Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

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sábado, 20 de junho de 2020

O temor do Senhor - Dt 17:14-20

Terceira Igreja Presbiteriana Conservadora de Guarulhos

Domingo, 01 de março de 2020

Pr. Plínio Fernandes

Quando entrares na terra que te dá o SENHOR, teu Deus, e a possuíres, e nela habitares, e disseres: Estabelecerei sobre mim um rei, como todas as nações que se acham em redor de mim, 15 estabelecerás, com efeito, sobre ti como rei aquele que o SENHOR, teu Deus, escolher; homem estranho, que não seja dentre os teus irmãos, não estabelecerás sobre ti, e sim um dentre eles.16 Porém este não multiplicará para si cavalos, nem fará voltar o povo ao Egito, para multiplicar cavalos; pois o SENHOR vos disse: Nunca mais voltareis por este caminho.17 Tampouco para si multiplicará mulheres, para que o seu coração se não desvie; nem multiplicará muito para si prata ou ouro. 18 Também, quando se assentar no trono do seu reino, escreverá para si um traslado desta lei num livro, do que está diante dos levitas sacerdotes.19 E o terá consigo e nele lerá todos os dias da sua vida, para que aprenda a temer o SENHOR, seu Deus, a fim de guardar todas as palavras desta lei e estes estatutos, para os cumprir. 20 Isto fará para que o seu coração não se eleve sobre os seus irmãos e não se aparte do mandamento, nem para a direita nem para a esquerda; de sorte que prolongue os dias no seu reino, ele e seus filhos no meio de Israel.

O texto que acabamos de ler foi primeiramente dirigido a homens que, em certo sentido, eram os mais importantes de Israel.

Foram palavras de orientação para os reis, que, na Igreja do Antigo Testamento, eram homens ungidos pelo Espírito Santo, para governar de acordo com a vontade de Deus.

Deviam administrar a justiça, praticar o bem, e serem exemplos de vida santa, conduzindo o povo na vontade do Senhor.

Então, nestas orientações, o Senhor diz que havia certas coisas que os reis de Israel não deveriam fazer, e havia uma coisa principal que eles deveriam fazer todos os dias.

Primeiramente, o Senhor diz, no v. 16, os reis não deveriam multiplicar para si o seu número de cavalos. Os cavalos, meus irmãos, eram a representação do poderio bélico, o poder de guerra de uma nação. Quanto mais os reis possuíssem cavalos, mais capacitados para a guerra eles eram considerados.

Como por exemplo o Egito, de onde eles haviam acabado de sair daquela terrível escravidão. Mas como vocês sabem, diante do poder do Senhor, de nada adiantou o poderio egípcio. No mar pereceram os cavalos e os seus cavaleiros. Assim o Senhor ordena que os reis de Israel não multiplicassem o seu número de cavalos, inclusive não fizessem, neste sentido, nenhuma aliança com aquela nação que os escravizara. O Senhor era o poder de guerra do povo escolhido.

Em segundo lugar, os reis de Israel não deveriam multiplicar o número de esposas, o que era um costume muito comum nas cortes orientais. Os casamentos não eram vistos apenas do ponto de  vista do relacionamento conjugal, como o é na maioria dos casos hoje em dia. Eram vistos como alianças entre famílias, tribos e nações. Nós temos mais familiaridade com isto quando, por exemplo, estudamos a história da Europa medieval.

Assim, o multiplicar esposas, fazendo alianças com outras nações, era uma coisa proibida para os reis de Israel. E também, naturalmente, o multiplicar esposas por qualquer outro motivo, pois Deus, quando criou o primeiro casal, o fez com apenas um homem e uma mulher. Este foi o grande pecado de Salomão, que o levou a desviar-se do Senhor.

E em terceiro, eles também não deveriam multiplicar para si o ouro e a prata, isto é, não deveriam enriquecer.

Sexo, dinheiro e poder, coisas tão cobiçadas pelos homens, não deveriam ser cobiçados pelos reis de Israel.

Mas havia algo que eles deveriam fazer, todos os dias: ler o livro da lei do Senhor.

Eles deveriam fazer uma cópia do livro para si mesmos, e ter esta cópia junto de si. E neste livro deveriam ler todos os dias.

Se eles fizessem assim, então aprenderiam três atitudes espirituais que deveriam manter, a fim de fossem homens de Deus.

Leiamos novamente os vs. 18-20

Também, quando se assentar no trono do seu reino, escreverá para si um traslado desta lei num livro, do que está diante dos levitas sacerdotes.19 E o terá consigo e nele lerá todos os dias da sua vida, para que aprenda a temer o SENHOR, seu Deus, a fim de guardar todas as palavras desta lei e estes estatutos, para os cumprir.20 Isto fará para que o seu coração não se eleve sobre os seus irmãos e não se aparte do mandamento, nem para a direita nem para a esquerda; de sorte que prolongue os dias no seu reino, ele e seus filhos no meio de Israel.

Veja o que ele aprenderia no livro da lei do Senhor:

Primeiramente, ele aprenderia a temer ao Senhor, seu Deus.

Em segundo, aprenderia a ser um homem obediente a Deus, isto é, faria o que Deus diz em sua lei.

Terceiro, seria um homem cujo coração não se elevaria sobre os demais, não seria soberbo, ou orgulhoso. Seria um homem humilde.

Temor do Senhor, obediência e humildade, são três características que nós vemos em Jesus, o nosso rei.

Pois como disse o profeta Isaías: “Sobre ele repousará o Espírito de temor do Senhor”...[1]

E são três características que devem existir em cada ser humano, por causa da própria natureza das coisas. São três necessidades de nossas almas. Se nós possuímos estas coisas, elas são evidências de que nossas almas estão sadias. E se não as possuímos, elas são evidências de que nossas almas estão enfermas.

Mas falando claramente, depois que o pecado entrou na história humana, nenhum ser humano nasce com a alma sadia.

Já nascemos deformados espiritualmente. Já nascemos orgulhosos, desobedientes de sem temor a Deus.

Como escreveu o apóstolo Paulo, “todos se extraviaram... não há temor de Deus diante dos seus olhos...”[2].

E aqui está a maravilha da revelação que Deus nos trás nas Escrituras: é que o Senhor restaura as nossas almas, pelo poder da sua Palavra.

“A lei do Senhor é perfeita, e restaura a alma” [3].

A lei do Senhor nos ensina a temê-lo, nos ensina a obedecê-lo, e nos ensina a ser humildes. Mas ela não ensina apenas o intelecto.

Ela é poderosa, viva e eficaz, e realiza em nós a vontade do Senhor. Ela penetra até o mais profundo do nosso ser, e ensina o nosso coração, isto é, ela nos transforma.

Eu quero meditar com vocês sobre estas três atitudes que precisamos ter, e que são características de almas sadias, que estão aprendendo com a Palavra de Deus.

Mas não o faremos no todo agora. Hoje nós vamos considerar a primeira delas: o temor do Senhor.

Quando as Escrituras nos dizem que nós devemos temer ao Senhor, meus irmãos, elas não estão falando de um temor servil, fruto do pecado, como aconteceu no Jardim do Éden, quando Adão e Eva temeram e fugiram da presença de Deus, pois tinham consciência de que haviam pecado[4].

Tiago também escreveu que os demônios tremem de medo diante de Deus[5], pois são rebeldes, e sabem que o dia do juízo está chegando para eles também.

Assim, o temor do Senhor, no sentido bíblico, evangélico, espiritual, é aquela atitude de devoção, filial, que devemos ter para com o nosso Pai celestial, porque reconhecemos quem é o nosso Pai, e o amamos; porque respeitamos e honramos a sua autoridade, e porque também sabemos que, se desobedecermos esta autoridade, iremos desonrar e entristecer o coração do nosso Pai, além de provocar a sua ira.

Vocês se lembram, meus irmãos, do famoso pecado de Davi. Davi adulterou com a esposa de Urias, um dos seus fiéis soldados.

E depois armou uma cilada para que Urias morresse na guerra, e casou-se com a esposa dele.

Mais tarde, Davi arrependeu-se sinceramente, e Deus o perdoou.

O salário do pecado é a morte, e o Senhor lhe disse: – “O Senhor perdoou o teu pecado. Não morrerás...”[6]

Mas irmãos, Davi havia desprezado gravemente a Palavra do Senhor. Dera ensejo para que os incrédulos blasfemassem contra o nome de Deus. E destruíra a família de Urias.

Então, embora o seu pecado tenha sido perdoado, o Senhor acrescentou que haveria consequências sobre a casa de Davi.

Assim como ele havia ferido a Urias, pela espada, a espada também jamais se apartaria de sua casa.

Logo em seguida, a criancinha que nasceu daquela relação adulterina morreu, para a tristeza de Davi.[7]

Depois, um dos filhos de Davi apaixonou por uma de suas irmãs, e a humilhou. Em seguida foi assassinado por um dos seus irmãos.

O assassino em seguida fugiu, e anos mais tarde também queria matar ao próprio pai e ocupar o seu lugar.

Irmãos, que consequências terríveis. Quem deseja que os seus filhos, ou a sua família, sofram as consequências de seus pecados?

Eu quero citar algumas razões pelas quais devemos temer a Deus

1 – Porque o Senhor, nosso Deus, é grande e temível

Dt 10:16,17 – Circuncidai, pois, o vosso coração e não mais endureçais a vossa cerviz. 17 Pois o SENHOR, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e temível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita suborno.

A circuncisão era uma prática que Deus ordenou ao povo israelita, como sinal de que entre eles e o Senhor havia uma aliança, como num casamento, pela qual eles eram o povo do Senhor, e o Senhor, o Deus deles.

Mas você sabe que às vezes uma pessoa pode estar com um anel de aliança no dedo, e ainda assim não ser fiel ao seu cônjuge.

A aliança tem que ser também “de coração”.

Então o Senhor ordena aqui: – “Circuncidem os seus corações, e não endureçam os pescoços, isto é, não sejam orgulhosos”.

E a razão para isto: o Deus a quem vocês pertencem é grande e temível.

Você se lembra de quando Jacó, na estrada de Padã-Arã dormiu e sonhou com uma escada que ia até o céu. Os anjos de Deus subiam e desciam por ela. Perto dele estava o SENHOR e lhe disse: – “Eu sou o SENHOR, Deus de Abraão, teu pai, e Deus de Isaque...”

E fez promessas de uma vida muito abençoada Jacó.

– A terra em que agora estás deitado, eu ta darei, a ti e à tua descendência. A tua descendência será como o pó da terra; estender-te-ás para o Ocidente e para o Oriente, para o Norte e para o Sul. Em ti e na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra. Eis que eu estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei voltar a esta terra, porque te não desampararei, até cumprir eu aquilo que te hei referido.

Quando Jacó despertou do seu sono, o temor se apossou de seu coração, e ele disse:

– “Na verdade, o SENHOR está neste lugar, e eu não o sabia. Quão temível é este lugar! É a Casa de Deus, a porta dos céus”[8].

Este temor também foi o que se apoderou de João, conforme ele nos conta no Apocalipse, quando teve uma visão de Jesus, no resplendor de sua glória.

João sentiu-se caindo aos pés de Jesus, como morto.

O mesmo temor que sentiu o profeta Daniel[9]. E o profeta Isaías[10]. E o profeta Ezequiel[11].

Era um sentimento que governava todo o modo de vida do apóstolo Paulo[12], e que ele queria ver em todos os crentes, porque, falando pelo Espírito Santo, nos ordenou: “Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor...”[13].

E Moisés, pois muitas vezes o vemos orando ao Senhor, e chamando-o Deus grande e temível.

Irmãos, aquele que realmente conhece a Deus, aquele que pela fé tem andado com ele, visto o seu poder de salvar, de curar, de governar tudo o que acontece, sabe que o glorioso Senhor é Deus grande e temível, em sua santidade, em sua majestade, em sua amorosa justiça. Conhece a bondade e a severidade de Deus.

Por isto eu acho muito próprio dizer que se uma pessoa não tem temor de Deus no seu coração, ela ainda não conhece a Deus verdadeiramente.

Isto nos conduz à segunda razão pela qual devemos temer a Deus...

2 – É que, com o mesmo temor que tiveram nossos antepassados na fé, que nós devemos nos aproximar de Deus

Hb 12:28, 29 –  Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo consumidor.

Nós reconhecemos que somos pecadores salvos pela graça de Deus que nos foi dada em Jesus Cristo, quando ele, movido pelo amor, deu a sua vida na cruz, em nosso lugar.

Sabemos que o Senhor Deus não nos aceita com base na perfeição de nossas obras, pois nossas melhores boas obras são contaminadas pelos nossos pecados[14].

Então confiamos somente em Jesus, e por esta fé nós temos a certeza da vida eterna.

Mas irmãos, esta graça de Deus que nos concede perdão, que nos concede certeza da salvação, como diz em outro lugar também nos educa nos caminhos de Deus[15].

Ela nos ensina a servir a Deus de modo agradável a ele, isto é, com reverência e santo temor, sem nos esquecermos de que o nosso Deus é um fogo consumidor.

Que, conforme nos ensina o Apocalipse, os olhos de Jesus são como chamas de fogo de ódio contra o pecado.[16]

Veja, nós devemos servir a Deus em todas as áreas da nossa vida, com todo o nosso ser.

E devemos ter muita consciência de que, quando nos reunimos como igreja, para cultuar, estamos servindo a Deus.

Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele servirás[17].

E o serviço ao Senhor não pode ser displicente, feito de modo leviano, como quem está, se me permitem a expressão de gíria, “na casa da sogra”.

Pois em outro lugar também diz a Escritura:

Maldito aquele que fizer a obra do Senhor relaxadamente[18].

A Bíblia nos conta sobre vários momentos em que Deus manifestou a sua ira contra pessoas que tentaram servi-lo com um coração errado.

Eu quero citar um caso muito famoso: Nababe e Abiú, sacerdotes, filhos de Arão, irmão de Moisés.

A história trágica de Nadabe e Abiú está narrada em Lv 10:1-3

Nadabe e Abiú, filhos de Arão, tomaram cada um o seu incensário, e puseram neles fogo, e sobre este, incenso, e trouxeram fogo estranho perante a face do SENHOR, o que lhes não ordenara.  2 Então, saiu fogo de diante do SENHOR e os consumiu; e morreram perante o SENHOR.  3 E falou Moisés a Arão: Isto é o que o SENHOR disse: Mostrarei a minha santidade naqueles que se cheguem a mim e serei glorificado diante de todo o povo. Porém Arão se calou.

Talvez eles estivessem cheios de boas intenções, mas o Senhor não se agradou, pois eles estavam querendo cultuar com base num princípio de desobediência.

Amados, nós devemos servir a Deus com reverência e santo temor.

Como fruto de corações que o amam, que desejam honrá-lo com os nossos lábios e com nossa vida, com o nosso comportamento aqui e no mundo lá fora.

Só assim podemos de fato cultuar a Deus de modo agradável.

3 - E também somente assim podemos receber a Palavra de Deus de modo abençoador para nossas almas.

Is 66:12 – Porque a minha mão fez todas estas coisas, e todas vieram a existir, diz o SENHOR, mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra.

Tremer diante da Palavra do Senhor significa receber a Palavra de Deus, seja através da leitura, seja através da pregação, com seriedade de coração, como que está de fato ouvindo o que o Senhor do Universo está dizendo.

Significa receber com fé, com mansidão, com humildade de coração, quebrantamento, solicitude, disposição de obedecer, e não com especulações, promoção de debates que para nada mais servem do que promover a soberba e a desobediência, ou especulações que nada mais são do que justificativas, racionalizações e escapatórias humanas para não fazer o que o Senhor ordena.

O homem para quem eu olharei, diz o Senhor, o homem a quem abençoarei, o homem a cujas orações ouvirei, a quem santificarei, a quem usarei, é este: o que treme diante da minha Palavra.

4 – É o temor do Senhor nos leva a evitar o pecado

Pv 8:13 - O temor do SENHOR consiste em aborrecer o mal; a soberba, a arrogância, o mau caminho e a boca perversa, eu os aborreço.

Jó era homem íntegro e reto, temente a Deus, e que se desviava do mal[19].

Porque Deus é santo, aquele que o teme também aprende a ser.

Ele ama as coisas que Deus ama: ele tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.

Ele ama a paz, e empenha-se por alcançá-la. Ama andar na verdade, o falar a verdade e o ser honesto nos seus relacionamentos.

Ama a oração; ama entoar louvores ao Senhor; ama a casa do Senhor, o culto a Deus; ama a igreja do Senhor, por quem Jesus morreu, e busca o seu bem.

Também ama o seu próximo. E ao trabalho, e a todas as coisas em que Deus tem prazer.

Porque Deus odeia o pecado, aquele que teme a Deus também odeia o pecado: ele odeia o orgulho, a boca suja, a boca mexeriqueira, a boca mentirosa, a boca vaidosa.

Odeia o tomar o nome do Senhor em vão, com falsas profissões de fé; com piadinhas e palavras chulas a respeito de Jesus. Odeia o que fizeram com o santo nome de Jesus no Carnaval, e outras coisas animais, terrenas e diabólicas como estas. Ele não pensa que estes pecados são apenas expressões culturais dos não crentes.

Por isto, nosso último ponto aqui:

5 – O temor do Senhor nos prepara para o dia do juízo

2ª Co 5:10,11 –  Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo. E assim, conhecendo o temor do Senhor, persuadimos os homens e somos cabalmente conhecidos por Deus; e espero que também a vossa consciência nos reconheça.

2ª Co 5:14, 15 –  Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.

Notem, irmãos, que nestes dois trechos o apóstolo Paulo está falando sobre duas motivações para o seu serviço dedicado a Deus.

No último texto (vs. 14 e 15), ele diz que tudo fazia motivado, por um lado, pelo amor de Cristo por ele, e por outro, pelo amor que sentia por Cristo.

Já não vivo mais para mim mesmo, ele diz, mas para aquele que me amou e se entregou por mim.

Mas nos vs. 10 e 11 ele fala de outra motivação para um viver santo e dedicado a Jesus.

– “É necessário que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo”; aqui ele está falando de si mesmo e de todos os crentes, e não somente dos incrédulos.

Quando, e aqui ele não diz, se é no dia da nossa morte, ou no dia da volta de Jesus (esta não é a questão mais importante), a questão mais importante é que diante deste tribunal as nossas obras serão julgadas. Nós seremos julgados, não para a salvação, mas para recebermos a recompensa, seja pelo bem, seja pelo mal que tivermos feito por meio do corpo.

E isto, diz o apóstolo Paulo, faz com que o nosso coração se encha do temor do Senhor.

Foi por isto também que no Evangelho de Mateus, insistindo sobre a importância de se temer a Deus, o Senhor Jesus nos exorta:

Mt 10:28 – Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.

Aqui o Senhor está falando sobre dois tipos de temor que são mutuamente excludentes: o temor dos homens e o temor do Senhor.

Se você temer os homens, então estará preocupado com o que eles pensam a teu respeito, o que eles podem fazer com você, ou contra você, ou a favor de você. E não temerá a Deus.

Mas se você temer a Deus, então estará livre do temor dos homens.

Então não tema aquele que pode no máximo matar o seu corpo, mas não pode tocar na sua alma. Não tema os homens.

Tema aquele que pode não somente matar o corpo, mas também pode fazer perecer a tua alma no inferno. Tema a Deus, que trás o juízo sobre todo aquele que permanece em seus pecados.

Conclusão e aplicação

Irmãos, uma alma verdadeiramente sadia, que conhece a Deus, é aquela que foi restaurada pela doutrina da Palavra de Deus.

Uma alma assim é uma alma que teme ao Senhor, que se desvia do mal, que o serve com devoção, amor e reverência.

É então uma alma obediente e humilde.

A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma.

Por isto, para que aprendessem estas coisas, os reis de Israel deveriam fazer para si uma cópia do livro da lei do Senhor, tê-la consigo, e ler neste livro todos os dias de suas vidas, para que, ensinados pela Palavra de Deus, fossem espiritualmente sadios.

Você quer ser uma pessoa espiritualmente sadia, restaurada?

A resposta para a sua necessidade está em tuas mãos.

Tenha esta cópia da Bíblia sempre ao teu alcance.

Leia todos os dias.

Leia na expectativa de que as Escrituras irão te ensinar.

Leia com o desejo de aprender o temor do Senhor. De aprender a obedecer. De aprender a ser humilde.

Sim, o Espírito de Deus irá te humilhar, irá te convencer dos seus pecados, da santidade de Deus, irá te humilhar e quebrantar o teu coração. Você será levado a clamar:

– “Senhor, tem misericórdia de mim”.

Então, você verá que o temor do Senhor está governando o teu coração.

 



[1] Is 11:2

[2] Rm 3:12, 18

[3] Sl 19:7

[4] Gn 3:10

[5] Tg 2:19

[6] 2º Sm 12:13

[7] 2 Sm 12:14

[8] Gn 28:12-17

[9] Dn 7:15

[10] Is 6:5

[11] Ez 1:28

[12] 1ª Co 2:13

[13] Fp 2:12

[14] Tt 3:5

[15] Tt 2:12

[16] Ap 2:18, 3:18

[17] Mt 4:10

[18] Jr 48:10

[19] Jó 1:1


domingo, 25 de maio de 2014

A promessa de Deus para nossas famílias - At 2:37-41

IPC em Pda de Taipas

Domingo, 25 de maio de 2014
Pr. Plínio Fernandes
Amados irmãos, vamos ler Atos 2:37-41
37 Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?  38 Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.  39 Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar.  40 Com muitas outras palavras deu testemunho e exortava-os, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa.  41 Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas. 
Atos cap. 2 é um dos textos mais emocionantes da Bíblia. Nos conta sobre o cumprimento de uma antiga e maravilhosa promessa de Deus, a respeito da qual os profetas do Antigo Testamento haviam falado muitas vezes, e que, Jesus dissera, estava prestes a se cumprir, depois que ele morresse pelos nossos pecados, ressuscitasse e voltasse para o céu.
E esta promessa era que, uma vez que Jesus não ficaria na Terra para sempre, depois que voltasse ao céu ele enviaria outro consolador como ele; a saber, enviaria o Espírito Santo, que virar para morar no coração de cada crente em Jesus. [1] Este Consolador nunca nos deixaria, e tempos depois o Novo testamento o chamou o “Espírito de Cristo”, porque ele representa a Jesus habitando nos crentes.
Então, depois que ressuscitou, antes de voltar para o céu, Jesus mais uma vez falou, determinando que
… não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual, disse ele, de mim ouvistes.  Porque João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias.[2]
E assim os discípulos ficaram esperando. Alguns dias depois havia em Jerusalém uma festa judaica, chamada “Pentecostes”, para a qual concorriam judeus e gentios de muitos países do vasto mundo conhecido naquela época.
E “de repente, a promessa chegou”. Os discípulos de Jesus, eram mais ou menos umas cento e vinte pessoas, estavam todos reunidos no mesmo lugar. E veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem, proclamando as grandezas de Deus.
Quando se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, pessoas de muitas nações e idiomas que estavam em Jerusalém, perplexas, porque cada um ouvia os crentes a falar na sua própria língua.
Então Pedro se levantou e começou a pregar, dizendo que o que estava acontecendo era o cumprimento da promessa de Deus:
At 2:16-21
16 Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel: 17 E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos; 18 até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão.  19 Mostrarei prodígios em cima no céu e sinais embaixo na terra: sangue, fogo e vapor de fumaça.  20 O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e glorioso Dia do Senhor.  21 E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo
E depois disto, Pedro começou a falar sobre Jesus, homem aprovado por Deus, que fez o bem, que anunciou a salvação, mas que foi odiado, traído, torturado e morto pelos judeus, através das mãos dos romanos, mas que Deus ressuscitara e levara de volta ao céu.Depois que Jesus foi recebido no céu, assentou-se à direita de Deus, e enviou o Espírito prometido:
At 2:32, 33
32 A este Jesus Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas.  33 Exaltado, pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis.
Assim, tudo o que estava acontecendo era o sinal evidente de que aquele Jesus a quem os judeus mataram, era realmente o Filho de Deus, a quem o Pai fez Senhor e Salvador.
Quando a multidão ouviu estas coisas, o coração deles ficou quebrantado, e perguntaram: o que Devemos fazer para ser salvos?
Ao que Pedro respondeu:
“Arrependam-se, isto é mudem sua maneira de pensar, mudem de vida, e sejam batizados em nome de Jesus”.
“Se vocês fizerem isto, então seus pecados serão perdoados e vocês também receberão o dom do Espírito Santo”.
Porque Pedro disse que as pessoas que se arrependessem deveriam ser batizadas em nome de Jesus? Porque o batismo é uma manifestação pública, uma confissão de que uma pessoa crê em Jesus e o reconhece como seu Senhor e Salvador.
E então, ecoando mais uma vez as palavras de Deus no Antigo Testamento, Pedro acrescenta:
Mas esta promessa de perdão, do dom do Espírito Santo, esta promessa de salvação não diz respeito somente vocês – também é para seus filhos, e para todos os que estão longe, espalhados pelo mundo, e que Deus ainda há de chamar.
Assim, os que aceitaram a mensagem de Pedro foram batizados em nome de Jesus.
Já não houve mais vento impetuoso, nem labaredas de fogo ou pessoas falando em outras línguas, mas todos os que se arrependeram e foram batizados receberam o dom o Espírito Santo em seus corações, e a partir daí, é o que ocorre na vida de todo aquele que crê no Evangelho de Jesus (Ef 1:13, 14)
Eu gostaria de destacar, para a nossa meditação de hoje, este ensino do v. 39:
Para vós outros, é a promessa... e para vossos filhos...
Desde o Antigo Testamento, quando chamou a Abraão para andar com ele, e prometeu que através dele e seu descendente, que seria Jesus, todas as nações da terra seriam abençoadas, o Senhor disse: Eu serei o teu Deus, e o da tua descendência.
E estabeleceu a circuncisão por sinal da aliança que estava fazendo com Abrão. Tanto Abrão como todos os seus filhos de sexo masculino deveriam ser circuncidados como sinal de que pertenciam ao povo de Deus[3] (no nosso caso, Jesus substituiu a circuncisão pelo batismo, como sinal desta aliança[4]).
Assim, Pedro dá continuidade ao ensino do Antigo Testamento no sentido de que nossos filhos também fazem parte do povo da aliança.
Não estamos com isto dizendo que só pelo fato de que alguém é filho de um crente ele “automaticamente” já tem posse de todas as bênçãos dos crentes, pois cada pessoa é pessoalmente responsável pela sua alma diante de Deus.
Mas estamos dizendo há um vínculo, uma ligação entre nós e nossos filhos, que os fazem objeto especial do amor de Deus. Assim como nós, nossos filhos são herdeiros da promessa, e Deus deseja, por nosso intermédio, alcançar nossos filhos com a sua graça.
Pense bem: qual é a maior riqueza que você pode dar para os seus filhos? Serão bens materiais? Será uma formação profissional? Ainda que estas coisas sejam boas e muito úteis, nós sabemos que a melhor coisa que pais podem fazer por seus filhos é conduzi-los de tal maneira que desde pequenos eles conheçam a Deus e sua salvação.
Se Deus estabeleceu que, como povo da aliança, sejamos instrumentos de sua graça na vida de nossos filhos, o que podemos fazer para ser estes instrumentos nas mãos de Deus?
Este é um assunto muito importante e abençoador. Mas também que trás muitas implicações. Eu gostaria de citar apenas três, que são essenciais.
1. Devemos consagrar nossos filhos a Deus
E por consagrar quero dizer um ato e uma atitude permanente de amor aos nossos filhos, em reconhecimento que eles são uma dádiva que Deus concedeu a nós em sua graça, mas que ao mesmo tempo eles não são somente nossos: eles também pertencem ao Senhor.
Eu gostaria de citar duas ou três referências:
Sl 127:3
Herança do SENHOR são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão.
Como dizem versões mais modernas,[5] os filhos são uma dádiva, um presente, uma recompensa que o Senhor nos concede.
Filhos não são estorvos; filhos não são problemas. Ao contrário, são dons que o Senhor concede para acrescentar ainda mais alegrias à nossa vida, além das muitas outras bênçãos que ele já nos tem dado.
Mas ao mesmo tempo, a Bíblia também diz que estes nossos filhos pertencem a Deus.
Em Ezequiel cap. 16, o Senhor condena os muitíssimos e graves pecados nos quais o povo judeu caiu, afastando-se dele e adorando outros deuses. Cometeram até mesmo a abominação de oferecer seus filhos em sacrifício aos falsos deuses. Não existe como descrever a gravidade deste pecado. Foi este tipo de pecado que levou Deus a ordenar a destruição dos antigos povos cananeus, quando os israelitas conquistaram Canaã.
Vamos ler Ez 16:20, 21
20 Demais, tomaste a teus filhos e tuas filhas, que me geraste, os sacrificaste a elas, para serem consumidos. Acaso, é pequena a tua prostituição?  21 Mataste a meus filhos e os entregaste a elas como oferta pelo fogo.
O pecado de Jerusalém era mui grande, e certamente o Senhor iria requerer o sangue deles por causa disto.
Mas o que eu desejo destacar é que Deus, ao falar a respeito dos filhos deles, os filhos que eles geraram, diz que eram dele, do Senhor. Eles estavam oferecendo aos deuses os filhos que eram do Senhor.
Preste atenção: aquilo que estamos fazendo aos nossos filhos, estamos fazendo aos filhos do Senhor. Se os amamos, se os educamos, se os abençoamos, se os sustentamos, se os orientamos, estamos fazendo estas coisas aos filhos do Senhor. E disto o Senhor se agrada.
Mas se os maltratamos, se os humilhamos, se os deixamos entregues a si mesmos e aos enganos deste mundo, então o Senhor não se agrada de nós.
Também quero ler com vocês 1ª Co 7:14
Porque o marido incrédulo é santificado no convívio da esposa, e a esposa incrédula é santificada no convívio do marido crente. Doutra sorte, os vossos filhos seriam impuros; porém, agora, são santos.
Filhos de pais crentes, mesmo que apenas um deles o seja, são separados para o Senhor.
De maneira quer, diante destas, e de muitas outras palavras de Deus neste sentido, irmãos, é necessário que, antes de tudo, consciente e alegremente nós ofereçamos nossos filhos ao Senhor, e não somente num dia especial num ato de culto, como no batismo deles, mas a cada dia de nossa vida, estejamos conscientes de que eles existem para Deus.
Eles foram criados por ele e para ele.
Estou pensando em minha mãezinha, em 1980. Eu havia sido chamado para trabalhar como missionário em Manaus, para realizar ali um trabalho de um ano. Enquanto eu preparava minha mala para a viagem ela estava encostada na porta, observando. Depois me deu sua bênção, e eu viajei.
Muito tempo depois, já de volta a São Paulo, nós estávamos conversando certo dia, e ela me confessou que não queria que eu tivesse ido; que sentiu muito a minha falta.
Então eu perguntei: “Mas porque a senhora não me disse que não queria que eu fosse”?
“É que eu sei o seu jeito de pensar. Se eu pedisse prá você não ir, você pensaria: ‘eu posso pregar o evangelho aqui’; e não iria pra Manaus. Mas eu não queria contrariar a vontade de Deus”.
Então ela me deixou ir, mesmo contrariando a si mesma, pois o filho dela não é dela; é de Deus. Como é que eu poderia não amar demais uma mulher assim?
2. Em segundo lugar, devemos andar com nossos filhos no caminho de Deus
E por “andar” estou me referindo a todo aquele conjunto de atitudes e conduta que a Bíblia ordena ou pressupõe que os pais têm para com os filhos. Estou querendo dizer uma vida de companheirismo, de amizade, de cuidado, supervisão e disciplina amorosos, edificando a vida de nossos filhos na fé em Jesus, na obediência às Escrituras, no amor pelo seu povo, que é a igreja.
Em grande medida, nós devemos ser para os nossos filhos assim como Deus é para nós como Pai.
E assim como um Pai se compadece dos seus filhos, assim o Senhor se compadece de nós: ele sabe a nossa estrutura e sabe que somos pó. Por isto não nos repreende perpetuamente, nem conserva para sempre a sua ira quando pecamos. A cada dia ele nos sustenta com sua mão poderosa, nos encoraja, nos consola, nos ensina, nos corrige, nos admoesta.
Deus não é um Pai que simplesmente nos pôs no mundo e depois nos deixou entregues, para que façamos o melhor possível. Mas cuida de nós, nunca deixará de fazer isto.
Agora, eu gostaria de destacar apenas duas, das muitas coisas que o nosso Pai celeste faz por nós, e que devemos fazer por nossos filhos.
A primeira é o seu exemplo de Pai.
Ef 5:1, 2
Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; 2 e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave.
Veja: em Mateus cap. 5 Jesus nos diz que nós devemos ser perfeitos em amor, assim como é perfeito o nosso Pai celestial, que envia chuva e sol não somente sobre as pessoas boas, mas também sobre os injustos.
E aqui, mais uma vez, ao falar sobre amor, a Palavra de Deus diz que nós devemos seguir o seu exemplo em Jesus, que devemos imitar a Jesus, que nos amou e deu sua vida por nós.
Ser um pai assim, um exemplo para os filhos, é essencial para que eles sejam crentes, herdeiros da promessa.
Conheço um irmão, presbítero, que certa vez me contou de um momento constrangedor e triste que ele experimentou enquanto dava aulas para uma classe de adolescentes na Escola Dominical.
Este irmão conversava com seus alunos sobre as alegrias da vida em família, quando um dos seus alunos se queixou, dizendo que na sua família as coisas não eram boas, mas bem o contrário.
O meu amigo ficou surpreso, pois os pais daquele adolescente eram líderes na igreja, professores também. E disse ao seu aluno: “Mas querido. Os seus pais são crentes dedicados”. E o jovem respondeu: “É que na igreja eles são uma coisa; em casa eles são outra”.
Amados, que a graça de Deus nos livre deste pecado.
A segunda coisa que desejo destacar, que Deus faz por nós, é o seu cuidado carinhoso.
Quero explicar lendo com vocês Lc 15:17-24
Então, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui morro de fome!  18 Levantar-me-ei, e irei ter com o meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; 19 já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus trabalhadores.  20 E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou.  21 E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho.  22 O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; 23 trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos, 24 porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se.
Esta história contada por Jesus é bem conhecida de todos nós. Ele pretende nos ensinar o amor que Deus tem pelos pecadores, e o anelo de seu coração em que o homem se arrependa e volte para ele.
Então conta de um homem, um fazendeiro, que tinha dois filhos. Um dia o filho mais moço fez as malas e saiu de casa. Gastou todo o dinheiro que tinha com bebidas, com festas e prostituição, e acabou numa vida miserável, cuidando de porcos num chiqueiro, abandonado por todos. E ali no meio da sujeira ele se lembrou de como era na casa do pai, e resolveu se levantar para buscar abrigo e emprego.
Mas, vinha ele de longe, diz o Senhor, quando seu pai o avistou, e correu, e o abraçou (mesmo todo sujo), e beijou, e colocou sandálias em seus pés descalços e feridos, e ordenou que fosse preparado um banquete, com música e danças. Fez uma festa porque aquele filho perdido foi achado.
Irmãos, vejam quanto carinho Deus tem para com seus filhos. Vejam quanta compaixão. Quanto amor. O Pai não ficou lançando em rosto os pecados do filho. Somente o acolheu e amou. É bem assim que devemos ser para com os nossos filhos, se queremos ser expressão do amor de Deus na vida deles. Ser perdoador. Ser encorajador, ser compassivo e ser carinhoso.
Sabem, a gente pode perceber que, via de regra, nossos filhos são aquilo que nós fazemos a eles. Eu tenho visto muitas vezes pessoas que têm grande dificuldade de manifestar amor, mesmo que sejam amorosas. E tenho visto pessoas que são carinhosas, que não tem dificuldade de dizer “eu te amo”, de abraçar, de dar um presente, mas que ao contrário, gostam de usar expressões de carinho, de ternura, de compaixão e benignidade.
Qual o segredo? Em sua maioria, são apenas uma extensão daquilo que é a família. São apenas aquilo que receberam dos pais. Filhos de pais amorosos são carinhosos também. Filhos de pais distantes são distantes também.
Alguns anos atrás eu conheci um jovem que tinha grande dificuldade de confiar em Deus. Eu tentava todos os argumentos, mas em vão.
E um dia entendi o porquê. Estávamos conversando, e eu lhe disse: “Meu irmãozinho, o Deus que a Bíblia nos revela é como um pai para nós”...
E ele me respondeu: “Mas se for como o pai que eu tenho lá em casa, eu não consigo confiar. O meu pai me diz que eu não presto pra nada...”
Abraçar os filhos. Dizer “eu te amo”. Beijar. Isto faz bem para o coração deles. Faz bem para a alma. Pois revela o coração amoroso do Pai celestial.
3. Devemos interceder por nossos filhos diante de Deus
Muitos anos atrás uma irmã me disse: “Pastor, eu estou arrasada. Eu descobri que o meu filho mentiu prá mim”.
Eu me alegrei com a atitude da mãe. Isto demonstrava que ela não era uma destas pessoas para quem os filhos nunca fazem nada de errado.
Pois há pais assim. E como é ruim para a vida de um menino, uma menina, um moço ou uma moça, quando os seus pais nunca admitem que eles fazem coisas erradas.
Você já deve ter visto pais e filhos assim, cujos filhos sempre “são inocentes”, a quem dão apoio incondicional, seja qual for o comportamento deles, e ainda se desculpam dizendo que pais amorosos devem fazer assim.
Mas quando se deixa de reconhecer os erros dos filhos, quando se deixa os filhos fazerem o que quiserem, incondicionalmente, na verdade os pais estão colocando os filhos no caminho da morte e do inferno.
Então eu respondi para aquela irmã: “Querida, isto não alegra mesmo o coração da gente... Mas sabe, acho que esta é uma maneira mais clara de você se lembrar de que o seu filho é pecador, e por isto ele precisa do seu ensino, da sua intercessão... Não fique arrasada, mas trate da vida espiritual dele. Sempre que você perceber que ele comete algum pecado assim, converse, ore por ele, e confie que Deus está trabalhando na vida dele”.
Irmãos, esta é mais uma coisa muito importante na vida dos nossos filhos, se queremos fazer o bem para suas almas: corrigi-los, e interceder por eles diante de Deus.
Vamos ler sobre o exemplo de Jó.
Jó 1:5
Decorrido o turno de dias de seus banquetes, chamava Jó a seus filhos e os santificava; levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles, pois dizia: Talvez tenham pecado os meus filhos e blasfemado contra Deus em seu coração. Assim o fazia Jó continuamente.
Ao que podemos depreender daqui, os filhos de Jó aparentemente tinham uma vida impecável. Pelo que podemos notar, eram homens e mulheres como seu pai: gente integra e reta, que temia a Deus e se desviava do mal. Pois Jó fazia sacrifícios de intercessão pensando nos pecados que talvez eles tivessem cometido no coração.
É que Jó, conhecendo a natureza humana, e conhecendo a Deus, sabia que muitas vezes uma pessoa pode não fazer nada de errado, exteriormente, mas mesmo assim pecar em seus pensamentos, em seus sentimentos, em suas atitudes.
Então ele orava pela vida espiritual dos seus filhos, assim como todo pai e mãe, filhos de Deus, devem fazer pelos seus filhos, filhos da promessa, filhos da aliança.
Voltemos ao texto de Atos, e vejamos a promessa de Deus aos nossos filhos:
At 2:17, 18
17 E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos; 18 até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão. 
v. 21
E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo
v. 39
Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos
Esta á a promessa do Deus que não é homem, para que minta, nem filho de homem, para que se arrependa. Esta é a promessa daquele que nos ama, que ama aos nossos filhos.
Ele disse que a nós, e aos nossos filhos, daria o Espírito Santo, que os tornaria servos seus, a quem ele usaria como seus profetas. E este é o testemunho que a Palavra de Deus também nos dá: é que se nós nos dedicamos a orar de acordo com as promessas feitas por Deus, ele atende às nossas orações.
Então, pais, orem por seus filhos. Orem muito. Orem para que sejam crentes, meninos e meninas, moços e moças, cheios de fé. Orem para que sejam cheios do Espírito Santo: que sejam gente amorosa, generosa, justa, feliz nos caminhos do Senhor, que amem ao Senhor, que deem um bom testemunho diante do mundo. Orem para que amem a igreja, como o Espírito de Cristo que mora em seus corações. Orem para eu tenham dons espirituais com os quais eles sirvam ao Senhor. Orem para que sejam santos.
Conclusão e aplicação
Se a promessa é para nós e nossos filhos...
Eu gostaria de relembrar aquilo que nós, pais, devemos fazer, no sentido de cooperar com a Palavra de Deus, para que ela se cumpra:
Consagrar nossos filhos a Deus, tanto através do batismo como em nosso dia a dia.
Caminhar com alegria, junto aos nossos filhos no caminho de Deus, para que pelo nosso ensino, nosso exemplo, nosso encorajamento e educação na justiça eles tenham fé, amor e esperança no Senhor.
Orar por eles e com eles, para que todas as maravilhosas promessas do Senhor se cumpram em suas vidas.
E agora, eu gostaria de me dirigir aos filhos.
Vocês, filhos de crentes, são pessoas privilegiadas, pois desde os primeiros dias foram consagrados ao Senhor – eu conheci um pobre homem cujos pais o consagraram aos demônios, e ele era todo cheio de enfermidades de toda sorte.
Sejam gratos a Deus, gratos aos seus pais, pois por esta consagração, esta educação na justiça, vocês foram livres de muitos males deste mundo.
Não tenham inveja daqueles que antes de conhecer a Jesus conhecem os caminhos deste mundo.
Prá saber que “se tomada dá choque”, você não precisa colocar o dedo nela. Basta confiar no que os seus pais dizem.
Da mesma forma, prá saber que o mundo de pecado é mau, e que Jesus salva, você não precisa antes experimentar as drogas, a promiscuidade. Pois na sua vida a salvação já tem livrado antes, o que é muito melhor.
Então o seja grato por toda a herança evangélica que você tem recebido.
Mas, o mais importante de tudo: tome posse, pela fé em Jesus, da herança eterna.
Vamos ler Jr 4:4
4 Circuncidai-vos para o SENHOR, circuncidai o vosso coração, ó homens de Judá e moradores de Jerusalém, para que o meu furor não saia como fogo e arda, e não haja quem o apague, por causa da malícia das vossas obras.
Veja: os judeus, desde pequeninos, eram circuncidados como sinal de que eram o povo da aliança com Deus, assim como os filhos dos crentes são batizados. Mas a circuncisão da carne era apenas um sinal externo. Não tinha valor algum diante de Deus, se no coração eles não pertencessem ao Senhor.
Por isto Deus diz: “circuncidai o vosso coração”, isto é, “que a aliança que vocês têm comigo não seja apenas uma coisa externa, mas da alma” Da mesma forma, vocês receberam o batismo, mas ele deve ser apenas o sinal externo de uma graça do coração, da alma. Sejam batizados em seus corações, sejam filhos da aliança em seus corações, por meio da fé em Jesus.




[1] Cf. Jo 14-16; 7:37-39
[2] At 1:4-5
[3] Gn 17:1-14
[4] Cf. Cl 2:11, 12
[5] NTLH, SBP, NVI
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