Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

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domingo, 16 de fevereiro de 2014

Encorajamentos - Is 55

IPC em Pda. de Taipas
Domingo, 16 de fevereiro de 2014
Pr. Plínio Fernandes
Queridos irmãos, vamos ler Isaías 55
Ah! Todos vós, os que tendes sede, vinde às águas; e vós, os que não tendes dinheiro , vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite.  2 Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão, e o vosso suor, naquilo que não satisfaz? Ouvi-me atentamente, comei o que é bom e vos deleitareis com finos manjares.  3 Inclinai os ouvidos e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, que consiste nas fiéis misericórdias prometidas a Davi.  4 Eis que eu o dei por testemunho aos povos, como príncipe e governador dos povos.  5 Eis que chamarás a uma nação que não conheces, e uma nação que nunca te conheceu correrá para junto de ti, por amor do SENHOR, teu Deus, e do Santo de Israel, porque este te glorificou.  6 Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto.  7 Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar.  8 Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o SENHOR, 9 porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos.  10 Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, sem que primeiro reguem a terra, e a fecundem, e a façam brotar, para dar semente ao semeador e pão ao que come, 11 assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei.  12 Saireis com alegria e em paz sereis guiados; os montes e os outeiros romperão em cânticos diante de vós, e todas as árvores do campo baterão palmas.  13 Em lugar do espinheiro, crescerá o cipreste, e em lugar da sarça crescerá a murta; e será isto glória para o SENHOR e memorial eterno, que jamais será extinto.
Neste texto, o Espírito do Senhor está como que “abrindo os braços a todos os homens”, convidando todos os homens a entrarem naquilo que ele chama de “Aliança com Deus”.
Ele diz:
“Vocês que estão com sede, venham a mim”.
“Vocês que estão com fome mas não têm dinheiro, venham a mim”
“Venham comprar sem dinheiro e sem pagamento”
“Porque gastar o dinheiro naquilo que não é pão?”
“Porque gastar o produto de seu trabalho naquilo que não satisfaz?”
O que ele está dizendo com estas palavras é que é possível gastarmos nossas energias, nosso tempo, a nossa vida, naquilo que não pode trazer verdadeira alegria, verdadeiro contentamento e satisfação.
Então ele exorta:
“Não estraguem assim suas vidas...”.
“Deixem seus caminhos errados para trás...”.
“Voltem-se para mim; farei com vocês uma aliança eterna, um pacto que nunca quebrarei, e através do qual cobrirei suas vidas com as ricas misericórdias que prometi a meu servo Davi...”.
Em todo o capítulo o Senhor convida os homens a entrarem nesta aliança, e ternamente mostra o porquê é proveitoso para o homem o responder a este convite.
Hoje eu desejo principalmente me dirigir a vocês que já atenderam a este convite, e com base no fato de que têm esta aliança com Deus, tomar as verdades aqui reveladas para encorajá-los em seu andar com o Senhor.
1. Desejo encorajá-los a confiar na sabedoria do Senhor
vs. 8,9
8 Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o SENHOR, 9 porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos.  
Nestes vs., ao falar-nos do por que não devemos andar em nossos próprios caminhos, segundo nossos próprios pensamentos, tomando nossas próprias decisões, o Senhor nos diz que os pensamentos, os caminhos, isto é, os meios através dos quais ele trabalha para alcançar seus propósitos, são muito superiores, são muito melhores do que os nossos.
Assim como os céus são mais muito altos do que a terra, os pensamentos de Deus são mais altos que os nossos.
Podemos dizer que são infinitamente superiores aos nossos
Uma primeira razão é que a mente do Senhor é perfeita, a nossa não.
O Senhor pensa com clareza, não tem as dificuldades de discernimento provocadas pela nossa natureza pecaminosa, nem por nossas fraquezas físicas, às quais nosso cérebro está completamente ligado.
O Senhor também é perfeito em santidade, de modo que seu juízo é sempre reto, sua avaliação das coisas é sempre justa.
Os planos de Deus são melhores: os caminhos através dos quais ele alcança seus intentos
Uma segunda razão é que o Senhor tem um conhecimento completo, integral, de nossa vida como um todo.
Ele sabe tudo quanto acontece conosco, com as outras pessoas, direta ou indiretamente envolvidas em nossa vida.
Sabe tudo quanto acontecerá.
Sabe o passado, o presente e o futuro.
Conhece nossas necessidades, forças, fraquezas, limitações.
Sabe o que é melhor para nós
Conhece em que área de nossa vida precisou crescer
Conhece as necessidades de nossa fé
E ele nos faz em sua palavra uma gloriosa promessa dizendo: todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus... (Rm 8:28).
Até mesmo quando as coisas se tornam além de nossa capacidade de lidart, amedrontadoras, podemos ter a certeza de que tudo faz parte do amoroso e sábio propósito de Deus de nos abençoar.
Por exemplo, vamos ler Marcos 4:41b.
“Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem?”
São palavras dos discípulos, quando maravilhados eles viram o Senhor fazer cessar uma furiosa tempestade no mar da Galiléia, apenas pelo poder da sua palavra.
Eles já conheciam a Jesus, confiaram nele a ponto de terem deixado tudo para segui-lo, porém o Senhor desejava levá-los a um conhecimento, a uma confiança maior ainda.
Que soubessem e experimentassem que quando se está com Deus, se está com aquele que é maior que as tempestades, que até os ventos e o mar lhe obedecem.
Naquele dia, os discípulos saíram daquele barco maiores e melhores, pois foram enriquecidos no conhecer a Jesus.
Como Jesus foi sábio ao lhes dar esta lição tão palpável, tão objetiva!
Meu irmão, confie na sabedoria do seu Deus. Mesmo em meio a situações que você não entende, pois os pensamentos dele são bem melhores que os nossos.
2. Eu desejo encorajá-lo a confiar na palavra de Deus
Nos vs. 10,11, o Senhor faz uma promessa:
“Nada do que sair de minha boca será em vão”
“Nada do que eu digo cairá por terra sem produzir o seu devido fruto...”.
Confiar na palavra de Deus, é claro, significa confiar em tudo o que Deus é, porque cada pessoa se revela por meio daquilo que fala.
Confiar na palavra de Deus é confiar no caráter de Deus: em sua bondade, sua justiça, sua misericórdia.
E também é confiar no que Deus faz, pois desde a criação tudo o que Deus faz, é pelo poder de sua palavra.
É por meio de sua palavra que ele criou e sustenta todas as coisas do universo
É também pelo poder de sua palavra que ele nos regenerou, e fez de nós uma nova criação.
Há dois aspectos da palavra de Deus que desejo destacar:
As promessas da palavra - elas não voltam vazias
E quanto às promessas, podemos dizer que existem promessas tanto para os que não amam a Deus quanto para os que amam.
Para os que não amam a Deus, as promessas são de juízo e castigo.
Mas para os que amam, são promessas de bênção.
Até mesmo quando as coisas se tornam especialmente difíceis, podemos ter a certeza de que cada promessa dada por Deus se cumprirá.
Mesmo quando parece que o mal irá triunfar, que o pecado prevalecerá, podemos ter a certeza de que Deus é fiel, que ele tem tudo sob sua direção, e que sua palavra irá permanecer em pé.
Mais um exemplo. Vamos ler alguns versículos em Êxodo:
Êx 3:6-10
6 Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. Moisés escondeu o rosto, porque temeu olhar para Deus.  7 Disse ainda o SENHOR: Certamente, vi a aflição do meu povo, que está no Egito, e ouvi o seu clamor por causa dos seus exatores. Conheço-lhe o sofrimento; 8 por isso, desci a fim de livrá-lo da mão dos egípcios e para fazê-lo subir daquela terra a uma terra boa e ampla, terra que mana leite e mel; o lugar do cananeu, do heteu, do amorreu, do ferezeu, do heveu e do jebuseu.  9 Pois o clamor dos filhos de Israel chegou até mim, e também vejo a opressão com que os egípcios os estão oprimindo.  10 Vem, agora, e eu te enviarei a Faraó, para que tires o meu povo, os filhos de Israel, do Egito.
Nos vs.19 e 20, Deus continua...
19 Eu sei, porém, que o rei do Egito não vos deixará ir se não for obrigado por mão forte.  20 Portanto, estenderei a mão e ferirei o Egito com todos os meus prodígios que farei no meio dele; depois, vos deixará ir.
Mais um texto
Êx 5:1-5
Depois, foram Moisés e Arão e disseram a Faraó: Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Deixa ir o meu povo, para que me celebre uma festa no deserto.  2 Respondeu Faraó: Quem é o SENHOR para que lhe ouça eu a voz e deixe ir a Israel? Não conheço o SENHOR, nem tampouco deixarei ir a Israel. 3 Eles prosseguiram: O Deus dos hebreus nos encontrou; deixa-nos ir, pois, caminho de três dias ao deserto, para que ofereçamos sacrifícios ao SENHOR, nosso Deus, e não venha ele sobre nós com pestilência ou com espada.  4 Então, lhes disse o rei do Egito: Por que, Moisés e Arão, por que interrompeis o povo no seu trabalho? Ide às vossas tarefas.  5 Disse também Faraó: O povo da terra já é muito, e vós o distraís das suas tarefas.  6 Naquele mesmo dia, pois, deu ordem Faraó aos superintendentes do povo e aos seus capatazes, dizendo: 7 Daqui em diante não torneis a dar palha ao povo, para fazer tijolos, como antes; eles mesmos que vão e ajuntem para si a palha.  8 E exigireis deles a mesma conta de tijolos que antes faziam; nada diminuireis dela; estão ociosos e, por isso, clamam: Vamos e sacrifiquemos ao nosso Deus.  9 Agrave-se o serviço sobre esses homens, para que nele se apliquem e não deem ouvidos a palavras mentirosas.
Esta história se repetiu várias vezes; Moisés e Arão ficavam desanimados, mas sempre vinha a palavra do Senhor.
Êx 7:2-4
2 Tu falarás tudo o que eu te ordenar; e Arão, teu irmão, falará a Faraó, para que deixe ir da sua terra os filhos de Israel. 3 Eu, porém, endurecerei o coração de Faraó e multiplicarei na terra do Egito os meus sinais e as minhas maravilhas.  4 Faraó não vos ouvirá; e eu porei a mão sobre o Egito e farei sair as minhas hostes, o meu povo, os filhos de Israel, da terra do Egito, com grandes manifestações de julgamento.
Moisés e Arão perseveraram em crer na palavra do Senhor. E segundo a fidelidade do nosso Deus, a palavra se cumpriu. Através de uma série de juízos do Senhor o faraó finalmente permitiu que Israel fosse livre.
Irmão, as circunstâncias estão difíceis? As pessoas são duras de coração? Mas, afinal de contas, quem é que tem nas mãos o coração de cada ser humano? O Senhor não pode inclinar a cada um segundo o seu querer?
Então, abandone a tristeza, a incredulidade, o desânimo. Coragem!
Nunca duvide do poder de Deus, das promessas de Deus.
Simplesmente obedeça a palavra de Deus, mesmo que os homens sejam duros.
3. Eu desejo encorajá-lo a confiar no amor de Deus por você
Em 3 versículos, pelo menos, o Senhor fala das riquezas de sua graça para conosco.
No v. 3 - As fiéis misericórdias prometidas a Davi
“Misericórdia” é uma palavra que descreve compaixão, consciência de nossas necessidades (na realidade, de nossa miséria), e a ação de Deus para vir ao nosso encontro.
Agora repare que misericórdia está no plural - nossa vida está repleta das misericórdias de Deus
No v. 7, o Senhor nos diz que é rico em perdoar.
O Senhor perdoa nossos pecados
Mas não é um perdão regrado, miserável, sem vontade de perdoar.
É perdão rico: pleno, abundante.
Sl 103:12
Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões.
Ele perdoa e esquece
Mq 7:18
Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniquidade e te esqueces da transgressão do restante da tua herança? O SENHOR não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia.
Agora veja o v. 12 de nosso texto básico
Saireis com alegria e em paz sereis guiados; os montes e os outeiros romperão em cânticos diante de vós, e todas as árvores do campo baterão palmas.
Alegria e paz
Você vai à presença de Deus, e o resultado é alegria, satisfação, contentamento.
Você vai à presença de Deus, e o resultado é ser guiado, orientado, ser conduzido em paz.
Jr 29:11
Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais.
Conclusão e Aplicação
1. Quero me dirigir a você que tem uma aliança com o Senhor
- Confie na sabedoria do seu Deus
- Confie na palavra do seu Deus
- Confie no amor do seu Deus
Ame, obedeça, espere no seu Deus - deixe as mãos dele conduzirem o seu destino
2. Mas, se você não tem esta aliança com ele, venha, sem dinheiro, sem pagamento
Achegue-se a Deus por meio da fé em Jesus.
Sabe por que Jesus se deixou levar para a cruz?
Vamos ver a explicação que ele nos deu?
Mt 26:28
Porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados.
Confie em Cristo como aquele que morreu por você, por causa dos seus pecados.
Confie em Jesus Cristo como aquele que com a sua vida entregue na cruz sofreu o castigo que era seu, e desta maneira abriu para você o caminho desta aliança com Deus.
Por meio da fé em Jesus, entre nesta aliança da graça de Deus, e viva com Deus para sempre.


domingo, 3 de novembro de 2013

As faculdades espirituais dos nossos filhinhos – Mt 19:13-15

Igreja Evangélica Presbiteriana
Domingo, 3 de novembro de 2013
Pr. Plínio Fernandes
Meus amados, vamos ler Mateus 19:13-15
13 Trouxeram-lhe, então, algumas crianças, para que lhes impusesse as mãos e orasse; mas os discípulos os repreendiam.  14 Jesus, porém, disse: Deixai os pequeninos, não os embaraceis de vir a mim, porque dos tais é o reino dos céus.  15 E, tendo-lhes imposto as mãos, retirou-se dali. 
Em seu livro “Senhor, em que posso te servir?”, o conhecido cantor Marcos Witt conta sobre a importância das reuniões da igreja em sua formação espiritual.
Seus pais dirigiam uma instituição voltada para a edificação da igreja, em que havia um conjunto de instalações nas quais os pregadores eram abrigados.
Ele diz:
“Este complexo humilde de edifícios foi muito importante na minha infância. Foi neste lugar que tive os meus primeiros encontros com Deus... Em uma dessas ocasiões, quando tinha 8 anos de idade, senti fortemente o chamado de Deus de uma maneira absoluta e definitiva. Sentado por muitas horas naqueles bancos duros e frios desse lugar (meus pais me obrigavam a ficar ali), ouvia um pregador depois do outro – por muito tempo – até perceber que desejava ser um deles no futuro. Com oito anos não me preocupava como chegaria ser um pregador, nem onde, nem quando; a única coisa que sabia era que havia um ardor e uma urgência em meu pequeno coração: o mundo tinha que saber das boas novas da salvação em Cristo Jesus”.[1]
A experiência deste então menino é uma ilustração muito boa de certas verdades que aprendemos na Palavra de Deus acerca do valor que nossos pequeninos têm aos olhos dele, e das responsabilidades que temos de conduzi-los em seu relacionamento com o Senhor.
No texto de hoje, lemos que algumas pessoas levaram algumas crianças para que Jesus as abençoasse.
Porém os discípulos, que sempre demonstravam zelo, mas nem sempre entendimento, começaram a repreender estas pessoas.
Talvez pensassem que as crianças não eram tão importantes quanto os adultos, ou que poderiam atrapalhar, com suas “criancices”.
Mas o fato é que Jesus se indignou com a atitude dos discípulos, e os repreendeu.
Pois ele queria abençoar as crianças, às quais ele ama, e além disto, as descreveu como gente com alma, a quem pertence o reino dos céus.
Em nossa tradição evangélica, sempre reconhecemos a importância de ensinar aos nossos filhos o caminho pelo qual eles devem andar, de maneira que nunca venham a se desviar.[2]
Isto inclui o nosso ensino informal e também formal, a partir de nossos lares, e também as atividades da igreja, específicas para crianças.
Mas muitas pessoas, diante destas coisas, não consideram que seja também importante a participação de nossos pequeninos nos cultos.
Pensam que na primeira infância eles não têm a capacidade necessária, seja intelectual, seja a disciplina, para se assentarem e participar com os adultos.
Mas será que isto é verdade?
A minha resposta é que este é um pensamento errado, por várias razões, e entre elas, esta na qual vamos nos concentrar: nossos filhinhos são possuidores de faculdades espirituais, e pela graça de Deus operando em suas vidas, têm capacidade de receber das coisas do Senhor, e também servi-lo.
Por isto, devem participar dos cultos conosco.
Antes de considerar as capacidades de nossos filhos, gostaria de enfatizar o que eles representam aos olhos do Senhor
1. Nossos filhinhos pertencem a Deus
Há um sentido, naturalmente, que todas as crianças pertencem a Deus, pois ele é o Deus de todos os viventes [3]; e todas as crianças têm necessidades e faculdades espirituais; mas hoje eu gostaria de citar algumas palavras do Senhor que chamam nossa atenção para o que a Bíblia diz sobre os filhos do povo da aliança.
Nossos filhinhos pertencem a Deus num sentido muito especial.
Nos dias do profeta Ezequiel o Espírito Santo repreendeu o povo de Jerusalém por um pecado horrendo: eles haviam oferecido seus filhos aos deuses pagãos.
Ez 16:20, 21  
“Demais, tomaste a teus filhos e tuas filhas, que me geraste, os sacrificaste a elas, para serem consumidos. Acaso, é pequena a tua prostituição?  21 Mataste a meus filhos e os entregaste a elas como oferta pelo fogo”.
Veja a que ponto podem chegar as abominações daqueles que se afastam de Deus.
Por causa deste e de outros pecados, o Senhor enviou sua amorosa, mas terrível disciplina contra a cidade de Jerusalém, entregando-a a inimigos ainda mais perversos do que eles.
Mas eu desejo destacar a maneira como o Senhor se refere aos filhos do povo da aliança – no v. 20 ele diz: “teus filhos”. No v. 21 ele diz: “meus filhos”.
Meus irmãos, que altíssima honra nós, pais cristãos, temos ao saber que nossos filhos são assim tão amados por Deus.
São crianças que têm o privilégio de aprender as sagradas letras desde a infância, de crescer num ambiente de fé, amor, proteção, justiça, santidade, de valorização da igreja e da família. Um ambiente cristão é tudo de bom na vida de uma criança.
Crianças assim se tornam espiritual e emocionalmente seguras.
Aprendem a viver com o propósito de amar e servir a Deus, seja qual for a sua vocação.
Por isto o apóstolo Paulo escolheu uma palavra muito forte para descrever o pensamento de Deus a respeito dos nossos filhos.
1ª Co 7:14
“Porque o marido incrédulo é santificado no convívio da esposa, e a esposa incrédula é santificada no convívio do marido crente. Doutra sorte, os vossos filhos seriam impuros; porém, agora, são santos”.
O cônjuge incrédulo é santificado no sentido de que é colocado sob a benção de Deus por causa da convivência com o crente.
Naturalmente não entendemos que o texto está ensinando o casamento entre crentes e incrédulos, mas apenas levando em consideração que muitas vezes apenas um dos cônjuges se converte a Jesus.
Mas, o que ele diz a respeito dos filhos dos crentes, mesmo que apenas um dos pais o seja? Que seus filhos são santos, isto é, são pessoas separadas das demais, para pertencerem ao Senhor.
No sentido mais especial que pudermos dar a este conceito, de uma forma que não pode ser superestimada, nossos filhos pertencem a Deus.
Isto é o que reconhecemos quando os apresentamos ao batismo e fazemos nossos votos solenes, no sentido de orar com eles e por eles, de trazê-los à igreja, de ensiná-los com nossas palavras e com nosso exemplo, a amar e confiar e na Bíblia, de educá-los amorosamente na disciplina e na admoestação do Senhor.
E por outro lado, se formos negligentes no cuidado com nossos filhos, estaremos sendo negligentes no cuidado com pequeninos que pertencem a Deus.
2. Nossos filhinhos têm faculdades espirituais
2.1. Uma criancinha tem capacidade de louvar a Deus
Mt 21:15, 16
“Mas, vendo os principais sacerdotes e os escribas as maravilhas que Jesus fazia e os meninos clamando: Hosana ao Filho de Davi!, indignaram-se e perguntaram-lhe:  16 Ouves o que estes estão dizendo? Respondeu-lhes Jesus: Sim; nunca lestes: Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor”?
Eram os últimos dias de Jesus antes de ser crucificado.
E quando estava entrando em Jerusalém, muitas pessoas o aclamaram como o Messias prometido por Deus, louvando a Deus, clamando: “Hosana nas maiores alturas”... 
Hosana era uma palavra de entusiasmo religioso, que provavelmente derivava da palavra “salvar”[4], algo parecido com o nosso uso de “aleluia”, que deriva de “louvai a IAVÉ”.
E as crianças diziam: “Hosana ao Filho de Davi...”.
Os sacerdotes e escribas, aquela gente tão amarga que criticava tudo o que era bom, ficaram indignados.
Mas a resposta de Jesus revela o prazer que ele teve com o louvor dos pequeninos.
Ele cita as Escrituras, dizendo que aquele louvor dos pequeninos havia sido colocado por Deus nos lábios deles.
Assim percebemos que era um louvor aceitável a Jesus, no qual ele se deleitou.
Quando estamos adorando a Deus com nossos hinos e cânticos, certamente que o Senhor tem prazer em nós. Será que ele não teria prazer ao contemplar o cântico de nossos pequeninos unidos a nós como famílias de Deus?
2.2. Uma criancinha pode ser cheia do Espírito Santo
Lc 1:15
“Pois ele será grande diante do Senhor, não beberá vinho nem bebida forte e será cheio do Espírito Santo, já do ventre materno”.
Em muitos sentidos, João Batista, a respeito de quem a Escritura está falando aqui, foi uma pessoa excepcional, pois ele era o cumprimento de antigas profecias, onde o Senhor falava sobre aquele que viria antes de Jesus, preparando os corações para receberem sua Palavra.
Mas permanece o fato de que era também um ser humano comum. E este ser humano comum foi cheio do Espírito Santo desde o ventre materno.
Quando um bebezinho está ainda dentro do ventre de sua mãe, ele já tem a capacidade de receber certas influências que “vêm de fora”.
Sempre que penso nisto, eu me lembro de que quando minhas três filhas estavam ainda no ventre da Tequinha, eu gostava de ficar conversando e cantando prá elas.
E depois que elas nasceram, todas manifestavam que as músicas haviam sido ouvidas.
Por exemplo, desde os primeiros meses de vida, às vezes a Rutinha estava chorando, com aquelas coisas de bebê, que demoram um pouco a gente perceber o motivo.
Então eu a colocava nos braços, e começava a cantar:
Ó Pai bondoso, vem nos guiar
No bom caminho nos faze andar
Ou então:
Eu abri meu coração, e Jesus veio habitar
De manso bateu, logo a porta abri eu
E ele veio aqui morar
Quando eu começava a cantar, era a coisa mais linda. Com os olhinhos ainda marejados ela olhava pra mim e começava a sorrir. Era uma delícia de se ver.
Se desde o ventre nossos filhinhos podem receber as nossas influências, quanto mais as influencias de nosso Deus todo poderoso!
E depois que nascem, da mesma forma como aprendem a falar, a engatinhar, a andar, a se comportar convenientemente e tudo o mais, também podem aprender das coisas de Deus.
Eu nunca me esqueço de certa ocasião, a Rutinha tinha cerca de 5 anos de idade, e eu estava pregando num domingo à noite.
Ela estava “dormindo” no colo da Terezinha.
No dia seguinte, ele pediu que eu contasse uma história.
E eu comecei: “Era uma vez um homem cego, que se chamava...”
- Bartimeu!, ela respondeu.
Então eu perguntei: “Como você sabe”?
- É que esta história você contou ontem na igreja!
E eu pensara que ela estivesse dormindo.
2.3. Uma criancinha pode servir a Deus e ouvir sua voz
1º Sm 2:18, 19
“Samuel ministrava perante o SENHOR, sendo ainda menino, vestido de uma estola sacerdotal de linho.  19 Sua mãe lhe fazia uma túnica pequena e, de ano em ano, lha trazia quando, com seu marido, subia a oferecer o sacrifício anual”.
Que mãe maravilhosa a de Samuel, que consagrou seu filho ao Senhor e o ajudou a viver de acordo com esta consagração desde pequenino. Então ele ministrava, isto é, servia ao Senhor desde menininho.
1º Sm 3:10
“Então, veio o SENHOR, e ali esteve, e chamou como das outras vezes: Samuel, Samuel! Este respondeu: Fala, porque o teu servo ouve”.
Desde pequenino Samuel também aprendeu a ouvir a voz de Deus e anunciar sua mensagem.
Orlando Boyer nos conta que assim também era com Carlos Spurgeon:
O avô de Spurgeon era pastor, e todos os domingos o pequenino estava lá, ouvindo as pregações.
Um dia, quando tinha cinco anos de idade, Spurgeon viu um membro da igreja que dava muito trabalho ao seu avô, na companhia de outros, fumando e bebendo.
Então o menino se aproximou e perguntou ao homem: “Que fazes aqui, Elias”?, numa alusão ao texto bíblico.[5]
O homem contou ao pastor que no começo ficou bravo com Spurgeon, mas que depois se sentiu quebrantado e arrependido. Desde aquele dia passou a andar mais perto de Deus. [6]
2.4. Uma criancinha pode conhecer os ensinamentos de Deus
2ª Tm 3:14, 15
“Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste 15 e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus”.
Embora Paulo o considerasse como um “verdadeiro filho na fé” [7], o fato é que desde a infância Timóteo aprendera a crer em Deus, pelos ensinamentos de sua mãe e sua avó [8].
Foi delas que ele recebeu a boa semente, que a seu tempo veio germinar e dar fruto.
Os que, pela graça de Deus, fomos criados em lares piedosos, sabemos de experiência própria como muitos dos ensinamentos que recebemos na infância simplesmente tem sido a nossa crença e nossa proteção em muitos momentos de nossa vida, contra muitos males que afligem aqueles que não receberam a mesma herança.
Como fomos livrados, pela graça de Deus, das drogas, da promiscuidade, das más companhias, das falsas doutrinas, e de tantas outras coisas ruins.
Mesmo aqueles que em certos tempos foram grandemente tentados, graças ao Espírito Santo falando através do que recebemos de nossos pais, voltamos aos caminhos do Senhor.
Por outro lado, temos visto como é difícil para alguns pais o educar seus filhos nos caminhos do Senhor quando estes pais se convertem na adolescência de seus filhos.
Então os que têm filhos pequenos devem se esforçar ao máximo para criar neles hábito de participar dos cultos, da leitura bíblica, da oração, e todos os outros “meios de graça”, instrumentos pelos quais o Espírito Santo incute em nós os princípios e modo de vida do reino de Deus nesta terra.
Eu me lembro de que certo tempo atrás, nós decidimos que não teríamos mais um culto em separado para nossos filhinhos, mas que eles deveriam participar conosco.
E alguns irmãos encorajaram aos seus pequeninos que já sabiam ler, a fazer anotações sobre as mensagens. Como ficamos surpresos ao ver que eles realmente estavam seguindo as exposições e aprendendo o que ouviam.
Me lembro de que quando o Gustavo nasceu, nalgumas ocasiões a Leninha não pode vir à igreja.
Mas num desses dias em que não veio, ela perguntou a uma das filhinhas (só não me lembro qual das duas), o que havia sido pregado.
E a filhinha respondeu que foi sobre “os ídolos do coração” (foi no dia 8 de maio de 2005), e “explicou direitinho”.
Nossos filhos são capazes de entender, aprender e praticar a Palavra de Deus.
Conclusão
Nossos filhos são filhinhos de Deus, pela aliança que temos com ele na fé em Cristo Jesus.
Com isto não quero dizer que são, “automaticamente crentes e salvos”, pois eles é que precisam crer, individualmente, mas estou dizendo que eles estão dentro da aliança que Deus fez conosco, de ser o nosso Deus e de nossos filhos.
Se somos povo da aliança, significa que temos certos compromissos com nosso Deus, e entre eles, o de criar amorosamente nossos filhos de acordo com os ensinamentos da Bíblia, para que eles, através destes meios de graça, venham a crer, a amar e a servir a Deus.
Aplicações
Eu gostaria de encerrar citando dois pontos importantes em nosso cuidado da vida espiritual de nossos filhos.
1º. É claro que nosso dever não se limita em trazê-los à igreja, sem ao mesmo tempo ensiná-los por nossas próprias palavras e maneira de viver.
Alguns anos atrás, um presbítero que conheço estava ministrando aula a uma classe de adolescentes, e dizendo sobre como é gostosa e abençoada a vida da família cristã.
Então um de seus alunos, cujos pais eram líderes na igreja, contestou ao presbítero, dizendo que este não era o caso de sua família. Que na igreja, os seus pais eram uma coisa, mas na igreja, outra.
Sim, irmãos: é muito ruim quando os pais dão mau exemplo de cristianismo para os filhos.
2º Além de ensiná-los com nossas palavras e exemplo, a Bíblia diz que precisamos discipliná-los em amor.
Isto não quer dizer somente repreensão, ou alguma forma de castigo, mas também, e principalmente, “treinamento bom comportamento”.
Isto é um pouco (nalguns casos, muito) trabalhoso, mas sempre trás bons resultados.
Eu sei que muitas pessoas dizem que está errado incutir crenças religiosas nas crianças, que elas é que devem, ao crescer, escolher no que crer, ou não.
Mas esse pensamento, é certo que o tem as pessoas que não dão à religião o valor que nós damos, e com certeza não pensam do ponto de vista bíblico.
Se acreditamos que dessa fé depende a salvação de nossos filhos, é claro que temos o dever de incutir neles os ensinos de nossa fé.
Há crianças que não gostam de tomar banho. Seus pais deixam que eles fiquem sem tomar banho?
Há crianças que não gostam de estudar. Há crianças que gostam de mexer onde não devem, que gostam de comer o que faz mal à saúde, e tantas outras coisas semelhantes. Pais amorosos e responsáveis deixam-nas entregues à sua própria vontade?
Você se lembra do testemunho que lemos no início de nossa mensagem? É com gratidão que Marcos Witt se recorda de que seus pais o obrigavam a participar dos cultos.
A estultícia está ligada ao coração da criança (e não só da criança, mas de todo ser humano entregue a si mesmo), mas a vara da disciplina a afastará dela.[9]


[1] São Paulo, W4ENDOnet Comunicação e Editora Ltda., 2004, págs. 10, 11.
[2] Pv 22:6
[3] Jr 32:27
[4] J. D. Douglas, ed., Novo Dicionário da Bíblia (São Paulo, Vida Nova, 1988, 7ª reimpr.), pág. 725
[5] 1º Rs 19:9
[6] Orlando Boyer, Heróis da Fé (Rio de Janeiro, CPAD, 2005, 31ª edição), pág. 188
[7] 1ª Tm 1:2
[8] 2ª Tm 1:5
[9] Pv 22:15

quarta-feira, 15 de maio de 2013

O casamento - Ml 2:13-16


O casamento
Domingo, 18 de maio de 1997
3ª Igreja Presbiteriana Conservadora de São Paulo
Pr. Plínio Fernandes
Amados irmãos, vamos ler Malaquias 2:13-16
13 Ainda fazeis isto: cobris o altar do SENHOR de lágrimas, de choro e de gemidos, de sorte que ele já não olha para a oferta, nem a aceita com prazer da vossa mão.14 E perguntais: Por quê? Porque o SENHOR foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher da tua aliança.15 Não fez o SENHOR um, mesmo que havendo nele um pouco de espírito? E por que somente um? Ele buscava a descendência que prometera. Portanto, cuidai de vós mesmos, e ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade.16 Porque o SENHOR, Deus de Israel, diz que odeia o repúdio e também aquele que cobre de violência as suas vestes, diz o SENHOR dos Exércitos; portanto, cuidai de vós mesmos e não sejais infiéis.
Entre os israelitas, no dia do seu casamento, o noivo saia com seus amigos ao encontro da noiva em sua casa.  Ali o pai a entregava, uma benção era invocada sobre eles, então entravam numa tenda preparada especialmente e o casamento era consumado.
O casamento sempre foi considerado um evento muito importante na vida de todas as sociedades, especialmente entre o povo de Deus. Porque o casamento sempre foi visto como sendo instituído por Deus, como de fato é; e como instituição de Deus, sabemos que é fruto de sua sabedoria, bondade e amor por nós.
Mas nos dias de Malaquias o povo israelita não estava dando ao casamento seu devido valor: casamentos mistos, isto é, entre pessoas que adoravam ao Senhor e pessoas que adoravam outros deuses estavam sendo realizados, maridos estavam sendo infiéis, o divórcio correndo solto entre o povo de Deus, famílias desintegradas. E por causa destes pecados Deus não estava mais aceitando o culto deles (v.13).
Haviam perdido a perspectiva divina sobre o casamento; não estavam andando segundo o ensino de Deus. E ao repreender os israelitas por causa deste pecado, o Senhor mais uma vez ensina em sua Palavra o que é o casamento.
Lembrar-se das coisas que o Senhor nos diz sobre o casamento se faz necessário sempre, porque nos conduz a uma apreciação melhor dos propósitos de Deus, a desfrutar mais das alegrias que ele tem planejado para nós, e ao crescimento de nossa fé a mor a ele.
1 - O casamento é uma aliança feita entre um homem e uma mulher
No versículo 14, dirigindo-se aos homens de Israel, o Senhor diz que o casamento é uma aliança. Isto quer dizer um pacto, um acordo feito entre ambos, através do qual ambos se comprometem a cumprir certas coisas. Isto é, o casamento é uma atitude responsável, no qual duas pessoas responsáveis assumem certos compromissos uma com a outra.
Mas estes compromissos, estas coisas às quais ambos se comprometem, não são apenas deveres rígidos, legalistas, engessados, aos quais eles se detém por obrigação, ao contrário, são compromissos espontâneos, fruto de corações que se amam e que também compreendem qual seja a vontade de Deus.
Nos dias de hoje, em nossa tradição cristã, nós mencionamos alguns aspectos destes compromissos, e que são segundo a orientação do Senhor prá nós. Vejamos alguns deles:
1.1 - O compromisso de amar um ao outro
Tt 2:4, 5
3 Quanto às mulheres idosas, semelhantemente, que sejam sérias em seu proceder, não caluniadoras, não escravizadas a muito vinho; sejam mestras do bem, 4 a fim de instruírem as jovens recém-casadas a amarem ao marido e a seus filhos
Cl 3:19
Maridos, amai vossa esposa e não a trateis com amargura.
Amai..., e não as trateis com amargura. A versão Corrigida diz: “Não vos irriteis contra elas”. A BLH: “Não sejam grosseiros com elas...” E a Bíblia Viva: “Não tratem suas esposas com aspereza”.
No texto de Colossenses, a palavra amar é colocada em contraste com palavras como amargura, irritação, grosseria, aspereza. Significa então que, neste texto, amar é tratar com gentileza, com carinho. Significa que as atitudes, o comportamento do marido com relação à sua esposa, as palavras que ele dirige a ela devem ser gentis, carinhosas, ternas, afetuosas.
Veja o exemplo de amor descrito no livro dos Cânticos de Salomão – um livro inspirado, que  descreve o amor puro entre um homem e sua esposa.
Ct 1:15-2:6
15 Eis que és formosa, ó querida minha, eis que és formosa; os teus olhos são como os das pombas.16 Como és formoso, amado meu, como és amável! O nosso leito é de viçosas folhas,17 as traves da nossa casa são de cedro, e os seus caibros, de cipreste 2:1 Eu sou a rosa de Sarom, o lírio dos vales. 2 Qual o lírio entre os espinhos, tal é a minha querida entre as donzelas.3 Qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amado entre os jovens; desejo muito a sua sombra e debaixo dela me assento, e o seu fruto é doce ao meu paladar. 4 Leva-me à sala do banquete, e o seu estandarte sobre mim é o amor. 5 Sustentai-me com passas, confortai-me com maçãs, pois desfaleço de amor. 6 A sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e a direita me abrace.
Veja como são expressões de carinho, apaixonadas, entre um homem e sua esposa. Nos versículos 1:15 e 2:2, ele diz como sua amada é bonita, um lírio no meio dos espinhos, olhos como pombas (se fosse hoje ele diria que é uma “gatinha”). Nos versículos 1:16 e 2:3 ela diz que o ama, que nele se abriga, que o acha bonito.
Ambos dizem estas coisas um para o outro. Mas este amor não é só com palavras românticas: no cap. 7:11-13 estas palavras são transformadas em atitudes e gestos românticos: levar para um passeio, comprar flores, etc.
1.2 - Compromisso de ajudar um ao outro
1a Pe 3:1, 2
1 Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vosso próprio marido, para que, se ele ainda não obedece à palavra, seja ganho, sem palavra alguma, por meio do procedimento de sua esposa, 2 ao observar o vosso honesto comportamento cheio de temor.
Submissas – sujeitas (ARC) : estar sob a missão. Deus tem um propósito para a vida dos seres humanos: que os seres humanos vivam para ele, que o sirvam, que o adorem. Como diz o nosso catecismo : “a razão suprema e principal da existência humana  é glorificar a Deus e alegrar-se nele por toda a eternidade” (paráfrase).
Tudo o que o homem faz: trabalhar, cuidar da família, ir à igreja, alegrar-se com a vida e com os amigos, deve ser com este propósito: o de glorificar a Deus.  E à medida em que o homem vive para a glória de Deus, isto lhe trás felicidade. Este é o propósito de Deus. E esta é a missão do homem.
E a mulher é designada por Deus para estar sob a missão do homem, isto é, ajudá-lo em sua missão de servir a Deus. E quando a esposa ajuda o seu marido a servir a Deus através desta vida, ela consequentemente também glorifica a Deus e experimenta de sua presença - e isto é o que a Bíblia quer dizer com a palavra submissão. De que modo a mulher deve estar sob a missão de seu marido? Como irá ajudá-lo? Como irá fazer-lhe bem? Através de seu comportamento – v. 2
Mas no v. 7 Pedro diz que não é somente o marido que vive para Deus: a mulher também, e o marido deve ajudá-la a viver para Deus, melhor, ambos devem servir a Deus unidos.
Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações.
Discernimento: “entender a esposa”, como sendo a parte mais frágil.  Não me parece que Pedro está dizendo que a mulher seja mais frágil, mas que o marido deve tratá-la desta maneira, cuidado, protegendo, fazendo com que ela sinta-se emocionalmente segura, que ela tenha a cada dia a certeza do amor do marido. Ela precisa da liderança espiritual do marido.
1.3 - Compromisso de reconhecimento, valorização
Pv 31:28-30
28 Levantam-se seus filhos e lhe chamam ditosa; seu marido a louva, dizendo: 29 Muitas mulheres procedem virtuosamente, mas tu a todas sobrepujas. 30 Enganosa é a graça, e vã, a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa será louvada.
No texto dos Cânticos, lemos sobre reconhecer a beleza.  Aqui, lemos sobre reconhecer os talentos – agradecer o cuidado dos filhos, da casa, a promoção do bem estar da família, o “pudim feito com amor”, e tudo o mais
2 - O casamento é uma aliança que requer fidelidade, lealdade - vs. 14,15,16
No versículo 16, em Malaquias, o Senhor nos diz que odeia o divórcio. Porque o divórcio é um repúdio a todos os compromissos feitos no momento do casamento, uma deserção, um faltar com a fidelidade. E conforme nos ensina o Salmo 15:4, uma das características que Deus que no homem é a fidelidade à sua própria palavra, assim como o Senhor é.
Mas o divórcio não é a única forma de deslealdade descrita na palavra de Deus.  Muitas vezes o divórcio é apenas o clímax, a última de uma série de infidelidades que começaram antes e que vão sendo cometidas no dia a dia, e que vão sendo acumuladas no decorrer do tempo, de modo que o divórcio vem a ser o resultado de tudo isto, e muitas vezes, dos males, é o menor.
Até hoje, os crentes (e mesmo outras pessoas religiosas) têm o hábito de, durante a cerimônia do casamento, pronunciar aquelas palavras de compromisso, compromisso este que é baseado na vontade de Deus e no que sentem um pelo outro: de amar, ajudar, cuidar, respeitar, honrar, defender, perdoar, serem fiéis.
Estão dando sua palavra diante de Deus Estes votos, segundo a palavra de Deus, são para a vida toda - até que a morte os separe. O amor deve ser para a vida toda, o romantismo, o afeto, as palavras e atitudes amáveis.
Mas, meus irmãos, como a natureza humana é inclinada à infidelidade! Como tem a inclinação a se esquecer de tudo isto! O Senhor sempre se queixa que o amor humano é tão inconstante! (Jr 2:2,3; Os 6:4).
Nossa inclinação é assim com Deus, e com a mulher de nossa mocidade. Quando eu era noivo da Tequinha, uma mulher me viu chamando ela de “gatinha”. Ela ficou espantada, e disse prá Tequinha aproveitar, por que, com o passar do tempo, “os bichos vão crescendo”. A esposa vira “onça”, vira “cobra”.
Será que o fato de que o tempo passa, de que estamos envelhecendo, deve ser motivo para que nosso amor esfrie, que nosso coração se endureça, para que nos tornemos indiferentes, insensíveis?  Ao contrário, o envelhecimento, o passar do tempo deve fazer-nos maduros, mais amorosos ainda, mais sensíveis, mais fiéis, mais cuidadosos, compreensivos.
Porque, se não houver esta fidelidade no cumprimento dos votos, pode até não haver divórcio legalizado, mas haverá divórcio emocional: dentro da mesma casa, marido de um lado, cuidando de sua vida, esposa do outro, cuidando da sua, filhos no meio, separação, falta de comunicação, falta de comunhão, infelicidade e sofrimento.
O casamento é uma aliança. O casamento é uma aliança que requer fidelidade até o fim. Será que isto é possível? Veja: somos seres humanos, inclinados para o mal, o coração humano é desesperadamente corrupto. Falhamos muitas vezes. Como seria possível ser assim como temos descrito? E mais: se queremos ser sinceros, o problema não está somente em nós, por que as pessoas com quem nos casamos também são humanas, cheias de fraquezas e falhas.
Como ter um amor assim, que permanece até o fim, e que aumenta mais e mais? Como ser feliz no casamento? Isto nos leva ao terceiro ensino de Deus neste texto.
3. O casamento é uma aliança na qual Deus se faz presente - v.14
Deus é testemunha: ele viu quando vocês fizeram a aliança, e vê o que acontece agora. Mas irmãos, a Bíblia não diz que Deus está presente no casamento apenas para ver o que acontece: também está presente para abençoar, para ajudar, suprir o que falta.
Quando Deus criou Adão e Eva, sua primeira atitude para com eles foi a de abençoá-los. Jesus, quando esteve fisicamente entre nós, também demonstrou seu interesse pelo bem estar do casamento. O primeiro lugar onde ele realizou um milagre foi numa festa de casamento. O vinho havia acabado, e para que não acabasse a festa Jesus transformou água em vinho, no vinho da melhor qualidade (Jo 2).
E é a presença de Deus no casamento, no coração do marido e da mulher, que torna possível a festa continuar, que torna possível a permanência do amor. Porque Deus é amor, amor que não acaba nunca. Então, onde Deus está presente, o amor pode crescer, aumentar, se renovar, tornar-se melhor a cada dia.
Por isto também é tão importante que os filhos do Senhor namorem e casem somente com pessoas que também creiam no Senhor, que o amem e o sirvam, pois sem Jesus como Senhor, entronizado no coração humano, não se pode experimentar a plenitude da vontade de Deus
Por isto a cada dia Deus deve ser buscado: oração individual, oração juntos, agradecendo a Deus pela vida da esposa, do marido, pedindo bênçãos sobre os dois, pedindo forças para os dois, ler juntos a Bíblia, ir à igreja juntos, cultuar e servir a Deus.
Se Deus estiver presente, o amor sempre se renova.
Conclusão
O casamento é uma instituição de Deus, uma coisa sagrada.  É uma aliança feita entre um homem e uma mulher que se amam e se comprometem a continuar a amar, cuidar um do outro, ajudar a viver para Deus. Uma aliança que deve a cada dia, transbordar de amor, carinho, compreensão e alegria. É uma aliança na presença de Deus, e na qual ele se faz presente para abençoar e promover a nossa felicidade.
Aplicação
1 - Se você é solteiro:
A não ser que Deus lhe tenha dado o dom do celibato, eu tenho certeza de que você deseja um casamento assim.
Então eu quero lhe citar uma promessa que o Senhor faz aos que o amam:
Sl 37:4,5
Agrada-te do Senhor... entrega teu caminho ao Senhor... confia no Senhor... descansa no Senhor...
O que significa isto? Dentro desta área, eu gostaria de citar algumas aplicações: 1)Namorar e casar-se somente com pessoas que também crêem no Senhor e o amam. 2) Namorar e casar somente com o consentimento dos pais. 3)Ter um namoro santificado, com oração, adoração a Deus, leitura da Palavra de Deus, na qual toda forma de imoralidade passa longe.
Se você, no seu namoro, tomar estas decisões, está no caminho certo.
2 - Se você é casado:
Meu querido, como vai seu casamento, sua aliança com a mulher de sua mocidade? Tem sido um relacionamento alegre, afetuoso? Você é gentil? Você a ama? Você é fiel aos seus votos? No coração? Você é feliz? Você faz a sua esposa feliz? Ou há ressentimento, amargura, falta de perdão?  Será que você é daquelas pessoas que já desistiu da ideia de felicidade conjugal?
Se é assim, então eu gostaria de encorajá-lo no Senhor:
Quando alguém crê no Senhor, tem o Espírito Santo morando em seu coração, e veja o que está escrito em Fp 4:13:
Posso todas as coisas naquele que me fortalece
Você pode amar, perdoar, superar-se a si mesmo, abandonar pecados, etc. Você pode, inclusive, se não está casado com uma pessoa crente, amar esta pessoa, dar um bom testemunho, para que esta pessoa seja abençoada através de você.


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