Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

domingo, 14 de junho de 2015

Hoje é tempo de boas novas - 2º Rs 7:9

IPC de Pda. de Taipas
Manhã de domingo, 24 de maio de 2015
Pr. Plínio Fernandes
Meus irmãos, vamos ler no 2º livro dos Reis, o cap. 7
Então, disse Eliseu: Ouvi a palavra do SENHOR; assim diz o SENHOR: Amanhã, a estas horas mais ou menos, dar-se-á um alqueire de flor de farinha por um siclo, e dois de cevada, por um siclo, à porta de Samaria.  2 Porém o capitão a cujo braço o rei se apoiava respondeu ao homem de Deus: Ainda que o SENHOR fizesse janelas no céu, poderia suceder isso? Disse o profeta: Eis que tu o verás com os teus olhos, porém disso não comerás.  3 Quatro homens leprosos estavam à entrada da porta, os quais disseram uns aos outros: Para que estaremos nós aqui sentados até morrermos?  4 Se dissermos: entremos na cidade, há fome na cidade, e morreremos lá; se ficarmos sentados aqui, também morreremos. Vamos, pois, agora, e demos conosco no arraial dos siros; se nos deixarem viver, viveremos; se nos matarem, tão-somente morreremos.  5 Levantaram-se ao anoitecer para se dirigirem ao arraial dos siros; e, tendo chegado à entrada do arraial, eis que não havia lá ninguém.  6 Porque o Senhor fizera ouvir no arraial dos siros ruído de carros e de cavalos e o ruído de um grande exército; de maneira que disseram uns aos outros: Eis que o rei de Israel alugou contra nós os reis dos heteus e os reis dos egípcios, para virem contra nós.  7 Pelo que se levantaram, e, fugindo ao anoitecer, deixaram as suas tendas, os seus cavalos, e os seus jumentos, e o arraial como estava; e fugiram para salvar a sua vida.  8 Chegando, pois, aqueles leprosos à entrada do arraial, entraram numa tenda, e comeram, e beberam, e tomaram dali prata, e ouro, e vestes, e se foram, e os esconderam; voltaram, e entraram em outra tenda, e dali também tomaram alguma coisa, e a esconderam.  9 Então, disseram uns para os outros: Não fazemos bem; este dia é dia de boas-novas, e nós nos calamos; se esperarmos até à luz da manhã, seremos tidos por culpados; agora, pois, vamos e o anunciemos à casa do rei.  10 Vieram, pois, e bradaram aos porteiros da cidade, e lhes anunciaram, dizendo: Fomos ao arraial dos siros, e eis que lá não havia ninguém, voz de ninguém, mas somente cavalos e jumentos atados, e as tendas como estavam.  11 Então, os porteiros gritaram e fizeram anunciar a nova no interior da casa do rei.  12 Levantou-se o rei de noite e disse a seus servos: Agora, eu vos direi o que é que os siros nos fizeram. Bem sabem eles que estamos esfaimados; por isso, saíram do arraial, a esconder-se pelo campo, dizendo: Quando saírem da cidade, então, os tomaremos vivos e entraremos nela.  13 Então, um dos seus servos respondeu e disse: Tomem-se, pois, cinco dos cavalos que ainda restam na cidade, pois toda a multidão de Israel que ficou aqui de resto terá a mesma sorte da multidão dos israelitas que já pereceram; enviemos homens e vejamos.  14 Tomaram, pois, dois carros com cavalos; e o rei enviou os homens após o exército dos siros, dizendo: Ide e vede.  15 Foram após eles até ao Jordão; e eis que todo o caminho estava cheio de vestes e de armas que os siros, na sua pressa, tinham lançado fora. Voltaram os mensageiros e o anunciaram ao rei.  16 Então, saiu o povo e saqueou o arraial dos siros; e, assim, se vendia um alqueire de flor de farinha por um siclo, e dois de cevada, por um siclo, segundo a palavra do SENHOR.  17 Dera o rei a guarda da porta ao capitão em cujo braço se apoiara, mas o povo o atropelou na porta, e ele morreu, como falara o homem de Deus, o que falou quando o rei descera a ele.  18 Assim se cumpriu o que falara o homem de Deus ao rei: Amanhã, a estas horas mais ou menos, vender-se-ão dois alqueires de cevada por um siclo, e um de flor de farinha, por um siclo, à porta de Samaria.  19 Aquele capitão respondera ao homem de Deus: Ainda que o SENHOR fizesse janelas no céu, poderia suceder isso, segundo essa palavra? Dissera o profeta: Eis que tu o verás com os teus olhos, porém disso não comerás.  20 Assim lhe sucedeu, porque o povo o atropelou na porta, e ele morreu.
A história que temos aqui em 2º Rs 7 aconteceu nos dias de Eliseu, o profeta, que viveu em Samaria, o reino do norte em Israel, cujo rei se chamava Jorão.
A cidade estava cercada pelos inimigos, os sírios, e por causa deste cerco que já se prolongava havia muito tempo, seus habitantes estavam passando fome. A julgar pelas circunstâncias, não demoraria para que a cidade fosse conquistada.
Mas então, cf. o v. 1, veio a palavra do Senhor ao profeta Eliseu, e ele mandou dizê-la ao rei:
– “Amanhã, a estas horas mais ou menos, dar-se-á um alqueire de flor de farinha por um siclo, e dois de cevada, por um siclo, à porta de Samaria”.
Um alqueire era uma medida de aproximadamente 6 litros. E o siclo uma moedinha de prata.
Quer dizer: uma mudança muito grande e abençoada estava por acontecer, pois no dia seguinte haveria abundância de alimentos; tantos que ficariam muito baratos e fáceis de encontrar.
Entre as pessoas a quem Eliseu falou havia um capitão do exército, o “braço direito” do rei; e ele não acreditou no que o profeta estava dizendo.
O v. 2 nos diz que ele respondeu: – “Isto é impossível. Não aconteceria nem mesmo se Deus fizesse janelas no céu e derramasse comida de lá”.
E disse Eliseu: –“Acontecerá sim, pois foi o Senhor quem prometeu. Você verá isto com os teus próprios olhos. Mas por que você não acreditou na Palavra de Deus, não comerá nada”.
Na porta da cidade estavam quatro homens leprosos.
A lepra é uma doença infecciosa, crônica, que produz manchas e nódoas na pele. Muitas vezes ela causa destruição dos tecidos e mutilação dos membros.
Eu já vi muitos leprosos. É horrível uma pessoa sentir que seu corpo está se deteriorando.
Nos tempos antigos, uma pessoa leprosa era colocada à parte da sociedade, pois havia o medo de contágio de doenças cuja cura era desconhecida.
E de acordo com a lei de Moisés, uma pessoa leprosa deveria ser considerada cerimonialmente impura; daí que uma pessoa leprosa era considerada como tendo pecado gravemente contra Deus, de tal forma que não podia aproximar-se das coisas sagradas.
Mas então, aqueles leprosos que estavam na porta da cidade disseram uns aos outros: – “Para que ficamos nós sentados aqui até morrermos? Se dissermos: Entremos na cidade; há fome na cidade, e morreremos aí; e se ficarmos sentados aqui, também morreremos. Vamos para o arraial dos sírios; se eles nos deixarem viver, viveremos; e se nos matarem, é o máximo que pode acontecer”.
Então, ao anoitecer, eles se levantaram e foram ao acampamento dos sírios; mas lá chegando, não havia ninguém.
Porque Deus fizera com que os sírios ouvissem um ruído de carros e de cavalos, como de um grande exército; de maneira que disseram uns aos outros:
– “O rei de Israel alugou contra nós os reis dos heteus e os reis dos egípcios, para virem sobre nós”.
Pelo que se levantaram e fugiram, deixando as suas tendas, os seus cavalos e os seus jumentos; fugiram para salvar suas vidas.
Quando os leprosos chegaram ali, entraram numa tenda, comeram e beberam; e dela pegaram prata, ouro e roupas, e os esconderam; depois voltaram, entraram em outra tenda, e dali também tomaram mais coisas e as esconderam.
Mas então alguém caiu em si, e disse: – “Não fazemos bem; este dia é dia de boas novas, e nós nos calamos. Se esperarmos até a luz da manhã, algum castigo nos sobrevirá; vamos à cidade para dar a boa notícia”.
Assim eles foram e gritaram nos portões da cidade, contando o que havia acontecido. Os porteiros mandaram anunciar no palácio.
O rei enviou homens para verificar, e eles voltaram dizendo que os sírios de fato haviam fugido.
O povo saiu ansioso da cidade, e saqueou o arraial dos sírios. Assim houve fartura: uma medida de farinha por um siclo e duas medidas de cevada por um siclo, conforme a palavra do Senhor.
O rei havia colocado à porta aquele capitão do exército que não havia crido na profecia; e o povo estava tão desesperado para comer que atropelou na porta, e ele morreu, como dissera Eliseu.
Foi um dia de salvação para a cidade de Samaria. Foi um dia de salvação para os quatro leprosos.
Eu gostaria de destacar estas palavras deles, no v. 9
Então, disseram uns para os outros: Não fazemos bem; este dia é dia de boas-novas, e nós nos calamos; se esperarmos até à luz da manhã, seremos tidos por culpados; agora, pois, vamos e o anunciemos à casa do rei.
– “Este é um dia de boas novas” (um dia em que recebemos o alimento que nos dará vida; é dia de salvação, é dia de vitória).
– “Na cidade tem tanta gente morrendo de fome. Se ficarmos calados, seremos culpados”.
– “Então devemos falar”.
Eu desejo tomar as palavras destes homens como um lembrete a todos nós, os que vivemos em tempos de evangelho.
1. Hoje é dia de boas novas
A palavra que aqui é traduzida por “boas novas”, na tradução grega deste texto é evangelias, de onde vem a nossa palavra “evangelho”.
1.1. Do ponto de vista espiritual, a humanidade todas é leprosa e faminta.
O pecado é um problema universal, no sentido de que não existe um ser humano sequer que não seja pecador.
E nós podemos dizer que, assim como a enfermidade da lepra é uma doença que degenera o corpo, o pecado degenera a alma. O pecado degenera o caráter, a personalidade.
Nós fomos criados à imagem de Deus, mas o pecado degenera esta imagem tão bonita segundo a qual Deus nos criou.
Fomos feitos para a justiça, mas o pecado nos tornou injustos.
Fomos feitos para a verdade, mas o pecado nos tornou mentirosos.
Fomos feitos para amar, mas o pecado nos levou ao ódio, à inveja, às inimizades; o pecado nos tornou pessoas egoístas, centralizadas em nós mesmos.
Fomos feitos para a liberdade, mas o pecado nos tornou escravos dos vícios.
Fomos criados para Deus, para glorificar seu nome, para refletir sua imagem em nossos relacionamentos, em nosso trabalho e cultura, mas o pecado distorceu tudo isto, para nos alegrarmos em Deus e em nossas obras; e ao mesmo tempo em que somos capazes de coisas grandiosas e belas, somos também capazes de perversidades.
E veja: desde que nossos primeiros pais, Adão e Eva, se tornaram pecadores, não há um ser humano que já não seja concebido desta forma, pois como Davi, falando de sua própria e dolorosa experiência, representou também a cada um de nós.
Sl 51:5
Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe.
Davi não está dizendo que sua concepção, no interior de sua mãe, foi um ato pecaminoso da parte dela.
Nós sabemos, conforme o ensino bíblico, que o relacionamento sexual entre um homem e sua esposa não é pecado, ao contrário, foi concebido por Deus não somente como um meio para a procriação, mas também para a nossa satisfação e prazer na vida conjugal[1].
Mas o que Davi está dizendo é que, desde que somos concebidos, a natureza pecaminosa vem como que embutida, faz parte do “DNA da nossa alma”, e já nascemos propensos a cometer toda sorte de coisas erradas.
Ou como disse Isaías sobre a vida espiritual do povo dos seus dias: – “Desde a planta do pé, até a cabeça ano há nele coisa sã, senão feridas; contusões e chagas inflamadas...” [2].
E sabe o que acontece quando uma doença grave não é devidamente tratada? Ela leva à morte.
Pois é isto precisamente o que faz o pecado: ele nos levou, a humanidade inteira, à morte, à separação de Deus e da vida feliz e abençoada que ele deu aos nossos primeiros pais no jardim do Éden.
Pois como está escrito: “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”...[3].
Mas vejam. Não é sem motivo que a mensagem bíblica é chamada “evangelho”.
1.2. Pois ela não nos diz apenas que somos pecadores espiritualmente destruídos. Ela também diz que há cura para nossas almas.
Jesus afirma que veio para curar os enfermos de alma[4].
Jesus veio para ressuscitar os que estão mortos em seus pecados, pois, se o salário do pecado é a morte, o dom de Deus é a vida eterna em Jesus Cristo, o nosso Senhor.[5]
Em Jesus nós somos curados
1ª Pe 1:18-19
Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, 19 mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo.
Você vê que coisa maravilhosa? Mediante o sangue de Jesus Cristo, derramado na cruz pelos nossos pecados, nós fomos não apenas perdoados, mas resgatados daquela herança pecaminosa que herdamos de nossos pais.
Assim que, aquele que tinha um coração governado pelo egoísmo, agora tem um coração novo, governado pelo amor de Deus.
Aquele que tinha uma natureza inclinada à mentira, agora vive e fala a verdade.
Aquele que amava o dinheiro, agora ama as coisas celestiais.
Aquele que antes era um escravo de vícios, agora é livre.
Jesus curou nossas almas.
E como diz o salmo 23, fez de você, uma alma faminta de Deus, uma alma farta de bênçãos.
Agora, lembra-se de como você foi assim curado? Lembra-se de como a tua lepra foi tirada e a tua alma satisfeita? É que alguém veio e contou para você a boa notícia do evangelho.
Como um médico que diz: – “Olha a tua enfermidade, se não for tratada, é grave. Mas não se desespere: há remédio e cura”.
Por outro lado, o que acontece quando somos curados de uma grave enfermidade e depois vemos alguém sofrendo do mesmo mal? Nós contamos que existe um médico que cura; nós falamos do remédio.
O que acontece quando alguém está com fome e nós estamos saciados? Nós compartilhamos o que temos. Se não fizermos assim, seremos tidos por culpados.
2. Hoje é tempo de boas novas. Se nos calarmos, seremos tidos por culpados
Há pelo menos duas razões aqui pelas quais nós precisamos falar do Evangelho da salvação em Jesus
2.1. A primeira delas é que por ele as pessoas tomam conhecimento da salvação
Neste contexto, vale a pena nos lembrarmos da Palavra de Deus por meio de Ezequiel.
Ez 33:7-9
A ti, pois, ó filho do homem, te constituí por atalaia sobre a casa de Israel; tu, pois, ouvirás a palavra da minha boca e lhe darás aviso da minha parte.  8 Se eu disser ao perverso: Ó perverso, certamente, morrerás; e tu não falares, para avisar o perverso do seu caminho, morrerá esse perverso na sua iniquidade, mas o seu sangue eu o demandarei de ti.  9 Mas, se falares ao perverso, para o avisar do seu caminho, para que dele se converta, e ele não se converter do seu caminho, morrerá ele na sua iniquidade, mas tu livraste a tua alma.
Imagine um sentinela colocado sobre o muro de uma cidade antiga, para avisá-la da aproximação do inimigo. Imagine que este sentinela durma e a cidade seja invadida enquanto ele dorme.
Ou imagine que ele abandone o seu posto, a fim de cuidar dos seus próprios interesses, e enquanto ele faz isto a cidade seja invadida sem que houvesse a possibilidade de se preparar para o ataque inimigo.
A culpa seria dele.
Não podemos deixar de falar, pois isto seria roubar das pessoas uma oportunidade dada por Deus, para que se arrependam, creiam em Jesus e sejam salvas do inimigo mortal.
É claro, amados, que nem todas as pessoas têm a sabedoria de crer no Evangelho de Jesus.
Na história que temos aqui, o capitão mais próximo ao rei não acreditou na boa notícia, e morreu no dia seguinte. Não pode comer, segundo a mesma palavra do profeta.
Por isto Jesus também adverte dizendo que quem crer no evangelho e for batizado será salvo. Quem porém não crer já está condenado[6].
Então, por amor, devemos pregar, anunciar a salvação, insistir para que os homens sejam salvos[7].
2.2. Mas a segunda razão, é que não é somente por amor – também é um dever.
Já vimos anteriormente que o Senhor advertiu a Ezequiel no sentido de que se o profeta não chamasse os pecadores ao arrependimento, os pecadores morreriam em suas iniquidades, mas o Senhor iria requerer o sangue deles, do profeta.
Agora digo que Paulo sentia este peso sobre seu coração: que pregar o Evangelho, além de ser uma obra de amor, era também um dever.
1ª Co 9:16-17
Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho!  17 Se o faço de livre vontade, tenho galardão; mas, se constrangido, é, então, a responsabilidade de despenseiro que me está confiada.
Ora, irmãos, temos esta obrigação, para com Deus e os homens. Temos esta obrigação para com nossa própria consciência.
3. Então fale
Conte aos outros o que Deus fez em tua vida..
3.1. Conte vivendo o Evangelho.
A Bíblia nos ensina a pensar sobre a nossa vida com um conceito bastante elevado. Somos a mensagem, a palavra de Deus para um mundo enfermo.
2ª Co 3:2, 3
Vós sois a nossa carta, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos os homens, 3 estando já manifestos como carta de Cristo, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações.
A Bíblia diz que nós somos a carta de Deus perante o mundo. Sabem, irmãos, a maior parte das pessoas não lê a Bíblia. E o melhor jeito de elas conhecerem a mensagem de Jesus é através do testemunho dos crentes.
Ai do mundo, se os crentes não viverem de acordo com o ensino do Evangelho: o mundo não saberá o que é ser um cristão de verdade.
E hoje em dia, amados, há muitas pessoas se dizendo cristãs, mas que não entenderam ainda o que significa isto.
Há cristãos desonestos nos negócios, aproveitadores, que querem tirar vantagem de tudo e de todos.
Há cristãos desobedientes à Bíblia, que se deixam levar pelos “pecados da moda”: bebedices, diversões mundanas, ganância, mentiras, mexericos sobre a vida alheia, sensualidade, e todo tipo de detestáveis idolatrias, de culto ao próprio “ego”.
E o mundo zomba, não sabe o que é ser cristão, e perece por causa do mau testemunho dos “cristãos”.
Por outro lado, tenho a alegria de ver também que existem muitos verdadeiros crentes em Jesus: gente que ama e obedece à Palavra de Deus, que vive em amor, e tem feito com que muitos outros possam crer e serem salvos por causa do seu bom testemunho.
Gente que vive a alegria de ser filho de Deus. Que vive em liberdade do pecado, que não tem medo da morte, que não se submete aos desejos da carne e de Satanás.
Na medida em que o mundo lê o Evangelho nessas vidas, pode entender o significado do amor de Deus, de sua justiça e graça revelados em Jesus Cristo.
3.2. Conte falando o Evangelho
Da mesma forma com a Bíblia diz que nossa vida é uma carta de Deus escrita e lida perante todos os homens, também diz que somos portadores da mensagem de Deus.
2ª Co 5:20
De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus.
Que conceito lindo: somos embaixadores de Deus. Nossa pátria não é aqui. Nossa pátria está no céu.
Mas estamos aqui neste mundo como representantes do céu, falando em nome de Deus.
Fale da parte de Deus: conte como Jesus curou você dos seus pecados, como ele salvou você da morte eterna.
Dê seu testemunho. Peça a Deus oportunidades para contar aos outros como Deus te livra do mal, como te dá vitória em suas tribulações, como ele supre suas necessidades.
Quando oportuno, aconselhe as pessoas, segundo a Palavra de Deus, para que saibam como é sábia e abençoada a vida orientada por Deus.
Quando oportuno, admoeste, reprove o pecado, reprove em amor, como o fazia Jesus, advirta, com paciência e ensino.
Use folhetos, use boa literatura, incentive as pessoas a conhecerem as doutrinas da Bíblia.
Convide pessoas para a igreja. Aqui elas podem ouvir mais da Palavra de Deus, podem estudar os evangelhos, podem conhecer Jesus e sua mensagem.
Use os meios de comunicação ao seu alcance: as mídias sociais; não se envergonhe de ser crente; não use este recurso precioso para colocar mensagens frívolas; coloque seu testemunho de uma vida bonita. Coloque mensagens de salvação.
Use seus recursos econômicos para que outros possam testemunhar
Contribua com missões. Ore pelos missionários, pelos pastores, pelos evangelistas. Ore pela igreja. Contribua com a igreja. Ajunte tesouros no céu.
Este dia é dia de boas-novas, e nós nos calamos; se esperarmos até à luz da manhã, seremos tidos por culpados; agora, pois, vamos e o anunciemos...
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[1] Pv 5:18, 19
[2] Is 1:6
[3] Rm 3:23
[4] Mt 9:12
[5] Rm 6:23
[6] Mc 16:16
[7] 1ª Tm 4:1, 2

domingo, 7 de junho de 2015

Unidade, diversidade, caridade - Rm cap. 14-15:13

IPC em Pda. de Taipas
Domingo, 7 de junho de 2015
Pr. Plínio Fernandes
Amados irmãos, vamos ler Romanos cap. 14 e 15:1-13
14:1-23 – Acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões.  2 Um crê que de tudo pode comer, mas o débil come legumes; 3 quem come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come, porque Deus o acolheu. 
4 Quem és tu que julgas o servo alheio? Para o seu próprio senhor está em pé ou cai; mas estará em pé, porque o Senhor é poderoso para o suster.  5 Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente.  6 Quem distingue entre dia e dia para o Senhor o faz; e quem come para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come para o Senhor não come e dá graças a Deus.  7 Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si.  8 Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor.  9 Foi precisamente para esse fim que Cristo morreu e ressurgiu: para ser Senhor tanto de mortos como de vivos.  10 Tu, porém, por que julgas teu irmão? E tu, por que desprezas o teu? Pois todos compareceremos perante o tribunal de Deus.  11 Como está escrito: Por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua dará louvores a Deus.  12 Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus.
13 Não nos julguemos mais uns aos outros; pelo contrário, tomai o propósito de não pordes tropeço ou escândalo ao vosso irmão.  14 Eu sei e estou persuadido, no Senhor Jesus, de que nenhuma coisa é de si mesma impura, salvo para aquele que assim a considera; para esse é impura.  15 Se, por causa de comida, o teu irmão se entristece, já não andas segundo o amor fraternal. Por causa da tua comida, não faças perecer aquele a favor de quem Cristo morreu.  16 Não seja, pois, vituperado o vosso bem.  17 Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. 18 Aquele que deste modo serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens. 
19 Assim, pois, seguimos as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os outros.  20 Não destruas a obra de Deus por causa da comida. Todas as coisas, na verdade, são limpas, mas é mau para o homem o comer com escândalo.  21 É bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa com que teu irmão venha a tropeçar ou se ofender ou se enfraquecer.  22 A fé que tens, tem-na para ti mesmo perante Deus. Bem-aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova.  23 Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque o que faz não provém de fé; e tudo o que não provém de fé é pecado.
15:1-13 – Ora, nós que somos fortes devemos suportar as debilidades dos fracos e não agradar-nos a nós mesmos. 
2 Portanto, cada um de nós agrade ao próximo no que é bom para edificação.  3 Porque também Cristo não se agradou a si mesmo; antes, como está escrito: As injúrias dos que te ultrajavam caíram sobre mim.  4 Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança.  5 Ora, o Deus da paciência e da consolação vos conceda o mesmo sentir de uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, 6 para que concordemente e a uma voz glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.  7 Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus.  8 Digo, pois, que Cristo foi constituído ministro da circuncisão, em prol da verdade de Deus, para confirmar as promessas feitas aos nossos pais; 9 e para que os gentios glorifiquem a Deus por causa da sua misericórdia, como está escrito: Por isso, eu te glorificarei entre os gentios e cantarei louvores ao teu nome.  10 E também diz: Alegrai-vos, ó gentios, com o seu povo.  11 E ainda: Louvai ao Senhor, vós todos os gentios, e todos os povos o louvem.  12 Também Isaías diz: Haverá a raiz de Jessé, aquele que se levanta para governar os gentios; nele os gentios esperarão.  13 E o Deus da esperança vos encha de todo o gozo e paz no vosso crer, para que sejais ricos de esperança no poder do Espírito Santo.
No século XVI, um movimento do Espírito de Deus mudou o curso da História da Igreja e do mundo: a Reforma Protestante.
A Reforma aconteceu em vários lugares da Europa ao mesmo tempo, através de diferentes homens.
Por isto, ao mesmo tempo em que entre as diversas pessoas, ou grupos de pessoas que experimentaram esta atuação do Espírito Santo, havia muitas coisas em comum, havia também muitos pontos secundários nos quais existiam diferenças de pensamento e prática; por exemplo: a santa ceia, a forma do batismo, a forma de governo da igreja.
Mas diferenças de pensamento entre os crentes, sobre certos assuntos, sempre existiram na história da igreja: nos primeiros dias do Cristianismo, havia discussão entre os crentes em Jesus a respeito do que se pode comer ou não, entre o que se pode beber ou não, se há dias especiais que devem ser observados ou não – diferenças estas que podem ser percebidas no texto que estamos a considerar.
Por conta deste tipo de controvérsias, Richard Baxter, um pastor puritano, expressou suas convicções da seguinte maneira:
Existem algumas verdades essenciais, sem as quais alguém, ou uma comunidade eclesiástica não podem ser verdadeiramente chamados cristãos – nestas verdades essenciais precisa haver unidade de pensamento e prática [1].
Existem certos assuntos nos quais os cristãos podem divergir entre si, sem que isto afete a essência de sua fé. Nestas coisas não essenciais, pode haver diversidade.
Mas em todas as coisas, precisa haver caridade [2].
Unidade, diversidade, caridade. Embora seja uma frase moderna, estou convicto de que é alicerçada sobre a Palavra de Deus. Este é o assunto de nosso estudo de hoje.
Veremos como estas verdades são ilustradas no ensino de Paulo neste texto que lemos.
1. Paulo ensina que algumas verdades do evangelho de Cristo são essenciais, e nelas, todos os crentes devem estar de acordo em seu entendimento – aqui deve haver unidade
Vejamos algumas
1.1 - O reconhecimento de Jesus Cristo como Senhor (somente Cristo)
Cristão verdadeiro é aquele que reconhece a Jesus como Senhor de sua vida e de todas as coisas.
Rm 14: 9,11
9 Foi precisamente para esse fim que Cristo morreu e ressurgiu: para ser Senhor tanto de mortos como de vivos. 
11 Como está escrito: Por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua dará louvores a Deus. 
O que faz de você um cristão não é o que você come ou o que você bebe, mas sim o ter entregado sua vida a Cristo reconhecendo-o como seu Senhor.
Cristo é o Senhor do seu coração, de sua mente, de sua vida? Isto é, você reconhece a Cristo como Deus e Senhor do universo, e consequentemente, como o teu Senhor?
Cristianismo verdadeiro é isto:
Rm 14: 7, 8
7 Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. 8 Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor.
1.2 - O reconhecimento de que a fé é o meio de viver de modo agradável a Deus (somente a fé) 
Rm 14:23
Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque o que faz não provém de fé; e tudo o que não provém de fé é pecado.
Aqui Paulo está citando uma doutrina fundamental, sem a qual não podemos ser chamados de cristãos: a doutrina de que a fé é o meio de chegar-se a Deus em Jesus Cristo.
Justificados, pois mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo...[3]
Pelo qual temos ousadia, e acesso (ao Pai) com confiança, mediante a fé nele...[4]
Pois como está escrito: o justo viverá pela fé [5].
Para Deus, a atividade exterior de alguém que se diz cristão só é importante à luz da atitude interior.
Qualquer ação nossa que não seja fruto da fé é pecado.
Por exemplo, este culto que prestamos: se não for motivado pela fé em Jesus Cristo, se não for pela fé em sua Palavra, mas pelo tradicionalismo, ou pela formalidade, ou como uma obra para se obter o favor divino, se não for fruto da fé no fato de que em Cristo podemos nos achegar a Deus, de modo agradável a ele, se não for “em espírito e em verdade”, apenas estaremos oferecendo a Deus sacrifício que ele não pediu.
Ef 2:8, 9
Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; 9 não de obras, para que ninguém se glorie.
Hb 11:6
De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam.
A salvação é pela graça mediante a fé, pois Cristo é o Senhor.
1.3 - O reconhecimento de que a Palavra escrita de Deus, a Bíblia, é o fundamento de nossa fé
Rm 15:4
Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança.
Mais uma vez, Paulo está fazendo eco a uma doutrina repetidas vezes ensinada na Bíblia: o cristão verdadeiro entende que tudo quanto está escrito é para seu ensino, consolação e esperança.
Ele crê que a Bíblia é a Palavra de Deus, não apenas a contém.
Por quê? Porque Cristo é o seu Senhor, e este é o pensamento de Cristo sobre as Escrituras; por tanto, ter as Escrituras como alicerce de sua esperança em Deus é indiscutivelmente fundamental.
Jo 10:34, 35
Replicou-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: sois deuses?  35 Se ele chamou deuses àqueles a quem foi dirigida a palavra de Deus, e a Escritura não pode falhar...
Para mim estas são as palavras mais incisivas e claras a respeito da perspectiva cristã sobre a Bíblia.
Nelas, o Senhor Jesus diz o que ele pensa sobre ela. Citando o Salmo 82[6], ele o designa de lei, Escritura, Palavra de Deus infalível.
É claro que Jesus não pensava isto apenas desta passagem, mas conforme Lucas cap. 24, ele considerava Escrituras todo o Antigo Testamento judaico, isto é, o Pentateuco, os Escritos e os Profetas [7].
Ora, se cremos em Jesus, então cremos também nas Escrituras, tal como ele ensinou.
1.4 - O reconhecimento de que o Reino de Deus é constituído de realidades espirituais, interiores.
Rm 14:17, 18
Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. 18 Aquele que deste modo serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens.
Paz, alegria, justiça, como resultados de uma vida que é fruto, e conduzida pelo Espírito Santo.
Estas coisas, portanto, são essenciais. São características de todo verdadeiro cristianismo.
2. Coisas não essenciais – diversidade
2.1 - Comida e bebida
14:1-3
Acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões. 2 Um crê que de tudo pode comer, mas o débil come legumes; 3 quem come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come, porque Deus o acolheu
14:21
É bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa com que teu irmão venha a tropeçar ou se ofender ou se enfraquecer
14:17
Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo
Existiam, entre os primeiros cristãos, certos problemas acerca de coisas que Jesus falou, mais provavelmente por falta de conhecimento, uma vez que o Novo Testamento não foi escrito e publicado em poucos meses, mas ao longo de muitos anos até fins do primeiro século.
Devido à sua herança religiosa, muitos dos primeiros cristãos judeus não comiam carne de certos animais, ou de qualquer animal sufocado. Mas Jesus havia considerado puros todos os alimentos:
Mc 7:18, 19 [8]
Então, lhes disse: Assim vós também não entendeis? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar, 19 porque não lhe entra no coração, mas no ventre, e sai para lugar escuso? E, assim, considerou ele puros todos os alimentos.
Então não havia qualquer alimento que fosse proibido a um crente em Jesus. Mas ainda assim, por questões de fraqueza na fé, alguns cristãos judeus não comiam certos tipos de carne.
Por outro lado, entre os cristãos gentios não havia o pensamento de que algum tipo de alimento pudesse ser proibido. Mas alguns tinham dúvidas sobre o comer alguma carne vendida no açougue, e que talvez tivesse sido dedicada a algum ídolo.
O mesmo podemos dizer em relação à bebida: nosso Senhor bebia vinho com a mesma naturalidade que qualquer outro judeu bebia, e entendia que o vinho era uma dádiva de Deus como outro alimento qualquer.
Naturalmente que Jesus nunca se embriagou, pois isto sim, é pecado. Mas mesmo assim porque ele desfrutava com simplicidade, sem afetação, das coisas comuns, chegou a ser criticado pelos “santarrões de plantão” entre os judeus.
Lc 7:33, 34
Pois veio João Batista, não comendo pão, nem bebendo vinho, e dizeis: Tem demônio!  34 Veio o Filho do Homem, comendo e bebendo, e dizeis: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores!
Agora, embora entre os cristãos judeus não houvesse dificuldade em se usar o vinho como uma bebida do dia a dia, entre os gentios que vinham do paganismo, um ambiente em que muitas orgias eram realizadas a Baco, ou Dionísio, “deus do vinho”, este tipo de bebida suscitava questões de consciência.
Também havia questões sobre os dias
Rm 14:5 [9]
 Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente
O centro de nossa fé é Jesus Cristo.
Então não devemos ser julgados, nem julgar qualquer pessoa, por causa de dias, comidas, bebidas.
Mas não fazemos assim, e além das coisas especificamente mencionadas na Bíblia como secundárias, no nível dos costumes ficamos discutindo acerca de cinema, TV, roupas, corte de cabelos, maquiagem, palmas, cortinas, e tantas outras coisas, que o Reino de Deus, que não é comida, nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo, é deixado de lado.
Em nível teológico ficamos discutindo e menosprezando irmãos de outras convicções acerca de modos e de batismos, de santa ceia, de calvinismo ou arminianismo[10], de presbíteros ou congregações no governo da igreja, e em nossos corações, “ficamos jogando estes irmãos no inferno”, tropeçando e fazendo tropeçar pessoas amadas de Deus, por quem Jesus Cristo morreu.
Começamos a nos preocupar em quantos estão contra e quantos a favor. Aquela visão bonita do Reino de Deus se desfaz, e ficamos discutindo sobre coisas que não salvam nem santificam ninguém, ao contrário, que embora tenham aparência de humildade e santidade não tem valor algum contra a carnalidade [11].
Estas coisas nos separam uns dos outros, e de Deus.
Por quê? Porque, muitas vezes, está faltando o terceiro elemento. Paulo diz que se somos crentes em Jesus, nosso grande propósito é seguir a Jesus em todas as coisas, e aqui, especificamente, em sua maneira de lidar conosco.
Assim, temos considerado que: nas coisas essenciais, unidade. Nas coisas não essenciais, diversidade. Agora...
3. Em todas as coisas, caridade (amor)
Porque o amor é tão importante?
Para exemplificar sua importância eu desejo citar apenas duas referências
Gl 5:6
Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor.
Em Cristo, o que tem valor não é o pedigree, seja racial, cultural, filosófico ou teológico, mas a fé; não se esqueça de que o justo viverá pela fé; mas o veículo, o meio através do qual a fé se manifesta, é o amor.
Quem ama cumpre o maior de todos os mandamentos, mas que não ama está demonstrando que não tem verdadeira fé, aquele dom de Deus citado em Efésios, e que nos transforma o coração.
Se eu tiver fé a ponto de transportar montes, mas não tiver amor, nada serei [12].
1ª Co 8:1
No que se refere às coisas sacrificadas a ídolos, reconhecemos que todos somos senhores do saber. O saber ensoberbece, mas o amor edifica.
“O amor edifica”. E a preocupação de Paulo aqui, vale dizer, a intenção do Espírito Santo, é que pelo amor nos edifiquemos uns aos outros.
Se eu tiver fé a ponto de transportar montes, mas não tiver amor, nada serei. Se eu for um “grande erudito”, ou se eu puder provar minha “árvore de genealógica de sucessão apostólica até os doze”, e não tiver amor, nada disto terá valor diante de Deus.
3.1 - Pelo amor, nos acolhemos uns aos outros, apesar de nossas fraquezas e diferenças quanto às coisas secundárias
Rm 14:1
Acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões.
Quando agimos assim, estamos sendo imitadores de Cristo, fazendo com nossos irmãos o mesmo que Jesus tem feito conosco, apesar de nossas fraquezas e debilidades.
15:6,7
Para que concordemente e a uma voz glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.  7 Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus.
3.2 - Pelo amor, não nos desprezamos uns aos outros. Não nos achamos superiores; não nos achamos mais esclarecidos, não pensamos que somos os únicos crentes fiéis.
14:3
Quem come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come, porque Deus o acolheu
3.3 - Pelo amor, não nos julgamos uns aos outros
14:3-7
Quem come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come, porque Deus o acolheu.  4 Quem és tu que julgas o servo alheio? Para o seu próprio senhor está em pé ou cai; mas estará em pé, porque o Senhor é poderoso para o suster.  5 Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente.  6 Quem distingue entre dia e dia para o Senhor o faz; e quem come para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come para o Senhor não come e dá graças a Deus.  7 Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. 
14: 13 , 14
Não nos julguemos mais uns aos outros; pelo contrário, tomai o propósito de não pordes tropeço ou escândalo ao vosso irmão.  14 Eu sei e estou persuadido, no Senhor Jesus, de que nenhuma coisa é de si mesma impura, salvo para aquele que assim a considera; para esse é impura. 
Mas cuidado com o espírito farisaico de alguns! Pois há daqueles que, dizendo-se irmãos, não agem de boa fé, e a pretexto de amor, querem que nos submetamos aos seus legalismos. Há daqueles que têm prazer em dominar sobre a consciência dos outros, e se dizem escandalizados com qualquer coisa, a fim de que vivemos de acordo com seus desejos. Mas Jesus nunca se submeteu a fariseus.
Por outro lado, cuidado também para não se utilizar de seus próprios gostos, temperamento e preferências para impor fardos sobre os irmãos.
Mt 23:4, 13
Atam fardos pesados e difíceis de carregar e os põem sobre os ombros dos homens; entretanto, eles mesmos nem com o dedo querem movê-los... Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois vós não entrais, nem deixais entrar os que estão entrando!
Tt 1:15
Todas as coisas são puras para os puros; todavia, para os impuros e descrentes, nada é puro. Porque tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas.
3.4 - Pelo amor, negamo-nos a nós mesmos, para a edificação uns dos outros
15:1-3
Ora, nós que somos fortes devemos suportar as debilidades dos fracos e não agradar-nos a nós mesmos. 2 Portanto, cada um de nós agrade ao próximo no que é bom para edificação. 3 Porque também Cristo não se agradou a si mesmo; antes, como está escrito: As injúrias dos que te ultrajavam caíram sobre mim. 
14:15
Se, por causa de comida, o teu irmão se entristece, já não andas segundo o amor fraternal. Por causa da tua comida, não faças perecer aquele a favor de quem Cristo morreu.
O resultado de uma vida de amor
15:13
E o Deus da esperança vos encha de todo o gozo e paz no vosso crer, para que sejais ricos de esperança no poder do Espírito Santo.
A vida cristã se torna um “fardo leve e suave”, alegre, cheio de paz e justiça na direção do Espírito Santo.
Conclusão
Unidade, diversidade caridade.
Existem certas coisas que são essenciais na vida do verdadeiro Cristianismo, como:
O reconhecimento de Jesus Cristo como Deus e Senhor do universo, e consequentemente, nosso Senhor e Deus.
A vida eterna mediante a fé em Jesus Cristo.
A Palavra escrita de Deus (a Bíblia) como revelação de Jesus Cristo, a Bíblia como alicerce histórico da nossa fé.
A vida regenerada, dirigida pelo Espírito de Jesus Cristo.
Se uma pessoa crê nestas coisas, de todo o coração, se vive à luz disto, então é um verdadeiro cristão.
Mas existem coisas que não fazem parte da essência da vida cristã, como: comida e bebida, dias, modo de batismo, dons espirituais, modo de santa ceia, vestimentas, etc. Não somente costumes, mas também certas interpretações teológicas: no dia em que cada um de nós comparecer perante o tribunal de Cristo, ele não levará em consideração se fomos calvinistas ou arminianos, mas se vivemos pela fé através do amor.
Por isto, em todas as coisas, caridade. Caridade que nos leve a ser imitadores de Cristo, que não colocou-se a si mesmo em primeiro lugar, mas que tomou a sua cruz, a fim de fazer a vontade do Pai e nos ganhar para si.
Caridade que nos leve a acolher uns aos outros, a não nos julgarmos uns aos outros, a seguir a paz uns com os outros, a procurar a edificação uns dos outros.
Caridade que nos conduza a uma vida governada pelo Espírito Santo, falando nas Escrituras, governando nossos pensamentos e corações.
Caridade que nos leve a faze tudo para que em todas as coisas o Deus da paz seja glorificado.





[1] Veja também Gl 1:8,9; 2:3; At 16:3
[2] Citando Rupert Meldenius, apud John Stott, Cristianismo Equilibrado (Rio de Janeiro, CPAD, 3ª Ed., 1995), pág. 15
[3] Rm 5:1
[4] Ef 3:12
[5] Rm 1:17
[6] Sl 82:6
[7] Lc 24:25-27, 44, 45
[8] a) Se você não sabe a procedência, coma sem perguntar (1ª Co 10:25, 26).  b) Se você for informado, não coma, não por sua causa, mas por causa da consciência de quem lhe informou (1ª Co 10:28,29). c) Não participe de idolatria (1ª Co 10:20, 21)
[9] Atenção: existe diferença entre o débil, fraco, e o árbitro (juiz, que quer se colocar no lugar de Deus)
[10]Aprecio o artigo do Pr. Renato Vargens, O que penso sobre a “discussão” nas redes sociais entre calvinistas e arminianos, onde ele diz: “A história  nos traz inúmeros relatos de arminianos piedosos. Gente como Dwight Moody, John Wesley, Tozer, C. S. Lewis, Leonard Ranvenhill, David Wilkerson e Billy Graham são claros exemplos disso”. http://renatovargens.blogspot.com.br/search?q=arminianos; acessado em 3 de junho de 2015 às 16H.
[11] Veja Cl 2:16-23
[12] 1ª Co 13:2
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