Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

domingo, 6 de setembro de 2026

A beleza na pregação do evangelho - 2ª Co 2.1-17

Pr. Plinio Fernandes

Mensagem pregada em 6 de setembro de 2026, na 3ª Igreja Presbiteriana Conservadora de Guarulhos

2 Ora, quando cheguei a Trôade para pregar o evangelho de Cristo, e uma porta se me abriu no Senhor, 13 não tive, contudo, tranquilidade no meu espírito, porque não encontrei o meu irmão Tito; por isso, despedindo-me deles, parti para a Macedônia. 14 Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo e, por meio de nós, manifesta em todo lugar a fragrância do seu conhecimento. 15 Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto nos que são salvos como nos que se perdem. 16 Para com estes, cheiro de morte para morte; para com aqueles, aroma de vida para vida. Quem, porém, é suficiente para estas coisas? 17 Porque nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a palavra de Deus; antes, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus.

  Intr.

  Para nós, crentes em Jesus, o momento clímax de nossa semana é este: o de nos reunirmos, na presença de Deus, para adorá-lo.

  Esse é um momento essencial para a nossa razão de ser como povo de Deus na terra.

  Seguindo a Bíblia, no Antigo e no Novo Testamentos, tanto nos mandamentos como nos exemplos da igreja, entendemos que o Domingo, Dia do Senhor, é um dia santificado, e temos o santo dever de nos reunir em comunhão espiritual para buscar a Deus em oração, cantar-lhe louvores, participar dos sacramentos instituídos por Jesus, anunciar as suas maravilhas, e principalmente para ouvir Deus falando conosco na exposição fiel das Escrituras.

  O propósito desses atos de culto também nos é dado na Bíblia: cultuamos para dar honra e glória que são devidos ao nosso Senhor, a Trindade santíssima; também cultuamos para nos edificar uns aos outros, e para anunciar o evangelho ao mundo.

 Mas orar, cantar louvores, ofertar, participar da santa ceia, nada disto teria eficácia, se não fosse realizado sob a orientação e autoridade das Sagradas Escrituras.

  As Escrituras são inspiradas por Deus, e úteis para a nossa salvação mediante a fé em Jesus, para nosso ensino, para a nossa correção, para a nossa educação na justiça.

 Nelas, o Senhor nos fala como um Pai que ama os seus filhos, a quem quer conduzir à maturidade, à pureza e aperfeiçoamento na santidade, a quem quer capacitar para a prática de toda a boa obra.

 Nas Escrituras, o Senhor nos conforta, enxuga nossas lágrimas, nos encoraja, admoesta, e nos transforma espiritualmente.

  Por isso dizemos que em nossos cultos, a exposição das Escrituras tem a primazia. Não que as outras partes do culto não tenham importância, mas que só podem ser fruto da Palavra de Deus.

 Prop.

 Tendo essas coisas em mente, em continuidade da nossa exposição desta carta, eu desejo hoje dirigir nossos pensamentos ao que podemos com toda a justiça chamar de a beleza da pregação.

  Nós vemos beleza na pregação...

  Divs.

  1. Porque a pregação é demonstração do poder de Deus

  Com isso, eu quero observar algo que nos deixa maravilhados: que a Palavra de Deus é trazida à igreja mediante seres humanos.

  A maravilha é que nós, seres humanos, embora criados à imagem de Deus, somos tão limitados; não somos oniscientes, não somos onipresentes, não somos todo-poderosos.

  Somos sujeitos a fraquezas, temores, nosso corpo físico e nossas faculdades mentais, mesmo que não houvesse pecado no mundo, estão sujeitos ao cansaço, à finitude das forças.

  Nós podemos ver isso exemplificado no próprio Paulo aqui.

vs. 12, 13 – Ora, quando cheguei a Trôade para pregar o evangelho de Cristo, e uma porta se me abriu no Senhor, 13 não tive, contudo, tranquilidade no meu espírito, porque não encontrei o meu irmão Tito; por isso, despedindo-me deles, parti para a Macedônia.

  Os irmãos sabem, Tito havia sido enviado por Paulo a Corinto, levando a uma carta, depois se encontrariam em Trôade, ali Tito lhe daria notícias sobre Corinto, e juntos pregariam o evangelho.

  Mas o desencontro deixou Paulo tão intranquilo que ele perdeu o ânimo de continuar ali.

  Deus, em sua sabedoria, em seu amor, em sua soberania, escolheu homens assim, frágeis, para anunciar sua Palavra.

  Lembrem-se dos profetas; Abraão, Moisés, Samuel, Davi, Elias, Jeremias e todos os outros. Cada um teve os seus fardos. Moisés, o pesado de língua, Elias, o melancólico; Jeremias, o sentimental apaixonado pela igreja, Samuel, sentindo-se rejeitado, Abraão, com seus altos e baixos.

  Lembre-se dos doze apóstolos.

 Mas Deus decidiu enviar a sua poderosa palavra ao mundo através de homens assim: comuns, em quem não havia aparência de grandeza, assim como não houve aparência de grandeza nem mesmo em Jesus.

  Ora Paulo era um homem plenamente consciente de suas fraquezas.

  No entanto, tinha também uma visão muito clara da graça de Deus que o conduzia. E isso lhe dava ousadia, ânimo, perseverança, seriedade, temor e tremor.

2.16 – Para com estes, cheiro de morte para morte; para com aqueles, aroma de vida para vida. Quem, porém, é suficiente para estas coisas?

  A resposta final ele dará no cap. 3

3.5-6 – Não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus, 6 o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica.

4.7 – Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós.

  Mais tarde, lá no cap. 11, Paulo dirá que as coisas do evangelho de Cristo são simples.

 Nada é complicado; nada é sumidade filosófica; nada é pompa e circunstância; nada é espetacular. Tudo é simplicidade.

 Mas nessa simplicidade toda, Deus está presente.

 2. A beleza da pregação também é evidenciada pela sua origem: ela é Palavra de Deus

 Embora seja transmitida através de homens, a pregação é Palavra de Deus, na medida em que é pregada com fidelidade e submissão daquele que foi habilitado e aprovado para o ministério

v. 17 – Porque nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a palavra de Deus; antes, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus.

 Ele fala em nome de Deus, na presença de Deus, da parte de Deus.

 Quando o pregador fala conforme essa descrição aqui, o próprio Deus está falando, tão presente como se estivesse encarnado e palpável.

 As analogias que Paulo faz aqui nas cartas aos Coríntios nos ensinam a atitude do pregador e o conteúdo da pregação

2ª Co 5.18-20 – Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, 19 a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. 20 De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus.

  O pregador fala da parte de Deus, por isso é chamado embaixador: ele anuncia como Deus, por meio de Jesus Cristo, estava nos reconciliando consigo mesmo.

  Então faz um apelo para a conversão, a paz com Deus por meio de Jesus.

1ª Co 4.1-2 – Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus. 2 Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel.

  O pregador é também um despenseiro, um administrador da casa de Deus, e o que se requer dele é que seja encontrado fiel.

  Ele não pode desperdiçar as coisas de Deus, não pode roubá-las para si mesmo; não pode usufruí-las de modo ilegítimo, e não pode vender as coisas de Deus.

  Antes, o que ele precisa fazer é anunciar com clareza, a fim de que os ouvintes saibam o que Deus requer, e se posicionem diante de Deus.

  É muito útil lembrança feita pelo Rev. Paulo Anglada sobre esse assunto.

  A Bíblia é a Palavra de Deus escrita. Jesus é a Palavra de Deus encarnada. O batismo e a santa ceia são a Palavra de Deus simbolizada, representada. E a pregação é a palavra de Deus proclamada.1

  3. A beleza da pregação também é manifestada na sua autoridade

  A pregação fiel, feita por homens falíveis, é exposição de uma Palavra infalível

  Você se lembra da eficácia, do poder da Palavra de Deus, conforme ele disse através do profeta Isaías?

Is 55.11 - Assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei.

  Da mesma forma Jeremias recebeu do Senhor a segurança da sua pregação: – “Eu velo sobre a minha palavra, para cumpri-la”.2

  Essa é a autoridade da qual Paulo fala aqui.

  Antes de voltar propriamente ao cap. 2, eu quero ler com os irmãos, no cap. 10, o v. 8.

2ª Co 10.8 - Porque, se eu me gloriar um pouco mais a respeito da nossa autoridade, a qual o Senhor nos conferiu para edificação e não para destruição vossa, não me envergonharei.

  A autoridade que o Senhor conferiu a Paulo como embaixador de Deus tem como propósito a edificação da igreja; a chamada aos homens para que se reconciliem com Deus tendo Jesus como seu mediador, como seu único e suficiente salvador.

  Por isso ele explica tantas vezes quantas forem necessárias; busca clareza, fala com sinceridade, procurando persuadir; descreve a profundidade do pecado e a condenação que ele traz; e proclama a graça de Deus conclamando a que se arrependam e creiam.

  Ensina com toda a longanimidade e doutrina, moldando as almas a fim de que sejam semelhantes a Jesus.

  Mas, e se os homens não se convertem? E se continuam na dureza do seu coração e seus caminhos carnais?

vs. 15, 16 – Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto nos que são salvos como nos que se perdem. 16 Para com estes, cheiro de morte para morte; para com aqueles, aroma de vida para vida.

  Eu quero usar a palavra perfume em nosso contexto atual.

  Imagine uma pessoa, deliciosamente perfumada, que entra numa sala onde há várias outras. Quando entra, as demais logo percebem aquela boa fragrância, e se deleitam, gostam.

  Mas imagine que nessa mesma sala haja uma ou mais pessoas alérgicas a perfume.

  Elas se sentirão mal, a ponto de até precisarem sair do ambiente (ou colocar o perfumado pra fora).

  Mas indiferente ao perfume, ninguém ficará.

  A Palavra exposta, a Palavra que sai da boca do Senhor, é como um perfume de Cristo: ela se faz notar; provoca reações; para os que recebem, é perfume de vida; para os alérgicos, é perfume mortal. Mas não voltará vazia.

  É uma mensagem que salva os que creem, mas que julga os que permanecem no mal.

  Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer, será condenado.3

  Conclusão

  Irmãos, vocês percebem a beleza e a grandeza desse simples hora semanal aqui?

  Percebem sua importância?

  Cada culto é um encontro com Deus.

  Nós oramos a ele, cantamos a ele, ouvimos a sua Palavra, participamos dos sacramentos.

  Ainda que eu seja tão limitado em mim mesmo, tão incapaz, eu tenho a felicidade de ter sido chamado para pregar a palavra do meu Senhor e Salvador.

  E vocês têm recebido a bem-aventurança de ser trazidos para ouvir a Santa Palavra.

  Palavra de vida, de conversão diária, de santificação, de crescimento, de consolação, de repreensão.

  Conforme a necessidade da sua alma, assim o Senhor te pastoreia.

  Mas também Palavra que exige uma resposta.

  Aplicações

  A primeira resposta que menciono: Deus requer que você tenha consciência da realidade celestial dessa hora

  Você precisa entender que as Escrituras não são um livro antigo, mas que elas são Deus falando hoje, agora.

  E você não pode escolher se vai crer ou não. Você deve crer.

  Deus requer que a sua Palavra exposta diante dos seus olhos e ouvidos seja ouvida e crida com temor e tremor, com humildade, contrição e obediência.

  Em segundo lugar, como fruto do primeiro, que você se alegre na Palavra.

 Não uma alegria passageira, apenas dominical, como aconteceu naqueles corações pedregosos da parábola, em que depois de se alegrar algum tempo, se apegaram novamente ao mundo.

  Mas uma alegria, uma satisfação, um prazer, um amor permanente pela Palavra de Deus, que te leve a ler, a meditar, e a ouvi-la junto aos irmãos.

  Não deixe Satanás te enganar com a mentira de que você pode ser um cristão desigrejado; ou com a mentira de que você é igreja; igreja significa ajuntamento, congregação; igreja individual não existe.

  Terceiro: a reconciliação com Deus

  Aos que estão desviados em seus corações; aos que ainda não se renderam a Cristo, eu rogo em nome de Cristo:

  – Reconciliai-vos já com Deus; deixe o perverso os seus caminhos, e se converta ao Senhor, que é rico em perdoar.

  – Se é um ladrão, deixe de furtar.

  – Se é um beberrão, se é um imoral, se é um mentiroso, se é um desonesto, essas pessoas não herdarão o reino de Deus.

 – Os feiticeiros, os adoradores de imagens, e todo aquele que ama e pratica a mentira, a parte deles será o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos.

  Não rejeite o evangelho. Crê no Senhor Jesus, e serás salvo.

  Quarto: o ministério da Palavra.

  Eu tenho dado ênfase, nessa mensagem, ao nosso momento de culto solene, isto é, o culto oficial da nossa denominação, da nossa igreja.

  E conforme nós interpretamos e confessamos em nossos símbolos de fé, a Bíblia diz que a pregação, assim como os sacramentos, deve ser realizada por aqueles a quem o Senhor concedeu dons, aprovou e chamou para o ministério.

  Mas eu quero fazer duas aplicações aqui.

 Irmãos, ser um pastor não é um meio de enriquecer financeiramente, ou materialmente. A grande maioria dos pastores não é gente endinheirada. Porque eu estou falando de pastores, e não de mercenários, de comerciantes da fé.

  Mas ser um pastor, além de ser uma grande responsabilidade, é uma grande honra. É uma vocação importante, que produz efeitos eternos.

  Então que quero me dirigir aos homens: jovens ou não. O mundo precisa pastores. Não mercenários, não comerciantes, mas embaixadores de Deus.

  Não pense que você, por si mesmo teria capacidade para isso; mas ore a Deus, como Isaías: – Senhor, envia-me a mim.

  Disponha-se. E se o Espírito Santo te chamar, obedeça.

  Segunda aplicação nesse contexto.

  Embora nem todos sejam chamados para ser pastores, há muitos outros contextos da igreja em que os irmãos podem ministrar a Palavra de Deus: cultos nos lares, escola dominical, evangelismo e discipulado pessoal.

  Uma das práticas mais antigas, muito útil, mas que infelizmente tem sido abandonada há tempos, é a de convidar pessoas aos cultos, e às outras atividades da igreja.

  Se você puder, traga visitantes. Se você puder, use aqueles folhetos evangelísticos. Se puder, traga crianças para a Escola Dominical, para os cultos.

  Ao fazer essas coisas, você está cooperando com Deus, para que sua Palavra seja anunciada.


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1 Anglada, Paulo, Vox Dei: A Teologia Reformada da Pregação; publicado em

https://www.monergismo.com/textos/pregacao/voxdei.htm; acessado em 3 de setembro de 2026 às 11:55H.

2 Jr 1.12

3 Mc 16.16

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