Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

Mostrando postagens com marcador Divindade de Cristo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Divindade de Cristo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Jesus Cristo nas Escrituras - Mt 2:1-12

IPC em Parada de Taipas
24 de dezembro de 2013
Pr. Plínio Fernandes
Meus queridos irmãos, vamos ler Mateus 2:1-12
Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes, vieram uns magos do Oriente a Jerusalém.  2 E perguntavam: Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo.  3 Tendo ouvido isso, alarmou-se o rei Herodes, e, com ele, toda a Jerusalém; 4 então, convocando todos os principais sacerdotes e escribas do povo, indagava deles onde o Cristo deveria nascer.  5 Em Belém da Judéia, responderam eles, porque assim está escrito por intermédio do profeta: 6 E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as principais de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar a meu povo, Israel. 7 Com isto, Herodes, tendo chamado secretamente os magos, inquiriu deles com precisão quanto ao tempo em que a estrela aparecera.  8 E, enviando-os a Belém, disse-lhes: Ide informar-vos cuidadosamente a respeito do menino; e, quando o tiverdes encontrado, avisai-me, para eu também ir adorá-lo.  9 Depois de ouvirem o rei, partiram; e eis que a estrela que viram no Oriente os precedia, até que, chegando, parou sobre onde estava o menino.  10 E, vendo eles a estrela, alegraram-se com grande e intenso júbilo.  11 Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra.  12 Sendo por divina advertência prevenidos em sonho para não voltarem à presença de Herodes, regressaram por outro caminho a sua terra.
Pela graça de Deus nós estamos hoje, mais uma vez, comemorando o nascimento de Jesus, a pessoa mais importante de nossas vidas.
Porque Jesus Cristo é a encarnação de Deus; ele é o nosso criador, o criador e sustentador de todo o universo.
E assim como nos criou e nos sustenta, Jesus também transformou nossas vidas, perdoando nossos pecados, dando-nos o seu Espírito Santo, que habita em nossos corações e nos dá a certeza de que, assim como ele veio à terra para nos salvar, nós também iremos para o céu, e então estaremos com ele para sempre.
Por isto nós confiamos em Jesus, nós o amamos, nós o adoramos, e nele temos a nossa esperança.
Mas, como é que sabemos estas coisas? De onde provém todo o conhecimento que temos de Jesus?
Nós o sabemos da mesma maneira que os antigos israelitas, a quem Deus primeiramente se revelou trazendo o conhecimento necessário para a nossa salvação.
Quando Jesus nasceu na cidade de Belém, alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, a capital do país, perguntando onde estava o recém-nascido rei dos judeus, pois eles desejavam adorá-lo.
Então Herodes ficou alarmado, e com ele toda a cidade de Jerusalém.
Porque Herodes era um homem terrivelmente perigoso, que amava tanto o poder que mandava matar até às pessoas de sua própria família, quando desconfiava que alguém conspirava contra ele.
Herodes temia que alguém quisesse ser rei em seu lugar, e Jerusalém temia a ira de Herodes.
Então Herodes mandou chamar os sacerdotes e escribas, gente versada nas Escrituras proféticas de Israel, e a resposta deles foi certeira.
De acordo com as Escrituras, disseram eles, o guia, o que haveria de apascentar Israel nasceria em Belém.
Os sacerdotes e escribas disseram isto ao rei e “não quiseram saber de mais nada”, certamente temendo a sua fúria.
Então Herodes mandou chamar os magos, secretamente. E os enviou a Belém, dizendo: “Procurem o menino cuidadosamente, e quando vocês o encontrarem, me avisem, para que eu também vá adorá-lo”.
Eles partiram para a pequena Belém, e ali encontraram o recém-nascido rei.  
Entraram na casa, adoraram ao menino Jesus e ofertaram seus presentes. Depois disto, em sonhos, foram instruídos por Deus, agora no sentido de que não voltassem à presença de Herodes.
E também por meio de sonhos Deus instruiu a José, dizendo que ele fugisse para o Egito, porque o malvado rei tentaria matar o menino.
O que de fato aconteceu. Pois quando Herodes percebeu que os magos não voltariam, ficou furioso, e mandou matar todos os meninos de Belém e arredores, de dois anos para baixo.
Infelizmente o tipo de comportamento tirano e genocida que não foi o primeiro, nem o último da História da Humanidade.
A família de Jesus não precisou ficar muito tempo no Egito, pois logo Herodes morreu.
Então, guiados por Deus, eles foram novamente para Nazaré, na Galiléia.
Vamos ler novamente o v. 6?
“E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as principais de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar a meu povo, Israel”.
Quando Herodes pergunta aos sacerdotes e escribas onde deveria nascer o rei dos judeus, eles respondem de acordo com o profeta Miquéias, cap. 5:2. [1]
Se você quer saber sobre Jesus, olhe para as Escrituras.
O Novo Testamento começa com a seguinte frase no Evangelho de Mateus: “Livro da genealogia de Jesus Cristo...”
E termina nos prometendo que Jesus voltará a este mundo, não mais através de uma reencarnação, mas voltará fisicamente para o dia do juízo final.
Mas, ainda que Jesus tenha nascido entre nós nos dias do rei Herodes, e o Novo Testamento inicie sua narrativa a partir daí, na realidade, a Bíblia inteira fala sobre Jesus Cristo.
É por isto que, quando os sacerdotes e escribas são consultados sobre onde ele deveria nascer apontam para as palavras do profeta Miquéias, que foi contemporâneo de Isaías.
Eles profetizaram por volta de 750 anos antes de Jesus nascer.
Miquéias havia escrito que o pastor de Israel nasceria em Belém.
Se você quer saber sobre o Cristo, consulte as Escrituras.
Se você quer saber sobre o Rei de Israel, o grande pastor do povo de Deus, consulte as Escrituras.
Se você que saber sobre aquele que é digno de ser adorado, consulte as Escrituras.
As Escrituras falam de Jesus.
Nesta noite, eu desejo voltar nosso pensamento para este ensino maravilhoso, no qual o Novo Testamento aponta para o fato de que a Bíblia inteira nos fala sobre Jesus
1. O Novo Testamento nos ensina que Jesus é o filho de Deus, nascido em cumprimento de muitas promessas feitas através dos profetas
Somente no evangelho de Mateus há pelo menos nove referências ao cumprimento de profecias do Antigo Testamento.
Nós não vamos comentar cada uma delas agora. Apenas quero ler algumas com os irmãos, a fim de tirarmos uma conclusão geral sobre isto
Mt 1:22, 23
Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: 23 Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco).
Este texto é uma citação de Isaías 7:14
Mt 2:15-18
15 e lá ficou até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor, por intermédio do profeta: Do Egito chamei o meu Filho.  16 Vendo-se iludido pelos magos, enfureceu-se Herodes grandemente e mandou matar todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo, conforme o tempo do qual com precisão se informara dos magos.  17 Então, se cumpriu o que fora dito por intermédio do profeta Jeremias: 18 Ouviu-se um clamor em Ramá, pranto, choro e grande lamento; era Raquel chorando por seus filhos e inconsolável porque não mais existem. [2]
Mt 2:23
E foi habitar numa cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse o que fora dito por intermédio dos profetas: Ele será chamado Nazareno. [3]
Mt 4:13-16
E deixando Nazaré, foi morar em Cafarnaum, situada à beira-mar, nos confins de Zebulom e Naftali; 14 para que se cumprisse o que fora dito por intermédio do profeta Isaías: 15 Terra de Zebulom, terra de Naftali, caminho do mar, além do Jordão, Galiléia dos gentios!  16 O povo que jazia em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região e sombra da morte resplandeceu-lhes a luz. [4]
Mt 8:16-17
Chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados; e ele meramente com a palavra expeliu os espíritos e curou todos os que estavam doentes;  17 para que se cumprisse o que fora dito por intermédio do profeta Isaías: Ele mesmo tomou as nossas enfermidades e carregou com as nossas doenças. [5]
Mt 21:4, 5
Ora, isto aconteceu para se cumprir o que foi dito por intermédio do profeta:  5 Dizei à filha de Sião: Eis aí te vem o teu Rei, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de animal de carga. [6]
Mt 7:9, 10
Então, se cumpriu o que foi dito por intermédio do profeta Jeremias: Tomaram as trinta moedas de prata, preço em que foi estimado aquele a quem alguns dos filhos de Israel avaliaram;  10 e as deram pelo campo do oleiro, assim como me ordenou o Senhor. [7]
O que desejo ao ler com vocês todas estas citações é enfatizar o fato de que Mateus via em muitos detalhes da vida de Jesus o cumprimento de antigas palavras proféticas dadas a Israel.
Mas além de Mateus, tanto nos demais evangelhos quanto em Atos, e também nas epístolas, há muitas outras profecias que são assim referidas.
2. O Novo Testamento também nos ensina que o Cristo já se revelava no Antigo Testamento, antes de nascer como um ser humano entre nós
Vamos ler Isaías
Is 6:1-4
No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo.  2 Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava.  3 E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória...
vs. 9, 10
Então, disse ele: Vai e dize a este povo: Ouvi, ouvi e não entendais; vede, vede, mas não percebais.  10 Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos e fecha-lhe os olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos e a entender com o coração, e se converta, e seja salvo.
Agora comparemos com o evangelho de João
Jo 12:37-41
E, embora tivesse feito tantos sinais na sua presença, não creram nele,  38 para se cumprir a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor?  39 Por isso, não podiam crer, porque Isaías disse ainda:  40 Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração, para que não vejam com os olhos, nem entendam com o coração, e se convertam, e sejam por mim curados.  41 Isto disse Isaías porque viu a glória dele e falou a seu respeito.
Veja que afirmações grandiosas a Bíblia fala a respeito de Jesus Cristo: Isaías diz que viu o Senhor Deus; que os anjos o adoram, e que toda a terra está cheia da sua glória.
E João diz que, quando Isaías viu a glória de Deus, estava vendo a Jesus.
Mais uma vez, leiamos João:
Jo 1:18
Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.
Jesus era o Senhor que se revelava a Moisés, face a face, como um homem fala com seu amigo. [8]
Era o Senhor que falava com Abraão. [9]
Que lutou com Jacó. [10]
Que apareceu a Manoá, o pai de Sansão. [11]
O príncipe do Exército de Senhor que apareceu a Josué, com a espada desembainhada contra os inimigos de Israel. [12]
3. O Novo Testamento também nos ensina que não somente as promessas, mas também as leis, as cerimônias, e tudo quanto mais outrora foi escrito, apontava para Jesus
Por exemplo:
O cordeiro da Páscoa apontava para Jesus, o cordeiro de Deus, o nosso cordeiro pascal, que por sua morte em nosso lugar, levou sobre si o castigo dos nossos pecados. [13]
Assim também a arca da aliança, o tabernáculo, o sacerdócio: tudo falava de Jesus. [14]
Os cânticos messiânicos dos salmos e dos profetas. [15]
O ensino da sabedoria.[16]
Por isto Lucas testemunha que Jesus tomava todas as Escrituras como sendo revelação sobre ele.
Lc 24:25-27
Então, lhes disse Jesus: Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram!  26 Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória?  27 E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras.
Lc 24:44-47
A seguir, Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos.  45 Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras;  46 e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia   47 e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém.
Conclusão
Do começo ao fim das Escrituras há um tema, ou antes, um personagem que nos é revelado: Jesus Cristo.
Ele é filho de Deus, o Pai da criação.
Ele é o nosso Rei, o nosso pastor.
Ele nosso redentor.
E para concluir, há algo mais que as Escrituras falam sobre ele: é que assim como ele já cumpriu tantas profecias que foram dadas no Antigo Testamento, ainda há uma grande profecia que certamente se cumprirá: Jesus, depois de sua ressurreição foi para o céu e está assentado à direita de seu Pai, e de lá também voltará para nos buscar.
Jo 14:1-3
Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.  2 Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar.  3 E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também.
Isto é maravilhoso, irmãos. A Bíblia não falha. Se tantas coisas ditas sobre Jesus já se cumpriram, certamente que esta também se cumprirá.
Aplicação
Vejamos algumas implicações práticas desta doutrina para nossas vidas
1. Devemos, e podemos conhecer as Escrituras, e por meio delas, conhecer Jesus
Quando o apóstolo Paulo escreveu sua segunda carta a Timóteo ele se referiu ao fato de que desde pequeno Timóteo aprendera as Escrituras que o tornaram sábio para a salvação por meio de fé em Jesus. [17]
Do começo ao fim, as Escrituras nos revelam Jesus.
Não apenas como um grande mestre, ou pensador, ou profeta, ou um homem tão espiritual que mudou o curso da história, mas como o Deus eterno que se fez presente entre nós, e habita conosco.
Então, conheçamos as Escrituras, buscando por meio deles conhecer Jesus, e quanto mais o conhecermos, mais o amemos, mais confiemos nele.
2. Devemos, e podemos crer nas Escrituras, e por meio delas, crer em Jesus
No caminho de Emaús, o Senhor Jesus censurou aos seus discípulos pelo fato de que seus corações eram demorados em crer no que as Escrituras dizem
Amados, com base nesta experiência negativa deles, oremos, e busquemos ter no coração uma atitude diferente.
Jesus quer que nós creiamos nas Escrituras, e que vivamos por elas.
3. Devemos, e podemos, obedecer às Escrituras, e por meio delas, seguir a Jesus
Herodes e os sacerdotes e escribas sabiam intelectualmente que as Escrituras falavam de Jesus, mas isto os deixou apavorados, alarmados.
Herodes queria matar a Jesus.
Os escribas e sacerdotes silenciaram. Não o buscaram.
Os magos fizeram diferente: eles foram a Jesus e o adoraram.
Cada ser humano certamente toma uma destas atitudes: ou odeia a Jesus, ou procura ignorá-lo, ou se prostra aos seus pés e o adora.
Seja sábio: adore a Jesus



[1] Mq 5:2
[2] Os 11:1; Jr 31:15
[3] Alusão a Jz 13:5-7
[4] Is 9:1, 2
[5] Is 53:4
[6] Zc 9:9
[7] Zc 11:1, 13; Jr 32:6-15
[8] Êx 33:11
[9] Gn 18:13
[10] Gn 32:30
[11] Jz 13:17, 18 comp. Is 9:6
[12] Js 5:13-15
[13] Jo 1:29; 1ª Co 5:7
[14] Hb 5-10
[15] Ex.: Sl 2; Sl 22; Is 50:4-9
[16] Ex.: Pv 9
[17] 2ª Tm 3:15-17

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Autoridade sem igual - Mt 7:28, 29

Igreja Evangélica Presbiteriana
Domingo, 9 de setembro de 2012
Pr. Plínio Fernandes
Meus irmãos, vamos ler Mateus 7:28, 29
28 Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina; 29 porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas.
Nós cantamos um hino que diz assim: “Em Jesus amigo temos, mais chegado que um irmão”.
Este conceito, de Jesus como nosso amigo, não é apenas uma opinião humana, mas uma verdade bíblica maravilhosa, confortadora, e uma realidade da qual tem o direito de desfrutar todo aquele que confia que Jesus morreu e ressuscitou em seu lugar, pelos seus pecados. Pois Jesus mesmo disse que “ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos” (Jo 15:13).
Aqueles que confiam em Jesus, que confiam no perdão de Deus que nos é dado através da morte de Jesus Cristo na cruz, têm paz com Deus, vivem com Deus um relacionamento de amor, e tendo Jesus como o maior de todos os amigos. Para eles, todas as coisas são boas, pois trabalham juntamente para o seu bem; ou melhor: Deus trabalha em todas as coisas, em todas as circunstâncias e acontecimentos, fazendo que eles se tornem coisas edificantes em sua vida espiritual.
De maneira semelhante, a Escritura também nos ensina que em Jesus nós temos, por assim dizer, “um irmão mais velho, mais maduro”, ou para ser mais preciso, Jesus é o “primogênito – aquele que tem a supremacia – entre muitos irmãos”.
Por exemplo, em João 20:17, depois de sua ressurreição, Jesus diz a Maria Madalena:
“Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai, mas vai ter com os meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus”.
Em Hebreus 2:11 o Espírito Santo diz que Jesus não se envergonha de nos chamar irmãos. E em Romanos 8:29 a Bíblia também diz que nós, os que fomos chamados segundo os decretos de Deus, fomos predestinados a ser conformes à imagem de Jesus, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. Jesus, de acordo com a Bíblia, é nosso amigo, e nosso irmão. São coisas maravilhosas.
Outra verdade surpreendentemente confortadora é que Jesus, nosso amigo e nosso irmão, também é para nós um sumo-sacerdote eterno diante de Deus Pai. A Bíblia diz que nós somos pecadores, e por causa de nossos pecados estávamos afastados da presença santa de Deus. Que o salário do pecado é a morte; que em vez de bênçãos, éramos merecedores da ira de Deus. Mas Deus nos amou tanto que a Santíssima Trindade estabeleceu uma aliança eterna para a nossa salvação.
Por esta aliança de amor, Jesus veio ao mundo, nos trouxe a Palavra de Deus, ensinou o caminho da salvação, morreu em nosso lugar, sofreu em si mesmo o castigo que era nosso, e desta forma satisfez a justiça divina. Por esta aliança de amor, Deus Pai aceitou o sacrifício de Jesus em nosso favor. E também por esta aliança de amor, o Espírito Santo nos purificou a alma, nos regenerou, nos deu fé em Jesus, veio habitar em nosso coração e a cada dia de nossa vida está nos conduzindo para que conheçamos a Deus, e nos preparemos para estar com ele não somente aqui, mas na eternidade. E por esta aliança Jesus e o Espírito Santo estão continuamente diante do Pai a interceder em nosso favor. Uma intercessão que Deus Pai prazerosamente aceita e atende.
Então Jesus é nosso amigo eterno, nosso irmão eterno, e nosso profeta supremo e nosso eterno sumo-sacerdote.
Mas estas coisas todas não são tudo o que Jesus é para nós. Ele é tudo isto e muito mais.
No texto que lemos hoje Mateus comenta a reação que não somente os discípulos aos quais ele se dirigia primariamente, mas também a multidão que se aproximou para ouvi-lo, tiveram diante do que Jesus acabara de ensinar.
Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina; porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas.
Eles ficaram profundamente impressionados; porque Jesus não era apenas mais um rabi, um mestre judeu. Jesus era O Mestre; alguém que falava com uma autoridade inigualável.
Ora, quando o Espírito Santo registra este fato, certamente não está nos dizendo que Jesus apenas parecia ter autoridade, como um orador experiente, bem articulado, que usava palavras cuidadosamente estudadas, com o propósito de causar impacto em seus ouvintes. Não está dizendo que Jesus era mestre na “arte do bem falar”.
Mas está dizendo que Jesus, de fato, tem autoridade, uma autoridade que era percebida por aqueles que o ouviam de boa mente. Uma autoridade que Jesus tem, que o eleva acima de todos os homens. Uma autoridade que tem origem, não em sua simples maneira de falar, mas no conteúdo de todas as verdades que ele fala a respeito de si mesmo. Uma autoridade que, segundo a Bíblia, o coloca na mais alta posição diante dos homens, dos anjos e de todo o universo, que o coloca inclusive, na mais alta posição aos olhos do Pai. Uma autoridade que deve ser alegremente reconhecida e anunciada a cada nova geração, pois ele deu ordens dizendo: “Toda a autoridade me foi dada nos céus e na terra; portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações...” (Mt 28:18, 19).
É o reconhecimento, a fé nesta autoridade de Jesus, em outras palavras, o reconhecimento de Jesus como não somente amigo e irmão, não somente como nosso profeta e sacerdote, mas como Senhor, que nos distingue como cristãos, segundo o ensino da Bíblia. Pois como está escrito:
Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo (Rm 10:9).
Porque é certo reconhecemos a Jesus como aquele que tem toda a autoridade sobre nós?
1. Por causa daquilo que Jesus Cristo é em si mesmo, em sua natureza – ele é Deus
Jesus fala com autoridade porque ele é a autoridade suprema sobre todos os seres do universo.
Já temos visto isto afirmado no Evangelho de Mateus várias vezes. Aprendemos que ele nasceu, ou melhor, foi concebido como um ser humano no ventre da virgem Maria, pelo poder do Espírito Santo. Aprendemos também que, embora formado como um ser humano no devido tempo, no ventre de uma mulher, Jesus é Emanuel, o Deus eterno, o criador de todas as coisas, que veio habitar entre nós. Depois vimos o testemunho do Espírito Santo e da voz do céu, quando Jesus foi batizado.
É de conformidade com estas coisas que o Novo Testamento todo desenvolve o ensino de que Jesus é Deus que se fez homem. João nos diz que Jesus é Deus, o Verbo eterno, o criador do universo, que se fez carne e habitou entre nós. Na carta aos Colossenses Paulo nos ensina que em Jesus foram criadas todas as coisas, as visíveis e as invisíveis, os anjos, os planetas, e tudo o que existe. A carta aos Hebreus nos diz que Jesus é o esplendor da glória de Deus, a expressão exata do seu ser, por meio de quem Deus fez o universo.
Além disto, o Novo testamento também afirma categoricamente que Jesus sustenta todas as coisas que existem pela palavra do seu poder. E que toda a sabedoria humana, toda a capacidade de entendimento, de desenvolvimento científico, artístico, que seja qual for a área para a qual nossa sabedoria é dirigida, ali está Jesus, pois ele é a luz que ilumina a todo o homem que vem ao mundo.
Diante das muitíssimas afirmações que o Espírito Santo nos dá neste sentido, qual deve ser a nossa atitude? A mesma que vemos em Tomé:
Jo 20:27-29
27 E logo disse a Tomé: Põe aqui o dedo e vê as minhas mãos; chega também a mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente. 28 Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu e Deus meu! 29 Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram.
Esta conversa reveladora entre Jesus e Tomé aconteceu uma semana depois da ressurreição.  Quando Jesus apareceu pela primeira vez aos discípulos, Tomé não estava entre eles. E quando soube da notícia se recusou a crer que o Senhor havia ressuscitado, e disse que somente creria se visse Jesus vivo, com as marcas dos cravos nas mãos e nos pés. Então Jesus, que é tão cheio de misericórdia para com os seus escolhidos manifestou-se novamente, no domingo seguinte, e desta vez Tomé estava entre eles.
E logo disse a Tomé: Põe aqui o dedo e vê as minhas mãos; chega também a mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente.
Foi então que aconteceu uma das mais ousadas e verdadeiras declarações de fé que temos registradas na Bíblia: Senhor meu e Deus meu! E para o nosso bem, o Senhor repreendeu a Tomé: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram. Como quem diz: Depois de tudo o que eu já havia ensinado, você ainda precisou ver para crer? Você já devia ser crente, Tomé.
Você, assim como eu, e a maior parte dos crentes de toda a história da igreja, jamais viu a Jesus, jamais tocou em suas mãos e pés. Mas a todos os que não viram, e creram, a todos os que não viram, mas confessam, Senhor meu e Deus meu, Jesus dá a sua bênção. Jesus dá a sua aprovação.
Bem-aventurados aqueles que não viram, e creram.
Reconhecemos a autoridade de Jesus porque ele é o nosso Senhor e Deus.
2. Também reconhecemos a autoridade de Jesus porque ele é o Senhor da Bíblia
Com isto eu quero me referir, hoje, especificamente à Escritura, a lei e os profetas, que nos revelam a vontade de Deus dada no Antigo Testamento, e depois revelada com ainda maior clareza no Novo Testamento.
Em relação a isto, há três fatos nos evangelhos que desejo destacar:
1º - Jesus se apresenta como aquele que nos dá a verdadeira interpretação da lei, o verdadeiro entendimento da vontade de Deus.
Ele se opõe a toda a interpretação errônea de seus contemporâneos nas diversas vezes em que diz aos discípulos: “Ouvistes o que foi dito..., eu porém vos digo...”
Por exemplo, aqui no sermão do monte: Cap. 5:21, 22; 27, 28; 31, 32; 33, 34; 38, 39; 43, 44.
Em todos estes versículos, o que o Senhor está dizendo é:
Os homens têm ensinado assim para vocês, mas eu estou ensinando diferente. Eu estou mostrando qual é o verdadeiro sentido da lei e dos profetas. É a mim que vocês têm que ouvir e obedecer.
2º – Jesus se apresenta como o Senhor da lei.
Aliás, esta revindicação de autoridade sobre a lei foi uma das razões pelas quais os escribas e fariseus tinham tanto ódio de Jesus.  Para eles isto era blasfêmia, era tomar o nome de Deus em vão, e desde cedo o desejavam matar. E de fato, isto seria uma blasfêmia, se Jesus não fosse Deus, se ele fosse apenas um simples homem.
Mateus 12 nos conta um destes episódios. Começa dizendo que em certo tempo, em dia de sábado, Jesus e seus discípulos passavam pelas plantações. Os seus discípulos estavam com fome, começaram a colher espigas e a comer.
E os fariseus, vendo isto, disseram: os teus discípulos fazem o que não é lícito fazer em dia de sábado. Mas Jesus respondeu:
“Vocês não leram o que fez Davi quando ele e seus companheiros tiveram fome?  Como entrou na Casa de Deus, e comeram os pães da proposição, os quais não lhes era lícito comer, nem a ele nem aos que com ele estavam, mas exclusivamente aos sacerdotes? Ou não leram na Lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado, porque trabalham, e ficam sem culpa”?
“E aqui está quem é maior que o templo”!
“Mas vocês não entendem a lei de Deus; não entendem sua vontade, não entendem que tudo o que Deus quer é que sejam misericordiosos, e não fiquem apenas oferecendo holocaustos ritualísticos e sem amor”.
“Por isto ficam condenando gente inocente, que não está pecando”.
E terminou – veja o v. 8:
“Porque o Filho do Homem é senhor do sábado”.
Esta expressão, Filho do Homem, era uma das preferidas de Jesus, referindo-se a si mesmo.  Jesus é maior que o templo, o lugar de maior proeminência em Israel, o lugar da adoração, a casa do Pai. Jesus é Senhor do sábado, isto é, daquilo que diz a lei. É Senhor de tudo o que diz o Antigo Testamento. Ele diz que o Antigo Testamento, com tudo que ordena, com tudo o que ensina, aponta para esta vontade de Deus: misericórdia.
Pois a lei e os profetas revelam um Deus de amor, que nos dá mandamentos para o nosso bem.  Revelam um Deus de misericórdia que, conhecendo a dureza do nosso coração, sabe também que não vamos guardar com perfeição os seus mandamentos de amor, e por isto igualmente, na mesma lei, providencia a expiação, o perdão dos pecados no sangue do Cordeiro, para todo aquele que crê e se arrepende.
Um Deus santo, de justiça, amor, misericórdia, que deseja filhos semelhantes a ele. É por isto que precisamos orar também no sentido de que aprendamos a ler o Antigo Testamento sem legalismos, mas “com os olhos de Jesus”: com olhos na justiça amorosa de Deus, que nos dá mandamentos para que obedeçamos com amor e alegria, e que também nos perdoa pelo sangue da cruz.
O que nos leva a mais um aspecto deste relacionamento entre Jesus e a Bíblia:
3º – Ela é a revelação de Deus. Como Jesus é Deus que se fez homem, a lei e os profetas nos revelam Jesus.
Ele diz isto explicitamente em Lc 24:27:
E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras.
Jesus tem autoridade sobre nós, porque ele é o Senhor da Bíblia, o legislador das nossas vidas. Ele é o Senhor da revelação deste Deus de amor.
E isto nos conduz ao nosso terceiro ponto...
3. Jesus tem autoridade em nossa vida por causa do seu grande amor por nós
Já enfatizamos que Jesus é Deus, e por isto ele é o nosso Senhor. Já enfatizamos que ele é também o Senhor da Bíblia; ele nos dá a Bíblia, ele nos ensina a entender o que ela diz, a conhecê-lo por meio dela, a crer nele e a viver por meio dela.
Agora vamos considerar que tudo ele o faz por causa de seu grande amor por nós, mas principalmente, ele salva nossas almas, por causa do seu grande amor por nós.
Deus é amor, e tudo o que ele faz, é em amor e por amor. Deus ama ao mundo, a toda a humanidade. Ele manifesta este grande amor em obras de bondade, fidelidade, misericórdia, compaixão. E toda a terra está plena destas manifestações de amor.
O sol e a chuva, o homem saindo para o seu trabalho, as plantas e animais, tudo o que existe para o nosso mantimento, a família, a amizade, o sorriso e a risada, as brincadeiras, as nações, a ordem social, as ciências tecnológicas, médicas, naturais, seja qualquer área do conhecimento, as artes, as leis, os governos, tudo o que existe para o nosso bem estar, tudo o que é bom, que nos protege e deleita, todas estas coisas manifestam a sabedoria e a bondade de Deus.
Também por isto todos os seres humanos devem amar e servir a Deus. E por isto tudo também o não se converter a Deus, mas deixar de reconhecê-lo e adorá-lo, torna o homem condenado perante a lei do Senhor.
Mas a suprema manifestação do amor de Deus se encontra na cruz de Jesus Cristo.
Como o Antigo Testamento já ensinava, desde o princípio a vinda de Jesus estava nos planos de Deus para a nossa salvação. Desde o princípio da história humana, a Escritura dizia que o descendente da mulher esmagaria a cabeça da serpente. Desde Abraão, o Senhor anunciara que a sua semente seria uma bênção para todas as nações da terra. Desde a lei de Moisés anunciava o Cordeiro de Deus. E passando pelos profetas, anunciava o profeta, o sacerdote e sacrifício, o rei eterno.
E agora, com a sua vinda, tudo quanto havia sido prometido, estava se cumprindo. Como Mateus escreve muitas vezes em seu Evangelho, tudo aconteceu para que se cumprissem as Escrituras. Como disse Paulo, Jesus morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras. E foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Pois o nosso Deus é o Senhor do futuro, que determina tudo quanto há de acontecer.
Jesus morava acima das estrelas do céu.  Estava, por assim dizer, à direita do Pai, face a face com o Pai. Os anjos lhe davam louvores e serviam incessantemente. Ele “não sabia” o que era fome. “Não sabia” o que era sede e cansaço, “não sabia” o que era medo. Mas sabia o que é amor. E do céu nos contemplava, à humanidade, e nos abençoava com tudo o que há de bom nesta vida.
E também nos contemplava em toda a nossa miséria, em todos os nossos pecados, desencontros, tristezas, em todos os nossos males. E desejava nos dar salvação.
Então ele deixou a sua casa, acima das estrelas. E se fez homem; veio nos buscar para a casa do Pai. E aqui, “em carne e osso”, Jesus sentiu fome, e sede, e cansaço. E sofreu tentações. E sentiu os ataques de Satanás. E foi humilhado, ofendido, rejeitado, zombado.
Na véspera de sua crucificação, Jesus sentiu muito medo, e forte tentação para fugir daquela situação. A crucificação era um meio terrível de execução que havia naqueles dias, um castigo destinado aos piores criminosos, como o assassino ou o traidor.
Era um castigo de tortura física e mental até à morte: o homem condenado à cruz, depois de açoitado, deveria carregar a travessa na qual seria pregado, ou amarrado, pelas ruas da cidade até o lugar de execução, ao mesmo tempo em que um arauto, com uma placa na mão, que descrevia o crime do acusado, proclamava o que ele havia feito.
Ali chegando, seria despido, crucificado e abandonado; ninguém poderia ajudá-lo, a não ser com uma mistura de vinho e fel que o entorpeceria um pouco, e alguns dias depois morreria de fome, de dor, sede e insolação.
Jesus morreu numa cruz! De um e do outro lado, estavam crucificados mais dois homens, dois criminosos. No meio Jesus: uma coroa de espinhos ferindo sua cabeça, muito sangue jorrando. Sangue também das muitas chicotadas que ele recebeu nas costas. Sangue e dor: nos cravos nas mãos e nos pés.
O homem crucificado ficava pouco acima do solo, apenas um pouco mais alto que as demais pessoas. Muitos estavam zombando.
E Maria, e João, e outras pessoas que o amavam olhando tudo, sofrendo muito, mas sem poder fazer nada. O chefe dos soldados que crucificou Jesus olha para ele, mas não consegue ver nele crime algum pelo qual ele devesse ser condenado à morte: ninguém na Terra poderia acusar Jesus em verdade. Nem no céu, pois nem aos olhos santos de Deus, o Pai, Jesus havia cometido algum crime ou algum pecado.
Nem Maria ou qualquer outra pessoa alguma vez ouviu um palavrão, uma palavra chula, uma blasfêmia sair dos lábios de Jesus. Jesus nunca agrediu alguém, nunca enganou alguém, nunca foi falso. E foi crucificado para morrer sofrendo o castigo que era nosso!
Sabe, eu percebo que Deus colocou algumas pessoas em minha vida que me amam. Eu sei que elas me amam porque fazem de tudo por mim. São dedicadas, negam-se a si mesmas, se envolvem com meus problemas, são amigas, oram comigo, oram por mim, sofrem quando eu sofro, ficam alegres quando estou alegre. E eu não consigo reagir de outra maneira a não ser amando estas pessoas também. Pessoas assim, só amando também. Só cuidando, só sendo grato.
Sabe aquela frase, “o seu pedido é uma ordem”? É a reação natural que temos quando nos sentimos amados por alguém. O amor faz com que nosso coração se torne um servo. Nós gostamos de servir aos que nos amam. Gostamos de fazer o bem. Gostamos de honrar.
Se é assim, quando estamos pensando nos nossos familiares, nos nossos amigos, nos nossos irmãos, quanto mais quando nós pensamos na razão pela qual Jesus morreu na cruz:
Gl 2:20
19b Estou crucificado com Cristo; 20 logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.
O Filho de Deus me amou e a si mesmo se entregou por mim! Jesus morreu na cruz por mim! Jesus morreu na cruz porque me amou!
Aliás, tudo o que Jesus fez, ao deixar a sua glória nos mais altos céus, ao se fazer homem, ao andar entre nós, tudo o que ele fez foi por amor. Todas as palavras que ele disse foram em amor e por amor: todos os seus ensinamentos, as suas histórias, os seus mandamentos. Todas as coisas que ele fez foram por amor.
Certa vez ele encontrou um homem que havia entregado sua vida totalmente ao diabo: este homem estava tão possesso que uma legião de demônios como que morava dentro dele. Jesus amou aquele homem e o libertou de todos aqueles espíritos maus. Noutra ocasião, Jesus encontrou um homem que havia trinta e oito anos estava paralítico, em consequência de algum grande pecado que ele cometera. Jesus o curou e perdoou seus pecados. Noutro momento ele ressuscitou o filho de uma viúva. Ele também impediu que uma adúltera fosse apedrejada. Ele lavou os pés dos discípulos.
E quantas coisas mais poderíamos dizer, mas se fossemos mencionar todas as coisas que Jesus fez por amor, teríamos que contar tudo quanto dizem os evangelhos, pois tudo o que Jesus fez e falou foi por amor. Voltando a João 15:13, ele diz, com palavras muito claras, que foi por amor que ele se entregou na cruz.
“Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos.”
Quando entendo a grandeza do amor de Jesus, que ele sofreu por mim, que ele morreu por mim, que neste amor todos os meus pecados foram cancelados para sempre, o meu coração se ajoelha, Jesus tem autoridade sobre a minha vida, uma autoridade conquistada pelo amor.
Autoridade de quem, tendo todo o poder no céu e na terra, mas assim mesmo se ajoelha diante dos homens, e lava-lhes os pés, só para mostrar que Deus é amor. Não é de admirar que, tendo Jesus acabado de ensinar ali naquele monte, as multidões estavam maravilhadas com seus ensinamentos. Eram palavras de quem tem toda a autoridade, nos céus e na terra.
Conclusão
Jesus é nosso grande, e maior de todos os amigos. Só por isto ele já teria ascensão sobre nós. Ele é o nosso irmão primogênito. Só por isto já teria a supremacia entre nós. É o grande profeta, o nosso grande sumo-sacerdote, o único nome que nos religa ao Pai, que trás o Pai a nós, e que nos leva de volta ao Pai.
Mas Jesus é muito mais: ele é o nosso Criador, o nosso Provedor, o nosso Senhor e Rei, a expressão exata do ser de Deus. Ele é o Senhor da Bíblia, a Palavra que nos revela quem ele é, que nos revela sua vontade, que nos revela como conhecê-lo pela fé. Ele é o Senhor do nosso destino, pois morreu na cruz por nós, e assim nos livrou de toda a condenação.
Aplicação
Qual é o valor desta doutrina para nossa vida?
1. Ela nos faz ter um conhecimento verdadeiro a respeito de Deus
Não podemos pensar em Jesus apenas como nosso amigo, como nosso irmão, como um grande Mestre. Isto o espiritismo kardecista também ensina. E os teólogos liberais também. Mas acima de tudo, Jesus Cristo é a encarnação do Deus eterno. Quem nega o Filho, nega também o Pai (1ª Jo 2:23). Cristianismo verdadeiro, vale dizer, Cristianismo Bíblico, só existe onde isto é ensinado e crido.
2. Ela é indispensável para a nossa salvação
Pois como disse Jesus ao Pai, “a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, como único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”.
E Paulo: “Se com tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo...”
Ora, segundo a Bíblia, não somente esta doutrina é indispensável, mas também nos dá uma firme convicção a respeito de nosso destino eterno: Se for assim, diz o apóstolo, você será salvo.
E também acrescenta João: “Quem tem o Filho de Deus tem a vida... estas coisas vos escrevo para que saibais que tendes a vida eterna, a vós, os que credes no nome do Filho de Deus” (1ª Jo 5:12, 13)
3. Ela nos conduz a uma atitude e a um viver digno de quem Jesus Cristo é
Nós reconhecemos a Bíblia como sua verdadeira, infalível e Palavra, totalmente sem erros. Nós o amamos, porque ele nos amou primeiro. Nós o adoramos, o servimos. Nós dependemos dele e confiamos a ele nossa vida, não só aqui, mas eternamente. E temos para com a humanidade o mesmo amor que tem o Deus a quem servimos. Por isto também anunciamos a Jesus, através de nossas obras, através de nosso serviço, e através de nossas palavras.


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Deus se fez homem - Mt 1:18-25

Igreja Evangélica Presbiteriana
Domingo, 12 de março de 2012
Pr. Plínio Fernandes
Queridos irmãos, vamos ler Mateus 1:18-25
18 Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo. 19 Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar, resolveu deixá-la secretamente. 20 Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. 21 Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles. 22 Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: 23 Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco). 24 Despertado José do sono, fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu sua mulher. 25 Contudo, não a conheceu, enquanto ela não deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Jesus.
José, o pai legal de Jesus, ainda que fosse um dos descendentes diretos do grande rei Davi, e talvez tivesse o direito natural de habitar num palácio, era apenas um humilde carpinteiro que residia na humilde cidade de Nazaré, na Galiléia, a humilde região norte de Israel.
E como a maioria dos homens, ele amava uma mulher e queria casar-se com ela. Ela se chamava Maria, e também era da descendência de Davi. Eles estavam noivos. Eu imagino que formavam um casal muito bonito. Pois ambos eram pessoas profundamente piedosas; amavam ao Senhor, viviam honestamente, seguiam os seus mandamentos.
Mas um dia uma coisa extraordinária aconteceu; algo que nunca antes, nem depois, se repetiu em toda a história da humanidade. A jovem Maria estava sozinha, e um mensageiro de Deus, o anjo Gabriel, lhe apareceu.
Naturalmente que ela ficou muito espantada. Mas o anjo lhe disse: “Maria, não tenha medo. Eu vim porque você tem sido alcançada pela graça de Deus. Vim lhe dizer que você ficará grávida, e dará à luz a um filho a quem chamará ‘Jesus’. Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e Deus lhe dará o trono do rei Davi, seu pai; um reino que não terá fim...”
E a jovem perguntou ao anjo: “Mas como será isto? Eu nunca tive relações com homem algum...”. E Gabriel respondeu explicando que, assim como Deus a escolhera, Deus também realizaria um milagre: o poder do Espírito Santo viria sobre ela, e por este poder seria gerado dentro dela um novo ser humano, mas sem a participação de um homem.
Embora seja algo para além de nossa imaginação, para nós, os que cremos, assim como Maria, no Deus que é revelado na Bíblia, não é difícil acreditar que as coisas aconteceram assim. Porque se você acredita que em seis dias, do nada, apenas pelo poder de sua Palavra e de seu Espírito, Deus criou o universo inteiro[1], então sabe que nada é impossível para ele. Para Deus, “a coisa mais simples” é fecundar, pelo mesmo poder de sua Palavra e de seu Espírito, um óvulo no interior de uma mulher.
E foi isto o que o anjo disse a Maria que aconteceria: ela ficaria grávida pelo poder do Espírito Santo. Uma prova do poder de Deus, Maria poderia ver em sua prima Izabel, que já era idosa, e estéril, mas que em sua velhice havia ficado grávida também, e já estava no sexto mês. Então Maria se submeteu à vontade de Deus. Em seguida, ela foi para a região montanhosa de Efraim, para visitar sua prima Izabel; e ali ficou cerca de três meses, e então voltou para Nazaré.[2]
Eu tenho a impressão de que foi nestes dias, depois da visita a Izabel, que José ficou sabendo da gravidez de Maria. O que será que ele sentiu? Como será que ele soube? Será quem foi ela quem contou para ele? Será que ela disse como aconteceu? Se foi ela, parece que José teve uma dificuldade para acreditar, pois foi necessário que um anjo viesse a ele também.
Ou será que ele soube através de outras pessoas? De qualquer forma José, pelo que podia entender, havia sido traído. Por um lado, ele amava Maria, por outro, como poderia se casar com uma mulher que, segundo ele estava entendendo, não o amava? Então começou a pensar em deixá-la secretamente. Será que, com isto, ele entendesse que as pessoas não poriam a culpa em Maria, mas nele, pois pensariam que ele havia tido relações com a noiva e depois não quisera dar continuidade ao casamento. O propósito claro de José é que ele não queria difamar a Maria.
Eu tenho muita admiração por estes dois filhos de Deus!  Mas, enquanto José pensava nestas coisas, um anjo do Senhor lhe foi enviado.  E da mesma forma que fizera à moça, transmitiu ao homem palavras de paz:
“José, filho de Davi, não tenha medo de se casar com Maria; porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e você lhe porá o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles”.
Mateus acrescenta que todas estas coisas eram o cumprimento de uma antiga profecia que dizia: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco)”.
Assim como Maria, José obedeceu à Palavra de Deus através do anjo. Eles se casaram, e não tiveram relações enquanto ela não deu à luz ao seu primogênito, Jesus. Depois disto, os Evangelhos nos dizem que Jesus teve irmãs e irmãos [3].
Eu quero destacar a Palavra de Deus, dada por Isaías e endossada por Mateus, no versículo 23:
A virgem conceberá e dará a luz a um filho, e este filho será chamado Emanuel, que quer dizer, Deus conosco”.
Estas palavras nos foram dadas pelo Espírito Santo para que conheçamos a Jesus, e conhecendo tenhamos vida.
1. Mateus nos diz que Jesus é Deus
Ele será chamado Emanuel, que quer dizer, “Deus conosco”.
1.1 – Jesus é divino
Eu não pretendo neste momento fazer um estudo completo a respeito da divindade de Jesus Cristo. Já temos estudado este assunto em outras ocasiões. E Deus permitindo, também o faremos em muitas outras. Por ora eu desejo enfatizar as implicações dessa divindade.
Mas algumas pessoas têm real dificuldade com esta doutrina, pois não vemos, nos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, a afirmação explicita de que Jesus é Deus. Esta afirmação é feita de modo mais claro no Evangelho de João.
Então argumentam: “Os três primeiros Evangelhos não nos dizem que Jesus é Deus. Falam apenas que Jesus era Filho de Deus e como tal, um representante de Deus; e neste sentido, na pessoa de Jesus, Deus estava entre nós. Na realidade, quando Mateus está dizendo que Jesus é Deus conosco, não está falando que ele é divino; apenas que na pessoa de Jesus, o Senhor Deus estava visitando o mundo em sua misericórdia, tal como já fizera antes, através de reis e profetas piedosos”.
É verdade que estes três primeiros Evangelhos, que comumente chamamos Sinóticos, não nos dizem que Jesus é Deus de forma explícita. Mas de forma implícita sim. Pretendo ser o mais breve possível:
Mt 4:8-11
8 Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles. 9 e lhe disse: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. 10 Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto. 11 Com isto, o deixou o diabo, e eis que vieram anjos e o serviram.
O diabo estava tentando nosso Senhor, para que o adorasse. De acordo com a resposta de Jesus a Satanás no v. 10, somente Deus deve ser adorado. Se fizermos isto a qualquer outro ser que não seja Deus, é pecado.
Por isto é que no livro de Atos, Paulo e Barnabé não se deixam adorar:
At 14:14-15
14 Porém, ouvindo isto, os apóstolos Barnabé e Paulo, rasgando as suas vestes, saltaram para o meio da multidão, clamando: 15 Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles...
E também é por isto que no Apocalipse de João um anjo de Deus se recusa a ser adorado:
Ap 19:9-10
9 Então, me falou o anjo: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E acrescentou: São estas as verdadeiras palavras de Deus.  10 Prostrei-me ante os seus pés para adorá-lo. Ele, porém, me disse: Vê, não faças isso; sou conservo teu e dos teus irmãos que mantêm o testemunho de Jesus; adora a Deus. Pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia.
Ap 22:8-9
8 Eu, João, sou quem ouviu e viu estas coisas. E, quando as ouvi e vi, prostrei-me ante os pés do anjo que me mostrou essas coisas, para adorá-lo.  9 Então, ele me disse: Vê, não faças isso; eu sou conservo teu, dos teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus”.
Eu acho “estranhamente engraçado” o comportamento de João. Ele, que conhecia a Jesus. Que escreveu o Evangelho. Que no começo do Apocalipse recebe uma revelação extraordinária da glória de Jesus. Agora, por duas vezes, ele se prostra aos pés de um anjo, para adorá-lo. Isto nos revela muito sobre a natureza humana. Como somos capazes de adorar a quem não devemos, ou ao que não devemos, quando ficamos maravilhados diante de algo ou alguém.
Mas “graças a Deus” que João fez isto. Graças a Deus porque ele foi humilde o suficiente para registrar as duas vezes no livro. E graças a Deus pela resposta do anjo, que é bem diferente do desejo de Satanás: “Não faça isto, eu sou testemunha de Jesus, conservo teu e de todos os teus irmãos. Adora a Deus”. Agora voltemos ao Evangelho de Mateus
Mt 8:1-3
1 Ora, descendo ele do monte, grandes multidões o seguiram.  2 E eis que um leproso, tendo-se aproximado, adorou-o, dizendo: Senhor, se quiseres, podes purificar-me. 3 E Jesus, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, fica limpo! E imediatamente ele ficou limpo da sua lepra.
Acho que não preciso comentar que a atitude de Jesus diante deste leproso que o adorou foi diferente da atitude de Paulo e Barnabé, e diferente do anjo no Apocalipse. Jesus aceitou a adoração daquele homem. Por isto também faz sentido o comportamento dos Magos no capítulo 2, quando encontram o menino Jesus.
Mt 2:11
Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra.
Existem várias outras evidências da divindade de Jesus neste Evangelho, que destacaremos em ocasião oportuna.
1.2 – Mas pensemos nas implicações de divindade de Cristo
1.2.1 – Se Jesus é Deus, significa que ele está em toda a parte, quer dizer, ele é onipresente.
Vejamos, por exemplo, Mt 28:20
E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.
Estou deliberadamente deixando de lado o v. 18, onde Jesus nos diz que tem toda a autoridade no céu e na terra; e também o v. 19, onde ele coloca o seu nome em pé de igualdade com o nome do Pai e do Espírito Santo. Quero destacar apenas esta promessa: “Eis que estou convosco todos os dias...”. Além de afirmar a sua existência perpétua, diz que, onde quer que os crentes estejam, ele está junto. Para estar em bilhões de lugares ao mesmo tempo, precisa ser onipresente.
1.2.2 – Se Jesus é Deus, significa que ele sabe todas as coisas, isto é, ele é onisciente
Mt 9:1-4
1 Entrando Jesus num barco, passou para o outro lado e foi para a sua própria cidade.  2 E eis que lhe trouxeram um paralítico deitado num leito. Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Tem bom ânimo, filho; estão perdoados os teus pecados. 3 Mas alguns escribas diziam consigo: Este blasfema. 4 Jesus, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse: Por que cogitais o mal no vosso coração?
Jesus, além de estar em todos os lugares, tem a capacidade de saber todas as coisas. Até o que vai no mais profundo do nosso ser. Conhece nossas mentes e os nossos corações. Conhece as nossas motivações. Conhece os nossos desejos, as nossas necessidades. Os nossos pecados. E de cada ser humano.
1.2.3 – Se Jesus é Deus, significa que ele é todo poderoso
Mt 8:23-27
23 Então, entrando ele no barco, seus discípulos o seguiram.  24 E eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. Entretanto, Jesus dormia.  25 Mas os discípulos vieram acordá-lo, clamando: Senhor, salva-nos! Perecemos! 26 Perguntou-lhes, então, Jesus: Por que sois tímidos, homens de pequena fé? E, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar; e fez-se grande bonança. 27 E maravilharam-se os homens, dizendo: Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem?
Vejam quanta paz Jesus tinha no coração. Estava dormindo. Quem é este? Foi assim, na tempestade, que os discípulos aprenderam que Jesus é aquele que caminha no meio da tormenta [4], que cavalga sobre as nuvens [5], cuja voz é poderosa, que preside as tempestades [6].
2. Mateus nos diz que Deus se fez homem
Deus, que está entre nós, foi concebido pelo poder do Espírito Santo no ventre de uma mulher. Na linguagem de João, Deus se fez carne. Carne e ossos.
Eu não sei descrever, eu nem mesmo entendo a grandeza desta maravilha. Olhe para o capítulo 2 aqui de Mateus. E nele, você vê o Deus todo poderoso, onisciente, onipresente, na forma de um bebezinho recém-nascido. Precisando ser amamentado. Ter as fraudas trocadas. Receber banho, perfume, usar roupas.
Prossiga nos Evangelhos. Você o vê crescendo. Indo às sinagogas e ao templo. Ele gosta da vida: suas parábolas falam de homens trabalhando, de festas, de danças. Ele gosta de crianças, é benigno com as mulheres, trata a todos com compaixão. Ele presta atenção nas flores, nas estações do ano. Se convidado, ele vai a festas de casamento, e cuida para que a festa não se acabe antes da hora.
Mas, mais uma vez, preciso ser breve; então quero destacar, umas poucas implicações da humanidade de Cristo:
2.1 – Se Deus se fez homem, isto significou ser tentado, como todos os homens
Mt 4:1-3
1 A seguir, foi Jesus levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo.  2 E, depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome.  3 Então, o tentador, aproximando-se, lhe disse: Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães”.
Nós temos aqui o registro das tentações de Jesus, antes de iniciar seu ministério, antes mesmo de ele começar a chamar seus discípulos. Ele estava no deserto, jejuando e orando. Fez isto por quarenta dias. Então teve fome, e o diabo se aproximou para tentá-lo.
Embora esta tenha sido uma crise muito importante, pela qual ele precisava passar como nosso Salvador, não foi a última. Pelo que conheço, a última tentação de Cristo foi no Getsêmani, onde ele estava se sentido muito amedrontado com o fato de que no dia seguinte passaria por todo aquele sofrimento na cruz.
Mt 26:36-42
36 Em seguida, foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar; 37 e, levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. 38 Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo. 39 Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres. 40 E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo? 41 Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. 42 Tornando a retirar-se, orou de novo, dizendo: Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade.
Note no v. 37, os sentimentos de Jesus: começou a entristecer-se e angustiar-se. No 38: “A minha alma está profundamente triste, a ponto de morrer”. Note o pedido ao Pai: “Pai, se possível, passa de mim este cálice, mas faça-se a tua vontade, e não a minha”. De outro modo: “Pai, se tiver outro jeito, sem que seja necessário eu ir para a cruz... mas seja feita a tua vontade”.
Agora, se esta foi a última tentação de Cristo, sabemos que naquele intervalo de três anos entre o início e o fim de seu ministério, Jesus sofreu outras tentações.
Lc 22:28
Vós sois os que tendes permanecido comigo nas minhas tentações
Não sabemos dizer quais exatamente foram as ocasiões, mas o escritor aos Hebreus nos diz que ele foi tentado e todas as coisas, à nossa semelhança.
2.2 – Se Deus se fez homem, isto significou sofrer, como todos os homens
Já vimos que ele se entristeceu, se angustiou. Os textos paralelos a Mateus são igualmente fortes
Mc 14:33
E, levando consigo a Pedro, Tiago e João, começou a sentir-se tomado de pavor e de angústia.
Lc 22:44
E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra
Deus entre nós. Deus feito homem. O Deus-Homem sendo tentado. O Deus homem sofrendo tristeza. O Deus-Homem angustiado. Apavorado. Amedrontado. A ponto de seu suor se tornar como em gotas de sangue.
2.3 – Isto porque se Deus se fez homem, isto também significou assumir limitações, como todos os homens.
Jesus precisava comer, se não, ficava com fome. Precisava descansar, precisava dormir. Na cruz, queixou-se de que estava com sede, assim como pedira água à mulher samaritana. Seu corpo humano podia morrer.
Se Deus se fez homem, isto significou identificar-se totalmente conosco. Assim ele foi tentado como nós. Sofreu como nós. Tornou-se carne e ossos como nós. E morreu.
E sabe o que é ainda mais maravilhoso? É que depois de ter passado por tudo o que passou, de ter alcançado a nossa salvação, depois que ressuscitou, subiu ao céu e foi restaurado à glória que tinha antes, Jesus continuou e continuará para sempre um ser humano, com carne e ossos. Eu tenho a impressão de que mesmo que nunca houvesse pecado, o plano de Deus era se fazer homem e habitar entre nós.
Mas houve pecado e consequências. Agora, Deus necessitava se encarnar em semelhança de homem pecador? O todo poderoso precisava passar medo? Não. O criador de todos os alimentos carecia passar fome? Não. O doador da vida, e vida em abundancia, a fonte de toda a bem-aventurança e felicidade, tinha que sofrer? Não. O criador dos anjos precisava ser tentado por um deles? É claro que não. Então porque ele fez isto?
Porque “Deus é amor” [7]. E “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” [8].
Isto nos conduz ao último ponto...
3. Mateus nos diz que Deus, que se fez homem, é o nosso Salvador
“Ele salvará o seu povo dos pecados deles”.
E nisto nós vemos dois fatos:
Primeiro: que o propósito de Jesus era nos salvar dos nossos pecados. Com isto eu quero dizer que os milagres que Jesus realizou não eram a sua grande razão de estar no mundo. Os milagres eram fruto de sua compaixão diante das misérias humanas, mas acima de tudo foram realizados para que as pessoas pudessem entender melhor que ele era o Filho de Deus. Depois foram registrados nas Escrituras para que nós crêssemos também. Veja o testemunho de João:
Jo 20:30-31
30 Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro.  31 Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.
João nos diz que estes milagres que foram registrados aqui nos levam a crer em Jesus, e crendo tenhamos vida. O grande propósito de Jesus em vir ao mundo foi este: nos dar salvação. Com ele nos diz em Lucas, “... o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido”.[9]
O segundo fato é este: é que para os nossos pecados, o único escape é a salvação. Não existe outra maneira. Para tratar com o pecado, não adianta eu me empenhar em “melhorar de comportamento”, pois a minha natureza humana é incapaz de salva-se a si mesma.  Pois, o que é salvação? É tirar de uma situação de destruição. É tirar de uma situação de morte.  Jesus veio para nos salvar dos nossos pecados
Rm 6:23
Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Jesus Cristo, nosso Senhor.
3.1 – Jesus nos salva da condenação dos nossos pecados
Rm 8:1
Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.
É uma salvação contínua, pois continuamos sendo pecadores:
Rm 8:33-34
33 Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. 34 Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós”.
3.2 – Jesus nos salva do domínio do pecado
Rm 8:2
Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte.
Porque quando não conhecemos a Cristo, a única lei que podemos ver em nós mesmos é a lei do pecado que conduz à morte. O pecado tem domínio sobre nossos pensamentos. Só nos dedicamos a cultivar as coisas da natureza humana inclinada por si só ao pecado. Mas quando nos vemos livres da lei do pecado, livres da condenação que ela nos trazia, então nos vemos livres para Deus, para fazer sua vontade. E ainda que muitas vezes tenhamos que chorar e sofrer em nossa luta contra o pecado, somos ensinados pela graça de Deus de modo que vamos amadurecendo e aprendendo a ter vitória; vitória que nos é dada pelo poder do Espírito de Jesus Cristo habitando em nós.
3.3 – Jesus nos salvará do “mundo de pecado”
Rm 8:23
E não somente ela (a criação) , mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo.
Paulo fala da redenção do nosso corpo. Acontecerá no dia em que Jesus voltar. O dia que aguardamos com ansiedade. Pois daí em diante, nunca mais seremos tentados. E nunca mais pecaremos, eternamente. Nossa salvação estará completa.
Conclusão
Não é à toa que este livro é chamado “Evangelho”. É um livro que nos trás boas notícias. Pois nos fala de Deus, o nosso criador, o nosso provedor, que nos trouxe à existência e que nos sustenta. Pois fala que o nosso criador nos amou, e veio viver entre nós, como um de nós.
Assim ele amou a vida como nós amamos, mas com a diferença de que nunca se deixou dominar pelas circunstâncias, boas ou más. Nunca amou as coisas do mundo de tal maneira que elas o afastassem do Pai celestial. Amou as pessoas como nós amamos, mas com diferença de que seu amor é inesgotável. Assim como nós, ele também sofreu. Fisicamente, emocionalmente, psicologicamente, espiritualmente. E assim como nós, foi tentado em todas as áreas de sua vida. Em suas emoções, em seus pensamentos, em suas necessidades físicas e materiais. Foi tentado em sua confiança no Pai. Mas não cedeu às tentações, pois seu amor pelo Pai era perfeito.
Por fim, Jesus se identificou conosco de tal maneira que assumiu sobre si o castigo dos nossos pecados, e em nosso lugar morreu na cruz, para que nós tenhamos a vida eterna, a salvação de nossas almas.
Aplicação
Você crê nesta boa notícia?
Se você crê, eis aqui alguns frutos desta crença:
1. Não deixe de receber a Jesus como seu Deus, como Senhor de tua vida.
Pois se Jesus veio prá salvar, se ele morreu na cruz para isto, é porque você é pecador e precisa salvação. Jesus não daria sua vida, não derramaria seu sangue precioso, à toa. É por causa de nossa necessidade. Então não recuse a Jesus, se não, você continuará perdido em seus pecados. Se ainda não o fez, aceite a Jesus, entregue sua vida a ele hoje mesmo. Não tenha medo, e não tenha vergonha de seguir a Jesus.
2. Você deve adorar a Jesus. Como os magos, como o leproso, como muitos outros relatados na Bíblia.
Adore a Jesus como seu Deus, e somente a ele.
Não adore a anjos, não adore a santos, não adore a homem algum, pois “ao Senhor adorarás, e só a ele servirás”.
3. Conte com a companhia de Jesus em todo o tempo
Pois ontem, hoje ele é o mesmo, e o será para sempre. Nunca te deixará. Nunca te desamparará.[10] Ele está com você, conhece você, por dentro e por fora. Conhece suas lutas, seus limites, suas tentações, seus pecados, suas necessidades. Conhece e compreende, porque “sentiu na pele” tudo o que você passa. Então ele é um misericordioso sumo-sacerdote, compassivo, que intercede por você, que te ajuda nas horas difíceis [11].
Creia no seu perdão. Creia na sua consolação. Pois “quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica.  Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós.  Quem nos separará do amor de Cristo?” [12]. Creia no amor de Jesus. Saiba que o perfeito amor lança fora todo o medo. Então viva sem medo, pois aquele que é amor perfeito está com você [13].
4. Fale de Cristo
Primeiro, porque a boca fala do que está cheio o coração. Mas também, porque as pessoas que não conhecem a Cristo precisam conhecer. Ele, e somente ele, é quem pode salvar a todo pecador.  E todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Mas como alguém invocará aquele em quem não crer? E como crerá se não houver quem fale? [14]. Então fale de Jesus, pois quando você sair por estas portas (do templo), você estará saindo para o campo missionário.





[1] Cf. Gn 1
[2] Cf. Lc 1:24-56
[3] Mt 13:55, 56// Mc 6:3
[4] Na 1:3
[5] Sl 68:4
[6] Sl 29
[7] 1ª Jo 4:8
[8] Jo 3:16
[9] Lc 19:10
[10] Hb 13:5
[11] Hb 4:15
[12] Rm 8:33-35
[13] 1ª Jo 4:18
[14] Rm 10:13, 14
▲Topo