Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Para o nosso conforto, para a nossa alegria

Atos 15

3ª Igreja Presbiteriana Conservadora de Guarulhos

Pr. Plínio Fernandes

 

     Amados irmãos, eu peço que vocês mantenham suas Bíblias abertas em Atos, cap. 15.

     Conforme as promessas do Senhor, dadas desde as primeiras profecias do Antigo Testamento, a mensagem da salvação estava se espalhando, a começar de Jerusalém para todos os lugares do mundo.

     E milhares de gentios, como eram chamados os não judeus, estavam se convertendo a Jesus, reconhecendo-o como seu Senhor e Salvador, e assim tornando-se seus discípulos.

     Uma notícia que para muitos crentes judeus foi motivo de alegria, mas para outros, de grande preocupação.

     Estas pessoas preocupadas eram fariseus que haviam crido. Mas ao mesmo tempo, por causa da imperfeição de sua fé, acreditavam que os convertidos deveriam também observar os mandamentos cerimoniais ordenados na Bíblia, pela lei de Moisés.

     Esta importante questão doutrinária é o assunto aqui do capítulo 15 de Atos.

     Ele começa mostrando que quando Paulo, e Barnabé, e outros apóstolos pregavam, ganhavam vidas para Jesus e depois partiam para outros lugares pregando a Palavra, acontecia de chegarem estas pessoas (Lucas diz “certos indivíduos”); e logo começavam a dizer aos novos crentes:

     – Se vocês não forem circuncidados, e não observarem a lei de Moisés, não poderão ser salvos.

     Era uma doutrina errada e perturbadora, que chegou até mesmo à igreja de Antioquia, uma igreja bem doutrinada, e de forte visão missionária.

     E isto trouxe pelo menos três resultados:

     O primeiro, muita perturbação espiritual para os novos crentes. Pois eles haviam aprendido que por meio da fé em Jesus nós somos salvos; mas agora, estavam ouvindo que para serem salvos precisavam também realizar um número enorme de ordenanças da lei, que como diz o apóstolo Pedro, no v. 10, ninguém, nem judeus nem gentios, conseguia cumprir.

     O segundo resultado, foi que provocou uma discussão enorme entre Paulo e Barnabé, fiéis pregadores, quando eles voltaram a Antioquia, e estes falsos mestres do Evangelho, que, embora sejam chamados de crentes, estavam ainda muito mal informados.

     A igreja dali, além de estar perturbada pela falsa doutrina, também estava perturbada pelas discussões, ainda que fossem discussões necessárias.

     Mas o terceiro resultado, narrado a partir do v. 6, foi muito bom: é que esta contenda doutrinária provocou uma consulta em Jerusalém, aos apóstolos e presbíteros da igreja. Então enviados até lá, viajaram Paulo, Barnabé, e outros irmãos.

     Ali reunidos com a igreja e seus líderes, Paulo e Barnabé contaram que em muitas cidades pelas quais passavam, os gentios estavam sendo convertidos.

     A alegria que era, mesmo em meio a muitas perseguições.

     E a controvérsia se acendeu em Jerusalém.

     Mas os vs. 7 a 11 nos contam como Pedro, que era um dos “colunas” da igreja, colocou a casa em ordem, dando o seu parecer.

     Ele se levantou e falou de forma clara e incisiva.

     Vamos ler estes vs.

Havendo grande debate, Pedro tomou a palavra e lhes disse: Irmãos, vós sabeis que, desde há muito, Deus me escolheu dentre vós para que, por meu intermédio, ouvissem os gentios a palavra do evangelho e cressem. 8 Ora, Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, concedendo o Espírito Santo a eles, como também a nós nos concedera. 9 E não estabeleceu distinção alguma entre nós e eles, purificando-lhes pela fé o coração. 10 Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais puderam suportar, nem nós? 11 Mas cremos que fomos salvos pela graça do Senhor Jesus, como também aqueles o foram.:

     Pedro falou como ele mesmo, ao pregar o Evangelho, tinha visto o Senhor Deus conceder o Espírito Santo também aos gentios, assim como também fizera antes com os judeus.

     Pois irmãos, Deus, que conhece os corações das pessoas, não faz distinção entre elas com base na sua etnia, cultura, idioma, cor da pele, posição social.

     Depois, no v. 11, Pedro resume sua doutrina mostrando o modo estabelecido por Deus para a nossa salvação.

     Mas cremos que (nós, os judeus) fomos salvos pela graça do Senhor Jesus, como também aqueles (os gentios) o foram.

     Em seguida (vs. 12-21) Tiago, irmão do Senhor Jesus, e que era outro “coluna” da igreja, também se levantou, e citando o profeta Amós (cap. 9:11, 12), explicou como Deus havia prometido que a salvação alcançaria todos os povos do mundo.

     Assim, com base naquilo que estavam vendo Deus fazer, à luz do Antigo Testamento, os líderes da igreja chegaram a uma conclusão, e orientaram os crentes.

     – Os gentios não precisam guardar os rituais da lei de Moisés, pois somos salvos pela graça de Jesus.

     – Mas como em todos os lugares do mundo sempre existem sinagogas, onde as pessoas leem os escritos de Moisés todos os sábados, vamos pedir que se abstenham de carnes oferecidas aos ídolos, da carne de animais sufocados e das relações sexuais ilícitas.

     Hoje nós entendemos que estas questões de alimentação eram apenas transitórias, para evitar que alguém se escandalizasse, pois mais tarde o ensino apostólico foi no sentido de que não existe alimento algum que possa fazer mal à nossa vida espiritual.[1]

     Mas as questões de idolatria e relações sexuais ilícitas, claro que não eram transitórias, pois os apóstolos, até o final da Bíblia, continuaram a orientar no sentido de que devemos evitá-las.

     Os vs. 22-29 nos contam que então, guiados pelo Espírito Santo, os líderes escreveram uma carta às igrejas gentias, falando de sua decisão, e enviaram Paulo, Barnabé, e Judas e Silas, que eram da igreja em Jerusalém, e profetas, com a carta.

     Vamos ler o resultado disto nos vs. 30-32

Os que foram enviados desceram logo para Antioquia e, tendo reunido a comunidade, entregaram a epístola. 31 Quando a leram, sobremaneira se alegraram pelo conforto recebido. 32 Judas e Silas, que eram também profetas, consolaram os irmãos com muitos conselhos e os fortaleceram.

     Homens de Deus estes apóstolos e profetas, que promoveram a paz que vem do Evangelho.

     Os crentes de Antioquia, que antes estavam confusos e perturbados, agora ficaram imensamente alegres e confortados pela doutrina, pelos ensinos que já haviam sido dados por Paulo e Barnabé, e agora confirmados pela igreja de Jerusalém.

     Depois desta reunião Paulo e Barnabé então começaram a sua segunda viagem missionária; mas infelizmente eles se desentenderam a respeito de João Marcos, que mais tarde ele escreveria o Evangelho de Marcos.

     Pois na primeira viagem Marcos só foi até certo ponto e depois desistiu.

     Barnabé queria levar Marcos, e Paulo não queria deixar.

     O desentendimento foi tão grande que acabaram se separando por causa disto, e cada um, acompanhado de novos cooperadores, foi para um lado pregando o Evangelho, e mais uma vez, muitos gentios crendo, e novas igrejas surgindo, pois Deus era com eles.

     Irmãos, vejam o contraste entre o início, e o final desta história: no começo, falsas doutrinas tirando a paz da igreja. No final, a boa doutrina do Evangelho trazendo alegria e consolo.

     Pois a própria palavra Evangelho significa “boas notícias", de paz, a paz que Deus concede a todos os crentes em Jesus.

     Para a nossa alegria, e para a nossa consolação, eu quero destacar desta história tão bonita, três verdades do Evangelho, que são afirmadas pelo apóstolo Pedro, aqui nos vs. 8-11.

     Quero começar com o v. 11

Cremos que somos salvos pela graça do Senhor Jesus

     1. Pela graça do Senhor Jesus, nós somos salvos

     Pedro está aqui fazendo um agudo contraste entre a doutrina errada e a boa doutrina do Evangelho.

     A doutrina errada foi mencionada no v. 1

     Alguns indivíduos que desceram da Judéia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos.

     Isto é, para que vocês sejam perdoados de seus pecados, para que vocês tenham comunhão com Deus e possam chegar ao céu, vocês precisam praticar certas coisas, guardar certas ordenanças.

     Mais especificamente, o costume ensinado por Moisés.

     No v. 10 Pedro diz que este tipo de religião que diz, faça isto, não faça aquilo, é impossível de ser praticada.

     E acrescenta que forçar as pessoas a isto é pecar contra Deus.

     Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais puderam suportar, nem nós?

     Este tipo de religião, ele argumenta, é um jugo, uma canga colocada sobre o pescoço das pessoas, que ninguém consegue praticar, é uma coisa insuportável.

     Sabem, irmãos, esta atitude legalista dos fariseus (pois o texto, no v. 5 diz que os favoráveis a ela eram principalmente fariseus que haviam crido no Evangelho), de uma forma ou outra sobrevive através dos séculos, provocando muitas perturbações, em muitos corações.

     – Para ser salvo, você precisa fazer isto; para ser salvo, você não pode fazer aquilo.

     – Tem que guardar certos dias, meses e anos.

Não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, 22 segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem. 23 Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade. [2]

     Religião de obras ridículas. Religião baseada em desempenho humano, regulamentos humanos, carnais, conforme o temperamento de homem.

     Mas, o que diz o Evangelho?

     – Cremos que somos salvos pela graça do Senhor Jesus.

Ef 2:8-9 – Pela graça sois salvos, mediante a fé, e isto não vem de vocês; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.

Rm 11:6 – E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça.

     Cremos que somos escolhidos, predestinados, perdoados, justificados, chamados, libertados do pecado e do diabo, salvos, cremos que vamos para o céu, não pelas nossas obras, mas pela graça do Senhor Jesus.

     Cremos que Deus, o Pai, Deus, o Filho, e Deus o Espírito Santo, nos ama, que ele é por nós, que ele trabalha por nós, que ele age em nosso favor.

     Pense em Jesus, quando esteve entre nós:

      Ele é terno e gentil, manso e humilde, meigo e bondoso, para com todos os tipos de pecadores quebrantados de coração.

     Ele cura os enfermos, consola os aflitos, liberta os oprimidos pelo diabo.

     É firme contra os homens de coração endurecido.

     E promete vida eterna a todo aquele que nele crer.

Jo 5:24 – Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.

     Ele se fez carne e habitou entre nós cheio de graça e de verdade, manifestando a glória de Deus (Jo 1:14).

     E por fim se revelou claramente dizendo:

–  Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim. Eu estou no Pai, e o Pai está em mim... Quem me vê a mim, vê o Pai (Jo 14:6, 10, 9).

     E se Deus é por nós, quem será contra nós? Quem nos condenará? Quem, ou o que, irá nos separar do amor de Deus? Nada, nem nos céus nem na terra.[3]

     Pense aqui na própria história de Atos 15.

     Nossos irmãos do passado estavam longe de serem perfeitos. Vemos Paulo e Barnabé, queridos pregadores da Palavra se desentendendo e se separando.

     Isto certamente não foi um bom exemplo na hora. Somente muitos anos mais tarde Paulo mudou de opinião a respeito de Marcos.

     Mas nem por isto deixaram de ser homens de Deus, amados por Deus, e usados na obra de Deus.

     Quanto mais o perder o dom da vida eterna!!!? Jamais!!!

     Assim, irmão, quando oprimido pela consciência dos seus pecados, quando Satanás acusar você por causa das suas falhas; quando sofrendo diante das suas fraquezas, ou quando os modernos fariseus quiserem te assediar, lembre-se desta verdade, e diga para si mesmo a verdade revelada na Palavra de Deus:

      "Creio que sou salvo pela graça do Senhor Jesus."

     Seja isto alegria e conforto para o teu coração.

     A segunda verdade do Evangelho que eu desejo destacar está no v. 9...

     E não estabeleceu distinção alguma entre nós e eles, purificando-lhes pela fé o coração.

     2. Pela fé, os nossos corações são purificados

     No v. 8, para explicar que o Senhor não está preocupado se alguém é circuncidado ou não, Pedro lembrou a igreja que Deus conhece os corações.

     O que Deus deseja de nós é que nossos corações sejam limpos de pecado.

     Que não haja em nós mentiras, pois o Senhor ama a verdade no íntimo.

      Que não haja ódios, inimizades, malícias, adultérios, sensualidades, maus desejos ou maus propósitos, ou planos malignos, ou invejas ou coisas semelhantes.

     Precisamos pureza de coração porque os limpos de coração verão a Deus.

     Porque corações limpos são capazes de amar com pureza, sendo semelhantes ao Pai celestial.

     Ter o coração purificado é também o desejo de todo aquele que ama a Deus.

     E aqui, mais uma vez, quão maravilhosa é a graça de Deus!

     Para que nós o vejamos, ele mesmo purifica nossos corações.

     De tal modo que, limpos por dentro, podemos desembaraçadamente nos aproximar do Senhor.

     Eu gostaria de relacionar o que Pedro diz aqui com o está escrito em Hb 9:14

Muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!

     Mais uma vez nós aprendemos sobre a graça de Jesus revelada no Evangelho.

     O sangue de Jesus, que ele derramou na cruz, no poder do Espírito Santo, nos purifica de todas as nossas obras mortas, quer dizer, dos nossos pecados.

     E com nossas consciências purificadas, sem nada a nos impedir, podemos servir ao nosso Deus e Pai.

     E agora, Hb 10:19-22:

Tendo, pois, irmãos, intrepidez (coragem) para entrar no Santo dos Santos, (isto é, na presença de Deus) pelo sangue de Jesus, 20 pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne (o seu corpo na cruz), 21 e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, 22 aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura (em João 15 Jesus nos diz que tem nos lavado pela sua Palavra).

     Estes dois textos aqui em Hebreus descrevem as mesmas verdades que são expostas pelo apóstolo Pedro no cap. 15 de Atos.

    A primeira, que Deus graciosamente purifica nossos corações.

    A segunda, é que conhecemos experimentalmente esta purificação através da fé.

    Aproximemo-nos com plena certeza de fé, que o sangue de Jesus nos purifica de todo o pecado.

    Irmãos, isto é libertador.

    Isto nos liberta de querer nos aproximar de Deus pelos nossos próprios esforços, obras ou capacidades.

    Concede-nos liberdade do medo, e de toda forma de opressão que Satanás queira lançar sobre nós.

    Se você tem consciência de pecados, coisas que afastam da presença do seu Pai que te ama, e a quem você ama, não deixe que o pecado afaste você de Jesus, confie que o sangue de Jesus te purifica e te afasta do pecado.

    Tudo o que Deus quer é que você tenha fé no sangue de Jesus.

    Seja isto alegria e conforto para o teu coração.

    Agora, eu quero considerar a terceira afirmação do Evangelho que nos trás alegria...

    3. Pelo Espírito Santo, somos capacitados.

 v. 8 – Ora, Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, concedendo o Espírito Santo a eles, como também a nós nos concedera.

    Pedro está recordando a história narrada em aqui em Atos cap. 10, quando, orientado por Deus, pela primeira vez ele entrou na residência de um estrangeiro, um piedoso centurião romano chamado Cornélio, que precisava conhecer a Jesus.

    Ainda meio constrangido, Pedro entrou naquela casa, e enquanto pregava o Espírito Santo veio sobre toda a família de Cornélio, da mesma maneira como aconteceu em Jerusalém no dia de Pentecostes.

    E estava se cumprindo mais uma vez a promessa do Senhor, dada através do profeta Joel, e que Pedro citou no dia de Pentecostes:

At 2:16-18, 21//Joel 2:28-32 – Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel: 17 E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos; 18 até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão... 21 E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. [4]

    Então todas as dúvidas de Pedro foram dissipadas. Ele sabia por sua própria experiência à luz da Palavra de Deus, que povo escolhido não era somente os judeus, mas que o Senhor concede o seu Espírito pessoas de todas as nações.

    Irmão, você é salvo pela graça do Senhor Jesus.

    Você tem o seu coração purificado mediante a fé no sangue de Jesus.

    E da mesma forma você tem este dom maravilhoso: o Espírito Santo, enviado por Jesus para morar em você.

    Veja o que está escrito em 1ª Co 6:19:

    Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?

    Naturalmente este fato tem implicações incontáveis:

    Paulo aqui diz que isto significa que nosso corpo inteiro; mãos e pés, coração e cérebro, boca e olhos, tudo o que somos, pertence ao Senhor, e deve ser instrumento do Senhor.

   Implica santificação, separação, de nós mesmos, de todas as coisas que desagradam a Deus.
    

    Por isto que em Atos 15, Tiago, o irmão de Jesus, ao propor o que deveria ser estabelecido e escrito aos gentios, fala de algumas coisas essenciais que dizem respeito a como devemos fazer, e que tem relação ao nosso corpo.

    Voltemos à carta enviada aos gentios, conforme Atos 15:28 e 29.

Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo além destas coisas essenciais: 29 que vos abstenhais das coisas sacrificadas a ídolos, bem como do sangue, da carne de animais sufocados e das relações sexuais ilícitas; destas coisas fareis bem se vos guardardes. Saúde.

    Note a convicção da igreja. Eles entendiam que, quando debateram e decidiram à luz da Escritura, estavam sendo guiados pelo Espírito Santo, que havia inspirado as Escrituras, e que estava neles. Portanto a decisão que tomaram não era apenas deles, mas do Espírito Santo antes deles.

    Então pareceu bem ao Espírito Santo e a eles, não impor mais encargos aos seus irmãos gentios, mas que apenas se abstivessem de carnes oferecidas aos ídolos (pois naquele contexto isto implicaria idolatria), da carne de animais sufocados, cujo sangue não havia sido derramado, e de relações sexuais ilícitas (pois o nosso corpo pertence ao Espírito Santo, e não foi criado, e depois salvo, para nos entregarmos aos pecados sexuais, como homossexualismo, adultério, prostituição, fornicação e coisas semelhantes).

    Mas irmão, além das implicações comportamentais, existe algo ainda melhor: é que o Espírito Santo não somente ordena santidade: ele próprio, que está em nós, é a fonte de poder para toda a santidade.

    Ele nos capacita para ser santos.

    Não significa que nos tornamos perfeitamente impecáveis; nós vemos aqui no texto que nossos antigos irmãos não eram impecáveis.

    Mas também tinham um modo de vida diferente do mundo, mais elevado, mais ao nível do Pai celestial.

    Eles contavam com a presença do Espírito Santo, com seu poder e direção, sabiam que ele os guiava, aconselhava, falava através das Escrituras, iluminando suas mentes e corações.

    Então, quando receberam a notícia de que o Espírito Santo queria que eles apenas fossem santos, isto foi um deleite, uma alegria, um conforto para os corações deles. Não era uma canga pesada sobre o pescoço, mas um fardo leve e suave.

Conclusão e aplicação

    Estas são notícias alegres para todos os crentes.

    Elas dizem respeito aos nossos desejos e necessidades mais profundos.

    1. O desejo e necessidade de salvação da alma, de vida eterna com Deus, no céu.

    Neste tempo, neste mundo governado pelo pecado, que tristemente está longe da vontade e da santidade do Senhor, e por isto mesmo condenando-se à eternidade longe da presença abençoadora de Deus, no inferno, cremos que somos salvos pela graça do Senhor Jesus.

    Seja isto alegria e conforto para o seu coração.

    2. O desejo e necessidade de corações puros e santos.

    Temos os corações purificados pela fé no sangue de Jesus, que nos purifica a consciência, dos nossos pecados, a fim de que possamos servir ao Deus vivo.

    Seja isto alegria e conforto para o seu coração. Seja isto incentivo para uma vida de fé e pureza.

    3. O desejo e a necessidade de poder Espiritual para viver em santidade.

    Deus, que conhece os nossos corações, nos deu seu Espírito Santo.

    Ele habita em nós e nos dá poder para resistir e vencer o pecado e as tentações.

    Ele nos dá poder para testemunhar com nossa vida, com as coisas que fazemos e com as coisas que falamos, para que outros corações necessitados possam receber as boas notícias da vida eterna.

    Que isto te alegre, que isto te console, e que isto te encoraje a viver para Jesus.

    Oração

    Pai celestial, nós te agradecemos porque podemos nos aproximar de ti, em nome de Jesus.

    Nós te agradecemos pela tua Palavra que nos é dirigida na Bíblia.

    Bíblia que nos revela quem tu és, em teu poder e santidade, em tua justiça e graça.

    Bíblia que revela o teu conhecimento de quem somos, dos nossos pecados, dos nossos anseios, das nossas necessidades e preocupações, e do teu amor por nós, vindo ao nosso encontro.

    Salvando nossas almas pela graça manifestada no Senhor Jesus.

    Purificando-nos pelo sangue de Jesus.

    Concedendo-nos o Espírito de Jesus Cristo.

    Bendito seja o teu santo nome.

    Senhor, que não nos esqueçamos do que o Senhor nos fala, a fim de que em nosso dia a dia, pensemos, sintamos, façamos, vivamos, tudo de acordo com a tua Palavra.

    Com alegria e satisfação, para a glória do Senhor. Em nome de Jesus. Amém.


[1] Veja Mc 7:19; 1ª Tm 4:3, 4; Hb 13:9

[2] Cl 2:21-23

[3] Rm 8:31 e segs.

[4] Não posso agora comentar todo o texto, dos vs. 16-21, por isto omiti os vs. 19 e 20, a fim de prosseguir com minha linha de pensamento.

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