Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

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terça-feira, 11 de setembro de 2018

Sonde o seu coração - Mc 2:1-12

3ª IPC de Guarulhos
Domingo, 2 de setembro de 2018
Pr. Plínio Fernandes

Amados irmãos, vamos ler no Evangelho de Marcos, o cap. 2:1-12.
Dias depois, entrou Jesus de novo em Cafarnaum, e logo correu que ele estava em casa.  2 Muitos afluíram para ali, tantos que nem mesmo junto à porta eles achavam lugar; e anunciava-lhes a palavra.  3 Alguns foram ter com ele, conduzindo um paralítico, levado por quatro homens.  4 E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o eirado no ponto correspondente ao em que ele estava e, fazendo uma abertura, baixaram o leito em que jazia o doente.  5 Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão perdoados.  6 Mas alguns dos escribas estavam assentados ali e arrazoavam em seu coração: 7 Por que fala ele deste modo? Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, senão um, que é Deus?  8 E Jesus, percebendo logo por seu espírito que eles assim arrazoavam, disse-lhes: Por que arrazoais sobre estas coisas em vosso coração?  9 Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda?  10 Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados -- disse ao paralítico: 11 Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa.  12 Então, ele se levantou e, no mesmo instante, tomando o leito, retirou-se à vista de todos, a ponto de se admirarem todos e darem glória a Deus, dizendo: Jamais vimos coisa assim!
Neste texto precioso nós temos, mais uma vez, a revelação do propósito de Deus ao enviar seu Filho ao mundo: a redenção do homem pecador.
Não é sem motivo que Marcos começa o seu livro (cap. 1:1) dizendo que tudo quanto irá escrever é evangelho, boa notícia.
Jesus estava de volta à sua residência, na cidade de Cafarnaum, depois de alguns dias fora, curando enfermos, libertando pessoas endemoniadas, pregando a mensagem do reino de Deus que havia chegado.
E quando souberam que ele agora estava em casa, muitas pessoas foram para lá, a fim de ouvir seus ensinamentos.
Mas a Bíblia nos conta aqui que, entre as pessoas que foram até à casa de Jesus, havia quatro homens, transportando um enfermo; um paralítico em sua pequena cama. Eles desejavam apresentá-lo a Jesus, a fim de que o Senhor o curasse.
Então imagine – a pequena residência estava cheia de gente. Também havia gente nas janelas, na porta, e gente do lado de fora; de maneira que para eles ficou muito difícil aproximar-se do Senhor.
Mas alguém teve uma ideia, e a colocaram em prática. Subiram em cima da casa, e fizeram uma abertura no teto, no lugar onde Jesus estava em baixo.
E por ali desceram o seu amigo enfermo.
Jesus não deu importância ao fato de que haviam entrado da maneira mais “anticonvencional” possível.
Mas ele viu a coisa mais importante, sem a qual é impossível alguém agradar a Deus.
O v. 5 diz:
Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão perdoados.
É evidente, meus irmãos, que eles se aproximaram de Jesus por causa da enfermidade deste homem.
E o texto não diz por que ele estava paralítico. Mas eu tenho duas razões para crer que esta enfermidade tinha uma razão espiritual.
Uma delas é que em João cap. 5 nós lemos sobre outro homem a quem Jesus cura de paralisia, e depois de curá-lo, Jesus ordena:
– Não peques mais, a fim de que não te aconteça uma coisa pior. [1]
Outra razão é que, antes de qualquer outra coisa, Jesus dá a este homem uma Palavra de perdão. Esta era a grande necessidade do enfermo.
Há alguns anos eu conheci uma senhora na cidade de Santa Bárbara, a quem aconteceu uma coisa muito perecida.
Ela me contou que tinha um problema de saúde que a obrigava a usar um colete havia muitos anos. O seu tórax e pescoço precisavam do colete para que pudesse ficar ereta. Eu já não me lembro do nome desta enfermidade.
Mas um dia ela ouviu a Palavra da Verdade, o Evangelho da nossa salvação. Ela creu e rendeu sua vida a Cristo. E conforme contou, sentiu-se imediatamente curada. Retirou o colete, e estava sã.
Os escribas, homens que conheciam muito as Escrituras do Antigo Testamento, começaram a murmurar em seus corações, dizendo pra si mesmos que Jesus estava blasfemando. Que somente Deus pode perdoar pecados.
Mas o Senhor, que leu os corações deles, respondeu então:
– Que é mais fácil? Dizer para este homem que seus pecados estão perdoados, ou dizer: levante-se, tome o seu leito e ande?
– Sendo assim para que vocês saibam que eu tenho autoridade para perdoar os pecados (enquanto se voltava ao paralítico), eu te mando: levante-se, tome o seu leito e ande.
E imediatamente o paralítico se viu curado. As pessoas que viram estas coisas acontecerem ficaram muito admiradas, e glorificaram a Deus, e diziam: – Nunca vimos nada assim!
Amados, aqui nós temos muita revelação a respeito do nosso Salvador, o Senhor Jesus.
Há uma coisa na qual os escribas estavam certos: somente Deus pode perdoar pecados.
Mas o que eles não conseguiam perceber é que Deus estava ali, encarnado em Cristo.
Quando Jesus refere-se a si mesmo como “Filho do homem”, está usando uma expressão várias vezes usada no Antigo Testamento em relação ao profeta Ezequiel, mas cuja principal referência aparece no profeta Daniel, designando um ser celestial que vindo a este mundo traria o reino de Deus à terra.
Um ser celestial a quem seria dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; um seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído.[2]
O que aqueles olhos dos escribas, embaçados pelo orgulho, não conseguiam enxergar é que naquela pessoa humilde, porém cheia de autoridade que estava diante deles, a promessa do reino de Deus estava começando a se cumprir.
E por isto, porque Deus estava em Cristo, ele tinha, e tem poder para perdoar pecados.
Mas nós também aprendemos sobre a divindade de Cristo no fato de que ele sonda os corações, pesa o espírito de cada ser humano. Como disse Pedro a Jesus, noutra ocasião: – Senhor, tu sabes todas as coisas; tu sabes que eu te amo,[3] referindo-se ao fato de que Jesus conhece cada coração.
Ele sabia o que se passava nos corações dos escribas. Assim como conhece o que se passa na mente, no coração de cada um de vocês aqui, agora, no momento mesmo em que ouvem a pregação de sua Palavra.
E também vemos a divindade de Jesus se manifestando no fato de que ele ordena, e o paralítico é imediatamente curado, apenas pelo poder de sua Palavra. Pois aquele que fez os céus e a terra apenas pela Palavra do seu poder, é poderoso também para submeter todas as coisas que criou à sua própria vontade.
Diante disto, só podemos admirar a Jesus, crer nele, confiar nele, esperar nele, amá-lo, adorá-lo como nosso rei, nosso Deus e Salvador.
Pois nele há poder e perdão. Nele há redenção.
Mas o que desejo destacar nesta noite, amados, é a reação, ou melhor, as diferentes reações de três tipos de pessoas que vivenciaram este momento com Jesus.
Há uma cena em Forrest Gump que eu acho muito engraçada. Ele é um menininho pouco inteligente, e está conversando com uma menina que é a coisa mais linda que ele já viu na vida.
Então a certa altura, por causa das coisas meio sem sentido que ele diz, ela pergunta:
– Você é estúpido ou o quê?
E ele responde:
– Minha mãe diz que estúpido é quem faz estupidez.
Sim. Aquilo que nós dizemos, e aquilo que nós fazemos, revelam aquilo que somos por dento.
Por exemplo, se uma pessoa está sempre reclamando de tudo, murmurando. Isto revela que seu coração é ingrato, infeliz.
Se uma pessoa está sempre louvando a Deus, isto revela gratidão e felicidade, revela contentamento.
Pois, como diz a Escritura, cada ser humano, até mesmo uma criança, se dá a conhecer pelas suas ações, se o que faz é puro e reto.[4]
Assim também aqui nós vemos pelo menos três tipos de corações diferentes, pelo comportamento deles em relação a Jesus, e em relação uns aos outros.
1. Primeiramente, desejo destacar os corações insensíveis, que vemos nos escribas
Eles não dizem uma palavra, mas para aquele que sonda os corações, cada pensamento é como uma voz soando alto, a claro e bom som.
Eu também poderia descrevê-los como corações endurecidos, ou desamorosos, ou descrentes, ou resistentes ao Espírito da graça de Deus.
Pois veja: enquanto Jesus enxerga a fé no homem paralítico e seus amigos, os escribas enxergam blasfêmia em Jesus.
Enquanto Jesus salva um homem de seus pecados, eles murmuram em seus corações.
Enquanto Jesus realiza a vontade do Pai, eles se opõem à vontade de Deus.
Irmãos, ser um escriba era uma coisa muito importante entre os judeus.
Eles eram pessoas altamente respeitadas.
Um dos primeiros, senão o primeiro escriba, foi um homem de Deus, muito piedoso, chamado Esdras.
Ele tomou uma decisão solene em seu coração: iria estudar a lei do Senhor, obedecer a lei do Senhor, e ensinar em Israel a lei do Senhor. Um propósito nobre, que ele cumpriu, que agradou ao Senhor, e por isto foi muito abençoado.[5]
E por isto também “fez escola”; muitos desejaram e se propuseram a seguir o seu exemplo. Aliás, um exemplo que nós devemos também seguir.
Mas com o passar do tempo, os escribas começaram a perder o rumo. E começaram a estudar a lei de Deus, a conhecer o que ela diz, e no desejo de colocar obstáculos ao pecado, começaram a acrescentar coisas à lei de Deus; coisas que Deus não ordenara.
O resultado foi que o seu grande conhecimento, em vez de torná-los pessoas humildes, conscientes dos seus pecados, necessitados da graça de Deus, tornaram-se justos aos seus próprios olhos, orgulhosos de sua “alta espiritualidade”.
E foram tornando a vida religiosa difícil, pesada, cheia de tradições humanas, seca, sem vida, sem amor.
Eles sabiam quantos mandamentos havia no Antigo Testamento, quantos eram mandamentos sobre o que devemos fazer, e quantos eram os mandamentos sobre o que não devemos fazer. E para guardar estes mandamentos acrescentaram muitos outros, que garantiriam a obediência.
Desta forma, a religião do Antigo Testamento, que Deus deu como revelação de sua graça e verdade[6], tornou-se para eles uma religião de boas obras humanas, mais preocupada com "externalidades", rituais, fórmulas teológicas milimetricamente calculadas e precisas, e sem amor.
Irmãos, o pecado é terrível, e engana o coração humano. Por isto você e eu, cada um de nós precisa prestar atenção, precisa vigiar a si mesmo.
Se a sua doutrina, em vez de te levar ao coração da religião dada por Deus, isto é, se a sua doutrina não está produzindo em você amor aos homens a quem você vê, se a sua doutrina não está produzindo em você esperança e fé em Jesus, então a sua doutrina não está te conduzindo a Deus.
E então Deus está ali, diante de você, fazendo coisas grandiosas no seu dia a dia, e em vez de você louvar você está reclamando.
Você pode ser “convicto” da sã doutrina, falar de boca cheia que Deus é soberano, que ele bondosa e sabiamente governa todas as coisas pelo poder da sua Palavra, e ainda assim reclamar da chuva e do sol, reclamar dos problemas, reclamar da igreja, reclamar da família; quer dizer, seu conhecimento doutrinário não está fazendo de você uma pessoa piedosa.
Você pode até conhecer a Bíblia de Deus, mas não conhece o Deus da Bíblia.
Essa é a nossa tendência humana, se não buscarmos a Deus com humildade, se começarmos a achar que pelo nosso conhecimento intelectual da Bíblia e suas santas doutrinas, somos pessoas de alguma forma superiores às demais.
2. Em segundo lugar, vou destacar o coração necessitado, o coração do paralítico
Este homem, nós vemos, até cria em Jesus. Mas não tinha como achegar-se sozinho, pois estava paralítico.
E tinha pecados. Não sei se sua paralisia era consequência disto.
Mas o meu ponto agora é que o pecado não tratado, não perdoado, faz em nossas almas a mesma coisa que a paralisia faz no corpo.
O pecado paralisa espiritualmente.
Existem muitas pessoas cujas almas estão paralisadas pelas consequências de pecados.
Existem pessoas cujas vidas estão paralisadas pelo medo de serem descobertas em seus erros.
Existem pessoas cujas vidas estão paralisadas pelo medo de falhar novamente.
Existem pessoas cujas vidas estão paradas, inertes, sem conseguir avançar, sem conseguir gozas as alegrias do reino de Deus, da comunhão com Deus, por causa dos seus erros do passado.
Pessoas que não conseguem nem ao menos ir a Jesus para serem curadas. E pessoas que muitas vezes são até conhecidas como crentes.
Estou pensando numa querida família que conheci anos atrás. Hoje, pela graça de Deus, aquela irmã já é avó. Ela, seus filhos e netos são todos crentes.
Mas eu a conheci quando alguém me solicitou que a visitasse. Então aquela jovem senhora me contou de sua vida sem conhecer a Jesus, embora tivesse sido membro de igreja muitos anos. Contou-me como se afastara dos caminhos de Deus havia muito tempo, e agora não tinha esperança de perdão. Vários “maridos”, vários filhos, caminhos tortuosos. E não sabia o que fazer.
Mas não era difícil, pois a maravilha do Evangelho é que Deus ama pecadores, veio ao mundo por nossa causa, veio perdoar, restaurar, curar as feridas. Mais do que isto, veio dar vida em abundância.
Então eu apenas a lembrei do amor de Deus, de sua graça e perdão, e com uma fé simples, humilde, desejosa, ela entregou seu coração ferido a Cristo, e foi curada.
Recentemente nos encontramos de novo depois de uns trinta anos. Ela e sua família são crentes fervorosos e alegres.
Pois veja: na verdade não era somente ela querida senhora que não conseguia ir a Cristo por si mesma. A verdade é que ninguém pode vir a Cristo por si mesmo.
Veja as palavras de Jesus em Jo 6:44.
Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.
Todos os seres humanos, por causa dos seus pecados, estão incapacitados de vir a Cristo. Mas quando o Pai realiza a sua obra, aquele que está morto ressuscita; aquele que está cego enxerga; aquele que está surdo passa a ouvir. Até o louco volta a ter entendimento. Não é assim a nossa experiência? Não éramos todos mortos?
Mas Deus, sendo rico em misericórdia, e pelo grande amor que nos amou, nos deu vida juntamente com Cristo – pela sua graça fomos salvos.
Não éramos todos cegos? Pois o deus deste século cegava o nosso entendimento. Mas o Deus que disse: – Haja luz!, ele mesmo fez brilhar a luz da glória de Cristo em nossos corações.
Não éramos loucos, obscurecidos em nossos raciocínios vaidosos? Mas ele nos iluminou o entendimento.
Éramos duros de coração, mas ele tirou o coração de pedra a nos deu um coração de carne.
Jesus perdoa os pecados, cura os males que nos paralisam.
Talvez você aqui me ouvindo, esteja percebendo a necessidade do seu coração; dizendo consigo mesmo:
– Sou um coração necessitado. Tenho este e aquele pecado. Isto está corroendo minha alma e minha vida. Preciso perdão e salvação. Preciso Jesus.
Amado, se este é o seu caso, você não veio aqui sozinho. Você foi trazido por Deus. Foi trazido para ser livre. Para ser salvo. Para ser curado.
Talvez você seja até mesmo um crente no Senhor. Mas pode ser que haja pecados em sua vida. Coisas antigas. Venha a Jesus. Ele perdoa e cura.
3. E por último, desejo destacar os corações amorosos e crentes, dos amigos do paralítico
Amados, como disse Jesus, ninguém pode ir até ele se não for conduzido pelo Pai.
E o Pai se utiliza de muitas maneiras para levar alguém até seu Filho Jesus.  Pode usar circunstâncias, livros, acontecimentos, problemas.
Mas no mais das vezes, Deus se utiliza de gente. Deus usa a vida de pessoas crentes e amorosas, que não medem esforços para ajudar o seu próximo.
Como é o caso destes quatro homens, amigos do paralítico.
Eles creem em Jesus. Creem que o Senhor pode curar seu amigo.
Eles amam o paralítico. E não medem esforços para ajudá-lo.
Quando chegam a casa em que Jesus está, percebem ser muito difícil chegar até ele. Então alguém tem uma ideia, nada convencional.
Imagine você numa casa, uma reunião religiosa, a casa cheia, e de repente alguém começa a tirar as telhas pra descer até a sala. Ou fazendo isto numa igreja lotada.
Acho que a reação de uma pessoa comum seria a de se opor ao que estava acontecendo. Mas Jesus é extraordinário. E para os amigos deste homem valia a pena correr o risco.
Então, eles que não podem curar o homem, levam-no a quem pode.
Porque estes quatro são corações sensíveis, crentes, amorosos, que se compadecem da necessidade do seu amigo, e não medem esforços para levá-lo a Cristo, na esperança de que ele seja curado.
Este tipo de coração é o que Deus espera de nós, os que cremos em Jesus.
Se você continuar lendo sua Bíblia aqui em Marcos, a partir do v. 13, verá que ele nos conta sobre a conversão de Levi, também chamado Mateus.
E no seu Evangelho, Mateus também nos diz o que aconteceu logo em seguida à sua conversão.
Eu gostaria de ir ali com vocês.
Mt 9:9-13
Partindo Jesus dali, viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu.  10 E sucedeu que, estando ele em casa, à mesa, muitos publicanos e pecadores vieram e tomaram lugares com Jesus e seus discípulos.  11 Ora, vendo isto, os fariseus perguntavam aos discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?  12 Mas Jesus, ouvindo, disse: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes.  13 Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos; pois não vim chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento.
Mais uma vez nós vemos os estudiosos da Bíblia se opondo a Jesus. Mas o Senhor disse que eles não conheciam a vontade de Deus, e cita o profeta Oséias, dizendo:
– Vão e aprendam o que significa “misericórdia quero, e não holocaustos”.

Pois isto é o que Deus quer de nós. E é o que havia no coração daqueles quatro homens.
Queridos, existem muitas pessoas que estão doentes, paralisadas em seus pecados, mas corações misericordiosos podem ser instrumentos de Deus para serem levadas a Jesus e serem curados.
Conclusão e aplicação.
Nos escribas, vemos corações insensíveis, legalistas, duros, sem afeição, sem misericórdia, infelizes, sem conhecimento de Deus.
No paralítico, um coração necessitado, mas humilde, esperançoso e crente.
Nos quatro amigos, corações amorosos, misericordiosos e esforçados.
Cada um de nós pode se identificar com cada um destes tipos de coração. Pois todos nós carecemos de Jesus.
Examine o seu coração. Pois ele está relacionado a algum destes tipos. Talvez mais de um.
1. Se o seu coração está insensível, duro, se você é uma pessoa apenas preocupada consigo mesma, se você acha que religião é apenas feita de aparências externas, regras, se falta misericórdia dentro de você, então faça duas coisas: olhe para o espelho, e veja o rosto de uma pessoa muito carente da graça de Deus, cega em seu entendimento, pelo orgulho, pelo pecado, pela adoração de si mesmo. E olhe para Jesus, santo, justo, e misericordioso. Aprenda dele. Arrependa-se. Não seja como um escriba e fariseu. Então a alegria brotará em tua alma. A tua religião será glória para Deus e felicidade para o teu coração.
2. Talvez, nesta noite, você perceba o seu coração carente. Alma enferma, por causa dos seus pecados.
Venha a Jesus. Creia em Jesus. Confesse seus pecados a Jesus. Creia no seu amor revelado na cruz, quando ele se entregou pelos nossos pecados. Receba a salvação. E seja livre.
3. E por último, amados, que ao sair daqui esta noite, todos sejamos como estes quatro amigos. Levemos os necessitados a Jesus. Levemos em oração. Levemos em nossos corações. Levemos com o Evangelho. Levemos com nosso amor, com nossos esforços.
Que o Senhor use você na empresa em que você trabalha, na escola em que você estuda, entre os vizinhos, entre os colegas e conhecidos. Que o Senhor use a sua vida.


[1] Jo 5:14
[2] Dn 7:13, 14
[3] Jo 21;17
[4] Pv. 20:11
[5] Ed 7:8-10
[6] Sl 86:10

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A grande alma de Jesus - Lc 9:51-56

3ª IPC de São Paulo
Domingo, 6 de maio de 2007
Pr. Plínio Fernandes
Meus amados irmãos, vamos ler Lucas 9:51-56
“E aconteceu que, ao se completarem os dias em que devia ele ser assunto ao céu, manifestou, no semblante, a intrépida resolução de ir para Jerusalém 52 e enviou mensageiros que o antecedessem. Indo eles, entraram numa aldeia de samaritanos para lhe preparar pousada. 53 Mas não o receberam, porque o aspecto dele era de quem, decisivamente, ia para Jerusalém. 54 Vendo isto, os discípulos Tiago e João perguntaram: Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para consumi-los? 55 Jesus, porém, voltando-se os repreendeu e disse: Vós não sabeis de que espírito sois. 56 Pois o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las. E seguiram para outra aldeia.”
O Evangelho de Marcos nos diz que Jesus acrescentou a Tiago e João o nome de “Boanerges”, que quer dizer “filhos do trovão”.[1] Talvez por causa da impetuosidade que podemos observar neles, como neste caso registrado em nosso texto.
Lucas nos conta que Jesus havia iniciado sua última viagem para Jerusalém. Lá ele seria entregue, julgado e crucificado. Enquanto seguia a viagem, Jesus continuou a proclamar o reino de Deus, a ensinar seus discípulos e a curar os enfermos.
Quando estavam próximos de uma aldeia samaritana, ele enviou discípulos que o precedessem para preparar um lugar no qual pudessem repousar. Mas diferente de uma outra cidade samaritana, aquela da história registrada em João cap. 4, que se converteu a Jesus, esta aqui recusou-se a recebê-lo.
Afinal, ele era um judeu, estava a caminho de Jerusalém, e os judeus não se dão com os samaritanos. Portanto, aqui ele não é bem-vindo.
Então, diante disto Tiago e João, os filhos do trovão, perguntam a Jesus: “O Senhor quer que nós ordenemos que caia um fogo do céu que consuma estes samaritanos”?
Parece que estavam muito indignados. E também cheios de fé: “Se o Senhor quiser, nós ordenamos e cai fogo do céu”. Claramente cheios de zelo.
Talvez até estivessem com algum texto bíblico em mente. Afinal, está escrito que quando Nadabe e Abiú ofereceram um “fogo estranho no altar de Deus”, um fogo da parte do Senhor os consumiu[2]; o mesmo aconteceu com aqueles duzentos e cinqüenta líderes de Israel que se rebelaram contra a autoridade de Moisés e de Arão[3]. E também aconteceu o mesmo com aqueles oficiais do rei Acazias que foram até o profeta Elias para prendê-lo[4].
Refletindo isto alguns manuscritos antigos acrescentam: “Senhor, queres que digamos que desça fogo do céu e os consuma, como Elias também fez”?
Estavam cheios de zelo, mas um zelo sem entendimento. Estavam de posse de conhecimento bíblico, porque o Deus da glória é um fogo consumidor, mas um conhecimento sem amor.
E por isto o Senhor os repreendeu dizendo: “Vocês não conhecem que espírito é este o de vocês; eu não vim para destruir as almas dos homens; eu vim para salvá-las”.
E tendo dito isto, partiram para outra aldeia, onde os homens estivessem dispostos a recebê-los.
“O Senhor quer que nós mandemos descer fogo do céu, de modo que sejam destruídos”?
Acho que nalguma ocasião seria de grande proveito concentrarmos nossa atenção num estudo a respeito da natureza humana, carnal, dos discípulos, conforme aqui revelada.
“O Senhor quer que estes incrédulos, esses rebeldes, sejam destruídos”?
Como o coração deles era pequeno! E como num coração tão pequeno cabia tanta maldade! A natureza humana é assim.
Mas, em contraste com a pequenez do coração deles, veja a grandeza do Senhor: se Jesus assim o quisesse, ele mesmo poderia ordenar, e o fogo cairia do céu. Pois ainda que, para nos salvar, ele tenha se tornado um ser humano como nós, com necessidades como as nossas, de repousar, se alimentar, matar a sede, ele era um ser humano no qual estava encarnado o próprio Deus, o Todo poderoso Deus.
Mas Jesus não queria. Não foi para isto que ele veio. Ele não veio para destruir. Ele veio para salvar.
Nesta noite, meus queridos irmãos, vamos considerar a grandeza da alma de nosso Senhor. Esta história que temos diante de nossos olhos tem muito a nos ensinar sobre este assunto.
Primeiramente, consideremos a grande coragem de Jesus
O v. 51 nos diz que estavam se completando os dias em que Jesus deveria voltar para o céu.
Estava se aproximando a hora em que ele deveria ir a Jerusalém. Ali ele seria crucificado.
Ele sabia que seu corpo não sofreria decomposição, por que ao terceiro dia iria ressuscitar, e depois seria recebido na glória dos mais altos céus. Este era o plano entre ele, o Pai e o Espírito Santo, desde antes da criação do universo.
Mas antes da ressurreição, a morte. E Jesus sabia tudo quanto aconteceria, em cada detalhe:
Durante toda a sua vida Jesus só fez o bem.
E mais notavelmente desde o início de seu ministério, seus ensinos, suas obras, não somente refletiam a bondade de seu coração, como também demonstravam que por intermédio dele o reino de Deus, a salvação havia chegado entre os homens.
Ele pregava o evangelho a todos; ele deu pão aos famintos; ele curou enfermos, consolou os tristes.
Mas tudo quanto Jesus fez não foi, para a maioria das pessoas, razão suficiente para que se convertessem. Pois foi suficiente obstáculo para a ganância de poder dos fariseus, dos zelotes, dos saduceus e escribas. Não foi suficiente para a ganância material do povo em geral.
De modo que três anos depois do início de seu ministério as pessoas estavam decepcionadas com ele. E alguns dias depois de sua entrada triunfal em Jerusalém, as mesmas pessoas que clamaram: “Hosana ao Filho de Davi!”, a gora gritavam diante de Pilatos: “Crucificai-o! Crucificai-o!”, enquanto pediam que Barrabás, o criminoso, fosse solto, e Pilatos lavava solenemente as mãos.
Jesus sabia que seria traído; traído com um beijo; por vinte moedas de prata; sabia que seria julgado; de noite, às escuras.
Sabia que suas palavras seriam distorcidas.Que seria acusado de pecar, violando a lei. Que seria acusado de blasfêmias contra Deus. Que seria escarnecido, açoitado. Sabia que levaria pancadas covardes na cabeça. Sabia da coroa de espinhos, dos pregos, do levar a cruz.
Sabia que chegaria a hora em que com toda a verdade poderia clamar: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste”?
Pois ele estaria morrendo a morte de um maldito de Deus. Por que naquela hora, escreve o apóstolo, Deus o fez pecado em nosso lugar. Naquela hora, a hora da cruz, Deus, que é tão puro de olhos que não suporta ver o pecado, Deus fez cair em Jesus o pecado de todos nós.
Jesus sabia de tudo isto.
No Evangelho de João está escrito que ele confidenciou aos seus discípulos: “É chegada a minha hora. E como a minha alma está angustiada até que tudo aconteça. Que vou fazer? Pedir ao Pai que me livre desta hora. Mas eu vim justamente para isto”.
Agora, note a angústia de Jesus, em contraste com as Palavras de Lucas:
v. 51
“E aconteceu que, ao se completarem os dias em que devia ele ser assunto ao céu, manifestou, no semblante, a intrépida resolução de ir para Jerusalém”.
Intrépida resolução. Destemor. Ousadia. Coragem.
A alma de Jesus se revelou grande, não porque não sentisse medo. Jesus sentiu medo, mas não foi um medo que o fez se acovardar. 
A alma de Jesus também se revelou grande, não porque ele escondesse de seus discípulos as suas reais emoções, porque ele não o fez.
Mas ainda assim ele prosseguiu. E aqui podemos então dizer que ser corajoso não é não sentir medo, mas ser fiel, ser constante, ser perseverante, ir em frente mesmo quando a alma está angustiada.
Jesus é fiel, constante.
Em segundo lugar, consideremos que esta coragem é fruto de seu grande amor
“Eu não vim para destruir as almas dos homens, mas para salvar”.
“O meu desejo, o meu propósito, o que eu quero, é que os homens sejam salvos, e não que os homens sejam consumidos”.
Jesus bem que poderia, se quisesse, evitar a cruz. Ele poderia salvar-se a si mesmo.
Em outras ocasiões anteriores, quando ainda não era a hora, os homens intentaram tirar-lhe a vida, mas Jesus simplesmente retirou-se do meio deles e foi embora.
Se ele quisesse, ele poderia pedir ao Pai, e legiões de anjos viriam ao seu socorro no mesmo instante.
Mas ele não quis; e não quis por amor.
Jesus amou ao seu Pai.
Jo 14:29
“Disse-vos agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós creiais. 30 Já não falarei muito convosco, porque aí vem o príncipe do mundo; e ele nada tem em mim; 31 contudo, assim procedo para que o mundo saiba que eu amo o Pai e que faço como o Pai me ordenou. Levantai-vos, vamo-nos daqui”.
Agora observe: era a vontade do Pai que Jesus morresse em nosso lugar.
Pois Deus nos amou tanto que deu seu único filho, para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna.
Pois Deus enviou seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele[5].
Como é grande o amor que o Pai tem por nós!
Ao mesmo tempo, Jesus também nos amou
Jo 15:13
“Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos”.
Mas é ainda mais admirável: Quando Jesus morreu por nós, não éramos seus amigos. Foi por sua morte que ele nos atraiu a si mesmo.
Como escreve o apóstolo, foi pela morte de Jesus que fomos reconciliados com Deus.
Ora, este grande amor, foi o que levou Jesus a não pensar em si, mas a buscar a nossa salvação.
Vou contar a respeito de um homem que tinha verdadeiro pavor de atravessar pontes:
Era um trauma de infância, pois quando menino ele havia sofrido um acidente numa ponte.
Era um medo terrível, e por mais que ele raciocinasse, não conseguia se libertar dele.
Quando ele saia de casa, primeiro traçava a rota que iria seguir e assim evitava alguma ponte que houvesse pelo caminho.
Mas um dia este homem recebeu um telefonema dizendo que seu filhinho havia se acidentado.
Então ele saiu de casa e com toda a pressa foi até o lugar onde estava o seu querido, e seu coração só teve sossego quando o socorreu e consolou.
Algum tempo depois se deu conta de algo que não havia notado na hora: quando, no dia do acidente, ele saiu de casa, angustiado para encontrar seu filho, não percebeu, mas atravessou duas pontes para chegar até ele.
O seu amor, a sua preocupação com o filho foi maior que o medo que sentia de atravessar pontes. O perfeito amor lança fora o medo.
O amor que Jesus tem para conosco foi muito maior que a sua preocupação consigo mesmo, com seu próprio bem estar.
Não foi sem motivo que Paulo escreveu: “A cada dia que agora estou neste mundo, eu vivo pela fé, eu vivo confiando no Filho de Deus, por que o Filho de Deus me amou, e a si mesmo se entregou por mim”.
A alma de Jesus é grande, é nobre, e esta grandeza é manifestada no grande amor que ele tem pelo Pai, e por nós.
E por último, consideremos que este grande amor também é evidenciado em sua grande longanimidade
Provérbios diz que “a discrição do homem o torna longânimo, e sua glória é ignorar as injúrias.” [6]
“Senhor”, perguntam os discípulos, “queres que eles sejam destruídos”?
Pois à língua fraudulenta, diz o salmo, Deus a destruirá;[7] esse é o destino dos ímpios
E o apóstolo escreveu que se alguém destruir a igreja de Deus, Deus o destruirá[8]
E veja qual é a sentença preparada para todo aquele que se recusa a ouvir o Evangelho
2ª Ts 1:7-9
“A vós outros, que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, 8 em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus. 9 Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder, 10 quando vier para ser glorificado nos seus santos e ser admirado em todos os que creram, naquele dia (porquanto foi crido entre vós o nosso testemunho)”.
Sim, a destruição é o destino de todo aquele que se recusa a obedecer ao Evangelho de Jesus.
Mas, ainda que seja assim, este não é o prazer de Deus .
Ao contrário, o prazer de Deus é que o homem se arrependa, converta de seus maus caminhos, e viva.
Esta é a grande razão, escreve o apóstolo Pedro, pela qual a promessa da volta de Jesus nos parece demorada.
2ª Pe 3:9
“Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento”.
E esta foi a razão pela qual os discípulos estavam errados em pensar que Jesus poderia desejar que os samaritanos fossem consumidos.
“Eu não desejo destruir, eu desejo salvar”.
Agora não é tempo de matar; é tempo de esperar com paciência que os homens se arrependam. E vão para outra aldeia. Porque Jesus também não força homem algum a recebê-lo sem querer.
Mas a longanimidade de Jesus também é demonstrada para com Tiago e João
“Vós não sabeis de que espírito sois...”
Há uma repreensão aqui. Pois Jesus repreende a todos os que ama.
“Vós não sabeis de que espírito sois”
Alguns dias depois Jesus diria a Filipe: “Há tanto tempo que eu estou com vocês, e vocês ainda não me conhecem Filipe?” [9]
Pois os discípulos tinham grande dificuldade de conhecer, tanto a Jesus como a si mesmos.
“Engraçado”, pois durante aproximadamente três anos Jesus lhes havia ensinado muito:
Eles ouviram, em mais de uma ocasião, Jesus dizer: “Bem aventurados os mansos...”.
E Jesus não ensinava somente com palavras: ele era o exemplo perfeito do que é ser manso e humilde de coração.
Ninguém foi melhor Mestre do que Jesus. E ainda assim eles ainda não haviam aprendido.
Porque o ser humano, por natureza, tem um coração demorado em aprender. Tem um coração demorado para crer.
Um dia Tiago seria tão manso que seria levado à morte por amor a Jesus
Um dia João seria tão dócil que passaria a ser descrito como “o apóstolo do amor.”
Mas ainda não eram assim. Por enquanto eram “Boanerges”.
Um dia seriam grandes. Um dia seus corações não teriam limites. Mas agora eram pequenos. E Jesus tem paciência com eles.
Eles seguem a viagem. Vão por outros povoados, pregam o reino, e finalmente chegam a Jerusalém, para cumprir o propósito de Deus
Conclusão
Você vê como é grande a alma de nosso Senhor? Vê como seu coração é terno, misericordioso, gentil? Você vê como nosso Senhor é doce?
Ele é ousado, forte, fiel, constante, destemido como um leão, e enfrentou a morte e todos os poderes do inferno. Ele é amoroso, altruísta, abnegado, decididamente em nosso favor.
Ele é longânimo com todos: os crentes e os incrédulos; é paciente, é manso, sabe esperar, porque o amor tudo espera, tudo suporta.
Aplicação
Eu desejo fazer três aplicações desta verdade, para o bem de nossas almas
A primeira delas: para você que ainda não é convertido a Jesus. Você que ainda não o recebeu, que ainda não obedeceu ao evangelho.
De acordo com a Palavra de Deus, você ainda está perdido. Jesus voltará para o dia do juízo final, e se você não tiver se convertido, sua alma perecerá. Será banida para o fogo eterno.
Mas o inferno, disse Jesus, Deus o preparou foi para o diabo e seus demônios.
E lançar a alma dos homens no inferno não é o prazer de Deus. Ao contrário, o que dá satisfação ao coração de Deus é que o homem se converta.
Considere o adúltero, ou o ladrão (pois adultério nada mais é que outra forma de roubo). O ladrão pensa estar lucrando, tomando para si o que pertence aos outros (seja a esposa, o dinheiro, a posição, o bom nome). Mas ele não percebe que enquanto rouba o que é dos outros o diabo está lhe roubando a paz, a vida e até a sua alma.
Considere o mentiroso: ele engana ao seu próximo, ele engana a seu pai, à sua mãe, à sua esposa. Ele engana a si mesmo pois não percebe que, enquanto mente, Satanás, o pai da mentira, está mostrando para ele o caminho do inferno como se fosse o caminho da felicidade.
Considere o homossexual, a lésbica, o fornicário: buscando prazeres que só lhe trarão destruição, em lugar de vida feliz.
Considere o mesquinho, o avarento, o alcoólatra, o seqüestrador, o idólatra.
Gente infeliz, cega, pobre, espiritualmente nua, desnorteada, cambaleando numa longa fila de cativos de Satanás
O Senhor Deus não tem prazer em que essas pessoas sofram eternamente.
Ao contrário, o seu coração terno deseja que se arrependam, que creiam, se convertam e sejam salvas.
Se você ainda está perdido, hoje é dia de aceitar Jesus. Hoje é dia de crer. Hoje é dia de confessar seus pecados. Hoje é dia de clamar a Deus. E todo aquele que assim o fizer será salvo.
Então venha a Cristo. Venha hoje. Porque ficar demorando? Creia nele, confie sua vida a ele
Em segundo lugar, uma aplicação para você que já é salvo.Você que já veio a Cristo.
Você percebe quanto Jesus o ama?  Você percebe o quanto Jesus é paciente?  Você percebe que Jesus sempre continuará lhe ensinando, cuidado de você?
Talvez você ainda não possa ser chamado “apóstolo do amor”. Talvez você seja “Boanerges”.
Talvez você não possa ainda ser chamado maduro, como uma palmeira, como um cedro do Líbano. Talvez você esteja mais para “um pé de alface”.
Talvez você seja tardo de coração.
Mas você tem um Mestre perfeito. E este Mestre sabe que não é apenas com palavras e com bons exemplos que os homens aprendem e são transformados, assim como as plantas não crescem apenas se você colocar água e luz. Existe o elemento tempo. Existem as estações do ano.
E é assim que os homens crescem espiritualmente: eles ouvem, eles vêem, eles guardam no coração.
E a “escola da vida” vai lhes dar o crescimento: os sofrimentos da vida, os tempos a sós com Deus em oração, os quebrantamentos, a adoração, a comunhão com a igreja, as batalhas interiores contra o pecado, todas estas coisas, e muitas outras, cooperam para o bem dos que amam a Deus, para que eles cresçam.
Jesus sabe disto. Você pode confiar na fidelidade do caráter dele. Você pode confiar que ele é fiel e constante nos planos que ele tem para você.
Você pode confiar no amor, na amizade dele. Você pode confiar na paciência dele.
Em terceiro lugar, uma aplicação para todos:
Jesus tem um caráter excepcional, e uma vez que ele é o nosso Deus, aliás, uma vez que, com o Pai e o Espírito, ele é o único Deus, nós devemos adorá-lo por sua dignidade. Nós devemos nos prostrar, assim como os anjos do céu, diante do Cordeiro que foi morto pelos nossos pecados, e dar-mos glória a ele, e reverência. Devemos dar nossas vidas: tudo o que somos e tudo o que temos
Mas Jesus também a si mesmo se chama “Filho do Homem”, porque ele se fez carne e habitou entre nós. E como homem, o seu caráter é admirável. Nós podemos olhar para Jesus e admirá-lo.
E quando admiramos alguém, nós queremos ser como esse alguém. Se você admira um pregador, você o imita. Se você admira um ídolo do rock, você o imita. Se você admira a sua mãe, você a imita.
Se você admira a Jesus, você o imita.
Admire a coragem de Jesus, e procure imitá-la. Admire sua fidelidade: fidelidade a Deus, aos seus discípulos, ao mundo que veio salvar.
Admire o seu amor, a força de sua alma. Admire a sua paciência, a sua longanimidade.
E aprenda a ser como ele. Aprenda a ter um coração nobre, não pequeno. Não se esqueça que ele pacientemente está procurando lhe ensinar isto todos os dias.


[1] Mc 3:17
[2] Lv 10
[3] Nm 16
[4] 2o  Rs 1
[5] Jo 3:16,17
[6] Pv 19:11
[7] Sl 52:3
[8] 1a Co 3:17
[9] Jo 14:9

domingo, 4 de agosto de 2013

Os verdugos da alma - Mt 18:21-35

Igreja Evangélica Presbiteriana
Domingo, 4 de agosto de 2013
Pr. Plínio Fernandes
Meus queridos irmãos, vamos ler Mateus 18:21-35
21 Então, Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? 22 Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23 Por isso, o reino dos céus é semelhante a um rei que resolveu ajustar contas com os seus servos. 24 E, passando a fazê-lo, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos. 25 Não tendo ele, porém, com que pagar, ordenou o senhor que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo quanto possuía e que a dívida fosse paga. 26 Então, o servo, prostrando-se reverente, rogou: Sê paciente comigo, e tudo te pagarei. 27 E o senhor daquele servo, compadecendo-se, mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida.28 Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem denários; e, agarrando-o, o sufocava, dizendo: Paga-me o que me deves.29 Então, o seu conservo, caindo-lhe aos pés, lhe implorava: Sê paciente comigo, e te pagarei.30 Ele, entretanto, não quis; antes, indo-se, o lançou na prisão, até que saldasse a dívida. 31 Vendo os seus companheiros o que se havia passado, entristeceram-se muito e foram relatar ao seu senhor tudo que acontecera. 32 Então, o seu senhor, chamando-o, lhe disse: Servo malvado, perdoei-te aquela dívida toda porque me suplicaste;33 não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti?34 E, indignando-se, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que lhe pagasse toda a dívida. 35 Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão.
Jesus disse que o poderoso rei perdoou o servo que lhe tinha uma grande dívida porque se compadeceu dele, e que este, por sua vez, também deveria ter se compadecido de seu conservo que lhe devia muito menos.
Depois conclui dizendo que assim como o Pai nos perdoou, também devemos perdoar uns aos outros.
Deus é amor (1ª Jo 4:8), e amar, entre outras coisas, consiste em ter uma grande capacidade de perdoar, de se compadecer.
Foi este sentimento que fez com que Jesus descesse do céu à terra.
Ele amou tanto ao mundo pecador que veio ao nosso encontro.
E quase que a cada momento, em cada circunstância, nós vemos este amor compassivo e perdoador se manifestando.
Pense em Jesus, naqueles terríveis momentos em que ele estava colocado na cruz.
Muitos zombavam dele, enquanto os soldados o torturavam.
Então ele orou a Deus: "Pai, perdoai-os, porque eles não sabem o que fazem".
Jesus olhou para os seus algozes, e em vez de sentir ira em relação aos que o maltratavam, em vez de clamar a Deus por vingança contra os seus inimigos, que o ofendiam e faziam-no sofrer física e emocionalmente, compreendeu a miséria espiritual em que se achavam, e se compadeceu.
Somos filhos de Deus. Seu Espírito habita em nós. Seu amor foi derramado em nossos corações. E ele espera que como filhos amados, sejamos seus imitadores.
Por isto Jesus nos ensina que, quando um filho de Deus se recusa a perdoar, isto não é pouca coisa: além de pecar contra Deus e o seu próximo, peca contra si mesmo, e atrai sobre si as consequências de seu pecado.
1. Uma parábola sobre a importância do perdão
No texto que lemos, começamos com uma pergunta que Pedro fez a Jesus:
Senhor, quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete? (v.21).
Isto porque, nos versículos anteriores, temos as instruções de Jesus a respeito de como devemos tratar com aqueles irmãos que insistem em cometer certos pecados.
E ele nos ensina que se um irmão, diante da nossa admoestação, se confessar arrependido, deve ser imediatamente perdoado.
Mas Pedro pensa um pouco no assunto, e chega à conclusão de que muitas vezes uma pessoa pede perdão e dentro de pouco tempo está pecando novamente.
Então ele pergunta: Senhor, quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete?
Os rabinos judeus diziam que era até três vezes. Pedro já havia entendido que a justiça do crente deveria ser maior que a dos escribas e fariseus, por isto procurou ir muito além: Até sete?
Mas a resposta de Jesus supera a tudo quanto Pedro, ou qualquer um de nós, poderia imaginar por si mesmo: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
1.1 - E em seguida conta uma parábola que ilustra a necessidade de perdoar
Um rei resolveu ajustar as contas com os seus servos.
Trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos (o equivalente a trinta mil kg de ouro ).
Acontece que o homem não tinha como pagar, e então o rei mandou que ele, sua esposa, seus filhos, e tudo quanto possuía fossem vendidos, para que a dívida fosse quitada.
Então o servo prostrou-se reverentemente diante do rei e pediu: "Por favor, tenha paciência comigo, me de um prazo, e eu irei pagar tudo ao senhor".
Irmão, você sabe o que é estar endividado? É não ter sossego. É viver preocupado, é não ter paz.
Outro dia uma pessoa estava me contando que só de pensar que estava devendo para outra, sem que realmente estivesse, ficou terrivelmente preocupada e ansiosa.
E o rei, se compadecendo diante da dificuldade daquele homem, perdoou-o completamente, de toda a sua dívida, e deixou-o ir em paz.
Irmãos, claramente esta parábola está falando a respeito da mesma coisa que Deus, nosso grande rei, tem feito em nossa vida.
Por que, por causa dos nossos pecados, a nossa dívida para com ele era muito grande.
Muito maior, muito além do que nós poderíamos pagar, mesmo que nós déssemos tudo o que somos e temos, e trabalhássemos duro por "toda a eternidade".
Vamos supor que você seja só um pouco pecador (pois não há homem que não peque), e vamos supor que você cometa apenas um pecado por dia - multiplique isto pelos 365 dias que há num ano, e pelos anos de sua vida - não é enorme a sua dívida para com nosso grande rei, o nosso santíssimo Deus?
E de que maneira você poderia pagar por todos os seus crimes contra a lei de Deus, a não ser com a morte, uma vez que este é o salário do pecado?
Mas, sabe o que ele fez com sua enorme dívida?
Ele a perdoou completamente
Como disse Paulo, ele cancelou o escrito de dívida contra que era contra nós e disse: "Está consumado; está totalmente pago" (Jo 19:30).
Cl 2:13
E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos.
Agora veja o que significa perdoar
Perdoar é levar sobre si as conseqüências das dívidas que outra pessoa tem para conosco.
Por exemplo, este rei: o servo lhe devia mil talentos, e não tinha com o que pagar.
Então o rei lhe perdoou. O servo ficou livre, mas o rei ficou sem rever o que o servo lhe devia. Sofreu o prejuízo. Levou sobre si as consequências.
É assim também que Deus agiu conosco. Ele nos perdoou completamente, mas alguém teve que pagar por nossos pecados.
Este alguém foi o Filho de Deus, o Senhor Jesus Cristo, que sem merecer, morreu na cruz, levando sobre si o castigo que era nosso.
Is 53:4, 5
4 Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. 5 Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.
Você vê, irmão? Em Cristo você foi completamente perdoado, não deve mais nada para Deus.
Consequência: somos pessoas que vivem em paz, que têm a alma tranquila, o coração alegre.
Mas não se esqueça nunca de que o preço da nossa alegria foi o sangue de Jesus. Foi a morte do Filho de Deus.
1.2 - Mas Jesus prossegue a parábola:
Assim que o homem foi perdoado ele saiu da presença do rei.
E encontrou-se com outro homem, com alguém que lhe devia cem denários (denário: o equivalente ao salário de um dia de um trabalhador - uma quantia quase que infinitamente menor do que aquilo que ele devera, e que fora perdoado).
Então ele agarrando pelo pescoço, sufocava ao devedor dizendo-lhe: "O que me deves, pague-me agora".
E o seu devedor, assim como ele antes fizera diante do rei, prostrou-se diante dele dizendo: "Por favor, tenha paciência comigo. Me de um prazo, e eu te pagarei".
Mas ele não quis. Não teve a mesma paciência, não teve a mesma compaixão.
Mandou que o devedor fosse lançado na prisão, até que toda a dívida fosse paga.
Não pensou na família do homem, nem em sua imagem, nem que dali da prisão é que ele não teria mesmo como pagar. Agiu movido pela vingança
Bem irmãos, no versículo 35, Jesus também deixa claro que isto é uma ilustração daquele tipo de pessoa que, tendo sido perdoada por Deus, depois deixa de perdoar às pessoas que pecam contra ela.
Por que se formos comparar, assim também acontece quando alguém peca contra nós: por mais que alguém faça algo de errado contra nós, não dá para comparar com a gravidade de nossos pecados contra Deus.
Os nossos pecados foram tão graves aos olhos de Deus, diante de sua santidade, que o salário que merecíamos por eles era a morte, a condenação eterna.
Eles foram uma coisa tão grave aos olhos de Deus que Jesus Cristo foi morto por causa deles.
Com os nossos pecados, nós é que matamos o Filho de Deus.
E ele nos perdoou.
E embora muitas vezes os homens pequem contra nós, de modo que nos sentimos ofendidos, humilhados, não dá para comparar com o que fizemos contra Deus
E então ele espera que tenhamos, para com o nosso semelhante, a mesma atitude que ele teve para conosco.
Ef 4:32
Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou.
Cl 2:13
E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos
1.3 - E Jesus conta o que aconteceu quando o rei ficou sabendo da injustiça feita por aquele homem.
Sim, porque o rei ficou sabendo - como Deus, que sonda os corações, sabe quando no coração abrigamos ódio, ou inimizade, ou inveja, ou ciúmes contra alguém.
O rei mandou chamar o homem mau e perguntou-lhe: "Servo malvado (na visão de Deus, a pessoa que deixa de perdoar o próximo é um homem malvado), perdoei-te aquela dívida toda porque me suplicaste; não devias tu compadecer-te de teu conservo, como eu também me compadeci de ti"?
E indignado, entregou o homem mau para os verdugos (os torturadores), até que a dívida toda fosse paga - é claro que o homem não teria como pagar.
E Jesus conclui: "Assim também meu pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão".
2. A lição da parábola
Quando um filho de Deus se recusa a perdoar, não é somente contra Deus, e contra o próximo que ele está pecando; também está pecando contra si mesmo, e irá atrair sobre si as consequências de seu pecado.
2.1 - Porque está também pecando contra si mesmo?
Porque está pecando contra a obra da graça em sua vida.
Veja: a nossa salvação, que é uma obra da graça de Deus, não consiste somente em que Deus nos perdoa os pecados, mas também em que ele opera em nós, mediante a fé, uma transformação espiritual tão grande que não pode ser descrita de outra maneira, a não ser através da palavra "regeneração", ou "novo nascimento".
Quando recebemos a Jesus como nosso Deus e Salvador, quando nós entendemos o Evangelho da nossa salvação e nele cremos, o Espírito Santo de Deus, o Espírito de Cristo, veio habitar em nosso coração, e fez de nós uma nova criação.
2ª Co 5:17
E assim, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas antigas já passaram; eis que tudo se fez novo.
Nova criatura, ou nova criação.
Assim que, lemos na Bíblia, e o sabemos pelo testemunho da igreja e da nossa própria experiência, o que acontece com aquele que recebe a Jesus é uma grande transformação em sua maneira de pensar, de sentir, de enxergar a vida, e naturalmente de se comportar.
O Evangelho nos transforma interiormente, de maneira que o nosso comportamento também é transformado.
Jesus liberta os "encarcerados" do pecado: mas não somente os pecados no sentido de hábitos exteriores. Muito mais que isto, liberta do poder dos pecados interiores: impureza, a cobiça, o ódio, a idolatria, as paixões mundanas.
E se por um lado, liberta do mal, derrama em nós uma nova disposição para o que é bom e perfeito; para as coisas do céu.
O Espírito Santo descreve a maneira como a graça salvadora de Deus trabalha esta nova vida em nós:
Tt 2:11-13
11 Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, 12 educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, 13 aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus.
A graça nos faz nova criação, e também passa a educar de acordo com esta nova vida que agora temos.
Mais um texto:
Rm 5:5
Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado.
O amor de Deus foi derramado em nosso coração. O Espírito Santo habita em nós, e nos capacita a amar com o mesmo tipo de amor.
Ora, quando um filho de Deus se recusa a perdoar, ele está indo contra toda esta obra da graça de Deus em sua vida, que o perdoou, que o libertou, que o transformou, que lhe está ensinando a viver como um imitador de Jesus.
Ele está fechando o seu coração para tudo de bom que Deus está fazendo em sua vida.
Isto, naturalmente, entristece o Espírito Santo, e "apaga" sua luz no coração do homem. Por isto as exortações que dizem: "Não entristeçais o Espírito Santo de Deus; não apagueis o Espírito"  .
Além disto, se por um lado, a recusa em perdoar ofende ao Santo e amoroso Espírito de Deus, por outro lado, dá lugar ao diabo:
2ª Co 2:10, 11
10 A quem perdoais alguma coisa, também eu perdoo; porque, de fato, o que tenho perdoado (se alguma coisa tenho perdoado), por causa de vós o fiz na presença de Cristo; 11 para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios.
Sim: quando nos recusamos a perdoar, só quem leva vantagem é Satanás; aquele que se opõe a Deus, à sua igreja e a cada um de nós.
Por isto, esta recusa é um pecado contra a obra da graça em nossa vida, é privar-se a si mesmo dos ensinos desta graça à nossa alma.
E isto acarreta consequências malignas
2.2 - Que tipo de consequências são atraídas?
De modo amplo, todos os males que sobrevêm por alguém entristecer o Espírito Santo, enquanto ao mesmo tempo dá lugar ao diabo.
O Senhor, como um Pai amoroso, disciplina aquele que se recusa a dar lugar à sua graça.
Mas vejamos alguns exemplos.
2.2.1 - As orações deixam de ser ouvidas
Mc 11:25,26
25 E, quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas. 26 Mas, se não perdoardes, também vosso Pai celestial não vos perdoará as vossas ofensas.
Nos versículos anteriores Jesus nos ensina que por meio da fé exercida em oração, podemos experimentar muito do reino de Deus em nossa vida.
Mas ele diz que, ao orar, pode acontecer de nos lembrarmos de alguém que pecou contra nós.
Se isto acontecer, ele diz, é momento de limpar o nosso coração de qualquer impureza neste sentido (a bem da verdade, em qualquer sentido): limpar o coração de qualquer mágoa, de qualquer ódio, de qualquer desejo de vingança ou retaliação.
Se não fizermos isto, não esperemos que o Pai nos perdoe. E se houver pecado fazendo separação entre nós e o nosso Deus, não esperemos que ele atenda as nossas orações.
Mt 6:12,14,15
12 e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores... 14 Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; 15 se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.
2.2.2 - Medo, falta de paz
1ª Jo 4:18
No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor
Não estou falando daquele medo normal, saudável, que temos diante de uma situação perigosa, mas daquele medo irracional, sem fundamento, que paralisa, engessa, que torna uma pessoa improdutiva, que faz uma pessoa fugir da companhia de outras, que assombra: medo de doenças que não existem, medo do futuro, medo da morte.
2.2.3 - A pessoa magoada "espalha" a sua amargura de modo que outras pessoas são mal influenciadas, e a igreja é prejudicada
Hb 12:15
Atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados.
2.2.4 - A pessoa amargurada se torna semelhante àquele que o ofende
Rm 2:1
Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas.
Este é um fato indiscutível: sempre que, em vez de olharmos para Jesus, fixarmos a nossa atenção em outra pessoa, quer admiremos ou não, acabamos nos tornando parecidos com ela.
Por isto sempre devemos ter os olhos fixos em Jesus.
Mas se em vez disto, alimentarmos amargura contra alguém em nosso coração, os nossos pensamentos se fixarão nesta pessoa, e mesmo sem querer, acabamos cometendo os mesmos pecados.
Irmãos, eu poderia continuar a falar destas conseqüências espirituais: falta de paz, de alegria, mau testemunho diante do mundo...
Poderia também falar das consequências físicas: enfermidades - musculares, no estômago, nos pulmões, no coração, no cérebro, (é possível uma pessoa, literalmente, "morrer de raiva")
Estas são suficientes para nos mostrar que se recusamos perdoar, seremos entregues aos verdugos da alma.
Conclusão
Que fazer então?
Examinar nosso coração: guardo no coração, inimizade, ou ciúmes, ou inveja, ou ressentimento, ou raiva contra alguém?
Em casa, na escola, no trabalho, na igreja, na vizinhança?
Examinar nosso relacionamento com as outras pessoas: existe alguém que eu evito, por não perdoar alguma coisa que fez contra mim?
Existe alguém de quem eu não gosto porque ofendeu a quem eu amo?
Existe alguém que, assim como faziam os fariseus, "eu não quero na minha igreja"? Ou algum irmão, ou alguma igreja à qual recuso perdoar? Algum irmão com quem não quero conversar?
E se houver?
Aplicação
Primeiro, lembrar-me de que, em Cristo, sou um homem perdoado.
Sabe os seus muitos pecados? Pense um pouco neles. Que pecados você já cometeu? Não existem coisas das quais você se envergonha?
Não existem coisas que o tornaram imundo aos olhos de Deus?
Mas você foi perdoado por sua morte. Lavado por seu sangue precioso. E você não quer "calcar aos pés o sangue de Jesus", não quer "ultrajar o Espírito da graça com o qual foi santificado".
E hoje, agora, não existem pecados que você ainda deve confessar ao Senhor? Se houver, confesse.
Também devo lembrar-me de que, se estou em Cristo, sou nova criatura, o Espírito de Deus habita em mim, e o amor de Deus é derramado em meu coração por este Espírito que me foi dado.
E assim, pelo poder do Espírito Santo, tenho capacidade para perdoar.
Que, por mais que alguém tenha pecado contra mim, não há como comparar com a grandeza do meu pecado, e com a grandeza do perdão de Deus em minha vida.
Que o meu Pai celestial espera que, assim como ele me perdoou em Cristo, agora eu também perdoe aquele que me ofender.
Tendo todas estas coisas em mente, consciente e deliberadamente, perdoar, limpar do meu coração alguma ofensa, e então, o quanto estiver ao meu alcance, uma vez que não guardo mais nada contra alguém, restaurar meu relacionamento com ele.
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