Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

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domingo, 10 de fevereiro de 2013

Ovelhas entre lobos – Mateus 10:16-23


Igreja Evangélica Presbiteriana
Domingo, 10 de fevereiro de 2013
Pr. Plínio Fernandes
Amados irmãos, vamos ler Mateus 10:16-23
16 Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas. 17 E acautelai-vos dos homens; porque vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas; 18 por minha causa sereis levados à presença de governadores e de reis, para lhes servir de testemunho, a eles e aos gentios. 19 E, quando vos entregarem, não cuideis em como ou o que haveis de falar, porque, naquela hora, vos será concedido o que haveis de dizer,  20 visto que não sois vós os que falais, mas o Espírito de vosso Pai é quem fala em vós. 21 Um irmão entregará à morte outro irmão, e o pai, ao filho; filhos haverá que se levantarão contra os progenitores e os matarão. 22 Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo. 23 Quando, porém, vos perseguirem numa cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel, até que venha o Filho do Homem.
Você já se viu em situações de oposição do mundo para com a sua fé e sua vida espiritual? Já houve situações, seja na escola ou no trabalho, ou até mesmo na família, em que alguém ridicularizou a sua crença?
O contexto anterior a estes versículos que lemos nos dizem que, motivado pelo amor aos homens perdidos em seus pecados, como ovelhas que não têm pastor, o Senhor Jesus ensinou aos seus discípulos que eles deveriam pedir a Deus que enviasse obreiros para cuidar destas ovelhas. Peçam ao senhor da seara que envie trabalhadores, disse Jesus. E em seguida ele mesmo enviou doze dos seus discípulos, aos quais chamou “apóstolos”, a pregar o Evangelho.
Mas, a partir do versículo 16, e isto se estende até o final do capítulo, nós percebemos que Jesus ergue seus olhos para além daquele momento em que os doze estavam sendo enviados, e o seu discurso se torna profético. Ele passa a falar sobre o que aconteceria depois, não só com aqueles, mas com muitos discípulos seus através de toda a história da igreja, este período de tempo entre a primeira e a segunda vinda de Jesus, que a Bíblia frequentemente chama de “últimos dias”.[1]
“Vocês serão perseguidos em Israel, e também serão perseguidos entre os gentios. Serão levados a tribunais religiosos, e até nas sinagogas – lugar de adoração a Deus – serão açoitados. Por minha causa, ele diz, vocês serão levados perante reis, para servir de testemunho, a eles e aos que não são judeus. Muitos odiarão vocês por causa do meu nome; muitas vezes até mesmo pessoas da sua própria família: irmãos contra irmãos; filhos contra os pais. Perseguições em muitas cidades.”
Contradições de um mundo caído, irmãos. Os discípulos de Jesus amam a humanidade, assim como Jesus a ama. E assim como o Pai enviou seu Filho ao mundo, o Senhor Jesus enviou seus discípulos – e veja o versículo 6: às ovelhas perdidas da casa de Israel, pessoas necessitadas de Deus. Enviou a fazer o bem: pregar a Palavra, cuidar dos enfermos, abençoar, ministrar paz, compartilhar as mesmas riquezas da graça de Deus que têm recebido, sem ter o propósito de lucrar.
E da mesma forma que Jesus, os escritores do Novo Testamento ensinam que a vida do crente deve ser de amor e justiça: em sua própria casa, no trabalho, na igreja, em todas as relações sociais. Na medida em que o dia a dia acontece, em que vivemos a vida comum do lar, com seus propósitos, deveres, alegrias e lutas diárias, esposas devem pensar na vida eterna dos maridos e os maridos, das esposas.[2] Os pais, devem pensar e ensinar os filhos a viver neste mundo à luz da eternidade.[3] E assim por diante, no trabalho, nos estudos, em tudo, de tal modo que, devemos ser bons moradores deste mundo, porque somos cidadãos do céu.[4]
O Novo Testamento diz que, por causa do testemunho dos seus discípulos muitas pessoas serão salvas e serão instrumentos de salvação de outros. Mas também que, assim como Jesus foi odiado, seus discípulos também seriam. Por isto, no v. 16 ele afirma: “Mas saibam que estou enviando vocês como ovelhas no meio de lobos.”
No momento mesmo em que Jesus falava estas coisas havia pelo menos um homem preso por causa do Evangelho: João Batista. E logo ele seria morto pelo rei Herodes. Depois que Jesus, tendo morrido na cruz pelos nossos pecados, ressuscitou e voltou para o céu, não demorou muito, e os seus discípulos começaram a ser perseguidos. A primeira pessoa de quem temos notícia ter sido morta por amor a Jesus foi Estevão.[5] E de lá para cá, em maior ou menor medida, muitos dos que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus, fazendo a vontade de Deus, têm padecido perseguições.[6]
Às vezes as perseguições assumem características políticas, às vezes domésticas, às vezes até eclesiásticas (mas Jesus não disse que seriam açoitados até nas sinagogas?). Às vezes as perseguições são no trabalho, às vezes no ambiente acadêmico, estudantil. Às vezes se tornam agressivas, às vezes são sutis, dissimuladas. Às vezes adquirem máscaras até de pretensa espiritualidade.
A realidade é que, ainda que o cristão ame à humanidade, e busque o seu bem, e muitas vezes seja bem recebido, existe também o fato de que muitas vezes é hostilizado. Ele é uma ovelha no meio de lobos. E neste texto temos o ensino de Jesus: Como devemos reagir, ao saber que encontraremos oposição? Há três atitudes:
v. 16 – Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas.
A palavra “prudentes”, noutras versões é traduzida também como “cautelosos”, “astutos”, “espertos”, “sagazes”. É a mesma palavra usada na versão grega do Antigo Testamento, quando diz que a serpente era o mais sagaz de todos os animais selváticos que Deus havia feito.[7] E também é a palavra usada por Jesus noutros lugares, como na parábola sobre as virgens néscias e as virgens prudentes.[8] Prudente significa sábio, cauteloso, sensível à situação.
Agora, veja: quando pensamos em serpentes, surge em nossa mente a ideia de uma esperteza agressiva, hostil, enganadora, como a serpente no jardim do Éden, ou as serpentes que feriram aos israelitas no deserto.[9]
Mas Jesus não está dizendo que devemos ser agressivos, enganadores como serpentes, e sim cautelosos como serpentes. E para que saibamos isto, acrescenta que devemos ser também símplices como pombas.
Esta palavra, “símplices”, é usada em Filipenses 2:15 com o sentido de “puro, sincero, sem mistura”. A versão Corrigida Fiel (ACF) e a Bíblia Viva (BV) dizem “inofensivos”. A NVI e a Bíblia de Jerusalém (BJ), “sem malícia”. A BLH, “sem maldade”. E Hendricksen, “inocentes”.
Cautelosos e inofensivos. Sábios e sem malícia. Espertos, e inocentes. É assim que também Pedro nos ensina a reagir em situações de incompreensão da parte do mundo:
1ª Pedro 3:15, 16
15 Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, 16 fazendo-o, todavia, com mansidão e temor, com boa consciência, de modo que, naquilo em que falam contra vós outros, fiquem envergonhados os que difamam o vosso bom procedimento em Cristo.
Mansidão: uma humildade gentil, e temor, isto é, respeito. A sabedoria do crente não é a sabedoria do que se acha mais sábio do que os do mundo, nem mais sábio que qualquer um dos seus irmãos. Não é a sabedoria de alguém que peleja em disputas de palavras, e que não perde a oportunidade de entrar numa polêmica. Quando uma pessoa se acha mais sábia que as demais, em Romanos 11:25 Paulo chama isto de “presunção”.
A sabedoria da qual Jesus fala é uma sabedoria mansa, sincera, inocente, sem malícia. A combinação destas duas qualidades faz de um discípulo alguém parecido com Jesus. O nosso Senhor e Mestre, em todo o testemunho de vida que deu, foi um homem extremamente sábio, que não se deixava manipular pela maldade dos fariseus ou de quem quer que fosse; que nunca se dobrou diante dos caprichos de gente hostil.
Pense nas muitas situações de clara inimizade pelas quais passou – e são muitas. Ele nunca foi tolo. Mas também nunca foi agressivo. Nunca agiu com engano. Nunca foi malicioso. Por exemplo, vemos esta sabedoria gentil quando, respondendo aos acusadores da mulher adúltera, ele respondeu: “Se alguém não tiver pecado, que seja o primeiro a atirar alguma pedra”.[10] E os acusadores, condenados cada um pela sua própria consciência, se retiraram, emudecidos.
Então, primeiramente, prudência e simplicidade.
Segundo:
No versículo 23, Jesus nos diz que o crente não deve pensar que permanecer em situações de perigo seja uma atitude sábia. Quando ele estiver sendo perseguido, e puder, deve sair de situações assim.
Como aconteceu com Paulo, quando estava em Damasco. O governador da cidade, influenciado por judeus inimigos do Evangelho, procurava prendê-lo e matá-lo. Quando ficaram sabendo disto, os discípulos que moravam ali colocaram o apóstolo num grande cesto e desceram-no pela muralha. Assim ele fugiu da cidade.[11]
O crente não deve procurar situações de perseguição, não deve se expor a perigos, e quando possível, fugir de circunstâncias assim. Não deve procurar situações que ameacem sua vida ou seu bem-estar, e também de outras pessoas.
Mas haverá dias em que, mesmo estando, como diz o v. 17, sendo cauteloso, prestando atenção, sendo vigilante, será levado a conjunturas de agitação. Pois ele não evitará conflito a todo o custo. Muitas situações acontecerão em que, por causa de sua fé, de sua boa consciência para com Deus, o crente será julgado e contraditado.
Certa ocasião Paulo estava na cidade de Jerusalém, prestando culto a Deus. Ali ele foi preso, levado perante o sinédrio, depois perante o governador Félix, em seguida Festo, e depois o rei Agripa; por fim enviado para ser julgado pelo imperador em Roma.[12] Com a prudência de uma serpente e a inocência de uma pomba Paulo enfrentou a cada uma destas situações. Mas tinha que passar por elas.
Haverá momentos em que não há como escapar de ser questionado, avaliado, julgado. Mas existe uma certeza que cada crente pode ter: ele não estará sozinho.
Veja os vs. 19 e 20
19 E, quando vos entregarem, não cuideis em como ou o que haveis de falar, porque, naquela hora, vos será concedido o que haveis de dizer, 20 visto que não sois vós os que falais, mas o Espírito de vosso Pai é quem fala em vós.
Os irmãos sabem que estas palavras muitas vezes têm sido mal interpretadas, e mal usadas. Há muitos que dizem que não devemos estudar a Bíblia quando vamos pregar; que não precisamos nos preocupar com o que haveremos de dizer, porque o Espírito Santo é quem falará em nós.
Mas aqui Jesus não está falando sobre um contexto de pregação ou ensino na igreja. Na vida diária da igreja, os que ministram a Palavra devem ser gente que ama a Bíblia, que a estuda, que medita nela, que conhece a doutrina cristã para ensiná-la com fidelidade. E que também encorajam outros a fazer o mesmo. Nas cartas pastorais, nos textos em que fala sobre os dons, no exemplo de Paulo, o Espírito Santo nos ensina que devemos nos esmerar em conhecer e ensinar as Escrituras.[13]
Além disto, a nossa fé não é um conjunto de crenças irracionais, baseadas em lendas ou correntes filosóficas. Ela está alicerçada em fatos históricos e que se tornam evidências fortíssimas a respeito de Deus que se revelou em Cristo. Para todo aquele que pesquisa, estuda, livre de preconceitos, o Cristianismo tem sua razão de ser. Não foi sem motivo que Pedro disse que devemos estar preparados para responder a todo aquele que pedir a razão da nossa fé.
Mas aqui Jesus está falando sobre aquelas situações em que o crente é arrastado para o conflito. Então, que o seu discípulo saiba que não está sozinho. O Pai celestial, por meio do seu Espírito, dará a ele toda a sabedoria necessária. Todo o poder necessário. Tudo o que ele precisar.
Há muitos relatos, no passado e no presente, de crentes que testemunharam desta certeza. Esta semana eu estava relendo um deles, que conta uma conhecida história acontecida no início do século terceiro, sob a perseguição de Sétimo Severo, um imperador romano. A história de uma jovem senhora crente chamada Perpétua, que foi presa com sua serva Felicidade, e três adolescentes.
Todos eles foram lançados às feras para a diversão do povo. Perpétua estava grávida quando foi presa, e deu à luz na prisão. O filhinho dela foi adotado por uma irmã. Quando os carcereiros lhe perguntaram como teria forças para enfrentar os animais, ela deu uma resposta típica dos cristãos que enfrentam os sofrimentos por amor a Jesus:
“Agora os meus sofrimentos são só meus. Mas quando tiver que enfrentar as bestas haverá outro que viverá em mim e sofrerá por mim, posto que estarei sofrendo por ele”.[14]
Depois foi levada para servir de espetáculo. Mas não foi sozinha. O Espírito do Pai estava com ela. Deu-lhe a sabedoria para falar, deu-lhe a coragem para enfrentar a morte.
1ª Pedro 4:14
Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus.
Quando estiver enfrentando situações de hostilidade, saiba que o Espírito do nosso Pai falará por você.
Primeiro, prudência e inocência.
Segundo, confiança no Espírito Santo.
Terceiro...
v. 22 - Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo.
Perseverar: permanecer, continuar, suportar, “ficar firme” (BLH) “aguentar até o fim” (BV).
Aqui em Mateus há outro momento em que Jesus diz estas palavras:
Está em 24:13, quando ele fala da necessidade de permanecer firme em amor, diante de toda a sorte de pecado que irá se multiplicar nos últimos dias, vale dizer, nos dias em que estamos vivendo.
Naquele contexto em que, “por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará, aquele que perseverar até o fim será salvo”.
Agora, irmãos, eu quero enfatizar: a perseverança, a constância, o continuar firme apesar de toda a oposição, de todas as dificuldades, com sabedoria, com mansidão e inocência, confiando no Espírito Santo, é uma evidência enorme de que alguém é realmente nascido do alto.
É uma evidência enorme do poder de Deus na vida de uma pessoa.
Vamos ler Colossenses 1:11
Sendo fortalecidos com todo o poder, segundo a força da sua glória, em toda a perseverança e longanimidade; com alegria...
Eu acho que isto precisa ser dito e repetido, pois em nosso tempo, quando se usa a palavra “poder”, geralmente se pensa em coisas extraordinárias, miraculosas, espetaculares. É claro que muitas vezes o poder de Deus se manifesta através de coisas assim. Mas também constatamos que muitas vezes estas coisas extraordinárias não são suficientemente fortes para que as pessoas perseverem quando vêm as angústias, as contrariedades, as perseguições.
E então, tantas vezes vemos pessoas que um dia falaram entusiasmadas sobre o poder de Deus, de milagres e coisas desta natureza, mas em tempos de provação abandonam a fé. Elas dizem: “Até os cabelos de minha cabeça estão contados. Deus sabe todas as coisas. Ele é onipotente. Aquele que é todo poderoso não poderia simplesmente me livrar das angústias? Porque ele deixa que seus filhos sofram?” E se esquecem de que o próprio Deus veio a este mundo, sofreu, foi perseguido, e deu sua vida por amor a nós. E também se esquecem, ou não querem saber, que por meio do sofrimento nossas almas estão sendo aperfeiçoadas para o céu.[15] E que quando sofremos à semelhança do Filho de Deus, a glória de seu Espírito repousa sobre nós. E perdem o rumo!
Irmãos, é preciso estar alertas quanto a esta amorosa advertência que o Espírito Santo nos dá:
Hebreus 10:36-39
36 Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa. 37 Porque, ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá e não tardará; 38 todavia, o meu justo viverá pela fé; e: Se retroceder, nele não se compraz a minha alma. 39 Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma.
Amados, precisamos do poder de Deus para todas as coisas, no entanto penso que uma das maneiras mais certeiras de saber se realmente esse poder está em nossa vida não é ver coisas extraordinárias acontecendo, mas esta: continuo a crer, mesmo quando os tempos estão difíceis? Permaneço na fé? Mesmo quando zombam de mim pelo fato de eu ser crente em Jesus?
E por isto devemos fazer por nós, e uns pelos outros, esta mesma oração de Paulo: “Que sejamos fortalecidos com poder... em toda a perseverança...”E nos fortalecermos na graça que temos recebido em Jesus.[16] Para que quando chegar o tempo da nossa redenção, nós possamos dizer: “Combati o bom combate; terminei a carreira, guardei a fé...”.[17]
Se podemos confiar que o Espírito do Pai falará em nós, também podemos confiar que ele nos dá o poder para perseverar. Ele nos guarda de tropeçar, e nos gloriamos em sua fidelidade infalível. [18]
Ovelhas no meio de lobos. Foi assim que Jesus descreveu seus discípulos no mundo, em meio aos que rejeitam o Evangelho. Os crentes, assim como o seu Senhor, amam as pessoas do mundo. Desejam o seu bem, anunciam a paz, abençoam, e buscam a salvação de todos. E pela graça de Deus alcançam a muitos. Mas ao mesmo tempo, inúmeras vezes, encontram oposição e rejeição.
Em nossos dias, vemos oposição da parte de muitas pessoas que se colocam claramente contra o que a Bíblia ensina. Às vezes são ateus declarados, que escarnecem, escrevem livros, fazem campanhas, que nos chamam de tolos e incultos. Se você quer ver um exemplo muito vívido de oposição neste sentido, olhe para os programas pseudocientíficos de televisão. Programas em que mentiras deslavadas são anunciadas como se fossem “ciência de ponta”.
Às vezes a oposição vem de pessoas cujo padrão moral é condenado pelas Escrituras: pessoas sexualmente promíscuas, ou que tenham um comportamento contrário às leis de Deus na criação.  Ou de pessoas desonestas nos negócios. Ou de pessoas desonestas na política. E até na religião. Muitas vezes a oposição é no ambiente estudantil. Se você for ateu, então você é considerado uma pessoa culta. Mas estranhamente, se você for um crente em Jesus, muitos o considerarão como pertencente a estes grupos de pessoas incultas e insensatas, que acreditam em tolices.
Mas nós sabemos que os cristãos não odeiam a ciência; ao contrário, têm prazer em estudar, em crescer intelectualmente e em ver a mão de Deus em toda a criação. São pessoas que em todas as áreas do conhecimento, querem levar cativo todo o pensamento à glória de Deus, à obediência de Cristo. Somos amantes dos estudos, e temos razões muito firmes, para responder quando indagados sobre nossa fé, que é alicerçada em fatos históricos solidamente estabelecidos.
Como devemos reagir diante da hostilidade que podemos encontrar no mundo?
Da mesma maneira que Jesus:
1. Com prudência e pureza.
Com mansidão. Que ninguém nos persiga por causa de truculência de nossa parte, que ninguém fale contra nós por verem em nós pessoas mal educadas e grosseiras. Pois se havemos de convencer alguém, não é com agressão. Não devemos ser conhecidos como pessoas rudes, polêmicas, chulas em nossa maneira de falar; ao contrário, como disse Paulo a Tito, devemos ter uma linguagem sadia e irrepreensível, para que o adversário não tenha indignidade alguma que dizer a nosso respeito.[19] Temos que respeitar aqueles que se opõem, inclusive lembrando que, muitos de nós, antes de conhecermos a fé, éramos também pessoas que se opunham. Temos que respeitar, mesmo que não nos sintamos respeitados. Era assim que Jesus agia.
2. Devemos ter confiança no Espírito Santo, e dar lugar a ele em nossa vida
Ele está conosco, e nos dará sabedoria no falar. Nos dá sabedoria para testemunhar da razão de nossa fé. E nos dá a capacidade de até sofrer por amor ao nome de Jesus. Então tenhamos comunhão com o Espírito do nosso Deus. Alegremos a ele em nossa busca por justiça, alegria, amor, paz, santidade. Sigamos isto com aqueles que, de coração puro, invocam o Senhor. Ele se agrada destas coisas.
3. Devemos saber também que este mesmo Espírito nos faz pessoas perseverantes
Pessoas que não voltam atrás. Que continuam em oração, em adoração, no estudo, na meditação das Escrituras, na comunhão com os irmãos, no bom testemunho, e que por causa destas coisas, perseveram quando provados por sua fé. Pessoas que mesmo em tempos de frieza espiritual, seja externa, seja em seu próprio coração, continuam a crer, a confiar em Deus. Que estão aprendendo a ser como seu Mestre. Mas isto já nos conduz à sequência deste texto, e à nossa próxima mensagem.



[1] Ex.: At 2:16, 17
[2] 1ª Pe 3:1-7
[3] Ef 6:4
[4] Fp 1:27-30
[5] Atos 7
[6] 2ª Tm 3:12
[7] Gn 3:1
[8] Mt 25
[9] Nm 21
[10] Jo 8:7
[11] At 9:23-25; 2ª Co 11:32, 33
[12] At 21:27-28:31
[13] Exs.: 1ª Tm 2:15; 3:15, Rm 12:7; 2ª Tm 4:13, etc.
[14] Justo L. Gonzalez, A era dos mártires (São Paulo, Vida Nova, 1980), pág. 136
[15] 1ª 1:5-7
[16] 2ª Tm 2:1
[17] 2ª Tm 4:7
[18] Jd 24
[19] Tt 2:7, 8


domingo, 3 de fevereiro de 2013

O Supremo Pastor nos concede pastores - Mt 10:1-15

O Supremo Pastor nos concede pastores
Igreja Evangélica Presbiteriana
Domingo, 03 de fevereiro de 2013
Pr. Plínio Fernandes

Amados irmãos, vamos ler Mateus 10:1-15
1 Tendo chamado os seus doze discípulos, deu-lhes Jesus autoridade sobre espíritos imundos para os expelir e para curar toda sorte de doenças e enfermidades. 2 Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: primeiro, Simão, por sobrenome Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; 3 Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; 4 Simão, o Zelote, e Judas Iscariotes, que foi quem o traiu. 5 A estes doze enviou Jesus, dando-lhes as seguintes instruções: Não tomeis rumo aos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos; 6 mas, de preferência, procurai as ovelhas perdidas da casa de Israel; 7 e, à medida que seguirdes, pregai que está próximo o reino dos céus. 8 Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios; de graça recebestes, de graça dai. 9 Não vos provereis de ouro, nem de prata, nem de cobre nos vossos cintos; 10 nem de alforje para o caminho, nem de duas túnicas, nem de sandálias, nem de bordão; porque digno é o trabalhador do seu alimento. 11 E, em qualquer cidade ou povoado em que entrardes, indagai quem neles é digno; e aí ficai até vos retirardes. 12 Ao entrardes na casa, saudai-a; 13 se, com efeito, a casa for digna, venha sobre ela a vossa paz; se, porém, não o for, torne para vós outros a vossa paz. 14 Se alguém não vos receber, nem ouvir as vossas palavras, ao sairdes daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés. 15 Em verdade vos digo que menos rigor haverá para Sodoma e Gomorra, no Dia do Juízo, do que para aquela cidade.
Nós temos o grande privilégio, a cada dia, de abrir a Bíblia e ler as Palavras de Deus dirigidas a nós, para a nossa vida neste mundo e salvação eterna. Porque o Senhor, o Pastor de nossas almas, nos ama, e em seu amor escolheu aqueles a quem desejou, e por meio deles nos deu as Escrituras.
Além disto, através dos tempos ele também tem chamado outros homens, e dado a eles a missão de transmitir com fidelidade o ensino das mesmas Escrituras. Também neste caso a motivação do Senhor é a mesma: o amor que ele tem por nós.
Nos últimos versículos do capítulo anterior, Mateus nos contou que Jesus estava muito condoído, por causa das necessidades espirituais daquelas imensas multidões que contemplava, pois elas estavam cansadas e aflitas, como ovelhas que não têm pastor. Então ele ensinou aos discípulos que eles deveriam orar a Deus, rogando que enviasse mais homens consagrados, para cuidar daquelas pessoas. E agora lemos que em seguida, ele mesmo escolheu doze entre os seus discípulos, e os enviou para fazer esta obra.
Do ponto de vista do conteúdo, além de ser instrução aos doze, estas palavras do Senhor também se tornam proféticas. Pois no versículo 1, e também em 11:1, Mateus nos diz que todo o capítulo 10 é um grande discurso que Jesus fez a estes doze, que foram designados apóstolos. Assim, nos versículos que lemos hoje, o Senhor envia estes apóstolos, ordenando que se dirijam especificamente às aldeias e povoados de Israel. Mas, a partir do v. 16, ele passa a falar para além daqueles primeiros dias do ministério deles, e vai ampliando para o futuro, em todo o período de evangelização do mundo, até à sua vinda.
Assim, ao mesmo tempo em que existem certas coisas aqui que se restringem aos primeiros dias dos primeiros obreiros, ele descreve situações e princípios para todos os tempos da igreja. Pois em todos os tempos, o Supremo Pastor continua a enviar pastores a cuidarem de suas ovelhas.
Vamos meditar no ensino de Jesus sobre estes pastores.
v. 1 Tendo chamado os seus doze discípulos, deu-lhes Jesus autoridade sobre espíritos imundos para os expelir e para curar toda sorte de doenças e enfermidades.
Em seguida Mateus menciona os nomes dos doze discípulos escolhidos, e que já estão sendo designados como apóstolos.
É interessante notar a diversidade de cultura, de personalidade, e dons naturais que havia entre eles. O primeiro a ser mencionado é Simão, a quem Jesus chamou Pedro, pois ele seria uma pedra viva na edificação da Igreja. Ele se tornaria uma das figuras principais entre os doze. Mas também são chamados outros, cuja história posterior, nada, ou quase nada sabemos: Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Bartolomeu... Alguns são pescadores iletrados, talvez analfabetos, outros são homens versados na leitura. Bartolomeu, ou Natanael, é dado à contemplação. Pedro, à “falação”. Tiago e João, impetuosos.  Entre os chamados está Mateus, o publicano, e Simão, o zelote. Os publicanos, cobradores de impostos, eram considerados traidores da nação judaica, e os zelotes eram um grupo religioso armado que lutava contra os romanos, e que se opunha terminantemente e pagar impostos. Certo comentarista disse que noutro lugar o zelote cravaria uma adaga em Mateus, mas que aqui, em Cristo, os inimigos foram reconciliados.[1]
Também é de se notar que eram homens, e por isto, falíveis, limitados.  À medida em que lemos o Novo Testamento, percebemos que mesmo depois do Pentecoste continuaram a ser, para usar a frase de John MacArthur, “doze homens comuns”.  Homens sujeitos à precipitação, ao desânimo, ao pecado.[2] Na verdade, um deles, Judas, – embora este seja um assunto que não cabe explorar aqui – pecou a ponto de se desviar completamente.
Em conexão com isto, com o fato de terem suas limitações, há mais um aspecto deste chamado que eu penso vale a pena destacar: podemos observar, nos vs. 2 a 4, que eles são mencionados aos pares: Pedro e André, Tiago e João, Filipe e Bartolomeu, Tomé e Mateus, etc. Agora, vamos comparar com Marcos 6:7
“Chamou Jesus os doze e passou a enviá-los de dois a dois, dando-lhes autoridade sobre os espíritos imundos”.
Me parece que há uma razão muito forte para tê-los separado em pares, enviá-los de dois em dois: É porque é melhor serem dois do que um. Porque se um cair, o outro o levanta o seu companheiro. Porque se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão. Porque o cordão de três dobras não se quebra tão facilmente.[3]
Mas há uma coisa em comum entre estes homens tão diferentes, simples e limitados: todos eles foram chamados por Cristo. E também foram capacitados pelo Senhor, receberam de Cristo a autoridade, isto é, o poder e o direito de agirem em seu nome. Jesus tinha muitos outros discípulos. Em Lucas 10 o Evangelho nos diz que noutra ocasião ele enviou setenta.
Então este fato, de que Jesus escolheu e chamou estes doze para serem apóstolos, ilustra um princípio vital para a igreja: o de que os seus pastores devem ser homens chamados por Deus. E também é o cumprimento de uma antiga promessa feita pelo Senhor a Israel:
Vamos ler Jeremias 3:15
“Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência”.
A Igreja do Senhor, muitas vezes padeceu deste mal: homens a quem Deus não chamou, a quem não enviou, mas que resolveram contar seus próprios sonhos como se fossem palavras de Deus, e as visões do seu próprio coração.
Assim estava acontecendo nos dias do profeta Jeremias. [4] Então o Senhor faz esta promessa: Eu darei pastores a vocês, homens de acordo com o meu coração. Que apascentem com conhecimento (isto é, conhecimento de Deus, de sua Palavra), e com inteligência, entendimento espiritual, discernimento.
Assim, pois, Jesus chama a estes doze. E quando, no capítulo 11, lemos sobre o retorno deles, os vemos felizes porque Deus os usou poderosamente.
Isto nos leva à segunda observação...

2. Os pastores são homens comissionados por Jesus                            
Isto é, são homens que têm uma missão.
Os vs. 5 a 8 nos dizem o que os doze deveriam fazer:
Naquela primeira viagem, deveriam se limitar ao território israelita, que por si só já era extenso demais até mesmo para que o Senhor Jesus o percorresse todo.[5] À medida que seguiam, da mesma forma que Jesus, deveriam pregar que o reino do céu estava próximo, curar enfermos, ressuscitar mortos, expulsar demônios. Com isto não estou dizendo entender, irmãos, que o exercício destas obras extraordinárias é a missão de cada homem chamado por Deus para o serviço da Palavra.

Primeiro, porque o ministério dos apóstolos foi algo singular: eles, juntamente com os profetas do Antigo Testamento, foram os homens escolhidos por Deus para nos darem as Escrituras. Na qualidade de apóstolos de Jesus, eles foram investidos da mesma autoridade que o nosso Senhor, no sentido de que aquilo que eles ensinaram tem a mesma autoridade que Jesus. Os apóstolos não eram apenas embaixadores, nem apenas missionários, mas procuradores, homens que tinham a mesma autoridade de Cristo quando agiam em seu nome. [6] Por isto que, assim como lemos no Antigo Testamento os escritos dos profetas como sendo Palavra de Deus, lemos no Novo Testamento os ensinos dos apóstolos e os recebemos como Palavra igualmente inspirada e autoritativa sobre nós; Palavra de Deus para nós. É neste sentido que entendemos o que Paulo diz quando afirma que a Igreja está edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, isto é, Cristo.[7]

Além disto, o Novo Testamento afirma claramente que, para o ministério da pregação da Palavra, o Senhor deu à igreja homens diferentes com diferentes dons: alguns foram designados apóstolos, outros profetas, outros evangelistas, e outros pastores e mestres.[8]

E também não entendemos que os ministros da Palavra na Igreja devam ter o mesmo padrão de vida econômica que Jesus ordenou aqui aos doze – aliás, acho que alguém que se entende como apóstolo não deveria apenas dizer que tem tanta autoridade e dons, mas também adotar o mesmo modo de vida, e não se prover de ouro nem prata, nem duas túnicas, etc. Mas não obstante o ministério dos doze, que assim como os doze filhos de Israel foram os patriarcas das doze tribos no Antigo Testamento, foram agora os “patriarcas da Igreja”, e por estas razões mencionadas foram únicos, vemos no Novo Testamento que estes princípios básicos dizem respeito a todos os ministros da Palavra:
1. São homens que têm um mandado de Deus para cuidar das ovelhas de Cristo
2. São homens que usam os dons que o Senhor mesmo concedeu para o cuidado destas ovelhas
3. São homens que, ainda que sejam sustentados através do seu ministério, vivem de modo simples, sem apego ao dinheiro ou bens materiais.
Assim, conforme os dons que o Senhor concedeu a cada um, os pastores devem servir em nome de Cristo, anunciando o reino de Deus, fazer o que estiver ao seu alcance para aliviar os sofrimentos humanos, transmitir da graça e da paz que receberam de Jesus, para as pessoas que alcançarem com o seu ministério. Enfim, pastores são pessoas que foram de tal maneira impressionados pela voz do Espírito Santo a chamá-los, que disseram sim ao Senhor, e agora têm este cuidado com o rebanho de Deus.

Todos os ministros da Palavra são isto: ministros, isto é, servidores da Palavra. Quanto a isto, desejo fazer três observações que julgo extremamente importantes:

3.1. O ministério da Palavra não é fonte de lucro; não é fonte de riqueza material.
O v. 8 diz – “De graça recebestes, de graça dai...”.
No v. 10, Jesus diz que o pregador do Evangelho, por causa do seu trabalho, é digno do seu alimento. Em Lucas 10:7, num contexto paralelo a este, quando envia os setenta, Jesus diz que “digno é o trabalhador do seu salário”. E em 1ª Timóteo, Paulo cita o ensino de Jesus como base para o fato de que os pastores devem ser remunerados pelo seu trabalho pastoral.[9]
Mas, ao mesmo tempo que os ministros devem ser remunerados por seu trabalho, Deus enfatiza que não podem ser pessoas que servem por dinheiro e bens. Não podem ser amantes do dinheiro. Não podem ser cobiçosos de torpe ganância. [10] Porque, se eles próprios forem pessoas que amam o dinheiro, como poderão ajuntar tesouros no céu? E como poderão levar outros para um lugar aonde nem eles mesmos irão?
Assim, ainda que Deus, em sua soberania, coloque certos ministros numa posição social que lhes favoreça financeiramente, em si mesmos eles devem ser servos da Palavra, e não negociantes dela. Se Deus concede melhores condições materiais para certos ministros, elas devem ser instrumentos para o crescimento do próprio ministro e do reino de Deus. Pois para os mercadejadores da fé a sentença bíblica é de condenação.[11]
3.2. O ministro da Palavra tem uma mensagem que recebeu de Deus, e é isto o que ele deve anunciar.
No v. 7, o Senhor Jesus ordena: “Pregai que está próximo o reino dos céus...”
Isso significa que, ao chamar aqueles a quem escolheu, para falar em seu nome, o Senhor Jesus também define e ordena o conteúdo daquilo que deve ser anunciado. O apóstolo Paulo entendia isto, assim como deve ser com cada ministro do Evangelho, de forma muito clara. Vamos ler 2ª Coríntios 4:5
Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus.
Também 1ª Coríntios 2:1, 2
1 Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. 2 Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado.
Eu sei, irmãos, que o apóstolo Paulo não perecia ter muita perspicácia quanto ao seu “público alvo” em Corinto. Pois Corinto era uma cidade de pessoas que se julgavam altamente intelectualizadas, que se deleitava em sua herança grega, filosófica. E se Paulo usasse uma linguagem filosófica (aliás, a palavra filosofia tem um significado muito bonito: amor à sabedoria), talvez muitas pessoas se sentissem mais atraídas para ouvir o que ele tinha a dizer. E o admirariam muito.
Mas Paulo tinha tanto temor de Deus, e sabia que a pregação é uma coisa séria, que tem a ver com salvação eterna. Ele não podia arriscar as almas das pessoas falando de suas opiniões pessoais, ou ostentando-se a si mesmo. Então, ainda que fosse um homem culto, ele resolveu nada saber, a não ser uma coisa: Cristo crucificado; escândalo para os judeus e loucura para os gentios, mas poder de Deus para os que se salvam.[12]
Os mensageiros de Cristo não são chamados para falar de si mesmos, mas do Evangelho de Jesus; o Evangelho do reino de Deus, da vida eterna, da salvação da alma. Como Paulo diz: eles são servos dos homens, por amor a Jesus.
3.3. Mas em terceiro lugar, isto significa que eles têm uma mensagem infalível.
Quando eles dizem, “o reino de Deus está próximo”, quando eles anunciam a mesma mensagem que Cristo anunciou, que em Cristo a salvação foi trazida, que os pecados foram perdoados, que a comunhão com Deus foi restaurada, quando anunciam que todo aquele que crê, tem a vida eterna, quando em nome de Cristo exortam os homens para que se reconciliem com Deus,[13] estão falando daquilo que, embora seja loucura para uns e fraqueza para outros, é sabedoria e poder de Deus para a salvação.
Deus está falando por meio deles, e a Palavra de Deus é verdadeira, fiel, eficaz, salvadora. Através de todo os tempos, onde quer que esta mensagem da salvação em Cristo tenha sido pregada e recebida com fé, milhões de vidas foram salvas e transformadas. Ao mesmo tempo, uma mensagem tão solene, tão digna de atenção que, se alguém se recusar a ouvi-la, prestará contas a Deus no dia do juízo.
vs. 14 e 15
14 Se alguém não vos receber, nem ouvir as vossas palavras, ao sairdes daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés. 15 Em verdade vos digo que menos rigor haverá para Sodoma e Gomorra, no Dia do Juízo, do que para aquela cidade.
Pois os ministros da Palavra são servos de Deus, que falam em nome de Cristo, por amor a Cristo, por amor às ovelhas cujas almas precisam de pastor.

Assim aprendemos que, por amor às suas ovelhas, a cada nova geração o Senhor Jesus chama e comissiona a certos homens a fim de que preguem a sua Palavra. Por isto a cada geração existem aqueles que se sentem chamados por Deus, e se dedicam de coração a este serviço, com amor, com fidelidade e ansiedade pela salvação de almas.
Qual deve ser a nossa atitude diante desta obra do Senhor Jesus em conceder homens com esta missão?
1º. Gratidão ao Supremo Pastor pelo seu amor e cuidado fiel.
Inclusive gratidão por causa dos pastores do passado

Hebreus 13:7
Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram.
A doce recordação, a imitação da fé, são coisas que agradam ao Espírito Santo.
2º. Em segundo lugar, atender aos cuidados que os pastores dado por ele dispensam às nossas almas

Hebreus 13:17
Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros.
Claro que com isto o Espírito de Deus pressupõe homens fiéis à sua Palavra, e não “aproveitadores da fé”.

3º. Oração, para que o Senhor envie mais trabalhadores à sua seara.

4º. Disposição nas mãos do Senhor, a fim de sermos usados por ele, de acordo com estes princípios que ele mesmo tem estabelecido.




[1] William Barclay, Comentário em Mateus, pág. 387
[2] Há um livrinho muito edificante, de J. C. Ryle: “A falibilidade dos ministros”. Ele está disponível gratuitamente através do Projeto Spurgeon, em: http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2012/05/ebook_a_falibilidade_dos_ministros_ryle-1.pdf
[3] Ec 4:9-12
[4] Leia Jeremias 23
[5] Há pelo menos duas outras razões pelas quais podemos entender que aquele ainda não era o tempo de os apóstolos se dirigirem aos territórios samaritano e gentios, além da mencionada acima: 1. Era necessário que o Evangelho fosse pregado primeiramente aos judeus (Rm 1:16). 2. Com certeza esta primeira excursão evangelística também era um treinamento dos apóstolos, em preparação para o seu ministério futuro, quando então iriam muito além do território israelita.
[6] Veja Russel Sheed, Tão grande salvação – Exposição bíblica de Efésios (São Paulo, ABU, 1978), pág. 10
[7] Ef 2:20
[8] Ef 4:11, 12
[9] 1ª Tm 5:17, 18
[10] 1ª Pe 5:2
[11] 1ª Pe 2:1-3
[12] 1ª Co 1:21-24
[13] 2ª Co 5:20


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Quando Jesus olha do céu: o coração do nosso Pastor - Mt 9:35-38


IEP, domingo, 27 de janeiro de 2013.
Pr. Plínio Fernandes
O nosso Salvador, o Senhor Jesus é um pastor de almas inigualável. Neste texto, Mateus nos conta como é o coração do nosso Pastor:
1.    É um coração que se compadece com o sofrimento humano
2.    É um coração que acredita na oração
3.    É um coração que acredita no nosso ministério
Isto nos anima a confiar nele, amar aos que sofrem, a orar e a trabalhar pelo reino de Deus.
Amados irmãos, vamos ler Mateus 9:35-38.
35 E percorria Jesus todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades.36 Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor.37 E, então, se dirigiu a seus discípulos: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos.38 Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.
Mateus nos conta que Jesus era um trabalhador incansável nos campos do Senhor. Ele percorria todas as cidades e povoados da Galiléia, pregando o evangelho do reino de Deus, curando as enfermidades e libertando os oprimidos do Diabo.
E agora estava chegando o momento de uma nova etapa no ministério dele e dos seus discípulos. Pois logo em seguida, no capítulo 10, este Evangelho nos diz que o Senhor chamou doze entre eles, e os enviou a fazerem as mesmas coisas que ele: pregar e manifestar a chegada do reino de Deus em Israel.
Mas antes de enviar os doze, nós lemos sobre o que se passava no coração de Jesus: ele estava pensando em todas aquelas pessoas que moravam nas aldeias e povoações – e que certamente não eram somente israelitas “puros”, mas também samaritanos, romanos, e pessoas vindas de tantos lugares do mundo, do vasto império romano. Jesus pensava em tanta gente escravizada a muitos pecados; pensava nos enfermos, nos oprimidos do diabo. Pensava no cansaço de alma destas pessoas, nas suas aflições, e o seu coração se enternecia diante do sofrimento humano.
Então ele disse: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.
Jesus, que é o mesmo ontem, hoje, e o será para sempre, continua contemplando as multidões. Eu quero meditar com vocês sobre algo do nosso coração do Senhor, que o Espírito Santo nos revela aqui.
v. 36 - Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor.
O bom pastor se compadecia destas multidões, pois eram pessoas espiritualmente carentes, cansadas, aflitas, e não havia quem cuidasse delas.
Esta nossa palavra “compaixão” é de origem latina, e significa “padecer com”, “sofrer junto”; ter compaixão é a virtude de estar ao lado daquele que sofre. Esta palavra transmite bem o que Mateus está nos falando sobre Jesus. Aliás, transmite bem o testemunho que toda a Bíblia nos dá sobre o coração de Deus em relação a nós. Apenas como um exemplo, leiamos o Salmo 56:8
“Contaste os meus passos quando sofri perseguições; recolheste as minhas lágrimas no teu odre; não estão elas inscritas no teu livro?”
Deus recolhe as nossas lágrimas. Ele as tem escritas no seu livro. Isto é, os nossos sofrimentos não passam despercebidos aos olhos do Senhor. Ele é alguém que compreende e sente os males, as dores que a nossa alma suporta diante das nossas necessidades, em todo o sentido, seja espiritual ou não. As nossas dores emocionais. Os nossos pecados, as situações que nos afligem. Ele vê quando nossa alma está se sentindo cansada, aflita, vazia, e cuida de nós, nos pastoreia e nos apascenta.
E não vê somente as nossas aflições, mas de cada ser humano, pois os olhos do Senhor estão em todo o lugar, contemplando todos os homens. Ele contempla as pessoas andando nas ruas, absortas em seus pensamentos. Nos ônibus, trens e automóveis, cansadas, preocupadas, tristes. Contempla as pessoas amarguradas de alma, os corações cheios de ira, as inimizades. Contempla as pessoas nos leitos de enfermidade, seja em casa ou hospitais. Contempla as vítimas da maldade humana e de Satanás – as vítimas de crimes, as vítimas de abuso de toda sorte. Contempla as multidões que seguem falsos deuses, falsos evangelhos. Contempla os drogados, os alcoólatras, os que vivem em pecados sexuais. Contempla as pessoas buscando diversões desenfreadamente, buscando bens materiais constantemente, como se as coisas deste mundo pudessem preencher o vazio do coração humano, e não percebem que este é um vazio que só Deus pode preencher. Contempla centenas de milhares de pessoas que amaram o mundo, se desviaram do Evangelho, e que agora vivem sem a paz que o Evangelho dá. Ele contempla as pessoas perdidas, sem ele neste mundo, e se compadece, pois são como ovelhas que não têm pastor.
E anela ser o pastor de cada uma delas. Pois veja o convite que ele faz no cap. 11:28
Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.
Este é o desejo de Jesus, o anseio do seu coração.
Veja: Jesus contempla as multidões. Ele vê que precisam de pastores que cuidem delas. Não que Jesus se iludisse pensando que todas as pessoas queriam ser pastoreadas. Mas compreende que a realidade última de cada coração humano, reconheça ele ou não, queira ele ou não, é uma profunda necessidade de receber a Deus e à sua Palavra.
Então ensina aos discípulos: Rogai ao Senhor da seara que envie trabalhadores...
Há duas ou três coisas que eu gostaria de observar:
Primeira: “Jesus é o homem que veio do céu”: ele sabe, mais que qualquer pessoa, “como as coisas do céu funcionam”. Então, se você quer saber como é que a vontade de Deus pode se realizar na terra, precisa ouvir o que Jesus está dizendo.
Segunda: Jesus está dizendo que o meio de obtermos os favores do céu é através da oração.
Esta palavra, “rogar”, significa “suplicar, pedir com um forte desejo no coração”. Ela me diz que Jesus não pensava na oração como um “poder mágico”, mas como uma troca de afetos entre os filhos de Deus e o Pai celestial, como a súplica de um filho que se reconhece como amado do Pai, e que por isto confia nele. Ele já havia falado disto em Mateus 6, quando nos ensinou que se pedirmos, o Pai dará tudo o que necessitamos, que o Pai nos recompensará se entrarmos em nosso quarto, fecharmos a porta e falarmos com ele (Mt 6:6). E de novo em Mateus 7, onde diz que, se batermos na porta do céu, se buscarmos, isto é, se orarmos com insistência, Deus, como um Pai que dá o que é bom aos filhos, nos dará também muitas coisas boas (Mt 7:7-11).
Agora novamente ele ensina: “Peçam a Deus, supliquem a Deus”, como que dizendo, “pois esta é a maneira como estas multidões sem pastor poderão ser alcançadas”.
Terceira: ele mesmo era um homem de oração.
Depois de ensinar estas coisas, no capítulo 10 aqui de Mateus nós o vemos chamando especificamente a doze dos seus discípulos, que no v. 2 já são designados como “apóstolos”. Ele os envia então às ovelhas perdidas da casa de Israel (10:6), a fim de anunciar a elas o reino de Deus. Agora, em Lucas 6, nós lemos sobre o que Jesus havia feito antes de escolher, entre os discípulos, aqueles que seriam os apóstolos. Vejamos Lc 6:12, 13
12 Naqueles dias, retirou-se para o monte, a fim de orar, e passou a noite orando a Deus.  13 E, quando amanheceu, chamou a si os seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu também o nome de apóstolos
Você sabe que muitas vezes os Evangelhos nos apresentam Jesus orando: orando na solidão, orando diante dos discípulos, orando de dia, orando de noite, orando em casa, orando no deserto, orando no jardim, orando nas tentações, orando nas alegrias.
Orando, orando, orando; e esta é uma destas ocasiões. Ele irá enviar trabalhadores, e então passa uma noite orando ao Pai.
Então veja: diante da grande demanda da necessidade humana, a primeira coisa que Jesus nos diz é que precisamos orar.
E aqui, como em tudo sobre Jesus, meus irmãos, nós podemos notar mais uma coisa extraordinária em sua maneira de pensar. Há duas observações que desejo fazer:
A primeira: é que Israel estava vivendo, como em muitas outras ocasiões no passado, um momento muito triste de sua história. É entristecedor pensar no fato de que Israel tinha tudo para ser a nação mais feliz da terra naqueles dias (e talvez o fosse, o que é mais entristecedor ainda).
Israel havia recebido a Palavra de Deus por meio dos profetas. Era a nação eleita, o povo de propriedade exclusiva de Deus, dentre as quais havia uma tribo em especial, escolhida do Senhor para ministrar a eles a Palavra; Palavra de Aliança; Aliança de vida e paz.
Servir ao povo do Senhor com esta Palavra era a grande responsabilidade e privilégio dos levitas, dos sacerdotes, e dos doutores da lei. Israel tinha milhares de sacerdotes do Altíssimo, herdeiros de uma linhagem antiga e respeitada, escolhida do Senhor para o ministério. Tinha milhares de doutores da lei, tidos como ministros da Palavra que deveriam guiar o povo do Senhor.
Mas estes homens não tinham coração de pastor. Não se importavam com o bem estar das almas. Muitos dentre eles, os saduceus, eram claramente incrédulos quanto a certas doutrinas bíblicas, como a crença em anjos, a crença na ressurreição, na existência de espírito (At 23:8). Muitos daqueles escribas, doutores da lei, eram legalistas, sem misericórdia para com os pecadores e o povo de modo geral. Muitos eram pessoas que amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus (Jo 12:43).
Israel, na verdade, tinha muitos doutores em teologia, mas não tinha pastores. Porque, sabem o que é um pastor? A melhor definição de “pastor” que temos está em Hebreus 13:17
Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros.
Este versículo está cheio de verdades tremendas, para as quais devemos atentar em nossa busca de fazer a vontade do Pai. Mas eu quero destacar apenas o propósito daquele que é chamado por Deus para ser um pastor: ele vela pelas almas, como quem há de prestar contas ao Senhor da seara.
Ele não está preocupado, primeiramente, com estruturas, instituições, aparências e legalismos. Ele não está preocupado com o seu “próprio pedigree”, se ele é herdeiro de uma sucessão apostólica que chegue a João Calvino, Lutero ou qualquer outro, mas, sem desprezar o valor de sua herança histórica, entende que o mais importante é o chamado de Deus para cuidar das almas.
Com isto, meus irmãos, não estou dizendo que a igreja não precisa doutores, pois precisa (Ef 4:11), mas precisa de doutores que tenham o mesmo coração de pastor que há em Jesus.
E aqui está o de notável no pensamento de Jesus, que desejo destacar: ainda que o ministério pastoral dos que se entendiam como escolhidos de Deus em Israel estivesse passando por dias de grande fracasso, ainda que eles não fossem, de fato, pastores, o Senhor Jesus ensina aos seus discípulos: Rogai ao Senhor da seara que envie trabalhadores. Deveriam pedir a Deus homens que fizessem a tarefa.
Porque pedir a Deus que mande homens? Porque, usando uma conhecida frase, “homens são o método de Deus”. Homens que sejam fruto de oração. Que sejam fruto do chamado de Deus. Homens que amem as pessoas, que velem pelas almas.
E Deus não abandonara, como não abandonará, esta maneira que estabeleceu para agir no mundo: através de homens cujo coração, ouvindo a voz do Espírito Santo, pertença a ele, que se coloque à sua disposição. Não é o que vemos em toda a história bíblica? E não é o que vemos em toda a história posterior da Igreja? E também não é o que vemos estabelecido como doutrina e preceito para nós?
Por exemplo, vamos ler Efésios 4:11:
E ele mesmo [Jesus] concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres...
Deus não envia anjos celestes, mas anjos humanos para cuidar de suas ovelhas... Então, irmão, peça ao Senhor.
Segundo, e isto é um princípio do reino: aqueles que oram assim, que oram com insistência, fé e amor, que pedem que o Senhor mande trabalhadores, devem eles mesmos estar dispostos a trabalhar para Deus. Porque, viram o que Jesus fez logo depois de ensiná-los a pedir? Ele os envia.
E isto não me parece que isto seja “uma pegadinha de Deus”, mas sim o resultado natural de uma disposição que surge no coração daquele que ora, pois o coração dele está sintonizado com o coração de Deus. Aquele que ora por certo bem, naturalmente será inclinado a buscar aquele bem. Aquele que ora pela conversão das pessoas, será inclinado a buscá-las. Aquele que ora pelo bem-estar da igreja, pela sua paz e pelo seu crescimento, será inclinado a buscá-los.
Com isto, irmãos, não quero dizer que todos vocês, ao orar, devem se sentir chamados para ser pastores, ou evangelistas, ou missionários, ou pregadores em qualquer sentido; mas que ao orar, e esta é a vontade de Jesus, que se coloquem nas mãos de Deus para serem usados conforme ele quiser. Embora muito necessário, nem todos são chamados para pregar. Mas cada um de nós tem pelo menos um dom espiritual.
Prossigamos aqui em Efésios 4, agora do v. 12 ao 16:
12 com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo 13 até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo,14 para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro.15 Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo,16 de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.
Então veja: de acordo com a sequência aqui apresentada, o propósito de Deus é que, tendo recebido a Palavra por meio dos que têm o dom de ministrá-la, cada pessoa da igreja, igreja, que ele diz, é corpo de Cristo, na qual cada pessoa é um membro, cada pessoa desempenhe o seu serviço, a fim de que os filhos de Deus sejam edificados no caráter, na doutrina, no aumento do rebanho de pessoas pastoreadas por Jesus.
Todo aquele que ora por obreiros, ele mesmo se transforma, ou antes, é por Deus transformado num obreiro de Deus. Que coisa tremenda, o sermos chamados “cooperadores de Deus” (1ª Co 3:9), gente que trabalha com ele. Não é muito bonita a maneira como Deus faz as coisas? Não é muito bonito o coração de nosso Pastor Jesus?
Concluindo...
Neste momento, meus irmãos, nosso Salvador, o Senhor Jesus Cristo, está no seu trono no céu, assentado à direita de nosso Deus e Pai (Hb 1:1-3). A partir de seu trono, ele tem toda a autoridade, no universo inteiro (Mt 28:18-20).
Ali está ele governando soberanamente sobre os céus e a terra, e de um modo que podemos chamar “muito especial”, governando sobre a sua igreja, e sobre cada um de nós, os crentes, em particular.
Ali ele está desfrutando de toda a glória que tinha com o Pai desde antes da criação do mundo (Jo 17:5). Em todo o tempo ele recebe a adoração dos seres celestiais, e dos espíritos dos justos aperfeiçoados, e também recebe a nossa adoração (Hb 12:22, 23).
Do trono dos céus ele envia os seus anjos, ministros seus em favor daqueles que hão de herdar a salvação (Hb 1:4). Estando à direita da Majestade de Deus nas Alturas, uma das coisas que ele faz é interceder em nosso favor continuamente (Rm 8:34; Hb 7:25).
Ele nos defende contra as acusações de Satanás (1ª Jo 2:1), ele roga ao Pai que nos dê mais do seu Espírito (Jo:14:16), ele nos protege em suas mãos e nas mãos do Pai (Jo 10:28). E assim ele fará sempre, até a consumação da história da salvação.
Por causa de todas estas coisas, nós sabemos que nossa vida está em boas mãos. Que nossa alma está segura. Que a boa obra começada em nós há de ser aperfeiçoada (Fp 1:6). Jesus é o nosso Rei e Sacerdote, é o nosso Senhor e Salvador.
Mas irmãos, no presente momento, enquanto Jesus não volta, enquanto o reino de Deus ainda não veio em toda a sua plenitude, enquanto ainda estamos gemendo neste corpo, aguardando a nossa redenção, e não somente nós, mas a criação inteira (Rm 8:17:23), esse nosso Rei e Sacerdote, não está com o coração descansado de seus sofrimentos. Conforme Paulo nos diz na carta aos Colossenses, ainda restam aflições de Cristo em favor do seu corpo, que é a Igreja (Cl 1:24).
1. Quando olha do céu, Jesus, que é o mesmo ontem, hoje e o será para sempre, e vê as multidões aflitas e exaustas, continua tendo o mesmo coração.
Ele se alegra com as nossas alegrias (Hb 2:11-13), mas ainda se aflige com os nossos sofrimentos, se compadece com as nossas fraquezas e pecados (Hb 4:15), e também das muitas pessoas deste mundo, que sofrem como ovelhas que não têm pastor.
Primeiro, isto quer dizer que você, se ainda não tem a Jesus como seu pastor, poder tornar-se uma ovelhinha dele agora. Porque ele quer ser o seu pastor.
Você está cansado e oprimido? Venha a Jesus. Você está cansado com os teus próprios pecados? Venha a Jesus. A sua alma está vazia? Venha a Jesus. Creia nele. Receba a Jesus como o seu Salvador. E ele será o seu pastor a partir de então.
Segundo: crente em Jesus, você tem um pastor para a sua alma:
Deixe-o cuidar de você. Confie nele pra tudo. Confie nele em tudo. Entregue a ele cada preocupação, cada sofrimento, cada dor, cada necessidade, cada aflição. E descanse nas águas tranquilas.
Terceiro: você quer aprender com Jesus?
Se ele é o teu pastor, descanse, saiba que nada te faltará, e volte os seus olhos para o mundo. Mas, lembra-se de quando Jesus não era o teu pastor? Lembra-se de como era carregar o fardo dos seus pecados? Sem paz no coração?
Olhe para o mundo: olhe para as pessoas à sua volta, com os olhos de Jesus. Olhe para os aflitos, para os sem Deus neste mundo, olhe para os que estão caminhando a passos largos para o inferno. E tenha compaixão.
2. Jesus também continua a confiar no poder da oração, isto é, no poder da comunhão com Deus. Ele mesmo continua a interceder por nós, continuamente
Faça como ele ensinou. Ore. Rogue; suplique com insistência.
Ore que Deus levante muitos obreiros. Muitos homens e mulheres, jovens e velhos, e crianças, gente que ele chame, que ele capacite, que ele use. Ore por mim, ore por nossos presbíteros, pois são pastores comigo. Ore pelo poder do Espírito Santo em nossa vida. Ore pela igreja, pelas igrejas, pela nossa igreja. Ore pelo derramar do espírito Santo sobre nós. Peça ao Pai. Peça, busque, bata.
3.  E Jesus também continua a crer no ministério dos homens. Homens que o amam, chamados pelo Pai, enviados pelo Espírito.
Ele continua a vocacionar, a conceder dons, e a usar os seus escolhidos. Acredite nisto também. Acredite no ministério daqueles homens que você vê que amam as coisas do céu, que amam a Palavra, que amam as almas, que buscam a salvação de almas. E seja um deles. Use seus dons, use suas oportunidades, use seus recursos, use tudo o que você é e tudo o que você tem, para a salvação de almas, para o progresso do reino de Deus na terra.

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