Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

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domingo, 12 de julho de 2020

Quando a tristeza é grande demais - 2ª Co 2:1-11

3ª IPC de Guarulhos

Domingo, 12 de julho de 2020

Pr. Plínio Fernandes

Hoje, meus irmãos, eu quero meditar com vocês a respeito da vitória sobre a tristeza. Mas antes de prosseguir, quero fazer duas observações:

A primeira, é que não tenho como, aqui, fazer um extenso estudo sobre este assunto. Ele seria muito vasto. Mas depois do nosso estudo, eu quero sugerir alguns livros, que podem lhe ser muito úteis.[1]

A segunda observação é que eu particularmente tenho sido muito ajudado com a leitura de um deles, um livro chamado Superando a tristeza e a depressão com a fé, escrito por um pastor puritano chamado Richard Baxter. Eu devo muito a ele, para a minha vida particular, e quase tudo a ele nesta mensagem. Recomendo a sua leitura.

Vamos ao nosso texto, que se encontra em 2ª Co 2:1-11.

Isto deliberei por mim mesmo: não voltar a encontrar-me convosco em tristeza.  2 Porque, se eu vos entristeço, quem me alegrará, senão aquele que está entristecido por mim mesmo?  3 E isto escrevi para que, quando for, não tenha tristeza da parte daqueles que deveriam alegrar-me, confiando em todos vós de que a minha alegria é também a vossa.  4 Porque, no meio de muitos sofrimentos e angústias de coração, vos escrevi, com muitas lágrimas, não para que ficásseis entristecidos, mas para que conhecêsseis o amor que vos consagro em grande medida.  5 Ora, se alguém causou tristeza, não o fez apenas a mim, mas, para que eu não seja demasiadamente áspero, digo que em parte a todos vós;  6 basta-lhe a punição pela maioria.  7 De modo que deveis, pelo contrário, perdoar-lhe e confortá-lo, para que não seja o mesmo consumido por excessiva tristeza.  8 Pelo que vos rogo que confirmeis para com ele o vosso amor.  9 E foi por isso também que vos escrevi, para ter prova de que, em tudo, sois obedientes.  10 A quem perdoais alguma coisa, também eu perdoo; porque, de fato, o que tenho perdoado (se alguma coisa tenho perdoado), por causa de vós o fiz na presença de Cristo; 11 para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios.

Quando eu era menino, de vez em quando ouvia uma música no rádio que dizia:

Tá todo mundo triste,

Cantando músicas tristes

E cada dia fica mais fácil cantar assim. [2]

Esta música fez considerável sucesso, pois falava de um tema recorrente na vida de todos os seres humanos, inclusive na experiência daqueles que conhecem a Jesus.

A tristeza é mais uma destas emoções inevitáveis neste mundo decaído.

Ela pode ser fruto, muitas vezes, das situações adversas, que acontecem na vida de todos os seres humanos.

– Algum contratempo financeiro, o sentir-se impotente diante dos problemas...

– Os desejos não realizados, as ansiedades...

– A perda de uma amizade, alguma calúnia, alguma traição de alguém em quem se confiava...

– Alguma enfermidade física, ou psicológica, ou uma mistura das duas, ou de todas as coisas...

Muitas vezes, tem-se dito que a carta de Paulo aos Filipenses pode ser chamada de “A Epístola da Alegria.”.

E com razão, pois nela, através de muitas alusões a esta abençoada atitude, o Apóstolo procura ali, incutir uma santa alegria nos corações de seus leitores.

E seguindo uma espécie de paralelismo, eu gostaria de sugerir que a 2ª Carta aos Coríntios poderia ser chamada de “A Epístola da Vitória sobre a Tristeza.”.

Isto porque nela, diversas vezes o assunto tristeza é mencionado pelo apóstolo.

Mas não uma tristeza que vence. E sim, uma tristeza sobre a qual o crente em Jesus tem vitória.

Paulo não está falando aqui primeiramente sobre qualquer motivo de tristeza, mas especialmente pelas tristezas que nos sobrevêm pelo fato de sermos amados filhos de Deus, e que estamos vivendo num mundo em que as misérias do pecado e suas consequências ainda existem.

Mas as coisas que eu desejo destacar podem ser aplicadas num sentido mais amplo também.

É por isto, meus irmãos, que eu gostaria de meditar hoje com vocês, sobre este texto que acabamos de ler.

Depois de, nos vs. 1-5 das suas próprias tristezas, no seu relacionamento com os crentes de Corinto, tristezas que provinham de seu amor para com aquela igreja muitas vezes rebelde, mas ao mesmo tempo em que se deixava corrigir, nos vs. 7-11 Paulo orienta aqueles crentes em Jesus sobre como deveriam proceder para com um irmão que havia pecado grosseiramente a ponto de ser disciplinado pela igreja, mas que agora estava humildemente quebrantado.

Não sabemos se este irmão é o mesmo mencionado em 1ª aos Coríntios 5, e que havia cometido o pecado de imoralidade sexual. Quem exatamente ele era é de somenos importância, do contrário o Espírito Santo teria levado o apóstolo a ser mais específico.

O fato é que este irmão agora deveria ser restaurado.

Então, nos vs. 7 e 8 Paulo orienta:

De modo que deveis, pelo contrário, perdoar-lhe e confortá-lo, para que não seja o mesmo consumido por excessiva tristeza.  8 Pelo que vos rogo que confirmeis para com ele o vosso amor.

Leiamos também os vs. 10 e 11:

A quem perdoais alguma coisa, também eu perdoo; porque, de fato, o que tenho perdoado (se alguma coisa tenho perdoado), por causa de vós o fiz na presença de Cristo; 11 para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios.

Note a orientação: aquele irmão agora precisava ser perdoado e receber os afetos dos seus irmãos em Cristo. Se isto não acontecesse, ele poderia ser consumido pela tristeza.

Seguindo, não muito fielmente, o esboço de Richard Baxter, vamos destacar três inferências da orientação de Paulo:

1.      A tristeza, mesmo por razões espirituais, pode ser excessiva.

Eu digo razões espirituais, pois como nos ensina a Bíblia, em se tratando de coisas espirituais, existem basicamente dois tipos de tristeza que podem entrar em nossos corações.

Vamos ler 2ª Co 7:10

Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte.

Veja: há aquele que Paulo chama tristeza segundo Deus, e aquele que ele chama tristeza segundo o mundo.

A tristeza segundo o mundo, podemos dizer, é aquele que pode vir sobre nós por razões carnais, por não podemos satisfazer os nossos maus desejos, as nossas ambições pecaminosas.

Este tipo de tristeza é nocivo para nossas almas desde o começo, e precisamos lidar com ela o mais cedo possível, assim que a tivermos percebido.

As existe uma espécie de tristeza, ou tristezas, que são segundo Deus, espiritualmente saudáveis.

Como, por exemplo, as tristezas de Paulo ao escrever para os coríntios, em momentos em que eles estavam desobedecendo a Palavra de Deus, ou aquela tristeza descrita em Romanos cap. 7, em decorrência de seus sentimentos em relação ao pecado que nele habitava.

E existe, como mencionada aqui, a tristeza que nos sobrevêm como resultado do agir do Espírito de Deus em nossos corações, convencendo-nos dos nossos pecados, provocando arrependimento, conversão e vida.

Ou disciplinando-nos por sua Palavra, ou pela igreja ou irmãos chegados, ou pelas circunstâncias da vida.

Foi o caso do Rei Davi, conforme ele escreveu nos Salmos 32, 38, e em outros lugares.

Foi o caso de Pedro, que depois de haver negado ao Senhor, caindo em si, arrependeu-se sob o olhar de Jesus, e chorou amargamente. [3]

Foi o caso do irmão a respeito de quem Paulo está escrevendo aqui em 2ª Co 2.

São tristezas espirituais, provocadas pelo Espírito de Deus: ora pelos pecados e aflições da igreja, ora pelos nossos próprios pecados.

Mas note: falando pelo Espírito, Paulo diz que agora este irmão deveria ser perdoado, para que não fosse consumido pela tristeza excessiva.

Isto nos leva à segunda consideração...

2.  Mesmo por razões espirituais, a tristeza excessiva não é saudável: ela se torna destrutiva

Vamos ler novamente o v. 7?

De modo que deveis, pelo contrário, perdoar-lhe e confortá-lo, para que não seja o mesmo consumido por excessiva tristeza.

Se este irmão não fosse agora perdoado e confortado, a tristeza excessiva o consumiria.

A palavra “consumir” tem o sentido de “engolir, tragar, destruir”.

Imagine alguém sendo engolido e levado por uma onda gigantesca, ou por um grande peixe.

Quando a tristeza é grande demais, prolongada, descomunal, ela se torna terrivelmente destrutiva, paralisante.

Nesta sexta-feira eu soube de um homem que foi caluniado, e a tristeza foi tão grande que ele jogou-se nos trilhos de um trem, buscando a própria morte.

Mas mesmo que uma pessoa não chegue a este ponto, a tristeza, mesmo por arrependimento, pode ser tão grande que o crente esmorece em sua fé.

Perde o vigor para orar, para louvar, para testemunhar, para servir ao Deus a quem ama e por quem foi salvo.

Perde as alegrias da vida em família ou em meio ao povo de Deus, a alegria do trabalho secular.

E meus irmãos, não é esta a intenção de Deus quando ele contende conosco por causa dos nossos pecados; ao contrário, é produzir vida.

Vamos ler Is 57:15-19

Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos.  16 Pois não contenderei para sempre, nem me indignarei continuamente; porque, do contrário, o espírito definharia diante de mim, e o fôlego da vida, que eu criei.  17 Por causa da indignidade da sua cobiça, eu me indignei e feri o povo; escondi a face e indignei-me, mas, rebelde, seguiu ele o caminho da sua escolha.  18 Tenho visto os seus caminhos e o sararei; também o guiarei e lhe tornarei a dar consolação, a saber, aos que dele choram.  19 Como fruto dos seus lábios criei a paz, paz para os que estão longe e para os que estão perto, diz o SENHOR, e eu o sararei.

Note o v. 16:

Em seu amor e santidade, o Senhor, alto, santo, sublime, contende indignado conosco.

Mas a sua indignação não é contínua.

Se assim fosse, ele diz, o nosso espírito não resistiria, o fôlego de vida que ele criou em nós.

E ele não quer destruir o fôlego de vida que ele criou.

Mas têm alguém que quer nos destruir.

Vamos ler Jo 10:10 e 11

O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.  11 Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas.

O Senhor Jesus, o Filho de Deus, o autor da vida, veio para nos dar vida abundante. E para isto deu sua vida por nós, na cruz.

Mas também existe o ladrão de nossas almas, que deseja somente roubar, matar e destruir. Este alguém é Satanás.

Irmão, entenda: se você está sendo consumido pela tristeza, seja por desejos mundanos, seja pela consciência dos seus pecados, se você está vivendo dominado pela angústia, se você está se sentindo desmotivado e derrotado, isto não vem de Deus.

Deus não quer isto para você. Quem quer é o Diabo.

Vamos de novo ao v. 11:

Que ele seja perdoado, e consolado, e amado (vs. 7 e 8) e eu também perdoo (v. 10)...

...para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios.

Se aquele irmão não fosse restaurado, quem teria vantagem seria o inimigo, por duas razões:

Primeira, aquele irmão definharia, seria consumido.

Segunda, a igreja, que deve ser um instrumento de Deus para a transmissão de vida, se tornaria num instrumento de Satanás, fazendo perecer alguém por quem Cristo morreu.[4]

E isto nos conduz à terceira consideração...

3. A tristeza espiritual, quando excessiva, precisa ser combatida e vencida

Pois o Espírito Santo diz que “o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”. [5]

E também ordena:

Não vos entristeçais... pois a alegria do Senhor é vossa força. [6]

O mesmo Pai bondoso, que nos fere por amor de nossas almas, também nos restaura.[7]

Eu tenho destacado aqui no texto, a instrução de Paulo no sentido de que a igreja deveria restaurar o crente quebrantado, a fim de que sua tristeza excessiva não o consumisse.

Isto mostra a importância do “papel terapêutico da igreja na cura das almas”, e por inferência dos crentes, nas vidas uns dos outros.

Eu quero, quanto a isto, fazer três considerações finais:

Primeiramente, que nós precisamos combater a tristeza excessiva na nossa própria vida, ouvindo o que Deus nosso Pai e Consolador nos diz.

Lembre-se do mandamento dado ao profeta, a fim de que proclame aos que choram:

Is 40:1, 2 – Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus.  2 Falai ao coração de Jerusalém, bradai-lhe que já é findo o tempo da sua milícia, que a sua iniquidade está perdoada e que já recebeu em dobro das mãos do SENHOR por todos os seus pecados.

Palavras que se cumpriram na vinda de Jesus, como ensinam os Evangelhos.

Lembre-se de Isaías 12:1

Orarás naquele dia: Graças te dou, ó SENHOR, porque, ainda que te iraste contra mim, a tua ira se retirou, e tu me consolas.

Lembra-se das palavras de Jesus:

Mt 5:4 – Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.

Leve ao Senhor, que te consola, todas as tuas tristezas.

Fale tudo para ele: confesse seus pecados dos quais você se arrepende. E confesse os pecados que você ama. Confesse as suas lutas, os seus medos, as suas tentações. Confesse suas iras, suas covardias. Confesse tudo. E espere nele.

Hoje eu estava me lembrando do profeta Elias, conforme aquela passagem em que Tiago está nos encorajando a orar, e toma Elias como nosso exemplo, dizendo assim:

Tg 5:17 e 18 – Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos, e orou, com instância, para que não chovesse sobre a terra, e, por três anos e seis meses, não choveu.  18 E orou, de novo, e o céu deu chuva, e a terra fez germinar seus frutos.

Quando Tiago diz que Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos, está se referindo ao fato de que Elias também ficava deprimido, também se acovardava, às vezes até queria morrer, também ficava irado.

E Tiago diz que Deus o ouviu. Então esta frase me veio à mente:

– Deus ouve também os deprimidos.

Irmão, frequentemente, quando estamos tristes, pensamos que Deus não está nos ouvindo. Mas isto não é verdade. Ele ouve.

Vejamos 2ª Co 1:3 e 4:

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação!  4 É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus.

Segundo: também combatamos a tristeza excessiva em nossa vida, considerando os nossos irmãos como fonte de consolo.

Como temos destacado, a igreja de Corinto foi orientada pelo apóstolo Paulo a perdoar, consolar e demonstrar afeto pelo irmão abatido.

Da mesma forma, cada um de nós deve se deixar confortar pelos queridos amigos que o Senhor nos dá, entendendo que são instrumentos de Deus.

2ª Co 7:6 e 7 – Porém Deus, que conforta os abatidos, nos consolou com a chegada de Tito; 7 e não somente com a sua chegada, mas também pelo conforto que recebeu de vós, referindo-nos a vossa saudade, o vosso pranto, o vosso zelo por mim, aumentando, assim, meu regozijo.

O grande apóstolo Paulo não tinha dificuldade alguma em admitir o quanto era carente, e abençoado pela companhia, pela amizade e pela afeição dos seus irmãos em Cristo.

Na carta aos Colossenses ele diz que certos irmãos, que cooperavam com ele, eram seu lenitivo. [8]

Através dos meus anos como crente tenho tido a mesma alegria, a de ter irmãos fiéis, amorosos, que ficaram comigo nas minhas tristezas.

Se você tem alguém assim, mesmo que seja apenas um, aproveite. Se não tem, preste atenção à sua volta, peça ao Senhor.

E por último, consideremos agora que Deus nos consola, a fim de que nós, por nossa vez, possamos consolar a outros.

Como já lemos no cap. 1:3 e 4, que uma vez consolados por Deus, podemos consolar a outros.

E como temos visto que a igreja deveria fazer, no cap. 2: perdoar, consolar, e assim confirmar o seu amor.

Você já viu pessoas que dizem mais ou menos assim:

– Olha, eu perdoo, mas por favor, fique longe...!?

Não é o tipo de perdão que restaura, não é mesmo?

E a igreja, e nós, não devemos agir assim para que Satanás não leve vantagem sobre nós, nem sobre os aflitos de coração.

Então, cada um de nós, seja perdoador, compassivo, restaurador, gentil, ministrando palavras de vida, dando aos quebrantados a chance de renascer na nossa vida. Sejamos instrumentos de cura.

Conclusão e aplicação

Vamos recordar?

A tristeza poder ser excessiva, mesmo por boas razões espirituais.

A tristeza, quando excessiva, torna-se destrutiva.

A tristeza excessiva deve ser combatida e vencida, em nossas próprias vidas e nas vidas dos nossos irmãos; na comunhão com Deus e com uns com os outros.

 

 

 



[1] Livros sugeridos:

D. Martin Lloyd-Jones – Depressão Espiritual. São Paulo, Editora PES, 3ª edição, 2017.

John Pipper – Quando a Escuridão não Passa: vivendo com esperança em Deus em meio à depressão. São Paulo, Editora Vida Nova, 2019.

Richard Baxter – Superando a tristeza e a depressão com a fé.  São Paulo, Editora Vida Nova, 2015.

Wilson Porte Jr. – Depressão e Graça. São José dos Campos, Editora FIEL, 2016.

Zack Eswine – A depressão de Spurgeon: esperança realista em meio à angústia. São José dos Campos, Editora FIEL, 2015.

[2] Zé Rodrix e a Agência de Mágicos, Muito Triste (Rio de Janeiro, Odeon, 1974).

[3] Lc 22:61, 62

[4] Usando a linguagem de Paulo em Rm 14:15

[5] Sl 30:5

[6] Ne 8:10

[7] Os 6:1-3

[8] Cl 4:11


domingo, 13 de julho de 2014

Alma restaurada - Sl 19:7

IPC em Pda. de Taipas
Domingo, 13 de julho de 2014
Pr. Plínio Fernandes

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Meus queridos irmãos, vamos ler o Salmo 19
Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.  2 Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite.  3 Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; 4 no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo. Aí, pôs uma tenda para o sol, 5 o qual, como noivo que sai dos seus aposentos, se regozija como herói, a percorrer o seu caminho.  6 Principia numa extremidade dos céus, e até à outra vai o seu percurso; e nada refoge ao seu calor.  7 A lei do SENHOR é perfeita e restaura a alma; o testemunho do SENHOR é fiel e dá sabedoria aos símplices.  8 Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração; o mandamento do SENHOR é puro e ilumina os olhos.  9 O temor do SENHOR é límpido e permanece para sempre; os juízos do SENHOR são verdadeiros e todos igualmente, justos.  10 São mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos.  11 Além disso, por eles se admoesta o teu servo; em os guardar, há grande recompensa.  12 Quem há que possa discernir as próprias faltas? Absolve-me das que me são ocultas.  13 Também da soberba guarda o teu servo, que ela não me domine; então, serei irrepreensível e ficarei livre de grande transgressão.  14 As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença, SENHOR, rocha minha e redentor meu!
Neste salmo o Espírito Santo nos ensina a amar a Palavra de Deus, nos mostrando o quanto ela é poderosa em trazer bênçãos para nossa vida: ela restaura nossa alma, nos dá sabedoria, alegra nosso coração, ilumina os nossos olhos, isto é, nos dá discernimento, compreensão.
Ela é mencionada de diversas formas, e cada uma delas revela um dos seus aspectos.
É a lei do Senhor: literalmente, “instrução”, a orientação de Deus, sobre como devemos viver.
Ela é “o testemunho do Senhor”: nos fala dele, nos revelando quem ele é, o seu caráter, as suas obras.
Também é chamada “os preceitos do Senhor”: o que ele estabeleceu como norma para nossa vida. É “o mandamento do Senhor”.
E “o temor do Senhor”: ela nos ensina amar e respeitar a Deus
A lei do Senhor, além de ser perfeita, restaura a nossa alma: restaura nossa alma porque nos conduz à fé em Jesus Cristo, nos dá novas esperanças, nova razão de viver, nos ensina a enxergar as coisas do ponto de vista de Deus, aquele cujos pensamentos são melhores, cujo entendimento é perfeito; a palavra do Senhor nos ensina a amar a Deus.
A lei do Senhor restaura nossas almas. Para nosso aproveitamento, quero fazer algumas considerações acerca desta restauração da alma.
1. O que é “alma”?
Esta palavra é empregada com diversos sentidos na Bíblia:
Em Dt 12:23, a palavra se refere ao sangue de todos os animais, porque no sangue é que está a vida, ele é o veículo através do qual a vida corre pelo nosso corpo. Em Gn 46:22,27 se refere ao ser humano como pessoa. Em Lv 22:3, refere-se à vida. Em 1ª Ts 5:23, à nossa capacidade intelectual.
Mas na maior parte das vezes, a palavra alma se refere àquele aspecto espiritual, imaterial do nosso ser:
Ap 6:9,10
9 Quando ele abriu o quinto selo, vi, debaixo do altar, as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam.  10 Clamaram em grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?
“Alma é a parte imaterial de nosso ser”, o nosso homem interior, imortal, a sede de nossos pensamentos, de nossos sentimentos, de nossa vontade, que, conforme o livro do Apocalipse, e Lucas, e Paulo, todos transmitindo o ensino de Jesus, vai morar na presença de Deus, após a nossa morte.
Ela é a fonte, a habitação de todos os aspectos interiores de nossa natureza: a sede da vontade, das decisões, dos sentimentos, da capacidade intelectual.
Se está escrito que a lei do Senhor restaura nossa alma, isto quer dizer que, sem a Palavra de Deus, a nossa alma está precisando de restauração. Sem a Palavra de Deus, que é perfeita, a nossa alma é imperfeita, incompleta. Sem a Palavra de Deus, nossa psique está enferma. Há feridas interiores carentes de serem pensadas. O óleo curador do Espírito precisa ser derramado.
Ora, todos os seres humanos, em maior ou menor medida, têm suas feridas interiores: seus sentimentos de infelicidade, de culpas pelos pecados cometidos, seus sentimentos de ansiedade, de depressão, de rejeição, até mesmo de autorrejeição, de solidão, de abandono.
Pois nossa alma é extremamente sensível, e a cada dia, os nossos próprios pecados, os pecados de outras pessoas contra nós e contra a vida, todo o mal que nos cerca, nos ferem interiormente, nos desintegram por dentro, nos separam de Deus e de nosso semelhante.
Falando a respeito de sua própria experiência, o apóstolo Paulo escreveu:
“o bem que desejo fazer, não faço, o mal que não desejo, esse faço...miserável homem que sou...” [1]
Jeremias, acerca do juízo que estava para vir sobre o seu povo rebelde contra o Senhor escreveu:
“Ah, meu coração... as paredes do meu coração...” [2]
Feridas da alma. Mas veja: há remédio para a alma enferma: a lei do Senhor restaura a alma A Palavra de Deus é o meio através do qual ele penetra em nosso coração para nos curar.
E quando a Palavra de Deus começa a penetrar, é como um tratamento que se inicia, de sorte que a cada dia nossa alma vai se tornando mais robusta, vigorosa, resistente. Ela se torna feliz, satisfeita, capaz de enfrentar as vicissitudes da vida.
Porque a Palavra de Deus cura as feridas e nos torna melhores interiormente.
2. Eu gostaria de mencionar algumas características de almas restauradas pela Palavra de Deus
Num certo sentido, este assunto é inesgotável, pois existem muitos aspectos nos quais nossa alma precisa restauração, e portanto, são muitos os aspectos nos quais a Palavra do Senhor restaura nossa vida. Mas eu quero me deter nalguns poucos exemplos ilustrativos.
2.1. Alma restaurada, alma sadia, é aquela que sabe lidar com as frustrações que a vida oferece
Porque, o que é frustração? É desapontamento, é decepção causada pela privação de um desejo ou de uma necessidade. É quando desejamos ou necessitamos algo que não acontece. É quando nossas expectativas não são alcançadas.
Ora, neste sentido, todos nós somos pessoas sujeitas constantemente às frustrações: às vezes a frustração do desemprego; às vezes a frustração de uma enfermidade; às vezes a frustração de um relacionamento mal resolvido; e muitas outras coisas.
E quando nossa alma não está sadia, a nossa reação também é insana – é a murmuração, é a amargura, é o ressentimento, é a depressão.
Amados, Deus não quer isso para nossa vida. Jesus morreu na cruz, Jesus foi ferido em nosso lugar para que nossas almas sejam sadias, fortes. Ele morreu por nós, não para que vivamos cheios de dores na alma, de problemas não resolvidos. Ele se entregou por nós para que tenhamos vida em abundância.[3]
Quero citar um exemplo da alma sadia neste sentido
Fp 1:15-18
15 Alguns, efetivamente, proclamam a Cristo por inveja e porfia; outros, porém, o fazem de boa vontade; 16 estes, por amor, sabendo que estou incumbido da defesa do evangelho; 17 aqueles, contudo, pregam a Cristo, por discórdia, insinceramente, julgando suscitar tribulação às minhas cadeias.  18 Todavia, que importa? Uma vez que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado, quer por pretexto, quer por verdade, também com isto me regozijo, sim, sempre me regozijarei.
Quando Paulo escreveu estas coisas, os irmãos sabem, ele estava preso, acusado do “crime de pregar o evangelho”.
E isto motivou muitas pessoas de boa índole a ter coragem para pregar também. Mas nem todos o fizeram de boa mente. Havia daqueles que, movidos de inveja e partidarismo, o faziam para de alguma deixar o apóstolo atribulado, pois poderia parecer que Paulo fracassava, enquanto eles prevaleciam no ministério.
Mas Paulo não se deixou manipular por estes estratagemas de Satanás. Ao contrário, viu nisto mais uma maneira de o seu grande desejo se cumprir: o nome de Jesus estava sendo pregado, e assim, honrado. E isto é o que lhe importava. Isto é ter uma alma sadia: enxergar as vicissitudes, do ponto de vista de Deus.
Fp 4:11-13
11 Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação.  12 Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; 13 tudo posso naquele que me fortalece.
Alma contentada. Mesmo na prisão, mesmo passando por privações, desconforto e necessidades, uma alma satisfeita, em toda e qualquer situação, que não se sentia derrotada.
E isto nos conduz ao próximo pensamento...
2.2. Uma alma que aprendeu a amor incondicionalmente, ou, colocado de outro modo, que sabe lidar com a rejeição
Quero citar outro exemplo: Samuel
1º Sm 8:6,7
6 Porém esta palavra não agradou a Samuel, quando disseram: Dá-nos um rei, para que nos governe. Então, Samuel orou ao SENHOR.  7 Disse o SENHOR a Samuel: Atende à voz do povo em tudo quanto te diz, pois não te rejeitou a ti, mas a mim, para eu não reinar sobre ele.
Este capítulo está nos contando o que aconteceu depois que Samuel, homem de Deus, juiz e profeta em Israel, se tornou idoso.
Depois de muitos anos servindo fielmente ao seu povo, os israelitas, vendo que ele estava velho, e que seus filhos não seguiam nos mesmos caminhos que o pai, pediram que Samuel lhes desse um rei para que o governasse.
Samuel ficou muito contrariado, pois a motivação dos israelitas estava errada. Eles queriam um rei para serem iguais aos outros povos (v.5). E orou a Deus buscando orientação.
E a resposta do Senhor foi esta: “Faça o que eles estão pedindo; pois não é a você, mas a mim que eles estão rejeitando”.
E Samuel atendeu. Saul foi ungido rei sobre Israel.
Algum tempo depois, quando convencidos que haviam pecado contra Deus, os israelitas pediram que Samuel orasse por eles. A resposta do profeta está em 1º Sm 12:23
Quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o SENHOR, deixando de orar por vós; antes, vos ensinarei o caminho bom e direito.
Uma alma sadia é uma alma que ama sem se destruir. Veja o comportamento de Jesus:
Mc 10:21,22
21 E Jesus, fitando-o, o amou e disse: Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me.  22 Ele, porém, contrariado com esta palavra, retirou-se triste, porque era dono de muitas propriedades.
O evangelho está nos contando aqui sobre um homem que procurou a Jesus desejoso de conhecer o caminho da salvação. E Jesus lhe mostrou.
Com muito amor o Senhor lhe disse: “Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres, ajunte tesouros no céu. E siga-me”.
Mas o homem tinha muitos bens, e era nestas coisas que estava o seu coração. Então ele se afastou e não seguiu a Jesus.
Amados, sabem o que Jesus fez diante disto? Lamentou e comentou com seus discípulos sobre o triste estado espiritual dos que amam as coisas deste mundo.
Mas não se sentiu culpado pelo desamor do homem rico. Não correu atrás, como um evangelista frustrado que sente que deve ceder diante das pessoas, para ganhá-las para o reino de Deus.
Simplesmente continuou a ensinar com o mesmo amor de sempre, mas sem “desmoronar interiormente”.
2.3. Uma alma que sabe que está neste mundo, servindo a Deus sem se preocupar com a competição com os outros
Vivemos numa sociedade altamente competitiva, na qual as pessoas são estimuladas constantemente a se comparar com as outras, e incentivadas a se colocarem acima das outras.
Mas a alma daquele que está satisfeito, que está bem com Deus, não sente necessidade de estar acima dos outros, não sente necessidade de competir – sua satisfação é a de estar no lugar onde Deus quer.
De novo, o exemplo de Paulo
2ª Co 10:12
Porque não ousamos classificar-nos ou comparar-nos com alguns que se louvam a si mesmos; mas eles, medindo-se consigo mesmos e comparando-se consigo mesmos, revelam insensatez.
2.4. Uma alma que sabe dizer não às tentações: José
Gn 39:6-12
6 Potifar tudo o que tinha confiou às mãos de José, de maneira que, tendo-o por mordomo, de nada sabia, além do pão com que se alimentava. José era formoso de porte e de aparência.  7 Aconteceu, depois destas coisas, que a mulher de seu senhor pôs os olhos em José e lhe disse: Deita-te comigo.  8 Ele, porém, recusou e disse à mulher do seu senhor: Tem-me por mordomo o meu senhor e não sabe do que há em casa, pois tudo o que tem me passou ele às minhas mãos.  9 Ele não é maior do que eu nesta casa e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porque és sua mulher; como, pois, cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus?  10 Falando ela a José todos os dias, e não lhe dando ele ouvidos, para se deitar com ela e estar com ela, 11 sucedeu que, certo dia, veio ele a casa, para atender aos negócios; e ninguém dos de casa se achava presente.  12 Então, ela o pegou pelas vestes e lhe disse: Deita-te comigo; ele, porém, deixando as vestes nas mãos dela, saiu, fugindo para fora.
Uma alma que não precisa provar nada prá ninguém, que não cede diante das pressões, que resiste ao tempo.
3. Como ter uma alma assim
3.1. Conheça a Palavra de Deus
O segredo de José
Gn 41:15,16
15 Este lhe disse: Tive um sonho, e não há quem o interprete. Ouvi dizer, porém, a teu respeito que, quando ouves um sonho, podes interpretá-lo.  16 Respondeu-lhe José: Não está isso em mim; mas Deus dará resposta favorável a Faraó.
José ainda não tinha a Bíblia, mas buscava suas respostas em Deus.
O segredo de Samuel
1º Sm 3:10
10 Então, veio o SENHOR, e ali esteve, e chamou como das outras vezes: Samuel, Samuel! Este respondeu: Fala, porque o teu servo ouve.
Samuel ouvia a Palavra de Deus
O segredo de Paulo
1ª Co 2:12,13
12 Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente.  13 Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais.
O segredo de Jesus
Jo 8:55
Entretanto, vós não o tendes conhecido; eu, porém, o conheço. Se eu disser que não o conheço, serei como vós: mentiroso; mas eu o conheço e guardo a sua palavra.
Todos eles tinham isto em comum: contato íntimo com a Palavra de Deus. Nem sempre no mesmo sentido do Salmo 19, a lei do Senhor por escrito, pois alguns viveram em épocas nas quais a revelação ainda não estava escrita, mas sempre em contato com a Palavra de Deus, e assim o Deus da Palavra.
Este também era o segredo de Daniel, e Elias, e Davi, e os apóstolos...
3.2. Pense de acordo com a Palavra de Deus
2ª Co 10:4,5
4 Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas 5 e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo…
Pensar de acordo com o mundo é pecado. Conduza seus pensamentos à obediência de Cristo.
Uma das frases que mais ouço é: “Não posso”. Outra: “Não consigo”. Não duvido da sinceridade destas pessoas, mas preciso dizer que estão acreditando numa mentira.
O Espírito Santo nos ensina a dizer: “posso todas as coisas naquele que me fortalece...”.
3.3. Pratique a Palavra de Deus
Hb 5:14
Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal.
1ª Tm 4:7
Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas caducas. Exercita-te, pessoalmente, na piedade.
Exercite-se na obediência à Palavra do Senhor. Exercite-se na oração. Exercite-se no amor. Exercite-se na adoração.




[1] Veja Rm 7:19 e segs.
[2] Jr 4:19
[3] Jo 10:10
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