Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Consolações - 2ª Co 1.3-7

Pr. Plinio Fernandes

3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação! 4 É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus. 5 Porque, assim como os sofrimentos de Cristo se manifestam em grande medida a nosso favor, assim também a nossa consolação transborda por meio de Cristo. 6 Mas, se somos atribulados, é para o vosso conforto e salvação; se somos confortados, é também para o vosso conforto, o qual se torna eficaz, suportando vós com paciência os mesmos sofrimentos que nós também padecemos. 7 A nossa esperança a respeito de vós está firme, sabendo que, como sois participantes dos sofrimentos, assim o sereis da consolação.

    Intr.

    Você sofre? E, se você sofre, quais as coisas que te fazem sofrer?

    Será que uma pessoa que foi salva em Cristo Jesus, tendo seus pecados perdoados, tendo recebido o dom do Espírito Santo e a vida eterna, será que uma pessoa por quem Jesus sofreu na cruz, levando ali as suas dores, será que esta pessoa precisa ainda sofrer neste mundo?

    Será que um crente cheio do Espírito Santo sofre neste mundo?

    Será que uma pessoa pode ser feliz, e ainda assim sofrer?

    Ou de outro modo:

    Será que uma pessoa pode sofrer e ainda assim estar bem emocionalmente? Será que uma pessoa pode sofrer e ainda assim ser feliz?

    Será que uma pessoa pode sofrer e ainda assim estar de bem com a vida e de bem com Deus?

  Algumas pessoas entendem que sofrimento e felicidade sejam duas realidades completamente incompatíveis.

    Que, se Jesus sofreu na cruz em nosso lugar, isto significa que ele sofreu para que nós não soframos mais, e então tudo quanto nos traz sofrimento deve ser eliminado de nossa vida como coisas provenientes de Satanás.

    Mas Paulo não entendia que os sofrimentos eram incompatíveis com a vida com Jesus Cristo; ao contrário, ele entendia, e ensinava, que os sofrimentos, antes de serem contrários à vida de fé, são um complemento muito importante.

    Quando o apóstolo Paulo escreveu esta carta, tanto ele como os seus colaboradores de ministério, e também os seus primeiros leitores, a igreja de Corinto, haviam passado, e estavam passando, por grandes tribulações, direta ou indiretamente, por causa do evangelho.

    Os grandes amores da sua vida eram Jesus Cristo e a igreja, o povo de Deus.

    E por causa desse amor, ele tinha grandes lutas, internas e externas.

    Apenas para dar uns poucos exemplos, pois pretendo voltar a esta carta em nossas meditações, por ora vejamos dois ou três textos.

2ª Co 2:12-13 – Ora, quando cheguei a Trôade para pregar o evangelho de Cristo, e uma porta se me abriu no Senhor, 13 não tive, contudo, tranquilidade no meu espírito, porque não encontrei o meu irmão Tito; por isso, despedindo-me deles, parti para a Macedônia.

2ª Co 11:3 – Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo.

2ª Co 12:7 – E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte.

   Veja como em cada uma dessas referências, Paulo manifesta alguma tribulação do seu próprio coração: preocupação porque havia combinado se encontrar com Tito, seu colaborador, na cidade de Trôade, mas não o encontrou; preocupação que a igreja de Corinto fosse enganada por falsos mestres; preocupação consigo mesmo, por causa das suas próprias fraquezas e limitações.

    E voltando ao cap. 1:7, Paulo diz que os coríntios também participavam de sofrimentos.

  Mas, se podemos escolher uma palavra para descrever toda a mensagem de 2ª aos Coríntios, é a palavra “consolação”.

   Porque nela, ainda que Paulo descreva muitas das coisas que os faziam sofrer, demonstra também uma confiança inabalável de que o Senhor Deus é o nosso Consolador, que ele transforma todas as situações de sofrimento em bênçãos para nós.

Prop.

    Tendo isso em mente, irmãos, hoje eu desejo iniciar uma série aqui nesta carta, esse presente de Deus para nós, que é 2ª aos Coríntios.

    E hoje, vamos meditar nestes versículos que, podemos dizer, são uma introdução a tudo o que ele nos dirá nela.

Divs.

    1. Todos nós, os crentes, temos um grande Consolador

vs. 3 e 4 – Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação! 4 É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus.

    O contexto geral, não só aqui, mas na Bíblia toda, nos ensina que nossos sofrimentos devem ser por causa da fé, e não por uma vida desonesta e corrupta. Nenhum de nós deve ser perseguido por ser malfeitor.

    Mas sofremos como cristãos em nossas preocupações com o reino de Deus, em nossos desejos de ser pessoas melhores, mais maduras, mais parecidas com Cristo.

  Sofremos em nossas preocupações com a vida espiritual da igreja, com os ataques de Satanás procurando destruir a igreja do Senhor; nossas preocupações com as necessidades espirituais, emocionais e materiais da família da fé e dos de fora, pois nosso anseio é ver o reino de Deus manifestado na salvação de muitos.

   Além das preocupações interiores, sofremos as consequências dos pecados de outras pessoas, que se iram com a Palavra de Deus, que se opõe ao nome de Jesus, que de uma forma ou de outra, se colocam contra a igreja e os crentes.

   Sofremos com as trágicas consequências do pecado na vida humana: morte, enfermidade, guerras, escassez; e sofremos também com os sofrimentos da natureza.

   Mas, se Deus nos consola em toda e qualquer situação, implica que cada uma das nossas tribulações é conhecida por Deus.

   E claro, a primeira razão pela qual Deus conhece cada uma das nossas tribulações é que ele conhece tudo o que acontece em toda a extensão do Universo.

   Isto, por si só, irmãos, é um conforto para nossas almas.

   Há um versículo no salmo 56 que, neste sentido, fala muito ao coração de cada crente.

Sl 56:8 – Contaste os meus passos quando sofri perseguições; recolheste as minhas lágrimas no teu odre; não estão elas inscritas no teu livro?

   Note especialmente a segunda parte.

  Este homem cheio do Espírito Santo, ou mais ainda, este profeta inspirado pelo Espírito Santo, escreve que cada uma das nossas lágrimas é recolhida nos odres celestiais; cada gota de aflição é contada por Deus; cada uma das nossas tristezas está inscrita no livro do Senhor.

  E veja como Paulo descreve o Senhor Deus, o nosso Pai: “Pai de misericórdias e Deus de toda a consolação”.

  Em João 14:16, ao falar que iria voltar para o céu, Jesus disse que não nos deixaria sós, mas que enviaria outro Consolador que falaria em seu nome.

   Ser Consolador, portanto é da natureza de Deus, o Pai, o Filho, e o Espírito Santo. É da natureza dele, ele se alegra em consolar, e ordena que os seus filhos sejam consolados.

Is 40.1-2 - Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. 2 Falai ao coração de Jerusalém, bradai-lhe que já é findo o tempo da sua milícia, que a sua iniquidade está perdoada e que já recebeu em dobro das mãos do SENHOR por todos os seus pecados.

2. Esse último texto vislumbra os instrumentos do Senhor para nos consolar...

2.1. O Senhor nos consola através das Escrituras Sagradas

   Aqui ele ordena que o profeta anuncie a mensagem do Senhor, confortando, falando ao coração, anunciando perdão para os pecados.

    Vamos ler Romanos 15:4.

Rm 15.4 - Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança.

    Cada porção da Escritura é Palavra de Deus; o Deus que nos consola em toda e qualquer situação.

    Até quando nos repreende, nos corrige, o propósito do Senhor é nos dar paz.

  Quando lemos as histórias dos antigos, as suas lutas, as suas angústias, as suas decepções, as suas orações ouvidas, e as não ouvidas.

  Quando lemos as orações dos salmos: algumas em louvor pelas respostas de Deus, outras de frustração com as lutas da vida; ou tristeza pelos mortos.

  Quando lemos os mandamentos, as promessas, tudo, tudo o que a Escritura diz é para nos consolar, nos fazer pacientes, e nos dar esperança.

2.2. Deus também nos conforta através de outras pessoas, na medida em que agem movidos pelo mesmo Espírito Consolador do Senhor.

2ª Co 1.4 – É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus.

  E Paulo mesmo testemunha o quanto a consolação dada por intermédio de outros irmãos era importante para ele.

2ª Co 7.5-7 – Porque, chegando nós à Macedônia, nenhum alívio tivemos; pelo contrário, em tudo fomos atribulados: lutas por fora, temores por dentro. 6 Porém Deus, que conforta os abatidos, nos consolou com a chegada de Tito; 7 e não somente com a sua chegada, mas também pelo conforto que recebeu de vós, referindo-nos a vossa saudade, o vosso pranto, o vosso zelo por mim, aumentando, assim, meu regozijo.

2.3. Enfim Deus pode também usar qualquer meio

    A resposta a uma oração, uma iluminação da mente diante das Escrituras, uma palavra santificada, a resposta a uma preocupação, o agir de Deus em outras vidas.

   Por exemplo: vocês se lembram que uma das grandes tristezas de Paulo é que a maioria do seu próprio povo, os judeus, não acreditaram em Jesus. Por isso ele sempre orava pela conversão deles.

   E também, a maioria dos seus auxiliares no Evangelho não eram judeus, mas gentios.

   Mas na carta aos Colossenses ele fala sobre três pessoas que eram um consolo do Senhor na vida dele.

Cl 4.10-11 - Saúda-vos Aristarco, prisioneiro comigo, e Marcos, primo de Barnabé (sobre quem recebestes instruções; se ele for ter convosco, acolhei-o), 11 e Jesus, conhecido por Justo, os quais são os únicos da circuncisão que cooperam pessoalmente comigo pelo reino de Deus. Eles têm sido o meu lenitivo (o meu alívio, o meu conforto).

3. Quando somos consolados por Deus, nos tornamos pessoas melhores

  Há pelo menos duas consequências das consolações do Senhor mencionadas no texto aqui: tornar-se parecidos com Jesus nos seus sofrimentos, e tornar-se parecidos com Deus no consolar outras pessoas.

3.1. Primeiro, porque nos tornamos mais parecidos com Jesus nos seus sofrimentos

v. 5 – Porque, assim como os sofrimentos de Cristo se manifestam em grande medida a nosso favor, assim também a nossa consolação transborda por meio de Cristo.

Trad. Ling. Moderna, SBP - Pois o conforto que de Cristo recebemos é tão grande, como grandes foram os sofrimentos que Cristo passou por nós.

  Os tradutores interpretaram o texto como se referindo ao fato de que Cristo sofreu por nós.

  A maioria das versões, a Corrigida, por exemplo interpreta diferente, identificando o nosso sofrimento como cristãos, sendo por amor a Cristo.

  ARC – Porque, como as aflições de Cristo são abundantes em nós, assim também a nossa consolação sobeja por meio de Cristo.

  De qualquer forma, o fruto é o mesmo: as consolações que recebemos transbordam por meio de Cristo, de tal maneira que,...

3.2. Segundo, porque podemos consolar outras pessoas, com o mesmo Espírito.

v. 6 – Mas, se somos atribulados, é para o vosso conforto e salvação; se somos confortados, é também para o vosso conforto, o qual se torna eficaz, suportando vós com paciência os mesmos sofrimentos que nós também padecemos.

    Há uma oração, que embora atribuída a Francisco de Assis, não se sabe quem a escreveu. Mas o que importa mais é o conteúdo dela, que diz assim:

    Senhor,

    Faça de mim um instrumento de tua paz!

    Onde houver ódio, que eu leve o amor,

    onde houver ofensa, que eu leve o perdão.

    Onde houver discórdia, que eu leve a união.

    Onde houver dúvida, que eu leve a fé.

    Onde houver erro, que eu leve a verdade.

    Onde houver desespero, que eu leve a esperança.

    Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.

    Onde houver trevas, que eu leve a luz!

    Ó Mestre, faça que eu procure mais

    consolar que ser consolado,

    compreender que ser compreendido,

    amar que ser amado.

    Pois é dando que se recebe,

    é perdoando que se é perdoado,

    e é morrendo que se vive para a vida eterna!

Conclusão e aplicação

    A Palavra de Deus nos lembra que neste mundo cheio de sofrimentos, nós, os crentes em Jesus, temos alguém muito especial, que nos fala ao coração, confortando em toda e qualquer situação.

    Ele fala de perdão pelos nossos pecados.

    Ele fala de estar conosco em toda e qualquer angústia.

    Ele fala pelas Escrituras.

    Ele consola por meio de irmãos.

    Ele consola usando as circunstâncias.

    Quando consolados por Deus, nossos corações se tornam melhores.

    Nós nos tornamos pessoas melhores, a fim de que, mais parecidos com o Senhor, possamos consolar a outras pessoas também.

    Mas, como podemos experimentar isso?

    Pois algumas pessoas, em vez de se tornarem melhores, tornam-se amargas; iradas, revoltadas.

    Outras pessoas, em vez de se tornarem melhores, vivem com pena de si mesmas, queixosas.

    Como disse o Senhor a Judá:

“Eu te acrisolei, mas disso não resultou prata”; isto é, vocês não melhoraram! (Is 48.10).

    Então, como experimentar consolo, encorajamento e crescimento? O segredo é “tenha paciência”.

v. 6 – A consolação de Deus... se torna eficaz, suportando vós com paciência os mesmos sofrimentos que nós também padecemos.

    Quais são os seus sofrimentos, irmão?

    Suas lutas consigo mesmo, dentro do coração?

    Suas enfermidades?

    Seus traumas?

    Conflitos em casa? No trabalho? Com pessoas a quem ama?

    Diretamente ligados ao Evangelho?

    Deixe a luz do céu entrar. Deixe Deus falar ao seu coração. Deixe Deus te curar.

    Tenha paciência nos sofrimentos.

    Tenha confiança que nos sofrimentos, cada lágrima sua é contemplada pelo Senhor.

    Tenha confiança, preste atenção na Palavra; preste atenção na vida, nas consolações do Senhor.

    Tenha confiança, seja paciente, tenha esperança.

    Pode a tristeza durar todo o anoitecer, mas a alegria vem pela manhã.

    Vai alta a noite, e a nossa redenção já está mais próxima do que quando inicialmente cremos.

Oração

    Senhor, eis-nos aqui, teu povo.

    O que nos consola nas nossas angústias é isto: que a tua palavra nos vivifica.  Nos lembramos dos teus juízos de outrora, e nos confortamos, ó Senhor.

    Assim, o Deus, derramamos na tua presença os nossos corações.

    E rogamos paciência.

    Pedimos que transformes cada tristeza em comunhão contigo.

    Pedimos que transformes cada sofrimento em semelhança com Jesus.

    E pedimos que transformes a semelhança com Jesus em bênção para outros e glória para o teu nome. Amém.

 

 

 


quinta-feira, 23 de julho de 2026

O Espírito que Deus nos tem dado

2ª Tm 1:1-14

Pr. Plínio Fernandes

    Amados irmãos, vamos ler a Palavra de Deus, no texto que se encontra em 2ª a Timóteo, capítulo1, versos 1 a 14.

Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, pela vontade de Deus, de conformidade com a promessa da vida que está em Cristo Jesus, 2 ao amado filho Timóteo, graça, misericórdia e paz, da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor. 3 Dou graças a Deus, a quem, desde os meus antepassados, sirvo com consciência pura, porque, sem cessar, me lembro de ti nas minhas orações, noite e dia. 4 Lembrado das tuas lágrimas, estou ansioso por ver-te, para que eu transborde de alegria 5 pela recordação que guardo de tua fé sem fingimento, a mesma que, primeiramente, habitou em tua avó Lóide e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também, em ti. 6 Por esta razão, pois, te admoesto que reavives o dom de Deus que há em ti pela imposição das minhas mãos. 7 Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação. 8 Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor, nem do seu encarcerado, que sou eu; pelo contrário, participa comigo dos sofrimentos, a favor do evangelho, segundo o poder de Deus, 9 que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos, 10 e manifestada, agora, pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus, o qual não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho, 11 para o qual eu fui designado pregador, apóstolo e mestre 12 e, por isso, estou sofrendo estas coisas; todavia, não me envergonho, porque sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia. 13 Mantém o padrão das sãs palavras que de mim ouviste com fé e com o amor que está em Cristo Jesus. 14 Guarda o bom depósito, mediante o Espírito Santo que habita em nós.

Intr.

    Esta foi a última carta do Apóstolo Paulo. São as últimas palavras dele no Novo Testamento.

   Ele estava preso, na cidade de Roma, por causa da pregação do Evangelho, e em breve seria levado à execução.

   Como escreveu no cap. 4:7, a parte que lhe cabia no ministério estava consumada: havia combatido o bom combate, completado a sua carreira, guardado a fé, e a coroa da vida estava preparada para ele.

   Mas a obra do Evangelho deveria ser levada adiante.

   E Paulo, tal como os atletas numa corrida de revezamento passam o bastão adiante, agora precisava também passar “o bastão da obra de Deus” adiante.

   Para isto, Paulo contava com uma pessoa que lhe era muito cara: Timóteo, um dos seus filhos na fé. Podemos até mesmo dizer que era o mais querido.

   Provavelmente, Paulo levou Timóteo ao Evangelho durante sua primeira viagem missionária, quando pregou em Listra, uma cidade que ficava onde hoje é a Turquia.

  E ao passar novamente ali, ele chamou este jovem crente, de boa reputação, filho de uma mulher também crente, a dedicar-se ao serviço missionário. Timóteo foi com ele, e daí por diante, tornou-se o seu principal cooperador no ministério.

   Nós podemos perceber a importância de Timóteo aos olhos de Paulo, por exemplo, no v. 2, onde ele o descreve como amado filho Timóteo.

   Nos vs. 3 e 4, ele diz que nunca se esquecia de Timóteo em suas orações, e estava ansioso por vê-lo.

   No v. 5, ele recorda que Timóteo era uma pessoa que tinha verdadeira fé em Jesus.

   Depois, no cap. 2:1 e 2, Paulo dá a Timóteo a sua grande missão: que no poder da graça de Deus, tudo quanto ele havia aprendido com o apóstolo, agora deveria transmitir a outros homens, que fossem igualmente crentes e idôneos, para que eles por sua vez instruíssem a outros, e assim por diante.

    Mas ainda que Timóteo fosse uma pessoa tão especial, e estivesse recebendo uma missão tão importante, quando Paulo lhe escreveu, ele estava precisando de um despertamento, de um reavivamento espiritual.

Veja o v. 6 – Por esta razão (isto é, pelo fato de você – como diz o v. 5 – ter uma fé não fingida, por você ser um “crente de verdade”), por esta razão, pois, te admoesto que reavives o dom de Deus que há em ti pela imposição das minhas mãos.

    Esta imposição de mãos a que Paulo se refere provavelmente diz respeito à “ordenação” de Timóteo para o ministério, feita pelo presbitério do qual Paulo fazia parte, e que é mencionada em 1ª Tm 4:17.

    E a palavra reavivar aqui na tradução ARA, irmãos, tem o sentido de “reacender o fogo”.

    A NVI, NBV dizem: “Mantenha (conserve) viva a chama...”.

    NTLH diz: “Conserve vivo o dom...”.

    ARC, A21 dizem: “Despertes o dom...”.

    TB: “Tornes a acender o dom...”.

    O sentido é de que Timóteo recebeu um dom para servir como ministro da Palavra de Deus, mas que agora estava deixando este dom esfriar.

Veja o v. 8 – Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor, nem do seu encarcerado, que sou eu; pelo contrário, participa comigo dos sofrimentos, a favor do evangelho, segundo o poder de Deus.

    No v. 6 Paulo fala de um dom que Timóteo recebeu, mas que estava deixando esfriar, e que precisava ser reavivado.

    Agora, no v. 7, Paulo diz por que Timóteo poderia reavivar este dom. E aqui, ele fala de um dom que todos os crentes têm recebido.

    Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação

    Algumas traduções trazem a palavra espírito grafada com “E” (maiúsculo), entendendo assim que é uma referência ao Espírito Santo; outras, com “e” (minúsculo), entendendo ser uma referência ao espírito humano.

    Mas não há problema, pois estas qualidades que Paulo menciona são produzidas no nosso espírito, pelo Espírito de Deus, e assim “um complementa o outro”.

    Timóteo, diz o apóstolo, o Espírito que Deus a você e a mim, a todos nós, não nos deixa acovardados; não é um espírito de medo, mas de poder, de amor, e de moderação.

    Prop.

    E é nesta maravilhosa verdade, meus irmãos, que desejo me concentrar. Pois está aqui o caminho para qualquer despertamento espiritual que qualquer de nós precise.

    Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação

  Divs.

    Primeiramente vamos destacar que...

    1. Este Espírito é um dom da graça de Deus

    No v. 6, a palavra dom em português é a tradução da palavra grega carisma, cognata da palavra cariz que quer dizer graça.

    No v. 7, o verbo dar se refere à graça que o Senhor concede a todos nós.

    Mais tarde, no cap. 2:1 e 2, Paulo diz a Timóteo que a graça de Deus é a fonte da nossa força.

Tu, pois, filho meu, fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus. 2 E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros.

    Esta palavra graça, meus irmãos, era fundamental para Paulo, Timóteo e é fundamental para todos nós.

    Ela significa “o favor de Deus”, a boa disposição que há no coração de Deus para com os seus escolhidos, sem que nós tenhamos feito, ou façamos alguma coisa para merecê-la.

    Nas Escrituras Sagradas, o Espírito Santo nos ensina que, pela sua graça, Deus nos escolheu a nós, os que agora cremos, antes da criação do mundo, e que por esta graça nos predestinou à salvação através da morte de Jesus pelos nossos pecados.

    Que esta graça nos concedeu fé em Jesus, nos conduziu ao arrependimento, e à regeneração de nossas almas.

    Que esta mesma graça agora opera em nós, dia a dia, nos ensinando, para que aprendamos a viver em amorosa e alegre santidade, de modo agradável ao Senhor.

    Que por esta mesma graça Deus nos concedeu dons espirituais com os quais podemos servir ao Senhor, cooperando no seu reino e edificando a sua igreja.

    Que temos recebido “graça sobre graça”.

    E assim como nós, Timóteo precisava ser constantemente relembrado a “fazer uso desta graça”.

    Agora, veja o que ele nos diz no v. 9

(Deus – v. 8) que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos...

    Antes que houvesse o universo inteiro, Deus já havia nos salvado e nos chamado (e como diz Jesus em João cap. 10, chamado a cada uma das suas ovelhas, pelo nome) com santa vocação, não de acordo com as obras que ele viu em cada um, mas de acordo com a sua própria determinação e graça, isto é, por causa do bom desejo que havia em seu coração de nos abençoar.

    Então, Timóteo, fortifique-se interiormente no fato de que Deus te ama, que a graça de Deus está com você. Perceba os dons que Deus lhe tem dado. Creia nesta graça, e trabalhe para Deus.

    Em segundo lugar, vejamos...

    2. A quem o Senhor tem dado este Espírito

    O v. 7 diz que “Deus nos tem dado”, isto é, a todos os crentes.

    Agora, irmãos, eu desejo ilustrar o fato de que este Espírito é um agir da graça de Deus tomando Timóteo como exemplo.

    Eu poderia tomar Paulo, ou qualquer outro crente na Bíblia, mas Timóteo é um exemplo muito bom também.

    Quero mencionar algumas razões:

    2.1 – Primeiramente, ele era um jovem sujeito a paixões carnais

2ª Tm 2:22 – Foge, outrossim, das paixões da mocidade. Segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor.

    Quando Paulo lhe escreveu a primeira carta recomendou que Timóteo não deixasse ninguém desprezá-lo pelo fato de ser jovem (1ª Tm 4.12)

    E agora, cerca de dois anos depois, exorta-o a fugir “das paixões da mocidade”.

    De acordo com John Stott, com base na cultura daquela época, Timóteo deveria ter uns 30 anos.

    E como todo jovem (eu até posso dizer – como todo ser humano), Timóteo era sujeito a paixões, o seu coração era inclinado a desejos fortes, que poderiam afastá-lo dos caminhos de Deus e da obra para a qual o Senhor o havia chamado.

    Mas Deus escolheu Timóteo, antes da criação do mundo, não por causa da bondade inerente a Timóteo. Escolheu por sua própria determinação e graça.

    2.2 – Em segundo lugar, parece que Timóteo era tímido por natureza.

    Em 1ª Co 16:10 Paulo havia escrito à igreja daquela cidade:

    E, se Timóteo for, vede que esteja sem receio entre vós, porque trabalha na obra do Senhor, como também eu.

    Timóteo era uma pessoa de temperamento reservado, e precisava de uma palavra de encorajamento e de confiança.

    Por isto a admoestação de Paulo aqui no v. 8

    Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor, nem do seu encarcerado, que sou eu; pelo contrário, participa comigo dos sofrimentos, a favor do evangelho, segundo o poder de Deus,

    3.3 – Em terceiro lugar, Timóteo tinha uma enfermidade física e sofria de uma espécie de gastrite crônica.

    Paulo referiu-se à frequente indisposição de Timóteo, principalmente em seu estômago. Chegou até a prescrever-lhe um pouco de álcool medicinal:

1ª Tm 5:23 – Não continues a beber somente água; usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas frequentes enfermidades.

  Esse é, então, o perfil das fraquezas de Timóteo, que podemos estabelecer a partir das várias referências que Paulo lhe fez.

    Ele era sujeito às paixões humanas, como todos nós o somos, tímido e sujeito a erros, e constantemente enfermo.

    Essas coisas negativas nos mostram que, do ponto de vista humano, Timóteo jamais poderia ser considerado qualificado para o ministério pastoral, e ainda mais como alguém que daria continuidade ao ministério de Paulo.

    Mas irmãos, Deus não escolhe, e não chama ninguém de acordo com suas qualificações prévias.

    Pense no próprio Paulo, perseguidor da igreja.

    Pense em Moisés, o deprimido.

    Pense em Jacó, o usurpador.

    Pense em Davi, em Salomão, em Pedro. Em todos os crentes de quem a Bíblia fala.

    A graça de Deus foi o que bastou para cada um deles. Pela graça de Deus, foram quem foram.

    E a graça de Deus é suficiente para você.

    Agora, em terceiro lugar, consideremos também...

    3. As qualidades que este Espírito que Deus nos tem dado produz em nós

v. 7 – Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação

    O Espírito que Deus nos tem dado não nos faz medrosos e covardes.

    3.1 – É um Espírito de poder

    De acordo com At 1:8, em seu último encontro com os discípulos, antes de subir ao céu, o Senhor Jesus fez esta promessa:

Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.

    O Espírito que foi então derramado no dia do Pentecostes, e que agora, conforme Pedro, Paulo, João, o escritor aos Hebreus, enfim, o Novo Testamento inteiro nos ensina, veio habitar no coração de cada crente em Jesus.

    Ele nos dá capacidade e autoridade para testemunhar de Jesus, tanto com nossas palavras como com uma vida bonita, nos dá capacidade para resistir ao pecado, para fugir das paixões, para obedecer aos mandamentos do nosso Deus e Pai, para confiar em suas promessas e viver de acordo com elas.

    Ele nos ensina e capacita a orar no seu poder, nos dá poder para resistir a Satanás.

    Em fim, como diz o apóstolo...

Fp 4:13 – Posso todas as coisas naquele que me fortalece

    3.2 – Ele também é um Espírito de amor

    Se Deus apenas fosse todo poderoso, mas não nos amasse, estaríamos destruídos.

    Da mesma forma, uma pessoa que tem apenas poder, mas não amor, torna-se um tirano.

    Mas também como somos ensinados em Rm 5:5...

O amor de Deus é derramado em nossos corações, pelo Espírito Santo que nos foi dado.

    Pelo poder do Espírito Santo que habita em nossos corações, nós somos capacitados com a mesma espécie de amor que há em Deus: amor misericordioso, que busca o interesse, o bem-estar e a edificação dos outros, benevolente, perdoador, trabalhador, servidor; que nada faz visando os próprios interesses.

    A última qualidade deste Espírito mencionada aqui é...

    3.3 – Espírito de moderação

    Alguns comentaristas traduzem autodisciplina.

    E as várias versões que temos dizem: equilíbrio (NBV e NVI), prudência (TB e NTLH), domínio próprio (VFL), autocontrole (NVT).

    O significado básico é ser uma pessoa bem equilibrada mentalmente, “ter a cabeça no lugar”.

    O poder sem amor torna uma pessoa dura demais.

    O amor sem juízo torna uma pessoa mole demais.

    O Espírito que Deus nos capacita para que não nos deixemos levar pelas paixões, nem pelas fraquezas do nosso temperamento, nem pelas circunstâncias, nem pelo desânimo.

    Mas nos leva a avaliar sobriamente as situações, e fortalecidos pela graça de Deus, a perseverar destemidamente, em amor.

    Conclusão e aplicação

    Meus irmãos, tempos difíceis os que estamos vivendo.

    As forças espirituais do mal agindo através das circunstâncias, aproveitando-se das nossas fraquezas, combatendo contra nós e buscando promover a tristeza, o desânimo, o medo, a paralisia espiritual, para que não oremos, não trabalhemos para Deus, não cumpramos o ministério que Deus tem dado a cada um de nós.

    Mas Deus, que nos amou antes mesmo de criar o universo, por sua graça nos escolheu, e por sua graça nos deu seu Espírito, de poder, amor e equilíbrio mental.

    Irmão, não deixe que o seu amor esfrie; não deixe que a apatia, o desinteresse pelo reino de Deus e por sua igreja governe a sua alma. Esta é a vontade do Diabo, e você não existe para obedecer ao Diabo.

    Fortifique-se na graça de Deus, e por esta graça, em oração, confessando e abandonando seus pecados, em adoração, cantando louvores a Deus, meditando na Santa Palavra, combata o pecado em seu coração, submeta-se a Deus, resista a Satanás, busque o fogo do Espírito Santo.

    Reavive o dom de Deus que está em você.

    Oração

    Pai celestial, nós queremos manter, em nossos corações, a chama do Espírito Santo que a tua Palavra acende em nossos corações.

    Por isto nós te pedimos que, ao sairmos daqui, tu não permitas que o Diabo tire de nós a boa semente da tua Palavra.

    Que não esqueçamos que a tua graça está conosco, e que o Espírito que tu nos deste nos reveste de poder para testemunhar de Jesus, para viver e promover o teu reino de paz, justiça e alegria no Espírito Santo, para orar com fé e alcançarmos resposta às nossas orações, para nos alegrarmos em ti, para vencermos as tentações.

    Espírito que nos dá poder de amar, em casa, no trabalho, na igreja, e perdoar e esquecer as ofensas, os pecados e falhas, nossos e dos outros, e trabalhar e servir.

    Espírito que nos dá clareza, discernimento e equilíbrio mental.

    Concede-nos uma vida plena, uma vida em abundância. Concede-nos ser cheios do Espírito Santo. E nos alegramos em ti e te louvamos, porque em tua fidelidade atendes nossa oração.

    Em nome de Jesus. Amém.

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