Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

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terça-feira, 11 de setembro de 2018

Sonde o seu coração - Mc 2:1-12

3ª IPC de Guarulhos
Domingo, 2 de setembro de 2018
Pr. Plínio Fernandes

Amados irmãos, vamos ler no Evangelho de Marcos, o cap. 2:1-12.
Dias depois, entrou Jesus de novo em Cafarnaum, e logo correu que ele estava em casa.  2 Muitos afluíram para ali, tantos que nem mesmo junto à porta eles achavam lugar; e anunciava-lhes a palavra.  3 Alguns foram ter com ele, conduzindo um paralítico, levado por quatro homens.  4 E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o eirado no ponto correspondente ao em que ele estava e, fazendo uma abertura, baixaram o leito em que jazia o doente.  5 Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão perdoados.  6 Mas alguns dos escribas estavam assentados ali e arrazoavam em seu coração: 7 Por que fala ele deste modo? Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, senão um, que é Deus?  8 E Jesus, percebendo logo por seu espírito que eles assim arrazoavam, disse-lhes: Por que arrazoais sobre estas coisas em vosso coração?  9 Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda?  10 Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados -- disse ao paralítico: 11 Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa.  12 Então, ele se levantou e, no mesmo instante, tomando o leito, retirou-se à vista de todos, a ponto de se admirarem todos e darem glória a Deus, dizendo: Jamais vimos coisa assim!
Neste texto precioso nós temos, mais uma vez, a revelação do propósito de Deus ao enviar seu Filho ao mundo: a redenção do homem pecador.
Não é sem motivo que Marcos começa o seu livro (cap. 1:1) dizendo que tudo quanto irá escrever é evangelho, boa notícia.
Jesus estava de volta à sua residência, na cidade de Cafarnaum, depois de alguns dias fora, curando enfermos, libertando pessoas endemoniadas, pregando a mensagem do reino de Deus que havia chegado.
E quando souberam que ele agora estava em casa, muitas pessoas foram para lá, a fim de ouvir seus ensinamentos.
Mas a Bíblia nos conta aqui que, entre as pessoas que foram até à casa de Jesus, havia quatro homens, transportando um enfermo; um paralítico em sua pequena cama. Eles desejavam apresentá-lo a Jesus, a fim de que o Senhor o curasse.
Então imagine – a pequena residência estava cheia de gente. Também havia gente nas janelas, na porta, e gente do lado de fora; de maneira que para eles ficou muito difícil aproximar-se do Senhor.
Mas alguém teve uma ideia, e a colocaram em prática. Subiram em cima da casa, e fizeram uma abertura no teto, no lugar onde Jesus estava em baixo.
E por ali desceram o seu amigo enfermo.
Jesus não deu importância ao fato de que haviam entrado da maneira mais “anticonvencional” possível.
Mas ele viu a coisa mais importante, sem a qual é impossível alguém agradar a Deus.
O v. 5 diz:
Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão perdoados.
É evidente, meus irmãos, que eles se aproximaram de Jesus por causa da enfermidade deste homem.
E o texto não diz por que ele estava paralítico. Mas eu tenho duas razões para crer que esta enfermidade tinha uma razão espiritual.
Uma delas é que em João cap. 5 nós lemos sobre outro homem a quem Jesus cura de paralisia, e depois de curá-lo, Jesus ordena:
– Não peques mais, a fim de que não te aconteça uma coisa pior. [1]
Outra razão é que, antes de qualquer outra coisa, Jesus dá a este homem uma Palavra de perdão. Esta era a grande necessidade do enfermo.
Há alguns anos eu conheci uma senhora na cidade de Santa Bárbara, a quem aconteceu uma coisa muito perecida.
Ela me contou que tinha um problema de saúde que a obrigava a usar um colete havia muitos anos. O seu tórax e pescoço precisavam do colete para que pudesse ficar ereta. Eu já não me lembro do nome desta enfermidade.
Mas um dia ela ouviu a Palavra da Verdade, o Evangelho da nossa salvação. Ela creu e rendeu sua vida a Cristo. E conforme contou, sentiu-se imediatamente curada. Retirou o colete, e estava sã.
Os escribas, homens que conheciam muito as Escrituras do Antigo Testamento, começaram a murmurar em seus corações, dizendo pra si mesmos que Jesus estava blasfemando. Que somente Deus pode perdoar pecados.
Mas o Senhor, que leu os corações deles, respondeu então:
– Que é mais fácil? Dizer para este homem que seus pecados estão perdoados, ou dizer: levante-se, tome o seu leito e ande?
– Sendo assim para que vocês saibam que eu tenho autoridade para perdoar os pecados (enquanto se voltava ao paralítico), eu te mando: levante-se, tome o seu leito e ande.
E imediatamente o paralítico se viu curado. As pessoas que viram estas coisas acontecerem ficaram muito admiradas, e glorificaram a Deus, e diziam: – Nunca vimos nada assim!
Amados, aqui nós temos muita revelação a respeito do nosso Salvador, o Senhor Jesus.
Há uma coisa na qual os escribas estavam certos: somente Deus pode perdoar pecados.
Mas o que eles não conseguiam perceber é que Deus estava ali, encarnado em Cristo.
Quando Jesus refere-se a si mesmo como “Filho do homem”, está usando uma expressão várias vezes usada no Antigo Testamento em relação ao profeta Ezequiel, mas cuja principal referência aparece no profeta Daniel, designando um ser celestial que vindo a este mundo traria o reino de Deus à terra.
Um ser celestial a quem seria dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; um seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído.[2]
O que aqueles olhos dos escribas, embaçados pelo orgulho, não conseguiam enxergar é que naquela pessoa humilde, porém cheia de autoridade que estava diante deles, a promessa do reino de Deus estava começando a se cumprir.
E por isto, porque Deus estava em Cristo, ele tinha, e tem poder para perdoar pecados.
Mas nós também aprendemos sobre a divindade de Cristo no fato de que ele sonda os corações, pesa o espírito de cada ser humano. Como disse Pedro a Jesus, noutra ocasião: – Senhor, tu sabes todas as coisas; tu sabes que eu te amo,[3] referindo-se ao fato de que Jesus conhece cada coração.
Ele sabia o que se passava nos corações dos escribas. Assim como conhece o que se passa na mente, no coração de cada um de vocês aqui, agora, no momento mesmo em que ouvem a pregação de sua Palavra.
E também vemos a divindade de Jesus se manifestando no fato de que ele ordena, e o paralítico é imediatamente curado, apenas pelo poder de sua Palavra. Pois aquele que fez os céus e a terra apenas pela Palavra do seu poder, é poderoso também para submeter todas as coisas que criou à sua própria vontade.
Diante disto, só podemos admirar a Jesus, crer nele, confiar nele, esperar nele, amá-lo, adorá-lo como nosso rei, nosso Deus e Salvador.
Pois nele há poder e perdão. Nele há redenção.
Mas o que desejo destacar nesta noite, amados, é a reação, ou melhor, as diferentes reações de três tipos de pessoas que vivenciaram este momento com Jesus.
Há uma cena em Forrest Gump que eu acho muito engraçada. Ele é um menininho pouco inteligente, e está conversando com uma menina que é a coisa mais linda que ele já viu na vida.
Então a certa altura, por causa das coisas meio sem sentido que ele diz, ela pergunta:
– Você é estúpido ou o quê?
E ele responde:
– Minha mãe diz que estúpido é quem faz estupidez.
Sim. Aquilo que nós dizemos, e aquilo que nós fazemos, revelam aquilo que somos por dento.
Por exemplo, se uma pessoa está sempre reclamando de tudo, murmurando. Isto revela que seu coração é ingrato, infeliz.
Se uma pessoa está sempre louvando a Deus, isto revela gratidão e felicidade, revela contentamento.
Pois, como diz a Escritura, cada ser humano, até mesmo uma criança, se dá a conhecer pelas suas ações, se o que faz é puro e reto.[4]
Assim também aqui nós vemos pelo menos três tipos de corações diferentes, pelo comportamento deles em relação a Jesus, e em relação uns aos outros.
1. Primeiramente, desejo destacar os corações insensíveis, que vemos nos escribas
Eles não dizem uma palavra, mas para aquele que sonda os corações, cada pensamento é como uma voz soando alto, a claro e bom som.
Eu também poderia descrevê-los como corações endurecidos, ou desamorosos, ou descrentes, ou resistentes ao Espírito da graça de Deus.
Pois veja: enquanto Jesus enxerga a fé no homem paralítico e seus amigos, os escribas enxergam blasfêmia em Jesus.
Enquanto Jesus salva um homem de seus pecados, eles murmuram em seus corações.
Enquanto Jesus realiza a vontade do Pai, eles se opõem à vontade de Deus.
Irmãos, ser um escriba era uma coisa muito importante entre os judeus.
Eles eram pessoas altamente respeitadas.
Um dos primeiros, senão o primeiro escriba, foi um homem de Deus, muito piedoso, chamado Esdras.
Ele tomou uma decisão solene em seu coração: iria estudar a lei do Senhor, obedecer a lei do Senhor, e ensinar em Israel a lei do Senhor. Um propósito nobre, que ele cumpriu, que agradou ao Senhor, e por isto foi muito abençoado.[5]
E por isto também “fez escola”; muitos desejaram e se propuseram a seguir o seu exemplo. Aliás, um exemplo que nós devemos também seguir.
Mas com o passar do tempo, os escribas começaram a perder o rumo. E começaram a estudar a lei de Deus, a conhecer o que ela diz, e no desejo de colocar obstáculos ao pecado, começaram a acrescentar coisas à lei de Deus; coisas que Deus não ordenara.
O resultado foi que o seu grande conhecimento, em vez de torná-los pessoas humildes, conscientes dos seus pecados, necessitados da graça de Deus, tornaram-se justos aos seus próprios olhos, orgulhosos de sua “alta espiritualidade”.
E foram tornando a vida religiosa difícil, pesada, cheia de tradições humanas, seca, sem vida, sem amor.
Eles sabiam quantos mandamentos havia no Antigo Testamento, quantos eram mandamentos sobre o que devemos fazer, e quantos eram os mandamentos sobre o que não devemos fazer. E para guardar estes mandamentos acrescentaram muitos outros, que garantiriam a obediência.
Desta forma, a religião do Antigo Testamento, que Deus deu como revelação de sua graça e verdade[6], tornou-se para eles uma religião de boas obras humanas, mais preocupada com "externalidades", rituais, fórmulas teológicas milimetricamente calculadas e precisas, e sem amor.
Irmãos, o pecado é terrível, e engana o coração humano. Por isto você e eu, cada um de nós precisa prestar atenção, precisa vigiar a si mesmo.
Se a sua doutrina, em vez de te levar ao coração da religião dada por Deus, isto é, se a sua doutrina não está produzindo em você amor aos homens a quem você vê, se a sua doutrina não está produzindo em você esperança e fé em Jesus, então a sua doutrina não está te conduzindo a Deus.
E então Deus está ali, diante de você, fazendo coisas grandiosas no seu dia a dia, e em vez de você louvar você está reclamando.
Você pode ser “convicto” da sã doutrina, falar de boca cheia que Deus é soberano, que ele bondosa e sabiamente governa todas as coisas pelo poder da sua Palavra, e ainda assim reclamar da chuva e do sol, reclamar dos problemas, reclamar da igreja, reclamar da família; quer dizer, seu conhecimento doutrinário não está fazendo de você uma pessoa piedosa.
Você pode até conhecer a Bíblia de Deus, mas não conhece o Deus da Bíblia.
Essa é a nossa tendência humana, se não buscarmos a Deus com humildade, se começarmos a achar que pelo nosso conhecimento intelectual da Bíblia e suas santas doutrinas, somos pessoas de alguma forma superiores às demais.
2. Em segundo lugar, vou destacar o coração necessitado, o coração do paralítico
Este homem, nós vemos, até cria em Jesus. Mas não tinha como achegar-se sozinho, pois estava paralítico.
E tinha pecados. Não sei se sua paralisia era consequência disto.
Mas o meu ponto agora é que o pecado não tratado, não perdoado, faz em nossas almas a mesma coisa que a paralisia faz no corpo.
O pecado paralisa espiritualmente.
Existem muitas pessoas cujas almas estão paralisadas pelas consequências de pecados.
Existem pessoas cujas vidas estão paralisadas pelo medo de serem descobertas em seus erros.
Existem pessoas cujas vidas estão paralisadas pelo medo de falhar novamente.
Existem pessoas cujas vidas estão paradas, inertes, sem conseguir avançar, sem conseguir gozas as alegrias do reino de Deus, da comunhão com Deus, por causa dos seus erros do passado.
Pessoas que não conseguem nem ao menos ir a Jesus para serem curadas. E pessoas que muitas vezes são até conhecidas como crentes.
Estou pensando numa querida família que conheci anos atrás. Hoje, pela graça de Deus, aquela irmã já é avó. Ela, seus filhos e netos são todos crentes.
Mas eu a conheci quando alguém me solicitou que a visitasse. Então aquela jovem senhora me contou de sua vida sem conhecer a Jesus, embora tivesse sido membro de igreja muitos anos. Contou-me como se afastara dos caminhos de Deus havia muito tempo, e agora não tinha esperança de perdão. Vários “maridos”, vários filhos, caminhos tortuosos. E não sabia o que fazer.
Mas não era difícil, pois a maravilha do Evangelho é que Deus ama pecadores, veio ao mundo por nossa causa, veio perdoar, restaurar, curar as feridas. Mais do que isto, veio dar vida em abundância.
Então eu apenas a lembrei do amor de Deus, de sua graça e perdão, e com uma fé simples, humilde, desejosa, ela entregou seu coração ferido a Cristo, e foi curada.
Recentemente nos encontramos de novo depois de uns trinta anos. Ela e sua família são crentes fervorosos e alegres.
Pois veja: na verdade não era somente ela querida senhora que não conseguia ir a Cristo por si mesma. A verdade é que ninguém pode vir a Cristo por si mesmo.
Veja as palavras de Jesus em Jo 6:44.
Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.
Todos os seres humanos, por causa dos seus pecados, estão incapacitados de vir a Cristo. Mas quando o Pai realiza a sua obra, aquele que está morto ressuscita; aquele que está cego enxerga; aquele que está surdo passa a ouvir. Até o louco volta a ter entendimento. Não é assim a nossa experiência? Não éramos todos mortos?
Mas Deus, sendo rico em misericórdia, e pelo grande amor que nos amou, nos deu vida juntamente com Cristo – pela sua graça fomos salvos.
Não éramos todos cegos? Pois o deus deste século cegava o nosso entendimento. Mas o Deus que disse: – Haja luz!, ele mesmo fez brilhar a luz da glória de Cristo em nossos corações.
Não éramos loucos, obscurecidos em nossos raciocínios vaidosos? Mas ele nos iluminou o entendimento.
Éramos duros de coração, mas ele tirou o coração de pedra a nos deu um coração de carne.
Jesus perdoa os pecados, cura os males que nos paralisam.
Talvez você aqui me ouvindo, esteja percebendo a necessidade do seu coração; dizendo consigo mesmo:
– Sou um coração necessitado. Tenho este e aquele pecado. Isto está corroendo minha alma e minha vida. Preciso perdão e salvação. Preciso Jesus.
Amado, se este é o seu caso, você não veio aqui sozinho. Você foi trazido por Deus. Foi trazido para ser livre. Para ser salvo. Para ser curado.
Talvez você seja até mesmo um crente no Senhor. Mas pode ser que haja pecados em sua vida. Coisas antigas. Venha a Jesus. Ele perdoa e cura.
3. E por último, desejo destacar os corações amorosos e crentes, dos amigos do paralítico
Amados, como disse Jesus, ninguém pode ir até ele se não for conduzido pelo Pai.
E o Pai se utiliza de muitas maneiras para levar alguém até seu Filho Jesus.  Pode usar circunstâncias, livros, acontecimentos, problemas.
Mas no mais das vezes, Deus se utiliza de gente. Deus usa a vida de pessoas crentes e amorosas, que não medem esforços para ajudar o seu próximo.
Como é o caso destes quatro homens, amigos do paralítico.
Eles creem em Jesus. Creem que o Senhor pode curar seu amigo.
Eles amam o paralítico. E não medem esforços para ajudá-lo.
Quando chegam a casa em que Jesus está, percebem ser muito difícil chegar até ele. Então alguém tem uma ideia, nada convencional.
Imagine você numa casa, uma reunião religiosa, a casa cheia, e de repente alguém começa a tirar as telhas pra descer até a sala. Ou fazendo isto numa igreja lotada.
Acho que a reação de uma pessoa comum seria a de se opor ao que estava acontecendo. Mas Jesus é extraordinário. E para os amigos deste homem valia a pena correr o risco.
Então, eles que não podem curar o homem, levam-no a quem pode.
Porque estes quatro são corações sensíveis, crentes, amorosos, que se compadecem da necessidade do seu amigo, e não medem esforços para levá-lo a Cristo, na esperança de que ele seja curado.
Este tipo de coração é o que Deus espera de nós, os que cremos em Jesus.
Se você continuar lendo sua Bíblia aqui em Marcos, a partir do v. 13, verá que ele nos conta sobre a conversão de Levi, também chamado Mateus.
E no seu Evangelho, Mateus também nos diz o que aconteceu logo em seguida à sua conversão.
Eu gostaria de ir ali com vocês.
Mt 9:9-13
Partindo Jesus dali, viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu.  10 E sucedeu que, estando ele em casa, à mesa, muitos publicanos e pecadores vieram e tomaram lugares com Jesus e seus discípulos.  11 Ora, vendo isto, os fariseus perguntavam aos discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?  12 Mas Jesus, ouvindo, disse: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes.  13 Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos; pois não vim chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento.
Mais uma vez nós vemos os estudiosos da Bíblia se opondo a Jesus. Mas o Senhor disse que eles não conheciam a vontade de Deus, e cita o profeta Oséias, dizendo:
– Vão e aprendam o que significa “misericórdia quero, e não holocaustos”.

Pois isto é o que Deus quer de nós. E é o que havia no coração daqueles quatro homens.
Queridos, existem muitas pessoas que estão doentes, paralisadas em seus pecados, mas corações misericordiosos podem ser instrumentos de Deus para serem levadas a Jesus e serem curados.
Conclusão e aplicação.
Nos escribas, vemos corações insensíveis, legalistas, duros, sem afeição, sem misericórdia, infelizes, sem conhecimento de Deus.
No paralítico, um coração necessitado, mas humilde, esperançoso e crente.
Nos quatro amigos, corações amorosos, misericordiosos e esforçados.
Cada um de nós pode se identificar com cada um destes tipos de coração. Pois todos nós carecemos de Jesus.
Examine o seu coração. Pois ele está relacionado a algum destes tipos. Talvez mais de um.
1. Se o seu coração está insensível, duro, se você é uma pessoa apenas preocupada consigo mesma, se você acha que religião é apenas feita de aparências externas, regras, se falta misericórdia dentro de você, então faça duas coisas: olhe para o espelho, e veja o rosto de uma pessoa muito carente da graça de Deus, cega em seu entendimento, pelo orgulho, pelo pecado, pela adoração de si mesmo. E olhe para Jesus, santo, justo, e misericordioso. Aprenda dele. Arrependa-se. Não seja como um escriba e fariseu. Então a alegria brotará em tua alma. A tua religião será glória para Deus e felicidade para o teu coração.
2. Talvez, nesta noite, você perceba o seu coração carente. Alma enferma, por causa dos seus pecados.
Venha a Jesus. Creia em Jesus. Confesse seus pecados a Jesus. Creia no seu amor revelado na cruz, quando ele se entregou pelos nossos pecados. Receba a salvação. E seja livre.
3. E por último, amados, que ao sair daqui esta noite, todos sejamos como estes quatro amigos. Levemos os necessitados a Jesus. Levemos em oração. Levemos em nossos corações. Levemos com o Evangelho. Levemos com nosso amor, com nossos esforços.
Que o Senhor use você na empresa em que você trabalha, na escola em que você estuda, entre os vizinhos, entre os colegas e conhecidos. Que o Senhor use a sua vida.


[1] Jo 5:14
[2] Dn 7:13, 14
[3] Jo 21;17
[4] Pv. 20:11
[5] Ed 7:8-10
[6] Sl 86:10

domingo, 29 de abril de 2018

Barro nas mãos do oleiro - Jr 18:1-6

3ª IPC de Guarulhos
Domingo, 29 de abril de 2018
Pr. Plínio Fernandes
Amados irmãos, vamos ler Jeremias 18:1-6
“Palavra do SENHOR que veio a Jeremias, dizendo:  2 Dispõe-te, e desce à casa do oleiro, e lá ouvirás as minhas palavras.  3 Desci à casa do oleiro, e eis que ele estava entregue à sua obra sobre as rodas.  4 Como o vaso que o oleiro fazia de barro se lhe estragou na mão, tornou a fazer dele outro vaso, segundo bem lhe pareceu.  5 Então, veio a mim a palavra do SENHOR:  6 Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? -- diz o SENHOR; eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.”
Ao sul de Jerusalém, num lugar chamado “Vale de Hinon”, havia uma região conhecida como o “Campo do Oleiro”. Era um centro manufatureiro de cerâmica.
Naquela época não havia objetos de plástico, e os de pedra, vidro ou metal eram muito caros.
Por isto a argila, um material abundante e versátil, era largamente empregada, para se fazer copos, bacias, vasos, jarras para leite, vinho, cerveja, água; xícaras, lamparinas, tigelas, potes, pratos – tudo era feito de argila naquele lugar.
O oleiro tomava uma porção de argila, misturava com água, colocava sobre as rodas de um torno vertical, e à medida em que o torno girava, ele ia dando àquela massa a forma que desejasse. Depois pintava e colocava para secar.
Pois bem, um dia o Espírito Santo disse a Jeremias:
– “Levante-se, vá à casa do oleiro, e lá você ouvirá a minha palavra”.
Jeremias fez como o Senhor ordenou. Na casa do oleiro, ficou observando o homem trabalhando.
De repente, o vaso se estragou, se deformou em sua mão. O oleiro não desistiu: amassou o barro e começou de novo, para fazer o vaso que desejava.
Então, através do que viu, Jeremias ouviu a Palavra do Senhor:
v. 6 - “Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? - diz o Senhor; eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.”
– “Israel, meu povo, meus filhos, minha igreja, será que eu não tenho o direito e o poder de fazer com a vida de vocês da mesma maneira que este oleiro faz com o barro em suas mãos? Assim como o barro nas mãos do oleiro, assim são vocês nas minhas mãos”.
Numa belíssima metáfora, o Senhor afirma sua total soberania sobre a vida humana: sobre as nações, e também a sua total soberania sobre a vida de cada um de nós.
O Espírito diz que Deus é soberano sobre a nossa vida. Vamos meditar sobre esta verdade maravilhosa.
1. Todo o nosso ser, toda a nossa vida, está nas mãos do Senhor Deus - v.6
– “Assim como o barro está nas mãos do oleiro que, tomando a argila, a mistura com água, a amassa, a coloca sobre as rodas, e faz dela um utensílio, assim são vocês nas minhas mãos...”
Nossa vida, meus amados, não pertence a nós mesmos.
Leiamos Jr 10:23
“Eu sei, ó Senhor, que não cabe ao homem determinar o seu caminho, nem ao que caminha o dirigir os seus passos.”
Se nossa vida não nos pertence, se não está em nossas mãos o dirigir o nosso destino, estaremos então à mercê do acaso, como uma folha que voa ao sabor do vento?
Não!  Nós pertencemos a Deus. Dentro deste contexto, há uma passagem bastante conhecida nossa, que vale a pena citar:
Sl 139:13-16
“Pois tu formaste o meu interior tu me teceste no seio de minha mãe.  14 Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem;  15 os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra.  16 Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda.”
Sempre que menciono esta passagem, gosto de enfatizar que a formação de nosso ser, lá no ventre de nossa mãe, desde o momento de nossa concepção, quando as células de nossos pais se encontraram, é obra das mãos do Senhor.
Nós somos criação de Deus. A nossa aparência física é obra das mãos do Senhor.
Mas o que eu gostaria de destacar agora é o v. 16b:
“Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda.”
Cada um dos nossos dias foi antecipadamente escrito e determinado por Deus.
Cada um dos nossos passos está nas mãos de Deus, o nosso destino está nas mãos de Deus.
Nada disto cabe a nós determinar: o nosso trabalho, o lugar do nascimento, a família, o lugar onde morar, os amigos, o casamento, a saúde, tudo.
Até hoje, tudo quanto aconteceu na sua vida, está nas mãos de Deus, no presente, tudo está nas mãos de Deus, o futuro está nas mãos de Deus. Até mesmo as profundezas do nosso ser, as inclinações últimas do coração, estão nas mãos do Senhor:
Sl 33:13-15
“O SENHOR olha dos céus; vê todos os filhos dos homens;  14 do lugar de sua morada, observa todos os moradores da terra,  15 ele, que forma o coração de todos eles, que contempla todas as suas obras.”
“Ele, que forma o coração de todos eles, que contempla todas as suas obras.” As decisões, as boas disposições da mente, as atitudes, ele é quem opera em nós.
Até a conversão de nossa vida a ele é obra de suas mãos, concedendo-nos o arrependimento, a fé, o entendimento espiritual:
At 16:14
“Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia.”
2. O nosso ser, a nossa vida, o Senhor dirige como melhor lhe parece - v. 4b
“Como o vaso que o oleiro fazia de barro se lhe estragou na mão, tornou a fazer dele outro vaso, segundo bem lhe pareceu.”
Deus dirige a nossa vida de acordo com o propósito de sua vontade.
Há três afirmações da Bíblia que desejo mencionar, que nos mostram o propósito de Deus ao dirigir a vida dos seus ecolhidos:
2.1. Isaías 43:7 – nós o povo de Deus, fomos criados para a glória dele
“A todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para minha glória, e que formei, e fiz.”
A principal razão da sua existência é esta: Deus criou você para o louvor de sua glória, isto é, para que através de sua vida o nome dele seja honrado, exaltado.
Agora veja: vamos supor que alguém contrate um profissional para que realize algum trabalho. Um pintor, por exemplo. Você o contrata para pintar sua casa. Então ele vem e realiza seu trabalho.
Se ele realizar bem o seu trabalho, o nome dele será honrado, você falará dele para outras pessoas e o recomendará, não é mesmo? Mas se ele for um mau trabalhador, e alguém lhe pedir informações a respeito dele, você terá coragem de recomendar este mal profissional? É claro que não.
Amados, se Deus nos criou para a glória do seu nome, é evidente que ele nos criou do melhor modo, que ele está realizando em nós o mais excelente trabalho, pois não deseja que por nossa causa o seu nome seja blasfemado.
Por isto conscientemente devemos viver para glorificar a Deus (Is 43:21)
2.2. Romanos 9:21-24 – Nós somos vasos de misericórdia
“Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra?  22 Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição,  23 a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão,  24 os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?”
Aqui, o apóstolo está dando um passo adiante, além do fato de que o Senhor é o nosso criador.
Está explicando que, por causa do pecado de nossos primeiros pais, Adão e Eva, todos nós nascemos também com uma natureza pecaminosa, inclinada a fazer o que é mau, e que por causa disto, se Deus condenasse a todos nós à perdição eterna, ainda assim ele continuaria sendo justo.
Ele endurece a quem quer, e tem misericórdia de quem quer. Ao contemplar a dureza do coração de Faraó, decidiu deixá-lo entregue à sua própria dureza.
Mas, e quanto a nós, o que Deus fez? Ele, que tem todo o direito de nos condenar, de fazer de nós, vasos de sua ira, de nos condenar à perdição eterna, decidiu fazer de nós, os que nele cremos e dele nos aproximamos por meio de seu Filho, Jesus Cristo, vasos de misericórdia, pessoas destinadas a receber sua misericórdia, seu perdão, sua salvação.
Vasos de misericórdia; e misericórdias que não tem fim – o que me vem à mente é um vaso no qual uma pessoa começa a derramar água, para enchê-lo. Então ela enche o vaso, mas continua a derramar esta água, de modo que ela transborda, e vai se derramando para fora, e a pessoa continua a derramar água, como num chafariz que jamais deixa de fluir.
Lm 3:22, 23
“As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; 23 renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade.”
As misericórdias do Senhor não têm fim. Agora veja o contexto em que ele diz isto – ele está sofrendo, por causa da desobediência à Palavra do Senhor (1:18), mas reconhece que até seu sofrimento é por causa da misericórdia de Deus, que através desse sofrimento o leva de volta aos seus caminhos.
Lm 3:34-33
“A minha porção é o SENHOR, diz a minha alma; portanto, esperarei nele. 25 Bom é o SENHOR para os que esperam por ele, para a alma que o busca. 26 Bom é aguardar a salvação do SENHOR, e isso, em silêncio. 27 Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade. 28 Assente-se solitário e fique em silêncio; porquanto esse jugo Deus pôs sobre ele; 29 ponha a boca no pó; talvez ainda haja esperança. 30 Dê a face ao que o fere; farte-se de afronta. 31 O Senhor não rejeitará para sempre; 32 pois, ainda que entristeça a alguém, usará de compaixão segundo a grandeza das suas misericórdias; 33 porque não aflige, nem entristece de bom grado os filhos dos homens”.
Tudo na tua vida, cada instante, não é somente para a glória de Deus, mas é também debaixo da graça de Deus, de seu perdão, bondade e amor.
Por isto Paulo diz em Rm 8:28, que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que foram chamados de acordo com seu propósito.
2.3. 1ª Pe 3:7 – Somos herdeiros da graça de vida
“Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte (vaso) mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações.”
A mulher deve ser considerada pelo homem como o vaso mais frágil, de constituição mais delicada.
A idéia é que o homem tem nas mãos um bem precioso, e sabe daquelas coisas preciosas e delicadas, nas quais há uma embalagem que diz: “Cuidado! Frágil!”? Assim o marido deve cuidar de sua esposa.
Mas o que desejo enfatizar é que, segundo este texto, tanto o homem quanto a mulher são vasos nas mãos do Senhor, e como vasos, herdeiros da graça de vida, ou vida da graça, isto é, herdeiros da salvação eterna
3. De nosso ser, de nossa vida, à qual o Senhor está dirigindo, moldando segundo seu propósito, ele não desiste - v. 4
O vaso se estragou, se deformou nas mãos do oleiro.
Certa vez um irmão estava me explicando como acontece isto – o oleiro vai ao campo, do solo extrai a argila com a qual irá trabalhar e a coloca sobre a roda.
Acontece que esta argila está misturada com pedras, sujeiras, gravetos, e quando a argila começa a ser girada e moldada, estas impurezas começam a vir para fora, para serem retiradas. Muitas vezes é um pedaço de pedra tão grande que deixa um buraco no vaso que está sendo moldado.
Então o oleiro amassa o barro de novo e recomeça.
Irmãos, a analogia é óbvia: assim também conosco, à medida em que Deus realiza sua obra em nós.
Ele nos tomou do lamaçal de uma vida de pecado, e agora está a cada dia nos moldando, para sermos santificados em toda a nossa maneira de ser, até que a imagem, o caráter de Cristo seja formado em nós.
As nossas impurezas, as nossas fraquezas, vão aparecendo, vêm à tona, à medida em que o Espírito de Deus trabalha em nós
E a obra de Deus em nós produz aquilo que muitos teólogos chamam “quebrantamento”.
Por quebrantamento nos referimos àquela obra que Deus realiza através da Palavra, das circunstâncias, dos amigos, e que nos leva a reconhecer que não somos nada de nós mesmos, ao contrário, se somos grandes em alguma coisa é em pecado.
É aquela obra que nos leva a ser arrependidos, mansos, humildes, capazes de aprender, capazes de perdoar, benignos e ternos, como o Senhor Jesus
E quando permitimos que Deus nos quebrante, percebemos quão grande é a sua graça para conosco.
2ª Co 4:7 ­– Vasos de barro
“Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós.”
O tesouro ao qual o apóstolo Paulo se refere é, usando as palavras dele, o conhecimento da glória de Deus através de Jesus Cristo, que nos orienta, nos ilumina, nos santifica, por meio do Espírito Santo que habita em nós
Este grande tesouro está em vasos frágeis, quebradiços, mas está, e não vai nos deixar nunca.
– “Nunca te deixarei, jamais te abandonarei” (Hb 13:5)
Eu acho que uma das mais belas ilustrações desta verdade é o que Jesus fez com Pedro após sua morte e ressurreição – a maneira como ele o restaurou completamente.
Deus não desiste de nós. Deus não desiste de nos amar.
Conclusão e aplicação
Nossa vida e destino estão nas mãos do Senhor
Ele decidiu fazer de nós, para sua gloria, vasos de misericórdia, herdeiros da vida eterna.
Embora sendo tão pecadores, propensos ao erro, ele não desiste de nós. Trabalha incessantemente, para nos purificar, para nos santificar, para fazer de nós vasos de honra para o seu nome.
O que esta doutrina deve provocar em nós?
1. Uma inabalável confiança no amor, sabedoria e providência de Deus, em todas as circunstâncias de nossa vida. Deus nos ama, ele sabe o que faz, e em tudo está nos moldando segundo o seu querer – 2ª Co 4:7-9, 16
“Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós. 8 Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; 9 perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos”
“Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia.”
2. Uma busca constante por uma vida santa, pura, separada do pecado, para que conscientemente glorifiquemos a Deus com nossa vida – 2ª Tm 2:20,21
“Ora, numa grande casa não há somente utensílios de ouro e de prata; há também de madeira e de barro. Alguns, para honra; outros, porém, para desonra.  21 Assim, pois, se alguém a si mesmo se purificar destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra.”
3. Uma atitude de gratidão e submissão aos propósitos de Deus. Não temos o direito de nos rebelar contra alguém que é todo poderoso, todo amor e todo sabedoria – Is 45:7
“Ai daquele que contende com o seu Criador! E não passa de um caco de barro entre outros cacos. Acaso, dirá o barro ao que lhe dá forma: Que fazes? Ou: A tua obra não tem alça?.”
4. Uma atitude de louvor em todo o tempo – Is 43:21
Pois somos que, diz o Senhor, “...que formei para mim, para celebrar o meu louvor” (Is 43:21).

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Servi ao Senhor com alegria - Sl 100

IPC de Pda. de Taipas
Domingo, 20 de novembro de 2016
Pr. Plínio Fernandes
Celebrai com júbilo ao SENHOR, todas as terras.  2 Servi ao SENHOR com alegria, apresentai-vos diante dele com cântico.  3 Sabei que o SENHOR é Deus; foi ele quem nos fez, e dele somos; somos o seu povo e rebanho do seu pastoreio.  4 Entrai por suas portas com ações de graças e nos seus átrios, com hinos de louvor; rendei-lhe graças e bendizei-lhe o nome.  5 Porque o SENHOR é bom, a sua misericórdia dura para sempre, e, de geração em geração, a sua fidelidade. 
– Celebrai com júbilo ao Senhor. Servi o Senhor com alegria.
Os cultos reunidos como igreja, que prestamos a Deus, são talvez o aspecto mais importante das nossas atividades como cristãos.
Primeiramente, porque em várias passagens no livro do Êxodo, quando o Senhor ordenou que Faraó deixasse o seu povo sair do Egito, ele disse:
– Deixa o meu povo, para que me sirva no deserto.[1]
A palavra ali traduzida, e também aqui no v. 2, como “servir”, significa “trabalhar”, no sentido de dedicar-se a tarefas que o Senhor ordenou.
Agora, em Êxodo 5:1, numa frase de significado idêntico, ele usou a mesma expressão que aparece aqui no Salmo 100:1
– Deixa ir o meu povo, para que me celebre uma festa no deserto.
Deus desejava que o seu povo, livre os seus opressores, pudesse cultuá-lo; que o servisse em adoração, com alegria, com festa.
Da mesma maneira, quando o Senhor Jesus ensinou à mulher de Samaria como é que nós devemos adorar a Deus, ele disse que o Pai deseja ser adorado.
Jo 4:23, 24
Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores.  24 Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.
Isto é, ele deseja que o adoremos, e que o façamos não apenas com ações externas, mas que o adoremos com o nosso coração; que as expressões do nosso corpo, como o cantar de nossos lábios, o fechar de nossos olhos, o dobrar de nossos joelhos, o levantar de nossas mãos, sejam manifestações daquilo que nossas mentes e corações estão fazendo, em reconhecimento honesto e verdadeiro de tudo quanto ele é prá nós.
Isto é, para adorar a Deus nós precisamos usar o nosso entendimento.
A segunda razão pela qual o culto é das atividades mais importantes diz respeito ao nosso bem estar.
Nós fomos criados de um jeito que somente somos felizes se estivermos em comunhão com Deus, adorando-o e servindo-o.
Quando adoramos a Deus verdadeiramente, ele se faz presente entre nós, e sua presença nos completa, nos purifica, nos santifica, nos fortalece, nos cura.
Assim como natureza na terra precisa do calor do sol, assim a nossa alma precisa da presença de Deus.
E esta presença nos alimenta, nos transforma de tal modo que podemos sair do culto renovados, motivados a amar, e manifestar a graça de Deus, a graça que o Evangelho opera em nós, em casa, no trabalho, e em qualquer outro lugar em que Deus nos colocar.
A adoração a Deus, a verdadeira adoração, torna-se então a fonte de tudo o mais que fazemos na vida.
Este Salmo que temos diante de nós, amados, é um convite, uma exortação, uma motivação para que adoremos ao Senhor.
E que o façamos com prazer, satisfação, com gratidão em nossos corações, que o façamos em espírito e em verdade.
Uma vez que devemos adorar com o nosso entendimento, o Espírito Santo nos dá aqui muitas razões para que celebremos com júbilo ao Senhor, para que sirvamos ao Senhor com alegria.
1. As primeiras razões estão descritas no v. 3
– Sabei que o SENHOR é Deus; foi ele quem nos fez, e dele somos; somos o seu povo e rebanho do seu pastoreio.  
S, ele dia; isto é, use o seu entendimento, compreenda primeiro quem ele é, e assim você poderá servi-lo com alegria.
Senhor, aqui, é Javé, no texto hebraico. É o nome do Deus triúno; o Deus que desde a eternidade planejou, e no devido tempo fez uma aliança conosco no sangue de Jesus.
Esta razão, em si mesma, o fato de que o Senhor é Deus, é suficiente. Isto o torna digno de ser adorado.
Mas nós só podemos adorá-lo porque existimos e somos o seu povo escolhido.
Foi ele que nos fez
Sabe por que você existe? Porque Deus criou você. Sabe as pessoas que você ama? Foi Deus quem as criou.
Erga os olhos da sua alma, e pense em todas as maravilhas do nosso planeta tão bonito: a luz do sol que chega a nós, as estações do ano, o dia e a noite.
Pense nos animais, em toda a sua variedade; da mesma forma o mundo vegetal, com toda a sua vida, que nos alimenta, que nos alegra com sua beleza, que produz medicina para o nosso corpo.
Pense na humanidade, com toda a sua inteligência, com sua criatividade artística, com sua capacidade tecnológica, com sua capacidade de conhecimento e progresso; pense no amor, na amizade, nos dons naturais. E tudo o mais que há de bom. E que nos faz cantar: – Que mundo maravilhoso![2]
Ou como diz o Salmo 104[3]
Que variedade, Senhor, nas tuas obras!
Todas com sabedoria as fizeste;
A terra está cheia das tuas riquezas.
Mas levante os seus olhos para o alto e veja.
Quem criou estas coisas? Aquele que faz sair o seu exército de estrelas, todas bem contadas, as quais ele chama pelo nome; por ser ele grande em força e forte em poder, nem uma só vem a faltar. [4]
Pense nos meteoros, pense nos cometas viajando pelo céu. 
Pense nos milhões de galáxias, na incontável multidão de estrelas, e lembre-se de que os eleitos do Senhor são numerosos como as estrelas do céu.[5]
Então adore ao Senhor por causa das maravilhas da criação. Seja grato a ele. Ame-o por causa do universo que ele fez. Ame-o porquê ele é o teu criador.
Adore-o porquê dele, por ele a para ele são todas as coisas.[6]
Sirva o Senhor com alegria, porque ele é o teu pastor.
Foi ele que nos fez e dele somos; somos o seu povo, e rebanho do seu pastoreio.
Nós somos gente feita por ele. E somos povo que ele pastoreia.
Esta é uma metáfora repetidamente usada nas Escrituras. Por exemplo, nas palavras do nosso Senhor Jesus:
Primeiro veja quem são as ovelhas de Jesus, o povo do seu pastoreio.
Jo 10:11-15
Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas.  12 O mercenário, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê vir o lobo, abandona as ovelhas e foge; então, o lobo as arrebata e dispersa.  13 O mercenário foge, porque é mercenário e não tem cuidado com as ovelhas.  14 Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim, 15 assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas.
As ovelhas de Jesus são o povo por quem ele deu a sua vida.
Aqui , Jesus se descreve como um pastor de ovelhas. Ele cuida delas, não como quem o faz por dinheiro, como um empregado que cuida das ovelhas de outra pessoa. Mas cuida delas porque são suas, e está a ponto de dar até a sua própria vida por amor a elas.
Aliás, de fato, foi isto o que o nosso bom pastor fez por suas ovelhas. Deu a sua vida por elas, quando morreu na cruz, levando sobre si o castigo que era delas.
Ele sabe quem são as suas ovelhas, e elas sabem quem ele é.
Por isto ele as conduz por caminhos seguros, indo à sua frente, e alimentando-as em sua fé. Elas se sentem protegidas por sua presença, orientadas pela sua voz; elas se sentem sustentadas.
Jo 10:2-4
Aquele, porém, que entra pela porta, esse é o pastor das ovelhas.  3 Para este o porteiro abre, as ovelhas ouvem a sua voz, ele chama pelo nome as suas próprias ovelhas e as conduz para fora.  4 Depois de fazer sair todas as que lhe pertencem, vai adiante delas, e elas o seguem, porque lhe reconhecem a voz.
Jo 10:27
As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.  28 Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão.  29 Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar.  30 Eu e o Pai somos um.
Veja a união espiritual que existe entre Jesus e o seu rebanho. Embora sejam o rebanho do seu pastoreio, ele conhece a cada uma de suas ovelhas individualmente. Ele as chama pelo nome. Ele deu sua vida por elas, e também tem a cada uma delas em suas próprias mãos, de modo que ninguém pode tirá-las.
Agora, o grande segredo de ser ovelha de Jesus:
– As minhas ovelhas, ele diz, ouvem a minha voz.
Isto é, elas creem nele, têm discernimento do que ele diz, seguem seus ensinamentos, fazem sua vontade.
Amado, você crê em Jesus? Faz a vontade dele? Segue os ensinamentos dele? Então você pode dizer:
– O Senhor é o meu pastor, e nada me faltará.
Se o Senhor é o teu pastor, então você tem aquele que preenche todas as tuas necessidades espirituais.
Você precisa perdão? Ele te dá perdão.[7]
Você precisa direção? Ele te conduz. Ele vai à frente para que você o siga.[8]
Você precisa santificação? Ele te santifica.[9]
Você precisa de paz? Você precisa de proteção? Ele é a tua paz. Ele guarda a tua saída e a tua entrada, ele é a sombra à tua direita.[10]
Você precisa de novas forças? Ele é a força da tua vida.[11]
E também ele é quem cuida de todas as tuas necessidades desta vida, pois você vale muito mais do que os passarinhos.[12]
Então sirva ao Senhor com alegria, pois ele é o teu criador e o teu pastor.
2. Outras razões são descritas no v. 5
Elas dizem respeito ao caráter de Deus, as qualidades de Deus que o levaram a nos criar e ser o nosso pastor.
Vamos reler os vs. 4 e 5
Entrai por suas portas com ações de graças e nos seus átrios, com hinos de louvor; rendei-lhe graças e bendizei-lhe o nome.  5 Porque o SENHOR é bom, a sua misericórdia dura para sempre, e, de geração em geração, a sua fidelidade. 
O Senhor é bom
Você se lembra daquelas palavras repetidas sempre, no relato da criação.
A Escritura diz várias vezes, depois de cada ato criativo:
– E viu o Senhor que era bom.
E termina dizendo:
– Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom.[13]
Se o Senhor Deus fez tudo muito bom, ele com isto estava evidenciando a sua própria natureza bondosa. Pois assim como fazer coisas más é um comportamento próprio de um caráter mau, fazer coisas boas é próprio de alguém que é bondoso.
Além disto, se o Senhor Deus emitiu o seu parecer, dizendo que tudo era muito bom, ele demonstra com isto o seu prazer, o seu amor por tudo quanto ele criou.
Agora, todos temos ciência, meus irmãos, de que o homem criado por Deus, para viver com ele um relacionamento de amor eterno, quebrou esta aliança de amor quando ouviu a Satanás e desobedeceu a Deus.[14]
Por isto toda a miséria e maldade que existe então neste mundo. Nós nos tornamos pecadores, e indignos do amor de Deus, por nossa traição a ele. Espiritualmente falando, nos tornamos mortos em nossos delitos e pecados, separados de Deus.
Mas o Espírito Santo segue dizendo:
– Sabei que o Senhor é bom, e a sua misericórdia dura para sempre.
Vamos ler Ef 2:4-9
Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, 5 e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, -- pela graça sois salvos, 6 e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; 7 para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus.  8 Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; 9 não de obras, para que ninguém se glorie.
Deus não nos deixou, as nós, os que cremos, mortos em nossos pecados. Por sua misericórdia, uma misericórdia que nunca se acaba, mas que “se renova a cada manhã”,[15] ele nos deu vida na morte de Cristo.
E assim como ele ressuscitou a Jesus de entre os mortos, ele também nos fez ressuscitar em nossas almas, de modo que agora vivemos de nono uma vida de amor com nosso criador e pastor.
Eu amo demais aquela música que diz assim:
Nada como ser um redimido
Nada como ser filho de Deus
E bem cedinho de manhã
Saber que as misericórdias do Senhor se renovaram
Nada como ter a vida eterna
Nada como ser filho de Deus
E em meio a tantas incertezas que
Querem me cercar eu sei que salvo sou
Estou em Cristo...[16]
Por fim, conclui a Escritura:
Ele é fiel
– Sabei que o Senhor é bom, que a sua misericórdia dura para sempre, e que a sua fidelidade permanece de geração em geração.
É alguém cuja misericórdia nunca falhará. Nunca deixará de perdoar.
É alguém que nunca deixará de cuidar, que nunca deixará de orientar, de proteger, de sustentar.
Ninguém arrebatará as suas ovelhas das suas mãos.
Pois ele é fiel, sua palavra é honrada.
Ontem eu e meus familiares comemoramos o 79º aniversário de minha querida mãezinha. Esperamos comemorar pelo menos mais uns 30.
Minha mãezinha agora está vivendo mais tranquilamente, mas sua vida, no geral, foi caracterizada por muitas lutas.
Ela casou-se bem cedo, e ficou viúva aos trinta anos. Tinha quatro filhos. Então, aquela jovem senhora tomou sua máquina de costura, e levantando-se bem de manhazinha, todos os dias, por muitos anos, dedicou-se a costurar. Ela costurava até dez horas da noite.
Não tinha ajuda de mais ninguém. Eu me lembro de que às vezes ela chorava por suas dificuldades, por suas tribulações.
Mas sempre trabalhava cantando hinos ao Senhor. E lia as Escrituras em voz alta, estando os filhos já deitados, antes de dormir. Aos domingos, igreja. No final do mês, separava os seus dízimos, e com fidelidade os entregava na pequena igreja que frequentávamos.
Seus filhos cresceram, todos somos gente de bem, temos nossas novas famílias, e já demos netos e bisnetos para ela.
Com isto eu quero dar glória a Deus por sua fidelidade, pois ele diz, e é, o Deus que cuida dos órfãos e das viúvas.[17]
Conclusão e aplicação
Nós entoamos um cântico que diz:
Pra te adorar, ó Rei dos reis
Foi que eu nasci, ó Rei Jesus
Meu prazer é te louvar
Meu prazer é estar
Nos átrios do Senhor
Meu prazer é viver
Na casa de Deus
Onde flui o amor[18]
Amado, examine-se a mim mesmo
Você é uma ovelha de Jesus? Crê em sua Palavra, ouve sua voz, anda nos caminhos dele?
Então você tem motivos demais para regozijar-se em Deus, e conscientemente, servi-lo com prazer, com satisfação.
Você tem motivos demais para remover de sua alma qualquer coisa que possa impedi-lo de adorá-lo em espírito e em verdade.
Pois ele é Deus, o teu criador, ele trouxe você, e tudo o que há, à existência.
Ele é o pastor da tua vida, que te trata com bondade, misericórdia e fidelidade, ontem, hoje, e para sempre.
Simplesmente confie em Deus. Creia em Jesus. Creia no Espírito Santo.
A cada dia abra o seu coração, e, pela fé em sua Palavra fiel, receba toda a sorte de bênçãos que o Senhor tem dado e a você em Cristo Jesus.[19]
E sirva ao Senhor com alegria. Pois ele nos criou para o louvor da sua glória.


[1] Êx 4:23; 7:16; 8:1, 20; 9:1, 13; 10:3
[2] What a Wonderful World  – canção escrita por Bob Thiele e George David Weiss, gravada pela primeira vez por Louis Armstrong.
[3] Sl 104:24
[4] Is 40:26
[5] Gn 15:5
[6] Rm 11:36
[7] Rm 8:1
[8] Rm 8:14
[9] 1ª Co 1:30
[10] Ef 2:14; Sl 121:5
[11] Sl 27:1; Fp 4:13
[12] Mt 6:26
[13] Gn 1:31
[14] Ec 7:29
[15] Lm 3:22, 23
[16] Cristo está comigo, de Paulo César da Silva (Grupo Logos)
[17] Sl 68:5
[18] Meu prazer, de Pr. Márcio Pereira
[19] Ef 1:3
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