Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Para o nosso conforto, para a nossa alegria

Atos 15

3ª Igreja Presbiteriana Conservadora de Guarulhos

Pr. Plínio Fernandes

 

     Amados irmãos, eu peço que vocês mantenham suas Bíblias abertas em Atos, cap. 15.

     Conforme as promessas do Senhor, dadas desde as primeiras profecias do Antigo Testamento, a mensagem da salvação estava se espalhando, a começar de Jerusalém para todos os lugares do mundo.

     E milhares de gentios, como eram chamados os não judeus, estavam se convertendo a Jesus, reconhecendo-o como seu Senhor e Salvador, e assim tornando-se seus discípulos.

     Uma notícia que para muitos crentes judeus foi motivo de alegria, mas para outros, de grande preocupação.

     Estas pessoas preocupadas eram fariseus que haviam crido. Mas ao mesmo tempo, por causa da imperfeição de sua fé, acreditavam que os convertidos deveriam também observar os mandamentos cerimoniais ordenados na Bíblia, pela lei de Moisés.

     Esta importante questão doutrinária é o assunto aqui do capítulo 15 de Atos.

     Ele começa mostrando que quando Paulo, e Barnabé, e outros apóstolos pregavam, ganhavam vidas para Jesus e depois partiam para outros lugares pregando a Palavra, acontecia de chegarem estas pessoas (Lucas diz “certos indivíduos”); e logo começavam a dizer aos novos crentes:

     – Se vocês não forem circuncidados, e não observarem a lei de Moisés, não poderão ser salvos.

     Era uma doutrina errada e perturbadora, que chegou até mesmo à igreja de Antioquia, uma igreja bem doutrinada, e de forte visão missionária.

     E isto trouxe pelo menos três resultados:

     O primeiro, muita perturbação espiritual para os novos crentes. Pois eles haviam aprendido que por meio da fé em Jesus nós somos salvos; mas agora, estavam ouvindo que para serem salvos precisavam também realizar um número enorme de ordenanças da lei, que como diz o apóstolo Pedro, no v. 10, ninguém, nem judeus nem gentios, conseguia cumprir.

     O segundo resultado, foi que provocou uma discussão enorme entre Paulo e Barnabé, fiéis pregadores, quando eles voltaram a Antioquia, e estes falsos mestres do Evangelho, que, embora sejam chamados de crentes, estavam ainda muito mal informados.

     A igreja dali, além de estar perturbada pela falsa doutrina, também estava perturbada pelas discussões, ainda que fossem discussões necessárias.

     Mas o terceiro resultado, narrado a partir do v. 6, foi muito bom: é que esta contenda doutrinária provocou uma consulta em Jerusalém, aos apóstolos e presbíteros da igreja. Então enviados até lá, viajaram Paulo, Barnabé, e outros irmãos.

     Ali reunidos com a igreja e seus líderes, Paulo e Barnabé contaram que em muitas cidades pelas quais passavam, os gentios estavam sendo convertidos.

     A alegria que era, mesmo em meio a muitas perseguições.

     E a controvérsia se acendeu em Jerusalém.

     Mas os vs. 7 a 11 nos contam como Pedro, que era um dos “colunas” da igreja, colocou a casa em ordem, dando o seu parecer.

     Ele se levantou e falou de forma clara e incisiva.

     Vamos ler estes vs.

Havendo grande debate, Pedro tomou a palavra e lhes disse: Irmãos, vós sabeis que, desde há muito, Deus me escolheu dentre vós para que, por meu intermédio, ouvissem os gentios a palavra do evangelho e cressem. 8 Ora, Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, concedendo o Espírito Santo a eles, como também a nós nos concedera. 9 E não estabeleceu distinção alguma entre nós e eles, purificando-lhes pela fé o coração. 10 Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais puderam suportar, nem nós? 11 Mas cremos que fomos salvos pela graça do Senhor Jesus, como também aqueles o foram.:

     Pedro falou como ele mesmo, ao pregar o Evangelho, tinha visto o Senhor Deus conceder o Espírito Santo também aos gentios, assim como também fizera antes com os judeus.

     Pois irmãos, Deus, que conhece os corações das pessoas, não faz distinção entre elas com base na sua etnia, cultura, idioma, cor da pele, posição social.

     Depois, no v. 11, Pedro resume sua doutrina mostrando o modo estabelecido por Deus para a nossa salvação.

     Mas cremos que (nós, os judeus) fomos salvos pela graça do Senhor Jesus, como também aqueles (os gentios) o foram.

     Em seguida (vs. 12-21) Tiago, irmão do Senhor Jesus, e que era outro “coluna” da igreja, também se levantou, e citando o profeta Amós (cap. 9:11, 12), explicou como Deus havia prometido que a salvação alcançaria todos os povos do mundo.

     Assim, com base naquilo que estavam vendo Deus fazer, à luz do Antigo Testamento, os líderes da igreja chegaram a uma conclusão, e orientaram os crentes.

     – Os gentios não precisam guardar os rituais da lei de Moisés, pois somos salvos pela graça de Jesus.

     – Mas como em todos os lugares do mundo sempre existem sinagogas, onde as pessoas leem os escritos de Moisés todos os sábados, vamos pedir que se abstenham de carnes oferecidas aos ídolos, da carne de animais sufocados e das relações sexuais ilícitas.

     Hoje nós entendemos que estas questões de alimentação eram apenas transitórias, para evitar que alguém se escandalizasse, pois mais tarde o ensino apostólico foi no sentido de que não existe alimento algum que possa fazer mal à nossa vida espiritual.[1]

     Mas as questões de idolatria e relações sexuais ilícitas, claro que não eram transitórias, pois os apóstolos, até o final da Bíblia, continuaram a orientar no sentido de que devemos evitá-las.

     Os vs. 22-29 nos contam que então, guiados pelo Espírito Santo, os líderes escreveram uma carta às igrejas gentias, falando de sua decisão, e enviaram Paulo, Barnabé, e Judas e Silas, que eram da igreja em Jerusalém, e profetas, com a carta.

     Vamos ler o resultado disto nos vs. 30-32

Os que foram enviados desceram logo para Antioquia e, tendo reunido a comunidade, entregaram a epístola. 31 Quando a leram, sobremaneira se alegraram pelo conforto recebido. 32 Judas e Silas, que eram também profetas, consolaram os irmãos com muitos conselhos e os fortaleceram.

     Homens de Deus estes apóstolos e profetas, que promoveram a paz que vem do Evangelho.

     Os crentes de Antioquia, que antes estavam confusos e perturbados, agora ficaram imensamente alegres e confortados pela doutrina, pelos ensinos que já haviam sido dados por Paulo e Barnabé, e agora confirmados pela igreja de Jerusalém.

     Depois desta reunião Paulo e Barnabé então começaram a sua segunda viagem missionária; mas infelizmente eles se desentenderam a respeito de João Marcos, que mais tarde ele escreveria o Evangelho de Marcos.

     Pois na primeira viagem Marcos só foi até certo ponto e depois desistiu.

     Barnabé queria levar Marcos, e Paulo não queria deixar.

     O desentendimento foi tão grande que acabaram se separando por causa disto, e cada um, acompanhado de novos cooperadores, foi para um lado pregando o Evangelho, e mais uma vez, muitos gentios crendo, e novas igrejas surgindo, pois Deus era com eles.

     Irmãos, vejam o contraste entre o início, e o final desta história: no começo, falsas doutrinas tirando a paz da igreja. No final, a boa doutrina do Evangelho trazendo alegria e consolo.

     Pois a própria palavra Evangelho significa “boas notícias", de paz, a paz que Deus concede a todos os crentes em Jesus.

     Para a nossa alegria, e para a nossa consolação, eu quero destacar desta história tão bonita, três verdades do Evangelho, que são afirmadas pelo apóstolo Pedro, aqui nos vs. 8-11.

     Quero começar com o v. 11

Cremos que somos salvos pela graça do Senhor Jesus

     1. Pela graça do Senhor Jesus, nós somos salvos

     Pedro está aqui fazendo um agudo contraste entre a doutrina errada e a boa doutrina do Evangelho.

     A doutrina errada foi mencionada no v. 1

     Alguns indivíduos que desceram da Judéia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos.

     Isto é, para que vocês sejam perdoados de seus pecados, para que vocês tenham comunhão com Deus e possam chegar ao céu, vocês precisam praticar certas coisas, guardar certas ordenanças.

     Mais especificamente, o costume ensinado por Moisés.

     No v. 10 Pedro diz que este tipo de religião que diz, faça isto, não faça aquilo, é impossível de ser praticada.

     E acrescenta que forçar as pessoas a isto é pecar contra Deus.

     Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais puderam suportar, nem nós?

     Este tipo de religião, ele argumenta, é um jugo, uma canga colocada sobre o pescoço das pessoas, que ninguém consegue praticar, é uma coisa insuportável.

     Sabem, irmãos, esta atitude legalista dos fariseus (pois o texto, no v. 5 diz que os favoráveis a ela eram principalmente fariseus que haviam crido no Evangelho), de uma forma ou outra sobrevive através dos séculos, provocando muitas perturbações, em muitos corações.

     – Para ser salvo, você precisa fazer isto; para ser salvo, você não pode fazer aquilo.

     – Tem que guardar certos dias, meses e anos.

Não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, 22 segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem. 23 Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade. [2]

     Religião de obras ridículas. Religião baseada em desempenho humano, regulamentos humanos, carnais, conforme o temperamento de homem.

     Mas, o que diz o Evangelho?

     – Cremos que somos salvos pela graça do Senhor Jesus.

Ef 2:8-9 – Pela graça sois salvos, mediante a fé, e isto não vem de vocês; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.

Rm 11:6 – E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça.

     Cremos que somos escolhidos, predestinados, perdoados, justificados, chamados, libertados do pecado e do diabo, salvos, cremos que vamos para o céu, não pelas nossas obras, mas pela graça do Senhor Jesus.

     Cremos que Deus, o Pai, Deus, o Filho, e Deus o Espírito Santo, nos ama, que ele é por nós, que ele trabalha por nós, que ele age em nosso favor.

     Pense em Jesus, quando esteve entre nós:

      Ele é terno e gentil, manso e humilde, meigo e bondoso, para com todos os tipos de pecadores quebrantados de coração.

     Ele cura os enfermos, consola os aflitos, liberta os oprimidos pelo diabo.

     É firme contra os homens de coração endurecido.

     E promete vida eterna a todo aquele que nele crer.

Jo 5:24 – Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.

     Ele se fez carne e habitou entre nós cheio de graça e de verdade, manifestando a glória de Deus (Jo 1:14).

     E por fim se revelou claramente dizendo:

–  Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim. Eu estou no Pai, e o Pai está em mim... Quem me vê a mim, vê o Pai (Jo 14:6, 10, 9).

     E se Deus é por nós, quem será contra nós? Quem nos condenará? Quem, ou o que, irá nos separar do amor de Deus? Nada, nem nos céus nem na terra.[3]

     Pense aqui na própria história de Atos 15.

     Nossos irmãos do passado estavam longe de serem perfeitos. Vemos Paulo e Barnabé, queridos pregadores da Palavra se desentendendo e se separando.

     Isto certamente não foi um bom exemplo na hora. Somente muitos anos mais tarde Paulo mudou de opinião a respeito de Marcos.

     Mas nem por isto deixaram de ser homens de Deus, amados por Deus, e usados na obra de Deus.

     Quanto mais o perder o dom da vida eterna!!!? Jamais!!!

     Assim, irmão, quando oprimido pela consciência dos seus pecados, quando Satanás acusar você por causa das suas falhas; quando sofrendo diante das suas fraquezas, ou quando os modernos fariseus quiserem te assediar, lembre-se desta verdade, e diga para si mesmo a verdade revelada na Palavra de Deus:

      "Creio que sou salvo pela graça do Senhor Jesus."

     Seja isto alegria e conforto para o teu coração.

     A segunda verdade do Evangelho que eu desejo destacar está no v. 9...

     E não estabeleceu distinção alguma entre nós e eles, purificando-lhes pela fé o coração.

     2. Pela fé, os nossos corações são purificados

     No v. 8, para explicar que o Senhor não está preocupado se alguém é circuncidado ou não, Pedro lembrou a igreja que Deus conhece os corações.

     O que Deus deseja de nós é que nossos corações sejam limpos de pecado.

     Que não haja em nós mentiras, pois o Senhor ama a verdade no íntimo.

      Que não haja ódios, inimizades, malícias, adultérios, sensualidades, maus desejos ou maus propósitos, ou planos malignos, ou invejas ou coisas semelhantes.

     Precisamos pureza de coração porque os limpos de coração verão a Deus.

     Porque corações limpos são capazes de amar com pureza, sendo semelhantes ao Pai celestial.

     Ter o coração purificado é também o desejo de todo aquele que ama a Deus.

     E aqui, mais uma vez, quão maravilhosa é a graça de Deus!

     Para que nós o vejamos, ele mesmo purifica nossos corações.

     De tal modo que, limpos por dentro, podemos desembaraçadamente nos aproximar do Senhor.

     Eu gostaria de relacionar o que Pedro diz aqui com o está escrito em Hb 9:14

Muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!

     Mais uma vez nós aprendemos sobre a graça de Jesus revelada no Evangelho.

     O sangue de Jesus, que ele derramou na cruz, no poder do Espírito Santo, nos purifica de todas as nossas obras mortas, quer dizer, dos nossos pecados.

     E com nossas consciências purificadas, sem nada a nos impedir, podemos servir ao nosso Deus e Pai.

     E agora, Hb 10:19-22:

Tendo, pois, irmãos, intrepidez (coragem) para entrar no Santo dos Santos, (isto é, na presença de Deus) pelo sangue de Jesus, 20 pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne (o seu corpo na cruz), 21 e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, 22 aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura (em João 15 Jesus nos diz que tem nos lavado pela sua Palavra).

     Estes dois textos aqui em Hebreus descrevem as mesmas verdades que são expostas pelo apóstolo Pedro no cap. 15 de Atos.

    A primeira, que Deus graciosamente purifica nossos corações.

    A segunda, é que conhecemos experimentalmente esta purificação através da fé.

    Aproximemo-nos com plena certeza de fé, que o sangue de Jesus nos purifica de todo o pecado.

    Irmãos, isto é libertador.

    Isto nos liberta de querer nos aproximar de Deus pelos nossos próprios esforços, obras ou capacidades.

    Concede-nos liberdade do medo, e de toda forma de opressão que Satanás queira lançar sobre nós.

    Se você tem consciência de pecados, coisas que afastam da presença do seu Pai que te ama, e a quem você ama, não deixe que o pecado afaste você de Jesus, confie que o sangue de Jesus te purifica e te afasta do pecado.

    Tudo o que Deus quer é que você tenha fé no sangue de Jesus.

    Seja isto alegria e conforto para o teu coração.

    Agora, eu quero considerar a terceira afirmação do Evangelho que nos trás alegria...

    3. Pelo Espírito Santo, somos capacitados.

 v. 8 – Ora, Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, concedendo o Espírito Santo a eles, como também a nós nos concedera.

    Pedro está recordando a história narrada em aqui em Atos cap. 10, quando, orientado por Deus, pela primeira vez ele entrou na residência de um estrangeiro, um piedoso centurião romano chamado Cornélio, que precisava conhecer a Jesus.

    Ainda meio constrangido, Pedro entrou naquela casa, e enquanto pregava o Espírito Santo veio sobre toda a família de Cornélio, da mesma maneira como aconteceu em Jerusalém no dia de Pentecostes.

    E estava se cumprindo mais uma vez a promessa do Senhor, dada através do profeta Joel, e que Pedro citou no dia de Pentecostes:

At 2:16-18, 21//Joel 2:28-32 – Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel: 17 E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos; 18 até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão... 21 E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. [4]

    Então todas as dúvidas de Pedro foram dissipadas. Ele sabia por sua própria experiência à luz da Palavra de Deus, que povo escolhido não era somente os judeus, mas que o Senhor concede o seu Espírito pessoas de todas as nações.

    Irmão, você é salvo pela graça do Senhor Jesus.

    Você tem o seu coração purificado mediante a fé no sangue de Jesus.

    E da mesma forma você tem este dom maravilhoso: o Espírito Santo, enviado por Jesus para morar em você.

    Veja o que está escrito em 1ª Co 6:19:

    Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?

    Naturalmente este fato tem implicações incontáveis:

    Paulo aqui diz que isto significa que nosso corpo inteiro; mãos e pés, coração e cérebro, boca e olhos, tudo o que somos, pertence ao Senhor, e deve ser instrumento do Senhor.

   Implica santificação, separação, de nós mesmos, de todas as coisas que desagradam a Deus.
    

    Por isto que em Atos 15, Tiago, o irmão de Jesus, ao propor o que deveria ser estabelecido e escrito aos gentios, fala de algumas coisas essenciais que dizem respeito a como devemos fazer, e que tem relação ao nosso corpo.

    Voltemos à carta enviada aos gentios, conforme Atos 15:28 e 29.

Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo além destas coisas essenciais: 29 que vos abstenhais das coisas sacrificadas a ídolos, bem como do sangue, da carne de animais sufocados e das relações sexuais ilícitas; destas coisas fareis bem se vos guardardes. Saúde.

    Note a convicção da igreja. Eles entendiam que, quando debateram e decidiram à luz da Escritura, estavam sendo guiados pelo Espírito Santo, que havia inspirado as Escrituras, e que estava neles. Portanto a decisão que tomaram não era apenas deles, mas do Espírito Santo antes deles.

    Então pareceu bem ao Espírito Santo e a eles, não impor mais encargos aos seus irmãos gentios, mas que apenas se abstivessem de carnes oferecidas aos ídolos (pois naquele contexto isto implicaria idolatria), da carne de animais sufocados, cujo sangue não havia sido derramado, e de relações sexuais ilícitas (pois o nosso corpo pertence ao Espírito Santo, e não foi criado, e depois salvo, para nos entregarmos aos pecados sexuais, como homossexualismo, adultério, prostituição, fornicação e coisas semelhantes).

    Mas irmão, além das implicações comportamentais, existe algo ainda melhor: é que o Espírito Santo não somente ordena santidade: ele próprio, que está em nós, é a fonte de poder para toda a santidade.

    Ele nos capacita para ser santos.

    Não significa que nos tornamos perfeitamente impecáveis; nós vemos aqui no texto que nossos antigos irmãos não eram impecáveis.

    Mas também tinham um modo de vida diferente do mundo, mais elevado, mais ao nível do Pai celestial.

    Eles contavam com a presença do Espírito Santo, com seu poder e direção, sabiam que ele os guiava, aconselhava, falava através das Escrituras, iluminando suas mentes e corações.

    Então, quando receberam a notícia de que o Espírito Santo queria que eles apenas fossem santos, isto foi um deleite, uma alegria, um conforto para os corações deles. Não era uma canga pesada sobre o pescoço, mas um fardo leve e suave.

Conclusão e aplicação

    Estas são notícias alegres para todos os crentes.

    Elas dizem respeito aos nossos desejos e necessidades mais profundos.

    1. O desejo e necessidade de salvação da alma, de vida eterna com Deus, no céu.

    Neste tempo, neste mundo governado pelo pecado, que tristemente está longe da vontade e da santidade do Senhor, e por isto mesmo condenando-se à eternidade longe da presença abençoadora de Deus, no inferno, cremos que somos salvos pela graça do Senhor Jesus.

    Seja isto alegria e conforto para o seu coração.

    2. O desejo e necessidade de corações puros e santos.

    Temos os corações purificados pela fé no sangue de Jesus, que nos purifica a consciência, dos nossos pecados, a fim de que possamos servir ao Deus vivo.

    Seja isto alegria e conforto para o seu coração. Seja isto incentivo para uma vida de fé e pureza.

    3. O desejo e a necessidade de poder Espiritual para viver em santidade.

    Deus, que conhece os nossos corações, nos deu seu Espírito Santo.

    Ele habita em nós e nos dá poder para resistir e vencer o pecado e as tentações.

    Ele nos dá poder para testemunhar com nossa vida, com as coisas que fazemos e com as coisas que falamos, para que outros corações necessitados possam receber as boas notícias da vida eterna.

    Que isto te alegre, que isto te console, e que isto te encoraje a viver para Jesus.

    Oração

    Pai celestial, nós te agradecemos porque podemos nos aproximar de ti, em nome de Jesus.

    Nós te agradecemos pela tua Palavra que nos é dirigida na Bíblia.

    Bíblia que nos revela quem tu és, em teu poder e santidade, em tua justiça e graça.

    Bíblia que revela o teu conhecimento de quem somos, dos nossos pecados, dos nossos anseios, das nossas necessidades e preocupações, e do teu amor por nós, vindo ao nosso encontro.

    Salvando nossas almas pela graça manifestada no Senhor Jesus.

    Purificando-nos pelo sangue de Jesus.

    Concedendo-nos o Espírito de Jesus Cristo.

    Bendito seja o teu santo nome.

    Senhor, que não nos esqueçamos do que o Senhor nos fala, a fim de que em nosso dia a dia, pensemos, sintamos, façamos, vivamos, tudo de acordo com a tua Palavra.

    Com alegria e satisfação, para a glória do Senhor. Em nome de Jesus. Amém.


[1] Veja Mc 7:19; 1ª Tm 4:3, 4; Hb 13:9

[2] Cl 2:21-23

[3] Rm 8:31 e segs.

[4] Não posso agora comentar todo o texto, dos vs. 16-21, por isto omiti os vs. 19 e 20, a fim de prosseguir com minha linha de pensamento.

domingo, 12 de julho de 2020

Quando a tristeza é grande demais - 2ª Co 2:1-11

3ª IPC de Guarulhos

Domingo, 12 de julho de 2020

Pr. Plínio Fernandes

Hoje, meus irmãos, eu quero meditar com vocês a respeito da vitória sobre a tristeza. Mas antes de prosseguir, quero fazer duas observações:

A primeira, é que não tenho como, aqui, fazer um extenso estudo sobre este assunto. Ele seria muito vasto. Mas depois do nosso estudo, eu quero sugerir alguns livros, que podem lhe ser muito úteis.[1]

A segunda observação é que eu particularmente tenho sido muito ajudado com a leitura de um deles, um livro chamado Superando a tristeza e a depressão com a fé, escrito por um pastor puritano chamado Richard Baxter. Eu devo muito a ele, para a minha vida particular, e quase tudo a ele nesta mensagem. Recomendo a sua leitura.

Vamos ao nosso texto, que se encontra em 2ª Co 2:1-11.

Isto deliberei por mim mesmo: não voltar a encontrar-me convosco em tristeza.  2 Porque, se eu vos entristeço, quem me alegrará, senão aquele que está entristecido por mim mesmo?  3 E isto escrevi para que, quando for, não tenha tristeza da parte daqueles que deveriam alegrar-me, confiando em todos vós de que a minha alegria é também a vossa.  4 Porque, no meio de muitos sofrimentos e angústias de coração, vos escrevi, com muitas lágrimas, não para que ficásseis entristecidos, mas para que conhecêsseis o amor que vos consagro em grande medida.  5 Ora, se alguém causou tristeza, não o fez apenas a mim, mas, para que eu não seja demasiadamente áspero, digo que em parte a todos vós;  6 basta-lhe a punição pela maioria.  7 De modo que deveis, pelo contrário, perdoar-lhe e confortá-lo, para que não seja o mesmo consumido por excessiva tristeza.  8 Pelo que vos rogo que confirmeis para com ele o vosso amor.  9 E foi por isso também que vos escrevi, para ter prova de que, em tudo, sois obedientes.  10 A quem perdoais alguma coisa, também eu perdoo; porque, de fato, o que tenho perdoado (se alguma coisa tenho perdoado), por causa de vós o fiz na presença de Cristo; 11 para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios.

Quando eu era menino, de vez em quando ouvia uma música no rádio que dizia:

Tá todo mundo triste,

Cantando músicas tristes

E cada dia fica mais fácil cantar assim. [2]

Esta música fez considerável sucesso, pois falava de um tema recorrente na vida de todos os seres humanos, inclusive na experiência daqueles que conhecem a Jesus.

A tristeza é mais uma destas emoções inevitáveis neste mundo decaído.

Ela pode ser fruto, muitas vezes, das situações adversas, que acontecem na vida de todos os seres humanos.

– Algum contratempo financeiro, o sentir-se impotente diante dos problemas...

– Os desejos não realizados, as ansiedades...

– A perda de uma amizade, alguma calúnia, alguma traição de alguém em quem se confiava...

– Alguma enfermidade física, ou psicológica, ou uma mistura das duas, ou de todas as coisas...

Muitas vezes, tem-se dito que a carta de Paulo aos Filipenses pode ser chamada de “A Epístola da Alegria.”.

E com razão, pois nela, através de muitas alusões a esta abençoada atitude, o Apóstolo procura ali, incutir uma santa alegria nos corações de seus leitores.

E seguindo uma espécie de paralelismo, eu gostaria de sugerir que a 2ª Carta aos Coríntios poderia ser chamada de “A Epístola da Vitória sobre a Tristeza.”.

Isto porque nela, diversas vezes o assunto tristeza é mencionado pelo apóstolo.

Mas não uma tristeza que vence. E sim, uma tristeza sobre a qual o crente em Jesus tem vitória.

Paulo não está falando aqui primeiramente sobre qualquer motivo de tristeza, mas especialmente pelas tristezas que nos sobrevêm pelo fato de sermos amados filhos de Deus, e que estamos vivendo num mundo em que as misérias do pecado e suas consequências ainda existem.

Mas as coisas que eu desejo destacar podem ser aplicadas num sentido mais amplo também.

É por isto, meus irmãos, que eu gostaria de meditar hoje com vocês, sobre este texto que acabamos de ler.

Depois de, nos vs. 1-5 das suas próprias tristezas, no seu relacionamento com os crentes de Corinto, tristezas que provinham de seu amor para com aquela igreja muitas vezes rebelde, mas ao mesmo tempo em que se deixava corrigir, nos vs. 7-11 Paulo orienta aqueles crentes em Jesus sobre como deveriam proceder para com um irmão que havia pecado grosseiramente a ponto de ser disciplinado pela igreja, mas que agora estava humildemente quebrantado.

Não sabemos se este irmão é o mesmo mencionado em 1ª aos Coríntios 5, e que havia cometido o pecado de imoralidade sexual. Quem exatamente ele era é de somenos importância, do contrário o Espírito Santo teria levado o apóstolo a ser mais específico.

O fato é que este irmão agora deveria ser restaurado.

Então, nos vs. 7 e 8 Paulo orienta:

De modo que deveis, pelo contrário, perdoar-lhe e confortá-lo, para que não seja o mesmo consumido por excessiva tristeza.  8 Pelo que vos rogo que confirmeis para com ele o vosso amor.

Leiamos também os vs. 10 e 11:

A quem perdoais alguma coisa, também eu perdoo; porque, de fato, o que tenho perdoado (se alguma coisa tenho perdoado), por causa de vós o fiz na presença de Cristo; 11 para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios.

Note a orientação: aquele irmão agora precisava ser perdoado e receber os afetos dos seus irmãos em Cristo. Se isto não acontecesse, ele poderia ser consumido pela tristeza.

Seguindo, não muito fielmente, o esboço de Richard Baxter, vamos destacar três inferências da orientação de Paulo:

1.      A tristeza, mesmo por razões espirituais, pode ser excessiva.

Eu digo razões espirituais, pois como nos ensina a Bíblia, em se tratando de coisas espirituais, existem basicamente dois tipos de tristeza que podem entrar em nossos corações.

Vamos ler 2ª Co 7:10

Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte.

Veja: há aquele que Paulo chama tristeza segundo Deus, e aquele que ele chama tristeza segundo o mundo.

A tristeza segundo o mundo, podemos dizer, é aquele que pode vir sobre nós por razões carnais, por não podemos satisfazer os nossos maus desejos, as nossas ambições pecaminosas.

Este tipo de tristeza é nocivo para nossas almas desde o começo, e precisamos lidar com ela o mais cedo possível, assim que a tivermos percebido.

As existe uma espécie de tristeza, ou tristezas, que são segundo Deus, espiritualmente saudáveis.

Como, por exemplo, as tristezas de Paulo ao escrever para os coríntios, em momentos em que eles estavam desobedecendo a Palavra de Deus, ou aquela tristeza descrita em Romanos cap. 7, em decorrência de seus sentimentos em relação ao pecado que nele habitava.

E existe, como mencionada aqui, a tristeza que nos sobrevêm como resultado do agir do Espírito de Deus em nossos corações, convencendo-nos dos nossos pecados, provocando arrependimento, conversão e vida.

Ou disciplinando-nos por sua Palavra, ou pela igreja ou irmãos chegados, ou pelas circunstâncias da vida.

Foi o caso do Rei Davi, conforme ele escreveu nos Salmos 32, 38, e em outros lugares.

Foi o caso de Pedro, que depois de haver negado ao Senhor, caindo em si, arrependeu-se sob o olhar de Jesus, e chorou amargamente. [3]

Foi o caso do irmão a respeito de quem Paulo está escrevendo aqui em 2ª Co 2.

São tristezas espirituais, provocadas pelo Espírito de Deus: ora pelos pecados e aflições da igreja, ora pelos nossos próprios pecados.

Mas note: falando pelo Espírito, Paulo diz que agora este irmão deveria ser perdoado, para que não fosse consumido pela tristeza excessiva.

Isto nos leva à segunda consideração...

2.  Mesmo por razões espirituais, a tristeza excessiva não é saudável: ela se torna destrutiva

Vamos ler novamente o v. 7?

De modo que deveis, pelo contrário, perdoar-lhe e confortá-lo, para que não seja o mesmo consumido por excessiva tristeza.

Se este irmão não fosse agora perdoado e confortado, a tristeza excessiva o consumiria.

A palavra “consumir” tem o sentido de “engolir, tragar, destruir”.

Imagine alguém sendo engolido e levado por uma onda gigantesca, ou por um grande peixe.

Quando a tristeza é grande demais, prolongada, descomunal, ela se torna terrivelmente destrutiva, paralisante.

Nesta sexta-feira eu soube de um homem que foi caluniado, e a tristeza foi tão grande que ele jogou-se nos trilhos de um trem, buscando a própria morte.

Mas mesmo que uma pessoa não chegue a este ponto, a tristeza, mesmo por arrependimento, pode ser tão grande que o crente esmorece em sua fé.

Perde o vigor para orar, para louvar, para testemunhar, para servir ao Deus a quem ama e por quem foi salvo.

Perde as alegrias da vida em família ou em meio ao povo de Deus, a alegria do trabalho secular.

E meus irmãos, não é esta a intenção de Deus quando ele contende conosco por causa dos nossos pecados; ao contrário, é produzir vida.

Vamos ler Is 57:15-19

Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos.  16 Pois não contenderei para sempre, nem me indignarei continuamente; porque, do contrário, o espírito definharia diante de mim, e o fôlego da vida, que eu criei.  17 Por causa da indignidade da sua cobiça, eu me indignei e feri o povo; escondi a face e indignei-me, mas, rebelde, seguiu ele o caminho da sua escolha.  18 Tenho visto os seus caminhos e o sararei; também o guiarei e lhe tornarei a dar consolação, a saber, aos que dele choram.  19 Como fruto dos seus lábios criei a paz, paz para os que estão longe e para os que estão perto, diz o SENHOR, e eu o sararei.

Note o v. 16:

Em seu amor e santidade, o Senhor, alto, santo, sublime, contende indignado conosco.

Mas a sua indignação não é contínua.

Se assim fosse, ele diz, o nosso espírito não resistiria, o fôlego de vida que ele criou em nós.

E ele não quer destruir o fôlego de vida que ele criou.

Mas têm alguém que quer nos destruir.

Vamos ler Jo 10:10 e 11

O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.  11 Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas.

O Senhor Jesus, o Filho de Deus, o autor da vida, veio para nos dar vida abundante. E para isto deu sua vida por nós, na cruz.

Mas também existe o ladrão de nossas almas, que deseja somente roubar, matar e destruir. Este alguém é Satanás.

Irmão, entenda: se você está sendo consumido pela tristeza, seja por desejos mundanos, seja pela consciência dos seus pecados, se você está vivendo dominado pela angústia, se você está se sentindo desmotivado e derrotado, isto não vem de Deus.

Deus não quer isto para você. Quem quer é o Diabo.

Vamos de novo ao v. 11:

Que ele seja perdoado, e consolado, e amado (vs. 7 e 8) e eu também perdoo (v. 10)...

...para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios.

Se aquele irmão não fosse restaurado, quem teria vantagem seria o inimigo, por duas razões:

Primeira, aquele irmão definharia, seria consumido.

Segunda, a igreja, que deve ser um instrumento de Deus para a transmissão de vida, se tornaria num instrumento de Satanás, fazendo perecer alguém por quem Cristo morreu.[4]

E isto nos conduz à terceira consideração...

3. A tristeza espiritual, quando excessiva, precisa ser combatida e vencida

Pois o Espírito Santo diz que “o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”. [5]

E também ordena:

Não vos entristeçais... pois a alegria do Senhor é vossa força. [6]

O mesmo Pai bondoso, que nos fere por amor de nossas almas, também nos restaura.[7]

Eu tenho destacado aqui no texto, a instrução de Paulo no sentido de que a igreja deveria restaurar o crente quebrantado, a fim de que sua tristeza excessiva não o consumisse.

Isto mostra a importância do “papel terapêutico da igreja na cura das almas”, e por inferência dos crentes, nas vidas uns dos outros.

Eu quero, quanto a isto, fazer três considerações finais:

Primeiramente, que nós precisamos combater a tristeza excessiva na nossa própria vida, ouvindo o que Deus nosso Pai e Consolador nos diz.

Lembre-se do mandamento dado ao profeta, a fim de que proclame aos que choram:

Is 40:1, 2 – Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus.  2 Falai ao coração de Jerusalém, bradai-lhe que já é findo o tempo da sua milícia, que a sua iniquidade está perdoada e que já recebeu em dobro das mãos do SENHOR por todos os seus pecados.

Palavras que se cumpriram na vinda de Jesus, como ensinam os Evangelhos.

Lembre-se de Isaías 12:1

Orarás naquele dia: Graças te dou, ó SENHOR, porque, ainda que te iraste contra mim, a tua ira se retirou, e tu me consolas.

Lembra-se das palavras de Jesus:

Mt 5:4 – Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.

Leve ao Senhor, que te consola, todas as tuas tristezas.

Fale tudo para ele: confesse seus pecados dos quais você se arrepende. E confesse os pecados que você ama. Confesse as suas lutas, os seus medos, as suas tentações. Confesse suas iras, suas covardias. Confesse tudo. E espere nele.

Hoje eu estava me lembrando do profeta Elias, conforme aquela passagem em que Tiago está nos encorajando a orar, e toma Elias como nosso exemplo, dizendo assim:

Tg 5:17 e 18 – Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos, e orou, com instância, para que não chovesse sobre a terra, e, por três anos e seis meses, não choveu.  18 E orou, de novo, e o céu deu chuva, e a terra fez germinar seus frutos.

Quando Tiago diz que Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos, está se referindo ao fato de que Elias também ficava deprimido, também se acovardava, às vezes até queria morrer, também ficava irado.

E Tiago diz que Deus o ouviu. Então esta frase me veio à mente:

– Deus ouve também os deprimidos.

Irmão, frequentemente, quando estamos tristes, pensamos que Deus não está nos ouvindo. Mas isto não é verdade. Ele ouve.

Vejamos 2ª Co 1:3 e 4:

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação!  4 É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus.

Segundo: também combatamos a tristeza excessiva em nossa vida, considerando os nossos irmãos como fonte de consolo.

Como temos destacado, a igreja de Corinto foi orientada pelo apóstolo Paulo a perdoar, consolar e demonstrar afeto pelo irmão abatido.

Da mesma forma, cada um de nós deve se deixar confortar pelos queridos amigos que o Senhor nos dá, entendendo que são instrumentos de Deus.

2ª Co 7:6 e 7 – Porém Deus, que conforta os abatidos, nos consolou com a chegada de Tito; 7 e não somente com a sua chegada, mas também pelo conforto que recebeu de vós, referindo-nos a vossa saudade, o vosso pranto, o vosso zelo por mim, aumentando, assim, meu regozijo.

O grande apóstolo Paulo não tinha dificuldade alguma em admitir o quanto era carente, e abençoado pela companhia, pela amizade e pela afeição dos seus irmãos em Cristo.

Na carta aos Colossenses ele diz que certos irmãos, que cooperavam com ele, eram seu lenitivo. [8]

Através dos meus anos como crente tenho tido a mesma alegria, a de ter irmãos fiéis, amorosos, que ficaram comigo nas minhas tristezas.

Se você tem alguém assim, mesmo que seja apenas um, aproveite. Se não tem, preste atenção à sua volta, peça ao Senhor.

E por último, consideremos agora que Deus nos consola, a fim de que nós, por nossa vez, possamos consolar a outros.

Como já lemos no cap. 1:3 e 4, que uma vez consolados por Deus, podemos consolar a outros.

E como temos visto que a igreja deveria fazer, no cap. 2: perdoar, consolar, e assim confirmar o seu amor.

Você já viu pessoas que dizem mais ou menos assim:

– Olha, eu perdoo, mas por favor, fique longe...!?

Não é o tipo de perdão que restaura, não é mesmo?

E a igreja, e nós, não devemos agir assim para que Satanás não leve vantagem sobre nós, nem sobre os aflitos de coração.

Então, cada um de nós, seja perdoador, compassivo, restaurador, gentil, ministrando palavras de vida, dando aos quebrantados a chance de renascer na nossa vida. Sejamos instrumentos de cura.

Conclusão e aplicação

Vamos recordar?

A tristeza poder ser excessiva, mesmo por boas razões espirituais.

A tristeza, quando excessiva, torna-se destrutiva.

A tristeza excessiva deve ser combatida e vencida, em nossas próprias vidas e nas vidas dos nossos irmãos; na comunhão com Deus e com uns com os outros.

 

 

 



[1] Livros sugeridos:

D. Martin Lloyd-Jones – Depressão Espiritual. São Paulo, Editora PES, 3ª edição, 2017.

John Pipper – Quando a Escuridão não Passa: vivendo com esperança em Deus em meio à depressão. São Paulo, Editora Vida Nova, 2019.

Richard Baxter – Superando a tristeza e a depressão com a fé.  São Paulo, Editora Vida Nova, 2015.

Wilson Porte Jr. – Depressão e Graça. São José dos Campos, Editora FIEL, 2016.

Zack Eswine – A depressão de Spurgeon: esperança realista em meio à angústia. São José dos Campos, Editora FIEL, 2015.

[2] Zé Rodrix e a Agência de Mágicos, Muito Triste (Rio de Janeiro, Odeon, 1974).

[3] Lc 22:61, 62

[4] Usando a linguagem de Paulo em Rm 14:15

[5] Sl 30:5

[6] Ne 8:10

[7] Os 6:1-3

[8] Cl 4:11


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