Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

domingo, 29 de abril de 2018

Barro nas mãos do oleiro - Jr 18:1-6

3ª IPC de Guarulhos
Domingo, 29 de abril de 2018
Pr. Plínio Fernandes
Amados irmãos, vamos ler Jeremias 18:1-6
“Palavra do SENHOR que veio a Jeremias, dizendo:  2 Dispõe-te, e desce à casa do oleiro, e lá ouvirás as minhas palavras.  3 Desci à casa do oleiro, e eis que ele estava entregue à sua obra sobre as rodas.  4 Como o vaso que o oleiro fazia de barro se lhe estragou na mão, tornou a fazer dele outro vaso, segundo bem lhe pareceu.  5 Então, veio a mim a palavra do SENHOR:  6 Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? -- diz o SENHOR; eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.”
Ao sul de Jerusalém, num lugar chamado “Vale de Hinon”, havia uma região conhecida como o “Campo do Oleiro”. Era um centro manufatureiro de cerâmica.
Naquela época não havia objetos de plástico, e os de pedra, vidro ou metal eram muito caros.
Por isto a argila, um material abundante e versátil, era largamente empregada, para se fazer copos, bacias, vasos, jarras para leite, vinho, cerveja, água; xícaras, lamparinas, tigelas, potes, pratos – tudo era feito de argila naquele lugar.
O oleiro tomava uma porção de argila, misturava com água, colocava sobre as rodas de um torno vertical, e à medida em que o torno girava, ele ia dando àquela massa a forma que desejasse. Depois pintava e colocava para secar.
Pois bem, um dia o Espírito Santo disse a Jeremias:
“Levante-se, vá à casa do oleiro, e lá você ouvirá a minha palavra”.
Jeremias fez como o Senhor ordenou. Na casa do oleiro, ficou observando o homem trabalhando.
De repente, o vaso se estragou, se deformou em sua mão. O oleiro não desistiu: amassou o barro e começou de novo, para fazer o vaso que desejava.
Então, através do que viu, Jeremias ouviu a Palavra do Senhor:
v. 6 - “Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? - diz o Senhor; eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.”
“Israel, meu povo, meus filhos, minha igreja, será que eu não tenho o direito e o poder de fazer com a vida de vocês da mesma maneira que este oleiro faz com o barro em suas mãos? Assim como o barro nas mãos do oleiro, assim são vocês nas minhas mãos”.
Numa belíssima metáfora, o Senhor afirma sua total soberania sobre a vida humana: sobre as nações, e também a sua total soberania sobre a vida de cada um de nós.
O Espírito diz que Deus é soberano sobre a nossa vida. Vamos meditar sobre esta verdade maravilhosa.
1. Todo o nosso ser, toda a nossa vida, está nas mãos do Senhor Deus - v.6
– “Assim como o barro está nas mãos do oleiro que, tomando a argila, a mistura com água, a amassa, a coloca sobre as rodas, e faz dela um utensílio, assim são vocês nas minhas mãos...”
Nossa vida, meus amados, não pertence a nós mesmos.
Leiamos Jr 10:23
“Eu sei, ó Senhor, que não cabe ao homem determinar o seu caminho, nem ao que caminha o dirigir os seus passos.”
Se nossa vida não nos pertence, se não está em nossas mãos o dirigir o nosso destino, estaremos então à mercê do acaso, como uma folha que voa ao sabor do vento?
Não!  Nós pertencemos a Deus. Dentro deste contexto, há uma passagem bastante conhecida nossa, que vale a pena citar:
Sl 139:13-16
“Pois tu formaste o meu interior tu me teceste no seio de minha mãe.  14 Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem;  15 os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra.  16 Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda.”
Sempre que menciono esta passagem, gosto de enfatizar que a formação de nosso ser, lá no ventre de nossa mãe, desde o momento de nossa concepção, quando as células de nossos pais se encontraram, é obra das mãos do Senhor.
Nós somos criação de Deus. A nossa aparência física é obra das mãos do Senhor.
Mas o que eu gostaria de destacar agora é o v. 16b:
“Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda.”
Cada um dos nossos dias foi antecipadamente escrito e determinado por Deus.
Cada um dos nossos passos está nas mãos de Deus, o nosso destino está nas mãos de Deus.
Nada disto cabe a nós determinar: o nosso trabalho, o lugar do nascimento, a família, o lugar onde morar, os amigos, o casamento, a saúde, tudo.
Até hoje, tudo quanto aconteceu na sua vida, está nas mãos de Deus, no presente, tudo está nas mãos de Deus, o futuro está nas mãos de Deus. Até mesmo as profundezas do nosso ser, as inclinações últimas do coração, estão nas mãos do Senhor:
Sl 33:13-15
“O SENHOR olha dos céus; vê todos os filhos dos homens;  14 do lugar de sua morada, observa todos os moradores da terra,  15 ele, que forma o coração de todos eles, que contempla todas as suas obras.”
“Ele, que forma o coração de todos eles, que contempla todas as suas obras.” As decisões, as boas disposições da mente, as atitudes, ele é quem opera em nós.
Até a conversão de nossa vida a ele é obra de suas mãos, concedendo-nos o arrependimento, a fé, o entendimento espiritual:
At 16:14
“Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia.”
2. O nosso ser, a nossa vida, o Senhor dirige como melhor lhe parece - v. 4b
“Como o vaso que o oleiro fazia de barro se lhe estragou na mão, tornou a fazer dele outro vaso, segundo bem lhe pareceu.”
Deus dirige a nossa vida de acordo com o propósito de sua vontade.
Há três afirmações da Bíblia que desejo mencionar, que nos mostram o propósito de Deus ao dirigir a vida dos seus ecolhidos:
2.1. Isaías 43:7 – nós o povo de Deus, fomos criados para a glória dele
“A todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para minha glória, e que formei, e fiz.”
A principal razão da sua existência é esta: Deus criou você para o louvor de sua glória, isto é, para que através de sua vida o nome dele seja honrado, exaltado.
Agora veja: vamos supor que alguém contrate um profissional para que realize algum trabalho. Um pintor, por exemplo. Você o contrata para pintar sua casa. Então ele vem e realiza seu trabalho.
Se ele realizar bem o seu trabalho, o nome dele será honrado, você falará dele para outras pessoas e o recomendará, não é mesmo? Mas se ele for um mau trabalhador, e alguém lhe pedir informações a respeito dele, você terá coragem de recomendar este mal profissional? É claro que não.
Amados, se Deus nos criou para a glória do seu nome, é evidente que ele nos criou do melhor modo, que ele está realizando em nós o mais excelente trabalho, pois não deseja que por nossa causa o seu nome seja blasfemado.
Por isto conscientemente devemos viver para glorificar a Deus (Is 43:21)
2.2. Romanos 9:21-24 – Nós somos vasos de misericórdia
“Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra?  22 Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição,  23 a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão,  24 os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?”
Aqui, o apóstolo está dando um passo adiante, além do fato de que o Senhor é o nosso criador.
Está explicando que, por causa do pecado de nossos primeiros pais, Adão e Eva, todos nós nascemos também com uma natureza pecaminosa, inclinada a fazer o que é mau, e que por causa disto, se Deus condenasse a todos nós à perdição eterna, ainda assim ele continuaria sendo justo.
Ele endurece a quem quer, e tem misericórdia de quem quer. Ao contemplar a dureza do coração de Faraó, decidiu deixá-lo entregue à sua própria dureza.
Mas, e quanto a nós, o que Deus fez? Ele, que tem todo o direito de nos condenar, de fazer de nós, vasos de sua ira, de nos condenar à perdição eterna, decidiu fazer de nós, os que nele cremos e dele nos aproximamos por meio de seu Filho, Jesus Cristo, vasos de misericórdia, pessoas destinadas a receber sua misericórdia, seu perdão, sua salvação.
Vasos de misericórdia; e misericórdias que não tem fim – o que me vem à mente é um vaso no qual uma pessoa começa a derramar água, para enchê-lo. Então ela enche o vaso, mas continua a derramar esta água, de modo que ela transborda, e vai se derramando para fora, e a pessoa continua a derramar água, como num chafariz que jamais deixa de fluir.
Lm 3:22, 23
“As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; 23 renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade.”
As misericórdias do Senhor não têm fim. Agora veja o contexto em que ele diz isto – ele está sofrendo, por causa da desobediência à Palavra do Senhor (1:18), mas reconhece que até seu sofrimento é por causa da misericórdia de Deus, que através desse sofrimento o leva de volta aos seus caminhos.
Lm 3:34-33
“A minha porção é o SENHOR, diz a minha alma; portanto, esperarei nele. 25 Bom é o SENHOR para os que esperam por ele, para a alma que o busca. 26 Bom é aguardar a salvação do SENHOR, e isso, em silêncio. 27 Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade. 28 Assente-se solitário e fique em silêncio; porquanto esse jugo Deus pôs sobre ele; 29 ponha a boca no pó; talvez ainda haja esperança. 30 Dê a face ao que o fere; farte-se de afronta. 31 O Senhor não rejeitará para sempre; 32 pois, ainda que entristeça a alguém, usará de compaixão segundo a grandeza das suas misericórdias; 33 porque não aflige, nem entristece de bom grado os filhos dos homens”.
Tudo na tua vida, cada instante, não é somente para a glória de Deus, mas é também debaixo da graça de Deus, de seu perdão, bondade e amor.
Por isto Paulo diz em Rm 8:28, que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que foram chamados de acordo com seu propósito.
2.3. 1ª Pe 3:7 – Somos herdeiros da graça de vida
“Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte (vaso) mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações.”
A mulher deve ser considerada pelo homem como o vaso mais frágil, de constituição mais delicada.
A idéia é que o homem tem nas mãos um bem precioso, e sabe daquelas coisas preciosas e delicadas, nas quais há uma embalagem que diz: “Cuidado! Frágil!”? Assim o marido deve cuidar de sua esposa.
Mas o que desejo enfatizar é que, segundo este texto, tanto o homem quanto a mulher são vasos nas mãos do Senhor, e como vasos, herdeiros da graça de vida, ou vida da graça, isto é, herdeiros da salvação eterna
3. De nosso ser, de nossa vida, à qual o Senhor está dirigindo, moldando segundo seu propósito, ele não desiste - v. 4
O vaso se estragou, se deformou nas mãos do oleiro.
Certa vez um irmão estava me explicando como acontece isto – o oleiro vai ao campo, do solo extrai a argila com a qual irá trabalhar e a coloca sobre a roda.
Acontece que esta argila está misturada com pedras, sujeiras, gravetos, e quando a argila começa a ser girada e moldada, estas impurezas começam a vir para fora, para serem retiradas. Muitas vezes é um pedaço de pedra tão grande que deixa um buraco no vaso que está sendo moldado.
Então o oleiro amassa o barro de novo e recomeça.
Irmãos, a analogia é óbvia: assim também conosco, à medida em que Deus realiza sua obra em nós.
Ele nos tomou do lamaçal de uma vida de pecado, e agora está a cada dia nos moldando, para sermos santificados em toda a nossa maneira de ser, até que a imagem, o caráter de Cristo seja formado em nós.
As nossas impurezas, as nossas fraquezas, vão aparecendo, vêm à tona, à medida em que o Espírito de Deus trabalha em nós
E a obra de Deus em nós produz aquilo que muitos teólogos chamam “quebrantamento”.
Por quebrantamento nos referimos àquela obra que Deus realiza através da Palavra, das circunstâncias, dos amigos, e que nos leva a reconhecer que não somos nada de nós mesmos, ao contrário, se somos grandes em alguma coisa é em pecado.
É aquela obra que nos leva a ser arrependidos, mansos, humildes, capazes de aprender, capazes de perdoar, benignos e ternos, como o Senhor Jesus
E quando permitimos que Deus nos quebrante, percebemos quão grande é a sua graça para conosco.
2ª Co 4:7 ­– Vasos de barro
“Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós.”
O tesouro ao qual o apóstolo Paulo se refere é, usando as palavras dele, o conhecimento da glória de Deus através de Jesus Cristo, que nos orienta, nos ilumina, nos santifica, por meio do Espírito Santo que habita em nós
Este grande tesouro está em vasos frágeis, quebradiços, mas está, e não vai nos deixar nunca.
– “Nunca te deixarei, jamais te abandonarei” (Hb 13:5)
Eu acho que uma das mais belas ilustrações desta verdade é o que Jesus fez com Pedro após sua morte e ressurreição – a maneira como ele o restaurou completamente.
Deus não desiste de nós. Deus não desiste de nos amar.
Conclusão e aplicação
Nossa vida e destino estão nas mãos do Senhor
Ele decidiu fazer de nós, para sua gloria, vasos de misericórdia, herdeiros da vida eterna.
Embora sendo tão pecadores, propensos ao erro, ele não desiste de nós. Trabalha incessantemente, para nos purificar, para nos santificar, para fazer de nós vasos de honra para o seu nome.
O que esta doutrina deve provocar em nós?
1. Uma inabalável confiança no amor, sabedoria e providência de Deus, em todas as circunstâncias de nossa vida. Deus nos ama, ele sabe o que faz, e em tudo está nos moldando segundo o seu querer – 2ª Co 4:7-9, 16
“Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós. 8 Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; 9 perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos”
“Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia.”
2. Uma busca constante por uma vida santa, pura, separada do pecado, para que conscientemente glorifiquemos a Deus com nossa vida – 2ª Tm 2:20,21
“Ora, numa grande casa não há somente utensílios de ouro e de prata; há também de madeira e de barro. Alguns, para honra; outros, porém, para desonra.  21 Assim, pois, se alguém a si mesmo se purificar destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra.”
3. Uma atitude de gratidão e submissão aos propósitos de Deus. Não temos o direito de nos rebelar contra alguém que é todo poderoso, todo amor e todo sabedoria – Is 45:7
“Ai daquele que contende com o seu Criador! E não passa de um caco de barro entre outros cacos. Acaso, dirá o barro ao que lhe dá forma: Que fazes? Ou: A tua obra não tem alça?.”
4. Uma atitude de louvor em todo o tempo – Is 43:21
Pois somos que, diz o Senhor, “...que formei para mim, para celebrar o meu louvor” (Is 43:21).

quarta-feira, 28 de março de 2018

Para que Deus respondesse - 1º Rs 18:30-39

Terceira Igreja Presbiteriana Conservadora de São Paulo
Algum domingo de 1997
Pr. Plínio Fernandes
Queridos irmãos, vamos ler em 1º Reis, capítulo 18, versículos 30 a 39.
30 Então, Elias disse a todo o povo: Chegai-vos a mim. E todo o povo se chegou a ele; Elias restaurou o altar do SENHOR, que estava em ruínas. 31 Tomou doze pedras, segundo o número das tribos dos filhos de Jacó, ao qual viera a palavra do SENHOR, dizendo: Israel será o teu nome. 32 Com aquelas pedras edificou o altar em nome do SENHOR; depois, fez um rego em redor do altar tão grande como para semear duas medidas de sementes. 33 Então, armou a lenha, dividiu o novilho em pedaços, pô-lo sobre a lenha 34 e disse: Enchei de água quatro cântaros e derramai-a sobre o holocausto e sobre a lenha. Disse ainda: Fazei-o segunda vez; e o fizeram. Disse mais: Fazei-o terceira vez; e o fizeram terceira vez. 35 De maneira que a água corria ao redor do altar; ele encheu também de água o rego. 36 No devido tempo, para se apresentar a oferta de manjares, aproximou-se o profeta Elias e disse: Ó SENHOR, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, fique, hoje, sabido que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo e que, segundo a tua palavra, fiz todas estas coisas. 37 Responde-me, SENHOR, responde-me, para que este povo saiba que tu, SENHOR, és Deus e que a ti fizeste retroceder o coração deles. 38 Então, caiu fogo do SENHOR, e consumiu o holocausto, e a lenha, e as pedras, e a terra, e ainda lambeu a água que estava no rego. 39 O que vendo todo o povo, caiu de rosto em terra e disse: O SENHOR é Deus! O SENHOR é Deus!
Aconteceu por volta de 850 a. C. A nação de Israel caíra na idolatria, na imoralidade, em toda sorte de pecados.
Poucos foram os israelitas que não dobraram seus joelhos diante do falso deus Baal, e perversa rainha Jezabel, esposa do rei Acabe, ao mesmo tempo em que promovia os cultos idólatras, perseguia até à morte os servos do Senhor.
Dos profetas do Senhor, um dos comparativamente poucos que escaparam foi Elias, que ficou muito tempo fora do alcance de Acabe, até que Deus ordenou o confronto a respeito do qual lemos neste capitulo.
De acordo com a ordem de Deus dada através de Elias, o próprio rei mandou chamar os profetas de Baal e os israelitas; que todos estivessem presentes, em certo dia, no Monte Carmelo – um lugar alto, grande, espaçoso.
Quando todos estavam lá, o profeta do Senhor, dirigindo-se ao povo, perguntou, conforme o v. 21:
Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o SENHOR é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o. Porém o povo nada lhe respondeu.
Assim sendo, o Elias continuou dizendo ao povo:
Só eu fiquei dos profetas do SENHOR, e os profetas de Baal são quatrocentos e cinquenta homens. Então tragam dois novilhos; que eles um dos novilhos, cortem-no em pedaços, coloquem sobre a lenha, mas não coloquem fogo; eu vou preparar o outro novilho, e colocarei sobre a lenha, e não colocarei fogo.
Então, invoquem o nome de Baal, o seu deus, e eu invocarei o nome do SENHOR; e há de ser que o deus que responder por fogo, esse é que é Deus.
E todo o povo respondeu: – “É uma boa palavra”.
Elias voltou-se para os profetas de Baal:
– Escolham um dos novilhos, e preparem-no; clamem ao vosso deus; mas não ponham fogo no sacrifício.
Pois se Baal fosse Deus ele responderia colocando o fogo necessário para o holocausto.
E os profetas de Baal clamaram ao seu deus, desde a manhãzinha até o meio dia. Mas fracassaram completamente, pois é claro, Baal não é Deus.
Então, conforme o texto que lemos, foi a vez de Elias. O v. 30 nos diz que ele restaurou o altar de Deus, que estava em ruínas.
Este altar era um dos muitos que haviam sido edificados em Israel, antes dos tempos do rei Davi. Antes que houvesse o templo de Jerusalém. Eles voltaram a ser usados depois da divisão do reino.
Agora, em tempos de frieza, idolatria e afastamento dos caminhos do Senhor, aqueles altares haviam sido abandonados, muitos estavam em ruínas e outros haviam sido derribados. Só havia altares dedicados ao falso deus Baal.
Então Elias restaurou o altar do Senhor. Tomou 12 pedras. De acordo com a lei dada por Deus através de Moisés, quando um altar fosse erguido, deveria ser de pedras brutas, num lugar rente ao chão. E estas pedras, conforme o v. 31, eram representativas do povo de Deus.
É que Deus, na realidade, não deveria ser apenas cultuado em altares de pedra, feitos por mãos humanas; na verdade a vida de cada israelita deveria ser para a glória de Deus, para o seu louvor, para o seu serviço, deveria seu um altar do Senhor.
Mas, assim como aquele altar estava em ruínas, a nação israelita também estava espiritualmente arruinada.
O v 33 diz que Elias colocou sobre o altar o novilho para o holocausto. De novo, o gesto do profeta foi cheio de significado. Pois de acordo com a lei de Deus, em Levítico 1, o holocausto (oferta queimada) era um sacrifício que deveria ser feito para expiação, isto é, para o perdão dos pecados.
Quando alguém houvesse cometido algum pecado, deveria confessar isto a Deus e levar ao sacerdote um sacrifício, que poderia ser um novilho, um carneiro, um cabrito, ou mesmo rolinhas ou pombinhas, conforme os recursos da pessoa.
O pecador colocaria sua mão sobre a cabeça do animalzinho inocente, com isto simbolizando que o animalzinho passaria a ser seu representante. Então, o animal seria morto, esquartejado, seu corpo seria queimado e seu sangue derramado sobre o altar.
Todo este sacrifício sangrento tinha um significado espiritual muito grande:
De acordo com o ensino dos profetas, dos apóstolos e também de Jesus, o sacrifício daqueles animais inocentes era um símbolo do sacrifício que Jesus faria de si mesmo, na cruz, ao assumir sobre si o castigo pelos pecados dos homens, não apenas de Israel, mas do mundo inteiro.
Portanto, ao colocar o novilho dobre o altar, Elias também estava, representativamente, falando de Jesus.
Elias fez conforme a lei de Deus; por isto não bastaram as doze pedras que simbolizavam o povo; a lei de Deus nos diz que não podemos apenas nos oferecer a Deus, por nós mesmos, precisamos de um mediador entre nós e Deus, e este mediador só pode ser Jesus Cristo, através de seu sacrifício por nós.
Depois disto, Elias orou, e Deus atendeu (vs. 36-38).
Pois caiu fogo do céu, consumiu o holocausto, e toda a multidão começou a gritar, reconhecendo que só o Senhor é Deus.
Foi uma coisa extraordinária, miraculosa, Deus respondendo à oração daquele homem. Mandando fogo do céu, consumindo o holocausto, aceitando o sacrifício.
Irmãos, eu gostaria de destacar algumas lições para nossa edificação.
1. Esta história nos ensina que Deus responde às orações
Elias orou, e Deus atendeu. Elias pediu a Deus que ele enviasse fogo do céu, para que as pessoas, vendo aquilo, cressem, e se convertessem, e o Senhor atendeu ao seu pedido.
Que coisa extraordinária! Mas você quer saber de algo ainda mais extraordinário?
Tiago nos diz que Elias era um homem semelhante a nós, sujeito às mesmas fraquezas, mas orou e foi atendido por Deus.
Vamos ler Tg 5:13-18
Está alguém entre vós sofrendo? Faça oração. Está alguém alegre? Cante louvores.14 Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. 15 E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. 16 Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo. 17 Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos, e orou, com instância, para que não chovesse sobre a terra, e, por três anos e seis meses, não choveu.  18 E orou, de novo, e o céu deu chuva, e a terra fez germinar seus frutos.
  Neste contexto, Tiago está nos ensinando que assim com Deus respondia às orações de Elias, pode responder também às nossas.
Note bem: ele não está dizendo que devemos orar para que chova ou que não chova, ou para que caia fogo do céu. Quando Elias orou especificamente desta maneira ele tinha bases bíblicas, mais especificamente o Livro de Deuteronômio, onde o Senhor ameaçava fechar as janelas do céu para que não chovesse, se os israelitas se voltassem para outros deuses. E também prometia abrir as janelas do céu, se os israelitas se arrependessem. As orações de Elias sempre foram baseadas na Palavra de Deus.
Agora, Tiago está nos ensinando a orar uns pelos outros, confessando pecados, intercedendo, a orar também pelos enfermos, na certeza de que Deus ouvirá nossas orações, pois mesmo que sejamos fracos, assim como Elias, o nosso Deus é o mesmo.
Talvez você esteja necessitando que Deus derrame o poder de sua graça sobre a sua vida.
Talvez você precise da graça de Deus, do poder de Deus, da resposta de Deus, na sua vida familiar (na vida de seu marido, ou de seus filhos, ou de sua esposa).
Talvez no seu trabalho, nos relacionamentos com o patrão, ou líder, ou no seu relacionamento com quem você lidera, ou com seus amigos, ou talvez você precise do próprio trabalho.  
Talvez a graça e direção de Deus na sua vida econômica.
Talvez na vida íntima, no seu coração, nos pensamentos, nas atitudes, um derramar do poder do Espírito Santo, um poder para testemunhar, para fazer a vontade de Deus, para ter um coração limpo. Talvez nalguma área, ou questão, que eu nem consiga imaginar – que só você sabe; e que Deus sabe.
E Deus promete responder às orações.
Deixe-me lembrar-lhe uma promessa da Palavra de Deus – Fp 4:6 e 7
Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. 7 E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.
Mas acontece que, seu eu disser que apenas bastou que Elias orasse, e a resposta veio, e me limitar a isto, estarei dizendo menos do que a Bíblia diz. Pois a Bíblia também diz que ...
2. Antes de Elias orar, ele apresentou-se diante de Deus com um holocausto
Isto é, como já explicamos, ele precisou apresentar-se diante de Deus com um sacrifício pelos pecados de Israel.
O fogo, vindo de Deus, falava, entre outras coisas, de perdão, reconciliação, paz com Deus. Eu vejo isto na expressão do v. 37, última parte, quando Elias diz:
Senhor, responde para que este povo saiba que o Senhor é Deus, e que está fazendo com que os seus corações se convertam a ti...
E este holocausto, como já dissemos, representava Jesus, como daqui a pouco veremos no Novo Testamento.
Este sacrifício era necessário, pois Deus· não responde às nossas orações, sem antes tratar com nossos pecados.
Lembre-se do que Deus diz através de Isaías
Is 59:1,2 – Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir.  2 Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça.
E também através dos Salmos:
Sl 66:18 – Se eu no coração contemplara a vaidade, o Senhor não me teria ouvido.
Às vezes, filhos de Deus ficam se perguntando: por que eu oro tanto, através de tantos anos, e Deus nunca responde? Será que Deus me abandonou? Muitas vezes, amados, é porque ainda não chegou o tempo de Deus, que sabe o tempo e o modo para cada orientação, de cada solução.
Mas muitas vezes a resposta está aqui. O problema de um pecado conhecido, e não confessado, não colocado diante de Deus por meio de Jesus.
A necessidade de um sacrifício para a expiação dos nossos pecados é claramente ensinada na Bíblia.
Por exemplo
Hb 9:22 – Com efeito, quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e, sem derramamento de sangue, não há remissão.
Hb 9: 14 – muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!
Agora, se confessarmos as nossas culpas a Deus, e confiarmos que no sacrifício de Jesus a nossa culpa foi expiada, então temos a doce certeza do perdão, pois se...
...andarmos na luz, (isto é, na luz da verdade) como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado. 8 Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. 9 Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.
Então, é necessário reconhecimento, confissão
Hb 10:19-22 – Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, 20 pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, 21 e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, 22 aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura. 23 Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel.
 Mas se não devo me limitar a dizer que Elias orou, também não devo me limitar a dizer que ele chegou-se a Deus através de um holocausto que simbolizava Jesus. Também precisamos considerar que ...
3. Ao mesmo tempo, Elias precisou restaurar o altar de Deus, que estava em ruínas
Como já vimos, aquelas pedras eram representativas do povo de Deus. Cada pedra do altar de Deus simbolizava uma tribo de Israel.
Representava aquelas pessoas cujas vidas deveriam ser, elas mesmas, templo de Deus, culto de Deus, mas que estavam em ruínas espirituais.
Em 1ª Pe 2:5 há uma afirmação muito abençoadora, do apóstolo, a respeito de cada crente –cada um de nós, assim como Israel, é uma pedra viva no templo de Deus.
Mas assim como em Israel, nos dias de hoje muitas destas pedras vivas estão arruinadas, desgasta das, algumas até abandonadas.
E lugares onde Deus deveria estar sendo glorificado, servido, seu reino e sua vontade acontecendo, estão deixados às traças.
E quando um crente se torna assim uma pedra arruinada, ele deixa de ter propósitos na vida; existe por existir; vai se arrastando pela vida, sem direção, sem muita razão de ser.
Porque acontece isto? Esta ruína espiritual? “Pecado não tratado”.
Israel estava dividido. Elias juntou as doze pedras, para lembrar que era pecado; o pecado não tratado arruína a vida de um crente.
Por exemplo, em João 5 nós lemos sobre um homem enfermo, paralítico, havia 38 anos.
Então Jesus curou aquele homem. Mas deixou bem claro que aquele enfermidade, que prendera o pobre homem em seu leito por 38 anos era devida a um pecado (ou pecados) que cometera.
Então Jesus adverte: – Não peques mais, para que não te aconteça alguma coisa pior.
As vezes, um pecado cometido há 20 anos, não confessado, não perdoado, não tratado, trás consequências quase que permanentes na vida das pessoas.
Pecados de ressentimentos, de amarguras, nas quais uma pessoa fica remoendo ofensas antigas, sempre trazendo à tona. Outros não perdoam a si mesmos, não confiam no poder do sangue de Jesus.
Outros são arruinados pelo pecado da mentira. Outros pela inveja. Outros, inimizades. Orgulho. Vaidade. Falta de reconciliação. Outros, malícia: são maliciosos em tudo, no que pensam, nas palavras, nos gestos.
Outros, amor ao dinheiro, à posição social, às coisas deste mundo. Não se consagram a Deus, não consagram a Deus seu tempo, seus bens, seus talentos, não são fiéis nos dízimos, não obedecem a Deus.
Precisam do milagre, gostariam que acontecesse, mas como a vida espiritual está em ruínas, o milagre não acontece.  
Mas ninguém precisa ficar assim, arruinado por causa do pecado. Se este for o seu caso, restaure sua vida na presença de Deus, isto é, coloque sua vida em ordem. Com a ajuda de Deus, confesse seus pecados.
Se for necessário, procure as pessoas com as quais deve se reconciliar. Faça como o filho pródigo.
Conclusão
Você precisa do poder de Deus em sua vida? O que você precisa que Deus faça?
Jr 29: 11-13 – Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais. 12 Então, me invocareis, passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei.13 Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração.


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