Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

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domingo, 20 de setembro de 2015

Alegria indescritível - 1ª Pe 1:3-9

IPC em Pda. de Taipas
Domingo, 20 de setembro de 2015
Pr. Plínio Fernandes
Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, 4 para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros 5 que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo.  6 Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, 7 para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; 8 a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória, 9 obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma.
Nesta última semana, houve momentos em que você se sentiu contrariado e entristecido?
Houve algum momento, ou alguma circunstância que te fez sofrer, na qual a sua fé e amor foram testados?
Aconteceu alguma coisa que tentou você a sentir-se abatido, ou ansioso, ou preocupado e irritado?
Em nossa última meditação, na semana passada, vimos que o apóstolo Pedro nos ensina como lidar com as contrariedades que experimentamos nesta vida; contrariedades que nos fazem sofrer, às quais a Bíblia chama de “provações”.
As provações podem ser vistas sob dois aspectos: por um lado, são ocasiões em que Satanás tenta nos enfraquecer espiritualmente, levando-nos a alguma forma de pecado.
Por outro lado, são oportunidades, ocasiões em que Deus, nosso Pai, está agindo através das circunstâncias, a fim de nos fortalecer a fé, a fim de que sejamos espiritualmente vigorosos, perseverantes.
A nossa fé, diz o apóstolo Pedro, é um bem precioso que temos; é mais preciosa do que todo o ouro mais puro que houver no mundo, pois é através da nossa fé em Jesus que alcançamos a salvação das nossas almas.
Então, ele diz duas coisas aqui: uma delas é que as provações não são eternas; elas duram apenas o tempo necessário; outra coisa, é que as provações são necessárias – nós precisamos crescer espiritualmente, e as provações são um meio através do qual somos levados a crescer.
No decorrer de sua carta, Pedro menciona algumas coisas que provam a nossa fé:
Quando sentimos as paixões da nossa natureza querendo nos levar ao pecado – as paixões, ele diz, fazem guerra contra a nossa alma. Elas são nossas inimigas, e nos fazem sofrer.
Também sofremos quando estamos casados com uma pessoa que não tem a mesma fé que temos em Jesus e se opõe a isto.
Também sofremos quando as pessoas do mundo não entendem a nossa fé, não entendem o nosso modo de vida, e então falam contra nós, falam contra a nossa crença e de uma forma ou de outra nos perseguem.
Também sofremos quando servimos, isto é, quando trabalhamos para pessoas ímpias, desonestas, que se aproveitam de nossa boa consciência e nos oprimem.
Todas estas coisas, diz Pedro, são ataques de Satanás, que anda em derredor, bramando como um leão, procurando a quem devorar.
Mas também, em todas estas coisas, nos abençoará o Senhor, fortalecendo-nos, firmando-nos, fundamentando-nos, aperfeiçoando-nos.
Então mesmo as coisas que nos contrariam, se vistas deste ponto de vista, são, em última instância, motivos para que sejamos felizes; pois apontam para o fato de que habita em nós esta preciosa fé em Jesus, através da qual caminhamos com Deus neste mundo e pela qual alcançaremos a vida eterna no céu.
– “Nisto”, ele diz, “nesta salvação, você se regozijam com alegria indizível”.
Em nossa meditação de hoje, amados, eu desejo voltar a este texto maravilhoso, e considerar com vocês, não mais as tristezas, mas as razões da nossa felicidade em meio às provações.
Na verdade, a razão é uma só: a razão da nossa felicidade é Jesus, o nosso Salvador.
Leiamos novamente os vs. 7-9
para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; 8 a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória, 9 obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma.
Jesus é a razão, o motivo, a fonte da nossa alegria indizível e cheia de glória, da nossa felicidade indescritível e plena da luz do céu.
1. Nele está a nossa fé, a nossa confiança
No v. 7 ele faz um doce elogio à nossa fé, dizendo que ela é mais preciosa, tem mais valor do que o ouro mais puro.
E no v. 8 ele destaca algo sobre esta fé: é que ela não se baseia no fato de termos visto Jesus quando ele estava na terra realizando os seus milagres.
Ele, Pedro, foi uma pessoa muito abençoada, assim como os demais apóstolos, por ter visto pessoalmente o Senhor Jesus.
E em particular, foi uma das pessoas mais próximas ao Senhor, que viu coisas muito exclusivas, as quais a maioria da humanidade nunca teria o privilégio.
Na sua segunda carta ele cita uma destas ocasiões, um destes eventos que ele próprio jamais poderia imaginar.
Vamos ler 2ª Pe 1:16-18
Aqui ele está falando sobre a vinda de Jesus, que se aproxima, e a nossa entrada para o seu reino eterno.
Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade, 17 pois ele recebeu, da parte de Deus Pai, honra e glória, quando pela Glória Excelsa lhe foi enviada a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.  18 Ora, esta voz, vinda do céu, nós a ouvimos quando estávamos com ele no monte santo.  
Veja o que Pedro diz no v. 16: o evangelho que ele pregava não era uma fábula, uma história criativamente inventada para promover mentalidade religiosa ou atitudes espirituais nas pessoas.
Ele pregava coisas das quais era uma testemunha ocular: ele viu a Jesus, ouviu seus ensinamentos, contemplou suas obras.
E menciona o monte da transfiguração. O que aconteceu ali é contado por Mateus, Marcos e Lucas.
E os evangelhos nos dizem que certa ocasião Jesus subiu a um monte, para orar.
Enquanto orava, a aparência de Jesus se tornou gloriosa; as suas vestes resplandeceram como a luz do sol, e apareceram Moisés e Elias, os dois maiores profetas do Antigo Testamento, e conversavam com Jesus.
Pedro ficou tão aterrado que não sabia o que dizer.
E ouviu-se uma voz do céu, falando a respeito de Jesus: – “Este é o meu Filho amado, a ele ouvi”.
E Pedro diz: – “Esta voz nós a ouvimos”.
Mas às pessoas a quem Pedro escreve, ele diz: – “Vocês não veem Jesus agora, mas creem...”.
Querido irmão, é a você que eu me dirijo especialmente: você crê? Você tem fé em Jesus? Você confia nele?
Então ele tem algo especial que dizer a seu respeito.
Jo 20:29
Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram.
O Senhor está falando com os onze, e se dirige especialmente a Tomé, que não havia acreditado quando os outros disseram que Jesus havia ressuscitado.
Então Jesus apareceu entre eles, os saudou, e logo disse a Tomé: – “Põe aqui o dedo e vê as minhas mãos; chega também a mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente”. E Respondeu-lhe Tomé: – “Senhor meu e Deus meu!”
Disse-lhe Jesus: – “Porque me viste, creste? Bem-aventurados, abençoados, felizes, os que não viram, e creram”.
Somos felizes porque, mesmo não tendo visto o Senhor com os olhos do corpo, nós o contemplamos, com os olhos do coração, quando o Evangelho foi pregado a nós, e com os olhos da alma nós o contemplamos morrendo na cruz em nosso lugar.
Somos felizes, porque a nossa fé está em Jesus, o nosso Salvador vivo, que depois de ter feito na cruz a purificação dos nossos pecados, ressuscitou, subiu ao céu e está à mão direita de Deus.
O nosso Deus e Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que virá do céu outra vez, a fim de nos buscar para o seu reino eterno.
O nosso Deus e Salvador que está entre nós por meio do Espírito Santo, pois ele diz que onde estão dois ou três reunidos em seu nome, ele está no meio deles.
O nosso Deus e Salvador, Cristo, que habita em nossos corações.
Que atende as nossas orações, que é a nossa força, a nossa proteção.
Somos felizes porque em Jesus está a nossa fé. A nossa confiança.
E temos experimentado em nossas almas que o nosso Deus é real. Não é uma lenda bem contada, não é um mito.
Também exultamos com alegria indescritível e cheia de glória por que...
2. Em Jesus está a nossa esperança
Aconteceu durante a guerra da Coréia quando 500 ministros foram capturados e imediatamente fuzila­dos e duas mil igrejas destruídas.
Os comunistas eram cruéis para com os pastores. A família de certo ministro foi capturada em Inchon, Coréia, e os líderes comunistas submeteram-nos ao que chamavam de "Tribunal do Povo". Os acusadores diziam: – Este homem é culpado de cometer este tipo de pecado e por esse pecado deve ser castigado.
A única resposta que recebiam era um coro unâni­me de vozes, dizendo:
– Sim, sim!
Desta vez cavaram um grande buraco, colocaram o pastor, sua esposa e vários de seus filhos dentro dele. Então o líder falou:
– Todos estes anos o senhor tem desviado as pessoas com a superstição da Bíblia. Se desejar agora retratar-se perante o povo aqui reunido e arrepender--se de sua má conduta, então o senhor, sua esposa e seus filhos serão libertados. Mas se persistir em suas superstições, toda a sua família vai ser enterrada viva. Tome sua decisão!
Todos os seus filhos começaram a chorar, dizendo:
– Papai, papai, pense em nós!
Imagine a situação desse homem. Se você estivesse em seu lugar, o que teria feito? Sou pai de três filhos e chegaria quase a preferir ser lançado ao fogo do inferno a ver meus filhos serem mortos.
Este pai estava profundamente abalado. Levantou a mão, dizendo:
– Sim, sim, fá-lo-ei. Vou denunciar ... minha ... Mas antes de poder terminar a frase a esposa tocou-lhe o lado dizendo:
– Diga NÃO!
E dirigindo-se aos filhos, essa valente mulher disse:
– Calem-se, filhos. Esta noite vamos jantar com o Rei dos reis e Senhor dos senhores!
Então começou a cantar o hino “No celeste porvir". Seus filhos e marido a acompanharam no cântico enquanto os comunistas começaram a enterrá-los. Logo as crianças estavam enterradas, mas até que a terra lhes chegasse ao pescoço continuaram a cantar e o povo a olhar... [1]
O que faz uma pessoa ser assim tão corajosa, mesmo diante da morte?
Nos vs. 3 e 4, Pedro nos diz que, por causa da ressurreição de Jesus, nós fomos regenerados por Deus para uma viva esperança que está nos reservada no céu.
No v. 21 deste mesmo capítulo ele torna a estas palavras:
(Jesus)... que, por meio dele, tendes fé em Deus, o qual o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, de sorte que a vossa fé e esperança estejam em Deus.
O que é esperança? Quando usamos este substantivo, e o verbo relacionado a ele, estamos falando de algo que ainda não aconteceu. E pode haver duas denotações diferentes.
Por exemplo, quando alguém diz: –“Espero que um dia ele volte”, está expressando o desejo que de em algum tempo alguém que se foi esteja aqui novamente. Mas é apenas uma expressão de um desejo muito grande; não envolve certeza.
Agora, uma oração diferente: –“Estou esperando um bebê”. Nela, a mulher que a profere está dizendo que ficou grávida, e com base neste fato está apenas aguardando a hora em que o bebê nascerá. Aqui, “esperar” significa não somente desejar, aguardar que algo bom aconteça, mas aguardar com certeza.
E nesta esperança a mulher (e o marido) fazem todos os preparativos necessários para a chegada do bebê.
É neste segundo sentido, de aguardar com certeza, e consequentemente, com paciência, e fazendo preparativos, que temos uma esperança em Cristo, reservada no céu para nós.
É a esperança de que, seja em nossa ida, seja em sua volta, nós nos encontraremos com Jesus, face a face, e então seremos transformados, seremos semelhantes a ele, puros em nossos pensamentos, em nossos sentimentos; nossas almas brilharão como a luz do sol.
É a esperança de que também nos encontraremos com todos os redimidos, todo o povo de Deus, gente de toda tribo, língua, povo e nação, comprada com o sangue de Jesus, gente com quem nos identificamos.
E lá já não seremos peregrinos e forasteiros, estaremos em nossa pátria, onde todos “falam a mesma língua, têm os mesmos costumes, os mesmos prazeres”.
É a esperança de que lá já não haverá morte, nem crimes, nem violência alguma, nem dor, nem enfermidade, nem lágrima.
É esta esperança que nos dá paciência nas tribulações, pois ela nos diz que nelas nossa fé não está sendo somente testada, mas fortalecida e aprovada.
É esta esperança que nos faz perseverantes. Às vezes, diante das tribulações, o nosso coração sucumbe e fraqueja por um tempo, mas a esperança reacende a chama da fé.
Quantas vezes nós fraquejamos, tantas são as vezes que levantamos com fé renovada, pois a esperança não morre dentro de nós.
É esta esperança que nos faz corajosos.
Somos felizes porque a nossa fé está em Jesus. Somos felizes porque temos esperança em Jesus. E também somos felizes por que...
3. Em Jesus está o nosso amor
v. 8 – “A quem não havendo visto, amais...”
Eu sei de um rapaz que certo dia conheceu uma jovem que se tornou especial para ele.
No começo eram apenas conhecidos, e depois se tornaram amigos.
Mas conforme os dias foram passando, eles começaram a sentir algo mais um pelo outro: gostavam de conversar um com o outro, tinham os mesmos interesses, e quando discordavam, as discordâncias não atrapalhavam a amizade. Quando se separavam, um ficava pensando no outro, e só de pensar um no outro, os seus corações ficavam cheios de alegria.
Eu conheço um casal que teve um bebê. Antes deste bebê nascer, eles se prepararam para a vinda dele: berço, roupinhas, utensílios para a alimentação, para o banho; além, é claro, de se prepararem emocional e intelectualmente, lendo a respeito a tudo o mais.
Então o bebê nasceu: aquela “coisinha miúda”, carente, dependente, que no começo só faz dormir, mamar, sujar as fraldas, tirar o sono dos pais e dar trabalho. Mas irmãos, que felicidade este casal tem, só de olhar para ele, de pensar no bebezinho.
Eu conheço um homem cujo pai faleceu, e sua mãe é idosa. Este homem se deleita em sua mãe. Ele gosta dela e sempre está pensando em como ela está, o que ela precisa, se ela está feliz. E quando ele sabe que ela está bem, não tem alegria maior para ele do que esta. Ele está mesmo disposto a sacrifícios, desconforto, porque seu desejo é vê-la bem. Se ela está feliz, ele também.
Eu conheço um homem que tem um amigo. Um dia eles brigaram. Eles se desentenderam a respeito de um assunto, uma promessa não cumprida, e os ânimos foram se acirrando de tal maneira que ficaram bravos e voltaram as costas um para o outro.
Mas algum tempo depois, se encontraram "por acaso", e nisto começaram a conversar, e se reconciliaram. Quando cada um seguiu o seu caminho, estavam transbordantes de alegria.
Você entende o que eu estou falando, não é?
A capacidade de amar é um destes dons maravilhosos com os quais fomos habilitados, pois Deus nos criou à sua imagem e semelhança, e Deus é amor.
Além disto, quando cremos no Evangelho, conforme a Escritura nos ensina, o Espírito Santo, que é Espírito de amor, veio habitar em nossos corações, e o amor de Deus foi derramado com ele, dentro de nós.
E você sabe disto:
Quem ama é paciente e bondoso. Quem ama não é ciumento, nem orgulhoso, nem vaidoso. Quem ama não é grosseiro nem egoísta; não fica irritado, nem guarda mágoas. Quem ama não fica alegre quando alguém faz uma coisa errada, mas se alegra quando alguém faz o que é certo. Quem ama nunca desiste, porém suporta tudo com fé, esperança e paciência. O amor é eterno [2].
Quem ama nunca fecha o coração para o seu irmão; quem ama anima, fortalece, repreende, corrige, quem ama ajuda.
Nestas coisas todas, aquele que ama sente uma alegria enorme. Quem ama é feliz. Pois quem ama está vivendo de acordo com a natureza criada por Deus.
E se amar nos faz felizes, amar a Deus nos faz eternamente felizes. Quem ama tem o seu prazer na lei do Senhor, e nesta lei medita de dia e de noite.
Quem ama o Senhor se deleita em ver sua graça e sua glória em todas as coisas, sejam daqui, sejam eternas.
Aquele que ama a Deus consegue ver a sua mão cuidando e dirigindo as coisas da natureza e o curso da história de cada vida.
Aquele que ama a Deus se deleita na igreja, na família, nos irmãos e amigos, e se deleita até na solidão.
Aquele que ama a Deus se deleita em tudo, pois nele nos movemos e existimos.
Tenho afirmado duas fontes deste amor que habita em nós: a nossa natureza humana, que feita à imagem de Deus, nos capacita a amar; amor que se torna aperfeiçoado pelo Espírito de Deus derramado em nosso coração quando cremos no evangelho.
Quero acrescentar mais uma: o nosso conhecimento do amor que Deus tem por nós.
No v. 3 aqui do cap. 1, a Escritura nos diz que fomos regenerados pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos.
Jesus ressuscitou, e se ressuscitou, antes havia morrido. Que coisa espantosa: o Filho de Deus, aquele que é eterno, morto.
Pedro, que esteve no “monte da transfiguração”, não viu somente o esplendor glorioso de Jesus.
Também o viu em sua humilhação, na horrenda morte de cruz. E entendeu o porquê de tanto sofrimento.
Este mesmo Jesus, na noite anterior ao dia de sua morte, ao instituir a santa ceia, depois de haver agradecido ao Pai, deu aos discípulos o pão e o vinho, dizendo: – “Comei dele todos, bebei dele todos, porque isto é o meu corpo e o meu sangue dado por muitos”.
Por isto é que nesta carta Pedro também escreve sobre o sentido da cruz:
1ª Pe 2:22-25
Jesus não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca; 23 pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente, 24 carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados.  25 Porque estáveis desgarrados como ovelhas; agora, porém, vos convertestes ao Pastor e Bispo da vossa alma.
Jesus nunca agrediu qualquer pessoa, nunca se aproveitou de ninguém, nunca foi grosseiro ou egoísta, nunca pecou.
Mas morreu na cruz, porque ali estava levando sobre si os nossos pecados, a fim de que os pecados não mais nos escravizassem.
Morreu para ser o cuidador das nossas almas.
Ele nos amou com amor eterno, ele nos desejou, e se tornou o nosso pastor.
Nós o amamos porque ele nos amou primeiro. E somos felizes com ele. Vivemos com ele, andamos com ele, em nosso coração. Falamos com ele, ouvimos a sua voz.
E por fim, nos veremos o nosso amado face a face. Então a alegria será completa.
Conclusão e aplicação
Porque somos felizes?
Porque nossa confiança está em Jesus. Porque nossa esperança está em Jesus. Porque nosso amor está em Jesus.
Não deixe que as guerras que as paixões fazem contra a nossa alma, os ataques de Satanás, as tribulações que este mundo trazem a nós, tirem a sua alegria e felicidade.
Porque você, crente em Jesus, tem conhecido aquele que nos amou primeiro, que nos escolheu, e que pela sua muita misericórdia nos regenerou para a vida eterna.
Temos conhecido a Deus, nosso Pai. Temos conhecido a Jesus, nosso redentor. Temos conhecido o Espírito Santo, nosso Santificador.
E ele é a nossa fonte de felicidade.



[1] Testemunho dado por Paul Young Choo, em A quarta dimensão (Ed. Vida, 1981), cap. 4. Não concordo com a “doutrina” esposada por Choo. Mas cito o fato acontecido durante a guerra da Coréia, por ver nele um exemplo maravilhoso do que a esperança em Cristo opera no coração dos crentes.
[2] 1ª Co 13:4-8 – Nova Tradução na Linguagem de Hoje

domingo, 31 de maio de 2015

Nas noites escuras - Jo 6:16-21

IPC em Pda. de Taipas
Domingo, 31 de maio de 2015
Pr. Plínio Fernandes
Meus irmãos, vamos ler João 6:16-21
Ao descambar o dia, os seus discípulos desceram para o mar. 17 E, tomando um barco, passaram para o outro lado, rumo a Cafarnaum. Já se fazia escuro, e Jesus ainda não viera ter com eles.  18 E o mar começava a empolar-se, agitado por vento rijo que soprava.  19 Tendo navegado uns vinte e cinco a trinta estádios, eis que viram Jesus andando por sobre o mar, aproximando-se do barco; e ficaram possuídos de temor.  20 Mas Jesus lhes disse: Sou eu. Não temais!  21 Então, eles, de bom grado, o receberam, e logo o barco chegou ao seu destino.
Nós lemos aqui sobre um evento extraordinário, narrado por Mateus, Marcos e João[1]: a noite em que Jesus, dominando as “leis da natureza” [2], andou por sobre as águas agitadas do mar da Galiléia, vindo ao encontro dos seus discípulos, que estavam em apuros.
Foi uma grandiosa demonstração do poder de nosso Senhor, de como ele é soberano, de como ele governa sobre tudo.
Mas além disto, segundo entendemos, é também uma verdadeira parábola narrada através dos acontecimentos, para enriquecer nossa compreensão das nossas experiências espirituais, da nossa vida com Deus.
Este acontecimento ilustra como, nas noites escuras, nos mares agitados desta vida, ainda que pareça tarde, Deus sempre vem ao nosso encontro, e em sua vinda alcançamos descanso para nossas almas.
1. Primeiro, eu quero chamar a atenção dos irmãos para o que diz o v.17 - ele nos faz saber que, por assim dizer, Jesus estava “atrasado” para o encontro
Já se fizera escuro, e Jesus ainda não viera ter com eles.
Até aquele momento Jesus não havia chegado.
Além de João, Mateus e Marcos nos contam que foi depois de um intenso dia de trabalho de Jesus e seus discípulos: ele havia ensinado muito; depois, no fim da tarde, preocupado com o bem-estar e saúde de tantas pessoas que passaram o dia a ouvir seus ensinamentos, ele havia multiplicado os pães, alimentando a imensa multidão[3].
Então ordenou aos seus discípulos que atravessassem para o outro lado do mar, enquanto despedia as multidões.
Depois subiu à região montanhosa, para estar as sós com o Pai celestial e orar (ele sabia que não é necessário ir ao monte para orar, mas como “não tinha onde reclinar a cabeça” [4], os montes e os desertos eram seus lugares secretos de oração[5]).
Enquanto Jesus orava, os discípulos começaram a se ver em grandes dificuldades.
O mar da Galiléia, na realidade é um imenso lago, de uns 20 km de extensão por 10 de largura.
Fica numa profunda depressão, cerca de 200 m abaixo do nível do mar, cercado por montanhas e alguns vales bem estreitos.
Durante a maior parte do tempo o ar ali é quente e parado, mas às vezes, correntes de ar frio passam por cima das montanhas, e são sugadas em redemoinhos para baixo, formando assim, de repente, fortíssimas tempestades de vento.
E era isto o que estava acontecendo. Imagine um barquinho pequenino, balançando de um lado para outro, no meio de um imenso lago, alta madrugada, o céu turbado e as águas agitadas pela força do vento, numa época em que não havia os recursos de iluminação que temos agora.
Jesus estava longe. E para uma situação como esta, homem algum, mesmo pescadores experimentados, estão realmente preparados.
Em outra ocasião, durante outra tempestade, estando Jesus com eles no barco, ele tão somente levantou-se, repreendeu o vento e as ondas, e fez-se bonança[6].
Mas agora Jesus não estava ali.
E não é que Jesus não estivesse ali realmente:
Marcos[7] nos diz que Jesus, do monte onde estava, contemplava tudo o que acontecia, e percebia a dificuldade que os discípulos estavam tendo, porque o vento lhes era contrário, e então desceu o monte, para vir ao encontro de seus discípulos.
Mas, nos diz João, até aquele momento Jesus ainda não havia chegado. E já eram pelo menos três horas da madrugada[8].
Irmãos, existem horas, existem tempos
Em que nossa vida se torna como que numa noite escura e longa.
Em que os ventos das circunstâncias contrárias,
A agitação dos problemas, das emoções, de crises em nossa existência, nos transtornam.
Fica difícil remar, conduzir o barco da nossa vida
E muitas vezes sentimos que, ao contrário das promessas que nos faz, de socorrer
Jesus ainda não veio, ainda está longe, está demorando.
As águas estão revoltas, a noite escura, e ele não vem, não age, está atrasado
Você avalia sua vida:
Você é discípulo de Jesus. Está neste barco porque ele mandou, e prometeu estar com você todos os dias
Por outro lado, ele sabe tudo: seus problemas, suas aflições.
Ele pode qualquer coisa: apenas com uma ordem, um estalar de dedos, e tudo seria transformado.
Mas ele não o faz, ele não age; pior: parece que ele nem está presente.
Irmão, se é assim que você às vezes tem se sentido, deixe-me consolar seu coração dizendo que o mesmo já sentiram muitos santos do passado.
Quero citar alguns exemplos
Sl 74:1,11
Por que nos rejeitas, ó Deus, para sempre? Por que se acende a tua ira contra as ovelhas do teu pasto?
Por que retrais a mão, sim, a tua destra, e a conservas no teu seio?
Neste salmo, Asafe, homem de Deus, expressa o sentimento de rejeição por parte do Senhor. Deus como que “encolheu a mão”, virou o rosto, e não atende.
Ele sente que Deus está se omitindo.
Sl 89:46
Até quando, SENHOR? Esconder-te-ás para sempre? Arderá a tua ira como fogo?
Deus está escondido, irado
Is 63:19 e 64:1
Tornamo-nos como aqueles sobre quem tu nunca dominaste e como os que nunca se chamaram pelo teu nome. Oh! Se fendesses os céus e descesses! Se os montes tremessem na tua presença...
Moisés, Davi, Elias, Jeremias, e tantos outros, muitas vezes sentiram que Deus estava longe; e os discípulos ali no mar.
2. Mas, eu também quero trazer à nossa mente este segundo fato: se Jesus ainda não havia chegado, isto quer dizer que depois ele chegou.
De repente, ele apareceu.
Eu fico imaginando que coisa bonita deve ter sido aquela cena toda: as águas agitadas, o vento forte, a escuridão.
E sobre as águas, o Senhor Jesus.
O Senhor forte e poderoso - nada o incomoda, nada lhe aflige, nada frustra o seu propósito, nada o faz desviar-se de seus intentos, e seu propósito é dar segurança aos seus discípulos
Mas os discípulos ficaram tão espantados com aquela pessoa andando sobre as águas! Mateus nos diz que eles pensaram que fosse um fantasma, e começaram a gritar apavorados[9].
Porque eles simplesmente não conseguiriam sequer imaginar que o Senhor Jesus viesse a eles desta maneira – eles ainda não haviam aprendido o que está escrito em Ef 3:20 que Deus é
Aquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós...
Sim, irmãos, muitas vezes, é quando menos esperamos que Jesus vem, e age.
Se Jesus queria ir onde estavam os discípulos, nós pensamos, ele deveria tomar outro barco, ou da praia mesmo acalmar a tempestade.
Mas precisamos entender que ele é soberano:
Ele age sobre as circunstâncias – anda sobre as águas, anda contra o vento forte, pois é mais forte que o vento; anda na escuridão, pois ele é a luz.
Ele é soberano sobre o tempo – sabe a hora exata de intervir.
Ele age como quer, conforme a sabedoria de sua vontade:
Por exemplo
Em Lucas 18, o Evangelho nos conta sobre a cura de um cego chamado Bartimeu. Jesus disse: o – “Recupera a tua vista; a tua fé te salvou”, e imediatamente, pela Palavra do Senhor, o homem tornou a ver[10].
Em João 9, Jesus cura outro cego. Mas desta vez ele cospe no chão, faz um pouco de lodo com a saliva, aplica aos olhos do cego e ordena: – “Vai, e lava-te no tanque de Siloé”. O homem fez o que Jesus ordenou, e foi curado[11].
E em Marcos 8, Jesus está numa aldeia chamada Betsaida, quando cura outro cego. Mas desta vez leva o cego para fora da cidade, coloca um pouco de saliva nos olhos do homem e pergunta: – “Vês alguma coisa?”
E o homem responde: – “Vejo os homens, como árvores os vejo andando”.
Então o Senhor novamente coloca as mãos sobre os olhos do homem, e ele passa a ver tudo perfeitamente[12].
É o mesmo Jesus, mas de modos diferentes; seu caráter não muda: é sempre bom, compassivo, mas ele é soberano em sua maneira de agir, não está preso a leis fixas, a não ser ao seu próprio caráter.
Irmão, se “as águas do mar da sua vida estão agitadas”, espere. Jesus irá agir. Ele virá. Tenha certeza.
Talvez seja da maneira como você menos espera
O profeta Isaías nos diz que às vezes, Deus já está atendendo ao que vamos pedir antes mesmo que nós oremos[13].
Mas se isto não acontece sempre, espere só mais um pouco
Hb 10:37, 38
Não abandoneis, portanto, a vossa confiança; ela tem grande galardão.  36 Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa.  37 Porque, ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá e não tardará; 38 todavia, o meu justo viverá pela fé; e: Se retroceder, nele não se compraz a minha alma.  39 Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma.
Aqui o Espírito Santo está nos falando sobre o dia da volta de Jesus.
Não falta muito tempo, ele diz. Aos nossos olhos, pode parecer demorado, mas à luz da eternidade, será logo.
Mas para alcançar a promessa, é necessário permanecer nesta esperança de fé.
Na hora de Deus, do jeito de Deus, ele vem, intervém, age, opera.
E sabe o que acontece quando ele vem?
3. Ele recupera todo o “tempo perdido”
v.21 - Então, eles, de bom grado, o receberam, e logo o barco chegou ao seu destino
O tempo nunca é preocupação para Deus. Ele está cima. Age no tempo, fora do tempo e até contra o tempo, como no dia em que os israelitas lutavam contra os amorreus – o dia estava acabando, e a batalha ainda não fora ganha. Então Josué orou, e o sol não se pôs enquanto a luta não terminou[14].
No dia em que Ezequias foi curado, o Senhor fez com que a sombra do relógio solar retrocedesse, a fim de que o vacilante enfermo soubesse que seu milagre estava para chegar[15].
Quando Moisés tentou, por suas próprias forças, libertar os israelitas da escravidão no Egito, não conseguiu. Mas quarenta anos depois, Deus o fez, usando o mesmo Moisés, e de uma vez por todas[16].
Ou Lázaro: João 11 nos diz que Jesus soube que seu querido amigo Lázaro, que morava na cidade de Betânia, estava gravemente enfermo. Dois dias depois foi até La, mas quando chegou, seu amigo já estava morto e sepultado havia quatro dias.
Maria, a irmã do morto, disse que Jesus havia chegado atrasado.
E Jesus manifestou a sua glória, tirando a Lázaro de entre os mortos.
Quando Deus age, ele recupera o “tempo perdido”.
Às vezes, ficamos olhando para a vida, o tempo se esvai rapidamente, sentimos que estamos perdendo tempo.
– “Senhor, por que o Senhor não age logo”?
– “Porque suas promessas demoram tanto”?
– “Porque meus problemas parecem não ter fim”?
– “Por quê?”
Deus tem seus tempos.
Vocês todos que estão aqui conhecem a igreja de Vila Continental; uma das igrejas mais bonitas que eu conheço. Ela não foi organizada de uma hora para outra. Na verdade, foram longos 36 anos como congregação, antes que pudesse ser organizada como igreja. Mas cada vez que chego lá, e participo da comunhão daqueles queridos irmãos no Senhor, que santa delícia é estar ali.
Deus tem seus tempos. Deus tem seus modos. Deus tem seu caráter: sua Palavra, seus desejos.
Conclusão e aplicação
Querido irmão, como está sua vida?
O mar está agitado? A noite está escura? Você se sente sem direção? Os ventos contrários são fortes?
Jesus está vendo tudo. Confie nele: não pule do barco, não fuja, fique, espere em Deus; ele agirá.
Entregue o teu caminho ao Senhor, confie nele, e o mais ele fará[17].
E quando ele agir, você verá que não foi tempo perdido. Ele tira todo o atraso. Amém?

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[1] Mt 14:22-33; Mc 6:45-52
[2] Jeremias chama as “leis da natureza” de “leis fixas do céu e da terra” (Jr 31:35, 36; Jr 33:25 – ARA)
[3] Mt 14:13-21; Mc 6:30-44
[4] Mt 8:20
[5] Mc 1:35; Lc 6:12 etc.
[6] Mt 8:26
[7] Mc 6:48
[8] Mt 14:25 – “Quarta vigília da noite”: entre 3 e 6 horas da manhã.
[9] Mt 14:26
[10] Lc 18:35-43
[11] Jo 9:1-7
[12] Mc 8:22-26
[13] Is 65:24
[14] Jo 10:12-15
[15] Is 38:1-8
[16] At 7:23-36
[17] Sl 37:5

domingo, 20 de abril de 2014

Ver a Jesus - Lc 24:13-35

IPC em Pda. de Taipas
Domingo, 20 de abril de 2014
Pr. Plínio Fernandes

Amados irmãos, vamos ler Lucas 24:13-35
15 Aconteceu que, enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e ia com eles.  16 Os seus olhos, porém, estavam como que impedidos de o reconhecer.  17 Então, lhes perguntou Jesus: Que é isso que vos preocupa e de que ides tratando à medida que caminhais? E eles pararam entristecidos.  18 Um, porém, chamado Cleopas, respondeu, dizendo: És o único, porventura, que, tendo estado em Jerusalém, ignoras as ocorrências destes últimos dias?  19 Ele lhes perguntou: Quais? E explicaram: O que aconteceu a Jesus, o Nazareno, que era varão profeta, poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo,  20 e como os principais sacerdotes e as nossas autoridades o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram.  21 Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel; mas, depois de tudo isto, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam.  22 É verdade também que algumas mulheres, das que conosco estavam, nos surpreenderam, tendo ido de madrugada ao túmulo;  23 e, não achando o corpo de Jesus, voltaram dizendo terem tido uma visão de anjos, os quais afirmam que ele vive.  24 De fato, alguns dos nossos foram ao sepulcro e verificaram a exatidão do que disseram as mulheres; mas não o viram.  25 Então, lhes disse Jesus: Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram!  26 Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória?  27 E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras.  28 Quando se aproximavam da aldeia para onde iam, fez ele menção de passar adiante.  29 Mas eles o constrangeram, dizendo: Fica conosco, porque é tarde, e o dia já declina. E entrou para ficar com eles.  30 E aconteceu que, quando estavam à mesa, tomando ele o pão, abençoou-o e, tendo-o partido, lhes deu;  31 então, se lhes abriram os olhos, e o reconheceram; mas ele desapareceu da presença deles.  32 E disseram um ao outro: Porventura, não nos ardia o coração, quando ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha as Escrituras?  33 E, na mesma hora, levantando-se, voltaram para Jerusalém, onde acharam reunidos os onze e outros com eles,  34 os quais diziam: O Senhor ressuscitou e já apareceu a Simão!  35 Então, os dois contaram o que lhes acontecera no caminho e como fora por eles reconhecido no partir do pão.
Antes de sua morte, o Senhor Jesus havia feito certas promessas aos seus discípulos, dizendo a eles que, conforme ensinavam as Escrituras do Antigo Testamento, ele iria morrer na cruz, pelos pecados dos homens
Disse-lhes que isto era necessário. A Bíblia nos ensina que “o salário do pecado é a morte”, e sendo nós pecadores, caiu sobre nós a sentença de morte, a sentença de estarmos separados de Deus por toda a eternidade, mas ainda que mortos neste sentido, conscientes de uma existência de eterno sofrimento no inferno.
Por causa de nossos pecados estávamos não somente separados de Deus, mas também entregues nas mãos de Satanás, o inimigo de nossas almas.
Acontece que Deus, o Pai, e Seu Filho, o Senhor Jesus, por causa de seu grande amor para conosco,  determinaram em si mesmos um plano de ação através do qual o nosso pecado seria castigado, mas que ao mesmo tempo seria retirada de nós a sentença de morte e seríamos também libertados da escravidão e do domínio do pecado e do diabo. Um plano através do qual Satanás seria derrotado.
O Pai, o Filho, e também o Espírito Santo, determinaram que o Filho viria ao mundo, viveria neste mundo uma vida santa e reta, mas que no final de seus dias na terra seria levado à morte. Ele não precisava morrer por haver cometido algum pecado. Ele não cometeria pecado algum, sempre se manteria puro, mas ainda assim ele seria morto, não por causa dos pecados dele, mas por causa dos nossos pecados, em nosso lugar.
E então, depois de ter morrido por nós, Deus, o Pai, mediante o poder do Espírito Santo iria ressuscitá-lo. Ele iria triunfar sobre a morte, e por meio de sua ressurreição iria garantir que no dia do juízo todos nós, os que cremos nele, iremos ressuscitar também.
Foi o maravilhoso plano de Deus, através do qual a morte foi vencida, nossos pecados perdoados, e Satanás foi derrotado. Foi o triunfo do amor de Deus.
E antes de Jesus morrer ele disse aos discípulos que era isto o que iria acontecer. Ele disse mesmo que entre os seus contemporâneos havia muita gente que não passaria pela morte, antes que chegasse o reino de Deus com poder.
Então se cumpriram as palavras de Jesus. Em Jerusalém ele foi preso, julgado como se fosse um criminoso, levado à morte de um criminoso, e sepultado.
Era o plano de Deus que estava se realizando. Era chegada a hora em que as trevas pareciam estar vencendo, mas era precisamente nesta hora que o reino de Deus estava vencendo, chegando com poder.
Mas naquela hora, quando tudo estava acontecendo como previsto, os discípulos simplesmente se esqueceram de tudo quanto Jesus havia falado anteriormente.
Fugiram assustados. Mesmo depois, quando ouviram falar que Jesus havia ressuscitado, continuaram assustados, sem acreditar nisto.
Mesmo que mulheres piedosas estivessem falando que o reino de Deus veio com poder, eles ainda continuavam acreditando que o mal havia triunfado, e que eles estavam derrotados.
Estes dois estavam a caminho de uma pequena cidade, distante cerca de dois quilômetros de Jerusalém.
Jesus estava ali, caminhando com eles, mas eles estavam se sentindo derrotados, pois não conseguiam enxergar a Jesus. Tinham olhos mas não viam.
Depois, quando reconheceram a Jesus, toda a perspectiva mudou, e de gente triste e derrotada eles passaram a ser alegres testemunhas da ressurreição do Senhor
Perceber a presença de Jesus é indispensável para que sejamos pessoas vitoriosas, e testemunhas dele diante do mundo.
Reconhecer a presença de Jesus!
Tomando esta narrativa como ilustração, é sobre isto que desejo meditar com os irmãos.
Precisamos reconhecer que Jesus está presente
A Bíblia nos ensina que o reino de Deus está aqui; já chegou. Jesus já triunfou sobre a morte. Ele é Senhor do céu e da terra. Ele é quem tem autoridade sobre tudo e sobre todos
A Bíblia também nos ensina que Jesus está conosco todos os dias de nossa vida
Jesus nos afirma nas Escrituras:
Onde estão dois ou três reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles.
Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.
No mundo, tereis aflições, mas tende bom ânimo, pois eu venci o mundo;
E o Apóstolo João, para nos encorajar, falando a respeito de que Jesus, por meio de seu Espírito Santo, habita em nós, nos diz assim: “Maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo”.
Falando por meio de Isaías ele nos assegura: “Mesmo quando você estiver passando por rios, estou com você; mesmo quando você passar por provas de fogo, eu estou com você: tomando você pela mão, fortalecendo e dizendo - não tenha medo porque eu te ajudo”
A Bíblia também nos assegura que Jesus, o nosso Senhor e Deus, que está conosco todos os dias, não é um “deus com letra minúscula”, fraco, derrotado, que às vezes consegue fazer alguma coisa em nosso favor, às vezes não consegue.
Não! Jesus, o nosso Senhor, é todo poderoso. É Deus que derrotou Satanás na cruz, porque morreu e ressuscitou. Como diz a carta aos Hebreus, “Destruiu aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo”.
É Deus que matou a morte. E é Deus que só morreu por que isto fazia parte de seu plano para nos salvar, para nos dar vida. E é Deus que dirige todo o universo, e todos os acontecimentos do universo, de acordo com o poder de sua vontade e de acordo com seu plano de amor e sabedoria
Nada de nossa vida escapa do controle de nosso Deus e Senhor. Não tem um fio de cabelo de nossa cabeça que caia sem o conhecimento dele (Lc 12:7)
“A vosso Pai”, disse Jesus, “agradou dar-vos o reino de Deus” (Lc 12:32)
Somos herdeiros de Deus, herdeiros do reino de Deus.
Tudo em nossa vida é dirigido pelo Deus todo poderoso, que faz todas as coisas “conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1:11).
Mas sabe o que acontece? Muitas vezes, nós somos como aqueles dois discípulos no caminho de Emaus.
Não conseguimos perceber a presença de Jesus. Não conseguimos ver que Deus está em tudo o que acontece
Não conseguimos perceber que Deus tem um plano em tudo o que acontece
E neste texto existem duas marcas daquele que não consegue enxergar o poder do Senhor
A primeira é tristeza
v. 17
Então, lhes perguntou Jesus: Que é isso que vos preocupa e de que ides tratando à medida que caminhais? E eles pararam entristecidos.  
Os irmãos sabem: eu não estou dizendo que nunca há lugar para a  tristeza na vida de um crente. O que estou dizendo é que quando sabemos que tudo está sob a direção de Deus, então temos a capacidade de nos alegrar, de nos fortalecer, mesmo em meio a toda a tristeza
Eu quero dar um exemplo do próprio Senhor
Jo 12:27
Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora.
Jo 13:21
Ditas estas coisas, angustiou-se Jesus em espírito e afirmou: Em verdade, em verdade vos digo que um dentre vós me trairá.
Agora vamos comparar com Jo 15:11
Tenho-vos dito estas coisas para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo.
Você vê? Mesmo em meio à profunda angústia que estava experimentando, o Senhor Jesus pode dizer que estava com o coração transbordante de uma alegria que podia até ser partilhada.
A segunda marca é a falta de esperança
v. 21
Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel; mas, depois de tudo isto, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam.
Já não tinham mais a esperança de que o reino de Deus se manifestasse
Você se lembra que em meio a toda  sua tristeza Jesus tinha alegria? Qual era o segredo? - o porquê: Jo 16:20-22
20 Em verdade, em verdade eu vos digo que chorareis e vos lamentareis, e o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em alegria.  21 A mulher, quando está para dar à luz, tem tristeza, porque a sua hora é chegada; mas, depois de nascido o menino, já não se lembra da aflição, pelo prazer que tem de ter nascido ao mundo um homem. 22 Assim também agora vós tendes tristeza; mas outra vez vos verei; o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém poderá tirar.
Meu irmão: as mãos do Senhor dirigem o teu destino. Ele é vencedor; é um Deus todo poderoso. Não é um derrotado
Talvez você esteja passando por muitas tristezas. Muitas lágrimas. Mas se você ver que a mão de Deus está em tudo, então você verá também que as suas dores são como que dores de parto: dores que trazem vida, que trazem bênção
Ver a Jesus, ver o todo poderoso, mesmo quando parece que o mal está triunfando, é uma atitude de fé
v. 25-27
25 Então, lhes disse Jesus: Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram!  26 Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória?
Notem uma coisa, meus irmãos: em lugar algum aqui está escrito que ele não estavam reconhecendo Jesus porque ele estava “disfarçado”, ou diferente.
No foi porque o Senhor estava cegando o entendimento deles ( aliás, quem cega o entendimento é o diabo).
Não - o que Jesus diz aqui é que o problema deles era falta de fé; era dureza de coração, e por isto não criam nas Escrituras. E este era o problema deles.
Então, o que faz o Senhor? Mais uma vez, pacientemente, desde Gênesis até Malaquias, vai explicando, cada detalhe, como nada estava fora de lugar; como tudo era plano de Deus
E à medida em que Jesus explica, o coração deles vai se aquecendo, eles vão sendo preparados, os olhos vão gradativamente se abrindo
Quando Jesus pega um pedaço de pão para servi-los, e abençoa este pão, os olhos deles se abrem, e eles reconhecem que era o Senhor
Eu entendo que neste acontecimento Jesus faz duas coisas para abrir os olhos destes homens:
A primeira é recordar o ensino das Escrituras. Recordar, porque na realidade eles já sabiam. Mas a nossa natureza é propensa a se esquecer, a não entender; então precisamos ser lembrados. E se não sabemos precisamos ser ensinados. De qualquer forma o que precisamos é ser encaminhados nas Escrituras
Vamos ler Rm 10:17
E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.
E agora Rm 15:4
Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança.
A segunda coisa que Jesus fez foi provar para eles que as Escrituras são verdadeiras, estando ali com eles. Jesus honra sua palavra.
Amado: se você tem dificuldade de enxergar as mãos de Jesus nos acontecimentos de sua vida, volte-se para as Escrituras. Medite nelas, relacione elas com sua vida. Veja o que dizem os vs. 44-48. Peça que o Senhor abra os olhos do seu entendimento.
O que acontece quando vemos que Jesus está vivo. O que acontece quando sabemos que ele está presente
v. 35
Então, os dois contaram o que lhes acontecera no caminho e como fora por eles reconhecido no partir do pão.
Eles imediatamente passaram a ser testemunhas de Jesus também.
Vejam: ser testemunhas de Jesus era o propósito para o qual Jesus escolheu seus discípulos.
A partir do momento em que eles conheceram Jesus, a vida deles era destinada a isto. Assim como a nossa!
Todo aquele que conhece a Jesus passa a ter como propósito principal de vida o glorificar a Deus vivendo em santidade, amor, alegria, justiça e paz - ser uma testemunha de Jesus em sua maneira de viver.
Todo aquele que conhece a Jesus passa ater como propósito principal de sua vida o glorificar a Deus testemunhando de Jesus através do que disser.
Mas você já viu alguém triste ser uma testemunha eficaz?
Você já viu alguém sem esperança ser uma testemunha eficaz?
Você já viu alguém que “não vê” Jesus, com o coração endurecido, ser uma testemunha eficaz?
Mas o contrário também é verdadeiro: quando alguém vê o poder do reino de Deus em sua vida; quando alguém reconhece a mão do Senhor, então, mesmo que o mundo inteiro esteja dizendo que Deus está morto, ele sabe que não. Ele sabe que Deus está bem vivo, que Satanás é um derrotado, e então ele se alegra no Senhor, ele tem o coração cheio de esperança, e ele diz como Jó - mesmo que ele me mate, nele esperarei! Ele se torna uma testemunha do Senhor!
Vamos encerrar nossa meditação lendo Pv 3:5,6
5 Confia no SENHOR de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento.  6 Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas.
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