Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

domingo, 29 de setembro de 2013

Guarda o teu coração - Pv 4:23

Igreja Evangélica Presbiteriana
Domingo, 29 de setembro de 2013
Pr. Plínio Fernandes
Amados, vamos ler Provérbios 4:23
Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida.
Nós sabemos que, quando o Espírito Santo fala sobre o nosso coração, está se referindo à totalidade do nosso ser interior, o centro, não somente das nossas emoções, mas também dos nossos pensamentos, das nossas decisões, dos nossos desejos e anseios.
Nós, os que temos uma aliança com Deus mediante o sangue de Jesus, temos um “novo coração”, pois quando de nossa conversão, aquele que a Bíblia chama “coração de pedra”, duro, insensível para com Deus, foi tirado, e nos foi dado um coração de carne, vivo, humilde, quebrantado, ansioso por ouvir a voz do Senhor, ter comunhão com ele, fazer sua vontade, amá-lo, e assim também amar a tudo o que é de Deus: cada criatura dele, cada parte da criação, e em especial aos homens, almas eternas, e à igreja, por quem Cristo morreu.
O coração, neste sentido, é a “parte mais importante” do nosso ser.
E justamente por isto o nosso coração é um dos alvos especiais do diabo.
Se o diabo consegue atingir nosso coração, então ele consegue afetar praticamente toda a nossa vida.
Por isto o Espírito Santo nos instrui aqui: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração...”.
Nós já meditamos sobre este mandamento algum tempo atrás, considerando algumas coisas que Satanás pode usar para atingir nosso coração: os problemas próprios da vida neste mundo caído, a esperança de coisas que demoram acontecer,  podem fazer com que o nosso coração fique enfermo (Pv 13:12); as ansiedades (Fp 4:6, 7); a corrupção que ainda resta em nós, o engano do pecado (Hb 3:8).
Hoje eu gostaria de destacar outros males, para que nossa mente esteja alerta quanto a eles.
1. Guarde o seu coração contra as falsas doutrinas
Rm 6:17, 18
Mas graças a Deus porque, outrora, escravos do pecado, contudo, viestes a obedecer de coração à forma de doutrina a que fostes entregues; 18 e, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça.
Nos caps. 5 a 8 desta carta, o apóstolo Paulo está descrevendo as muitas realizações do Espírito Santo em nossas almas, e consequentemente em nossas vidas neste mundo, quando ele nos deu fé e salvação em Jesus Cristo.
Por meio da fé nós fomos justificados, fomos libertados do poder do pecado, fomos santificados, somos conduzidos pelo Espírito Santo...
Mas tudo isto se realizou em nossa vida quando viemos a obedecer, de coração, à forma de doutrina, isto é, aos ensinamentos do evangelho que recebemos.
Quando obedecemos de coração à doutrina de Cristo, isto é, ensinada por Cristo.
Quanto a isto, meus irmãos, há duas observações que eu gostaria de fazer sobre certos perigos que nos cercam hoje:
1.1. Um deles, é o de pensar na doutrina como algo antievangélico, e pernicioso até.
Há pessoas que se entendem como cristãs, mas repudiam a ideia de “doutrina”.
Dizem que a doutrina não edifica, que ao contrário, é uma grande causa de confusão e divisões entre os crentes, que ao seguir Jesus o que importa não é o que você crê, mas a maneira como você vive.
Bem, há muita coisa que dizer sobre isto, vocês sabem, mas eu quero ser breve:
Primeiro: estes pensamentos, em si mesmos, são uma forma de doutrina. Errada, mas são.
Ninguém vive sem certas crenças sobre as quais determina o seu comportamento. Assim como pensamos, assim agimos.
Só o ensinar estas coisas já é uma doutrina. Então dizer que doutrina não importa é uma contradição em si mesmo.
Segundo: Jesus disse que a doutrina é indispensável na vida de todo aquele que quer fazer a vontade de Deus.
Jo 7:17
Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo.
Não existe como uma pessoa ser cristã sem a boa doutrina, isto é, sem os bons ensinamentos de Jesus que nos dizem as coisas nas quais devemos crer, e as coisas nas quais não podemos crer.
1.2. O segundo perigo ao qual desejo fazer referência é “as formas erradas de doutrina”
Na atualidade, assim como desde a antiguidade, as principais formas de doutrina errada são:
O legalismo, que faz uma lista de proibições ou ordenações humanas, distorções dos mandamentos de Deus, as coisas que os crentes podem ou não podem fazer.
O misticismo, que enfatiza um conhecimento superior de Deus, que se obtêm mais através de experiências espirituais, visões, encontros com anjos e coisas parecidas, e em detrimento da fé e obediência às Escrituras.
E o antinomismo, que é o oposto do legalismo. O antinomismo é a ideia de que o Cristianismo não é um conjunto de regras a ser seguida, mas o viver um relacionamento de fé e amor a Jesus e ao próximo.
Então, seguindo “a regra do amor”, tudo o que uma pessoa fizer está certo, pois Deus é amor, e o onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.
Embora pareça, no início, ter amparo bíblico, o antinomismo á apenas mais uma distorção da Palavra de Deus, da doutrina de Jesus.
Pois o Cristianismo ensinado por Jesus nos diz sim, que a vida do crente é uma vida de relacionamento com Deus; mas Deus que se revela, que fala e que conduz através de sua Palavra na Bíblia.
E é própria Bíblia que estabelece que viver em amor não significa viver sem restrições, ou ainda, fazer aquilo que eu achar melhor.
1ª Co 10:23, 24
Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam.  24 Ninguém busque o seu próprio interesse, e sim o de outrem.
Esta semana eu li, muito entristecido, os comentários feitos por um líder cristão que foi assistir um show de rock com pessoas de sua igreja.
Ele disse que não foi com o fim de evangelizar, ou distribuir folhetos. Foi com o propósito de se divertir. E ao contrário do que muitos dizem, não encontrou um ambiente de promiscuidade e drogas, mas um ambiente familiar, um encontro de gerações. Também disse que as supostas músicas satanistas que aquela banda canta nada mais são do que gozações, brincadeiras, e comparou com o fato de que muitos crentes gostam de filmes de terror. Também afirmou que com isto perdeu apenas uns poucos de seus milhares de seguidores na internet.
“Bem”, pensei comigo mesmo, “então agora, ‘esclarecido’, eu posso dizer aos meus irmãos que participem destas coisas. Que as famílias participem, pois afinal, se pais e filhos estão participando juntos, isto quer dizer que é um ambiente sem pecado.
Que quando uma banda de heavy metal estiver cantando:
666 o número da besta...
... Eu irei possuir seu corpo e irei queimá-lo
Eu tenho o fogo, eu tenho a força
Eu tenho o poder de fazer o mal seguir seu curso
Eu digo que isto é só uma brincadeira, que os crentes podem investir seu tempo, levar sua família e se divertir com estas coisas.
Que não precisam ficar o tempo todo neste legalismo de só fazer o que glorifica a Deus. Ou, que estou dizendo? Que estas coisas não glorificam a Deus? Quanto legalismo!...”
Vocês não concordam comigo?
Ah, meus irmãos, deixando a ironia de lado: que tristeza.
Guardem seus corações contra o antinomismo.
2. Guarde o seu coração contra alianças erradas
1º Rs 11:1-4
Ora, além da filha de Faraó, amou Salomão muitas mulheres estrangeiras: moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e hetéias,  2 mulheres das nações de que havia o SENHOR dito aos filhos de Israel: Não caseis com elas, nem casem elas convosco, pois vos perverteriam o coração, para seguirdes os seus deuses. A estas se apegou Salomão pelo amor.  3 Tinha setecentas mulheres, princesas e trezentas concubinas; e suas mulheres lhe perverteram o coração.  4 Sendo já velho, suas mulheres lhe perverteram o coração para seguir outros deuses; e o seu coração não era de todo fiel para com o SENHOR, seu Deus, como fora o de Davi, seu pai.
Salomão cometeu dois pecados aqui:
O primeiro deles, violando o mandamento de Deus em Deuteronômio 17:14, onde estava ordenado que os reis de Israel não deveriam multiplicar para si o número de mulheres, pois se assim o fizessem elas perverteriam seus corações.
E o segundo, casou-se com mulheres estrangeiras, adoradoras de ídolos.
“Amou” pessoas que não amavam a Deus; amou no sentido de que a vontade delas era mais importante para ele, do que a vontade de Deus. Estas mulheres lhe foram mais importantes do que Deus.
Terrível, meus irmãos. Um homem pode ser o mais sábio do mundo – esta era a fama de Salomão – e ainda assim tornar-se um tolo se, apartando o seu coração do Senhor, fizer alianças com quem não deve.
Às vezes os filhos de Deus deixam de fazer a vontade de Deus para agradar ao pai, à mãe, ao filho, à esposa, à namorada, ao amigo.
Também coisas como Maçonaria, e outras sociedades paralelas ao reino de Deus pregado no evangelho, não são para cristãos. Casamentos com adoradores de ídolos, sociedades mundanas, não são para pessoas que amam ao Senhor.
Guarde seu coração contra alianças erradas.
3. Guarde o seu coração contra o amor do dinheiro
1ª Tm 6:9-11
Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. 10 Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores.  11 Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão.
Eu não sei como, diante de palavras tão claras como estas, algumas pessoas ainda têm a coragem de dizer que os crentes devem almejar a riqueza financeira.
O amor ao dinheiro é a raiz de toda tipo de males: desonestidade nos negócios, brigas por herança, assassinatos, usura, infidelidade nos dízimos, mercantilismo da fé, teologias tortas, seitas da nova era, guerras entre as nações, e muitas outras coisas ruins.
Tomem cuidado: não é só rico que ama o dinheiro. Pobre também, e às vezes até mais. Não podeis servir a Deus e às riquezas.
4. Guarde o seu coração contra a dureza
At 7:51
Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis.
Eu já conheci algumas pessoas (muito mais do que eu gostaria de conhecer) tanto dentro como de fora das igrejas que são assim, mas eu quero ilustrar com um homem, a quem eu não vejo há muitos anos.
Nesta época ele era um adolescente. E às vezes seus pais pediam que eu conversasse com ele, por causa das coisas erradas que ele fazia.
Então eu conversava. Com amor, eu lhe falava sobre a graça de Deus, sobre suas instruções para nossa vida, e tudo quanto estava ao meu alcance, procurando persuadi-lo a conhecer Jesus.
Ele só tinha uma reação: abaixava a cabeça e não respondia nada. Quanto tempo eu esperasse, tanto era o tempo que ele ficava calado.
Você conhece pessoas assim? Que resistem à Palavra de Deus? Que se recusam a dar ouvidos?
Ou também: você é assim?
Mas ter um coração duro, incircunciso é um sinal muito grave.
Pois como dissemos no início, ter um coração sensível para com Deus é a grande evidência de que uma pessoa é regenerada, que faz parte da família da aliança.
Ez 11:19-21
Dar-lhes-ei um só coração, espírito novo porei dentro deles; tirarei da sua carne o coração de pedra e lhes darei coração de carne;  20 para que andem nos meus estatutos, e guardem os meus juízos, e os executem; eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus.  21 Mas, quanto àqueles cujo coração se compraz em seus ídolos detestáveis e abominações, eu farei recair sobre sua cabeça as suas obras, diz o SENHOR Deus.
E lembre-se de que “ídolos” não são apenas imagens de escultura, mas qualquer coisa, qualquer pessoa, que ocupa o primeiro lugar em nosso coração.
E por último...
5. Guarde o seu coração contra a soberba
Sl 19:13, 14
Também da soberba guarda o teu servo, que ela não me domine; então, serei irrepreensível e ficarei livre de grande transgressão.  14 As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença, SENHOR, rocha minha e redentor meu!
Coloquei este pecado por último, pois a soberba é a mãe de todas as outras transgressões.
Foi a soberba que transformou um querubim ungido em Satanás.
A soberba se manifesta de muitas maneiras:
Inveja, ciúmes, difamação, rebelião, arrogância, auto-glorificação, auto-promoção, vaidade.
E irmãos, como o mundo cristão atual é cheio destas coisas, especialmente o mundo evangélico tal como temos visto, e especialmente entre os líderes.
Porque devemos guardar o coração contra a soberba?
O texto que já lemos, aprendemos que assim ficamos livres de pecados maiores.
Mas vamos acrescentar 1ª Tm 3:6
(O presbítero) não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo.
Aqui Paulo está ensinando porque não podemos colocar uma pessoa nova na fé na posição de liderança na igreja: ela pode ser tomada pela soberba.
A soberba foi o que levou Satanás à condenação. Se uma pessoa incorrer neste mesmo pecado, cairá na mesma condenação, cairá no laço do diabo (v.7).
Conclusão e aplicação
Assim, irmãos, nós destacamos cinco armadilhas, ou cinco artimanhas contras as quais devemos guardar o nosso coração, segundo a Palavra de Deus:
Doutrinas erradas: o legalismo, o misticismo, o antinomismo.
Alianças erradas: amizades erradas, casamentos errados, sociedades erradas.
Amor ao dinheiro.
Dureza, insensibilidade à voz de Deus.
Soberba.
Faça uma coisa em relação ao teu coração: ouça o pedido do Espírito
Pv 23:26

Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos se agradem dos meus caminhos.
 
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domingo, 22 de setembro de 2013

Olhando para Jesus - Hb 12:1-3

Igreja Evangélica Presbiteriana
Domingo, 22 de setembro de 2013
Pr. Plínio Fernandes
Meus queridos irmãos, vamos ler Hebreus 12:1-3
1 Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta,  2 olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus.  3 Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma.
No texto que acabamos de ler, o escritor sagrado começa assim: “Portanto, também nós...”, e desta maneira une o que vai nos dizer ao que acabara de falar no capítulo 11, onde temos aquela célebre descrição do que significa ter uma vida de fé em Deus.
No capítulo 11 ele nos faz lembrar, e desta maneira honra, aquela imensa série de homens e mulheres dos quais Deus se agradou, pois a despeito de todas as dificuldades que experimentaram, confiaram em Deus, enfrentaram perigos, alcançaram promessas, sofreram, mas permaneceram firmes, como quem vê aquele que é invisível.
Mas, que coisa maravilhosa a nosso respeito: ele diz que sem nós, os antigos heróis da fé ainda não estavam completados.
E começa o capítulo 12 dizendo: “Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos a tão grande nuvem de testemunho dos antigos...”, e desta forma nos ensina que nós, os que somos da fé no tempo presente, somos herdeiros, e continuadores daquela antiga e honrosa linhagem de gente das quais o mundo não era digno.
Gente de Deus que vive neste mundo, mas não é deste mundo, mas aqui está apenas de passagem, peregrinando, que está destinada a morar na Jerusalém celestial.
Nós, os que cremos em Jesus, entendemos a grandeza do amor de Deus para conosco, a grandeza de sua misericórdia demonstrada no fato de que ele, Deus, entregou seu próprio Filho, o Senhor Jesus, para ser o sacrifício em favor de nossos pecados, de tal modo que agora já não somos mais considerados culpados diante de Deus, mas pelo sangue de Jesus, nossa consciência, coração e vida foram completamente lavados, purificados, e já não há mais, diante de Deus, nenhuma condenação pesando contra nós[1].
Temos certeza de nossa salvação, temos consciência de que, neste mundo, estamos apenas de passagem, que a nossa pátria está nos céus, que lá é o nosso destino, lá está o nosso tesouro e o nosso coração.
Mas irmãos, enquanto estamos aqui, em nossa peregrinação, caminhando para o céu, estamos como que em “território inimigo”:
A cada dia de nossa vida, somos cercados de todos os lados, por toda a sorte de forças espirituais do mal que tentam cercear a nossa caminhada rumo ao céu[2].
O pecado tenazmente nos assedia, se insinua.
Tentações surgem do lado de fora, através de circunstâncias difíceis, de relacionamentos conflituosos, de injustiças que sofremos, de propostas indecentes.
Tentações surgem do lado de dentro, pois embora o espírito esteja pronto, a carne é fraca, e o querer fazer o bem, ainda que esteja dentro de nós, muitas vezes está caminhando lado a lado com o não querer fazer o bem[3].
Muitas vezes pensamos, entendemos o que é certo, compreendemos qual é a vontade de Deus, determinamos dentro de nossa mente que na próxima vez, na próxima ocasião, o pecado não terá domínio sobre nós, pois não estamos debaixo da lei, e sim debaixo da graça.
Determinamos que na próxima oportunidade, custe o que custar, faremos o que é certo, que vamos nos negar a nós mesmos, colocar o velho homem na cruz, mas só para depois perceber tristes que ele ainda está lá, não muito profundo, que basta alguma contrariedade para ele vir à superfície na forma de ira, inveja, ciúme.
De todos os lados, de dentro, de fora, o pecado nos assedia, querendo impedir o nosso avanço para o céu, o nosso crescimento em santificação, de modo que muitas vezes bate o desânimo, a vontade de parar, desistir, de largar mão.
Pois uma coisa é clara em nossa mente: vida de quem vai morar no céu, vida de quem conhece a Deus, vida santa, e pecado, não combinam.
E nestas horas esta palavra dada pelo Espírito precisa ser relembrada, precisa ser meditada, porque o Espírito, que nos conhece, e nos assiste em nossas fraquezas, no-la deu justamente para isto, para nos consolar, para nos animar; através dela ele como que nos toma pela mão, vai à nossa frente e nos conduz, de modo que se já não continuaríamos mais caminhando, agora o fazemos porque ele nos toma pela mão e caminha à frente.
E o que nos diz aqui o Espírito?
Ele diz: “Quando você estiver desanimado, se sentir cercado pelo mal, quando você estiver com vontade de desistir, persevere”.
“Olhe para Jesus, aquele que é a fonte de sua fé”.
“Pense nele, pois ele, em troca da alegria que lhe estava proposta, em troca da alegria de fazer a vontade do Pai, de alcançar a salvação dos homens, de ser recebido de novo na glória do céu, ele não fez caso das humilhações, da oposição dos homens, das tentações; ele suportou tudo até o fim”.
“Olhe para Jesus”.
Precisamos olhar para Jesus porque nele temos perdão para os nossos pecados, e porque nele temos o socorro para vencer o pecado que tenazmente nos assedia.
Precisamos olhar para Jesus a cada instante de nossa carreira em direção ao céu.
Jesus é a nossa luz, e então olhar para Jesus é fonte de iluminação para a nossa alma.
Jesus é a nossa força, a nossa justiça, a nossa santificação, a nossa redenção, o nosso tudo.
Então olhemos para Jesus.
1. Olhar para Jesus é fonte de consolação para os que sofrem tentações
Existem muitas coisas que podem fazer com que soframos, e quando olhamos para a palavra de Deus, vemos que nosso Senhor, por amor a nós, tornou-se homem como nós, e sentiu em sua própria carne, e em seu próprio coração, as mesmas dores, as mesmas aflições, as mesmas lutas
Como disse Isaías a respeito de Jesus, ele é homem de dores e que sabe o que é padecer.
Jesus se fez homem, mas não um homem rico:
Um homem pobre que viveu no meio de gente pobre...
Que dormia, como os de sua classe social, numa cama que era apenas um pouco de pano espalhado no chão, e enrolado assim que amanhecia para ter mais espaço na casa...
Que se colocasse a “mão no bolso”, não teria dinheiro para pagar o imposto...
Que não tinha sequer uma montaria própria para seus deslocamentos de um lugar para outro.
Um homem com todas as limitações que temos, que sentiu fome, cansaço, sede.
Um homem que amou profundamente as pessoas à sua volta (amou profundamente? Ele é a própria encarnação do amor!), mas que, voltando a Isaías, era o mais desprezado, o mais rejeitado de entre os homens.
Um homem que sentiu em si mesmo quão difícil é a nossa luta contra o pecado, pois ele mesmo, à nossa semelhança, foi tentado em tudo, de todos os modos.
Mas eu quero, com os irmãos, olhar para Jesus naquele momento que é a maior de todas as suas tentações, quando o grande desejo dele, como ser humano perfeito, era o de se desviar daquela horrível morte na cruz.
Mas ele sabia que se não fosse por sua morte você e eu não teríamos vida, e então ao mesmo tempo ele queria morrer na cruz, cumprindo assim a sua própria justiça divina e nos trazendo salvação.
Então, nesta hora terrível, de desejos contraditórios, de muita luta dentro de si, ele se apega ao Pai, com todo o seu ser, e busca forças para não desistir.
Mc 14:33-36
33 E, levando consigo a Pedro, Tiago e João, começou a sentir-se tomado de pavor e de angústia.  34 E lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai.  35 E, adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para que, se possível, lhe fosse poupada aquela hora.  36 E dizia: Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres.
Quando eu olho para Jesus aqui, eu sou não apenas consolado ao ver seu conflito interior, a sua luta, mas sou ensinado, fortalecido e encorajado a fazer como ele.
Ele se apega a Deus com todo o seu ser, e de uma forma inteiramente inusitada para o judeu piedoso do Antigo Testamento, pois ele não usa uma expressão comum (“Pater”, de onde vem a nossa palavra “pai”), para se dirigir a Deus.
Ele usa uma palavra aramaica própria das crianças, “Aba”, “papai, paizinho”.
Mais tarde, Paulo escrevendo sobre o Espírito de Deus habitando em nós, diz que não recebemos o espírito de escravidão, para vivermos atemorizados, mas recebemos o espírito de adoção, o espírito que faz com que nos sintamos filhos de Deus, e pelo qual clamamos: “Aba, Pai”[4], “Papai”.
Sim, meu irmãozinho querido, minha irmãzinha querida, nas suas lutas diárias, você pode olhar para Jesus, que entende a sua milícia, e com ele aprender que Deus, o Altíssimo, habita num alto e sublime trono, mas também habita com o abatido e contrito de espírito, e assim como você respeita o seu pai da terra, mas ao mesmo tempo gosta de sentar no colo dele e dizer papai querido, assim com o Pai do céu que, como diz Isaías, carrega você nos braços desde que você nasceu, e que vai carregar até você morrer[5].
Então, nos seus sofrimentos, nas suas lidas, nas suas tentações, olhe para Jesus: veja como ele também sofreu, por você, e veja também como ele lidou com o sofrimento, apegando-se ao Pai celestial.
2. Ao olharmos para Jesus também somos consolados com o grande amor que ele tem por nós
A Bíblia nos ensina que Jesus se encarnou, sofreu, foi humilhado, rejeitado, morreu na cruz.
Ensina também o porquê - Jesus fez tudo isto, e suportou tudo isto, por amor a nós.
Jesus nos diz que “Deus amou ao mundo com tanta intensidade que deu seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna” [6].
Você, de todo o seu coração, crê em Jesus? Então você pode ler assim: “Deus me amou de tal maneira que deu seu filho unigênito para que eu não pereça, mas tenha a salvação eterna”.
É por isto que o apóstolo Paulo escreveu: “o Filho de Deus me amou, e a si mesmo se entregou por mim” [7].
Eu gostaria, dentro deste contexto, de olhar para Jesus, quando colocado na cruz, e ali contemplar a intensidade do seu amor por nós.
Is 53:3,7
3 Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso.
7 Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca.
Jesus foi torturado fisicamente, foi morto, mas acho que o que mais doeu foi o ser rejeitado, o ser desprezado, o ser humilhado.
Pelo mundo que ele criou, e que tanto amou, ele foi odiado.
Mas existe uma coisa pior do que sentir-se abandonado pelos homens.
Mt 27:45,46
45 Desde a hora sexta até à hora nona, houve trevas sobre toda a terra.  46 Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?
Logo que amanheceu naquele dia Jesus foi entregue para ser açoitado e crucificado.
Ao meio dia ele já havia sido chicoteado, carregara a cruz pelas cidades de Jerusalém, debaixo da zombaria de muitos, seus pés e mãos estava dilacerados de dor e ele pendia pregado naquelas duas estacas de madeira.
Então vieram as trevas.
Uma imensa escuridão, um silêncio tenebroso que durou cerca de três horas.
E ali, naquelas três longas horas todo o castigo que era nosso, estava sendo descarregado sobre ele: as nossas idolatrias, as nossas infidelidades, as nossas mentiras, as nossas hipocrisias, as nossas inimizades.
Então ele clama, citando o Salmo 22: “Meu Deus, meu Deus, porque me desamparaste”?
Mas ele não fez esta citação apenas de modo retórico. Foi o intenso clamor de sua alma, a expressão daquilo que ele estava experimentando de verdade.
Isto é que é pior que ser rejeitado pelos homens. É ser desamparado por Deus. A coisa mais dolorosa do mundo é você ser rejeitado por quem você mais ama, era assim que ele estava se sentindo.
Meu irmão, minha irmã, não é possível olhar para Jesus na cruz, sem compreender quão grande é o seu amor por nós.
Se grande é o seu amor, grande é o seu perdão. Se você crê no amor de Jesus, então saiba também disto: você é um homem perdoado, uma mulher perdoada; nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.
Agora, ao olhar para Jesus em sua humilhação na cruz, eu quero também lembrar de como ele agiu, mesmo quando se sentiu desamparado por Deus.
Lc 23:44-46
44 Já era quase a hora sexta, e, escurecendo-se o sol, houve trevas sobre toda a terra até à hora nona.  45 E rasgou-se pelo meio o véu do santuário.  46 Então, Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E, dito isto, expirou.
Ele não deixou de esperar em Deus, de entregar-se a Deus.
E nisto aprendemos com ele: mesmo quando a escuridão for total, mesmo quando não houver nenhuma luz[8], mesmo quando me sentir sozinho, ainda que ele me mate, em Deus esperarei[9].
3. Eu também quero, com meus irmãos, olhar para Jesus na sua ressurreição
Sim, porque segundo a própria Palavra de Deus, de nada adiantaria Jesus ter morrido por nós, se ele não triunfasse sobre a morte[10]. De nada nos adiantaria um Salvador morto, um “deus morto”.
Mas ele por nós não somente morreu: ele também ressuscitou, subiu aos céus, e está assentado à mão direita do Pai.
Hb 1:3
Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas
Agora, quando olhamos para Jesus em sua ressurreição, o Espírito Santo nos ensina três verdades às quais devemos nos apegar com toda a firmeza
Primeira: no seu estado ressurreto, o Senhor Jesus está à direita do trono de Deus, para ali, diante do Pai, interceder incessantemente por nós[11].
Segunda: no seu estado ressurreto, o Senhor Jesus está espiritualmente entre nós, nos fortalecendo, nos encorajando, nos livrando, nos abençoando de todas as formas.
Ele prometeu estar conosco todos os dias até a consumação dos séculos.
O Apóstolo Paulo também escreveu que ele habita em nossos corações, quando diz: “agora já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”[12].
E aqui na carta aos Hebreus está escrito que ele se faz presente no meio da igreja reunida[13].
Também podemos citar sua promessa de que onde estão dois ou três reunidos em seu nome, ele está no meio deles[14].
A terceira verdade relacionada à ressurreição de Jesus diz respeito à sua vinda:
No dia em que Jesus subiu para o céu, os discípulos ficaram olhando para ele enquanto subia entre as nuvens.
De repente apareceram dois anjos no meio deles, perguntando: “Porque vocês estão assim tão admirados? Este mesmo Jesus que vocês viram subir, da mesma maneira voltará dos céus”[15].
E esta se tornou então a grande esperança de todo o crente: no seu estado ressurreto, Jesus voltará do céu, e o veremos pessoalmente, face a face.
Quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele. Se agora com ele sofremos, então, com ele seremos glorificados[16].
Nunca mais seremos entristecidos. Nunca mais seremos tentados. Nunca mais seremos tenazmente assediados pelo pecado.
Conclusão e aplicação
Tal como Abraão e Sara, tal como Moisés, e Ana, e Raabe, e Samuel, e Rute, e Noemi, e José, e toda aquela imensa galeria de santos do Antigo Testamento, nós somos peregrinos na terra.
A nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Senhor Jesus.
Satanás, o mundo e a carne tentam impedir a nossa carreira. O pecado tenazmente nos assedia. Mas não estamos correndo sem rumo. Temos alguém para nos fortalecer, a nos ajudar, a nos socorrer,em todo o tempo: o Senhor Jesus Cristo, nosso Deus e Salvador.
Você está sendo tentado? Olhe para ele.
Olhe como ele enfrentou as tentações, e agarre-se ao Pai, como ele fez.
Olhe também como ele sofreu o castigo pelos teus pecados: e tenha fé que o sofrimento dele não foi em vão. Se acontecer de você pecar, não esmoreça. Confesse a Deus, confie no seu perdão, e busque novas forças, para lutar e não pecar mais.
Quantas vezes for preciso, confesse, mas não desista. Confie naquele que está à direita de Deus intercedendo por você, para que tua fé não desvaneça.
E “olhe pro céu”. Pois assim como Jesus subiu ao céu e está à direita de Deus, assim também ele voltará, e então estaremos para sempre com ele.




[1] Rm 5:1
[2] Ef 6:12
[3] Mt 26:41;  Rm 7:18, 19
[4] Rm 8:15
[5] Is 46:3, 4
[6] Jo 3:16
[7] Gl 2:20
[8] Is 50:10
[9] Jó 13:15, ARC
[10] 1ª Co 15:14-17
[11] Hb 2:17,18; 4:14,15; 7:25
[12] Gl 2:19, 20
[13] Hb 2:11-13
[14] Mt 18:20
[15] At 1:11
[16] 1ª Jo 1:1-3

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Os benefícios das provações - Tg 1:2-12

Mensagem pregada como sermão de prova para a ordenação ao ministério pastoral, perante o Presbitério Piratininga da Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil, em Feira de Santana, Bahia
Sexta-feira, 7 de janeiro de 1994
Plínio Fernandes
Meus irmãos, por favor, abram suas Bíblias em Tiago 1:2-12
2 Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações,3 sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. 4 Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes.5 Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida. 6 Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento. 7 Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa; 8 homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos. 9 O irmão, porém, de condição humilde glorie-se na sua dignidade, 10 e o rico, na sua insignificância, porque ele passará como a flor da erva. 11 Porque o sol se levanta com seu ardente calor, e a erva seca, e a sua flor cai, e desaparece a formosura do seu aspecto; assim também se murchará o rico em seus caminhos.12 Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.
No século XIX, na cidade de Chicago, viveu um homem chamado Horátio Gates Sapafford.
Ele foi um ministro evangélico, diretor de um seminário presbiteriano.
Ele teve a vida marcada pelo sofrimento. Certa ocasião um grande incêndio na cidade que destruiu seus bens. Um de seus filhos morreu ainda pequeno, e suas quatro filhas morreram num naufrágio
Foi este homem escreveu um hino que diz assim:
Se paz, a mais doce, me fizeres gozar
Se dor, a mais forte, sofrer
Ó, seja o que for, tu me fazes saber
Que feliz com Jesus sempre sou
Sou feliz com Jesus
Sou feliz com Jesus meu Senhor
(Novo Cântico, 108; Cantor Cristão, 398)
Ele é um exemplo de que mesmo em meio às maiores aflições, aos maiores dissabores, nas horas mais terríveis, a esperança, a confiança e a felicidade hão de reinar na mente, no coração, na vida daquele que conhece a Deus.
Tiago, irmão e servo de Jesus, em sua carta nos ensina que a nossa fé não é algo que nos aliena das circunstâncias desta vida, mas que ela tem tudo a ver com nosso dia a dia, em todas as áreas. E aqui, neste texto que temos diante de nós, sobre como lidar com as provações.
No v.2 ele diz: “Tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações...” (ARA)
A versão Corrigida diz assim: Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações, 3 sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência.” (vs. 2, 3).
Há dois sentidos nos quais Tiago e a Bíblia empregam a palavra tentação:
Muitas vezes, é como nos vs. 13 e 14, onde tem o sentido de “indução ao pecado”. Neste sentido, nunca podemos dizer que Deus é o autor das tentações, pois ele nunca faz nada de mal, nem tenta ninguém a fazer algo de mal. Neste sentido, o tentador é o diabo. E também as nossas próprias fraquezas são fonte de tentação.
Mas aqui nos vs. 2 e 3, a tentação tem o sentido de “prova, ou provação”.
Parafraseando o que nos diz Tiago, “Quando cairdes em tentações, isto é, quando passardes por provações de vossa fé, que isto seja um motivo de gozo, alegria, felicidade...”
1. O que são provações?
“Provação” é uma palavra usada no processo de purificação de metais preciosos.
Por exemplo, leiamos Pv 17:3
O crisol é para a prata, e o forno, para o ouro; mas o SENHOR prova os corações.”
Provações são essas situações difíceis pelas quais passamos constantemente, que de alguma maneira vêm desafiar a nossa capacidade de resistência, a profundidade e a força de nossa fé, de nossa confiança em Deus.
São situações de oposição; obstáculos, “empecilhos” à nossa caminhada espiritual.
Situações nas quais podemos ser mal entendidos, acusados falsamente, podemos nos tornar objeto de mexericos, reprovados, rejeitados, condenados, criticados, contrariados, enganados.
Nas quais podemos nos tornar motivo de ressentimentos.
Situações de enfermidade .
Ou quando sofremos reveses financeiros.
A Palavra de Deus nos ensina que o Senhor de nossas vidas está no controle de cada situação, que ele tem o domínio de tudo quanto acontece, e está nos provando...
Por isso, diz Tiago...
2. A atitude que devemos ter diante de Deus: “Tende grande alegria, gozo...”
Veja o que Tiago está dizendo:
Quando você estiver passando por problemas de saúde, alegre-se...
Quando estiver passando por conflitos de relacionamento, alegre-se...
Quando você estiver passando por contrariedades, alegre-se...
Será que este homem de Deus está nos exortando a uma atitude de estóica indiferença diante do sofrimento, ou nos encorajando a um comportamento irracional de rir diante da desgraça? Ele está dizendo que não podemos nos sentir contrariados, ou não podemos nos entristecer?
Certamente que não!
Tg 5:13
“Está alguém alegre?Cante louvores. Está alguém triste? Faça oração.”
Tiago não quer que nós não nos entristeçamos quando coisas erradas acontecem conosco e com outras pessoas. O amor não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade.
Mas o que Tiago está nos ensinando é que, apesar da tristeza que os problemas podem nos trazer, nós podemos fazer destes problemas uma fonte de bênçãos espirituais, e nos alegrarmos com as bênçãos espirituais que estes problemas podem trazer.
Quando estiverem passando por provações, alegrem-se, sintam-se felizes, fiquem contentes...
Como está escrito nos Salmos, o homem que anda com Deus, quando passa pelo vale árido, faz dele uma fonte de bênçãos...
Desejo mencionar duas razões pelas quais esta atitude de se alegrar é muito apropriada:
Uma delas é que as provações vêm de Deus – Deus que é sábio, que é justo, que é bom, que é misericordioso, todo poderoso, que nos ama – e todas as veredas, todos os caminhos do Senhor são santos.
Como já temos lido, o crisol prova a prata, e os corações quem prova é o Senhor.
Outra razão é que a alegria é uma atitude muito apropriada se queremos vencer, isto é, se queremos ser aprovados em nossas provações.
Ne 8:10
...porque esse dia é consagrado ao nosso Senhor; portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do SENHOR é a vossa força”.
E como diz o Salmo 118:24
“Este é o dia que o Senhor fez: alegremo-nos e regozijemo-nos nele.”
Alegria é uma atitude de fé, de reconhecimento que as mãos de Deus estão conduzindo o nosso destino, que a nossa vida não está nas mãos de Satanás, que nada é fruto do acaso, e que também não estamos à mercê de nossas próprias determinações e disposições do coração, mas que cada dia, cada acontecimento, até mesmo aqueles que nos contrariam, que parecem sem sentido, tudo, tudo quanto acontece, está sob o controle do Senhor.
3. Mas Tiago nos ensina também como podemos ter alegria em meio às provações
 “Sabendo”, ele diz; “usando o entendimento”.
O Salmo 32 nos ensina que não devemos ser como um cavalo, ou uma mula, que não têm entendimento
Sabendo: conhecendo, sendo sabedores, tendo sabedoria. O que devemos saber?
3.1 – Que as provações nos tornam perseverantes – v. 3
Perseverança, paciência – capacidade de resistir, de prosseguir
Quando surgem dificuldades, o propósito de Deus não é que desistamos, mas que desenvolvamos a capacidade de prosseguir para o alvo.
Esta estória eu li num boletim de Escola Dominical: conta que certo homem, num dia de chuva, abrigou-se num edifício que havia sido abandonado em construção.
Enquanto esperava a chuva passar, começou a observar uma formiguinha que transportava uma folha enorme, maior do que ela.
Em certo momento a formiguinha encontrou uma barreira de cimento endurecido, e começou a subi-la carregando sua enorme folha.
Mas no meio da subida a formiguinha caiu. Então ela pegou novamente a folha e recomeçou a subida. E caiu outra vez. E recomeçou. E tornou a cair.
Então o homem começou a contar quantas vezes aquela formiginha se reerguia e recomeçava a subida.
Cinco vezes... seis... sete... trinta e cinco... trinta e seis... trinta e sete... sessenta e cinco... sessenta e oito,,, sessenta e nove... setenta! Na septuagésima vez ele conseguiu ultrapassar a barreira. Mas se ela tivesse desistido na sexagésima nona, não teria conseguido.
Eu acho uma boa ilustração deste fato que a vida coloca sempre diante de nós: oportunidades de nos tronarmos perseverantes, pessoas fortes, que prosseguem, mesmo quando já tentamos muitas vezes, mesmo quando parece que não conseguiremos. Perseverança é uma característica da verdadeira fé.
Como diz o Espírito Santo: “Tendes necessidade de perseverança, para que havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa...” (Hb 10:36).
3.2 – As provações nos conduzem à maturidade (caráter de Cristo)
Nosso verdadeiro caráter é revelado
Dt 8:2
E te lembrarás de todo o caminho pelo qual o SENHOR, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os seus mandamentos ou não.”
Eu conheço certo pastor que orava por reavivamento em sua igreja.
Ele sempre pregava com todo o amor e conhecimento que o Senhor lhe dava, e sempre orava para que sua igreja fosse despertada espiritualmente.
Certa ocasião sua igreja recebeu uma missionária que foi lhes falar sobre a vida do crente. E conforme flava à igreja, o pastor notou que havia quebrantamento espiritual entre os irmãos. E depois disto o tão desejado despertamento aconteceu.
Mas o pastor se entristeceu com uma coisa: é que aquela missionária havia trazido uma mensagem como as que ele pregava constantemente. Não havia nada de diferente. E os irmãos ficaram se sentindo muito gratos a Deus porque ele havia enviado aquela irmã para lhes falar.
Então o pastor percebeu uma coisa em seu coração: ciúmes. E sentiu que desejava despertamento da igreja, mas também desejava ser reconhecido.
Na hora em que foi provado, o que estava no seu coração veio à tona. Então ele confessou seus sentimentos a Deus, e reconheceu que é Deus que faz a obra, onde quer, quando quer através de quem ele quer. Deu glória a Deus e se alegro pela resposta às suas orações.
3.3 – As provações nos tornam melhores interiormente
Dt 8:3
Ele te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conhecias, nem teus pais o conheciam, para te dar a entender que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do SENHOR viverá o homem.”
Esta estória eu li naquele excelente livro, “Normas para o Crescimento Espiritual”:
Um seminarista foi fazer um pedido ao diretor de sua escola bíblica. Ele tinha pressa de entrar no ministério, e perguntou se não haveria um curso mais rápido que ele pudesse fazer, e assim sair pregando o evangelho; esta é uma tarefa urgente, ele dizia, e queria lançar logo a mão no arado.
Então o diretor respondeu: “Sim, eu acho que se você quiser, posso lhe oferecer um curso mais rápido; mas depende do tipo de missionário você quer ser. Quando Deus quer fazer um carvalho ele leva cem anos. Muitos verões, e invernos, e sol e chuvas, e tempestades e ventos. Muito tempo e situações diferentes. Muitas provações. Quando quer fazer uma abóbora, leva seis meses. Que tipo de missionário você quer ser”?
O fervoroso jovem entendeu, e respondeu: “Eu quero ser um carvalho”. E prosseguiu seus estudos.
3. 4 – São instrumentos da providência de Deus para nos guiar
Gn 45:5-8
Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos irriteis contra vós mesmos por me haverdes vendido para aqui; porque, para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós. 6 Porque já houve dois anos de fome na terra, e ainda restam cinco anos em que não haverá lavoura nem colheita. 7 Deus me enviou adiante de vós, para conservar vossa sucessão na terra e para vos preservar a vida por um grande livramento. 8 Assim, não fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus, que me pôs por pai de Faraó, e senhor de toda a sua casa, e como governador em toda a terra do Egito.”
Que visão José do Egito tinha a respeito da providência de Deus em sua vida: ele foi odiado, traído pelos irmãos, vendido como escravo, acusado falsamente e lançado numa prisão egípcia onde ficou anos esquecido.
Até que um dia foi libertado e conduzido à condição de vice-regente do Egito. Naquela posição ele foi usado por Deus para salvar muitas vidas, inclusive as de seus irmãos que o odiaram e deram como morto àquela altura.
Mas no texto que lemos ele conta da sua maneira de interpretar a vida: não foram seus irmãos que conduziram seu destino. Foi Deus, que controla todas as coisas, que o conduziu ao Egito através de todos os males aparentes, para que ele fosse um instrumento divino, abençoador de muita gente.
Assim também Tiago nos diz que suportar as provações com fé nos conduz a algo muito maior do que tudo o que este mundo pode nos dar.
Tg 1:12
“Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.”
3.5 – E se você não estiver conseguindo entender?
v.5
Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida.
Peça a Deus sabedoria. Eu aprecio a definição de sabedoria dada pelo pastor Larry Coy: “Sabedoria é olhar a vida do ponto de vista de Deus”.
Peça com fé, com perseverança.
“Senhor: nesta situação, que qualidades de caráter o Senhor pode desenvolver em minha vida? Diante deste problema, de que modo eu posso aprender a me parecer mais com Jesus Cristo”?
Peça na certeza de que o Senhor iluminará seu entendimento, e deixe que a Palavra do Senhor conduza o seu pensar. Aprenda a ser mais parecido com Jesus.
Leiamos sobre o exemplo de Davi, servo do Senhor
1º Sm 30:6
Davi muito se angustiou, pois o povo falava de apedrejá-lo, porque todos estavam em amargura, cada um por causa de seus filhos e de suas filhas; porém Davi se reanimou no SENHOR, seu Deus.”

Diante das coisas que te angustiam, anime-se no Senhor teu Deus. 

domingo, 8 de setembro de 2013

O caminho de Deus - Êx 33:11-17

3ª IPC de São Paulo
Domingo, 3 de setembro de 2000
Pr. Plínio Fernandes
Meus irmãos, vamos ler a Bíblia em Êxodo 33:11-17
11 Falava o SENHOR a Moisés face a face, como qualquer fala a seu amigo; então, voltava Moisés para o arraial, porém o moço Josué, seu servidor, filho de Num, não se apartava da tenda. 12 Disse Moisés ao SENHOR: Tu me dizes: Faze subir este povo, porém não me deste saber a quem hás de enviar comigo; contudo, disseste: Conheço-te pelo teu nome; também achaste graça aos meus olhos. 13 Agora, pois, se achei graça aos teus olhos, rogo-te que me faças saber neste momento o teu caminho, para que eu te conheça e ache graça aos teus olhos; e considera que esta nação é teu povo. 14 Respondeu-lhe: A minha presença irá contigo, e eu te darei descanso. 15 Então, lhe disse Moisés: Se a tua presença não vai comigo, não nos faças subir deste lugar. 16 Pois como se há de saber que achamos graça aos teus olhos, eu e o teu povo? Não é, porventura, em andares conosco, de maneira que somos separados, eu e o teu povo, de todos os povos da terra? 17 Disse o SENHOR a Moisés: Farei também isto que disseste; porque achaste graça aos meus olhos, e eu te conheço pelo teu nome.
Acho que uma das coisas mais bonitas que podem acontecer entre dois seres humanos é esta, chamada “amizade”. Amizade é quando duas pessoas foram agraciadas com o dom de estarem diante uma da outra, face a face.
Digo que é uma graça porque quando existe amizade entre duas pessoas, elas estão imitando a Deus. Este é um dos aspectos da imagem de Deus no homem, pois, quando em Jo 1:1 está escrito: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. Esta oração, “o Verbo estava com Deus”, literalmente significa: “o Verbo (que é Jesus), estava face a face com Deus...”
Assim, o que existe desde toda a eternidade é uma perene amizade entre as pessoas da Trindade Santa.
Mas, se dizemos que a amizade entre dois seres humanos é algo maravilhoso, o que dizer então quando existe amizade entre um homem e seu Deus, o seu criador? Como expressar isto em palavras?
“Não existe nada melhor do que ser amigo de Deus”.
Aqui o Espírito Santo está descrevendo um momento sublime, santo, maravilhoso na vida de Moisés, dizendo que Moisés falava com Deus, ou melhor, que Deus falava com Moisés face a face, como qualquer um fala com seu amigo.
Estavam na “tenda da congregação”, a cabana onde Moisés acampava, e onde ele e o Senhor sempre se encontravam.
E com a liberdade de quem fala a um amigo, Moisés diz ao Senhor: “O Senhor me diz que vou guiar teu rebanho, mas até agora não me disse quem irá comigo...”.
Parece que Moisés pensava que o Senhor deveria colocar alguém com ele (este é o modo usual de Deus fazer as coisas), mas perece também que há certas exceções, como Moisés, José, Samuel, Jeremias, em que Deus, e apenas Deus, vai com seu homem... Seu Deus é tudo o que ele precisa...
Então Moisés prossegue: “O Senhor me diz que me conhece pelo nome, que fui alcançado por tua graça. Se é assim, então me faça conhecer o teu caminho, para que eu te conheça; e considera que esta nação é teu povo (estas pessoas são tuas)”.
E o Senhor responde: “Sim, Moisés, a minha presença irá contigo, e eu te darei descanso”.
Moisés torna a dizer: “Se o Senhor não estiver comigo, não nos faça nem sair daqui... Pois como saberemos que de fato a tua graça nos alcançou? Não é pelo fato de o Senhor andar conosco, de maneira que eu e o teu povo seremos separados do resto do mundo”?
E o Senhor torna a falar a Moisés: “Sim , Moisés, também farei isto que você está pedindo: pois é assim mesmo - você está debaixo da minha graça, eu conheço você pelo nome...”.
Irmãos, eu gostaria de me concentrar nestas palavras do v. 13, que são a essência do pedido de Moisés ao Senhor: “Rogo-te que me faças conhecer, neste momento, o teu caminho, para que eu te conheça...”.
“Rogo-te que me faças conhecer o teu caminho, para que eu te conheça, e ande na tua graça...”.
Deus, na sua Palavra, nos dá a conhecer algo de seu caminho. Bom e reto é o Senhor, por isto aponta o caminho para os pecadores.
Para nós, hoje, que o Senhor nos mostra em sua Palavra, acerca de seu caminho?
Eu gostaria de começar com aquela verdade mais essencial, e maravilhosa:
1. O caminho de Deus é Jesus
Jo 14:6-10
6 Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. 7 Se vós me tivésseis conhecido, conheceríeis também a meu Pai. Desde agora o conheceis e o tendes visto. 8 Replicou-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta. 9 Disse-lhe Jesus: Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai? 10 Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras.
Jesus se apresenta como o caminho de Deus, e o caminho para Deus.
Note que ele não diz: “Ninguém vai ao Pai...” Ele e o Pai estão de tal forma unidos que ir a Jesus significa imediatamente ir ao Pai, e não ir a Jesus imediatamente significa estar longe do Pai.
Ele também não diz: “Eu sou um caminho...” Ele diz “Eu sou o caminho”, com isto mostrando que ele é o único caminho.
Em que sentido Jesus é o caminho de Deus e para Deus?
1.1 - Porque em Jesus podemos conhecer a Deus em toda a sua perfeição, em toda a sua glória, amor, justiça. “Que me vê a mim vê o Pai. Ouve suas Palavras”. Que conhece a Jesus conhece ao Pai eterno
1.2 - Porque Jesus é quem veio do céu, da parte do Pai, para destruir a grande barreira de inimizade que havia entre nós e Deus, por causa dos nossos pecados
Rm 5:1,2, 8-11
1Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; 2 por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus... 8 Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores,  9 Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. 10 Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida; 11 e não apenas isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem recebemos, agora, a reconciliação.
Andar com Deus, portanto, antes de mais nada, é andar com Jesus, pela fé nele, pela confiança em suas Palavras
2. Deus tem o seu caminho na tormenta e na empestade
Na 1:3
O SENHOR é tardio em irar-se, mas grande em poder e jamais inocenta o culpado; o SENHOR tem o seu caminho na tormenta e na tempestade, e as nuvens são o pó dos seus pés.
Fico impressionado em como esta idéia se repete constantemente nas escrituras - “O Senhor tem o seu caminho na tormenta e na tempestade”.
Às vezes isto é uma expressão literal, como no Salmo 29, às vezes isto é uma metáfora, como no Salmo 124, ao falar sobre as tempestades que vêm sobre nossa alma.
2.1 - Às vezes, como no Salmo 29, as tempestades são descritas como grandiosas manifestações do poder de Deus
Porque ele mesmo é quem as cria: os ventos, os raios, o trovões que fazem tremer a terra, as janelas dos céus abertas, derramando grandes quantidades de águas. O escritor do salmo diz: “O Senhor preside os dilúvios; como rei presidirá para sempre”
O Senhor domina sobre a tempestade
2.2 - Às vezes, o poder de Deus se manifesta, não na criação da tempestade, mas exatamente ao contrário, na maneira como ele a extingue como vemos nos Evangelhos.
Mc 4:35-41
35 Naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes Jesus: Passemos para a outra margem. 36 E eles, despedindo a multidão, o levaram assim como estava, no barco; e outros barcos o seguiam. 37 Ora, levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água. 38 E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles o despertaram e lhe disseram: Mestre, não te importa que pereçamos? 39 E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança. 40 Então, lhes disse: Por que sois assim tímidos?! Como é que não tendes fé? 41 E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?
Há tanto o observar nesta passagem:
Por exemplo: obedecer a Jesus muitas vezes significa ir parar no meio de uma tempestade - v. 35.
Também: as tempestades que vêm sobre nós, embora possam nos impressionar, amedrontar, nos fazer pensar que iremos perecer, não afetam ao Senhor. Pois ele é o Senhor do universo, até os ventos e o mar lhe obedecem.
Por isto, em meio às tempestades da vida, devemos ter fé.
2.2 - Noutros lugares, a Bíblia nos mostra o Senhor, não criando uma tempestade, nem extinguindo-a, mas andando no meio dela.
Por exemplo Mt 14:25
Na quarta vigília da noite, foi Jesus ter com eles, andando por sobre o mar.
Você quer saber o caminho de Deus? O Senhor tem o seu caminho na tormenta e na tempestade...
Muitas vezes, ficamos sem entender: “Senhor, eu queria andar contigo, pois tu és o meu pastor; queria ser conduzido às águas tranqüilas, deitar em verdes pastos... Mas parece que não estou andando contigo; estou enfrentando tormentas, andando em meio a ventos contrários, as águas estão transbordando, estou ficando sem forças para remar. Onde está a promessa do teu Espírito, do teu poder?”.
Meu irmão, não estranhe estas coisas...
O mesmo salmo que fala das águas tranqüilas também fala do vale da sombra da morte
Veja Moisés, homem de Deus, e Paulo, e José do Egito, e Davi - quantas lutas, quantas aflições.
Mesmo com Cristo no barco existem tempestades; aliás, andar com Jesus é andar com aquele que é superior, aquele que tem o seu caminho na tormenta e na tempestade.
Porque o seu caminho é na tormenta?
3. O caminho de Deus é de santidade
Sl 77:13
O teu caminho, ó Deus, é de santidade...
A ARC diz: “O teu caminho, ó Deus, está no santuário”, isto é, no lugar santo.
Podemos dizer que “santidade é o atributo supremo”, isto é, santidade é aquele que abrange tudo o que Deus é em seu caráter perfeito. O sentido básico de santo é “separado dos demais”, em relação a Deus, separado de toda a criação, acima de tudo, é a suma da perfeição de Deus - justiça perfeita, misericórdia perfeita, sabedoria, amor perfeito, retidão perfeita.
Andar com Deus é aprender suas perfeições.
Por isto Moisés foi tão sábio ao orar. Ele disse: “Senhor, eu rogo que nos mostres o teu caminho, pois como saberíamos que estás conosco, a não ser pelo fato de sermos gente separada, isto é, gente santa?”.
E me parece que também este é um dos propósitos de andarmos em meio às tempestades, para andarmos no caminho da santidade.
Sl 119:71
Foi-me bom ter passado pela aflição, para que eu aprendesse os teus decretos - os teus planos, os teus pensamentos, o teu modo de fazer as coisas, os teus mandamentos
Outro modo de colocar: para que eu descobrisse os teus caminhos, o lugar por onde devo andar.
Em meados de 1980 eu estava passando por um momento emocionalmente difícil: estivera trabalhando em Manaus, e ali conheci uma linda moça, por quem me apaixonei (e é claro que ela também se apaixonou por mim). Mas o meu trabalho ali havia terminado e eu fui enviado de volta a São Paulo. Não havia perspectiva de um possível retorno.
Aqui estava eu, lá estava a Terezinha, ela não podia vir e eu não poderia ir.
Eu meditava no Salmo 128 - “Bem-aventurado o homem que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos... feliz serás, e tudo te irá bem...”.
Mas também pensava: “É melhor esquecer a Terezinha... é melhor que ela me esqueça...”.
E um dia eu pedi ao Senhor: “Senhor, está sendo tão difícil. Como eu posso saber se não devo esquecer minha noiva?”.
E à minha mente veio claramente o Salmo 15 - Ali Deus nos diz que o homem que anda com ele é homem de palavra, que não volta atrás quando fala; e o Senhor me disse: “Filho, não quero que você se esqueça de sua amada; quero que você seja fiel em seu compromisso com ela...”.
Aquilo encheu meu coração de fé e esperança.
E como eu estava aqui em São Paulo, trabalhando entre as igrejas, os irmãos sabem “quanta moça bonita tem nas igrejas”, mas eu sabia o que queria, e também sabia que o que eu queria era o que Deus queria, por isto não me deixei levar por certas situações que surgiram...
Então, três meses depois, surgiu um novo projeto da missão em Manaus.
E eu disse assim para uma amiga minha: “Antes eu sabia, porque está escrito na Bíblia, que Deus é poderoso e fiel; mas cada vez mais eu conheço isto de experiência própria”.
Paulo também dá o seu testemunho do valor dos ventos contrários, das vicissitudes, por exemplo em Fp 4:11-13:
Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação...
Aprendi a viver acima de toda qualquer situação
Tanto sei ser humilhado como ser honrado, etc...
Não contente “com a situação”, pois aqui mesmo, em Fp 2:27,28, Paulo diz que Epafodito, seu grande amigo ficou muito doente, a ponto de quase morrer, mas que o Senhor se compadeceu dele, Epafrodito, e do próprio Paulo, pois se Epafrodito morresse Paulo teria mais uma tristeza acrescentada à sua vida, mas como Epafrotido foi curado Paulo teve menos tristeza.
Isto é, a alegria de viver contente em toda e qualquer situação não é uma exigência de Deus no sentido de que o crente precisa ter esta atitude “Seicho-No-Iê”, de ficar contente com os males da vida, dizendo que o mal não existe, mas sim, de ficar contente naquele que transforma todas as coisas, de modo que elas cooperem para o bem dos seus eleitos.
O contentamento consiste em dizer: Sou capaz de enfrentar, sou capaz de sobreviver, sou capaz de vencer todas as coisas por meio daquele que me fortalece, aquele que é a minha força
Nas tempestades, a santidade de Deus vai sendo forjada no coração de seus eleitos:
Em Gn 17:1 o Senhor faz uma proposta, que não é bem uma proposta, mas um mandamento, que só ele mesmo para fazer a um homem - “Anda na minha presença e sê perfeito...”.
4. O caminho de Deus é perfeito
Sl 18:30
O caminho de Deus é perfeito; a palavra do SENHOR é provada; ele é escudo para todos os que nele se refugiam.
Ele não erra. Ele sabe o que faz, e tudo o que ele faz é melhor.
Neste mundo, às vezes sentimos certos conflitos éticos, certos dilemas, difíceis de escolher.
Certas ocasiões, temos apenas que escolher entre o certo e o errado; noutras ocasiões, temos certa dificuldade pois precisamos escolher entre as coisas boas, aquela que é a melhor; e noutras ocasiões, infelizmente temos que escolher entre duas coisas más; precisamos nos posicionar, e optar pelo mal menor.
Mas com Deus nunca há dilema algum, ele sempre sabe o que é melhor, se sempre  faz o que é melhor.
O caminho de Deus é perfeito
E aquele que anda com o Senhor pode confiar que está andando num caminho perfeito, mesmo que não saiba muito bem para onde está indo.
O escritor da Carta aos Hebreus nos diz que pela fé, quando chamado por Deus, Abraão partiu sem saber para onde ia. E certo escritor puritano comentou: “Abraão saiu sem saber para onde ia, mas sabendo com quem ia”.
Estou pensando em certo momento difícil pelo qual eu e minha família passamos em 1988. Eu era pastor de uma pequena congregação em São Mateus. Estava na faculdade, trabalhava, à medida em que tinha tempo, como vendedor e pastoreava esta congregação.
Mas muitas vezes, por causa do trabalho como pastor, não tinha como trabalhar fora, e o salário como pastor era suficiente apenas para pagar o aluguel de minha casa. Por causa disto muitas vezes a situação econômica era difícil.
E um dia eu tive que tomar uma decisão: é que em casa não tínhamos nada para comer; não tinha como dar o café da manhã para a Rutinha.
Quando eu estava em Manaus, trabalhando como missionário, muitas vezes eu fiquei numa situação assim, e eu como “Amélia”, achava bonito não ter o que comer, no meu caso, por causa do evangelho.
Mas agora, com esposa e filha diante das quais eu tinha responsabilidade, não era mais bonito.
Então eu tomei uma decisão e a comuniquei à igreja no final de semana:
Eu disse: “Irmãos, vocês sabem o quanto os amo; sabem que não estou aqui trabalhando por dinheiro; que não sou um mercenário, mas é que eu não estou conseguindo ser pastor e sustentar a minha família ao mesmo tempo. E a Bíblia diz que a família é minha prioridade... Sei que não é a vontade de Deus que eu não providencie o necessário para os meus; então creio ser a vontade de Deus que eu deixe o pastorado e me dedique ao trabalho fora. Quem sabe no futuro, se o Senhor abrir alguma porta, eu possa voltar ao amor da minha vida, o pastorado”.
A congregação chorou muito, mas não podia fazer nada, eles não tinham condições.
Ai, no dia seguinte, um grupo de irmãos de outra igreja foi à minha casa. Eles disseram: “Pastor, nós soubemos de sua situação, e parece que Deus está nos conduzindo de acordo com sua vontade. Somos uma igreja aqui perto e há meses estamos orando, pois estamos sem pastor. Não temos muito para oferecer: Um salário e também o aluguel de uma casa. Gostaríamos de convidá-lo a conhecer nossa igreja, e se for a vontade de Deus, aceitar o pastorado”.
Então um mês depois eu tomei posse como pastor daqueles irmãos. E como o Senhor abençoou o tempo em que estive ali.
No começo eu achava difícil ter que tomar a decisão de sair daquela primeira igreja, mas depois descobri que às vezes a melhor coisa é ir embora,  como Abraão que saiu sem saber para onde ia, mas sabendo com quem ia.
O caminho de Deus é perfeito...
Rm 8:28
Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.
Conclusão
O Senhor tem o seu caminho na tormenta e na tempestade.
Mas é um caminho de santidade, é um caminho perfeito, porque é andar com Jesus.
Jesus, que nos mostra as decisões a serem tomadas, que nos mostra o caminho a seguir.
Jesus que anda por sobre as águas, em meio aos ventos fortes, que segura em nossa mão para que não afundemos.
Jesus que acalma as águas agitadas de nossos corações atribulados.
Jesus que é o nosso caminho para Deus, para a vida eterna.
Aplicação
Eu gostaria primeiro de fazer uma pergunta: Você conhece Jesus? Você conhece o caminho para Deus?
Se não conhece eu gostaria de encorajá-lo e conhecer.
Como? Pela fé na Palavra de Deus, a Bíblia sagrada. Crer na Bíblia é crer em Jesus, e a Bíblia nos ensina que todo aquele que, pela fé abrir o coração para Jesus, para que por meio de seu Espírito ele venha a morar em sua vida, todo aquele que abrir o coração para Jesus, terá Jesus morando em seu coração, e por meio da fé em Jesus entrará no caminho de Deus, que conduz ao céu.
Se você ainda não conhece a Jesus, hoje é o dia em que você pode orar, e pedir: “Vem Jesus, habitar e minha vida, mostrar o caminho por onde devo andar”.
E agora quero me dirigir àqueles que já estão neste caminho, que já estão andando com Jesus:
Meu irmãozinho querido, minha irmãzinha querida: as águas estão agitadas, os ventos contrários? Parece que seu barquinho quer afundar?
Parece que Jesus não se importa que você pereça?
Não pense assim: tenha fé.
Vida com Deus é luta; é andar com o Deus do trovão, com o Deus santo, com o Deus perfeito, usando a expressão de Max Lucado, “o trovão gentil”.
Tenha fé; não repare na força do vento; olhe para Jesus, tenha fé.
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