Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

domingo, 9 de agosto de 2026

Santos motivos de orgulho – 2a Co 1.12-14

Pr. Plinio Fernandes

Mensagem pregada em Domingo, 9 de agosto de 2026, na 3a Igreja Presbiteriana Conservadora de Guarulhos

2ª Co 1.12-14 - Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência, de que, com santidade e sinceridade de Deus, não com sabedoria humana, mas, na graça divina, temos vivido no mundo e mais especialmente para convosco. 13 Porque nenhuma outra coisa vos escrevemos, além das que ledes e bem compreendeis; e espero que o compreendereis de todo, 14 como também já em parte nos compreendestes, que somos a vossa glória, como igualmente sois a nossa no Dia de Jesus, nosso Senhor.

    Intr.

    Algum tempo atrás, nós recebemos aqui a visita de um pastor, que veio acompanhado de sua esposa.

    E depois do culto essa esposa disse para a Terezinha – , eu não me lembro as palavras exatas, mas o sentido foi esse:

    – Como é gostoso estar aqui. Essa igreja tem o jeito do Pr. Plínio.

    Irmãos, eu confesso pra vocês que eu fiquei “me achando”.

    Mas não no sentido de me orgulhar carnalmente, me comparando com outras pessoas; achando que “eu sou o cara”.

    Sabem o orgulho de um pai que toma a sua filhinha no colo e sai mostrando pros outros, ou um avô, com o seu netinho?

    É neste sentido que Paulo escreve aqui nesse trecho de sua carta, quando ele comenta sobre certas “glórias” (ou conforme diz a NVI, orgulhos) que tinha.

    Uma delas (v. 12), era o testemunho de sua própria consciência, de que ele vivia em santidade e sinceridade em todo o seu comportamento, diante do mundo e diante dos crentes.

    E a outra glória de Paulo (v. 14), era a igreja de Corinto, no dia de Cristo Jesus.

    Assim como os coríntios tinham também motivos para se gloriarem em ter Paulo como aquele que os evangelizou.

    O que não é difícil de entender também.

    Por exemplo, como quando nós falamos sobre nossos primeiros pastores; no meu caso, o Rev. Isael Lopes, que foi para muitos de nós um pai espiritual.

    Ao pensar, ao falar sobre ele, nós nos gloriamos, isto é, sentimos uma satisfação espiritual.

    Eu gosto de falar que “foi ele quem me batizou”.

    Ou quando falamos sobre nossos pais. Quando falo de minha mãe, gosto de mostrar uma fotografia dela.

    Por isso, depois de, no v. 11, Paulo dizer que, em suas tribulações, contava com as orações daquela igreja, ele começa a abordar um assunto sobre o qual falará em grande parte de sua carta: é que a igreja de Corinto, embora como um todo, estivesse firme na doutrina, estava sendo mal influenciada por alguns que se diziam apóstolos, mas que apresentavam um evangelho deturpado.

    E esses tais apóstolos, para alcançar a proeminência que desejavam, atacavam o caráter e o ministério do apóstolo: diziam que ele não tinha credenciais, que ele não era íntegro, que falava uma coisa e fazia outra, que não havia poder espiritual, ou autoridade em sua vida.

    Então, com o propósito de proteger a igreja de Corinto contra o que, ele entendia, eram ciladas do diabo, Paulo defende sua legitimidade como ministro da Nova Aliança.

    Assim, essa defesa deu ocasião a uma das exposições mais notáveis que temos na Bíblia sobre o Evangelho de Jesus Cristo como o cumprimento da aliança de Deus conosco.

    Agora, quando Paulo diz que se gloria, não parece uma contradição com o que escreve em outros lugares? E não seria um pecado um pai sentir orgulho dos filhos, ou os filhos dos pais?

    Por exemplo, leiamos

2ª Co 10.17-18 - Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no Senhor. 18 Porque não é aprovado quem a si mesmo se louva, e sim aquele a quem o Senhor louva.

    Mas não é difícil entender. Pois Paulo não estava louvando a si mesmo, nem contando vantagem.

    Quando Paulo fala de sua boa consciência, de sua santidade e sinceridade, de seus irmãos em Corinto, ele atribui tudo a uma coisa só: a graça de Deus.

    Em outras palavras; ele se gloria no Senhor.

    Prop.

    Hoje nós vamos destacar essas coisas que Paulo descreve como a sua glória, e que devem ser motivo de santa satisfação nas vidas de todos os crentes.

    Divs.

    1. A glória de uma consciência tranquila

v. 12 - Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência...

   Consciência é esse belíssimo dom do Senhor a nós, que somos feitos à sua imagem e semelhança.

   A capacidade de distinguir o que é certo e o que é errado; a justiça e a injustiça; a pureza e a impureza. É o motor que nos impulsiona a fazer o que é certo.

 Mas a consciência não deve ser confundida com a Palavra de Deus, pois a Bíblia é infalível, e a consciência não.

  Na condição de pecadores que nos tornamos, até a nossa capacidade de discernimento foi afetada.

  Às vezes, a consciência de uma pessoa não acusa de nada, mas deveria, se tivesse bem instruída pela Bíblia.

   Certa vez um homem me disse:

   Quanto a isso, a minha consciência está tranquila...

   Mas não deveria estar; pois com sua atitude covarde, parcial e mentirosa prejudicou muito a igreja.

   A consciência dele estava era cauterizada, sem capacidade de discernir entre o bem e o mal, e achava que estava certo.

   E às vezes é o contrário: a consciência acusa, quando não houve realmente pecado.

 Eu nunca me esqueço de certa ocasião (como eu acho linda aquela irmã!), foi no dia da minha formatura do seminário.

   Nós fomos juntos para a Primeira Igreja em São Paulo; muitos irmãos na mesma Kombi.

  Quando chegamos à igreja, viagem longa e demorada no trânsito lento da cidade, dia quente, descendo do carro, a Tequinha disse que estava cansada.

   E essa irmã, que já me chamava de pastor, disse:

    – Ih, Terezinha, mulher de pastor não pode ficar cansada não!

    Eu sei que ela estava brincando, e respondi brincando também:

    – Poxa, Tequinha, ainda nem me formei e já estão “pegando no teu pé...”.

    Todos rimos e entramos.

    No dia seguinte aquela irmã foi em nossa casa, para nos pedir perdão.

    Nós ficamos tão surpresos, e respondemos:

    – Querida, a gente sabe que você estava brincando. E brincamos também. Você não pecou. Não há o que perdoar.

    E ela:

    – É pastor, mas eu não fiquei com a consciência tranquila, eu precisava pedir perdão ...

    Não é sem motivo que aquela irmã é uma das pessoas mais santas, uma das vidas mais bonitas que eu conheço; e uma querida amiga.

    A consciência é um dos maiores dons da nossa criação por Deus.

    Uma vez bem instruída pela Bíblia, é um instrumento poderoso de Deus, para a nossa santificação, e para o nosso testemunho.

    Mas se mal orientada, ou cauterizada, se torna um motivo de tropeço e naufrágio na fé.

   Paulo sabia que somente Deus é quem tem a Palavra final, mas insistia que uma boa consciência é indispensável.

    Veja a orientação dele a Timóteo.

1ª Tm 1.18-19 - Este é o dever de que te encarrego, ó filho Timóteo, segundo as profecias de que antecipadamente foste objeto: combate, firmado nelas, o bom combate, 19 mantendo fé e boa consciência, porquanto alguns, tendo rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé.

    2. A glória de uma vida santa e sincera

v. 12 – Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência, de que, com santidade e sinceridade... temos vivido

    2.1. A palavra santidade aqui, em muitos manuscritos antigos foi transmitida como integridade.

    E no contexto faz muito sentido, pois integridade significa “inteireza de mente, de coração, de atitudes e comportamento”; e em seguida Paulo fala sobre sinceridade.

    Santidade sem integridade não é santidade.

    Pois santidade é separação do mundo, a fim de se viver para Deus.

    É consagração total a Deus, dedicação total a ele.

    Implica devoção ao Senhor, afastamento do pecado, do espírito, das atitudes e dos amores mundanos.

    Há dois pensamentos chave, na aliança de Deus conosco, que desejo mencionar agora.

    O primeiro, é que santidade é o modo de vida para o qual Deus nos chamou em Jesus.

2ª Co 1.1 - Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo, à igreja de Deus que está em Corinto e a todos os santos em toda a Acaia.

    Agora eu desejo ler também os vs. iniciais da primeira carta, em que Paulo havia sido um pouco mais detalhado.

1ª Co 1.1-2 – Paulo, chamado pela vontade de Deus para ser apóstolo de Jesus Cristo, e o irmão Sóstenes, 2 à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso:

1ª Co 1.9 - Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.

  Todos somos chamados por Deus. Não é privilégio de alguns dos crentes. Somos chamados à comunhão de Jesus Cristo. E isso é santidade.

   O segundo pensamento chave é que santidade implica em aperfeiçoamento também.

2ª Co 7.1 – Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus.

  O crente é santo, e deve ser cada vez mais santo: tanto no corpo como no espírito. Tanto nos pensamentos como nas palavras. Uma comunhão crescente com o Senhor.

    Nos seus negócios, nas suas amizades, no seu trabalho, nas suas diversões e recreações.

    Sim, diversões; há pessoas que confundem santidade com chatice, legalismo, espírito crítico, falta de alegria, falta de riso. Isso não é santidade; é carnalidade.

    Fé, pureza, alegria, leveza, tranquilidade, bondade, são adornos de uma vida santa.

    E vejam como Paulo fala de santidade sem qualquer afetação:

    A nossa consciência testemunha que temos vivido em santidade de Deus.

    Como veremos nos próximos estudos, se Deus quiser, Paulo não fala isso por vanglória, mas por necessidade, para o bem da igreja em Corinto, e para o nosso bem.

    Nenhum de nós precisa também sair contando “como somos santos”.

    Mas é essencial que, cada um nós, ao voltar a atenção para dento de si mesmo, tenha uma consciência que testemunha santidade em nosso modo de viver.

    2.2. Um aspecto essencial da santidade é a sinceridade

    O sentido aqui é de pureza, sem mistura, e complementa o uso de santidade.

    O famoso escritor Ariano Suassuna contava umas histórias muito engraçadas sobre o hábito que os brasileiros têm de mentir.

    Ele dizia:

   – “Você faz um convite a um brasileiro; se ele disser ‘eu vou’, pode ir ou não, mas se ele disser ‘eu vou fazer tudo para ir’, pode ter certeza que ele não vai”.

   – “E, negócio de escrever carta; ele dizia: – ‘Eu gosto muito de receber carta... eu ainda recebo carta e eu gosto; mas eu não tenho tempo de responder tudo não. Eu sou um sujeito muito ocupado.”.

   – “Aí quando eu me encontro com as pessoas, a pessoa disse: – ‘Não recebeu minha carta não?,”

   – “Aí eu digo: ‘Recebi e respondi’,”.

   – “Ele sabe que é mentira, eu sei que ele sabe que é mentira, ele sabe que eu sei que ele sabe que é mentira, mas ele é brasileiro como eu; então ele entende que o que eu quero dizer é o seguinte: – ‘E não respondi sua carta não. Mas eu gosto muito de você’.

    – Pronto. Aí fica assim.”

    Embora Ariano estivesse satirizando, descreve um comportamento muito recorrente: o de falar uma coisa, quando a verdade é outra.

    Paulo não usava artifícios como esse; e dizia exatamente a verdade.

Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência, de que, com santidade e sinceridade de Deus...

    Sinceridade, aqui, quer dizer pureza, simplicidade, clareza, sem disfarces ou segundas intenções, sem malícia.

    O v. 13 completa o pensamento.

Porque nenhuma outra coisa vos escrevemos, além das que ledes e bem compreendeis; e espero que o compreendereis de todo...

    Quer dizer, “o que escrevemos, é o que estamos dizendo, sem nada nas entrelinhas, sem outras intenções. E falamos com verdade, sem enganação.”.

    É claro, a consciência só pode ser aprovada por Deus se não há reservas mentais, disfarces.

    A glória de uma consciência tranquila.

    A glória de uma vida santa e sincera.

    3. A glória da graça de Deus em nós

    O amado escritor C. S. Lewis, no livro “Cristianismo puro e simples”, ao falar sobre o pecado do orgulho, escreveu, com toda a razão:

“A maldade fundamental, a maldade suprema, é o Orgulho. Lascívia, ira, cobiça, embriaguez e tudo mais são apenas picadas de pulga em comparação”.1

    Então, como Paulo diz que se gloriava de uma consciência tranquila, de uma vida santa e sincera, que se gloriava nas igrejas, e esperava que também as igrejas se gloriassem nele?

v. 12 – Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência, de que, com santidade e sinceridade de Deus, não com sabedoria humana, mas, na graça divina, temos vivido no mundo e mais especialmente para convosco.

   A graça divina, o favor imerecido de Deus, é a sólida base de tudo em nossa vida.

  Qualquer bênção que recebamos, qualquer dom espiritual, qualquer posição que ocupemos em qualquer lugar, qualquer virtude, tudo, tudo, tudo, devemos à graça de Deus.

    Nós não temos fruto algum, se não for pela graça de Deus.

    A graça de Deus não anula as nossas responsabilidades; ao contrário, nos concede que as cumpramos; mas não permite que nos tornemos ufanistas, nem legalistas; e nos concede que trabalhemos com tranquilidade, reconhecendo que somos humanos, e não super-homens, ou super-crentes.

    Sem dúvida, irmãos, Paulo era um homem culto.

    No entanto havia certas limitações nele que os adversários apontavam para desqualificá-lo.

    Por exemplo, ele descreve o que comentavam sobre ele no cap. 10.

2ª Co 10.8-10 – Porque, se eu me gloriar um pouco mais a respeito da nossa autoridade, a qual o Senhor nos conferiu para edificação e não para destruição vossa, não me envergonharei, 9 para que não pareça ser meu intuito intimidar-vos por meio de cartas. 10 As cartas, com efeito, dizem, são graves e fortes; mas a presença pessoal dele é fraca, e a palavra, desprezível.

    Nós percebemos que havia duas coisas, aqui, que os falsos irmãos apontavam para o demérito de Paulo.

    Uma delas, a presença pessoal era fraca.

    Um livro do século II, não canônico, chamado “Os Atos de Paulo e Tecla” contém uma tradição sobre a aparência dele; que foi repetida através dos séculos.

  Descrevem Paulo como um homem de baixa estatura, parcialmente calvo, de pernas arqueadas, sobrancelhas unidas, nariz aquilino, olhos encovados e aparência pouco imponente.

    É claro, não podemos dizer com toda certeza sua aparência era assim, pois isso não está na Escritura e é um documento tardio; mas combina com a descrição de um homem cuja aparência exterior não era atraente, para um orador.

    Outra coisa que diziam a seu respeito, é que a palavra era desprezível.

    Parece que não era um bom orador, pois a resposta que ele dá a essa acusação reflete isso.

2ª Co 11.5, 6 - Porque suponho em nada ter sido inferior a esses tais apóstolos. E, embora seja falto no falar, não o sou no conhecimento; mas, em tudo e por todos os modos, vos temos feito conhecer isto.

    Esse é um problema, inclusive, que já havia sido abordado na 1ª Carta, quando Paulo disse que, ao chegar em Corinto para pregar, decidiu nada saber entre eles, a não ser Jesus, que morreu na cruz por nós; e que esta era toda a sabedoria que ele precisava.

    Então, voltando ao nosso texto básico.

    Paulo escreve: “Temos vivido em santidade e sinceridade, não com sabedoria humana, mas na graça divina...”.

    Naturalmente ele não está fazendo uma defesa da ignorância, da falta de cultura; mas está dizendo que o poder de sua vida santa não estava em outra coisa, a não ser a graça de Deus.

    Um homem pode ser muito bem-preparado, maduro, de boa aparência, eloquente, alto como o rei Saul, mas a graça de Deus não estiver com ele, tudo isso é apenas carnalidade.

    A glória de uma boa consciência.

    A glória de uma vida santa e sincera.

    A glória da graça divina.

    4. A glória dos frutos da graça

v. 14 – como também já em parte nos compreendestes, que somos a vossa glória, como igualmente sois a nossa no Dia de Jesus, nosso Senhor.

    Glória, aqui, é aquele sentimento de reconhecimento, de afinidade espiritual. Aquele sentimento de satisfação no Senhor, de edificação, de amizade.

    Nesse sentido, irmãos, eu me glorio de ser pastor de vocês.

    E me alegro na glória que alguns irmãos dizem ter em mim.

    Mesmo de outras igrejas, pessoas de quem fui afastado pelo tempo, pela distância, mas que até hoje, quando nos falamos, fazem questão de dizer:

    – Até hoje o senhor continua sendo o meu pastor.

    Eu entendo, fico feliz; sei que é sem idolatria, sei que é sem maldade, sem desprezo por outros pastores. É só amor. Pois eu mesmo tinha um pastor que era assim pra mim. Que foi assim até que partiu para o Senhor.

    Paulo também demonstrou isso quando escreveu aos filipenses, e bem explicitamente aos tessalonicenses.

2ª Ts 1.3-4 – Irmãos, cumpre-nos dar sempre graças a Deus no tocante a vós outros, como é justo, pois a vossa fé cresce sobremaneira, e o vosso mútuo amor de uns para com os outros vai aumentando, 4 a tal ponto que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus, à vista da vossa constância e fé, em todas as vossas perseguições e nas tribulações que suportais...

    Eu imagino o apóstolo comentando com outras igrejas.

    – As igrejas de Tessalônica, graças a Deus, como estão crescendo na fé, no amor, como suportam as dificuldades com paciência...

    Pois é motivo de alegria, de imensa satisfação, o ver a igreja progredindo.

    É motivo de alegria os frutos do nosso trabalho no Senhor, da comunhão espiritual.

    Conclusão

    A glória de uma consciência tranquila.

   A glória de uma consciência tranquila, não por estar cauterizada ou quebrada, mas por viver em santidade e sinceridade, na graça de Deus, e perceber os frutos dessa graça.

    Aplicação

    Mantenha uma boa consciência, bem instruída pela Bíblia, a Palavra de Deus.

    Mantenha uma vida santa e sincera.

    Mantenha a glória da comunhão com os irmãos.

    Mantenha a visão, ou antes, o reconhecimento que tudo é pela graça de Deus.

    Dessa forma, você não estará se gloriando, a não ser no Senhor Jesus Cristo.

    Uma vida assim é uma vida de paz no coração.

    É uma vida bonita diante dos homens, que adorna o Evangelho de Jesus.

    É uma vida que produz frutos e agrada a Deus.

_____________________________

1 Citado por Hubbard Moyer V., 2 Coríntios – série expositiva (São Paulo, Vida Nova, 2021, pág. 23).

domingo, 2 de agosto de 2026

Confiança - 2ª Co 1.7-11

 Pr. Plinio Fernandes

Mensagem pregada na 3a Igreja Presbiteriana Conservadora de Guarulhos.

Domingo, 2 de agosto de 2026

2ª Co 1.8-11 - Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida. 9 Contudo, já em nós mesmos, tivemos a sentença de morte, para que não confiemos em nós, e sim no Deus que ressuscita os mortos; 10 o qual nos livrou e livrará de tão grande morte; em quem temos esperado que ainda continuará a livrar-nos, 11 ajudando-nos também vós, com as vossas orações a nosso favor, para que, por muitos, sejam dadas graças a nosso respeito, pelo benefício que nos foi concedido por meio de muitos.

    Intr.

    Vocês sabem que, uma semana depois de eu ter sido ordenado, no sábado seguinte, um dia antes do meu primeiro domingo como pastor, fui vítima de um ato criminoso.

    Só por diversão, alguém que estava numa festa, atirou uma grande pedra contra mim, e me atingiu na cabeça.

    Eu sofri uma comoção cerebral.

    Durante dois anos precisei lidar com vertigens dia e noite, cefaleias terríveis.

    Certa noite o mal-estar era tão grande que pensei estar morrendo.

    Então me assentei na beira da cama e orei.    

     Senhor, eu não tenho medo de morrer. Mas eu quero viver. Tenho esposa e filhas pequenas. E agora estou iniciando meu pastorado. Eu gostaria de te servir por muitos anos.

    E, enquanto orava, senti um bem-estar, uma paz, que certamente, posso interpretar, era o Senhor me dizendo.

     Eu ouvi a tua oração.

    Eu sei que também havia muitas outras pessoas orando por mim.

    E não foi a primeira vez que o Senhor me livrou; pois anos antes eu havia sido atropelado e gravemente ferido.

    E como aconteceu alguns anos atrás que, certo domingo, que começara como outro qualquer, eu sofri um infarto.

    Situações assim, com perigos de morte, são comuns a todos nós.

    Aliás, todos nós, a menos que Jesus volte antes, iremos morrer; e as pessoas que amamos.

    Sabemos disso, mas não gostamos nem de pensar no assunto, pois a morte é contrária à nossa natureza criada por Deus.

    Deus, ao nos criar à sua imagem e semelhança, colocou a eternidade no nosso coração (Ec 3.11).

    Bem, é justamente sua própria atitude diante da morte, a nossa grande inimiga, que Paulo toma como exemplo ao falar das misericórdias e consolações do Senhor em nós, os que cremos em Jesus.

    Os irmãos se recordam que, nos vs. 3-7, Paulo escreveu que o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias, e Deus de toda a consolação, ele é quem nos conforta em toda e qualquer angústia.

    Agora, para ilustrar essa doutrina, ele conta de uma situação dificílima que viveu na Província Romana da Ásia (onde hoje é a Turquia; Éfeso era a capital daquela região).

    Foi tão difícil que Paulo perdeu a esperança de continuar vivo, e disse a si mesmo que iria morrer.

    Mas disse isso com tranquilidade, pois confiava que sua vida estava nas mãos de Deus.

v. 9 Contudo, já em nós mesmos, tivemos a sentença de morte, para que não confiemos em nós, e sim no Deus que ressuscita os mortos...

    Prop.

    Não confiamos em nós mesmos. Confiamos em Deus. Confiamos em Deus mesmo diante do nosso maior inimigo.

    Por que confiamos em Deus?

    Divs.

    1º. Confiamos no Deus que ressuscita os mortos

    Ressurreição, uma doutrina bíblica tão antiga quanto o Livro de Gênesis, significa “a volta do espírito e da vida ao mesmo corpo”, com as suas propriedades humanas.

    Neste sentido, nós temos nas Escrituras vários casos de pessoas com quem isso aconteceu.

    O filho de uma viúva, uma jovem chamada Dorcas, Lázaro, e outros.

    No entanto, ainda que a ressurreição de cada uma dessas pessoas tenha sido um grande milagre, a Bíblia nos mostra que esses casos são apenas uma amostra, um sinal da ressurreição para a vida eterna.

    A ressurreição, no sentido pleno da palavra, significa a volta do espírito ao mesmo corpo, para uma vida eterna, juntamente com Cristo.

    Significa que no dia da vinda de Cristo, com disse o profeta Daniel, os muitos que dormem no pó da terra voltarão à vida.

    Ou o Livro do Apocalipse:

Deu o mar os seus mortos, a morte e o além entregaram os seus mortos.

    Na 1ª Carta aos Coríntios, Paulo já havia explicado essa doutrina bem extensamente, pois havia alguns “mestres” que não acreditavam nela.

    E argumenta que, se não existe ressurreição, Cristo não ressuscitou; e se ele não ressuscitou, é vã a nossa fé, e ainda permanecemos nos nossos pecados.

1ª Co 15.14-19 - E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé; 15 e somos tidos por falsas testemunhas de Deus, porque temos asseverado contra Deus que ele ressuscitou a Cristo, ao qual ele não ressuscitou, se é certo que os mortos não ressuscitam. 16 Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. 17 E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. 18 E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram. 19 Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens.

    Por que seríamos os mais infelizes?

    Porque não teria sentido crer em Jesus.

    Não teria sentido pregar.

    Porque permaneceríamos nos nossos pecados.

    E os que já dormiram em Cristo, tudo já teria acabado para eles.

    E nós, os que ficamos, não teríamos motivo algum para lutar contra os males da vida.

    Se não houvesse ressurreição, e ainda assim fôssemos crentes, estaríamos jogando nossa vida fora, vivendo e morrendo por uma mentira.

1ª Co 15.30-32 - E por que também nós nos expomos a perigos a toda hora? 31 Dia após dia, morro! Eu o protesto, irmãos, pela glória que tenho em vós outros, em Cristo Jesus, nosso Senhor. 32 Se, como homem, lutei em Éfeso com feras, que me aproveita isso? Se os mortos não ressuscitam, comamos e bebamos, que amanhã morreremos.

    Não sabemos exatamente quando foi essa luta de Paulo com feras, na cidade de Éfeso.

    Mas porque ele arriscaria a própria vida se, morrendo não há ressurreição? Estaria se arriscando à toa, apenas perdendo seu tempo.

    Mas não! Paulo, que antes havia sido tão incrédulo, ele mesmo viu o Senhor Jesus ressurreto, glorioso; ouviu sua voz. Ele sabia em quem havia crido.

    E não trocava essa vida de fé por qualquer coisa deste mundo.

    Portanto, quando a Escritura nos ensina a ressurreição dos mortos, estabelece uma das doutrinas essenciais da nossa fé, sem a qual tudo o mais não teria sentido.

    Confiamos no Deus que ressuscita os mortos. O Deus que não nos deixará na morte, mas nos levantará de entre os mortos para a vida eterna.

    Então não temos medo de morrer; nem estamos desperdiçando nosso tempo.

    2º. Confiamos no Deus que governa nossa vida

v.10 – o qual nos livrou e livrará de tão grande morte; em quem temos esperado que ainda continuará a livrar-nos...

    Mais tarde, nessa mesma carta, Paulo acrescenta um sem-número de ocasiões em que se viu cercado de perigos.

2ª Co 11.24-27 – Cinco vezes recebi dos judeus uma quarentena de açoites menos um; 25 fui três vezes fustigado com varas; uma vez, apedrejado; em naufrágio, três vezes; uma noite e um dia passei na voragem do mar; 26 em jornadas, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos entre patrícios, em perigos entre gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; 27 em trabalhos e fadigas, em vigílias, muitas vezes; em fome e sede, em jejuns, muitas vezes; em frio e nudez.

    Não foi apenas uma vez que ele correu o risco de morrer, nem essas foram as últimas.

    Por isso que em Atos dos Apóstolos ele diz que, o Espírito Santo lhe assegurava, sempre haveria prisões e tribulações, de cidade em cidade (At 20.23).

    E aqui no capítulo 1 ele escreve:

     Irmãos, Deus livrou-nos de tão grande morte, e continuará a livrar-nos. Eu tenho esta certeza.

    Para que não entendamos mal, e pensemos que Paulo era um ingênuo simplesmente destemido, pensando que nunca poderia morrer em situações assim, eu quero comparar com o que ele escreveu em sua última carta; 2ª a Timóteo.

2ª Tm 4.6-8 Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado. 7 Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. 8 Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.

2ª Tm 4.18 – O Senhor me livrará também de toda obra maligna e me levará salvo para o seu reino celestial. A ele, glória pelos séculos dos séculos. Amém!

    Veja; aqui em 2ª a Timóteo, mais uma vez, estava preso, por causa da pregação do Evangelho.

    Ele sabia que seus dias aqui estavam terminando.

    Já havia cumprido sua missão; combatido o bom combate. O Senhor o livraria de toda a obra maligna, e logo o receberia no seu reino celestial.

    Não muito tempo depois, sob as ordens de Nero, Paulo foi executado.

    Mas então, porque, na carta aos Coríntios, ele diz que Deus o livraria?

    Pelo menos por duas razões:

    Uma, é que aqui no contexto da carta A Timóteo, Deus não nos livra das tribulações; ele nos livra nas tribulações.

    Mesmo que ele morresse, sabia que estaria a salvo, seguro, livre de toda a obra de Satanás; seria recebido no céu.

    A segunda, no contexto da carta aos Coríntios, é que quando escreveu essa carta, uns dez anos antes de 2ª a Timóteo, Paulo ainda tinha muito o que fazer, e sabia disso.

    Quero reforçar essa ideia.

Fp 1.21-24 – Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro. 22 Entretanto, se o viver na carne traz fruto para o meu trabalho, já não sei o que hei de escolher. 23 Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor. 24 Mas, por vossa causa, é mais necessário permanecer na carne.

    Por isso é que aos Coríntios ele diz: – Deus nos livrou de tão grande morte, e continuará nos livrando.

     Ele é quem governa nossa vida.

     Se for para morrer, isto está sob o governo de Deus. Se for para viver, também.

    O Deus que ressuscita os mortos, ele é Senhor sobre nossa vida toda.

    3º. Confiamos no Deus que é muito próximo a nós

v. 11 – ... ajudando-nos também vós, com as vossas orações a nosso favor, para que, por muitos, sejam dadas graças a nosso respeito, pelo benefício que nos foi concedido por meio de muitos.

    A oração, conforme nos ensinam as Escrituras, não é a recitação de palavras certas, ordens de poder, repetições mágicas.

    Oração é falar com Deus.

    Não apenas falar a Deus, mas falar com Deus, uma comunicação entre nós e a Trindade Santíssima.

    Há um sentido em que Deus está bem perto de todos os seres humanos.

    Pois como diz o livro de Atos, “nele nos movemos e existimos” (At 17.28).

    Há um sentido em que Deus está bem perto de toda a sua criação, mesmo onde não há qualquer ser humano.

    A presença de Deus enche a terra, “o céu, e o céu dos céus” (Ne 9.6).

    Mas Deus está próximo dos crentes em Jesus de um modo muito especial.

    Naquele sentido espiritual, de comunhão com o Pai, de conhecimento do Espírito, que só pode chegar-se a Deus aquele que crê em Jesus.

    Jesus mesmo é quem nos ensina dizendo:

Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim (Jo 14.6)

    Em razão dessa proximidade com Deus, o Pai, por causa da fé em Jesus, é que somos ensinados a orar, daqui da terra: “Pai nosso que estás nos céus...” (Mt 6.9).

    Podemos orar por nós mesmos e uns pelos outros, em nome de Jesus, sem necessitar qualquer outro mediador no céu, pois Jesus é o nosso único e suficiente salvador.

    É à luz disso, que podemos entender a certeza de Paulo.

v. 11 – ... ajudando-nos também vós, com as vossas orações a nosso favor...

    Irmãos, para que tenhamos uma breve noção das maravilhas das misericórdias do nosso Pai, vejam quem está pedindo orações: Paulo, apóstolo escolhido pessoalmente por Jesus Cristo; ministro da nova aliança; homem de Deus; servo dedicado, fiel até a morte, mestre.

    Vejam a quem ele está pedindo orações em seu favor: à igreja de Corinto; que podemos dizer com segurança, imatura, cheia de falhas, à qual Paulo, às vezes ternamente, às vezes com ira, precisou corrigir, repreender, ensinar a boa conduta.

    Mas ainda assim Paulo pede que orem em seu favor, pois sabe que Deus nos aceita quando chegamos a ele pela fé em Jesus.

    Para que oremos e abençoemos uns aos outros, não precisamos ser super-crentes. Basta que sejamos crentes.

    Conclusão

    Não é maravilhosa a misericórdia de Deus?

    O Deus que ressuscita os mortos, o Deus cujas mãos dirigem o nosso destino, é o Deus que ouve as nossas orações.

    É por isso que confiamos nele.

    Aplicações

    1. Não espere em Jesus somente para as coisas desta vida.

    Creia na ressurreição dos mortos.

    Creia na ressurreição de Jesus.

    Creia na tua ressurreição, que Jesus ressuscitará você, crente, para a vida eterna.

    Creia na ressurreição de todos os crentes.

    Essa é a nossa fé; a doutrina que Jesus nos deu.

    Que nos faz entender seu poder, sua sabedoria, seu amor.

    Que nos consola a respeito dos nossos irmãos quando partem dessa vida.

    2. Viva esta certeza

    Não desperdice sua vida dizendo: comamos e morramos, porque amanhã morreremos.

    Saiba que sua vida tem propósito. Você vive para Deus, para Jesus, para o Espírito Santo.

    Não perca o ânimo, diante das tribulações, pois o Senhor está no governo de tudo.

    Você vive para servir ao Senhor seu Deus e rei; e ao seu próximo.

    3. Ore; ore sempre; ore sem cessar.

    Fale a Deus nosso Pai, e ouça a sua voz nas Escrituras; deixe as Escrituras falarem ao teu coração, à tua mente. Elas são a voz do Espírito Santo.

    Deus está perto, muito perto, de todos os que o invocam em verdade.

    Deus os guia na retidão.

    Deus atende às suas orações.

    Oração

    Pai celeste

    A nossa porção é nos aproximar-mos de ti, com piedoso temor, e humilde confiança, pois tua bondade é tão grande quanto a tua glória.

    Somos indignos, mas nos fizestes dignos.

    Éramos culpados, mas nos perdoaste.

    Somos pobres, mas tuas riquezas são infinitas, e tens nos feito teus herdeiros.

    Tu não nos negaste o teu bem mais precioso, teu Filho Jesus.

    Jesus Cristo é o fundamento da nossa confiança e esperança; o fundamento do nosso amor.

    O refúgio em quem estamos seguros.

    A certeza de que tu és o Deus que ressuscita os mortos, que governa nossas vidas, que está próximo a nós.

    Somos felizes, porque somos teus; porque que estamos em Cristo; porque nele temos paz contigo, poque aguardamos a sua vinda.

    Neste momento de adoração, em que vamos comer e beber a ceia do Senhor, esta ceia santificada, concede-nos que, participando conscientemente, sejamos fortalecidos em nossa fé; consolados em nossas tribulações, renovados em nosso amor; assim como somos perdoados dos nossos pecados. E se houver em nós algum caminho mal, guia-nos pelo caminho eterno.

    Amém.

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