Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

domingo, 31 de julho de 2016

A igreja com a porta fechada - Ap 3:14-22

IPC de Pda. de Taipas
Domingo, 31 de julho de 2016
Pr. Plínio Fernandes
Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: 15 Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente!  16 Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; 17 pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu.  18 Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas.  19 Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te.  20 Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.  21 Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono.  22 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
  Em nossa mensagem anterior, meditamos sobre a carta que o Senhor Jesus enviou à humilde e valorosa igreja de Filadélfia .
  Aquela amada igreja que, embora pequena e cercada pelas tribulações de uma cidade hostil ao evangelho, permaneceu fiel à Palavra de Deus, e dava um forte testemunho de sua fé.
  A esta igreja o Senhor Jesus, que abre as portas do reino dos céus, anunciou:
  – Eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, que ninguém fechará...
  Isto é, ninguém poderia impedir o testemunho daquela igreja diante do mundo.
  Mas a sudoeste de Filadélfia, estava a cidade de Laodicéia. Uma cidade muito próspera, porque era um dos centros comerciais da região. Também era conhecida pelo seu ouro, além de ser produtora de uma lã negra, muito apreciada, e também por seu colírio. Estas coisas faziam deles uma cidade rica e abastada.
  E nesta cidade próspera, os cristãos também eram gente próspera, mas não espiritualmente.
  No v. 17, o Jesus descreve a maneira como eles se sentiam, mas não era o mesmo sentimento do   Senhor.
  Eles se sentiam ricos e abastados, que não precisavam de mais nada. Mas Jesus não os via assim. Ao contrário, os via como uma igreja pobre, infeliz, espiritualmente cega.
  Ao contrário de sua pequena irmã em Filadélfia, a igreja de Laodicéia não estava guardando a Palavra de Jesus; não estava dando um bom testemunho, confessando o nome de Jesus diante do mundo.
  A esta igreja Jesus não diz: – “Eis que ponho diante de ti uma porta aberta”.
  Ele diz: – “Eis que estou à porta e bato...”
  Jesus estava se sentindo do lado de fora daquela igreja, do lado de fora do coração daquelas pessoas.
  Imagine uma igreja reunida, cantando:
  Deus está aqui, tão certo como o ar que seu respiro...
  E Jesus dizendo: – “Eis que estou à porta e bato...”
  Imagine os crentes orando: – “Senhor, estamos reunidos em teu nome, e tu estás nosso meio...”
  E Jesus do lado de fora, batendo à porta. Por isto Jesus diz que eram cegos e necessitados.
  Se a igreja de Filadélfia era a igreja com a porta aberta por Jesus, Laodicéia era a igreja com a porta fechada para Jesus.
  1. Vejamos mais detidamente o problema da igreja de Laodicéia
  Leiamos novamente o v. 15
Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente!  
  Não és frio nem quente.
  Em Éfeso, o amor dos crentes havia esfriado.
  Em Filadélfia, a igreja era cheia de amor.
  Em Laodicéia, eles não eram frios, nem quentes.
  Eram um grupo de crentes cujo coração estava dividido.
  Como é um crente de coração dividido?
  Um pouco, quer servir a Deus, um pouco, quer servir ao mundo.
  Um pouco, quer santificação. Um pouco, quer andar nos prazeres da carne.
  Um pouco, crê na Palavra de Deus. Um pouco, vive na incredulidade e desobediência.
  E assim está dividido.
  Vai à igreja, mas procura alegria em diversões mundanas e sensuais.
  Louva a Deus, mas com os mesmos lábios fala palavrões, conversas chulas e indecentes.
  Canta hinos, mas com a mesma boca reclama da vida, reclama do trabalho, da família, fala mal dos irmãos.
  Pede a Deus que lhe mostre o seu querer, mas ao mesmo tempo desobedece à Palavra de Deus.
  Pois toma o nome do Senhor em vão.
  Levanta ídolos em seu coração.
  Profana o dia do Senhor.
  Rouba o Senhor.
  É desonesto nos negócios.
  Não perdoa os que o ofendem.
  Dá mau testemunho por sua vida descaridosa.
  Quer que a igreja cresça, mas não se dedica, não quer negar-se a si mesmo pelo reino de Deus. Não quer tomar a sua cruz.
  E muitas coisas semelhantes.
  E o pior de tudo: é como um cego que não quer ver. Acha que está tudo bem.
  Não sabe que é miserável, cego, e nu. Está acomodado.
  E meu irmão, com uma pessoa acomodada há pouca coisa que se possa fazer.
 Mas Jesus não desiste de ninguém. E também sabe que sua Palavra é poderosa para levantar até mesmo os que estão mortos.
  Por isto ele envia sua Palavra a estes crentes mornos, a fim de que saiam daquela cegueira espiritual.
  2. Então vejamos agora a Palavra de Jesus a esta igreja
  2.1. Primeiro, ele descreve sua insatisfação
vs. 15b, 16 – Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca.
 Antigamente, muitas pessoas usavam água morna como vomitório, quando sentiam alguma indisposição digestiva.
  Pois água morna “deixa enjoado", provoca vômito.
  Jesus diz que aqueles crentes mornos, por seus corações divididos, por seu comodismo, por sua falta de fé e amor, por seu mundanismo, estavam-no deixando com nojo, a ponto de querer vomitá-los.
  Faz lembrar as palavras do Senhor através dos profetas, Isaías, por exemplo, nas quais ele se queixa de cultos solenes a Deus associados a vidas cheias de pecado. Então o Senhor diz:
 – Não quero mais os cultos de vocês. Eu quero vida reta. Eu quero justiça, misericórdia e humildade. Não suporto mais a vida que vocês estão levando. .[1]
  Assim estava o Senhor Jesus em relação a Laodicéia.
  2.2. Em seguida, ele aconselha
v. 18 – Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas.
  Embora a palavra "aconselho-te", usada em nossas traduções, seja boa, neste contexto aqui ela tem mais o sentido de exortação, advertência. Porque o tom inteiro é de repreensão, conforme o Senhor diz depois, no v. 19.
  Cada uma destas frases deste conselho de Jesus, é no sentido de que os crentes mornos se desviassem daquelas coisas mundanas que os afastavam do fervor espiritual.
  – Compre ouro de mim. Ajunte tesouros no céu. Não tenha sua riqueza no dinheiro que perece, que o ladrão pode roubar, que a ferrugem pode corroer. Tenha seus tesouros na eternidade.
  – Compre vestiduras brancas, porque você está nu, e é vergonhoso. Não se impressione com a lã negra, cara, apreciada, usada com ostentação e vaidade, orgulho desta cidade, mas que não tem valor algum para os que vão entrar na festa do céu.
  – Lave suas vestiduras no sangue precioso do cordeiro. Purifique-se de seus pecados.
 – Você também precisa de colírio para estes olhos cegos. Mas não o colírio prescrito pelo oftalmologista. Você precisa de colírio para os olhos da alma, que dão visão, entendimento espiritual, que só eu tenho. Só eu posso abrir os teus olhos para que você veja as maravilhas da minha lei.
  2.3. A motivação
  Porque Jesus diz que está a ponto de “vomitar estes crentes”?
  Porque ele os chama de miseráveis, cegos, nus?
  Porque ele diz que o estado espiritual deles é vergonhoso?
v. 19 - Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te.  
  Quando Jesus dirigiu-se à igreja de Filadélfia, destacou que era uma igreja amada por ele.
  Mas neste sentido, a igreja de Laodicéia era igual, pois, embora infiel, era também amada pelo Senhor.
  Um pai repreende ao filho a quem ama.
  Assim, as palavras do Senhor são fortes, porque forte é o seu amor.
  Forte era a necessidade de arrependimento daquela igreja.
  E forte era também a esperança no coração do Senhor, no sentido de que eles ouvissem sua Palavra poderosa, e se arrependessem.
  Conclusão e aplicação
v. 20 - Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.  
 Amados, geralmente tomamos estas palavras do Senhor para nos dirigirmos aos que ainda não creem, procurando persuadi-los a abrirem seus corações para Jesus.
  E é uma aplicação correta, pois a Palavra de Deus é dirigida a todos os homens.
 Mas no contexto em que foram ditas pela primeira vez, estavam sendo dirigidas a uma igreja. E Jesus estava do lado de fora de suas vidas, embora eles estivessem simplesmente seguindo seus atos costumeiros de culto.
  Pois eram pessoas acomodadas, espiritualmente mornas, satisfeitas com seu baixo nível espiritual.
  Mas Jesus, que ama esta igreja, estava profundamente insatisfeito, e chama ao arrependimento.
  Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.


[1] Is 1:1-20

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Vida genuína - Ap 3:1-6

IPC de Pda. de Taipas
Domingo, 17 de julho de 2016
Pr. Plínio Fernandes
Ao anjo da igreja em Sardes escreve: Estas coisas diz aquele que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto.  2 Sê vigilante e consolida o resto que estava para morrer, porque não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus.  3 Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te. Porquanto, se não vigiares, virei como ladrão, e não conhecerás de modo algum em que hora virei contra ti.  4 Tens, contudo, em Sardes, umas poucas pessoas que não contaminaram as suas vestiduras e andarão de branco junto comigo, pois são dignas.  5 O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu nome do Livro da Vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.  6 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
Esta é a quinta, das sete cartas que Jesus enviou às igrejas da Ásia menor, através de seu servo João.
São preciosas e verdadeiras cartas de amor enviadas por Jesus, nas quais ele está encorajando, corrigindo, repreendendo suas queridas igrejas, as quais ele segura em sua mão, nas quais seu Espírito se faz presente, a fim de que elas perseverem em sua vida de fé, amor e esperança. Desta maneira ele as está preparando para o dia de sua vinda.
E não somente aquelas antigas igrejas. Pois ele deixa claro aqui em Apocalipse que este livro foi escrito para todo o seu povo, e cada uma de todas as suas igrejas.[1]
Este livro foi escrito para nós.
Pois bem; em todas as cartas anteriores, vimos que as igrejas daquela região estavam vivendo dias de intensas batalhas espirituais contra as forças do mal que desejavam destruí-las: havia a perseguição religiosa, tanto da parte dos judeus hostis a Jesus, quanto das autoridades do império romano, com toda a sua idolatria.
E também havia os conflitos internos, os falsos ensinos de mestres que, dizendo-se cristãos, desviavam os crentes da doutrina de Jesus.
Então, a cada uma destas igrejas, o Senhor Jesus dirige sua Palavra, a fim de endireitar o que estava errado, bem como para encorajar a fé.
Agora, os cristãos da cidade de Sardes não estavam passando os mesmos problemas que seus irmãos da região: embora localizada numa cidade idólatra e moralmente devassa, não havia qualquer perseguição contra eles. Também não é mencionada qualquer falsa doutrina.
Além disto, eles tinham a fama de serem uma igreja “viva”.
– “Tens nome de que vives...”, disse o Senhor.
Era uma igreja aparentemente ativa, vibrante, atuante, envolvida nas coisas de Deus. No dia a dia de uma igreja do final do século I, eles praticavam os seus atos de culto com liberdade e tranquilidade: o ensino e pregação, os cânticos e orações, o exercício de seus dons, a ceia do Senhor, os batismos, as obras de caridade (embora a cidade fosse próspera), tudo era feito em paz.
Mas Jesus é aquele que não somente tem as sete estrelas, isto é, as sete igrejas, em sua mão. Ele também tem os sete Espíritos de Deus, quer dizer, é aquele que está espiritualmente presente em cada uma de suas igrejas.
No cap. 5, esta presença também é chamada “sete olhos”, que está não somente na igreja, mas em toda a terra.[2]
E ele, que enxerga não com olhos da carne, mas com os olhos do Espírito, vê que aquela vida da igreja de Sardes era apenas aparente. Não podia ser considerada vida espiritual de verdade.
“Tens nome de que vives, mas estás morto...”
Mas, se de um lado, os cristãos de Sardes aparentemente não tinham batalhas a vencer, por outro lado haviam se tornado espiritualmente frios, relapsos e acomodados.
Pareciam vivos, mas a não ser uns poucos fiéis, a maioria deles estava espiritualmente morta.
Daí a repreensão do Senhor.
Nesta carta à igreja de Sardes, meus irmãos, Jesus está nos ensinando sobre a necessidade de uma vida espiritual real, e não apenas aparente. É sobre isto que vamos falar.

1. Jesus nos ensina que vida espiritual verdadeira não é constituída apenas de sinais exteriores

v.1 – Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto.
Em certa ocasião nosso Senhor disse uma frase memorável a respeito de seu propósito em vir ao mundo:
– “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância”.[3]
Vida plena, construtiva, feliz, livre. Vida que seja um reflexo, ou antes, uma retomada em direção àquelas incontáveis bênçãos que foram dadas aos nossos primeiros pais na criação do mundo.
Vida que nos foi tirada quando o pecado entrou na história da humanidade.
E assim, quando veio o Senhor, nós, que estávamos espiritualmente mortos em nossos delitos e pecados,[4] por meio da fé em Jesus fomos livres da condenação, e passamos da morte para a vida.
Jo 5:24
Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.
Esta é a promessa e a realidade de todos os crentes em Jesus. Não estão mais sob a condenação da lei divina; não estão mais sob a escravidão de sua própria vontade ao pecado; não estão mais sob o jugo de Satanás; não estão mais condenados à morte.
O crente passou da morte para a vida abundante, livre, abençoada e eterna.
Mas a Palavra de Jesus à igreja de Sardes é severa:
– “Tens nome de que vives, e estás morto”.
– “Você é conhecido como quem está espiritualmente vivo, mas na verdade não está”.
Estou pensando numa coisa que vi muitos anos atrás. Eu era apenas um menino.
Um homem estava me mostrando um lagarto que acabara de matar. O lagarto estava sem a cabeça, mas o corpo todo estava se mexendo. Eu pensei: – “Acho que ele ainda está vivo”. E ainda se passaram alguns minutos até que parasse der se mexer. Mas o fato é que o lagarto já havia morrido quando sua cabeça foi esmagada. Pra mim, o pobre animalzinho ainda parecia vivo, mas estava morto.
Assim também Jesus diz que quando outras pessoas olhavam para aquela igreja, ela parecia estar viva.
– Conheço as tuas obras.
Veja: a fé sem obras é morta.[5] E naquela igreja, obras não faltavam.
Havia várias, e que sabe, muitas atividades.
Havia reuniões, serviços de culto, trabalhos, orações, e tudo o mais que você possa descrever como atividades prescritas na Bíblia, para a igreja. A igreja tinha seus líderes espirituais. Tinha o seu pastor. Certamente tinha os seus diáconos e tudo o mais.
Tinha aparência.
Me faz pensar também naquela figueira que Jesus encontrou na beira da estrada, e desejando comer alguma coisa, foi procurar pra ver se nela havia algum fruto; mas não encontrou nada. A figueira só tinha aparência, mas não tinha figos.[6]
Assim acontecia com a igreja de Sardes.
Amados, a lição é óbvia: forma externa de trabalhos, multiplicidade de afazeres, encontros, relatórios de atividades, número de estudos bíblicos, e muitas coisas semelhantes, tudo isto, por si só, não quer dizer nada.
Pode ser que uma igreja faça todas estas coisas e muito mais, e ainda assim, ser uma igreja espiritualmente morta.
Pode ser que se manifestem dons espirituais dos mais variados, coisas que chamem e prendam a atenção dos de fora. Pode ser uma igreja dinâmica, que se considera avivada, mais ainda assim ser viva só de nome.
Pode ser que uma igreja tenha bons pregadores, música de qualidade, organização, e ainda assim não ter vida.
Pode ser que um crente seja visto como um “bom cristão”, mas que sua “bondade cristã” seja só de aparência.
Este era o caso da igreja de Sardes.
Jesus tem um discernimento melhor do que qualquer ser humano poderia ter. E quando ele olhava para aquela igreja, não via vida espiritual genuína.
Mas vamos ao segundo ponto.

2. Jesus também nos ensina que é vida espiritual verdadeira

E quanto a isto há dois aspectos ensinados pelo Senhor.
Primeiro: vida espiritual verdadeira é constituída de integridade na presença de Deus
No v. 2, Jesus descreve uma das razões pelas quais aquela igreja não tinha vida.
– Sê vigilante e consolida o resto que estava para morrer, porque não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus
A palavra “íntegras”, na maior parte das versões que temos, é “perfeitas”. É a tradução de uma palavra grega que significa “pleno, completo, inteiro”.
A ideia que ela transmite é que estes cristãos eram gente sem inteireza nas coisas que faziam para Deus.
Em outros textos nós vemos exortações no sentido de que devemos ser “inteiros” diante de Deus.
Por exemplo, em Gn 17:1, disse o Senhor a Abraão:
– “Eu sou o Deus Todo-Poderoso. Anda na minha presença e sê perfeito”.
Em Mt 5:8, o Senhor Jesus no exorta:
– “Portanto, sede vós perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celeste”.
Jesus diz isto num contexto em que nos ensina a imitar o amor de Deus. Implica em aprender com o nosso Pai celestial, estar com ele.
Por outro lado, falando de um modo negativo, o profeta Isaías descreve uma adoração que não agradava ao Senhor, dizendo:
– Este povo honra-me com os lábios, mas o coração está longe de mim.[7]
Isto é, com a boca estavam louvando, mas por dentro, não havia verdadeira adoração.
O que é ser inteiro, ou perfeito, diante de Deus? É fazer as obras de Deus como quem anda com ele, como quem olha para ele, como quem percebe e sente a sua presença. É fazer todas as coisas com todo o coração, toda a alma, todo o entendimento, todas as forças.
Como resultado de conhecer, amar e andar com Deus.
Colocando de forma negativa, é viver sem comodismo, sem frieza, sem relaxo, pois como diz o profeta Jeremias,
“...maldito é aquele que fizer a obra do Senhor relaxadamente”.[8]
É fazer a obra do Senhor com temor do Senhor no coração.
Segundo: vida espiritual verdadeira significa andar em dignidade, em santidade diante de Deus.
No v. 4, ele descreve umas poucas pessoas da igreja de Sardes que permaneceram assim.
v. 4 – Tens, contudo, em Sardes, umas poucas pessoas que não contaminaram as suas vestiduras e andarão de branco junto comigo, pois são dignas.
Em outros lugares, e mais especialmente no Apocalipse, a Palavra de Deus se descreve a salvação e a santidade como “vestiduras limpas”.
Por exemplo, em 7:9
Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos.
Aqui “vestiduras brancas” revela a pureza daqueles que estarão diante do trono do Senhor Jesus.
No v. 14 ele explica que são, e como estas pessoas foram purificadas.
Respondi-lhe: meu Senhor, tu o sabes. Ele, então, me disse: São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro.
Quando uma pessoa recebe o Espírito do Senhor Jesus em sua vida, então suas vestes são purificadas pelo precioso sangue de Jesus. E daí por diante ela anda deve andar nesta santidade e pureza.
Mas se menosprezar o sangue de Jesus, e deixar a contaminação do pecado sujar suas vestes, estará contrariando a natureza de sua vida espiritual. Se nisto persistir, como diria Pedro, será como um cão que voltou ao próprio vômito, como um animal imundo que tem prazer na lama e volta para ela.[9]
Assim, poucas pessoas da igreja em Sardes faziam parte desta numerosa multidão, pois estavam vivendo de modo contaminado.
Vamos ao último ponto.

3. Jesus nos ensina como manter vida espiritual verdadeira, ou, se ela estiver perecendo, como reavivá-la

Primeiro, “sê vigilante” (v. 2). Isto é, acorde. Saia deste sono. Desperte.
Tome consciência de sua letargia espiritual. Perceba que isto não é sadio. Perceba que isto não é normal. Perceba sua falta.
Jesus ilustra a necessidade de vigilância com a figura de um homem dormindo. Se um homem estiver acordado, e alguém tentar entrar para roubar sua casa, o homem vigilante, alerta, reagirá. Mas aquele que está dormindo é pego de surpresa.
Para os que não estão espiritualmente vigilantes, diz o Senhor, a sua vinda será como a de um ladrão, isto é, na hora em que o homem não está preparado, e assim será uma vinda de juízo, e não de alegria.
Então, ele diz, sê vigilante. Pastor, sê vigilante, e consolida o resto que estava para morrer. Igreja, sê vigilante.
Segundo: coloque em prática aquilo que você tem ouvido (v. 3).
Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te. Porquanto, se não vigiares, virei como ladrão, e não conhecerás de modo algum em que hora virei contra ti.  
Pois o que é apenas uma pessoa que ouve a Palavra, mas não a pratica, é como um homem tolo que edifica a sua casa sobre a areia, sem alicerces. Quando vem a provação, quando chega a hora do juízo, ou da angustia, quando a sua fé é provada, não permanece na presença de Deus.[10]
Veja a promessa para os que vencem esta terrível frieza da alma:
Ele será vestido de vestiduras brancas. Como uma bonita noiva, adornada para o dia do seu casamento, ele será no dia da vinda do seu Senhor.
O seu nome, de modo nenhum será apagado Livro da Vida.
O próprio Senhor Jesus dará testemunho a seu respeito diante do Pai celeste, e diante dos seus anjos.  

Conclusão e aplicação

O que é vida espiritual genuína?
Não é apenas obras, atividades externas, religiosidade.
É vida interior, íntegra, na presença de Deus.
É vida de santidade. É andar de vestiduras brancas na presença do Senhor. Vestiduras lavadas no sangue precioso do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
É vida segundo a Palavra de Deus.
É praticar aquilo que temos recebido
Amado, que o Senhor Jesus, ao olhar para você, encontre vida.
Mas, e se não for assim? E se suas vestiduras não estiverem limpas?
Você não precisa sair daqui assim, nesta noite.
Pois a Palavra final do Senhor à sua igreja é sempre um convite da graça. Basta que você ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ouça. Guarde, mude, busque ao Senhor.



[1] 1:1-3; 2:7; 22:17-21
[2] 5:6
[3] Jo 10:10
[4] Ef 2:1-3
[5] Tg 2:26
[6] Mc 11:13
[7] Is 29:13
[8] Jr 48:10
[9] 2ª Pe 2:22
[10] Mt 7:26
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