Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos. Jeremias 15:16

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Antes de tudo - 1ª Tm 2:1-8

Mensagem ministrada à classe dos homens na 3ª IPC de São Paulo
Domingo, 6 de maio de 2007
Pr. Plínio Fernandes
Quando Paulo escreveu esta carta, ele estava, provavelmente na Macedônia, ao norte de Grécia, e Timóteo desenvolvia o seu ministério pastoral na Igreja em Éfeso.
Timóteo havia ficado ali, enquanto Paulo viajava para a Macedônia, porque a Igreja em Éfeso carecia de seu ministério.
Paulo pretendia ir para Éfeso também, mas enquanto isto não acontecia, ele escreveu para Timóteo, instruindo sobre como ele deveria realizar seu ministério, e como a igreja deveria, de modo geral, desenvolver sua vida diária diante de Deus.
Por isto esta é uma das três cartas escritas pelo apóstolo Paulo, que são conhecidas como “Epístolas Pastorais”. As outras duas são 2ª a Timóteo e a carta a Tito.
O final de cada uma delas nos mostra que são cartas escritas para os pastores, que deveriam ser lidas perante as igrejas.[1]
O propósito desta carta está registrado no cap. 3. Vamos ler os vs. 14, 15:
“Escrevo-te estas coisas, esperando ir ver-te em breve; para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade.”
A igreja, ele diz, é a casa que pertence a Deus, a casa do Deus Vivo, que habita nela e está no meio dela. Ela é a coluna, a sustentação da Verdade de Deus no mundo. É desta perspectiva que apóstolo de Jesus ministra estas instruções.
Se a igreja é a casa do Deus vivo, a proclamadora da Palavra da Verdade, como é que o pastor dela deve trabalhar? E como é que as pessoas da igreja devem viver?
E pensando nisto é que ele ministrou as instruções que temos diante de nós:
Cap. 2:1-8
1 Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, 2 em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. 3 Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, 4 o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.5 Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem,              6 o qual a si mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se deve prestar em tempos oportunos. 7 Para isto fui designado pregador e apóstolo (afirmo a verdade, não minto), mestre dos gentios na fé e na verdade. 8 Quero, portanto, que os varões orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ira e sem animosidade.
Os vs. 8 e 9 nos mostram que até o v. 8, ao falar sobre oração, Paulo estava principalmente se dirigindo aos homens da igreja.
É claro que ele não pensava que as mulheres não podem, ou não devem orar.
No v. 9, depois de descrever, no v. 8, a atitude dos homens na oração, ele diz que as mulheres devem proceder de modo semelhante e segue ensinando sobre elas.
Em outro lugar (1ª Co 11) ele também instrui sobre o procedimento das mulheres, tanto na oração quanto na profecia.
Mas uma coisa é clara: se este apóstolo, que fala pelo Espírito de Deus, estivesse aqui hoje, para ministrar a nós uma lição uma lição sobre como os homens devem proceder na igreja, a casa do Deus Vivo, certamente ele diria: “Antes de mais nada, recomendo que orem...
“Levantem mãos santas diante de Deus...” – o levantar as mãos era um gesto simbólico que as pessoas faziam, expressando assim o voltar-se do coração e da mente, o voltar-se da alma em direção aos céus.
“Levantem mãos santas diante de Deus intercedendo por toda classe de homens...”
Pois, se orar, irmãos, é falar com Deus, a oração é então algo muito apropriado para os homens de Deus, os homens da casa do Deus vivo.
E assim o Espírito Santo nos ensina por quem orar, por que orar e como orar.
Vocês são homens? Ouçam a voz do Espírito: – “Quero que os homens orem...”
1. Primeiramente vamos meditar nas instruções de Deus sobre a razão, ou as razões pelas quais devemos orar
Qual o propósito, ou quais os propósitos da oração?
vs. 2-4 nos apresentam três motivos para a oração: oramos pelo bem da igreja, oramos pelo o bem do mundo, e oramos para agradar a Deus.
1.1.Oramos pelo bem da igreja
Para que tenhamos uma vida mansa e tranqüila (sem perseguição), com piedade (devoção) e temor (do Senhor).
A igreja está inserida num mundo que, pela sua própria natureza, é hostil a ela. Ela é a coluna e baluarte da verdade num mundo governado pela mentira. E a cada dia vive em intensa luta, não contra as pessoas do mundo, mas contra os principados e potestades, contra as forças espirituais do mal que dominam este mundo tenebroso.
As armas da igreja não são carnais. Um dos exemplos mais fortes da Bíblia, um dos meus prediletos, que descrevem o poder da oração está em Êx 17:8-16
8 “Então, veio Amaleque e pelejou contra Israel em Refidim. 9 Com isso, ordenou Moisés a Josué: Escolhe-nos homens, e sai, e peleja contra Amaleque; amanhã, estarei eu no cimo do outeiro, e o bordão de Deus estará na minha mão. 10 Fez Josué como Moisés lhe dissera e pelejou contra Amaleque; Moisés, porém, Arão e Hur subiram ao cimo do outeiro. 11 Quando Moisés levantava a mão, Israel prevalecia; quando, porém, ele abaixava a mão, prevalecia Amaleque. 12 Ora, as mãos de Moisés eram pesadas; por isso, tomaram uma pedra e a puseram por baixo dele, e ele nela se assentou; Arão e Hur sustentavam-lhe as mãos, um, de um lado, e o outro, do outro; assim lhe ficaram as mãos firmes até ao pôr-do-sol. 13 E Josué desbaratou a Amaleque e a seu povo a fio de espada. 14 Então, disse o SENHOR a Moisés: Escreve isto para memória num livro e repete-o a Josué; porque eu hei de riscar totalmente a memória de Amaleque de debaixo do céu. 15 E Moisés edificou um altar e lhe chamou: O SENHOR É Minha Bandeira. 16 E disse: Porquanto o SENHOR jurou, haverá guerra do SENHOR contra Amaleque de geração em geração.
Amaleque (os inimigos de Israel) vem lutar contra o povo de Deus. Moisés ordena que os militares vão à batalha. Mas ele vai para o monte, a vara de Deus estará em sua mão. Ele vai erguer as mãos, elevar suas mãos ao céu intercedendo diante de Deus enquanto abençoa Israel.
Arão e Hur sobem com ele. Moisés levanta as mãos, e Israel sobrepuja as forças do inimigo. Mas com o passar do tempo, Moisés fica cansado e abaixa as mãos. E quando ele as abaixa, o inimigo prevalece contra Israel.
Arão e Hur, percebendo a relação entre uma coisa e outra, olocam uma pedra na qual Moisés se assenta. E cada um deles segura uma das mãos de Moisés, até que Israel prevaleça contra Amaleque. E o Senhor faz um juramento: de geração em geração haveria guerra contra os amalequitas.
A igreja, irmãos, está sempre em guerra contra Satanás, de geração em geração. E a vitória está no poder da oração; ou melhor, no poder do Deus que atende às orações.
1.2. Também oramos pelo bem do mundo
Vamos ler o que Paulo escreveu na carta aos romanos, sobre sua interecessão em favor de seus compatriotas:
Rm 10:1 – “Irmãos, a boa vontade do meu coração e a minha súplica a Deus a favor deles são para que sejam salvos”.
Esta é a oração de Deus em favor de seus compatriotas, que embora tivessem uma grande tradição bíblica, não criam em Jesus, e portanto não eram salvos. O mesmo tipo de oração que ele ensina, devemos fazer em favor de todos os homens, porque Deus deseja que todos os homens sejam salvos
Vejamos a promessa que Deus faz à sua igreja em 2º Cr 7:13-16
13 Se eu cerrar os céus de modo que não haja chuva, ou se ordenar aos gafanhotos que consumam a terra, ou se enviar a peste entre o meu povo;  14 se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.  15 Estarão abertos os meus olhos e atentos os meus ouvidos à oração que se fizer neste lugar.              16 Porque escolhi e santifiquei esta casa, para que nela esteja o meu nome perpetuamente; nela, estarão fixos os meus olhos e o meu coração todos os dias.
Sei que alguns irmãos entendem que esta é uma promessa de Deus para o antigo povo de Israel, e não se aplica a todas as nações da terra.
Mas penso que existem várias razões válidas para entendermos que é promessa do Senhor para a sua igreja em todos os lugares e tempos, enquanto estivermos no mundo.
Uma das razões que tenho é esta: agora nós, a igreja de todas as nações, é que somos o povo que se chama pelo nome de Jesus.
E neste texto o Senhor nos revela o seu querer a nosso respeito a cada geração: que o busquemos, que nos humilhemos diante de sua santa e poderosa mão, que nos convertamos dos nossos maus caminhos. E sempre que o povo do Senhor faz isto, ele perdoa, cura, restaura e abençoa. Ele não despreza corações contritos e quebrantados. A história da igreja manifesta como, muitas vezes, por causa da igreja, o Senhor abençoou as nações do mundo.
E quando olhamos, por exemplo, para a história bíblica do profeta Jonas, vemos como o Senhor teve misericórdia e concedeu sua graça ao grande povo de Níneve, quando este povo se humilhou e se converteu a Deus.
Seja no aspecto espiritual, seja no aspecto material, tanto o mundo quanto a igreja são abençoados pela intercessão dos homens
1.3.  Oramos para agradar a Deus
Pv 15:8 – “O sacrifício dos perversos é abominável ao SENHOR, mas a oração dos retos é o seu contentamento.”
A oração dos fieis agrada a Deus.
Agrada a Deus porque ela é uma expressão de fé. Se, como diz Hebreus 11:6, “sem fé é impossível agradar a Deus”, então a oração, por ser uma expressão de confiança em Deus, de humildade, de dependência, certamente o agrada.
Ainda segundo Hb 11:6, o Senhor recompensa aqueles que pela fé se aproximam dele.
A intercessão agrada a Deus também porque é uma expressão de amor para com a igreja e para com o mundo.
Assim, uma grande razão para orar é que com isto estamos agradando ao nosso Pai celestial
2. Em segundo lugar, vamos considerar por quem devemos orar
Numa frase, “por todos os homens”.
Orem, peçam, intercedam, com agradecimento pelas respostas de Deus, em favor de todos os homens, inclusive pelos reis, pelos que se acham investidos de autoridade.
Oram pela paz da nação. Orem pelo bem estar. O profeta Jeremias ordenou a Israel, da parte do Senhor:
Jr 29:7 – “Procurai a paz da cidade para onde vos desterrei e orai por ela ao SENHOR; porque na sua paz vós tereis paz”.
O Senhor instrui Israel a orar em favor da Babilônia, aquela cidade má e idólatra.
Vamos pensar nas diversas classes de pessoas pelas quais somos instruídos a orar:
O presidente, os ministros, o Congresso Nacional, os juízes, os governadores, os prefeitos, os secretários de segurança, de saúde, da educação
Os homens comuns: os operários, os comerciantes, os empresários, os que trabalham em escritórios, nas instituições educacionais, nas instituições financeiras, nos hospitais, nas ONGS, nas instituições científicas
As donas de casa, as empregadas, as crianças
Os homens em seus pecados: prostituição, tráfico e uso de drogas, alcoolismo, tráfico de gente, seqüestros, roubo legalizado através de instituições financeiras.
Orar pelas igrejas: suas denominações todas, suas lutas, seus pecados institucionais, os pecados individuais.
Os membros das igrejas, os pastores das igrejas.
Conclusão e aplicação
Há uma terceira instrução de Deus: a maneira, ou, o espírito com o qual como devemos orar. É um assunto tão importante, que devido ao pouco tempo que temos aqui iremos considerá-lo num outro estudo, quando a ocasião for propícia.
Assim por hora vamos nos deter nestes dois aspectos: Quero que os homens orem, em favor de todos, pelo o bem da igreja, pelo bem do mundo, para agradar a Deus.
Será que existem muitas pessoas que necessitam de nossas orações?
E se nós formos orar conforme o necessário: será que vamos gastar pouco tempo em oração? Será que deveremos, como Jesus, investir muito tempo diante de Deus? Ou como Moisés, ou Daniel, ou Pedro, ou Paulo?
O que podemos fazer?
Eu desejo fazer algumas sugestões
1. Proponha-se a orar. A orar diariamente.
Proponha-se a separar um tempo todos os dias, você e Deus.
Faça uma lista de pessoas por quem você irá interceder
Você pode, por exemplo, separar um dia da semana para orar em favor de cada classe de pessoas
Um dia pela sua família: seu cônjuge, seus filhos, seus pais. Ore por todas as necessidades de sua família
Um dia pela igreja: pelos líderes, pelos membros. Principalmente pelo pastor: é a pessoa a quem Satanás mais deseja derrubar.
Um dia pelo país, e assim por diante.
2. Proponha-se a orar com a igreja
Participe das reuniões de oração, pois “onde estão dois ou três reunidos em meu nome”, disse Jesus, “aí estou no meio deles”.
E lembre-se de que o Senhor Deus está nos ensinando, aqui em 1ª Tm, como se deve proceder na igreja.
3. Proponha-se a ajudar seu pastor a orar
Lembra-se da narrativa sobre a luta contra os amalequitas?
Moisés intercedia, Israel prevalecia. Moisés abaixava as mãos, Amaleque prevalecia.
Vendo que Moisés ficava cansado, sem forças para se manter em oração, Arão e Hur se colocaram um de cada lado dele, e seguraram suas mãos, de modo que o povo do Senhor prevaleceu
Os apóstolos ensinaram a igreja de Jerusalém que o ministério deles devia ser o da oração e da Palavra. Paulo ensinou que o ministério dele era este, e o dos pastores; e pediu orações incessantes da igreja em seu favor.
Assim, irmãos, orem pelos pastores, e orem com os pastores. Orem por mim, e por todos os pastores da nossa Igreja Conservadora. Orem por todos os pastores, de todas as igrejas de Deus.Orem por toda a liderança das igrejas.
Vocês são homens de Deus? Ouçam o que diz o Espírito: –“Quero que os homens orem”.




[1] 1a Tm 6:21; 2a Tm 4:22; Tt 3:15

domingo, 17 de dezembro de 2017

A luz prevalece sobre as trevas - Lc 23.44-49

      IPC de Vila Continental
Domingo, 22 de outubro de 2017
Pr. Plínio Fernandes
 44 Já era quase a hora sexta, e, escurecendo-se o sol, houve trevas sobre toda a terra até à hora nona. 45 E rasgou-se pelo meio o véu do santuário. 46 Então, Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E, dito isto, expirou. 47 Vendo o centurião o que tinha acontecido, deu glória a Deus, dizendo: Verdadeiramente, este homem era justo. 48 E todas as multidões reunidas para este espetáculo, vendo o que havia acontecido, retiraram-se a lamentar, batendo nos peitos. 49 Entretanto, todos os conhecidos de Jesus e as mulheres que o tinham seguido desde a Galiléia permaneceram a contemplar de longe estas coisas.
Em Lucas 22:3, está escrito que Jesus disse aos que, conduzidos por Judas, foram prendê-lo:
– “Esta é a vossa hora e o poder das trevas”.
Talvez nada mostrasse isto tão intensamente como o que aconteceu quando o Senhor foi cruelmente colocado sobre a cruz.
Desde a hora sexta (meio-dia) até à hora nona (três da tarde), quando ele morreu, houve uma imensa escuridão sobre a terra.
Escuridão não somente no sentido visível, como se o dia se tornasse em noite, mas também escuridão das almas que ali estavam.
As autoridades judaicas, os soldados romanos, a multidão, e até mesmo os criminosos zombavam do Senhor.[1]
E os discípulos, bem como outras pessoas que o haviam acompanhado, agora ficaram de longe, angustiados com tudo o que estava acontecendo.[2]
Parecia que o mal havia triunfado.
Mas Jesus é “a luz do mundo”,[3] e quando você acende uma luz num lugar escuro, as trevas não prevalecem contra ela.[4]
No princípio de todas as coisas, quando a terra era sem forma e vazia, e havia trevas, o Senhor disse: –“Haja luz!”, e houve luz.[5]
Da mesma forma, a promessa do profeta Isaías que dizia:
... Galiléia dos gentios! O povo que estava em trevas, viu grande luz,E aos que viviam na região e sombra da morte resplandeceu-lhes a luz, [6]
... se cumpriu quando o Senhor, depois de ser batizado, foi morar em Cafarnaum, e dali saiu para salvar pecadores, para curar enfermos, expulsar demônios e anunciar a vida eterna no reino de Deus.
A mesma luz que, diz o apóstolo João, ilumina todo homem que vem ao mundo.[7]
E agora, mesmo quando havia haviam chegado a hora e o poder das trevas, mais uma vez a luz do Senhor prevaleceu.
Eu desejo meditar com vocês sobre a maneira como a luz de Cristo prevaleceu sobre a escuridão daquela hora.
1. Prevaleceu porque não foram os homens, nem foram as forças espirituais que mataram a Jesus
v. 46 Então, Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E, dito isto, expirou.
Veja, se você olhar do ponto de vista humano, a crucificação de Jesus aconteceu através de uma série de atos de fúria raivosa e irracional da parte das autoridades judaicas.
Os chefes judeus haviam desenvolvido um ódio imenso contra o Senhor.
Herodes, rei da Galiléia, e Pôncio Pilatos, governador da Judeia, não viram em Jesus crime algum. Ele nunca fez nada de errado.
Mas o ódio dos judeus era tão grande que não quiseram que Jesus fosse “apenas açoitado”. Eles o queriam morto, conspirando com Judas, o traidor, conseguiram que Jesus fosse crucificado.[8]
Mas por trás de toda a crueldade humana estava o plano de Deus, vale dizer, o plano do próprio Senhor Jesus.
Vamos ler João 10.17, 18.
17 Por isso, o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. 18 Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai.
Se o Senhor Jesus quisesse, ele bem poderia pedir 12 legiões de anjos, e imediatamente eles viriam em seu socorro. [9] Mas se ele fizesse assim, como então os planos e as promessas de Deus se cumpririam?
Durante os últimos três anos de sua vida na terra, quando Jesus ia por toda a parte, fazendo o bem e pregando o evangelho da nossa salvação, houve várias ocasiões em que os homens maus quiseram matá-lo, mas Jesus simplesmente se afastava, porque ainda não havia chegado a hora. [10]
Mas agora a hora havia chegado. E então, por volta da hora nona, aquele que tinha o poder sobre a sua própria vida, morreu momento em que quis, clamando em alta voz:
– Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito.
E dizendo isto, expirou.
Não foram os homens, e não foi Satanás que tirou a vida de Jesus. Foi ele que a entregou.
2. A luz prevaleceu sobre as trevas porque, em sua morte, o Senhor Jesus cumpriu a grande missão de conduzir-nos ao céu
v. 45 – E rasgou-se pelo meio o véu do santuário.
O véu do santuário era uma espessa cortina que havia no templo em Jerusalém, e que separava o lugar santíssimo (o “santo dos santos”) dos demais recintos.
O santo dos santos, no qual ficava a arca a aliança, era uma representação do céu, o lugar da presença de Deus, e não era qualquer pessoa que podia entrar nele, mas somente o sumo sacerdote de Israel, e uma única vez por ano, a fim de oferecer a Deus um sacrifício para expiar os pecados do povo.
Para que o sumo sacerdote entrasse através do véu, ele deveria estar santificado, e comparecer perante Deus com a oferta do sangue de um cordeiro, sem defeito, que deveria ser aspergido sobre a tampa da arca da aliança.
Este era o caminho pelo qual os homens deveriam chagar-se a Deus. Sem o sangue do cordeiro nem mesmo o sumo sacerdote poderia passar pelo véu.[11]
Mas quando Jesus foi crucificado, o véu do templo foi rasgado, de alto abaixo.
Porque Jesus é o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. [12]
Por meio do corpo de Jesus na cruz, por meio do seu sangue derramado, por meio da sua morte, um “novo e vivo caminho” para Deus foi aberto para todos os homens que nele crerem.
Vamos ler Hebreus 10.19-22.
19 Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, 20 pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, 21 e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, 22 aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura.
Por meio da sua morte, Jesus é o nosso caminho para Deus, a nossa porta de entrada no céu, é a nossa vida pela eternidade.
Um dos exemplos mais vívidos que temos na Escritura aconteceu na hora mesma da crucificação do Senhor.
Mateus nos diz que os dois ladrões que também foram crucificados estavam zombando de Jesus. Mas Lucas acrescenta que no coração de um deles resplandeceu a luz da salvação.
Leiamos Lucas 23.39-43.
39 Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também.  40 Respondendo-lhe, porém, o outro, repreendeu-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença?  41 Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez.  42 E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino.  43 Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.
Embora não saibamos como foi a vida pregressa deste homem a história de sua conversão é tão clara.
Mateus nos diz que ele era um ladrão (literalmente, “bandido”), e uma vez que condenado à morte, era provavelmente um assassino. Mas em meio à sua vida errada, percebemos aqui, ele começou a ouvir de Jesus.
Quem sabe o tenha ouvido pessoalmente, nalguma de suas pregações.
Veja como ele sabe tanta coisa sobre Jesus: sabe que Jesus não tem pecado; sabe que Jesus é o rei, e que nos conduz ao reino de Deus.
E também se reconhece como um pecador, e que está ali na cruz por causa dos seus próprios pecados.
Então ele faz uma verdadeira profissão de sua fé, e pede que Jesus se lembre dele.
E a resposta de Jesus é maravilhosa:
Hoje mesmo estarás comigo no paraíso.
O paraíso, de acordo com o que o apóstolo Paulo ensina, é o lugar da habitação de Deus, onde vamos viver com Cristo após esta vida, um lugar de consolo para todas as nossas lutas, tristezas e tribulações, e das recompensas de uma vida de fé, amor e esperança em Jesus.[13]
Hoje: não daqui a centenas de anos, depois de um prolongado “sono da alma”.
No paraíso: nem Jesus, nem o ladrão arrependido precisaram passar um tempo no inferno ou no purgatório. Mas naquele mesmo dia estariam no paraíso com Deus. [14]
Veja: como eram grandes as trevas em que este homem vivia.
Mas a luz do Senhor resplandeceu em sua vida, ele enxergou. E sua alma foi salva.
3. A luz que resplandeceu naquelas trevas permanece brilhando eternamente.
Não sabemos o que aconteceu posteriormente com as demais pessoas que estavam ali. Mas os soldados, especialmente o chefe deles, ficou profundamente tocados com tudo o que aconteceu. E as multidões, que a princípio se aglomeraram por “diversão”, saíram dali lamentando a morte de um justo.
Talvez muitos deles tenham uns quarenta dias depois se convertido, quando no dia do pentecostes ouviram Pedro dizer:
– A este Jesus, a quem vós o crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.[15]
Mas o fato é que Pedro, e todos os demais discípulos e mulheres que haviam ficado contemplando de longe depois se aproximaram, ou melhor, foram aproximados.
E a partir deles muito mais gente, que um dia jazia nas trevas do pecado, no vale da sombra da morte, foi iluminada.
Veja, meu irmão, o que o Espírito Santo fez na sua vida:
2ª Co 4:3-6
3 Mas, se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, 4 nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.  5 Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus. 6 Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo.
Amado, a tua própria conversão é o poder da luz do Senhor que continua a brilhar para sempre.
Houve um tempo em que você mesmo em trevas. Você não conhecia a doutrina do Senhor, não conhecia o Senhor, e por natureza estava condenado a uma vida de trevas eternas, naquele terrível lugar de choro e aflição,[16] pois era escravo do pecado, do mundo e de Satanás.[17]
Mas a luz do Evangelho disse ao seu coração: – Haja luz!; e a tua alma resplandeceu.
Hoje você vive na luz. Você sabe o seu caminho. O seu caminho é Jesus. Você sabe para pode vai, porque o teu destino é a casa do Pai.
Eu sou a luz do mundo, disse o Senhor. Quem em segue não andará em trevas; pelo contrário, terá a luz da vida.[18]
Conclusão
O dia da crucificação de Jesus foi o momento mais terrível da história do mundo.
Deus encarnado estava sendo crucificado.
Os dominadores deste mundo tenebroso, as forças espirituais do mal, estavam despejando sobre ele todo o ódio que têm para com Deus desde o começo da história humana.
Pecadores ignorantes, pecadores religiosos e pecadores bandidos zombavam e procuravam infligir dores físicas e morais sobre um homem inocente, que não havia feito por merecer nada daquilo.
Mas também foi a hora em que a luz resplandeceu mais intensa do quem em qualquer outra.
A luz resplandeceu porque ninguém tirou a vida de Jesus. Ele é quem a entregou, e entregou para o seu Pai. Ele deu a sua vida em lugar da nossa vida.
A luz resplandeceu nas trevas também porque na cruz ele rasgou o véu do templo, a abriu para nós um caminho ao santo dos santos, à presença de Deus nos mais altos céus.
A luz resplandeceu nas trevas porque desde lá continua a brilhar para sempre, no coração de todo aquele a quem ouve o Evangelho e nele crê.
Aplicações
Eu quero fazer três aplicações para a vida daqueles que amam a Deus:
1. Confie em Deus, mesmo que o mundo pareça estar em trevas
Is 50:10
Quem há entre vós que tema ao SENHOR e que ouça a voz do seu Servo? Aquele que andou em trevas, sem nenhuma luz, confie em o nome do SENHOR e se firme sobre o seu Deus
Amados, o mundo em que vivemos, decaído com está, e especialmente os dias em que vivemos, está caminhando nas trevas.
Estamos em dias que o mal é chamado bem, e o bem é chamado mal. Em dias que a Palavra de Deus, que é doce como o mel, é considerada amarga, e o pecado é considerado doce. Em que se faz da luz escuridade, e a escuridade é chamada esclarecimento.[19]
Dizem que homens não são homens e mulheres não são mulheres.
Dizem que a verdade não é absoluta, mas que tudo é relativo.
Dizem que os mandamentos de Deus são opressores , e que a liberdade exige que façamos tudo o que desejarmos.
E o resultado é que a delinquência, a irreverência, as blasfêmias contra Deus, os crimes estão correndo soltos em nossas ruas e nos palácios.
Mas isto não deve nos desanimar. Pois a luz do Senhor é mais forte que todas as trevas que podem existir no universo inteiro.
Mesmo que as coisas estejam difíceis, confie que no fim de todas as coisas o bem triunfará.
Ore pela nossa nação. Ore pela igreja do Senhor. Ore pela sua casa. Muitas vezes, quando a imoralidade corre solta, as falsas doutrinas são propagadas, a igreja torna-se fraca em seu testemunho, Deus tem levantado o seu povo para se aproximar dele, para orar, para confessar e abandonar seus pecados, e a história das nações tem mudado. Foi assim na reforma do século XVI, e em muitos outros momentos da história.
2. No desanime quando as luzes do mal quiserem prevalecer em teu próprio coração.
Muitas vezes a escuridão do pecado tenazmente nos assedia. Muitas vezes as tentações das trevas querem nos envolver.
Mas a cada dia, aproxime-se de Deus. Jesus, pelo seu corpo na cruz, abriu para nós um novo e vivo caminho. Pelo sangue de Jesus nós temos acesso ao trono de Deus, e neste trono, que é um trono de graça, e não de condenação para os crentes, temos também o mesmo Jesus como nosso sumo sacerdote, intercedendo diante de um Pai amoroso.
Se tentados, ele nos ajuda em nossas tentações.
E mesmo assim, se cairmos, ele nos ajuda para que não desfaleçamos em nossa fé, e tenhamos um coração ousado, limpo, em plena certeza de fé.
Ande na luz do Senhor, confessando seus pecados a Deus, não permitindo que as obras das trevas prevaleçam em seu coração.
3. Não seja cúmplice das obras das trevas, antes, reprove-as.
Amados, até as indústrias, os meios de comunicação em massa, as chamadas classes de elite, as pessoas que se entendem por esclarecidas (estas que a Palavra de Deus chama de loucas) estão se empenhando ferozmente para divulgar, forçar, impor a imoralidade em nome da democracia, da liberdade individual.
Não defenda estas coisas, não seja cúmplice destas coisas, não participe.
Veja o Salmo 101.3
Não porei coisa injusta diante dos meus olhos.
Às vezes eu vejo alguém defendendo que nós, os crentes, podemos, por exemplo, que podemos ouvir novelas de televisão, que podemos ouvir músicas, que podemos participar de festas, sem nos importar com o conteúdo, porque “o conteúdo não nos afeta”.
Fala-se mais ou menos assim:
– Se eu vir alguém fazendo uma coisa errada, não significa que eu vá fazer também. Eu estou apenas assistindo.
Está bem, suponhamos que não te afete (o que eu duvido muito). Como você, dizendo-se filho da luz, fica a apreciar, a se recrear, contemplando as obras das trevas.
E como não te afeta? Deveria afetar! Você deveria sentir nojo destas coisas abomináveis a Deus. Desperta, tu que dormes; levanta-te de entre os mortos, e Cristo te esclarecerá.[20]
Por último, quero fazer uma aplicação a alguém que ainda não recebeu esta luz, que é Jesus, em seu coração.
Você está andando nas trevas do pecado, fazendo a vontade de Satanás, o inimigo da tua alma, perdido e sem rumo.
E quando alguém anda na escuridão, o resultado é a morte.
Mas Jesus pode iluminar a tua vida. Ele pode te livrar das trevas e te conduzir seguro pelo caminho do céu.
Nós temos um hino que diz:
Deixa a luz do céu entrar,
Deixa o sol em ti nascer
Abre o coração, que Cristo vai entrar
E o sol em ti nascer [21]
Venha ao Senhor Jesus, confiando que na cruz ele morreu pelos seus pecados. Venha a Jesus por piores que sejas os seus pecados. Como aquele malfeitor que pediu: – Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino, peça isto ao Senhor, arrependido. Deixa a luz do céu entrar, e Jesus será a luz da tua vida.








[1] Vs. 34-36
[2] Mc 14:50
[3] Jo 8:12
[4] Jo 1:5
[5] Gn 1:3
[6] Cf. Mt 4:13-16; Is 9:1,2
[7] Jo 1:9
[8] Lc 23:8-25
[9] Mt 26.53
[10] Jo 7.30; 8.20
[11] Cf Hb 9:1-6
[12] Jo 1.29
[13] 2ª Co 12.1-4
[14] Ap 2.7
[15] At 2.36
[16] Mt 22.13
[17] Ef 2.1-3
[18] Jo 8.12
[19] Vj. Is 5.20
[20] Ef 5.11-14
[21] Hinário Novo Cântico, 209
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