Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

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domingo, 12 de julho de 2020

Quando a tristeza é grande demais - 2ª Co 2:1-11

3ª IPC de Guarulhos

Domingo, 12 de julho de 2020

Pr. Plínio Fernandes

Hoje, meus irmãos, eu quero meditar com vocês a respeito da vitória sobre a tristeza. Mas antes de prosseguir, quero fazer duas observações:

A primeira, é que não tenho como, aqui, fazer um extenso estudo sobre este assunto. Ele seria muito vasto. Mas depois do nosso estudo, eu quero sugerir alguns livros, que podem lhe ser muito úteis.[1]

A segunda observação é que eu particularmente tenho sido muito ajudado com a leitura de um deles, um livro chamado Superando a tristeza e a depressão com a fé, escrito por um pastor puritano chamado Richard Baxter. Eu devo muito a ele, para a minha vida particular, e quase tudo a ele nesta mensagem. Recomendo a sua leitura.

Vamos ao nosso texto, que se encontra em 2ª Co 2:1-11.

Isto deliberei por mim mesmo: não voltar a encontrar-me convosco em tristeza.  2 Porque, se eu vos entristeço, quem me alegrará, senão aquele que está entristecido por mim mesmo?  3 E isto escrevi para que, quando for, não tenha tristeza da parte daqueles que deveriam alegrar-me, confiando em todos vós de que a minha alegria é também a vossa.  4 Porque, no meio de muitos sofrimentos e angústias de coração, vos escrevi, com muitas lágrimas, não para que ficásseis entristecidos, mas para que conhecêsseis o amor que vos consagro em grande medida.  5 Ora, se alguém causou tristeza, não o fez apenas a mim, mas, para que eu não seja demasiadamente áspero, digo que em parte a todos vós;  6 basta-lhe a punição pela maioria.  7 De modo que deveis, pelo contrário, perdoar-lhe e confortá-lo, para que não seja o mesmo consumido por excessiva tristeza.  8 Pelo que vos rogo que confirmeis para com ele o vosso amor.  9 E foi por isso também que vos escrevi, para ter prova de que, em tudo, sois obedientes.  10 A quem perdoais alguma coisa, também eu perdoo; porque, de fato, o que tenho perdoado (se alguma coisa tenho perdoado), por causa de vós o fiz na presença de Cristo; 11 para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios.

Quando eu era menino, de vez em quando ouvia uma música no rádio que dizia:

Tá todo mundo triste,

Cantando músicas tristes

E cada dia fica mais fácil cantar assim. [2]

Esta música fez considerável sucesso, pois falava de um tema recorrente na vida de todos os seres humanos, inclusive na experiência daqueles que conhecem a Jesus.

A tristeza é mais uma destas emoções inevitáveis neste mundo decaído.

Ela pode ser fruto, muitas vezes, das situações adversas, que acontecem na vida de todos os seres humanos.

– Algum contratempo financeiro, o sentir-se impotente diante dos problemas...

– Os desejos não realizados, as ansiedades...

– A perda de uma amizade, alguma calúnia, alguma traição de alguém em quem se confiava...

– Alguma enfermidade física, ou psicológica, ou uma mistura das duas, ou de todas as coisas...

Muitas vezes, tem-se dito que a carta de Paulo aos Filipenses pode ser chamada de “A Epístola da Alegria.”.

E com razão, pois nela, através de muitas alusões a esta abençoada atitude, o Apóstolo procura ali, incutir uma santa alegria nos corações de seus leitores.

E seguindo uma espécie de paralelismo, eu gostaria de sugerir que a 2ª Carta aos Coríntios poderia ser chamada de “A Epístola da Vitória sobre a Tristeza.”.

Isto porque nela, diversas vezes o assunto tristeza é mencionado pelo apóstolo.

Mas não uma tristeza que vence. E sim, uma tristeza sobre a qual o crente em Jesus tem vitória.

Paulo não está falando aqui primeiramente sobre qualquer motivo de tristeza, mas especialmente pelas tristezas que nos sobrevêm pelo fato de sermos amados filhos de Deus, e que estamos vivendo num mundo em que as misérias do pecado e suas consequências ainda existem.

Mas as coisas que eu desejo destacar podem ser aplicadas num sentido mais amplo também.

É por isto, meus irmãos, que eu gostaria de meditar hoje com vocês, sobre este texto que acabamos de ler.

Depois de, nos vs. 1-5 das suas próprias tristezas, no seu relacionamento com os crentes de Corinto, tristezas que provinham de seu amor para com aquela igreja muitas vezes rebelde, mas ao mesmo tempo em que se deixava corrigir, nos vs. 7-11 Paulo orienta aqueles crentes em Jesus sobre como deveriam proceder para com um irmão que havia pecado grosseiramente a ponto de ser disciplinado pela igreja, mas que agora estava humildemente quebrantado.

Não sabemos se este irmão é o mesmo mencionado em 1ª aos Coríntios 5, e que havia cometido o pecado de imoralidade sexual. Quem exatamente ele era é de somenos importância, do contrário o Espírito Santo teria levado o apóstolo a ser mais específico.

O fato é que este irmão agora deveria ser restaurado.

Então, nos vs. 7 e 8 Paulo orienta:

De modo que deveis, pelo contrário, perdoar-lhe e confortá-lo, para que não seja o mesmo consumido por excessiva tristeza.  8 Pelo que vos rogo que confirmeis para com ele o vosso amor.

Leiamos também os vs. 10 e 11:

A quem perdoais alguma coisa, também eu perdoo; porque, de fato, o que tenho perdoado (se alguma coisa tenho perdoado), por causa de vós o fiz na presença de Cristo; 11 para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios.

Note a orientação: aquele irmão agora precisava ser perdoado e receber os afetos dos seus irmãos em Cristo. Se isto não acontecesse, ele poderia ser consumido pela tristeza.

Seguindo, não muito fielmente, o esboço de Richard Baxter, vamos destacar três inferências da orientação de Paulo:

1.      A tristeza, mesmo por razões espirituais, pode ser excessiva.

Eu digo razões espirituais, pois como nos ensina a Bíblia, em se tratando de coisas espirituais, existem basicamente dois tipos de tristeza que podem entrar em nossos corações.

Vamos ler 2ª Co 7:10

Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte.

Veja: há aquele que Paulo chama tristeza segundo Deus, e aquele que ele chama tristeza segundo o mundo.

A tristeza segundo o mundo, podemos dizer, é aquele que pode vir sobre nós por razões carnais, por não podemos satisfazer os nossos maus desejos, as nossas ambições pecaminosas.

Este tipo de tristeza é nocivo para nossas almas desde o começo, e precisamos lidar com ela o mais cedo possível, assim que a tivermos percebido.

As existe uma espécie de tristeza, ou tristezas, que são segundo Deus, espiritualmente saudáveis.

Como, por exemplo, as tristezas de Paulo ao escrever para os coríntios, em momentos em que eles estavam desobedecendo a Palavra de Deus, ou aquela tristeza descrita em Romanos cap. 7, em decorrência de seus sentimentos em relação ao pecado que nele habitava.

E existe, como mencionada aqui, a tristeza que nos sobrevêm como resultado do agir do Espírito de Deus em nossos corações, convencendo-nos dos nossos pecados, provocando arrependimento, conversão e vida.

Ou disciplinando-nos por sua Palavra, ou pela igreja ou irmãos chegados, ou pelas circunstâncias da vida.

Foi o caso do Rei Davi, conforme ele escreveu nos Salmos 32, 38, e em outros lugares.

Foi o caso de Pedro, que depois de haver negado ao Senhor, caindo em si, arrependeu-se sob o olhar de Jesus, e chorou amargamente. [3]

Foi o caso do irmão a respeito de quem Paulo está escrevendo aqui em 2ª Co 2.

São tristezas espirituais, provocadas pelo Espírito de Deus: ora pelos pecados e aflições da igreja, ora pelos nossos próprios pecados.

Mas note: falando pelo Espírito, Paulo diz que agora este irmão deveria ser perdoado, para que não fosse consumido pela tristeza excessiva.

Isto nos leva à segunda consideração...

2.  Mesmo por razões espirituais, a tristeza excessiva não é saudável: ela se torna destrutiva

Vamos ler novamente o v. 7?

De modo que deveis, pelo contrário, perdoar-lhe e confortá-lo, para que não seja o mesmo consumido por excessiva tristeza.

Se este irmão não fosse agora perdoado e confortado, a tristeza excessiva o consumiria.

A palavra “consumir” tem o sentido de “engolir, tragar, destruir”.

Imagine alguém sendo engolido e levado por uma onda gigantesca, ou por um grande peixe.

Quando a tristeza é grande demais, prolongada, descomunal, ela se torna terrivelmente destrutiva, paralisante.

Nesta sexta-feira eu soube de um homem que foi caluniado, e a tristeza foi tão grande que ele jogou-se nos trilhos de um trem, buscando a própria morte.

Mas mesmo que uma pessoa não chegue a este ponto, a tristeza, mesmo por arrependimento, pode ser tão grande que o crente esmorece em sua fé.

Perde o vigor para orar, para louvar, para testemunhar, para servir ao Deus a quem ama e por quem foi salvo.

Perde as alegrias da vida em família ou em meio ao povo de Deus, a alegria do trabalho secular.

E meus irmãos, não é esta a intenção de Deus quando ele contende conosco por causa dos nossos pecados; ao contrário, é produzir vida.

Vamos ler Is 57:15-19

Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos.  16 Pois não contenderei para sempre, nem me indignarei continuamente; porque, do contrário, o espírito definharia diante de mim, e o fôlego da vida, que eu criei.  17 Por causa da indignidade da sua cobiça, eu me indignei e feri o povo; escondi a face e indignei-me, mas, rebelde, seguiu ele o caminho da sua escolha.  18 Tenho visto os seus caminhos e o sararei; também o guiarei e lhe tornarei a dar consolação, a saber, aos que dele choram.  19 Como fruto dos seus lábios criei a paz, paz para os que estão longe e para os que estão perto, diz o SENHOR, e eu o sararei.

Note o v. 16:

Em seu amor e santidade, o Senhor, alto, santo, sublime, contende indignado conosco.

Mas a sua indignação não é contínua.

Se assim fosse, ele diz, o nosso espírito não resistiria, o fôlego de vida que ele criou em nós.

E ele não quer destruir o fôlego de vida que ele criou.

Mas têm alguém que quer nos destruir.

Vamos ler Jo 10:10 e 11

O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.  11 Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas.

O Senhor Jesus, o Filho de Deus, o autor da vida, veio para nos dar vida abundante. E para isto deu sua vida por nós, na cruz.

Mas também existe o ladrão de nossas almas, que deseja somente roubar, matar e destruir. Este alguém é Satanás.

Irmão, entenda: se você está sendo consumido pela tristeza, seja por desejos mundanos, seja pela consciência dos seus pecados, se você está vivendo dominado pela angústia, se você está se sentindo desmotivado e derrotado, isto não vem de Deus.

Deus não quer isto para você. Quem quer é o Diabo.

Vamos de novo ao v. 11:

Que ele seja perdoado, e consolado, e amado (vs. 7 e 8) e eu também perdoo (v. 10)...

...para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios.

Se aquele irmão não fosse restaurado, quem teria vantagem seria o inimigo, por duas razões:

Primeira, aquele irmão definharia, seria consumido.

Segunda, a igreja, que deve ser um instrumento de Deus para a transmissão de vida, se tornaria num instrumento de Satanás, fazendo perecer alguém por quem Cristo morreu.[4]

E isto nos conduz à terceira consideração...

3. A tristeza espiritual, quando excessiva, precisa ser combatida e vencida

Pois o Espírito Santo diz que “o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”. [5]

E também ordena:

Não vos entristeçais... pois a alegria do Senhor é vossa força. [6]

O mesmo Pai bondoso, que nos fere por amor de nossas almas, também nos restaura.[7]

Eu tenho destacado aqui no texto, a instrução de Paulo no sentido de que a igreja deveria restaurar o crente quebrantado, a fim de que sua tristeza excessiva não o consumisse.

Isto mostra a importância do “papel terapêutico da igreja na cura das almas”, e por inferência dos crentes, nas vidas uns dos outros.

Eu quero, quanto a isto, fazer três considerações finais:

Primeiramente, que nós precisamos combater a tristeza excessiva na nossa própria vida, ouvindo o que Deus nosso Pai e Consolador nos diz.

Lembre-se do mandamento dado ao profeta, a fim de que proclame aos que choram:

Is 40:1, 2 – Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus.  2 Falai ao coração de Jerusalém, bradai-lhe que já é findo o tempo da sua milícia, que a sua iniquidade está perdoada e que já recebeu em dobro das mãos do SENHOR por todos os seus pecados.

Palavras que se cumpriram na vinda de Jesus, como ensinam os Evangelhos.

Lembre-se de Isaías 12:1

Orarás naquele dia: Graças te dou, ó SENHOR, porque, ainda que te iraste contra mim, a tua ira se retirou, e tu me consolas.

Lembra-se das palavras de Jesus:

Mt 5:4 – Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.

Leve ao Senhor, que te consola, todas as tuas tristezas.

Fale tudo para ele: confesse seus pecados dos quais você se arrepende. E confesse os pecados que você ama. Confesse as suas lutas, os seus medos, as suas tentações. Confesse suas iras, suas covardias. Confesse tudo. E espere nele.

Hoje eu estava me lembrando do profeta Elias, conforme aquela passagem em que Tiago está nos encorajando a orar, e toma Elias como nosso exemplo, dizendo assim:

Tg 5:17 e 18 – Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos, e orou, com instância, para que não chovesse sobre a terra, e, por três anos e seis meses, não choveu.  18 E orou, de novo, e o céu deu chuva, e a terra fez germinar seus frutos.

Quando Tiago diz que Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos, está se referindo ao fato de que Elias também ficava deprimido, também se acovardava, às vezes até queria morrer, também ficava irado.

E Tiago diz que Deus o ouviu. Então esta frase me veio à mente:

– Deus ouve também os deprimidos.

Irmão, frequentemente, quando estamos tristes, pensamos que Deus não está nos ouvindo. Mas isto não é verdade. Ele ouve.

Vejamos 2ª Co 1:3 e 4:

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação!  4 É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus.

Segundo: também combatamos a tristeza excessiva em nossa vida, considerando os nossos irmãos como fonte de consolo.

Como temos destacado, a igreja de Corinto foi orientada pelo apóstolo Paulo a perdoar, consolar e demonstrar afeto pelo irmão abatido.

Da mesma forma, cada um de nós deve se deixar confortar pelos queridos amigos que o Senhor nos dá, entendendo que são instrumentos de Deus.

2ª Co 7:6 e 7 – Porém Deus, que conforta os abatidos, nos consolou com a chegada de Tito; 7 e não somente com a sua chegada, mas também pelo conforto que recebeu de vós, referindo-nos a vossa saudade, o vosso pranto, o vosso zelo por mim, aumentando, assim, meu regozijo.

O grande apóstolo Paulo não tinha dificuldade alguma em admitir o quanto era carente, e abençoado pela companhia, pela amizade e pela afeição dos seus irmãos em Cristo.

Na carta aos Colossenses ele diz que certos irmãos, que cooperavam com ele, eram seu lenitivo. [8]

Através dos meus anos como crente tenho tido a mesma alegria, a de ter irmãos fiéis, amorosos, que ficaram comigo nas minhas tristezas.

Se você tem alguém assim, mesmo que seja apenas um, aproveite. Se não tem, preste atenção à sua volta, peça ao Senhor.

E por último, consideremos agora que Deus nos consola, a fim de que nós, por nossa vez, possamos consolar a outros.

Como já lemos no cap. 1:3 e 4, que uma vez consolados por Deus, podemos consolar a outros.

E como temos visto que a igreja deveria fazer, no cap. 2: perdoar, consolar, e assim confirmar o seu amor.

Você já viu pessoas que dizem mais ou menos assim:

– Olha, eu perdoo, mas por favor, fique longe...!?

Não é o tipo de perdão que restaura, não é mesmo?

E a igreja, e nós, não devemos agir assim para que Satanás não leve vantagem sobre nós, nem sobre os aflitos de coração.

Então, cada um de nós, seja perdoador, compassivo, restaurador, gentil, ministrando palavras de vida, dando aos quebrantados a chance de renascer na nossa vida. Sejamos instrumentos de cura.

Conclusão e aplicação

Vamos recordar?

A tristeza poder ser excessiva, mesmo por boas razões espirituais.

A tristeza, quando excessiva, torna-se destrutiva.

A tristeza excessiva deve ser combatida e vencida, em nossas próprias vidas e nas vidas dos nossos irmãos; na comunhão com Deus e com uns com os outros.

 

 

 



[1] Livros sugeridos:

D. Martin Lloyd-Jones – Depressão Espiritual. São Paulo, Editora PES, 3ª edição, 2017.

John Pipper – Quando a Escuridão não Passa: vivendo com esperança em Deus em meio à depressão. São Paulo, Editora Vida Nova, 2019.

Richard Baxter – Superando a tristeza e a depressão com a fé.  São Paulo, Editora Vida Nova, 2015.

Wilson Porte Jr. – Depressão e Graça. São José dos Campos, Editora FIEL, 2016.

Zack Eswine – A depressão de Spurgeon: esperança realista em meio à angústia. São José dos Campos, Editora FIEL, 2015.

[2] Zé Rodrix e a Agência de Mágicos, Muito Triste (Rio de Janeiro, Odeon, 1974).

[3] Lc 22:61, 62

[4] Usando a linguagem de Paulo em Rm 14:15

[5] Sl 30:5

[6] Ne 8:10

[7] Os 6:1-3

[8] Cl 4:11


domingo, 10 de julho de 2016

Como Jesus olha o pecado - Ap 2:18-29

IPC de Pda. de Taipas
Domingo, 10 de julho de 2016
Pr. Plínio Fernandes
18 Ao anjo da igreja em Tiatira escreve: Estas coisas diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao bronze polido: 19 Conheço as tuas obras, o teu amor, a tua fé, o teu serviço, a tua perseverança e as tuas últimas obras, mais numerosas do que as primeiras.  20 Tenho, porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos.  21 Dei-lhe tempo para que se arrependesse; ela, todavia, não quer arrepender-se da sua prostituição.  22 Eis que a prostro de cama, bem como em grande tribulação os que com ela adulteram, caso não se arrependam das obras que ela incita.  23 Matarei os seus filhos, e todas as igrejas conhecerão que eu sou aquele que sonda mentes e corações, e vos darei a cada um segundo as vossas obras.  24 Digo, todavia, a vós outros, os demais de Tiatira, a tantos quantos não têm essa doutrina e que não conheceram, como eles dizem, as coisas profundas de Satanás: Outra carga não jogarei sobre vós; 25 tão-somente conservai o que tendes, até que eu venha.  26 Ao vencedor, que guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações, 27 e com cetro de ferro as regerá e as reduzirá a pedaços como se fossem objetos de barro; 28 assim como também eu recebi de meu Pai, dar-lhe-ei ainda a estrela da manhã.  29 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
     Este texto contém a mais longa das cartas dirigidas por Jesus através de João às sete igrejas da Ásia; a carta dirigida à igreja de Tiatira.
     Esta cidade, embora pequena, era um próspero centro comercial da antiguidade, que mercadejava principalmente púrpura, um tecido caríssimo, além de couro e cerâmica.
     Tudo girava em torno do comércio. Os habitantes da cidade se uniam em associações comerciais, e a vida social dependia totalmente disto.
     Acontece que estas associações, como muitas outras coisas naqueles dias, eram marcadas por duas atividades totalmente opostas ao que significa ser cristão: a idolatria e a imoralidade sexual.
     Constantemente eram realizadas reuniões de negócios. Cada associação tinha o seu “deus”, patrono espiritual, ao qual eram feitos sacrifícios. Havia uma refeição comum, uma festividade, e nestes eventos a imoralidade corria solta.
     Bem, acontece que, assim como acontecia em todo o mundo, a Palavra de Deus também estava sendo propagada em Tiatira, a ali surgiu uma igreja cristã.
     Mas logo os crentes daquela cidade começaram a ter seus primeiros conflitos: como fazer parte da vida comercial da cidade sem se misturar com a imoralidade e a idolatria?
     Muitas vezes, ser cristão e manter o padrão de vida cristão significava ficar de fora, e consequentemente, sofrer dificuldades econômicas, até mesmo perder seu comércio, sua posição, seu meio de vida.
     O equivalente, para a maioria de nós, seria perder o emprego.
     Nos dias de hoje, seria mais ou menos assim: – “Como manter meu emprego e não pactuar com o pecado?”
     Dentro deste contexto é que surge essa mulher, Jezabel. Não sabemos se este nome, Jezabel, era o nome real de uma certa mulher na igreja, ou se evocava a lembrança daquela perversa rainha no Antigo Testamento, que da mesma forma seduziu e conduziu Israel à idolatria.[1]
     Esta mulher aqui se diz profetiza, portadora da Palavra de Deus; ela tornou-se conhecida não somente da igreja em Tiatira mas nas outras igrejas da região.
     No v. 24, a doutrina de Jezabel está sendo mencionada, como “coisas profundas de Satanás”.
Paulo, na 1ª carta aos Coríntios, nos ensina que os crentes, por terem o Espírito Santo, são ensinados nas coisas profundas de Deus.[2]
     Mas parece que para Jezabel e seus seguidores, ter um conhecimento das coisas de Satanás era sinal de profundidade.
     Agora, se queremos saber que ensinos eram estes precisamos voltar aos vs. 20, 21.
20 Tenho, porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos.  21 Dei-lhe tempo para que se arrependesse; ela, todavia, não quer arrepender-se da sua prostituição.  
     Ela não somente ensinava, como também seduzia os servos de Deus a praticarem a prostituição e a idolatria.
     O que Jezabel estava ensinando, provavelmente, é que, dentro daquele contexto social, os crentes não tinham outra coisa a fazer, a não ser o participar da vida social e comercial da cidade, do contrário simplesmente não teriam como viver.
    Uma doutrina infiel, impura, licenciosa, oriunda de uma atitude leviana para com as coisas de Deus. Uma atitude que tristemente tem se repetido ao longo de toda a história da igreja. Vejam nos dias de hoje quantas coisas semelhantes, quantas perversões do evangelho estão diante dos nossos olhos, anunciadas por homens e mulheres que se dizem cheios do Espírito Santo, trazendo revelações de Deus.
     Mas que de modo algum surpreendem a Deus, pois sua Palavra já nos disse de antemão que seria assim.[3]
     Em nossa mensagem anterior[4], falamos sobre o ensino dos nicolaítas, ao qual Jesus odiava. O ensino de Jezabel era o mesmo. Ensino pernicioso que estava se espalhando, e afetando a vida de muita gente.
     Ensino errado, que estava sendo tolerado pelo anjo, isto é, pelo pastor da igreja, e pelos membros da igreja em Tiatira.
     Mas que não estava sendo tolerado por Jesus. Ele havia dado a ela tempo para que se arrependesse dos seus pecados, este tempo estava terminando, e o juízo de Jesus sobre ela e seus seguidores já não tardaria.
     Então Jesus escreve a estes irmãos, e lhes diz que, embora fossem gente de fé, amorosa, trabalhadora, não estavam tendo diante do erro a mesma visão que ele tinha. Visão com relação ao pecado, que eles também precisavam ter.
     Olhos de Jesus, que nós também precisamos ter!
     Na mensagem sobre os nicolaítas, enfatizei o aspecto doutrinário. Por isto, na mensagem de hoje, desejo enfatizar o aspecto decorrente da doutrina errada: o pecado. Como são os olhos de Jesus com relação ao pecado?

     1. São olhos de ira contra o pecado

     vs. 18-20
18 Ao anjo da igreja em Tiatira escreve: Estas coisas diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao bronze polido: 19 Conheço as tuas obras, o teu amor, a tua fé, o teu serviço, a tua perseverança e as tuas últimas obras, mais numerosas do que as primeiras.  20 Tenho, porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos.  
     Os olhos de Jesus são como chamas de fogo, e seus pés como o metal reluzente.
     São maneiras apocalípticas de se descrever o guerreiro que está para pisar, para reduzir a nada os seus inimigos.
     Ora, de acordo com Tiago capítulo 4, aquele que quiser ser amigo do mundo, naquele contexto, aquele que quiser ser amigo do pecado, constitui-se inimigo de Deus.[5]
     E esse era precisamente o problema de Jezabel: embora se chamasse a si mesma profetiza do Senhor, e era vista por muitos como mensageira de Deus, na realidade não era isto o que Jesus pensava dela, antes, ele a via como sua inimiga.
     Jesus começa dizendo uma palavra contra o pecado, não de Jezabel, e sim do pastor, ou anjo, e da igreja, que toleravam aquela mulher e seus falsos ensinos.
     – “Conheço as tuas obras...”
    – “Sei que vocês são pessoas de fé, gente amorosa, dedicada à minha obra, que têm suportado grandes provações por causa do meu nome, e não têm desanimado...”
     – “Mas tenho uma coisa contra vocês...”
     Isto é, em sua busca de fazer a minha vontade, vocês estão fazendo algo que não me agrada: estão tolerando quem ama o pecado, quem ensina o pecado, quem induza outros ao pecado.
     Há um contraste muito interessante e instrutivo, entre a igreja de Éfeso e a igreja de Tiatira.
     Em Ap 2:2, Jesus elogia a igreja de Éfeso por causa de sua intolerância para com o erro.
     Em 2:4, Jesus corrige aquela igreja por sua falta de amor.
     O problema da igreja de Tiatira era o contrário.
     Em 2:19, está escrito que era uma igreja amorosa.
     Mas era também uma igreja tolerante demais.
     Parece que nossa tendência é para o desequilíbrio.
     Agora, embora Jesus não diga que irá castigar a igreja por causa disto, pois esta própria tolerância já é uma carga, um peso, um castigo para a igreja, Jesus diz que não está satisfeito, e eu não consigo imaginar coisa pior para quem ama o Senhor, do que saber que, com seu comportamento, tem entristecido o Espírito de Cristo.
     Depois Jesus se volta para os pecados de Jezabel.
    Ela ensinava falsas doutrinas. Seduzia os servos de Deus, induzindo-os ao pecado. Seduzir significa atrair, encantar, desencaminhar, enganar, deslumbrar.
     Ela conduzia os servos de Deus à imoralidade sexual e à idolatria. Ela desencaminhava os servos da Palavra de Deus. Ela não somente vivia em pecado, como ensinava outros a fazerem o mesmo.
     Atualmente, de muitas formas, mesmo quando não há a idolatria diante de uma imagem, novos deuses são erigidos, diante dos quais o crente se você tentando a se prostrar. É o “deus da fama”, é o “deus dinheiro”, é o “deus patrão”, é o “deus emprego”, é o “deus amigos e colegas”, é o “deus popularidade”.
    E estes deuses não estão apenas lá, fora do ambiente social religioso cristão. As igrejas contemporâneas estão terrivelmente influenciadas por gente que se diz mensageira de Deus, mas que somente ama o mundo e tudo o que o mundo pode oferecer. Pessoas cujo deus é o ventre; cuja glória está na sua infâmia, visto que só se preocupam com coisas terrenas, e cujo destino é a perdição. [6]
     Gente ama a popularidade, que se utiliza dos meios de comunicação, não para buscar a glória de Jesus, mas a sua própria glória.
     Gente que faz da religião um meio de comércio, de ganhar muito dinheiro.
     Gente que está mais preocupada com a forma física, as roupas bonitas, a boa aparência.
    Gente que por sua aparente devoção a Deus e felicidade, simplesmente encanta muitas pessoas, torna-se ídolo espiritual para muitas pessoas, gente adorada por muitas pessoas.
   Que, tendo a forma de piedade, apresentam doutrinas falsas, mas terrivelmente sedutoras, destrutivas da fé em Jesus.
     Doutrinas que levam à licenciosidade, à vaidade, ao estrelismo, ao amor ao dinheiro e às coisas do mundo.
     Meu irmão, não se deixe seduzir pelos encantamentos do falso evangelho.
     De que vale você ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?
     Mas isto nos leva ao segundo ponto...
     2. Os olhos de Jesus são olhos de amor para com o pecador
v. 21a – Dei-lhe tempo para que se arrependesse
     – Dei-lhe tempo...
     Isto significa que de alguma forma o Senhor Jesus deixou claro para Jezabel que ela estava errada.
     Talvez tenha sido dirigida uma palavra, ou muitas palavras a ela.
   Talvez ela tenha passado por alguma circunstância de aflição, através da qual Jesus tenha lhe mostrado que ela precisava emendar seus caminhos, endireitar sua vida.
    E significa também que Jesus não estava irado de repente, mas que Jezabel já tinha tido todo o tempo necessário, o tempo suficiente para se arrepender, para mudar de conduta.
    Porque Jesus, o Filho de Deus, aquele que tem olhos como chamas ardentes, e pés como metal polido, não espezinhou logo Jezabel? Porque não a destruiu?
    Porque Jesus, o Filho do Deus vivo que não tolera o pecado, é também Jesus, o Filho de Deus, Deus que é amor.
     Jesus ama o pecador, e tem prazer, não em destruir o pecador, mas em que o pecador se converta de seus maus caminhos. Que se deleita em perdoar, em curar, em dar salvação.
      O profeta Ezequiel, mais de uma ocasião, descreve o desejo de Deus para com os pecadores.
       Ez 33:11
Dize-lhes: Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que haveis de morrer, ó casa de Israel?
    Vejam, amados. Embora a Bíblia seja Palavra de Deus a todos os povos, a quem ele está primeiramente se dirigindo, no seu contexto histórico: ao povo de Israel, o povo de Deus na antiga aliança. A igreja do Antigo Testamento. E chama este povo ao arrependimento.
       Com isto eu estou me referindo ao fato de que o chamado ao arrependimento tem que começar na igreja de Jesus, que tem negligenciado os ensinamentos de nosso Deus e Salvador.
       O apóstolo Pedro repete este ensino, explicando porque a volta de Cristo para o juízo final parece tão demorada aos nossos olhos.
      Veja 2ª Pe 3:9
Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento.
     Quando eu era menino, ouvia certas repreensões que muitas vezes eram dadas aos cristãos, no sentido de que deveriam ser crentes não somente aos domingos. Pois havia uma discrepância na vida dos crentes. Eram crentes aos domingos, na igreja. Então no domingo viviam como cristãos, e nos outros dias da semana viviam como se fossem do mundo.
     Mas amados, um grande problema de hoje é que, mesmo aos domingos, muitos que se dizem crentes vivem como se fossem do mundo.
      Muitas pessoas confundem “graça de Deus” com licença para viver em pecado.
     Confundem paciência, longanimidade, amor, com fraqueza – foi assim que trataram o apóstolo Paulo em Corinto, quando ele chorou por causa dos pecados daquela igreja. Trataram-no como se ele fosse fraco, sem personalidade, e assim continuaram na dureza do seu coração.
     E era assim que Jezabel estava se portando: como se o juízo de Deus não fosse real. Talvez ela dissesse: – “Sou salva pela graça, mediante a fé; Deus não irá me punir...”
      Mas veja Ap 3:19
Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te.
     E isto nos conduz ao terceiro ponto...
    3. Os olhos de Jesus são olhos de disciplina e castigo para com o pecador que não se arrepende
     vs. 21-23
21 Dei-lhe tempo para que se arrependesse; ela, todavia, não quer arrepender-se da sua prostituição.  22 Eis que a prostro de cama, bem como em grande tribulação os que com ela adulteram, caso não se arrependam das obras que ela incita.  23 Matarei os seus filhos, e todas as igrejas conhecerão que eu sou aquele que sonda mentes e corações, e vos darei a cada um segundo as vossas obras.  
     O Senhor Jesus havia dado a esta mulher tempo para que ela se arrependesse, mas ela não quis arrepender-se da sua prostituição.
     Enfermidades
    Primeiro, ele diz que, por causa disto, a prostraria numa cama, isto é, que lhe enviaria enfermidade.
    Os irmãos sabem que nem sempre quando uma pessoa está enferma é por causa de pecado,[7] mas, quando Deus fala com alguém para que se arrependa, e este alguém continua com o coração obstinado, então é possível que o Senhor envie enfermidade.
    Enfermidade que pode permanecer muito tempo; enfermidades terríveis, até mesmo degenerativas. E também nisto a misericórdia de Deus tem como propósito levar o pecador ao arrependimento.
    Vocês devem lembrar-se do paralítico que Jesus curou junto ao tanque de Siló, em Jerusalém. Ele havia ficado paralítico 38 anos, por causa de seu pecado.
     E quando Jesus veio e curou aquele homem, advertiu solenemente:
     – “Não peques mais, para que não te suceda coisa pior”. [8]
     Tribulações
    Segundo, ele diz que, aqueles que pecavam com ela cairiam em grande tribulação – da mesma forma que ela pecava, não pecava sozinha.
     Havia servos de Cristo, mas que estavam sendo seduzidos por seu encanto – ele diz; eles sofrerão tormentos.
     Não teriam paz, teriam dificuldades para enfrentar a vida.
    Uma tribulação, irmãos, não da parte do mundo, mas da parte de Cristo. Pois como diz o profeta Isaías, os que choram por seus pecados são perdoados pelo Senhor, são curados por seu Espírito. Mas os perversos, diz o Senhor, o coração deles é como um mar agitado, cheio de lama; para os perversos não há paz. Somente conflitos e angústias.[9]
     Morte
     Terceiro, ele diz que mataria os filhos dela.
    Esses “filhos” podem ser, como entendem alguns, filhos naturais, ou podem ser filhos afetivos, seguidores, como Paulo por exemplo, ao referir-se a Timóteo, chama-o “filho na fé”.[10]
     De qualquer forma, quer sejam naturais, quer sejam afetivos, os filhos são os entes mais queridos que um ser humano pode ter.
     Jesus diz que seu juízo seria implacável, não pouparia nem seus entes mais queridos.
     E tudo isto seria testemunho, não somente para aquela igreja, mas para todas as igrejas, para que todos soubessem que Jesus é aquele que sonda as mentes e os corações, isto é, que ele sabe não apenas aquilo que as pessoas fazem exteriormente, mas os propósitos de cada um, as motivações, e que recompensa a cada um segundo as suas obras.
      Conclusão
      Como Jesus olha o pecado? O que podemos concluir destas palavras de Jesus?
      Que os olhos de Jesus odeiam ver o pecado.[11] Jesus odeia o pecado.
      Que os olhos de Jesus são olhos que amam o pecador.
      Jezabel, por pior que fosse, ainda assim era alvo da misericórdia e da paciência de Deus.
     Os olhos de Jesus são olhos de disciplina e castigo para com o pecador que não se arrepende.
      Aplicação
      Como podemos então trazer estes ensinamentos para nossa vida?
      Devemos nos examinar:
      1 – Está você se deixando seduzir por alguma Jezabel contemporânea?
     Está se deixando induzir pelos encantos de falsos ensinos, ou pelos encantos sedutores do sexo oposto, que se apresenta disfarçado de modo que te leva a pecar, até mesmo em pensamento?
     Ou ainda, será que você não está se deixando induzir pelas pressões sociais, de modo que em seu emprego, ou na escola, ou nalguma outra esfera de atividade social, até mesmo na igreja, não esteja sucumbindo diante dos ídolos do coração?
      2 – Será que você não estaria sendo uma Jezabel (numa versão feminina ou masculina), na vida de outras pessoas, de modo que com ensinos falsos, uma vida mentirosa, um comportamento sedutor, não estaria levando outros a tropeçarem?
     3 – Será que você não está sendo tolerante demais com os seus pecados? Entristecendo o Espírito de Cristo, ou pior, provocando a sua ira pela sua falta de arrependimento?
   4 – Será que o Senhor Jesus já não tem, há muito, falado com você, dando tempo para arrependimento, esperando que você mude, mas você está endurecido, empedernido, achando que não é com você?
      Será que Jesus não está te dando um ultimato nesta noite?
      5 – Devemos temer a ira de Deus
     Se Jesus, de alguma forma, falou a você hoje, no sentido de que você deve mudar, e você está endurecido, tema.
      Deus pode prostrar você numa cama.
      Se você se tem deixado seduzir pelo pecado, tema.
      Você não deseja perder seus entes queridos.
     Mas devemos ver nisto também uma palavra da graça de Jesus: se o Senhor mostrou seus pecados, humilhe-se na presença do Senhor, confesse a Deus e abandone qualquer pecado que Deus tiver revelado.
      Pv 28:13
O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia.


[1] 2º Rs 19:22
[2] 1ª Co 2:9, 10
[3] Por exemplo, veja atentamente 2ª Pe 2:1-3
[4] Ap 2:12-17 – Para Jesus, qual a importância da doutrina?. Pode ser acessado aqui
[5] Tg 4:4
[6] Fp 3:19
[7] Por exemplo, Jó ficou gravemente enfermo (Jó 2:7); o profeta Eliseu morreu de uma enfermidade (2º Rs 13:14); Timóteo sofria de frequentes males no estômago (1ª Tm 5:23). Nenhuma destas enfermidades foi consequência de algum pecado direto destas pessoas
[8] Jo 5:1-14
[9] Is 57:18-21
[10] 1ª Tm 1:2
[11] Veja Hc 1:13
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