Mensagem de Domingo, 8 de novembro de 2026, na 3ª Igreja Presbiteriana Conservadora de Guarulhos
Pr. Plinio Fernandes
Meus irmãos, vamos ler 2ª aos Coríntios 5:1-10
“Sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus. 2 E, por isso, neste tabernáculo, gememos, aspirando por sermos revestidos da nossa habitação celestial; 3 se, todavia, formos encontrados vestidos e não nus. 4 Pois, na verdade, os que estamos neste tabernáculo gememos angustiados, não por querermos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida. 5 Ora, foi o próprio Deus quem nos preparou para isto, outorgando-nos o penhor do Espírito. 6 Temos, portanto, sempre bom ânimo, sabendo que, enquanto no corpo, estamos ausentes do Senhor; 7 visto que andamos por fé e não pelo que vemos. 8 Entretanto, estamos em plena confiança, preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor. 9 É por isso que também nos esforçamos, quer presentes, quer ausentes, para lhe sermos agradáveis. 10 Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo.”
Intr.
O texto que lemos é um dos mais “abrangentemente resumidos e precisos”, sobre a doutrina da vida eterna que o Senhor nos dá em Jesus.
No capítulo 4, Paulo havia discorrido, de modo muito vívido, a respeito da nossa fragilidade, da brevidade e dos dissabores desta vida presente em contraste com a vida futura.
Não é que ele, em relação à vida presente, fosse uma pessoa pessimista, negativa. Ao contrário, Paulo tinha a abençoada certeza de que tudo, nesta vida, coopera para o nosso bem.
Ele via em tudo motivos para agradecer a Deus, para amar as pessoas, para desfrutar cada momento com alegria e felicidade.
Mas, ao mesmo tempo, reconhecia que, com todo o bem que agora desfrutamos, não dá para comparar com a glória que há de vir.
Porque, embora no tempo presente, tudo coopere para a glória de Deus e o nosso bem, nós ainda estamos em processo de crescimento, e crescimento espiritual muitas vezes dói.
Mas não desanimamos. Mesmo que o nosso homem exterior sofra, o nosso homem interior, o nosso espírito, se renova a cada dia.
Agora, neste capítulo, ele prossegue nos encorajando a olhar para a eternidade, onde está o nosso destino.
Prop.
Eu desejo meditar sobre as verdades da vida eterna conforme apresentadas aqui, na Palavra de Deus
Divs.
1. Em primeiro lugar, a Palavra nos ensina que na eternidade nós seremos revestidos de nossa habitação celestial
vs. 1 e 2 – Sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus. 2 E, por isso, neste tabernáculo, gememos, aspirando por sermos revestidos da nossa habitação celestial...
Nestes dois versículos, Paulo usa duas expressões para se referir à nossa “morada neste mundo”: “casa terrestre” e “tabernáculo”.
Se compararmos com o contexto, especialmente v. 6, podemos perceber que é uma referência ao nosso corpo, habitação de nosso “eu”, do nosso espírito, do nosso homem interior.
Ele chama este nosso corpo de “tabernáculo”, isto é, uma “cabana”, uma casa feita de algum tecido, rústica mesmo.
Mas no v.1 ele diz que se esta nossa casa se desfizer, isto é, se este nosso corpo for destruído, no céu nós temos, não um mero tabernáculo, temos um edifício, uma casa mais ampla, melhor, mais confortável.
Esta casa que temos no presente é mortal, é sujeita a fraquezas, à decadência. A habitação celestial é imortal, incorruptível.
Em 1ª Co 15, ele escreve que, quando o Senhor Jesus voltar, estes nossos corpos mortais serão revestidos por aquele que é imortal, estes corpos carnais serão revestidos por aquele que é espiritual.
Embora seja algo difícil de descrever, difícil de imaginar, o que podemos dizer com certeza é que seremos incomparavelmente melhores do que somos agora.
João nos diz que seremos semelhantes ao Senhor Jesus, e creio que isto em grande parte também se refere, além de sermos semelhantes a ele em seu caráter santo, ao seu corpo ressurreto.
Mas não posso dizer nada além disto.
Vale a pena lermos 1ª Co 15:40-49
Também há corpos celestiais e corpos terrestres; e, sem dúvida, uma é a glória dos celestiais, e outra, a dos terrestres. 41 Uma é a glória do sol, outra, a glória da lua, e outra, a das estrelas; porque até entre estrela e estrela há diferenças de esplendor. 42 Pois assim também é a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo na corrupção, ressuscita na incorrupção. Semeia-se em desonra, ressuscita em glória. 43 Semeia-se em fraqueza, ressuscita em poder. 44 Semeia-se corpo natural, ressuscita corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual. 45 Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante. 46 Mas não é primeiro o espiritual, e sim o natural; depois, o espiritual. 47 O primeiro homem, formado da terra, é terreno; o segundo homem é do céu. 48 Como foi o primeiro homem, o terreno, tais são também os demais homens terrenos; e, como é o homem celestial, tais também os celestiais. 49 E, assim como trouxemos a imagem do que é terreno, devemos trazer também a imagem do celestial.
Note o maravilhoso contraste: semeia-se na corrupção, ressuscita na incorrupção .
Semeia-se em desonra, ressuscita em glória.
Semeia-se em fraqueza, ressuscita em poder.
E mais: você não terá este corpo espiritual, altamente capacitado, dotado de poder e santidade para ficar somente adorando com cânticos. Não!
Em Mateus 25, Jesus nos ensina que quem for fiel no pouco, será colocado sobre o muito – a eternidade não é lugar de ócio, mas de trabalho, serviço pleno, desenvolvimento ainda maior das capacidades dadas por Deus e para a glória de Deus.
Se você tem prazer em servir ao Senhor agora, imagine o que será no mundo futuro.
2. Em segundo lugar, a Palavra nos ensina que a eternidade é quando estaremos para sempre com o Senhor
vs. 6-8 – Temos, portanto, sempre bom ânimo, sabendo que, enquanto no corpo, estamos ausentes do Senhor; 7 visto que andamos por fé e não pelo que vemos. 8 Entretanto, estamos em plena confiança, preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor.”
Há um detalhe que me parece muito interessante: é que, estritamente falando, Paulo menciona a ressurreição nos últimos versículos do capítulo 4.
E aqui no cap. 5, embora em continuidade ao assunto da ressurreição, Paulo está falando também daquele tempo que doutrinariamente nós chamamos “estado intermediário”.
Quando deixarmos o corpo, estaremos com o Senhor.
O detalhe para o qual chamo a atenção é que, no v. 1, quando Paulo fala da dissolução da casa terrestre, ele diz que temos uma casa no céu.
Há umas três maneiras de se interpretar:
Alguns acham que a habitação celestial é o próprio céu.
Outros acham que é o estar em Cristo.
Mas outros, e eu estou entre eles, penso o seguinte: na mentalidade bíblica, o homem não é feito, digamos assim, de várias partes. Ele é um todo.
Embora nós costumemos dizer que quando morremos, a nossa alma vai para o céu, isso não significa que lá ficaremos despidos de um corpo.
Pois no v. 1, Paulo diz que se a nossa casa terrestre se desfizer, temos uma eterna no céu, feita por Deus.
– Então, pastor, o senhor está falando sobre três corpos, sendo um da terra, outro no céu, e outro após a ressurreição?
Não. Conforme eu entendo, na ressurreição, o que é terreno será absorvido pelo que é celestial, o que é mortal será revestido da imortalidade; “os dois se tornam um”.
Eu tenho a impressão de isso também explicaria por que Elias e Moisés falaram a Jesus no monte da transfiguração. Eles não eram espíritos de mortos. E não foi uma sessão espírita; sessão espírita é outra coisa.
E estaremos para sempre com ele.
Como está escrito no Salmo 73, a respeito do nosso Deus:
Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra. 1
Tantas vezes em nossa vida diária, ao sentir a presença de Deus em meio aos nossos afazeres, sentimos tanta alegria.
Quando olhamos para cada alimento que estamos recebendo, nosso coração diz: – Obrigado, Senhor.
Quando pensamos nas pessoas que amamos. Quando penso na minha mãezinha, fico todo derretido, e digo ao Senhor: – “Nossa linda”, e agradeço.
Quando vejo a obra de Deus nos corações de vocês.
Tantas vezes, em nossos momentos devocionais a sós, ou quando cantamos, adoramos, oramos juntos, o seu coração se enche de alegria, por você sentir a presença de Jesus, não é?
Pois bem, meu irmão, este sentimento da presença de Jesus não é nada, se comparado com o que será no céu.
Nós o veremos face a face. Nós o ouviremos não apenas em nosso coração. Ele estará diante dos nossos olhos. Sua voz deve ser o som mais lindo do universo.
3. Na eternidade, iremos receber a recompensa de nossas ações
vs. 9,10 – É por isso que também nos esforçamos, quer presentes, quer ausentes, para lhe sermos agradáveis. 10 Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo.
Paulo tinha como certo o fato de que, mesmo sendo crentes, salvos por meio da graça de Deus, cada um de nós deverá prestar contas a Deus por tudo quanto tiver feito por meio do corpo
É importante enfatizar que nossas obras não são o meio através dos quais obtemos a nossa salvação. Somos salvos pela graça, pela misericórdia, pela bondade de Deus
Mas ao mesmo tempo, as coisas que fazemos demonstram que realmente houve uma transformação espiritual, uma regeneração em nossa alma.
E então, neste aspecto, as boas obras, as obras de obediência, por amor a Deus e ao nosso próximo, são evidências de que temos verdadeira fé.
Neste sentido, todo o bem que fazemos nada mais é do que a nossa obrigação como crentes, como filhos de Deus.
Agora, isso não quer dizer que Deus seja indiferente.
Assim como um pai se compraz num filho íntegro, honesto, verdadeiro, trabalhador, a sim Deus tem prazer e recompensa aqueles que o servem.
Hb 6.10 – Porque Deus não é injusto para ficar esquecido do vosso trabalho e do amor que evidenciastes para com o seu nome, pois servistes e ainda servis aos santos.
Então Paulo via nisto um duplo incentivo:
Por um lado, o incentivo a temer a Deus e consequentemente evitar o mal, evitar a prática do pecado.
Por outro, um incentivo à prática do bem.
Ele não queria chegar diante de Deus para ouvir que sua vida foi relaxada, que seu caráter era frívolo.
Conclusão e aplicação
Assim vimos que neste texto, queridos irmãos, o Espírito Santo nos ensina que na eternidade nós seremos revestidos de nossa habitação celestial: teremos um corpo imortal, sadio e vigoroso.
O Espírito Santo também nos ensina que a eternidade é quando estaremos para sempre com o Senhor: nós o veremos face a face, e desfrutaremos plenamente de sua presença.
Por último, somos ensinados que, na eternidade, iremos receber a recompensa de nossas ações.
1. Se você nasceu de novo, pela fé em Jesus, no poder do Espírito Santo, então você não somente crê, mas deseja a eternidade.
E isto traz algumas implicações para sua vida diária; eu desejo citar algumas:
1. Ânimo
Quando “tudo estiver errado”, lembre-se de que tudo o que há de errado é passageiro: as tentações, os pecados, as fraquezas, as limitações, as enfermidades, as separações, as injustiças, tanto as coisas tristes que acontecem em sua vida como na de outros filhos de Deus.
Todas as nossas tribulações irão acabar, e os sofrimentos do tempo presente não são para se comparar com as alegrias da glória do céu. 2
Então não desfaleça.
2. Amor pelo céu – lá está sua pátria
Nosso destino não é este mundo presente, com suas riquezas e prazeres ilusórios, que sempre são incapazes de atender aos nossos anseios mais profundos, de amor e comunhão com Deus.
Nosso destino é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.
Então, como um homem que pensa sempre na mulher a quem ama, pense sempre nas coisas do céu, não nas que são aqui da Terra.
Apaixone-se pelas coisas do céu.
Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então o conheceremos na plenitude da sua glória, e seremos glorificados com ele.
3. Seja fiel a Jesus: desenvolva santidade
Não seja apegado a nada neste mundo: não seja apegado a bens materiais. Não seja apegado a status.
Faça morrer tudo o que é de sua natureza terrena: impureza, paixões lascivas, desejos malignos, malícias no pensar, maldades no falar, mentiras, pois, por estas coisas é que vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência3.
4. Pratique o bem – como quem está ajuntando tesouros para a eternidade
“Quem dá aos pobres empresta a Deus”; isto não é apenas um ditado popular; é ensino bíblico 4.
Se você vê uma pessoa necessitada, reparta com ela das coisas que Deus tem dado a você. Dê a quem te pede; não volte as costas ao órfão e à viúva.
Não deixe de perdoar aos que te ofendem. Não deixe de ajudar ao que estiver caído. Não deixe de ser misericordioso.
Não deixe de usar seus dons espirituais; não deixe de amar a igreja e cooperar com ela; não deixe de ser parte do povo de Deus.
Não abandone a sua congregação como fazem alguns, porque o dia da eternidade está agora mais perto ainda.
Não deixe de testemunhar, de falar de Jesus. Não deixe de amar o seu próximo. Não deixe de amar sua esposa, seu marido, seu pai, sua mãe.
Não deixe de orar, de ler a Palavra, não deixe de fazer todo o bem que você conhece.
2. Mas, talvez algum de vocês ainda não seja uma pessoa convertida a Jesus.
Neste caso, eu preciso dizer a você que as delícias da vida eterna não são para todos os homens: são destinadas apenas para aqueles que amam a Deus.
E é claro que isto está totalmente certo: você gostaria de morar eternamente com alguém a quem não ama?
Isto de acordo com o desejo daquele que não crê em Deus: aquele que não crê em Deus não quer viver eternamente com ele, e neste caso, não desfrutará da bem-aventurança eterna.
Mas neste caso, eu preciso também dizer: uma vida eterna sem Deus é o inferno. É fogo que nunca se apaga; é tristeza, depressão, solidão, infelicidade, ódio e inveja.
Para que uma pessoa não viva no inferno eterno ela precisa se voltar para Deus, e com isto estou sendo claro: se voltar para Jesus, pois ele é Deus que se fez carne, que veio morar entre nós, para que nós possamos ir morar com ele.
Assim, se você ainda não segue a Jesus, veja que oportunidade abençoada você tem agora: pode crer agora, pode receber a Jesus agora, em seu interior, e pode começar com ele agora, uma jornada que será pela eternidade.
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1 Sl 73:25
2 Rm 8:18
3 Cl 3:1-11
4 Pv 19:17