Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

domingo, 16 de agosto de 2026

Deus de promessas - 2 Co 1.15-24

Pr. Plinio Fernandes

Mensagem pregada em Domingo, 16 de agosto de 2026, na 3ª Igreja Presbiteriana Conservadora de Guarulhos

Com esta confiança, resolvi ir, primeiro, encontrar-me convosco, para que tivésseis um segundo benefício; 16 e, por vosso intermédio, passar à Macedônia, e da Macedônia voltar a encontrar-me convosco, e ser encaminhado por vós para a Judéia. 17 Ora, determinando isto, terei, porventura, agido com leviandade? Ou, ao deliberar, acaso delibero segundo a carne, de sorte que haja em mim, simultaneamente, o sim e o não? 18 Antes, como Deus é fiel, a nossa palavra para convosco não é sim e não. 19 Porque o Filho de Deus, Cristo Jesus, que foi, por nosso intermédio, anunciado entre vós, isto é, por mim, e Silvano, e Timóteo, não foi sim e não; mas sempre nele houve o sim. 20 Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para glória de Deus, por nosso intermédio. 21 Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo e nos ungiu é Deus, 22 que também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração. 23 Eu, porém, por minha vida, tomo a Deus por testemunha de que, para vos poupar, não tornei ainda a Corinto; 24 não que tenhamos domínio sobre a vossa fé, mas porque somos cooperadores de vossa alegria; porquanto, pela fé, já estais firmados 2:1 Isto deliberei por mim mesmo: não voltar a encontrar-me convosco em tristeza. 2 Porque, se eu vos entristeço, quem me alegrará, senão aquele que está entristecido por mim mesmo? 3 E isto escrevi para que, quando for, não tenha tristeza da parte daqueles que deveriam alegrar-me, confiando em todos vós de que a minha alegria é também a vossa. 4 Porque, no meio de muitos sofrimentos e angústias de coração, vos escrevi, com muitas lágrimas, não para que ficásseis entristecidos, mas para que conhecêsseis o amor que vos consagro em grande medida.

    Intr.

O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios, vem do Senhor (Pv 16.1)

    O texto que lemos é mais um exemplo, na Bíblia, de que, embora possamos ter boas intenções, e fazer planos santos, nem sempre conseguimos realizar o que pretendemos.

    E que muitas vezes, temos que refazer nossos pensamentos, mudar de ideia, não por inconstância, mas por amadurecimento, ou pelo desenrolar das circunstâncias, e por entender mais plenamente o que é melhor.

    Nos versículos que antecedem ao nosso texto de hoje, o apóstolo Paulo falou sobre a confiança que tinha, diante de Deus, de que entre ele e a igreja de Corinto, no seu geral, havia um relacionamento de mútua confiança e edificação no evangelho de Jesus.

    Mas também começou a dar a entender – para nós, pois os coríntios entendiam claramente o que Paulo estava dizendo – que isso, essa confiança mútua, não era da parte de todos.

    Havia naquela igreja alguns que, chegando de fora, e se intitulando apóstolos, na verdade se opunham a Paulo, procurando diminuir a influência dele sobre os coríntios.

    E havia quem estivesse sendo influenciado por eles.

    Como mais tarde Paulo dirá aqui nessa carta, diziam que quando Paulo escrevia, suas palavras eram enérgicas, mas que a presença pessoal dele não impressionava, e que suas palavras eram desprezíveis.

    Aqui no texto de hoje, Paulo alude ao fato de que, tendo primeiramente planejado a falado que iria visitar a igreja de Corinto, depois achou melhor não ir naquele momento.

    Isso deu ocasião a que os adversários dissessem que ele não cumpria o que falava; que não era sincero, ou que era inconstante.

    Então, para dirimir as dúvidas, ele explica o que realmente havia acontecido.

    Ele havia deliberado, de fato, visitar a igreja de Corinto, pois soubera dos problemas que alguns estavam causando.

    Então escreveu-lhes uma carta em que havia alguma repreensão, e a enviou por meio de Tito, dizendo que depois iria pessoalmente.

    Nos vs. 2 a 4 aqui do capítulo 2, Paulo diz que foi uma carta escrita entre lágrimas, com muitas angústias de coração; que o propósito dele não tinha sido entristecê-los, mas que eles percebessem quanto os amava.

    Depois de entregue e lida a carta, Tito voltaria para se encontrar com ele Trôade, traria notícias, e juntos iriam para Corinto.

    Encaminhados pelos coríntios, iriam à Macedônia, e finalmente voltariam a Corinto.

    Mas quando chegou a Trôade, não encontrou Tito.

    E tão preocupado ficou que, mesmo tendo ali uma porta aberta para pregar o evangelho, despediu-se deles e foi para a Macedônia.

    Achou melhor não se encontrar com os coríntios num momento de conflito. Na verdade, ele dirá no capítulo 12, tinha receio de que indo outra vez, fosse humilhado no meio deles, chorando por causa de alguns que não se arrependiam de suas impurezas.

    Só ficou tranquilo quando finalmente Tito chegou trazendo boas notícias de Corinto; que eles haviam ficado muito tristes e arrependidos quando leram a carta, que haviam disciplinado à pessoa que entristecera Paulo.

    Mas vocês sabem que rebeldia é uma coisa contagiosa.

    Na revolta de Corá, Datã e Abirão contra Moisés (Nm 16), mesmo tendo sido castigados por Deus, depois disso a congregação inteira se levantou contra Moisés e contra Arão, dizendo:

    – Vós matastes o povo do Senhor!

    E aqui também; não todos, mas alguns ainda procuravam caluniar Paulo.

    Por isso, além de se defender explicando paciente e amorosamente, Paulo invoca a Santíssima Trindade, explicando:

    No v. 18, que Deus é o seu padrão de conduta.

    No v. 21, que Deus é quem o ungiu; e quem o confirmou, Jesus Cristo.

    No 22, que Deus o selou com o penhor do Espírito.

    E no v. 23, que Deus era sua testemunha em tudo o que fazia.

    O que ele quer enfatizar é que sua Apostolicidade, e consequentemente, o seu evangelho, tinham como base a iniciativa do próprio Deus.

    Prop.

    Há muito que podemos aprender aqui, sobre as motivações e conduta pastoral, sobre a conduta dos crentes em geral, sobre a autoridade do evangelho em nós.

    Eu desejo destacar, para a nossa meditação, a doutrina exposta nos vs. 18-20, nas quais ele nos ensina que Jesus Cristo é o cumprimento da Palavra de Deus; do Deus que é fiel.

18 Antes, como Deus é fiel, a nossa palavra para convosco não é sim e não. 19 Porque o Filho de Deus, Cristo Jesus, que foi, por nosso intermédio, anunciado entre vós, isto é, por mim, e Silvano, e Timóteo, não foi sim e não; mas sempre nele houve o sim. 20 Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para glória de Deus, por nosso intermédio.

    Divs.

    1. Deus de promessas!

    Essa é uma frase muito usada nos dias de hoje, que em alguns lugares se torna quase que um clichê: “Deus de alianças, Deus de promessas”.

    No entanto, e ainda que essas frases não estejam literalmente na Bíblia, e que em muitos lugares tenha se tornado chavões, elas expressam, de fato, a maneira de o Senhor se relacionar com toda a sua criação, e mais especialmente com o povo escolhido.

    Deus fez aliança com Adão, Deus fez aliança com os céus e a terra.

    Depois da queda de Adão, Deus começa a revelar uma aliança da graça que passa por Noé, Abraão e sua descendência, o povo de Israel, Judá, Davi, e finalmente culmina em Jesus e todos os escolhidos de Deus, de toda a tribo, língua e nação.

    Nessa aliança de graça, que é totalmente iniciativa de Deus, ele promete ser o nosso Deus, e que nós somos o seu povo, não somente aqui, mas na eternidade.

    De todas as imagens bíblicas para descrever essa aliança, a mais enfatizada é a de um casamento, onde Jeová é o marido, e Israel é a esposa; ou em termos neotestamentários, Jesus é o esposo, e nós, sua igreja, seu povo, somos a noiva.

    É uma aliança de amor, voluntária, e não por coação ou imposição.

    Ora, qualquer aliança envolve promessas: fidelidade, sustento, proteção, auxílio; coisas que se traduzem no dia a dia de muitas maneiras.

    Os nossos antepassados puritanos classificaram as promessas de Deus para nós de muitas maneiras.

    Eu não tenho como expor tudo o que disseram aqui, mas se você quiser conhecer, eu recomendo um livro excelente, chamado “Teologia Puritana – Doutrina para a vida” (Joel R. Beeke); outro excelente livro, que faz uma abordagem devocional, solidamente alicerçada na Teologia Reformada, e que eu recomendo, é “O Deus de Palavra”, de Roger Ellsworth.

    Há promessas relacionadas à lei, e promessas relacionadas ao evangelho.

    Há promessas condicionais, e promessas incondicionais.

    Há promessas gerais, e promessas pessoais.

    Há promessas para a vida presente, e há promessas para a vida futura.

    Quando Deus não permite que vejamos, nesta vida, o cumprimento em nós, de alguma promessa geral, é que ele tem em vista o cumprimento de promessas maiores.

    Em cada “promessa”, Deus está como que colocando uma ponte entre aquilo de bom, abençoador, que ele tenciona fazer, e o momento em que ele faz o que tenciona.

    Deus deseja fazer, Deus promete que fará, e no tempo determinado, ele o faz.

    Portanto, as promessas fazem a ponte, ao nos dar conhecimento, ainda que não completo, e fé e esperança, a fim de que aguardemos o que Deus irá fazer.

    2. Todas as promessas de Deus aos seus escolhidos, são nossas em Cristo Jesus

vs. 19, 20 – Porque o Filho de Deus, Cristo Jesus, que foi, por nosso intermédio, anunciado entre vós, isto é, por mim, e Silvano, e Timóteo, não foi sim e não; mas sempre nele houve o sim. 20 Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para glória de Deus, por nosso intermédio

    Com isto a Escritura quer dizer, entre outras coisas, que todas as promessas são dadas graças a Cristo como nosso representante. Quando estamos unidos a Cristo pela fé, as promessas são nossas.

    Além disso, quer dizer que todas as promessas se cumprem graças aos méritos de Jesus Cristo, e não aos nossos.

    Ele é quem fez tudo o que nós deveríamos fazer para nos tornarmos merecedores.

    Jesus é a fonte, o meio, e o cumprimento, o herdeiro de todas as promessas, e dele, por ele, e com ele, somos herdeiros de Deus.

    Por exemplo, Deus fez promessas a Abraão e sua descendência.

Gl 3:13-16 – Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro), 14 para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido. 15 Irmãos, falo como homem. Ainda que uma aliança seja meramente humana, uma vez ratificada, ninguém a revoga ou lhe acrescenta alguma coisa. 16 Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é Cristo.

    Aqui Paulo direta e indiretamente menciona duas promessas básicas, que englobam todas as demais que recebemos e temos em Cristo.

    Indiretamente, ele nos lembra da promessa de vida, por meio da lei, ao mencionar a ameaça de maldição para todos os que não cumprem a lei (lei, aqui, a lei do Antigo Testamento).

    A lei dizia que todos os que não a obedecessem eram malditos, condenados. O que era o caso de todos nós, pois todos pecamos.

    Mas então, o que Jesus Cristo fez? Ele nos resgatou da maldição da lei, levando sobre a cruz os nossos pecados, fazendo-se maldição em nosso lugar.

    Vale a pena ler aqui também os vs. 1, 2, para entender a maneira como recebemos essa redenção em Cristo.

Gl 3:1-2 – Ó gálatas insensatos! Quem vos fascinou a vós outros, ante cujos olhos foi Jesus Cristo exposto como crucificado? 2 Quero apenas saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé?

    Paulo aqui repreende os gálatas, pois alguns falsos mestres estavam como que enfeitiçando os gálatas, no sentido de que deveriam, se quisessem ser salvos, cumprir obras da lei, como circuncisão e sábados.

    – Recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé?

    A resposta que a pergunta exige, e que todo o crente conhece, é óbvia.

    Não; não recebemos o Espírito pelas obras da lei. Foi pela fé em Jesus, que morreu por nós.

    Voltado ao v. 14, a Escritura aqui diz que a bênção de Abraão chegou a nós, em Cristo Jesus, a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito Santo, que Deus prometeu à descendência de Abraão.

    E no v. 16, Paulo frisa que a promessa foi feita a Cristo; uma vez que estamos unidos a Cristo, as bênçãos são nossas.

    Assim, aqui temos o cumprimento de duas grandes promessas básicas, da qual derivam todas as outras: o resgate da maldição da lei, e o dom do Espírito Santo em nossos corações.

    Isto nos conduz ao meu terceiro ponto...

    3. Nós compreendemos o nosso viver, à luz das promessas de Deus em Cristo

    Voltemos a 2ª Co 1, para ver como Paulo aplica isto a si mesmo, aos seus cooperadores, e à igreja.

v. 18. – Antes, como Deus é fiel, a nossa palavra para convosco não é sim e não.

    Assim como Deus é, assim nós somos também. Por que tanta ousadia no falar?

vs. 21, 22 – Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo e nos ungiu é Deus, 22 que também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração.

    – Ungidos por Deus – assim como os reis, sacerdotes e profetas foram consagrados ao Senhor, para servi-lo, nós somos também.

    – O mesmo Deus que nos deu esta unção também nos confirmou em Cristo.

    – Colocou em nós o selo do Espírito, e pela sua presença em nosso coração, nos garante que somos dele e unidos a ele.

    Isso não quer dizer que Paulo entendia todas essas coisas como uma autoridade para dominar sobre os irmãos.

    Ao contrário, a ideia de ser uma pessoa dominadora lhe causava aversão. Mas quer dizer, em segundo lugar, que ele entendia o poder e responsabilidade do seu ministério.

    Digo, em segundo lugar, porque em primeiro, a grandeza, o poder, a responsabilidade, e a liberdade de sua vida, no Senhor.

    Há dois pontos aqui.

    3.1. O primeiro, é que essa unção do Espírito em nós não deve ser entendida como uma descrição de alguns poucos privilegiados entre os crentes, mas de todos os crentes.

    Essas promessas são dádivas a todos os crentes, pois todos os crentes estão unidos a Cristo, pela fé.

    Apenas como exemplo, para não me estender demais.

1ª Jo 2.19-20 – Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos. 20 E vós possuís unção que vem do Santo e todos tendes conhecimento.

1ª Jo 2:26-27 – Isto que vos acabo de escrever é acerca dos que vos procuram enganar. 27 Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nele, como também ela vos ensinou.

    Aqui, a unção que vem de Deus e que está sobre todos os verdadeiros crentes tem o sentido de que ela não nos permite ser enganados por falsos mestres, porque temos recebido e o ensino que vem de Deus.

    As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas me seguem...

    3.2. O segundo ponto, é que essas verdades não são como que doutrinas para a mente; antes, são o alimento da fé, a realidade da vida que vivemos, tanto agora, como na eternidade

2ª Co 4.13-14 – Tendo, porém, o mesmo espírito da fé, como está escrito: Eu cri; por isso, é que falei. Também nós cremos; por isso, também falamos, 14 sabendo que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos ressuscitará com Jesus e nos apresentará convosco.

    Com outra forma de se expressar, mas com a mesma doutrina, o apóstolo Pedro também escreveu.

2ª Pe 1.3 – Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude, 4 pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis coparticipantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo...

    A pontuação da NVT, em parágrafos menores, nos ajuda a ouvir mais claramente o que Pedro diz.

Deus, com seu poder divino, nos concede tudo de que necessitamos para uma vida de devoção, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para si por meio de sua glória e excelência. ⁴ E, por causa de sua glória e excelência, ele nos deu grandes e preciosas promessas. São elas que permitem a vocês participar da natureza divina e escapar da corrupção do mundo causada pelos desejos humanos. ⁵ Diante de tudo isso, esforcem-se ao máximo para corresponder a essas promessas. Acrescentem à fé a excelência moral; à excelência moral o conhecimento...

    E Pedro segue dizendo, até o v. 11, o que o poder dessa comunhão com a natureza divina nos capacita a viver: a virtude, o amor fiel, a fraternidade, a bondade, o domínio próprio, a perseverança, coisas que Paulo descreve como o fruto do Espírito em nós.

    Conclusão

    A Bíblia, Palavra de Deus, explica dois diferentes modos de Deus se relacionar conosco.

    Um modo, é através da justiça da lei.

    A lei contém os seus mandamentos – o que ele requer de nós.

    As ameaças – os castigos do Senhor, se não cumprimos os seus mandamentos.

    As promessas do Senhor, de nos fazer o bem e nos livrarmos do mal, se obedecermos.

    Acontece que, através desse modo, todos nós estaríamos perdidos, amaldiçoados e condenados.

    Por isso, Deus nos deu também outro modo, que é o Evangelho.

    O Evangelho diz que Jesus cumpriu a lei em nosso lugar, vivendo em completa obediência ao Pai, e morrendo em nosso lugar. O justo pelos injustos.

    Assim, Jesus é o herdeiro de todas as promessas de Deus aos que lhe obedecem.

    Quando nos unimos a Jesus, pela fé, tudo o que Jesus conquistou passa a ser nosso também.

    Aplicação

    Eu quero fazer algumas aplicações a todos nós.

    Primeiramente, desejo me dirigir a todos, exortando a que sejam unidos a Jesus por meio da fé.

    Todos os que não têm Jesus Cristo como seu Senhor, como seu único e suficiente salvador, estão vivendo sob a maldição da lei, condenados em seus pecados.

    Se esse é o seu caso, arrependa-se dos seus pecados, creia em Jesus, converta-se a ele, pela fé receba a Jesus em sua vida.

    Em Cristo, todos os pecados são perdoados, todas as maldições são quebradas, toda a obra maligna é destruída.

    Em segundo lugar, desejo exortar a todos também a que conheçam as promessas de Deus para todos os que são crentes em Jesus; o povo da sua aliança.

    Leiam a Palavra de Deus; ouçam; meditem.

    Terceiro, orem com base nas promessas do Senhor com fé, tranquilidade, confiança, sigam as orientações do Senhor, e aguardem.

    Um exemplo ternamente belo nós podemos ver na aliança do Senhor com Davi e o seu descendente (2º Samuel 7 e 1º Crônicas 17).

1º Cr 17.25-27 – 25 Pois tu, Deus meu, fizeste ao teu servo a revelação de que lhe edificarias casa. Por isso, o teu servo se animou para fazer-te esta oração. 26 Agora, pois, ó SENHOR, tu mesmo és Deus e prometeste a teu servo este bem. 27 Sê, pois, agora, servido de abençoar a casa de teu servo, a fim de permanecer para sempre diante de ti, pois tu, ó SENHOR, a abençoaste, e abençoada será para sempre.

    As promessas da aliança sempre foram motivo de oração para a igreja do Senhor. Ore de acordo com elas.

    Fale de acordo com elas

    – Eu cri, por isso falei. Nós cremos, por isso também falamos.

    Posso todas as coisas naquele que me fortalece.

    – O meu Deus suprirá cada uma das minhas necessidades...

    – O Senhor é a fortaleza da minha vida.

    – O Senhor é o meu pastor...

    Viva pela fé nessas promessas.

Porque tantas quantas são as promessas de Deus, todas tem em Jesus o sim, para que por ele digamos o amém, para a glória de Deus.

domingo, 9 de agosto de 2026

Santos motivos de orgulho – 2a Co 1.12-14

Pr. Plinio Fernandes

Mensagem pregada em Domingo, 9 de agosto de 2026, na 3a Igreja Presbiteriana Conservadora de Guarulhos

2ª Co 1.12-14 - Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência, de que, com santidade e sinceridade de Deus, não com sabedoria humana, mas, na graça divina, temos vivido no mundo e mais especialmente para convosco. 13 Porque nenhuma outra coisa vos escrevemos, além das que ledes e bem compreendeis; e espero que o compreendereis de todo, 14 como também já em parte nos compreendestes, que somos a vossa glória, como igualmente sois a nossa no Dia de Jesus, nosso Senhor.

    Intr.

    Algum tempo atrás, nós recebemos aqui a visita de um pastor, que veio acompanhado de sua esposa.

    E depois do culto essa esposa disse para a Terezinha – , eu não me lembro as palavras exatas, mas o sentido foi esse:

    – Como é gostoso estar aqui. Essa igreja tem o jeito do Pr. Plínio.

    Irmãos, eu confesso pra vocês que eu fiquei “me achando”.

    Mas não no sentido de me orgulhar carnalmente, me comparando com outras pessoas; achando que “eu sou o cara”.

    Sabem o orgulho de um pai que toma a sua filhinha no colo e sai mostrando pros outros, ou um avô, com o seu netinho?

    É neste sentido que Paulo escreve aqui nesse trecho de sua carta, quando ele comenta sobre certas “glórias” (ou conforme diz a NVI, orgulhos) que tinha.

    Uma delas (v. 12), era o testemunho de sua própria consciência, de que ele vivia em santidade e sinceridade em todo o seu comportamento, diante do mundo e diante dos crentes.

    E a outra glória de Paulo (v. 14), era a igreja de Corinto, no dia de Cristo Jesus.

    Assim como os coríntios tinham também motivos para se gloriarem em ter Paulo como aquele que os evangelizou.

    O que não é difícil de entender também.

    Por exemplo, como quando nós falamos sobre nossos primeiros pastores; no meu caso, o Rev. Isael Lopes, que foi para muitos de nós um pai espiritual.

    Ao pensar, ao falar sobre ele, nós nos gloriamos, isto é, sentimos uma satisfação espiritual.

    Eu gosto de falar que “foi ele quem me batizou”.

    Ou quando falamos sobre nossos pais. Quando falo de minha mãe, gosto de mostrar uma fotografia dela.

    Por isso, depois de, no v. 11, Paulo dizer que, em suas tribulações, contava com as orações daquela igreja, ele começa a abordar um assunto sobre o qual falará em grande parte de sua carta: é que a igreja de Corinto, embora como um todo, estivesse firme na doutrina, estava sendo mal influenciada por alguns que se diziam apóstolos, mas que apresentavam um evangelho deturpado.

    E esses tais apóstolos, para alcançar a proeminência que desejavam, atacavam o caráter e o ministério do apóstolo: diziam que ele não tinha credenciais, que ele não era íntegro, que falava uma coisa e fazia outra, que não havia poder espiritual, ou autoridade em sua vida.

    Então, com o propósito de proteger a igreja de Corinto contra o que, ele entendia, eram ciladas do diabo, Paulo defende sua legitimidade como ministro da Nova Aliança.

    Assim, essa defesa deu ocasião a uma das exposições mais notáveis que temos na Bíblia sobre o Evangelho de Jesus Cristo como o cumprimento da aliança de Deus conosco.

    Agora, quando Paulo diz que se gloria, não parece uma contradição com o que escreve em outros lugares? E não seria um pecado um pai sentir orgulho dos filhos, ou os filhos dos pais?

    Por exemplo, leiamos

2ª Co 10.17-18 - Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no Senhor. 18 Porque não é aprovado quem a si mesmo se louva, e sim aquele a quem o Senhor louva.

    Mas não é difícil entender. Pois Paulo não estava louvando a si mesmo, nem contando vantagem.

    Quando Paulo fala de sua boa consciência, de sua santidade e sinceridade, de seus irmãos em Corinto, ele atribui tudo a uma coisa só: a graça de Deus.

    Em outras palavras; ele se gloria no Senhor.

    Prop.

    Hoje nós vamos destacar essas coisas que Paulo descreve como a sua glória, e que devem ser motivo de santa satisfação nas vidas de todos os crentes.

    Divs.

    1. A glória de uma consciência tranquila

v. 12 - Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência...

   Consciência é esse belíssimo dom do Senhor a nós, que somos feitos à sua imagem e semelhança.

   A capacidade de distinguir o que é certo e o que é errado; a justiça e a injustiça; a pureza e a impureza. É o motor que nos impulsiona a fazer o que é certo.

 Mas a consciência não deve ser confundida com a Palavra de Deus, pois a Bíblia é infalível, e a consciência não.

  Na condição de pecadores que nos tornamos, até a nossa capacidade de discernimento foi afetada.

  Às vezes, a consciência de uma pessoa não acusa de nada, mas deveria, se tivesse bem instruída pela Bíblia.

   Certa vez um homem me disse:

   Quanto a isso, a minha consciência está tranquila...

   Mas não deveria estar; pois com sua atitude covarde, parcial e mentirosa prejudicou muito a igreja.

   A consciência dele estava era cauterizada, sem capacidade de discernir entre o bem e o mal, e achava que estava certo.

   E às vezes é o contrário: a consciência acusa, quando não houve realmente pecado.

 Eu nunca me esqueço de certa ocasião (como eu acho linda aquela irmã!), foi no dia da minha formatura do seminário.

   Nós fomos juntos para a Primeira Igreja em São Paulo; muitos irmãos na mesma Kombi.

  Quando chegamos à igreja, viagem longa e demorada no trânsito lento da cidade, dia quente, descendo do carro, a Tequinha disse que estava cansada.

   E essa irmã, que já me chamava de pastor, disse:

    – Ih, Terezinha, mulher de pastor não pode ficar cansada não!

    Eu sei que ela estava brincando, e respondi brincando também:

    – Poxa, Tequinha, ainda nem me formei e já estão “pegando no teu pé...”.

    Todos rimos e entramos.

    No dia seguinte aquela irmã foi em nossa casa, para nos pedir perdão.

    Nós ficamos tão surpresos, e respondemos:

    – Querida, a gente sabe que você estava brincando. E brincamos também. Você não pecou. Não há o que perdoar.

    E ela:

    – É pastor, mas eu não fiquei com a consciência tranquila, eu precisava pedir perdão ...

    Não é sem motivo que aquela irmã é uma das pessoas mais santas, uma das vidas mais bonitas que eu conheço; e uma querida amiga.

    A consciência é um dos maiores dons da nossa criação por Deus.

    Uma vez bem instruída pela Bíblia, é um instrumento poderoso de Deus, para a nossa santificação, e para o nosso testemunho.

    Mas se mal orientada, ou cauterizada, se torna um motivo de tropeço e naufrágio na fé.

   Paulo sabia que somente Deus é quem tem a Palavra final, mas insistia que uma boa consciência é indispensável.

    Veja a orientação dele a Timóteo.

1ª Tm 1.18-19 - Este é o dever de que te encarrego, ó filho Timóteo, segundo as profecias de que antecipadamente foste objeto: combate, firmado nelas, o bom combate, 19 mantendo fé e boa consciência, porquanto alguns, tendo rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé.

    2. A glória de uma vida santa e sincera

v. 12 – Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência, de que, com santidade e sinceridade... temos vivido

    2.1. A palavra santidade aqui, em muitos manuscritos antigos foi transmitida como integridade.

    E no contexto faz muito sentido, pois integridade significa “inteireza de mente, de coração, de atitudes e comportamento”; e em seguida Paulo fala sobre sinceridade.

    Santidade sem integridade não é santidade.

    Pois santidade é separação do mundo, a fim de se viver para Deus.

    É consagração total a Deus, dedicação total a ele.

    Implica devoção ao Senhor, afastamento do pecado, do espírito, das atitudes e dos amores mundanos.

    Há dois pensamentos chave, na aliança de Deus conosco, que desejo mencionar agora.

    O primeiro, é que santidade é o modo de vida para o qual Deus nos chamou em Jesus.

2ª Co 1.1 - Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo, à igreja de Deus que está em Corinto e a todos os santos em toda a Acaia.

    Agora eu desejo ler também os vs. iniciais da primeira carta, em que Paulo havia sido um pouco mais detalhado.

1ª Co 1.1-2 – Paulo, chamado pela vontade de Deus para ser apóstolo de Jesus Cristo, e o irmão Sóstenes, 2 à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso:

1ª Co 1.9 - Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.

  Todos somos chamados por Deus. Não é privilégio de alguns dos crentes. Somos chamados à comunhão de Jesus Cristo. E isso é santidade.

   O segundo pensamento chave é que santidade implica em aperfeiçoamento também.

2ª Co 7.1 – Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus.

  O crente é santo, e deve ser cada vez mais santo: tanto no corpo como no espírito. Tanto nos pensamentos como nas palavras. Uma comunhão crescente com o Senhor.

    Nos seus negócios, nas suas amizades, no seu trabalho, nas suas diversões e recreações.

    Sim, diversões; há pessoas que confundem santidade com chatice, legalismo, espírito crítico, falta de alegria, falta de riso. Isso não é santidade; é carnalidade.

    Fé, pureza, alegria, leveza, tranquilidade, bondade, são adornos de uma vida santa.

    E vejam como Paulo fala de santidade sem qualquer afetação:

    A nossa consciência testemunha que temos vivido em santidade de Deus.

    Como veremos nos próximos estudos, se Deus quiser, Paulo não fala isso por vanglória, mas por necessidade, para o bem da igreja em Corinto, e para o nosso bem.

    Nenhum de nós precisa também sair contando “como somos santos”.

    Mas é essencial que, cada um nós, ao voltar a atenção para dento de si mesmo, tenha uma consciência que testemunha santidade em nosso modo de viver.

    2.2. Um aspecto essencial da santidade é a sinceridade

    O sentido aqui é de pureza, sem mistura, e complementa o uso de santidade.

    O famoso escritor Ariano Suassuna contava umas histórias muito engraçadas sobre o hábito que os brasileiros têm de mentir.

    Ele dizia:

   – “Você faz um convite a um brasileiro; se ele disser ‘eu vou’, pode ir ou não, mas se ele disser ‘eu vou fazer tudo para ir’, pode ter certeza que ele não vai”.

   – “E, negócio de escrever carta; ele dizia: – ‘Eu gosto muito de receber carta... eu ainda recebo carta e eu gosto; mas eu não tenho tempo de responder tudo não. Eu sou um sujeito muito ocupado.”.

   – “Aí quando eu me encontro com as pessoas, a pessoa disse: – ‘Não recebeu minha carta não?,”

   – “Aí eu digo: ‘Recebi e respondi’,”.

   – “Ele sabe que é mentira, eu sei que ele sabe que é mentira, ele sabe que eu sei que ele sabe que é mentira, mas ele é brasileiro como eu; então ele entende que o que eu quero dizer é o seguinte: – ‘E não respondi sua carta não. Mas eu gosto muito de você’.

    – Pronto. Aí fica assim.”

    Embora Ariano estivesse satirizando, descreve um comportamento muito recorrente: o de falar uma coisa, quando a verdade é outra.

    Paulo não usava artifícios como esse; e dizia exatamente a verdade.

Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência, de que, com santidade e sinceridade de Deus...

    Sinceridade, aqui, quer dizer pureza, simplicidade, clareza, sem disfarces ou segundas intenções, sem malícia.

    O v. 13 completa o pensamento.

Porque nenhuma outra coisa vos escrevemos, além das que ledes e bem compreendeis; e espero que o compreendereis de todo...

    Quer dizer, “o que escrevemos, é o que estamos dizendo, sem nada nas entrelinhas, sem outras intenções. E falamos com verdade, sem enganação.”.

    É claro, a consciência só pode ser aprovada por Deus se não há reservas mentais, disfarces.

    A glória de uma consciência tranquila.

    A glória de uma vida santa e sincera.

    3. A glória da graça de Deus em nós

    O amado escritor C. S. Lewis, no livro “Cristianismo puro e simples”, ao falar sobre o pecado do orgulho, escreveu, com toda a razão:

“A maldade fundamental, a maldade suprema, é o Orgulho. Lascívia, ira, cobiça, embriaguez e tudo mais são apenas picadas de pulga em comparação”.1

    Então, como Paulo diz que se gloriava de uma consciência tranquila, de uma vida santa e sincera, que se gloriava nas igrejas, e esperava que também as igrejas se gloriassem nele?

v. 12 – Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência, de que, com santidade e sinceridade de Deus, não com sabedoria humana, mas, na graça divina, temos vivido no mundo e mais especialmente para convosco.

   A graça divina, o favor imerecido de Deus, é a sólida base de tudo em nossa vida.

  Qualquer bênção que recebamos, qualquer dom espiritual, qualquer posição que ocupemos em qualquer lugar, qualquer virtude, tudo, tudo, tudo, devemos à graça de Deus.

    Nós não temos fruto algum, se não for pela graça de Deus.

    A graça de Deus não anula as nossas responsabilidades; ao contrário, nos concede que as cumpramos; mas não permite que nos tornemos ufanistas, nem legalistas; e nos concede que trabalhemos com tranquilidade, reconhecendo que somos humanos, e não super-homens, ou super-crentes.

    Sem dúvida, irmãos, Paulo era um homem culto.

    No entanto havia certas limitações nele que os adversários apontavam para desqualificá-lo.

    Por exemplo, ele descreve o que comentavam sobre ele no cap. 10.

2ª Co 10.8-10 – Porque, se eu me gloriar um pouco mais a respeito da nossa autoridade, a qual o Senhor nos conferiu para edificação e não para destruição vossa, não me envergonharei, 9 para que não pareça ser meu intuito intimidar-vos por meio de cartas. 10 As cartas, com efeito, dizem, são graves e fortes; mas a presença pessoal dele é fraca, e a palavra, desprezível.

    Nós percebemos que havia duas coisas, aqui, que os falsos irmãos apontavam para o demérito de Paulo.

    Uma delas, a presença pessoal era fraca.

    Um livro do século II, não canônico, chamado “Os Atos de Paulo e Tecla” contém uma tradição sobre a aparência dele; que foi repetida através dos séculos.

  Descrevem Paulo como um homem de baixa estatura, parcialmente calvo, de pernas arqueadas, sobrancelhas unidas, nariz aquilino, olhos encovados e aparência pouco imponente.

    É claro, não podemos dizer com toda certeza sua aparência era assim, pois isso não está na Escritura e é um documento tardio; mas combina com a descrição de um homem cuja aparência exterior não era atraente, para um orador.

    Outra coisa que diziam a seu respeito, é que a palavra era desprezível.

    Parece que não era um bom orador, pois a resposta que ele dá a essa acusação reflete isso.

2ª Co 11.5, 6 - Porque suponho em nada ter sido inferior a esses tais apóstolos. E, embora seja falto no falar, não o sou no conhecimento; mas, em tudo e por todos os modos, vos temos feito conhecer isto.

    Esse é um problema, inclusive, que já havia sido abordado na 1ª Carta, quando Paulo disse que, ao chegar em Corinto para pregar, decidiu nada saber entre eles, a não ser Jesus, que morreu na cruz por nós; e que esta era toda a sabedoria que ele precisava.

    Então, voltando ao nosso texto básico.

    Paulo escreve: “Temos vivido em santidade e sinceridade, não com sabedoria humana, mas na graça divina...”.

    Naturalmente ele não está fazendo uma defesa da ignorância, da falta de cultura; mas está dizendo que o poder de sua vida santa não estava em outra coisa, a não ser a graça de Deus.

    Um homem pode ser muito bem-preparado, maduro, de boa aparência, eloquente, alto como o rei Saul, mas a graça de Deus não estiver com ele, tudo isso é apenas carnalidade.

    A glória de uma boa consciência.

    A glória de uma vida santa e sincera.

    A glória da graça divina.

    4. A glória dos frutos da graça

v. 14 – como também já em parte nos compreendestes, que somos a vossa glória, como igualmente sois a nossa no Dia de Jesus, nosso Senhor.

    Glória, aqui, é aquele sentimento de reconhecimento, de afinidade espiritual. Aquele sentimento de satisfação no Senhor, de edificação, de amizade.

    Nesse sentido, irmãos, eu me glorio de ser pastor de vocês.

    E me alegro na glória que alguns irmãos dizem ter em mim.

    Mesmo de outras igrejas, pessoas de quem fui afastado pelo tempo, pela distância, mas que até hoje, quando nos falamos, fazem questão de dizer:

    – Até hoje o senhor continua sendo o meu pastor.

    Eu entendo, fico feliz; sei que é sem idolatria, sei que é sem maldade, sem desprezo por outros pastores. É só amor. Pois eu mesmo tinha um pastor que era assim pra mim. Que foi assim até que partiu para o Senhor.

    Paulo também demonstrou isso quando escreveu aos filipenses, e bem explicitamente aos tessalonicenses.

2ª Ts 1.3-4 – Irmãos, cumpre-nos dar sempre graças a Deus no tocante a vós outros, como é justo, pois a vossa fé cresce sobremaneira, e o vosso mútuo amor de uns para com os outros vai aumentando, 4 a tal ponto que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus, à vista da vossa constância e fé, em todas as vossas perseguições e nas tribulações que suportais...

    Eu imagino o apóstolo comentando com outras igrejas.

    – As igrejas de Tessalônica, graças a Deus, como estão crescendo na fé, no amor, como suportam as dificuldades com paciência...

    Pois é motivo de alegria, de imensa satisfação, o ver a igreja progredindo.

    É motivo de alegria os frutos do nosso trabalho no Senhor, da comunhão espiritual.

    Conclusão

    A glória de uma consciência tranquila.

   A glória de uma consciência tranquila, não por estar cauterizada ou quebrada, mas por viver em santidade e sinceridade, na graça de Deus, e perceber os frutos dessa graça.

    Aplicação

    Mantenha uma boa consciência, bem instruída pela Bíblia, a Palavra de Deus.

    Mantenha uma vida santa e sincera.

    Mantenha a glória da comunhão com os irmãos.

    Mantenha a visão, ou antes, o reconhecimento que tudo é pela graça de Deus.

    Dessa forma, você não estará se gloriando, a não ser no Senhor Jesus Cristo.

    Uma vida assim é uma vida de paz no coração.

    É uma vida bonita diante dos homens, que adorna o Evangelho de Jesus.

    É uma vida que produz frutos e agrada a Deus.

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1 Citado por Hubbard Moyer V., 2 Coríntios – série expositiva (São Paulo, Vida Nova, 2021, pág. 23).

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