Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Três propósitos para o próximo ano - 2ª Tm 3-4:5

IPC em Pda. de Taipas
Domingo, 28 de dezembro de 2014
Pr. Plínio Fernandes                     Baixe em EPUB     Baixe em Mobi      Baixe em PDF
Eu tenho duas razões em mente para tomar este texto como base para nossa meditação neste último domingo:
A primeira é que recentemente, em nossa reunião do Presbitério, quando estávamos avaliando o crescimento de nossas igrejas, entendemos que deveríamos tomar certas medidas a fim de que cumpramos melhor a vontade de Deus para nosso ministério e nossas igrejas.
E uma delas é trabalhar com um propósito mais claro, no sentido de ter como objetivo o crescimento de nossas igrejas.
Para que cresçamos em todos os sentidos, cumprindo assim a vontade de Deus revelada nas Escrituras, devemos “saber onde queremos chegar”, e trabalhar por isto conscientemente.
A segunda razão é que normamente, a iniciar um novo ano, muitos de nós temos o hábito de definir alvos para nossa vida pessoal, em todas as suas áreas.
E quando Paulo escreveu esta carta a Timóteo, aliás, esta foi sua última carta, ele recomendou ao seu amado filho na fé certas coisas que deveriam ser metas por toda a sua vida.
Leiamos então o texto
 Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, 2 pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes,3 desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, 4 traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, 5 tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes. 6 Pois entre estes se encontram os que penetram sorrateiramente nas casas e conseguem cativar mulherinhas sobrecarregadas de pecados, conduzidas de várias paixões, 7 que aprendem sempre e jamais podem chegar ao conhecimento da verdade. 8 E, do modo por que Janes e Jambres resistiram a Moisés, também estes resistem à verdade. São homens de todo corrompidos na mente, réprobos quanto à fé; 9 eles, todavia, não irão avante; porque a sua insensatez será a todos evidente, como também aconteceu com a daqueles. 10 Tu, porém, tens seguido, de perto, o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança, 11 as minhas perseguições e os meus sofrimentos, quais me aconteceram em Antioquia, Icônio e Listra, -- que variadas perseguições tenho suportado! De todas, entretanto, me livrou o Senhor. 12 Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. 13 Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados. 14 Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste 15 e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. 16 Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, 17 a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra. 4:1 Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: 2 prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. 3 Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; 4 e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. 5 Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério.
As palavras do apóstolo Paulo aqui fazem um contraste enorme com muitos livros e artigos escritos atualmente e que nos descrevem o que é uma igreja, ou um pastor bem sucedido.
A Palavra de Deus nos diz aqui que os últimos dias – e isto, no Novo Testamento é uma referência aos dias que se iniciaram com a primeira vinda de Jesus até à sua volta para o dia do juízo final – estes dias que estamos vivendo são tempos difíceis, trabalhosos.
Tempos caracterizados pelo egoísmo, pela arrogância, pelo desrespeito, pela falta de temor a Deus; pela hipocrisia; pela falsa devoção a Deus, pela falsa religiosidade – crentes nominais, que, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, resistem à Palavra de Deus.
Tempo de ventos contrários à verdadeira fé. São os dias em que estamos vivendo
Agora, em meio a todos estes ventos contrários, tempos difíceis, o apóstolo Paulo diz que Timóteo deve ser diferente – veja o versículo: 14.
“Tu, porém”, “mas você...” – a ideia é contraste, diferença – “Você não deve ser como os outros, não deve seguir os que se opõem, não deve se amoldar a estes tempos, seja diferente, e faça diferença”.
E esta diferença tem um fundamento: a Palavra de Deus, o compromisso que você tem com ela.
Esta mesma atitude comprometida, amados, nós também devemos ter, e é sobre como este compromisso com a Palavra de Deus que desejo meditar com vocês.
Dentro de nosso compromisso com a Palavra de Deus, desejo motivá-los a terem três propósitos específicos para o próximo ano.
1. Neste próximo ano, vou conhecer mais as Escrituras – v. 14
Paulo aqui se refere ao fato de que Timóteo era um homem privilegiado, pois desde sua infância havia aprendido, tanto de sua mãe como de sua avó, judias tementes a Deus[1], as sagradas letras.
O costume dos israelitas era o de fazer com que até os doze anos as crianças conhecessem muito bem a lei de Deus, um conhecimento que cresceria muito mais ao longo de toda a vida, de modo que se cumprissem neles as palavras de Provérbios 22 – eles nunca se desviariam dos caminhos de Deus.
Timóteo era um destes privilegiados filhos da nação escolhida que conhecia profundamente as Escrituras.
E mesmo tendo aprendido desde pequeno nesta carta Paulo o encoraja a conhecê-las cada vez mais.
Veja 2:15:
Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.
Assim como era importante, para Paulo e Timóteo, o conhecimento das Escrituras, também para nós.
Existem pelo menos quatro razões para conhecermos as Escrituras, mencionadas aqui em nosso texto.
1. Elas são inspiradas por Deus – 3:16
São Palavra de Deus para nós; ao abrirmos as Escrituras, elas são Deus falando conosco.
Quero relacionar esta verdade com a maneira que Jesus diz, o Espírito Santo atua em nossa vida, conforme João 14:26.
Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.
São as coisas que aprendemos através da Palavra de Deus que o Espírito Santo nos vem recordar. Uma vida cheia do Espírito é uma vida segundo aquilo que aprendemos de Deus.
2. Elas nos mostram o caminho da salvação pela fé em Jesus – v. 15
3. Elas nos são úteis para o crescimento na santificação: o desenvolvimento do caráter – v. 16
4. Elas nos capacitam a viver de acordo com a vontade de Deus em cada área de nossa vida – toda boa obra – v. 17
Tudo quanto necessitamos para viver está aqui na Palavra de Deus.
Dentro deste contexto, vale também a pena citar as palavras de Moisés ao de Israel a respeito da lei do Senhor em sua última mensagem a eles.
Dt 32:46, 47
Disse-lhes: Aplicai o coração a todas as palavras que, hoje, testifico entre vós, para que ordeneis a vossos filhos que cuidem de cumprir todas as palavras desta lei. 47 Porque esta palavra não é para vós outros coisa vã; antes, é a vossa vida; e, por esta mesma palavra, prolongareis os dias na terra à qual, passando o Jordão, ides para a possuir.
Note a força das palavras de Moisés. “Esta Palavra”, disse ele, “é a sua vida. Então aplique o seu coração a ela. Ensine-a aos seus filhos. Obedeça, viva por ela”.
Neste próximo ano, tenha este propósito: faça tudo o que você puder para conhecer mais profundamente a Palavra de Deus.
Por exemplo:
Você pode separar um tempo diariamente, para ler mais a Bíblia.
Você pode se utilizar de livros escritos para ajudá-lo a compreender mais a Palavra de Deus (ex. os “Meditações nos Evangelhos” de J. C. Ryle).
Você pode também se utilizar das revistas da Escola Dominical: são tantas e excelentes as lições que estaremos estudando neste próximo ano, com o propósito de conhecermos mais ao Senhor e sua vontade para nós.
Você pode usar os textos diários das revistas da Escola Dominical para suas práticas devocionais, isto é, o seu culto pessoal ao Senhor.
Você pode também ser um aluno assíduo e participativo da Escola Dominical
Você pode também participar dos cultos dominicais, tanto pela manhã quanto à noite – a sua frequência depende, em noventa e nove por cento dos casos, do tamanho de seu desejo de servir e conhecer a Deus.
Você também pode participar dos acampamentos que a igreja promove, das atividades das sociedades internas, por exemplo, os cultos semanais nos lares.
Todas estas atividades da igreja tem uma finalidade: fazer com que você conheça mais a Palavra de Deus, pois ela é a coisa mais importante de sua vida: ela é a sua vida.
2. Neste próximo ano, vou viver mais as Escrituras – v. 14
Não se esqueça do que está escrito. Não se desvie do que está escrito. Não se afaste do que está escrito. Viva de acordo com o que está escrito.
Paulo reconhece que isto é “nadar contra a maré”. Mas ao mesmo tempo relembra que viver de acordo com as Escrituras é viver de acordo com Deus.
Isto significa salvação para a alma. Significa vida santificada. Significa vida reta e abençoada.
Eu quero trazer à nossa memória duas promessas do Senhor aos que são comprometidos com sua Palavra:
Mt 5:10-12
Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.  11 Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. 12 Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.
Você estará em boa companhia, você será parecido com Jesus, você está destinado ao reino dos céus.
Jo 15:7
Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito.
Você terá suas orações sempre respondidas
Neste próximo ano, tenha este compromisso:
“Vou crer mais na Bíblia Sagrada”. Vou obedecer mais. Orar mais
Dentro daquilo que for o seu caso, diga consigo mesmo na presença de Deus:
Amarei mais. Serei mais puro. Serei mais paciente. Serei mais misericordioso. Mais fiel nos dízimos. Mais assíduo à casa de Deus. Falarei mais coisas que edifiquem e abençoem.
Ao iniciar este novo ano, examine...
Seu coração: você não precisa ser mais santo em seus sentimentos? Mais santo em seus relacionamentos? Você não precisa ser menos egoísta, menos interesseiro, menos mundano, menos materialista?  Você não precisa ser mais honesto, mais verdadeiro?
Examine seus pensamentos, seus propósitos, seus alvos.
Passe sua vida a limpo, e limpe, abandone pecados. Reavive a chama do dom de Deus que há em você.
3. Neste próximo ano, vou falar mais das Escrituras – 4:1-5
Fale, a tempo e fora de tempo, quer seja oportuno, quer não – quer dizer, não perca tempo, não perca oportunidade.
Neste falar, faça o que a Palavra diz: ensine, corrija, repreenda, exorte – com paciência e ensino.
Mas fale.
Nós temos aqui duas razões para falar:
1. Deus há de julgar todas as pessoas, e este julgamento será baseado na vontade de Deus revelada ao homem.  – v. 1
2. A atitude do homem para com a Palavra de Deus será sua salvação ou sua perdição
Muitos se recusarão – eles seguirão seus caminhos: vs. 3:9, 13.
Mas há os que ouvirão – há os Timóteos, as Loides, as Eunices, os Paulos – há os crentes, os “sete mil que não se dobraram diante de Baal”.
Então fale. Fale no trabalho Fale em casa. Fale pelo telefone. Fale na igreja. Fale a Palavra de Deus. Fale o que edifica, que promove a vontade de Deus.
Conclusão e aplicação
Amados, enquanto estamos em nossa caminhada para o céu, existem muitas tentações diárias que nos cercam e procuram nos desviar de nosso alvo. Mas eu quero sugerir que a grande tentação, a maior de todas é esta: a de nos envolvermos tanto não só com as dificuldades de nossos tempos, mas também com coisas boas e legítimas, que nos desviamos de nossos propósitos.
Vamos permanecer em nossos propósitos. Três compromissos:
Neste próximo ano, vou conhecer mais as Escrituras.
Neste próximo ano, vou viver mais as Escrituras.
Neste próximo ano, vou falar mais as Escrituras.



[1] Cap. 1:5

domingo, 30 de novembro de 2014

Soldado de Cristo - 2ª Tm 2:3, 4

Pr. Plínio Fernandes
Amados irmãos, vamos ler 2ª a Timóteo 2:1-14.
Tu, pois, filho meu, fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus. 2 E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros. 3 Participa dos meus sofrimentos como bom soldado de Cristo Jesus. 4 Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou. 5 Igualmente, o atleta não é coroado se não lutar segundo as normas. 6 O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a participar dos frutos. 7 Pondera o que acabo de dizer, porque o Senhor te dará compreensão em todas as coisas. 8 Lembra-te de Jesus Cristo, ressuscitado de entre os mortos, descendente de Davi, segundo o meu evangelho; 9 pelo qual estou sofrendo até algemas, como malfeitor; contudo, a palavra de Deus não está algemada. 10 Por esta razão, tudo suporto por causa dos eleitos, para que também eles obtenham a salvação que está em Cristo Jesus, com eterna glória. 11 Fiel é esta palavra: Se já morremos com ele, também viveremos com ele; 12 se perseveramos, também com ele reinaremos; se o negamos, ele, por sua vez, nos negará; 13 se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo.  14 Recomenda estas coisas. Dá testemunho solene a todos perante Deus, para que evitem contendas de palavras que para nada aproveitam, exceto para a subversão dos ouvintes.
Em certa ocasião, quando nosso Senhor, Jesus Cristo, estava ensinando aos discípulos sobre a natureza da igreja, ele disse o seguinte: “Eu edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”.
Com isto, entre outras coisas ele quis dizer que, de geração em geração, até que ele volte para julgar o mundo, existe uma guerra permanente entre a igreja e as forças espirituais do mal.
A cada geração o diabo está em guerra contra o povo de Deus, e o povo de Deus está em guerra contra o diabo.
À medida que a igreja prega o evangelho, o propósito dela é invadir o território de Satanás e tirar os cativos do diabo, os que estão escravizados ao pecado, tirar do império das trevas e traze-las para o reino do Filho de Deus.
E o propósito de Satanás, por sua vez, é o de, se não pode destruir a igreja, pelo menos o de causar o máximo de baixas que ele puder no reino de Deus.
Ora, se existe uma luta entre a igreja e o diabo, segue-se que também existe a mesma luta, em nível individual, entre o diabo e cada crente.
Na carta aos Efésios escreveu que a nossa luta como crentes não é contra seres humanos, mas contra os principados e potestades, contra as forças espirituais do mal que agem neste mundo tenebroso.
Assim como Satanás luta contra a igreja na sua obra de implantação do reino de Deus no coração dos homens, Satanás luta contra os crentes, para que o reino de Deus não seja implantado em suas vidas.
Satanás tem por objetivos o destruir o reino de Deus em nossas casas, em nossa vida individual, em nossa vida profissional, em nossa igreja.
Roubar, matar e destruir.
E por isto, diz a Palavra, cada um de nós deve se revestir de toda a armadura espiritual que Deus nos concede.
Devemos tomar o capacete da salvação e com ele proteger nossa mente.
Devemos embraçar o escudo da fé e com ele proteger nosso coração contra as flechas inflamadas do diabo.
Devemos calçar nossos pés com o evangelho da paz e com eles permanecer firmes contra as investidas do inimigo.
Devemos nos cingir com a verdade e a couraça da justiça.
Devemos ter nas mãos a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus.
Além disto, através da oração, devemos estar em contato constante com Jesus, o nosso capitão, para dele recebermos instruções.
E de posse de toda esta armadura permanecer firmes, lutar com bravura e não permitir que Satanás nos derrote.
Nós, a igreja, somos o exército de Deus na luta contra o mal.
Nós, os crentes, somos soldados do exército de Deus envolvidos diretamente nesta guerra.
Para que um soldado permaneça firme e seja vitorioso, várias coisas são indispensáveis:
Uma delas é o treinamento – por isto o Senhor nos ensina por meio de sua Palavra qual deve ser todo o nosso procedimento na luta.
Outra são as armas: por isto o Senhor nos dota de toda a armadura e armas espirituais necessárias para as batalhas diárias.
E outra delas, aquela a respeito da qual vamos meditar nesta noite é a atitude: se um soldado vai para a guerra com a atitude errada ela não irá se portar como soldado, e suas chances de vencer serão reduzidas ao mínimo.
É por isto que Paulo, ao escrever a Timóteo, um desencorajado pastor, diz que ele precisava ter a atitude de um soldado de Cristo.
vs. 3 e 4
Participa dos meus sofrimentos como bom soldado de Cristo Jesus.  4 Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou.
Agora note, no v. 14, que estas palavras não foram dirigidas somente a Timóteo, mas a toda a igreja.
Recomenda estas coisas. Dá testemunho solene a todos perante Deus, para que evitem contendas de palavras que para nada aproveitam, exceto para a subversão dos ouvintes.
Estas coisas, portanto, são para Timóteo, são para a igreja, são para todos os crentes. São para cada um de nós. Pois cada um de nós é um soldado de Cristo.
O que o Espírito Santo nos recomenda, ou nos ensina, sobre a nossa atitude como soldados de Cristo? Que postura nós devemos ter?
1. Como soldados de Jesus, estejamos dispostos a sofrer por ele – v. 3
Agora, vejamos o cap. 1:11, 12:
Para o qual eu fui designado pregador, apóstolo e mestre 12 e, por isso, estou sofrendo estas coisas; todavia, não me envergonho, porque sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia.
Por isto, isto é, pelo fato de que, como soldado de Cristo, eu fui designado pregador, apóstolo e mestre, estou sofrendo de várias maneiras, mas não me envergonho, pois sei que há uma recompensa.
Vamos ver algumas maneiras como Paulo estava sofrendo?
Cap. 2:8, 9
Lembra-te de Jesus Cristo, ressuscitado de entre os mortos, descendente de Davi, segundo o meu evangelho; 9 pelo qual estou sofrendo até algemas, como malfeitor; contudo, a palavra de Deus não está algemada.
Cap. 3:10-12
Tu, porém, tens seguido, de perto, o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança, 11 as minhas perseguições e os meus sofrimentos, quais me aconteceram em Antioquia, Icônio e Listra, -- que variadas perseguições tenho suportado! De todas, entretanto, me livrou o Senhor.  12 Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos.
Cap. 4:9, 10
Procura vir ter comigo depressa.  10 Porque Demas, tendo amado o presente século, me abandonou e se foi para Tessalônica; Crescente foi para a Galácia, Tito, para a Dalmácia.
Cap. 4:14
Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe dará a paga segundo as suas obras.
Cap. 4:16
Na minha primeira defesa, ninguém foi a meu favor; antes, todos me abandonaram. Que isto não lhes seja posto em conta!
Cap. 4:13
Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, bem como os livros, especialmente os pergaminhos.
Preso, como se fosse um criminoso, abandonado por uns, traído por outros, por outros perseguido, com frio, sentindo-se solitário.
Quando um soldado está numa guerra ele enfrenta, e precisa suportar, todo tipo de hostilidade: do exército inimigo, as intempéries da natureza, a fome, o cansaço, suas limitações físicas.
O soldado de Cristo sofre, e precisa suportar sua luta contra o mal: as artimanhas mil de Satanás, as astutas ciladas do diabo, as fraquezas de sua carne.
Mas ele não desiste.
Cap. 4:17
Mas o Senhor me assistiu e me revestiu de forças, para que, por meu intermédio, a pregação fosse plenamente cumprida, e todos os gentios a ouvissem; e fui libertado da boca do leão.
E da mesma forma que ele não desiste, encoraja outros a não desistirem.
Timóteo, participa também.
Cap. 1:7
Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação.
É este espírito que nos leva a ser depreendidos das coisas deste mundo, pois...
2. Como soldados de Jesus, não nos envolvamos com os negócios desta vida – v. 4a
Certo homem de Deus escreveu que, para os crentes, “este mundo não é um parque de diversões, mas um campo de batalha”.
A grande tragédia atual, meus irmãos, é que muitos cristãos estão pensando exatamente ao contrário: querem se divertir, querem fazer festa, querem ganhar muito dinheiro, querem satisfazer os desejos da carne, à semelhança daqueles que não conhecem a Cristo.
Comportam-se como aqueles que dizem: “Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos”.
Comportam-se como gente que não crê nas indescritíveis alegrias da vida eterna.
Então se envolvem com as coisas deste mundo, e pensam em Deus mais como alguém que os ajudará a satisfazer seus desejos, e não como a sua grande razão de existir.
Mas, por outro lado, será que Deus está nos dizendo que o crente, como soldado de Cristo, deve se tornar um asceta, um monge isolado que não deve se casar, para que possa se dedicar só à pregação da Palavra?
Ou que não pode ter amigos, passear, ou se alegrar de forma alguma com as coisas boas desta vida?
É certo que não está dizendo isto.
Pois os primeiros discípulos, mesmo tendo deixado tudo para seguir a Jesus, continuaram a ter suas famílias de modo muito natural e ordenado.
E nestas cartas pastorais o próprio Paulo instrui não somente à igreja, mas também que os líderes das igrejas devem ser pessoas que cuidam bem de suas famílias.
E também ensina que se Deus nos dá as coisas boas desta vida é para que nos alegremos e partilhemos daquilo que temos com outras pessoas.
Mas o que Paulo este dizendo é o mesmo que Jesus ensina em muitos lugares do evangelho: onde está o teu tesouro, aí está também o teu coração.
Portanto, se o nosso coração estiver em Jesus, se o Senhor for a nossa riqueza, se o nosso tesouro estiver no céu, então as coisas desta vida serão secundárias, e poderemos servir a Jesus desembaraçadamente.
3. Como soldados de Jesus, o nosso grande objetivo é satisfazer o nosso capitão – v. 4b
De acordo com Paulo, quando uma pessoa é arregimentada para o serviço militar, ela passa a ter um único grande objetivo: satisfazer ao seu comandante.
A missão do soldado é trabalhar sob as ordens de seu general, é alcançar os objetivos dele.
Nós vemos isto ilustrado nas palavras daquele centurião romano cujo empregado Jesus curou, conforme registrado em Mt 8 (centuriões eram oficiais do exército que tinham cem homens sob o seu comando).
Mt 8:5-10
Tendo Jesus entrado em Cafarnaum, apresentou-se-lhe um centurião, implorando: 6 Senhor, o meu criado jaz em casa, de cama, paralítico, sofrendo horrivelmente.  7 Jesus lhe disse: Eu irei curá-lo.  8 Mas o centurião respondeu: Senhor, não sou digno de que entres em minha casa; mas apenas manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado.  9 Pois também eu sou homem sujeito à autoridade, tenho soldados às minhas ordens e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e ao meu servo: faze isto, e ele o faz.  10 Ouvindo isto, admirou-se Jesus e disse aos que o seguiam: Em verdade vos afirmo que nem mesmo em Israel achei fé como esta.
Veja a compreensão deste centurião, a respeito do que significa ser um soldado:
Para expressar o reconhecimento que ele tinha da autoridade de Jesus, aquele centurião disse ao Senhor que ele nem precisava ir até onde o seu empregado estava, que bastava uma ordem de Jesus, e o seu empregado iria sarar.
O centurião sabia disto porque ele mesmo era um homem que vivia debaixo de autoridade, e bastava que o seu superior desse uma ordem que ele imediatamente obedecia.
E da mesma forma, bastava que ele desse uma ordem aos seus subalternos, e eles imediatamente obedeciam.
Um soldado, portanto, é uma pessoa que está à disposição de seu comandante.
É uma pessoa que ouve seu comandante dizer: “Venha”, e ele vem.
Se o comandante diz: “Vá”, ele vai.
Se diz: “Faça isto, e não aquilo”, ele obedece.
E este soldado romano, veja o conceito que ele tinha da autoridade de Jesus.
Ele reconhecia que Jesus é aquele que tem toda a autoridade no céu e na terra.
Pois bastava que Jesus desse uma palavra de ordem, mesmo à distância, que até a enfermidade que havia em seu criado obedeceria ao mandamento de Jesus, e deixaria de existir.
Diante disto, nosso Senhor faz um grande elogio a este soldado.
“Aqui está um homem de fé”, diz o Senhor; “nem mesmo entre o povo de Israel encontrei um homem que tivesse uma fé como esta”.
E curou ao criado do centurião.
Assim nós precisamos nos ver como soldados de Cristo: homens e mulheres que estamos à disposição de Jesus, para fazer sua vontade.
Pessoas cujo propósito na vida é satisfazer ao nosso general.
Pessoas que, como aquele centurião romano, reconhecem a Jesus Cristo como o comandante supremo de suas vidas.
Ora, num exército, nem todos os soldados estão no mesmo lugar ao mesmo tempo. E também cada um dos soldados não está em todos os lugares ao mesmo tempo.
Os soldados estão distribuídos nos mais diversos lugares, conforme o comandante os dispõe.
Alguns são colocados na linha de frente, outros nos flancos, outros protegendo a retaguarda.
Alguns são responsáveis pelas provisões, outros cuidam dos feridos, outros são mensageiros.
O que compete a eles é que estejam no lugar designado pelo comandante, e seguindo as ordens do comandante.
Da mesma forma, nós, os soldados de Cristo, somos destacados para os mais diversos lugares, mas todos estamos colocados para cumprir a missão de servir a Cristo.
Como soldados em guerra, somos colocados para batalhar por Jesus, e conquistar territórios para ele.
Para que pessoas sejam conquistadas para ele.
Para que territórios sejam ganhos para o seu reino.
Para fincar a sua bandeira.
Nada deve trazer mais satisfação ao coração de Cristo do que o ganharmos almas para seu reino.
Como soldados, também somos colocados para defender os territórios conquistados para ele, e assegurar que sua vontade seja feita, quer em nossa vida quer na vida daqueles que Deus coloca sob a nossa esfera de ação.
E como bom soldados de Cristo, nossa primeira atitude é ficar à sua disposição.
Alguns ele quer na linha de frente, pregando o evangelho em tempo integral, outros, testemunhando nos lugares em que estudam, ou trabalham, ou diante dos vizinhos.
Alguns ele capacita para as batalhas na oração.
Seja em casa, seja no trabalho secular, seja na vizinhança, seja na igreja, somos soldados de Cristo.
Devemos ser imitadores de Paulo, que desde o dia de sua conversão sempre tinha esta disposição mental: “Senhor, que queres que eu faça?”.
E seguir às ordens de nosso comandante, para que o diabo não prevaleça sobre nós.
Conclusão e aplicação
Amado irmão, você é um soldado de Cristo?
Quais são os seus objetivos?
Um soldado de Cristo não pode se envolver com as coisas desta vida. Quais são as coisas com as quais você está envolvido? Será que você não está envolvido em coisas que embaraçam a sua vida com Jesus?
Às vezes as pessoas se envolvem em negócios pecaminosos, que prejudicam a sua vida espiritual, isto é, o seu relacionamento com Deus.
Às vezes se envolvem com negócios que podem não ser, em princípio pecaminosos, mas que se tornam uma espécie de ídolo, e colocam acima de qualquer coisa, inclusive deixando de buscar em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça.
Às vezes se envolvem com amizades, ou namoros, que se tornam em coisas que ocupam o coração de tal forma que os impedem de servir a Deus em primeiro lugar.
Um soldado de Cristo deve ser uma pessoa disposta a sofrer, como alguém que sabe estar numa guerra contra as forças espirituais do mal.
Disposta a sofrer em sua luta contra as tentações.
Disposta a sofrer pela igreja de Jesus.
Disposta a sofrer incompreensão, perseguições, privações e provações.
Você está disposto a sofrer por causa de Cristo? E pela causa de Cristo na terra?
Um soldado de Cristo tem um grande objetivo na vida: satisfazer a Jesus Cristo.
Qual é o seu grande objetivo?
Satisfazer a quem? A Jesus, ou a si mesmo? A Jesus, ou um ser humano qualquer?
Como bom soldado de Cristo, tenha o grande objetivo de servir a ele. Esteja disposto a sofrer por ele, envolva-se de corpo e alma com os negócios dele.

domingo, 9 de novembro de 2014

A Providência de Deus e o nosso trabalho - Êx 20:8-11

IPC em Pda. de Taipas
Domingo, 9 de novembro de 2014[1]
Pr. Plínio Fernandes
Queridos irmãos, vamos ler Êxodo 20:8-11.
 Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. 9 Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra.  10 Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; 11 porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou.
O quarto mandamento não se refere somente ao dia do Senhor, mas também a outra das questões mais importantes de nossa vida: o nosso trabalho.
O trabalho é importante porque através dele obtemos o pão de cada dia; nele ocupamos a maior parte de nosso tempo (mais que com a família, a igreja, as diversões, etc.); através do trabalho nos sentimos realizados, pois fomos criados para glorificar a Deus também através dele.
Acima de tudo: faz parte do plano de Deus para nós – “Seis dias trabalharás...”; Adão, antes que houvesse pecado no jardim do Éden, também trabalhava.
Embora a Bíblia tenha sido escrita em épocas bem diferentes da nossa, do ponto de vista trabalhista, sendo ela a Palavra de Deus que permanece para sempre, tem muito a nos dizer sobre os princípios de Deus com relação a este assunto.
1. Há duas palavras que desejo considerar
A primeira delas é “profissão”
De acordo com o dicionário “Aurélio”, profissão significa: 1. ato de professar, reconhecer, manifestar publicamente uma crença; 2. atividade ou ocupação especializada, ofício.
O Prof. Emílio Mira e Lopez (Diretor do Instituto de Seleção e Orientação Profissional da Fundação Getúlio Vargas) diz: “A palavra ‘profissional’, em sua raiz, implícita ‘fé naquilo que se faz’”. Ele conclui que profissão é uma “questão de fé”, isto é, algo que eu faço porque é algo em que acredito.
Intimamente relacionada ao conceito de profissão, nós também temos a palavra “vocação”.
Vejamos novamente o dicionário: 1. chamada, convite; 2. tendência, inclinação; 3. talento, aptidão (ex.: pintura, medicina, música).
O significado básico de “chamada, convite”, subjaz à ideia de que, quando uma pessoa se dedica a uma profissão, está respondendo a um convite superior, além dela mesma, que através dos dons e talentos, e através das oportunidades concedidas pela providência o convida a dedicar-se a uma determinada carreira.
A ideia básica então, é que cada pessoa, em sua vocação e profissão, está simplesmente correspondendo ao chamado de Deus.
2. Estes conceitos são bíblicos?
Entendemos que sim: embora as palavras “profissão” e “vocação”, no sentido em que as estamos usando, não sejam bíblicas, cremos que os princípios o sejam.
Quero citar alguns textos que indicam nesta direção:
Êx 35:30-35
Disse Moisés aos filhos de Israel: Eis que o SENHOR chamou pelo nome a Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, 31 e o Espírito de Deus o encheu de habilidade, inteligência e conhecimento em todo artifício, 32 e para elaborar desenhos e trabalhar em ouro, em prata, em bronze, 33 e para lapidação de pedras de engaste, e para entalho de madeira, e para toda sorte de lavores. 34 Também lhe dispôs o coração para ensinar a outrem, a ele e a Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã.  35 Encheu-os de habilidade para fazer toda obra de mestre, até a mais engenhosa, e a do bordador em estofo azul, em púrpura, em carmesim e em linho fino, e a do tecelão, sim, toda sorte de obra e a elaborar desenhos. 
Lemos que Bezalel:
Foi vocacionado (chamado) por Deus - v.30
Foi capacitado para o trabalho artesanal - vs. 31-33, 35.
Foi capacitado para ensinar a outros - v.34    
Visto que ele tinha estas capacidades dadas por Deus, iria ajudar na construção do tabernáculo.
Bezalel não é um caso isolado:
Os costureiros também. Em Êxodo 28:3 o Senhor ordena a Moisés:
Falarás também a todos os homens hábeis a quem enchi do espírito de sabedoria, que façam vestes para Arão para consagrá-lo, para que me ministre o ofício sacerdotal.
Da mesma forma, a Bíblia apresenta os reis, os escravos, os pastores de gado, os juízes, os oleiros, os curtidores, os ferreiros, os carpinteiros, os pedreiros, os trabalhadores de modo geral, como sendo pessoas colocadas pelo Senhor em sua vocação e trabalho.
O salmo 104 é uma das mais bonitas celebrações bíblicas, da providência de Deus. Vamos destacar alguns versículos:
Sl 104:19-24
 Fez a lua para marcar o tempo; o sol conhece a hora do seu ocaso.  20 Dispões as trevas, e vem a noite, na qual vagueiam os animais da selva. 21 Os leõezinhos rugem pela presa e buscam de Deus o sustento; 22 em vindo o sol, eles se recolhem e se acomodam nos seus covis.  23 Sai o homem para o seu trabalho e para o seu encargo até à tarde.  24 Que variedade, SENHOR, nas tuas obras! Todas com sabedoria as fizeste; cheia está a terra das tuas riquezas.
O homem, saindo para o seu trabalho pela manhã, voltando para sua casa no final do dia, está tão debaixo do governo e cuidado providencial de Deus quanto todas as outras coisas da criação.
Além disto, a cada trabalhador, é o Senhor Deus quem ensina o que é necessário à sua obra. Isaías nos lembra desta verdade:
Is 28:23-29
Inclinai os ouvidos e ouvi a minha voz; atendei bem e ouvi o meu discurso.  24 Porventura, lavra todo dia o lavrador, para semear? Ou todo dia sulca a sua terra e a esterroa?  25 Porventura, quando já tem nivelado a superfície, não lhe espalha o endro, não semeia o cominho, não lança nela o trigo em leiras, ou cevada, no devido lugar, ou a espelta, na margem?  26 Pois o seu Deus assim o instrui devidamente e o ensina.  27 Porque o endro não se trilha com instrumento de trilhar, nem sobre o cominho se passa roda de carro; mas com vara se sacode o endro, e o cominho, com pau.  28 Acaso, é esmiuçado o cereal? Não; o lavrador nem sempre o está debulhando, nem sempre está fazendo passar por cima dele a roda do seu carro e os seus cavalos.  29 Também isso procede do SENHOR dos Exércitos; ele é maravilhoso em conselho e grande em sabedoria.
É claro, irmãos, que ordinariamente o Senhor ensina o trabalho de cada um através de meios naturais: em certas profissões, a observação das estações do ano, o conhecimento herdado dos antepassados, além do estudo de cada ciência e outras coisas mais. Como Jesus, que aprendeu a ser carpinteiro com José (Mc 6:3).
E isto tem uma implicação muito importante para aqueles que ainda estão se preparando, através dos estudos, para a sua futura vida profissional: devem entender que a escola, a oportunidade de estudar, os professores e livros, são instrumentos de Deus, através dos quais ele os está instruindo e preparando para o trabalho.
Se é assim, devem ser gratos, amar seus estudos, suas escolas, seus professores, e estudar com prazer e dedicação, não entediados ou com preguiça.
Além disto, a Bíblia também ensina que até mesmo a boa dona de casa, que cuida de seus afazeres diários de bom grado, é alguém que honra ao Senhor e sua família:
Lembram-se da célebre “mulher virtuosa”?
Pv 31:10-31
Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede o de finas joias. 11 O coração do seu marido confia nela, e não haverá falta de ganho. 12 Ela lhe faz bem e não mal, todos os dias da sua vida. 13 Busca lã e linho e de bom grado trabalha com as mãos. 14 É como o navio mercante: de longe traz o seu pão. 15 É ainda noite, e já se levanta, e dá mantimento à sua casa e a tarefa às suas servas. 16 Examina uma propriedade e adquire-a; planta uma vinha com as rendas do seu trabalho.  17 Cinge os lombos de força e fortalece os braços. 18 Ela percebe que o seu ganho é bom; a sua lâmpada não se apaga de noite. 19 Estende as mãos ao fuso, mãos que pegam na roca. 20 Abre a mão ao aflito; e ainda a estende ao necessitado. 21 No tocante à sua casa, não teme a neve, pois todos andam vestidos de lã escarlate. 22 Faz para si cobertas, veste-se de linho fino e de púrpura.  23 Seu marido é estimado entre os juízes, quando se assenta com os anciãos da terra. 24 Ela faz roupas de linho fino, e vende-as, e dá cintas aos mercadores.  25 A força e a dignidade são os seus vestidos, e, quanto ao dia de amanhã, não tem preocupações.  26 Fala com sabedoria, e a instrução da bondade está na sua língua. 27 Atende ao bom andamento da sua casa e não come o pão da preguiça. 28 Levantam-se seus filhos e lhe chamam ditosa; seu marido a louva, dizendo: 29 Muitas mulheres procedem virtuosamente, mas tu a todas sobrepujas. 30 Enganosa é a graça, e vã, a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa será louvada. 31 Dai-lhe do fruto das suas mãos, e de público a louvarão as suas obras. 
Paulo nos diz que nossas habilidades vem de Deus:
1ª Co 4:7
Pois quem é que te faz sobressair? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias, como se o não tiveras recebido?
As capacidades que temos nos foram dadas por Deus e ele quer que as usemos (pense na parábola dos talentos).
1ª Co 7:20-24
 Cada um permaneça na vocação em que foi chamado.  21 Foste chamado, sendo escravo? Não te preocupes com isso; mas, se ainda podes tornar-te livre, aproveita a oportunidade.  22 Porque o que foi chamado no Senhor, sendo escravo, é liberto do Senhor; semelhantemente, o que foi chamado, sendo livre, é escravo de Cristo.  23 Por preço fostes comprados; não vos torneis escravos de homens.  24 Irmãos, cada um permaneça diante de Deus naquilo em que foi chamado.
Cada um deve permanecer na vocação em que foi chamado (vs.20, 24).
Ao mesmo tempo, em cada situação, cada pessoa deve procurar melhorar de vida (v.21).
Seja qual for a situação, devemos ter a consciência de pertencer a Cristo (v.22).
Estes são alguns exemplos que vemos nas Escrituras.
Elas nos mostram que em todo o trabalho há proveito (Pv 14:23), que todo trabalho honra a Deus, e que todo homem e mulher são chamados por Deus para trabalhar.
O conceito bíblico, então, é este: cada um de nós tem certas capacidades dadas por Deus, que devem ser cultivadas e exercidas através do trabalho, mesmo que seja em sua forma mais humilde.
Seja qual for, ou quais forem nossas habilidades e atividades, devemos entender como um chamado de Deus para uma vida produtiva e que honra o seu nome.
3. Eu desejo citar alguns motivos para nos dedicarmos de todo o coração ao nosso trabalho
Primeiro: quando trabalhamos considerando a vontade de Deus, entre outras coisas, estamos aprendendo a imitar Jesus.
Em certa ocasião, Jesus ensinou: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” [2].
Devemos trabalhar porque nosso Senhor é trabalhador. Ele trabalha sustentando todas as coisas pela Palavra do seu poder[3]. Ele é o Deus que trabalha para aquele que Nele espera[4]. Ele realizou um penoso trabalho da alma, para a nossa salvação, quando se entregou na cruz pelos nossos pecados[5]. Ele continua a trabalhar vivendo sempre para interceder por nós junto ao trono de seu Pai[6].
Jesus trabalha em todo o tempo, com dedicação e amor.
Quando trabalhamos, estamos seguindo o exemplo de nosso mestre.
Além disto, trabalhar é um meio de servir a Deus.
Eu gostaria de citar as instruções de Paulo aos servos e aos senhores, registradas em Ef 6:5-9.
Quanto a vós outros, servos, obedecei a vosso senhor segundo a carne com temor e tremor, na sinceridade do vosso coração, como a Cristo, 6 não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus; 7 servindo de boa vontade, como ao Senhor e não como a homens, 8 certos de que cada um, se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor, quer seja servo, quer livre.  9 E vós, senhores, de igual modo procedei para com eles, deixando as ameaças, sabendo que o Senhor, tanto deles como vosso, está nos céus e que para com ele não há acepção de pessoas.
Quer alguém seja servo ou senhor, empregado ou patrão, subalterno ou superior, pobre ou rico, seja qual for a nossa ocupação, aquilo que estamos fazendo, devemos entender como sendo para o Senhor, com o propósito de agradar-lhe.
Não temos que ser os melhores, mas temos que fazer o melhor que pudermos, pois é para o Senhor.
Em terceiro lugar, é um meio de realização pessoal - só nos sentimos realizados dentro da vontade de Deus.
Nós lemos no cap. 2 de Gênesis que, quando Deus criou o homem e a mulher, ele os colocou num jardim cheio de árvores frutíferas, para cultivá-lo e guardá-lo. Além disto, ele também deveria governar toda a terra.
Mesmo naquele tempo em que não havia pecado, e gozava da mais íntima comunhão com o Senhor, nossos primeiros pais trabalhavam, realizando também assim o propósito de Deus para eles.
Assim como não era bom que o homem estivesse só, também não seria bom que ele ficasse desocupado.
E por último, trabalhar é um meio de servir ao nosso próximo.
Ef 4:28
Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado.
Infelizmente, porque vivemos numa sociedade nem sempre justa, num mundo caído que nem sempre oferece oportunidades iguais para todos, não são todos os homens que podem desfrutar das alegrias de seu próprio trabalho – pessoas necessitadas existem, de muitas maneiras: órfãos, viúvas, trabalhadores empobrecidos, enfermos, e um número incontável de situações semelhantes.
Em relação a estas pessoas, nossa atitude deve ser a mesma do Senhor para conosco: ele é o Deus que acode aos necessitados.
E ele quer que o glorifiquemos sendo instrumentos de sua graça ajudando aqueles que por algum motivo estão padecendo necessidade.
Como está escrito em Provérbios,
“Quem se compadece do pobre ao SENHOR empresta, e este lhe paga o seu benefício” [7].
Conclusão
O nosso Criador e Redentor é “um Deus que trabalha”: trabalhou na criação do universo; “trabalha até agora” sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder; trabalha para todo aquele que espera na sua salvação.
E ao nos dar a honra de ser criados à sua imagem, deu-nos também dons e talentos para que, como ele, dediquemo-nos ao trabalho.
Trabalhar é um privilégio: é um meio de honrar a Deus, praticar o que é bom para a humanidade e nos sentirmos realizados.
Aplicações
Vamos pensar nalgumas implicações práticas deste assunto para cada um de nós
1. Primeiramente, você que está em época de escolha de profissão:
1.1 - Consagre-se a Deus (entre outras coisas, pergunte se ele não o quer no ministério da pregação do evangelho).
1.2 - Considere seus dons, as habilidades que Deus lhe tem dado.
1.3 - Considere o conselho dos pais, pois as Escrituras dizem que filhos que ouvem seus pais são pessoas bem sucedidas [8].
1.4 - Considere a providência de Deus, isto é, a maneira com ele está conduzindo sua vida numa ou noutra direção.
2. Em segundo lugar, você que já abraçou uma carreira:
2.1 – Naquilo que Deus te tem colocado, trabalhe com amor a Deus, para a sua glória.
2.2 – Trabalhe para o bem dos homens
2.3 – Faça o melhor possível
2.4 – Se de alguma forma Deus orientá-lo a mudar de trabalho, ou até mesmo profissão, faça-o na esperança de com isto trazer ainda mais glória ao nome de Deus.
Bem-aventurado aquele que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos! 2 Do trabalho de tuas mãos comerás, feliz serás, e tudo te irá bem[9].
Você será abençoado em tudo o que realizar.



[1] Estudo anteriormente intitulado “Nossa vocação vem de Deus”, de 1º de maio de 2011. Ampliada em 6 de novembro de 2014
[2] Jo 5:17
[3] Hb 1:3
[4] Is 64:4
[5] Is 53:11
[6] Hb 7:25
[7] Pv 19:17
[8] Pv 1:8; Pv 23:22; Ef 6:1-3, etc.
[9] Sl 128:1, 2

domingo, 2 de novembro de 2014

Tudo é nosso - até a morte - 1ª Co 3:21-23

IPC em Pda. de Taipas
Domingo, 2 de novembro de 2014
Pr. Plínio Fernandes                     Baixe em EPUB       Baixe em PDF       Baixe em PRC                   
Amados irmãos, vamos ler 1ª aos Coríntios 3:21-23.
Portanto, ninguém se glorie nos homens; porque tudo é vosso: 22 seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, sejam as coisas presentes, sejam as futuras, tudo é vosso, 23 e vós, de Cristo, e Cristo, de Deus.
Nos versículos que acabamos de ler, assim como em todos os seus escritos, o apóstolo Paulo não mede esforços para descrever a grandeza das riquezas espirituais herdadas por aqueles que amam a Deus.
Àqueles que, invocando o seu nome e sendo por ele santificados, confiam suas vidas ao Senhor Jesus Cristo, ele diz: “Tudo é vosso”. E enumera alguns aspectos que ilustram o que está dizendo:
Seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas – numa referência aos mestres que o Senhor tem dado para a edificação espiritual do seu povo.
Seja o mundo, com todas as maravilhas da criação...
Seja a vida, sejam as coisas do presente, sejam as coisas que ainda estão no futuro – tudo –, diz o apóstolo, tudo é vosso, tudo Deus deu para vocês.
E vocês pertencem a Cristo, e Cristo pertence a Deus.
Agora, em meio a todas as boas coisas mencionadas como sendo dons de Deus para nós, Paulo diz: a morte, numa referência óbvia à morte de nossos corpos; algo ao qual toda a humanidade está sujeita.
Desde que o pecado entrou no mundo, e com o pecado a morte, em todos os seus aspectos, a morte física é um grande mal para aqueles que não conhecem a Deus. Pois para aquele que não conhece a Deus a morte é sinônimo de perda, infelicidade e terror.
Mas não para aqueles que conhecem a Deus. Para os que conhecem a Jesus, a morte de seus corpos é um verdadeiro "dom de Deus", no sentido de que se torna em algo bom, que promove o seu bem estar.
Eu gostaria de citar umas poucas, das muitas razões que a Bíblia nos dá, pelas quais a morte é um dom de Deus para os crentes.
1. A morte para nós não é um momento de perda, mas de lucro.
Nós, os crentes em Jesus, amamos a vida que temos neste mundo, e vivemos cada dia nesta terra recebendo tudo quanto acontece como dádivas de um Deus santo, justo, amoroso e todo-poderoso.
Amamos nossas famílias, nosso trabalho, nossa igreja. Amamos os amigos, amamos a natureza, a humanidade; amamos o conhecimento, isto é, as muitas formas da ciência, como a medicina, a engenharia, a ciência espacial, a computação, as artes como a música, e tudo o mais.
Não há como descrever as maravilhas, a beleza de tudo quanto existe no mundo em que vivemos.
Mas nós também sabemos que tudo o que há de bom nesta vida nem se pode comparar com as coisas do mundo porvir.
O apóstolo Paulo, na prisão em que se encontrava pelo “crime de falar de Jesus”, sabia que poderia, por causa disto, até ser condenado à morte.
Entretanto, quando considerou que poderia morrer, isto não se tornou para ele um pensamento aterrorizador.
Vamos ver Fp 1:21-24
Para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Entretanto, se o viver neste corpo traz fruto para o meu trabalho, já não sei o que hei de escolher. Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor. Mas por vossa causa, creio que continuarei neste corpo.
Veja: “Para mim, morrer é lucro, porque morrer significa que eu estarei imediatamente com Cristo”.
Eu gosto muito daquela estória onde Jesus conta a morte de um homem justo que foi morar no reino dos céus: quando ele morreu, veio um anjo de Deus, e o conduziu[1].
Fico como tentando imaginar uma viagem maravilhosa: quem sabe, ele saindo do corpo, viajando pelos céus, conduzido pelo anjo, até chegar-se diante de Deus.
Não seria uma coisa linda?
Ou talvez seja como naquela estória em que um menininho perguntou para o seu pai:
- “Papai, como é a morte"?
E o pai respondeu:
- “Às vezes você adormece no sofá da sala, não é? Então o papai pega você no colo e leva para o seu quarto. No diz seguinte você acorda na sua cama. Assim também acontece quando morremos. Nós dormimos aqui, e acordamos no céu, juntinho de Jesus”.
Mas ainda que não saibamos como será esta viagem, amados, de uma coisa podemos ter certeza: o nosso destino é o céu, na presença de Jesus.
Por isto, a morte não é perda, nem terror, nem angústia para nós: é lucro.
Pare o crente, a morte é bênção, felicidade, bem aventurança por estar na casa do Pai.
2. Para o crente, a morte também é passagem para o descanso, nos diz o Senhor
Eu disse agora há pouco que este mundo é um lugar que o crente ama, no sentido de que ele entende que tudo quanto ele é, tudo quanto ele tem, tudo quanto lhe sucede, vem das mãos do Senhor.
Mas isto naturalmente não quer dizer que o amor do crente se limita às coisas desta vida, nem que ele não tenha pesares, sofrimentos e aflições neste mundo.
Ao contrário, como diz o profeta Miquéias, “aqui não é lugar de descanso”[2].
Por causa do pecado que há em cada um de nós, a vida neste mundo se torna trabalhosa, cansativa, no sentido de que temos de lutar contra as injustiças, e com nossas próprias limitações.
Mas quando chega o momento em que nosso Senhor envia seu anjo a nos buscar para o lar celeste, então descansamos de todas as nossas fadigas, e vamos para o lugar onde não há mais tristeza, dor, enfermidade, injustiça, morte, pois todas estas coisas ficam para trás.
Como disse Jesus a respeito de Lázaro, vamos para um lugar de consolo.
Agora, eu desejo destacar aquela passagem que nos conta sobre o malfeitor que se arrependeu, e se converteu a Jesus, mesmo no momento de sua morte. Está registrada no Evangelho de Lucas.
Lc 23:39-43
Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também.  40 Respondendo-lhe, porém, o outro, repreendeu-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença?  41 Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez.  42 E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino.  43 Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.
A este homem que, crucificado ao seu lado, e arrependido de seus pecados, voltou-se para Jesus suplicando-lhe de sua salvação, nosso Senhor respondeu: “Em verdade te digo que hoje mesmo estarás comigo no Paraíso”.
Há tanto o que aprendemos aqui; coisas de importância eterna.
Pois vemos, por exemplo, que a salvação não é algo que o homem possa alcançar depois de uma vida de boas obras – pois que boa obra este malfeitor, digno de morte, poderia apresentar a Deus?
A salvação se alcança através do arrependimento e fé em Jesus.
E vemos também qual é o destino dos salvos: o paraíso, juntamente com Jesus.
Esta palavra, “paraíso”, é usada em mais dois lugares no Novo Testamento: Ap 2:7 e 2ª Co 12:4.
Vamos ler o texto de 2ª Co 12:2-4
Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos, foi arrebatado até ao terceiro céu (se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe) 3 e sei que o tal homem (se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe) 4 foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir.
Paulo está contando de uma experiência pela qual passara.
No v. 2 ele diz que foi arrebatado até o terceiro céu, e no v. 4, chama a este lugar de paraíso.
E o paraíso é um lugar tão maravilhoso, as coisas que são ditas ali são inexprimíveis em linguagem humana.
Então, para o crente, a sua própria morte não é motivo de temor, pois ele sabe que ela não é uma passagem para a inconsciência, nem a passagem para o infortúnio, mas a passagem para a presença visível do Senhor Jesus, é o caminhar para aquele lugar que, na expressão de Jesus, é a casa do Pai, o lugar amplo e espaçoso, onde há muitas moradas preparadas pelo Salvador.
3. A morte de um crente é também o momento de ele receber sua recompensa
Vamos ler Ap 14:13
Então, ouvi uma voz do céu, dizendo: Escreve: Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham.
Nós sabemos que não vamos morar no lar celestial graças às nossas obras.
O Espírito Santo nos ensina na Bíblia que somos salvos pela graça de Deus, através de nossa fé em Jesus Cristo; que a salvação é dom de Deus, não de obras, para que ninguém se orgulhe de si mesmo.
Mas, ao mesmo tempo, o crente sabe que não se chegará diante do trono de Deus com suas mãos vazias, sem nada para oferecer ao seu Senhor - suas obras o seguirão.
As obras que realizou neste mundo em nome do Senhor, por amor ao Senhor.
O crente se chegará diante de seu Deus com sua obediência à Palavra de Deus.
Chegar-se-á com sua perseverança, com seu amor, com sua dedicação, com sua fé.
Chegar-se-á com seu bom testemunho, com suas palavras de sabedoria.
Com suas orações, que subiram como incenso: por seus familiares, por sua igreja, por seus pastores.
E receberá a sua recompensa - por isto o Salmo 116 também diz que preciosa é morte do Senhor aos seus santos (v. 15).
Conclusão e aplicação
Amados do Senhor, a morte de nossos corpos não é para nós uma maldição, mas uma vez que estamos em Cristo, até mesmo ela é uma das grandes bênçãos do amor de Deus por nós.
Mas esta morte, assim como muitas outras coisas, é uma bênção temporária, pois dará lugar a uma bênção maior ainda.
Há um dia, determinado por Deus, em que "a própria morte morrerá", isto é, deixará de existir;  será o dia da nossa ressurreição, em que Jesus voltará.
E eu gostaria de concluir nossa meditação lendo mais uma passagem da Palavra de Deus.
Dn 12:1-3
Nesse tempo, se levantará Miguel, o grande príncipe, o defensor dos filhos do teu povo, e haverá tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas, naquele tempo, será salvo o teu povo, todo aquele que for achado inscrito no livro.  2 Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno.  3 Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que a muitos conduzirem à justiça, como as estrelas, sempre e eternamente.
Esta palavra “muitos”, no v. 2, é melhor traduzida por “os muitos” [3].
Os muitos que dormem no pó da terra ressuscitarão: uns para a vida eterna, e outros para horror e desprezo eternos.
1. Se você é um crente em Jesus
Pense na morte como um dia de consolo, de encontro, de superação, de recompensa e de vitória.
Mas pense também em quantos você conhece que não estão preparados. Ore, dê um bom testemunho para que outros possam crer através da tua vida; fale de Jesus, para que outros possam ser salvos.
Pois os que forem sábios, diz a Palavra de Deus, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que a muitos conduzirem à justiça, como as estrelas, sempre e eternamente.
2. Mas e os que não são crentes em Jesus?
Temos dito, deste o começo, que para muitas pessoas, a morte significa perda, infortúnio e horror.
Mas não precisa ser assim: para os crentes em Jesus, os que se arrependem de seus pecados e se submetem a ele como seu Deus e Salvador, a morte é transformada em bênção, em passagem para a vida de eterna felicidade no Paraíso de Deus.
Alguns anos atrás eu conheci um homem que estava perdido em seus pecados.
Sua mãe era uma piedosa crente em Jesus, que muito orava e chorava por seu filho, mas ele não queria se converter ao Senhor. Amava as drogas, o cigarro, o álcool, amava o adultério, e estava caminhando para o inferno.
Mas um dia sua mãe faleceu. Naquela noite, sua filhinha lhe perguntou: “Papai, para onde foi a vovó”?
E ele disse: “Para o céu”.
Então ela perguntou: “Vamos também”?
Ele tornou a respondeu: “Vamos”.
Levantou-se, pegou uma Bíblia, sentou-se ao lado da filhinha e começou a ler para ela. No domingo seguinte foram à igreja e começou a seguir a Jesus.
Hoje ele está preparado: Bem-aventurados os que morrem no Senhor!



[1] Lc 16:19-31
[2] Mq 2:10
[3] Veja Baldwin, pág. 216.
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