Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

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sexta-feira, 1 de março de 2013

O Pastor de Israel - Mt 2


Igreja Evangélica Presbiteriana
Domingo, 18 de março de 2012
Pr. Plínio Fernandes
Meus amados, vamos ver Mateus 2
1 Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém. 2 E perguntavam: Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo. 3 Tendo ouvido isso, alarmou-se o rei Herodes, e, com ele, toda a Jerusalém; 4 então, convocando todos os principais sacerdotes e escribas do povo, indagava deles onde o Cristo deveria nascer. 5 Em Belém da Judéia, responderam eles, porque assim está escrito por intermédio do profeta: 6 E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as principais de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar a meu povo, Israel. 7 Com isto, Herodes, tendo chamado secretamente os magos, inquiriu deles com precisão quanto ao tempo em que a estrela aparecera. 8 E, enviando-os a Belém, disse-lhes: Ide informar-vos cuidadosamente a respeito do menino; e, quando o tiverdes encontrado, avisai-me, para eu também ir adorá-lo. 9 Depois de ouvirem o rei, partiram; e eis que a estrela que viram no Oriente os precedia, até que, chegando, parou sobre onde estava o menino. 10 E, vendo eles a estrela, alegraram-se com grande e intenso júbilo. 11 Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra. 12 Sendo por divina advertência prevenidos em sonho para não voltarem à presença de Herodes, regressaram por outro caminho a sua terra. 13 Tendo eles partido, eis que apareceu um anjo do Senhor a José, em sonho, e disse: Dispõe-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito e permanece lá até que eu te avise; porque Herodes há de procurar o menino para o matar. 14 Dispondo-se ele, tomou de noite o menino e sua mãe e partiu para o Egito; 15 e lá ficou até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor, por intermédio do profeta: Do Egito chamei o meu Filho. 16 Vendo-se iludido pelos magos, enfureceu-se Herodes grandemente e mandou matar todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo, conforme o tempo do qual com precisão se informara dos magos. 17 Então, se cumpriu o que fora dito por intermédio do profeta Jeremias: 18 Ouviu-se um clamor em Ramá, pranto, choro e grande lamento; era Raquel chorando por seus filhos e inconsolável porque não mais existem. 19 Tendo Herodes morrido, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egito, e disse-lhe: 20 Dispõe-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel; porque já morreram os que atentavam contra a vida do menino. 21 Dispôs-se ele, tomou o menino e sua mãe e regressou para a terra de Israel. 22 Tendo, porém, ouvido que Arquelau reinava na Judéia em lugar de seu pai Herodes, temeu ir para lá; e, por divina advertência prevenido em sonho, retirou-se para as regiões da Galiléia. 23 E foi habitar numa cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse o que fora dito por intermédio dos profetas: Ele será chamado Nazareno.
Quando Jesus nasceu, a terra de Israel estava dividida em três territórios: Galiléia, ao norte, onde ficava a cidade de Nazaré, residência de José e Maria; a Judéia, ao sul, onde ficava Jerusalém, e entre as duas a região de Samaria.
Israel era governada por Herodes, o Grande, que reinou durante trinta e três anos. Ele era um grande empreendedor, construtor de grandes obras e grande administrador , mas também grande em amor ao poder, desconfiança e crueldade. Chegou ao ponto de matar sua esposa favorita e dois de seus filhos, quando desconfiou que eles estavam tramando tirar-lhe o trono. Então os judeus eram governados por um homem extremamente perigoso.
E acima de Herodes, dominando sobre todo o império, havia o césar romano Otaviano, que tomara o nome “Augusto”, isto é, “sublime, sagrado, venerado”. De vez em quando, a fim de organizar melhor a cobrança de impostos, os reis ordenavam que os moradores do império voltassem às cidades de origem de suas famílias, para que fossem alistadas num recenseamento. E foi assim que, por ordem de César Augusto, os recém casados José e Maria, que eram descendentes do rei Davi, foram obrigados a sair de Nazaré e viajar para Belém, na Judéia, onde nascera o famoso rei de Israel [1]. Maria estava grávida, e em Belém nasceu seu primeiro filho, Jesus. Depois disto, o texto nos dá a entender que eles passaram a morar Belém.
Algum tempo depois que Jesus nasceu, chegaram a Jerusalém uns magos vindos do Oriente. Esta palavra, “magos”, é de origem persa. Nós a encontramos várias vezes no livro de Daniel, como designativo de uma classe de conselheiros dos reis da Babilônia. Eram pessoas versadas nas “ciências do Oriente”, como astronomia, medicina, história, matemática, e tudo isto, naturalmente, misturado a muitas superstições. De maneira que estes homens, herdeiros de uma “magia antiga”, devem ter vindo das terras da Babilônia, onde desde o tempo do exílio os judeus haviam exercido certa influência cultural. Como estudiosos que eram, talvez eles tivessem conhecimento dos antigos escritos de Nabucodonosor, das crônicas babilônicas, talvez até mesmo do livro de Daniel, que falavam de um eterno reino vindouro. Há um livro muito interessante publicado pela Editora Vida Nova, chamado “O fator Melquisedeque” [2]. Nele, Don Richardson defende a tese de que, em cada cultura do mundo, Deus deixou certas marcas que são como que uma ponte que liga aquele povo à Palavra de Deus no Evangelho, e que então os que vão para o campo missionário devem prestar atenção aos sinais deixados, ou dados por Deus, em cada cultura.
Ele cita vários exemplos, como “o deus desconhecido que era adorado em Atenas”, do qual Paulo se valeu para pregar o Evangelho ali, os vários nomes de Deus que vemos no Antigo Testamento, como o Senhor, o Deus Altíssimo, o Todo-poderoso, e que têm sido encontrados em outras culturas antigas; e muitos outros. De qualquer forma, em sua imensa graça e sabedoria, o Senhor se utilizou de uma coisa que fazia parte da maneira daqueles magos entenderem a vida. E nas terras da antiga Babilônia, através de seus estudos astronômicos, eles perceberam que uma estrela especial estava lhes dizendo que o rei a quem os judeus esperavam havia nascido.
Então eles se puseram de viajem para a Judéia, com presentes, a fim de adorá-lo. Desta maneira eles demonstram que tinham um grande conhecimento sobre a natureza do reino de Jesus. Como o recém-nascido era “rei dos judeus”, eles naturalmente foram para Jerusalém, a capital de Judá. E em Jerusalém começaram a perguntar: “Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente, e viemos para adorá-lo”.
Quando Herodes ouviu o que estavam dizendo ficou alarmado, e com ele toda Jerusalém. Porque, imagine: Herodes era um homem terrível. Como Saddam Hussein, do Iraque, que mandava matar qualquer pessoa de quem desconfiasse. Então pensem como estariam se sentindo os habitantes de Jerusalém. Se Herodes suspeitasse que qualquer pessoa poderia reconhecer Jesus como rei, ele a sentenciaria à morte.
Herodes convocou os principais escribas e sacerdotes. Eram as pessoas que conheciam as Escrituras Sagradas, e como tais, deveriam saber o que elas diziam sobre o nascimento do Messias. Eles disseram que seria em Belém, pois o profeta Miquéias havia falado sobre isto:
“E tu, Belém, terra de Judá, embora seja tão pequena, não é a menos importante. Pois de ti me sairá aquele que há de guiar o meu povo de Israel”.
Os sacerdotes e escribas disseram isto ao rei e “não quiseram saber de mais nada”. Com isto, Herodes mandou chamar os magos, secretamente. E os enviou a Belém, dizendo: “Procurem o menino cuidadosamente, e quando vocês o encontrarem, me avisem, para que eu também vá adorá-lo”. Então eles partiram para a pequena Belém. E a estrela que haviam visto no Oriente apareceu de novo, precedendo-os e parando exatamente sobre a casa em que o menino Jesus estava.
Vendo novamente a estrela, os magos foram tomados de grande alegria. Entraram na casa, adoraram ao menino Jesus e ofertaram seus presentes. Depois disto, em sonhos, mais uma vez foram instruídos por Deus, agora no sentido de que não voltassem à presença de Herodes.
E também por meio de sonhos Deus instruiu a José, dizendo que ele fugisse para o Egito, porque o rei Herodes tentaria matar o menino. O que de fato aconteceu. Pois quando Herodes percebeu que os magos não voltariam, ficou furioso, e mandou matar todos os meninos de Belém e arredores, de dois anos para baixo. Infelizmente o tipo de comportamento tirano e genocida que não foi o primeiro, nem o último da História da Humanidade.
A família de Jesus não precisou ficar muito tempo no Egito, pois logo Herodes morreu. Então, guiados por Deus, eles foram novamente para Nazaré, na Galiléia. Como temos visto em nossos estudos anteriores, o propósito de Mateus é nos ensinar o Evangelho, a boa notícia da salvação em Jesus Cristo. Vimos, na genealogia do capítulo 1, que Jesus é o descendente de Davi, a quem o Senhor Deus havia prometido um reino eterno; e descendente de Abraão, por meio de quem seriam abençoadas todas as nações da terra. Assim Mateus nos mostra que Jesus é o cumprimento das promessas feitas a Abraão e Davi, e depois várias vezes reiteradas através dos profetas.
Depois, ainda no capítulo 1, quando Mateus nos conta sobre o nascimento de Jesus, mais uma vez ele cita o Antigo Testamento: mais precisamente o profeta Isaías, e ali nos ensina que Jesus é Deus que se fez homem e habitou entre nós para ser o nosso salvador. E agora, no cap. 2, você já deve ter percebido isto: mais uma vez, os eventos na vida de Jesus demonstram ser ele o Cristo prometido no Antigo Testamento.
Quando Herodes pergunta aos sacerdotes e escribas onde deveria nascer o rei dos judeus, eles respondem de acordo com o profeta Miquéias [3]. As palavras de Miquéias estão registradas, de forma parafraseada, no v. 6:
“E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as principais de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar a meu povo, Israel”.
Desta maneira, mais uma vez Mateus nos descreve Jesus. Aqui ele nos diz que Jesus é o pastor de Israel.
A palavra grega é traduzida de várias formas, conforme o contexto em que é empregada. Por exemplo, em At 7:10, ela fala sobre José, que foi constituído como “governador” do Egito. Em At 14:10, é usada para referir-se a Paulo, “o líder, o principal portador da palavra”. Em Lc 22:26, “aquele que dirige” seus irmãos na igreja.
Agora o que desejo destacar, para apreciarmos melhor o contexto do nosso versículo, é a palavra “pastor”. É assim que esta palavra é traduzida, por exemplo, em Hb 13:17, na versão Corrigida.
“Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossa alma, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil”.
A versão Almeida Revista e Atualizada trás “guias”. A Nova Versão Internacional diz “líderes”. E a Almeida Revista e Corrigida, “pastores”. E porque digo que dentro do nosso contexto, sem excluir os outros aspectos, a palavra guia quer dizer “pastor”? Porque logo em seguida Mateus diz que Jesus é um guia que apascenta. O conceito espiritual que ela nos transmite é que nós, seres humanos, não podemos conduzir a nossa vida sozinhos. Que precisamos alguém para nos orientar, para nos proteger, para cuidar de nós.
Por exemplo, em Mateus 9:36, falando sobre a necessidade de pregadores do Evangelho, o texto nos diz:
“Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor”.
Por causa de nossas limitações humanas, por causa dos nossos pecados, por causa das dificuldades que a vida oferece, por causa das forças espirituais das trevas, nós somos como ovelhas que precisam de pastor. Somos ovelhas que não sabem conduzir seu próprio destino, que não têm poder sua própria vida.Somos ovelhas, que se deixadas entregues aos nossos próprios caminhos, temos a tendência de nos desviar, de andar por lugares perigosos, de cair em buracos, em abismos até. Os abismos do pecado, os abismos das falsas doutrinas, das falsas religiões, da falsa paz.
Agora, neste versículo (Mt 9:36) o Espírito Santo repete uma das palavras mais empregadas para se referir aos sentimentos de Jesus em relação a nós: compaixão. Compaixão diante das nossas aflições, compaixão diante do cansaço espiritual, emocional e físico.
Como Herodes estava enganado a respeito de Jesus! Em sua maneira carnal de entender, se alguém havia nascido com o destino de ser o rei dos judeus, certamente este alguém lhe seria um rival. Por isto deveria ser morto. Mas se havia algo que Jesus nunca desejaria, e que por isto Herodes nunca precisaria se preocupar, era o poder, a autoridade, o prestígio ou a popularidade. Jesus não faria campanhas publicitárias ou políticas contra Herodes, não faria conspirações; não colocaria as multidões contra o rei; não buscaria tomar o seu lugar.
O rei Jesus veio para ser pastor. O coração do nosso rei é um coração de pastor. A esta altura, entendo que o assunto mais importante da tua vida é este: Jesus é o teu pastor? Jesus é o teu guia? Jesus é quem conduz a tua alma? Pois se Jesus é o teu pastor, existem algumas bênçãos especiais para você. Mateus nos diz que...
“De ti me sairá o guia que há de apascentar meu povo...”
2.1 – Antes de dizer o que você pode esperar e encontrar em Jesus, eu quero dizer o que Jesus não faz.
Jesus não se comporta como um mercenário. Jesus nos diz isto de forma muito explícita, como que mostrando o cuidado que devemos ter em relação a este assunto.
Jo 10:11-14
11 Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas.  12 O mercenário, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê vir o lobo, abandona as ovelhas e foge; então, o lobo as arrebata e dispersa. 13 O mercenário foge, porque é mercenário e não tem cuidado com as ovelhas. 14 Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim.
Aqui Jesus faz um contraste entre ele, como bom pastor, e o mercenário. O que é um mercenário? É uma pessoa que busca recompensa financeira; alguém que vai à luta por dinheiro. Evidente que desde os dias antigos muitas pessoas eram mercenárias da fé.
Jesus realizou muitas coisas. Jesus fez muitas coisas boas para muita gente. Ele não era casado, mas havia doze homens que estavam com ele o tempo todo, que precisavam comer, vestir-se, ter um lugar para dormir. Quantas vezes você viu Jesus pedindo dinheiro para as multidões?
Me diga uma coisa: as multidões que seguiam a Jesus eram pobres? Eram de baixa classe social? Jesus era um pastor segundo o coração do Pai? Quantas vezes você vê Jesus pregando que se elas dessem “dinheiro para a obra”, elas sairiam da pobreza, teriam vida farta, bons carros e prosperidade financeira?
Jesus alguma vez pregou isto? Certo que não! E porque não o fez? Porque ele não era mercenário. Ele deu a sua vida pelas ovelhas. Ele não ficou rico. Ele não tinha “bigas de luxo”, não morava em palácio. E você também não vê isto sendo feito ou ensinado por qualquer um dos apóstolos de Jesus.
Preste atenção: Jesus, o teu pastor , não é um mercenário. Ele não “esfola” as pessoas, pobres ou ricas, dizendo que se elas derem dinheiro verão o reino de Deus. Porque o reino de Deus é paz, justiça e alegria no Espírito Santo. E o Espírito Santo é uma pessoa divina, um dom da graça de Deus. Não é “uma coisa, uma mercadoria que se adquire com dinheiro”.
As ovelhas de Jesus ouvem a voz dele, e não ouvem a voz do mercenário. Elas sabem a diferença. Sabem quando é Jesus quem está falando, e quando não é. Então não se deixam enganar.
2.2 – Agora vejamos o que podemos esperar e encontrar em nosso pastor Jesus:
Em Isaías há uma promessa de paz para os que buscam ao Senhor.
Is 55:12
Saireis com alegria e em paz sereis guiados; os montes e os outeiros romperão em cânticos diante de vós, e todas as árvores do campo baterão palmas.
Quando leio este versículo, penso que o coração de Isaías era pura poesia, era transbordante de canções, tanto deleite ele sentia com as promessas de Deus, a ponto de dizer que até a natureza exultava diante das obras do Senhor.
Saireis com alegria e em paz sereis guiados. Se Jesus é quem te guia, isto é alegria e paz em seu coração. Você pode encontrar nele descanso para a tua alma
Mt 11:28-29
28 Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. 29 Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.
Quais são as coisas que te afligem? São os teus pecados, as acusações de Satanás, os teus vícios, os teus complexos, os teus sentimentos de incapacidade diante das demandas da vida? Então você tem um pastor chamado Jesus, para te orientar, para te fortalecer, para te ensinar, para dar descanso à tua alma.
Você pode recorrer a ele para descansar nos braços dele:
Is 40:10-11
10 Eis que o SENHOR Deus virá com poder, e o seu braço dominará; eis que o seu galardão está com ele, e diante dele, a sua recompensa. 11 Como pastor, apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos e os levará no seio; as que amamentam ele guiará mansamente
Veja como o Senhor usa o poder dos seus braços: colocando neles as suas ovelhinhas, carregando-as no seio, guando com mansidão.
Há outra passagem em Isaías que eu gostaria de citar:
Is 46:1-4
1 Bel se encurva, Nebo se abaixa; os ídolos são postos sobre os animais, sobre as bestas; as cargas que costumáveis levar são canseira para as bestas já cansadas. 2 Esses deuses juntamente se abaixam e se encurvam, não podem salvar a carga; eles mesmos entram em cativeiro. 3 Ouvi-me, ó casa de Jacó e todo o restante da casa de Israel; vós, a quem desde o nascimento carrego e levo nos braços desde o ventre materno. 4 Até à vossa velhice, eu serei o mesmo e, ainda até às cãs, eu vos carregarei; já o tenho feito; levar-vos-ei, pois, carregar-vos-ei e vos salvarei.
Bel e Nebo, citados no v. 1, eram deuses babilônicos; ídolos fabricados pela imaginação e pelas mãos humanas. E como tais, suas imagens não podiam se mover, não podiam falar; ao contrário, precisavam ser carregadas por seus adoradores. Se alguém os precisasse transportar de um lugar para outro, colocava sobre um animal, e então era a maior canseira para os animais.
Mas o nosso Deus não precisa ser carregado pelos seus adoradores. Ao contrário, ele é que os carrega. Desde a infância, até à velhice. Ele carrega e salva. Perdoa. Renova o coração, a mente, concede paz.
Jesus não nos explora financeiramente, não mercadeja com nossas almas, não adultera a Palavra de Deus. Jesus é o guia que apascenta. Jesus é o guia que dá descanso para as nossas almas. Jesus é o guia que nos carrega nos braços. É o guia que dá a vida pelas suas ovelhas.
E isto nos conduz ao terceiro ponto...
O que o Espírito Santo quer dizer é que, embora Deus seja amor, embora Deus tenha amado ao mundo e ofereça o seu amor a todo o mundo através do Evangelho, existe uma condição para que as pessoas sejam guiadas por ele.
Voltemos ao capítulo 1, versículo 21b: “...ele salvará o seu povo dos pecados deles...”
Jesus não salva a todos; salva somente ao seu povo. Mas conforme o Evangelho ensina, ser povo de Jesus é algo que está ao alcance de qualquer pessoa que quiser.
Consideremos novamente o capítulo 2, ele diz que Jesus guia ao seu povo, Israel. O que significa isto? Significa que para uma pessoa ter a Jesus como seu guia e salvador ela precisa ser, humanamente falando, um israelita? Por certo que não! A própria história dos magos nos mostra que o povo de Jerusalém, juntamente com o rei Herodes, ficou assustado quando soube do nascimento de Jesus. Por outro lado, os magos eram gentios, não eram judeus, e vieram adorá-lo.
Este é a primeira vez, em Mateus, que ele começa a nos mostrar que o povo que seria salvo por Jesus não era o Israel étnico, mas o Israel da fé. Porque, embora Jesus fosse nascido judeu, e no começo tenha sido seguido por milhares de judeus, a nação judaica, como um todo, o rejeitou. E gradativamente o Evangelho nos demonstra que o reino foi sendo estendido a todos os povos. Neste sentido, quando alguém se converte a Jesus, ele é que é considerado um verdadeiro israelita, um verdadeiro pertencente ao povo de Deus. Por exemplo, João 1:11-12
11 Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. 12 Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome...”
Povo de Deus, então, não é aquele que nasceu israelita, mas aquele que recebeu a Jesus, que teve fé nele, que o reconheceu.
Em nosso texto nós vemos a primeira atitude de Herodes e dos hierosolimitas: eles ficaram alarmados. Há muitas pessoas, no mundo inteiro, que também ficam alarmadas, que ficam preocupadas quando ouvem falar de Jesus. Quando ouvem que ele é Deus, que virá para o juízo final, e que todos comparecerão diante de seu tribunal para serem julgados. Por isto há pessoas que não querem nem ouvir falar de Jesus.
Também nós vemos a atitude posterior de Herodes. Diante de seu temor de que Jesus pudesse tomar o seu lugar de rei, Herodes procurou matá-lo, mesmo ainda infante. De muitas maneiras, uma atitude completamente irracional. Pois Herodes não estava preocupado em deixar o seu trono para os filhos – o que na verdade aconteceu, pois assim que Herodes morreu, seu filho Herodes Arquelau tornou-se rei da Judéia, de Samaria e da Iduméia.
A preocupação de Herodes era com o seu próprio trono, mas ele já era idoso, e morreu dentro de pouco tempo, ao passo que Jesus era apenas um recém-nascido; não tomaria o seu trono. Muitas pessoas, à maneira de Herodes, têm um ódio irracional de Jesus, como se Jesus viesse para tirar o que é delas. Como se Jesus fosse um “estraga prazeres”. E dizem: “Eu sou dono do meu destino. Eu sou forte; sou o capitão da minha vida. Não sou um fraquinho que precisa de um pastor para minha alma”. Não entendem que Jesus é o pastor, o bom pastor, e assim perdem a paz e a salvação que Jesus veio dar.
Mas muitas pessoas, e graças a Deus, são milhares de milhares de pessoas, através de todos os tempos, têm entendido quem é Jesus, e o têm buscado, e o têm recebido, e são chamados “filhos de Deus”.
Jesus é o guia, o líder, o pastor de nossas almas. Jesus não nos explora, mas deu a sua vida em nosso favor, e nos conduz, nos dá descanso e salvação. A única condição é que o recebamos como nosso Deus.
Nós vamos fazer agora uma aplicação prática, em oração.
Sei que alguns de vocês estão alegres no Senhor, pois têm experimentado o descanso no coração, a paz do Senhor, a renovação de suas forças. Que em paz em sido guiados, que entram e saem com alegria. Oremos com gratidão ao nosso pastor. Sei também que alguns de vocês têm muitas vezes passado por coisas que fazem a alma ficar cansada. Mas Jesus é o nosso pastor.
“Vinde a mim, vós todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei; sem dinheiro e sem preço”.
Traga seus cuidados, seus problemas, seus pecados, seus fardos a Jesus.
E sei também que pode haver entre vocês pessoas que ainda não receberam a Jesus em seus corações, mas que estão necessitadas e desejosas de fazê-lo. Seja qual for a sua condição, vamos orar, adorar a Jesus e oferecer nossas vidas a ele.
Senhor Jesus, o nosso coração se prostra diante de ti e te adora neste momento.
Te adoramos por tua grandeza, por tua majestade, por teu poder e santidade. Te adoramos por tua sabedoria, tua graça e amor. Amor pelo qual o Senhor veio do céu para nos buscar para ti mesmo. Para cuidar de nós, apascentar nossas almas.
Querido pastor, nós nos rendemos a ti, confessando nossos pecados, que são grandes. Somos grandes pecadores, e confiamos que o nosso Salvador é maior que os nossos pecados.
Confessamos a ti as nossas fraquezas; as nossas tristezas, as nossas necessidades todas. E confiamos que o Senhor, segundo o teu poder, a tua graça e a tua fidelidade nos perdoa, nos concede novas forças, nos concede arrependimento para que mudemos onde for necessário, nos concede alívio e proteção.
Oro, Senhor, em favor das tuas ovelhinhas: que conheçam a cada dia o teu cuidado, a tua direção pelas veredas da justiça, o teu conduzir às águas de refrigério da alma, do coração, da mente, a tua unção. sobre suas vidas. Tu, que sondas o coração, vem ao encontro das tuas ovelhinhas, e apascenta cada uma delas.
Oro também em favor daquele que ainda não tem tido este privilégio de te conhecer assim. Mas que está ouvindo a tua voz falando ao seu coração. Concede a tua graça, Senhor Jesus. Concede, pois tu és grande e compassivo. Amém.



[1] Lc 2:1
[2] Richardson, Don, O fator Melquisedeque. São Paulo, Vida Nova, 1989
[3] Mq 5:2

domingo, 3 de fevereiro de 2013

O Supremo Pastor nos concede pastores - Mt 10:1-15

O Supremo Pastor nos concede pastores
Igreja Evangélica Presbiteriana
Domingo, 03 de fevereiro de 2013
Pr. Plínio Fernandes

Amados irmãos, vamos ler Mateus 10:1-15
1 Tendo chamado os seus doze discípulos, deu-lhes Jesus autoridade sobre espíritos imundos para os expelir e para curar toda sorte de doenças e enfermidades. 2 Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: primeiro, Simão, por sobrenome Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; 3 Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; 4 Simão, o Zelote, e Judas Iscariotes, que foi quem o traiu. 5 A estes doze enviou Jesus, dando-lhes as seguintes instruções: Não tomeis rumo aos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos; 6 mas, de preferência, procurai as ovelhas perdidas da casa de Israel; 7 e, à medida que seguirdes, pregai que está próximo o reino dos céus. 8 Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios; de graça recebestes, de graça dai. 9 Não vos provereis de ouro, nem de prata, nem de cobre nos vossos cintos; 10 nem de alforje para o caminho, nem de duas túnicas, nem de sandálias, nem de bordão; porque digno é o trabalhador do seu alimento. 11 E, em qualquer cidade ou povoado em que entrardes, indagai quem neles é digno; e aí ficai até vos retirardes. 12 Ao entrardes na casa, saudai-a; 13 se, com efeito, a casa for digna, venha sobre ela a vossa paz; se, porém, não o for, torne para vós outros a vossa paz. 14 Se alguém não vos receber, nem ouvir as vossas palavras, ao sairdes daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés. 15 Em verdade vos digo que menos rigor haverá para Sodoma e Gomorra, no Dia do Juízo, do que para aquela cidade.
Nós temos o grande privilégio, a cada dia, de abrir a Bíblia e ler as Palavras de Deus dirigidas a nós, para a nossa vida neste mundo e salvação eterna. Porque o Senhor, o Pastor de nossas almas, nos ama, e em seu amor escolheu aqueles a quem desejou, e por meio deles nos deu as Escrituras.
Além disto, através dos tempos ele também tem chamado outros homens, e dado a eles a missão de transmitir com fidelidade o ensino das mesmas Escrituras. Também neste caso a motivação do Senhor é a mesma: o amor que ele tem por nós.
Nos últimos versículos do capítulo anterior, Mateus nos contou que Jesus estava muito condoído, por causa das necessidades espirituais daquelas imensas multidões que contemplava, pois elas estavam cansadas e aflitas, como ovelhas que não têm pastor. Então ele ensinou aos discípulos que eles deveriam orar a Deus, rogando que enviasse mais homens consagrados, para cuidar daquelas pessoas. E agora lemos que em seguida, ele mesmo escolheu doze entre os seus discípulos, e os enviou para fazer esta obra.
Do ponto de vista do conteúdo, além de ser instrução aos doze, estas palavras do Senhor também se tornam proféticas. Pois no versículo 1, e também em 11:1, Mateus nos diz que todo o capítulo 10 é um grande discurso que Jesus fez a estes doze, que foram designados apóstolos. Assim, nos versículos que lemos hoje, o Senhor envia estes apóstolos, ordenando que se dirijam especificamente às aldeias e povoados de Israel. Mas, a partir do v. 16, ele passa a falar para além daqueles primeiros dias do ministério deles, e vai ampliando para o futuro, em todo o período de evangelização do mundo, até à sua vinda.
Assim, ao mesmo tempo em que existem certas coisas aqui que se restringem aos primeiros dias dos primeiros obreiros, ele descreve situações e princípios para todos os tempos da igreja. Pois em todos os tempos, o Supremo Pastor continua a enviar pastores a cuidarem de suas ovelhas.
Vamos meditar no ensino de Jesus sobre estes pastores.
v. 1 – Tendo chamado os seus doze discípulos, deu-lhes Jesus autoridade sobre espíritos imundos para os expelir e para curar toda sorte de doenças e enfermidades.
Em seguida Mateus menciona os nomes dos doze discípulos escolhidos, e que já estão sendo designados como apóstolos.
É interessante notar a diversidade de cultura, de personalidade, e dons naturais que havia entre eles. O primeiro a ser mencionado é Simão, a quem Jesus chamou Pedro, pois ele seria uma pedra viva na edificação da Igreja. Ele se tornaria uma das figuras principais entre os doze. Mas também são chamados outros, cuja história posterior, nada, ou quase nada sabemos: Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Bartolomeu... Alguns são pescadores iletrados, talvez analfabetos, outros são homens versados na leitura. Bartolomeu, ou Natanael, é dado à contemplação. Pedro, à “falação”. Tiago e João, impetuosos.  Entre os chamados está Mateus, o publicano, e Simão, o zelote. Os publicanos, cobradores de impostos, eram considerados traidores da nação judaica, e os zelotes eram um grupo religioso armado que lutava contra os romanos, e que se opunha terminantemente e pagar impostos. Certo comentarista disse que noutro lugar o zelote cravaria uma adaga em Mateus, mas que aqui, em Cristo, os inimigos foram reconciliados.[1]
Também é de se notar que eram homens, e por isto, falíveis, limitados.  À medida em que lemos o Novo Testamento, percebemos que mesmo depois do Pentecoste continuaram a ser, para usar a frase de John MacArthur, “doze homens comuns”.  Homens sujeitos à precipitação, ao desânimo, ao pecado.[2] Na verdade, um deles, Judas, – embora este seja um assunto que não cabe explorar aqui – pecou a ponto de se desviar completamente.
Em conexão com isto, com o fato de terem suas limitações, há mais um aspecto deste chamado que eu penso vale a pena destacar: podemos observar, nos vs. 2 a 4, que eles são mencionados aos pares: Pedro e André, Tiago e João, Filipe e Bartolomeu, Tomé e Mateus, etc. Agora, vamos comparar com Marcos 6:7
“Chamou Jesus os doze e passou a enviá-los de dois a dois, dando-lhes autoridade sobre os espíritos imundos”.
Me parece que há uma razão muito forte para tê-los separado em pares, enviá-los de dois em dois: É porque é melhor serem dois do que um. Porque se um cair, o outro o levanta o seu companheiro. Porque se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão. Porque o cordão de três dobras não se quebra tão facilmente.[3]
Mas há uma coisa em comum entre estes homens tão diferentes, simples e limitados: todos eles foram chamados por Cristo. E também foram capacitados pelo Senhor, receberam de Cristo a autoridade, isto é, o poder e o direito de agirem em seu nome. Jesus tinha muitos outros discípulos. Em Lucas 10 o Evangelho nos diz que noutra ocasião ele enviou setenta.
Então este fato, de que Jesus escolheu e chamou estes doze para serem apóstolos, ilustra um princípio vital para a igreja: o de que os seus pastores devem ser homens chamados por Deus. E também é o cumprimento de uma antiga promessa feita pelo Senhor a Israel:
Vamos ler Jeremias 3:15
“Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência”.
A Igreja do Senhor, muitas vezes padeceu deste mal: homens a quem Deus não chamou, a quem não enviou, mas que resolveram contar seus próprios sonhos como se fossem palavras de Deus, e as visões do seu próprio coração.
Assim estava acontecendo nos dias do profeta Jeremias. [4] Então o Senhor faz esta promessa: Eu darei pastores a vocês, homens de acordo com o meu coração. Que apascentem com conhecimento (isto é, conhecimento de Deus, de sua Palavra), e com inteligência, entendimento espiritual, discernimento.
Assim, pois, Jesus chama a estes doze. E quando, no capítulo 11, lemos sobre o retorno deles, os vemos felizes porque Deus os usou poderosamente.
Isto nos leva à segunda observação...

2. Os pastores são homens comissionados por Jesus                            
Isto é, são homens que têm uma missão.
Os vs. 5 a 8 nos dizem o que os doze deveriam fazer:
Naquela primeira viagem, deveriam se limitar ao território israelita, que por si só já era extenso demais até mesmo para que o Senhor Jesus o percorresse todo.[5] À medida que seguiam, da mesma forma que Jesus, deveriam pregar que o reino do céu estava próximo, curar enfermos, ressuscitar mortos, expulsar demônios. Com isto não estou dizendo entender, irmãos, que o exercício destas obras extraordinárias é a missão de cada homem chamado por Deus para o serviço da Palavra.

Primeiro, porque o ministério dos apóstolos foi algo singular: eles, juntamente com os profetas do Antigo Testamento, foram os homens escolhidos por Deus para nos darem as Escrituras. Na qualidade de apóstolos de Jesus, eles foram investidos da mesma autoridade que o nosso Senhor, no sentido de que aquilo que eles ensinaram tem a mesma autoridade que Jesus. Os apóstolos não eram apenas embaixadores, nem apenas missionários, mas procuradores, homens que tinham a mesma autoridade de Cristo quando agiam em seu nome. [6] Por isto que, assim como lemos no Antigo Testamento os escritos dos profetas como sendo Palavra de Deus, lemos no Novo Testamento os ensinos dos apóstolos e os recebemos como Palavra igualmente inspirada e autoritativa sobre nós; Palavra de Deus para nós. É neste sentido que entendemos o que Paulo diz quando afirma que a Igreja está edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, isto é, Cristo.[7]

Além disto, o Novo Testamento afirma claramente que, para o ministério da pregação da Palavra, o Senhor deu à igreja homens diferentes com diferentes dons: alguns foram designados apóstolos, outros profetas, outros evangelistas, e outros pastores e mestres.[8]

E também não entendemos que os ministros da Palavra na Igreja devam ter o mesmo padrão de vida econômica que Jesus ordenou aqui aos doze – aliás, acho que alguém que se entende como apóstolo não deveria apenas dizer que tem tanta autoridade e dons, mas também adotar o mesmo modo de vida, e não se prover de ouro nem prata, nem duas túnicas, etc. Mas não obstante o ministério dos doze, que assim como os doze filhos de Israel foram os patriarcas das doze tribos no Antigo Testamento, foram agora os “patriarcas da Igreja”, e por estas razões mencionadas foram únicos, vemos no Novo Testamento que estes princípios básicos dizem respeito a todos os ministros da Palavra:
1. São homens que têm um mandado de Deus para cuidar das ovelhas de Cristo
2. São homens que usam os dons que o Senhor mesmo concedeu para o cuidado destas ovelhas
3. São homens que, ainda que sejam sustentados através do seu ministério, vivem de modo simples, sem apego ao dinheiro ou bens materiais.
Assim, conforme os dons que o Senhor concedeu a cada um, os pastores devem servir em nome de Cristo, anunciando o reino de Deus, fazer o que estiver ao seu alcance para aliviar os sofrimentos humanos, transmitir da graça e da paz que receberam de Jesus, para as pessoas que alcançarem com o seu ministério. Enfim, pastores são pessoas que foram de tal maneira impressionados pela voz do Espírito Santo a chamá-los, que disseram sim ao Senhor, e agora têm este cuidado com o rebanho de Deus.

Todos os ministros da Palavra são isto: ministros, isto é, servidores da Palavra. Quanto a isto, desejo fazer três observações que julgo extremamente importantes:

3.1. O ministério da Palavra não é fonte de lucro; não é fonte de riqueza material.
O v. 8 diz – “De graça recebestes, de graça dai...”.
No v. 10, Jesus diz que o pregador do Evangelho, por causa do seu trabalho, é digno do seu alimento. Em Lucas 10:7, num contexto paralelo a este, quando envia os setenta, Jesus diz que “digno é o trabalhador do seu salário”. E em 1ª Timóteo, Paulo cita o ensino de Jesus como base para o fato de que os pastores devem ser remunerados pelo seu trabalho pastoral.[9]
Mas, ao mesmo tempo que os ministros devem ser remunerados por seu trabalho, Deus enfatiza que não podem ser pessoas que servem por dinheiro e bens. Não podem ser amantes do dinheiro. Não podem ser cobiçosos de torpe ganância. [10] Porque, se eles próprios forem pessoas que amam o dinheiro, como poderão ajuntar tesouros no céu? E como poderão levar outros para um lugar aonde nem eles mesmos irão?
Assim, ainda que Deus, em sua soberania, coloque certos ministros numa posição social que lhes favoreça financeiramente, em si mesmos eles devem ser servos da Palavra, e não negociantes dela. Se Deus concede melhores condições materiais para certos ministros, elas devem ser instrumentos para o crescimento do próprio ministro e do reino de Deus. Pois para os mercadejadores da fé a sentença bíblica é de condenação.[11]
3.2. O ministro da Palavra tem uma mensagem que recebeu de Deus, e é isto o que ele deve anunciar.
No v. 7, o Senhor Jesus ordena: “Pregai que está próximo o reino dos céus...”
Isso significa que, ao chamar aqueles a quem escolheu, para falar em seu nome, o Senhor Jesus também define e ordena o conteúdo daquilo que deve ser anunciado. O apóstolo Paulo entendia isto, assim como deve ser com cada ministro do Evangelho, de forma muito clara. Vamos ler 2ª Coríntios 4:5
Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus.
Também 1ª Coríntios 2:1, 2
1 Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. 2 Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado.
Eu sei, irmãos, que o apóstolo Paulo não perecia ter muita perspicácia quanto ao seu “público alvo” em Corinto. Pois Corinto era uma cidade de pessoas que se julgavam altamente intelectualizadas, que se deleitava em sua herança grega, filosófica. E se Paulo usasse uma linguagem filosófica (aliás, a palavra filosofia tem um significado muito bonito: amor à sabedoria), talvez muitas pessoas se sentissem mais atraídas para ouvir o que ele tinha a dizer. E o admirariam muito.
Mas Paulo tinha tanto temor de Deus, e sabia que a pregação é uma coisa séria, que tem a ver com salvação eterna. Ele não podia arriscar as almas das pessoas falando de suas opiniões pessoais, ou ostentando-se a si mesmo. Então, ainda que fosse um homem culto, ele resolveu nada saber, a não ser uma coisa: Cristo crucificado; escândalo para os judeus e loucura para os gentios, mas poder de Deus para os que se salvam.[12]
Os mensageiros de Cristo não são chamados para falar de si mesmos, mas do Evangelho de Jesus; o Evangelho do reino de Deus, da vida eterna, da salvação da alma. Como Paulo diz: eles são servos dos homens, por amor a Jesus.
3.3. Mas em terceiro lugar, isto significa que eles têm uma mensagem infalível.
Quando eles dizem, “o reino de Deus está próximo”, quando eles anunciam a mesma mensagem que Cristo anunciou, que em Cristo a salvação foi trazida, que os pecados foram perdoados, que a comunhão com Deus foi restaurada, quando anunciam que todo aquele que crê, tem a vida eterna, quando em nome de Cristo exortam os homens para que se reconciliem com Deus,[13] estão falando daquilo que, embora seja loucura para uns e fraqueza para outros, é sabedoria e poder de Deus para a salvação.
Deus está falando por meio deles, e a Palavra de Deus é verdadeira, fiel, eficaz, salvadora. Através de todo os tempos, onde quer que esta mensagem da salvação em Cristo tenha sido pregada e recebida com fé, milhões de vidas foram salvas e transformadas. Ao mesmo tempo, uma mensagem tão solene, tão digna de atenção que, se alguém se recusar a ouvi-la, prestará contas a Deus no dia do juízo.
vs. 14 e 15
14 Se alguém não vos receber, nem ouvir as vossas palavras, ao sairdes daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés. 15 Em verdade vos digo que menos rigor haverá para Sodoma e Gomorra, no Dia do Juízo, do que para aquela cidade.
Pois os ministros da Palavra são servos de Deus, que falam em nome de Cristo, por amor a Cristo, por amor às ovelhas cujas almas precisam de pastor.

Assim aprendemos que, por amor às suas ovelhas, a cada nova geração o Senhor Jesus chama e comissiona a certos homens a fim de que preguem a sua Palavra. Por isto a cada geração existem aqueles que se sentem chamados por Deus, e se dedicam de coração a este serviço, com amor, com fidelidade e ansiedade pela salvação de almas.
Qual deve ser a nossa atitude diante desta obra do Senhor Jesus em conceder homens com esta missão?
1º. Gratidão ao Supremo Pastor pelo seu amor e cuidado fiel.
Inclusive gratidão por causa dos pastores do passado

Hebreus 13:7
Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram.
A doce recordação, a imitação da fé, são coisas que agradam ao Espírito Santo.
2º. Em segundo lugar, atender aos cuidados que os pastores dado por ele dispensam às nossas almas

Hebreus 13:17
Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros.
Claro que com isto o Espírito de Deus pressupõe homens fiéis à sua Palavra, e não “aproveitadores da fé”.

3º. Oração, para que o Senhor envie mais trabalhadores à sua seara.

4º. Disposição nas mãos do Senhor, a fim de sermos usados por ele, de acordo com estes princípios que ele mesmo tem estabelecido.




[1] William Barclay, Comentário em Mateus, pág. 387
[2] Há um livrinho muito edificante, de J. C. Ryle: “A falibilidade dos ministros”. Ele está disponível gratuitamente através do Projeto Spurgeon, em: http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2012/05/ebook_a_falibilidade_dos_ministros_ryle-1.pdf
[3] Ec 4:9-12
[4] Leia Jeremias 23
[5] Há pelo menos duas outras razões pelas quais podemos entender que aquele ainda não era o tempo de os apóstolos se dirigirem aos territórios samaritano e gentios, além da mencionada acima: 1. Era necessário que o Evangelho fosse pregado primeiramente aos judeus (Rm 1:16). 2. Com certeza esta primeira excursão evangelística também era um treinamento dos apóstolos, em preparação para o seu ministério futuro, quando então iriam muito além do território israelita.
[6] Veja Russel Sheed, Tão grande salvação – Exposição bíblica de Efésios (São Paulo, ABU, 1978), pág. 10
[7] Ef 2:20
[8] Ef 4:11, 12
[9] 1ª Tm 5:17, 18
[10] 1ª Pe 5:2
[11] 1ª Pe 2:1-3
[12] 1ª Co 1:21-24
[13] 2ª Co 5:20


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Quando Jesus olha do céu: o coração do nosso Pastor - Mt 9:35-38


IEP, domingo, 27 de janeiro de 2013.
Pr. Plínio Fernandes
O nosso Salvador, o Senhor Jesus é um pastor de almas inigualável. Neste texto, Mateus nos conta como é o coração do nosso Pastor:
1.    É um coração que se compadece com o sofrimento humano
2.    É um coração que acredita na oração
3.    É um coração que acredita no nosso ministério
Isto nos anima a confiar nele, amar aos que sofrem, a orar e a trabalhar pelo reino de Deus.
Amados irmãos, vamos ler Mateus 9:35-38.
35 E percorria Jesus todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades.36 Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor.37 E, então, se dirigiu a seus discípulos: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos.38 Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.
Mateus nos conta que Jesus era um trabalhador incansável nos campos do Senhor. Ele percorria todas as cidades e povoados da Galiléia, pregando o evangelho do reino de Deus, curando as enfermidades e libertando os oprimidos do Diabo.
E agora estava chegando o momento de uma nova etapa no ministério dele e dos seus discípulos. Pois logo em seguida, no capítulo 10, este Evangelho nos diz que o Senhor chamou doze entre eles, e os enviou a fazerem as mesmas coisas que ele: pregar e manifestar a chegada do reino de Deus em Israel.
Mas antes de enviar os doze, nós lemos sobre o que se passava no coração de Jesus: ele estava pensando em todas aquelas pessoas que moravam nas aldeias e povoações – e que certamente não eram somente israelitas “puros”, mas também samaritanos, romanos, e pessoas vindas de tantos lugares do mundo, do vasto império romano. Jesus pensava em tanta gente escravizada a muitos pecados; pensava nos enfermos, nos oprimidos do diabo. Pensava no cansaço de alma destas pessoas, nas suas aflições, e o seu coração se enternecia diante do sofrimento humano.
Então ele disse: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.
Jesus, que é o mesmo ontem, hoje, e o será para sempre, continua contemplando as multidões. Eu quero meditar com vocês sobre algo do nosso coração do Senhor, que o Espírito Santo nos revela aqui.
v. 36 - Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor.
O bom pastor se compadecia destas multidões, pois eram pessoas espiritualmente carentes, cansadas, aflitas, e não havia quem cuidasse delas.
Esta nossa palavra “compaixão” é de origem latina, e significa “padecer com”, “sofrer junto”; ter compaixão é a virtude de estar ao lado daquele que sofre. Esta palavra transmite bem o que Mateus está nos falando sobre Jesus. Aliás, transmite bem o testemunho que toda a Bíblia nos dá sobre o coração de Deus em relação a nós. Apenas como um exemplo, leiamos o Salmo 56:8
“Contaste os meus passos quando sofri perseguições; recolheste as minhas lágrimas no teu odre; não estão elas inscritas no teu livro?”
Deus recolhe as nossas lágrimas. Ele as tem escritas no seu livro. Isto é, os nossos sofrimentos não passam despercebidos aos olhos do Senhor. Ele é alguém que compreende e sente os males, as dores que a nossa alma suporta diante das nossas necessidades, em todo o sentido, seja espiritual ou não. As nossas dores emocionais. Os nossos pecados, as situações que nos afligem. Ele vê quando nossa alma está se sentindo cansada, aflita, vazia, e cuida de nós, nos pastoreia e nos apascenta.
E não vê somente as nossas aflições, mas de cada ser humano, pois os olhos do Senhor estão em todo o lugar, contemplando todos os homens. Ele contempla as pessoas andando nas ruas, absortas em seus pensamentos. Nos ônibus, trens e automóveis, cansadas, preocupadas, tristes. Contempla as pessoas amarguradas de alma, os corações cheios de ira, as inimizades. Contempla as pessoas nos leitos de enfermidade, seja em casa ou hospitais. Contempla as vítimas da maldade humana e de Satanás – as vítimas de crimes, as vítimas de abuso de toda sorte. Contempla as multidões que seguem falsos deuses, falsos evangelhos. Contempla os drogados, os alcoólatras, os que vivem em pecados sexuais. Contempla as pessoas buscando diversões desenfreadamente, buscando bens materiais constantemente, como se as coisas deste mundo pudessem preencher o vazio do coração humano, e não percebem que este é um vazio que só Deus pode preencher. Contempla centenas de milhares de pessoas que amaram o mundo, se desviaram do Evangelho, e que agora vivem sem a paz que o Evangelho dá. Ele contempla as pessoas perdidas, sem ele neste mundo, e se compadece, pois são como ovelhas que não têm pastor.
E anela ser o pastor de cada uma delas. Pois veja o convite que ele faz no cap. 11:28
Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.
Este é o desejo de Jesus, o anseio do seu coração.
Veja: Jesus contempla as multidões. Ele vê que precisam de pastores que cuidem delas. Não que Jesus se iludisse pensando que todas as pessoas queriam ser pastoreadas. Mas compreende que a realidade última de cada coração humano, reconheça ele ou não, queira ele ou não, é uma profunda necessidade de receber a Deus e à sua Palavra.
Então ensina aos discípulos: Rogai ao Senhor da seara que envie trabalhadores...
Há duas ou três coisas que eu gostaria de observar:
Primeira: “Jesus é o homem que veio do céu”: ele sabe, mais que qualquer pessoa, “como as coisas do céu funcionam”. Então, se você quer saber como é que a vontade de Deus pode se realizar na terra, precisa ouvir o que Jesus está dizendo.
Segunda: Jesus está dizendo que o meio de obtermos os favores do céu é através da oração.
Esta palavra, “rogar”, significa “suplicar, pedir com um forte desejo no coração”. Ela me diz que Jesus não pensava na oração como um “poder mágico”, mas como uma troca de afetos entre os filhos de Deus e o Pai celestial, como a súplica de um filho que se reconhece como amado do Pai, e que por isto confia nele. Ele já havia falado disto em Mateus 6, quando nos ensinou que se pedirmos, o Pai dará tudo o que necessitamos, que o Pai nos recompensará se entrarmos em nosso quarto, fecharmos a porta e falarmos com ele (Mt 6:6). E de novo em Mateus 7, onde diz que, se batermos na porta do céu, se buscarmos, isto é, se orarmos com insistência, Deus, como um Pai que dá o que é bom aos filhos, nos dará também muitas coisas boas (Mt 7:7-11).
Agora novamente ele ensina: “Peçam a Deus, supliquem a Deus”, como que dizendo, “pois esta é a maneira como estas multidões sem pastor poderão ser alcançadas”.
Terceira: ele mesmo era um homem de oração.
Depois de ensinar estas coisas, no capítulo 10 aqui de Mateus nós o vemos chamando especificamente a doze dos seus discípulos, que no v. 2 já são designados como “apóstolos”. Ele os envia então às ovelhas perdidas da casa de Israel (10:6), a fim de anunciar a elas o reino de Deus. Agora, em Lucas 6, nós lemos sobre o que Jesus havia feito antes de escolher, entre os discípulos, aqueles que seriam os apóstolos. Vejamos Lc 6:12, 13
12 Naqueles dias, retirou-se para o monte, a fim de orar, e passou a noite orando a Deus.  13 E, quando amanheceu, chamou a si os seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu também o nome de apóstolos
Você sabe que muitas vezes os Evangelhos nos apresentam Jesus orando: orando na solidão, orando diante dos discípulos, orando de dia, orando de noite, orando em casa, orando no deserto, orando no jardim, orando nas tentações, orando nas alegrias.
Orando, orando, orando; e esta é uma destas ocasiões. Ele irá enviar trabalhadores, e então passa uma noite orando ao Pai.
Então veja: diante da grande demanda da necessidade humana, a primeira coisa que Jesus nos diz é que precisamos orar.
E aqui, como em tudo sobre Jesus, meus irmãos, nós podemos notar mais uma coisa extraordinária em sua maneira de pensar. Há duas observações que desejo fazer:
A primeira: é que Israel estava vivendo, como em muitas outras ocasiões no passado, um momento muito triste de sua história. É entristecedor pensar no fato de que Israel tinha tudo para ser a nação mais feliz da terra naqueles dias (e talvez o fosse, o que é mais entristecedor ainda).
Israel havia recebido a Palavra de Deus por meio dos profetas. Era a nação eleita, o povo de propriedade exclusiva de Deus, dentre as quais havia uma tribo em especial, escolhida do Senhor para ministrar a eles a Palavra; Palavra de Aliança; Aliança de vida e paz.
Servir ao povo do Senhor com esta Palavra era a grande responsabilidade e privilégio dos levitas, dos sacerdotes, e dos doutores da lei. Israel tinha milhares de sacerdotes do Altíssimo, herdeiros de uma linhagem antiga e respeitada, escolhida do Senhor para o ministério. Tinha milhares de doutores da lei, tidos como ministros da Palavra que deveriam guiar o povo do Senhor.
Mas estes homens não tinham coração de pastor. Não se importavam com o bem estar das almas. Muitos dentre eles, os saduceus, eram claramente incrédulos quanto a certas doutrinas bíblicas, como a crença em anjos, a crença na ressurreição, na existência de espírito (At 23:8). Muitos daqueles escribas, doutores da lei, eram legalistas, sem misericórdia para com os pecadores e o povo de modo geral. Muitos eram pessoas que amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus (Jo 12:43).
Israel, na verdade, tinha muitos doutores em teologia, mas não tinha pastores. Porque, sabem o que é um pastor? A melhor definição de “pastor” que temos está em Hebreus 13:17
Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros.
Este versículo está cheio de verdades tremendas, para as quais devemos atentar em nossa busca de fazer a vontade do Pai. Mas eu quero destacar apenas o propósito daquele que é chamado por Deus para ser um pastor: ele vela pelas almas, como quem há de prestar contas ao Senhor da seara.
Ele não está preocupado, primeiramente, com estruturas, instituições, aparências e legalismos. Ele não está preocupado com o seu “próprio pedigree”, se ele é herdeiro de uma sucessão apostólica que chegue a João Calvino, Lutero ou qualquer outro, mas, sem desprezar o valor de sua herança histórica, entende que o mais importante é o chamado de Deus para cuidar das almas.
Com isto, meus irmãos, não estou dizendo que a igreja não precisa doutores, pois precisa (Ef 4:11), mas precisa de doutores que tenham o mesmo coração de pastor que há em Jesus.
E aqui está o de notável no pensamento de Jesus, que desejo destacar: ainda que o ministério pastoral dos que se entendiam como escolhidos de Deus em Israel estivesse passando por dias de grande fracasso, ainda que eles não fossem, de fato, pastores, o Senhor Jesus ensina aos seus discípulos: Rogai ao Senhor da seara que envie trabalhadores. Deveriam pedir a Deus homens que fizessem a tarefa.
Porque pedir a Deus que mande homens? Porque, usando uma conhecida frase, “homens são o método de Deus”. Homens que sejam fruto de oração. Que sejam fruto do chamado de Deus. Homens que amem as pessoas, que velem pelas almas.
E Deus não abandonara, como não abandonará, esta maneira que estabeleceu para agir no mundo: através de homens cujo coração, ouvindo a voz do Espírito Santo, pertença a ele, que se coloque à sua disposição. Não é o que vemos em toda a história bíblica? E não é o que vemos em toda a história posterior da Igreja? E também não é o que vemos estabelecido como doutrina e preceito para nós?
Por exemplo, vamos ler Efésios 4:11:
E ele mesmo [Jesus] concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres...
Deus não envia anjos celestes, mas anjos humanos para cuidar de suas ovelhas... Então, irmão, peça ao Senhor.
Segundo, e isto é um princípio do reino: aqueles que oram assim, que oram com insistência, fé e amor, que pedem que o Senhor mande trabalhadores, devem eles mesmos estar dispostos a trabalhar para Deus. Porque, viram o que Jesus fez logo depois de ensiná-los a pedir? Ele os envia.
E isto não me parece que isto seja “uma pegadinha de Deus”, mas sim o resultado natural de uma disposição que surge no coração daquele que ora, pois o coração dele está sintonizado com o coração de Deus. Aquele que ora por certo bem, naturalmente será inclinado a buscar aquele bem. Aquele que ora pela conversão das pessoas, será inclinado a buscá-las. Aquele que ora pelo bem-estar da igreja, pela sua paz e pelo seu crescimento, será inclinado a buscá-los.
Com isto, irmãos, não quero dizer que todos vocês, ao orar, devem se sentir chamados para ser pastores, ou evangelistas, ou missionários, ou pregadores em qualquer sentido; mas que ao orar, e esta é a vontade de Jesus, que se coloquem nas mãos de Deus para serem usados conforme ele quiser. Embora muito necessário, nem todos são chamados para pregar. Mas cada um de nós tem pelo menos um dom espiritual.
Prossigamos aqui em Efésios 4, agora do v. 12 ao 16:
12 com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo 13 até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo,14 para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro.15 Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo,16 de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.
Então veja: de acordo com a sequência aqui apresentada, o propósito de Deus é que, tendo recebido a Palavra por meio dos que têm o dom de ministrá-la, cada pessoa da igreja, igreja, que ele diz, é corpo de Cristo, na qual cada pessoa é um membro, cada pessoa desempenhe o seu serviço, a fim de que os filhos de Deus sejam edificados no caráter, na doutrina, no aumento do rebanho de pessoas pastoreadas por Jesus.
Todo aquele que ora por obreiros, ele mesmo se transforma, ou antes, é por Deus transformado num obreiro de Deus. Que coisa tremenda, o sermos chamados “cooperadores de Deus” (1ª Co 3:9), gente que trabalha com ele. Não é muito bonita a maneira como Deus faz as coisas? Não é muito bonito o coração de nosso Pastor Jesus?
Concluindo...
Neste momento, meus irmãos, nosso Salvador, o Senhor Jesus Cristo, está no seu trono no céu, assentado à direita de nosso Deus e Pai (Hb 1:1-3). A partir de seu trono, ele tem toda a autoridade, no universo inteiro (Mt 28:18-20).
Ali está ele governando soberanamente sobre os céus e a terra, e de um modo que podemos chamar “muito especial”, governando sobre a sua igreja, e sobre cada um de nós, os crentes, em particular.
Ali ele está desfrutando de toda a glória que tinha com o Pai desde antes da criação do mundo (Jo 17:5). Em todo o tempo ele recebe a adoração dos seres celestiais, e dos espíritos dos justos aperfeiçoados, e também recebe a nossa adoração (Hb 12:22, 23).
Do trono dos céus ele envia os seus anjos, ministros seus em favor daqueles que hão de herdar a salvação (Hb 1:4). Estando à direita da Majestade de Deus nas Alturas, uma das coisas que ele faz é interceder em nosso favor continuamente (Rm 8:34; Hb 7:25).
Ele nos defende contra as acusações de Satanás (1ª Jo 2:1), ele roga ao Pai que nos dê mais do seu Espírito (Jo:14:16), ele nos protege em suas mãos e nas mãos do Pai (Jo 10:28). E assim ele fará sempre, até a consumação da história da salvação.
Por causa de todas estas coisas, nós sabemos que nossa vida está em boas mãos. Que nossa alma está segura. Que a boa obra começada em nós há de ser aperfeiçoada (Fp 1:6). Jesus é o nosso Rei e Sacerdote, é o nosso Senhor e Salvador.
Mas irmãos, no presente momento, enquanto Jesus não volta, enquanto o reino de Deus ainda não veio em toda a sua plenitude, enquanto ainda estamos gemendo neste corpo, aguardando a nossa redenção, e não somente nós, mas a criação inteira (Rm 8:17:23), esse nosso Rei e Sacerdote, não está com o coração descansado de seus sofrimentos. Conforme Paulo nos diz na carta aos Colossenses, ainda restam aflições de Cristo em favor do seu corpo, que é a Igreja (Cl 1:24).
1. Quando olha do céu, Jesus, que é o mesmo ontem, hoje e o será para sempre, e vê as multidões aflitas e exaustas, continua tendo o mesmo coração.
Ele se alegra com as nossas alegrias (Hb 2:11-13), mas ainda se aflige com os nossos sofrimentos, se compadece com as nossas fraquezas e pecados (Hb 4:15), e também das muitas pessoas deste mundo, que sofrem como ovelhas que não têm pastor.
Primeiro, isto quer dizer que você, se ainda não tem a Jesus como seu pastor, poder tornar-se uma ovelhinha dele agora. Porque ele quer ser o seu pastor.
Você está cansado e oprimido? Venha a Jesus. Você está cansado com os teus próprios pecados? Venha a Jesus. A sua alma está vazia? Venha a Jesus. Creia nele. Receba a Jesus como o seu Salvador. E ele será o seu pastor a partir de então.
Segundo: crente em Jesus, você tem um pastor para a sua alma:
Deixe-o cuidar de você. Confie nele pra tudo. Confie nele em tudo. Entregue a ele cada preocupação, cada sofrimento, cada dor, cada necessidade, cada aflição. E descanse nas águas tranquilas.
Terceiro: você quer aprender com Jesus?
Se ele é o teu pastor, descanse, saiba que nada te faltará, e volte os seus olhos para o mundo. Mas, lembra-se de quando Jesus não era o teu pastor? Lembra-se de como era carregar o fardo dos seus pecados? Sem paz no coração?
Olhe para o mundo: olhe para as pessoas à sua volta, com os olhos de Jesus. Olhe para os aflitos, para os sem Deus neste mundo, olhe para os que estão caminhando a passos largos para o inferno. E tenha compaixão.
2. Jesus também continua a confiar no poder da oração, isto é, no poder da comunhão com Deus. Ele mesmo continua a interceder por nós, continuamente
Faça como ele ensinou. Ore. Rogue; suplique com insistência.
Ore que Deus levante muitos obreiros. Muitos homens e mulheres, jovens e velhos, e crianças, gente que ele chame, que ele capacite, que ele use. Ore por mim, ore por nossos presbíteros, pois são pastores comigo. Ore pelo poder do Espírito Santo em nossa vida. Ore pela igreja, pelas igrejas, pela nossa igreja. Ore pelo derramar do espírito Santo sobre nós. Peça ao Pai. Peça, busque, bata.
3.  E Jesus também continua a crer no ministério dos homens. Homens que o amam, chamados pelo Pai, enviados pelo Espírito.
Ele continua a vocacionar, a conceder dons, e a usar os seus escolhidos. Acredite nisto também. Acredite no ministério daqueles homens que você vê que amam as coisas do céu, que amam a Palavra, que amam as almas, que buscam a salvação de almas. E seja um deles. Use seus dons, use suas oportunidades, use seus recursos, use tudo o que você é e tudo o que você tem, para a salvação de almas, para o progresso do reino de Deus na terra.

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