Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

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segunda-feira, 13 de abril de 2015

A armadura que Deus nos dá - Ef 6:10-20

IPC em Pda. de Taipas
Domingo, 12 de abril de 2015
Pr. Plínio Fernandes
Queridos irmãos, vamos ler na carta de Paulo aos Efésios, cap. 6:10-20
Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. 11 Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; 12 porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. 13 Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis. 14 Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. 15 Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; 16 embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno. 17 Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; 18 com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos 19 e também por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra, para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho, 20 pelo qual sou embaixador em cadeias, para que, em Cristo, eu seja ousado para falar, como me cumpre fazê-lo.
Quando o apóstolo Paulo escreveu esta carta, conforme lembra-nos o v. 20, ele estava preso por causa de seu amor ao evangelho de Jesus.
Neste mesmo período de prisão, que foi em Roma, ele também escreveu as cartas aos Filipenses, aos Colossenses e a Filemon, um crente que morava em Colossos.
Em Roma lhe foi permitido permanecer numa prisão domiciliar; uma casa que ele mesmo alugara, onde podia receber visitas, pregar o evangelho, tendo soldados romanos que se revezavam no guardá-lo.
Interessante que em Filipenses, escrita pouco tempo antes de ser liberto, ele diz que graças à sua prisão o evangelho se tornou conhecido de toda a guarda pretoriana, e entre os que mandam saudações aos irmãos no fim da carta, ele cita “os santos da casa de César”; muito provavelmente se trata de guardas romanos que foram convertidos através do testemunho de Paulo na prisão.
Em Roma ficava a elite do exército romano. E Paulo, além de nutrir amizades, conversar e evangelizar, deve ter tido muito tempo para observar os soldados que o guardavam.
Ele observou, por exemplo, que em volta da cintura cada soldado tinha um cinto, de quinze a vinte centímetros de largura, e no qual estavam fixados a couraça, a bainha para a espada bem como a própria roupa do soldado. Se o cinto não estivesse devidamente ajustado, o soldado ficaria sem proteção, sem equilíbrio e sem liberdade de movimentos para lutar.
Também observou uma couraça que protegia o peito e as costas do soldado, inclusive o coração. E o escudo, que o protegia contra as armas do inimigo.
Nos pés havia sandálias com cravos que o faziam firmemente preso ao chão e lhe davam estabilidade nos momentos de batalha.
Na cabeça, um capacete de proteção.
E Paulo gostava de fazer como seu Mestre Jesus, que tirava da vida cotidiana ilustrações para nossa vida espiritual; então ele pensou: “assim como um soldado, nós filhos de Deus, somos parte de um grande exército”.
- “Só que os nossos inimigos não são seres humanos, gente feita de sangue e carne; a nossa luta é contra as forças espirituais do mal”.
- “Por isto, assim como um soldado, cada um de nós precisa se revestir de sua armadura, a fim de resistir às investidas dos nossos inimigos, e depois de vencermos tudo, permanecermos inabaláveis”.
E agora, ao chegar à parte final desta preciosa carta ele inicia no v. 10 dizendo: “No demais, irmãos meus... revesti-vos de toda a armadura de Deus...”
Este “no demais”, ou, finalmente, é o elo entre o que Paulo vai dizer agora e tudo quando já havia dito antes.
De modo que, se voltarmos algumas páginas em nossas Bíblias veremos que nos cap. 1 a 3 desta carta o apóstolo descreve o infinitamente sábio e amoroso propósito de Deus para nós, os que somos seus filhos através da fé em Jesus Cristo.
Ele descreve como, desde antes da criação do universo, Deus nos amou, nos escolheu e nos predestinou para ser seus filhos por meio de Jesus.
Depois como, no devido tempo, para o cumprimento do seu plano, o Pai eterno enviou seu Filho eterno ao mundo, como um ser humano que encarnou e viveu entre nós, e que por seu sangue nos redimiu dos nossos pecados, pois ali na cruz ele sofreu o castigo que era nosso e nos reconciliou com Deus.
Em seguida como, no tempo de cada um de nós, por causa daquilo que Jesus fez para a nossa salvação, ele nos deu vida espiritual, concedendo-nos fé, arrependimento, libertação do poder de Satanás, capacidade para uma vida nova, e nos fez filhos seus, membros de uma grande família espiritual, constituída de todos os crentes, no céu e na terra.
Resumindo, os caps. 1 a 3 nos ensinam que, graças a Jesus, Deus é nosso Pai e nós somos sua família, em comunhão como ele e uns com os outros.
Por isto que no cap. 1:3 Paulo inicia o seu ensino louvando a Deus e dizendo:
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda a sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo.
E depois de descrever tudo quanto Deus tem feito por nós, ele inicia o cap. 4 dizendo como deve ser a nossa vida, agora que somos assim tão abençoados.
Ef 4:1
Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados.
E do v. 2 em diante, até o cap. 6:9, ele explica o que significa andar deste modo digno: em nossos relacionamentos uns com os outros, como família de Deus (com humildade, amor, graciosidade, santidade); depois, nos relacionamentos familiares (maridos e esposas, pais e filhos); em seguida, no “mundo lá fora” (patrões e empregados), etc.
E irmãos, a vida que Paulo descreve é simplesmente maravilhosa; uma vida que é “o céu na terra”, de harmonia nos relacionamentos, de alegria no Espírito Santo, de santidade e felicidade, de bom testemunho diante do mundo.
Deus é nosso Pai, nós somos sua família, e desde agora podemos antegozar as delícias do céu.
E depois de todas estas coisas, Paulo parte para sua conclusão dizendo: “prá terminar irmãos, eu preciso dizer mais uma coisa: é que, ainda que esta vida preparada por Deus seja maravilhosa, nós precisamos permanecer nela com firmeza”.
- “Pois existe alguém que quer nos roubar de tudo isto, e este alguém é Satanás...”
Irmãos, é como no Jardim do Éden, que Deus preparou tudo para nossos primeiros pais, e Satanás foi ali para roubar.
Então Paulo diz: “soldados de Cristo, nós temos inimigos espirituais que querem roubar tudo o que Deus tem nos dado; querem nos roubar tudo o que somos em Cristo, então revistam-se da armadura de Deus”.
Tendo estas coisas em mente, meus irmãos, eu desejo meditar com vocês sobre esta armadura de Deus, da qual nós devemos nos revestir para resistir a Satanás.
Há três considerações que desejo fazer
1. Quando é que devemos nos vestir desta armadura
v. 13
Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis.
Há um sentido, irmãos, em que nenhum dia é mau em nossas vidas.
Porque cada dia da nossa vida é o Senhor quem prepara, é o Senhor quem conduz, é o Senhor quem trabalha em todas as coisas que acontecem, com sabedoria e amor, e para o nosso bem.
Mas a Bíblia também nos ensina que, ao mesmo tempo, existe alguém que deseja estragar tudo de bom que Deus tem preparado para nós.
Alguém que se utiliza de nossas fraquezas humanas, das fraquezas de outras pessoas, das circunstâncias, enfim, que lança mão de todas as coisas, distorcendo a vida diante dos nossos olhos, buscando roubar, matar e destruir, buscando tirar de nós tudo o que somos e o que temos pela graça de Deus.
Uma das formas que Satanás tenta nos atingir é através das tentações ao pecado.
Numa definição bem simples, pecado significa desviar-se da vontade de Deus para nós, e o pecado pode se manifestar em nossos pensamentos, em nossos sentimentos, em nossas atitudes, em nossas palavras, ou em nosso comportamento.
Então, por exemplo, olhe para os três primeiros capítulos desta carta e leia sobre tudo o que Deus nos tem dado; depois, do cap. 4 em diante, sobre a maneira que ele deseja que vivamos.
Satanás nos tenta a duvidar do que o Senhor tem feito por nós; ele questiona o amor que Deus tem por nós, e nos tenta a desobedecer ao que a Bíblia diz, interpondo racionalizações que nos levem a quebrar os mandamentos de Deus.
O Espírito Santo diz: “Honra teu pai e tua mãe, para que te vá bem...”.
Mas Satanás diz: “É que ele não sabe o pai ruim que você tem”.
O Espírito Santo diz: “Pais, não provoqueis vossos filhos à ira, para que não fiquem desanimados”.
Satanás diz: “Você tem autoridade. Você tem que mostrar quem é que manda”.
E assim ele provoca confusão entre pais e filhos, e pecado contra Deus, e rouba as alegrias dos relacionamentos familiares.
Cada doutrina da Bíblia, Satanás quer que não creiamos, cada mandamento, ele quer que desobedeçamos, pois a desobediência ao Espírito Santo é pecado, e tira de nós a alegria da comunhão com Deus e uns com os outros.
Existem muitas outras formas de Satanás nos atacar: ele é acusador por natureza, e se deleita em lançar em rosto os nossos pecados. Ele é mentiroso, e se deleita em nos conduzir por falsas doutrinas. Ele se deleita em distorcer nossas palavras, destruir relacionamentos, em nos levar à amargura, à ira, e tudo o mais que se opõe ao amor do Espírito.
E para que possamos resistir aos ataques de Satanás contra nós, quando é que devemos estar revestidos da nossa armadura?
Aqui no v. 13 Paulo diz que devemos resistir no dia mau. Isto é, existem dias que são especialmente difíceis, em que as dificuldades são agravadas, em que nos sentimos cansados, frágeis e inseguros.
Mas agora, por favor, volte os seus olhos para o cap. 5:16
Remindo o tempo, porque os dias são maus...
Em certo sentido, alguns dias são especialmente maus, nos quais estamos sendo tentados mais do que de costume. Por outro lado, as forças espirituais do mal nos tentam todos os dias.
Então, é a cada dia de nossa vida que devemos nos vestir de nossa armadura espiritual.
Então consideremos...
2. Como é que nós a vestimos
Nós percebemos como vestimos cada uma das partes de nossa armadura à medida em que compreendemos o significado delas.
Nos vs. 14 a 17, o Espírito Santo nos ensina que o nosso cinto, ao qual devem estar ligadas todas as demais peças, é a verdade.
Diz que a couraça que nos protegerá o coração, é a justiça.
Que nossos calçados, que manterão nossos pés firmes quando Satanás investir contra nós é o evangelho da paz.
Que o nosso escudo é a fé. Que o capacete a proteger nossa mente é a salvação, isto é, a certeza da nossa salvação.
Por fim, a espada que devemos ter é a Palavra de Deus, a Espada do Espírito porque ele é o seu inspirador.
A verdade, a justiça, a paz que vem do evangelho, a fé, a salvação.
Agora, eu desejo relacionar, ainda que de maneira rápida, algumas referências que apontam para cada uma destas virtudes espirituais.
A verdade – Jo 17:17
Santifica-os na verdade. A tua Palavra é a verdade.
Aqui o Senhor Jesus está se referindo à Palavra de Deus escrita, que temos na Bíblia, pois segundo Jesus, a Bíblia é a Palavra de Deus[1].
Assim, ser cingido com a verdade significa conhecer as Escrituras sagradas e viver de acordo com elas.
Mas precisamos conhecer as Escrituras de modo íntimo, digamos assim, pessoal, quero dizer, precisamos, por meio das Escrituras, nos relacionar com Jesus.
Jo 14:6
Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim.
O que desejo dizer é que Jesus e a Bíblia são inseparáveis. Jesus é a Palavra de Deus que se fez carne, e a Bíblia é a Palavra de Deus escrita.
Devemos ler a Bíblia, conhecê-la, meditar nela, obedecê-la, e por meio dela buscar a Jesus. Por outro lado, buscar a Jesus, mas nunca aparte do que a Bíblia nos ensina.
Agora vejamos a justiça – 1ª Co 1:30
Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção.
Assim aprendemos: nossa verdade, ou melhor, a verdade, está em Jesus, neste Jesus que nos é revelado nas Escrituras.
Assim como Jesus é a verdade por meio de quem conhecemos e nos achegamos ao Pai, ele também é a nossa justiça.
Não nos aproximamos de Deus confiados em nossa justiça própria, pois somos pecadores, mas através de Jesus, como aquele que, na cruz, morreu pelos nossos pecados e assim satisfez a justiça de Deus em nosso lugar. Jesus é a nossa justiça.
O nosso escudo é a fé que colocamos em Deus, em sua Palavra, em Jesus.
É por meio da fé que nos tornamos agradáveis a Deus, uma vez que por nossas próprias obras não o podemos fazer.
Agora, de onde procede a nossa fé?
Hb 12:2
Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus.
Jesus é a fonte da nossa fé.
Agora consideremos o evangelho, ou boa notícia de paz na qual firmamos os nossos pés.
Ef 2:14 e 17
17 E, vindo, evangelizou paz a vós outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto.
14 Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade...
O capacete da salvação – At 4:11, 12
Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular. 12 E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.
A espada do Espírito é a Palavra de Deus.
Agora leiamos também Rm 10:17 para ver como ela é chamada ali.
E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.
Você percebe, não é?
Jesus é a nossa verdade; Jesus é a nossa justiça, a nossa salvação, o autor da nossa fé; Jesus é a nossa paz; a Palavra de Cristo é a nossa espada.
A nossa armadura é Jesus. E Jesus, a Palavra encarnada de Deus, e a Bíblia, Palavra escrita de Deus são inseparáveis.
Então, o que significa revestir-se da armadura que nos é dada por Deus? Significa revestir-se da presença de Jesus em nossa mente, em nosso coração, em todo o nosso ser, por meio da meditação na Palavra de Deus e da oração.
Pois no v. 18 ele acrescenta: revesti-vos...
Com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos 19 e também por mim
Assim como um soldado não pode perder o contato com seu comandante, nós não podemos perder o nosso contato com o nosso comandante.
Orem o tempo todo, ele diz, na presença, na plenitude e poder do Espírito Santo com o qual vocês foram batizados quando creram em Cristo.
Orem uns pelos outros. Orem o tempo todo. Orem com perseverança, e deste modo estarão revestidos da presença e do poder de Jesus, a nossa armadura.
3. Por fim, desejo mencionar o resultado
v. 13
Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis...
Você resistirá no dia mal.
Satanás investe contra você, com suas tentações para que você seja orgulhoso, para que você guarde rancor, para que você pense, diga, ou faça coisas que lhe roubem a paz.
Mas a verdade de Deus está em você, e você se lembra que Deus é fiel, e não permite que venha qualquer tentação que você não possa suportar, por que juntamente com a tentação ele te provê livramento e as forças necessárias.
Satanás lhe diz que você não tem capacidade para enfrentar certas circunstâncias, mas a verdade está em você, e você se lembra de que pode todas as coisas naquele que te fortalece.
Satanás investe contra você com suas acusações, mas você está protegido pelo capacete da salvação, e sabe que se Jesus está intercedendo por você, se Deus é por você, então ninguém intentará acusação contra você, pois Deus te justifica.
Você sabe que é filho de Deus pela fé em Jesus, e que nada, nem ninguém, separará você do amor de Deus; sabe que todo aquele que vem a Cristo de modo algum será lançado fora.
Satanás vem para tirar a tua paz; ele lança em rosto os teus pecados, as tuas tentações, as tuas fraquezas; mas quando ele lança contra você os seus dardos malignos, e você está revestido da tua armadura, os dardos “batem em Jesus” e caem, porque Jesus é mais forte, maior defesa do que toda seta lançada contra você.
Então, você vence tudo, e permanece inabalável.
Conclusão e aplicação
Eu estou pensando num pequeno adolescente israelita chamado Davi. Um dia ele teve que enfrentar um gigante; um homem de aproximadamente 2,80 m de altura, que desafiava o exército de Israel.
Davi não era um soldado, era um pastor de ovelhas, mas foi em luta contra o gigante. Sem armadura, mas dizendo: eu vou contra este gigante em nome do Senhor. O nome do Senhor era a sua armadura.
Ele lutou, venceu, e permaneceu inabalável.
Amados, lembrando o que nos diz o Espírito Santo, os dias são maus.
E eu tenho visto como muitas vezes, de muitas maneiras, Satanás e seus anjos investem contra vocês e a mim.
Tenho visto Satanás insistir em tentá-los, entristecê-los, assediá-los, acusá-los.
E é claro, muito mais do que eu, você conhece os ataques de Satanás contra tua alma.
São dias de lutas contra as forças espirituais do mal.
Precisamos lutar para permanecer de modo digno da nossa vocação no Senhor: para sermos pais, cônjuges, filhos, irmãos e irmãs na fé, cidadãos do mundo, segundo o coração de Deus.
Mas estes dias também são bons: pois temos uma armadura que nos foi dada por Deus: uma armadura de fé, paz, justiça, salvação. Temos o Senhor Jesus.
Nele nós podemos confiar. Esta é uma armadura resistente a toda prova.
Revista-se a armadura de Deus, e resista nestes dias maus.






[1] Jo 10:34, 35

domingo, 13 de outubro de 2013

Minha graça te basta - 2ª Co 12:7-10

3ª IPC de São Paulo
Domingo, 28 de outubro de 2001
Pr. Plínio Fernandes
Meus irmãos, vamos ler 2ª aos Coríntios 12:7-10
“E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte.  8 Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim.  9 Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo.  10 Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte.”
O apóstolo Paulo foi um dos maiores personagens da história da Igreja de Cristo.
Foi uma das pessoas que teve as mais profundas compreensões da grandeza do evangelho, do amor e da justiça divinos, da salvação eterna.
Ele teve grandes revelações do Senhor, sendo que o próprio Jesus se manifestou pessoalmente a ele, em pelo menos quatro ocasiões de grande crise na vida do apóstolo.
Pelo menos metade das Escrituras Sagradas no Novo Testamento foi escrita por ele.
Todas estas coisas maravilhosas, bem poderiam ter levado este homem a, na realidade, se afastar da presença de Deus, se fosse deixado entregue si mesmo.
Ele poderia se tornar orgulhoso dos altos privilégios que lhe foram concedidos por Deus.
Poderia ter se tornado presunçoso, de que Deus o abençoava mais do que a outras pessoas, de que Deus usava sua vida mais do que a de outras pessoas.
Poderia ter se tornado vaidoso.
Poderia ter se tornado autoritário, arbitrário, arrogante, dominador.
Como aconteceu com Satanás, que se tornou inimigo de Deus justamente porque se convenceu de que ele o melhor em tudo.
Mas não foi assim com este apóstolo.
Ao contrário, embora fosse um homem tão ricamente abençoado e útil nas mãos de Deus, Paulo se manteve humilde e fiel até o fim de sua vida.
E neste texto ele nos conta o porquê.
Ele nos conta que, por causa da grandeza das revelações de Deus em sua vida, foi-lhe posto “um espinho na carne”, um verdadeiro “mensageiro de Satanás, para esbofeteá-lo”, a fim de que ele “não se ensoberbecesse”, a fim de que ele não se tornasse uma pessoa orgulhosa.
Nós não sabemos exatamente qual era a natureza deste “espinho”.
A palavra traduzida por “espinho” em nossas Bíblias na realidade deixa muito a desejar; “estaca” seria uma tradução mais exata - um pedaço pontiagudo de madeira, que fincado no corpo de uma pessoa, causa-lhe profunda dor.
Esta palavra, “mensageiro”, é a tradução literal da palavra “anjo”, que às vezes é um homem, às vezes um ser espiritual.
No v. 10 ele menciona uma série de coisas que podem ser consideradas espinhos na carne: fraquezas, injúrias (desrespeito, insultos), necessidades, perseguições da parte de outras pessoas, angústias, coisas estas que liga ao seu relacionamento com Jesus Cristo, isto é: por causa de seu amor a Jesus Cristo é que ele passa por estas situações.
De qualquer forma, a idéia é a de que seja o que for que Paulo enfrentava, era algo que o fazia sentir-se enfraquecido e humilhado.
Então ele orou ao Senhor, pedindo que o Senhor tirasse aquela “estaca”, aquele anjo do inimigo que o fazia sentir-se humilhado.
Mas cada vez que orou, a força do verbo grego é esta, cada vez que ele orou a resposta do Senhor foi esta: “Paulo, a minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza; quanto mais fraco você for, mais meu poder se manifestará em tua vida”.
Então Paulo conclui: “De boa vontade, pois, mais me gloriarei em minhas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo, e estas coisas que deveriam me entristecer, me desanimar, me enfraquecer, ao invés disto me alegram, me animam, me fortalecem”.
Nestas palavras do Senhor Jesus ao apóstolo é que vamos meditar nesta noite.
“A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza”.
Se a graça de Jesus não for suficiente, nada mais o será.
Por outro lado, se a graça de Jesus for suficiente para nós, não precisamos mais nada.
1. O que significa ter a graça de Jesus Cristo
Se queremos dar uma definição da palavra “graça”, o que vem de imediato à nossa mente é aquela velha e conhecida frase: “graça é favor imerecido”.
É uma definição bíblica, correta, precisa, mas a minha dificuldade é que, quando empregamos esta frase, pelo fato de estarmos tão acostumados a ela, já não sentimos o “calor” que deveríamos sentir no coração diante desta verdade; já não percebemos a grandeza desta verdade maravilhosa que estamos afirmando.
Por isto eu gostaria de me deter um pouco com irmãos, no conceito bíblico da palavra “graça”.
Vejamos as denotações principais desta palavra na Bíblia.
A primeira delas é que graça significa favor (como na frase: “graça é favor imerecido”).
Neste sentido, Paulo faz um contraste entre graça e pagamento.
Rm 4:4
“Ora, ao que trabalha, o salário não lhe é considerado como favor, mas como dívida”
Neste contexto o apóstolo está ensinando que a salvação da nossa alma não é algo que Deus nos concede como se fosse uma dívida dele para conosco, pelo fato de termos trabalhado pela nossa salvação.
Não, ele diz, a nossa justificação diante de Deus só se baseia no favor dele para conosco; no fato de que ele agiu em nosso favor; no fato de que ele está em nosso favor, ou como ele diz no cap. 8:31: Deus é por nós.
Então, quando Deus nos diz: “A minha graça te basta”, entre outras coisas eles está afirmando: “Eu estou com você. Nas suas angústias, nas suas fraquezas, nas suas dificuldades, quando o Satanás e seus anjos estão contra você, nas suas necessidades, eu estou do seu lado”.
Há uma outra nuança da palavra graça: “Graça significa amor”.
Esta denotação tem suas raízes no Antigo Testamento, onde o Senhor ensina que o relacionamento dele com seus eleitos é baseado somente em sua disposição amorosa para com eles.
Dt 7:6-8
“Porque tu és povo santo ao SENHOR, teu Deus; o SENHOR, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra.  7 Não vos teve o SENHOR afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos,  8 mas porque o SENHOR vos amava e, para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o SENHOR vos tirou com mão poderosa e vos resgatou da casa da servidão, do poder de Faraó, rei do Egito.”
De novo aparece o conceito de que Deus está do lado de seu povo, não porque este povo tenha demonstrado alguma coisa que o fizesse digno disto: “Vocês eram o menor de todos os povos, diz o Senhor, não havia em você algo fizesse você melhor que os demais; eu os escolhi apenas porque os amei, e porque determinei cumprir minha palavra dada aos seus pais...”
Agora, dentro deste conceito de amor eletivo, há mais uma palavra que descreve a graça de Deus, que em nossas Bíblias às vezes é traduzida por misericórdia, às vezes por bondade, às vezes por compaixão, mas que melhor seria traduzida por “amor constante”.
Is 54:7,8
“Por breve momento te deixei, mas com grandes misericórdias torno a acolher-te;  8 num ímpeto de indignação, escondi de ti a minha face por um momento; mas com misericórdia eterna me compadeço de ti, diz o SENHOR, o teu Redentor.”
Veja, quando o Senhor diz: “A minha graça”, ele está dizendo: “Você pode contar com o meu favor, pode contar com o fato de que eu amo você, e que este amor é constante, eterno, imutável, pode contar com o fato de que eu estou do seu lado”.
Eu acho que uma das melhores ilustrações da graça de Jesus pode ser vista na história daquela mulher que foi pega em flagrante adultério, conforme registrada em Jo 8:1-11.
Esta mulher foi levada à presença de Jesus por um grupo enorme de pessoas que, além de odiarem e desejarem ter algo para incriminar ao Senhor, também estavam cheias de desejo de vingança contra ela, pois ela havia traído o marido, o que naquela época era algo considerado digno de execração pública e pena de morte.
Em nossos dias o adultério continua sendo um pecado tão grande quanto naqueles, pois na maioria das vezes é uma traição a um ser humano que em nós coloca a sua confiança e devoção.
Pois bem: os homens trazem esta mulher à presença do Senhor, exigindo que ele pronuncie seu veredicto.
A princípio, ele se mantém calado, mas diante da hipócrita insistência deles, e embora ele próprio odeie o pecado muito mais do qualquer outro ser humano, ele diz: “Aquele que não tiver cometido pecado algum, que seja o primeiro a atirar alguma pedra”.
E os homens, acusados pela sua própria consciência, foram se retirando um por um.
Depois disto ele se volta para a mulher e pergunta: “Onde estão os teus acusadores? Ninguém te condenou”?
“Ninguém Senhor”.
“Nem eu tampouco te condeno. Vai-te, e não peques mais”.
Veja: quando todos estavam contra ela, todos acusando-a, querendo-a ver julgada, condenada, castigada, a palavra o Senhor foi: “Eu estou do lado dela”; não do lado do pecado dela, é claro, mas do lado dela.
E se Deus está por ela, quem será contra ela? Não é?
Se Deus é por nós, quem será contra nós?
2. A graça de Jesus é maior que tudo quanto acontece em nossa vida
Como diz o Sl 63:1
“A tua graça é maior que a vida!”
E Jesus diz a Paulo: “A minha graça te basta”!
Jesus respondeu isto ao apóstolo Paulo a cada vez que ele orou pedindo-lhe que afastasse o seu “espinho na carne”.
Como já dissemos anteriormente, não sabemos exatamente no que consistia este espinho.
O Pr. John MacArthur, com base na palavra “mensageiro”, ou “anjo de Satanás”, crê que se tratava de um dos opositores do Apóstolo Paulo em Corinto, pois naquela cidade especialmente, havia pessoas que eram contra o Apóstolo, que procuravam de alguma forma denegrir a sua imagem e o seu ministério.
Eu pessoalmente creio que este mensageiro não é tanto um ser pessoal, mas algo que foi enviado por Satanás, é claro, sob a permissão de Deus, e que prejudicava o Apóstolo.
Na realidade, penso que se tratava de uma enfermidade física, pois no v. 9 ele se refere a este espinho como sendo uma fraqueza, e na carta aos Gálatas ele emprega esta mesma palavra para se referir a uma enfermidade que ele tinha, ao que tudo indica, nos olhos.
Mas, seja o que for, era algo que incomodara o Apóstolo, que o humilhara, que o deixara aflito.
E ele orou: “Senhor, tira de mim esta aflição, destrói esta obra de Satanás”.
Engraçado, irmãos, ele não fez uma declaração de pensamento positivo, ele não fez uma oração para amarrar Satanás, não deu ordem alguma ao Diabo, não foi procurar um terapeuta, também não fez uma “quebra de maldições”; ele simplesmente orou, e o Senhor não lhe atendeu ao pedido.
O Senhor somente lhe respondeu: “A minha graça te basta!”, isto é, “a minha graça é suficiente para você; então mesmo que você seja perseguido, injuriado, maltratado, injustiçado, mesmo que você tenha fraquezas, limitações, necessidades, você não está sozinho; eu estou com você”.
Veja: a verdadeira bênção não é você não enfrentar adversidades, não ter problemas, não sofrer.
A verdadeira bênção é você saber que em todas estas coisas que você enfrenta, você não está sozinho.
Estou pensando em certa irmãzinha a quem tive o privilégio de pastorear alguns anos atrás. Certo dia ela iria dirigir um estudo na igreja; mais precisamente era um sermão de prova no instituto bíblico. Ela trabalhava como caixa, num banco. E naquele mesmo dia ela fora enganada em seu trabalho, o que resultou em que ela precisou pagar ao banco o valor que um falso cliente lhe roubou.
Ela ficou tão triste com aquela situação, e até contou para nós o que havia acontecido. Mas fez daquele episódio um motivo a mais para dizer as palavras do texto que iria pregar: “O Senhor é  minha luz e a minha salvação; o Senhor é a força da minha vida”.
É claro que este coração de pastor louvou muito a Deus ao ver a graça de Deus na vida daquela querida irmã. E entre outras coisas, eu fiquei pensando no que aconteceria na vida de uma outra pessoa, que não conhecesse a Jesus Cristo: qual seria a reação? Já pensou ter que enfrentar situações assim sem a força que Jesus nos dá?
Eu acho que as expressões mais fortes desta presença de Deus conosco estão no profeta Isaías:
Is 46:3,4
“Ouvi-me, ó casa de Jacó e todo o restante da casa de Israel; vós, a quem desde o nascimento carrego e levo nos braços desde o ventre materno. 4 Até à vossa velhice, eu serei o mesmo e, ainda até às cãs, eu vos carregarei; já o tenho feito; levar-vos-ei, pois, carregar-vos-ei e vos salvarei”.
Ele leva o seu povo nos braços, carrega no colo, desde o nascimento, e vai continuar levando até à velhice.
Às vezes nos encontramos em situações tão críticas, humanamente falando, sem saída, que não nos resta nada a não ser não fazer nada, mas podemos ter a bendita certeza de que não estamos sozinhos, de que nada nos separará do amor, da graça, da presença de Cristo.
3. A graça de Jesus Cristo faz com tudo coopere para o nosso bem
Jesus disse: “A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza”. E Paulo acrescenta aqui que se trata do poder de Cristo.
“Eu não vou afastar este espinho de você, pois ele faz parte do meu plano, é um meio de eu aperfeiçoar meu poder em sua vida”.
Veja irmão, do nosso ponto de vista, nossos problemas, fraquezas, necessidades, são um verdadeiro entrave à vida espiritual, um entrave ao ministério.
Mas do ponto de vista de Deus, as adversidades são na realidade oportunidades de crescimento espiritual e consequentemente maior utilidade nas mãos do Senhor.
Há uma afirmação muito bonita em Hebreus 11, acerca dos nossos irmãos do Antigo Testamento, que viveram uma vida vitoriosa, de fé.
Hb 11:32-34
“E que mais direi? Certamente, me faltará o tempo necessário para referir o que há a respeito de Gideão, de Baraque, de Sansão, de Jefté, de Davi, de Samuel e dos profetas, 33 os quais, por meio da fé, subjugaram reinos, praticaram a justiça, obtiveram promessas, fecharam a boca de leões, 34 extinguiram a violência do fogo, escaparam ao fio da espada, da fraqueza tiraram força, fizeram-se poderosos em guerra, puseram em fuga exércitos de estrangeiros.”
Da fraqueza tiraram força.
É precisamente isto o que diz o Apóstolo: “Quando sou fraco, então é que sou forte”.
Que tipo de benefícios estas adversidades podem trazer para nossa alma?
3.1. Humildade - v. 7
“Para que eu não me ensoberbecesse... para me esbofetear, a fim de que eu não me exalte”...
A pior armadilha, o pior pecado que um ser humano pode cair é o pecado do orgulho espiritual.
Foi este pecado que levou o “Querubim Ungido” a se transformar em Satanás.
É este o pecado que torna o ser humano separado de Deus, pois, como disse Tiago, Deus resiste aos orgulhosos, mas aos que são humildes ele concede a sua graça.
E Paulo estava numa situação tão privilegiada que se não houvesse algum impedimento, alguma espécie de freio, ele poderia se envaidecer.
Então o Senhor permitiu esta adversidade, que fazia Paulo sentir-se pequeno, humilhado, humilde, vazio de si mesmo.
3.2. Contentamento
v. 9
“De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas minhas fraquezas”.
v. 10
“Pelo que sinto prazer nas fraquezas...”
Uma vez que você sabe que até as fraquezas são para o seu bem estar espiritual, você pode então se alegrar até mesmo nelas.
Não no sentido de que você estará rindo, em toda e qualquer situação, mas que em toda e qualquer situação o seu coração estará em paz, de que haverá a certeza de que o Senhor reina, que ele está no controle de tudo.
E você poderá até mesmo dizer como Jó: “O Senhor o deu, o Senhor o tomou. Louvado seja o nome do Senhor”.
E você poderá até mesmo agradecer a Deus por seu problemas, pois eles fazem bem à sua alma.
3.3. Dependência do Senhor
v. 9 - “Vou ter prazer nas fraquezas, para que sobre mim repouse  o poder de Cristo...”
v. 10
“Quando sou fraco, então é que sou forte...”
“Quanto mais eu perceber que não sou nada de mim mesmo, quanto mais eu perceber que sou limitado, mais a força de Jesus se manifestará”.
Eu quero citar de novo o meu predileto: o Profeta Isaías
Is 50:10
“Quem há entre vós que tema ao SENHOR e que ouça a voz do seu Servo? Aquele que andou em trevas, sem nenhuma luz, confie em o nome do SENHOR e se firme sobre o seu Deus.”
O Servo do Senhor às vezes anda nas trevas, na escuridão, sem ver o caminho que deve seguir, mas mesmo na escuridão ele confia, pois ele diz: “Senhor é a minha luz e a minha salvação, o Senhor é a força da minha vida...”
Ele confia no nome do seu Deus, ele se firma sobre o seu Deus.
A graça do seu Deus é o que lhe basta...
Você tem fraquezas que te humilham? Que fazem com que você se sinta um nada, um fraco espiritualmente? Você passa por situações que são verdadeiras bofetadas, verdadeiras obras de Satanás que fazem você se sentir pequeno?
Irmão, você sabe que a sua vida está nas mãos do Senhor, sabe que, por exemplo, na história de Jó, quando o Senhor permitiu tanto sofrimento, na realidade tudo o que estava acontecendo eram bênçãos disfarçadas
Conclusão
Eu gostaria de concluir lendo mais um texto que nos retrata o tamanho da graça de Deus.
Ef 2:1-9
“Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados,2 nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; 3 entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais.  4 Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou,  5 e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, -- pela graça sois salvos,  6 e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; 7 para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. 8 Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; 9 não de obras, para que ninguém se glorie.”
Se você é crente em Jesus Cristo, este texto está dizendo exatamente quem você era e quem você é agora.
Você era uma pessoa espiritualmente morta, em delitos e pecados.
Escrava do pecado.
Desobediente a Deus.
Afastada de Deus.
Fazendo a vontade de sua própria carne, de seus próprios pensamentos
Era por natureza filha da ira, estava sob a condenação de Deus.
Sua vida era um inferno e você estava indo para o inferno.
Assim como vivem todas as demais pessoas, que não conhecem a Jesus.
Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que ele te amou
Te deu vida juntamente com Cristo, ressuscitou você dentre os mortos
Salvou a tua alma, transformou teu coração, salvou você por sua maravilhosa graça. Será que o Deus que por seu poder livrou a sua alma da morte eterna, que tirou você do poder de Satanás, do pecado e das trevas, este a Deus não pode sustentar você em meio a todas as tempestades?
Não pode preservar tua alma, renovar tuas forças?
Será que o fato de ele estar com você não é tudo o que você precisa?
Eu quero que você se imagine à beira de um rio, um rio grande, largo, límpido, de águas puras, frescas, cristalinas, que corre à sombra de árvores imensas, no meio de uma floresta.
E você agora já não está mais à beira deste rio: você é um peixinho pequenino, mergulhado nas águas desse rio.
Será que as águas deste rio são suficientes para você?  Será que bastam para matar sua sede?

Assim é o rio da graça de Deus, do Deus infinito: beba deste rio, beba desta graça, mate a sua sede, peixinho pequenino.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Os benefícios das provações - Tg 1:2-12

Mensagem pregada como sermão de prova para a ordenação ao ministério pastoral, perante o Presbitério Piratininga da Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil, em Feira de Santana, Bahia
Sexta-feira, 7 de janeiro de 1994
Plínio Fernandes
Meus irmãos, por favor, abram suas Bíblias em Tiago 1:2-12
2 Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações,3 sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. 4 Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes.5 Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida. 6 Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento. 7 Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa; 8 homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos. 9 O irmão, porém, de condição humilde glorie-se na sua dignidade, 10 e o rico, na sua insignificância, porque ele passará como a flor da erva. 11 Porque o sol se levanta com seu ardente calor, e a erva seca, e a sua flor cai, e desaparece a formosura do seu aspecto; assim também se murchará o rico em seus caminhos.12 Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.
No século XIX, na cidade de Chicago, viveu um homem chamado Horátio Gates Sapafford.
Ele foi um ministro evangélico, diretor de um seminário presbiteriano.
Ele teve a vida marcada pelo sofrimento. Certa ocasião um grande incêndio na cidade que destruiu seus bens. Um de seus filhos morreu ainda pequeno, e suas quatro filhas morreram num naufrágio
Foi este homem escreveu um hino que diz assim:
Se paz, a mais doce, me fizeres gozar
Se dor, a mais forte, sofrer
Ó, seja o que for, tu me fazes saber
Que feliz com Jesus sempre sou
Sou feliz com Jesus
Sou feliz com Jesus meu Senhor
(Novo Cântico, 108; Cantor Cristão, 398)
Ele é um exemplo de que mesmo em meio às maiores aflições, aos maiores dissabores, nas horas mais terríveis, a esperança, a confiança e a felicidade hão de reinar na mente, no coração, na vida daquele que conhece a Deus.
Tiago, irmão e servo de Jesus, em sua carta nos ensina que a nossa fé não é algo que nos aliena das circunstâncias desta vida, mas que ela tem tudo a ver com nosso dia a dia, em todas as áreas. E aqui, neste texto que temos diante de nós, sobre como lidar com as provações.
No v.2 ele diz: “Tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações...” (ARA)
A versão Corrigida diz assim: “Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações, 3 sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência.” (vs. 2, 3).
Há dois sentidos nos quais Tiago e a Bíblia empregam a palavra tentação:
Muitas vezes, é como nos vs. 13 e 14, onde tem o sentido de “indução ao pecado”. Neste sentido, nunca podemos dizer que Deus é o autor das tentações, pois ele nunca faz nada de mal, nem tenta ninguém a fazer algo de mal. Neste sentido, o tentador é o diabo. E também as nossas próprias fraquezas são fonte de tentação.
Mas aqui nos vs. 2 e 3, a tentação tem o sentido de “prova, ou provação”.
Parafraseando o que nos diz Tiago, “Quando cairdes em tentações, isto é, quando passardes por provações de vossa fé, que isto seja um motivo de gozo, alegria, felicidade...”
1. O que são provações?
“Provação” é uma palavra usada no processo de purificação de metais preciosos.
Por exemplo, leiamos Pv 17:3
“O crisol é para a prata, e o forno, para o ouro; mas o SENHOR prova os corações.”
Provações são essas situações difíceis pelas quais passamos constantemente, que de alguma maneira vêm desafiar a nossa capacidade de resistência, a profundidade e a força de nossa fé, de nossa confiança em Deus.
São situações de oposição; obstáculos, “empecilhos” à nossa caminhada espiritual.
Situações nas quais podemos ser mal entendidos, acusados falsamente, podemos nos tornar objeto de mexericos, reprovados, rejeitados, condenados, criticados, contrariados, enganados.
Nas quais podemos nos tornar motivo de ressentimentos.
Situações de enfermidade .
Ou quando sofremos reveses financeiros.
A Palavra de Deus nos ensina que o Senhor de nossas vidas está no controle de cada situação, que ele tem o domínio de tudo quanto acontece, e está nos provando...
Por isso, diz Tiago...
2. A atitude que devemos ter diante de Deus: “Tende grande alegria, gozo...”
Veja o que Tiago está dizendo:
Quando você estiver passando por problemas de saúde, alegre-se...
Quando estiver passando por conflitos de relacionamento, alegre-se...
Quando você estiver passando por contrariedades, alegre-se...
Será que este homem de Deus está nos exortando a uma atitude de estóica indiferença diante do sofrimento, ou nos encorajando a um comportamento irracional de rir diante da desgraça? Ele está dizendo que não podemos nos sentir contrariados, ou não podemos nos entristecer?
Certamente que não!
Tg 5:13
“Está alguém alegre?Cante louvores. Está alguém triste? Faça oração.”
Tiago não quer que nós não nos entristeçamos quando coisas erradas acontecem conosco e com outras pessoas. O amor não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade.
Mas o que Tiago está nos ensinando é que, apesar da tristeza que os problemas podem nos trazer, nós podemos fazer destes problemas uma fonte de bênçãos espirituais, e nos alegrarmos com as bênçãos espirituais que estes problemas podem trazer.
Quando estiverem passando por provações, alegrem-se, sintam-se felizes, fiquem contentes...
Como está escrito nos Salmos, o homem que anda com Deus, quando passa pelo vale árido, faz dele uma fonte de bênçãos...
Desejo mencionar duas razões pelas quais esta atitude de se alegrar é muito apropriada:
Uma delas é que as provações vêm de Deus – Deus que é sábio, que é justo, que é bom, que é misericordioso, todo poderoso, que nos ama – e todas as veredas, todos os caminhos do Senhor são santos.
Como já temos lido, o crisol prova a prata, e os corações quem prova é o Senhor.
Outra razão é que a alegria é uma atitude muito apropriada se queremos vencer, isto é, se queremos ser aprovados em nossas provações.
Ne 8:10
“...porque esse dia é consagrado ao nosso Senhor; portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do SENHOR é a vossa força”.
E como diz o Salmo 118:24
“Este é o dia que o Senhor fez: alegremo-nos e regozijemo-nos nele.”
Alegria é uma atitude de fé, de reconhecimento que as mãos de Deus estão conduzindo o nosso destino, que a nossa vida não está nas mãos de Satanás, que nada é fruto do acaso, e que também não estamos à mercê de nossas próprias determinações e disposições do coração, mas que cada dia, cada acontecimento, até mesmo aqueles que nos contrariam, que parecem sem sentido, tudo, tudo quanto acontece, está sob o controle do Senhor.
3. Mas Tiago nos ensina também como podemos ter alegria em meio às provações
 “Sabendo”, ele diz; “usando o entendimento”.
O Salmo 32 nos ensina que não devemos ser como um cavalo, ou uma mula, que não têm entendimento
Sabendo: conhecendo, sendo sabedores, tendo sabedoria. O que devemos saber?
3.1 – Que as provações nos tornam perseverantes – v. 3
Perseverança, paciência – capacidade de resistir, de prosseguir
Quando surgem dificuldades, o propósito de Deus não é que desistamos, mas que desenvolvamos a capacidade de prosseguir para o alvo.
Esta estória eu li num boletim de Escola Dominical: conta que certo homem, num dia de chuva, abrigou-se num edifício que havia sido abandonado em construção.
Enquanto esperava a chuva passar, começou a observar uma formiguinha que transportava uma folha enorme, maior do que ela.
Em certo momento a formiguinha encontrou uma barreira de cimento endurecido, e começou a subi-la carregando sua enorme folha.
Mas no meio da subida a formiguinha caiu. Então ela pegou novamente a folha e recomeçou a subida. E caiu outra vez. E recomeçou. E tornou a cair.
Então o homem começou a contar quantas vezes aquela formiginha se reerguia e recomeçava a subida.
Cinco vezes... seis... sete... trinta e cinco... trinta e seis... trinta e sete... sessenta e cinco... sessenta e oito,,, sessenta e nove... setenta! Na septuagésima vez ele conseguiu ultrapassar a barreira. Mas se ela tivesse desistido na sexagésima nona, não teria conseguido.
Eu acho uma boa ilustração deste fato que a vida coloca sempre diante de nós: oportunidades de nos tronarmos perseverantes, pessoas fortes, que prosseguem, mesmo quando já tentamos muitas vezes, mesmo quando parece que não conseguiremos. Perseverança é uma característica da verdadeira fé.
Como diz o Espírito Santo: “Tendes necessidade de perseverança, para que havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa...” (Hb 10:36).
3.2 – As provações nos conduzem à maturidade (caráter de Cristo)
Nosso verdadeiro caráter é revelado
Dt 8:2
“E te lembrarás de todo o caminho pelo qual o SENHOR, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os seus mandamentos ou não.”
Eu conheço certo pastor que orava por reavivamento em sua igreja.
Ele sempre pregava com todo o amor e conhecimento que o Senhor lhe dava, e sempre orava para que sua igreja fosse despertada espiritualmente.
Certa ocasião sua igreja recebeu uma missionária que foi lhes falar sobre a vida do crente. E conforme flava à igreja, o pastor notou que havia quebrantamento espiritual entre os irmãos. E depois disto o tão desejado despertamento aconteceu.
Mas o pastor se entristeceu com uma coisa: é que aquela missionária havia trazido uma mensagem como as que ele pregava constantemente. Não havia nada de diferente. E os irmãos ficaram se sentindo muito gratos a Deus porque ele havia enviado aquela irmã para lhes falar.
Então o pastor percebeu uma coisa em seu coração: ciúmes. E sentiu que desejava despertamento da igreja, mas também desejava ser reconhecido.
Na hora em que foi provado, o que estava no seu coração veio à tona. Então ele confessou seus sentimentos a Deus, e reconheceu que é Deus que faz a obra, onde quer, quando quer através de quem ele quer. Deu glória a Deus e se alegro pela resposta às suas orações.
3.3 – As provações nos tornam melhores interiormente
Dt 8:3
“Ele te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conhecias, nem teus pais o conheciam, para te dar a entender que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do SENHOR viverá o homem.”
Esta estória eu li naquele excelente livro, “Normas para o Crescimento Espiritual”:
Um seminarista foi fazer um pedido ao diretor de sua escola bíblica. Ele tinha pressa de entrar no ministério, e perguntou se não haveria um curso mais rápido que ele pudesse fazer, e assim sair pregando o evangelho; esta é uma tarefa urgente, ele dizia, e queria lançar logo a mão no arado.
Então o diretor respondeu: “Sim, eu acho que se você quiser, posso lhe oferecer um curso mais rápido; mas depende do tipo de missionário você quer ser. Quando Deus quer fazer um carvalho ele leva cem anos. Muitos verões, e invernos, e sol e chuvas, e tempestades e ventos. Muito tempo e situações diferentes. Muitas provações. Quando quer fazer uma abóbora, leva seis meses. Que tipo de missionário você quer ser”?
O fervoroso jovem entendeu, e respondeu: “Eu quero ser um carvalho”. E prosseguiu seus estudos.
3. 4 – São instrumentos da providência de Deus para nos guiar
Gn 45:5-8
“Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos irriteis contra vós mesmos por me haverdes vendido para aqui; porque, para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós. 6 Porque já houve dois anos de fome na terra, e ainda restam cinco anos em que não haverá lavoura nem colheita. 7 Deus me enviou adiante de vós, para conservar vossa sucessão na terra e para vos preservar a vida por um grande livramento. 8 Assim, não fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus, que me pôs por pai de Faraó, e senhor de toda a sua casa, e como governador em toda a terra do Egito.”
Que visão José do Egito tinha a respeito da providência de Deus em sua vida: ele foi odiado, traído pelos irmãos, vendido como escravo, acusado falsamente e lançado numa prisão egípcia onde ficou anos esquecido.
Até que um dia foi libertado e conduzido à condição de vice-regente do Egito. Naquela posição ele foi usado por Deus para salvar muitas vidas, inclusive as de seus irmãos que o odiaram e deram como morto àquela altura.
Mas no texto que lemos ele conta da sua maneira de interpretar a vida: não foram seus irmãos que conduziram seu destino. Foi Deus, que controla todas as coisas, que o conduziu ao Egito através de todos os males aparentes, para que ele fosse um instrumento divino, abençoador de muita gente.
Assim também Tiago nos diz que suportar as provações com fé nos conduz a algo muito maior do que tudo o que este mundo pode nos dar.
Tg 1:12
“Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.”
3.5 – E se você não estiver conseguindo entender?
v.5
Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida.
Peça a Deus sabedoria. Eu aprecio a definição de sabedoria dada pelo pastor Larry Coy: “Sabedoria é olhar a vida do ponto de vista de Deus”.
Peça com fé, com perseverança.
“Senhor: nesta situação, que qualidades de caráter o Senhor pode desenvolver em minha vida? Diante deste problema, de que modo eu posso aprender a me parecer mais com Jesus Cristo”?
Peça na certeza de que o Senhor iluminará seu entendimento, e deixe que a Palavra do Senhor conduza o seu pensar. Aprenda a ser mais parecido com Jesus.
Leiamos sobre o exemplo de Davi, servo do Senhor
1º Sm 30:6
“Davi muito se angustiou, pois o povo falava de apedrejá-lo, porque todos estavam em amargura, cada um por causa de seus filhos e de suas filhas; porém Davi se reanimou no SENHOR, seu Deus.”

Diante das coisas que te angustiam, anime-se no Senhor teu Deus. 
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