Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

domingo, 27 de março de 2016

A restauração de Pedro - Jo 21

IPC de Pda. de Taipas
Domingo, 27 de março de 2016
Pr. Plínio Fernandes
Depois disto, tornou Jesus a manifestar-se aos discípulos junto do mar de Tiberíades; e foi assim que ele se manifestou: 2 estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael, que era de Caná da Galiléia, os filhos de Zebedeu e mais dois dos seus discípulos.  3 Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Disseram-lhe os outros: Também nós vamos contigo. Saíram, e entraram no barco, e, naquela noite, nada apanharam.  4 Mas, ao clarear da madrugada, estava Jesus na praia; todavia, os discípulos não reconheceram que era ele.  5 Perguntou-lhes Jesus: Filhos, tendes aí alguma coisa de comer? Responderam-lhe: Não.  6 Então, lhes disse: Lançai a rede à direita do barco e achareis. Assim fizeram e já não podiam puxar a rede, tão grande era a quantidade de peixes.  7 Aquele discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: É o Senhor! Simão Pedro, ouvindo que era o Senhor, cingiu-se com sua veste, porque se havia despido, e lançou-se ao mar; 8 mas os outros discípulos vieram no barquinho puxando a rede com os peixes; porque não estavam distantes da terra senão quase duzentos côvados.  9 Ao saltarem em terra, viram ali umas brasas e, em cima, peixes; e havia também pão.  10 Disse-lhes Jesus: Trazei alguns dos peixes que acabastes de apanhar.  11 Simão Pedro entrou no barco e arrastou a rede para a terra, cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e, não obstante serem tantos, a rede não se rompeu.  12 Disse-lhes Jesus: Vinde, comei. Nenhum dos discípulos ousava perguntar-lhe: Quem és tu? Porque sabiam que era o Senhor.  13 Veio Jesus, tomou o pão, e lhes deu, e, de igual modo, o peixe.  14 E já era esta a terceira vez que Jesus se manifestava aos discípulos, depois de ressuscitado dentre os mortos.  15 Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros? Ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Ele lhe disse: Apascenta os meus cordeiros.  16 Tornou a perguntar-lhe pela segunda vez: Simão, filho de João, tu me amas? Ele lhe respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Pastoreia as minhas ovelhas.  17 Pela terceira vez Jesus lhe perguntou: Simão, filho de João, tu me amas? Pedro entristeceu-se por ele lhe ter dito, pela terceira vez: Tu me amas? E respondeu-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo. Jesus lhe disse: Apascenta as minhas ovelhas.  18 Em verdade, em verdade te digo que, quando eras mais moço, tu te cingias a ti mesmo e andavas por onde querias; quando, porém, fores velho, estenderás as mãos, e outro te cingirá e te levará para onde não queres.  19 Disse isto para significar com que gênero de morte Pedro havia de glorificar a Deus. Depois de assim falar, acrescentou-lhe: Segue-me.  20 Então, Pedro, voltando-se, viu que também o ia seguindo o discípulo a quem Jesus amava, o qual na ceia se reclinara sobre o peito de Jesus e perguntara: Senhor, quem é o traidor?  21 Vendo-o, pois, Pedro perguntou a Jesus: E quanto a este?  22 Respondeu-lhe Jesus: Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa? Quanto a ti, segue-me.  23 Então, se tornou corrente entre os irmãos o dito de que aquele discípulo não morreria. Ora, Jesus não dissera que tal discípulo não morreria, mas: Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa?  24 Este é o discípulo que dá testemunho a respeito destas coisas e que as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro.  25 Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez. Se todas elas fossem relatadas uma por uma, creio eu que nem no mundo inteiro caberiam os livros que seriam escritos.
Na versão Almeida Revista e Atualizada, o título deste capítulo em nossas Bíblias é: “Jesus aparece a sete discípulos”.
Embora isto seja exato, se eu fosse o editor chamaria este capítulo de: “A restauração de Pedro”.
Pois, ainda que nesta ocasião (e esta era a terceira vez desde a sua ressurreição), Jesus de fato apareceu a este grupo, e ainda que dentre eles houvesse alguém muito especial aos olhos de Jesus, o autor deste evangelho, que descreve a si mesmo como o “discípulo a quem Jesus amava” [1], nosso Senhor de dedicou especialmente a refazer a vida de Pedro.
Pedro, desde as primeiras notícias da ressurreição de Jesus, havia crido, e foi também um dos primeiros a vê-lo ressurreto.
Mas ainda estava espiritualmente abatido.
Então o Senhor se manifesta aos sete, ministra aos sete, mas sai andando com Pedro pela praia (o discípulo amado acompanha de perto, ouve cada palavra e registra a conversa entre os dois).
Escreve movido pelo Espírito de Deus, par edificação da nossa fé, para nosso consolo e encorajamento.
Pois cada um de nós está sujeito a experimentar, em nossa vida como crentes, esta mesma crise pela qual Pedro passou. E cada um de nós, à medida que experimenta este tipo de crise, pode também da mesma maneira ser restaurado.
Muitos de vocês têm tido vitórias, mas com certeza já experimentaram (e experimentarão) o que vamos dizer hoje.
Muitos de vocês estão passando pelo que vamos meditar hoje; mas seja qual for seu momento, esta mensagem é para você, é para cada um de nós.
Eu gostaria então, amados, de destacar neste texto, o que Deus nos ensina sobre a restauração da vida espiritual.
Pois em primeiro lugar o Espírito Santo nos ensina que...
1. Mesmo um discípulo autêntico de Jesus pode experimentar momentos de terrível queda espiritual
Mesmo um discípulo autêntico pode desanimar e voltar atrás.
Estou enfatizando a autenticidade deste discípulo porque existem discípulos falsos, e quando se trata de um discípulo falso, alguém que não se entregou verdadeiramente ao Senhor, o voltar atrás é algo completamente natural e esperado.
Como aconteceu com Demas, que tendo amado o presente século abandonou o evangelho. [2]
Como aconteceu com Judas, que amava o dinheiro e traiu Jesus.[3]
Ou como aconteceu com Simão, o mágico, que amava o poder e a glória e abandonou a fé que abraçara. [4]
De um discípulo autêntico não se espera isto, mas pode acontecer dele ser tentado a voltar atrás, a desistir.
E é o que vejo nesta frase de Pedro: – “Vou pescar”.
Esta frase, nos lábios de Pedro quer dizer: – “Vou voltar ao que eu era antes; vou voltar ao meu antigo modo de vida”.
Pois cerca de três anos antes desta ocasião, numa bonita manhã ensolarada, estavam Pedro, o pescador, e seus sócios, Tiago e João, filhos de Zebedeu lavando as redes, quando conheceram Jesus.
E o Senhor os chamou no sentido de que abandonassem tudo e o seguissem, para que daquele dia em diante não fossem mais pescadores de peixes, e sim, pescadores de homens.
Então Pedro e seus sócios deixaram tudo e passaram a seguir Jesus.[5]
Durante três anos estes homens seguiram ao Senhor com todo o coração, com toda a consagração, com todo o entusiasmo: ouviam Jesus, viam-no fazer as coisas, aprendiam com ele, amavam-no, imitavam-no.
Mas um dia aconteceu algo terrível que está registrado nos quatro evangelhos: é que Pedro, na hora de dar ao Senhor a sua maior prova de fidelidade e amor, fracassou completamente.
Na noite em que foi traído, após instituir a santa ceia, da qual todos participaram, Jesus disse aos seus discípulos que todos o trairiam.
Mas com relação a Pedro nosso Salvador foi ainda mais claro
Vejamos Lucas 22:31-34.
Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo!  32 Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos.  33 Ele, porém, respondeu: Senhor, estou pronto a ir contigo, tanto para a prisão como para a morte.  34 Mas Jesus lhe disse: Afirmo-te, Pedro, que, hoje, três vezes negarás que me conheces, antes que o galo cante.
Sabemos que a Palavra de Jesus se cumpriu: Pedro negou que conhecia o Senhor. Depois disto ele chorou amargamente.[6] Eu quero destacar três fatos:
1. Pedro estava sendo sincero, mas ainda não se conhecia o suficiente; não sabia o quanto seu coração era frágil, medroso, enganoso; assim como muitas vezes nos enganamos a respeito de nós mesmos.
2. Satanás se aproveitou da fraqueza de Pedro, para tentar destruir sua fé, para tentar arruinar sua alma, assim como ele se aproveita das fraquezas de todos nós.
3. A queda de Pedro não surpreendeu a Jesus, não o fez ficar desapontado ou decepcionado – ao contrário, motivou Jesus a orar em favor de Pedro, para que sua fé não desfalecesse, assim como, diz a carta aos Hebreus, ele o faz em relação a cada um de nós.[7]
E agora, depois de tanto fracasso, aqui está Pedro dizendo: – “Vou pescar. (Não homens. Vou pescar peixes)”.
Mesmo um discípulo autêntico pode fracassar, se sentir derrotado e desistir.
– Como aquele jovem que nos primeiros tempos de conversão sonha em ser um pastor, um missionário, um pregador da palavra de Deus, mas um dia cai numa armadilha de Satanás, peca, e desiste até de sua vida cristã.
– Como aquele jovem pastor que sai do seminário cheio de fogo e entusiasmo para servir ao Senhor da igreja, mas que tem tantas dificuldades com suas limitações e fraquezas, ou de tanto ouvir conversas e palavras destrutivas que começa a pensar numa nova vida profissional.
– Como aquela jovem que não tem paciência de esperar em Deus, começa a tomar decisões erradas, a fazer escolhas erradas, e joga fora os dias abençoados que teria pela frente.
– Como aquela senhora, ou aquele senhor, que começa a observar os pecados dos crentes e desanima de ir à igreja e servir ao Senhor.
Homens e mulheres, jovens e adultos, podem ser tentados a voltar atrás.
Mas, meus amados, em segundo lugar o Espírito Santo nos ensina que...
2. Crentes derrotados podem ser restaurados
Podem voltar à primeira consagração.
Podem voltar ao primeiro entusiasmo.
Podem voltar ao primeiro amor pelo Senhor.
Podem voltar ao primeiro amor pela Palavra de Deus.
À primeira paixão pela igreja, pelas pessoas que ainda não conhecem a Jesus.
Crentes derrotados podem recomeçar.
Mas, como recomeçar?
2.1. Primeiro, eles precisam correr em direção a Jesus – no caso de Pedro ele foi nadando.
O primeiro a perceber que era Jesus na praia foi o discípulo amado, o autor do evangelho. Logo ele disse a Pedro: – “É o Senhor!”
E Pedro, vestindo-se apressadamente lançou-se ao mar, ao encontro de Jesus. Ele não tinha paciência para esperar o barco chegar à praia, e desta vez não fazia questão de andar sobre as águas; tudo o que ele desejava era estar perto de Jesus, o mais rápido possível.
Há pessoas que fazem o contrário: correm para longe de Jesus.
Talvez sintam medo do que Jesus possa fazer.
Talvez sintam vergonha do Senhor, por causa de seus pecados.
Mas veja: só Jesus pode restaurar o pecador caído; só Jesus poder sarar as feridas do coração, só Jesus pode renovar a alma.
Então, aquele que precisa ser curado tem que correr para ele, sem demora.
2.2. Segundo, eles precisam lembrar-se de onde caíram, precisam lembrar-se de seu chamado.
Jesus não demonstra isto somente com palavras, mas também prepara toda uma situação que certamente trás ao coração de Pedro o sentimento, a lembrança do dia em que foi chamado pelo Senhor.
Pois, como no primeiro dia, agora também ele e seus sócios haviam trabalhado a noite toda, sem apanhar nada.
Como no primeiro dia, Jesus aparece e diz a eles onde deveriam lançar suas redes, o que, fazendo-o, eles os apanham em grande quantidade.
E como no primeiro dia, o Senhor novamente chama a Pedro: – “Segue-me”, e agora, mudando de figura, não o chama mais para ser pescador de homens, e sim pastor das ovelhas do Supremo Pastor:
– “Pastoreia minhas ovelhas”.
Sim, irmãos, porque conforme Jesus nos ensina em Apocalipse, o lembrar de nossos primeiros dias é um poderoso meio de renovação espiritual.[8]
Estou pensando no que aconteceu comigo algum tempo atrás.
Eu simplesmente havia desistido de tudo: sentia-me decepcionado com a igreja, e comigo mesmo.
Deixei o ministério na denominação à qual eu pertencia, comecei um novo emprego.
Fiquei assim cerca de três meses: sem frequentar igreja alguma, sem orar, sem ler a Bíblia. Dias difíceis.
Um dia, um domingo à noite, eu estava assistindo televisão.
E, não me lembro de qual a razão, coloquei uma fita cassete no gravador. Era uma gravação dos Vencedores por Cristo chamada “Louvor”, a primeira que eu comprei, quando me converti a Jesus. Comprei no primeiro dia em que entrei numa livraria evangélica, em 1979.
E quando comecei a ouvir “Minha paz voz dou”, e “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça”, as lágrimas começaram a descer, meu coração se aqueceu, me deu uma saudade da igreja, e eu voltei para a minha casa.
Pois recordar faz bem – renova o coração.
2.3. Em terceiro lugar, Pedro foi restaurado à medida que Jesus o levou a sondar e abrir seu coração.
Veja como Jesus é sábio: ele leva Pedro a sondar seu próprio coração, pois sabe que ali encontrará aquela coisa mais importante da vida do crente.
Estão os dois andando, lado a lado, pela praia.
– “Pedro, você me ama?”
– “Sim, Senhor, o Senhor sabe que eu te amo.”
Eles continuam a caminhar, e alguns momentos depois o Senhor lhe pergunta novamente:
– “Pedro, você me ama?”
– “Sim, Senhor, o Senhor sabe que eu te amo.”
E então Jesus lhe pergunta mais uma vez:
– “Pedro, você me ama?”
E Pedro fica até triste por Jesus estar perguntando mais uma vez, e mais uma vez responde:
“Sim, Senhor, tu sabes todas as coisas; tu conheces meu coração; tu sabes que eu te amo.”
Isto é o que importa. Para Jesus é o bastante. Isto o qualifica.
Então, mais uma vez Jesus o chama: – “Segue-me”, e acrescenta: - “Na verdade, quando você era mais moço, você se vestia e ia para onde queria. Mas dias virão, quando você for mais velho, que você estenderá as mãos, outro te vestira e te levará para onde você não quer.”
João, o evangelista, explica que com isto Jesus estava se referindo à maneira como Pedro morreria, por amor ao Senhor.
Eusébio de Cesaréia nos conta que Pedro foi condenado a morrer numa cruz nos dias de Nero César, na mesma época em que Paulo foi decapitado.[9]
Aquilo que Pedro não teve coragem de fazer na noite em que Jesus foi traído, colocar-se ao lado de Jesus mesmo que isto lhe custasse a vida, Pedro o fez mais tarde. Amou Jesus até à morte.
Daquela conversa em diante Pedro recomeça. A próxima vez que o encontramos na história bíblica é em At 1:15. Veja que coisa linda:
– “Então, Pedro levantando-se no meio dos irmãos, disse:...”
Pedro está cuidando das ovelhas, ministrando aos irmãos.
Conclusão e aplicação
Sim, amado, mesmo que um filho de Deus, um discípulo de Jesus fracasse grandemente, ele não precisa ficar prostrado.
1. Primeiro, eu quero me dirigir aos que ainda não se entregaram a Jesus
Alguns não o fazem por causa disto: não se sentem preparados, têm medo de fracassar. Mas veja que antes mesmo que Pedro seguisse, caísse, Jesus já sabia todo o futuro, e não se decepcionaria com Pedro, ao contrário, o sustentaria, o ajudaria, o reanimaria.
Se você seguir a Jesus, ele nunca o desamparará, ele nunca o renunciará, ele nunca o abandonará.
2. Segundo, eu quero me dirigir a você que não está como Pedro: então, louvado seja o Senhor.
Guarde esta palavra no seu coração pois ela pode ser útil de dois modos
Se acontecer de você se sentir derrotado lembrar-se dela para si mesmo, para buscar restauração.
Ou se você encontrar algum irmão caído, ser usado por Deus para restaurá-lo.
3. Mas, em terceiro lugar, eu quero me dirigir a você que se encontra exatamente naquele estado em que sua alma precisa ser restaurada.
Saiba que você não é o único a sofrer estas crises, pois seus irmãos espalhados pelo mundo inteiro estão sujeitos a elas.
Não fique prostrado.
Corra para os braços do Senhor.
Lembre-se de seu chamado, de sua conversão, reaqueça seu coração com a memória da alegria de sua salvação.
Sonde seu coração, desperte aquele seu amor pelo Senhor.
Recomece. Recomece agora.




[1] v. 20
[2] 2ª Tm 4:10
[3] Mt 26:14, 15
[4] At 8:18-20
[5] Lc 5;1-11
[6] Lc 22:60-62
[7] Hb 7:25
[8] Ap 2:5
[9] Eusébio de Cesaréia, História Eclesiástica, II, XXV:5

terça-feira, 15 de março de 2016

Quando alguém se converte ao Senhor - 2ª Co 3:12-4:6

IPC de Pda. de Taipas
Pr. Plínio Fernandes
Tendo, pois, tal esperança, servimo-nos de muita ousadia no falar.  13 E não somos como Moisés, que punha véu sobre a face, para que os filhos de Israel não atentassem na terminação do que se desvanecia.  14 Mas os sentidos deles se embotaram. Pois até ao dia de hoje, quando fazem a leitura da antiga aliança, o mesmo véu permanece, não lhes sendo revelado que, em Cristo, é removido.  15 Mas até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles.  16 Quando, porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe é retirado.  17 Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.  18 E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito. 4:1 Pelo que, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos; 2 pelo contrário, rejeitamos as coisas que, por vergonhosas, se ocultam, não andando com astúcia, nem adulterando a palavra de Deus; antes, nos recomendamos à consciência de todo homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade.  3 Mas, se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, 4 nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.  5 Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus.  6 Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo.
Quando o apóstolo Paulo escreveu esta carta aos crentes de Corinto, o seu caráter como cristão, bem como seu trabalho como apóstolo de Jesus estavam sendo postos em dúvida por certas pessoas.
Alguns diziam que ele não era um verdadeiro apóstolo, pois ele ensinava que agora, uma vez convertidas, as pessoas não mais precisavam continuar a prática das leis cerimoniais da Antiga Aliança, isto é, do Antigo Testamento, que haviam sido dadas por Deus através de Moisés.
Também diziam que Paulo não era homem de palavra, porque, por exemplo, ele havia prometido que iria visitá-los em certa ocasião, mas não o fez.
E com estas acusações sobre Paulo alguns crentes estavam ficando confusos.
Por isto, por amor à verdade, por amor ao evangelho e à igreja, Paulo, em grande parte desta epístola esclarece os mal-entendidos que estavam surgindo.
Assim, no cap. 1:15 e segs., ele diz que, de fato, havia decidido que passaria em Corinto, e dali para a Judéia. Este era o seu plano inicial. Mas depois, refletindo melhor, chegara à conclusão de que aquela não era a melhor hora, não era a mais propícia, por causas das circunstâncias pelas quais a igreja passava (cap. 2:1). Mas em tudo isto, ele explica, em momento algum havia sido leviano, ou sem palavra; apenas fizera uso do bom senso.
E neste texto que lemos, Paulo está falando sobre sua ousadia, esperança e perseverança no ministério.
E diz que apesar do que muitos poderiam falar, continua a pregar o evangelho, porque o evangelho é glorioso; é uma mensagem poderosa na qual, quando uma pessoa crê e se converte ao Senhor Jesus, coisas maravilhosas lhe sucedem.
O convertido a Jesus passa a conhecer a Deus; em Deus ele experimenta uma nova liberdade, e passa a viver de modo totalmente novo, um viver transformado pela presença e ação do Espírito Santo em sua alma.
Ele diz: – “Então, de fato, nós, os apóstolos, temos um ministério muito mais glorioso que o de Moisés; porque Moisés, embora falasse da parte de Deus, sua mensagem era, por assim dizer, provisória, apontava para o Cristo que ainda viria. E assim a glória do ministério de Moisés também era provisória, passageira, enquanto que nós falamos mais perfeitamente, mais claramente a respeito de Cristo que já veio”.
– “Esta mensagem sobre Jesus, este evangelho que nós temos, por causa da misericórdia de Deus que nos alcançou, é poderosa para salvar a muitos, por isto não desfalecemos, por isto temos ousadia no falar”.
Desejo destacar os vs. 16-18
Nestes versículos, o apóstolo Paulo, ao falar do poder do evangelho, menciona três bênçãos maravilhosas que Deus concede àqueles que se convertem a Jesus Cristo.
Quando, porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe é retirado.  17 Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.  18 E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.
1. Primeiro, vamos considerar o que é conversão
Já lemos em 3:16 que quando alguém se converte ao Senhor, o véu lhe é retirado.
Agora leiamos cap. 4:5
Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus.
Conversão é aquele movimento da alma, no qual a mente, o coração, todo o ser interior de uma pessoa se volta para Deus através da fé em Jesus Cristo, reconhecendo a Jesus Cristo como seu Senhor, seu Deus, seu Salvador.
Antes da conversão, uma pessoa pode ter em relação a Jesus as atitudes mentais, ou “de coração”, as mais variadas:
Algumas podem ser indiferentes, completamente alheias a Jesus, porque, segundo o entendimento delas, não precisam da religião cristã.
Outras têm certo temor, certo respeito, sabendo que existe um Deus no céu, que Jesus é o Filho de Deus, mas isto não as incomoda muito, de modo que continuam a viver sem buscar a Deus.
Outras têm uma atitude de ferrenha oposição a Cristo e sua mensagem, porque Cristo e sua mensagem condenam suas crenças e seu modo de vida; então assumem uma atitude mista de medo e ódio, a ponto de lutar ativamente contra Cristo e os que nele creem.
Este era justamente o caso do apóstolo Paulo.
Ele não somente era contra o evangelho, como também perseguia os crentes, e os maltratava, e encarcerava, e votava em favor de sua morte.
Mas um dia, quando, partindo de Jerusalém, viajava para Damasco, onde iria prender alguns cristãos, Paulo foi alcançado por Cristo; teve uma profunda experiência espiritual que resultou na sua conversão.
Ele conta sobre isto em Atos 22:4-10
Persegui este Caminho até à morte, prendendo e metendo em cárceres homens e mulheres, 5 de que são testemunhas o sumo sacerdote e todos os anciãos. Destes, recebi cartas para os irmãos; e ia para Damasco, no propósito de trazer manietados para Jerusalém os que também lá estivessem, para serem punidos.  6 Ora, aconteceu que, indo de caminho e já perto de Damasco, quase ao meio-dia, repentinamente, grande luz do céu brilhou ao redor de mim.  7 Então, caí por terra, ouvindo uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?  8 Perguntei: quem és tu, Senhor? Ao que me respondeu: Eu sou Jesus, o Nazareno, a quem tu persegues.  9 Os que estavam comigo viram a luz, sem, contudo, perceberem o sentido da voz de quem falava comigo.  10 Então, perguntei: que farei, Senhor? E o Senhor me disse: Levanta-te, entra em Damasco, pois ali te dirão acerca de tudo o que te é ordenado fazer.
Você notou suas palavras no v. 10? – “Que farei, Senhor?”
Antes deste encontro com Cristo, ódio, oposição, agora, submissão.
Antes da conversão, o ser humano dirige a sua própria vida. Segue seus próprios conselhos, anda nos seus próprios caminhos, faz a sua própria vontade.
Antes da conversão, o ser humano se faz senhor, dono de sua própria vida. Fecha o seu coração para com Deus, resiste à vontade de Deus.
Mas quando se converte, o ser humano deixa de ser o seu próprio senhor.
Como Paulo, ele se quebranta diante de Jesus, deixa de lado o seu próprio eu pecaminoso, deixa de lado a sua própria vontade, seus próprios pensamentos, seus próprios caminhos.
Ele se volta para Jesus, e a grande questão, o impulso, a motivação que passa a dominar a sua alma é: quero fazer a vontade de Deus; e como Paulo pergunta: – “Que farei, Senhor Jesus?”
Ela já não vive mais para si mesma, ela passa a viver para Deus.
Esta a grande diferença: o não convertido vive para si, o convertido vive para Deus.
Em Atos 26:15-20 Paulo desenvolve os detalhes da narrativa de sua conversão.
Então, eu perguntei: Quem és tu, Senhor? Ao que o Senhor respondeu: Eu sou Jesus, a quem tu persegues.  16 Mas levanta-te e firma-te sobre teus pés, porque por isto te apareci, para te constituir ministro e testemunha, tanto das coisas em que me viste como daquelas pelas quais te aparecerei ainda, 17 livrando-te do povo e dos gentios, para os quais eu te envio, 18 para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim.  19 Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial, 20 mas anunciei primeiramente aos de Damasco e em Jerusalém, por toda a região da Judéia, e aos gentios, que se arrependessem e se convertessem a Deus, praticando obras dignas de arrependimento.
No v. 18 ele fala sobre a necessidade do homem que não tem Cristo: ele está nas trevas, e precisa vir para a luz de Deus, ele está sob o poder de Satanás, e precisa vir para o poder de Deus, ele está sob a condenação do pecado, não tem herança entre o povo de Deus (não vai morar no céu).
Então precisa se arrepender e se converter a Jesus.
Agora, em nosso texto de 2ª aos Coríntios, Paulo diz que, quando alguém se converte ao Senhor, certas coisas maravilhosas acontecem. Vejamos então alguns frutos da conversão.
2. As bênçãos da conversão
2.1 – A primeira delas que desejo destacar é “iluminação”
v. 16 - Quando, porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe é retirado
Para entendermos melhor, leiamos novamente os vs. 13-15
E não somos como Moisés, que punha véu sobre a face, para que os filhos de Israel não atentassem na terminação do que se desvanecia.  14 Mas os sentidos deles se embotaram. Pois até ao dia de hoje, quando fazem a leitura da antiga aliança, o mesmo véu permanece, não lhes sendo revelado que, em Cristo, é removido.  15 Mas até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles
No v. 13, Paulo está citando um fato narrado no Antigo Testamento (Antiga Aliança), em Êxodo 34:29-35.
Segundo Paulo, Moisés, na realidade, não queria que os israelitas percebessem que a glória sobre o seu rosto se desvanecia, por isto cobria o rosto com um véu (um pano espesso).
Então ele se utiliza disto como uma ilustração para dizer que muitas pessoas estão assim diante de Deus e sua Palavra: um véu está colocado sobre suas mentes, seus corações, seus sentidos estão embotados, de modo que não podem compreender claramente a Palavra de Deus.
Me faz lembrar de que, quando era menino, eu gostava de colocar um pano sobre a cabeça, para brincar de “monstro” ou de “fantasma” - eu saia andando com o pano na cabeça, e “assustando” minha mãe; mas eu não enxergava direito, e então minha mãe precisava “parar de ficar assustada” em me dizer que eu estava indo de encontro a alguma coisa.
Quando eu comecei a frequentar a igreja, a ler a Bíblia, eu me sentia assim com relação às coisas que eram ensinadas: havia um vislumbre de que a Bíblia era um livro santo, que de alguma forma eu deveria levar a sério, mas ao mesmo tempo era um livro antigo, nebuloso, difícil de entender; eu não conseguia compreender o caminho da salvação pela fé em Jesus Cristo.
Mas, graças a Deus, um dia o meu coração não aguentou mais a minha própria teimosia, eu não suportava mais a minha própria dureza, e me rendi aos pés do Senhor Jesus; entreguei minha vida a ele, e o reconheci como meu Senhor.
E então, aquilo que Paulo diz no v. 16 aconteceu comigo: o véu foi retirado, a cegueira espiritual desapareceu, e a Bíblia se tornou para mim a Palavra de Deus, um livro vivo, atual, poderoso, Deus falando comigo, no qual eu tenho sempre a resposta à pergunta: – “Senhor, que queres que eu faça?”
Talvez, para alguns que estão aqui, a Bíblia ainda seja um livro assim, obscuro, como se, ao ler, você tivesse um véu sobre o rosto.
Se isto acontece com você, por favor preste atenção porque é muito sério: veja o que diz o cap. 4:4
Nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.  
“O deus deste século” é uma referência a Satanás, o inimigo das nossas almas.
Mas Jesus quebra o jugo de Satanás, tira o véu.
Você quer entender a Bíblia? Quer que ela se torne poderosa em sua vida?
2.2 – A segunda bênção que vamos destacar é libertação, ou liberdade
v.17 – Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade
A expressão “Espírito do Senhor” é uma referência ao fato que Jesus se faz espiritualmente presente na vida de todo aquele que se converte a ele.
O convertido pode dizer como Paulo escreveu em Gálatas 2:20: – “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim...” Ou como cantamos: – “Cristo vive em mim...”
 E onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.
E o que é liberdade? É o oposto de escravidão. Quando uma pessoa não é convertida, ela e escrava.
João 8:31-36
Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; 32 e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.  33 Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão e jamais fomos escravos de alguém; como dizes tu: Sereis livres?  34 Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado.  35 O escravo não fica sempre na casa; o filho, sim, para sempre.  36 Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.
Jesus afirma que o pecado escraviza.
Uma forma contemporânea de se referir a esta escravidão é a palavra “vício”.
O pecado vicia, de forma que, mesmo quando uma pessoa quer deixar de praticar certas coisas, não consegue.
Então a medicina e a psicologia falam dos mais variados tipos de vício, ou de dependência física ou psicológica: pessoas dependentes de drogas, de bebidas alcoólicas, pessoas sexualmente viciadas, em fumo, em roubar, em mentir.
Mas além destes tipos de escravidão podemos falar dos que são escravos da ira, da inveja, do ciúme, da vaidade, do dinheiro, da idolatria, do ressentimento.
Mas Jesus promete: – “Se vocês me ouvirem, confiarem na minha palavra, conhecerão a verdade, e a verdade os libertará; se eu os libertar, serão verdadeiramente livres”.
Romanos 8:14,15
Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.  15 Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai.
A escravidão ao pecado tira a paz, a tranquilidade, trás o temor, as noites mal dormidas, trás a consciência culpada, o remorso, o desejo de morrer, de sumir
A liberdade trás a paz, o sentimento de bem-estar, a serenidade, a certeza de ser amado por Deus, de poder chamá-lo “Aba! (Papai!) Pai!”
Você é uma pessoa livre do pecado, do medo, da culpa? Tem a certeza de que Deus é seu Pai?
Onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.
Lucas 1:74,75
De conceder-nos que, livres das mãos de inimigos, o adorássemos sem temor, 75 em santidade e justiça perante ele, todos os nossos dias.
Liberdade para adorar ao Senhor: prostra-se diante dele, contemplar sua face, nos deslumbrarmos com a sua beleza, nos maravilharmos com sua graça.
Livres de qualquer acusação, livres de qualquer culpa na consciência; livres de todo o medo.
Livres para cantar, para erguer a ele nossas vozes, nossas mãos, nossos corações.
Lembra-se do Rei Davi, quando levando a arca do Senhor para Jerusalém, sentiu-se livre, alegre no Senhor de tal maneira que parecia que o mundo à sua volta havia desaparecido, e era somente ele e o Senhor?
Ou daquele coxo que curado à porta do templo começou a saltitar de alegria? Vai pedir para um homem que não conseguia nem rastejar, que, curado, pare de pular! Vá ordenar a um homem cujo coração está cheio do Espírito de Deus que não louve com todas as suas forças, que não vibre diante do Senhor, que não chore de alegria, que contenha suas emoções
2.3 – A bênção da transformação na imagem do Senhor
v. 18 – E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito
Com o rosto descoberto... Já não há mais um véu cobrindo nossos olhos, para que não contemplemos a face de Cristo no evangelho.
Na Palavra de Deus, contemplamos a face de Cristo.
Pelo seu Espírito que habita em nós e nos dá a liberdade de nos achegarmos a Deus como Pai.
Então, contemplando a glória do Senhor, vamos sendo transformados, de glória em glória, de esplendor em esplendor, progressivamente, brilhando cada vez mais.
Vamos crescendo, à própria imagem do Senhor, vamos ficando cada vez mais parecidos com Jesus.
Quando uma pessoa se converte ao Senhor, ela não é apenas perdoada, iluminada, libertada; ela começa também um novo processo de vida; costumeiramente nós chamamos esse novo processo de santificação,
O que é ser santo? É ser cada vez mais parecido com Jesus.
É aprender a amar como Jesus.
É aprender a ser doce, meigo de coração como Jesus.
É aprender a ser humilde como Jesus.
Aprender a ser sábio como ele é.
A orar como ele, a ter comunhão com Deus.
Aprender a ser forte diante das tentações.
Aprender a ter serenidade e confiança e paz, mesmo em meio às tempestades da vida.
Aprender a ser justo.
Aprender a ser como Jesus é um processo longo, demorado, mas certo.
Provérbios 4:18
Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito.
É algo que vai se aperfeiçoando dia a dia, até o dia em que o veremos face a face, olhos nos olhos, e então seremos semelhantes a ele, porque o veremos como ele é, em toda a sua perfeição.
Você quer isto? Quer ser como Jesus? Manso, sábio, forte, confiante, justo, humilde, santo?
Conclusão
A Palavra de Deus nos ensina aqui o que é ser um convertido a Jesus.
É o que ele fez conosco; é o que ele fez de nós.
Iluminou nossos corações para que compreendamos o evangelho, para que a Palavra de Deus se torne viva em nossa experiência.
Nos libertou da escravidão ao pecado, e deu-nos uma nova liberdade em nosso relacionamento com Deus, na qual podemos chamá-lo de Pai - livres para amar a Deus e viver para ele.
Nos transforma a cada dia, uma transformação através da qual vamos crescendo espiritualmente e nos tornando cada vez mais, em nosso caráter e comportamento, parecidos com Jesus.
Aplicação
Quais as implicações destas verdades para cada um de nós?
1. Se você é uma pessoa já convertida a Jesus, se você já se entregou a ele, se ele é o seu Senhor.
Essas verdades são motivos de gratidão, louvor, adoração, serviço - você é livre; o Espírito de Deus habita em você; transforma você a cada dia, dá crescimento a você.
Comunhão com Deus - você é filho de Deus; tenha ousadia para chegar-se a ele a cada dia em oração. Como na música que cantamos, diga a Deus: – “Venho pois, a cada dia, venho cheio de alegria, e me coloco em tuas mãos, pois é fiel”.
Comunhão com o povo de Deus. A comunidade dos santos; a comunidade dos adoradores. Ame a igreja. Ame o povo de Deus. Gente iluminada; livre, transformada.
Obediência: se Jesus é o Senhor de sua vida, não faça sua própria vontade, não viva para si mesmo, pois você sabe que 1) Jesus, nosso doce e suave Jesus, nosso maravilhoso Senhor, é digno do seu amor e obediência e 2) A bênção está com aqueles que fazem a vontade de Deus
Ousadia no testemunhar - fale de Jesus; pregue a Jesus como Senhor, pois todo aquele que se converter será iluminado, livre, transformado.
2. Se você ainda não se entregou a Jesus:
Amado, Jesus pode iluminar, libertar, transformar; Jesus pode salvar.
Então, agora mesmo, ore a Deus, invoque o nome de Jesus sobre sua vida, entregue-se a ele dizendo: Senhor, até hoje tenho vivido para mim mesmo, tenho controlado minha vida, e o resultado é esta miséria, esta cegueira, esta escravidão; perdoa-me, seja o meu Senhor, transforma a minha vida. Se você orar assim, buscando a Deus de todo o coração, Jesus lhe atenderá, e a partir de hoje você será outra pessoa.

terça-feira, 1 de março de 2016

Amizade (Jônatas e Davi) - 1º Sm 18:1-4

3ª IPC de São Paulo
Pr. Plínio Fernandes
1ª Pe 3:8
Finalmente, sede todos de igual ânimo, compadecidos, fraternalmente amigos, misericordiosos, humildes,
1º Sm 18:1-4
Sucedeu que, acabando Davi de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma.  2 Saul, naquele dia, o tomou e não lhe permitiu que tornasse para casa de seu pai.  3 Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma.  4 Despojou-se Jônatas da capa que vestia e a deu a Davi, como também a armadura, inclusive a espada, o arco e o cinto.
Tenho comigo que um dos bens mais preciosos que temos nesta vida são os amigos.
Hoje eu desejo meditar com vocês sobre “amizade”, aquilo que é descrito no dicionário como “relacionamento fiel de afeição, ternura e estima entre pessoas que em geral não são parentes”.
Não são necessários muitos amigos; se você tiver uns poucos, ou até mesmo um amigo, então você tem sido enriquecido.
Mas ser amigo é um mandamento que nos é dado na Palavra de Deus, e portanto expressão da vontade de Deus para o nosso modo de viver.
O próprio Jesus se nos apresenta em Sua Palavra como nosso amigo; portanto ser amigo é ser parecido com Jesus
O mundo ocidental não valoriza a amizade. Para os ocidentais, a amizade é uma espécie de “amor de segunda categoria”.
Esta desvalorização ocorre principalmente de duas formas:
A amizade é banalizada quando as pessoas chamam amigas a outras pelas quais não nutrem uma amizade verdadeira. Existem muitas pessoas que falam de seus amigos no trabalho, na igreja, na escola, mas que, quando surge o momento em que esta amizade tem oportunidade de se mostrar verdadeira, ela se mostra irreal. E você já reparou quantos “amigos” você tem nas redes sociais, mas que nem te conhecem?
Ou, quando existe amizade verdadeira entre duas pessoas, esta amizade é observada por outros de modo negativo, sendo logo rotulada com alguma denotação sexual negativa.
Por exemplo, certos falsos estudantes da Bíblia, afirmam que esta amizade descrita na Bíblia, entre Jônatas e Davi e mais tarde, Jesus e João, eram, na realidade, amizades homossexuais.
Eles dizem isto para defender a prática homossexual como se fosse algo aprovado por Deus.
Na realidade, o homossexualismo é consistentemente reprovado, tanto no Antigo como no Novo Testamentos[1].
Se o amor entre Jônatas e Davi fosse desta natureza, ele seria prontamente condenado, e não endossado pela Bíblia.
Por outro lado, por causa da amizade existente entre Maria, irmã de Lázaro, e Jesus, alguns não temem em afirmar que ela era uma de suas várias namoradas e esposas (os Mórmons, por exemplo).
Isto porque estas pessoas não conseguem entender o que é amizade.
Num mundo caracterizado pela inimizade, por amizades impuras, nós precisamos ouvir a Palavra de Deus
Com base na história de Jônatas e Davi, iremos meditar sobre a verdadeira amizade, como sendo uma expressão da vontade de Deus para nós. Que podemos observar aqui de uma amizade verdadeira?
1. A amizade entre os filhos de Deus é um relacionamento espiritual
O que digo se baseia em dois fatos
Primeiro, nesta afirmação que é feita no v. 1 - “a alma de Jônatas se ligou com a de Davi, e Jônatas o amou com à sua própria alma”.
Eu tenho comigo que esta “ligação da alma” nasceu com a admiração de Jônatas por Davi. Davi, ainda bastante jovem, estava acabando de falar com o Rei Saul, pai de Jônatas.
O cap. 17 nos conta como Davi derrotou Golias, aquele gigante com cerca de 2,80 m de altura, e que estava humilhando as tropas israelitas. Davi, que não era na realidade um soldado, apresentou-se para defender Israel e matou o gigante.
Imediatamente foi levado à presença de Saul. E à medida em que conversava com Saul, Jônatas, filho e sucessor natural do reino, observava; e enquanto observava, diz o Senhor, a alma dele se ligou à alma de Davi. Foi uma ligação espiritual
E porque a alma de Jônatas se ligou à de Davi? Penso que foi por causa do tipo de homem que ele encontrou em Davi: um homem espiritual.
O que temos aqui é o relacionamento entre dois homens profundamente espirituais. Senão, vejamos:
O grande feito de Davi que o tornou notável diante dos israelitas como homem de Deus é mencionado no cap. 17. E neste cap. nós podemos observar qual a atitude que Davi tinha diante do Deus a quem servia.
17:45-47
Davi, porém, disse ao filisteu (o gigante Golias): Tu vens contra mim com espada, e com lança, e com escudo; eu, porém, vou contra ti em nome do SENHOR dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado.  46 Hoje mesmo, o SENHOR te entregará nas minhas mãos; ferir-te-ei, tirar-te-ei a cabeça e os cadáveres do arraial dos filisteus darei, hoje mesmo, às aves dos céus e às bestas-feras da terra; e toda a terra saberá que há Deus em Israel. 47 Saberá toda esta multidão que o SENHOR salva, não com espada, nem com lança; porque do SENHOR é a guerra, e ele vos entregará nas nossas mãos.
Da mesma forma, podemos dizer que Jônatas era homem de igual confiança em Deus.
Vamos ler o cap. 14:6-14
Disse, pois, Jônatas ao seu escudeiro: Vem, passemos à guarnição destes incircuncisos; porventura, o SENHOR nos ajudará nisto, porque para o SENHOR nenhum impedimento há de livrar com muitos ou com poucos.  7 Então, o seu escudeiro lhe disse: Faze tudo segundo inclinar o teu coração; eis-me aqui contigo, a tua disposição será a minha.  8 Disse, pois, Jônatas: Eis que passaremos àqueles homens e nos daremos a conhecer a eles.  9 Se nos disserem assim: Parai até que cheguemos a vós outros; então, ficaremos onde estamos e não subiremos a eles.  10 Porém se disserem: Subi a nós; então, subiremos, pois o SENHOR no-los entregou nas mãos. Isto nos servirá de sinal.  11 Dando-se, pois, ambos a conhecer à guarnição dos filisteus, disseram estes: Eis que já os hebreus estão saindo dos buracos em que se tinham escondido.  12 Os homens da guarnição responderam a Jônatas e ao seu escudeiro e disseram: Subi a nós, e nós vos daremos uma lição. Disse Jônatas ao escudeiro: Sobe atrás de mim, porque o SENHOR os entregou nas mãos de Israel. 13 Então, trepou Jônatas de gatinhas, e o seu escudeiro, atrás; e os filisteus caíram diante de Jônatas, e o seu escudeiro os matava atrás dele.  14 Sucedeu esta primeira derrota, em que Jônatas e o seu escudeiro mataram perto de vinte homens, em cerca de meia jeira de terra.
Jonatas e Davi eram dois homens de Deus, que confiavam no Senhor; não é de admirar que Jônatas tenha “se encantado” com Davi.
A amizade verdadeira, ligação da alma, existe entre pessoas que amam ao Senhor, que obedecem ao Senhor, que fazem sua vontade.
Qualquer amizade que não seja assim, submetida à vontade do Senhor, não pode ser chamada verdadeiramente amizade.
Por isto, a verdadeira amizade é um relacionamento espiritual.
2. A amizade entre os filhos de Deus é um relacionamento espiritual que envolve compromisso
O v. 3 nos diz que Jônatas e Davi fizeram aliança naquele dia, isto é, se tornaram aliados.
O que é aliança? É um compromisso no qual as partes envolvidas dão sua palavra no sentido de que cumprirão certos deveres diante de seus aliados.
O casamento é uma aliança entre um homem e sua esposa (envolve amizade). Nosso relacionamento com Deus é um relacionamento de aliança através do sangue de Jesus, que envolve amizade. A profissão de fé que fazemos é um compromisso de aliança que fazemos com Deus e sua igreja, que envolve amizade. Jônatas e Davi fizeram uma aliança de amizade baseada na ligação espiritual que tinham.
Esta aliança, este comprometimento que tinham um com o outro se expressava de muitas formas: através de palavras, atitudes, comportamento, ações. Quero mencionar três expressões desta amizade registradas na Bíblia
2.1 - Jônatas sua amizade por Davi, desde o primeiro dia, quando despojou-se de seus bens mais preciosos, e os entregou a Davi
18:4
Despojou-se Jônatas da capa que vestia e a deu a Davi, como também a armadura, inclusive a espada, o arco e o cinto.
Jônatas era um soldado, um guerreiro, e sua armadura era seu bem mais precioso, não apenas por ser um “instrumento de trabalho”, mas com o qual ele defendia sua vida e de sua pátria. Davi era apenas um pastor que nem uma espada possuía. Jônatas despojou-se de seus bens, ficou no prejuízo material, mas para ele Davi merecia.
Eu gosto de uma frase repetida em muitos livros. Ela diz mais ou menos assim: “As pessoas são mais importantes que as coisas. As coisas nós usamos, e podemos descartar. Com as pessoas nós nos relacionamos.”
2.2 - Jônatas intervinha, intercedia pelo bem de seu amigo
1º Sm 19:1, 4-7
Falou Saul a Jônatas, seu filho, e a todos os servos sobre matar Davi. Jônatas, filho de Saul, mui afeiçoado a Davi… Então, Jônatas falou bem de Davi a Saul, seu pai, e lhe disse: Não peque o rei contra seu servo Davi, porque ele não pecou contra ti, e os seus feitos para contigo têm sido mui importantes.  5 Arriscando ele a vida, feriu os filisteus e efetuou o SENHOR grande livramento a todo o Israel; tu mesmo o viste e te alegraste; por que, pois, pecarias contra sangue inocente, matando Davi sem causa?  6 Saul atendeu à voz de Jônatas e jurou: Tão certo como vive o SENHOR, ele não morrerá.  7 Jônatas chamou a Davi, contou-lhe todas estas palavras e o levou a Saul; e esteve Davi perante este como dantes.
Jônatas não permitia que a inveja, o ciúme, o desejo de destruição vingassem no coração de seu pai. Ele foi criticado por isto.
Vamos ler cap. 20:30-33
Então, se acendeu a ira de Saul contra Jônatas, e disse-lhe: Filho de mulher perversa e rebelde; não sei eu que elegeste o filho de Jessé, para vergonha tua e para vergonha do recato de tua mãe?  31 Pois, enquanto o filho de Jessé viver sobre a terra, nem tu estarás seguro, nem seguro o teu reino; pelo que manda buscá-lo, agora, porque deve morrer.  32 Então, respondeu Jônatas a Saul, seu pai, e lhe disse: Por que há de ele morrer? Que fez ele?  33 Então, Saul atirou-lhe com a lança para o ferir; com isso entendeu Jônatas que, de fato, seu pai já determinara matar a Davi.
O quanto estava nele, intercedia e defendia a Davi. Não pensava como Saul, que se Davi estivesse vivo, ele estaria correndo perigo. Era um relacionamento baseado na confiança, pois quem ama confia, ou como diz João, o perfeito amor lança fora todo o medo.
2.3 - Jônatas amava o bem estar de Davi; queria vê-lo progredir, ser bem sucedido
Esta é uma característica do verdadeiro amigo
Lembra-se de como João Batista se referia a si mesmo em relação a Jesus?
Jo 3:29,30
O que tem a noiva é o noivo; o amigo do noivo que está presente e o ouve muito se regozija por causa da voz do noivo. Pois esta alegria já se cumpriu em mim.  30 Convém que ele cresça e que eu diminua.
Agora voltemos a Jônatas e Davi
1º Sm 23:16-18
Então, se levantou Jônatas, filho de Saul, e foi para Davi, a Horesa, e lhe fortaleceu a confiança em Deus, 17 e lhe disse: Não temas, porque a mão de Saul, meu pai, não te achará; porém tu reinarás sobre Israel, e eu serei contigo o segundo, o que também Saul, meu pai, bem sabe.  18 E ambos fizeram aliança perante o SENHOR. Davi ficou em Horesa, e Jônatas voltou para sua casa.
Saul queria matar Davi, pois o Senhor Deus, por causa da desobediência de Saul, o havia rejeitado como Rei em Israel, e disse que o trono passaria para Davi.
Bem, aconteceria com isto que Jônatas então não seria rei após a morte de seu pai.
A atitude de Jônatas foi: – “Não tem problema. Ele vai ser o rei; eu não me importo de ser o segundo”.
3. Qual o segredo desta amizade?
Alguém sábio segundo o mundo poderia responder: – “É que Jônatas era bobo”.
Mas não é esta a resposta da Palavra de Deus. A resposta da Palavra de Deus é esta: – “Eles tinham esta amizade profundamente espiritual, abnegada, pois eram homens profundamente espirituais, abnegados”.
Segundo, a afirmação do v. 3 - Jônatas e Davi fizeram aliança, porque Jônatas o amava como à sua própria alma.
Quero destacar que esta aliança entre os dois é mencionada várias outras vezes, e sempre ela trás consigo uma afirmação que descreve muito de sua natureza
20:8
Usa, pois, de misericórdia para com o teu servo, porque lhe fizeste entrar contigo em aliança no SENHOR; se, porém, há em mim culpa, mata-me tu mesmo; por que me levarias a teu pai?
20:23
Quanto àquilo de que eu e tu falamos, eis que o SENHOR está entre mim e ti, para sempre.
O que desejo enfatizar é que era uma amizade firmada e vivenciada na presença do Senhor. Tudo quanto faziam era perante o Senhor. “Foi o Senhor que escolheu Davi”. E o que é de Deus permanece. Em 2º Sm 9:1 nós lemos que, depois que Jônatas faleceu, Davi se preocupou em fazer o bem para com sua família.
Só o que é de Deus permanece.
Conclusão
Características desta amizade: um relacionamento espiritual; um relacionamento de aliança que envolveu despojar-se de seus próprios bens para o bem do amigo; que envolveu intercessão em favor do amigo nos momentos de perigo; que envolveu buscar a prosperidade do amigo, mesmo que isto implicasse em ser o segundo. Porque tudo isto foi sob a direção do Espírito do Senhor em quem confiavam e quem serviam.
1ª Pe 3:8
Finalmente, sede todos de igual ânimo, compadecidos, fraternalmente amigos, misericordiosos, humildes,





[1] Por exemplo, em Lv 18:22 (AT) e Rm 1:26, 26 (NT)
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