Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

domingo, 27 de setembro de 2026

Avante! - 2ª Co 2.12-17

 Mensagem de Domingo, 27 de setembro de 2026, na 3ª Igreja Presbiteriana Conservadora de Guarulhos

Pr. Plinio Fernandes

Amados irmãos, leiamos 2ª Co 2.3-17

Ora, quando cheguei a Trôade para pregar o evangelho de Cristo, e uma porta se me abriu no Senhor, 13 não tive, contudo, tranquilidade no meu espírito, porque não encontrei o meu irmão Tito; por isso, despedindo-me deles, parti para a Macedônia. 14 Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo e, por meio de nós, manifesta em todo lugar a fragrância do seu conhecimento. 15 Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto nos que são salvos como nos que se perdem. 16 Para com estes, cheiro de morte para morte; para com aqueles, aroma de vida para vida. Quem, porém, é suficiente para estas coisas? 17 Porque nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a palavra de Deus; antes, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus.

Intr.

v. 14 – Graças porém, a Deus, que em Cristo, sempre nos conduz em triunfo...

Estou lendo um livro sobre interpretação bíblica em que no prefácio o autor diz que escreveu “com feridas”.1

Fico pensando como, o que ele diz ali, pode ser dito quase que em cada empreendimento humano que valha a pena.

A nossa carreira como seres humanos, e especialmente como crentes em Cristo, destinados à eternidade, é escrita com muitos ferimentos.

A nossa própria salvação foi conquistada por Jesus em meio a muitos ferimentos.

Desde o cap. 1, versículo 18, Paulo vinha escrevendo aos coríntios sobre várias tribulações pelas quais havia passado: a luta com feras em Éfeso – não sabemos se literal, ou figurada (essa semana alguém nos disse que muitas vezes temos que lidar com “verdadeiros quadrúpedes humanos”), as acusações de alguns contra o seu caráter, contra o seu ministério, as investidas de Satanás, a sua preocupação com a igreja e com Tito, seu cooperador no reino de Deus; preocupações tão intensas que mesmo tendo uma porta aberta para pregar, simplesmente não aproveitou.

A princípio podemos pensar que tudo isso é um tanto deprimente.

Mas Paulo também havia escrito, nos vs. 3 a 7, ainda no cap. 1, que o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo é cheio de misericórdias, e nos consola em toda e qualquer angústia pela qual estivermos passando.

Assim, mesmo depois de mencionar tantas contrariedades pessoais, Paulo inicia o v. 14 descrevendo algo que o consolava:

Graças, porém, a Deus, que em Cristo sempre nos conduz em triunfo...

Que contraste enorme! Quando falamos sobre triunfo, estamos falando de vitória, de comemoração, de alegria.

O crente sofre muitos ferimentos. Mas também é sempre triunfante!

Prop.

Mas como, ao mesmo tempo em que falamos de tantas tribulações, podemos dizer que somos conduzidos em triunfo?

Divs.

Usando a conhecida frase...

1. Somos soldados de Cristo

Sem dúvida, quando ouviram a leitura desse trecho, uma imagem muito vívida foi trazida à mente dos coríntios.

O triunfo era uma procissão militar que acontecia na capital do império; a mais alta honraria que se podia dar a um general vitorioso.

E já fazia quase dois séculos, Corinto era uma colônia romana.

Muitos soldados romanos moravam lá, e paradas militares, assim como notícias de marchas triunfais faziam parte da vida cotidiana da cidade.

Mas o triunfo não era uma honraria dada a qualquer general, que tivesse qualquer vitória.

Ele deveria ter sido o comandante em chefe no campo de batalha, vencido um grande exército inimigo (pelo menos cinco mil inimigos mortos), conquistado um território, e pacificado e submetido os vencidos ao domínio de Roma.

Assim vitorioso, depois de algumas semanas de volta a Roma, a marcha era realizada.

Acho que a descrição mais completa que li sobre uma marcha triunfal foi dada por William Barclay.

Ele diz que no triunfo a procissão passava pelas ruas de Roma desde a entrada, em direção ao templo dedicado a Júpiter, o patrono da cidade.

Primeiro, iam os funcionários do Estado e o senado. Em seguida os trompetistas.

Depois se levava o despojo da guerra; os objetos valiosos obtidos da terra conquistada, modelos e mapas das cidades, dos portos e dos territórios ocupados.

Seguia o touro branco que seria sacrificado a Júpiter.

Depois, os infelizes cativos, os príncipes inimigos, os líderes e generais acorrentados, que em pouco tempo seriam, alguns jogados nas prisões e executados, e outros, vendidos como escravos.

Atrás deles ia uma escolta, e os músicos com suas liras. Mais atrás iam os sacerdotes balançando seus incensários nos quais se queimava o doce perfume.

Um perfume que se espalhava para todos os lados: para os vencedores, aquele perfume era comemoração, vida; porém, para os cativos, aquele incenso era cheiro de morte.

Depois ia o general em pessoa, em pé num carro puxado por quatro cavalos; vestido com uma túnica e sobre ela uma toga púrpura, roupas adornadas com palmas e estrelas douradas.

Um cetro de marfim na mão, com a águia romana em sua parte superior, e sobre a cabeça do general, uma coroa de louros.

Atrás dele, em outra carruagem, sua família.

E finalmente ia o exército, carregando todas as suas condecorações e gritando: “o triunfo! O triunfo!”. Era o grito de vitória.

A procissão caminhava através das ruas, decoradas e adornadas com grinaldas, entre a multidão que gritava e saudava. 2

Agora, imagine esses soldados alegres e vitoriosos.

Imagine quantas batalhas, quantas lutas corpo a corpo, quantas regiões inóspitas, quanta tensão haviam suportado, quantos inimigos enfrentados, ferimentos e cicatrizes no corpo e na alma, quanta exaustão, quantas noites mal dormidas, e quanta coragem, perseverança, sob a liderança do seu general que os conduziu à vitória.

É assim que Paulo se via, como soldado sempre conduzido em triunfo, não porque sua vida fosse um desfile, mas porque as lutas, as adversidades, o desgaste, a chuva e o sol, as distâncias percorridas, a guerra, tudo isso faz parte da vitória e do prêmio por sermos soldados de Cristo.

v. 14 – Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo e, por meio de nós, manifesta em todo lugar a fragrância do seu conhecimento...

– Nós somos sempre conduzidos por Deus...

– Nós sempre somos conduzidos em triunfo...

E é sempre assim em virtude da nossa união com Jesus Cristo.

É assim que todo o crente em Jesus se enxerga. É assim também que cada igreja se enxerga.

Jesus, o general do Reino do céu, e seu evangelho de salvação está em marcha pelo mundo conquistando, redimindo os que creem e se arrependem, e também julgando os que permanecem em seus pecados.

E faz de cada discípulo um soldado do seu exército.

Eu gosto muito de uma frase de A. W. Tozer. Não me lembro agora em qual dos seus livros, mas ele diz:

“Para o crente, esse mundo não é um parque de diversões. É um campo de batalha”.

Mas não um campo de batalha levada adiante carnalmente. Como está escrito no profeta Zacarias:

Não por força; nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.3

No capítulo 10, Paulo destaca as armas com as quais lutamos, e o nosso propósito.

2ª Co 10.3-5 - Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. 4 Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas 5 e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo…

Nossas armas não são espada, filosofias sociológicas, políticas, coach, nenhuma estratégia de sabedoria terrena.

Nossas armas são poderosas em Deus, pois são a oração, a comunhão, a Bíblia, o Evangelho que é poder de Deus para a nossa salvação, e de todo aquele que crê.

O evangelho que leva cativo todo o pensamento altivo e falacioso à obediência de Cristo; e ao mesmo tempo condena os que se opõe.

Isso nos leva ao segundo ponto...

2. Também somos o bom perfume de Cristo

vs. 14-16 – Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo e, por meio de nós, manifesta em todo lugar a fragrância do seu conhecimento. 15 Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto nos que são salvos como nos que se perdem. 16 Para com estes, cheiro de morte para morte; para com aqueles, aroma de vida para vida.

Na mensagem anterior, eu usei o conceito de perfume em sua acepção de fragrância para o corpo. É uma analogia que cabe perfeitamente.

Mas agora, desejo me aproximar mais do sentido da palavra aqui nessa alegoria de Paulo.

Dissemos que nessa procissão triunfal os sacerdotes sacudiam seus incensários cheios de perfume, e o aroma se espalhava por todos os lados.

Para o general e os soldados vitoriosos, esse perfume era de alegria e vida.

Mas para os derrotados era o perfume da morte. Logo seriam executados.

Somos o bom perfume de Cristo.

Porque, em todo o lugar, Deus espalha, por meio de nós, a fragrância do conhecimento dele.

Agora, na antiguidade entre os hebreus, o incenso era feito assim: a pessoa tomava algumas especiarias, misturava e depois esmagava bem. Em seguida a colocava para secar e depois usava queimando, para que o perfume se espalhasse.

Entre os romanos era feito com resina de árvores.

Mas veja: a primeira coisa é amassar, triturar. Já nesse processo o aroma da especiaria é exalado.

Você, irmão, é bom perfume de Cristo.

Na maneira como você reage diante dos problemas da vida; na maneira como você toma decisões; na maneira como você trabalha, na maneira como você fala, e o que fala, você testemunha o conhecimento de Deus.

Isso porque a sua vida é unida à vida de Jesus Cristo; ao seu Evangelho.

E o evangelho de Jesus é assim: para todos os que o aceitam, é o perfume da vida.

Veja a certeza maravilhosa que Jesus dá a todos os que se deixam cativar pelo evangelho.

Jo 5.24 - Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.

Digo que é uma certeza, uma posse, pois Jesus afirma que o crente já passou da morte para a vida. Já venceu. Já está marchando triunfantemente.

Mas a outra face da verdade é que todo o homem tem o dever de se render a Cristo.

Jo 12.48-49 - Quem me rejeita e não recebe as minhas palavras tem quem o julgue; a própria palavra que tenho proferido, essa o julgará no último dia. 49 Porque eu não tenho falado por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, esse me tem prescrito o que dizer e o que anunciar.

A palavra de Deus não volta vazia. Ela prospera naquilo para o qual foi designada.4

Percebe o valor da tua vida no avanço do Evangelho no mundo, tanto para a salvação como para juízo do mundo?

Percebe como tua vida tem significado, propósito, razão de ser?

Nem o mundo inteiro, nem anjos, nem principados e potestades, e todas as forças de Satanás juntas, não podem derrotar Jesus Cristo, e não podem derrotar todo aquele que está em Cristo.

Paulo termina o v. 16 com uma pergunta:

– Quem, porém é suficiente para estas coisas?

Então vejamos o terceiro ponto.

3. Nós vivemos em Cristo

v. 17 – Porque nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a palavra de Deus; antes, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus.

Mais uma vez, o eco de comentários maldosos: alguns diziam que Paulo fazia do evangelho um comércio, uma desculpa para encher os bolsos.

Mas como ele ainda terá outras coisas para falar a esse respeito, por ora vamos deixá-los de lado, e nos concentrar nesta oração: “em Cristo é que falamos, na presença de Deus...”.

Em Cristo é uma expressão chave, que explica toda a realidade da nossa vida com Deus; ou melhor, da nossa vida em Deus, e da vida de Deus em nós.

Quero citar dois versículos nessa mesma carta que afirmam esta realidade.

2ª Co 5.17 - E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.

Estar em Cristo resulta em ser, e fazer parte, como nova criatura, de uma nova realidade, uma nova criação.

É ser uma pessoa transformada, de entendimento e sentimentos transformados.

2ª Co 13.5 - Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados.

Examine-se a si mesmo, olhe para o seu interior; olhe para os seus pensamentos, seus sentimentos, os movimentos e inclinações da sua alma; examine o seu comportamento, as suas obras. Veja se você realmente crê em Jesus Cristo.

Ou você não consegue reconhecer se realmente Jesus Cristo está em você? Essas coisas recordam as palavras de Jesus:

Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós... Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós...5

Por um lado, dizemos que Cristo está em nós. Por outro, dizemos que nós estamos em Cristo.

Mas não é apenas “dizer”. É a realidade da nossa existência; a nossa união pela fé com Jesus Cristo, tão certo como o ar que nós respiramos.

Paulo não mede esforços para descrever o poder dessa realidade.

Em Romanos 6, ele diz que fomos unidos a Cristo na semelhança da sua morte, e também o seremos na semelhança da sua ressurreição. Em Cristo estamos vivos para Deus.6

Em Gálatas 2, lemos que “estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”.7

Em nossa união a Cristo como nosso representante na cruz, nós fomos justificados.

Em Cristo somos santificados.8

Em nossa união com Cristo, nós, que éramos inimigos de Deus em nosso entendimento, fomos reconciliados.9

Em nossa união com o Cristo ressurreto e entronizado no céu, nós, que estávamos mortos em nossos delitos e pecados, recebemos vida; fomos feitos reino e sacerdotes.10

Em Cristo temos acesso ao Pai celestial em oração.11

Em Cristo temos o Espírito Santo habitando em nós.12

Em Cristo temos paz no coração. 13

Todas essas coisas são tão reais que em Efésios ele diz: “Deus nos tem abençoado com toda a sorte de bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo Jesus”.

Assim como as aves voam no céu, e os peixes vivem na água, nós vivemos em Cristo, em união com ele.14

Conclusão e aplicação

Então voltemos ao v. 14.

Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo.

Crente em Jesus Cristo, você percebe o poder da tua vida? O significado e o propósito da tua vida?

Você é um soldado, e o teu general é Cristo.

Então, não importa quantos ferimentos e cicatrizes você traga na alma, no coração e no corpo. São marcas por estar na batalha de Cristo e com Cristo.

Ele diz:

No mundo, tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.15

Entenda que nada pode fazer de você um soldado derrotado.

Também não importa o quanto você seja moído, pilado; quanto mais isso acontece, mais você mostra ao mundo o que é conhecer a Deus.

Você é bom perfume de Cristo.

Onde quer que você esteja, em todo o lugar, a vida de Deus é vista em você.

Cristo habita em você, e você habita nele.

Você é um templo, um santuário vivo, a morada do Espírito de Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, do céu se manifestar, então seremos manifestados com ele, plenamente, e para sempre.

Avante!

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Notas.

1 Smith, James K. A., A queda da interpretação (Rio de Janeiro: Thomas Nelson, 2021), pág. 25

2 Barclay, William, Comentário do Novo Testamento, (Ed. Eletrônica, sem data).

3 Zc 4.6, ARC

4 Is 55.11

5 Jo 15.4, 7

6 Rm 6.11

7 Gl 2.19, 20

8 1ª Co 1.2

9 Rm 5.10

10 Ef 2.1-10

11 Ef 2.18

12 Rm 8.9

13 Rm 5.1

14 Conf. o comentário de Francis Foulkes, Efésios, Introdução e Comentário, Série Cultura Bíblica, vol. 10 (São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, s.d.)

15 Jo 16.33

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