Pr. Plinio Fernandes
Mensagem pregada no Domingo, 1 de novembro de 2026, na 3ª Igreja Presbiteriana Conservadora de Guarulhos
Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós. 8 Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; 9 perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos; 10 levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo. 11 Porque nós, que vivemos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal. 12 De modo que, em nós, opera a morte, mas, em vós, a vida. 13 Tendo, porém, o mesmo espírito da fé, como está escrito: Eu cri; por isso, é que falei. Também nós cremos; por isso, também falamos, 14 sabendo que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos ressuscitará com Jesus e nos apresentará convosco. 15 Porque todas as coisas existem por amor de vós, para que a graça, multiplicando-se, torne abundantes as ações de graças por meio de muitos, para glória de Deus. 16 Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. 17 Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, 18 não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.
Intr.
Em 2010, na Inglaterra, um homem estava usando um detector, procurando metais no solo, quando se deparou com algumas moedas.
Então ele cavou um pouco, e uns 30 centímetros abaixo da superfície encontrou um vaso de cerâmica.
Percebendo a importância, chamou arqueólogos, que escavaram com cuidado: um vaso dos tempos do império romano, com cerca de 52.000 moedas.
Aquele velho, esquecido e perdido vaso de barro continha um tesouro de valor imenso, que foi avaliado em cerca de U$ 349.000. 1
Nos dias do apóstolo Paulo era comum que as pessoas guardassem seus tesouros dessa maneira. Às vezes havia uma invasão repentina, as pessoas precisavam fugir às pressas, e voltavam algum tempo depois, quando o perigo já havia passado.
Às vezes enterravam seus tesouros como oferendas aos deuses – o que parece ter sido o caso desse achado que mencionei.
Prop.
O apóstolo Paulo fez desse conhecido costume uma ilustração da maneira como entendia o sentido da sua vida.
v.7 – Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós.
Prop.
Vamos então meditar sobre essa metáfora empregada pelo apóstolo Paulo.
Divs.
1. O tesouro
Tesouro é algo de extremo valor.
No início do v. 7, Paulo usa essa palavra adversativa: porém; contudo, todavia, entretanto.
Ela faz um contraste entre o que vai dizer agora, e o que vinha falando anteriormente.
Paulo descreve como um tesouro; algo imensamente valioso.
Desde o capítulo 1, ele vem descrevendo as maravilhas da misericórdia de Deus em sua vida, e na vida de todos os crentes:
Cap. 1.3 - Deus de toda a consolação, o Pai de misericórdias.
Cap. 1.5 – O Deus que se fez carne em Cristo Jesus, e mediante os seus sofrimentos nos concede o seu favor.
Cap. 1.9-11 – O Deus que ressuscita os mortos, o que atende as nossas orações, o que nos livra do mal.
Cap. 2.14-17 – O Deus que em Cristo sempre nos conduz em triunfo.
No cap. 3 – O Deus que nos iluminou, que fez conosco a nova aliança, que nos fez ministros do seu evangelho, que nos libertou, que nos transforma à sua imagem, que faz resplandecer sobre muitos o brilho da sua glória na face de Cristo.
Todos esses, e cada um desses dons são como que moedas celestiais, de um tesouro inestimável.
Nós até podemos nos lembrar de uma parábola de Jesus nesse mesmo sentido, quando ele conta que o reino dos céus é como um tesouro escondido que alguém encontrou no campo.
Percebendo o valor desse tesouro, o homem vai, vende tudo o que tem, volta e compra o terreno; e junto com o terreno, ganha o tesouro, que valia muito mais do que tudo o que o homem tinha.
Os tesouros da vida eterna são muito mais valiosos do que tudo o que o mundo pode oferecer.
Temos porém, esse imenso tesouro, em vasos de barro
2. Os vasos
Desde os dias dos profetas esta era uma palavra usada como uma metáfora, para se referir às pessoas, quando consideradas em seu ser diante de Deus.
Por exemplo, em Jeremias 18:16, o Senhor compara a casa de Israel com uma porção de barro nas mãos de um oleiro.
Da mesma maneira como o barro estava nas mãos do oleiro, e este oleiro podia, segundo a sua vontade, modelar com ele o objeto que desejasse, assim também a casa de Israel nas mãos do Senhor.
Mais tarde o apóstolo Paulo disse que cada ser humano é assim um vaso nas mãos de Deus:
Em Romanos 9, ele diz que nós, os crentes em Jesus, somos vasos de misericórdia em quem o Senhor decidiu depositar os tesouros da sua graça.2
E em 2ª Timóteo 2:20,21 ele ensina como alguém pode ser um vaso de honra nas mãos de Deus.
Se alguém quer ser um vaso de honra, deve se purificar de suas próprias paixões, de palavras inconvenientes, de falsas doutrinas.
O apóstolo Pedro também diz que nós, homens e mulheres crentes, somos vasos do Senhor.3
E aqui, Paulo acrescenta que nós somos frágeis vasos de barro, em quem o Senhor colocou o tesouro de sua gloriosa mensagem de salvação.
Então, é assim que a palavra vaso é usada metaforicamente nas Escrituras: para se referir aos seres humanos, enquanto nas mãos de Deus, e especialmente para se referir aos crentes, como recipientes escolhidos de sua misericórdia, sobre os quais ele é soberano; como instrumentos nas mãos de Deus, para servi-lo, para honrá-lo, para glorificá-lo.
Vasos de barro.
A ênfase que Paulo dá com essa frase é à nossa fragilidade.
O Senhor formou o homem do pó da terra. 4
Ele conhece a nossa estrutura, e sabe que somos pó. 5
Nós, seres humanos, somos vasos frágeis: temos as limitações próprias de seres criados, finitos, temos também as limitações, as fraquezas, as imperfeições impostas pelo pecado.
E isto afeta nosso corpo: somos sujeitos a enfermidades, a cansaço, a dificuldades de pensar.
Isto afeta nossa alma: então sentimos temores, depressões, tristezas.
Por que o Senhor faz dessa maneira? Por que ele coloca seus tesouros em recipientes tão frágeis?
3. Para que a excelência do poder seja dele, e não nossa.
Não devemos entender isso como uma insegurança emocional de Deus, como se ele precisasse usar somente pessoas fracas, para que a sua glória fosse manifesta; como se ele não pudesse competir com os fortes.
Mas é que nós, seres humanos, temos uma inclinação horrorosa para a vanglória.
Nós temos, muitas vezes, a síndrome de salvador da Pátria; a última bolacha do pacote.
Então se Deus usasse apenas pessoas física ou temperamentalmente fortes, intelectualmente superiores, pensaríamos que foi a capacidade humana.
Por outro lado, desanimaríamos, pois conhecemos as nossas fraquezas.
Então, quando Deus deposita em nós as maravilhas da sua misericórdia, nós reconhecemos: Deus, somente Deus; somente a excelência do seu poder.
vs. 8, 9 – Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos.
A palavra tribulação significa “pressão, compressão, moagem”. Somos comprimidos mas não angustiados – não somos esmagados
Perplexos – Não sabendo o que fazer, o que decidir (estar de boca aberta, de queixo caído).
Mas não desanimados, não entramos em desespero, nem perdemos a esperança.
Perseguidos, mas não desamparados: não somos abandonados, não somos deixados para trás.
Abatidos (humilhados, colocados para baixo), mas não destruídos.
Porque o poder de Deus é que nos sustenta. O poder se manifesta na fraqueza.
No v. 16 ele diz mais.
Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior (o nosso corpo) se corrompa, contudo, o nosso homem interior (o nosso espírito, mente e coração) se renova de dia em dia.
Irmãos, como isso verdadeiro, e benéfico que entendamos.
Que as provações, antes de nos fazer mal, podem ser instrumentos para o bem da nossa alma, para que nossa confiança esteja no Senhor, e assim, em vez de queda, nos conduzir à renovação espiritual diariamente.
Eu digo “podem”, porque se não entendermos isso, é possível ser tomados pelo desânimo.
Agora, vejam o fruto da renovação interior na presença de Deus.
Coisas semelhantes ao que aconteceu a Jesus na sua morte e ressurreição se cumprem em nós.
Primeiro, somos instrumentos de vida.
vs. 10-12 – levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo. 11 Porque nós, que vivemos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal. 12 De modo que, em nós, opera a morte, mas, em vós, a vida.
Segundo, somos herdeiros da vida eterna.
v. 14 – sabendo que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos ressuscitará com Jesus e nos apresentará convosco.
Já na primeira carta Paulo havia falado extensamente dessa certeza: esse corpo mortal será revestido de imortalidade, esse corpo corruptível, de incorruptibilidade; e seremos semelhantes a Cristo na sua glória.
Os muitos crentes, que jazem no pó da terra, ressuscitarão para a vida eterna.
Conclusão
Temos esse grande tesouro, das eternas riquezas de Cristo, em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não nossa.
Aplicações
Eu desejo citar brevemente, cinco aplicações que vemos aqui para o nosso viver diário.
Viva pela fé em Jesus.
v. 13 – Tendo, porém, o mesmo espírito da fé, como está escrito: Eu cri; por isso, é que falei. Também nós cremos; por isso, também falamos.
Aqui ele cita o salmo 116.10, onde o escritor testemunha de que o Senhor o livrou das aflições da morte.
Assim como o salmista, mesmo aflito, acreditou, nós temos o mesmo espírito de fé.
Creia em tudo o que o Espírito diz: o tesouro que você tem, a glória da qual participará; creia, pois essas verdades nos dão firmeza em Jesus.
Viva com gratidão pela graça recebida; viva para a glória de Deus.
v. 15 – Porque todas as coisas existem por amor de vós, para que a graça, multiplicando-se, torne abundantes as ações de graças por meio de muitos, para glória de Deus.
Não desanime.
Mesmo que esteja enfermo, mesmo que esteja idoso, mesmo que sofra acidentes ou infortúnios, reanime-se no Senhor teu Deus.
v. 16 – Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia.
Mantenha os olhos na eternidade
vs. 17, 18 – Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, 18 não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; por que as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.
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Notas
1 Amador descobre 52.000 moedas romanas avaliadas em US$ 1 milhão. Disponível em https://edition.cnn.com/2010/WORLD/europe/07/09/uk.roman.coin.treasure/index.html Citado em Hubbard, Moyer V., Comentário Expositivo 2 Coríntios (S. Paulo, Vida Nova, 2021), págs. 69, 70
2 Rm 9.21-24
3 1ª Pe 3.7
4 Gn 2.7
5 Sl 103.14