Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

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sexta-feira, 15 de março de 2013

O amado de Deus Pai - Mt 3:1-17


Igreja Evangélica Presbiteriana
Domingo, 25 de março de 2012
Pr. Plínio Fernandes
Meus irmãos, vamos ler Mateus 3:1-17
1 Naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia e dizia: 2 Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus. 3 Porque este é o referido por intermédio do profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. 4 Usava João vestes de pêlos de camelo e um cinto de couro; a sua alimentação eram gafanhotos e mel silvestre. 5 Então, saíam a ter com ele Jerusalém, toda a Judéia e toda a circunvizinhança do Jordão; 6 e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados. 7 Vendo ele, porém, que muitos fariseus e saduceus vinham ao batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura? 8 Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; 9 e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão. 10 Já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo. 11 Eu vos batizo com água, para arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. 12 A sua pá, ele a tem na mão e limpará completamente a sua eira; recolherá o seu trigo no celeiro, mas queimará a palha em fogo inextinguível. 13 Por esse tempo, dirigiu-se Jesus da Galiléia para o Jordão, a fim de que João o batizasse. 14 Ele, porém, o dissuadia, dizendo: Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim? 15 Mas Jesus lhe respondeu: Deixa por enquanto, porque, assim, nos convém cumprir toda a justiça. Então, ele o admitiu. 16 Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele.17 E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.
Vocês se lembram que, ao tempo do nascimento de Jesus, José e Maria tinham parentes que residiam na Judéia, na “região montanhosa de Efraim”. Havia uma prima de Maria, chamada Isabel, esposa do sacerdote Zacarias. Poucos meses antes de Jesus nascer, Zacarias e Isabel também tiveram um filho, a quem deram o nome de João.
Este João, “parente” de Jesus, tornou-se um profeta, e é sobre ele que lemos aqui, no início do capítulo 3 do Evangelho de Mateus. Mais tarde, quando chegarmos ao capítulo 11, teremos oportunidade de voltar a João Batista de modo mais amplo, diante do testemunho que o próprio Senhor Jesus deu a respeito dele.
Nos dias da Reforma Protestante surgiram grupos que mais tarde também vieram a ser chamados “batistas”, mas naturalmente não existem vínculos históricos com este profeta. Ele é chamado “batista”, ou “batizador”, porque começou a pregar a Palavra de Deus, exortando às pessoas que se arrependessem de seus pecados, voltassem para Deus, começassem vida nova, e chamando-as a se submeterem ao batismo com água como uma expressão de sua purificação espiritual.
Embora os ritos batismais não fossem uma novidade entre os judeus, os termos de João Batista é que eram. Pois ele pregava uma purificação total de vida, uma mudança radical de pensamento; pregava conversão, porque o reino de Deus estava se aproximando, e as pessoas deviam se preparar para ele. As pessoas precisavam se arrepender, ele dizia, porque em breve viria alguém muito maior, alguém a quem ele servia.
Ele, João, batizava com água, mas aquele que viria em breve batizaria com o Espírito Santo e com fogo. Este alguém traria salvação; mas também traria juízo, como um homem que vai ao campo para colher os frutos de suas árvores, e percebe que algumas não dão fruto. Então ele toma um machado, corta as árvores que não dão fruto e a transforma em lenha para a fogueira. As pessoas precisavam “produzir o fruto digno do reino, o arrependimento”, antes que chegasse o dia do juízo – arrependimento, “metanóia”, significa transformar a maneira de pensar, e a partir disto, começar uma vida nova.
Então milhares de pessoas vinham a João Batista às margens do rio Jordão, na Judéia, e confessando os seus pecados, eram batizadas por ele. Até os escribas e fariseus, vendo a popularidade do profeta, iam a ele para serem batizados. Mas João, vendo que não era verdadeira a conversão de muitos deles, os exortava a se arrependerem realmente, preparando seus corações para aquele que viria.
Um dia aconteceu uma coisa que nem mesmo João estava esperando. Jesus saiu da Galiléia, ao norte, desceu até à Judéia, e foi encontra-se com João, a fim de ser batizado por ele. Nós sabemos, através do Evangelho de João, que até aquele momento o “batista” não tinha ainda todo o conhecimento de que Jesus era o Messias [1]. Nem sabemos se eles já se conheciam anteriormente.
Mas quando Jesus se aproximou, João o reconheceu e viu que ele não era mais um “simples pecador que precisava se arrepender”. Pois João diz: “Não posso te batizar. Eu é que deveria ser batizado por ti”. E Jesus respondeu: “Deixe por enquanto. É necessário que assim façamos, para que se cumpra toda a justiça”, isto é, para que a justiça que Deus exige seja satisfeita.
Então João batizou ao Senhor. E logo que Jesus saiu da água, os céus como que se abriram; João viu o Espírito de Deus descendo sobre Jesus, como se fosse uma pomba. E uma voz do céu dizia: “Este é o meu filho amado, em quem me comprazo”.
Ao contar todas estas coisas, mais uma vez Mateus nos diz que nisto também estava se cumprindo uma antiga profecia. Pois o profeta Isaías proclamara que, antes que o Senhor viesse, ele enviaria um precursor, um arauto, clamando no deserto: “Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas”. Na vinda de João Batista, Mateus e os demais evangelistas perceberam um cumprimento claríssimo das palavras de Isaías 40 versículo 3. João Batista era a voz que clamava no deserto, que prepararia o caminho do Senhor Deus, o pastor de Israel.
E Jesus, o Senhor que viria: O pastor que carregaria as ovelhinhas nos braços. O criador das estrelas, o Senhor do universo.O Deus que não se cansa nem se fadiga, que faz forte ao cansado, que multiplica as forças do que não tem vigor.
Mais uma vez, Mateus nos apresenta Jesus como o prometido do Antigo Testamento. Por um lado, Jesus é aquele quem trás a nós o cumprimento das promessas de Deus. Por outro lado, ele é quem satisfaz os desejos de Deus em relação a nós. E ele consegue estas duas coisas, porque assume o nosso lugar diante de Deus, como nosso representante. Jesus é a satisfação do coração de Deus.
Vamos começar com o v. 17 – “E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”.
1. Jesus é o amado Filho de Deus
“Este é o meu Filho amado, em quem está o meu prazer, em quem tenho alegria, em quem eu me deleito”. O significado é “aquele em quem o meu prazer está”, isto é, “em quem o meu plano de salvação está centralizado” [2].
Em nossos estudos anteriores, vimos como Mateus comprova que em Jesus se cumprem muitas promessas feitas por Deus no Antigo Testamento. No cap. 1:1-17, Jesus é o descendente de Abraão, por meio de quem são abençoadas todas as nações da Terra. Jesus é também o descendente de Davi, herdeiro de um reino eterno, que reina com amor, sabedoria e justiça. Ainda no cap. 1, do versículo 18 em diante, Jesus é Emanuel, Deus que se fez homem, habitou entre nós e está sempre conosco. É o Deus-Homem que nos salva dos nossos pecados. No cap. 2, Jesus é o rei-pastor, o guia que apascenta suas ovelhas. Os planos do amor de Deus para a nossa salvação, para o nosso cuidado, se cumprem em Jesus.
Deus é santo e justo. Por causa disto era necessário que os nossos pecados fossem castigados. Deus é santo, justo e amoroso. Por causa disto ele desejava perdoar os nossos pecados.  A justiça e o amor santos de Deus não se satisfariam com nada menos que estas duas coisas. Então Deus determinou que em Cristo os nossos pecados seriam castigados.  E que também por causa de Cristo os nossos pecados seriam perdoados.
Há uma passagem no profeta Isaías, que, embora possa nos chocar com sua maneira de falar, representa esta grande verdade.
Is 53:6
“Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos”.
Is 53:10
“Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do SENHOR prosperará nas suas mãos”.
Note o v. 10: “Ao Senhor agradou moê-lo...”, o Senhor desejou que ele sofresse, fazendo cair sobre ele todos os nossos pecados. E agora vejamos o v. 5
“Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados”.
Isto trás consigo pelo menos duas grandes implicações imediatas:
A primeira, irmãos, é que Jesus é o único caminho para a nossa salvação e para todo o nosso relacionamento com Deus. Se ele é o Filho amado de Deus, em quem o Pai se satisfaz, isto quer dizer que não existem outros. Por isto é que Jesus nos diz: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”.[3] Agora vejamos o testemunho de Pedro:
At 4:11-12
“Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular.  12 E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”.
A segunda implicação é que, se Jesus é aquele em quem os planos de Deus se cumprem, ele satisfaz plenamente tudo quanto a justiça de Deus requer. Em outras palavras, Jesus é o nosso suficiente Salvador; não precisamos mais nada, nem mais ninguém, além de Jesus. Por meio de Jesus nós realmente temos paz com Deus. Por meio de Jesus nós fomos para sempre e eternamente reconciliados com o Pai celeste. Por meio de Jesus nós estamos realmente salvos.
2. Em Jesus a vontade de Deus foi plenamente satisfeita
Isto fica patente aos nossos olhos quando vemos o proceder de Jesus em relação a João Batista. Há dois pontos que desejo destacar:
2.1 – Jesus precisou ser batizado com água – isto o identifica conosco
Jesus foi até João a fim de ser batizado. E João ficou espantado.
- “Eu não sou digno de carregar as tuas sandálias. Eu é que deveria ser batizado por ti, e tu vens a mim”?
Pois em Jesus não havia pecado. Não havia coisas das quais ele precisava se arrepender. Não havia pecados que ele precisasse confessar. Não havia imundícies das quais se purificar.Mas Jesus respondeu a João: “Nós precisamos fazer assim, porque esta é a maneira como será satisfeita toda a justiça”.
O que isto quer dizer? Se Jesus não era pecador, porque ele teria que ser batizado com água, como se fosse? Creio que a explicação mais concisa se encontra na 2ª Carta aos Coríntios:
2ª Co 5:21
“Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”.
Jesus estava assumindo em si mesmo a nossa condição de pecadores. Condição que seria levada às últimas consequências quando ele desse a sua vida na cruz em nosso lugar. Estava se identificando conosco como pecadores.
2.2 – Jesus foi ungido com o Espírito Santo – isto o identifica com Deus
Isto é, por um lado, ligado a nós, por outro, ligado ao Pai. Em Isaías há uma profecia lindíssima a respeito da unção de Jesus pelo Espírito Santo
Is 61:1-3
1 O Espírito do SENHOR Deus está sobre mim, porque o SENHOR me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados;  2 a apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os que choram  3 e a pôr sobre os que em Sião estão de luto uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo SENHOR para a sua glória.
No Evangelho de Lucas esta passagem é citada especificamente pelo Senhor
Lc 4:17-21
17 Então, lhe deram o livro do profeta Isaías, e, abrindo o livro, achou o lugar onde estava escrito: 18 O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos,  19 e apregoar o ano aceitável do Senhor. 20 Tendo fechado o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se; e todos na sinagoga tinham os olhos fitos nele. 21 Então, passou Jesus a dizer-lhes: Hoje, se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir.
No livro de Atos o apóstolo Pedro resume muito bem toda a obra de Jesus, iniciando aqui no batismo que João.
At 10:37-42
37 Vós conheceis a palavra que se divulgou por toda a Judéia, tendo começado desde a Galiléia, depois do batismo que João pregou,  38 como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele; 39 e nós somos testemunhas de tudo o que ele fez na terra dos judeus e em Jerusalém; ao qual também tiraram a vida, pendurando-o no madeiro. A este ressuscitou Deus no terceiro dia e concedeu que fosse manifesto, 41 não a todo o povo, mas às testemunhas que foram anteriormente escolhidas por Deus, isto é, a nós que comemos e bebemos com ele, depois que ressurgiu dentre os mortos;42 e nos mandou pregar ao povo e testificar que ele é quem foi constituído por Deus Juiz de vivos e de mortos.
Assim, identificando-se conosco, tornando-se como nós, batizando-se com água, e ungido com o Espírito Santo, Jesus pode se tornar o nosso representante diante de Deus, e iniciou seu ministério. A justiça de Deus estava sendo feita.
3. Jesus nos concede o Espírito Santo
Uma vez que Jesus satisfez completamente a justiça de Deus, ele adquiriu para nós o direito de recebermos o Espírito Santo.
v. 11
“Eu vos batizo com água, para arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”.
Porque João Batista nos diz que Jesus batizaria seus ouvintes com Espírito Santo e com fogo? Nas Escrituras, muitas vezes o fogo é um símbolo de purificação. No contexto, João estava dizendo que a vinda de Jesus traria salvação para muitas pessoas, isto é, para aquelas que, arrependidas de seus pecados se convertessem. Mas para aqueles que não se arrependessem, seria como um machado colocado na raiz das árvores, que as cortaria e lançaria no fogo. Para uns, portanto, a vinda de Jesus traria o batismo com o Espírito Santo, mas para outros, traria o juízo.
Diante disto, há duas principais possibilidades de interpretação:
Alguns entendem que o batismo com fogo é um aspecto do batismo com o Espírito, que trás purificação na vida espiritual do crente. Outros entendem que o batismo com fogo é o batismo do juízo sobre os descrentes.
Mas seja qual for a maneira de se entender, o ponto principal é que Jesus concede o Espírito Santo. Esse batismo com o Espírito Santo também é uma promessa de Deus através dos profetas, como Isaías, Ezequiel, Joel e Zacarias. Eu quero destacar o profeta Ezequiel. Ele diz que o Espírito seria dado para a nossa regeneração espiritual.
Ez 36:25-27
25 Então, aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei.26 Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. 27 Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis.
E o apostolo Paulo nos ensina que é precisamente isto o que acontece quando cremos em Jesus para a nossa salvação e nos convertemos a ele.
Tt 3:4-6
4 Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, 5 não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, 6 que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador...
Na carta aos Coríntios, ele diz que é graças ao Espírito Santo que somos capacitados a conhecer as coisas que Deus tem preparado para nós.
1ª Co 2:12
“Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente”.
Não vamos agora estudar sobre a obra do Espírito em nossa vida, mas destacar que ele é um dom de Jesus a nós.
Jo 7:37-39
37 No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. 38 Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. 39 Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado.
Quando é que o Espírito Santo foi dado?
At 2:33
“Exaltado, pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis”.
Assim, a promessa é esta: todos aqueles que recebem a Jesus como seu Salvador, recebem o dom do Espírito Santo, em seu coração, em seu interior, e este Espírito de Deus se torna nele uma fonte de vida, paz, alegria, amor, bondade, poder, consolação, orientação, santificação, comunhão com Deus, conhecimento dele, dons espirituais.
Todas as coisas que Jesus nos veio trazer são dadas a nós mediante o Espírito Santo que veio habitar em nosso coração. Pense naquele que habita em nosso coração: o Espírito de Deus, que pairava sobre as águas na criação do mundo; o Espírito Santo que ungiu os lábios de Jesus, para que palavras de graça saíssem de seus lábios; o Espírito Santo que foi enviado para nos ensinar sobre Jesus, para nos dar poder para testemunhar ao mundo; o Espírito Santo que nos foi dado a fim de que conheçamos as coisas de Deus: sua graça, seu amor, sua misericórdia, sua bondade, sua santidade, suas promessas, e muitas outras coisas celestiais, maravilhosas, que nem olhos ouviram, nem ouvidos ouviram, nem jamais subiram ao coração humano, mas que Deus tem preparado para aqueles que o amam.
Que concede a cada um de nós dons espirituais. O Consolador, o Conselheiro, que nos dá graça para crescer em amor, até que a semelhança de Cristo seja formada em nós. O Espírito Santo que nos deseja para si, que, como diz Tiago, “anseia por vós, que tem ciúmes de vós”.[4] O Espírito Santo que nos prepara para o céu. Ele é como um rio de águas fruindo em nosso interior, um dom para todos os que nele creem.
Conclusão
Assim, Jesus é o nosso mediador diante de Deus. Pois Jesus é quem satisfaz os desejos de Deus em relação a nós. Jesus é também aquele quem trás a nós o cumprimento das promessas de Deus. E ele consegue estas duas coisas, porque assume o nosso lugar diante de Deus, como nosso representante; e representa, ou melhor, revela a Deus diante de nós. Jesus é perfeito.
Aplicação
1. Podemos confiar nele, e somente nele, como nosso Deus e Salvador
“Não existe nenhum outro nome dado entre nós, para que sejamos salvos”.
Eu gostaria de enfatizar que existe uma diferença entre “crer” e “confiar”.
Lembra-se daquela velha história do equilibrista que desafiou seus espectadores? Ele estava atravessando uma corda bamba e perguntou se alguém acreditava que ele seria capaz de carregar alguém sobre os ombros. Muitos disseram que sim (acreditavam). Então ele perguntou se alguém subiria em seus ombros para atravessar com ele (ninguém se apresentou, pois não confiaram).
Nós podemos falar de “crer” como uma espécie de “assentimento intelectual”. Podemos, neste sentido “crer” que Jesus é Deus, pois as evidências nos convencem. Mas isto não significa que confiamos em Jesus. Confiar significa mais do que isto: é nos entregarmos a ele, é saber, de coração, que ele nos ama, que ele nos perdoa, cuida de nós, providencia a cada dia o que precisamos, que o nosso futuro está nas mãos dele, e esse futuro é bom, pois ele é bom.
2. Podemos confiar no Espírito Santo que habita em nós.
Ele não habita em nós porque tenhamos feito algo que nos torne merecedores, mas porque Jesus satisfez a justiça de Deus e conquistou para nós este dom. Então simplesmente confiemos que ele está conosco.
E tenhamos comunhão com ele. Podemos contar com seu consolo, sua orientação, seus dons, seu amor, sua condução, seu fortalecimento. Podemos honrá-lo, entregando a ele o nosso coração, buscando seu poder, meditando em suas Palavras, pois toda a Escritura é inspirada por ele. E na meditação de suas Palavras, podemos contar com sua iluminação da nossa mente.



[1] Jo 1:32, 33
[2] Cf. R. V. G. Tasker, Mateus, Introdução e Comentário (Vida Nova e Mundo Cristão, 1980), pág. 41.
[3] Jo 14:6
[4] Tg 4:5

sábado, 9 de março de 2013

Cristãos ou fariseus? - Mt 5:17-20


Igreja Evangélica Presbiteriana
Domingo, 13 de maio de 2012
Pr. Plínio Fernandes
Meus irmãos, vamos ler Mateus 5:17-20
17 Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. 18 Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra. 19 Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus. 20 Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus.
Em Israel havia, entre outros, dois principais grupos religiosos de grande proeminência entre o povo, e cujas doutrinas eram reputadas como da mais alta piedade: os escribas e os fariseus.
Os escribas eram os encarregados de copiar e preservar as Escrituras Sagradas, “a lei e os profetas”, que nós chamamos Antigo Testamento, e também de fazer comentários sobre elas, de modo que o povo pudesse conhecê-las. E os fariseus (a palavra quer dizer “separados”) eram pessoas de grande rigor em sua vida religiosa, que em grande parte determinavam o pensamento do povo de modo geral.
Estes dois grupos não eram pessoas conscientemente erradas, mas herdeiros de uma rica tradição que remontava aos dias de Esdras, que é considerado o primeiro escriba. Esdras havia proposto no seu coração que haveria de estudar, obedecer e ensinar a lei do Senhor em Israel, e por isto foi grandemente abençoado por Deus.
Os escribas e os fariseus desejavam seguir nos mesmos passos de Esdras. E por isto então, no seu desejo de obedecer à lei do Senhor criaram em volta dos mandamentos de Deus uma espécie de cerca, apresentando acréscimos que, se obedecidos garantiriam a obediência à lei. Estes acréscimos e explicações autorizadas, nos evangelhos são algumas vezes chamados “a tradição dos anciãos”.
Havia um total de 613 mandamentos, sendo 248 positivos e 365 negativos. Se você os guardasse seria uma pessoa “perfeita”. Entre esses “mandamentos”, os mais familiares a nós são aqueles mencionados nos evangelhos por causa dos conflitos que havia entre Jesus e os escribas e fariseus. Porque para os fariseus, guardar as tradições deles era a mesma coisa que guardar a lei e os profetas.
Mas não para Jesus. Por exemplo, ele curava enfermos em dia de sábado, andava mais que um quilômetro, coisas que para os fariseus eram proibidas; Jesus não se preocupava com as cerimônias de purificação que eles faziam quando voltavam da rua. Então, na visão dos escribas e fariseus, Jesus era um transgressor da lei. E não somente isto, mas em seus ensinamentos, Jesus convidava a todo o tipo de pecadores a virem a ele e ouvirem o Evangelho da graça de Deus, que oferecia perdão, salvação para todos os homens, e não somente para os de determinadas seitas.
Como pudemos ver ao estudar as bem-aventuranças, viver de acordo com os ensinamentos de Jesus “é uma coisa perigosa”. O Senhor Jesus, o único ser humano que obedeceu à lei com perfeição foi muitas vezes mal entendido, como alguém que não valorizava e que não obedecia à Palavra de Deus.
Assim, nesta altura de seus ensinamentos, Jesus se dedica a explicar aos seus discípulos qual devia ser a atitude deles em relação à lei do Senhor dada no Antigo Testamento. Há pelo menos dois pontos que podemos perceber nos ensinamentos de Jesus sobre a lei:
1º - Jesus não veio anular a lei, mas cumpri-la.
E esta palavra, “cumprir”, significa “manifestá-la em toda a sua plenitude”.
Jesus veio cumprir a lei, primeiramente porque ele sempre, em tudo o que fez, obedeceu à lei do Senhor dada no Antigo Testamento. Em segundo lugar, Jesus também cumpriu a lei porque, mesmo sendo sem pecado, ele morreu de acordo da lei como se fosse um pecador, pendurado no madeiro, para levar sobre si o castigo pelos nossos pecados. Desta maneira ele satisfez a justiça da lei que dizia que o salário do pecado é a morte.
E em terceiro lugar, Jesus trouxe a lei à sua plenitude porque ele veio nos ensinar a compreender o significado dela. Ele nos mostra que a lei do Senhor é muito mais profunda do que os escribas e fariseus supunham, pois ela nos mostra a vontade de Deus como algo a ser obedecido, antes de tudo, em nosso coração; mas ela também nos mostra que somos pecadores desde o coração, e que o único caminho para sermos aceitáveis a Deus é o perdão gracioso, acompanhado de uma transformação espiritual, de um novo coração, isto é, do arrependimento, da conversão, que nos transforma de modo que aí sim, podemos obedecer aos mandamentos.
Se você continuar a ler o texto de Mateus 5 verá que várias vezes Jesus usa a frase: “Ouvistes o que foi dito aos antigos”, e em seguida acrescenta: “Eu porém vos digo”. Depois estudaremos melhor cada uma delas.
Mas Jesus, em cada uma delas ressalta um aspecto diferente e complementar de nossa vida interior: humildade, amizade, perdão, pureza, sinceridade, mansidão, amor incondicional; são aplicações das bem-aventuranças.
vs. 21, 22 – “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento.  22 Eu, porém, vos digo que todo aquele que sem motivo se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo”.
vs. 27, 28 – “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás.  28 Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela”.
vs. 33, 34 – “Também ouvistes que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás rigorosamente para com o Senhor os teus juramentos.  34 Eu, porém, vos digo: de modo algum jureis; nem pelo céu, por ser o trono de Deus”.
vs. 38, 39 - Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente.  39 Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra”.
vs. 43, 44 – “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo.  44 Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem”.
Nestas frases, muitas pessoas pensam que Jesus está se referindo ao ensino do Antigo Testamento, e dizendo que agora ele está ensinando uma coisa diferente. Mas há pelo menos duas coisas aqui que nos ajudam a entender o que Jesus quer dizer:
1ª – Jesus não diz assim: “Ouvistes o que diz a Escritura”, como é o costume dele ao se referir ao Antigo Testamento. Ele diz: “Ouvistes o que foi dito aos antigos”.
2ª – Mais especialmente no v. 43, ele cita: “Amarás ao teu próximo e odiarás ao teu inimigo”. Mas o Antigo Testamento ensina que também devemos amar aos nossos inimigos.
Quando Jesus fala sobre o que foi dito aos antigos, não está se referindo ao ensino da Bíblia, mas ao ensino da Bíblia conforme era interpretado pelos escribas e fariseus. Então ele diz: “Ouvistes o que foi dito aos antigos...  eu porém, vos digo que não é assim...”. E em seguida trás à luz o verdadeiro ensinamento da lei, conforme veremos em cada um destes casos que Jesus nos dá como exemplos da vontade de Deus expressa na lei e nos profetas.
2º - O segundo ponto que podemos perceber aqui é que os discípulos de Jesus não desvalorizam a lei e os profetas, não os descartam, antes, entendendo a sua intenção, fazem da lei, conforme interpretada por Jesus, o seu modo ideal de vida.
Digo “ideal” porque o cristão infelizmente não consegue ser perfeito neste cumprimento da lei, mas este é o seu alvo.
Ele sabe que o Antigo Testamento é a lei do Senhor que restaura a alma, que dá sabedoria e alegria. E Jesus vai mais adiante dizendo que o galardão que receberemos no reino do céu será proporcional à nossa obediência. Mais ainda, ele diz que se a nossa justiça, isto é, a nossa prática da lei, não exceder à dos escribas e fariseus, jamais entraremos no reino dos céus.
Em nosso estudo de hoje, vamos fixar a nossa atenção neste fato: se a nossa justiça não for superior à dos escribas e fariseus, não entraremos no reino dos céus. E por “justiça” Jesus está se referindo ao nosso comportamento. Tem que ser superior. E depois ele nos dá alguns exemplos do que ele quer dizer.
Meus irmãos, nós precisamos prestar atenção: Deus é amor, e Jesus é a revelação suprema do amor de Deus por nós. Jesus é a encarnação do amor de Deus. No entanto, quando se referia aos escribas e fariseus, suas palavras eram enérgicas, graves. Todos os evangelistas testemunham o fato de que Jesus, por amor às suas ovelhas, criticava fortemente as práticas religiosas deles; e aqui ele nos diz que a nossa justiça precisa ser algo mais que farisaísmo. O que Jesus quer dizer com isto?
A fim de entendermos melhor, como preparação para os nossos estudos posteriores, vamos destacar algumas coisas da religião farisaica que Jesus criticava.
1. Os escribas e fariseus diziam que era “lei” coisas que Deus não dissera
Como já mencionei anteriormente, eles eram pessoas que, pelo menos em princípio tinham boas intenções. Pretendiam-se herdeiros e imitadores de homens de Deus, como Esdras, assim como nós nos entendemos como herdeiros dos Reformadores do século XVI. Os comentários que faziam da Bíblia, e os mandamentos que acrescentavam, tinham o propósito de produzir obediência à lei. Mas o problema é que com isto acabavam desobedecendo à própria Escritura.
Por exemplo:
Pv 30:5, 6 – “Toda palavra de Deus é pura; ele é escudo para os que nele confiam.  6 Nada acrescentes às suas palavras, para que não te repreenda, e sejas achado mentiroso”.
Desta forma, os escribas e fariseus acabavam dizendo coisas que Deus não havia falado, como se ele houvesse falado, e se tornavam mentirosos.
E assim, ensinando coisas de homens, tornavam inválida a pura palavra de Deus.
Mt 15:1-9
1 Então, vieram de Jerusalém a Jesus alguns fariseus e escribas e perguntaram: 2 Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? Pois não lavam as mãos, quando comem. 3 Ele, porém, lhes respondeu: Por que transgredis vós também o mandamento de Deus, por causa da vossa tradição?  4 Porque Deus ordenou: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser a seu pai ou a sua mãe seja punido de morte.  5 Mas vós dizeis: Se alguém disser a seu pai ou a sua mãe: É oferta ao Senhor aquilo que poderias aproveitar de mim;  6 esse jamais honrará a seu pai ou a sua mãe. E, assim, invalidastes a palavra de Deus, por causa da vossa tradição. 7 Hipócritas! Bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: 8 Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. 9 E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.
A primeira coisa que precisamos aprender: a Bíblia é suficiente. Não precisamos acrescentar nada. Isto não quer dizer que não devamos comentá-la, interpretá-la, transmiti-la, mas que devemos tomar todo o cuidado para não acrescentar nossas tradições como se fossem a Palavra de Deus.
2. Os escribas e fariseus colocavam fardos sobre as pessoas, que nem eles mesmos carregavam
Mt 23:2-4
1 Então, falou Jesus às multidões e aos seus discípulos:2 Na cadeira de Moisés, se assentaram os escribas e os fariseus.3 Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem.4 Atam fardos pesados [e difíceis de carregar] e os põem sobre os ombros dos homens; entretanto, eles mesmos nem com o dedo querem movê-los.
Isto Jesus diz por que, com os acréscimos que eles faziam, colocavam sobre as pessoas um peso que nunca fora a intenção de Deus. Por um lado, “tudo era proibido”. Tudo tinha que ser milimetricamente calculado. Deus não gosta disto; Deus não gosta daquilo. Não faça isto; não faça aquilo outro. Não coma isto, não coma aquilo. Por outro lado, uma lista enorme de coisas que deveriam ser feitas.
E assim, a lei do Senhor que deveria dar vida, paz e alegria, se tornava, aos olhos de todos, um fardo a ser carregado em antecipação ao céu. E aqueles que não vivessem de acordo com as listas do farisaísmo estavam condenados eternamente.
Não é preciso dizer que quando uma igreja se torna legalista, impondo mandamentos de homens, acaba tornando seus costumes, na prática, como superiores ao ensino da Palavra de Deus, a vida das pessoas se torna difícil, a religião se torna “desprazerosa”.
3. Os escribas e fariseus se tornaram pessoas mais preocupadas com a aparência das coisas do que com a verdadeira piedade
E isto se manifestava de duas maneiras:
3.1 – A preocupação em manter a aparência de devoção a Deus e erudição diante dos homens
Mt 23:5-7
5 Praticam, porém, todas as suas obras com o fim de serem vistos dos homens; pois alargam os seus filactérios e alongam as suas franjas.6 Amam o primeiro lugar nos banquetes e as primeiras cadeiras nas sinagogas,7 as saudações nas praças e o serem chamados mestres pelos homens.
3.2 – A preocupação com cerimonialismos externos
Mt 15:1, 2
1 Então, vieram de Jerusalém a Jesus alguns fariseus e escribas e perguntaram:2 Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? Pois não lavam as mãos, quando comem.
Irmãos, não pensemos que isto não seja fácil de acontecer.Vejamos a tentação na qual Moisés caiu:
2ª Co 3:13 – “E não somos como Moisés, que punha véu sobre a face, para que os filhos de Israel não atentassem na terminação do que se desvanecia”
Paulo está se referindo ao comportamento de Moisés, conforme registrado em Êx 34 (29-35). Ali está escrito que depois que Moisés desceu do Monte Sinai, onde passara muito tempo em comunhão com Deus, seu rosto estava brilhando. Mas depois Moisés colocou um véu sobre o rosto. O apóstolo diz que isto aconteceu porque o brilho do rosto de Moisés começou a desvanecer, e Moisés encobriu seu rosto para que as pessoas não percebessem.
O que desejo dizer é que se até Moisés, que era fiel como mordomo da casa de Deus, se deixou dominar pela vaidade, o mesmo pode acontecer a qualquer pessoa. Até mesmo Pedro ficou preocupado com o que iriam pensar os judeus em Antioquia, vendo-o comer com os gentios (Gl 2:11 e segs.). Precisamos cuidar para que nossa religião não seja a da preocupação com as aparências externas.
4. Os escribas e fariseus, tendo deixado a pura Palavra de Deus de lado, deixaram também ao Senhor. Tornaram-se pessoas descaridosas e legalistas
O coração deles estava longe do coração de Deus.
Lc 6:36-48
36 Convidou-o um dos fariseus para que fosse jantar com ele. Jesus, entrando na casa do fariseu, tomou lugar à mesa. 37 E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com unguento; 38 e, estando por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe os pés e os ungia com o unguento. 39 Ao ver isto, o fariseu que o convidara disse consigo mesmo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, porque é pecadora. 40 Dirigiu-se Jesus ao fariseu e lhe disse: Simão, uma coisa tenho a dizer-te. Ele respondeu: Dize-a, Mestre. 41 Certo credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários, e o outro, cinquenta.42 Não tendo nenhum dos dois com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Qual deles, portanto, o amará mais? 43 Respondeu-lhe Simão: Suponho que aquele a quem mais perdoou. Replicou-lhe: Julgaste bem. 44 E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; esta, porém, regou os meus pés com lágrimas e os enxugou com os seus cabelos. 45 Não me deste ósculo; ela, entretanto, desde que entrei não cessa de me beijar os pés. 46 Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta, com bálsamo, ungiu os meus pés. 47 Por isso, te digo: perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama. 48 Então, disse à mulher: Perdoados são os teus pecados.
Em todas estas coisas, o que podemos observar é isto: o farisaísmo se tornou um modo de vida religiosa afastado da Bíblia, ainda que se entendesse como bíblico. Longe da lei do Senhor, encharcado de costumes e tradições humanas, desamoroso, preocupado com aparências. Os fariseus não tratavam com seus próprios corações, pois achavam que com seu modo de vida estavam fazendo tudo conforme Deus queria.
Mas quando Deus veio, se encarnou na frente deles, eles não o reconheceram. Não amavam ao semelhante, pois não amavam a Deus. Com os lábios honravam, mas o coração estava longe do Senhor. Não tinham verdadeira comunhão e amizade com Deus. Eram orgulhosos, egoístas, atores da religião.
Conclusão
Então Jesus nos diz:
“Olhem! A justiça de vocês não pode ser assim: a justiça de um fariseu. Não pode ser a justiça de uma pessoa que se acha perfeita, que não ama aos outros porque são pecadores; não pode ser uma justiça que quer ser mais bíblica do que a Bíblia, mais sábia do que Deus.
“Tem que ser uma justiça de coração: de um coração que ama a lei do Senhor, e não a tradições e mandamentos de homens. De um coração que ama ao seu próximo, e não amante de si mesmo. De um coração transformado. Somente uma pessoa que tem o coração transformado pode entrar no reino dos céus.
“E somente uma pessoa que anda com Deus de verdade, e não com uma lista de pode e não pode é que tem um coração transformado.”
Aplicação
Nós devemos nos examinar, sempre. Nós somos protestantes, nos entendemos como herdeiros da Reforma, e dizemos que amamos a Bíblia porque nela o Senhor fala conosco.
Mas como é a nossa vida de fé? É de fato alicerçado na comunhão com Deus que vem por meio das Escrituras e da oração, ou é só uma religião de tradição, isto é, recebi este ensino e o pratico maquinalmente?
Como é a minha religião? É de coração que eu faço as coisas, ou é porque, se eu não fizer a minha mãe vai falar, ou os homens vão pensar mal, ou é porque não vou demonstrar espiritualidade? Com é o meu coração? Meu coração é humilde? Meu coração é puro? Meu falar é verdadeiro? Meu amor é incondicional?
E ainda que em grande medida alguém perceba que tem andado nos caminhos do Senhor, esta sondagem deve provocar em nós fome e sede de justiça maior, profunda, de uma justiça que não seja farisaica, que nos leve a confessar, a orar, a buscar o Espírito do Senhor, para que ele nos torne cada vez mais semelhantes a Jesus, diante dos olhos de nosso Deus.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Jesus e as mulheres - Lc 8:1-3

Igreja Evangélica Presbiteriana
Domingo, 10 de março de 2010
Pr. Plínio Fernandes
Vamos ler Lucas 8:1-3
1Aconteceu, depois disto, que andava Jesus de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus, e os doze iam com ele,  2 e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; 3 e Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Suzana e muitas outras, as quais lhe prestavam assistência com os seus bens.
O Dia Internacional da Mulher é nasceu de um episódio trágico que aconteceu nos Estados Unidos. Em 1857, mulheres de uma fábrica de tecidos em Nova Iorque se rebelaram contra suas péssimas condições de trabalho. Foi a primeira vez que as mulheres se uniram para reivindicar melhorias. Mas a rebelião foi contida de forma violenta, culminando com a morte de 129 tecelãs, que morreram carbonizadas dentro da fábrica.
Em 1910 surgiu a idéia de se criar uma data para homenagear essas operárias e marcar um dia de luta feminina. Em 1975 a Assembléia Geral das Organizações das Nações Unidas (ONU) decretou o dia 8 de março como Dia Internacional da Mulher.
De forma que o Dia Internacional da Mulher é comemorado com alegria e poesia em muitos lugares, mas, ao mesmo tempo, muitas pessoas, comemoram este dia fazendo dele uma conclamação à luta pelos direitos da mulher. Isto porque a realidade que estas e muitas outras pessoas vivem é a de um ambiente discriminatório, no qual as mulheres ainda são consideradas de modo inferior aos homens.
Nós entendemos que se o Evangelho de Jesus Cristo fosse crido e obedecido no mundo inteiro, nem teria sido criado um Dia Internacional da Mulher, ou antes, se o fosse, não seria por causa de uma tragédia, mas sim do reconhecimento do valor que elas têm.
Porque Jesus, com seu ensino e seu comportamento, demonstrou como Deus pensa e quer que as mulheres sejam cuidadas. A sociedade judaica, e também a grega e a romana, isto é, o mundo conhecido dos discípulos de Jesus era um mundo discriminatório, neste mau sentido, em que as mulheres muitas vezes eram consideradas seres inferiores aos homens. Jesus viveu numa sociedade “machista”, como o caso em que uma mulher foi pega em flagrante adultério ilustra tão bem[1].
Os rabinos diziam:
-   “Quem ensinar a lei à sua filha é como se lhe ensinasse coisas obscenas.”
-   “É preferível destruir as palavras da lei pelo fogo do que ensiná-las a uma mulher.”[2]

As mulheres eram vistas como um mal, uma fonte de tentação e pecado. Um homem “sábio e decente” não gastava seu tempo conversando com mulheres, nem mesmo com a própria esposa, e muito menos com outras mulheres. Elas eram excluídas da vida pública, e se saíssem de casa, deveria ser com dois véus: um cobrindo os cabelos e outro cobrindo o rosto.
Na sinagoga elas podiam entrar, mas havia uma entrada separada e uma grade separando as mulheres das demais pessoas, e no templo havia o pátio das mulheres. E “é lógico”, elas deveriam permanecer absolutamente caladas.
Isto, é claro, não era o que pensavam muitos judeus piedosos, como por exemplo o sacerdote Zacarias, e tantos outros; mas era a atitude legalista e predominante de muitos pretensos homens santos.
E quanto a Jesus? Nosso Senhor teve, como Deus sempre teve, desde o início dos tempos, uma atitude diferente. Ele valorizava as mulheres como seres humanos criados por Deus e para Deus, que tinham tanto a necessidade quanto o direito, juntamente com os homens, de viverem diante de Deus e o servirem igualmente. Uma igualdade de valor diante de Deus que necessariamente proporcionava uma igualdade de valor diante dos homens.
Neste texto que lemos, nós aprendemos muito desta atitude do Senhor em relação à mulheres, e que como cristãos devemos sempre ter em mente, seguindo o seu pensamento e  exemplo.
A Palavra de Deus nos conta que o Senhor Jesus ia de cidade em cidade, de aldeia em aldeia, pregando o evangelho do reino de Deus, e os doze iam com ele (os doze que, conforme 6:12, ele já havia denominado apóstolos). E além dos doze, algumas mulheres: Maria Madalena, Joana, esposa de Cuza, Suzana e muitas outras, que serviam a Jesus com seus bens materiais.
O comportamento de Jesus era completamente diferente do que se esperava de um rabino, isto é, de um mestre. E porque era diferente?
1. É que Jesus entende que as mulheres, tanto quanto os homens, também precisam e podem ser salvas, podem ser alcançadas pela graça de Deus, ainda que o situação de vida de algumas delas fosse a pior possível
Segundo o pensamento de muitos, havia certas situações morais e espirituais que tornavam certas mulheres completamente impossíveis de serem salvas. Isto, é claro, a partir de uma perspectiva legalista, na qual a pessoa entende que a salvação da alma, a vida eterna, é uma coisa que o homem consegue a partir de uma vida sem pecado, de prática de boas obras, do guardar os mandamentos da lei.
Assim sendo, de acordo com esta mentalidade, existem certas mulheres (e é claro, homens também) cuja vida é tão contrária à lei, que não é possível que sejam salvas.
Por exemplo, esta mulher mencionada no capítulo 7:36-50, aqui no evangelho de Lucas. Ela era conhecida na cidade por sua vida de pecados. Embora a Bíblia não nos diga explicitamente qual ou quais eram os pecados desta mulher, a maneira como ela é descrita torna claro que seu pecado ou pecados são relacionados com a imoralidade sexual: talvez adultério, como no caso da mulher samaritana, a quem Jesus também salvou. Ou talvez, e o mais provável, prostituição.
Uma mulher adúltera, ou uma prostituta, é facilmente odiada pelos que vivem perto dela. Porque é o tipo de pecado que causa muita destruição: desavenças, mentiras, traição, separação, ruína espiritual e material, às vezes até enfermidades. Você conhece alguém assim?
Pois bem; de acordo com os rabinos, era impossível que uma mulher dessas fosse salva. Mas vejam a atitude de Jesus:
Lc 7:48 – “Então, disse à mulher: Perdoados são os teus pecados”.
Não sabemos se numa conversa pessoal, ou se ouvindo o Senhor pregar; mas o fato é que ela crera em Jesus, fora perdoada de seus pecados, e agora seu coração transbordava de amor por ele.
Ou aqui no cap. 8 de Lucas, esta outra mulher, Maria Madalena, da qual Jesus havia expulsado sete demônios. “Uma mulher com tanto demônios assim não poderia ser salva!!!” Mas ei-la aqui, liberta de toda a opressão espiritual, alegremente andando com Jesus.
Sim; Jesus, “nos dias de sua carne”, enquanto esteve fisicamente entre os homens, alcançou com a mensagem de salvação a muitas mulheres. Ele demonstrava de modo especial o seu cuidado para com elas, o seu carinho: Ele trás de volta à vida o bem precioso, o filho de uma viúva, que havia falecido, na cidade de Naim[3]. Em dias que nenhum judeu se atrevia a entrar na região de Samaria ele vai até lá e a primeira pessoa a quem ele prega as boas notícias de salvação é a uma mulher, uma mulher de vida imoral[4]. Ele cura a filhinha da mulher cananéia, terrivelmente possuída por um espírito imundo[5]. Cura a mulher que havia 12 anos sofria de uma terrível enfermidade, um fluxo de sangue permanente, dia e noite[6].
Pois as mulheres, Jesus deixa muito claro, são tão importantes para Deus quanto os homens. Elas também foram criadas por Deus; elas também têm uma alma, e grande necessidade de salvação. E podem ser salvas.
2. Jesus entende que as mulheres, tanto quanto os homens, podem aprender e viver as realidades do Reino de Deus
Como já disse anteriormente, para certos rabinos, o ensinar a lei de Deus para as mulheres era a mesma coisa que estar ensinando a elas coisas obscenas. Para elas não faria diferença alguma.
Além disto, elas eram vistos como seres especialmente maliciosos Até mesmo um livro apócrifo, o Eclesiástico, descreve as mulheres de forma negativa. Ele diz:
“Foi pela mulher que começou o pecado, por sua culpa todos morremos; não dês saída à água, nem liberdade à mulher má. Se ela não te obedecer a um mover dos dedos ou a um olhar, separa-te dela.” (Ecl. 25:33-35 – BJ)
E noutro lugar:
“Diante de quem quer que seja, não te detenhas na beleza e não te assentes com mulheres. Porque das vestes sai a traça, e da mulher a malícia feminina. É melhor a malícia de um homem do que a bondade de uma mulher, uma mulher causa vergonha e censuras” (Ecl. 42:12-14 – BJ)
E ainda, sobre as filhas:
“A filha é para o seu pai um tesouro enganador...” (Ecl 42:9, heb. – BJ n.)
Resumindo: no conceito contemporâneo aos dias de Jesus, uma mulher não tinha capacidade de aprender as coisas de Deus, era fonte de tentação e pecado, só trazia inquietações. Mas o que vemos aqui? Jesus não acreditava em nada disto. Ao contrário, entendia que as mulheres eram dignas o suficiente para ele estar com elas.
Neste contexto, é quase impossível não pensar na reação dos discípulos em Jo 4:27.
Aqui Jesus está conversando com uma mulher, e isto é o que causa admiração em seus discípulos. Sabemos que esta samaritana era bem conhecida, pois, para usar uma frase de hoje, não era “mulher de um homem só”. Mas Jesus está falando com ela: não vê nela uma fonte em potencial de pecado. Ele a trata com naturalidade, respeito, santidade. Eu acho que o Guilherme Kerr foi muito feliz quando numa canção colocou nos lábios desta mulher a seguinte frase a respeito de Jesus:
“Não me tratou como os outros, me olhou como gente”[7].
O padrão que ele tinha para o seu próprio relacionamento com as mulheres, e que ele ensinou aos seus discípulos, era altíssimo, pois ele disse:
“Se um homem olhar para uma mulher com intenção impura, em seu coração já adulterou com ela.” – Mt 5:28
Sim, pois para Jesus, as mulheres não eram meros objetos de desejo: mas gente. E gente inteligente, como lemos em Lucas 10:38,39, sobre Maria assentada aos seus pés, aprendendo do reino de Deus. Sim, para ele valia a pena ensinar às mulheres, e a melhor coisa que elas podiam fazer era assentarem-se aos seus pés para aprender.
É por isto que à medida em que Jesus caminha de cidade em cidade, e seus discípulos o seguem, entre os seus discípulos estão, como diz o v. 3, muitas mulheres. Mulheres solteiras. Pelo menos uma que era casada, pois isto é mencionado especificamente. Mulheres de boa posição social. Mulheres humildes.
3. Jesus entendia que as mulheres podem servir no reino de Deus, tanto quanto os homens
As mulheres mencionadas no texto iam seguindo o grupo do Senhor, e o serviam com os seus bens. Estas mulheres serviam a Jesus com seus bens, e uma vez que o seguiam, também o serviam com seu tempo. Acho que não é exagero pensar que talvez o servissem preparando alimentos, cuidando do bem estar físico do grupo apostólico.
Sim, havia gente que pensava mal. Nos dias de hoje, os mórmons afirmam que estas mulheres todas aqui eram as várias esposas de Jesus. Mas qualquer um que tenha um pouco de bom senso não acredita que aquele que pregava e vivia santamente que ele tivesse várias esposas.
Mas eu acho esta passagem muito instrutiva, tanto pelo que ela diz quanto pelo que ela não diz: ela não diz que Jesus escolheu algumas mulheres, ou pelo menos uma, para ser “apóstola” (ou “apostila”, como jocosamente dizem alguns irmãos).
Assim como mais tarde, os apóstolos não escolheram alguma mulher para esta função. Nem foram escolhidas, ou dadas instruções às igrejas, para elegerem presbíteras, ou bispas, ou pastoras. Não havia nenhuma mulher com algum cargo oficial, ou de liderança, e isto porque, segundo o ensino bíblico, tanto na família quanto na igreja, o papel de liderança foi dado por Deus aos homens. E isto não tem nada a ver com costumes culturais: se Jesus ou os apóstolos fossem seguir os costumes culturais de seus dias as mulheres continuariam separadas até hoje. Mas para eles a cultura era o que menos importava, em contraste com a Palavra de Deus. E claro também que nem Jesus, nem os apóstolos consideravam que as mulheres eram, de alguma forma, inferiores aos homens.
Mas veja: ainda assim, estas mulheres serviam a Jesus. Eu entendo que aqui há pelo menos duas implicações:
Uma delas é esta que eu já mencionei: as mulheres não devem ocupar cargos oficiais na igreja; é claro que isto nós apenas vislumbramos aqui, mas quando associamos isto com o que a Bíblia diz como um todo sobre este assunto, a inferência é óbvia.
A segunda é esta: é que para você servir ao reino de Deus você não precisa de um cargo oficial na igreja: basta você ser uma pessoa como estas mulheres – uma pessoa que como elas conheceu a salvação em Cristo Jesus; ele libertou você, ele curou você, você o ama, você o segue, e então com um cargo ou não você serve a Jesus.
E amados, não é exatamente isto que vemos em nossa igreja? Nós temos presbíteras? Temos bispas? Não. Mas não é verdade que embora não tenhamos estas classes de oficiais da igreja, ainda assim as nossas irmãs são conselheiras, servidoras, auxiliadoras? E não podemos dizer o mesmo a respeito de muitos homens? Não é o cargo, ou o ofício que faz uma pessoa um servo de Deus: é o coração, a vida transformada.
Conclusão
Bem, quando olhamos para este texto, Jesus caminhando e pregando, os doze com ele, e estas mulheres indo junto, salvas, curadas, libertas, aprendendo, servindo, chegamos à conclusão de que para os crentes, todos os dias são dias em que as mulheres devem ser reconhecidas, amadas, respeitadas, honradas.
As mulheres são tão alvo da graça de Deus quanto os homens.
As mulheres são tão capacitadas espiritualmente para aprender as coisas do reino de Deus, e para viver nelas, quanto os homens.
As mulheres são tão capacitadas para servir no reino de Deus quanto os homens (não estamos falando de desempenharem as mesmas funções, mas de servirem com a mesma dignidade e valor que os homens.)
É verdade que as mulheres não foram designadas apóstolas, bispas, presbíteras, etc. Mas também não foi uma mulher que vendeu o Senhor por 30 moedas de prata. Também não foram as mulheres que fugiram apavoradas quando os soldados foram prender Jesus. No dia em que Jesus estava na cruz, os apóstolos tinham fugido apavorados, e a não ser João e estas mulheres, ninguém ficou com ele. Quando Jesus ressuscitou, ele apareceu primeiro às mulheres, que foram as primeiras a irem ao sepulcro para cuidar dele, e elas tiveram o privilégio de serem as primeiras a anunciar as boas notícias.
Aplicação
1.      Para as mulheres: uma vez que vocês são assim valorizadas por Deus
Nunca pense que talvez você tenha cometido algum pecado imperdoável – pense nas mulheres que seguiam a Jesus.
Nunca pensem de si mesmas em termos de inferioridade em relação a ninguém, pois diante de Deus, nenhum ser humano é inferior ao outro.
E por inferioridade, naturalmente eu quero dizer incapacidade. Pois a Bíblia diz que todos nós devemos considerar o nosso próximo superior a nós mesmos, no sentido de que devemos honrar o nosso próximo.
Mas ao mesmo tempo em que honramos uns aos outros, não devemos achar que não temos capacidade para entender as coisas de Deus, para servir a Deus, ao contrário, se Deus considera que temos, é assim que devemos considerar também.
Nenhuma mulher é “burra”; não assuma isto sobre si mesma.
Não pense de si mesma como objeto sexual: infelizmente muitas mulheres se rebaixam, dando a si mesmas o mesmo valor de objetos sexuais que os homens sem Deus dão a elas. Então usam de artimanhas, malícias e todas aquelas coisas parecidas para manipular os homens, ou para ganhar favores, ou para ganhar dinheiro – isso é pecado. Pense na sua sexualidade, na sua feminilidade, como um dom de Deus, e viva sua feminilidade em santidade, para a glória de Deus.
2.      Para nós, os homens
Tenhamos uma enorme gratidão a Deus por nossa esposa, filhas, mãe, irmãs, irmãs em Cristo, amigas no trabalho. Graças a Deus pela fidelidade, pela amizade, pelo carinho delas, pela maneira desprendida com a qual elas servem ao Senhor e a nós, por amor.
Valorizemos e respeitemos: mulheres não são seres inferiores, não são objeto de tentação, não devem ser consideradas de modo desrespeitoso.
Trabalhemos unidos em amor, para juntos servirmos ao Senhor até que ele volte.




[1] Jo 8:1-11
[2] Mary Evans, A mulher na Bíblia (São Paulo, ABU), pág. 23.

[3] Lc 7:11 e segs.
[4] Jo 4:1-35
[5] Mt 15:22 e segs.
[6] Mt 9:20 e segs.
[7] “Tantos amantes”, de Jorge Camargo e Guilherme Kerr, gravada no CD “Vento Livre”.
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