meditar com vocês sobre estas três atitudes que precisamos ter, e que são características de almas sadias, que estão aprendendo com a Palavra de Deus.

Mas não o faremos no todo agora. Hoje nós vamos considerar a primeira delas: o temor do Senhor.

Quando as Escrituras nos dizem que nós devemos temer ao Senhor, meus irmãos, elas não estão falando de um temor servil, fruto do pecado, como aconteceu no Jardim do Éden, quando Adão e Eva temeram e fugiram da presença de Deus, pois tinham consciência de que haviam pecado[4].

Tiago também escreveu que os demônios tremem de medo diante de Deus[5], pois são rebeldes, e sabem que o dia do juízo está chegando para eles também.

Assim, o temor do Senhor, no sentido bíblico, evangélico, espiritual, é aquela atitude de devoção, filial, que devemos ter para com o nosso Pai celestial, porque reconhecemos quem é o nosso Pai, e o amamos; porque respeitamos e honramos a sua autoridade, e porque também sabemos que, se desobedecermos esta autoridade, iremos desonrar e entristecer o coração do nosso Pai, além de provocar a sua ira.

Vocês se lembram, meus irmãos, do famoso pecado de Davi. Davi adulterou com a esposa de Urias, um dos seus fiéis soldados.

E depois armou uma cilada para que Urias morresse na guerra, e casou-se com a esposa dele.

Mais tarde, Davi arrependeu-se sinceramente, e Deus o perdoou.

O salário do pecado é a morte, e o Senhor lhe disse: – “O Senhor perdoou o teu pecado. Não morrerás...”[6]

Mas irmãos, Davi havia desprezado gravemente a Palavra do Senhor. Dera ensejo para que os incrédulos blasfemassem contra o nome de Deus. E destruíra a família de Urias.

Então, embora o seu pecado tenha sido perdoado, o Senhor acrescentou que haveria consequências sobre a casa de Davi.

Assim como ele havia ferido a Urias, pela espada, a espada também jamais se apartaria de sua casa.

Logo em seguida, a criancinha que nasceu daquela relação adulterina morreu, para a tristeza de Davi.[7]

Depois, um dos filhos de Davi apaixonou por uma de suas irmãs, e a humilhou. Em seguida foi assassinado por um dos seus irmãos.

O assassino em seguida fugiu, e anos mais tarde também queria matar ao próprio pai e ocupar o seu lugar.

Irmãos, que consequências terríveis. Quem deseja que os seus filhos, ou a sua família, sofram as consequências de seus pecados?

Eu quero citar algumas razões pelas quais devemos temer a Deus

1 – Porque o Senhor, nosso Deus, é grande e temível

Dt 10:16,17 – Circuncidai, pois, o vosso coração e não mais endureçais a vossa cerviz. 17 Pois o SENHOR, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e temível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita suborno.

A circuncisão era uma prática que Deus ordenou ao povo israelita, como sinal de que entre eles e o Senhor havia uma aliança, como num casamento, pela qual eles eram o povo do Senhor, e o Senhor, o Deus deles.

Mas você sabe que às vezes uma pessoa pode estar com um anel de aliança no dedo, e ainda assim não ser fiel ao seu cônjuge.

A aliança tem que ser também “de coração”.

Então o Senhor ordena aqui: – “Circuncidem os seus corações, e não endureçam os pescoços, isto é, não sejam orgulhosos”.

E a razão para isto: o Deus a quem vocês pertencem é grande e temível.

Você se lembra de quando Jacó, na estrada de Padã-Arã dormiu e sonhou com uma escada que ia até o céu. Os anjos de Deus subiam e desciam por ela. Perto dele estava o SENHOR e lhe disse: – “Eu sou o SENHOR, Deus de Abraão, teu pai, e Deus de Isaque...”

E fez promessas de uma vida muito abençoada Jacó.

– A terra em que agora estás deitado, eu ta darei, a ti e à tua descendência. A tua descendência será como o pó da terra; estender-te-ás para o Ocidente e para o Oriente, para o Norte e para o Sul. Em ti e na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra. Eis que eu estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei voltar a esta terra, porque te não desampararei, até cumprir eu aquilo que te hei referido.

Quando Jacó despertou do seu sono, o temor se apossou de seu coração, e ele disse:

– “Na verdade, o SENHOR está neste lugar, e eu não o sabia. Quão temível é este lugar! É a Casa de Deus, a porta dos céus”[8].

Este temor também foi o que se apoderou de João, conforme ele nos conta no Apocalipse, quando teve uma visão de Jesus, no resplendor de sua glória.

João sentiu-se caindo aos pés de Jesus, como morto.

O mesmo temor que sentiu o profeta Daniel[9]. E o profeta Isaías[10]. E o profeta Ezequiel[11].

Era um sentimento que governava todo o modo de vida do apóstolo Paulo[12], e que ele queria ver em todos os crentes, porque, falando pelo Espírito Santo, nos ordenou: “Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor...”[13].

E Moisés, pois muitas vezes o vemos orando ao Senhor, e chamando-o Deus grande e temível.

Irmãos, aquele que realmente conhece a Deus, aquele que pela fé tem andado com ele, visto o seu poder de salvar, de curar, de governar tudo o que acontece, sabe que o glorioso Senhor é Deus grande e temível, em sua santidade, em sua majestade, em sua amorosa justiça. Conhece a bondade e a severidade de Deus.

Por isto eu acho muito próprio dizer que se uma pessoa não tem temor de Deus no seu coração, ela ainda não conhece a Deus verdadeiramente.

Isto nos conduz à segunda razão pela qual devemos temer a Deus...

2 – É que, com o mesmo temor que tiveram nossos antepassados na fé, que nós devemos nos aproximar de Deus

Hb 12:28, 29 –  Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo consumidor.

Nós reconhecemos que somos pecadores salvos pela graça de Deus que nos foi dada em Jesus Cristo, quando ele, movido pelo amor, deu a sua vida na cruz, em nosso lugar.

Sabemos que o Senhor Deus não nos aceita com base na perfeição de nossas obras, pois nossas melhores boas obras são contaminadas pelos nossos pecados[14].

Então confiamos somente em Jesus, e por esta fé nós temos a certeza da vida eterna.

Mas irmãos, esta graça de Deus que nos concede perdão, que nos concede certeza da salvação, como diz em outro lugar também nos educa nos caminhos de Deus[15].

Ela nos ensina a servir a Deus de modo agradável a ele, isto é, com reverência e santo temor, sem nos esquecermos de que o nosso Deus é um fogo consumidor.

Que, conforme nos ensina o Apocalipse, os olhos de Jesus são como chamas de fogo de ódio contra o pecado.[16]

Veja, nós devemos servir a Deus em todas as áreas da nossa vida, com todo o nosso ser.

E devemos ter muita consciência de que, quando nos reunimos como igreja, para cultuar, estamos servindo a Deus.

Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele servirás[17].

E o serviço ao Senhor não pode ser displicente, feito de modo leviano, como quem está, se me permitem a expressão de gíria, “na casa da sogra”.

Pois em outro lugar também diz a Escritura:

Maldito aquele que fizer a obra do Senhor relaxadamente[18].

A Bíblia nos conta sobre vários momentos em que Deus manifestou a sua ira contra pessoas que tentaram servi-lo com um coração errado.

Eu quero citar um caso muito famoso: Nababe e Abiú, sacerdotes, filhos de Arão, irmão de Moisés.

A história trágica de Nadabe e Abiú está narrada em Lv 10:1-3

Nadabe e Abiú, filhos de Arão, tomaram cada um o seu incensário, e puseram neles fogo, e sobre este, incenso, e trouxeram fogo estranho perante a face do SENHOR, o que lhes não ordenara.  2 Então, saiu fogo de diante do SENHOR e os consumiu; e morreram perante o SENHOR.  3 E falou Moisés a Arão: Isto é o que o SENHOR disse: Mostrarei a minha santidade naqueles que se cheguem a mim e serei glorificado diante de todo o povo. Porém Arão se calou.

Talvez eles estivessem cheios de boas intenções, mas o Senhor não se agradou, pois eles estavam querendo cultuar com base num princípio de desobediência.

Amados, nós devemos servir a Deus com reverência e santo temor.

Como fruto de corações que o amam, que desejam honrá-lo com os nossos lábios e com nossa vida, com o nosso comportamento aqui e no mundo lá fora.

Só assim podemos de fato cultuar a Deus de modo agradável.

3 - E também somente assim podemos receber a Palavra de Deus de modo abençoador para nossas almas.

Is 66:12 – Porque a minha mão fez todas estas coisas, e todas vieram a existir, diz o SENHOR, mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra.

Tremer diante da Palavra do Senhor significa receber a Palavra de Deus, seja através da leitura, seja através da pregação, com seriedade de coração, como que está de fato ouvindo o que o Senhor do Universo está dizendo.

Significa receber com fé, com mansidão, com humildade de coração, quebrantamento, solicitude, disposição de obedecer, e não com especulações, promoção de debates que para nada mais servem do que promover a soberba e a desobediência, ou especulações que nada mais são do que justificativas, racionalizações e escapatórias humanas para não fazer o que o Senhor ordena.

O homem para quem eu olharei, diz o Senhor, o homem a quem abençoarei, o homem a cujas orações ouvirei, a quem santificarei, a quem usarei, é este: o que treme diante da minha Palavra.

4 – É o temor do Senhor nos leva a evitar o pecado

Pv 8:13 - O temor do SENHOR consiste em aborrecer o mal; a soberba, a arrogância, o mau caminho e a boca perversa, eu os aborreço.

Jó era homem íntegro e reto, temente a Deus, e que se desviava do mal[19].

Porque Deus é santo, aquele que o teme também aprende a ser.

Ele ama as coisas que Deus ama: ele tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.

Ele ama a paz, e empenha-se por alcançá-la. Ama andar na verdade, o falar a verdade e o ser honesto nos seus relacionamentos.

Ama a oração; ama entoar louvores ao Senhor; ama a casa do Senhor, o culto a Deus; ama a igreja do Senhor, por quem Jesus morreu, e busca o seu bem.

Também ama o seu próximo. E ao trabalho, e a todas as coisas em que Deus tem prazer.

Porque Deus odeia o pecado, aquele que teme a Deus também odeia o pecado: ele odeia o orgulho, a boca suja, a boca mexeriqueira, a boca mentirosa, a boca vaidosa.

Odeia o tomar o nome do Senhor em vão, com falsas profissões de fé; com piadinhas e palavras chulas a respeito de Jesus. Odeia o que fizeram com o santo nome de Jesus no Carnaval, e outras coisas animais, terrenas e diabólicas como estas. Ele não pensa que estes pecados são apenas expressões culturais dos não crentes.

Por isto, nosso último ponto aqui:

5 – O temor do Senhor nos prepara para o dia do juízo

2ª Co 5:10,11 –  Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo. E assim, conhecendo o temor do Senhor, persuadimos os homens e somos cabalmente conhecidos por Deus; e espero que também a vossa consciência nos reconheça.

2ª Co 5:14, 15 –  Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.

Notem, irmãos, que nestes dois trechos o apóstolo Paulo está falando sobre duas motivações para o seu serviço dedicado a Deus.

No último texto (vs. 14 e 15), ele diz que tudo fazia motivado, por um lado, pelo amor de Cristo por ele, e por outro, pelo amor que sentia por Cristo.

Já não vivo mais para mim mesmo, ele diz, mas para aquele que me amou e se entregou por mim.

Mas nos vs. 10 e 11 ele fala de outra motivação para um viver santo e dedicado a Jesus.

– “É necessário que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo”; aqui ele está falando de si mesmo e de todos os crentes, e não somente dos incrédulos.

Quando, e aqui ele não diz, se é no dia da nossa morte, ou no dia da volta de Jesus (esta não é a questão mais importante), a questão mais importante é que diante deste tribunal as nossas obras serão julgadas. Nós seremos julgados, não para a salvação, mas para recebermos a recompensa, seja pelo bem, seja pelo mal que tivermos feito por meio do corpo.

E isto, diz o apóstolo Paulo, faz com que o nosso coração se encha do temor do Senhor.

Foi por isto também que no Evangelho de Mateus, insistindo sobre a importância de se temer a Deus, o Senhor Jesus nos exorta:

Mt 10:28 – Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.

Aqui o Senhor está falando sobre dois tipos de temor que são mutuamente excludentes: o temor dos homens e o temor do Senhor.

Se você temer os homens, então estará preocupado com o que eles pensam a teu respeito, o que eles podem fazer com você, ou contra você, ou a favor de você. E não temerá a Deus.

Mas se você temer a Deus, então estará livre do temor dos homens.

Então não tema aquele que pode no máximo matar o seu corpo, mas não pode tocar na sua alma. Não tema os homens.

Tema aquele que pode não somente matar o corpo, mas também pode fazer perecer a tua alma no inferno. Tema a Deus, que trás o juízo sobre todo aquele que permanece em seus pecados.

Conclusão e aplicação

Irmãos, uma alma verdadeiramente sadia, que conhece a Deus, é aquela que foi restaurada pela doutrina da Palavra de Deus.

Uma alma assim é uma alma que teme ao Senhor, que se desvia do mal, que o serve com devoção, amor e reverência.

É então uma alma obediente e humilde.

A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma.

Por isto, para que aprendessem estas coisas, os reis de Israel deveriam fazer para si uma cópia do livro da lei do Senhor, tê-la consigo, e ler neste livro todos os dias de suas vidas, para que, ensinados pela Palavra de Deus, fossem espiritualmente sadios.

Você quer ser uma pessoa espiritualmente sadia, restaurada?

A resposta para a sua necessidade está em tuas mãos.

Tenha esta cópia da Bíblia sempre ao teu alcance.

Leia todos os dias.

Leia na expectativa de que as Escrituras irão te ensinar.

Leia com o desejo de aprender o temor do Senhor. De aprender a obedecer. De aprender a ser humilde.

Sim, o Espírito de Deus irá te humilhar, irá te convencer dos seus pecados, da santidade de Deus, irá te humilhar e quebrantar o teu coração. Você será levado a clamar:

– “Senhor, tem misericórdia de mim”.

Então, você verá que o temor do Senhor está governando o teu coração.

 



[1] Is 11:2

[2] Rm 3:12, 18

[3] Sl 19:7

[4] Gn 3:10

[5] Tg 2:19

[6] 2º Sm 12:13

[7] 2 Sm 12:14

[8] Gn 28:12-17

[9] Dn 7:15

[10] Is 6:5

[11] Ez 1:28

[12] 1ª Co 2:13

[13] Fp 2:12

[14] Tt 3:5

[15] Tt 2:12

[16] Ap 2:18, 3:18

[17] Mt 4:10

[18] Jr 48:10

[19] Jó 1:1


domingo, 25 de junho de 2017

Servo bom e fiel - Mt 25:14-30

IPC de Pda de Taipas
Domingo, 25 de junho de 2017
Pr. Plínio Fernandes
Amados irmãos, vamos ler Mateus 25:14-30
14 Pois será como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens.  15 A um deu cinco talentos, a outro, dois e a outro, um, a cada um segundo a sua própria capacidade; e, então, partiu.  16 O que recebera cinco talentos saiu imediatamente a negociar com eles e ganhou outros cinco.  17 Do mesmo modo, o que recebera dois ganhou outros dois.  18 Mas o que recebera um, saindo, abriu uma cova e escondeu o dinheiro do seu senhor.  19 Depois de muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles.  20 Então, aproximando-se o que recebera cinco talentos, entregou outros cinco, dizendo: Senhor, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei.  21 Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.  22 E, aproximando-se também o que recebera dois talentos, disse: Senhor, dois talentos me confiaste; aqui tens outros dois que ganhei.  23 Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.  24 Chegando, por fim, o que recebera um talento, disse: Senhor, sabendo que és homem severo, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste, 25 receoso, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu.  26 Respondeu-lhe, porém, o senhor: Servo mau e negligente, sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei?  27 Cumpria, portanto, que entregasses o meu dinheiro aos banqueiros, e eu, ao voltar, receberia com juros o que é meu.  28 Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem dez. 29 Porque a todo o que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.  30 E o servo inútil, lançai-o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes.
Intr.
Os capítulos 24 e 25 aqui do Evangelho de Mateus contém um sermão escatológico do nosso Senhor Jesus, isto é, um sermão em que ele nos ensina como serão os últimos dias, e o fim da história tal como a conhecemos agora.
Nós, os cristãos, de acordo com o ensino bíblico, cremos que há um dia, determinado por Deus Pai, em que o próprio Senhor Jesus voltará para julgar o mundo, pôr fim a todas as formas de pecado e maldade, e estabelecer um mundo renovado; novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça[1].
Nestes dois capítulos Jesus está nos ensinando sobre a sua vinda. Ele virá do céu pessoalmente, da mesma forma como subiu ao céu depois de sua ressurreição[2]. Estará cercado de seus anjos, em grande esplendor e glória, e todos os homens estarão diante dele.
Não somente os vivos, mas também os que estiverem mortos. Estes, serão chamados de seus túmulos, ou de onde quer que estejam[3].
Assim como Jesus disse ao irmão de Marta e Maria, que já estava morto e sepultado havia quatro dias: – “Lázaro, sai para fora”, e Lázaro reviveu[4], assim também ordenará que todos os mortos compareçam à sua presença.
Assim como no princípio da criação, quando Deus disse: –“Haja...”, e todas as coisas, do universo, “do nada” foram sendo trazidas à existência, apenas pelo poder de sua Palavra[5], pelo mesmo poder todos os que tiverem voltado ao pó, do pó tornarão.
Então, todos os seres humanos, de todos os tempos, de todos os lugares, comparecerão perante o tribunal de Cristo, e receberão o seu veredito a respeito de suas vidas.
Os que forem considerados justos, isto é, os escolhidos de Deus, que viveram com fé em Jesus, com amor para com o próximo, que perseveraram na prática do bem, com os olhos na eternidade, receberão a recompensa da vida eterna. Os que forem considerados injustos receberão o castigo eterno.
Diante disto, o Senhor conta uma série de quatro parábolas nas quais ele nos admoesta a que não vivamos de modo tolo, mas que sejamos sábios e nos preparemos para o dia da sua vinda.
O texto que lemos hoje contém a última destas quatro parábolas, que é conhecida como “A parábola dos talentos”.
Nela, o Senhor fala de um homem rico que saiu para uma longa viagem. Antes de sair, ele chamou três dos seus servos, e colocou certa quantia em dinheiro sob os cuidados de cada um.
O primeiro recebeu cinco talentos. O segundo, dois talentos, e o terceiro, um talento. Cada talento era uma quantia de dinheiro, normalmente em moedas de ouro ou de prata.
Os primeiros dois servos, tão logo o senhor se ausentou, puseram-se a trabalhar, e multiplicaram por dois os talentos a eles confiados.
Quando o senhor voltou, apresentaram os resultados do seu trabalho. E o senhor respondeu a cada um deles:
– Muito bem, servo bom e fiel. Você foi fiel no pouco. Então posso confiar em você para coisas maiores. Vamos comemorar juntos.
Mas o terceiro servo, na ausência do seu senhor, enterrou o seu talento e entregou-se à ociosidade.
Então, na volta do senhor, “inventou uma desculpa” pela sua negligência:
– Senhor, eu sei que o senhor é um homem severo. Que colhe onde não plantou, que ajunta onde não espalhou. Então fiquei com medo, e escondi na terra o talento que o senhor me deu para cuidar. Aqui está de volta.
Você vê: ele não quis trabalhar. Então não fez nada. E ainda tentou jogar a culpa de sua preguiça sobre o seu senhor: “Tu és severo. Tu colhes onde não plantaste”; em outras palavras, “tu és injusto”.
E o senhor, respondendo ao insensato de acordo com a sua insensatez[6], então disse:
– Servo mau e negligente. Se você sabe que eu sou desse jeito, porque nem ao menos se deu ao trabalho de colocar o meu dinheiro no banco? E assim, ao voltar eu receberia o que é meu com juros.
Então ordenou que o talento lhe fosse tirado, e entregue ao que tinha dez; e ao servo inútil, que fosse lançado para fora, na escuridão.
Como eu já disse, esta parábola foi contada por Jesus como uma ilustração que ensina que devemos estar preparados para o dia da sua volta.
Naquele dia, os servos inúteis serão lançados fora da presença de Jesus; serão lançados nas trevas.
Mas, ao contrário destes, muitos ouvirão palavras de imensa alegria.
vs. 21 e 23:
– Bem está, servo bom e fiel. Foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei. Entra no gozo do teu Senhor (A NVT traduz: “Venha celebrar comigo”, isto é, “Vamos comemorar”).
Estão entre as coisas mais doces que o crente em Jesus anela ouvir do Senhor seu Deus. Você quer ouvi-las quando Jesus vier?
Se você e eu queremos ouvir ouvi-las naquele dia, é necessário que as ouçamos desde agora.
Vamos, pois, meditar nesta bela descrição que Jesus faz, daqueles de quem o senhor se agradou ao voltar: servo bom e fiel. O que ela deve despertar em nós?
1. A consciência de que somos servos, e Jesus é nosso Senhor e Deus
O terceiro homem desta parábola, o que foi lançado nas trevas da noite, no v. 30, é chamado “servo inútil”, isto é, “servo que não serve”, e servo que não serve não é servo.
Uma característica dos que são eleitos por Deus para a vida eterna é que eles têm consciência de que são servos de Deus.
Veja, por exemplo, a maneira como Paulo inicia suas cartas aos romanos: “Paulo, servo de Jesus Cristo...”. Aos filipenses: “Paulo e Timóteo, servos de Jesus Cristo...”. A Tito: “Paulo, servo de Deus e apóstolo de Jesus...”.
Veja a maneira como Tiago começa sua carta: “Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo...”.
E Judas: “Judas, servo de Jesus Cristo...”.
O que é um servo?
A palavra grega (doulos) também pode ser traduzida como “escravo”. É uma pessoa que vive, não para si mesma, mas para outra. O servo é um homem que vive para o seu senhor. No seu dia a dia ela busca, em primeiro lugar, não fazer a sua própria vontade, mas a do seu senhor; não cuida primeiramente dos seus próprios bens (quando os possui), não cuida de sua própria vida, mas primeira e principalmente, cuida dos interesses do seu senhor.
Como José, no Egito, um escravo que cuidava das coisas da casa de seu senhor Potifar[7].
Ora, os crentes em Jesus tem exatamente esta postura diante dele: eu sou seu servo, e ele é o meu Senhor.
Vamos ler Romanos 14:7-9:
Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si.  8 Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor.  9 Foi precisamente para esse fim que Cristo morreu e ressurgiu: para ser Senhor tanto de mortos como de vivos.
Aqui no cap. 14 de Romanos, Paulo está ensinando que nós, servos de Deus, não devemos nos julgar uns aos outros. No v. 4, ele pergunta: – “Quem és tu, que julgas o servo alheio?” (isto é, os servos de Deus).
É neste contexto que ele nos diz então que todos somos servos de Deus.
Sendo assim a grande característica que distingue a nossa vida é que não vivemos para nós mesmos. Nem quando morrermos será para o nosso próprio benefício. Ainda que a nossa vida seja muito boa e feliz, não vivemos primariamente para nós mesmos.
Quer, pois, vivamos, quer morramos, somos do Senhor, e vivemos para o Senhor, para a vontade dele, isto é, para conscientemente, fazer a vontade dele.
Foi para isto que Jesus Cristo deu a sua vida, ele diz no v. 9, e ressurgiu, para ser o Senhor, tanto dos que estão vivos, como daqueles que já morreram (e agora estão no céu[8]).
Assim sendo, em nosso dia a dia, em todas as coisas, o nosso primeiro compromisso é com o Senhor Jesus, com a vontade dele, com os mandamentos dele, com os ensinos dele, com a honra dele.
Vivemos para realizar os negócios dele, com os “talentos” dele (isto é, os recursos que ele tem colocado em nossas mãos).
Desta perspectiva, entendemos então que nada nesta vida pertence a nós mesmos: nossos bens materiais não são nossos, tudo vem das mãos dele[9]. O dinheiro em nossas mãos não é nosso, mas dele é o ouro e a prata[10], e devemos usar de acordo com a vontade dele.
Nosso cônjuge não é propriamente nosso, mas pertence ao Senhor, e devemos cuidar para o Senhor. Por isto, assim como Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, assim também o marido crente deve cuidar bem da esposa, para que ela seja santificada para Deus[11].
Nossos filhos são herança do Senhor[12], foram gerados para Deus, e pertencem a Deus[13],
Nosso tempo neste mundo pertence a Deus. Não há como acrescentar um côvado à nossa existência aqui[14].
Nossos dons espirituais, nossas capacidades naturais, nossa inteligência, nosso coração, nada é para nós, tudo é para Deus[15].
Não é sem razão que os “milhões de milhões e milhares de milhares” de seres espirituais que João viu diante do trono de Deus, proclamam em grande voz que Jesus, o Cordeiro que foi morto para a nossa redenção, é “digno... de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor” [16].
O crente é alguém que vive guiado pela consciência de que é um servo de Deus.
Mas não é uma servidão involuntária, irritada, obrigatória, sem alegria e sem disposição do coração.
Veja: quando dizemos que uma pessoa é serva de outra, no mais comum das vezes entendemos que esta servidão não é porque o servo desejou assim.
Nos tempos bíblicos, havia várias circunstâncias em que era possível um homem se tornar servo de outro: por exemplo, quando era vencido numa guerra, ou quando tinha uma dívida que não pudesse pagar. Neste último caso, a lei mosaica previa que o devedor se tornaria servo do seu credor, ou poderia ser comprado por um terceiro que pagaria a sua dívida. O servo então trabalharia por um período de seis anos, ganhando apenas metade de uma diária de serviço[17].
Na maior parte das vezes, a servidão então era involuntária, forçada.
Mas no caso dos servos de Jesus Cristo, não é assim. Reconhecer-se servo de Jesus é mais que uma obrigação. É uma alegria.
E isto nos leva à segunda característica mencionada pelo senhor na parábola:
2. Servo bom
É assim que o senhor o descreve primeiramente.
Esta palavra, bom, significa alguém “de boa constituição ou natureza, útil, saudável, agradável, amável, alegre, feliz, excelente, distinto, honesto, honrado” [18]. No contexto, significa alguém que agradou ao seu senhor, porque fez o melhor, porque fez com prazer e amor.
Eu já mencionei que, na lei mosaica, quando um homem se tornava devedor, e não tivesse recursos, ele pagaria sua dívida tornando-se servo do seu credor por um período de seis anos, ao fim dos quais deveria ser libertado.
Mas a mesma lei também fazia uma provisão para o caso de, terminados os seis anos, ainda assim o homem desejasse continuar servindo o seu senhor.
Vamos ler Deuteronômio 15:12-17:
Quando um de teus irmãos, hebreu ou hebreia, te for vendido, seis anos servir-te-á, mas, no sétimo, o despedirás forro.  13 E, quando de ti o despedires forro, não o deixarás ir vazio.  14 Liberalmente, lhe fornecerás do teu rebanho, da tua eira e do teu lagar; daquilo com que o SENHOR, teu Deus, te houver abençoado, lhe darás.  15 Lembrar-te-ás de que foste servo na terra do Egito e de que o SENHOR, teu Deus, te remiu; pelo que, hoje, isso te ordeno.  16 Se, porém, ele te disser: Não sairei de ti; porquanto te ama, a ti e a tua casa, por estar bem contigo, 17 então, tomarás uma sovela e lhe furarás a orelha, na porta, e será para sempre teu servo; e também assim farás à tua serva.
Veja: os hebreus não podiam maltratar aos seus servos, como os egípcios haviam feito antes com eles. Ao contrário, eles deveriam tratá-los bem, e quando chegasse o tempo da libertação, que seria ao final de seis anos, não poderiam ser despedidos de mãos vazias, mas deveriam ser despedidos na posse de gado e alimentos, para que tivessem com o que “recomeçar a vida” fora da casa do seu senhor.
Mas havia casos em que uma pessoa poderia continuar sendo serva de seu senhor, motivada pelo amor, pela gratidão, por estar bem com ele. O servo dizia: – “Não irei embora, mas quero servir-te para sempre”.
Se este fosse o caso, havia uma cerimônia que oficializaria e concretizaria este desejo: o senhor tomaria uma sovela (é um instrumento pontiagudo, utilizado pera perfurar couro), e perfuraria a orelha do servo, contra a porta da casa.
Esta era a marca da servidão voluntária, motivada pelo amor[19].
Já lemos em Romanos 14, que foi para este fim que Jesus morreu e ressuscitou, isto é, para que sejamos seus servos.
Mas não uma servidão obrigatória: é uma servidão de amor. Vamos ler 2ª aos Coríntios 5:14 e 15:
 14 Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram.  15 E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.
A palavra constranger aqui tem um sentido positivo; significa que o amor de Cristo "me cerca por todos os lados, de maneira que eu não posso escapar". Na verdade, eu não desejo escapar deste amor.
Então, constrangido por este amor eu entendo que, se Jesus morreu por mim, significa que ali na cruz eu morri. E agora então eu já não vivo para mim mesmo, mas vivo para aquele que por mim morreu e ressuscitou.
Crentes em Jesus não servem a Deus porque têm “medo do fogo do inferno”, ou “das trevas exteriores”, mas servem motivados pelo amor. Porque sabem que na cruz o Senhor cancelou suas dívidas para com a justiça de Deus[20], e os libertou do poder de seus pecados[21].
Então, livres do domínio do pecado, eles alegremente se entregam ao Senhor, como instrumentos de justiça[22].
Crente em Jesus, sirva a Deus em cada área de sua vida. Em sua casa, no relacionamento com a esposa, seja um servo de Deus na vida dela: trate sua esposa como o amor que vem de Deus ao seu coração. Com amizade, companheirismo, discernimento de que ela deve ser bem cuidada[23]. Buscando o crescimento dela no conhecimento de Deus. Até nas relações íntimas, seja cuidadoso, carinhoso, pensando em promover segurança alegria e prazer; busque o bem estar de sua esposa[24]. É assim que convém a um servo de Deus.
Esposas, de modo semelhante, cuidem bem de seus maridos. Sejam amigas, companheiras, boas donas de casa, respeitem seus maridos, sejam submissas a eles, sejam dedicadas aos filhos, amigas deles. É assim que convém a servas de Deus. É assim que o Evangelho de Jesus é honrado diante do mundo[25].
Não provoquem seus filhos à ira, mas criem-nos como discípulos do Senhor[26].
Filhos, honrem seus pais: com palavras, com obediência, servindo[27].
Em seu trabalho secular, viva para servir a Deus. Seja você líder ou liderado, trabalhe com prazer, sirva com prazer, com alegria, motivado pelo amor ao Senhor. Faça sempre o melhor[28].
Na igreja, veja quantas oportunidades você tem de demonstrar amor a Deus: servindo com seus dons, cooperando financeiramente, participando das atividades para o crescimento do reino de Deus, convivendo em amor com seus irmãos.
Vocês, que são oficiais, têm o privilégio não apenas de serem considerados líderes, mas de servirem de bom exemplo para os demais[29].
Enfim, em todas as coisas, sejam servos de Deus que o amam.
3. Servo bom e fiel
A terceira palavra que descreve o crente em Jesus, aqui nesta frase, é fiel. Ela tem o sentido de "confiável, que cumpre com os seus compromissos".
Ao contrário do que fez o servo mau e negligente. Você já viu uma pessoa assim? Que você incumbiu de uma tarefa, e depois esta pessoa inventa um coisa qualquer e não cumpre sua obrigação, ou não faz o que se comprometeu?
Servos de Deus não devem ser pessoas irresponsáveis diante de seus deveres com a família, com o trabalho ou com a igreja. Não são irresponsáveis em qualquer área de suas vidas. Pois cada área de suas vidas pertence ao Senhor.
Eu quero apenas mencionar a fidelidade em três aspectos do que venho dizendo.
Fidelidade no serviço da igreja – 1ª Co 4:1,2
1Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus.  2 Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel.
Aqui, ser um despenseiro fiel significa cumprir com fidelidade o ministério que o Senhor lhe designou.
Fidelidade conjugal – Ml 2:13-16
13Ainda fazeis isto: cobris o altar do SENHOR de lágrimas, de choro e de gemidos, de sorte que ele já não olha para a oferta, nem a aceita com prazer da vossa mão.  14 E perguntais: Por quê? Porque o SENHOR foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher da tua aliança.  15 Não fez o SENHOR um, mesmo que havendo nele um pouco de espírito? E por que somente um? Ele buscava a descendência que prometera. Portanto, cuidai de vós mesmos, e ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade.  16 Porque o SENHOR, Deus de Israel, diz que odeia o repúdio e também aquele que cobre de violência as suas vestes, diz o SENHOR dos Exércitos; portanto, cuidai de vós mesmos e não sejais infiéis.
Interessante, amados, é que até mesmo o divórcio é visto aqui como uma forma de infidelidade, pois é uma quebra de todos os compromissos feitos na presença de Deus.
Fidelidade no falar – 2ª Co 1:20
Antes, como Deus é fiel, a nossa palavra para convosco não é sim e não.  
No contexto, Paulo explica que no Filho de Deus, Cristo Jesus, todas as promessas de Deus são confirmadas em nossa vida. E se Deus é um Deus de Palavra, que cumpre suas promessas, assim também os servos de Deus não são homens de palavra duvidosa, mas gente em que se pode confiar.
Foi por isto também que Jesus disse que por suas palavras você será justificado, ou será condenado[30].
Ser um servo bom e fiel a Deus significa, em todas as áreas de nossa vida, viver de acordo com os compromissos que ele requer de nós.
Conclusão e aplicação
Na parábola dos talentos, Jesus fala de um servo que não serviu. A desculpa é que ele achava o seu senhor um homem severo e injusto. Há muitas pessoas que são assim. Acham os mandamentos de Deus pesados, ruins, acham as coisas de Deus enfadonhas. Não querem servir a Deus.
Preferem a ociosidade espiritual. Mas sabe, as pessoas que pensam assim de Deus, os que não obedecem ao Evangelho[31], serão tratadas com severidade, como este servo mau que foi lançado nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes.
Mas os que obedecem ao Evangelho, Deus revela sua bondade, na cruz de Jesus Cristo.
Os que, conscientes do que foi realizado na cruz, convertem-se a Deus, e passam a ser seus servos motivados pelo amor, receberão a recompensa por terem sido fiéis no pouco: serão colocados sobre o muito, o reino de Deus, na vinda de Jesus.
Então se prepare para este dia: você é um marido fiel? Uma esposa fiel? Você é fiel aos seus pais? Aos seus filhos? Você é fiel no seu trabalho? É fiel na igreja? Você é fiel nas suas palavras? Você é fiel a Deus? Pois, pelo poder da cruz agindo em sua vida, bondade e fidelidade é o que Deus deseja de você.


[1] 2ª Pe 3:13
[2] Também At 1:1-11
[3] Também Ap 20:11-15
[4] Jo 11:43, 44
[5] Gn 1:1-25
[6] Pv 26:5
[7] Gn 39
[8] Fp 1:23
[9] 1º Cr 29:12
[10] Ag 2:8
[11] Ef 5:22-33
[12] Sl 127:3
[13] Ez 16:20 e 21
[14] Mt 6:27
[15] 1ª Co 4:7
[16] Ap 5:9-12
[17] Dt 15:18
[18] Dicionário de Strong.
[19] À luz disto, me parece que a melhor tradução do Salmo 40, v.6, é a da versão Almeida Revista e Corrigida, onde o servo diz assim ao Senhor seu Deus: “furaste as minhas orelhas”, isto é, “sou teu servo, estou aqui para fazer a tua vontade, movido pelo amor”. As outras versões em português dizem: “abriste os meus ouvidos”, isto é, para eu ouvir a tua palavra.
[20] Cl 2:13-15
[21] Ef 1:7
[22] Rm 6:10-13
[23] 1ª Pe 3:7
[24] 1ª Co 7:1-5
[25] Tt 2:3-5
[26] Ef 6:4
[27] Ef 6:1-3
[28] Ef 6:5-9
[29] 1ª Tm 3:1-13
[30] Mt 12:37
[31] Rm 11:22
▲Topo