Pr. Plinio Fernandes
3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus
Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação! 4 É ele
que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que
estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos
contemplados por Deus. 5 Porque, assim como os sofrimentos de Cristo
se manifestam em grande medida a nosso favor, assim também a nossa consolação
transborda por meio de Cristo. 6 Mas, se somos atribulados, é para o
vosso conforto e salvação; se somos confortados, é também para o vosso
conforto, o qual se torna eficaz, suportando vós com paciência os mesmos
sofrimentos que nós também padecemos. 7 A nossa esperança a respeito
de vós está firme, sabendo que, como sois participantes dos sofrimentos, assim
o sereis da consolação.
Intr.
Você sofre? E, se você sofre, quais as coisas que te fazem
sofrer?
Será que uma pessoa que foi salva em Cristo Jesus, tendo
seus pecados perdoados, tendo recebido o dom do Espírito Santo e a vida eterna,
será que uma pessoa por quem Jesus sofreu na cruz, levando ali as suas dores,
será que esta pessoa precisa ainda sofrer neste mundo?
Será que um crente cheio do Espírito Santo sofre neste
mundo?
Será que uma pessoa pode ser feliz, e ainda assim sofrer?
Ou de outro modo:
Será que uma pessoa pode sofrer e ainda assim estar bem
emocionalmente? Será que uma pessoa pode sofrer e ainda assim ser feliz?
Será que uma pessoa pode sofrer e ainda assim estar de bem com a vida e de bem com Deus?
Algumas pessoas entendem que sofrimento e felicidade sejam duas realidades completamente incompatíveis.
Que, se Jesus sofreu na cruz em nosso lugar, isto significa
que ele sofreu para que nós não soframos mais, e então tudo quanto nos traz
sofrimento deve ser eliminado de nossa vida como coisas provenientes de
Satanás.
Mas Paulo não entendia que os sofrimentos eram incompatíveis
com a vida com Jesus Cristo; ao contrário, ele entendia, e ensinava, que os
sofrimentos, antes de serem contrários à vida de fé, são um complemento muito
importante.
Quando o apóstolo Paulo escreveu esta carta, tanto ele como
os seus colaboradores de ministério, e também os seus primeiros leitores, a
igreja de Corinto, haviam passado, e estavam passando, por grandes tribulações,
direta ou indiretamente, por causa do evangelho.
Os grandes amores da sua vida eram Jesus Cristo e a igreja,
o povo de Deus.
E por causa desse amor, ele tinha grandes lutas, internas e
externas.
Apenas para dar uns poucos exemplos, pois pretendo voltar a
esta carta em nossas meditações, por ora vejamos dois ou três textos.
2ª Co 2:12-13 – Ora, quando cheguei a Trôade para
pregar o evangelho de Cristo, e uma porta se me abriu no Senhor, 13
não tive, contudo, tranquilidade no meu espírito, porque não encontrei o meu
irmão Tito; por isso, despedindo-me deles, parti para a Macedônia.
2ª Co 11:3 – Mas receio que, assim como a serpente
enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e
se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo.
2ª Co 12:7 – E, para que não me ensoberbecesse com
a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de
Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte.
Veja como em cada
uma dessas referências, Paulo manifesta alguma tribulação do seu próprio
coração: preocupação porque havia combinado se encontrar com Tito, seu
colaborador, na cidade de Trôade, mas não o encontrou; preocupação que a igreja
de Corinto fosse enganada por falsos mestres; preocupação consigo mesmo, por
causa das suas próprias fraquezas e limitações.
E voltando ao cap.
1:7, Paulo diz que os coríntios também participavam de sofrimentos.
Mas, se podemos
escolher uma palavra para descrever toda a mensagem de 2ª aos Coríntios, é a
palavra “consolação”.
Porque nela, ainda
que Paulo descreva muitas das coisas que os faziam sofrer, demonstra também uma
confiança inabalável de que o Senhor Deus é o nosso Consolador, que ele
transforma todas as situações de sofrimento em bênçãos para nós.
Prop.
Tendo isso em
mente, irmãos, hoje eu desejo iniciar uma série aqui nesta carta, esse presente
de Deus para nós, que é 2ª aos Coríntios.
E hoje, vamos
meditar nestes versículos que, podemos dizer, são uma introdução a tudo o que
ele nos dirá nela.
Divs.
1. Todos nós, os crentes, temos um grande Consolador
vs. 3 e 4 – Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus
Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação! 4 É ele
que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que
estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos
contemplados por Deus.
O contexto geral, não só aqui, mas na Bíblia toda, nos ensina que nossos sofrimentos
devem ser por causa da fé, e não por uma vida desonesta e corrupta. Nenhum de
nós deve ser perseguido por ser malfeitor.
Mas sofremos como cristãos em nossas preocupações com o reino de Deus, em
nossos desejos de ser pessoas melhores, mais maduras, mais parecidas com
Cristo.
Sofremos em nossas preocupações com a vida espiritual da igreja, com os
ataques de Satanás procurando destruir a igreja do Senhor; nossas preocupações
com as necessidades espirituais, emocionais e materiais da família da fé e dos
de fora, pois nosso anseio é ver o reino de Deus manifestado na salvação de
muitos.
Além das preocupações interiores, sofremos as consequências dos pecados de
outras pessoas, que se iram com a Palavra de Deus, que se opõe ao nome de
Jesus, que de uma forma ou de outra, se colocam contra a igreja e os crentes.
Sofremos com as trágicas consequências do pecado na vida humana: morte,
enfermidade, guerras, escassez; e sofremos também com os sofrimentos da
natureza.
Mas, se Deus nos consola em toda e qualquer situação, implica que cada uma
das nossas tribulações é conhecida por Deus.
E claro, a primeira razão pela qual Deus conhece cada uma das nossas
tribulações é que ele conhece tudo o que acontece em toda a extensão do
Universo.
Isto, por si só, irmãos, é um conforto para nossas almas.
Há um versículo no salmo 56 que, neste sentido, fala muito ao coração de
cada crente.
Sl 56:8 – Contaste os meus passos quando sofri
perseguições; recolheste as minhas lágrimas no teu odre; não estão elas
inscritas no teu livro?
Note especialmente
a segunda parte.
Este homem cheio
do Espírito Santo, ou mais ainda, este profeta inspirado pelo Espírito Santo,
escreve que cada uma das nossas lágrimas é recolhida nos odres celestiais; cada
gota de aflição é contada por Deus; cada uma das nossas tristezas está inscrita
no livro do Senhor.
E veja como Paulo
descreve o Senhor Deus, o nosso Pai: “Pai de misericórdias e Deus de toda a
consolação”.
Em João 14:16, ao
falar que iria voltar para o céu, Jesus disse que não nos deixaria sós, mas que
enviaria outro Consolador que falaria em seu nome.
Ser Consolador,
portanto é da natureza de Deus, o Pai, o Filho, e o Espírito Santo. É da
natureza dele, ele se alegra em consolar, e ordena que os seus filhos sejam
consolados.
Is 40.1-2 - Consolai, consolai o meu povo, diz o
vosso Deus. 2 Falai ao coração de Jerusalém, bradai-lhe que já é
findo o tempo da sua milícia, que a sua iniquidade está perdoada e que já
recebeu em dobro das mãos do SENHOR por todos os seus pecados.
2. Esse último texto vislumbra os instrumentos do Senhor para nos
consolar...
2.1. O Senhor nos consola através das Escrituras Sagradas
Aqui ele ordena que o profeta anuncie a mensagem do Senhor, confortando, falando
ao coração, anunciando perdão para os pecados.
Vamos ler Romanos 15:4.
Rm 15.4 - Pois tudo quanto, outrora, foi escrito
para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação
das Escrituras, tenhamos esperança.
Cada porção da Escritura é Palavra de Deus; o Deus que nos consola em toda
e qualquer situação.
Até quando nos repreende, nos corrige, o propósito do Senhor é nos dar paz.
Quando lemos as histórias dos antigos, as suas lutas, as suas angústias, as
suas decepções, as suas orações ouvidas, e as não ouvidas.
Quando lemos as orações dos salmos: algumas em louvor pelas respostas de
Deus, outras de frustração com as lutas da vida; ou tristeza pelos mortos.
Quando lemos os mandamentos, as promessas, tudo, tudo o que a Escritura diz
é para nos consolar, nos fazer pacientes, e nos dar esperança.
2.2. Deus também nos conforta através de outras pessoas, na medida em que
agem movidos pelo mesmo Espírito Consolador do Senhor.
2ª Co 1.4 – É ele que nos conforta em toda a nossa
tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a
consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus.
E Paulo mesmo testemunha
o quanto a consolação dada por intermédio de outros irmãos era importante para
ele.
2ª Co 7.5-7 – Porque, chegando nós à
Macedônia, nenhum alívio tivemos; pelo contrário, em tudo fomos atribulados:
lutas por fora, temores por dentro. 6 Porém Deus, que conforta os
abatidos, nos consolou com a chegada de Tito; 7 e não somente com a
sua chegada, mas também pelo conforto que recebeu de vós, referindo-nos a vossa
saudade, o vosso pranto, o vosso zelo por mim, aumentando, assim, meu regozijo.
2.3. Enfim Deus pode
também usar qualquer meio
A resposta a uma oração,
uma iluminação da mente diante das Escrituras, uma palavra santificada, a
resposta a uma preocupação, o agir de Deus em outras vidas.
Por exemplo: vocês se
lembram que uma das grandes tristezas de Paulo é que a maioria do seu próprio
povo, os judeus, não acreditaram em Jesus. Por isso ele sempre orava pela
conversão deles.
E também, a maioria dos
seus auxiliares no Evangelho não eram judeus, mas gentios.
Mas na carta aos
Colossenses ele fala sobre três pessoas que eram um consolo do Senhor na vida
dele.
Cl 4.10-11 - Saúda-vos Aristarco, prisioneiro
comigo, e Marcos, primo de Barnabé (sobre quem recebestes instruções; se ele
for ter convosco, acolhei-o), 11 e Jesus, conhecido por Justo, os
quais são os únicos da circuncisão que cooperam pessoalmente comigo pelo reino
de Deus. Eles têm sido o meu lenitivo (o meu alívio, o meu conforto).
3. Quando somos consolados por Deus, nos tornamos pessoas melhores
Há pelo menos duas consequências das consolações do Senhor mencionadas no
texto aqui: tornar-se parecidos com Jesus nos seus sofrimentos, e tornar-se
parecidos com Deus no consolar outras pessoas.
3.1. Primeiro, porque nos tornamos mais parecidos com Jesus nos seus
sofrimentos
v. 5 – Porque, assim como os sofrimentos de Cristo se
manifestam em grande medida a nosso favor, assim também a nossa consolação
transborda por meio de Cristo.
Trad. Ling. Moderna, SBP - Pois o conforto que de Cristo
recebemos é tão grande, como grandes foram os sofrimentos que Cristo passou por
nós.
Os tradutores
interpretaram o texto como se referindo ao fato de que Cristo sofreu por nós.
A maioria das
versões, a Corrigida, por exemplo interpreta diferente, identificando o nosso sofrimento
como cristãos, sendo por amor a Cristo.
ARC – Porque, como as aflições de Cristo são abundantes em
nós, assim também a nossa consolação sobeja por meio de Cristo.
De qualquer forma,
o fruto é o mesmo: as consolações que recebemos transbordam por meio de Cristo,
de tal maneira que,...
3.2. Segundo, porque podemos consolar outras pessoas, com o mesmo Espírito.
v. 6 – Mas, se somos atribulados, é para o vosso conforto e
salvação; se somos confortados, é também para o vosso conforto, o qual se torna
eficaz, suportando vós com paciência os mesmos sofrimentos que nós também
padecemos.
Há uma oração, que embora atribuída a Francisco de Assis,
não se sabe quem a escreveu. Mas o que importa mais é o conteúdo dela, que diz
assim:
Senhor,
Faça de mim um instrumento de tua paz!
Onde houver ódio, que eu leve o amor,
onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvida, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz!
Ó Mestre, faça que eu procure mais
consolar que ser consolado,
compreender que ser compreendido,
amar que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna!
Conclusão e aplicação
A Palavra de Deus nos lembra que neste mundo cheio de sofrimentos, nós, os
crentes em Jesus, temos alguém muito especial, que nos fala ao coração,
confortando em toda e qualquer situação.
Ele fala de perdão pelos nossos pecados.
Ele fala de estar conosco em toda e qualquer angústia.
Ele fala pelas Escrituras.
Ele consola por meio de irmãos.
Ele consola usando as circunstâncias.
Quando consolados por Deus, nossos corações se tornam melhores.
Nós nos tornamos pessoas melhores, a fim de que, mais parecidos com o
Senhor, possamos consolar a outras pessoas também.
Mas, como podemos experimentar isso?
Pois algumas pessoas, em vez de se tornarem melhores, tornam-se amargas; iradas,
revoltadas.
Outras pessoas, em vez de se tornarem melhores, vivem com pena de si
mesmas, queixosas.
Como disse o Senhor a Judá:
“Eu te acrisolei, mas disso não resultou prata”; isto é,
vocês não melhoraram! (Is 48.10).
Então, como experimentar consolo, encorajamento e
crescimento? O segredo é “tenha paciência”.
v. 6 – A consolação de Deus... se torna eficaz, suportando
vós com paciência os mesmos sofrimentos que nós também padecemos.
Quais são os seus sofrimentos, irmão?
Suas lutas consigo mesmo, dentro do coração?
Suas enfermidades?
Seus traumas?
Conflitos em casa? No trabalho? Com pessoas a quem ama?
Diretamente ligados ao Evangelho?
Deixe a luz do céu entrar. Deixe Deus falar ao seu coração. Deixe
Deus te curar.
Tenha paciência nos sofrimentos.
Tenha confiança que nos sofrimentos, cada lágrima sua é
contemplada pelo Senhor.
Tenha confiança, preste atenção na Palavra; preste atenção
na vida, nas consolações do Senhor.
Tenha confiança, seja paciente, tenha esperança.
Pode a tristeza durar todo o anoitecer, mas a alegria vem
pela manhã.
Vai alta a noite, e a nossa redenção já está mais próxima do
que quando inicialmente cremos.
Oração
Senhor, eis-nos aqui, teu povo.
O que nos consola
nas nossas angústias é isto: que a tua palavra nos vivifica. Nos lembramos dos teus juízos de outrora, e
nos confortamos, ó Senhor.
Assim, o Deus,
derramamos na tua presença os nossos corações.
E rogamos
paciência.
Pedimos que
transformes cada tristeza em comunhão contigo.
Pedimos que
transformes cada sofrimento em semelhança com Jesus.
E pedimos que
transformes a semelhança com Jesus em bênção para outros e glória para o teu
nome. Amém.
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