2ª Tm 1:1-14
Pr. Plínio Fernandes
Amados irmãos, vamos ler a
Palavra de Deus, no texto que se encontra em 2ª a Timóteo, capítulo1, versos 1
a 14.
Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, pela vontade de Deus, de conformidade com a promessa da vida que está em Cristo Jesus, 2 ao amado filho Timóteo, graça, misericórdia e paz, da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor. 3 Dou graças a Deus, a quem, desde os meus antepassados, sirvo com consciência pura, porque, sem cessar, me lembro de ti nas minhas orações, noite e dia. 4 Lembrado das tuas lágrimas, estou ansioso por ver-te, para que eu transborde de alegria 5 pela recordação que guardo de tua fé sem fingimento, a mesma que, primeiramente, habitou em tua avó Lóide e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também, em ti. 6 Por esta razão, pois, te admoesto que reavives o dom de Deus que há em ti pela imposição das minhas mãos. 7 Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação. 8 Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor, nem do seu encarcerado, que sou eu; pelo contrário, participa comigo dos sofrimentos, a favor do evangelho, segundo o poder de Deus, 9 que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos, 10 e manifestada, agora, pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus, o qual não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho, 11 para o qual eu fui designado pregador, apóstolo e mestre 12 e, por isso, estou sofrendo estas coisas; todavia, não me envergonho, porque sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia. 13 Mantém o padrão das sãs palavras que de mim ouviste com fé e com o amor que está em Cristo Jesus. 14 Guarda o bom depósito, mediante o Espírito Santo que habita em nós.
Intr.
Esta foi a última carta do
Apóstolo Paulo. São as últimas palavras dele no Novo Testamento.
Ele estava preso, na cidade de
Roma, por causa da pregação do Evangelho, e em breve seria levado à execução.
Como escreveu no cap. 4:7, a
parte que lhe cabia no ministério estava consumada: havia combatido o bom
combate, completado a sua carreira, guardado a fé, e a coroa da vida estava
preparada para ele.
Mas a obra do Evangelho deveria
ser levada adiante.
E Paulo, tal como os atletas numa
corrida de revezamento passam o bastão adiante, agora precisava também passar
“o bastão da obra de Deus” adiante.
Para isto, Paulo contava com uma
pessoa que lhe era muito cara: Timóteo, um dos seus filhos na fé. Podemos até
mesmo dizer que era o mais querido.
Provavelmente, Paulo levou
Timóteo ao Evangelho durante sua primeira viagem missionária, quando pregou em
Listra, uma cidade que ficava onde hoje é a Turquia.
E ao passar novamente ali, ele
chamou este jovem crente, de boa reputação, filho de uma mulher também crente,
a dedicar-se ao serviço missionário. Timóteo foi com ele, e daí por diante,
tornou-se o seu principal cooperador no ministério.
Nós podemos perceber a
importância de Timóteo aos olhos de Paulo, por exemplo, no v. 2, onde ele o
descreve como amado filho Timóteo.
Nos vs. 3 e 4, ele diz que nunca
se esquecia de Timóteo em suas orações, e estava ansioso por vê-lo.
No v. 5, ele recorda que Timóteo
era uma pessoa que tinha verdadeira fé em Jesus.
Depois, no cap. 2:1 e 2, Paulo dá
a Timóteo a sua grande missão: que no poder da graça de Deus, tudo quanto ele havia
aprendido com o apóstolo, agora deveria transmitir a outros homens, que fossem
igualmente crentes e idôneos, para que eles por sua vez instruíssem a outros, e
assim por diante.
Mas ainda que Timóteo fosse uma
pessoa tão especial, e estivesse recebendo uma missão tão importante, quando
Paulo lhe escreveu, ele estava precisando de um despertamento, de um
reavivamento espiritual.
Veja o v. 6 – Por esta razão (isto é, pelo fato de você – como diz o v. 5 – ter uma fé não fingida, por você ser um “crente de verdade”), por esta razão, pois, te admoesto que reavives o dom de Deus que há em ti pela imposição das minhas mãos.
Esta imposição de mãos a que Paulo se refere provavelmente diz respeito
à “ordenação” de Timóteo para o ministério, feita pelo presbitério do qual
Paulo fazia parte, e que é mencionada em 1ª Tm 4:17.
E a palavra reavivar aqui na tradução ARA, irmãos, tem o sentido de “reacender
o fogo”.
A NVI, NBV dizem: “Mantenha (conserve) viva a chama...”.
NTLH diz: “Conserve vivo o dom...”.
ARC, A21 dizem: “Despertes o dom...”.
TB: “Tornes a acender o dom...”.
O sentido é de que Timóteo
recebeu um dom para servir como ministro da Palavra de Deus, mas que agora
estava deixando este dom esfriar.
Veja o v. 8 – Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor, nem do seu encarcerado, que sou eu; pelo contrário, participa comigo dos sofrimentos, a favor do evangelho, segundo o poder de Deus.
No v. 6 Paulo fala de um dom que
Timóteo recebeu, mas que estava deixando esfriar, e que precisava ser
reavivado.
Agora, no v. 7, Paulo diz por que
Timóteo poderia reavivar este dom. E aqui, ele fala de um dom que todos os
crentes têm recebido.
Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia,
mas de poder, de amor e de moderação
Algumas traduções trazem a palavra espírito
grafada com “E” (maiúsculo), entendendo assim que é uma referência ao Espírito
Santo; outras, com “e” (minúsculo), entendendo ser uma referência ao espírito
humano.
Mas não há problema, pois estas qualidades que Paulo menciona são
produzidas no nosso espírito, pelo Espírito de Deus, e assim “um complementa o
outro”.
Timóteo, diz o apóstolo, o Espírito que Deus a você e a mim, a todos nós,
não nos deixa acovardados; não é um espírito de medo, mas de poder, de amor, e
de moderação.
Prop.
E é nesta maravilhosa verdade, meus irmãos, que desejo me concentrar. Pois
está aqui o caminho para qualquer despertamento espiritual que qualquer de nós
precise.
Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de
poder, de amor e de moderação
Divs.
Primeiramente vamos destacar que...
No v. 6, a palavra dom em
português é a tradução da palavra grega carisma, cognata da palavra cariz que quer dizer graça.
No v. 7, o verbo dar se refere à
graça que o Senhor concede a todos nós.
Mais tarde, no cap. 2:1 e 2, Paulo diz a Timóteo que a graça de Deus é a
fonte da nossa força.
Tu, pois, filho meu, fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus. 2 E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros.
Esta palavra graça, meus irmãos, era fundamental para Paulo, Timóteo e é
fundamental para todos nós.
Ela significa “o favor de Deus”,
a boa disposição que há no coração de Deus para com os seus escolhidos, sem que
nós tenhamos feito, ou façamos alguma coisa para merecê-la.
Nas Escrituras Sagradas, o
Espírito Santo nos ensina que, pela sua graça, Deus nos escolheu a nós, os que
agora cremos, antes da criação do mundo, e que por esta graça nos predestinou à
salvação através da morte de Jesus pelos nossos pecados.
Que esta graça nos concedeu fé em
Jesus, nos conduziu ao arrependimento, e à regeneração de nossas almas.
Que esta mesma graça agora opera
em nós, dia a dia, nos ensinando, para que aprendamos a viver em amorosa e
alegre santidade, de modo agradável ao Senhor.
Que por esta mesma graça Deus nos
concedeu dons espirituais com os quais podemos servir ao Senhor, cooperando no
seu reino e edificando a sua igreja.
Que temos recebido “graça sobre
graça”.
E assim como nós, Timóteo
precisava ser constantemente relembrado a “fazer uso desta graça”.
Agora, veja o que ele nos diz no
v. 9
(Deus – v. 8) que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos...
Antes que houvesse o universo inteiro, Deus já havia nos salvado e nos
chamado (e como diz Jesus em João cap. 10, chamado a cada uma das suas ovelhas,
pelo nome) com santa vocação, não de acordo com as obras que ele viu em cada
um, mas de acordo com a sua própria determinação e graça, isto é, por causa do
bom desejo que havia em seu coração de nos abençoar.
Então, Timóteo, fortifique-se interiormente no fato de que Deus te ama, que
a graça de Deus está com você. Perceba os dons que Deus lhe tem dado. Creia
nesta graça, e trabalhe para Deus.
Em segundo lugar, vejamos...
O v. 7 diz que “Deus nos tem dado”,
isto é, a todos os crentes.
Agora, irmãos, eu desejo ilustrar o fato de que este Espírito é um agir da
graça de Deus tomando Timóteo como exemplo.
Eu poderia tomar Paulo, ou qualquer outro crente na Bíblia, mas Timóteo é
um exemplo muito bom também.
Quero mencionar algumas razões:
2ª Tm 2:22 – Foge, outrossim, das paixões da mocidade. Segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor.
Quando
Paulo lhe escreveu a primeira carta recomendou que Timóteo não deixasse ninguém
desprezá-lo pelo fato de ser jovem (1ª Tm 4.12)
E
agora, cerca de dois anos depois, exorta-o a fugir “das paixões da mocidade”.
De
acordo com John Stott, com base na cultura daquela época, Timóteo deveria ter
uns 30 anos.
E como
todo jovem (eu até posso dizer – como todo ser humano), Timóteo era sujeito a
paixões, o seu coração era inclinado a desejos fortes, que poderiam afastá-lo
dos caminhos de Deus e da obra para a qual o Senhor o havia chamado.
Mas
Deus escolheu Timóteo, antes da criação do mundo, não por causa da bondade
inerente a Timóteo. Escolheu por sua própria determinação e graça.
2.2 – Em segundo lugar, parece que Timóteo era
tímido por natureza.
Em 1ª
Co 16:10 Paulo havia escrito à igreja daquela cidade:
E, se Timóteo for, vede
que esteja sem receio entre vós, porque trabalha na obra do Senhor, como também
eu.
Timóteo
era uma pessoa de temperamento reservado, e precisava de uma palavra de
encorajamento e de confiança.
Por
isto a admoestação de Paulo aqui no v. 8
Não te envergonhes, portanto,
do testemunho de nosso Senhor, nem do seu encarcerado, que sou eu; pelo
contrário, participa comigo dos sofrimentos, a favor do evangelho, segundo o
poder de Deus,
Paulo
referiu-se à frequente indisposição de Timóteo, principalmente em seu estômago.
Chegou até a prescrever-lhe um pouco de álcool medicinal:
1ª Tm 5:23 – Não continues a beber somente água; usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas frequentes enfermidades.
Esse
é, então, o perfil das fraquezas de Timóteo, que podemos estabelecer a partir
das várias referências que Paulo lhe fez.
Ele
era sujeito às paixões humanas, como todos nós o somos, tímido e sujeito a
erros, e constantemente enfermo.
Essas coisas
negativas nos mostram que, do ponto de vista humano, Timóteo jamais poderia ser
considerado qualificado para o ministério pastoral, e ainda mais como alguém
que daria continuidade ao ministério de Paulo.
Mas
irmãos, Deus não escolhe, e não chama ninguém de acordo com suas qualificações
prévias.
Pense
no próprio Paulo, perseguidor da igreja.
Pense
em Moisés, o deprimido.
Pense
em Jacó, o usurpador.
Pense
em Davi, em Salomão, em Pedro. Em todos os crentes de quem a Bíblia fala.
A
graça de Deus foi o que bastou para cada um deles. Pela graça de Deus, foram
quem foram.
E a
graça de Deus é suficiente para você.
Agora, em terceiro lugar, consideremos também...
v. 7 – Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação
O Espírito que Deus nos tem dado não nos faz medrosos e covardes.
De acordo com At 1:8, em seu último encontro com os discípulos, antes de
subir ao céu, o Senhor Jesus fez esta promessa:
Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.
O
Espírito que foi então derramado no dia do Pentecostes, e que agora, conforme
Pedro, Paulo, João, o escritor aos Hebreus, enfim, o Novo Testamento inteiro
nos ensina, veio habitar no coração de cada crente em Jesus.
Ele
nos dá capacidade e autoridade para testemunhar de Jesus, tanto com nossas
palavras como com uma vida bonita, nos dá capacidade para resistir ao pecado, para
fugir das paixões, para obedecer aos mandamentos do nosso Deus e Pai, para
confiar em suas promessas e viver de acordo com elas.
Ele
nos ensina e capacita a orar no seu poder, nos dá poder para resistir a
Satanás.
Em
fim, como diz o apóstolo...
Fp 4:13 – Posso todas as coisas naquele que me fortalece
Se Deus apenas fosse todo poderoso, mas não nos amasse, estaríamos
destruídos.
Da mesma forma, uma pessoa que tem apenas poder, mas não amor, torna-se um
tirano.
Mas também como somos ensinados em Rm 5:5...
O amor de Deus é derramado em nossos corações, pelo Espírito Santo que nos foi dado.
Pelo poder do Espírito Santo que habita em nossos corações, nós somos
capacitados com a mesma espécie de amor que há em Deus: amor misericordioso,
que busca o interesse, o bem-estar e a edificação dos outros, benevolente,
perdoador, trabalhador, servidor; que nada faz visando os próprios interesses.
A última qualidade deste Espírito
mencionada aqui é...
Alguns comentaristas traduzem autodisciplina.
E as várias versões que temos dizem: equilíbrio (NBV e NVI), prudência (TB
e NTLH), domínio próprio (VFL), autocontrole (NVT).
O significado básico é ser uma pessoa bem equilibrada mentalmente, “ter a
cabeça no lugar”.
O poder sem amor torna uma pessoa dura demais.
O amor sem juízo torna uma pessoa mole demais.
O Espírito que Deus nos capacita para que não nos deixemos levar pelas
paixões, nem pelas fraquezas do nosso temperamento, nem pelas circunstâncias,
nem pelo desânimo.
Mas nos leva a avaliar sobriamente as situações, e fortalecidos pela graça
de Deus, a perseverar destemidamente, em amor.
Meus irmãos, tempos difíceis os que estamos vivendo.
As forças espirituais do mal agindo através das circunstâncias,
aproveitando-se das nossas fraquezas, combatendo contra nós e buscando promover
a tristeza, o desânimo, o medo, a paralisia espiritual, para que não oremos,
não trabalhemos para Deus, não cumpramos o ministério que Deus tem dado a cada
um de nós.
Mas Deus, que nos amou antes mesmo de criar o universo, por sua graça nos
escolheu, e por sua graça nos deu seu Espírito, de poder, amor e equilíbrio
mental.
Irmão, não deixe que o seu amor esfrie; não deixe que a apatia, o
desinteresse pelo reino de Deus e por sua igreja governe a sua alma. Esta é a
vontade do Diabo, e você não existe para obedecer ao Diabo.
Fortifique-se na graça de Deus, e por esta graça, em oração, confessando e
abandonando seus pecados, em adoração, cantando louvores a Deus, meditando na
Santa Palavra, combata o pecado em seu coração, submeta-se a Deus, resista a
Satanás, busque o fogo do Espírito Santo.
Reavive o dom de Deus que está em você.
Pai celestial, nós queremos manter, em nossos corações, a chama do Espírito
Santo que a tua Palavra acende em nossos corações.
Por isto nós te pedimos que, ao sairmos daqui, tu não permitas que o Diabo
tire de nós a boa semente da tua Palavra.
Que não esqueçamos que a tua graça está conosco, e que o Espírito que tu
nos deste nos reveste de poder para testemunhar de Jesus, para viver e promover
o teu reino de paz, justiça e alegria no Espírito Santo, para orar com fé e
alcançarmos resposta às nossas orações, para nos alegrarmos em ti, para vencermos
as tentações.
Espírito que nos dá poder de amar, em casa, no trabalho, na igreja, e
perdoar e esquecer as ofensas, os pecados e falhas, nossos e dos outros, e
trabalhar e servir.
Espírito que nos dá clareza, discernimento e equilíbrio mental.
Concede-nos uma vida plena, uma vida em abundância. Concede-nos ser cheios
do Espírito Santo. E nos alegramos em ti e te louvamos, porque em tua
fidelidade atendes nossa oração.
Em nome de Jesus. Amém.
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