Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

domingo, 2 de agosto de 2026

Confiança - 2ª Co 1.7-11

 Pr. Plinio Fernandes

Mensagem pregada na 3a Igreja Presbiteriana Conservadora de Guarulhos.

Domingo, 2 de agosto de 2026

2ª Co 1.8-11 - Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida. 9 Contudo, já em nós mesmos, tivemos a sentença de morte, para que não confiemos em nós, e sim no Deus que ressuscita os mortos; 10 o qual nos livrou e livrará de tão grande morte; em quem temos esperado que ainda continuará a livrar-nos, 11 ajudando-nos também vós, com as vossas orações a nosso favor, para que, por muitos, sejam dadas graças a nosso respeito, pelo benefício que nos foi concedido por meio de muitos.

    Intr.

    Vocês sabem que, uma semana depois de eu ter sido ordenado, no sábado seguinte, um dia antes do meu primeiro domingo como pastor, fui vítima de um ato criminoso.

    Só por diversão, alguém que estava numa festa, atirou uma grande pedra contra mim, e me atingiu na cabeça.

    Eu sofri uma comoção cerebral.

    Durante dois anos precisei lidar com vertigens dia e noite, cefaleias terríveis.

    Certa noite o mal-estar era tão grande que pensei estar morrendo.

    Então me assentei na beira da cama e orei.    

     Senhor, eu não tenho medo de morrer. Mas eu quero viver. Tenho esposa e filhas pequenas. E agora estou iniciando meu pastorado. Eu gostaria de te servir por muitos anos.

    E, enquanto orava, senti um bem-estar, uma paz, que certamente, posso interpretar, era o Senhor me dizendo.

     Eu ouvi a tua oração.

    Eu sei que também havia muitas outras pessoas orando por mim.

    E não foi a primeira vez que o Senhor me livrou; pois anos antes eu havia sido atropelado e gravemente ferido.

    E como aconteceu alguns anos atrás que, certo domingo, que começara como outro qualquer, eu sofri um infarto.

    Situações assim, com perigos de morte, são comuns a todos nós.

    Aliás, todos nós, a menos que Jesus volte antes, iremos morrer; e as pessoas que amamos.

    Sabemos disso, mas não gostamos nem de pensar no assunto, pois a morte é contrária à nossa natureza criada por Deus.

    Deus, ao nos criar à sua imagem e semelhança, colocou a eternidade no nosso coração (Ec 3.11).

    Bem, é justamente sua própria atitude diante da morte, a nossa grande inimiga, que Paulo toma como exemplo ao falar das misericórdias e consolações do Senhor em nós, os que cremos em Jesus.

    Os irmãos se recordam que, nos vs. 3-7, Paulo escreveu que o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias, e Deus de toda a consolação, ele é quem nos conforta em toda e qualquer angústia.

    Agora, para ilustrar essa doutrina, ele conta de uma situação dificílima que viveu na Província Romana da Ásia (onde hoje é a Turquia; Éfeso era a capital daquela região).

    Foi tão difícil que Paulo perdeu a esperança de continuar vivo, e disse a si mesmo que iria morrer.

    Mas disse isso com tranquilidade, pois confiava que sua vida estava nas mãos de Deus.

v. 9 Contudo, já em nós mesmos, tivemos a sentença de morte, para que não confiemos em nós, e sim no Deus que ressuscita os mortos...

    Prop.

    Não confiamos em nós mesmos. Confiamos em Deus. Confiamos em Deus mesmo diante do nosso maior inimigo.

    Por que confiamos em Deus?

    Divs.

    1º. Confiamos no Deus que ressuscita os mortos

    Ressurreição, uma doutrina bíblica tão antiga quanto o Livro de Gênesis, significa “a volta do espírito e da vida ao mesmo corpo”, com as suas propriedades humanas.

    Neste sentido, nós temos nas Escrituras vários casos de pessoas com quem isso aconteceu.

    O filho de uma viúva, uma jovem chamada Dorcas, Lázaro, e outros.

    No entanto, ainda que a ressurreição de cada uma dessas pessoas tenha sido um grande milagre, a Bíblia nos mostra que esses casos são apenas uma amostra, um sinal da ressurreição para a vida eterna.

    A ressurreição, no sentido pleno da palavra, significa a volta do espírito ao mesmo corpo, para uma vida eterna, juntamente com Cristo.

    Significa que no dia da vinda de Cristo, com disse o profeta Daniel, os muitos que dormem no pó da terra voltarão à vida.

    Ou o Livro do Apocalipse:

Deu o mar os seus mortos, a morte e o além entregaram os seus mortos.

    Na 1ª Carta aos Coríntios, Paulo já havia explicado essa doutrina bem extensamente, pois havia alguns “mestres” que não acreditavam nela.

    E argumenta que, se não existe ressurreição, Cristo não ressuscitou; e se ele não ressuscitou, é vã a nossa fé, e ainda permanecemos nos nossos pecados.

1ª Co 15.14-19 - E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé; 15 e somos tidos por falsas testemunhas de Deus, porque temos asseverado contra Deus que ele ressuscitou a Cristo, ao qual ele não ressuscitou, se é certo que os mortos não ressuscitam. 16 Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. 17 E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. 18 E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram. 19 Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens.

    Por que seríamos os mais infelizes?

    Porque não teria sentido crer em Jesus.

    Não teria sentido pregar.

    Porque permaneceríamos nos nossos pecados.

    E os que já dormiram em Cristo, tudo já teria acabado para eles.

    E nós, os que ficamos, não teríamos motivo algum para lutar contra os males da vida.

    Se não houvesse ressurreição, e ainda assim fôssemos crentes, estaríamos jogando nossa vida fora, vivendo e morrendo por uma mentira.

1ª Co 15.30-32 - E por que também nós nos expomos a perigos a toda hora? 31 Dia após dia, morro! Eu o protesto, irmãos, pela glória que tenho em vós outros, em Cristo Jesus, nosso Senhor. 32 Se, como homem, lutei em Éfeso com feras, que me aproveita isso? Se os mortos não ressuscitam, comamos e bebamos, que amanhã morreremos.

    Não sabemos exatamente quando foi essa luta de Paulo com feras, na cidade de Éfeso.

    Mas porque ele arriscaria a própria vida se, morrendo não há ressurreição? Estaria se arriscando à toa, apenas perdendo seu tempo.

    Mas não! Paulo, que antes havia sido tão incrédulo, ele mesmo viu o Senhor Jesus ressurreto, glorioso; ouviu sua voz. Ele sabia em quem havia crido.

    E não trocava essa vida de fé por qualquer coisa deste mundo.

    Portanto, quando a Escritura nos ensina a ressurreição dos mortos, estabelece uma das doutrinas essenciais da nossa fé, sem a qual tudo o mais não teria sentido.

    Confiamos no Deus que ressuscita os mortos. O Deus que não nos deixará na morte, mas nos levantará de entre os mortos para a vida eterna.

    Então não temos medo de morrer; nem estamos desperdiçando nosso tempo.

    2º. Confiamos no Deus que governa nossa vida

v.10 – o qual nos livrou e livrará de tão grande morte; em quem temos esperado que ainda continuará a livrar-nos...

    Mais tarde, nessa mesma carta, Paulo acrescenta um sem-número de ocasiões em que se viu cercado de perigos.

2ª Co 11.24-27 – Cinco vezes recebi dos judeus uma quarentena de açoites menos um; 25 fui três vezes fustigado com varas; uma vez, apedrejado; em naufrágio, três vezes; uma noite e um dia passei na voragem do mar; 26 em jornadas, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos entre patrícios, em perigos entre gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; 27 em trabalhos e fadigas, em vigílias, muitas vezes; em fome e sede, em jejuns, muitas vezes; em frio e nudez.

    Não foi apenas uma vez que ele correu o risco de morrer, nem essas foram as últimas.

    Por isso que em Atos dos Apóstolos ele diz que, o Espírito Santo lhe assegurava, sempre haveria prisões e tribulações, de cidade em cidade (At 20.23).

    E aqui no capítulo 1 ele escreve:

     Irmãos, Deus livrou-nos de tão grande morte, e continuará a livrar-nos. Eu tenho esta certeza.

    Para que não entendamos mal, e pensemos que Paulo era um ingênuo simplesmente destemido, pensando que nunca poderia morrer em situações assim, eu quero comparar com o que ele escreveu em sua última carta; 2ª a Timóteo.

2ª Tm 4.6-8 Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado. 7 Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. 8 Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.

2ª Tm 4.18 – O Senhor me livrará também de toda obra maligna e me levará salvo para o seu reino celestial. A ele, glória pelos séculos dos séculos. Amém!

    Veja; aqui em 2ª a Timóteo, mais uma vez, estava preso, por causa da pregação do Evangelho.

    Ele sabia que seus dias aqui estavam terminando.

    Já havia cumprido sua missão; combatido o bom combate. O Senhor o livraria de toda a obra maligna, e logo o receberia no seu reino celestial.

    Não muito tempo depois, sob as ordens de Nero, Paulo foi executado.

    Mas então, porque, na carta aos Coríntios, ele diz que Deus o livraria?

    Pelo menos por duas razões:

    Uma, é que aqui no contexto da carta A Timóteo, Deus não nos livra das tribulações; ele nos livra nas tribulações.

    Mesmo que ele morresse, sabia que estaria a salvo, seguro, livre de toda a obra de Satanás; seria recebido no céu.

    A segunda, no contexto da carta aos Coríntios, é que quando escreveu essa carta, uns dez anos antes de 2ª a Timóteo, Paulo ainda tinha muito o que fazer, e sabia disso.

    Quero reforçar essa ideia.

Fp 1.21-24 – Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro. 22 Entretanto, se o viver na carne traz fruto para o meu trabalho, já não sei o que hei de escolher. 23 Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor. 24 Mas, por vossa causa, é mais necessário permanecer na carne.

    Por isso é que aos Coríntios ele diz: – Deus nos livrou de tão grande morte, e continuará nos livrando.

     Ele é quem governa nossa vida.

     Se for para morrer, isto está sob o governo de Deus. Se for para viver, também.

    O Deus que ressuscita os mortos, ele é Senhor sobre nossa vida toda.

    3º. Confiamos no Deus que é muito próximo a nós

v. 11 – ... ajudando-nos também vós, com as vossas orações a nosso favor, para que, por muitos, sejam dadas graças a nosso respeito, pelo benefício que nos foi concedido por meio de muitos.

    A oração, conforme nos ensinam as Escrituras, não é a recitação de palavras certas, ordens de poder, repetições mágicas.

    Oração é falar com Deus.

    Não apenas falar a Deus, mas falar com Deus, uma comunicação entre nós e a Trindade Santíssima.

    Há um sentido em que Deus está bem perto de todos os seres humanos.

    Pois como diz o livro de Atos, “nele nos movemos e existimos” (At 17.28).

    Há um sentido em que Deus está bem perto de toda a sua criação, mesmo onde não há qualquer ser humano.

    A presença de Deus enche a terra, “o céu, e o céu dos céus” (Ne 9.6).

    Mas Deus está próximo dos crentes em Jesus de um modo muito especial.

    Naquele sentido espiritual, de comunhão com o Pai, de conhecimento do Espírito, que só pode chegar-se a Deus aquele que crê em Jesus.

    Jesus mesmo é quem nos ensina dizendo:

Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim (Jo 14.6)

    Em razão dessa proximidade com Deus, o Pai, por causa da fé em Jesus, é que somos ensinados a orar, daqui da terra: “Pai nosso que estás nos céus...” (Mt 6.9).

    Podemos orar por nós mesmos e uns pelos outros, em nome de Jesus, sem necessitar qualquer outro mediador no céu, pois Jesus é o nosso único e suficiente salvador.

    É à luz disso, que podemos entender a certeza de Paulo.

v. 11 – ... ajudando-nos também vós, com as vossas orações a nosso favor...

    Irmãos, para que tenhamos uma breve noção das maravilhas das misericórdias do nosso Pai, vejam quem está pedindo orações: Paulo, apóstolo escolhido pessoalmente por Jesus Cristo; ministro da nova aliança; homem de Deus; servo dedicado, fiel até a morte, mestre.

    Vejam a quem ele está pedindo orações em seu favor: à igreja de Corinto; que podemos dizer com segurança, imatura, cheia de falhas, à qual Paulo, às vezes ternamente, às vezes com ira, precisou corrigir, repreender, ensinar a boa conduta.

    Mas ainda assim Paulo pede que orem em seu favor, pois sabe que Deus nos aceita quando chegamos a ele pela fé em Jesus.

    Para que oremos e abençoemos uns aos outros, não precisamos ser super-crentes. Basta que sejamos crentes.

    Conclusão

    Não é maravilhosa a misericórdia de Deus?

    O Deus que ressuscita os mortos, o Deus cujas mãos dirigem o nosso destino, é o Deus que ouve as nossas orações.

    É por isso que confiamos nele.

    Aplicações

    1. Não espere em Jesus somente para as coisas desta vida.

    Creia na ressurreição dos mortos.

    Creia na ressurreição de Jesus.

    Creia na tua ressurreição, que Jesus ressuscitará você, crente, para a vida eterna.

    Creia na ressurreição de todos os crentes.

    Essa é a nossa fé; a doutrina que Jesus nos deu.

    Que nos faz entender seu poder, sua sabedoria, seu amor.

    Que nos consola a respeito dos nossos irmãos quando partem dessa vida.

    2. Viva esta certeza

    Não desperdice sua vida dizendo: comamos e morramos, porque amanhã morreremos.

    Saiba que sua vida tem propósito. Você vive para Deus, para Jesus, para o Espírito Santo.

    Não perca o ânimo, diante das tribulações, pois o Senhor está no governo de tudo.

    Você vive para servir ao Senhor seu Deus e rei; e ao seu próximo.

    3. Ore; ore sempre; ore sem cessar.

    Fale a Deus nosso Pai, e ouça a sua voz nas Escrituras; deixe as Escrituras falarem ao teu coração, à tua mente. Elas são a voz do Espírito Santo.

    Deus está perto, muito perto, de todos os que o invocam em verdade.

    Deus os guia na retidão.

    Deus atende às suas orações.

    Oração

    Pai celeste

    A nossa porção é nos aproximar-mos de ti, com piedoso temor, e humilde confiança, pois tua bondade é tão grande quanto a tua glória.

    Somos indignos, mas nos fizestes dignos.

    Éramos culpados, mas nos perdoaste.

    Somos pobres, mas tuas riquezas são infinitas, e tens nos feito teus herdeiros.

    Tu não nos negaste o teu bem mais precioso, teu Filho Jesus.

    Jesus Cristo é o fundamento da nossa confiança e esperança; o fundamento do nosso amor.

    O refúgio em quem estamos seguros.

    A certeza de que tu és o Deus que ressuscita os mortos, que governa nossas vidas, que está próximo a nós.

    Somos felizes, porque somos teus; porque que estamos em Cristo; porque nele temos paz contigo, poque aguardamos a sua vinda.

    Neste momento de adoração, em que vamos comer e beber a ceia do Senhor, esta ceia santificada, concede-nos que, participando conscientemente, sejamos fortalecidos em nossa fé; consolados em nossas tribulações, renovados em nosso amor; assim como somos perdoados dos nossos pecados. E se houver em nós algum caminho mal, guia-nos pelo caminho eterno.

    Amém.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Consolações - 2ª Co 1.3-7

Pr. Plinio Fernandes

3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação! 4 É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus. 5 Porque, assim como os sofrimentos de Cristo se manifestam em grande medida a nosso favor, assim também a nossa consolação transborda por meio de Cristo. 6 Mas, se somos atribulados, é para o vosso conforto e salvação; se somos confortados, é também para o vosso conforto, o qual se torna eficaz, suportando vós com paciência os mesmos sofrimentos que nós também padecemos. 7 A nossa esperança a respeito de vós está firme, sabendo que, como sois participantes dos sofrimentos, assim o sereis da consolação.

    Intr.

    Você sofre? E, se você sofre, quais as coisas que te fazem sofrer?

    Será que uma pessoa que foi salva em Cristo Jesus, tendo seus pecados perdoados, tendo recebido o dom do Espírito Santo e a vida eterna, será que uma pessoa por quem Jesus sofreu na cruz, levando ali as suas dores, será que esta pessoa precisa ainda sofrer neste mundo?

    Será que um crente cheio do Espírito Santo sofre neste mundo?

    Será que uma pessoa pode ser feliz, e ainda assim sofrer?

    Ou de outro modo:

    Será que uma pessoa pode sofrer e ainda assim estar bem emocionalmente? Será que uma pessoa pode sofrer e ainda assim ser feliz?

    Será que uma pessoa pode sofrer e ainda assim estar de bem com a vida e de bem com Deus?

  Algumas pessoas entendem que sofrimento e felicidade sejam duas realidades completamente incompatíveis.

    Que, se Jesus sofreu na cruz em nosso lugar, isto significa que ele sofreu para que nós não soframos mais, e então tudo quanto nos traz sofrimento deve ser eliminado de nossa vida como coisas provenientes de Satanás.

    Mas Paulo não entendia que os sofrimentos eram incompatíveis com a vida com Jesus Cristo; ao contrário, ele entendia, e ensinava, que os sofrimentos, antes de serem contrários à vida de fé, são um complemento muito importante.

    Quando o apóstolo Paulo escreveu esta carta, tanto ele como os seus colaboradores de ministério, e também os seus primeiros leitores, a igreja de Corinto, haviam passado, e estavam passando, por grandes tribulações, direta ou indiretamente, por causa do evangelho.

    Os grandes amores da sua vida eram Jesus Cristo e a igreja, o povo de Deus.

    E por causa desse amor, ele tinha grandes lutas, internas e externas.

    Apenas para dar uns poucos exemplos, pois pretendo voltar a esta carta em nossas meditações, por ora vejamos dois ou três textos.

2ª Co 2:12-13 – Ora, quando cheguei a Trôade para pregar o evangelho de Cristo, e uma porta se me abriu no Senhor, 13 não tive, contudo, tranquilidade no meu espírito, porque não encontrei o meu irmão Tito; por isso, despedindo-me deles, parti para a Macedônia.

2ª Co 11:3 – Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo.

2ª Co 12:7 – E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte.

   Veja como em cada uma dessas referências, Paulo manifesta alguma tribulação do seu próprio coração: preocupação porque havia combinado se encontrar com Tito, seu colaborador, na cidade de Trôade, mas não o encontrou; preocupação que a igreja de Corinto fosse enganada por falsos mestres; preocupação consigo mesmo, por causa das suas próprias fraquezas e limitações.

    E voltando ao cap. 1:7, Paulo diz que os coríntios também participavam de sofrimentos.

  Mas, se podemos escolher uma palavra para descrever toda a mensagem de 2ª aos Coríntios, é a palavra “consolação”.

   Porque nela, ainda que Paulo descreva muitas das coisas que os faziam sofrer, demonstra também uma confiança inabalável de que o Senhor Deus é o nosso Consolador, que ele transforma todas as situações de sofrimento em bênçãos para nós.

Prop.

    Tendo isso em mente, irmãos, hoje eu desejo iniciar uma série aqui nesta carta, esse presente de Deus para nós, que é 2ª aos Coríntios.

    E hoje, vamos meditar nestes versículos que, podemos dizer, são uma introdução a tudo o que ele nos dirá nela.

Divs.

    1. Todos nós, os crentes, temos um grande Consolador

vs. 3 e 4 – Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação! 4 É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus.

    O contexto geral, não só aqui, mas na Bíblia toda, nos ensina que nossos sofrimentos devem ser por causa da fé, e não por uma vida desonesta e corrupta. Nenhum de nós deve ser perseguido por ser malfeitor.

    Mas sofremos como cristãos em nossas preocupações com o reino de Deus, em nossos desejos de ser pessoas melhores, mais maduras, mais parecidas com Cristo.

  Sofremos em nossas preocupações com a vida espiritual da igreja, com os ataques de Satanás procurando destruir a igreja do Senhor; nossas preocupações com as necessidades espirituais, emocionais e materiais da família da fé e dos de fora, pois nosso anseio é ver o reino de Deus manifestado na salvação de muitos.

   Além das preocupações interiores, sofremos as consequências dos pecados de outras pessoas, que se iram com a Palavra de Deus, que se opõe ao nome de Jesus, que de uma forma ou de outra, se colocam contra a igreja e os crentes.

   Sofremos com as trágicas consequências do pecado na vida humana: morte, enfermidade, guerras, escassez; e sofremos também com os sofrimentos da natureza.

   Mas, se Deus nos consola em toda e qualquer situação, implica que cada uma das nossas tribulações é conhecida por Deus.

   E claro, a primeira razão pela qual Deus conhece cada uma das nossas tribulações é que ele conhece tudo o que acontece em toda a extensão do Universo.

   Isto, por si só, irmãos, é um conforto para nossas almas.

   Há um versículo no salmo 56 que, neste sentido, fala muito ao coração de cada crente.

Sl 56:8 – Contaste os meus passos quando sofri perseguições; recolheste as minhas lágrimas no teu odre; não estão elas inscritas no teu livro?

   Note especialmente a segunda parte.

  Este homem cheio do Espírito Santo, ou mais ainda, este profeta inspirado pelo Espírito Santo, escreve que cada uma das nossas lágrimas é recolhida nos odres celestiais; cada gota de aflição é contada por Deus; cada uma das nossas tristezas está inscrita no livro do Senhor.

  E veja como Paulo descreve o Senhor Deus, o nosso Pai: “Pai de misericórdias e Deus de toda a consolação”.

  Em João 14:16, ao falar que iria voltar para o céu, Jesus disse que não nos deixaria sós, mas que enviaria outro Consolador que falaria em seu nome.

   Ser Consolador, portanto é da natureza de Deus, o Pai, o Filho, e o Espírito Santo. É da natureza dele, ele se alegra em consolar, e ordena que os seus filhos sejam consolados.

Is 40.1-2 - Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. 2 Falai ao coração de Jerusalém, bradai-lhe que já é findo o tempo da sua milícia, que a sua iniquidade está perdoada e que já recebeu em dobro das mãos do SENHOR por todos os seus pecados.

2. Esse último texto vislumbra os instrumentos do Senhor para nos consolar...

2.1. O Senhor nos consola através das Escrituras Sagradas

   Aqui ele ordena que o profeta anuncie a mensagem do Senhor, confortando, falando ao coração, anunciando perdão para os pecados.

    Vamos ler Romanos 15:4.

Rm 15.4 - Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança.

    Cada porção da Escritura é Palavra de Deus; o Deus que nos consola em toda e qualquer situação.

    Até quando nos repreende, nos corrige, o propósito do Senhor é nos dar paz.

  Quando lemos as histórias dos antigos, as suas lutas, as suas angústias, as suas decepções, as suas orações ouvidas, e as não ouvidas.

  Quando lemos as orações dos salmos: algumas em louvor pelas respostas de Deus, outras de frustração com as lutas da vida; ou tristeza pelos mortos.

  Quando lemos os mandamentos, as promessas, tudo, tudo o que a Escritura diz é para nos consolar, nos fazer pacientes, e nos dar esperança.

2.2. Deus também nos conforta através de outras pessoas, na medida em que agem movidos pelo mesmo Espírito Consolador do Senhor.

2ª Co 1.4 – É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus.

  E Paulo mesmo testemunha o quanto a consolação dada por intermédio de outros irmãos era importante para ele.

2ª Co 7.5-7 – Porque, chegando nós à Macedônia, nenhum alívio tivemos; pelo contrário, em tudo fomos atribulados: lutas por fora, temores por dentro. 6 Porém Deus, que conforta os abatidos, nos consolou com a chegada de Tito; 7 e não somente com a sua chegada, mas também pelo conforto que recebeu de vós, referindo-nos a vossa saudade, o vosso pranto, o vosso zelo por mim, aumentando, assim, meu regozijo.

2.3. Enfim Deus pode também usar qualquer meio

    A resposta a uma oração, uma iluminação da mente diante das Escrituras, uma palavra santificada, a resposta a uma preocupação, o agir de Deus em outras vidas.

   Por exemplo: vocês se lembram que uma das grandes tristezas de Paulo é que a maioria do seu próprio povo, os judeus, não acreditaram em Jesus. Por isso ele sempre orava pela conversão deles.

   E também, a maioria dos seus auxiliares no Evangelho não eram judeus, mas gentios.

   Mas na carta aos Colossenses ele fala sobre três pessoas que eram um consolo do Senhor na vida dele.

Cl 4.10-11 - Saúda-vos Aristarco, prisioneiro comigo, e Marcos, primo de Barnabé (sobre quem recebestes instruções; se ele for ter convosco, acolhei-o), 11 e Jesus, conhecido por Justo, os quais são os únicos da circuncisão que cooperam pessoalmente comigo pelo reino de Deus. Eles têm sido o meu lenitivo (o meu alívio, o meu conforto).

3. Quando somos consolados por Deus, nos tornamos pessoas melhores

  Há pelo menos duas consequências das consolações do Senhor mencionadas no texto aqui: tornar-se parecidos com Jesus nos seus sofrimentos, e tornar-se parecidos com Deus no consolar outras pessoas.

3.1. Primeiro, porque nos tornamos mais parecidos com Jesus nos seus sofrimentos

v. 5 – Porque, assim como os sofrimentos de Cristo se manifestam em grande medida a nosso favor, assim também a nossa consolação transborda por meio de Cristo.

Trad. Ling. Moderna, SBP - Pois o conforto que de Cristo recebemos é tão grande, como grandes foram os sofrimentos que Cristo passou por nós.

  Os tradutores interpretaram o texto como se referindo ao fato de que Cristo sofreu por nós.

  A maioria das versões, a Corrigida, por exemplo interpreta diferente, identificando o nosso sofrimento como cristãos, sendo por amor a Cristo.

  ARC – Porque, como as aflições de Cristo são abundantes em nós, assim também a nossa consolação sobeja por meio de Cristo.

  De qualquer forma, o fruto é o mesmo: as consolações que recebemos transbordam por meio de Cristo, de tal maneira que,...

3.2. Segundo, porque podemos consolar outras pessoas, com o mesmo Espírito.

v. 6 – Mas, se somos atribulados, é para o vosso conforto e salvação; se somos confortados, é também para o vosso conforto, o qual se torna eficaz, suportando vós com paciência os mesmos sofrimentos que nós também padecemos.

    Há uma oração, que embora atribuída a Francisco de Assis, não se sabe quem a escreveu. Mas o que importa mais é o conteúdo dela, que diz assim:

    Senhor,

    Faça de mim um instrumento de tua paz!

    Onde houver ódio, que eu leve o amor,

    onde houver ofensa, que eu leve o perdão.

    Onde houver discórdia, que eu leve a união.

    Onde houver dúvida, que eu leve a fé.

    Onde houver erro, que eu leve a verdade.

    Onde houver desespero, que eu leve a esperança.

    Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.

    Onde houver trevas, que eu leve a luz!

    Ó Mestre, faça que eu procure mais

    consolar que ser consolado,

    compreender que ser compreendido,

    amar que ser amado.

    Pois é dando que se recebe,

    é perdoando que se é perdoado,

    e é morrendo que se vive para a vida eterna!

Conclusão e aplicação

    A Palavra de Deus nos lembra que neste mundo cheio de sofrimentos, nós, os crentes em Jesus, temos alguém muito especial, que nos fala ao coração, confortando em toda e qualquer situação.

    Ele fala de perdão pelos nossos pecados.

    Ele fala de estar conosco em toda e qualquer angústia.

    Ele fala pelas Escrituras.

    Ele consola por meio de irmãos.

    Ele consola usando as circunstâncias.

    Quando consolados por Deus, nossos corações se tornam melhores.

    Nós nos tornamos pessoas melhores, a fim de que, mais parecidos com o Senhor, possamos consolar a outras pessoas também.

    Mas, como podemos experimentar isso?

    Pois algumas pessoas, em vez de se tornarem melhores, tornam-se amargas; iradas, revoltadas.

    Outras pessoas, em vez de se tornarem melhores, vivem com pena de si mesmas, queixosas.

    Como disse o Senhor a Judá:

“Eu te acrisolei, mas disso não resultou prata”; isto é, vocês não melhoraram! (Is 48.10).

    Então, como experimentar consolo, encorajamento e crescimento? O segredo é “tenha paciência”.

v. 6 – A consolação de Deus... se torna eficaz, suportando vós com paciência os mesmos sofrimentos que nós também padecemos.

    Quais são os seus sofrimentos, irmão?

    Suas lutas consigo mesmo, dentro do coração?

    Suas enfermidades?

    Seus traumas?

    Conflitos em casa? No trabalho? Com pessoas a quem ama?

    Diretamente ligados ao Evangelho?

    Deixe a luz do céu entrar. Deixe Deus falar ao seu coração. Deixe Deus te curar.

    Tenha paciência nos sofrimentos.

    Tenha confiança que nos sofrimentos, cada lágrima sua é contemplada pelo Senhor.

    Tenha confiança, preste atenção na Palavra; preste atenção na vida, nas consolações do Senhor.

    Tenha confiança, seja paciente, tenha esperança.

    Pode a tristeza durar todo o anoitecer, mas a alegria vem pela manhã.

    Vai alta a noite, e a nossa redenção já está mais próxima do que quando inicialmente cremos.

Oração

    Senhor, eis-nos aqui, teu povo.

    O que nos consola nas nossas angústias é isto: que a tua palavra nos vivifica.  Nos lembramos dos teus juízos de outrora, e nos confortamos, ó Senhor.

    Assim, o Deus, derramamos na tua presença os nossos corações.

    E rogamos paciência.

    Pedimos que transformes cada tristeza em comunhão contigo.

    Pedimos que transformes cada sofrimento em semelhança com Jesus.

    E pedimos que transformes a semelhança com Jesus em bênção para outros e glória para o teu nome. Amém.

 

 

 


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