Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

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domingo, 23 de agosto de 2026

Não dê vantagens a Satanás - 2ª Co 2.1-11

Pr. Plinio Fernandes

Mensagem de Domingo, 23 de agosto de 2026, na 3ª Igreja Presbiteriana Conservadora de Guarulhos

Amados irmãos, vamos ler 2ª aos Coríntios 2.1-11


Isto deliberei por mim mesmo: não voltar a encontrar-me convosco em tristeza. 2 Porque, se eu vos entristeço, quem me alegrará, senão aquele que está entristecido por mim mesmo? 3 E isto escrevi para que, quando for, não tenha tristeza da parte daqueles que deveriam alegrar-me, confiando em todos vós de que a minha alegria é também a vossa. 4 Porque, no meio de muitos sofrimentos e angústias de coração, vos escrevi, com muitas lágrimas, não para que ficásseis entristecidos, mas para que conhecêsseis o amor que vos consagro em grande medida. 5 Ora, se alguém causou tristeza, não o fez apenas a mim, mas, para que eu não seja demasiadamente áspero, digo que em parte a todos vós; 6 basta-lhe a punição pela maioria. 7 De modo que deveis, pelo contrário, perdoar-lhe e confortá-lo, para que não seja o mesmo consumido por excessiva tristeza. 8 Pelo que vos rogo que confirmeis para com ele o vosso amor. 9 E foi por isso também que vos escrevi, para ter prova de que, em tudo, sois obedientes. 10 A quem perdoais alguma coisa, também eu perdoo; porque, de fato, o que tenho perdoado (se alguma coisa tenho perdoado), por causa de vós o fiz na presença de Cristo; 11 para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios.

    Intr.

    Na Bíblia nós temos duas cartas que o apóstolo Paulo escreveu à igreja de Corinto.

    A primeira ele escreveu enquanto estava na cidade de Éfeso, e ali recebeu uma visita de crentes coríntios, que relataram alguns problemas da igreja, e levaram uma carta em que a igreja pedia orientações para a vida em geral.

    A segunda, essa que estamos estudando.

    Mas na verdade, ele escreveu pelo menos mais uma, e talvez duas, que não foram preservadas.

   Nós não conhecemos todos os detalhes que gostaríamos, mas por essas duas que temos, entendemos que, depois de ter escrito a primeira, Paulo os visitou, conforme havia dito em 1ª Co 16.57, na esperança de que a igreja o ajudasse a prosseguir em suas viagens.

   E foi nessa ocasião que algo muito triste aconteceu. Uma pessoa da igreja publicamente ofendeu o apóstolo Paulo.

   Uma coisa, é claro, que ele não esperava; e ficou sem reação. Mas desejou que a igreja, que o conhecia bem, o defendesse, e corrigisse o ofensor; mas ninguém reagiu.

   Então Paulo, ao partir dali, para continuar suas viagens, mas com um grande peso no coração, disse que voltaria noutra ocasião.

  Algum tempo depois, refletindo sobre o assunto, e ainda tomado pela tristeza, em vez de ir pessoalmente, achou melhor escrever uma carta.

  Essa, que não foi preservada, é mencionada aqui nos vs. 1-4, e que alguns estudiosos chamam de “carta severa”, e outros, “carta lacrimosa”.

  Severa porque nela Paulo usou palavras fortes de repreensão à igreja, e lacrimosa porque ele escreveu aos prantos.

  Então Tito, um dos colaboradores de Paulo, levou a carta aos coríntios, e depois disso se encontraria com Paulo na cidade Trôade, para dar notícias sobre a reação da igreja.

 Mas quando chegou a Trôade e Tito não estava lá, Paulo ficou mais triste ainda, e partiu para a Macedônia, onde havia a igreja de Filipos e outras.

 O que ele não sabia àquela altura é que sua carta severa havia produzido bons frutos: a igreja se arrependeu de sua inércia, repreendeu o ofensor, que se disse arrependido também, e contaram a Tito como tinham saudades do apóstolo.

  Quando finalmente se encontrou com Tito, Paulo ficou transbordante de alegria.

  Por isso torna a escrever, agora pedindo que o seu ofensor fosse restaurado; que fosse perdoado e confortado, senão, Satanás alcançaria vantagem sobre todos.

  Prop.

v. 11 - para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios.

  Com base nos acontecimentos aqui, eu quero meditar com vocês sobre três comportamentos, ou atitudes do crente, das quais devemos fugir, pois têm o potencial de dar vantagens a Satanás.

  Divs

  1. Primeira atitude: a de ofensor

  Por um lado Satanás alcança vantagem porque usa o ofensor; por outro, porque fere o ofendido.

  E com ofensa eu quero dizer um ataque a outra pessoa, ao seu caráter; um ultraje; um desrespeito.

 O que teria acontecido especificamente é motivo de várias teorias, pois Paulo evita descrever diretamente o caso.

  Mas espalhadas pela carta, ele alude a diversas insinuações que eram feitas, e situações ocorridas, que teriam potencial para feri-lo.

 Por exemplo, como já vimos anteriormente, alguns desprezavam a sua autoridade, dizendo que as cartas eram enérgicas, mas pessoalmente, seu ministério era fraco, insignificante.

 Também havia afirmações de que Paulo era um pequeno tirano, um ditador que gostava de dominar a vida de fé dos irmãos; que nutria disposições carnais em seu coração.

 Havia insinuações (talvez porque Paulo expressou desejo de ser enviado pelos Coríntios em suas viagens missionárias), de que ele era um ganancioso, mercadejador da fé – por isso nos capítulos 8 e 9, ao falar sobre ofertas para as igrejas pobres, ele enfatiza que não receberia nada pessoalmente deles, mas encarregaria outros irmãos para isso.

 Havia até quem dissesse que Paulo não tinha cartas de recomendação de Jerusalém.

 Mas há uma hipótese bem antiga, dos primeiros séculos,1 que me parece bastante plausível.

 É que em 1ª aos Coríntios 5, Paulo precisou tratar de um assunto delicado.

 Houve um homem na igreja, que estava praticando imoralidade sexual. Era tão atrevido que tinha relações com a esposa do seu próprio pai.

 E a igreja não tomou atitude alguma.

 Quando ficou sabendo, Paulo os repreendeu fortemente, para que excluíssem aquele homem da igreja, que o entregassem a Satanás, a fim de que, sendo castigado em sua carne, se arrependesse e seu espírito fosse salvo.

 Depois, quando Paulo foi novamente a Corinto, esperando que a igreja tivesse obedecido, o que encontrou foi desobediência, a ponto de alguém desrespeitá-lo publicamente; talvez o próprio imoral.

 Seja isso o que aconteceu ou não, o que é claro é que alguém na igreja insultou Paulo, e ficou por isso mesmo.

 O escritor John Bevere, com muita razão, diz que “a ofensa é isca de Satanás”,2 um instrumento através do qual o diabo fere e desperta dores no ofendido, provoca amarguras em seu coração.

 Por outro lado, o ofensor provoca tristezas, divisões e escândalos na igreja.

 A prática da ofensa é fruto de orgulho, sentimento de superioridade, rebeldia contra a Palavra de Deus. O ofensor não se acha em pecado; ao contrário, ele se acha cheio de razão.

 E Satanás alcança vantagem.

  2. Segunda atitude: a falta de correção

  Por que Paulo esperava que a igreja o tivesse defendido, e repreendido ao seu ofensor?

  Não foi ele que escreveu: – “Se tendes alguma queixa contra outrem, perdoai, como Deus em Cristo vos perdoou” 3 ?

  Não foi ele que escreveu: – “Abençoai os que vos maldizem, orai pelos perseguem... vencei o mal com o bem...?” 4

  Então, por que aqui exigiu que o ofensor fosse punido?

  A resposta é: “para o bem de todos”.

  Mais tarde, no cap. 7, Paulo enfatizará que sua maior motivação foi dar oportunidade à igreja para fazer o que é certo. Mas isso não quer dizer que fosse a única razão.

  Primeiro, ele deixa claríssimo, havia sido machucado, e isso por pessoas que deveriam alegrá-lo. Pessoas a quem amava muito.

vs. 4, 5 – Porque, no meio de muitos sofrimentos e angústias de coração, vos escrevi, com muitas lágrimas, não para que ficásseis entristecidos, mas para que conhecêsseis o amor que vos consagro em grande medida. 5 Ora, se alguém causou tristeza, não o fez apenas a mim, mas, para que eu não seja demasiadamente áspero, digo que em parte a todos vós.

  Há duas expressões que revelam muito do sentimento que Paulo nutria.

  Uma delas é que, sentia, o ofensor não tinha entristecido somente a ele, mas, em parte, à igreja também.

  Isto é, Paulo se sentia parte da igreja, como membro de um corpo. E como ele já havia ensinado antes, “se um membro sofre, todos sofrem com ele”.

  A outra expressão é “escrevi com muitas lágrimas, não com o propósito de deixar vocês tristes, mas para que vocês conheçam o amor sem medida que tenho por vocês”.

  No capítulo 6 ele não mede palavras para expressar seu amor.

2ª Co 6.11-13 – Para vós outros, ó coríntios, abrem-se os nossos lábios, e alarga-se o nosso coração. 12 Não tendes limites em nós; mas estais limitados em vossos próprios afetos. 13 Ora, como justa retribuição (falo-vos como a filhos), dilatai-vos também vós.

  Não me parece a “chorosidade de um coração ensimesmado”, mas de um homem pleno da graça de Deus, que se entregava pela igreja.

  Paulo era humano, emotivo, coração cheio de amor, disposto a perdoar, mas também entendia a dignidade humana; que ofender a outro ser humano é pecado.

    Paulo entendia a necessidade de arrependimento do ofensor, e a responsabilidade da igreja.

  Além disso, se a integridade pessoal de Paulo estava sendo destruída, não era um pecado sem importância; ao contrário, de extrema relevância.

    A segunda razão é que o ofensor tinha a necessidade espiritual de ser corrigido.

    Jesus veio para chamar pecadores ao arrependimento.

    Ele colocou o arrependimento como condição para o perdão.

    Tanto em nosso relacionamento com Deus, como em nossos relacionamentos uns com os outros.

    E também disse que, quando um irmão ofende outro, deve haver amorosa confrontação.

    Um assunto tão relevante ponto de, se alguém não se arrepender, deve ser excluído da comunhão.

    Amar significa perdoar, mas também corrigir.

    Porque a correção é um instrumento de libertação.

2ª Tm 2.24-26 - Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e sim deve ser brando para com todos, apto para instruir, paciente, 25 disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade, 26 mas também o retorno à sensatez, livrando-se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua vontade.

  Irmãos, orar é necessário em todas as ocasiões; mas às vezes, para que alguém seja liberto dos laços do diabo, a solução não é “oração de libertação”; não é "vigília no monte". E também não é "água benta nem óleo ungido"; é disciplina; com mansidão, com paciência, com instrução, mas disciplina, visando arrependimento. Arrependimento liberta.

 Há pessoas que simplesmente não crescem espiritualmente, porque não são disciplinadas, ou não aprendem com a disciplina. São eternos ofensores, escravos de si mesmos e de Satanás.

  Se não houver arrependimento, quem leva vantagem é o diabo.

  E em terceiro, a igreja precisa corrigir os ofensores, para o seu próprio bem.

 Por mais que tenhamos boa vontade, se for uma boa vontade que desobedece a Deus, quem leva vantagem é o diabo.

  Mas vamos ao terceiro ponto. O diabo também leva vantagem quando há...

  3. Correção em excesso

vs. 6, 7 – ...basta-lhe a punição pela maioria. 7 De modo que deveis, pelo contrário, perdoar-lhe e confortá-lo, para que não seja o mesmo consumido por excessiva tristeza. 8 Pelo que vos rogo que confirmeis para com ele o vosso amor.

  Muitas vezes, a tristeza é uma necessidade espiritual. Ela faz parte do nosso processo de santificação.

  Choramos quando percebemos a praga do pecado que ainda habita em nós.5

  Choramos quando vemos o pecado na igreja.6

  Quando vemos os males do mundo. Jesus chorou, ao ver os males do mundo.7

  Choramos quando disciplinados por Deus.8

  No cap. 7, encerrando o assunto, Paulo diz que foi bom todos terem se entristecido com tudo o que aconteceu.

2ª Co 7.8-10 – Porquanto, ainda que vos tenha contristado com a carta, não me arrependo; embora já me tenha arrependido (vejo que aquela carta vos contristou por breve tempo), 9 agora, me alegro não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para arrependimento; pois fostes contristados segundo Deus, para que, de nossa parte, nenhum dano sofrêsseis. 10 Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte.

  Por essas coisas sabemos: em certas ocasiões, uma dose de tristeza é necessária para a nossa saúde espiritual.

  Mas ainda assim, quando é excessiva, faz mal, torna-se destrutiva. Como um remédio, que deve ser tomado nas horas certas, na dose certa, durante certo tempo; mas se houver superdosagem, fará mal à saúde.

  Então, primeiro a correção, na esperança de que haja arrependimento.

  Mas depois do arrependimento, o conforto, o amor, o perdão, de todos os ofendidos.

  Para que Satanás não leve vantagem.

 Vejam que, em momento algum, Paulo diz que as coisas que tinham acontecido foram causadas diretamente por Satanás.

 Ele vê tudo como comportamentos humanos que tinham que ser corrigidos por comportamentos humanos.

  Mas, ao mesmo tempo, entendia que o verdadeiro mundo em que habitamos não é constituído apenas de interesses humanos.

  Que a nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra os principados e potestades.9

  E os principados e potestades, que estão observando a igreja, devem pelo testemunho dela conhecer a sabedoria de Deus.10

  Não somente pela correção, mas também pelo perdão, pelo amor, pela consolação.

  Se não houver perdão, consolação para os arrependidos, quem leva vantagem sobre todos é o diabo.

  Se houver persistência de amarguras, ou excesso de disciplina, quem leva vantagem sobre os ofendidos é Satanás.

  Conclusão

  Vamos resumir o que destacamos.

  Satanás, o inimigo das nossas almas, alcança vantagem sobre nós:

  Quando cometemos ofensas contra os nossos irmãos.

  Quando nos sentimos ofendidos.

  Quando os ofensores não são corrigidos.

  Quando os arrependidos não são perdoados.

  Quando, ao invés de entender que a luta do crente é contra os principados e potestades, os crentes ficam lutando uns contra os outros, com divisões, orgulhos e ofensas.

  Em outras palavras, Satanás atira para todos os lados, e qualquer que seja o estrago, agrada a ele.

  Aplicações

  Não dê vantagem ao diabo

  1. Não ofenda seus irmãos; mas se tiver acontecido, em nome de Jesus, pela graça de Jesus que há em você, procure-o, converse com ele, reconcilie-se com ele.

  Mas, e se a sua intenção não foi ofender? Da mesma forma, procure.

  Um pastor que conheci, me contou de uma família que se sentiu ofendida por ele. Aquelas pessoas sentiam que o pastor as desprezava. Mas ele não entendia da mesma maneira.

  Então, depois de ouvir tudo o que tinham a dizer, ele respondeu:

  – Irmãos, eu realmente não consigo enxergar as coisas assim; nada fiz para desprezá-los. Mas eu quero pedir uma coisa: os irmãos podem me perdoar?

  E houve lágrimas, e perdão, e se tornaram grandes amigos.

  2. Se você não for o ofensor, mas o ofendido, não o condene em seu coração.

  Não crie raízes amargas em seu coração; ela não somente perturbaria você, mas se espalharia para o coração de outros.

  Procure o irmão que o entristeceu, ou despertou sua ira. Converse de irmão para irmão.

  Se não conseguir que o outro se arrependa, então você tem dois caminhos possíveis:

  Primeiro, não leve mais em consideração, supere, dê tempo ao seu irmão, para que ele seja trabalhado pelo Senhor.

  Mas segundo, se não estiver conseguindo, se a ferida for grande, peça ajuda de alguém.

  Alguém que seja compreensivo, discreto, que tenha domínio de si, para ajudá-los a conversar.

  Não foi isso que Paulo pediu ao seu cooperador em Filipos, para que ajudasse Evódia e Síntique a se reconciliarem?

  Pessoas santas, amorosas e compreensivas podem ajudar muito.

  3. Se necessário, submeta-se à correção pastoral, e à correção da igreja.

  Permita ser confrontado.

  Não seja um lobo disfarçado de ovelha. Uma das coisas mais tristes que vejo é quando pessoas, ao invés de reconhecer seus erros, ficam colocando a culpa em outros.

  Submeta-se à disciplina

  Não caia na armadilha de pensar que ninguém tem nada a ver com tua vida. Não seja orgulhoso. Não seja rebelde. Não provoque divisões.

  4. Perdoe os arrependidos

  Não guarde rancor. Não se afaste. Abra o seu coração ao Espírito Santo.

  Eu sei que isso, o abrir o coração, muitas vezes dói – veja as dores de Paulo. Mas não deixe que os pecados de outros façam o seu amor esfriar. Você foi chamado para amar com um amor semelhante a Jesus.


__________________________________

1 Conf. Hubbard, Moyer V., Comentário expositivo em 2ª aos Coríntios (São Paulo: Vida Nova, 2021), pág. 33; Kruse, Colin, II Coríntios, Introdução e Comentário (São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1994), págs. 46-50; Keener, S. Craig, Comentário Hisórico-Cultural da Bíblia – Novo Testamento (São Paulo: Vida Nova, 2017), pág. 598.

2 Bevere, John, A isca de Satanás (Rio de Janeiro: Luz para as nações, 2019).

3 Cl 3.13

4 Rm 12.14, 21

5 Tg 4.9

6 Sl 119.136

7 Lc 19.41

8 Hb 12.11

9 Ef 6.11, 12

10 Ef 3.10


segunda-feira, 13 de abril de 2015

A armadura que Deus nos dá - Ef 6:10-20

IPC em Pda. de Taipas
Domingo, 12 de abril de 2015
Pr. Plínio Fernandes
Queridos irmãos, vamos ler na carta de Paulo aos Efésios, cap. 6:10-20
Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. 11 Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; 12 porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. 13 Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis. 14 Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. 15 Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; 16 embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno. 17 Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; 18 com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos 19 e também por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra, para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho, 20 pelo qual sou embaixador em cadeias, para que, em Cristo, eu seja ousado para falar, como me cumpre fazê-lo.
Quando o apóstolo Paulo escreveu esta carta, conforme lembra-nos o v. 20, ele estava preso por causa de seu amor ao evangelho de Jesus.
Neste mesmo período de prisão, que foi em Roma, ele também escreveu as cartas aos Filipenses, aos Colossenses e a Filemon, um crente que morava em Colossos.
Em Roma lhe foi permitido permanecer numa prisão domiciliar; uma casa que ele mesmo alugara, onde podia receber visitas, pregar o evangelho, tendo soldados romanos que se revezavam no guardá-lo.
Interessante que em Filipenses, escrita pouco tempo antes de ser liberto, ele diz que graças à sua prisão o evangelho se tornou conhecido de toda a guarda pretoriana, e entre os que mandam saudações aos irmãos no fim da carta, ele cita “os santos da casa de César”; muito provavelmente se trata de guardas romanos que foram convertidos através do testemunho de Paulo na prisão.
Em Roma ficava a elite do exército romano. E Paulo, além de nutrir amizades, conversar e evangelizar, deve ter tido muito tempo para observar os soldados que o guardavam.
Ele observou, por exemplo, que em volta da cintura cada soldado tinha um cinto, de quinze a vinte centímetros de largura, e no qual estavam fixados a couraça, a bainha para a espada bem como a própria roupa do soldado. Se o cinto não estivesse devidamente ajustado, o soldado ficaria sem proteção, sem equilíbrio e sem liberdade de movimentos para lutar.
Também observou uma couraça que protegia o peito e as costas do soldado, inclusive o coração. E o escudo, que o protegia contra as armas do inimigo.
Nos pés havia sandálias com cravos que o faziam firmemente preso ao chão e lhe davam estabilidade nos momentos de batalha.
Na cabeça, um capacete de proteção.
E Paulo gostava de fazer como seu Mestre Jesus, que tirava da vida cotidiana ilustrações para nossa vida espiritual; então ele pensou: “assim como um soldado, nós filhos de Deus, somos parte de um grande exército”.
- “Só que os nossos inimigos não são seres humanos, gente feita de sangue e carne; a nossa luta é contra as forças espirituais do mal”.
- “Por isto, assim como um soldado, cada um de nós precisa se revestir de sua armadura, a fim de resistir às investidas dos nossos inimigos, e depois de vencermos tudo, permanecermos inabaláveis”.
E agora, ao chegar à parte final desta preciosa carta ele inicia no v. 10 dizendo: “No demais, irmãos meus... revesti-vos de toda a armadura de Deus...”
Este “no demais”, ou, finalmente, é o elo entre o que Paulo vai dizer agora e tudo quando já havia dito antes.
De modo que, se voltarmos algumas páginas em nossas Bíblias veremos que nos cap. 1 a 3 desta carta o apóstolo descreve o infinitamente sábio e amoroso propósito de Deus para nós, os que somos seus filhos através da fé em Jesus Cristo.
Ele descreve como, desde antes da criação do universo, Deus nos amou, nos escolheu e nos predestinou para ser seus filhos por meio de Jesus.
Depois como, no devido tempo, para o cumprimento do seu plano, o Pai eterno enviou seu Filho eterno ao mundo, como um ser humano que encarnou e viveu entre nós, e que por seu sangue nos redimiu dos nossos pecados, pois ali na cruz ele sofreu o castigo que era nosso e nos reconciliou com Deus.
Em seguida como, no tempo de cada um de nós, por causa daquilo que Jesus fez para a nossa salvação, ele nos deu vida espiritual, concedendo-nos fé, arrependimento, libertação do poder de Satanás, capacidade para uma vida nova, e nos fez filhos seus, membros de uma grande família espiritual, constituída de todos os crentes, no céu e na terra.
Resumindo, os caps. 1 a 3 nos ensinam que, graças a Jesus, Deus é nosso Pai e nós somos sua família, em comunhão como ele e uns com os outros.
Por isto que no cap. 1:3 Paulo inicia o seu ensino louvando a Deus e dizendo:
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda a sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo.
E depois de descrever tudo quanto Deus tem feito por nós, ele inicia o cap. 4 dizendo como deve ser a nossa vida, agora que somos assim tão abençoados.
Ef 4:1
Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados.
E do v. 2 em diante, até o cap. 6:9, ele explica o que significa andar deste modo digno: em nossos relacionamentos uns com os outros, como família de Deus (com humildade, amor, graciosidade, santidade); depois, nos relacionamentos familiares (maridos e esposas, pais e filhos); em seguida, no “mundo lá fora” (patrões e empregados), etc.
E irmãos, a vida que Paulo descreve é simplesmente maravilhosa; uma vida que é “o céu na terra”, de harmonia nos relacionamentos, de alegria no Espírito Santo, de santidade e felicidade, de bom testemunho diante do mundo.
Deus é nosso Pai, nós somos sua família, e desde agora podemos antegozar as delícias do céu.
E depois de todas estas coisas, Paulo parte para sua conclusão dizendo: “prá terminar irmãos, eu preciso dizer mais uma coisa: é que, ainda que esta vida preparada por Deus seja maravilhosa, nós precisamos permanecer nela com firmeza”.
- “Pois existe alguém que quer nos roubar de tudo isto, e este alguém é Satanás...”
Irmãos, é como no Jardim do Éden, que Deus preparou tudo para nossos primeiros pais, e Satanás foi ali para roubar.
Então Paulo diz: “soldados de Cristo, nós temos inimigos espirituais que querem roubar tudo o que Deus tem nos dado; querem nos roubar tudo o que somos em Cristo, então revistam-se da armadura de Deus”.
Tendo estas coisas em mente, meus irmãos, eu desejo meditar com vocês sobre esta armadura de Deus, da qual nós devemos nos revestir para resistir a Satanás.
Há três considerações que desejo fazer
1. Quando é que devemos nos vestir desta armadura
v. 13
Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis.
Há um sentido, irmãos, em que nenhum dia é mau em nossas vidas.
Porque cada dia da nossa vida é o Senhor quem prepara, é o Senhor quem conduz, é o Senhor quem trabalha em todas as coisas que acontecem, com sabedoria e amor, e para o nosso bem.
Mas a Bíblia também nos ensina que, ao mesmo tempo, existe alguém que deseja estragar tudo de bom que Deus tem preparado para nós.
Alguém que se utiliza de nossas fraquezas humanas, das fraquezas de outras pessoas, das circunstâncias, enfim, que lança mão de todas as coisas, distorcendo a vida diante dos nossos olhos, buscando roubar, matar e destruir, buscando tirar de nós tudo o que somos e o que temos pela graça de Deus.
Uma das formas que Satanás tenta nos atingir é através das tentações ao pecado.
Numa definição bem simples, pecado significa desviar-se da vontade de Deus para nós, e o pecado pode se manifestar em nossos pensamentos, em nossos sentimentos, em nossas atitudes, em nossas palavras, ou em nosso comportamento.
Então, por exemplo, olhe para os três primeiros capítulos desta carta e leia sobre tudo o que Deus nos tem dado; depois, do cap. 4 em diante, sobre a maneira que ele deseja que vivamos.
Satanás nos tenta a duvidar do que o Senhor tem feito por nós; ele questiona o amor que Deus tem por nós, e nos tenta a desobedecer ao que a Bíblia diz, interpondo racionalizações que nos levem a quebrar os mandamentos de Deus.
O Espírito Santo diz: “Honra teu pai e tua mãe, para que te vá bem...”.
Mas Satanás diz: “É que ele não sabe o pai ruim que você tem”.
O Espírito Santo diz: “Pais, não provoqueis vossos filhos à ira, para que não fiquem desanimados”.
Satanás diz: “Você tem autoridade. Você tem que mostrar quem é que manda”.
E assim ele provoca confusão entre pais e filhos, e pecado contra Deus, e rouba as alegrias dos relacionamentos familiares.
Cada doutrina da Bíblia, Satanás quer que não creiamos, cada mandamento, ele quer que desobedeçamos, pois a desobediência ao Espírito Santo é pecado, e tira de nós a alegria da comunhão com Deus e uns com os outros.
Existem muitas outras formas de Satanás nos atacar: ele é acusador por natureza, e se deleita em lançar em rosto os nossos pecados. Ele é mentiroso, e se deleita em nos conduzir por falsas doutrinas. Ele se deleita em distorcer nossas palavras, destruir relacionamentos, em nos levar à amargura, à ira, e tudo o mais que se opõe ao amor do Espírito.
E para que possamos resistir aos ataques de Satanás contra nós, quando é que devemos estar revestidos da nossa armadura?
Aqui no v. 13 Paulo diz que devemos resistir no dia mau. Isto é, existem dias que são especialmente difíceis, em que as dificuldades são agravadas, em que nos sentimos cansados, frágeis e inseguros.
Mas agora, por favor, volte os seus olhos para o cap. 5:16
Remindo o tempo, porque os dias são maus...
Em certo sentido, alguns dias são especialmente maus, nos quais estamos sendo tentados mais do que de costume. Por outro lado, as forças espirituais do mal nos tentam todos os dias.
Então, é a cada dia de nossa vida que devemos nos vestir de nossa armadura espiritual.
Então consideremos...
2. Como é que nós a vestimos
Nós percebemos como vestimos cada uma das partes de nossa armadura à medida em que compreendemos o significado delas.
Nos vs. 14 a 17, o Espírito Santo nos ensina que o nosso cinto, ao qual devem estar ligadas todas as demais peças, é a verdade.
Diz que a couraça que nos protegerá o coração, é a justiça.
Que nossos calçados, que manterão nossos pés firmes quando Satanás investir contra nós é o evangelho da paz.
Que o nosso escudo é a fé. Que o capacete a proteger nossa mente é a salvação, isto é, a certeza da nossa salvação.
Por fim, a espada que devemos ter é a Palavra de Deus, a Espada do Espírito porque ele é o seu inspirador.
A verdade, a justiça, a paz que vem do evangelho, a fé, a salvação.
Agora, eu desejo relacionar, ainda que de maneira rápida, algumas referências que apontam para cada uma destas virtudes espirituais.
A verdade – Jo 17:17
Santifica-os na verdade. A tua Palavra é a verdade.
Aqui o Senhor Jesus está se referindo à Palavra de Deus escrita, que temos na Bíblia, pois segundo Jesus, a Bíblia é a Palavra de Deus[1].
Assim, ser cingido com a verdade significa conhecer as Escrituras sagradas e viver de acordo com elas.
Mas precisamos conhecer as Escrituras de modo íntimo, digamos assim, pessoal, quero dizer, precisamos, por meio das Escrituras, nos relacionar com Jesus.
Jo 14:6
Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim.
O que desejo dizer é que Jesus e a Bíblia são inseparáveis. Jesus é a Palavra de Deus que se fez carne, e a Bíblia é a Palavra de Deus escrita.
Devemos ler a Bíblia, conhecê-la, meditar nela, obedecê-la, e por meio dela buscar a Jesus. Por outro lado, buscar a Jesus, mas nunca aparte do que a Bíblia nos ensina.
Agora vejamos a justiça – 1ª Co 1:30
Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção.
Assim aprendemos: nossa verdade, ou melhor, a verdade, está em Jesus, neste Jesus que nos é revelado nas Escrituras.
Assim como Jesus é a verdade por meio de quem conhecemos e nos achegamos ao Pai, ele também é a nossa justiça.
Não nos aproximamos de Deus confiados em nossa justiça própria, pois somos pecadores, mas através de Jesus, como aquele que, na cruz, morreu pelos nossos pecados e assim satisfez a justiça de Deus em nosso lugar. Jesus é a nossa justiça.
O nosso escudo é a fé que colocamos em Deus, em sua Palavra, em Jesus.
É por meio da fé que nos tornamos agradáveis a Deus, uma vez que por nossas próprias obras não o podemos fazer.
Agora, de onde procede a nossa fé?
Hb 12:2
Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus.
Jesus é a fonte da nossa fé.
Agora consideremos o evangelho, ou boa notícia de paz na qual firmamos os nossos pés.
Ef 2:14 e 17
17 E, vindo, evangelizou paz a vós outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto.
14 Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade...
O capacete da salvação – At 4:11, 12
Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular. 12 E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.
A espada do Espírito é a Palavra de Deus.
Agora leiamos também Rm 10:17 para ver como ela é chamada ali.
E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.
Você percebe, não é?
Jesus é a nossa verdade; Jesus é a nossa justiça, a nossa salvação, o autor da nossa fé; Jesus é a nossa paz; a Palavra de Cristo é a nossa espada.
A nossa armadura é Jesus. E Jesus, a Palavra encarnada de Deus, e a Bíblia, Palavra escrita de Deus são inseparáveis.
Então, o que significa revestir-se da armadura que nos é dada por Deus? Significa revestir-se da presença de Jesus em nossa mente, em nosso coração, em todo o nosso ser, por meio da meditação na Palavra de Deus e da oração.
Pois no v. 18 ele acrescenta: revesti-vos...
Com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos 19 e também por mim
Assim como um soldado não pode perder o contato com seu comandante, nós não podemos perder o nosso contato com o nosso comandante.
Orem o tempo todo, ele diz, na presença, na plenitude e poder do Espírito Santo com o qual vocês foram batizados quando creram em Cristo.
Orem uns pelos outros. Orem o tempo todo. Orem com perseverança, e deste modo estarão revestidos da presença e do poder de Jesus, a nossa armadura.
3. Por fim, desejo mencionar o resultado
v. 13
Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis...
Você resistirá no dia mal.
Satanás investe contra você, com suas tentações para que você seja orgulhoso, para que você guarde rancor, para que você pense, diga, ou faça coisas que lhe roubem a paz.
Mas a verdade de Deus está em você, e você se lembra que Deus é fiel, e não permite que venha qualquer tentação que você não possa suportar, por que juntamente com a tentação ele te provê livramento e as forças necessárias.
Satanás lhe diz que você não tem capacidade para enfrentar certas circunstâncias, mas a verdade está em você, e você se lembra de que pode todas as coisas naquele que te fortalece.
Satanás investe contra você com suas acusações, mas você está protegido pelo capacete da salvação, e sabe que se Jesus está intercedendo por você, se Deus é por você, então ninguém intentará acusação contra você, pois Deus te justifica.
Você sabe que é filho de Deus pela fé em Jesus, e que nada, nem ninguém, separará você do amor de Deus; sabe que todo aquele que vem a Cristo de modo algum será lançado fora.
Satanás vem para tirar a tua paz; ele lança em rosto os teus pecados, as tuas tentações, as tuas fraquezas; mas quando ele lança contra você os seus dardos malignos, e você está revestido da tua armadura, os dardos “batem em Jesus” e caem, porque Jesus é mais forte, maior defesa do que toda seta lançada contra você.
Então, você vence tudo, e permanece inabalável.
Conclusão e aplicação
Eu estou pensando num pequeno adolescente israelita chamado Davi. Um dia ele teve que enfrentar um gigante; um homem de aproximadamente 2,80 m de altura, que desafiava o exército de Israel.
Davi não era um soldado, era um pastor de ovelhas, mas foi em luta contra o gigante. Sem armadura, mas dizendo: eu vou contra este gigante em nome do Senhor. O nome do Senhor era a sua armadura.
Ele lutou, venceu, e permaneceu inabalável.
Amados, lembrando o que nos diz o Espírito Santo, os dias são maus.
E eu tenho visto como muitas vezes, de muitas maneiras, Satanás e seus anjos investem contra vocês e a mim.
Tenho visto Satanás insistir em tentá-los, entristecê-los, assediá-los, acusá-los.
E é claro, muito mais do que eu, você conhece os ataques de Satanás contra tua alma.
São dias de lutas contra as forças espirituais do mal.
Precisamos lutar para permanecer de modo digno da nossa vocação no Senhor: para sermos pais, cônjuges, filhos, irmãos e irmãs na fé, cidadãos do mundo, segundo o coração de Deus.
Mas estes dias também são bons: pois temos uma armadura que nos foi dada por Deus: uma armadura de fé, paz, justiça, salvação. Temos o Senhor Jesus.
Nele nós podemos confiar. Esta é uma armadura resistente a toda prova.
Revista-se a armadura de Deus, e resista nestes dias maus.






[1] Jo 10:34, 35

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Estamos em guerra - Êx 17:8-16

Acampamento Gerizim
Sábado, 29 de fevereiro de 2003
Pr. Plínio Fernandes
Queridos irmãos, vamos ler Êxodo 17:8-16
8 Então, veio Amaleque e pelejou contra Israel em Refidim. 9 Com isso, ordenou Moisés a Josué: Escolhe-nos homens, e sai, e peleja contra Amaleque; amanhã, estarei eu no cimo do outeiro, e o bordão de Deus estará na minha mão. 10 Fez Josué como Moisés lhe dissera e pelejou contra Amaleque; Moisés, porém, Arão e Hur subiram ao cimo do outeiro. 11 Quando Moisés levantava a mão, Israel prevalecia; quando, porém, ele abaixava a mão, prevalecia Amaleque. 12 Ora, as mãos de Moisés eram pesadas; por isso, tomaram uma pedra e a puseram por baixo dele, e ele nela se assentou; Arão e Hur sustentavam-lhe as mãos, um, de um lado, e o outro, do outro; assim lhe ficaram as mãos firmes até ao pôr-do-sol. 13 E Josué desbaratou a Amaleque e a seu povo a fio de espada.14 Então, disse o SENHOR a Moisés: Escreve isto para memória num livro e repete-o a Josué; porque eu hei de riscar totalmente a memória de Amaleque de debaixo do céu. 15 E Moisés edificou um altar e lhe chamou: O SENHOR É Minha Bandeira.16 E disse: Porquanto o SENHOR jurou, haverá guerra do SENHOR contra Amaleque de geração em geração.
O tema bíblico que estaremos abordando nestes dias é “A Igreja Militante”.
Nós costumamos usar esta expressão, às vezes para distinguir entre a igreja que está na terra, e a igreja que já está no céu, e às vezes para distinguir entre a igreja do agora da igreja do futuro, quando Jesus voltar.
A igreja que já está no céu, isto é, os crentes que, como diz o Apóstolo Paulo, combateram o bom combate e não estão mais em luta, nós chamamos “Igreja Triunfante”, pois já venceram suas batalhas. A igreja do futuro, quando Jesus voltar, também será a igreja triunfante pois de uma vez por todas os inimigos dela serão derrotados, e por toda a eternidade a luta terá cessado. Agora, a igreja que está aqui, enquanto Jesus não volta, está em guerra, por isto nós a chamamos “Igreja Militante”.
Eu escolhi este texto pois ele é uma preciosa ilustração deste conceito bíblico que estamos abordando.
Temos diante de nós o povo de Israel. Na expressão de Estevão, a “igreja no deserto” (At 7:38). Acabavam de sair do Egito, da escravidão sob o Faraó. Como mais tarde escreveu Paulo, todos tinham sido batizados em Moisés, na travessia do Mar Vermelho. Todos estavam comendo diariamente de um manjar espiritual, um pão que vinha do céu, e bebiam de uma pedra que os seguia, e esta pedra era Cristo (1ª Co 10:1-4). Acabavam de sair do Império das Trevas e apenas iniciavam sua marcha para a terra prometida.
Então vieram os amalequitas, uma tribo guerreira que habitava no deserto, e que atacou Israel sem que houvesse provocação. É que os amalequitas tinham uma índole destruidora. Moisés, o comandante de Israel, tomou a vara de Deus que estava em sua mão (uma vara de pastor de ovelhas, símbolo de sua autoridade e da presença de Deus) e disse seu servidor Josué: “Escolha homens para a batalha e lute contra Amaleque; eu estarei no monte, a vara de Deus estará em minha mão”.
Então Josué fez como Moisés lhe ordenara, enquanto “o pastor de Israel”, Arão e Hur subiram ao cume do outeiro. Moisés então levantava a mão, de maneira que enquanto ele fazia isto Israel prevalecia contra os amalequitas, mas quando Moisés se cansava e abaixava a mão, os amalequitas prevaleciam.  
Isto, naturalmente, tinha uma relevância espiritual muito forte. Algo divino estava acontecendo no levantar das mãos de Moisés. O levantar as mãos tem implicações fortíssimas: significa intercessão diante de Deus (Sl 88:9; 143:6).
E Moisés não estava sozinho. Arão e Hur tiveram discernimento para perceber o que precisava ser feito. Colocaram uma pedra na qual Moisés se assentou, e então um de cada lado ergueram as mãos de Moisés, e não deixaram de segurá-las até que Israel prevaleceu totalmente contra Amaleque.
Então o Senhor disse a Moisés que daquele dia em diante haveria guerra contra os Amalequitas de geração em geração até que eles fossem completamente exterminados (esse extermínio aconteceu nos dias de Davi). E Moisés edificou um altar ao Senhor, para agradecer-lhe a vitória daquele dia, chamando aquele altar de “O Senhor é a minha bandeira”.
Como eu já disse, este acontecimento é uma ilustração muito forte do tema que estamos abordando neste acampamento.
Partindo deste acontecimento nós vamos considerar que estamos em guerra:
1. Estamos em guerra
Pois como observamos nas palavras de Deus a Moisés, embora a batalha tivesse sido vencida, a guerra não acabou naquele dia (v. 14). E Moisés acrescentou (v. 16), que dali em diante haveria conflitos constantes.
E assim foi, de geração em geração – nós ainda vemos os amalequitas lutando contra os israelitas mais de trezentos anos depois, nos dias de Samuel, Saul e Davi. E não foram os únicos inimigos de Israel, porque depois vieram os filisteus, os cananeus, os amonitas, os moabitas e muitos outros. E mais tarde os sírios, os assírios, os babilônios, os persas, os gregos, os romanos. A história do povo de Deus é uma história de guerras.
Assim também é a história da igreja do Novo Testamento. Jesus Cristo, o general, o líder da igreja, ele mesmo foi o primeiro a ser atacado. Atacado pelo diabo, atacado pelas tentações, atacado pelos homens e finalmente colocado numa cruz, naquela tentativa inglória das forças espirituais do mal, de derrotar o Senhor e seu povo escolhido.
Ora, Jesus disse aos seus discípulos: “Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vocês; se odiaram a mim, também odiarão a vocês”.
E assim se cumpriu. Desde o começo a Igreja do Novo Testamento se viu cercada dos mesmos conflitos que cercaram o Senhor Jesus.
Vejamos alguns exemplos:
Hb 12:4 - Bíblia Viva:
“Afinal de contas, vocês ainda não lutaram contra o pecado a ponto de suarem grandes gotas de sangue”, numa alusão ao fato de que nossa luta contra o pecado é a mesma que a de Jesus”.
1ª Tm 1:18 - A exortação de Paulo a Timóteo
Este é o dever de que te encarrego, ó filho Timóteo, segundo as profecias de que antecipadamente foste objeto: combate, firmado nelas, o bom combate
Ef 6:12 - A nossa luta contra os principados e potestades
Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes.
Rm 16:20 - A promessa
E o Deus da paz, em breve, esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás.
Todas estas referências não são meras sugestões, mas declarações explícitas de que estamos envolvidos numa tremenda guerra, uma guerra constante, permanente, de geração em geração de crentes, contra o mundo, contra o pecado, contra o diabo e seus anjos.
Uma guerra que só termina, num certo sentido, quando cada um de nós alcança o lar celestial, e noutro sentido, só terminará quando Jesus voltar com sua igreja triunfante.
Agora, estamos dizendo que nós estamos em guerra. Nós quem?
2. Os combatentes desta guerra
2.1 - Nós, os crentes estamos em guerra
Com isto eu estou me referindo a cada um de nós como indivíduo. Cada um de nós é um soldado do exército de Deus. Na batalha contra os amalequitas nós podemos ver ilustrado o fato de que cada um de nós tem uma posição nesta guerra; uns estão na linha de frente; outros estão no comando, outros estão sustentando os que estão no comando, mas cada um tem um papel importante nesta guerra e nestas batalhas.
É por isto que o Novo Testamento é cheio de encorajamentos à batalha individual.
Exemplos:
Ef 6:13 - A armadura é individual
Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis.
1ª Tm 1:18 - Combate o bom combate
Este é o dever de que te encarrego, ó filho Timóteo, segundo as profecias de que antecipadamente foste objeto: combate, firmado nelas, o bom combate
2ª Tm 4:7 - Paulo mesmo combateu
Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.
2ª Tm 2:3,4 - Cada um de nós é um soldado de Cristo
Participa dos meus sofrimentos como bom soldado de Cristo Jesus. Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou.
2.2 - Nós, a igreja, estamos em guerra
O texto de Êxodo 17 nos diz que vieram os amalequitas e lutaram contra Israel, isto é, lutaram contra os filhos de Deus como um povo. É lógico que se alguém vai à guerra contra um povo deseja destruir os indivíduos deste povo, mas o objetivo maior é destruir a nação, ou grupo, como um todo. Assim também o propósito das forças espirituais do mal é destruir a igreja como um todo, e não apenas os crentes individualmente. Elas atacam o crente porque derrota para o crente é um meio de atingir a igreja.
Um conhecido texto que nos fala da igreja como um todo lutando contra as forças demoníacas é este que registra a promessa de Jesus - Mt 16:18: “... as portas do inferno não prevalecerão contra ela (a minha igreja)”.
Agora, assim como a igreja como um todo é constituída de indivíduos, a igreja como um todo, isto é o povo de Deus espalhado pelo mundo, também é constituída de igrejas menores, ou igrejas locais, para usar a expressão conforme o Novo Testamento.
Mas, quando se trata de uma denominação, ou de uma igreja local dentro de sua denominação, temos autorização bíblica para este tipo de coisa? A resposta é “sim”, com base nalguns fatos:
Primeiro: Jesus disse que estaria com a sua igreja até o fim dos séculos. Segundo: Jesus é o Senhor da história – as denominações eclesiásticas têm surgido, em sua maioria, como necessidades históricas.Terceiro: Embora estejamos todos unidos contra as forças espirituais do mal, Jesus não nos obriga a estarmos todos no mesmo grupo.
Lc 9:49, 50
Falou João e disse: Mestre, vimos certo homem que, em teu nome, expelia demônios e lho proibimos, porque não segue conosco. Mas Jesus lhe disse: Não proibais; pois quem não é contra vós outros é por vós.
Cada denominação está na luta contra Satanás. Cada igreja dentro de sua denominação.
2.3 - Mas há um terceiro combatente
Êx 17:14, 16
Então, disse o SENHOR a Moisés: Escreve isto para memória num livro e repete-o a Josué; porque eu hei de riscar totalmente a memória de Amaleque de debaixo do céu... E disse Moisés: Porquanto o SENHOR jurou, haverá guerra do SENHOR contra Amaleque de geração em geração.
Nós, individualmente, somos soldados. Coletivamente, a igreja é um exercito. E o nosso general é o Senhor. O Senhor é quem está à frente do combate.
Num certo sentido, nem precisamos lutar. Veja estes textos:
Êx 14:14
O SENHOR pelejará por vós, e vós vos calareis.
Êx 14:25
Então, disseram os egípcios: Fujamos da presença de Israel, porque o SENHOR peleja por eles contra os egípcios.
Êx 15:1-3
Então, entoou Moisés e os filhos de Israel este cântico ao SENHOR, e disseram: Cantarei ao SENHOR, porque triunfou gloriosamente; lançou no mar o cavalo e o seu cavaleiro. O SENHOR é a minha força e o meu cântico; ele me foi por salvação; este é o meu Deus; portanto, eu o louvarei; ele é o Deus de meu pai; por isso, o exaltarei. O SENHOR é homem de guerra; SENHOR é o seu nome.
Agora, ainda que noutro sentido a luta seja nossa, e seja intensa, até o inimigo sabe que já está derrotado.
Js 2:9-11
E Raabe lhes disse: Bem sei que o SENHOR vos deu esta terra, e que o pavor que infundis caiu sobre nós, e que todos os moradores da terra estão desmaiados. Porque temos ouvido que o SENHOR secou as águas do mar Vermelho diante de vós, quando saíeis do Egito; e também o que fizestes aos dois reis dos amorreus, Seom e Ogue, que estavam além do Jordão, os quais destruístes.Ouvindo isto, desmaiou-nos o coração, e em ninguém mais há ânimo algum, por causa da vossa presença; porque o SENHOR, vosso Deus, é Deus em cima nos céus e embaixo na terra.
Por último, vamos considerar: porque estamos lutando? Se estamos numa guerra, é porque temos algo a conquistar, ou algo a defender. Não podemos lutar sem causa.
3. As causas de nossa guerra
3.1 - Estamos lutando por nossa fé, em dois sentidos: por nossa fé individual e pela fé da igreja (doutrina)
Jd 3-4
Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação, os quais, desde muito, foram antecipadamente pronunciados para esta condenação, homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo.
3.2 - Pelas nossas almas, e pelas almas dos homens perdidos
Resumindo: Estamos em guerra pelo Reino de Deus, pela derrota do mal
Conclusão e Aplicação
Vale a pena lutar? 1ª Tm 6:12
“Combate o bom combate da fé. Toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado e de que fizeste a boa confissão perante muitas testemunhas”.

Avante!

domingo, 5 de maio de 2013

Convicções cristãs - Mt 12:38-45


Igreja Evangélica Presbiteriana
Domingo, 5 de maio de 2013
Pr. Plínio Fernandes
Amados, vamos ler Mateus 12:38-45
38 Então, alguns escribas e fariseus replicaram: Mestre, queremos ver de tua parte algum sinal. 39 Ele, porém, respondeu: Uma geração má e adúltera pede um sinal; mas nenhum sinal lhe será dado, senão o do profeta Jonas. 40 Porque assim como esteve Jonas três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra. 41 Ninivitas se levantarão, no Juízo, com esta geração e a condenarão; porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis aqui está quem é maior do que Jonas. 42 A rainha do Sul se levantará, no Juízo, com esta geração e a condenará; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis aqui está quem é maior do que Salomão. 43 Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos procurando repouso, porém não encontra. 44 Por isso, diz: Voltarei para minha casa donde saí. E, tendo voltado, a encontra vazia, varrida e ornamentada. 45 Então, vai e leva consigo outros sete espíritos, piores do que ele, e, entrando, habitam ali; e o último estado daquele homem torna-se pior do que o primeiro. Assim também acontecerá a esta geração perversa.
Queridos irmãos, a incredulidade e a hipocrisia são coisas espantosas! Desde o início de seu ministério, o Senhor Jesus havia não somente ensinado e pregado muitas vezes, mas também realizado muitos milagres, curando toda sorte de enfermidades, libertando oprimidos por demônios, transformado água em vinho, e até ressuscitando mortos. Mas ainda assim, como se tudo o que Jesus tinha realizado até aquele momento não fosse suficiente, alguns fariseus e escribas “pedem” a ele:
– “Mestre, queremos ver de tua parte algum sinal”.
Então o Senhor, com seu inigualável discernimento, coragem, franqueza e sabedoria, responde que não daria qualquer sinal para atender ao pedido daquela geração perversa.
Primeiro, porque seria dado um grande sinal, mas não de acordo com os caprichos daquelas pessoas. Seria dado um sinal estabelecido por Deus: assim como Jonas ficou três dias e três noites no ventre do grande peixe, Jesus estaria três dias e três noites no coração da terra.
Segundo, porque diante de tudo quanto eles já tinham ouvido, deveriam ter crido. Pessoas como os ninivitas e a rainha do Sul haviam crido através da pregação do profeta Jonas e da sabedoria do Rei Salomão, e Jesus era muito maior do que Jonas ou Salomão.
Terceiro, porque nunca, em toda a história de Israel, o reino de Deus se manifestara com tanta clareza: através de Jesus, “Satanás tinha sido amarrado” (v. 29), os demônios estavam sendo expulsos e o reino de Deus havia chegado (vs. 28). No entanto, em vez de dar lugar ao Espírito Santo que agia por intermédio de Jesus, aquela geração estava se fechando cada vez mais para ele. Então por causa disto os demônios veriam a casa, isto é, Israel, limpa e arrumada, e voltariam com muito mais força, com sete espíritos ainda piores.
Vale dizer, meus irmãos, que estas palavras de Jesus não significavam uma condenação irrevogável sobre Israel. Pois Jonas, quando foi pregar em Nínive, simplesmente percorria as ruas da cidade proclamando:
– “Mais quarenta dias e Nínive será subvertida”!
Então os ninivitas creram, arrependeram-se, buscaram a Deus, foram perdoados, e a cidade não foi destruída. História que todos os judeus bem conheciam. Mesmo quando as palavras do Senhor são “duras”, são as repreensões de quem ama e deseja uma reação de fé. Infelizmente aquela geração à qual Jesus se dirigiu não teve a mesma reação dos ninivitas, e o julgamento veio. E as palavras dele se cumpriram.
Mas “a boca fala do que o coração está cheio”. Jesus tinha certas convicções no coração, e falava “o que acreditava”. E acreditava, não com base em certas inclinações piedosas, próprias de certo tipo de pessoas. Acreditava com base no conhecimento pessoal que tinha de Deus, alicerçado em quem ele, Jesus, era: o Filho de Deus que se fez carne.
Em nossa meditação de hoje eu gostaria de destacar uma série de convicções, de certezas íntimas que vemos em Jesus. Convicções sobre as quais ele se baseou não só para a resposta que deu aos fariseus e escribas, mas também para tudo o que ele ensinava e fazia, que davam sentido a toda a sua vida, que faziam com ele tivesse um propósito, um rumo certo do qual ele jamais se desviou. Convicções que também devemos ter todos nós, os discípulos de Jesus, os que estamos seguindo e aprendendo com ele como deve ser o nosso modo de pensar, de falar, de viver.
1º. Jesus acreditava que a Bíblia diz a verdade
E quando uso esta palavra, “verdade”, não estou me referindo à maneira como muitos a empregam nos dias de hoje. Por exemplo, em janeiro deste ano, a revista Época publicou o texto de um professor universitário norte americano, segundo o qual
“os Evangelhos não são fonte confiável a respeito da história em si... Os relatos sobre a vida de Jesus no Novo Testamento nunca foram chamados de ‘histórias’, mas sim de ‘evangelhos’, o que quer dizer ‘proclamações de boas-novas’. Esses livros têm o objetivo de declarar verdades religiosas, não fatos históricos”.[1]
O que este homem está dizendo não é novidade. O mundo acadêmico é cheio de coisas assim e estende esta maneira de raciocinar à Bíblia toda.
Mas não podemos concordar com esta linha de pensamento porque ele próprio se contradiz: se os evangelhos são boas novas, isto é, boas notícias, tem necessariamente que ser reais, se não forem reais não são notícias.
Além disto os próprios evangelhos afirmam que tratam de fatos históricos reais. Por exemplo, logo no início de seu Evangelho, Lucas nos diz que escreveu tendo como propósito uma “narração coordenada de fatos que entre nós se realizaram e que foram transmitidos por testemunhas oculares” do que Jesus realizou.[2] Então não se pode dizer que a intenção dos evangelistas não era transmitir história real.
Quando digo que, segundo Jesus, a Bíblia diz a verdade, estou usando o sentido mais completo da palavra: não somente verdade religiosa, verdades espirituais que abraçamos pela fé, mas sobre verdades religiosas nas quais cremos, porque baseadas em fatos históricos, reais, verdadeiros.
É assim que Jesus tratava com todos os textos do Antigo Testamento que tradicionalmente chamamos “históricos”. Ele não pensava que as histórias bíblicas eram lendas, ou mitos, ou parábolas, mas fatos que realmente aconteceram. Ele falava de personagens como Moisés, Abraão, Adão e Eva, Salomão e Davi, de Jonas, como sendo gente de “carne e osso”, e não como meras personificações de relações ou princípios espirituais que encarnamos ou não.
De acordo com Jesus, os milagres do Antigo Testamento, como a cura miraculosa de Naamã, mergulhando no Rio Jordão, a multiplicação do azeite na panela de uma viúva,[3] a destruição de Sodoma pelo juízo de Deus,[4] eram fatos concretos. E por causa desta sua firme convicção sobre as Escrituras como dizendo não somente a verdade religiosa, mas também a realidade histórica, ele discernia os tempos em que vivia à luz do que a Bíblia diz, e tinha certeza de que, assim como Deus agira no passado, também agia nem seus dias.
Nós vemos dois exemplos disto em nosso texto: ele lembra seus ouvintes da história de Jonas, o profeta que Deus enviou a Nínive, e a Rainha de Sabá. A história da Rainha de Sabá está registrada em 1º Reis capítulo 10 e 2º Crônicas 9. Nestes lugares a Bíblia conta que em seu distante país, ao sul da Arábia, ela ouviu falar a respeito da sabedoria de Salomão, e foi a Jerusalém para ver por si mesma. Diante de tudo quanto viu e ouviu, esta Rainha louvou ao Senhor Deus por tudo quanto ele fizera em favor de Salomão.[5]
E a história de Jonas está registrada no livro que tem o nome deste profeta. O Senhor havia dado a Jonas uma ordem, no sentido de que ele deveria ir à grande cidade de Nínive, capital da Assíria, e ali proclamar a sua Palavra. Mas Jonas, motivado pelo ódio aos assírios, inimigos de Israel, não quis pregar naquele lugar, e fugiu para longe, como se fosse possível escapar da presença do Senhor. Sobreveio um grande temporal enquanto ele fugia de navio; Jonas foi jogado ao mar e engolido por um grande peixe. Ali no ventre do peixe ele caiu em si, arrependeu-se, buscou a Deus, e o Senhor fez com que o peixe jogasse Jonas de volta à terra. Assim arrependido ele foi a Nínive, e pregou a mensagem de Deus. Os ninivitas se converteram ao Senhor.
Sabem, meus irmãos, Jesus acreditava em tudo isto. Aliás, partindo do fato de que ele acreditava que tudo quanto a Bíblia diz é verdade, ele certamente acreditava também que Josué orou e o sol demorou quase um dia inteiro para se por,[6] ele acreditava que o profeta Eliseu jogou um pedaço de pau sobre as águas do rio, e o machado de ferro que havia caído ali flutuou,[7] ele acreditava que as águas do mar se abriram e os israelitas passaram pelo meio.[8] Jesus era convicto de que a Bíblia fala a verdade.
2º. Jesus acreditava que há um dia do juízo, e que ele é o nosso Salvador
2.1. O dia do juízo
Dezenas de vezes nos ensinos e pregações de Jesus ele se refere a um dia determinado por Deus em que a história, tal como a conhecemos, chegará a um fim, e o reino de Deus, que já teve seu início, se manifestará em toda a sua plenitude.
Para ele o reino de Deus não é a projeção de uma utopia que nunca se realizará, não é apenas um incentivo a que sejamos pessoas melhores. Haverá o dia do juízo final, e somente entrarão para o reino eterno aqueles que forem salvos.
Por isto ele prega a necessidade de conversão, de preparação de nossas vidas para este dia. Se não estivermos preparados para o dia do juízo, todas as alegrias que temos na vida presente, tudo o que fazemos agora, terá sido em vão.
E como é que podemos nos preparar? Entendendo que o próprio Jesus é quem nos dará a condição espiritual para estarmos ali, perante o trono de Deus.
2.2. Jesus é o nosso Salvador
Aqui, depois de falar sobre os ninivitas que se converteram a Deus com a pregação de Jonas, e da rainha do Sul, que louvou ao Senhor por causa de Salomão, Jesus afirma: “e aqui está quem é maior que Jonas, maior que Salomão”.
Porque Jesus é maior que Salomão, o rei mais sábio que Israel já teve? Porque Jesus é maior que o profeta Jonas, um homem cuja pregação levou uma cidade inteira à conversão? Eu quero responder me detendo exclusivamente no grande fato que ele cita neste trecho do Evangelho.
v. 40
Porque assim como esteve Jonas três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra.
No capítulo 9, onde estudamos sobre o jejum, vimos que Jesus, veladamente, aludiu à sua morte, dizendo que chegariam tempos em que seus discípulos já não o teriam com eles.[9] E aqui, também de forma velada, ele diz que seria colocado no coração da terra, assim como Jonas ficou no ventre do grande peixe durante três dias e três noites.
Agora vejamos Mateus 16:21
Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia.
Agora ele fala “com todas as letras”. Assim como depois de três dias e três noites no ventre do peixe Jonas “voltou ao mundo dos vivos”, o Senhor Jesus voltaria à vida no terceiro dia após a sua morte. E quando ele morreu, seus inimigos se lembraram do que ele havia dito.
Leiamos Mateus 27:62-64
62 No dia seguinte, que é o dia depois da preparação, reuniram-se os principais sacerdotes e os fariseus e, dirigindo-se a Pilatos, 63 disseram-lhe: Senhor, lembramo-nos de que aquele embusteiro, enquanto vivia, disse: Depois de três dias ressuscitarei. 64 Ordena, pois, que o sepulcro seja guardado com segurança até ao terceiro dia, para não suceder que, vindo os discípulos, o roubem e depois digam ao povo: Ressuscitou dos mortos; e será o último embuste pior que o primeiro.
Eu acho este texto muito engraçado. E triste. Engraçado porque a Bíblia então segue contando que foram colocados guardas para cuidar do túmulo, mas ao terceiro dia, Jesus não estava lá, e os guardas não tinham a mínima ideia do que havia acontecido. E triste, porque nem assim aquela geração má e adúltera se deixou convencer.
Mas veja: o ponto é que a morte e ressurreição de Jesus era algo que ele próprio tinha bem definido em sua mente, e que aos poucos foi contando aos seus discípulos. Porque Jesus morreu, para só depois voltar à vida e ao Pai celestial? Ele mesmo nos ensina.
Mateus 26:27, 28
27 A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos; 28 porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados.
Ele sabia que seria traído, julgado, condenado, zombado, açoitado, crucificado.  E diante disto o seu sofrimento não foi pequeno. Mas ele tinha convicções muito fortes acerca destas coisas todas, tão fortes que ele foi capaz de entregar-se até o fim:
Primeiro, ele estava convicto de que sua morte não seria em vão, pois estaria levando sobre si o castigo dos nossos pecados. Ou como diz o apóstolo João, não somente os nossos, mas os pecados do mundo inteiro.[10] Ele sabia que, na sua morte, a justiça de Deus estava sendo feita.[11]  Ele sabia que, por causa da sua morte, o Evangelho da salvação poderia ser pregado a todos, a fim de que todo aquele que crer não pereça, mas tenha a vida eterna.[12] A fim de que todo aquele que nele crê não entre em juízo, mas passe da morte para a vida.[13]
E segundo, ele estava convicto de que o Pai não o deixaria na morte, mas que depois de ter feito a purificação dos pecados, ele seria ressuscitado e levado de volta ao trono de Deus, à direita da majestade nas alturas.[14]
Já pensou se Jesus acreditasse em todas estas coisas, mas não fosse quem ele realmente pensava que era, isto é, o Filho de Deus? Já pensou se ele morresse, e não ressuscitasse? Então sua morte seria a morte de um lunático.  Como escreveu Paulo, “se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados”.[15] Mas suas convicções não se mostraram vãs. De fato ele morreu e ressuscitou. De fato deram fruto para a eternidade.
3º. Jesus acreditava que a cada homem cabe escolher se crê nele ou não
Sem deixar de lado a maravilhosa doutrina da soberania divina em todas as coisas, o Senhor Jesus também ensina que cada um de nós é responsável por suas decisões e atitudes diante dele.
A Bíblia nos revela Deus como um ser admirável, todo poderoso, que domina sobre todo o universo e dirige cada acontecimento da história, inclusive cada momento de nossa vida. Para o crente, é uma doutrina encorajadora, o saber que as mãos de Deus dirigem o nosso destino.[16]
Mas muitas vezes é uma doutrina mal interpretada, a ponto de muitos acharem que se tudo está nas mãos de Deus, então não somos responsáveis pelos nossos atos. Por exemplo: nesta última semana ouvimos uma notícia terrível, sobre um menino de cinco anos que matou sua própria irmãzinha, de dois anos, com um tiro de arma de fogo. Um rifle que ele ganhou dos pais, o que é muito comum naquela região dos Estados Unidos, e “legal”.
As autoridades disseram que foi um acidente. E a avó, dando uma entrevista, disse que “foi a vontade de Deus, que era a hora” da menininha partir.[17]De acordo com as autoridades, a morte desta menininha foi um acidente. Mas não é um acidente a irresponsabilidade das leis americanas neste sentido. Não foi um acidente este pecado de dar uma arma de presente a uma criança. Irmãos, o fato de Deus ser soberano não implica em que sejamos irresponsáveis por nossas ações, ou robôs, ou marionetes.
Eu sei que isto é misterioso, mas sei também que as decisões que eu tomo, eu as tomo porque assim desejo. Em nosso texto o Senhor Jesus diz que o coração de cada ser humano é um “campo que Satanás quer dominar”.  E não somente os seres humanos, individualmente, pois ele aplica este conceito aqui a toda aquela geração de fariseus e interpretes da lei.
Nos vs. 43-45, ele diz assim:
43 Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos procurando repouso, porém não encontra. 44 Por isso, diz: Voltarei para minha casa donde saí. E, tendo voltado, a encontra vazia, varrida e ornamentada. 45 Então, vai e leva consigo outros sete espíritos, piores do que ele, e, entrando, habitam ali; e o último estado daquele homem torna-se pior do que o primeiro. Assim também acontecerá a esta geração perversa.
Aqui temos mais uma forte convicção de Jesus: a de que existem seres espirituais, invisíveis, mas reais, que são motivados por desejos de destruição, a quem ele chama demônios. Os demônios fazem o mau aos seres humanos, querem possuir os seres humanos como se fossem sua moradia.  Querem possuir as sociedades humanas como se fossem seus territórios.
E então conta o que acontece quando um espírito imundo sai de um homem: fica procurando outro lugar para descansar. Mas se um dia ele volta, e vê que aquela casa em que morava antes agora está “limpa e arrumadinha, mas vazia”, ele volta, e trás alguns companheiros piores do que ele para comemorarem. E assim, o estado espiritual daquele homem se torna ainda pior do que já era antes. E conclui: “assim acontecerá com esta geração perversa”.
Porque Jesus diz isto aos seus ouvintes? Porque, como já mencionei, desde o v. 28 Jesus vem dizendo que o reino de Deus é chegado. Satanás está amarrado e sendo despojado de seus bens, isto é, os homens que ele tinha como sua propriedade estão lhe sendo tirados. A casa está sendo limpa. Mas aqueles fariseus se recusaram a receber, em suas vidas, o reino de Deus. Então Satanás veria a casa limpa e arrumada, mas sem novo morador, isto é, sem Jesus, e voltaria.
Ah! Se aqueles homens tivessem ouvido a Jesus.  Mas não ouviram. E vieram dias em que não só Jerusalém, mas toda a nação foi destruída e espalhada. Assim, irmãos, Jesus ensina que cabe a cada homem ouvir e atender o que ele diz.
– O reino está aqui. Eu sou o Salvador que trouxe o reino. Satanás está amarrado. Mas cabe a você “me receber em casa”. Cabe a você crer na minha palavra. Cabe a você encher a casa com a presença do Espírito Santo.
Alguns anos atrás uma senhora foi levada à minha casa por uma irmã, membro da igreja em que eu servia naqueles dias. Esta senhora estava passando por um problema sério.  Ela me disse que seu filho estava sendo possuído por espíritos malignos.  Ele falava coisas horríveis, se contorcia. Um dia ela entrou no quarto e ele estava flutuado acima da cama.
Então eu compartilhei o evangelho com ela, oramos juntos e eu disse que isto não aconteceria mais.  Em seguida pedi a uma senhora da igreja, que tinha mais ou menos a mesma idade, que estudassem juntas a Bíblia, e iniciasse o curso de discipulado.
Nossa irmãzinha contou que o moço realmente foi liberto. Porque veja: Jesus já preparou todas as coisas necessárias para a nossa salvação. Na cruz, ele já triunfou sobre Satanás. Na cruz, ele fez um sacrifício eficiente, para limpar os pecados de cada homem e cada mulher que nele crer.
Então ele diz: “eis que estou à porta, e bato: se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, com ele cearei, e ele comigo”.[18]
Conclusão
Irmão, que coisas maravilhosas! Jesus nos ensina que tudo quanto a Bíblia diz é verdade. E este livro extraordinário proclama que este mundo onde existe pecado, onde Satanás atua, buscando o mal dos homens, não foi abandonado por Deus. Ele é um Deus que intervém, que realiza milagres em favor dos que nele creem.
E o maior milagre de todos foi a morte e ressurreição de Jesus, pelos nossos pecados. Na cruz, Satanás foi derrotado. Na cruz, nossos pecados foram cancelados, e a salvação eterna é colocada ao alcance de cada ser humano que ouve a pregação do Evangelho. Tudo o que cada homem, cada mulher precisa fazer é crer em Jesus, e o recebê-lo como seu Deus e Salvador. Você crê?
Aplicações
Eu quero fazer duas aplicações destas convicções de Jesus para a nossa vida.
1. A primeira, a quem porventura ainda não está seguindo a Jesus
Veja: Deus nos amou e enviou seu Filho para a nossa salvação. O Filho de Deus nos amou, e veio ao mundo para nos redimir, para nos tirar do império das trevas, e nos transportar para o reino da luz do seu amor. Tudo o que precisamos fazer é crer em Jesus.[19] Então venha a Jesus, creia nele, abra a porta do seu coração, e ele entrará.  Seus pecados serão perdoados. Satanás não terá poder algum sobre a sua vida.
2. A segunda, para aqueles que estão seguindo a Jesus
Se você é um discípulo de Jesus, então as convicções que ele tem devem ser também as tuas. Não tem sentido uma pessoa se dizer cristã e achar que os fatos narrados como fatos na Bíblia sejam meras lendas, mitos ou alegorias.  A nossa fé não é um salto no escuro, mas alicerçadas na realidade de que Deus intervém na hitória.
E se você crê na Bíblia, então você é uma pessoa salva, livre do império das trevas, livre para amar a Deus, amar os seus irmãos, amar as pessoas de fora. Você crê num Deus de milagres. Que atende as orações. Seja cheio do Espírito Santo. Pela fé, receba tudo quanto a Bíblia diz que é seu direito como filho de Deus, pois ela assegura que Deus nos tem abençoado com toda a sorte de bênção espiritual.[20]
Saiba que você tem dentro de si a melhor notícia que qualquer homem pode e precisa receber: que Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo. Você crê no maior milagre que pode acontecer: a salvação de almas.
Veja: lá onde você trabalha, onde você estuda, entre os seus amigos e colegas, existem pessoas que ainda não conhecem ao Senhor. Pessoas que têm uma alma; uma alma necessitada. E tudo o que ela precisam fazer é crer em Jesus. Se crerem suas vidas serão transformadas!
Mas para crer, precisam ouvir. E você tem Jesus! Você tem a boa notícia! Encha o teu coração com as coisas de Deus. Não deixe a casa vazia.  E tendo a casa cheia de coisas boas, deixe Deus usar teu coração para amar estas pessoas. Deixe Deus usar seus lábios para falar a estas pessoas.



[2] Lc 1:1,2
[3] Lc 4:25-27
[4] Mt 11:23
[5] 1º Rs 10:9
[6] Js 10:13
[7] 2º Rs 6:5
[8] Êx 14:21
[9] Mt 9:15
[10] 1ª Jo 2:1,2
[11] 2ª Co 5:21
[12] Lc 24:44-47
[13] Jo 5:24
[14] At 2:27
[15] 1ª Co 15:17
[16] Ex.: Salmo 139
[18] Ap 3:20
[19] Cl 1:13
[20] Ef 1:3
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